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Normas Fundamentais do Processo Judicial

O documento aborda as normas fundamentais do processo, destacando princípios como a inafastabilidade da jurisdição, a duração razoável do processo, e o contraditório. Também discute a boa-fé, a cooperação entre as partes, a isonomia, e a dignidade da pessoa humana, além de enfatizar a importância da publicidade dos atos processuais e a motivação das decisões judiciais. Por fim, menciona a aplicação das normas processuais e os princípios da função jurisdicional, como a substitutividade e a impessoalidade.
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Normas Fundamentais do Processo Judicial

O documento aborda as normas fundamentais do processo, destacando princípios como a inafastabilidade da jurisdição, a duração razoável do processo, e o contraditório. Também discute a boa-fé, a cooperação entre as partes, a isonomia, e a dignidade da pessoa humana, além de enfatizar a importância da publicidade dos atos processuais e a motivação das decisões judiciais. Por fim, menciona a aplicação das normas processuais e os princípios da função jurisdicional, como a substitutividade e a impessoalidade.
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NORMAS FUNDAMENTAIS DE PROCESSO

1. art. 3º
- Inafastabilidade da jurisdição.
- Art. 4º: princípio da duração razoável do processo. Solução integral do
mérito, incluída a satisfação do mérito (atividade satisfativa).
 No que pese ser um direito fundamental – pretensão do particular
em face do Estado –, o próprio Estado pode ser tutelado por esta
norma.
 Efetivação de tutelas provisórias Vs. Duração razoável do processo.
- Direito a obter a solução integral do mérito. Norma que preza pela
primazia da solução de mérito. STF e STJ podem superar defeitos formais
para julgar o mérito do REsp e RE. Ver art. 1029, § 3ª; 282, § 2º.
 Sobre a efetivação da tutela de mérito:
a) art. 139, IV: clausula geral executiva. As medidas mandamentais
executivas lato-sensu para efetivar decisões, inclusive, aquelas
que envolvam a obrigação de pagar (penhora, demolição, multa,
etc).
b) Conversão da obrigação de fazer/tutela específica em perdas e
danos.
- Contraditório
 O contraditório não se limita ao dever de alerta, mas inclui também
a possibilidade de influenciar a decisão do juiz.
- Devido processo.
 O devido processo legal tem tanto uma dimensão processual
(cumprimento das regras procedimentais) quanto uma dimensão
substancial (análise da razoabilidade e proporcionalidade das
normas aplicadas).

2. Art. 5º - boa-fé.
- Boa-fé objetiva.
- Fundamento constitucional: devido processo legal (RE 464.963-2).
 Formal (procedural due process of law): respeitar as garantias das
partes.
 Substancial (substantive due process of law): justiça da decisão
deve ser proporcional e razoável, trata do resultado satisfatório.
- Reflexos:
 litigância de má-fé – 79 a 81.
 Segundo o CPC, o juízo irá interpretar os pedidos de acordo com a
postulação geral e a boa-fé, de modo que não precisam mais ser
interpretados restritivamente. Nesses casos, deve ficar claro ao réu
o pedido do autor, sob pena de decisão extrapetita.
 Art. 311, I: é possível o juiz conceder tutela da evidência em face de
um comportamento protelatório do réu. Tutela da evidencia como
sanção.

3. Art. 6º: princípio da cooperação


- Princípio da cooperação entre os sujeitos do processo.
- Diferença entre cooperação e boa-fé: Boa-fé está ligada ao devido
processo, enquanto que a cooperação está ligada ao contraditório, na qual
a condução do processo é simétrica, e a assimetria, prevalência do juiz
diante das partes, só é possível na sentença.
- Implicações da boa-fé:
 Ver art. 354, § 3º: saneamento colaborativo. Se for complicada a
questão, o juiz pode convocar uma audiência para que as partes
ajudem a resolver o problema.
 Proibição de decisões surpresa. Art. 10. Pode o juiz agir de ofício,
mas deve ouvir as partes anteriormente.
 Contratos processuais/convenções processuais (art. 189): as partes
podem fazer acordos processuais.
- Modelos de processo:
 Adversarial: conflito entre adversários.
 Inquisitorial: juiz como protagonista.
 Cooperativo: juiz enquanto sujeito processual que cooperação para
solução do mérito.

4. Art. 7º - isonomia.
- “Dispersão jurisprudencial” – sistema de procedentes visa garantir a
isonomia entre decisões.
- Ao proibir decisões surpresas, esta decisão privilegia uma parte em
detrimento da outra, afetando a isonomia. m
- Prerrogativas da fazenda.
- art. 373: distribuição dinâmica do ônus da prova.
- Aspectos da igualdade: imparcialidade (equidistância), igualdade no
acesso à justiça, igualdade no acesso às informações.

5. Art. 8º
- Dignidade da pessoa humana enquanto núcleo dos direitos
fundamentais
- Observação da legalidade, impessoalidade e eficiência - princípios da
administração pública.
- Gratuidade de justiça. Universalização da justiça.
- Não pode o Estado exigir o depósito como condição de admissibilidade
de recursos (SV 28/STF).
- Vedação à prisão civil de depositário infiel.
- Dever constitucional do julgador em resguardar a dignidade humana.

6. Art. 9º e 10º
- Não se proferirá decisão sem que as partes sejam ouvidas.
- Art. 10º: vedação as decisões surpresas.
- S. 456/STF: o STF vai analisar todos os requisitos de cabimento do RE.
Uma vez que recebe o recurso, aplica-se o efeito translativo, as questões
de ordem pública são devolvidas ao juízo.
- Mesmo o STF ou STJ, para reconhecer a prescrição de ofício, vai ter que
dar ao autor prazo para se manifestar a respeito.
 Exceção: improcedência liminar do pedido (art. 332, § 1º, CPC).

7. Art. 11.
- Art. 489 – motivação das decisões judiciais, explica como será a decisão
“não motivada”. Parte do pressuposto de que não há direito sem os fatos.
Deve o julgador conectar a norma com os fatos da causa.
 Inciso VI: obriga o juiz analisar todas os fundamentos capazes de
deduzir a conclusão adotada pelo julgador. Da mesma forma que o
juiz não pode usar formulas vazias para fundamentar suas decisões,
assim as partes devem também atuar.
a) Isso não impede ao juiz de decidir com fundamento em fato não
invocado pelas partes (iura novit curia), mas deve dar a
oportunidade de tomarem conhecimento disso.
b) Não quer dizer que o julgador enfrente um a um os argumentos
das partes, mas apenas os argumentos capazes de influir na
decisão judicial.
- Publicidade.
 Segredo de justiça,

Art. 5º [...] LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
Art. 93. [...] IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no
sigilo não prejudique o interesse público à informação;

CPC, Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às
exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa
humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência.

 SITUAÇÕES DO CÓDIGO:

Art. 107. O advogado tem direito a: I - examinar, em cartório de fórum e secretaria de


tribunal, mesmo sem procuração, autos de qualquer processo, independentemente da
fase de tramitação, assegurados a obtenção de cópias e o registro de anotações [...].
(SALVO SEGREDO DE JUSTIÇA)

a) Se alguma informação do processo for sigilosa, o processo por


inteiro passará a correr em segredo de justiça, não se admitindo
arquivamento em apartado de informações confidenciais. REsp
REPETITIVO.

 DIMENSÕES DA PUBLICIDADE, segundo Didier:

“Os atos processuais hão de ser públicos. O princípio da publicidade gera o direito
fundamental à publicidade. Trata-se de direito fundamental que tem, basicamente,
duas funções: a) proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos (e, nesse
sentido, é conteúdo do devido processo legal, como instrumento a favor da
imparcialidade e independência do órgão jurisdicional); permitir o controle da opinião
pública sobre os serviços da justiça, principalmente sobre o exercício da atividade
jurisdicional.”

 o juiz pode decretar o sigilo de apenas algumas peças processuais, e


não de todo o processo, a intervenção ao princípio deve ser mínima
possível. ex: Juiz decreta sigilo de apenas dos extratos bancários.
 arbitragem será sigilosa, salvo se se tratar de arbitragem promovida
pelo poder público, hipótese em que “PODERÁ” ser sigilosa.

§ 2º O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz certidão do


dispositivo da sentença, bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio
ou separação.
 mesmo diante do segredo de justiça, terceiro juridicamente
interessado pode demonstrar interesse jurídico e ter acesso aos
autos.
 publicidade Vs. confidencialidade.

Art. 166. [...] § 1º A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas no


curso do procedimento [...]. § 2º Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções,
o conciliador e o mediador, assim como os membros de suas equipes, não poderão
divulgar ou depor acerca de fatos [...].

a) não se confundem com segredo de justiça!


b) conciliação e mediação serão confidenciais.
b.1) Juiz, a princípio, não deve conduzir as audiências de
conciliação e mediação para evitar sua contaminação com as
tratativas, de modo a distanciar-se da causa.
 segredo de justiça não funciona de uma forma binária: público-
sigiloso, existem graus de segredo a serem resguardados. Ex:
determinado processo é acessado apenas pelo diretor de secretaria
e o Juiz.

Art. 773. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas


necessárias ao cumprimento da ordem de entrega de documentos e dados. Parágrafo
único. Quando, em decorrência do disposto neste artigo, o juízo receber dados sigilosos
para os fins da execução, o juiz adotará as medidas necessárias para assegurar a
confidencialidade.

 sigilo profissional,

Decisão judicial que determina a apresentação do contrato de serviços advocatícios,


com a finalidade de verificação do endereço do cliente/executado, fere o direito à
inviolabilidade e sigilo profissional da advocacia. Informativo 710 STJ. RMS 67.105-SP,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
21/09/2021.

- Atendendo preferencialmente a ordem cronológica de julgamento dos


processos. Decisões interlocutórias ficam fora, o relator no tribunal não
está vinculado ao dispositivo, só o acordão final.
- Critério: data da conclusão.
- Controle por parte da sociedade da ordem dos processos.
- Requerimento para juntar um documento, o processo sai da fila? Não,
salvo se o atendimento do requerimento necessitar diligência.
- Direito intertemporal: no que diz respeito aos processos já conclusos,
serão considerados como parâmetro a ordem de distribuição dos
processos.

1. Aplicação das normas processuais.


 Regra do isolamento dos atos processuais. Aplicação da lei a partir
de um ato processual que se inicia em sua vigência. Se um recurso
foi interposto na vigência do código antigo, não se pode exigir o
prazo novo ou os requisitos de admissibilidade exigidos no código
novo.
 O regime jurídico da prova: segundo o art. 1047, serão aplicáveis as
normas de direito probatório em vigor na data do requerimento de
quaisquer das partes. Nessa perspectiva, se autor ou réu requereu
prova antes do dia 18 de março de 2016 – data em que o CPC/15
entrou em vigor –, então aplica-se o CPC/73, assim, não será
possível requerer ata notarial, ou inquirir testemunhas por meio do
sistema crossexamination
 Art. 1054 c/c 503, § 1º: trata do novo regime de tratamento da
coisa julgada. Acabou a ação declaratória incidental, deve agora o
juiz julgar a questão controvertida como se fosse mérito, ao invés
de fazê-lo em ação distinta. Essa regra só vale para as ações
propostas na data em que entrou em vigor o Novo CPC.
 Prescrição intercorrente nos mesmos moldes da execução fiscal.
Nas execuções em que não se acha o devedor, intima-se a parte
exequente para procurar os bens do devedor, se ela não achar os
bens do devedor, extingue-se o processo e inicia-se a prescrição.
Ver art. 1056: o termo inicial será a data de início da vigência do
código, mesmo para as execuções propostas sob o código anterior.
 Honorários recursais: exacerbação da condenação anterior que
pode extrapolar a condenação inicial.
a) Segundo STJ o marco temporal para aplicação do NCPC é a lei
vigente na data da sentença. Então se a sentença for proferida
antes de 18/03/2016, não se aplica a sistemática dos honorários
do novo CPC.
- Aplicação do NCPC aos processos trabalhistas: não se aplica a contagem
de prazos.

JURISDIÇÃO
1. INTRODUÇÃO
- Separação de funções # separação de poderes:
 Poder emana do povo = poder é uno e indivisível
 Separação de funções: executivo, legislativo judiciário.

2. CONCEITO
- Aplicação do direito ao caso concreto:
 Chiovenda: jurisdição é a substituição e atuação da vontade pessoal
pela vontade concreta da lei. lembrar: iluminismo e a separação
entre judiciário e legislativo.
 Carnelutti: justa composição da lide. Sendo assim, para alguns
juristas, a autocomposição não é jurisdição porque não tem lide.
Juiz declara o direito que já existe.
 Imutabilidade: somente a jurisdição pode tornar algo como coisa
julgada. Liebman.

3. PRINCÍPIOS/CARACTERÍSTICAS DA FUNÇÃO JURISDICIONAL


- Substitutividade: jurisdição se substitui na vontade da lei.
 Se o estado é parte no processo haverá substitutividade? A
substitutividade diz respeito a possibilidade do Estado juiz se
substituir às partes para resolver seus próprios problemas. Logo, o
fato da fazenda pública ir a juízo não tira o caráter substitutivo.
- Investidura: só exerce a função jurisdicional quem exerce o cargo de juiz.
 É pressuposto de existência da sentença. A jurisprudência entende
que o juiz que prolata sentença ou profere despacho no período de
férias, deve ratificar suas decisões posteriormente.
- Aderência ao território/territorialidade: o poder é soberano ao longo do
território nacional. As regras de competência irão distribuir a medida de
jurisdição.
 REsp 141.562: não é necessária a expedição de carta precatória para
que o oficial de justiça realize penhora.
- Impessoalidade: princípio de todas as funções do estado. Gierk: o
servidor presenta o estado, e assim é o juiz. A única forma de lidar com a
pessoalidade do magistrado é nos casos de suspeição. Quem impetra MS
o faz em face do órgão jurisdicional, não do juiz.
 Continuidade no exercício da jurisdição (identidade física, juiz que
teve contato com as provas, sentencia).
 Proibição de julgamento com base na ciência privada. Se o juiz tem
ciência, deve dizer que é suspeito, o substituto legal atuará na
causa, e ele depõem como testemunha.
a) O que não impede a utilização das regras da experiência na
valoração das provas (art. 375)
- Indelegabilidade: quem tem jurisdição não pode dispor dela.
 Delegação de competência do art. 109, § 3º: delegação de
competência dos órgãos que já têm jurisdição. Ocorre apenas nas
causas previdenciárias onde não há juízo federal em um raio de 70
km. Para o STF, pressupõe-se que não há vara na comarca do
segurado (REPERCUSSÃO GERAL).
 Art. 93, XiV: atos ordinatórios podem ser delegados, não são atos
propriamente jurisdicionais, mas atos da burocracia do processo. Os
despachos não têm conteúdo decisórios podendo ser delegados.
Por isso que dos despachos não cabe recurso. Se o despacho causa
prejuízo, pode o juiz reconsiderar, ou o prejudicado impetra MS.
- Inafastabilidade da jurisdição/ubiquidade (art. 5º, XXXV):
 Não é necessário esgotar a via administrativa para se utilizar do
judiciário. Vedação à jurisdição administrativa de curso forçado.
 Não pode restringir nem indiretamente, ver: SV 21 e 28/STF.
 Exceção: justiça desportiva, punição disciplinar militar.
 Quando se realizou caução para determinada ação, não se faz
necessária a impetração de MS por ausência de interesse de agir.
Não se fala aqui em esgotamento da via administrativa.
a) Entende o STF que para impetrar HD deve haver interesse de
agir com a negativa de dar informações pelo órgão
administrativo.
 O Processo administrativo não forma para o particular coisa julgada.
a) A coisa julgada administrativa faz com que a administração não
tenha comportamento diverso na via judicial, ex: desconstitui
lançamento de tributo e ajuíza execução fiscal. Preclusão com
base na boa-fé, venire contra factum proprium.
 Vedação ao non liquit: juiz não pode se escusar de julgar.
 Tutela inibitória: quer evitar a prática de um ato ilícito, prevenir é
melhor do que remediar. Ameaça de lesão não é o dano, mas
ameaça ao ordenamento jurídico. Fundamento: art. 186, CC, art. 5º,
XXXV, art. 3º, CPC. VER LIVRO MITIDIERO PARA PROVAS
DISCURSIVAS
 Todas as limitações da legislação quanto às tutelas de urgência são
relativas. Situação precária.
 Litisconsórcio ativo necessário: tensão entre inafastabilidade e
princípio democrático. A pessoa é obrigada a litigar contra sua
vontade? Nessa hipótese, afirma a doutrina que a parte deve
promover a citação do possível litigante na qualidade de
litisconsorte ativo ou assistente simples da parte ré, no entanto, o
citado não é obrigado a litigar. Ver art. 115, NCPC.
- Inevitabilidade/indeclinabilidade: não pode se recusar a se submeter a
atividade jurisdicional.
 Exceções:
a) nomeação à autoria que permite que aquele que foi apontado
como réu de forma errada, terá este prazo para apontar o
verdadeiro réu (NÃO ESTÁ NO NOVO CPC). Agora o réu terá o
dever de indicar a pessoa na contestação que possui
legitimidade para estar no polo passivo.
b) Imunidades de jurisdição (Re-AgR 222368/PE): estados
estrangeiros e organismos internacionais têm imunidade
jurisdicional, não participando de um processo se assim
entender. Atual configuração da imunidade de jurisdição:
b.1) imunidade absoluta quanto a execução. Na fase de
conhecimento existe imunidade apenas se a causa de pedir for
ato de império, todavia, sendo um ato de gestão, para a fase de
conhecimento não haverá imunidade. Ex: míssil americano que
explode iate no golfo pérsico há imunidade, mas para haver
validade de contrato de trabalho feito por embaixada, não há
imunidade se ajuizada ação declaratória. O estado estrangeiro
pode abrir mão ou não da imunidade, é dever do juiz citar os
entes.
b.2) 1. Encontra-se pacificado na jurisprudência do STJ o
entendimento de que os Estados estrangeiros possuem
imunidade tributária e de jurisdição, segundo os preceitos das
Convenções de Viena de 1961 (art. 23) e de 1963 (art. 32), que
concedem isenção sobre impostos e taxas, ressalvadas aquelas
decorrentes da prestação de serviços individualizados e
específicos que lhes sejam prestados (RO 102/RJ, Rel. Ministra
Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 1°/7/2010; RO 45/RJ, Rel.
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 28/11/2005
2. Desse modo, inadmissível o prosseguimento do processo em
relação ao IPTU. Contudo, solução diversa merece ser dada à
exigência da Taxa de Coleta Domiciliar de Lixo, que decorre da
prestação de serviço específico, conforme a hipótese de
incidência descrita no art. 1° da Lei Municipal 2.687/1998.
3. Em tese, não há óbice à cobrança da exação, porquanto a
Súmula Vinculante 19 do STF preconiza que "A taxa cobrada
exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta,
remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos
provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da
Constituição Federal".
4. no entanto, o estado possui imunidade absoluta quanto à
execução, se não renunciada, não pode executar.
b.1.1) é possível ajuizar execução fiscal contra ente imune? Se
for imunidade recíproca, poderá um ente litigar contra outro se
não tratar de impostos.

- Definitividade: só um ato judicial é capaz de formar coisa julgada


material:
 Em torno disso, discute se a Arbitragem é ou não função
jurisdicional. Alguns dizem que não sob o argumento de que ela não
é definitiva, o juiz pode anulá-la. Outros dizem que sim porque a
anulação só se dará quanto aos vícios formais, não quanto ao
mérito (majoritária).
 Lembrar: ação rescisória. Coisa julgada inconstitucional.
- Inércia: o juiz espera que as partes ajuízem a ação. Preserva a
imparcialidade do magistrado.
 Exceções:
a) ver art. 2º c/c art. 98 do NCPC.
b) Execução de ofício do juiz trabalhista das contribuições sociais
(Art. 195, I, “a”, e II) incidentes sobre o vínculo trabalhista que
ele acabou de reconhecer. (Art. 114, VIII, CF).
c) Cláusula geral executiva é uma exceção ao princípio da inércia?
Não, o juiz não está instaurando um processo (art. 139, IV,
NCPC). Rompida a inércia, juiz possui liberdade para conduzir o
processo nos limites do contraditório.
 No processo sincrético, rompida a inércia, juiz pode iniciar execução
de ofício.
 Poder geral de cautela
- improrrogabilidade: O juiz não pode invadir a área de atuação do outro,
salvo nas hipóteses legais de prorrogação de competência.

- Escopos da jurisdição:
 Jurídico: aplicação concreta da vontade do direito
 Social: resolver conflito de interesses das partes.
 Educacional: ensinar às partes seus direitos.
 Político: fortalecer o Estado e a participação democrática através do
processo, jurisdição como último recurso para proteger o próprio
direito.

4. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA
- Teoria administrativista (guido zanobi, calamandrei, liebman): não é
jurisdição, mas uma atividade administrativa.
 Não há lide na jurisdição voluntária, se não há lide, não há
jurisdição. Juiz é eleito como membro estatal necessário para
conferir validade jurídica a um ato.
 Não é voluntária porque a parte tem que ir a juízo.
- Teorias revisionistas (carnalutti, pontes de Miranda, dinamarco, grecco,
marinoni): na jurisdição voluntária, segundo Dinamarco, tem conflito,
todavia, a jurisdição tem outros escopos, por exemplo: político, social,
educacional e político, que não apenas a justa composição da lide.
 Lide não é o elemento necessário para a atividade jurisdicional, é
um elemento acidental. Se há uma autocomposição no processo, ou
se o réu não contesta, por exemplo, não há lide, mas ninguém vai
dizer que não há processo, ou que isso não foi prestada a jurisdição,
e a que a decisão não fará coisa julgada.
 Muitas vezes, na jurisdição voluntária, existe lide, mas ela é feita de
maneira indireta. Ex: uma separação judicial consensual feita em
procedimento de jurisdição voluntária, não há lide diretamente
colocada, mas há conflito entre marido e mulher.
 Juiz continua atuando com independência e imparcialidade.

4.1. Peculiaridades da jurisdição voluntária


- Procedimento comum para a jurisdição voluntária. Art. 719.
- Procedimentos de jurisdição voluntária que não se aplica o
“procedimento comum de jurisdição voluntária”:
 Justificação
 Arrolamento
 Homologação do penhor.
 Fora do CPC
a) Opção de nacionalidade
b) Nomeação de administrador provisório da pessoa jurídica
c) Suprimento de consentimento para casamento
d) Lei de registros públicos.
- Prevalência do princípio inquisitivo sobre o princípio dispositivo: é
comum que o juiz inicie de ofício determinadas demandas, a liberdade de
iniciativa probatória é bem maior. Na jurisdição contenciosa, a atividade
probatória do juiz é complementar, mas aqui não.
- Juiz pode decidir contra a vontade das partes.
- Existem interessados, e não partes (resquícios da teoria
administrativista).
- Juiz pode decidir com base na equidade. .
- “Se não há lide, não faz coisa julgada” – ERRADO. Muitos dos casos de
jurisdição voluntária fazem parte das situações de relação jurídica
continuativa (se perpetuam no tempo), mas que um dia podem cessar.
Formação da coisa julgada com cláusula rebus sic stantibus.
 Art. 505: não há diferença de regime jurídico no julgamento de
relações jurídicas continuativas na jurisdição tradicional, e da
jurisdição voluntária. Não há diferença do regime da coisa julgada.

EQUIVALETES JURISDICIONAIS. LEI 13.140, LEI 9373.

1. AUTOCOMPOSIÇÃO;
 Qual a diferença entre mediação e conciliação?
a) Mediação: É forma de solução consensual de conflitos centrada
não no conflito em si, mas em suas causas. relação jurídica já
existente, age para que as partes cheguem à solução por elas
mesmas. “media a solução entre as partes”. Ex: contrato de
locação.
b) Conciliação: não há uma relação prévia entre elas. O conciliador
age propondo uma conciliação (uma solução). “leva as partes à
conciliação”. Ex: batida de carro.
- Determinados contratos podem instituir cláusulas escalonadas, isto é,
vincula às partes aos métodos alternativos de resolução de conflitos,
estabelecendo a via judicial como última alternativa.
 Med-Arb: A med-arb consiste em um processo híbrido no qual se
inicia com uma mediação e, na eventualidade de não se conseguir
alcançar um consenso, segue-se para uma arbitragem.
- técnicas de mediação

Técnicas de mediação: Fonte: Câmara Mediação do Rio de Janeiro.


Escuta Ativa Nessa técnica, o mediador observa a linguagem verbal e não
verbal das partes e tenta compreender informações relevantes,
estimulando-as a expressar suas emoções e instigálas a ouvir uma à outra.
Assim, tenta estimular a validação dos seus sentimentos e o seu
engajamento, a fim de apoiá-las na busca pela melhor solução para o
conflito.

Rapport é uma palavra de origem francesa que diz respeito a uma relação
de empatia com o interlocutor. Portanto, trata-se de uma técnica que visa
ganhar a confiança das partes, propondo um diálogo aberto e construtivo
a fim de influenciar as partes a alcançarem a autocomposição.

Parafraseamento A técnica do parafraseamento consiste na


reformulação, pelo mediador, de frases ditas pelas partes, a fim de
sintetizá-las ou reformulá-las sem alterar seu conteúdo. O mediador se
esforça em facilitar o entendimento do seu real significado às próprias
partes, que ficam livres para captar novos significados nas proposições.

Brainstorming: Semelhante à técnica utilizada frequentemente no


marketing jurídico, no brainstorming o mediador incentiva a criatividade
das partes e busca capturar ideias que sejam viáveis para o caso em
questão.

Caucus Com esta técnica, o mediador realiza uma reunião privada com
cada uma das partes separadamente, durante a fase de negociações, para
oportunizar o estabelecimento de proximidade e confiança entre elas e o
mediador. Além disso, essa técnica ainda pode ser usada para acalmar os
ânimos, auxiliar no fluxo de informações, reunir informações úteis para a
negociação e ajudar as partes a rever a força de seus casos.

2. Sistema multiportas

O acesso à justiça (acesso à ordem jurídica justa) fomentou a formação de


um sistema multiportas de solução de controvérsias (justiça multiportas),
que consiste em uma pluralidade de métodos de tratamento de disputas.

Trata-se de concepção ampliada da jurisdição, retirando-a do monopólio


estatal. Adequa-se a justiça ao conflito e não o contrário. Daí surgem os
métodos adequados e integrados de solução de conflitos. Para Fernanda
Tartuce, o sistema multiportas é o serviço prestado pelas Cortes de Justiça
para orientar os contendores sobre as diversas alternativas existentes
para a composição do conflito (TARTUCE, Fernanda. Mediação nos
Conflitos Civis. São Paulo: Método, 2008, p. 298).

Há também a denominação Fórum de Múltiplas Portas (FMP). Sistema


Pluriprocessual: Para Fernanda Tartuce, “sistema pluriprocessual” é o
ordenamento jurídico processual que disponibiliza aos contendores uma
gama de diferenciados mecanismos para compor o conflito,
compreendendo a mediação, arbitragem e processo judicial, entre outros.
(TARTUCE, Fernanda. Mediação nos Conflitos Civis. São Paulo: Método,
2008, p. 298). (CNJ, Manual de Mediação Judicial. Pág. 17).

3. Métodos autocompositivos.

3.1. Negociação (autocomposição): Comunicação voltada à persuasão.

3.2. Arbitragem.
- É jurisdição (STJ). A sentença arbitral é título executivo judicial. O
argumento em contrário afirmar que o título não é auto-exequível,
necessitando de uma decisão do poder judiciário.
- Sigilosa.
- SE É ATIVIDADE JURISDICIONAL, NÃO É EQUIVALENTE JURISDICIONAL.
 STJ decidiu um conflito de competência entre uma câmara arbitral e
juiz de direito. Reconhece aqui que a arbitragem tem jurisdição.
- Conceito: eleição de um meio alternativo que arbitra conflitos de forma
33impositiva.
- Ambos devem ser capazes e os direitos disponíveis.
- Convenções arbitrais:
 cláusula compromissória (cláusula do contrato = anterior):
compromisso feito entre as partes que admitem a arbitragem como
forma de composição do conflito, ou seja, é estabelecida por
contrato. (anterior). EX: contrato de locação comercial que prevê a
resolução de conflitos mediante arbitragem.
a) Cláusula compromissória cheia: já estão dispostas as regras
sobre a forma de instituir e processar a arbitragem, isto é, trata-
se de um negócio jurídico processual mais amplo que determina
o iter procedimental.
b) Cláusulas patológicas: são disposições incompletas, obscuras ou
contraditórias inseridas nas cláusulas compromissórias.
 Mas se o conflito já existe e as partes decidem ir ao árbitro, haverá
o compromisso arbitral (posterior).
- A existência da convenção é um pressuposto de existência negativo do
processo, ou seja, o juiz pode extinguir o processo sem resolução do
mérito de ofício?
 Não, se uma das partes foi a juízo, é porque não quer mais a
arbitragem, e se na contestação o réu não suscitou a arbitragem,
haverá preclusão.
 O juiz não pode reconhecer de ofício a convenção de arbitral. NÃO
CONFUNDIR: juiz pode reputar ineficaz, de ofício, cláusula de
eleição de foro abusiva.
- Cabe agravo da rejeição da convenção de arbitragem.
- Carta arbitral: forma de comunicação entre o árbitro e o juiz togado.
- O que foi objeto de julgamento na arbitragem, quando transferida para o
judiciário, fica sendo julgado sob sigilo.
- Arbitragem não é forma de autocomposição, árbitro impõe decisão ao
final.

3.3. Dispute board.


- O dispute board (DB) ou Comitê de Resolução de Disputas (CRD) é um
método alternativo de solução de conflitos que consiste na formação de
comitê de especialistas no assunto sobre o qual determinado contrato
versa.
- Tem a função de acompanhar a execução do contrato, documentado o
comportamento das partes durante a execução.

COMPETÊNCIA.

1. INTRODUÇÃO.
- A jurisdição é una e indivisível, não admitindo divisões, mas
classificações, nesse sentido, diferencia-se a jurisdição comum (ordinária)
da jurisdição especial (extraordinária), sendo possível a jurisdição comum
federal ou estadual.
- A competência, por outro lado, é o resultado dos critérios utilizados para
distribuir a jurisdição.
- Princípios:
 Tipicidade: as regras sobre competência são enumeradas na CF.
 Indisponibilidade: as competências constitucionais não podem ser
transferidas para órgãos distintos. O STF admite que se reconheça a
existência de competências implícitas (implied power) quando não
houver regra expressa, algum órgão jurisdicional haverá de ter
competência para apreciar a questão.
- É a medida ou limite da jurisdição porque todo órgão jurisdicional tem
jurisdição, presta jurisdição, mas não em qualquer situação. A razão de ser
da competência é melhorar a qualidade da jurisdição.
- Vem para especializar o órgão jurisdicional em razão da pessoa, matéria,
etc.
- Natureza jurídica: no modelo anterior, era tida como um pressuposto
processual de desenvolvimento ou de validade do processo, porque
diversos atos processuais seriam atingidos com a declaração de
incompetência, haveria nulidade dos atos decisórios.
 No entanto o CPC/15 no art. 64, § 4º, afirma que o mesmo ato
praticado por juízo incompetente, pode ser convalidado, ou seja,
ainda que reputado ineficaz, poderá surtir seus efeitos, de modo
que seria um pressuposto processual de eficácia (princípio do
translatio iudicii). Nesse sentido, se fosse um pressuposto de
validade, a invalidade teria como consequência a extinção do
processo sem resolução do mérito, no entanto, o que ocorre é o
declínio da competência (convalidação do ato).
 Mesmo após o dispositivo, corrente majoritária afirma ser
pressuposto processual de validade.
 Competência não se confunde com jurisdição, pressuposto
processual de existência.
 O erro no encaminhamento na rescisória, em vez do tribunal
extinguir, deve declinar para o tribunal correto. Art. 968, § § 5º e 6º.
- Em alguns casos, porém, a incompetência gera a extinção do processo
sem resolução do mérito. Ex: nos juizados especiais, art. 51, III, lei
9099/95: a incompetência territorial (relativa) é hipótese de extinção do
processo.
- KOMPETENZKOMPETEZ: todo juízo possui competência para julgar sua
própria competência.
- Perpetuatio jurisdicionis: fixada a competência, não haverá modificação,
independentemente de mudança posterior da legislação.
 A propositura da demanda produz o efeito de litispendência – uma
demanda surge pendente.
 Um dos efeitos da litispendência é a perpetuatio jurisdicionis.
 Nenhuma modificação de estado de fato (ex: mudança de domicílio)
ou de direito poderá alterar a competência.
 No entanto, ainda que proposta demanda, poderá haver
modificação do juízo:
a) Supressão de órgão judicial. Ex: desmembramento de comarca;
subdivisão do foro.
b) Alteração da competência absoluta. Ex: união passa a integrar o
processo; alteração da competência da justiça do trabalho.
b.1) exceção da exceção: alteração da competência absoluta
ocorrer após a sentença.
- Foro (território) # vara (cartório: unidade administrativa) = Juízo.

2. Caminho percorrido para definição da competência.


- 1º Pertence o tema à jurisdição brasileira? Nesse momento ainda não se
fala em competência, mas em jurisdição.
 Ver art. 21, CPC: cooperação jurídica internacional, jurisdição
exclusiva ou concorrente.
 Art. 23, casos em que só o Brasil julga:
a) Processos sobre imóveis aqui situados.
b) Não é possível homologação de sentença estrangeira que ofenda
ordem jurídica nacional.
 Art. 22. Casos em que a legislação admite a jurisdição concorrente
entre estado estrangeiro e brasil. Não caracteriza litispendência:
 A ação proposta no estrangeiro não induz litispendência, exceto se
houver tratado, ou acordo de reciprocidade.
- 2º: analisar se a competência é dos Tribunais de superposição.
- 3º: verificar se o processo será da competência da justiça Especial.
- 4º: Sendo comum, definir se é federal ou Estadual.
- 5º: analisar se é competência de Tribunal (TJ/TRF).
- 6º: sendo do primeiro grau, determina-se o foro.
- 7º: Analisar se há vara específica sobre a matéria.

3. Espécies de competência.
3.1. Originária e
derivada.
- Originária: atribuída a órgão jurisdicional para conhecer da demanda em
primeiro lugar. Pode ser atribuída ao primeiro ou segundo grau. Ex: ação
rescisória.
- Derivada: quando já há decisão prolatada. Ex: competência recursal.
- Originária e derivada são espécies de competência absoluta.
3.2. Competência
absoluta e relativa.
ABSOLUTA RELATIVA
Regra de competência criada para atender a Regra de competência criada para atender
interesse público. precipuamente a interesse particular.

A incompetência absoluta pode ser alegada a A incompetência relativa somente pode ser
qualquer tempo, por qualquer das partes, arguida pelo réu, no prazo de resposta (15
podendo ser reconhecida ex officio pelo dias), sob pena de preclusão e prorrogação da
magistrado. competência do juízo, não podendo o
magistrado reconhecê-la de ofício.
A parte que deixar de alegar no primeiro
momento que lhe couber falar nos autos STJ/Súmula 33. A incompetência relativa
arcará com as custas do retardamento. Trata- não pode ser declarada de ofício.
se de defeito tão grave que, uma vez
O MP pode alegar incompetência relativa em
transitada em julgada a última decisão, ainda
benefício de réu incapaz.
será possível, no prazo de 2 anos,
desconstituí-la por ação rescisória.

Não há forma especial para a arguição de A exceção de incompetência relativa deve ser
incompetência absoluta, até mesmo porque o alegada como questão preliminar de
magistrado pode conhecê-la ex officio. No contestação (art. 64 do CPC).
entanto, não pode o réu alegar incompetência
absoluta por exceção instrumental e querer
que essa alegação produza o efeito de
suspender o processo, característica das
exceções instrumentais. Se por acaso o réu
alegar incompetência absoluta, mesmo que
em peça separada, deverá a alegação ser
considerada como se tivesse sido formulada
no bojo da contestação, sem que se dê a ela o
efeito de suspender o andamento do processo,
até a sua apreciação.
Reconhecida a incompetência absoluta, Reconhecida a incompetência relativa,
remetem-se os autos ao juiz competente e remetem-se os autos ao juiz competente e não
reputam-se nulos os atos decisórios já se anulam os atos decisórios já praticados.
praticados.
A regra de competência absoluta não pode As partes podem modificar a regra de
ser alterada pela vontade das partes. incompetência relativa, quer pelo foro de
eleição, quer pela não oposição da exceção de
incompetência.
A regra de competência absoluta não pode A regra de incompetência relativa pode ser
ser alterada por conexão/continência. modificada por conexão/continência.
Competência em razão da matéria, da Competência territorial é, em regra, relativa
pessoa e funcional são exemplos de (salvo ação possessória – Art. 47, § 2º do
competência absoluta. CPC).
A competência em razão do valor da causa Além disso, também é relativa a competência
também pode ser absoluta, quando extrapolar pelo valor da causa, quando ficar aquém do
os limites estabelecidos pelo legislador. Em limite estabelecido pela lei.
alguns casos, a competência territorial é
absoluta.

3.2.1. Foros concorrentes.


- Na hipótese em que a despeito de existir uma competência absoluta, a
lei concede a possibilidade de promover a demanda em mais de um local,
trata-se do “fórum shopping”. Não é um princípio, decorre de um “fato da
vida.
- A hipótese de fórum concorrente não pode levar a situações de abuso de
um direito, trazendo um “fórum non conveniens”. De modo que os
magistrados podem recusar sua competência com base na regra
“kompetenzkompetez”.

3.3. Absoluta.
- Determinada pela lei, sem possibilidade de alteração pelas partes ou juiz.
- Pode ser:
 Em razão da pessoa: leva em consideração as partes
 Em razão da matéria: leva em consideração a causa de pedir.
 Competência funcional: procura-se o órgão competente a partir de
uma relação com a atividade jurisdicional praticada regularmente
pelo órgão jurisdicional. Pode ter como critérios:
a) Vertical: competência recursal.
b) Horizontal, ex: competência para julgar ação rescisória.
- Protege o interesse público.
 Tanto a competência absoluta como a relativa devem ser arguidas
em preliminar de contestação segundo o art. 337, no entanto, por
se tratar de nulidade absoluta, a competência absoluta pode ser
levantada a qualquer tempo, inclusive pelo próprio juízo, ou mesmo
através de ação rescisória.
- Em razão da pessoa.
 Em um primeiro momento, afirmou o STJ que o critério da
autoridade em mandado de segurança prevalece sobre a matéria.
Nesse sentido, se Governador pratica ato coator em face de
empregado público, atingindo seu contrato de trabalho, a
competência seria do TJ, não do TRT.
a) No entanto, o Tribunal mudou o entendimento, afirmando que
as disposições do art. 109, § 2º, CF, prevalecem, podendo o
impetrante se valer do juízo do seu domicílio para promover a
demanda.
 Critérios funcionais/processuais: a competência do órgão
jurisdicional não precisa analisar os critérios materiais.
a) Verticais: competência dos tribunais para julgar recursos, TRF
tem competência funcional vertical, julga nos limites da
provocação.
b) Horizontais: não há hierarquia.
b.1) Carta precatória.
b.2) Se no processamento verificar a necessidade do controle
difuso, o tema é submetido aos pares, o julgamento é
sobrestado, e o tema é remetido ao órgão especial do tribunal,
há uma cisão funcional horizontal da competência: mesmo
tribunal, mas outro órgão.
a) Recurso inominado e turma recursal, não há aqui novo grau de
jurisdição, turma não é tribunal.
 Subclassificação da competência funcional:
a) Em razão das fases do procedimento.
b) Relação entre ação principal e acessória.
c) Grau de jurisdição.
c.1) Segundo o art. 102, I, compete ao STF o julgamento das
causas e os conflitos entre União e Estados (...) “inclusive as
respectivas entidades da administração indireta”. Ex: MS
impetrado pelo Estado membro contra Autarquia federal.
 Objeto do juízo.
- Em razão da pessoa.
 É inconstitucional a competência absoluta territorial nas ações
coletivas (STF REPERCUSSÃO GERAL).
 Ação de partilha posterior ao divórcio deve tramitar no juízo que
decretou o divórcio, mesmo que um dos ex-cônjuges tenha
mudado de domicílio e se tornado incapaz. (CC 160.329/MG, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
27/02/2019, DJe 06/03/2019). Exceção ao art. 50.

3.3.1. Em razão da pessoa.


- Estadual: competência residual, o que inclui: Competência federal
delegada à justiça estadual.
a) Art. 109, § 3º c/c: A lei 5010 afirma que as causas previdenciárias
podem ser propostas por delegação se não há juízo federal em
um raio de 70 km. Portanto, se criada vara federal, poderá ser
extinta a competência delegada, remanesce a competência dos
processos em curso: perpetuatio jurisdicionis.
a.1) O recurso vai para o TRF.
b) Não havendo vara federal, pode a produção antecipada de
provas ser proposta no juízo estadual. Há doutrina que afirma
haver inconstitucionalidade, porque a competência delegada
limita-se, nos termos do art. 109, § 3º, CF, às causas
previdenciárias, não cabendo à lei dispor de forma distinta da CF.
c) Lei 6969: usucapião especial de imóveis rurais.
d) Carta precatória do TRF (STJ).
 Quando se trata de particular processando INSS decorrente de
acidente de trabalho, a competência é, originalmente, da justiça
estadual, mesmo se se tratar de revisão de benefício. O recurso vai
para o TJ, não TRF.
a) Será lá julgada inclusive nas hipóteses em que o acidente de
trabalho for atípico. Ex: sofre acidente de trabalho a caminho da
indústria.
 Por outro lado, se a autoridade do INSS realiza ato coator contra
segurado, ainda que se trate de matéria relativa a acidente de
trabalho, a competência para julgamento de MS será da JF – Em MS
competência funcional prevalece sobre a matéria.
 Tratando-se de ação acidentária proposta no juizado especial
estadual da fazenda pública, não poderá ser adotado o rito do
juizado federal.
 Compete à justiça comum julgar celetista que passou a ser regido
por estatutário.
 Compete à JC, e não trabalhista, julgar demanda relacionada a
plano de saúde de autogestão empresarial.
 Compete à JC processar controvérsia relacionada à fase pré-
contratual de seleção e admissão de pessoal nas hipóteses em que
adotado regime celetista de contratação. REPERCUSSÃO GERAL.
 A CF determina a criação de juízos estaduais responsáveis pelo
julgamento de questões agrárias, o que inclui matérias criminais,
cíveis, ambientais e minerárias. No entanto, não pode julgar matéria
federal. ADI.
 S. 244/TFR: "a intervenção da União, suas autarquias e empresas
públicas em concurso de credores ou de preferências, não desloca a
competência para a Justiça Federal".

3.3.2. Competência da União.


- Federal: interesse da união.
- É possível que haja uma falência, e a união tenha um crédito, então ela
deve ir ao juízo de quebras informar o seu crédito e acompanhar o
andamento.
 Falência inclui também insolvência civil, recuperação judicial, etc
(REPERCUSSÃO GERAL).
- Não julga questões de família com força de coisa julgada, mas,
eventualmente, ao analisar benefícios previdenciários, é necessário
analisar questões de família, mas a questão não faz coisa julgada na justiça
estadual. Logo, não é uma exceção ao art. 503, § 1º, III, CPC.
- A competência da União poderá ser concorrente nos termos do CPC,
particular aqui escolhe.
 Ex: se a união poderá ser demandada no foro da situação da coisa,
no domicílio do autor, ou mesmo no distrito federal (art. 109, § 2º).
 O supremo fez uma interpretação extensiva desse dispositivo, para
permitir a competência em razão do lugar em que ocorrido o ato ou
fato ou em que situada a coisa
 essa norma foi considerada aplicável aos casos envolvendo
autarquia federal e INSS.
 Mas se escolher fora das opções, haverá incompetência absoluta.
- Em havendo litisconsórcio entre MPE e MPF, desloca-se a competência
para JF.
- Intervenção da JF nos processos da justiça estadual.
 Poderá verificar-se na hipótese de intervenção de terceiros:
denunciação da lide e chamamento ao processo, hipótese em que
os autos devem ser remetidos ao juízo federal.
 Gera remessa automática ao juízo federal, salvo nos casos de
recuperação judicial, falência, insolvência civil, acidente do trabalho,
direito do trabalho e direito eleitoral.
 Requerida a intervenção, compete ao juiz federal decidir sobre a
existência de interesse jurídico da União. Excluída a União do feito,
não pode o juiz estadual suscitar conflito de competência.
 Se a intervenção da União ocorre na competência delegada, os
autos não serão remetidos à Justiça Federal.
- Intervenção anômala da JF – Lei 9469.
 Basta o interesse econômico, direto ou indireto.
 Devem os autos permanecerem na justiça comum estadual, só se
transferindo para a justiça federal na hipótese de interposição de
recurso pela União.
 Possui natureza jurídica sui generis, não é assistência simples ou
litisconsorcial. Mas para o STJ, aplica-se o regime jurídico da
assistência simples.
 Inaplicável na fase de execução (STJ).
- União pode também intervir nas ações de usucapião imobiliária.
- Competência da União para o julgamento de causas propostas contra
instituição privada de ensino superior.
 MS: JF.
 Ação ordinária discutindo contrato de prestação de serviço: justiça
Estadual.
 Ação ordinária discutindo registro de diploma perante órgão
credenciador (ministério da educação): JF.
- Art. 109, VIII
 Se a autoridade, apesar de não pertencer aos quadros federais,
exercer função federal, o MS impetrado contra ato seu deverá ser
processado e julgado por um juiz federal.
 Será considerada federal a autoridade sempre que as
consequências econômicas de seu ato tiverem de ser suportadas
pela União ou por quaisquer de suas entidades ou órgãos.
 Exercício de função delegada: só será cabível MS contra autoridade
de pessoa jurídica de direito privado referente a ato praticado no
exercício da função delegada.
- Art. 109, III, CF:
 “contrato com a União com Estado estrangeiro”, refere-se ao
contrato internacional de contraprestação específica. Ou seja, a
jurisprudência limita a abrangência do dispositivo para não atrair a
competência da JF para analisar toda causa relativa a tratado ou
contrato internacional realizado pela União.
 Ex: na Convenção de Paris sobre o nome comercial há disposição
sobre a utilização indevida do nome comercial por outra empresa,
cabendo ao lesado ir à JF para haver o dano decorrente deste ato.
No entanto, não poderá discutir a interpretação de um ato com
base no nome comercial se a convenção não dispõe sobre isso.
- Art. 109, II.
 Causas envolvendo organismo internacional deve tramitar na JF,
salvo competência da JT.
 Embaixada e consulado são considerados prolongamentos do
Estado estrangeiro, logo a competência é da JF.
- art. 109, X. Causas referentes à nacionalidade.
 Deve ser entendida da maneira mais abrangente possível. Ex: ação
pedindo a concessão de passaporte.
 Por outro lado, nnão abarca a simples retificação de registro público
de nacionalidade.
 Na naturalização, a competência da JF se exaure com a entrega do
título de naturalizado, incluindo-se aí também ação de
cancelamento de título de naturalização e toda ação que se refira à
perda e aquisição de nacionalidade.
- Nas questões em que se discute previdência no regime próprio, para os
servidores que fazem jus ao benefício antes da edição da Lei 8.112, há
legitimidade passiva do INSS, o órgão à época gerenciava os benefícios
previdenciários, com a extinção do INPS e o IAPAS.
 Posteriormente, a competência passou a ser da própria União
federal. Todavia, há decisões que entendem que a competência
será do INSS quando se tratar de servidor dos quadros da autarquia,
dada a natureza jurídica do ente lhe conferir autonomia
administrativa e orçamentária para gerir os benefícios concedidos
aos seus próprios funcionários.
 Mas doutrina e jurisprudência majoritárias apontam que às
autarquias cabe apenas recolher as contribuições dos beneficiários.
- FGTS
 Direito social do trabalhador: JT.
 Operação e manuseio dos recursos do FGTS, legitimidade passiva da
CEF – empresa pública. Competência da JF.
- OAB: seja em relação à Caixa de advogados ou questões relacionadas À
ordem, compete à JF.
- Conflito de competência entre juiz federal e juiz estadual investido na
competência federal será resolvido pelo TRF (se positivo) ou STJ (se
negativo).

3.3.3. Competência do TRF


- A competência do TRF é sempre funcional. Consequências decorrentes
desse entendimento:
 Se autarquia ou a União ingressa como assistente após a prolação
da sentença, o TJ não enviará os autos ao TRF, prorroga-se a
competência, pois a competência do TRF é funcional e não
prevalece nesses casos.
 Se há uma demanda no mesmo polo particular e união, caso
interposta apelação contra a legitimidade da união para excluí-la do
feito, permanece a competência do TRF por se tratar de
competência funcional hierárquica.
 Situação seria diferente se o recurso fosse agravo de instrumento.
Excluído o ente federal, e não tendo terminado o processo em
primeira instância, cabe ao juiz federal remeter os autos à Justiça
Estadual.

3.4. Em razão da
matéria.
- Trabalhista: relações regidas pela CLT.
 Competência originária em razão da matéria: JT possui competência
para julgar a execução das contribuições previdenciárias sobre as
verbas trabalhistas, ainda que se trate de títulos executivos judiciais
formalizados em data anterior à promulgação da Emenda
Constitucional nº 20/1998. STF. Plenário. RE 595326, Rel. Marco
Aurélio, julgado em 24/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 505)
(Info 991 – clipping).
 Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública
fundamentada na não concessão pela União de Selo de
Responsabilidade Social a empresa pela falta de verificação
adequada do cumprimento de normas que regem as condições de
trabalho. STJ.
 S. 222/STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar as ações
relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT.
a) Justiça do Trabalho não tem competência para julgar ação na
qual entidade sindical discute recolhimento de contribuição
sindical envolvendo servidores públicos estatutários. STF.
REPERCUSSÃO GERAL.
b) Para o STJ, a súmula aplica-se aos servidores estatutários, não se
aplicando celetistas (servidores públicos ou não).
- Eleitoral.
- Militar.
falência, inventário, ações de família, ações contra Sociedade de Economia
Mista.

4. Competência relativa.
- Competência relativa: base territorial e valor da causa.
- Assistente simples não pode alegar, só o litisconsorcial.
- Na denunciação da lide também não será possível alegar porque a parte
ré perdeu a oportunidade de se manifestar na primeira oportunidade nos
autos.

4.1. Base territorial e


juízo.
- O foro se chama seção judiciária na justiça federal. A seção judiciária
abrange um estado da federação. Geralmente, na justiça estadual, a
comarca engloba um município, mas uma comarca pode abranger mais de
um município.
- Juízo divisão da seção em varas ou juizados especiais.

4.2. Competência
em razão do valor.
- A competência em razão do valor nos juizados é absoluta, exceção.
- STJ/REsp 1.257.935. O valor da causa para fins de fixação da
competência nos juizados especiais federais, na hipótese de existência de
litisconsórcio ativo, deve ser calculado dividindo-se o montante pelo
número de autores.

4.3. Competência
foro de eleição.
- Na competência relativa e competência de foro (base territorial), as
partes de comum acordo podem realizar um negócio processual por meio
do foro de eleição.
 Ver art. 63: alteração em razão do valor ou do território. Nas
obrigações pessoais podem as partes pactuarem o foro.
a) Essa regra não é absoluta:
a.1) demanda real imobiliária deve ser proposta no lugar da
coisa.
 Aplica-se a todos os litígios relacionados ao contrato que os
instituiu. Por outro lado, havendo a cessão de direitos de um
contrato, a jurisprudência entende que o fato de os demandantes
não terem sido partes originárias na celebração do contrato pode-
se afastar o foro de eleição.
 Nada impede que seja eleito mais de um foro de eleição.
 Se há foro de eleição, mas o autor decide ajuizar ação no domicílio
do réu, não haverá problema, há renúncia tácita a cláusula de
eleição.
 No conflito entre reunião pela conexão e cláusula de eleição de
foro, prevalecerá a conexão que observa regra de interesse público.
 Via de regra a competência relativa não se declara de ofício
(S.33/STJ), salvo se abusiva a cláusula de eleição de foro (art. 63, §
3º)
 Neste caso o juiz não estaria de oficio pronunciando competência
relativa?
a) No CDC há previsão de que o consumidor tem o direito de
propor as demandas no seu domicílio, ou ser demandado nele,
caso contrário haverá ofensa ao acesso à justiça. Neste caso
seria uma INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA.
b) Não sendo consumidor, é caso de incompetência relativa
pronunciada pelo juiz.
c) Só pode ser reconhecida até a citação do réu. Excepcional
preclusão pro iudicato.
- Decisão de incompetência.
 Nos juizados, Juiz também pode declarar de ofício incompetência
territorial.
 Propostos pedidos estadual e trabalhista na justiça federal, deverá o
juiz, de ofício, extinguir o processo sem resolução do mérito, e não
promover a cisão do processo, isto é, não envia parte dos autos
para cada jurisdição, prorroga-se a competência quanto ao pedido
federal.
 Juiz que se declarar incompetente podendo decidir quais atos por
ele proferidos ficaram sem efeitos até decisão ulterior do
magistrado competente.
 Sob o CPC/15, vício de incompetência, mesmo absoluta, gera
ineficácia. Consequência: permanência da validade dos atos
proferidos. Mas na prática, anula-se a sentença, remetendo os
autos ao juízo competente.

5. Causas de modificação da competência.


- Modificação pode ocorrer em razão da
 lei
a) conexão
b) continência,
 Ato das partes
a) foro de eleição – derrogação, cláusula de eleição de foro.
b) não oposição de exceção de incompetência – haverá
prorrogação em razão da preclusão.
- Princípio da perpetuatio jurisdicionis (art. 43)
 Uma vez que há o registro ou a distribuição da demanda, haverá a
prevenção da demanda, de modo que o processo tende a ficar no
mesmo órgão jurisdicional, impedindo que o processo se torne
itinerante, excluindo-se a competência de outros juízos, como
regra.
a) Na ação popular e ação civil pública a prevenção se dá com a
propositura da ação.
b) Espécies de prevenção:
b.1) originária: ocorre com a distribuição.
b.2) expansiva: aumenta a competência, distribuição por
dependência, ocorre nas demandas acessórias. Art. 6 c/c art.
286.
 Exceções:
a) Ex: quando suprimir órgão judiciário, ou alterar competência
absoluta, ex: em uma determinada comarca a vara civil é extinta.
Nessa hipótese, o acervo é distribuído entre as varas com a
mesma competência.
b) No entanto, quando criado novo órgão, não será possível
redistribuição dos processos por violação à perpetuatio (STF). Ex:
em virtude da alta demanda, é criada uma nova vara civil. Logo,
os processos que lá tramitam não poderão ser redistribuídos à
nova vara.
c) Ações de alimentos e guarda de incapazes. Relação de trato
continuado, modificado o juízo, remanesce a competência.
d) Já instaurado o processo, a União intervêm como assistente
simples.

5.1.1. Conexão e continência.


- Conexão: há risco de decisões contraditórias, nesse caso, é
recomendável que os processos sejam reunidos perante um mesmo órgão
jurisdicional.
 juízo passa a ser competente em razão da prorrogação.
 Trata-se de um vínculo de afinidade. Nota-se que a mera afinidade
por questão jurídica não é apta a reunir os processos pela conexão
ou continência – ex: matéria repetitiva referente a benefício
previdenciário. Nesse sentido, a afinidade deve ser elevada, pela
presença das mesmas partes, pedido ou causa de pedir.
 Somente a competência relativa pode ser modificada em razão da
conexão e continência. No entanto, a competência que resulta da
modificação da competência é absoluta. Portanto, a aplicação da
regra de continência e conexão não é voluntária.
 Mas se um dos processos foi sentenciado ou está em grau recursal,
não é possível reunir pela conexão. O TRF não tem como atrair o
processo. Ver S. 235/STJ c/c art. 55, § 1º.
 Existe conexão entre processo de conhecimento e execução? Em
execução o juiz não vai julgar procedente ou improcedente o
pedido, evita-se apenas a prolação de decisão contraditória.
a) Mas do ponto de vista prático, é possível. Ex: devedor propôs
ação declaração de dívida. Quando vai executar, percebe o
exequente que a dívida já fora paga. Novo Código,
expressamente, afirma que há conexão entre processo de
conhecimento e de execução, ver art. 55, § 2º, II.
 Art. 55: fala apenas em semelhança entre o pedido e causa de
pedir. Se interpretado o artigo literalmente, haveriam situações
discrepantes. Ex: processo de danos morais entre A e B, e o mesmo
pedido e causa de pedir entre C e D.
 Art. 1.036: conexão por afinidade. Julgamento por amostragem
recursos extraordinários.
 Mesmo com causa de pedir e pedido diferentes, é possível haver
conexão, utiliza-se a teoria da identidade da relação jurídica, ambos
os processos versam sobre o mesmo negócio jurídico contratual.
 Nesse sentido, a jurisprudência tem flexibilizado o conceito.
a) E possível conexão entre execução fiscal e ação anulatória.
b) Reunião entre título extrajudicial e ação de conhecimento
relativa ao mesmo ato jurídico.
 Existem autores que advogam a tese da possibilidade de conexão se
produzida a mesma prova.
 É possível que, por mais haja conexão entre duas demandas, o juiz
seja impedido de reunir os processos quando uma das questões
deva ser ajuizada em outra vara em razão da competência absoluta.
a) Ex: Servidor pede reintegração em cargo público em razão da
demissão na vara federal comum, e, na mesma petição, requer
dano moral em face da União. Como a competência dos juizados
especiais federais da fazenda pública é absoluta, os processos
não serão reunidos, devendo a demissão ser julgada na vara, e o
dano moral no juizado.
 É matéria de ordem pública, pode ser alegada a qualquer tempo.
Mas a simples alegação não leva a extinção do processo, o mais
razoável seria a suspensão do feito em razão de prejudicialidade
externa.
- Continência: litispendência parcial. Uma causa é mais abrangente, e
contêm a causa de pedir da outra.
 Ajuizada ação continente, a ação contida será extinta sem resolução
do mérito.
 Ajuizada ação contida primeiramente haverá reunião de ações.
 A continência se distingue da litispendência na medida em que esta
os pedidos são iguais, ao passo que na continência são distintos,
apesar de um abranger o outro.
 Ex: Antônio quer exigir de Fábio uma determinada obrigação, nesse
sentido, propõe ação condenatória. Ato contínuo, ajuíza ação
declaratória referente a mesma obrigação. Neste caso, haverá
continência com a ação condenatória (mais abrangente, a
condenação pressupõe a declaração), extinguindo-se a declaratória
sem resolução do mérito.

6. Conflito de competência.
Conflito entre juiz federal e juiz estadual investido na competência federal:
Positivo  TRF
Negativo  STJ

7. Questões da jurisprudência.
- O mero conflito patrimonial entre união e demais entes não atrai a
competência do STF com fundamento no art. 102, I, “f”, cabendo à JF
apreciar em primeiro grau.
- Execução fiscal de município contra Estado estrangeiro é da competência
da JF.
- O STF se posicionava pela competência da JF para julgar as ações
ordinárias envolvendo CNJ, mas o STF vem modificando esse
posicionamento para que ele próprio julgue.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que tem como objetivo
a obtenção de oxigênio destinado às unidades de saúde estaduais do
Amazonas para o tratamento da excepcional situação pandêmica da
Covid-19.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime de esbulho
possessório de imóvel vinculado ao Programa Minha Casa Minha Vida.
- Compete ao juiz togado julgar a ação de despejo apesar da cláusula
compromissória no contrato de locação.
- Incorre em usurpação de competência o Juízo cível ou trabalhista que
pratica ato expropriatório de bem sequestrado na esfera penal.
- Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a ação civil pública
fundamentada na não concessão pela União de Selo de Responsabilidade
Social a empresa pela falta de verificação adequada do cumprimento de
normas que regem as condições de trabalho.
- A Súmula 222 do STJ - Compete à Justiça Comum processar e julgar as
ações relativas à contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT - deve
abarcar apenas situações em que a contribuição sindical diz respeito a
servidores públicos estatutários, mantendo-se a competência para
processar e julgar as ações relativas à contribuição sindical referentes a
celetistas (servidores públicos ou não) na Justiça do Trabalho.
- Os Juizados Especiais da Fazenda Pública não têm competência para o
julgamento de ações decorrentes de acidente de trabalho em que o
Instituto Nacional do Seguro Social figure como parte. Nessa hipótese
deve ser julgado pelo juizado especial comum estadual.
- Na vigência do CPC/2015, o juízo deprecante é o competente para a
degravação de depoimento colhido por carta precatória.
- Compete ao juízo da execução realizar a alienação judicial eletrônica,
ainda que o bem esteja situado em comarca diversa.
- Não compete à Justiça estadual, em sede de reconvenção proposta na
ação de abstenção de uso de marca, afastar o pedido da proprietária da
marca, declarando a nulidade do registro ou irregularidade da marca.
- A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode
ser submetida à cláusula compromissória arbitral prevista no Estatuto
Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei autorizativa, seja
em razão do próprio conteúdo da norma estatutária.
- Compete à Justiça Federal processar e julgar ação que envolva
concessionárias do serviço de telefonia e a Anatel a respeito da
precificação do VU-M (Valor de Uso de Rede Móvel) ainda que um dos
litigantes se encontre em recuperação judicial.
- O vínculo de conexão a justificar a reunião de medidas cautelares
preparatórias está vinculado com a identidade de objeto e/ou de causa de
pedir existente entre as ações principais a serem propostas e não do
processo cautelar em si.
- A incapacidade superveniente de uma das partes, após a decretação do
divórcio, não tem o condão de alterar a competência funcional do juízo
prevento.
- Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de
urgência decorrente de crime de ameaça contra a mulher cometido, por
meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o
seu resultado ocorrer no Brasil.
- O Art. 109, III, CF, dispõe que “as causas fundadas em tratado ou
contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional”,
ou se seja, os tratados que demandem uma contraprestação especial do
Estado brasileiro, também denominados tratados-contratos.

PROCESSO

1. CONTEITO
- Procedimento # processo.
 Procedimento: encadeamento de atos que leva a um caminho.
 Processo, teorias:
a) Oskar Von Bullow: O autor, o réu, e o juiz têm reciprocamente:
deveres, ônus, faculdades. Dessa forma, o processo cria um
plexo de obrigações ativas e passivas entre os atores
processuais. Portanto, a natureza jurídica do processo é de
relação jurídica de direito público.
b) Elio Fazzalari: a relação jurídica não pode fazer parte do conceito
de processo, se assim for, o processo se assemelharia a um
contrato (direito privado). Diferentemente, o processo depende
do contraditório. Os plexos de posições jurídicas são justificados
pelo contraditório, que inclui as partes, o juiz e o poder-dever de
se manifestar a todo o momento, logo, são imposições impostas
pela norma jurídica de ordem pública.
c) Goldsshimitt: Se opõe às teorias anteriores no sentido que, se o
processo gera obrigações, é possível que as partes exijam algo
do juiz e do Estado, no entanto, em última análise, o Estado não
está vinculado de um direito das partes. Logo, diferentemente
das obrigações, o processo é um conjunto de situações
processuais. Para o autor, os pressupostos da relação de direito
material não representam os pressupostos do processo. Há um
caráter dinâmico das relações. Devem as partes se
desvencilharem das suas “cargas processuais”, que ao fim do
processo evitam uma sentença desfavorável. Logo, a ideia de
carga difere de obrigação, porque não gera necessariamente um
dever à parte contrária. Ex: se a parte consegue provar algo, a
parte contrária deve provar o contrário, mas nada impede que o
juiz decida contra a parte que melhor produziu as provas no
processo em razão do livre convencimento motivado.
d) Cassio Escarpinella: Processo como modelo de atuação estatal.
num estado democrático de direito, a forma de atuação é
instrumentalizada para permitir a manifestação de vontade
daquele que vai ser atingido pela decisão do estado. TGP
engloba o processo administrativo.

2. Pressupostos processuais
- O ato jurídico pode ser avaliado em três planos: existência, validade,
eficácia.

2.1. Pressupostos de existência.


- Para que um ato jurídico exista, deve conter: agente, objeto e forma. Se
faltar um dos três, há um vício de existência, e o ato jurídico não possui
sequer aparência de juridicidade.
- São pressupostos:
 Existência de jurisdição: não há processo sem jurisdição.
a) Outros autores falam que o juiz é o pressuposto de existência.
Os autores que adotam a tese da jurisdição argumentam que é
possível jurisdição sem que haja um juiz constituído, ex:
arbitragem.
 Existência de demanda.
 Citação:
b) para o STJ é um pressuposto de existência, argumento: se o juiz
pode conceder tutela inaudita altera pars, significa dizer que
existe processo sem que o réu tenha sido citado.
c) a citação é pressuposto de existência, enquanto que a citação
válida como pressuposto de validade.
- Se o vício estiver no âmbito da existência, e o processo continuar, a
sentença prolatada é inexistente, ex: sentença proferida por um delegado.
Cria-se dentro do processo uma crise de certeza que deve ser resolvido
por meio de uma tutela declaratória.
 Se não há direito (é inexistente), a sentença nunca transitou em
julgado, portanto, a ação para sanar este vício é imprescritível.
 Deve haver uma ação declaratória de inexistência da sentença:
querela nulitatis insanabilis.
 Para o STJ não cabe alegar vício citatório como fundamento da ação
rescisória (tutela desconstitutiva de algo que existe), deve propor
querela nulitatis.
2.2. Pressupostos de validade.
- Sempre que um pressuposto de validade for desrespeitado, há uma
nulidade absoluta que não se convalida com o trânsito em julgado da
sentença.
 Juiz competente (investidura) e imparcial: ausência de
incompetência absoluta e o impedimento.
 Petição apta.
 Capacidade de ser parte e capacidade processual.
a) Ser parte: Quem possui personalidade jurídica pode ser parte
(capacidade de direito). Não estamos falando de legitimação
passiva ou ativa. Existe alguns entes que não têm personalidade,
mas possuem capacidade de ser parte, ex: massa falida, câmara
dos deputados, senado federal = POSSUEM PERSONALIDADE
JUDICIÁRIA (ver REsp 1164017 e S. 525/STJ), e podem defender
suas prerrogativas em juízo, a exemplo do MS impetrado pelo
tribunal de justiça para garantir os duodécimos repassados pelo
poder executivo.
b) Capacidade processual: capacidade de estar em juízo sem ser
representado ou assistido. Conceito se equipara ao conceito do
direito civil de capacidade para o exercício de direitos e
obrigações (capacidade de fato).
c.2) Se o relativamente incapaz é emancipado, passa a ter
capacidade processual para atuar em juízo sem assistência.
- Ausente um pressuposto de validade, a sentença será nula. A ação
rescisória permite a tutela desconstitutiva. Juiz pode reconhecer a sua
nulidade a qualquer tempo.
 Para parte da doutrina, a sentença extrapetita gera um vício de
existência, não há demanda. Ex: pedido de 100 sacos de café, juiz dá
100 sacos de café e 30 de feijão. Os trinta são inexistentes, e nunca
transitaram em julgado. Mas para a jurisprudência, sentença extra
ou ultra petita tem o mesmo defeito: ambas são nulas.

2.3. Pressupostos processuais negativos – pressupostos de validade.


- Devem estar ausentes para que o processo seja válido.
 Listispendência: Pendente a lide, não é possível repeti-la sob pena
de litispendência. Deve haver identidade jurídica entre os pedidos
(STJ). Citação induz litispendência para o réu.
 Coisa julgada:
 Convenção de arbitragem
 Perempção: se por três vezes seguidas foi julgada improcedente
sem resolução do mérito a mesma questão trazida ao judiciário.
a) Perder o direito de ação (pretensão), não significa perder o
direito material. Autor que teve sua demanda extinta continua a
sendo credor.
b) Essa pretensão pode ser exercida em outra ação, que não seja
ajuizada pelo mesmo autor, mas da qual este faça parte.
Portanto, a perempção por mais que impeça nova demanda, não
faz coisa julgada material. Ex: se eu devo 100 e sou perempto,
mas a parte contrária me deve 50, caso ela entre com ação para
discutir os 100, eu posso alegar na contestação o direito de
compensação dos 50.
- Crítica à categoria dos pressupostos processuais:
 Pressupostos processuais de existência. “como eu posso afirmar
que um processo não existe? Se eu tiver que falar, eu vou ter que
falar dentro do próprio processo, portanto ele existe”. Sob esta
alegação, Marinnoni não diferencia o plano da existência da
validade. Mas para Teresa Arruda, a existência fática diferencia-se
da jurídica.
 A declaração de uma nulidade de um pressuposto depende da
existência de prejuízo sem o qual não é possível afirmar que o
pressuposto é útil ou válido. Mas que prejuízo é esse? Para as
partes? Para a jurisdição? Ex: se o menor de idade não está assistido
e ganha a ação em 1º grau, se a outra parte alega a nulidade, deve o
tribunal anula-la? R: o pressuposto serve para proteger o menor, se
a sentença é anulada por este motivo, não haveria funcionalidade
no pressuposto.

2.4. Função dos pressupostos.


- O código manteve a categoria dos pressupostos processuais. A dúvida é
se as condições da ação continuam sendo consideradas pressupostos
processuais de validade. Argumentos:
 1ª corrente: não há mais as condições da ação.
a) O CPC/15 não trata expressamente das condições da ação para
postular em juízo como fazia o CPC/73, apenas fala em interesse
e legitimidade.
b) Ademais, pela teoria da asserção, a legitimidade passa a ser
questão de mérito, e não preliminar, devendo o juiz percorrer o
caminho da sentença para declará-la.
 Corrente majoritária afirma que o código permanece o
reconhecimento das condições da ação. O Código fala em interesse
e legitimidade.
 Convenção de arbitragem não é pressuposto processual. Tem
tratamento único, o juiz não pode reconhecer de ofício.

3. Tipos de processos
- Conhecimento: certificação de um direito.
- Execução: efetivação de um direito
- Cautelar: proteger a efetivação de um direito.

4. Fases do procedimento (não do processo).

Fase Postulatória: tem início com a petição inicial, passa pela resposta do
réu e, eventualmente, pela réplica ou impugnação do autor à defesa do
demandado.

A fase ordinatória, no rito ordinário, tem início logo após a fase


postulatória, ou seja, depois de transcorrido o prazo de resposta do réu.
Por isso, o escrivão fará conclusão dos autos ao magistrado para, no prazo
de dez dias, determine providências preliminares visando sanar qualquer
irregularidade, para em seguida, conduzir a instrução do feito.
A fase é denominada ordinatória porque é o momento em que o juiz irá
decidir o caminho a ser seguido, levando em consideração os argumentos
até então aduzidos pelas partes na fase postulatória, visando à instrução e
julgamento do feito.

Fase de Saneamento: compreende, essa fase, as diligências de emenda


ou complementação da inicial (NCPC, art. 321), as “providências
preliminares” (arts. 347 a 353) e o “saneamento do processo” (art. 357).

Fase Instrutória: saneado o processo, porém, surge um momento em que


os atos processuais são preponderantemente probatórios: é o da
realização das perícias e o da primeira parte da audiência de instrução e
julgamento, destinada ao recolhimento dos depoimentos das partes e
testemunhas.

Fase Decisória: é a que se destina à prolação da sentença de mérito.


TUTELA JURISDICIONAL

1. TUTELA jurisdicional a escolha adequada de acordo com a crise que


assola o direito.
- A doutrina italiana orbitava em torno da teoria da ação.
- Mas atualmente, o polo metodológico é a teoria tutela.
- Os direitos nascem, as relações se desenvolvem e acabam, mas no meio
tempo, pode haver a crise do direito:
 Crise de adimplemento, relação ineficaz. Tutela que reconheça a
existência de uma prestação. Sentença condenatória. Tutela
condenatória. Ex: atos de execução forçada, por meio de um título
executivo judicial.
 Crise de situação jurídica: ausência da situação jurídica, cuja norma
demanda que ela existisse. Demanda uma tutela constitutiva,
declaração de nulidade. Ex: ação rescisória, adjudicação
compulsória de um bem. Ausente aqui um pressuposto de validade.
 Crise de certeza: tutela declaratória. Em havendo uma dúvida
quanto à existência da relação jurídico processual, a exemplo da
ausência de citação.
- A inadequação da tutela e a crise do direito estabelecido leva à falta de
interesse de agir.

2. Classificação da tutela.
- Trinaria: constitutiva, declaratória, condenatória. Tutela de
conhecimento.
- Quinaria:
 Mandamental: coação do estado ao réu devedor. Meios indiretos.
Obrigação de fazer e não-fazer.
 Executiva “lato sensu”: substutividade do devedor no cumprimento
da obrigação.
- Classificação clássica # moderna:
 A existência para os adeptos da divisão trinária, a tutela executiva
latosensu e a mandamental, são formas de tutela condenatória.
 Para os adeptos da teoria quinaria, aqui o juiz tem um papel
diferente em cada caso.
- Art. 139, IV (cláusula geral executiva): para efetivar a decisão, o juiz pode
se utilizar de qualquer meio lícito e razoável, inclusive para as obrigações
de pagar quantia certa. Na crise de inadimplemento, independentemente
do cumprimento de sentença com tutelas executivas típicas requeridas
pelo requerente, o juiz pode tomar medidas executivas lato-sensu de
ofício.

2.1. Classificação segundo o Critério cognitivo: profundidade do


nível cognitivo.
- Cognitiva plena: tutela exauriente, percorrida até a sentença.
- Cognição sumária: tutelas de caráter provisório. Tutela antecipada e
cautelar ligadas à urgência e evidência.

2.2. Quanto a natureza jurídica dos resultados jurídico-materiais.


- Tutela reintegratória: quero meu direito de volta. Status co ante.
- Tutela ressarcitória: ressarcimento do equivalente em dinheiro. Perdas e
danos. Compensação.
- Tutela preventiva: quer impedir a ocorrência de um dano. No caso da
tutela inibitória, que tem respaldo na constituição (ameaça de lesão, art.
5º, XXXV, CF), basta comprovar a probabilidade de o ato ilícito ser
praticado. Ver art. 497, p.u.
 A obtenção da tutela inibitória não depende de dano ou da
demonstração de dolo/culpa. Da mesma forma não se prova
periculum in mora.
 Tutela inibitória volta-se para o futuro. O dano não aconteceu.
 O resultado da tutela inibitória será sempre igual ao cumprimento
voluntário da obrigação, logo, faz-se necessário o uso de meios
indiretos de execução para sua eficácia, tais como execução lato-
sensu, mandamentais.
 Tutela inibitória # tutela para remoção do ilícito.
a) Inibitória: inibe ato continuado, não seus efeitos.
b) Remoção do ilícito: ato + dano já ocorreram, tutela visa expurgar
apenas os efeitos.
- Questões relativas às medidas não prescritas no código que tomadas
pelo juízo:
 Multa sobre o descumprimento da obrigação (astrientes): o juiz
pode alterar o valor da multa? Sim, a fixação da multa não faz coisa
julgada, mas pode ser exigida valor superior ao fixado na obrigação
principal.

TEORIA DA AÇÃO

1. AÇÃO x DEFESA.
- Teoria imanentista (ou clássica): direito material ligado à ação. Não há
direito sem ação, nem ação sem direito (Savigny) (ação = direito).
 Polemica alemã (windscheid e muther):
 Para Windscheid o direito é composto por pretensões que se
voltam contra os indivíduos. Aqui direito e ação são um só direito.
 Enquanto que para Muther o ordenamento é formado por direitos
cuja violação gera uma pretensão em face do Estado (teoria
imanentista). O direito é violado se põe em movimento, surgindo
daí o direito de ação.
- Teoria autonomistas/concreta (Processo # Ação). Direito de ação é
autônomo, mas depende do direito material.
 Wach diz que o resultado de uma pretensão declaratória negativa
(inexistência da relação jurídica), equivale a inexistência do direito,
logo, a ação seria um direito autônomo, já que não dependeria
propriamente do direito para existir. Direito de ação abstrato. Para
esta teoria não existem as "condições da ação"; de modo que
interesse e legitimidade são questões de mérito;
 Canelutti: sempre existe ação desde que se bata a porta do
judiciário. Ação é um direito político autônomo de ir ao judiciário.
- Teorias ecléticas (Liebman):
 O direito de ação é autônomo e abstrato, independente do direito
material, mas depende do preenchimento de certos requisitos
formais (condições da ação); nesta teoria, há decisão terminativa
por carência da ação, sem a coisa julgada em sentido material, o
que difere do mérito.
 Nesse sentido, o direto de ação deve ser encarado sob duas
perspectivas 1) constitucional (garantia política de ir ao judiciário –
autonomistas abstratos); 2) processual: ação é o direito de obter
um julgamento de mérito, vinculado a demonstração de requisitos
mínimos denominados “condições da ação”, que eram: interesse de
agir, legitimidade ad causam, possibilidade jurídica do pedido.
 Até o CPC de 73 havia uma discussão se as condições da ação
deveriam estar ao logo de todo o processo, ou apenas no momento
inicial. Para Liebman, as condições da ação persistem até o fim do
processo.
- Teoria da asserção e a polêmica do CPC/15:
 Em algumas situações a linha divisória entre o interesse processual
(condição da ação) e o mérito processual é muito tênue.
 Nessa perspectiva, interesse e legitimidade, antes analisados
preliminarmente e sob o viés das condições da ação, passam a ser
encaradas como questões de mérito, segundo a teoria da asserção.
 Nesse contexto, se tudo é mérito, para um setor minoritário da
doutrina (Alexandre Freitas Câmara e Fredie Diddier), no CPC/15
não há mais as condições da ação, tendo em vista que:
1) o código não mais discrimina entre as hipóteses de
improcedência liminar do pedido a possibilidade jurídica do pedido
(art. 377);
2) o texto normativo não se vale mais da expressão “condições da
ação”;
 Apesar do que dispõe estes doutrinadores, e mesmo o STJ
reconhecendo que o código adotou a teoria da asserção, doutrina
majoritária e jurisprudência afirmam que permanecem as condições
da ação, que devem ser avaliadas conforme as afirmações feitas
pelo autor em sua petição inicial.

2. Condições da ação.
- Possibilidade jurídica do pedido, interesse processual e legitimidade.

2.1. Possibilidade jurídica do pedido


-Possibilidade jurídica do pedido.
 impossibilidade jurídica: pode ser uma vedação legal ou uma
pretensão vedada pelo ordenamento.
a) A dívida de jogo possui uma causa de pedir impossível, mas o
pedido (pagar quantia), não é impossível. Trata-se de um direito
sem pretensão.
 Há doutrina que defende que a possibilidade jurídica do pedido
deve ser analisada tomando como base todos os elementos da
ação, e não somente o pedido, isto é, pode tanto a causa de pedir
como o pedido serem impossíveis. Ex: Estado vai ao STF pedir
direito de secessão
 CPC/15 não traz mais a possibilidade jurídica como condição da
ação.

2.2. Interesse processual.


- Interesse processual: necessidade + adequação. Utilidade do processo
para o autor.
- Interesse não se confunde com o direito que se busca proteger (bem da
vida = interesse primário). Logo, o interesse de agir é processual,
secundário e instrumental, isto é: o interesse no processo para o
provimento final (sentença). Ex: Caio quer anular sentença mediante
rescisória; bem da vida: anulação, interesse: propor ação (rescisória).
- Estão ligados ao tipo de crise que assola o direito. A presença ou
ausência são Indicadores da existência ou inexistência do interesse de
agir.
 STJ permite o ajuizamento de ação de produção antecipada de
provas para verificar se vale a pena promover ação, ou seja, se há
interesse de agir. Nessa hipótese, a ação não tem caráter cautelar.
 A negativa do INSS é o que cria a crise de inadimplemento, gerando
o interesse de agir para parte.
 A possibilidade de propositura de ação declaratória não impede a
propositura da ação condenatória. Isto é, por mais que se
reconheça a eficácia condenatória da tutela declaratória, o autor
possui interesse em ambas as demandas. No mesmo sentido, se
munido de título executivo, nada impede a propositura de ação de
conhecimento (art. 785).
 Para o STF, não é necessário comprovar interesse nas hipóteses:
1) Ações promovidas no juizado especial itinerante.
2) Se do pedido administrativo não há resposta da autarquia no
prazo de 45 dias, surge o interesse de agir.
3) Se dentro dos 45 dias úteis do pedido administrativo o INSS
oferece contestação, entende o STF que houve resistência,
hipótese na qual configura interesse de agir.
4) Se proposta ação sem o requerimento administrativo, o juiz
baixará o feito em diligência para intimação do autor para dar
entrada no pedido em 30 dias.
5) Se o pedido for negado;
6) Se o INSS se recusou a receber pedido administrativo (STJ).
 Se a parte pede administrativamente e posteriormente promove
ação judicial, na superveniência da concessão administrativa do
pedido, deverá o juiz federal extinguir o processo sem resolução do
mérito por perda do objeto. Poderá permanecer o interesse
processual se a concessão do benefício for em valor inferior ao
direito do autor.
 Para o STJ, nas ações que visam a revisão de um benefício, não é
necessário requerimento administrativo, exceto se houver análise
de matéria de fato.
- Inépcia da inicial # interesse e legitimidade:
 Inépcia: elementos do pedido, causa de pedir. Pressuposto
processual de validade
 Interesse e legitimidade: Condições da ação. Elemento anterior à
verificação da relação jurídico-processual.

2.3. Legitimidade.
- Conceito: legitimidade é o atributo para prática de um determinado ato.
Nasce da relação entre um o objeto (relação jurídica) e o sujeito. Para
Liebman, legitimidade é a pertinência subjetiva para a demanda.
- Legitimidade # capacidade:
 Capacidade: denota um porquê. É capaz porque tem 18 anos.
Capacidade de ser parte.
 Legitimidade: existe para alguma coisa. Têm-se legitimidade para
exigir obrigação, por exemplo.
- Legitimidade
 ad causam/legitimidade para agir (condição da ação): pertinência
subjetiva da ação. Partes legítimas. A relação jurídica de direito
processual é um espelho da de direito material.
a) é necessariamente bilateral: em face de um determinado réu.
b) pode ser ordinária ou extraordinária.
 Ad processus/legitimidade processual (não é condição da ação):
pressuposto processual que se relaciona com a capacidade de estar
em juízo. Nesse sentido, o menor de 16 anos possui legitimidade ad
causam (= capacidade de direito), mas não ad processus (=
capacidade de fato), deve ser representado.
- Legitimação ordinária e extraordinária.
 Ordinária: correspondência entre a legitimidade e relação jurídica
de direito material. Defende em juízo interesse próprio.
 Legitimação extraordinária/substituição: não há necessariamente
identidade total entre a relação jurídica de direito material e o
sujeito processual, podendo o objeto litigioso ser pretendido pelo
legitimado extraordinário.
a) Espécies de legitimação extraordinária:
a.1) autônoma: independe da participação do titular do direito
litigioso. ex: administradora de consórcio.
a.2) legitimação extraordinária subordinada: titulariza relação
jurídica distinta da qual se discute. Quando titular de um direito
violado depende de outro sujeito para propor ação. Ex: vaga de
concurso público e impetração de mandado de segurança. Ex2:
alienação de coisa litigiosa em que a parte autora no processo
não aceita o ingresso de terceiro. ex3: assistente simples.
a.3) legitimação extraordinária autônoma: independe da
participação do titular do direito litigioso. ex: MP ao propor uma
ACP na tutela da coletividade não depende de ninguém. Espécies
(classificação segundo Barbosa Moreira):
a.3.1) concorrente: ambos podem ajuizar ação. ex:
proprietário de coisa indivisa, condomínio. Segundo o STJ, a
legitimidade para tutela do meio ambiente é concorrente e
disjuntiva, isto é, pode a AGU agir independentemente do MPF,
por exemplo.
a.3.2) exclusiva: quando o contraditório só será formado na
presença de um determinado sujeito, hipótese em que o MP tem
legitimidade exclusiva em razão do direito pleiteado em juízo. Ex:
tutela do MP na tutela do interesse dos incapazes.
a.4) legitimação extraordinária # substituição processual: há
corrente doutrinária que difere a substituição processual da
legitimidade extraordinária na medida em que aquela impede
que uma determinada pessoa proteja direito alheio em nome
próprio, ao passo que a legitimidade extraordinária permite isso.
Ex: alienação de coisa litigiosa; Ex2: tutela do interesse difuso
pelo MP, particular não possui legitimidade para ação coletiva.
b) Entidades de classe e Sindicato podem defender em juízo os
interesses dos seus filiados, não precisa de autorização expressa.
legitimados extraordinários.
a) Nos tributos indiretos (contribuinte paga o tributo, mas não é ele
que pratica o fato gerador – contribuinte de fato), pode o
contribuinte ajuizar ação para haver repetição de indébito? Via
de regra, não. No entanto, a jurisprudência criou a legitimação
extraordinária no caso do ICMS para o fornecimento de energia
elétrica.
h.1) alguns autores afirmam que convenções pré-processuais
podem criar novos legitimados extraordinários, mas o enunc. Da
enfam diz que não.
- Representação processual: se dá quando alguém está autorizado pelo
titular do direito ir a juízo defender seu direito, ocorre sobretudo quando
a parte processual (leg ad causam) não tem capacidade processual (leg ad
processus). Filho outorga procuração para o pai ajuizar ação.
 hipóteses de representação:
b) a curatela especial será realizada pela defensoria pública.
c) ação de alimentos proposta pelo filho com representação do pai.
aqui o filho irá outorgar procuração ao pai, com plenos poderes,
e este, por sua vez, outorgará poderes ao advogado para
postular o direito da criança.
d) Associação pode impetrar MS coletivo em nome dos associados:
é legitimada extraordinária, por representação, S. 629/STF.
e) As associações possuem também legitimidade para tutela de
direito difuso, por substituição, através de ACP, desde que o
objeto da ação seja a tutela de bem cuja finalidade a associação
protege.
f) Mas se promove uma ação ordinária, em nome da categoria,
depende de autorização dos associados, logo, atua por
representação. Art. Lei 9494/97 – é documento essencial a cópia
da ata da assembleia que autorizou o ajuizamento. art. 5º, LXX,
CF.
- Na sucessão processual um sujeito sucede o outro no decorrer do
processo, assumindo a sua posição processual.
 por outro lado, se o réu falacer sem citação válida, não será o caso
de sucessão processual, já que o processo não teve início. Logo,
deve o Juiz abrir prazo para que o particular emende a inicial e
promova a citação do espólio, trata-se, portanto, de uma
substituição processual.
b.2) Por outro lado, caso se trate de direito personalíssimo,
caberá ao juiz a extinção do processo sem a resolução do mérito
com fundamento no art. 485, IX (direito intransmissível).
 Neste situação, segundo afirma a doutrina, ainda que não haja bens
a inventariar ou se trate de incapaz, deve o juiz abrir prazo para a
sucessão processual do incapaz, pois assim será possível a
declaração da situação e a inexigibilidade da dívida em nome da
resolução do mérito do processo.

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