0% acharam este documento útil (0 voto)
9 visualizações26 páginas

Recuperação Judicial: Lei e Práticas

A Lei 11.101/2005 e suas reformas, especialmente a Lei 14.112/2020, regulam a recuperação judicial e falência de empresas, visando a continuidade da atividade econômica e a negociação entre credores e devedores. A recuperação judicial é destinada a empresas viáveis em crise, permitindo a elaboração de um plano de recuperação, enquanto a falência é um processo de liquidação de ativos. O papel dos credores é central, com a Assembleia Geral de Credores e o Comitê de Credores desempenhando funções essenciais na aprovação e fiscalização do plano de recuperação.

Enviado por

isabelle.esteva
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
9 visualizações26 páginas

Recuperação Judicial: Lei e Práticas

A Lei 11.101/2005 e suas reformas, especialmente a Lei 14.112/2020, regulam a recuperação judicial e falência de empresas, visando a continuidade da atividade econômica e a negociação entre credores e devedores. A recuperação judicial é destinada a empresas viáveis em crise, permitindo a elaboração de um plano de recuperação, enquanto a falência é um processo de liquidação de ativos. O papel dos credores é central, com a Assembleia Geral de Credores e o Comitê de Credores desempenhando funções essenciais na aprovação e fiscalização do plano de recuperação.

Enviado por

isabelle.esteva
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

RA2 Direito Empresarial – Prof. Felipe.

Recuperação judicial das empresas:


Lei 11.101/2005 regula a recuperação de empresas e falência, trouxe
inovações ao decreto de 1945 introduzindo as recuperações judiciais e
extrajudiciais.
Objetivo da nova lei = viabilizar a continuidade da atividade econômica,
promovendo a negociação entre credores e devedores e em caso de
inviabilidade estabelece condições para liquidação rápida e eficiente de ativos
(falência).
Críticas a nova lei = baixa eficácia com poucas empresas recuperadas, porque
buscam a recuperação tarde demais.
Houve então a Reforma e a Lei 14.112/2020, trouxe como mudanças:
- reequilíbrio da relação credor-devedor (os credores podem apresentar o plano
de recuperação).
- punição do voto abusivo.
- participação do credor fiscal. (para ter parcelamento das dividas tributárias)
- celeridade processual. (prazos em dias corridos e proc. eletrônico)
- cooperação internacional e insolvência transnacional.
Recuperação x Falência:
- recuperação: para empresas com crise econômico-financeira REVERSÍVEL,
mantendo o negocio viável. foca na maximização do valor dos ativos e
proteção dos credores.
- falência: PROCESSO JUDICIAL DE EXECUÇAO COLETIVA para liquidação
de ativos do empresário falido e pagamento de credores, quando o negocio É
INVIÁVEL.
Principio da preservação da empresa (art. 47 LRF): a lei visa a função social
de propriedade e incentivo á atividade econômica visando a manutenção da
fonte de riqueza, empregos e interesses dos credores. NAO IMPEDE QUE O
EMPRESÁRIO SEJA SUBSTITUIDO PARA GARANTIR A CONTINUIDADE DA
ATIVIDADE ECONOMICA.
Formas de recuperação:
a) judicial: para casos + complexos e graves, + abrangência de créditos, exige
controle maior do Estado e dos credores.
b) extrajudicial: acordo entre devedor e credores, SUJEITO A
HOMOLOGAÇAO JUDICIAL, pra crises – complexas.
--------
A recuperação Judicial: é um regime especial sob a tutela do poder judiciário,
DESTINADA A EMPRESAS VIÁVEIS, MAS COM CRISE DE GRAVE
REPERCUSSAO, PARA EVITAR A LIQUIDACAO FORÇADA (FALENCIA).
Mecanismo: superação da crise com um plano de recuperação.
Duração: o devedor permanece em regime de recuperação judicial até o
cumprimento das obrigações do plano com vencimento em até dois anos
após a concessão.
Vantagens para o devedor:
- proteção contra ações e execuções dos credores (STAY PERIOD).
- possibilidade de negociação com credores.
- venda de ativos sem risco de sucessão de dívidas pelo adquirente.
- chance de investimentos com créditos extraconcursais (DIP FINANCING)
Conceito: (art. 47) mecanismo jurídico que viabiliza a superação da crise
econômico-financeira do devedor, mantendo a fonte produtora, o emprego dos
trabalhadores e os interesses dos credores, preservando a empresa, sua
função social e o estimulo á atividade econômica.
Papel dos credores: PAPEL CENTRAL, APROVANDO OU REJEITANDO O
PLANO, PODEM APRESENTARAM PLANO SE O DO DEVEDOR FOR
REJEITADO (art. 56, parágrafo 4).
Objetivo: reestruturação da empresa em crise (não irremediável) por meio de
plano elaborado pelo devedor ou credores e aprovado pela maioria (em
assembleia ou termo de adesão).
Apesar de envolver o judiciário tem também natureza contratualista, os
credores são obrigados a participar da aprovação do plano e a negociação com
o devedor caracteriza a liberdade contratual. Judiciário homologa e dirige, mas
o poder de decisão sobre a viabilidade da empresa é dos credores.
Órgãos: Judiciário + MP + as partes + órgãos específicos que fornecem suporte
deliberativo, operacional e fiscalizatório, dada a complexidade de interesses.
- órgãos específicos:
1) assembleia geral de credores (agc)
2) comitê de credores (cc)
3) administrador judicial (aj)
------
1) Assembleia Geral de Credores: órgão colegiado e deliberativo que
representa a manifestação de interesse ou vontade predominante dos credores
sujeitos á recuperação judicial. Permite a reunião, coordenação e negociação
entre os envolvidos.
Art. 35, I, a ao g: eles têm atribuição de,
- deliberar sobre o plano de recuperação judicial;
- constituir o comitê de credores e escolher/substituir seus membros;
- deliberar sobre o pedido de desistência do devedor da recuperação;
- nomear gestor judicial em caso de afastamento do devedor;
- deliberar sobre a alienação de bens do ativo não circulante não prevista no
plano;
- deliberar sobre qq matéria que afete os interesses dos credores.
SEM A ATUAÇAO DA AGC A RECUPERAÇAO NAO ANDA.
Convocação para a AGC: pelo juiz ou credores com 25% do valor total dos
créditos de uma classe + publicação em diário oficial eletrônico e no site do
adm. judicial. + antecedência mínima de 15 dias (art. 36).
Direito ao voto (art. 39): os credores arrolados no quadro-geral ou na relação
do adm. judicial ou do devedor e os credores habilitados ou com créditos
admitidos/alterados judicialmente.
NAO TEM DIREITO AO VOTO (art. 39, parágrafo 1 e art. 49 parágrafo 3 e 4),
- os proprietários fiduciários de bens móveis ou imóveis (fiador);
- arrendadores mercantis;
- proprietários ou promitentes vendedores de um imóvel com cláusula de
irrevogabilidade;
- proprietários em contrato de venda com reserva de domínio;
- credores de importância entre em adiantamento de contrato de cambio para
exportação;
- credores cuja obrigação surgiu depois do pedido de recuperação judicial; (art.
49)
- credores retardatários/ que habilitaram crédito fora do prazo legal, exceto
trabalhistas (art. 10, parágrafo 1);
- credores por obrigações á titulo gratuito;
CREDORES EXCLUÍDOS DO VOTO PODEM PARTICIPAR DA AGC,
INFLUENCIANDO DEBATES.
As deliberações em geral não são invalidades por decisões judiciais
posteriores, para garantir segurança jurídica e celeridade (art. 39, parágrafo 2).
AGC PODE SER ANULADA JUDICIALMENTE SE HOUVER VÍCIO DE
CONVOCAÇAO, INSTALAÇAO E DELIBERAÇAO OU VICIOS DO DTO CIVIL
(erro, dolo, coação, fraude...). Dto de terceiros de boa-fé são resguardados (art.
39, parágrafo 3).
------
Composição e votação segundo a matéria:
Classe dos credores (art. 41): segue essa ordem para pagar
1- trabalhistas ou decorrentes de acidentes de trabalho.
2- com garantia real.
3- quirografários, com privilegio especial, geral ou subordinados.
4- microempresa/ empresa de pequeno porte.
Critério de votação:
Regra geral: voto proporcional ao valor do crédito + proposta aprovada por
mais da metade do valor total dos créditos presentes á AGC (maioria simples).
Exceções:
- credores trabalhistas não importa valor do crédito, votam por cabeça e para
outras matérias votam pelo valor do crédito.
- credores com garantia real votam pelo valor do bem gravado em sua classe,
tem poder de voto em duas classes: classe de garantias reais, pelo valor do
bem e classe quirografária pelo valor remanescente se houver.
- credores quirografários votam por cabeça + valor do crédito (maioria de
credores presentes e maioria de valor dos créditos presentes).
- credores ME/EPP (microempresas e empresas de pequeno porte) votam por
cabeça.
Obs.: os critérios de votação podem gerar conflitos de interesse.
1. Como funciona a regra geral? Na regra básica, cada credor vota pelo valor
do crédito que tem a receber.
👉 Se eu tenho um crédito maior, meu voto pesa mais.
👉 O plano é aprovado quando mais da metade do valor dos créditos presentes
vota a favor.
Por quê?
Porque, em tese, quem tem mais dinheiro a perder deve ter mais influência na
decisão.
2. Por que existem exceções? Porque nem todos os credores estão em
situações iguais. Alguns precisam de proteção especial, outros têm garantias,
outros têm créditos muito pequenos. Então a lei cria regras diferentes para ser
mais justo.
A lei protege:

o trabalhadores, que votam por cabeça para não ficarem frágeis


o microempresas, que também votam por cabeça
o credores com garantia, que têm voto proporcional ao valor
garantido
o quirografários, que votam de forma equilibrada para evitar
injustiça

Voto abusivo: quando os credores buscam seus próprios interesses que nem
sempre são convergentes. O CREDOR USA SEU VOTO NAO PARA
DEFENDER SEU CRÉDITO, MAS PARA OBTER VANTAGEM ILÍCITA OU
PREJUDICAR O PROCESSO.

MAS O CREDOR PODE VOTAR DE ACORDO COM SEU PROPRIO


INTERESSE, ISSO NAO É ABUSO POR SÍ SÓ TEM QUE TER É MÁ-FÉ.
Art. 39, parágrafo 6: o voto será exercido no interesse do credor e conforme
seu juízo de conveniência. Pode ser declarado NULO SOMENTE SE
MANISFESTAMENTE QUISER OBTER VANTAGEM ILÍCITA PRA SI OU PARA
OUTREM.
votações egoístas = permitidas
votações com intenção ilícita = proibidas
Abuso de Direito: quando EXCEDE OS LIMITES DO FIM ECONOMICO,
SOCIAL, BOA FÉ E BONS COSTUMES.
Avaliação casuística: a ilicitude do voto tem que ser analisada no caso
concreto.
Exemplos de votos não abusivos:
- voto contrário a aprovação do plano se acha que a falência for considerada a
melhor alternativa receber, salvo desvio de finalidade.
- a rejeição do plano por um único credor em sua classe, desde que não haja
obtenção de vantagem ilícita. (não existe dever de votar com a maioria)
Ônus da prova: intenção abusiva não pode ser presumida. CABE AO
JUDICIÁRIO COM ELEMENTOS PROBATÓRIOS AVERIGUAR E REPRIMIR
O VOTO ABUSIVO.
---------
Instrumentos alternativos á AGC Presencial:
A lei de 2020 trouxe inovações que as deliberações da LREF QUE EXIJAM
AGC PODE SER SUBSTITUIDAS POR TERMO DE ADESAO firmado pelos
credores que satisfaçam o quórum de aprovação, VOTAÇAO POR SISTEMA
ELETRONICO OU OUTRO MECANISMO QUE JUIZ ACHE SEGURO.
Fiscalização (art. 39, parágrafo 5 e art. 45 -A, parágrafo 4): o
ADMINISTRADOR JUDICIAL FISCALIZA AS DELIBERAÇOES, EMITINDO
PARECER SOBRE SUA REGULARIDADE, ANTES DA HOMOLOGAÇAO
JUDICIAL. O MINISTÉRIO PÚBLICO É OBRIGATORIAMENTE OUVIDO.
a) termo de adesão (art. 45-A): requer comprovação documental da adesão de
credores que representem mais da metade do valor total dos créditos sujeitos á
recuperação judicial.
Se o devedor comprovar a aprovação por termo de adesão com o quórum legal
ATÉ 5 DIAS ANTES DA AGC CONVOCADA, A ASSEMBLEIA SERÁ
DISPENSADA.
BENEFÍCIOS SÃO A CELERIDADE, ECONOMIA DE TEMPO E CUSTOS.
b) votação por sistema eletrônico/ outros mecanismos que juiz achar seguro:
adaptação as tecnologias, promovendo a eficiência, celeridade e redução de
custos.
IPC! SE O QUÓRUM PARA APROVAÇAO VIA TERMO DE ADESAO NAO FOR
ALCANÇADO, NAO ACARRETA CONVOLAÇAO AUTOMÁTICA EM
FALENCIA, TEM QUE SEGUIR PARA A CONVOCAÇAO DA AGC.
--------
2) Comite de Credores (CC): órgão FACULTATIVO, é sugerido para empresas
de grande vulto, que possem suportar os gastos da sua manutenção. Em
atividades modestas não tem razão para existir.
Decisão e aprovação para constituir o comitê e eleger seus membros cabe aos
credores, em AGC ou doc. de adesão. (art. 26 e 45-A, parágrafo 2)
Para que serve? O CC funciona como um órgão fiscalizador e consultivo, com
funções como: (art. 27, I e II)
- Fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial.
- Zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei.
- Comunicar ao juiz violações de direitos ou prejuízos aos credores.
- Requerer ao juiz a convocação da AGC.
- Fiscalizar a administração do devedor e a execução do plano.
- Submeter ao juiz (em caso de afastamento do devedor) alienação de bens
permanentes, constituição de ô nus reais e atos de endividamento necessários.
Ele é um intermediário entre os credores e o administrador judicial.
Composição (art. 26): UM REPRESENTANTE TITULAR E UM SUPLENTE DE
CADA CLASSE DE CREDORES (trabalhistas, garantia real, quirografários,
ME/EPP).
 Só compõem o Comitê as classes que escolhem se fazer representar.
Se uma classe não indicar representantes, o comitê pode funcionar com
menos membros.
 Cada classe escolhe seus representantes de forma autônoma (na AGC
ou por documento de adesão).
Ninguém de outra classe pode interferir.
 A estrutura com representantes e suplentes existe para garantir
continuidade e funcionamento estável do Comitê.
-------
3) Administrador Judicial: é um PAPEL ESSENCIAL, pessoa física ou
jurídica, NAO SERVIDORA PÚBLICA que atua de forma imparcial e eficiente
como auxiliar do juiz, sob sua supervisão.
Requisitos: ser profissional idôneo, com capacidade técnica e experiencia
(preferencialmente advogado, economista, administrador ou contador) ou
pessoa jurídica especializada (art. 21). PESSOA DE CONFIANÇA DO JUIZ.
Funções:
- se tiver comitê de credores: verifica os créditos, presidência da AGC,
fiscalização dos atos do devedor.
- se NAO tem comitê de credores: exercer também as funções do comitê de
credores (ressalvadas incompatibilidades, como fiscalizar suas próprias contas,
quem fiscaliza o AJ é o juiz).
- se devedor afastado: AJ representa e administra diretamente a empresa em
recuperação, até a eleição de um gestor judicial pela AGC.
Nova atribuição que recebeu com a lei de 2020 (art. 22, I, alínea “j”): incentivar
a conciliação, mediação e outros métodos alternativos de solução de conflitos
nos processos falimentares. Para agilizar conflitos.
Remuneração dele (art. 24) é fixada pelo juiz, considerando a capacidade
financeira do devedor, complexidade do trabalho e valores de mercado.
LIMITE DE 5% DO VALOR DEVIDO AOS CREDORES SUBMETIDOS. PARA
ME/EPP E PRODUTORES RURAIS O LIMITE É DE 2%.
Destituição dele (art. 23, parágrafo único e art. 31): ele pode ser destituído pelo
juiz de oficio ou a pedido por desobediência legal, descumprimento de deveres,
omissão, negligência ou ato lesivo. Quem causa danos responde por eles
(responsabilidade civil).
Substituição dele ocorre por renuncia justificada, falecimento, incapacidade civil
ou conflito de interesses. (quando ele não tem culpa)
---------
As fases do processo recuperatório: é dividido em 3 fases.
1) fase postulatória: inicia com o pedido de recuperação judicial pelo devedor
e termina com a decisão de deferimento do processamento da recuperação
judicial. Verifica se devedor pode ou não entrar na recuperação.
Quem pode requerer? (art. 1), o titular da empresa em crise (empresário
individual ou sociedade empresária).
Somente quem está exposto ao risco de falência que pode pleitear a
recuperação judicial.
Excluídos da recuperação judicial: (art. 2) NAO SE SUJEITAM AO REGIME
FALIMENTAR.
- sociedades simples, empresas públicas, sociedades de economia mista,
sociedades em comum. instituições financeiras, cooperativas de crédito,
consórcios, entidades de previdência complementar, sociedades operadoras de
plano de assistência á saúde, seguradores, sociedades de capitalização e
outras entidades equiparadas.
Para pleitear: TEM QUE (art. 48),
exercer atividade regularmente há mais de 2 anos +
não ser falido ou ter AINDA responsabilidade decorrente por sentença com TJ +
não ter obtido concessão de recuperação judicial há menos de 5 anos +
não ter sido condenado por crimes previstos na LREF como por exemplo a
fraude a credores, desvio de bens, favorecimento ilícito, sonegação contábil.
Recuperação judicial de grupos econômicos, Art. 69-G ao 69-I: devedores
que integram grupo sob controle societário comum podem requerer RJ
conjuntamente (litisconsórcio facultativo), coordenando atos processuais, mas
garantindo a independência de ativos e passivos de cada devedor e
contabilidade separada. É só um pedido conjunto não uma fusão de
patrimônios.
Consolidação substancial, Art. 69-J: excepcionalmente, o juiz pode autorizar
SEM AGC a consolidação de ativos de passivos de devedores do mesmo
grupo econômico em RJ se houver interconexão e confusão patrimonial
(impossibilidade de identificar a titularidade sem custo excessivo). E pelo
menos duas das seguintes hipóteses:
- existência de garantias cruzadas.
- relação de controle ou dependência.
- mesmo quadro societário total ou parcial.
- atuação conjunta no mercado entre os postulantes.
Efeitos da Consolidação substancial (art. 69- k): ativos e passivos são tratados
como de um único devedor.
logo, os credores passam a se satisfazer em um “bolo comum”, desaparecem
as divisões entre empresas para fins de pagamento e negociação e a
reorganização se torna coletiva e unificada. é uma medida excepcional porque
prejudica credores de empresas mais saudáveis.
-------
Requisitos da petição inicial:
DEVEDOR TEM QUE INSTRUIR PI COM DOCUMENTOS E ELEMENTOS
ESSENCIAS, SOB PENA DE INDEFERIMENTO. O JUIZ NAO PODE
DISPENSAR (ART. 51)
Documentos e elementos (art. 51):
- exposição das causas da crise e da situação patrimonial;
- demonstrações contábeis dos últimos 3 exercícios;
- relação nominal completa dos credores com detalhes de cada crédito;
- relação integral de empregados;
- certidão de regularidade no registro público de empresas, ato constitutivo e
atas dos adm.;
- relação dos bens particulares dos sócios controladores e administradores;
- extratos atualizados de contas bancárias e aplicações financeiras;
- certidões dos cartórios de protesto;
- relação de todas as ações judiais e arbitrais (inclusive trabalhistas) com
valores estimados;
- relatório detalhado do passivo fiscal;
- relação de bens e direitos do ativo não circulante (incluindo não sujeitos á
RJ) com negócios jurídicos celebrados com credores não sujeitos á
recuperação.
IPC! Atividade rural (art. 51, parágrafo 6) exige comprovação de insolvência e a
prova deve ser detalhada e não genérica.
IPC! NA FALTA DE DOCS. O JUIZ DEVE PERMITIR A EMENDA DA PI ANTES
DE INDEFERIR.
Valor da causa (art. 51, parágrafo 5): montante total dos créditos sujeitos á
recuperação judicial. Ou seja, a soma dos débitos que entraram no plano.
O devedor se submete ao dever de transparência, retirando o sigilo de sua
documentação contábil. O juiz deve proteger infos estratégicas desde que não
prejudique a fiscalização.
--------
Constatação prévia: art. 51-A.
O juiz pode nomear um profissional em 5 dias para APURAR AS REAIS
CONDIÇOES DE FUNCIONAMENTO do devedor e a regularidade/completude
da documentação apresentada na inicial.
Não pode avaliar a viabilidade econômica do devedor.
CONSTATAÇAO PRÉVIA = CHECAGEM DOCUMENTAL E OPERACIONAL,
NAO DE VIABILIDADE.
É UMA FACULDADE DO JUIZ, NAO É OBRIGATÓRIA.
Críticas a essa medida:
⛔ Atrasos
⛔ Custo alto
⛔ Possível conflito de interesses
⛔ Falta de contraditório
⛔ Problema com crime falimentar (art. 180)

Defensores acreditam que:


✔️evita fraudes
✔️evita deferimento para empresas inviáveis
✔️auxilia o juiz em casos complexos

-------
Efeitos da decisão de deferimento do processamento da RJ:
O juiz defere o processamento se a inicial estiver devidamente instruída (art.
51),
Depois,
- nomeia adm. judicial.
- dispensa de certidões negativas para atividades do devedor.
- suspensão de ações e execuções (stay period) contra o devedor.
- determina apresentação de contas demonstrativas mensais.
- intima MP e Fazenda Pública para ciência de créditos.
- expede edital de publicação (contém o resumo do pedido, lista de credores,
prazos para habilitação e objeção ao plano)
Principais Efeitos do deferimento:
- SUSPENSAO DAS AÇOES E EXECUÇOES (STAY PERIOD) (art. 52, III e
art. 6, II do cc): todas as ações e execuções contra o devedor são suspensas
e proíbe qq constrição judicial ou extrajudicial sobre seus bens por créditos
sujeitos á RJ (art. 6, III).
Dura 180 dias, prorrogável uma vez por + 180. (art. 6, parágrafo 4). Após o
prazo os credores podem retomar as ações.
Exceções á suspensão (art. 6, parágrafo 1, 2, 7-A, 7-B): NAO SÃO
SUSPENSAS,
1) Ações que demandam quantia ilíquida e ações trabalhistas:
Não se suspendem até a fixação do valor devido.
✔️Ações de quantia ilíquida

Ex.: ação de cobrança onde o valor ainda depende de liquidação.


Elas seguem tramitando somente para apurar o valor, mas a cobrança fica
sujeita ao juízo da RJ.
✔️Ações trabalhistas

Prosseguem até a sentença que fixa o valor do crédito.


Depois disso, o crédito vai para o juízo da recuperação judicial para habilitação.
2) Créditos NÃO sujeitos à Recuperação Judicial:
Esses não se suspendem porque não entram no plano.
Exemplos:
 Propriedade fiduciária (ex.: veículo financiado com garantia fiduciária)
 Arrendamento mercantil (leasing)
 Venda com reserva de domínio
 Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) para exportação
Em todos esses, o credor tem direito real ou garantia especial e, por isso, não
se submete ao stay.
Mas atenção importante: Credor pode executar, mas não pode tirar máquina
essencial da empresa durante a RJ.
3) Execuções Fiscais (art. 6º, §7º-B – novidade da Lei 14.112/2020): As
execuções fiscais NÃO são suspensas pelo deferimento da recuperação
judicial.
A Fazenda Pública pode continuar cobrando.
Mas existe uma proteção mínima: O juízo da RJ pode substituir constrições
sobre bens de capital essenciais (por exemplo, troca de penhora sobre uma
máquina vital por outro bem menos prejudicial).
Crítica à não suspensão das execuções fiscais: A doutrina crítica diz que,
 Dívidas fiscais costumam ser grandes.
 Mantê-las fora da suspensão atrapalha a reorganização.
 Isso prejudica o princípio da preservação da empresa, pois:
o pode haver bloqueios de caixa (ex.: BacenJud/Sisbajud),

o inviabiliza a atividade,

o reduz a liquidez necessária à operação,

o torna o plano de recuperação mais difícil.

Por isso, muitos defendem que execuções fiscais deveriam ser suspensas,
como ocorre com os demais credores.
- DISPENSA DE CERTIDOES NEGATIVAS: permite que o devedor continua
suas atividades e não fique paralisado por débitos tributários no momento do
processamento da RJ.
Essencial para preservar a atividade econômica e os empregos.
Controvérsia do Art. 57 da LREF: Apesar da dispensa inicial para operar, o art.
57 da LREF exige certidões negativas de débitos tributários para a
homologação do plano de recuperação. Isso gera um entrave prático, pois
empresas em crise geralmente têm dívidas tributárias.
Pacificação Jurisprudencial:
 Conclusão: dispensa das certidões tributárias para a concessão da RJ é
válida, priorizando a preservação da empresa.
Papel do judiciário é:
 Relativizar dispositivos da LREF quando houver conflito.
 Evitar que a lei engesse a atividade econômica do devedor.
 Garantir os reflexos econômicos positivos, como:
o preservação de empregos,

o continuidade das operações,

o manutenção da cadeia de fornecedores.

--------
2) fase deliberativa: inicia com o deferimento da recuperação judicial e
encerra com a aprovação do plano de recuperação.
Créditos abrangidos pela RJ/ dívidas da empresa, art. 49: → todas as dívidas
da empresa existentes na data do pedido de recuperação judicial, mesmo que
ainda não tenham vencido.
Créditos posteriores ao pedido (art. 49, parágrafo 2): EXCLUIDOS DO PLANO
DE RJ e recebem classificação privilegiada em casa de falência (art. 67).
Exceções → dívidas que não entram no plano de recuperação,
- Bens dados em garantia (LREF, art. 50, § 1º).
- Ações que demandam quantia ilíquida, ações trabalhistas e execuções fiscais
(com as ressalvas do stay period e substituição de constrições) (LREF, art. 52,
III, c/c art. 6º).
- Créditos com garantia fiduciária (móveis/imóveis), arrendamento mercantil,
imóvel com cláusula de irretratabilidade, venda com reserva de domínio (LREF,
art. 52, III, c/c art. 49, § 3º).
- Adiantamento de contrato de câmbio para exportação (LREF, art. 49, § 4º).
- Débitos tributários (LREF, art. 57, embora jurisprudência os relativize).
- Obrigações de câmaras de compensação e liquidação financeira (LREF, art.
193).
- Direitos de vencimento antecipado e compensação em operações
compromissadas/derivativos (LREF, art. 193-A).
Exclusões Específicas:
- Atos cooperativos: Contratos e obrigações de atos cooperativos praticados
por sociedades cooperativas com seus cooperados (LREF, art. 6º, § 13).
- Produtor rural: Crédito rural institucionalizado renegociado (LREF, art. 49, §§
7º e 8º) e créditos/garantias de financiamento para aquisição de propriedades
rurais dos últimos três anos (LREF, art. 49, § 9º).
- Cédula de Produtor Rural (CPR): Créditos e garantias cedulares vinculados à
CPR com liquidação física/barter, em caso de antecipação parcial ou integral
do preço.
------
Plano de Recuperação Judicial: O DEVEDOR DEVE APRESENTAR O
PLANO NO PRAZO IMPRORROGÁVEL DE 60 DIAS CONTADOS DA
PUBLICACAO DA DECISAO DO DEFERIMENTO. SE NAO VIRA
AUTOMATICAMENTE FALENCIA.
Art. 53: tem que conter,
- discriminação dos meios de recuperação e seu resumo;
- demonstração de sua viabilidade econômica;
- laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos do devedor
(subscrito por profissional habilitado).
Meios de recuperação, art. 50: rol exemplificativo. permite flexibilidade na
reestruturação.
ATENÇAO!
CRÉDITOS TRABALHISTAS (ART. 54) O PLANO TEM QUE PREVER NO
MÁXIMO EM 1 ANO O PAGAMENTO.
Art. 54, parágrafo 2: pode ser estendido ATÉ 2 ANOS SE TIVER GARANTIAS
SUFICIENTES, APROVACAO PELA MAIORIA SIMPLES DOS CREDORES
TRABALHISTAS E GARANTIA DE INTEGRALIDADE DO PAGAMENTO.
CRÉDITOS SALARIAIS (ART. 54, PARÁGRAFO 1) PRAZO MÁXIMO DE 30
DIAS PARA PAGAR ATÉ O LIMITE DE 5 SALÁRIOS MINIMOS POR
TRABALHADOR, PARA SALÁRIOS VENCIDOS NOS 3 MESES ANTERIORES
AO PEDIDO.
Quórum de deliberação sobre o plano de RJ:
Regra geral: Todas as classes de credores devem aprovar o plano.
Classes I (Trabalhistas) e IV (ME/EPP) (art. 45, §2º): Aprovação pela maioria
simples dos presentes, votando por cabeça, independentemente do valor do
crédito.
Classes II (Garantia Real) e III (Quirografários) (art. 45, §1º): Aprovação
cumulativa: maioria dos credores presentes e maioria do valor dos créditos
presentes.
Credores sem voto (art. 45, §3º): Aqueles cujo crédito não será alterado pelo
plano.
Credor com garantia real: Vota na sua classe e como quirografário pelo saldo
excedente, podendo ter voto determinante.
Observações:
 Criticada por dificultar aprovação e gerar oportunismo.
 Liminar para suspender/adicionar AGC por discussão de créditos não é
deferida (art. 39, §2º).
Aprovação do plano de RJ por termo de adesão: Alternativa à AGC, permite
mais celeridade.
(arts. 45-A, § 1º, e 56-A c/c art. 45).
Quórum:
Classes I e IV: maioria simples dos credores sujeitos à RJ (por cabeça).
Classes II e III: maioria do valor total dos créditos sujeitos à RJ e maioria
simples dos credores sujeitos à RJ (cumulativamente).
Procedimento: O devedor comprova aprovação por termo até 5 dias antes da
AGC; AGC é dispensada; credores têm 10 dias para oposições.
Rejeição: Se quórum não preenchido, plano considerado rejeitado, mas não
converte automaticamente em falência.
--------
Modificação do plano do devedor (art. 35, I, a): a AGC pode modificar o
plano, desde que haja concordância expressa do devedor e as alterações não
prejudiquem os direitos de credores ausentes na assembleia (art. 56, parágrafo
3).
Se o plano do DEVEDOR FOR REJEITADO, O ADM. JUDICIAL SUBMETE
VOTAÇAO DA AGC PARA APRESENTACAO DE UM PLANO PELOS
CREDORES. Quórum é da mais da metade dos créditos presentes. (art. 56,
parágrafo 4 e 5).
Se o STAY PERIOD EXPIRAR SEM DELIBERAÇAO OS CREDORES PODEM
APRESENTAR UM PLANO ALTERNATIVO (art. 6, parágrafo 4-A).
Requisitos de admissibilidade do plano dos credores (art. 56, parágrafo
6):
- impossibilidade de aplicação do cram- down.
- conteúdo idêntico ao exigido para plano do devedor.
- apoio escrito de credores que representem + de 25% dos créditos totais ou +
de 35% dos créditos dos credores presentes na AGC que rejeitou o plano do
devedor.
- não imputar obrigações novas a sócios do devedor.
- inexistência de garantias pessoais para credores que aprovaram o plano.
- não impor ao devedor ou seus sócios sacrifício maior do que o da liquidação
da falência.
Os requisitos para plano dos credores são muito rigorosos, então sua
apresentação é rara.
--------
Cram- down, art. 58, parágrafo 1: é um mecanismo alternativo de aprovação
do plano de recuperação, pelo qual o juiz pode conceder a RJ mesmo que o
plano não tenha sido aprovado pelo quórum especial da AGC.
Para que seja aplicado (art. 58, parágrafo 1):
- Mais da metade do valor total dos créditos presentes vota a favor,
independentemente da classe. +
- Aprovação por três das quatro classes de credores (ou 2 de 3 / 1 de 2,
conforme o caso), seguindo o quórum especial (art. 45). +
- Nas classes que rejeitaram, mais de um terço dos credores deve votar a
favor, computados por cabeça ou por cabeça + valor, conforme a classe.
IPC! Jurisprudência: Para evitar a falência e em prol da preservação da
empresa, a jurisprudência pode desqualificar o voto de credor único de uma
classe que rejeitou o plano, se isso impedir o cram-down.
Tratamento Diferenciado (LREF, art. 58, §2º)
 O plano não pode tratar de forma desigual os credores da mesma classe
que rejeitou o plano.
 Contudo, a jurisprudência permite diferença se houver critério claro,
como instituição financeira pública vs. privada.
Efeito da Aprovação (LREF, art. 59)
 O plano aprovado novará os créditos anteriores ao pedido de
recuperação.
 Obriga devedor e credores sujeitos à recuperação.
 As garantias existentes são mantidas.
-------
3) fase executiva: período de fiscalização do cumprimento do plano pelo
devedor sob supervisão judicial. Inicia com a decisão de concessão da
recuperação e termina com a sentença de encerramento.
Decisão de concessão da RJ: após a provação do plano (por AGC, ausência
de objeção, termo de adesão ou cram- down) o juiz concede a recuperação
judicial (art. 57, 58, 56 parágrafo 3 ao 6, 56-A).
Supervisão Judicial (art. 61): o juiz decide se o devedor permanecerá sob
supervisão judicial.
- com supervisão: o processo segue para a fase executiva, com fiscalização do
cumprimento das obrigações. (decisão interlocutória e cabe agravo, art. 59
parágrafo 1 e 2)
- sem supervisão: processo de RJ É ENCERRADO. (sentença, cabível
apelação, art. 63).
Descumprimento do plano: qq credor pode requerer a execução específica
ou a falência do devedor (art. 62). Se o devedor descumprir obrigações durante
o período de supervisão (até 2 anos) RJ É CONVOLADA EM FALENCIA (ART.
61).
Stay period e novação:
O stay period é aquele período de 180 dias em que ficam suspensas todas as
ações e execuções contra o devedor em recuperação judicial (art. 6º, § 4º,
LREF).
Quando o juiz concede a recuperação judicial, o stay period deixa de existir
automaticamente, porque a fase processual muda.
Por que, mesmo assim, as ações continuam suspensas? (Novação)
Embora o stay period acabe, as ações e execuções que estavam suspensas
continuam sem prosseguir. Isso ocorre porque, com a aprovação e
homologação do plano, os créditos sujeitos à recuperação sofrem novação (art.
59 da LREF).
Ou seja, o crédito antigo é substituído pelas condições novas previstas no
plano.
Por isso, as execuções individuais não podem voltar, já que o credor deve
receber conforme o plano homologado e não mais do devedor individualmente,
por meios próprios.
Direitos dos credores contra coobrigados, fiadores e avalistas: A LREF
preserva expressamente esses direitos.
O art. 49, § 1º diz que a recuperação judicial não afeta:
 fiadores,
 coobrigados,
 avalistas.
Ou seja, mesmo que o crédito seja novado no âmbito da empresa em
recuperação, o credor pode continuar cobrando normalmente do fiador ou
coobrigado.
Alienação judicial de UPIs (art. 60 e art. 142,144, 145): A venda de filiais ou
unidades produtivas isoladas (UPIs) é realizada por leilão (eletrô nico,
presencial ou híbrido) sob fiscalização judicial. O bem é vendido livre de ô nus
e o arrematante não sucede as obrigações do devedor (exceto se houver
vínculo). É um dos instrumentos mais importantes da recuperação
judicial, pois permite levantar recursos e preservar a atividade
econômica. é um dos instrumentos mais importantes da recuperação
judicial, pois permite levantar recursos e preservar a atividade
econômica.

------

Execução do plano e encerramento da RJ: IPC

- publicidade: art. 69, durante a fase executiva a expressão “em


recuperação judicial” deve ser adicionada ao nome empresarial do
devedor em todos os atos, contratos e documentos. FEITA ANOTAÇAO
NO REGISTRO PÚBLICO DE EMPRESAS E NA RECEITA FEDERAL.

- o devedor permanece em RJ até o cumprimento das obrigações


previstas no plano que vencerem até 2 anos após a concessão.

- o plano é IMUTÁVEL, no entanto é possível sua revisão mediante


aprovação da AGC, se houver comprovada mudança significativa na
condição econômico-financeira do devedor.

- DEBTOR-IN-POSSESSION (DIP): o devedor ou seus administradores são


mantidos na condução da empresa, sob fiscalização do comitê de credores (se
houver) e o do administrador judicial.
- afastamento do devedor pode ser feito pelo juiz em caso de atos abusivos,
contrários aos fins da empresa, falta de transparência, gastos excessivos... (art.
64)
Consequência será a convocação da AGC para eleger um gestor judicial (art.
65).
-------
Encerramento da RJ (art. 63): ocorre por sentença quando as obrigações no
prazo de até 2 anos forem cumpridas. determina:
- pagamento do saldo de honorários do adm. judicial.
- apuração de custas judiciais.
- relatório circunstanciado do adm. judicial sobre a execução do plano.
- dissolução do comitê de credores e exoneração do adm. judicial.
- comunicação aos registros públicos.
Formas de terminar a RJ:
1) Concessão sem supervisão judicial; (a própria decisão que concede já
encerra) ou
2) Cumprimento das obrigações; (cumpriu no prazo de até 2 anos após a
concessão) ou
3) Desistência do devedor; (pedido apresentado a qq tempo, sujeito a
deliberação da AGC) (ART. 53, parágrafo 4) ou
4) Convolação em Falência; (em caso de decisão da AGC; não
apresentação do plano no prazo (art. 53); rejeição do plano e sem plano
de credores ou cram-down; descumprimento de obrigações no plano
durante a supervisão; descumprimento de parcelamento tributário ou
esvaziamento patrimonial/fraude). (art. 73)
--------
Financiamento do devedor durante a RJ (DIP FINANCING)
É um empréstimo especial que a empresa em Recuperação Judicial pode
pegar para não quebrar.
Pense assim:
➡️A empresa está em crise, mas ainda funcionando.
➡️Ela precisa de dinheiro para continuar operando.
➡️Mas ninguém quer emprestar, porque a empresa está devendo muito.
➡️A lei criou então um “empréstimo protegido” para incentivar alguém a
emprestar.
Esse empréstimo protegido é o DIP Financing.

Mecanismo de financiamento que veio com lei de 2020 para empresas em RJ.
É o financiamento concedido ao devedor durante a Recuperação Judicial, com
autorização judicial, garantindo proteção ao financiador e prioridade no
recebimento, buscando:
 permitir a manutenção da atividade,
 viabilizar a reestruturação,
 preservar valor e permitir a superação da crise.
Limitações do devedor em crise (art. 66): durante RJ o devedor mantém a
adm. da empresa, mas NAO PODE VENDER, ONERAR OU DISPOR DE
BENS SEM AUTORIZAÇAO JUDICIAL OU PREVISAO EXPRESSA NO
PLANO.
DIP surge para facilitar essa movimentação patrimonial com segurança jurídica.
O juiz pode autorizar o financiamento após ouvir o Comite de Credores, essa
autorização legitima a contratação, garante proteção ao financiador e permite a
constituição de garantias. (art. 69-A)
Garantias permitidas: devedor pode onerar ou alienação fiduciária, sobre
bens e dtos do ativo não circulante e inclusive bens próprios ou de terceiros.
Isso amplia o rol de garantias e incentiva o financiamento.
Finalidade: financiar atividades do devedor, despesas de reestruturação ou
preservação do valor dos ativos.
No Brasil o juiz que autoriza o financiamento, o devedor mantém a posse
administrativa dos bens e as garantias são constituídas sem transferência de
gestão.
Proteções ao financiador:
- Inalienabilidade/Ineficácia (LREF, art. 66-A): Alienação de bens ou garantia
a adquirente/financiador de boa-fé́ (com autorização judicial ou plano aprovado)
não pode ser anulada após a consumação do negócio e recebimento dos
recursos.
- Recursos (LREF, art. 69-B): A modificação da decisão de autorização em
grau de recurso não altera a natureza extraconcursal ou as garantias se o
desembolso já ocorreu (equitable mootness doctrine).
- Garantia Subordinada (LREF, art. 69-C): O juiz pode autorizar garantia
subordinada sobre ativos, dispensando a anuência do detentor da garantia
original, limitada ao excesso do valor do ativo.
- Rescisão em Caso de Falência (LREF, art. 69-D): Se a RJ for convolada em
falência antes da liberação integral dos valores, o contrato de financiamento é
automaticamente rescindido.
Ampla Fonte de Financiamento (arts. 69-E e 69-F)
Qualquer pessoa pode financiar a empresa, inclusive:
 credores,
 sócios,
 familiares,
 empresas do mesmo grupo,
 terceiros independentes.
Também podem oferecer garantia ao DIP, mesmo sem ser o financiador.

EXEMPLO PRÁTICO — A Lanchonete do João: O João tem uma lanchonete


famosa na cidade. Mas durante a crise, ele ficou devendo muito dinheiro e
entrou em Recuperação Judicial.

A lanchonete ainda funciona, mas:

 faltam ingredientes,
 o freezer quebrou,
 os entregadores ameaçam parar.

Ou seja: sem dinheiro, o negócio fecha.

Quem vai emprestar dinheiro para uma empresa em crise, devendo para todo
mundo?

Resposta: ninguém…
A não ser que exista uma lei protegendo quem empresta.

A solução: DIP Financing

O João procura um banco e diz:

“Eu preciso de R$ 200.000 para continuar funcionando.”

O banco responde:

“Eu só empresto se tiver garantia de que não vou perder dinheiro.”

Então o João pede ao juiz da recuperação uma autorização para fazer esse
empréstimo diferente, chamado:

DIP Financing (empréstimo especial durante a Recuperação Judicial)

O que o juiz faz?

O juiz analisa:

✔ se o dinheiro é realmente necessário,


✔ se é importante para salvar a empresa,
✔ se não vai prejudicar os credores.

Se estiver tudo certo → ele autoriza.

O que acontece depois?


Com a autorização:

1️- O banco pode emprestar sem medo.


2️- O João pode dar bens como garantia (por ex.: um carro, uma máquina, etc.).
3️- O banco fica protegido pela lei caso algo dê errado.

Como o João usa o dinheiro?

Ele usa os R$ 200.000 para:

 repor estoque
 consertar o freezer
 pagar funcionários
 fazer promoções
 recuperar clientes

A lanchonete volta a funcionar normalmente.

E se der errado?

Se a empresa quebrar mesmo assim e virar falência:

 o banco que deu o DIP recebe primeiro,


 o contrato de empréstimo é cancelado automaticamente se o banco não
tiver liberado todo o dinheiro,
 e outras pessoas não podem “anular” o empréstimo que já foi feito.

Isso incentiva os bancos a emprestar mesmo para empresas em crise.

------
Conciliação e mediação antecedentes ou incidentais aos processos de
recuperação judicial:

Lei 14.112/2020 passou a permitir de forma clara que empresas em crise


negociem com credores por meio de conciliação ou mediação, antes ou
durante a Recuperação Judicial.

É uma forma mais rápida e menos briga para chegar a acordos.


Pode ser feita fora do processo (extrajudicial) ou dentro dele (judicial).

Pode servir para:

 tentar evitar a RJ,


 resolver conflitos específicos,
 negociar dívidas difíceis,
 reduzir disputas.

Incentivo Legal (art. 20-A): A lei diz que a mediação e a conciliação devem
ser incentivadas em todos os graus de jurisdição.
Essas negociações não suspendem prazos legais, como o stay period, a não
ser que:

 as partes concordem ou
 o juiz determine.

Benefícios:

 aproxima devedor e credores,


 evita disputa judicial gigante,
 ajuda a salvar empresas viáveis,
 reduz o volume de ações.

É mais rápido e barato do que o processo litigioso.

O que NÃO pode ser negociado? (Limitações — art. 20-B, § 2º)

A mediação não pode tratar de:

❌ classificação jurídica dos créditos (ex.: dizer que virou quirografário, ou


garantia real),
❌ regras de voto na Assembleia de Credores,
❌ obrigar todos os credores a participar.

E principalmente: Deve-se respeitar a igualdade entre credores da mesma


classe.

Onde a conciliação/mediação pode ser usada? (Casos admissíveis — art.


20-B)

A lei permite conciliação/ mediação em:

✔ conflitos entre sócios ou acionistas da empresa em crise;

✔ litígios com credores que NÃO estão sujeitos à RJ (ex.: créditos


extraconcursais);

✔ conflitos entre empresas que prestam serviços públicos e reguladores;

✔ negociações de dívidas antes da RJ (fase de pré-insolvência);

Mecanismo de pré- insolvência: É a parte mais importante e mais nova.

A empresa, antes de entrar com pedido de RJ, pode:

✔ começar mediação/conciliação com credores

✔ pedir ao juiz uma tutela de urgência para parar execuções por até 60 dias
Isso funciona como um mini-stay period antecipado, para permitir negociações
sem risco de bloqueio de bens ou penhora.

Benefícios:

 evita correr para pedir recuperação judicial às pressas,


 dá tempo para negociar de maneira organizada,
 evita que a empresa seja “destruída” antes de tentar se salvar.

Dedução do Período de Suspensão: O período de 60 dias da tutela provisó


ria é deduzido do stay period automático da RJ ou da ratificação na
recuperação extrajudicial, para evitar procrastinação.

Homologação do Acordo (LREF, art. 20-C): Acordo deve ser homologado


judicialmente. Se RJ/Extra-RJ for requerida em até 360 dias do acordo pré-
processual, credores terão direitos reconstituı́dos (deduzidos pagamentos),
preservados atos válidos.

------
O instituto da recuperação extrajudicial: É uma negociação privada entre a
empresa em crise e seus credores, feita fora do Judiciário, para reorganizar
dívidas. Depois que as partes chegam a um acordo, o plano pode ser levado
ao juiz para homologação o que dá força judicial ao acordo.
Natureza do instituto: É um mecanismo híbrido,
 Fase privada → negociação entre devedor e credores.
 Fase judicial → homologação do plano pelo juiz.
Vantagens: A Recuperação Extrajudicial é preferida quando a situação não é
tão grave.
✔ mais rápida
✔ mais barata
✔ menos burocrática
✔ não desgasta a imagem da empresa
✔ menos intervenção judicial
✔ negociações mais flexíveis

Novas vantagens trazidas pela Lei 14.112/2020:


✔ Pode pedir Recuperação Judicial se o plano extrajudicial for descumprido

Não perde tempo: migra para RJ imediatamente.


✔ Credores trabalhistas podem entrar

Desde que exista negociação coletiva com o sindicato.


✔ Existe agora um stay period na recuperação extrajudicial

Mas só vale para os credores incluídos no plano.


Modalidades de Plano Extrajudicial:
1) Plano Individualizado (art. 162): Homologação Facultativa
 Cliente negocia com credores individualmente.
 Pode, se quiser, pedir homologação judicial.
 Basta apresentar:
o justificativa

o documento do acordo

o assinaturas dos credores aderentes.

2) Plano por Classes (art. 163) – Homologação Obrigatória:


 O plano é levado obrigatoriamente ao juiz.
 Se for aprovado por mais de 50% dos créditos de uma mesma espécie,
→ obriga todos os credores daquela classe, inclusive dissidentes.
Ex.: Classe dos quirografários aceita por 60% → vale para todos os
quirografários.
Quem pode pedir? (Legitimidade – art. 48 e art. 161)
Mesmos requisitos da RJ:
 empresário regular,
 não estar falido (ou ter obrigações extintas),
 não ter pedido RJ há menos de 5 anos,
 não ter sido condenado por crime falimentar.
Restrições (art. 161, § 3º): Não pode pedir homologação de plano extrajudicial
se:
❌ tiver pedido de Recuperação Judicial pendente,
❌ tiver obtido RJ ou homologado plano extrajudicial há menos de 2 anos.

Créditos sujeitos (art. 161 §1º): Entram todos os créditos existentes até a
data do pedido, exceto…
❌ NÃO entram (proibições legais):

 créditos tributários,
 créditos garantidos por alienação fiduciária,
 leasing (arrendamento mercantil),
 compra e venda de imóvel com cláusula de
irrevogabilidade/irretratabilidade,
 venda com reserva de domínio,
 adiantamento de contrato de câmbio (ACC),
 trabalhistas e de acidente de trabalho → AGORA podem entrar, se
houver negociação coletiva com sindicato.
Pedido de homologação com 1/3 dos créditos: O devedor pode pedir
homologação com,
 1/3 dos créditos da classe assinando o plano,
 e se compromete a atingir mais de 50% em 90 dias.
Se não conseguir → pode pedir RJ imediatamente.
Stay Period na Recuperação Extrajudicial:
 o stay começa já no pedido de homologação,
 vale somente para os créditos abrangidos no plano,
 o juiz deve ratificar quando o devedor provar o 1/3 mínimo de adesão.
Acordo Privado Aberto (art. 167):
É um acordo sem homologação judicial, feito livremente.
Mas não tem os benefícios da recuperação extrajudicial, como:
 impor o plano a credores dissidentes,
 suspensão de ações,
 blindagem judicial.
É só um contrato normal entre as partes.
------

Você também pode gostar