🌙 A Livraria que Só Abre à Noite
Ninguém sabia exatamente quando a livraria apareceu na praça. À luz do dia, era apenas
um prédio abandonado, com janelas empoeiradas e uma porta de madeira rachada. Mas
à meia-noite, quando o sino da igreja tocava doze vezes, as luzes se acendiam e o
letreiro brilhava:
“Histórias para quem não consegue dormir.”
Lia, uma menina curiosa que sofria de insônia, descobriu a livraria por acaso. Ao entrar,
não encontrou vendedor algum. Apenas estantes gigantescas e livros que pareciam
respirar, como se aguardassem ansiosos para serem escolhidos.
Cada livro tinha um aviso:
“Ao ler, viva.”
Lia abriu um volume com capa azul. No instante em que a primeira palavra foi lida, ela
foi sugada para dentro da história: um mundo de nuvens que sustentavam cidades
suspensas, habitadas por pássaros que falavam em poesias.
A aventura foi incrível, mas também perigosa. Havia tempestades que apagavam
palavras e monstros feitos de silêncio. Lia precisou criar sua própria história para
sobreviver. Ela escreveu coragem, amizade, e um caminho de volta.
Quando finalmente retornou à livraria, o sol estava nascendo.
O livro se fechou sozinho e desapareceu numa nuvem de pó dourado.
Na porta, um bilhete:
“Volte quando não conseguir dormir.
As histórias ainda precisam de você.”