Normas Fundamentais do Processo Judicial
Normas Fundamentais do Processo Judicial
1. art. 3º
- Inafastabilidade da jurisdição.
- Art. 4º: princípio da duração razoável do processo. Solução integral do
mérito, incluída a satisfação do mérito (atividade satisfativa).
No que pese ser um direito fundamental – pretensão do particular
em face do Estado –, o próprio Estado pode ser tutelado por esta
norma.
Efetivação de tutelas provisórias Vs. Duração razoável do processo.
- Direito a obter a solução integral do mérito. Norma que preza pela
primazia da solução de mérito. STF e STJ podem superar defeitos formais
para julgar o mérito do REsp e RE. Ver art. 1029, § 3ª; 282, § 2º.
Sobre a efetivação da tutela de mérito:
a) art. 139, IV: clausula geral executiva. As medidas mandamentais
executivas lato-sensu para efetivar decisões, inclusive, aquelas
que envolvam a obrigação de pagar (penhora, demolição, multa,
etc).
b) Conversão da obrigação de fazer/tutela específica em perdas e
danos.
- Contraditório
O contraditório não se limita ao dever de alerta, mas inclui também
a possibilidade de influenciar a decisão do juiz.
- Devido processo.
O devido processo legal tem tanto uma dimensão processual
(cumprimento das regras procedimentais) quanto uma dimensão
substancial (análise da razoabilidade e proporcionalidade das
normas aplicadas).
2. Art. 5º - boa-fé.
- Boa-fé objetiva.
- Fundamento constitucional: devido processo legal (RE 464.963-2).
Formal (procedural due process of law): respeitar as garantias das
partes.
Substancial (substantive due process of law): justiça da decisão
deve ser proporcional e razoável, trata do resultado satisfatório.
- Reflexos:
litigância de má-fé – 79 a 81.
Segundo o CPC, o juízo irá interpretar os pedidos de acordo com a
postulação geral e a boa-fé, de modo que não precisam mais ser
interpretados restritivamente. Nesses casos, deve ficar claro ao réu
o pedido do autor, sob pena de decisão extrapetita.
Art. 311, I: é possível o juiz conceder tutela da evidência em face de
um comportamento protelatório do réu. Tutela da evidencia como
sanção.
4. Art. 7º - isonomia.
- “Dispersão jurisprudencial” – sistema de procedentes visa garantir a
isonomia entre decisões.
- Ao proibir decisões surpresas, esta decisão privilegia uma parte em
detrimento da outra, afetando a isonomia. m
- Prerrogativas da fazenda.
- art. 373: distribuição dinâmica do ônus da prova.
- Aspectos da igualdade: imparcialidade (equidistância), igualdade no
acesso à justiça, igualdade no acesso às informações.
5. Art. 8º
- Dignidade da pessoa humana enquanto núcleo dos direitos
fundamentais
- Observação da legalidade, impessoalidade e eficiência - princípios da
administração pública.
- Gratuidade de justiça. Universalização da justiça.
- Não pode o Estado exigir o depósito como condição de admissibilidade
de recursos (SV 28/STF).
- Vedação à prisão civil de depositário infiel.
- Dever constitucional do julgador em resguardar a dignidade humana.
6. Art. 9º e 10º
- Não se proferirá decisão sem que as partes sejam ouvidas.
- Art. 10º: vedação as decisões surpresas.
- S. 456/STF: o STF vai analisar todos os requisitos de cabimento do RE.
Uma vez que recebe o recurso, aplica-se o efeito translativo, as questões
de ordem pública são devolvidas ao juízo.
- Mesmo o STF ou STJ, para reconhecer a prescrição de ofício, vai ter que
dar ao autor prazo para se manifestar a respeito.
Exceção: improcedência liminar do pedido (art. 332, § 1º, CPC).
7. Art. 11.
- Art. 489 – motivação das decisões judiciais, explica como será a decisão
“não motivada”. Parte do pressuposto de que não há direito sem os fatos.
Deve o julgador conectar a norma com os fatos da causa.
Inciso VI: obriga o juiz analisar todas os fundamentos capazes de
deduzir a conclusão adotada pelo julgador. Da mesma forma que o
juiz não pode usar formulas vazias para fundamentar suas decisões,
assim as partes devem também atuar.
a) Isso não impede ao juiz de decidir com fundamento em fato não
invocado pelas partes (iura novit curia), mas deve dar a
oportunidade de tomarem conhecimento disso.
b) Não quer dizer que o julgador enfrente um a um os argumentos
das partes, mas apenas os argumentos capazes de influir na
decisão judicial.
- Publicidade.
Segredo de justiça,
Art. 5º [...] LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
Art. 93. [...] IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no
sigilo não prejudique o interesse público à informação;
CPC, Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às
exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa
humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência.
SITUAÇÕES DO CÓDIGO:
“Os atos processuais hão de ser públicos. O princípio da publicidade gera o direito
fundamental à publicidade. Trata-se de direito fundamental que tem, basicamente,
duas funções: a) proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos (e, nesse
sentido, é conteúdo do devido processo legal, como instrumento a favor da
imparcialidade e independência do órgão jurisdicional); permitir o controle da opinião
pública sobre os serviços da justiça, principalmente sobre o exercício da atividade
jurisdicional.”
sigilo profissional,
JURISDIÇÃO
1. INTRODUÇÃO
- Separação de funções # separação de poderes:
Poder emana do povo = poder é uno e indivisível
Separação de funções: executivo, legislativo judiciário.
2. CONCEITO
- Aplicação do direito ao caso concreto:
Chiovenda: jurisdição é a substituição e atuação da vontade pessoal
pela vontade concreta da lei. lembrar: iluminismo e a separação
entre judiciário e legislativo.
Carnelutti: justa composição da lide. Sendo assim, para alguns
juristas, a autocomposição não é jurisdição porque não tem lide.
Juiz declara o direito que já existe.
Imutabilidade: somente a jurisdição pode tornar algo como coisa
julgada. Liebman.
- Escopos da jurisdição:
Jurídico: aplicação concreta da vontade do direito
Social: resolver conflito de interesses das partes.
Educacional: ensinar às partes seus direitos.
Político: fortalecer o Estado e a participação democrática através do
processo, jurisdição como último recurso para proteger o próprio
direito.
4. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA
- Teoria administrativista (guido zanobi, calamandrei, liebman): não é
jurisdição, mas uma atividade administrativa.
Não há lide na jurisdição voluntária, se não há lide, não há
jurisdição. Juiz é eleito como membro estatal necessário para
conferir validade jurídica a um ato.
Não é voluntária porque a parte tem que ir a juízo.
- Teorias revisionistas (carnalutti, pontes de Miranda, dinamarco, grecco,
marinoni): na jurisdição voluntária, segundo Dinamarco, tem conflito,
todavia, a jurisdição tem outros escopos, por exemplo: político, social,
educacional e político, que não apenas a justa composição da lide.
Lide não é o elemento necessário para a atividade jurisdicional, é
um elemento acidental. Se há uma autocomposição no processo, ou
se o réu não contesta, por exemplo, não há lide, mas ninguém vai
dizer que não há processo, ou que isso não foi prestada a jurisdição,
e a que a decisão não fará coisa julgada.
Muitas vezes, na jurisdição voluntária, existe lide, mas ela é feita de
maneira indireta. Ex: uma separação judicial consensual feita em
procedimento de jurisdição voluntária, não há lide diretamente
colocada, mas há conflito entre marido e mulher.
Juiz continua atuando com independência e imparcialidade.
1. AUTOCOMPOSIÇÃO;
Qual a diferença entre mediação e conciliação?
a) Mediação: É forma de solução consensual de conflitos centrada
não no conflito em si, mas em suas causas. relação jurídica já
existente, age para que as partes cheguem à solução por elas
mesmas. “media a solução entre as partes”. Ex: contrato de
locação.
b) Conciliação: não há uma relação prévia entre elas. O conciliador
age propondo uma conciliação (uma solução). “leva as partes à
conciliação”. Ex: batida de carro.
- Determinados contratos podem instituir cláusulas escalonadas, isto é,
vincula às partes aos métodos alternativos de resolução de conflitos,
estabelecendo a via judicial como última alternativa.
Med-Arb: A med-arb consiste em um processo híbrido no qual se
inicia com uma mediação e, na eventualidade de não se conseguir
alcançar um consenso, segue-se para uma arbitragem.
- técnicas de mediação
Rapport é uma palavra de origem francesa que diz respeito a uma relação
de empatia com o interlocutor. Portanto, trata-se de uma técnica que visa
ganhar a confiança das partes, propondo um diálogo aberto e construtivo
a fim de influenciar as partes a alcançarem a autocomposição.
Caucus Com esta técnica, o mediador realiza uma reunião privada com
cada uma das partes separadamente, durante a fase de negociações, para
oportunizar o estabelecimento de proximidade e confiança entre elas e o
mediador. Além disso, essa técnica ainda pode ser usada para acalmar os
ânimos, auxiliar no fluxo de informações, reunir informações úteis para a
negociação e ajudar as partes a rever a força de seus casos.
2. Sistema multiportas
3. Métodos autocompositivos.
3.2. Arbitragem.
- É jurisdição (STJ). A sentença arbitral é título executivo judicial. O
argumento em contrário afirmar que o título não é auto-exequível,
necessitando de uma decisão do poder judiciário.
- Sigilosa.
- SE É ATIVIDADE JURISDICIONAL, NÃO É EQUIVALENTE JURISDICIONAL.
STJ decidiu um conflito de competência entre uma câmara arbitral e
juiz de direito. Reconhece aqui que a arbitragem tem jurisdição.
- Conceito: eleição de um meio alternativo que arbitra conflitos de forma
33impositiva.
- Ambos devem ser capazes e os direitos disponíveis.
- Convenções arbitrais:
cláusula compromissória (cláusula do contrato = anterior):
compromisso feito entre as partes que admitem a arbitragem como
forma de composição do conflito, ou seja, é estabelecida por
contrato. (anterior). EX: contrato de locação comercial que prevê a
resolução de conflitos mediante arbitragem.
a) Cláusula compromissória cheia: já estão dispostas as regras
sobre a forma de instituir e processar a arbitragem, isto é, trata-
se de um negócio jurídico processual mais amplo que determina
o iter procedimental.
b) Cláusulas patológicas: são disposições incompletas, obscuras ou
contraditórias inseridas nas cláusulas compromissórias.
Mas se o conflito já existe e as partes decidem ir ao árbitro, haverá
o compromisso arbitral (posterior).
- A existência da convenção é um pressuposto de existência negativo do
processo, ou seja, o juiz pode extinguir o processo sem resolução do
mérito de ofício?
Não, se uma das partes foi a juízo, é porque não quer mais a
arbitragem, e se na contestação o réu não suscitou a arbitragem,
haverá preclusão.
O juiz não pode reconhecer de ofício a convenção de arbitral. NÃO
CONFUNDIR: juiz pode reputar ineficaz, de ofício, cláusula de
eleição de foro abusiva.
- Cabe agravo da rejeição da convenção de arbitragem.
- Carta arbitral: forma de comunicação entre o árbitro e o juiz togado.
- O que foi objeto de julgamento na arbitragem, quando transferida para o
judiciário, fica sendo julgado sob sigilo.
- Arbitragem não é forma de autocomposição, árbitro impõe decisão ao
final.
COMPETÊNCIA.
1. INTRODUÇÃO.
- A jurisdição é una e indivisível, não admitindo divisões, mas
classificações, nesse sentido, diferencia-se a jurisdição comum (ordinária)
da jurisdição especial (extraordinária), sendo possível a jurisdição comum
federal ou estadual.
- A competência, por outro lado, é o resultado dos critérios utilizados para
distribuir a jurisdição.
- Princípios:
Tipicidade: as regras sobre competência são enumeradas na CF.
Indisponibilidade: as competências constitucionais não podem ser
transferidas para órgãos distintos. O STF admite que se reconheça a
existência de competências implícitas (implied power) quando não
houver regra expressa, algum órgão jurisdicional haverá de ter
competência para apreciar a questão.
- É a medida ou limite da jurisdição porque todo órgão jurisdicional tem
jurisdição, presta jurisdição, mas não em qualquer situação. A razão de ser
da competência é melhorar a qualidade da jurisdição.
- Vem para especializar o órgão jurisdicional em razão da pessoa, matéria,
etc.
- Natureza jurídica: no modelo anterior, era tida como um pressuposto
processual de desenvolvimento ou de validade do processo, porque
diversos atos processuais seriam atingidos com a declaração de
incompetência, haveria nulidade dos atos decisórios.
No entanto o CPC/15 no art. 64, § 4º, afirma que o mesmo ato
praticado por juízo incompetente, pode ser convalidado, ou seja,
ainda que reputado ineficaz, poderá surtir seus efeitos, de modo
que seria um pressuposto processual de eficácia (princípio do
translatio iudicii). Nesse sentido, se fosse um pressuposto de
validade, a invalidade teria como consequência a extinção do
processo sem resolução do mérito, no entanto, o que ocorre é o
declínio da competência (convalidação do ato).
Mesmo após o dispositivo, corrente majoritária afirma ser
pressuposto processual de validade.
Competência não se confunde com jurisdição, pressuposto
processual de existência.
O erro no encaminhamento na rescisória, em vez do tribunal
extinguir, deve declinar para o tribunal correto. Art. 968, § § 5º e 6º.
- Em alguns casos, porém, a incompetência gera a extinção do processo
sem resolução do mérito. Ex: nos juizados especiais, art. 51, III, lei
9099/95: a incompetência territorial (relativa) é hipótese de extinção do
processo.
- KOMPETENZKOMPETEZ: todo juízo possui competência para julgar sua
própria competência.
- Perpetuatio jurisdicionis: fixada a competência, não haverá modificação,
independentemente de mudança posterior da legislação.
A propositura da demanda produz o efeito de litispendência – uma
demanda surge pendente.
Um dos efeitos da litispendência é a perpetuatio jurisdicionis.
Nenhuma modificação de estado de fato (ex: mudança de domicílio)
ou de direito poderá alterar a competência.
No entanto, ainda que proposta demanda, poderá haver
modificação do juízo:
a) Supressão de órgão judicial. Ex: desmembramento de comarca;
subdivisão do foro.
b) Alteração da competência absoluta. Ex: união passa a integrar o
processo; alteração da competência da justiça do trabalho.
b.1) exceção da exceção: alteração da competência absoluta
ocorrer após a sentença.
- Foro (território) # vara (cartório: unidade administrativa) = Juízo.
3. Espécies de competência.
3.1. Originária e
derivada.
- Originária: atribuída a órgão jurisdicional para conhecer da demanda em
primeiro lugar. Pode ser atribuída ao primeiro ou segundo grau. Ex: ação
rescisória.
- Derivada: quando já há decisão prolatada. Ex: competência recursal.
- Originária e derivada são espécies de competência absoluta.
3.2. Competência
absoluta e relativa.
ABSOLUTA RELATIVA
Regra de competência criada para atender a Regra de competência criada para atender
interesse público. precipuamente a interesse particular.
A incompetência absoluta pode ser alegada a A incompetência relativa somente pode ser
qualquer tempo, por qualquer das partes, arguida pelo réu, no prazo de resposta (15
podendo ser reconhecida ex officio pelo dias), sob pena de preclusão e prorrogação da
magistrado. competência do juízo, não podendo o
magistrado reconhecê-la de ofício.
A parte que deixar de alegar no primeiro
momento que lhe couber falar nos autos STJ/Súmula 33. A incompetência relativa
arcará com as custas do retardamento. Trata- não pode ser declarada de ofício.
se de defeito tão grave que, uma vez
O MP pode alegar incompetência relativa em
transitada em julgada a última decisão, ainda
benefício de réu incapaz.
será possível, no prazo de 2 anos,
desconstituí-la por ação rescisória.
Não há forma especial para a arguição de A exceção de incompetência relativa deve ser
incompetência absoluta, até mesmo porque o alegada como questão preliminar de
magistrado pode conhecê-la ex officio. No contestação (art. 64 do CPC).
entanto, não pode o réu alegar incompetência
absoluta por exceção instrumental e querer
que essa alegação produza o efeito de
suspender o processo, característica das
exceções instrumentais. Se por acaso o réu
alegar incompetência absoluta, mesmo que
em peça separada, deverá a alegação ser
considerada como se tivesse sido formulada
no bojo da contestação, sem que se dê a ela o
efeito de suspender o andamento do processo,
até a sua apreciação.
Reconhecida a incompetência absoluta, Reconhecida a incompetência relativa,
remetem-se os autos ao juiz competente e remetem-se os autos ao juiz competente e não
reputam-se nulos os atos decisórios já se anulam os atos decisórios já praticados.
praticados.
A regra de competência absoluta não pode As partes podem modificar a regra de
ser alterada pela vontade das partes. incompetência relativa, quer pelo foro de
eleição, quer pela não oposição da exceção de
incompetência.
A regra de competência absoluta não pode A regra de incompetência relativa pode ser
ser alterada por conexão/continência. modificada por conexão/continência.
Competência em razão da matéria, da Competência territorial é, em regra, relativa
pessoa e funcional são exemplos de (salvo ação possessória – Art. 47, § 2º do
competência absoluta. CPC).
A competência em razão do valor da causa Além disso, também é relativa a competência
também pode ser absoluta, quando extrapolar pelo valor da causa, quando ficar aquém do
os limites estabelecidos pelo legislador. Em limite estabelecido pela lei.
alguns casos, a competência territorial é
absoluta.
3.3. Absoluta.
- Determinada pela lei, sem possibilidade de alteração pelas partes ou juiz.
- Pode ser:
Em razão da pessoa: leva em consideração as partes
Em razão da matéria: leva em consideração a causa de pedir.
Competência funcional: procura-se o órgão competente a partir de
uma relação com a atividade jurisdicional praticada regularmente
pelo órgão jurisdicional. Pode ter como critérios:
a) Vertical: competência recursal.
b) Horizontal, ex: competência para julgar ação rescisória.
- Protege o interesse público.
Tanto a competência absoluta como a relativa devem ser arguidas
em preliminar de contestação segundo o art. 337, no entanto, por
se tratar de nulidade absoluta, a competência absoluta pode ser
levantada a qualquer tempo, inclusive pelo próprio juízo, ou mesmo
através de ação rescisória.
- Em razão da pessoa.
Em um primeiro momento, afirmou o STJ que o critério da
autoridade em mandado de segurança prevalece sobre a matéria.
Nesse sentido, se Governador pratica ato coator em face de
empregado público, atingindo seu contrato de trabalho, a
competência seria do TJ, não do TRT.
a) No entanto, o Tribunal mudou o entendimento, afirmando que
as disposições do art. 109, § 2º, CF, prevalecem, podendo o
impetrante se valer do juízo do seu domicílio para promover a
demanda.
Critérios funcionais/processuais: a competência do órgão
jurisdicional não precisa analisar os critérios materiais.
a) Verticais: competência dos tribunais para julgar recursos, TRF
tem competência funcional vertical, julga nos limites da
provocação.
b) Horizontais: não há hierarquia.
b.1) Carta precatória.
b.2) Se no processamento verificar a necessidade do controle
difuso, o tema é submetido aos pares, o julgamento é
sobrestado, e o tema é remetido ao órgão especial do tribunal,
há uma cisão funcional horizontal da competência: mesmo
tribunal, mas outro órgão.
a) Recurso inominado e turma recursal, não há aqui novo grau de
jurisdição, turma não é tribunal.
Subclassificação da competência funcional:
a) Em razão das fases do procedimento.
b) Relação entre ação principal e acessória.
c) Grau de jurisdição.
c.1) Segundo o art. 102, I, compete ao STF o julgamento das
causas e os conflitos entre União e Estados (...) “inclusive as
respectivas entidades da administração indireta”. Ex: MS
impetrado pelo Estado membro contra Autarquia federal.
Objeto do juízo.
- Em razão da pessoa.
É inconstitucional a competência absoluta territorial nas ações
coletivas (STF REPERCUSSÃO GERAL).
Ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que
decretou o divórcio, mesmo que um dos ex-cônjuges tenha
mudado de domicílio e se tornado incapaz. (CC 160.329/MG, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
27/02/2019, DJe 06/03/2019). Exceção ao art. 50.
3.4. Em razão da
matéria.
- Trabalhista: relações regidas pela CLT.
Competência originária em razão da matéria: JT possui competência
para julgar a execução das contribuições previdenciárias sobre as
verbas trabalhistas, ainda que se trate de títulos executivos judiciais
formalizados em data anterior à promulgação da Emenda
Constitucional nº 20/1998. STF. Plenário. RE 595326, Rel. Marco
Aurélio, julgado em 24/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 505)
(Info 991 – clipping).
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública
fundamentada na não concessão pela União de Selo de
Responsabilidade Social a empresa pela falta de verificação
adequada do cumprimento de normas que regem as condições de
trabalho. STJ.
S. 222/STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações
relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT.
a) Justiça do Trabalho não tem competência para julgar ação na
qual entidade sindical discute recolhimento de contribuição
sindical envolvendo servidores públicos estatutários. STF.
REPERCUSSÃO GERAL.
b) Para o STJ, a súmula aplica-se aos servidores estatutários, não se
aplicando celetistas (servidores públicos ou não).
- Eleitoral.
- Militar.
falência, inventário, ações de família, ações contra Sociedade de Economia
Mista.
4. Competência relativa.
- Competência relativa: base territorial e valor da causa.
- Assistente simples não pode alegar, só o litisconsorcial.
- Na denunciação da lide também não será possível alegar porque a parte
ré perdeu a oportunidade de se manifestar na primeira oportunidade nos
autos.
4.2. Competência
em razão do valor.
- A competência em razão do valor nos juizados é absoluta, exceção.
- STJ/REsp 1.257.935. O valor da causa para fins de fixação da
competência nos juizados especiais federais, na hipótese de existência de
litisconsórcio ativo, deve ser calculado dividindo-se o montante pelo
número de autores.
4.3. Competência
foro de eleição.
- Na competência relativa e competência de foro (base territorial), as
partes de comum acordo podem realizar um negócio processual por meio
do foro de eleição.
Ver art. 63: alteração em razão do valor ou do território. Nas
obrigações pessoais podem as partes pactuarem o foro.
a) Essa regra não é absoluta:
a.1) demanda real imobiliária deve ser proposta no lugar da
coisa.
Aplica-se a todos os litígios relacionados ao contrato que os
instituiu. Por outro lado, havendo a cessão de direitos de um
contrato, a jurisprudência entende que o fato de os demandantes
não terem sido partes originárias na celebração do contrato pode-
se afastar o foro de eleição.
Nada impede que seja eleito mais de um foro de eleição.
Se há foro de eleição, mas o autor decide ajuizar ação no domicílio
do réu, não haverá problema, há renúncia tácita a cláusula de
eleição.
No conflito entre reunião pela conexão e cláusula de eleição de
foro, prevalecerá a conexão que observa regra de interesse público.
Via de regra a competência relativa não se declara de ofício
(S.33/STJ), salvo se abusiva a cláusula de eleição de foro (art. 63, §
3º)
Neste caso o juiz não estaria de oficio pronunciando competência
relativa?
a) No CDC há previsão de que o consumidor tem o direito de
propor as demandas no seu domicílio, ou ser demandado nele,
caso contrário haverá ofensa ao acesso à justiça. Neste caso
seria uma INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA.
b) Não sendo consumidor, é caso de incompetência relativa
pronunciada pelo juiz.
c) Só pode ser reconhecida até a citação do réu. Excepcional
preclusão pro iudicato.
- Decisão de incompetência.
Nos juizados, Juiz também pode declarar de ofício incompetência
territorial.
Propostos pedidos estadual e trabalhista na justiça federal, deverá o
juiz, de ofício, extinguir o processo sem resolução do mérito, e não
promover a cisão do processo, isto é, não envia parte dos autos
para cada jurisdição, prorroga-se a competência quanto ao pedido
federal.
Juiz que se declarar incompetente podendo decidir quais atos por
ele proferidos ficaram sem efeitos até decisão ulterior do
magistrado competente.
Sob o CPC/15, vício de incompetência, mesmo absoluta, gera
ineficácia. Consequência: permanência da validade dos atos
proferidos. Mas na prática, anula-se a sentença, remetendo os
autos ao juízo competente.
6. Conflito de competência.
Conflito entre juiz federal e juiz estadual investido na competência federal:
Positivo TRF
Negativo STJ
7. Questões da jurisprudência.
- O mero conflito patrimonial entre união e demais entes não atrai a
competência do STF com fundamento no art. 102, I, “f”, cabendo à JF
apreciar em primeiro grau.
- Execução fiscal de município contra Estado estrangeiro é da competência
da JF.
- O STF se posicionava pela competência da JF para julgar as ações
ordinárias envolvendo CNJ, mas o STF vem modificando esse
posicionamento para que ele próprio julgue.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que tem como objetivo
a obtenção de oxigênio destinado às unidades de saúde estaduais do
Amazonas para o tratamento da excepcional situação pandêmica da
Covid-19.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de esbulho
possessório de imóvel vinculado ao Programa Minha Casa Minha Vida.
- Compete ao juiz togado julgar a ação de despejo apesar da cláusula
compromissória no contrato de locação.
- Incorre em usurpação de competência o Juízo cível ou trabalhista que
pratica ato expropriatório de bem sequestrado na esfera penal.
- Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública
fundamentada na não concessão pela União de Selo de Responsabilidade
Social a empresa pela falta de verificação adequada do cumprimento de
normas que regem as condições de trabalho.
- A Súmula 222 do STJ - Compete à Justiça Comum processar e julgar as
ações relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT - deve
abarcar apenas situações em que a contribuição sindical diz respeito a
servidores públicos estatutários, mantendo-se a competência para
processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical referentes a
celetistas (servidores públicos ou não) na Justiça do Trabalho.
- Os Juizados Especiais da Fazenda Pública não têm competência para o
julgamento de ações decorrentes de acidente de trabalho em que o
Instituto Nacional do Seguro Social figure como parte. Nessa hipótese
deve ser julgado pelo juizado especial comum estadual.
- Na vigência do CPC/2015, o juízo deprecante é o competente para a
degravação de depoimento colhido por carta precatória.
- Compete ao juízo da execução realizar a alienação judicial eletrônica,
ainda que o bem esteja situado em comarca diversa.
- Não compete à Justiça estadual, em sede de reconvenção proposta na
ação de abstenção de uso de marca, afastar o pedido da proprietária da
marca, declarando a nulidade do registro ou irregularidade da marca.
- A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode
ser submetida à cláusula compromissória arbitral prevista no Estatuto
Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei autorizativa, seja
em razão do próprio conteúdo da norma estatutária.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que envolva
concessionárias do serviço de telefonia e a Anatel a respeito da
precificação do VU-M (Valor de Uso de Rede Móvel) ainda que um dos
litigantes se encontre em recuperação judicial.
- O vínculo de conexão a justificar a reunião de medidas cautelares
preparatórias está vinculado com a identidade de objeto e/ou de causa de
pedir existente entre as ações principais a serem propostas e não do
processo cautelar em si.
- A incapacidade superveniente de uma das partes, após a decretação do
divórcio, não tem o condão de alterar a competência funcional do juízo
prevento.
- Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de
urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido, por
meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o
seu resultado ocorrer no Brasil.
- O Art. 109, III, CF, dispõe que “as causas fundadas em tratado ou
contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional”,
ou se seja, os tratados que demandem uma contraprestação especial do
Estado brasileiro, também denominados tratados-contratos.
PROCESSO
1. CONTEITO
- Procedimento # processo.
Procedimento: encadeamento de atos que leva a um caminho.
Processo, teorias:
a) Oskar Von Bullow: O autor, o réu, e o juiz têm reciprocamente:
deveres, ônus, faculdades. Dessa forma, o processo cria um
plexo de obrigações ativas e passivas entre os atores
processuais. Portanto, a natureza jurídica do processo é de
relação jurídica de direito público.
b) Elio Fazzalari: a relação jurídica não pode fazer parte do conceito
de processo, se assim for, o processo se assemelharia a um
contrato (direito privado). Diferentemente, o processo depende
do contraditório. Os plexos de posições jurídicas são justificados
pelo contraditório, que inclui as partes, o juiz e o poder-dever de
se manifestar a todo o momento, logo, são imposições impostas
pela norma jurídica de ordem pública.
c) Goldsshimitt: Se opõe às teorias anteriores no sentido que, se o
processo gera obrigações, é possível que as partes exijam algo
do juiz e do Estado, no entanto, em última análise, o Estado não
está vinculado de um direito das partes. Logo, diferentemente
das obrigações, o processo é um conjunto de situações
processuais. Para o autor, os pressupostos da relação de direito
material não representam os pressupostos do processo. Há um
caráter dinâmico das relações. Devem as partes se
desvencilharem das suas “cargas processuais”, que ao fim do
processo evitam uma sentença desfavorável. Logo, a ideia de
carga difere de obrigação, porque não gera necessariamente um
dever à parte contrária. Ex: se a parte consegue provar algo, a
parte contrária deve provar o contrário, mas nada impede que o
juiz decida contra a parte que melhor produziu as provas no
processo em razão do livre convencimento motivado.
d) Cassio Escarpinella: Processo como modelo de atuação estatal.
num estado democrático de direito, a forma de atuação é
instrumentalizada para permitir a manifestação de vontade
daquele que vai ser atingido pela decisão do estado. TGP
engloba o processo administrativo.
2. Pressupostos processuais
- O ato jurídico pode ser avaliado em três planos: existência, validade,
eficácia.
3. Tipos de processos
- Conhecimento: certificação de um direito.
- Execução: efetivação de um direito
- Cautelar: proteger a efetivação de um direito.
Fase Postulatória: tem início com a petição inicial, passa pela resposta do
réu e, eventualmente, pela réplica ou impugnação do autor à defesa do
demandado.
2. Classificação da tutela.
- Trinaria: constitutiva, declaratória, condenatória. Tutela de
conhecimento.
- Quinaria:
Mandamental: coação do estado ao réu devedor. Meios indiretos.
Obrigação de fazer e não-fazer.
Executiva “lato sensu”: substutividade do devedor no cumprimento
da obrigação.
- Classificação clássica # moderna:
A existência para os adeptos da divisão trinária, a tutela executiva
latosensu e a mandamental, são formas de tutela condenatória.
Para os adeptos da teoria quinaria, aqui o juiz tem um papel
diferente em cada caso.
- Art. 139, IV (cláusula geral executiva): para efetivar a decisão, o juiz pode
se utilizar de qualquer meio lícito e razoável, inclusive para as obrigações
de pagar quantia certa. Na crise de inadimplemento, independentemente
do cumprimento de sentença com tutelas executivas típicas requeridas
pelo requerente, o juiz pode tomar medidas executivas lato-sensu de
ofício.
TEORIA DA AÇÃO
1. AÇÃO x DEFESA.
- Teoria imanentista (ou clássica): direito material ligado à ação. Não há
direito sem ação, nem ação sem direito (Savigny) (ação = direito).
Polemica alemã (windscheid e muther):
Para Windscheid o direito é composto por pretensões que se
voltam contra os indivíduos. Aqui direito e ação são um só direito.
Enquanto que para Muther o ordenamento é formado por direitos
cuja violação gera uma pretensão em face do Estado (teoria
imanentista). O direito é violado se põe em movimento, surgindo
daí o direito de ação.
- Teoria autonomistas/concreta (Processo # Ação). Direito de ação é
autônomo, mas depende do direito material.
Wach diz que o resultado de uma pretensão declaratória negativa
(inexistência da relação jurídica), equivale a inexistência do direito,
logo, a ação seria um direito autônomo, já que não dependeria
propriamente do direito para existir. Direito de ação abstrato. Para
esta teoria não existem as "condições da ação"; de modo que
interesse e legitimidade são questões de mérito;
Canelutti: sempre existe ação desde que se bata a porta do
judiciário. Ação é um direito político autônomo de ir ao judiciário.
- Teorias ecléticas (Liebman):
O direito de ação é autônomo e abstrato, independente do direito
material, mas depende do preenchimento de certos requisitos
formais (condições da ação); nesta teoria, há decisão terminativa
por carência da ação, sem a coisa julgada em sentido material, o
que difere do mérito.
Nesse sentido, o direto de ação deve ser encarado sob duas
perspectivas 1) constitucional (garantia política de ir ao judiciário –
autonomistas abstratos); 2) processual: ação é o direito de obter
um julgamento de mérito, vinculado a demonstração de requisitos
mínimos denominados “condições da ação”, que eram: interesse de
agir, legitimidade ad causam, possibilidade jurídica do pedido.
Até o CPC de 73 havia uma discussão se as condições da ação
deveriam estar ao logo de todo o processo, ou apenas no momento
inicial. Para Liebman, as condições da ação persistem até o fim do
processo.
- Teoria da asserção e a polêmica do CPC/15:
Em algumas situações a linha divisória entre o interesse processual
(condição da ação) e o mérito processual é muito tênue.
Nessa perspectiva, interesse e legitimidade, antes analisados
preliminarmente e sob o viés das condições da ação, passam a ser
encaradas como questões de mérito, segundo a teoria da asserção.
Nesse contexto, se tudo é mérito, para um setor minoritário da
doutrina (Alexandre Freitas Câmara e Fredie Diddier), no CPC/15
não há mais as condições da ação, tendo em vista que:
1) o código não mais discrimina entre as hipóteses de
improcedência liminar do pedido a possibilidade jurídica do pedido
(art. 377);
2) o texto normativo não se vale mais da expressão “condições da
ação”;
Apesar do que dispõe estes doutrinadores, e mesmo o STJ
reconhecendo que o código adotou a teoria da asserção, doutrina
majoritária e jurisprudência afirmam que permanecem as condições
da ação, que devem ser avaliadas conforme as afirmações feitas
pelo autor em sua petição inicial.
2. Condições da ação.
- Possibilidade jurídica do pedido, interesse processual e legitimidade.
2.3. Legitimidade.
- Conceito: legitimidade é o atributo para prática de um determinado ato.
Nasce da relação entre um o objeto (relação jurídica) e o sujeito. Para
Liebman, legitimidade é a pertinência subjetiva para a demanda.
- Legitimidade # capacidade:
Capacidade: denota um porquê. É capaz porque tem 18 anos.
Capacidade de ser parte.
Legitimidade: existe para alguma coisa. Têm-se legitimidade para
exigir obrigação, por exemplo.
- Legitimidade
ad causam/legitimidade para agir (condição da ação): pertinência
subjetiva da ação. Partes legítimas. A relação jurídica de direito
processual é um espelho da de direito material.
a) é necessariamente bilateral: em face de um determinado réu.
b) pode ser ordinária ou extraordinária.
Ad processus/legitimidade processual (não é condição da ação):
pressuposto processual que se relaciona com a capacidade de estar
em juízo. Nesse sentido, o menor de 16 anos possui legitimidade ad
causam (= capacidade de direito), mas não ad processus (=
capacidade de fato), deve ser representado.
- Legitimação ordinária e extraordinária.
Ordinária: correspondência entre a legitimidade e relação jurídica
de direito material. Defende em juízo interesse próprio.
Legitimação extraordinária/substituição: não há necessariamente
identidade total entre a relação jurídica de direito material e o
sujeito processual, podendo o objeto litigioso ser pretendido pelo
legitimado extraordinário.
a) Espécies de legitimação extraordinária:
a.1) autônoma: independe da participação do titular do direito
litigioso. ex: administradora de consórcio.
a.2) legitimação extraordinária subordinada: titulariza relação
jurídica distinta da qual se discute. Quando titular de um direito
violado depende de outro sujeito para propor ação. Ex: vaga de
concurso público e impetração de mandado de segurança. Ex2:
alienação de coisa litigiosa em que a parte autora no processo
não aceita o ingresso de terceiro. ex3: assistente simples.
a.3) legitimação extraordinária autônoma: independe da
participação do titular do direito litigioso. ex: MP ao propor uma
ACP na tutela da coletividade não depende de ninguém. Espécies
(classificação segundo Barbosa Moreira):
a.3.1) concorrente: ambos podem ajuizar ação. ex:
proprietário de coisa indivisa, condomínio. Segundo o STJ, a
legitimidade para tutela do meio ambiente é concorrente e
disjuntiva, isto é, pode a AGU agir independentemente do MPF,
por exemplo.
a.3.2) exclusiva: quando o contraditório só será formado na
presença de um determinado sujeito, hipótese em que o MP tem
legitimidade exclusiva em razão do direito pleiteado em juízo. Ex:
tutela do MP na tutela do interesse dos incapazes.
a.4) legitimação extraordinária # substituição processual: há
corrente doutrinária que difere a substituição processual da
legitimidade extraordinária na medida em que aquela impede
que uma determinada pessoa proteja direito alheio em nome
próprio, ao passo que a legitimidade extraordinária permite isso.
Ex: alienação de coisa litigiosa; Ex2: tutela do interesse difuso
pelo MP, particular não possui legitimidade para ação coletiva.
b) Entidades de classe e Sindicato podem defender em juízo os
interesses dos seus filiados, não precisa de autorização expressa.
legitimados extraordinários.
a) Nos tributos indiretos (contribuinte paga o tributo, mas não é ele
que pratica o fato gerador – contribuinte de fato), pode o
contribuinte ajuizar ação para haver repetição de indébito? Via
de regra, não. No entanto, a jurisprudência criou a legitimação
extraordinária no caso do ICMS para o fornecimento de energia
elétrica.
h.1) alguns autores afirmam que convenções pré-processuais
podem criar novos legitimados extraordinários, mas o enunc. Da
enfam diz que não.
- Representação processual: se dá quando alguém está autorizado pelo
titular do direito ir a juízo defender seu direito, ocorre sobretudo quando
a parte processual (leg ad causam) não tem capacidade processual (leg ad
processus). Filho outorga procuração para o pai ajuizar ação.
hipóteses de representação:
b) a curatela especial será realizada pela defensoria pública.
c) ação de alimentos proposta pelo filho com representação do pai.
aqui o filho irá outorgar procuração ao pai, com plenos poderes,
e este, por sua vez, outorgará poderes ao advogado para
postular o direito da criança.
d) Associação pode impetrar MS coletivo em nome dos associados:
é legitimada extraordinária, por representação, S. 629/STF.
e) As associações possuem também legitimidade para tutela de
direito difuso, por substituição, através de ACP, desde que o
objeto da ação seja a tutela de bem cuja finalidade a associação
protege.
f) Mas se promove uma ação ordinária, em nome da categoria,
depende de autorização dos associados, logo, atua por
representação. Art. Lei 9494/97 – é documento essencial a cópia
da ata da assembleia que autorizou o ajuizamento. art. 5º, LXX,
CF.
- Na sucessão processual um sujeito sucede o outro no decorrer do
processo, assumindo a sua posição processual.
por outro lado, se o réu falacer sem citação válida, não será o caso
de sucessão processual, já que o processo não teve início. Logo,
deve o Juiz abrir prazo para que o particular emende a inicial e
promova a citação do espólio, trata-se, portanto, de uma
substituição processual.
b.2) Por outro lado, caso se trate de direito personalíssimo,
caberá ao juiz a extinção do processo sem a resolução do mérito
com fundamento no art. 485, IX (direito intransmissível).
Neste situação, segundo afirma a doutrina, ainda que não haja bens
a inventariar ou se trate de incapaz, deve o juiz abrir prazo para a
sucessão processual do incapaz, pois assim será possível a
declaração da situação e a inexigibilidade da dívida em nome da
resolução do mérito do processo.