D I S C I P L I N A Física Moderna Experimental
Modelos atômicos
Autores
Carlos Chesman de Araújo Feitosa
Claudionor Gomes Bezerra
aula
09
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Presidente da República
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Ministro da Educação
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Secretaria de Educação a Distância (SEDIS)
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sem a autorização expressa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Apresentação
N
esta aula, o modelo atômico de Bohr será apresentado e discutido, enfatizando suas
características físicas. Esse modelo atômico foi essencial para a compreensão do
mundo microscópico, e foi o elo entre os primeiros resultados da Física Quântica
e a explicação pelo formalismo de Schroedinger. Para completar nosso estudo haverá uma
atividade experimental, que é a montagem de um espectroscópio óptico, equipamento que
será usado para investigar espectros luminosos de diferentes tipos de lâmpadas.
Objetivos
Discutir o que são modelos para a Física.
1
Apresentar os principais modelos atômicos.
2
Descrever a montagem de um espectroscópio óptico.
3
Aula 09 Física Moderna Experimental 1
Introdução sobre
os modelos atômicos
Iniciamos lançando a pergunta: O que são modelos? Para responder essa questão,
vejamos o seguinte exemplo dado por A. Gaspar (2000, p. 15):
para entender o que é um modelo, vamos descrever como alguns povos antigos
imaginavam a Terra. Os Maias acreditavam que a Terra fosse, na verdade, as costas de um
gigantesco lagarto ou crocodilo estendido em um enorme lago. Para os babilônios, a Terra
era plana, circundada de oceanos e no centro localizava-se a Babilônia. Os filósofos gregos
formulavam outras hipóteses. Anaximandro supunha que a Terra fosse um cilindro, e
que todos os seres habitassem a sua face circular superior; Anaxímenes pensava que ela
fosse apenas um disco, enquanto Eratóstenes já admitia que ela tivesse a forma esférica.
Todas essas ideias são diferentes MODELOS da forma da Terra.
Em geral, os físicos recorrem a modelos para poder desenvolver suas teorias e explicar
os resultados experimentais. A forma como entendemos a estrutura da matéria, composta
de moléculas, átomos, elétrons, prótons, nêutrons e outras partículas distribuídas em
núcleos e orbitais, é um modelo elaborado pelos físicos e químicos.
É claro que os modelos, como as leis e os princípios, também são provisórios e sujeitos a
reformulações. No caso da Terra, por exemplo, não há mais sentido em fazer modelos da sua
forma – ela já é conhecida, foi vista e fotografada à distância por satélites e naves espaciais.
Uma vez com esta noção de modelo em mente, consideremos o caso do átomo. O
primeiro modelo chamado “pudim de ameixas” foi proposto, em 1903, por J. J. Thomson.
Por esse modelo, o átomo seria descrito como uma esfera na qual estariam distribuídas as
cargas positivas (o pudim), no interior da qual estariam incrustados os elétrons (as ameixas).
Posteriormente, em 1911, Rutherford, após a realização de sua famosa experiência, sugere um
modelo atômico semelhante a um “sistema solar”. Ou seja, um átomo constituído de uma parte
central densa, pequena e carregada de eletricidade positiva, chamada de núcleo, ao redor da
qual os elétrons estariam girando. Nesse modelo, o átomo deixa de ser indivisível e homogêneo.
Em seguida, em 1913, Bohr constrói um modelo semiquântico para explicar as inconsistências
do modelo planetário de Rutherford, a saber, a estabilidade atômica e o espectro de linhas
de emissão dos átomos. Finalmente, em 1932, Chadwick descobre o nêutron, concluindo em
sua versão mais simples, o quadro geral do modelo atômico, formado por prótons, nêutrons
e elétrons, conforme conhecido atualmente. Evidentemente, resultados modernos da física
de partículas vieram ampliar o quadro acima, ao mostrar que tanto o próton quanto o nêutron
são compostos por partículas ainda menores, chamadas de subatômicas (quarks e glúons),
enquanto que o elétron, até o presente momento, não apresenta estrutura interna.
2 Aula 09 Física Moderna Experimental
O modelo atômico de Bohr
Conforme apresentado na seção anterior, antes de Bohr criar seu modelo atômico, dois
modelos anteriores foram apresentados e foram fundamentais para o desenvolvimento do
modelo atômico de Bohr. Ambos os modelos eram resultados de experimentos, todavia restava
explicar pontos incongruentes.
Além do problema da instabilidade atômica no modelo de Rutherford, outro problema,
que carecia de uma explicação adequada, era relativo aos espectros de emissão de gases puros
e rarefeitos, principalmente do átomo mais simples, o átomo de hidrogênio. Os espectros
são formados de linhas discretas, cada uma com uma cor, que representam apenas algumas
frequências bem definidas. Newton, por volta de 1700, já havia observado, com o auxílio de
um prisma, a dispersão cromática da luz solar, mostrando que a luz solar é uma composição
de várias cores semelhante a um arco-íris.
Um fenômeno análogo à dispersão cromática pode ser facilmente observado com a
ajuda de um CD. A superfície de um CD não é perfeitamente lisa. Existem traços de pequenas
profundidades (numa escala de centésimos de milímetros) cuja distribuição é equivalente a de
uma grade de difração. Se uma luz solar incidir na superfície do CD, ela será decomposta, por
difração, nas suas diferentes cores, formando seu “arco-íris”. No entanto, se você direcionar o
CD para uma lâmpada fluorescente (cuja luz é produzida devido um gás de mercúrio) é possível
se observar a existência de algumas linhas mais intensas do que outras, dentro do “arco-íris”.
Esse efeito é melhor visualizado quando se usa outro tipo de lâmpada fluorescente, chamadas
de lâmpadas eletrônicas.
Qual é a origem dessas linhas de emissão? Para responder a esta pergunta, os físicos e
químicos construíram equipamentos especializados, chamados de espectrômetros ópticos,
que servem para analisar as cores de qualquer fonte de luz. Em seguida, utilizaram este
instrumento para investigar o gás mais simples, o gás de hidrogênio. Na Figura 1 é mostrado
o diagrama de um espectrômetro usado para investigar o espectro atômico de uma amostra
gasosa de hidrogênio. A luz proveniente de um tubo de Crookes, preenchido com um gás de
hidrogênio, a uma pressão da ordem de 1 pascal. A luz emitida, proveniente dos átomos do gás
que foi excitado por uma descarga elétrica, entra no corpo do espectrômetro, passa por uma
fenda de colimação, antes de chegar a uma grade de difração. O papel da grade de difração
(um obstáculo com certo número de fendas estreitas) é separar as cores do feixe luminoso
e as projetar numa tela. Na sequência, as diferentes cores podem ser observadas através da
ocular do espectrômetro.
Aula 09 Física Moderna Experimental 3
Lâmpada
Lâmpada de Fenda
kV hidrogênio Grade de Observador
difração
Fenda Visor
Grade de
difração
Visor
Figura 1 – Esquema de um espectrômetro utilizado nas investigações dos espectros atômicos.
Na Figura 2, apresentamos o espectro de emissão, na região visível, do gás hidrogênio.
As linhas em branco correspondem à posição angular da luz difratada proveniente da emissão
do gás de hidrogênio. Nitidamente o espectro é discreto, de modo que apenas algumas linhas
(cores) estão presentes.
4.000 5.000 6.000 7.000
Comprimento de onda (angstrons)
Figura 2 – Espectro de emissão, na região visível, do átomo de hidrogênio.
Na busca pelo entendimento do espectro de emissão do hidrogênio, em 1885, o sueco
Johann Jacob Balmer, que era matemático e professor do ensino secundário, deu uma
importante contribuição. Conhecendo os diversos valores do comprimento de onda medido
na região visível do espectro, a saber, 656,3 nm (vermelho), 486,1 nm (cian ou azul fraco),
434,1 nm (índigo ou azul forte), 410,2 nm (violeta fraco) e 364,6 nm (violeta forte), ele foi
capaz de encontrar uma fórmula empírica dos comprimentos de ondas:
n2 1 1 1
λ = 364,5 ou =R − 2
n2 − 4 λ 2 2 n
4 Aula 09 Física Moderna Experimental
onde n é um número inteiro (n = 3, 4, ...). O parâmetro R = 1,097 × 10 7 m –1 é a constante
de Rydberg, em homenagem a Johannes Robert Rydberg, físico sueco, que aplicou a fórmula
de Balmer a regiões fora da região visível, em espectros de outros elementos, e constatou que
a constante R era a mesma para um dado elemento, mas apresentava pequenas mudanças
para elementos químicos distintos.
O conjunto de comprimentos de onda do espectro do hidrogênio foi batizado de série de
Balmer. Nos anos seguintes, outras tentativas de explicação dos espetros atômicos resultaram
na obtenção de novas séries em diferentes regiões: série de Lyman (1916), no ultravioleta, e
as séries de Paschen (1908), Brackett (1922) e Pfund (1924), no infravermelho.
Como justificar teoricamente a série de Balmer do átomo de hidrogênio? O fato de um
átomo emitir sempre as mesmas linhas implica que essas possam estar, de alguma forma,
relacionadas com a estrutura interna desse átomo. Este é o ponto de partida usado pelo físico
dinamarquês Niels Henrik David Bohr, ex-colaborador de J. J. Thomson e de Rutherford, que
em 1913 propôs um modelo atômico, que alcançou um grande sucesso na época, pois com
esse modelo ele conseguiu explicar o espectro atômico do hidrogênio e a instabilidade do
modelo do átomo de Rutherford.
O modelo de Bohr considera o átomo de hidrogênio como sendo equivalente a um
sistema solar em miniatura. O núcleo (próton maciço) seria o Sol, em torno do qual o elétron
(planeta) descreve uma órbita circular. Além disso, Bohr assume como hipótese que as órbitas
permitidas, que ele chamou de órbitas estacionárias, ao elétron, seriam aquelas onde o mesmo
se movimenta, indefinidamente, sem perder energia. Mais ainda, só ocorreria uma mudança
na energia, quando o elétron fosse induzido a mudar de órbita.
Na elaboração de seu modelo, Bohr, utilizando a hipótese do quantum de energia de
Planck, introduziu as hipóteses, acima comentadas, na forma de dois postulados:
1) As órbitas estacionárias dos elétrons no átomo de hidrogênio são aquelas para as quais
o momento angular L é múltiplo inteiro de h/2π, ou seja,
L = mvr = nh/2π; n = 1, 2, 3, ...
onde m é a massa e v é a velocidade, do elétron, r é o raio da órbita, h é a constante de Planck
e n é o número da órbita, chamado de número quântico principal.
2) Um elétron numa dada órbita estacionária não emitirá nem absorverá qualquer radiação.
Isto só acontece, quando o elétron “salta” de uma órbita i com energia inicial Ei para outra
órbita f com energia final Ef. Nesta transição, o elétron absorve ou emite um fóton. Logo,
a diferença de energia entre as duas órbitas i e f, é dada pela expressão
hffi = Ef – Ei ,
onde h é a constante de Planck e ffi é a frequência de emissão ou absorção de um fóton.
Observe que se o sinal de hffi, for negativo, então a energia Ef é menor, e teremos uma emissão
de radiação (fóton), mas se o sinal de hffi, for positivo, significa que houve uma absorção de
radiação (fóton).
Aula 09 Física Moderna Experimental 5
Usando esses postulados, Bohr foi capaz de determinar a fórmula encontrada por Balmer,
inclusive calculando teoricamente o valor da constante de Rydberg. Além disso, foi resolvido o
problema da estabilidade do átomo de Rutherford, pois de acordo com o primeiro postulado,
o elétron pode permanecer num estado (órbita) estacionário sem irradiar energia, isto é, o
átomo de hidrogênio é estável.
Para explicar o espectro de linhas do átomo de hidrogênio, Bohr sugeriu mais uma
hipótese, que ficou conhecida como o princípio da correspondência:
“A teoria quântica deve concordar com a teoria clássica, no limite dos grandes
números quânticos”.
Amparado nesse princípio, Bohr usa a Física Clássica para determinar os raios das órbitas
e as energias dos estados estacionários do elétron, no átomo de hidrogênio. No nosso sistema
físico, o átomo de hidrogênio é constituído de duas partículas: um próton e um elétron. Uma vez
que, a massa do próton é muito superior à do elétron (aproximadamente 2000 vezes maior),
o movimento do próton pode ser desprezado, e o único movimento a ser descrito é o de um
elétron em órbitas circulares ao redor do próton. As energias associadas a este sistema são:
a energia cinética do elétron, em movimento circular, e a energia potencial eletrostática entre
o elétron e o próton. Portanto, a energia total é dada por:
1 1 q2
E = K + V = me v 2 −
2 4πε0 r
onde me é a massa e v é a velocidade do elétron em torno do próton, q2 é o produto entre as
cargas elétricas do próton e do elétron, ε0 é a constante de permissividade do vácuo e r é o raio
da órbita do elétron. No caso de um movimento circular, a segunda Lei de Newton relaciona a
aceleração centrípeta adquirida pelo elétron com uma força Fe, ou seja,
v2 1 q2
F e = me =
r 4πε0 r2
Isolando o valor da velocidade na relação acima, e lembrando que v = (nh)/(2πmr),
encontramos após algumas manipulações matemáticas a quantização do raio,
r = (4πεoh2n2)/(4π2e2m).
Substituindo os valores de v e r na expressão para a energia total, obtemos finalmente,
1 mq 4 1
E=−
8ε0 h2 n2
Logo, os valores (ou níveis) de energia de um elétron no átomo de hidrogênio são discretos. A
cada valor de n inteiro, há um valor de energia que corresponde a um possível estado (órbita)
estacionário permitido ao elétron.
6 Aula 09 Física Moderna Experimental
Finalmente, combinando o resultado acimacom o segundo postulado, temos que a
1 mq 4 1 1
energia, emitida ou absorvida, é obtida
E = −através da seguinte
− expressão:
8ε0 h2 n2i n2f
Desde que a energia E = hf e f=c/l, um cálculo simples, usando a equação acima, nos leva à
fórmula de Balmer. Em particular, é comum escrever a energia de uma órbita n (após substituir
as constantes) em unidades de elétrons-volt:
1
E = −13,6 .
n2
O valor 13,6 e V representa a energia necessária para ionizar o átomo de hidrogênio, isto é,
retirar o elétron da órbita mais interna, ou seu estado fundamental (n=1), liberando-o do
átomo. Os níveis de energia ou estados excitados, em função do número quântico n, são
mostrados no diagrama da Figura 3. Observe que o espaçamento entre os níveis diminui
rapidamente, à medida que se aumenta o número quântico n, chegando a um limite (n muito
grande) em que não se percebe mais a separação entre os níveis de energia, isto é, os níveis
estarão tão próximos entre si que teremos um contínuo de energia. Este comportamento está
de acordo com princípio da correspondência, um dos principais resultados da teoria de Bohr,
mostrando que a teoria quântica, no limite de grandes números quânticos, deve se comportar
em comum acordo com as previsões da Física Clássica.
n E(eV)
∞ 0
4 -0,85
3 -1,51
Paschen
2 -3,39
Infravermelho
Balmer
Visível
1 -13,6
Lyman
Ultravioleta
100 200 500 1000 λ (nm)
Figura 3 – Diagrama dos níveis de energia do átomo de hidrogênio
As setas indicam as possíveis transições entre os estados estacionários.
Aula 09 Física Moderna Experimental 7
Em virtude das hipóteses de Bohr envolverem, numa mesma teoria, argumentos da Física
Clássica em conjunto com fatos específicos da Física Quântica, o modelo de Bohr foi recebido
com cautela pelo mundo científico. No entanto, apenas um ano depois de sua proposta, uma
experiência, que não usava métodos espectroscópicos, confirmava a hipótese de Bohr, relativa
à quantização da energia nos átomos. Trata-se da experiência realizada em 1914, pelos físicos
alemães James Franck e Gustav Ludwig Hertz, em que o fenômeno da quantização atômica
foi constatado usando-se voltímetro e amperímetro. Este resultado experimental fortaleceu o
modelo atômico de Bohr numa intensidade tal, que em 1922 Bohr foi laureado com o Prêmio
Nobel de Física, e em 1924 foi a vez de Franck e Hertz receberem este importante prêmio.
Montando um espectroscópio
C
omo visto anteriormente, a Física Moderna obteve importantes resultados graças à
observação de espectros luminosos via redes de difração, por exemplo, o espectro
contínuo de um corpo negro, espectro discreto de ampolas gasosas e espectros de
estrelas. Tais fatos justificam, além da importância de idealizar e construir um instrumento, a
necessidade da produção e utilização do espectroscópio destinado ao ensino de Física Moderna.
Atualmente, usam-se redes de difração preparadas por litografia óptica - processo
industrial que transfere um desenho em papel para uma placa de tamanho reduzido - para se
observar à decomposição de uma radiação. Vale a pena lembrar que uma única fenda, com
espessura da ordem do comprimento de onda da radiação, difrata a radiação incidente dando
origem a uma figura de interferência (possuindo máximos e mínimos de intensidade luminosa)
que pode ser projetada em um anteparo.
Em uma rede de difração (ou também grade de difração), há uma relação simples entre
a espessura da fenda d, o comprimento de onda λ da radiação incidente, o m-ésimo máximo
da intensidade luminosa e a abertura angular q da posição do máximo, que é dada por
mλ = dsenq.
É relevante ressaltar que para se obter a equação anterior, duas hipóteses são necessárias.
Primeira, são ondas planas que incidem perpendicularmente a grade de difração. Segunda, a
figura de difração é observada em uma distância muito superior ao tamanho da fenda (uma
boa aproximação é quando a distância da fenda ao anteparo de observação for cerca de 100
vezes maior do que o tamanho da fenda). Satisfazendo essas hipóteses, estamos no regime
da difração de Fraunhoufer – Joseph Von Fraunhoufer (1787-1826), físico alemão. No outro
caso, se a figura de difração for observada muito próximo da fenda, a condição é chamada de
difração de Fresnel – Augustin Jean Fresnel (1788-1827), físico francês.
8 Aula 09 Física Moderna Experimental
A grade de difração mais simples é a que tem uma única uma fenda. Nesse caso, quando
uma radiação, cujo comprimento de onda é da mesma ordem de grandeza da abertura da fenda,
passa pela mesma, ocorrerá uma difração, tal que a posição do primeiro máximo é dada por
λ = d sen θ,
onde λ é o comprimento de onda da luz incidente, d é a abertura da fenda e θ o ângulo de
abertura do primeiro mínimo de difração. Em função da posição angular, a observação na tela
corresponde à separação da luz em linhas com diferentes frequências ou cores. Usam-se grades
de difração, em substituição aos prismas comuns, porque as grades absorvem menos energia
e sua eficiência é facilmente ajustada. A eficiência (resolução) de uma grade de difração torna-
se maior, quando se aumenta a densidade linear de fendas. Nos espectroscópios modernos de
laboratórios, usam-se grades de difração com até 1200 linhas por milímetros.
Descrição do aparato experimental
O espectroscópio óptico descrito aqui é constituído basicamente por uma base de madeira
e uma grade de difração. A parte superior e a inferior do anteparo são fechadas, e todo o
material foi feito de madeira, revestido com fórmica. Duas peças de fórmica foram cortadas
em formato trapezoidal e pequenos tarugos retangulares de madeira (tipo MDF) servem para
a colagem das peças de fórmica. Mas em geral, qualquer tipo de caixa pode ser usado para
montar o espectroscópio. A radiação luminosa penetra no aparato por uma fenda, difrata no
“pedaço” de um CD e através de um orifício circular, observamos a radiação difratada, conforme
mostrado na Figura 4.
Espectro
Pedaço de um CD 25cm
17cm
Ocular
Fenda
1,5cm
5cm
27cm
Figura 4 – Ilustração da caixa e suas dimensões para montagem do espectroscópio.
A grade é um pedaço do tão conhecido compact disc (CD). O CD na forma que usamos
normalmente é uma grade de difração por reflexão. Para observar a difração de uma lâmpada
comum basta segurar o CD em uma das mãos e buscar uma inclinação adequada para observar
Aula 09 Física Moderna Experimental 9
um arco-íris. Esse arco-íris advém da difração da radiação luminosa nos sulcos que formam o
disco. O espaçamento dos sulcos em um CD comum é da ordem 1,7 mm (1,7 micrometro =
1,7 × 10–6 m), equivalendo cerca de 600 linhas em um único milímetro. Porém, para observar
com precisão os espectros é conveniente a montagem do aparato descrito acima. A rede de
difração é facilmente obtida retirando-se a película espelhada do disco (nos CDs já velhos esta
película sai facilmente, apenas arranhando-o com objeto pontiagudo) ou a partir do último
CD – também chamado CD matriz – de um tubo de disco (cada tubo contém 50 ou 100 CDs),
o qual não possui a película metálica. A fenda é feita deixando um pequeno rasgo de 1 mm de
espessura colocado cerca de 2,5 cm da borda inclinada.
Com relação ao CD, existem duas limitações: uma referente ao número de linhas por
milímetro (N) do próprio CD e outra com relação à curvatura das linhas do CD, devido ao seu
formato circular. O N não é constante para todos os CDs adquiridos, contudo é próximo de
600 linhas/mm, com variação em torno de 5% (cinco por cento). Valor aceitável por se tratar de
um equipamento para estudo qualitativo. O problema da curvatura do CD fica quase imperceptível,
pois usamos um pequeno pedaço de um CD retangular de 3 cm por 1 cm. Com essas dimensões,
um único CD matriz possibilita a construção de cerca de 8 espectroscópios ópticos.
A fenda para entrada da radiação luminosa deve ter espessura em torno de 1 mm.
O manuseio do espectroscópio óptico é semelhante ao de uma luneta. Olhando-se pela
ocular do equipamento, aponta-se a fenda do instrumento na direção da fonte luminosa e
observa-se o espectro girando ligeiramente o olho para a parte à esquerda da fenda. Para
uma atividade mais rica em resultados na própria sala de aula, montamos também um quadro
em madeira que contém diferentes tipos de lâmpadas (incandescente, fluorescente comum,
fluorescente eletrônica, vapor de mercúrio e vapor de sódio) que são afixadas ao quadro,
que é ligado em uma tomada de energia elétrica da sala. Além da atividade experimental na
própria sala de aula, a observação direta dos espectros dessas lâmpadas fornece ao aluno o
real aspecto dos espectros contínuos e discretos. Também é importante reservar parte da aula
para explicar o princípio de funcionamento de cada tipo de lâmpada, destacando a forma de
emissão da radiação luminosa.
Vamos deixar como sugestão para discussões as seguintes atividades: identificar o
tipo de lâmpada usada na iluminação pública em avenidas e edifícios; analisar os tipos dos
gases usados nos chamados letreiros luminosos (comumente chamados de letreiros néons);
descrever os espectros de estrelas, da Lua e do Sol. Além disso, observar dos espectros
investigados quais são espectros discretos ou contínuos.
10 Aula 09 Física Moderna Experimental
Resumo
Nesta aula, introduzimos o conceito do que é um modelo físico. Também
apresentamos a evolução histórica do desenvolvimento dos primeiros modelos
para o átomo e, em particular, vimos que o primeiro modelo atômico proposto
por J.J. Thomson ficou conhecido como “Pudim de Ameixas”. Esse modelo teve
de ser modificado por ser incompatível com o experimento de Rutherford. A nova
proposta considerava a carga positiva concentrada em um ponto (o núcleo),
com as cargas negativas em órbitas em torno deste ponto. Entretanto, alguns
aspectos associados com a estabilidade atômica ainda não eram devidamente
explicados. Após isso, Bohr propôs dois postulados que explicavam não só a
estabilidade do átomo, como também os espectros de emissões atômicas obtidos
experimentalmente, e as chamadas séries espectroscópicas (desenvolvidas por
Balmer e outros). Através das ideias de Bohr foi possível calcular com grande
precisão os níveis de energia do átomo de hidrogênio, que foram posteriormente
comprovados experimentalmente por Frank e Hertz. Finalmente, no fim da aula
aprendemos a construir um espectroscópio, a partir de materiais simples, para
visualizar o espectro de emissão de diferentes fontes de luz.
Autoavaliação
Após o final da aula:
Faça uma pesquisa sobre os aspectos históricos associados com os primeiros
1 modelos atômicos.
Pesquise e descreva em detalhes o famoso experimento de Rutherford.
2
Obtenha matematicamente a expressão para os níveis de energia do átomo de
3 hidrogênio.
Aula 09 Física Moderna Experimental 11
Referências
BARROS NETO, B.; SCARMÍNIO, I. S.; BRUNS, R. E. Como fazer experimentos. Campinas:
Ed. da Unicamp, 2001.
BLACKWOOD, O.; HERRON, W. B.; KELLY, W. C. Física na escola secundária. Brasília: MEC, 1962.
BRENNAN, R. Gigantes da física. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
GASPAR, A. Física. São Paulo: Ed. Ática, 2000.
HEWITT, P. G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Ed. Bookman, 2002.
JÁCOME, J. Noções de física moderna. Natal: EDUFRN, 2000.
MÁXIMO, A.; ALVARENGA, B. Curso de física. São Paulo: Scipione, 2000.
TIPLER, P. A.; LLEWELLYN, R. A. Física moderna. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001.
Anotações
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