FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS
DO ENSINO
EM CIÊNCIAS
HUMANAS
Formação
das cidades
contemporâneas e
as interações sociais
em seus espaços
Marcelo da Silva Gigliotti
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
> Confrontar industrialização e urbanização.
> Relacionar cidade e pessoas.
> Identificar novas práticas docentes no ensino do urbano.
Introdução
A formação e o desenvolvimento das cidades ao longo da história foram marcados
pela forma de apropriação das sociedades e pelas suas forças produtivas em
relação ao seu tempo. Influenciadas por aspectos culturais, tecnológicos e sociais,
as diversas sociedades consolidam o arranjo espacial urbano. Nesses espaços,
as relações sociais e atividades econômicas se estabelecem.
Para compreender o processo de urbanização atual e as transformações nas
cidades contemporâneas, é fundamental analisar a relação entre os espaços
urbanos e as alterações dos meios produtivos resultantes da revolução industrial.
Portanto, neste capítulo, será explicado como o processo de industrialização
2 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
altera o desenvolvimento urbano, não apenas o seu arranjo espacial, mas também
aspectos relacionados às relações humanas, como a circulação de pessoas, as
interações sociais e as vivências. Além disso, serão apresentadas propostas de
práticas pedagógicas para a discussão das cidades e das suas transformações
por meio de novas práticas educacionais.
As metamorfoses das cidades: do celeiro
à indústria
A partir do processo de sedentarização com a revolução agrícola no Neolítico,
as diversas sociedades da Antiguidade passaram a desenvolver os espaços
urbanos nos seus territórios com o intuito de concentrar as infraestruturas
necessárias para o desenvolvimento das atividades econômicas e sociais
resultantes do excedente da produção agrícola do campo.
Inicialmente, as primeiras cidades buscavam o armazenamento e o co-
mércio do excedente. Assim, eram responsáveis pela produção de utensílios
e ferramentas para o uso nas lavouras e pela política e gestão desses novos
espaços e das suas atividades. Como exemplo, podem ser citados os núcleos
urbanos da Mesopotâmia, como a cidade de Ur, as pólis gregas, como Atenas e
Esparta, e a cidade de Roma, que, no seu apogeu, contava com uma população
de mais de um milhão de habitantes.
Na Antiguidade, a maioria dos gregos vivia em aglomerações deno-
minadas pólis. Segundo Florenzano (2015, documento on-line), pólis
consistem em comunidades dos cidadãos que se distribuem pelo espaço do
qual estas são politicamente soberanas e pelo interior, “do qual distingue-se
uma área habitacional principal (ásty) e o território (khóra), sede das atividades
produtivas primárias (aquelas agrárias)”. Ainda segundo a autora, na pólis,
“cidade e território são compartilhados pelos cidadãos livres e as suas famílias,
pelos escravos e pelos estrangeiros”.
Veja, na Figura 1, o esquema de uma pólis grega.
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 3
Figura 1. Esquema de uma pólis grega.
Fonte: Florenzano (2015, documento on-line).
Embora a função das cidades se alterasse conforme o período histórico e
a localização geográfica, o seu desenvolvimento sempre esteve atrelado às
atividades comerciais, políticas e culturais, ou seja, ao modo de produção.
Segundo Lefebvre (2001, p. 34), “cada modo de produção ‘produziu’ (não
como uma coisa qualquer, mas como uma obra privilegiada) um tipo de cidade,
que ‘exprime’ de maneira imediata, visível e legível no terreno, tornando sen-
síveis as relações sociais”. Essa sensibilidade às relações sociais expressa nas
cidades teve, como consequência direta, a criação de um processo acumulativo
de conhecimento, técnicas, tecnologias e riquezas nesses espaços urbanos,
tornando-os, principalmente após a Idade Moderna, centros de referência
para as sociedades. Assim, passaram a ter um papel de centralidade.
Nas cidades, dentro dos palácios e cortes reais, eram ditadas as regras
e normas; nas feiras livres e nos festivais, as relações pessoais e culturais
se materializavam; dentro das universidades e bibliotecas, o conhecimento
científico era construído. Sobretudo, nas cidades, especificamente nas casas
4 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
bancárias, as riquezas eram acumuladas. Com esse papel de centralidade
conquistado na Idade Moderna, criou-se o cenário ideal dentro das oficinas
manufatureiras das cidades inglesas para o desenvolvimento das indústrias.
As cidades inglesas foram favorecidas pelo acúmulo de capital intensificado
pelo colonialismo, aliado à política de cercamento nas áreas rurais inglesas e à
expulsão dos camponeses, denominado êxodo rural, em uníssono à presença de
recursos naturais, ferro e carvão e ao aprimoramento técnico dos maquinários.
Esses fatores propiciaram o desenvolvimento industrial, que alterou a forma de
organização dentro das fábricas, baseada no funcionamento das máquinas (em
um primeiro momento movidas a vapor e, posteriormente, à eletricidade). Isso
possibilitou o aumento da produtividade e do emprego de uma nova mão de obra
operária, que mais tarde se tornaria majoritária no modo de produção capitalista.
As infraestruturas urbanas também sofreram uma significativa mudança,
primeiramente com o investimento pesado em meios de transporte para escoar
a produção das fábricas, como a construção de ferrovias e telégrafos. A própria
estrutura das cidades foi alterada com o surgimento dos bairros industriais e
operários. Esses bairros atraíram milhares de pessoas, que saíram das áreas
rurais a fim de ocupar as periferias urbanas atrás de oportunidades nas indústrias.
A partir de meados do século XX, teve o início do processo de consolidação
da urbanização, marcado pela industrialização tardia nos países periféricos.
Esses países foram incluídos no fenômeno da globalização, caracterizado
pela integração social e econômica global resultante dos avanços nos meios
de comunicação e transporte.
A urbanização consiste no aumento relativo da população urbana
em relação à população rural. Normalmente, esse processo está
associado ao processo de industrialização e ao êxodo rural, uma vez que a
população rural busca oportunidades nas áreas urbanas, em que a rede de
serviços é mais ampla.
Com a globalização, foram formadas megacidades globais e megalópoles
(Figura 2), densamente povoadas, relacionadas ao setor de serviços, consti-
tuindo uma ampla rede urbana.
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 5
Figura 2. Mapa da megalópole de Boston-Washington (BosWash), nos Estados Unidos.
Fonte: [Link]/Bill Rankin.
A tendência de consolidação e expansão das áreas urbanas, em detrimento
das áreas rurais, criou uma dinâmica territorial e econômica de intenso fluxo de
pessoas e mercadorias dentro das megalópoles. Essa dinâmica é caracterizada
pela dependência da rede de serviços e do consumo da população urbana,
que, ao mesmo tempo que é influenciada por esses serviços, influencia a
construção dos aspectos culturais e sociais da sociedade.
Retrato da cidade: transformações,
vivências e movimentos
No contexto atual, as aglomerações urbanas regidas pelo sistema capitalista,
as quais estão em constante processo de integração global, têm chamado a
atenção para estudos e pesquisas que buscam esclarecer a dinâmica desses
6 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
territórios e as suas influências na organização social da população. Assim, é
possível caracterizar a cidade segundo categorias sociológicas, que, segundo
Oliven (2010), compreendê-la-iam sob três pontos de vista:
1. como uma variável dependente (isto é, a cidade seria resultado das
relações e atividades que a construíram);
2. como uma variável contextual, de modo que seria o local de conver-
gência de processos e interesses;
3. como uma variável independente, na medida em que tem uma lógica
própria, capaz de estabelecer uma cultura urbana.
Sob a perspectiva da variável dependente, são consideradas as mudanças
provocadas pelo processo de industrialização, que acarretou não apenas o
crescimento exponencial da população urbana, mas também desenvolveu,
dentro das cidades, uma rede de serviços, comércios e transporte de enorme
dimensão. Assim, esse processo acabou por integrar territórios e estabelecer
uma nova hierarquia e novos processos urbanos, como a conurbação e a
metropolização, além de movimentos migratórios pendulares, a favelização
e a periferização.
A conurbação, junção de áreas urbanas, seria resultado do processo de
urbanização, do crescimento das áreas urbanas, que é consequência do
processo de industrialização, da formação das fábricas e do crescimento
exponencial de oportunidades de trabalho. Assim, a conurbação tem, como
consequência, a metropolização, que consiste na formação de áreas urbanas
que transcendem os limites políticos das cidades, apresentando um quadro de
grande complexidade em diversos aspectos, envolvendo moradias, migrações
e manifestações culturais.
Esse novo quadro do processo de urbanização é definido pelas localidades
centrais, de modo que áreas urbanas de concentração de serviços influen-
ciam, sobremaneira, as demais áreas, formando uma complexa rede urbana.
A rede urbana brasileira é marcada por um processo desigual, que
permitiu a concentração de riquezas e, por consequência, de serviços
em algumas cidades centrais, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Essas
cidades passaram a ser polos de atração populacional, resultando em uma
expansão além dos seus limites, que configura, nos municípios vizinhos, uma
continuidade da área urbana.
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 7
Assim, foram criadas dinâmicas territoriais, como os movimentos pendulares,
caracterizados pelo intenso fluxo de pessoas entre cidades. Segundo estudo
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2015), em 2015, cerca
de 7,4 milhões de brasileiros trabalhavam ou estudavam fora do seu município
de residência.
Dentro da sala de aula, a perspectiva da cidade como uma variável depen-
dente possibilita demonstrar, para os alunos, o processo de formação das cidades
e os seus fenômenos. É sob essa perspectiva que o professor pode mediar o
reconhecimento das formas e construções urbanas das vivências dos alunos
com a discussão do que é o urbano, com as suas características e importância.
Por outro lado, analisando as cidades sob a perspectiva da variável con-
textual, vê-se que as alterações provocadas pelas atividades resultam em
uma reorganização dos territórios de acordo com os interesses da população
local. É o caso, por exemplo, da reorganização das cidades e dos subúrbios
das cidades centrais americanas, que, a partir da década de 1980, sofreram
com o declínio de empregos em decorrência da transferência das indústrias
para países periféricos. Essa reorganização, chamada de novo urbanismo, foi
um movimento liderado por jovens planejadores que buscavam ressignificar
os espaços do subúrbio.
O novo urbanismo buscou promover mudanças nas áreas periféricas
por meio de intervenções urbanas, como construção ou reforma de
loteamentos, favorecendo atividades do cotidiano mais saudáveis, a exemplo da
implementação de áreas verdes e parques, como forma de trazer um conforto
ambiental. Outro exemplo seria a utilização e o incentivo de meios de transporte
menos poluentes.
No Brasil, também há exemplos do movimento do novo urbanismo, como
na forma da construção de empreendimentos imobiliários de alto padrão,
buscando a ressignificação dos lugares como forma de promover a qualidade
de vida da população residente.
No que concerne à ressignificação dos espaços urbanos, Lermen
(2021) cita o caso do loteamento do bairro Pedra Branca, em Palhoça,
Santa Catarina, planejado na forma de uma malha urbana voltada para os
indivíduos, buscando a retomada do conceito de vizinhança.
8 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
Nesse projeto urbanístico, foram empreendidas intervenções urbanas que
possibilitassem a criação de novas condições para os moradores, como a va-
lorização do transeunte a partir da implantação de calçadas amplas e vias
exclusiva para pedestres e bicicletas (Figura 3).
Figura 3. Loteamento sustentável do bairro Pedra Branca.
Fonte: Sustainable urban planning in Cidade Pedra Branca is inspired in the new urbanism
(2020, documento on-line).
Sob a perspectiva da variável contextual, o professor tem a possibilidade
de discutir as formas de pensar as cidades e as suas vivências, não só como
forma, mas também como política, buscando o bem-estar das populações.
Por fim, na perspectiva da cidade como uma variável independente,
entende-se que a sua própria existência possibilitaria a influência na sua
população. Esse entendimento se aproxima da discussão da cidade como um
ser vivo, como um indivíduo, podendo, então, ser analisada pela interação
entre as suas partes. Os fenômenos urbanos seriam, portanto, partes desse in-
divíduo maior. Desse modo, para solucionar e entender as dinâmicas urbanas,
deve-se observar as suas partes e as suas relações. Esse olhar está associado
à corrente da ecologia humana, desenvolvida pela Escola de Chicago.
Segundo a ecologia humana, as cidades seriam adensamentos de grande
dimensão permanentes e de grande heterogeneidade, gerando agrupamentos
e organizações sociais. Isso acarretaria o surgimento de uma forma cultural
própria e o aparecimento de tribos urbanas, que seriam resultado da própria
heterogeneidade da “selva urbana”, sob o ponto de vista ecológico.
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 9
Essa visão da ecologia humana se apropria da discussão da biologia,
comparando a cidade com um hábitat. Por isso, fala-se em selva urbana. Já
os grupos sociais existentes seriam as tribos, que se organizariam a partir do
agrupamento de populações semelhantes, isto é, nichos, consumindo essa
selva à sua maneira. Esses grupos sociais ou movimentos culturais, como,
por exemplo, o hip hop (Figura 4), exerceriam a sua influência na construção
dos espaços urbanos da selva urbana.
Figura 4. Eventos de hip hop como manifestação da cultura urbana.
Fonte: [Link]/Aleksandr Neplokhov.
Em sala de aula, a cidade pode ser trabalhada pela perspectiva de vari-
ável independente com foco nas experiências dessas tribos e em como elas
constroem os espaços urbanos. É possível, por exemplo, partindo da realidade
do aluno, discutir as apropriações dos espaços públicos do seu grupo social
com base em registros das paisagens urbanas.
Práticas pedagógicas sobre as cidades
A compreensão dos espaços urbanos vai além da identificação da localização,
da forma e dos fluxos nas cidades. Para a formação cidadã do aluno, esse
entendimento deve ser construído a partir da percepção do indivíduo em
relação ao seu território e à organização espacial.
10 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
Com o intuito de desenvolver essa percepção, a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) estabelece a busca pelo raciocínio geográfico como meio
de desenvolver o pensamento espacial nos alunos (BRASIL, 2018). Esse racio-
cínio compreenderia aspectos como localização, distribuição dos fenômenos
e ordenamento dos territórios. Assim, visa-se à discussão do âmbito do
componente da geografia pela apresentação de conteúdos e habilidades
de análise dos espaços urbanos desde os anos iniciais (Quadro 1), a fim de
compreender as dinâmicas territoriais das aglomerações e os seus impactos
na vida cotidiana da sua população.
Quadro 1. Exemplos de conteúdos e habilidades relacionados ao estudo do
urbano nos anos iniciais do ensino fundamental
Período Unidades temáticas Objetivos Habilidades
3º ano O sujeito e o seu A cidade e o campo: (EF03GE01)
lugar no mundo aproximações e Identificar
diferenças e comparar
aspectos culturais
dos grupos sociais
dos seus lugares
de vivência, seja
na cidade, seja no
campo.
4º ano Conexões e escalas Relação (EF04GE04)
campo-cidade Reconhecer
especificidades
e analisar a
interdependência
do campo e
da cidade,
considerando
fluxos
econômicos, de
informações,
de ideias e de
pessoas.
Fonte: Adaptado de BNCC (BRASIL, 2018).
Como observado no Quadro 1, nos anos iniciais do ensino fundamental,
a discussão do urbano é calcada no reconhecimento da cidade a partir da
diferenciação em relação ao campo. Esse reconhecimento pode ter, como
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 11
ponto de partida, as vivências dos alunos nesses lugares ou a diferenciação
pela percepção dos elementos do campo e da cidade a partir da análise
e da comparação entre as paisagens geográficas. Assim, foge-se de uma
exposição meramente conteudista e da simplória apresentação do urbano
com exemplos ilustrativos.
Desse modo, um(a) professor(a) do 3º ano, por exemplo, pode iniciar
a discussão sobre a cidade e o campo com a sua turma a partir de uma
prática pedagógica que parta da vivência do aluno sobre o seu lugar
para entender o urbano e o rural. Uma boa prática seria a produção de
narrativas (histórias) ou representações (desenhos) sobre o trajeto entre
casa e escola, como forma de identificar os elementos de uma cidade e
diferenciá-la do campo.
Outra forma de realizar essa diferenciação é utilizando personagens e
histórias com os quais os alunos tenham familiaridade. Um exemplo de prática
seria a comparação da infância do Superman, que viveu em uma fazenda,
com a infância do Homem-Aranha, que cresceu na cidade de Nova York. Com
base nessa comparação, a professora pode diferenciar os modos de vida e
identificar as semelhanças entre os personagens, promovendo um debate
sobre a cidade e o campo.
O uso de representações dos espaços, como retratos das paisagens ur-
banas e rural, também é um importante recurso para o professor, já que a
percepção visual de lugares é uma ferramenta essencial para diferenciá-los.
Assim, uma prática com a exposição de fotografias de paisagens urbanas e
rurais pode ser um ponto para a identificação dos elementos da cidade e do
campo, fundamentais para a discussão do conteúdo do estudo do urbano
de modo contextualizado.
Quando se traz, para as discussões dos conteúdos e habilidades, o con-
texto do aluno ou a sua percepção sobre a realidade, o discente se torna
protagonista do seu processo de aprendizagem. Segundo Araújo e Façanha
(2018), um ensino que considera o aluno como fonte de conhecimento é mais
enriquecedor, pois o instiga a participar e a se reconhecer como sujeito da
sociedade.
A busca do protagonismo do aluno deve levar o professor a criar estraté-
gias por meio das quais os alunos possam dialogar com o conteúdo, em uma
estreita relação entre o seu cotidiano e os conceitos geográficos, permitindo
que compreendam o mundo que os cerca. Nesse contexto, as tecnologias de
informação e comunicação (TICs) podem ser de grande valia. De fato, o acesso
12 Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços
do aluno a redes de comunicação (como a internet e plataformas e aplicativos
voltados para a divulgação de conhecimento e informação) tem possibilitado
uma nova forma de aquisição de conhecimento, centrada no aluno.
No âmbito do estudo das cidades, a utilização em sala de aula de platafor-
mas de geoweb, por exemplo (que disponibilizam imagens de satélites, vídeos
e/ou fotografias das paisagens urbanas), como o Google Earth e o Google
Street View, permite que o aluno se aproxime da realidade urbana complexa.
Os serviços de geoweb, que consistem em aplicativos de acesso,
via internet, à informação espacial em formato de representação
cartográfica, têm desenvolvido funções interativas em que os próprios usuários
poder registrar e confeccionar mapas sobre os lugares. Um exemplo é a fun-
ção de criação de trilhas de viajantes do aplicativo Google Earth, que poderia
servir para a criação de práticas de visitação aos diversos espaços urbanos e
a visualização dos elementos das paisagens urbanas.
Por exemplo, um aluno de uma escola em uma pequena cidade do interior de
Minas Gerais que nunca viajou para fora do estado, ao acessar uma plataforma de
geoweb, consegue visualizar as vias urbanas e o fluxo de pessoas da megalópole
de BosWash, hoje o maior centro urbano do planeta. Assim, ao comparar o que
vê no aplicativo com a sua realidade, ele consegue reconhecer os elementos
das cidades e problematizar a dinâmica do uso dos espaços e a forma como
eles vêm alterando a cultura das sociedades.
Desde o início das primeiras civilizações, as cidades consistiram em es-
paços com um importante papel no desenvolvimento das sociedades. No
primeiro momento, eram locais de moradia, proteção e realização de trocas
comerciais. Porém, com o processo de urbanização, a partir do século XIX,
sobretudo a partir da revolução industrial, as cidades passaram a atrair
muitas pessoas das áreas rurais, que buscavam melhores condições de vida.
Esse processo resultou em uma grande expansão das áreas urbanas. Para
se adaptar a essa nova realidade, as áreas urbanas se transformaram em
grandes centros de prestação de serviços e de vivência social, criando uma
cultura própria, que influenciou as áreas no entorno.
No que concerne ao espaço, esses grandes centros se caracterizam por
paisagens exuberantes, que revelam a sua grandiosidade. A observação
dessas paisagens urbanas pode ser o ponto de partida para as práticas pe-
dagógicas que visam à diferenciação das cidades. Assim, o professor, a partir
da vivência dos alunos, interpretaria as paisagens e as suas características
para problematizar a formação desses complexos espaços.
Formação das cidades contemporâneas e as interações sociais em seus espaços 13
Referências
ARAÚJO, F. J. S.; FAÇANHA, A. C. Geografia, prática docente e violência urbana. ParaOnde!?,
v. 10, n. 1, p. 122-131, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular: educar é a base.
Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: [Link]
BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 21 jul. 2022.
FLORENZANO, M. B. B. A cidade grega antiga em imagens: um glossário ilustrado. São
Paulo: Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: [Link]
-grega-antiga-em-imagens-um-glossario-ilustrado/. Acesso em: 22 jul. 2022.
IBGE. Arranjos populacionais e concentrações urbanas do Brasil | 2015. IBGE, 2015.
Disponível em: [Link]
-regional/15782-arranjos-populacionais-e-concentracoes-urbanas-do-brasil.
html?=&t=acesso-ao-produto. Acesso em: 21 jul. 2022.
LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001.
LERMEN, B. C. Desempenho do espaço urbano em loteamentos do novo urbanismo:
estudo do empreendimento Cidade Criativa Pedra Branca/SC. 2021. Dissertação (Mes-
trado em Planejamento Urbano e Regional) — Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, 2021.
OLIVEN, R. G. Urbanização e mudança social no Brasil. Rio de Janeiro: Centro Edelstein,
2010.
SUSTAINABLE urban planning in Cidade Pedra Branca is inspired in the new urbanism.
Cidade Pedra Branca, 28 Sept. 2020. Disponível em: [Link]
[Link]/blog/en/ustainable-urban-planning-in-cidade-pedra-branca-is-inspired-in-
-the-new-urbanism/. Acesso em: 22 jul. 2022.
Leituras recomendadas
LEITE, C. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes: desenvolvimento sustentável num
planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
LOPES, J. R. B. O processo de urbanização. In: LOPES, J. R. B. Desenvolvimento e mudança
social: formação da sociedade urbano-industrial no Brasil. Rio de Janeiro: Centro
Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. p. 23-39.
SOUZA, E. B.; PEREIRA, T. M. S.; RODRIGUES, E. M. Prática docente no ensino de geografia:
reflexões a partir de escolas estaduais paraibanas. ParaOnde!?, v. 10, n. 1, p. 9-15, 2018.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou
integralidade das informações referidas em tais links.