Capítulo 8: Realmente, eu mudei.
2 anos depois…
No meio de uma tarde, em uma cidade de elfos.
“Você tá buscando o que?”
Uma voz feminina e suave, começa a falar com dúvida.
Uma bela mulher, com cabelo castanho curto e ondulado, olhos
verdes, orelhas pontudas e um rosto jovem, vestida com um simples
vestido escuro, sentada em um banco ao lado de Edyard começa a
perguntar para ele.
Um pouco impaciente, a mulher decide falar de novo.
“Ei! Tô falando com você!”
Edyard, que estava com a mão no rosto, que havia amadurecido um
pouco, pensando em algo, olha para o lado. Ele estava vestindo um
longo manto preto, anel no dedo, mas dessa vez, o capuz estava
abaixado, não havia chifres em sua cabeça.
“Oi, me perdoe, estava um pouco distraído.”
A mulher começa expressar sua dúvida.
“Queria saber o que uma pessoa que não é um elfo faz por aqui.”
Edyard começa a explicar sua situação sem hesitação.
“Estou procurando um desses dois homens, Kaelith ou Kaen Kurotsuki.”
O olhar da mulher muda completamente, ela começa a rir da situação.
“Você… você acha que vai conseguir encontrar eles assim? Eles são
Arqui-Elfos.”
Edyard permanece sério.
“Tenho certeza que vou.”
A mulher, ainda rindo um pouco, decide perguntar:
“Mas se encontrar, o que pretende fazer.”
Edyard olha no fundo dos olhos da mulher.
“Você vai ficar sabendo em breve.”
A mulher não entende a situação.
“Como assim? Ele tá falando sério?”
“Moço, pode pelo menos me dizer seu nome?”
“Satus, pode me chamar dessa forma.”
A mulher começa a procurar algo na bolsa que ela possui.
“Satus, espera um pouco.”
Até que ela puxa uma pequena folha de papel.
“Teve uma vez que vi o Kaelith, mas foi só uma, eu até consegui isso
aqui.”
Ela entrega a folha para Edyard.
Ao olhar, Edyard percebe.
“É uma assinatura de mana.”
A mulher confirma.
“Isso, eu pedi uma pra ele, afinal, não todo dia que se vê um Arqui-
Elfo.”
Ao tocar na assinatura, Edyard sente algo na própria mente.
“Essa mana… Com certeza é dele, preciso analisar com calma.”
Edyard olha para a mulher e fala calmamente:
“Sendo sincero, isso com certeza me ajudaria, mas eu devo dizer, eu
preciso de um tempo com isso nas minhas mãos.”
A mulher se aproxima mais um pouco de Edyard, e com a voz um
pouco alegre, diz:
“Pode ficar se quiser, eu acho que só gostei de ficar com isso porque é
algo que um Arqui-Elfo me deu, mas não é nada demais.”
Ainda olhando para a mulher, ele decide perguntar:
“Tem algo que algo que você deseja? Realizarei para você.”
A mulher fica com um rosto pensativo.
“Ah! Já sei, é estranho pedir algo para um estranho… mas se você diz
que pode realizar…”
Seu rosto fica sério, ela começa a fazer o pedido.
“Não sinto nenhuma hostilidade vindo de você, Satus… então quero
que me leve daqui, eu odeio esse lugar, você não é daqui, então tenho
certeza que poderá me levar… minha família e meus amigos, todos
foram assassinados por desobedecer uma simples lei, a lei de adorar
apenas os Altos Elfo… mas todos eles já tinham uma religião
estabelecida, e não abriram mão dela… assim como eles, eu também
tenho.”
Edyard permanece calmo.
“Tem certeza que deseja isso?”
Sem nem hesitar, ela diz:
“Sim… eu morrerei se ficar aqui.”
Edyard se levanta do banco da praça da cidade.
“Venha, me siga.”
Ambos começam a andar, na direção do portão da cidade.
“Ei Satus, eu estou sendo procurada pelos guardas daqui, passar pelo
portão é a última coisa que eu deveria fazer.”
Edyard continua andando, mas começa a tentar acalmá-la.
“Está tudo bem, darei um jeito nisso.”
Eles continuam andando, assim que chegam ao portão, a mulher
treme de medo.
“Parados aí!”
Um guarda elfo anda na direção dos dois.
“Você, de cabelo cinza… quando entrou aqui?”
Edyard fala casualmente com o guarda.
“Entrei aqui faz 6 meses, tem algum problema?”
“Não me lembro de você em nenhuma hospedaria, nem sequer
andando por aí.”
“É que eu não fiz nenhuma reserva mesmo, eu dormia nos cantos da
cidade.”
O guarda percebe algo estranho.
“Você não tem orelhas como as nossas, você pertence a qual raça?”
Edyard se explica um pouco mais sério.
“Conhece o Reino dos vampiros não é? Durante a agitação de mais de
2 anos atrás, eu saí do poço, sou um demônio.”
O olhar do guarda muda completamente, e a voz fica trêmula.
“Ma-mas você não po-possui chifres…”
No mesmo instante… os chifres enormes e enrolados de Edyard
aparecem.
Tanto o guarda, quanto a mulher olham com medo, seus olhares
percebem Edyard como um monstro.
“Vo-você nã-não pode pa-passar…”
Edyard olha no fundo dos olhos do guarda, com uma voz que penetra o
mais profundo dele.
“Tem certeza?”
Ao redor, a aura de Edyard toma a cidade toda, a grama a cair em uma
cratera criada pelo tremor da aura de Edyard, toda a muralha da
cidade começa a se rachar, pequenos cortes começam a aparecer no
corpo do guarda e da mulher.
Os cortes que aparecem na mulher são instantaneamente regenerados
por uma gosma preta, mas o guarda começa a ficar completamente
ensanguentado.
“AH!!! DÓI, ISSO DÓI MUITO!!!”
O guarda começa a agonizar de dor.
“VOCÊ PODE PASSAR!!!”
Assim que o guarda diz aquilo, a aura vindo de Edyard cessa.
E gentilmente, Edyard agradece.
“Obrigado!”
Ambos continuam andando, enquanto sangue respinga do guarda.
Um pouco mais na frente a mulher pergunta:
“Quando fez aquilo, eu não sentia dor, mesmo que eu estivesse sendo
cortada, como isso acontece.”
Edyard começa a explicar calmamente.
“Minha cura tem efeito anestésico, assim realmente não dói.”
A mulher expressa sua dúvida novamente:
“Mas aquilo foi algum feitiço? mas você nem recitou.”
Os chifres de Edyard começam a se retrair.
“Eu não preciso recitar feitiços básicos ou avançados.”
Surpresa, a mulher começa a raciocinar.
“Eu não consigo usar feitiços, mas mesmo assim… mesmo assim eu
sei que até mesmo os melhores usuários precisam recitar feitiços
avançados.”
Edyard começa a pensar em todos os feiticeiros que já enfrentou.
“Tem certeza disso?”
Com incerteza na voz, a mulher diz:
“Talvez o Rei de Velkar consiga…”
Edyard fica com dúvida.
“Rei de… que?”
A mulher fala incrédula, mas explica para Edyard.
“Você não conhece?! Velkar… é o Reino dos humanos, quem governa
atualmente é Arthur Veras.”
Edyard para de andar e fica estático, seu olhar escurece
completamente, seu corpo começa tremer completamente.
“Satus?”
A mulher fica levemente desesperada.
“EI! Aconteceu alguma coisa?! FALA COMIGO!!”
E de repente, o corpo de Edyard volta ao normal.
“Ah… não foi nada.”
Aliviada, ela diz:
“Não me dá um susto desse, seu maluco.”
Edyard continua andando, disfarçando o choque.
“Arthur? Esse é meu irmão não é?”
A mulher interrompe o pensamento dele e diz um pouco irritada:
“Ei, em algum momento pensei que você iria ao menos perguntar meu
nome.”
Edyard ri um pouco.
“Ah, me desculpe, é que eu estava um pouco pensativo… qual é o seu
nome?”
A mulher fica um pouco emburrada.
“Meu nome…”
E um pouco envergonhada ela fala o nome dela.
“É Mari… Mari Nitta…”
Mari se aproxima um pouco mais de Edyard, e começa a falar com uma
voz um pouco curiosa e perversa.
“Ei, ei… você não tem nenhum sobrenome? Além de que esse nome é
extremamente incomum.”
Edyard diz calmamente:
“Tenho dois sobrenomes de família, apenas um eu posso te dizer…
meus filhos carregam ele…”
Antes que Edyard possa completar, Mari interrompe surpresa.
“FILHOS?! Qual é a sua idade? Sua aparência é de alguém que recém
virou adulto.”
Edyard continua conversando casualmente, tentando explicar sobre
sua idade.
“Minha aparência não reflete minha real idade, posso ter até 3 idades
diferentes.”
Mari fica confusa.
“Três idades… como assim?”
Edyard decide deixar o assunto para outra hora.
“Deixa isso pra depois, olha ao redor, estamos rodeados pela floresta.”
Ao redor há diversas árvores, e na frente uma estrada de terra reta.
Mari fica com uma dúvida.
“Mas se você quer encontrar os Arqui-Elfos eu acho que seria melhor
você ir direto para Velkar, o Kaen tem uma audiência com o Rei daqui 6
meses.”
Os olhos roxos de Edyard brilham.
“Tá falando sério?”
Mari olha para Edyard com certeza no olhar.
“Sim, foi a representante do Arthur que disse isso.”
Edyard vira confiante para a mulher.
“Sabe a direção do Reino de Velkar?”
Mari aponta para a esquerda com os dedos.
Ambos começam a andar naquela direção, e entram na floresta.
Depois de horas…
“Ei Satus, já faz horas que estamos andando pela floresta, já está
anoitecendo… podemos tentar fazer uma pequena cabana?”
Edyard ergue a mão no meio de um ponto da floresta… no mesmo
momento, uma gosma preta consome todas as árvores e pedras que
haviam ao redor, e materializa uma cabana grande na frente deles.
Mari faz uma cara de tédio.
“Nem sei porque eu não pedi antes…”
Ambos entram na cabana, dentro dela tem duas camas simples de
madeira, e alguns móveis, o chão é feito de palha, com um pano sobre
ela.
Mari se aproxima de Edyard e expressa sua indignação.
“Ei, você sabe que nós não vamos morar aqui né, então pra que fazer
uma cabana tão bem feita?!”
Edyard acalmar ela.
“É que é fácil fazer algo assim, então não tem porque não fazer.”
E uma voz baixa sai da boca de Mari.
“… nem precisava de duas camas…”
Edyard vira para Mari.
“Você disse alguma coisa?”
O rosto de Mari fica levemente corado.
“Nã-não, não é nada.”
Edyard anda até a cama da direita da cabana.
Mari não entende a situação.
“Já vai dormir?”
Edyard se senta na cama e coloca atrás dele um travesseiro, ele
explica para Mari sobre sua condição física.
“Não é como se eu precisasse, mas prefiro dormir logo, quero chegar
até Velkar o quanto antes.”
Mari anda indignada até a cama de Edyard e se senta na cama.
“Mas antes você vai me explicar sobre seus sobrenomes e sobre sua
idade.”
Entediado, Edyard começa a falar.
“Então, é que na verdade, eu não sou um demônio, eu não pertenço a
nenhuma raça, tenho algumas condições especiais, por algum evento
na minha vida, eu deixei de ser humano, que era minha raça original.”
Mari se apoia na perna levantada de Edyard.
“Nunca vi algo parecido, mas continue me explicando.”
Edyard volta a falar.
“Eu também perdi minhas memórias de infância, provavelmente foi no
mesmo evento que me fez deixar de ser humano, e depois daquilo eu
passei mais de 2000 anos vivendo dentro da minha própria mente,
quando eu acordei, eu percebi que não lembrava de nada da minha
vida fora da minha mente. Só me lembrava do meu nome e idade, que
era 11 anos, então eu troquei de nome e de aparência, agora eu teria
14 anos, mas minha mente tem mais de dois mil.”
Mari começa a fazer algumas perguntas, levando tudo que ouviu a
sério.
“Mas você se considera uma criança? E qual era seu nome antigo?”
Edyard permanece conversando casualmente.
“Sinceramente, toda a experiência que tive na minha mente foi real, e
também foi muito importante pra mim, e sobre meu nome antigo… eu
ainda sou ele, mas prefiro não usá-lo, então posso te contar apenas
meu atual sobrenome, o sobrenome meu e dos meus filhos.”
Confusa, ela pergunta:
“Mas ainda sim… ainda sim não explica como que você tem filhos com
14 anos de vida.”
Edyard coça a cabeça e fala:
“É que… você percebeu que eu tenho um grande poder né? Então… eu
consegui criar eles com mana.”
Mari fica completamente confusa:
“Oi?!”
“Isso, eu fiz eles com meu poder de materializar coisas, assim como eu
fiz com essa cabana.”
Ela decide ignorar completamente isso que Edyard acabou de dizer.
“Ah, deixa pra lá, qual é o seu sobrenome atual?”
Edyard conta casualmente para Mari.
“Já que você vai andar comigo agora, então não vejo problemas, meu
nome completo é… Satus Inanis.”
Mari deixa de se apoiar na perna de Edyard e se aproxima mais, e se
senta no mesmo travesseiro que Edyard… ela vira para Edyard
incrédula.
“INANIS?! Esse é o sobrenome da Grã-Conselheira do Rei de Velkar.”
Tão surpreso quanto Mari, Edyard pergunta rapidamente para Mari.
“É?! QUAL O NOME DELA?!”
Um pouco ofegante, Mari se acalma e diz o nome.
“É Yuria… Yuria Inanis.”
Edyard começa a sorrir, ele tenta disfarçar, mas não consegue.
“Que bom… Ela parece estar vivendo bem a vida dela, já que estou
indo para lá eu acho que devo passar para ver ela um pouco… sinto
saudades.”
Mari não entende.
“Espera… ela é sua filha?!”
Edyard confirma calmamente.
“Criei ela já adulta faz mais 2 anos.”
“É… parando pra pensar agora, o cabelo de vocês dois é cinza, então
até que faz sentido.”
Mari dá um longo bocejo depois de dizer isso.
“Acho que vou dormir agora…”
Edyard agradece.
“Obrigado por vir comi…”
Mari, ainda sentada, se encosta em Edyard e fecha os olhos.”
Edyard não sabe como agir.
“Você vai dormir aqui?”
E quase sumindo, uma voz sai da boca de Mari:
“Eu… eu vou sim.”
Edyard passa o braço por trás do pescoço de Mari e coloca a mão na
cabeça dela.
“Até que ter uma filha me ajuda a cuidar de pessoas como você, Mari.”
Um pequeno sorriso é formado no rosto de Mari.
A única coisa que ela consegue pensar é:
“Que quentinho…”
A mão de Edyard começa a se mover, fazendo cafuné, e Edyard fecha
os olhos dizendo apenas uma coisa.
“Boa noite.”
Edyard toca o anel no dedo, e… Edyard cai no sono.
Em um ambiente escuro…
Correntes seguram o corpo que a Entidade usava anteriormente, com
alguns fios azuis, mas a maioria cinza.
“É a segunda vez que eu vejo esse lugar né? Eu estou no corpo da
Entidade de novo, quer dizer, meu corpo de criança.”
Aquele lugar exalava memórias antigas, memórias que Edyard não
consegue se lembrar.
“Será que aquele homem com a caixa vai voltar?”
Mas ao olhar para o lado, ele enxerga, uma cabeça de um homem,
uma cabeça apodrecida, ao lado de uma caixa, a face que aquela
cabeça tinha era a face de um homem mais velho, com longos fios de
cabelo cinza, aquele rosto se assemelha com o rosto de Edyard mais
velho.
Mas assim que Edyard vê aquilo, seu olhar paralisa, seu corpo parece
parar de se mover… e seu pensamento se enche de medo enquanto
ele começa a ligar todos os eventos.
“E-essa… essa cabeça… por algum motivo… meu corpo criança parece
se lembrar dela… Essa sensação… eu tive em algum outro lugar…”
Edyard começa a se lembrar da última conversa que ele teve com a
Entidade.
“Se juntar o corpo que ele assumiu no final, com essa cabeça… uma
figura paterna? Esse homem… esse homem…”
Uma lágrima escorre pelo rosto de Edyard…
Um ranger de porta pode ser escutado por Edyard.
Até que ele escuta uma voz grossa e arrogante que começa a falar.
“Edy… nunca imaginei que você ainda conseguisse chorar, depois de
mais de um ano sendo torturado, pensei que não havia nenhuma
emoção em você, até ontem você tava completamente vazio por
dentro, o que deu em você agora?”
Edyard olha para a porta e enxerga um homem com um manto
marrom e encapuzado.
“Parece até como se fosse uma outra pessoa… talvez finalmente tenha
se tocado que o homem aí do seu lado é seu papaizinho, ele morreu da
mesma forma que você vai.”
O homem anda até um pano que cobre uma esfera brilhante.
Assim que o homem levanta o pano, Edyard consegue ver uma esfera
brilhando em uma forte luz branca.
“Tá vendo isso Edy? É a mana do seu papai, é impossível achar
pessoas com o elemento de Luz hoje em dia, assim como o seu, o
elemento da Escuridão.”
Edyard para de chorar e começa a raciocinar, ele tenta falar, mas a voz
não sai.
“Espera, esse momento que eu tô revivendo, esse… eu consegui
chorar, mas eu não consigo falar… espera…”
Edyard tenta mexer a língua… mas nada acontece…
“Eu tô sem língua!”
“Pera, talvez o meu eu do passado tenha realmente chorado naquele
momento, por isso que eu consegui… espera, elemento da Escuridão,
mas eu tenho o do Vazio…”
O pensamento de Edyard começa a ficar extremamente sério.
“Faz sentido eu ter perdido minha memória, receber o poder do Vazio
deve ter tirado elas de mim… ou talvez a tortura.”
A forma com que Edyard lida com a situação é extremamente
pragmática, mesmo diante de tal evento.
O homem sai lentamente do quarto.
No mesmo instante que a porta se fecha… Edyard acorda.
Na realidade…
Algumas lágrimas secas estão no rosto de Edyard assim que ele acorda
de volta em seu corpo.
Edyard olha para o lado e percebe.
“Ela ainda tá dormindo… melhor não acordar ela.”
Edyard segura Mari enquanto se levanta da cama, e coloca ela deitada
por baixo de um cobertor… após fazer isso, Edyard toca a cabeça de
Mari e acaricia levemente.
Edyard senta na outra cama e começa a pensar enquanto olha para
Mari.
“Será que seguro levar ela comigo tão longe… com certeza enquanto
eu estiver perto dela ela não consegue sofrer nenhum dano fatal,
então sim.”
Mari começa a abraçar o cobertor enquanto diz com a voz baixa:
“Sa-Satus… você é tão… tão quente… poderia ficar… ficar agarrada
co-com você a vida toda”
O rosto de Edyard fica completamente vermelho.
“É melhor eu sair da cabana logo.”
Rapidamente, Edyard se levanta e sai da cabana.
Ainda está amanhecendo.
Do lado de fora, Edyard materializa uma cadeira de madeira com o
Vazio.
Edyard se senta e olha pra cima.
“Será quanto tempo demoraria para chegar até Velkar?”
Uma linha negra sai de dentro da mão de Edyard.
Ela começa a se estender rapidamente, enquanto ela se estende
Edyard começa a contar rapidamente.
“1… 4… 10… 20… 40… 80… 200… 300… 350… 357 quilômetros até
lá… até poderia me trasportar instantaneamente até lá, mas acho mais
divertido andar.”
Uma voz ecoa na distância…
“Ei, de cabelo cinza…”
Um homem elfo, vestido com alguns trapos e panos, chega perto de
Edyard segurando uma espada.
Edyard olha para o homem com hostilidade.
“O que você quer?”
O homem chega perto de Edyard, que permanece parado, a voz ecoa
pelos ouvidos de Edyard com um ar de arrogância.
“Vim só bater um papo com você…”
Assim que o homem diz isso, algo dentro do manto de Edyard começa
a brilhar em vermelho na altura do peito de Edyard.
“Vá direto ao ponto, não gosto de bater papo… não com pessoas como
você e seus amigos.”
O homem apoia a lâmina da espada em seus ombros e fala com
superioridade:
“Então já percebeu… podem sair pessoal!!”
dois elfos saem de trás das árvores da floresta.
Todos eles se aproximam de Edyard.
O homem que estava falando com Edyard aponta a espada para um
homem com o cabelo loiro e preso.
“Ei, você, quero que veja o que está dentro da cabana dele.”
O homem, sem questionar vai até a cabana de Edyard e abre os panos
que tampam a cabana.
O homem que estava falando com Edyard continua falando.
“Sabe que seu destino está nas minhas mãos não é, então pode me
dizer o que tem lá dentro, só para poupar traba…”
Antes que ele possa completar, o homem que estava dentro da cabana
sai lá de dentro e interrompe ele.
“Tem uma elfa lá dentro, até que ela é bem bonitinha, que tal
levarmos? Acho que ela poderia satisfazer a gente duran…”
Antes que o homem termine a frase que começou, um tentáculo sai da
mão de Edyard e se segura na língua do homem.
O que estava falando com Edyard coloca a espada no pescoço de
Edyard e fala:
“Foi você que fez isso né? DESFAÇA LOGO, OU EU TE MATO!”
A língua do homem começa a ser puxada do corpo dele, é possível
ouvir o homem agonizando de dor enquanto a língua se rasga, sangue
escorre junto com sua fala, sua língua se rasga em duas.
No mesmo instante…
“SEU DESGRAÇADO!!!”
O homem que estava segurando a espada contra o pescoço de Edyard
grita e corta o pescoço de Edyard de um lado ao outro.
Sangue escorre enquanto a cabeça cai no chão, junto com ela, todos
seus nervos se murcham e a carne pulsa como um coração.
Seus ossos do pescoço parecem se rachar.
O homem, com a espada ensanguentada, reclama com Edyard.
“Filho da puta…”
Os ossos do pescoço de Edyard começam a se esticar até a cabeça.
“QUE PORRA É ESSA?”
O homem corre e corta o osso que estava se ligando até a cabeça de
Edyard.
Todo o sangue e o pó de osso que estava no chão começa a se reunir,
mesclando a cabeça de volta ao corpo.
O homem tenta cortar de novo, mas a mão do corpo decapitado de
Edyard segura a espada.
A cabeça se reconecta ao corpo.
Edyard se levanta da cadeira, ainda segurando a espada, ele decide
andar na direção do homem.
“Nunca viu algum imortal na vida?”
O homem é instantaneamente atravessado por diversas estacas
negras feitas do mais puro Vazio.
Sangue escorre pela boca do homem.
“Olhe ao redor, seus amiguinhos bandidos estão todos indo com você.”
Assim que o homem empalado olha ao redor, ele vê… todos os outros
elfos que estavam ali, caídos no chão, sem cabeça no corpo.
Edyard pula sobre o homem e se apoia nas estacas que estavam
atravessando o homem.
Edyard, agora em cima do homem, usa as duas mãos, com uma, ele
segura a mandíbula do homem, com a outra, Edyard segura o maxilar.
Edyard começa a forçar a mandíbula para baixo enquanto força o
maxilar para cima, a pele do canto da boca do homem começa a se
rasgar, a mandíbula estala e desloca, a pele se rasga por completo…
Edyard continua forçando a boca.
Vários ossos na cabeça começam a se quebrar, até que a boca é
completamente arregaçada, a parte superior a mandíbula é virada 90
graus para trás, enquanto a mandíbula fica reta, no exato mesmo local
onde o processo iniciou… uma poça de sangue e pedaços de ossos é
formada dentro da boca arregaçada do homem.
Edyard desce de volta para o chão, enquanto as estacas se desfazem,
deixando quatro buracos enormes no corpo do homem, o homem cai
no chão após as estacas deixarem de sustentar o corpo,
completamente morto, o sangue escorre pela boca e corre até os pés
de Edyard.
Edyard balança os pés para tirar o sangue.
“Que nojo…”
Edyard se aproxima do corpo com a cabeça desfigurada…
Assim que ele chega perto, ele chuta a cabeça do homem, assim que
ele faz isso, o pescoço começa a girar em torno de si mesmo, a força
do chute arranca a cabeça do corpo.
A cabeça é arremessada pelo chute até uma árvore, assim que a
cabeça colide com a árvore, a cabeça explode em ossos e músculos, os
miolos do cérebro se enroscam no tronco da árvore, enquanto o resto
da cabeça se torna pedaços de ossos e carne que voa e bate nas
árvores, manchando todas de sangue.
Assim que Edyard ouve passos, todo o sangue desaparece com uma
gosma que suga tudo imediatamente.
Ele olha para a cabana, e Mari sai de lá, se espreguiçando.
“Ah, oi Satus, acordou cedo…”
Um pouco sonolenta, ela anda até Edyard.
“Vamos voltar a andar quando?”
Edyard, incerto sobre a pergunta, diz:
“Ah, posso fazer comida para você, depois disso nós vamos.”
Se passam 3 dias…
“Ei Satus, por quanto tempo você tem procurado pelos Arqui-Elfos?”
Externamente, é de manhã, o local que estão é um área diferente da
mesma floresta…
Mas a cabana é a mesma.
Ambos conversam dentro da cabana, enquanto Edyard se deita na
cama.
“Desde… desde 2 anos atrás.”
Mari começa a fazer algumas perguntas enquanto se senta na cama
dela.
“Ei, você sempre me protege dos animais da floresta, nem sequer me
feri gravemente até agora… você sempre me tratou bem, mas o que
você ganha com isso?”
Edyard, calmamente responde as pergunta.
“Uma companhia na minha pequena jornada.”
Mari se levanta e se aproxima da cama de Edyard.
Enquanto se aproxima, Mari expressa sua indignação.
“Você diz isso, mas você me trata como uma criança, eu sou uma
adulta, posso fazer coisas que uma adulta faria…”
Edyard rapidamente interrompe.
“Hoje não, está dormindo perto demais de mim, e é claro que vejo
você como uma adulta, eu não preciso ter relações íntimas com você
para te enxergar como um adulta.”
Mari fica decepcionada.
“Como assim? Não faço seu tipo… é isso?”
Edyard explica a situação.
“Eu não quero sentir algo assim, esse sentimento pode me manipular,
então eu nem sequer tenho… aquilo… embora eu possa recriá-lo a
qualquer momento.”
Instantaneamente, Mari se assusta com a afirmação de Edyard.
“Espera, você retirou de propósito?”
Edyard balança a cabeça concordando.
Mari segura uma das mãos de Edyard.
“Eu vou fazer você se apaixonar por mim, afinal, se apaixonar não
depende de sentir atração sexual.”
Mari solta a mão de Edyard, ambos ficam completamente
envergonhados.
Mari solta e se deita na cama separada.
Ainda envergonhados, Mari começa a falar:
“Me desculpa por isso… Quando encontrar o que quer, pode me
manter por perto? Quero poder te ajudar.”
Edyard parece mais calmo.
“Claro, não vejo problemas, afinal… você é minha amiga.”
Mari fica levemente emburrada, e coloca a cara no travesseiro e se
deita.
“Enfim, Mari, vamos indo, dessa vez… nós vamos de um jeito mais
rápido.”
Mari levanta a cabeça e olha com dúvida para Edyard.
“Mais rápido?”
Edyard começa a sair da cabana.
“Só me siga.”
Mari se levanta e sai da cabana com Edyard.
Edyard para na frente da cabana.
“Me dê sua mão.”
Mari, ao ouvir aquilo apenas estica a mão.
“Tá bom…”
Edyard levanta a mão direita para cima, e com a esquerda, ele segura
a mão de Mari.
No alto, uma gosma preta toma o dedo indicador de Edyard, e faz
crescer uma grande e pontuda unha.
Mari olha com algumas dúvidas para a unha.
Mas Edyard ignora qualquer defesa do seu corpo, e finca a unha em
seu braço esquerdo, a unha grande atravessa de um lado ao outro, seu
sangue começa a pingar.
“O QUE VOCÊ TA FAZENDO?”
Mari grita com Edyard, ao perceber que ele estava se ferindo.
Edyard olha para Mari e sorri.
“Você tá bem?”
Após ouvir a pergunta de Mari, Edyard fala sem nenhuma dor em sua
voz:
“Claro!”
Chifres gigantes aparecem na cabeça de Edyard, eles brilham em roxo.
Edyard fecha os olhos, e começa a recitar calmamente:
“Que o futuro venha como lâmina… Que cada segundo seja gravado
nos meus ossos. Rasgue-me com os séculos, marque minha carne com
as décadas, queime meus músculos com os dias. Eu não fujo do agora.
Eu o atravesso… Com dor… Com sangue… Com ódio… Caminho das
Mil Dores!”
Ao terminar, Mari consegue ver a realidade se quebrar na sua frente,
ela tenta abrir a boca, mas não consegue… Tudo começa a se dobrar
ao redor, ao olhar para o lado, ela enxerga Edyard, seus olhos
sangram, seu corpo inteiro está coberto por uma queimadura enorme
que cobre mais da metade do corpo.
Todo o redor começa a se refazer, a cabana que eles estavam usando,
está completamente acabada, completamente podre, a grama parece
ter crescido, e diversas alterações que acontecem com o tempo.
Após tudo isso, Mari consegue se mexer normalmente,
instantaneamente, ela vira para o lado.
“SATUS!! O QUE É ISSO?!”
Ela vê Edyard de pé, mas com sangue saindo da boca dele, seus olhos
completamente vermelhos de sangue, a parte do cabelo que tampa os
ouvidos está completamente vermelha.
Mas Edyard vira para Mari, com seu rosto completamente queimado, e
com um leve sorriso no rosto, ele diz:
“Se acalma, tá tudo bem.”
<$Scr_H::3>Caminho das Mil Dores<!$Scr_H::3>
Elemento: Vazio
Tipo: Temporal-Absoluto
Alcance: pessoal
Efeito:
Este feitiço lança o conjurador diretamente ao futuro, avançando o
tempo real ao redor dele.
O usuário desaparece do fluxo normal do tempo e reaparece
exatamente no número de dias, anos ou séculos escolhidos — no
mesmo lugar físico onde lançou o feitiço, se ele ainda existir.
Durante esse salto, o corpo do usuário experiencia o tempo como dor
condensada — como se cada segundo fosse uma queimadura, corte ou
esmagamento contínuo. Quanto maior o salto, maior o sofrimento.
Método de ativação:
O conjurador deve cravar as unhas na própria carne, fazendo o sangue
escorrer, e recitar com a voz trêmula:
“Que o futuro venha como lâmina.
Que cada segundo seja gravado nos meus ossos.
Rasgue-me com os séculos,
marque minha carne com as décadas,
queime meus músculos com os dias.
Eu não fujo do agora.
Eu o atravesso…
Com dor.
Com sangue.
Com ódio.
Caminho das Mil Dores!”
Atenção:
Desgaste Nervoso: A cada dia avançado, o corpo do usuário sente
como se tivesse vivido aquele dia em forma de dor contínua.
Queimaduras, dores nos ossos, espasmos musculares e convulsões
fortes são comuns após o retorno.
Sangramento Interno: Quanto maior o salto, maior o trauma físico.
Saltos de meses causam hemorragias internas, vômitos de sangue,
fraturas espontâneas e até deslocamento de articulações por tensão
mágica.
Exaustão Total: Ao fim do feitiço, o usuário não consegue se mover por
longos períodos. A musculatura treme, os olhos sangram e a pele pode
apresentar bolhas e rachaduras como se tivesse sido exposta ao sol
por anos.
Sensibilidade ao tempo: Após o uso, qualquer passagem de tempo se
torna dolorosa temporariamente. O usuário sente dor ao ver a luz do
sol se mover, ou ao perceber a mudança das horas no relógio, como se
seu corpo estivesse sendo reaberto.
Mari, olha completamente incrédula para Edyard.
“Nã-não tá doendo?”
Edyard fala calmamente:
“Já menti muitas vezes, dizendo que dor é algo que eu não sinto, mas
obviamente… isso era para doer, mas depois de sentir tantas vezes a
mesma sensação… algo em mim praticamente parou de se importar.”
Mari coloca a mão nas queimaduras do rosto de Edyard.
“Isso… deve doer muito.”
Depois que Mari diz isso, o sangue que havia saído retorna para dentro
de Edyard, toda a queimadura começa a se desfazer, juntamente com
a unha e os chifres enormes.
Edyard com confiança diz:
“Agora… nós temos 1 dia para chegar até Velkar.”
Mari começa a ficar desesperada.
“QUE?! COMO ASSIM? VOCÊ ACELEROU O TEMPO?!”
Edyard dá algumas risadas e diz:
“Exatamente. Mas tudo bem, só segurar na minha mão de novo.”
Mari tenta relaxar, e novamente segura na mão de Edyard.
Uma linha negra saí do corpo de Edyard, depois de mais ou menos 1
segundo…
Edyard e Mari reaparecem na frente de um portão enorme, com uma
muralha gigante.
“Pronto!”
Dois guardas humanos começam a andar na direção deles.
“Ei! Vocês, de onde vieram, vocês não estavam aqui antes…
estavam?”
Mari toma a frente e começa a falar com um pouco de vergonha.
“E-então, nós viemos da floresta, e queríamos saber se a gente pode
passar.”
Os dois guardas se olham por um tempo, e o que estava falando
responde:
“Você é elfa certo?”
“Si-sim.”
“Podem passar.”
Todos os quatro andam na direção do portão, os dois guardas abrem o
portão e deixam ambos passarem.
Depois que passam, Edyard vira para Mari.
“Eles estão precisando de povos de outras raças não é?”
Mari confirma, mas fica um pouco curiosa.
“Sim! Mas como sabia disso?”
Edyard aponta para o próprio olho direito.
“Esse olho aqui, é um presente de uma amiga Alto Elfa.”
O olho direito, que antes era roxo, fica amarelo.
Mari fica ansiosa.
“Sério!! Sempre quis entender como funciona a leitura de mente deles,
então é pelos olhos?! Que legal!”
Ela nem sequer questiona a forma de como Edyard conseguiu o olho…
depois de um tempo, o olho fica roxo novamente.
Eles começam a andar pela cidade, ao redor, tem casas de todos os
tipo, casas chiques, casas de classe média… mas não há casas pobres.
É um lugar muito bem iluminado, em todos os cantos tem pessoas
conversando, homens, mulheres e crianças, todos conversam
pacificamente.
Enquanto andam, Edyard pergunta para Mari:
“Ei, onde fica o palácio?”
Mari aponta para frente, depois de uma praça com uma fonte no
meio… há um enorme palácio na distância.
Edyard agradece calmamente.
“Obrigado Mari.”
Eles andam na direção do palácio.
Enquanto anda, Edyard começa a observar a cidade… enquanto passa
pela praça, ao olhar para o lado, ele enxerga várias crianças saindo
felizes de um lugar, ao olhar para o nome do lugar… Colégio
Fundamental de Magia.
Assim que ele olha isso, sua visão fica turva, ele se ajoelha no chão,
após isso ele vira a cabeça pro chão e começa a vomitar uma gosma
preta.
Todos ao redor começam a olhar com nojo, mas Mari corre na direção
de Edyard.
“Satus!!”
Ao chegar, Mari levanta a cabeça de Edyard, e ao olhar para ele, ela
enxerga… desespero, seu semblante é desesperador, seus olhos são
profundos, sua boca escorre a gosma.
Edyard começa a tremer, seu corpo começa a suar… mas não sai suor,
ele está suando sangue, o mais profundo terror é possível ver através
de seus olhos.
Na cabeça de Edyard, ele consegue ver, memórias sobre sua infância,
porém todas estão desorganizadas e quebradas, todos esses anos
estão sendo jogados diretamente no cérebro de Edyard, isso não
acontece apenas uma vez, ele se lembra diversas vezes das mesmas
coisas repetidas vezes, mas não consegue identificar o que é, sua
mente começa a colapsar.
“SATUS! ACORDA!!!”
No instante que Mari fala aquilo, Edyard parece parar de tremer, e
novamente o sangue retorna para o corpo.
A face do desespero se torna um sorriso inocente.
“Me desculpa por isso…”
Mari dá um tapa no rosto de Edyard.
“Para de fazer essas coisas!”
Edyard continua sorrindo, e toda aquela gosma que estava no chão…
desaparece.
Edyard olha novamente para o colégio.
“O que foi isso? Mesmo não podendo, eu senti que iria morrer…
enquanto tudo aquilo passava pela minha mente, eu sentia felicidade,
mas era tanta coisa sem o mínimo de sentido… aquilo realmente
doeu.”
Edyard se levanta e toca as costas de Mari.
“Vamos.”
Mari fica andando ao lado de Edyard, e olhando atenciosamente para
ele.
Assim que eles sobem as escadas que levam ao palácio, um guarda
bem equipado com uma armadura prateada para eles.
“Sabe que aqui é o palácio não é?”
Edyard olha diretamente para o guarda, e casualmente começa a
dizer:
“Queria ver o Rei, tenho assuntos pendentes com ele faz mais de 3
anos.”
O guarda parece ser compreensivo, mas recusa o pedido de Edyard.
“Me desculpe, entendo seu lado, mas ele está se preparando para a
audiência com o representante da Sociedade Arqui-Elfa.”
Edyard pede novamente para o guarda.
“É que minha filha fica aqui, e precisava falar com ela, poderia me
deixar entrar?”
O guarda não entende o que Edyard quer dizer.
“Sua filha? Quem é sua filha?”
Edyard dá um leve sorriso.
“Yuria… Yuria Inanis.”
O guarda começa a gaguejar enquanto fala:
“A-ah, me perdoe… vo-vou avisá-la.”
O guarda abre a porta do palácio e entra lá dentro…
Em um escritório do palácio…
“Arthur, acha mesmo que deve aceitar essa oferta desses
mercadores?”
Yuria está de pé ao lado de Arthur, que está sentado olhando pensativo
para um documento… A sala é bem luxuosa, com algumas poltronas
confortáveis feitas de tecido de alta qualidade, tem duas estantes de
livros na parede da sala, toda a sala é iluminada por um grande lustre
no teto da sala.
Arthur responde roendo os dedos.
“Pensando bem, talvez seja melhor não aceitar, eles são de fora, e
também possuem pouco histórico de trocas, acho que vou recusar.”
Logo após Arthur concluir o raciocínio, ele ouve batidas na porta.
“Pode entrar!”
Yuria permite a entrada.
Assim que a porta se abre… o guarda entra na sala rapidamente.
“Vossa Majestade… o homem que você queria estabelecer relações
apareceu.”
Tanto Arthur quanto Yuria ficam sem entender.
O guarda diz o nome:
“Satus está lá fora, e quer falar com a filha dele.”
Os olhos de Arthur brilham, Yuria abre um largo sorriso de alívio.
Arthur, feliz, dá a ordem ao seu guarda.
“Mande ele vir até aqui agora!”
Yuria fica empolgada assim que o guarda sai da sala.
“Arthur… finalmente vou ver ele, assim que ver… eu vou dar um longo
abraço.”
Ambos ouvem passos vindo da porta, e assim que o homem começa a
entrar na sala, eles enxergam, longos cabelos cinzas, um rosto jovem e
um longo manto preto cobrindo o corpo todo.
Edyard entra na sala, e ao olhar para a figura em sua frente, ele
paralisa… Arthur, assim que Edyard vê ele, ele lembra, ao ver os
cabelos azuis que se estendem até os ombros, esse rosto tão jovem
quanto o dele, e essa bela roupa, um manto vermelho, com
vestimentas brancas.
Depois de travar por um instante, Edyard continua andando, ele vai
até a frente da mesa de Arthur, e se ajoelha.
“Vossa Majestade…”
Antes que Edyard possa falar algo, Yuria corre na direção de Edyard,
abraçando ele com tudo.
“SATUS!!! VOCÊ VOLTOU!!!”
A felicidade na voz é aparente, Edyard segura Yuria calorosamente, ele
começa a falar com a voz um pouco trêmula.
“Me perdoe por ter ficado longe de você, Yuria.”
Mas em contraste com isso tudo, o rosto de Arthur é de alguém que
está visivelmente abalado com a situação.
Edyard afasta Yuria um pouco.
“Yuria, espere um pouco, tenho que falar com ele.”
Mas na hora que ele olha para frente novamente, ele enxerga Arthur
de pé, que anda tremendo um pouco.
Ao chegar na frente de Edyard, ele se abaixa, e com lágrimas nos
olhos, a voz quase não sai.
“Você…”
Arthur segura o rosto de Edyard, e com as lágrimas formando uma
poça nos olhos, Arthur finalmente diz algo.
“E-Edy?”
Edyard olha para Arthur, sem conseguir se lembrar de nada sobre
aquele homem… mas mesmo assim, Edyard abraça Arthur.
“Sim… sou eu, seu irmão.”
Arthur abraça Edyard com força.
Arthur começa a soluçar de tanto chorar.
E com a voz trêmula, Arthur expressa aquele sentimento que estava
impregnado no peito.
“Edy… me-me desculpe… eu não consegui te salvar… eu não sabia o
que fazer, qu-quando eu te vi naquela situação… eu tentei de tudo,
ma-mas de repente eu desmaiei junto com uma explosão.”
Edyard, com uma voz triste… conta a verdade.
“Arthur, me perdoe, mas eu não lembro de nada.”
O rosto de Arthur, cheio de lágrimas, se afasta. Arthur coloca suas
mãos no ombro de Edyard e pergunta.
“Como assim?”
Edyard olha, e a frase que ele diz atravessa todo o peito de Arthur,
ouvir isso é uma tortura.
“Eu não me lembro de tudo que nós vivemos juntos, tudo isso que
você disse… eu não me lembro de acontecer.”
Arthur olha com uma cara deprimida para Edyard.
“É sério?”
Edyard fala calmamente:
“Me ajude… eu quero muito me lembrar… me lembrar de tudo que
vivemos juntos.”
Arthur caminha até Yuria.
“Tem alguma ideia de algo que pode fazer ele se lembrar?”
Yuria fala calmamente:
“Vamos nos sentar ali.”
Yuria aponta até as cadeiras acolchoadas.
Após todos se sentarem, eles ficam conversando por alguns minutos,
até que a Yuria se lembra de algo.
“Eu estudei um pouco sobre vários assuntos diferentes, eu encontrei
uma coisa, se chamava Cubo de Mnemosyne, também chamado de
Cubo da Reminiscência, é um item capaz de absorver memórias e
retorná-las ao corpo, ou transferir para outros. Mas tem uma outra
função, essa é, recriar momentos que a pessoa já viveu, mesmo que
eles tenham sido esquecidos.”
Arthur olha empolgado.
“Onde ele tá agora?”
Yuria fala com a voz um pouco desanimada:
“Com a Sociedade Arqui-Elfa.”
Edyard abre um largo e macabro sorriso.
Arthur olha pro lado e pergunta.
“Pensou em algo, Edy?”
Edyard começa a falar calmamente.
“O Kaen vai vir aqui amanhã, eu já tinha planejado matar ele, então
agora… é só eu forçá-lo a entregar o cubo.”
Arthur fica confuso.
“Desde quando você ficou tão violento assim?”
“Acho que… desde que ele matou meu amigo”
Arthur olha para Edyard e fala:
“Eu não quero te perder de novo, tenho plena consciência da sua
força, mas o Kaen é um monstro, acha mesmo que consegue
enfrentar?”
Edyard olha confiante.
“Claro.”
Arthur abraça Edyard.
“Depois que você vencer ele… nós faremos uma festa… tem um
quarto no palácio que ninguém usa, pode usar se quiser.”
Edyard sorri.
“Tenho uma companheira comigo, tem espaço pra ela?”
“O quarto tem duas camas.”
Depois de um tempo…
“Caramba, esse quarto é enorme.”
Mari começa a olhar para o quarto, tem vários móveis, duas camas
grandes, e uma vela acesa que atualmente é a única fonte de luz, pois
através da janela apenas é possível ver a escuridão da noite e a
iluminação das ruas.
Edyard se deita em sua cama.
“Hoje eu quero refletir um pouco, então queria dormir sozinho.”
Mari fica irritada.
“De novo?! Quantas vezes eu vou ter que ficar dormindo sozinha?”
Edyard, um pouco culpado, tenta se justificar.
“É só por hoje vai, quero pensar um pou…”
Mas Mari interrompe, com raiva em sua voz.
“Tá tudo bem, eu já entendi.”
Mari afunda a cara no travesseiro.
Edyard apenas ignora aquela situação.
Horas se passam… Edyard permanece parado no mesmo lugar.
“Toda essa situação… eu encontrei a Yuria, finalmente eu tô perto de
recuperar minhas memórias… mas por quê? Por que eu sinto que isso
tá tão vazio? Parece que tudo isso é… sem vida.”
Enquanto Edyard pensa em tudo isso, lágrimas caem de seu rosto.
“Será que isso é ruim só pra mim, esse gosto amargo na garganta.”
Ao olhar para o lado, ele enxerga algo, na cama de Mari, ele vê o
tecido maculado com o sangue dela, todo aquela dor que ele sentia…
tudo isso se intensifica.
Edyard levanta da cama, ao chegar na cama de Mari, ele percebe um
furo no peito de Mari, no furo há uma gosma que parece percorrer, de
um lado ao outro, ao olhar para o rosto dela, ele vê, um semblante
vazio, um semblante… morto.
“…Como assim?”
Edyard não tem palavras para expressar seus sentimentos naquela
hora, mas seu redor consegue mostrá-los. O quarto começa a rachar,
um terremoto começa na cidade toda, os chifres de Edyard
reaparecem, lentamente enquanto Edyard anda, seu redor começa a
se desintegrar.
Edyard começa a pensar de forma irracional:
“Eu disse para ela que ela tava segura comigo não é? Então… como
ela tá morta? Não… ela não tá morta… ela tava naquela cidade elfa
não é? Ela tá viva… viva… ela tá.”
Edyard começa a andar na direção da cidade que eles se encontraram
pela primeira vez, enquanto ele anda, ele não pensa em abrir a porta
do quarto, ele simplesmente anda pela rota mais curta, a parede,
assim que ele anda na direção da parede, ela se desintegra…
Ninguém tá acordado naquele momento, então ele apenas continua
andando, todas as paredes do palácio se desintegram assim que
Edyard chega perto delas.
Assim que ele sai do palácio, ele vai direto para uma floresta, ao
chegar na floresta, todas as árvores em um raio de 500 metros
começam a morrer, as folhas caem, a grama seca, e o ar se torna
venenoso, todos os animais começam a apodrecer vivos.
Edyard apenas continua andando, lentamente.
“Eu tenho que pedir desculpas para ela, ela tava brava comigo não
tava? Espera… eu vou pedir desculpas pelo que mesmo? Eu não me
lembro… ah lembrei, ela queria dormir junto comigo não é? Vou pedir
desculpas.”
Arthur aparece atrás de Edyard, correndo e ofegante.
“Edy!! Onde você tá indo?!”
Mas depois que Arthur estica a mão, ele percebe, sua mão ficou podre.
Ele ajoelha no chão, impotente.
“Você vai partir? De novo?”
Mas Edyard ignora completamente.
Ao invés de Edyard, agora aquilo que anda sobre a terra é apenas uma
aura escura e espessa, não é possível ver Edyard, toda aquela aura
cobre a visão de Arthur.
Arthur não chora, seu semblante é triste e deprimente, ele começa a
voltar.