Títulos de Crédito
VI – CLASSIFICAÇÃO
1. Quanto à estrutura
1.1. Ordem de pagamento: estruturam-se três partes, a saber: a parte que dá a ordem
(sacador – emite o título), a parte que deve cumprir a ordem (sacado – contra quem o
título é emitido) e a parte que é a beneficiária da ordem (tomador – em favor de quem o
título é emitido). (cheque, letra de câmbio e duplicata mercantil).
O sacador manda o sacado pagar ao tomador, por isso que é uma ordem de pagamento.
No momento do saque, o sacador não se manifesta anuindo que irá pagar. O que existe,
neste momento, é uma ordem do sacador para alguém pagar.
O sacado assume obrigação cambial por meio de um ato cambiário específico que é o
ACEITE. (atenção que o cheque não comporta aceite, pois é sacado contra uma instituição
financeira, que não participa diretamente da relação cambial).
Nada obsta que uma única pessoa assuma simultaneamente o papel de duas partes. No
caso da duplicata, por exemplo, geralmente o sacador e o tomador são a mesma pessoa.
1.2. Promessa de pagamento: estruturam-se apenas duas partes: a parte que promete
efetuar o pagamento (sacador ou emitente) e a parte que é a beneficiária dessa promessa
(tomador, beneficiário). (nota promissória)
2. Quanto à emissão
2.1. Causal: só podem ser emitidos a partir da ocorrência de determinado fato previsto na
lei, estando, pois, vinculados à sua origem. É o caso, por exemplo, da duplicata, que só
pode ser emitida para documentar a realização de uma compra e venda mercantil
(duplicata mercantil) ou um contrato de prestação de serviços (duplicata de serviços). Não
pode ser emitida para outros fins.
2.2. Não causal (abstrato): podem ser emitidos a partir da prática de qualquer ato lícito.
Não está condicionada a nenhuma causa pré-estabelecida em lei. Cheque, nota
promissória e letra de câmbio).
Cuidado, pois a Lei das Duplicatas veda o saque de Letras de Câmbio em substituição às
duplicatas.
Não confundir o título abstrato (que podem ser emitidos em qualquer situação lícita) com
o princípio da abstração (desvinculação do título da relação jurídica fundamental após
colocados em circulação – aplicável a todos os títulos, inclusive os abstratos).
3. Quanto ao modelo: essa classificação refere-se ao layout da cártula (todos os
títulos de crédito possuem requisitos legais próprios, previstos em Lei).
3.1. Livre: a lei não estabelece uma padronização obrigatória, ou seja, a sua emissão não
se sujeita a uma forma específica pré-estabelecida. Pode adotar qualquer formato e ter os
requisitos legais lançados sob qualquer tipo de papel. (letra de câmbio e nota promissória
podem ser criados em qualquer folha de papel)
3.2. Vinculado: se submete a uma rígida padronização, fixada pela legislação cambiária
específica, só produzindo efeitos legais quando preenchidas as formalidades legais
exigidas. Deve observar o formato normativo, lançando-se os requisitos legais somente
no tipo de papel aceito pelo legislador. (cheque e duplicata)
4. Quanto à circulação
4.1. Portador: são aqueles que não identificam o nome do credor, circulando com a metra
tradição (ato de entrega da cártula). Quem a detém presume-se ser o seu legítimo
proprietário.
4.2. Nominativo: identificam expressamente na cártula o nome do credor. Exigem uma
transferência solene, por escrito, não bastando a mera tradição.
4.2.1. A ordem (endossável, circulável): Nos títulos nominais à ordem, o formal de
transferência do título é o endosso, típico do regime jurídico cambial. Os títulos de
crédito, são títulos nominais à ordem por natureza.
4.2.2. Não a ordem (não endossável, não circulável): nos títulos nominais não à ordem
(outros documentos representativos de dívida, que não se enquadrem na definição de
título de crédito), esse ato formal de transmissão é a cessão civil, que se submete ao
regime jurídico civil.
É possível a transformação de um título de crédito nominal à ordem em um título de
crédito nominal não à ordem. Exemplo: O cheque. Uma vez riscada a expressão “ou à sua
ordem”, haverá transformação, sendo possível a transferência do título apenas por cessão
civil de crédito. Cuidado, pois não há vedação da transmissão do título, mas vedação da
aplicação do regime cambiário em caso de cessão.
5. Quanto à previsão em Lei
5.1. Típicos (ou nominados): estão previstos em lei que lhe dá um nome e regula o seu
conteúdo.
5.2. Atípicos (ou inominados): não têm previsão legal, sendo criado pela necessidade das
partes da relação jurídica fundamental. Há discussão sobre a possibilidade de classificar
esses documentos representativos de obrigações como títulos de crédito. Alguns
defendem que, na verdade, são documentos representativos de obrigações sem qualquer
vinculação ao regime cambiário. Outros, sustentam a sua existência ante a expressa
permissão prevista no Código Civil.
6. Quanto à finalidade e o regime jurídico aplicado
6.1. Próprios: são aqueles cujo escopo é representar uma obrigação pecuniária,
submetendo-se ainda aos princípios do direito cambial (cheque, NP, DM e LC).
6.2. Impróprios: não documentam uma obrigação pecuniária ou então não se submetem
totalmente ao regime jurídico do direito cambiário. Esses títulos estão sujeitos a regime
jurídico próprio, similar ao cambial, mas não idêntico (cambiariforme).
6.2.1 títulos de legitimação
É um documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele
mencionado atinente à fruição de uma prestação de serviços, acesso a prêmio ou ingresso
em recinto. Exemplos: bilhetes de metrô, de loteria e de cinema.
Aludidos títulos tem um regime jurídico similar ao direito cambiário, porquanto
submetem-se aos princípios da cartularidade, literalidade e autonomia, mas, ao contrário
dos títulos de crédito próprios, não são títulos executivos extrajudiciais.
6.2.2. títulos representativos
Documento necessário para o exercício de direito literal e autônomo nele mencionado,
correspondente à demonstração da propriedade sobre determinada mercadoria custodiada
por terceiro.
É o caso do warrant e conhecimento de depósito, que são títulos emitidos pelos armazéns
gerais (guardiões de mercadorias) e do conhecimento de frete (título emitido por empresas
de transporte para documentar a mercadoria que está sendo transportada).
Estes títulos seguem uma disciplina praticamente idêntica ao direito cambial, admitindo,
inclusive, o endosso, sujeitando-se aos princípios da cartularidade, literalidade e
autonomia, todavia, eles não representam uma obrigação pecuniária, divergindo, quanto
à finalidade, dos títulos de crédito próprios.
6.2.4. Títulos de financiamento
O título de financiamento é o emitido pelo credor com a finalidade de documentar a
existência do crédito e ainda servi-lo como direito real de garantia. (hipoteca cedular,
cédula rural pignoratícia, cédula de crédito industrial, cédula de crédito comercial e
cédula de crédito à exportação).
6.2.5. Cédula de crédito
A cédula de crédito é promessa de pagamento, com garantia real, cedularmente
constituída, emitida pelo devedor em favor da instituição financeira que lhe concedeu
financiamento.
Denomina-se cédula pignoratícia se a garantia consistir em penhor; e cédula hipotecária,
se a garantia for uma hipoteca. Se não houver garantia real, denomina-se nota de crédito.
A cédula de crédito, para valer perante terceiro, precisa ser registrada no Cartório de
Registro de Imóveis.