DPOC
É uma doença respiratória crônica, progressiva e heterogênea, caracterizada por: sintomas
respiratórios crônicos, alterações estruturais nas vias aéreas e parênquima pulmonar, obstrução
crônica e não totalmente reversível do fluxo aéreo.
Sintomas clássicos de DPOC:
- dispneia
- tosse
- cansaço
- infecções respiratórias repetidas
- Limitação persistente ao fluxo aéreo, não totalmente reversível
- Sintomas respiratórios crônicos (dispneia, tosse, expectoração)
- Inflamação crônica das vias aéreas e do parênquima pulmonar, desencadeada
principalmente por exposição prolongada a partículas ou gases nocivo
→ O PULMÃO NORMAL SERVE PARA:
- levar oxigênio para o sangue, por troca gasosa
- retirar CO2
- filtrar partículas
- defesa imune eficiente
→ PULMÃO COM DPOC:
- pulmão danificado, o ar entra mas não sai direito
- via aérea fica fechada e cheia de muco
- troca gasosa não é realizada corretamente
- o pulmão fica hiperinsuflado típico (tórax em barril)
- musculatura respiratória cansa
FISIOPATOLOGIA DO DPOC
A fisiopatologia é explicada a partir de quando começa a inflamação crônica no DPO Crítico,
devido a vários fatores como tabagismo, exposição crônica a partículas de gases irritantes, que
ativam a resposta inflamatória exagerada e persistente nas vias aéreas e nos alvéolos.
→ Principais fatores desencadeantes:
1. Tabagismo (o mais importante)
- Tabagismo ativo e passivo
● Fonte de milhares de substâncias tóxicas.
● Causa estresse oxidativo, lesão epitelial e ativação de macrófagos.
● Responsável por 85% dos casos.
2. Poluição ambiental
● Fumaça de veículos, queimadas, poeiras, poluentes industriais.
3. Exposição ocupacional
● Poeiras minerais: carvão, sílica.
● Poeiras orgânicas: grãos, algodão.
● Vapores químicos: solda, pintura, metalurgia.
4. Biomassa
● Fogão a lenha, carvão vegetal, comum em áreas rurais.
5. Infecções respiratórias na infância
● Podem reduzir o pico de função pulmonar na vida adulta.
6. Fatores genéticos
● Deficiência de alfa-1 antitripsina (A1AT)
○ Predisposição a enfisema precoce
→ A FISIOPATOLOGIA DPOC é um processo crônico contínuo, progressivo e irreversível
que envolve vias aéreas pequenas e o parênquima pulmonar:
1. Ativação do sistema imune:
Macrofagos liberam TNF-A, IL-8, PROTEASES, EROS, atraem neutrófilos e linfócitos T CD8.(
perpétua inflamação)
- Reduzem calibre da via aérea
- Chiado no peito: Resultado de: estreitamento das pequenas vias aéreas, instabilidade e
colapso expiratório
2. PROTEASES
- elastase neutrofílico e Metaloproteinases (MMPs)
destroem fibras elásticas e matriz extracelular→ perda de elasticidade
3. Inflamação crônica → remodelamento das vias aéreas
- células caliciformes sempre ativas → mais muco devido a irritação das vias aéreas
- hipersecreção → tosse produtiva
- espessamento das paredes → obstrucao fixa
4. fase final ENFISEMA
- destruição dos septos alveolares
- forma de bolhas ,espaços aéreos maiores
- menos área de troca gasosa→ hipoxemia
- destruição da elastina e dos septos alveolares.
- pode evoluir para cor pulmonale
Tipos de enfisema
● Centrolobular → tabagismo (regiões centrais do acino)
● Parasseptal → bolhas junto à pleura
● Panacinar → deficiência de A1AT (atinge todo o acino)
HIPERTENSÃO PULMONAR
Fatores de risco:
− Prematuridade (displasia broncopulmonar);
− Infecções na infância;
− Tuberculose pulmonar;
− HIV;
− Deficiências enzimáticas, desregulação de proteínas;
− Excesso de elastase (deficiência de alfa-1 antitripsina).
DIAGNÓSTICO DE DPOC
1. Clínico → anamnese + Radiografia (pouco sensível, mas útil para avaliar complicações e
diagnósticos diferenciais)
2. ESPIROMETRIA (PADRÃO OURO)
Diagnóstico confirmado quando:
● VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador
Classificação do VEF1:
● ≥ 60% → leve
● 41–59% → moderado
● ≤ 40% → acentuado
3. Exame de alfa-1 antitripsina
Indicado para todos os pacientes, especialmente:
● idade ≤ 45 anos
● não fumantes com enfisema
● história familiar positiva
4. Eosinófilos ≥ 300 células/µL → DPOC
TRATAMENTO DPOC
A GOLD classifica os pacientes em grupos com base em:
● Sintomas → CAT e mMRC
● Risco de exacerbação → número de crises/ano, internações
Essa classificação determina qual broncodilatador é mais adequado e se é necessário associar corticoide
inalado.
1. Escala mMRC (Modified Medical Research Council)
- Avalia o grau de dispneia do paciente.
Pontuação vai de 0 a 4 AJUDA A ESCOLHER O TRATAMENTO!
Grupo Sintomas Exacerbações / ano
A Poucos sintomas (mMRC 0–1, 0–1 exacerbação
CAT <10)
B Muitos sintomas (mMRC ≥2, 0–1 exacerbação
CAT ≥10)
E Qualquer nível de sintomas ≥2 exacerbações ou
≥1 internação
2. Escala CAT
Questionário de 8 itens, cada um pontuado de 0 a 5.
Avalia o impacto da DPOC na qualidade de vida.
Pontuação total: 0 a 40. AJUDA A ESCOLHER O TRATAMENTO
O paciente avalia cada item de 0 a 5:
1. Tosse
2. Catarro (expectoração)
3. Pressão/chiado no peito
4. Falta de ar ao subir ladeira/escada
5. Limitação para atividades domésticas
6. Segurança/confiança ao sair de casa
7. Qualidade do sono
8. Nível de energia
✅ Interpretação do escore CAT
● 0–9: impacto leve
● 10–20: impacto moderado
● 21–30: impacto grave
● 31–40: impacto muito grave
📌 Na GOLD, usa-se:
● CAT < 10 → poucos sintomas
● CAT ≥ 10 → muitos sintomas
Por que tratar corretamente? (fundamentação fisiopatológica)
Tratar a DPOC de forma adequada:
● reduz exacerbações (que aceleram o declínio do VEF1)
● diminui hospitalizações
● melhora capacidade funcional
● reduz mortalidade
● reduz hiperinsuflação dinâmica
● melhora eficiência ventilatória
● reduz dispneia e sensação de sufocamento
FARMACOTERAPIA DPOC
resumo:
A → LAMA OU LABA
B→ LABA + LAMA
E → LABA + LAMA + CI (so usar CI se o Eosinofilos > 300)
Grupo Quando usar (critérios) Conduta Por que usar essa Medicações (nomes) + Mecanismo das classes Quando NÃO usar
farmacológica terapia posologia
GRUPO • Poucos sintomas LABA OU LAMA •Alívio LAMA• Tiotrópio LABA: agonista β2 → LABA: evitar como monoterapia
A sintomático (Spiriva®) – 5 mcg 1x/dia• broncodilatação prolongada se houver exacerbações
(mMRC 0–1 ou CAT <10)• 0–1 básico• Pacientes LAMA:bloqueia receptor M3 → LAMA:cautela em glaucoma de
exacerbação/ano com pouca Glicopirrônio (Seebri®) – diminui broncoconstrição e ângulo fechado e retenção urinária
limitação ao 50 mcg 1x/dia• secreção grave
esforço• Reduz Umeclidínio (Incruse®) –
dispneia leve• 62,5 mcg 1x/dia
Reduz
hiperinsuflação LABA• Formoterol – 12
leve mcg 2x/dia• Salmeterol –
50 mcg 2x/dia• Indacaterol
– 150–300 mcg 1x/dia
GRUPO • Muitos sintomas LABA + LAMA • Melhora intensa LABA + LAMA• Dupla broncodilatação:• Em geral não há contraindicação
B (dupla da dispneia• Reduz Indacaterol + Glicopirrônio forte; evitar apenas se EAs
(mMRC ≥2 ou CAT ≥10)• 0–1 broncodilatação) hiperinsuflação• (Ultibro®) – 1x/dia• LABA relaxa músculo liso via individuais ocorrerem
exacerbação/ano Melhora distância Vilanterol + Umeclidínio β2•
caminhada• (Anoro®) – 1x/dia•
Melhora qualidade Formoterol + Aclidínio LAMA bloqueia M3→
de vida• Muito (Brimica®) – 2x/dia• broncodilatação máxima
superior à Formoterol + Glicopirrônio
monoterapia (Bevespi®) – 2x/dia
GRUPO • ≥2 exacerbações moderadas / LABA + LAMA • Reduz número de Dupla broncodilatação CI: reduz inflamação eosinofílica CORTICÓIDE INALADO
E ano OU• → se Eos ≥300 exacerbações• (igual grupo B) + (Th2)
adicionar CI Melhora função considerar tripla:TRIPLA NÃO usar em:• Eosinófilos
≥1 internação por pulmonar• TERAPIA LABA + LAMA:broncodilatação <100/µL• Pneumonias prévias•
exacerbação(independente dos (tripla terapia) Corticoide inalado (LABA+LAMA+CI)• máxima, reduz crises Bronquiectasias extensas• História
sintomas) reduz exacerbação Fluticasona + Umeclidínio de infecções repetidas
apenas se + Vilanterol (Trelegy®) –
inflamação 1x/dia• Beclometasona +
eosinofílica• Alto Formoterol + Glicopirrônio
impacto na (Trimbow®) – 2x/dia
mortalidade
RESUMO SOBRE MEDICAÇÕES:
1. LABA → B2 agonista de longa ação
- fumarato de formoterol (aLENIA OU FORASEQ)
- Salmeterol 2x dia
- Relaxa musculatura lisa → faz broncodilatação
- alivia da dispneia, melhora VEF1
2. LAMA→ Antimuscarínico de longa ação → Block m3
- brometo de tiotrópio 5 mcg 1x/dia (2 jatos de 2,5 mcg)
- brometo de glicopirrônio
→ reduz broncoconstrição
- reduz exacerbações, melhorar sintomas
3. LABA+ LAMA → dupla broncodilatação (GRUPO A E B)
- atuam em B2 + M3
4. Tripla Terapia → LABA+ LAMA+ CI (BUDESONIDA)
- BRONCODILATAÇÃO + ANTIINFLAMATÓRIO
- evitar CI se EOS >100