Teste de Apercepção
Temática - T.A.T.
Curso de Psicologia
Universidade São Francisco
Componente Curricular: Avaliação da Personalidade e Técnicas
Projetivas
Fundamentos da Técnica
Projeção (conceito freudiano): atribuição de
características internas indesejáveis (sentimentos,
pensamentos) ao outro, evitando o reconhecimento
de tais características em si.
Além de atuar como mecanismo de defesa (conflitos), a projeção também atua
no processo de percepção do mundo externo (independente de conflitos):
experiências anteriormente percebidas são acionadas para a percepção de
experiências atuais.
Projeção: termo mais comumente ligado aos mecanismos de defesa.
Percepção: termo mais ligado aos processos psicológicos básicos da psicologia.
Ballak (1967) propõe o termo “APERCEPÇÃO”
para designar a interpretação (subjetiva) diante
dos estímulos percebidos (percepção objetiva)
Assim, há sempre uma “distorção aperceptiva” (ex.: lâmina 1 - menino e lago -
feliz, triste, ambicioso etc - graus de distorção).
Henry Murray (1893 - 1988)
● História e Artes em Harvard
● Medicina
● Influências de Freud e Jung
● Estudos sobre os fatores constituintes da
● personalidade (emoções, preferências, tendências
cpto e caracs. relacionais - fatos que compõem a história da pessoa)
❖ Personologia (teoria motivacional de Murray): necessidade e pressão.
● Necessidade: forças internas ou externas que geram tensão - busca por ação
que gere satisfação / redução da tensão / restabelecimento de equilíbrio. A
identificação de uma necessidade pode ser feita a partir dos comportamentos
(ações que buscam satisfação) e da reação da pessoa diante dos resultados
desse cpto (satisfação ou desapontamento), assim como pelas expressões
afetivas que acompanham toda necessidade (sentimento/ emoção).
● Pressão: se refere aos determinantes externos que facilitam ou dificultam a
satisfação da necessidade, assim como a percepção que a pessoa tem do
ambiente.
Assim, a personalidade se refere a um “compromisso entre os impulsos do
indivíduo e as demandas do ambiente”.
A compreensão da pessoa depende da identificação de suas necessidades e
das pressões que ela percebe em seu meio, assim como a direção de suas
atividades (mentais, verbais e físicas) - níveis de personalidade.
T.A.T.
Murray e Christiana Morgan (assistente) escolheram o material para o TAT a
partir de imagens em revistas, fotos de filmes, pinturas em museus
(redesenhados): ”situações dramáticas, contornos imprecisos, impressão
difusa e tema inexplícito”.
Aspectos da personalidade são identificados a partir de duas tendências:
➢ Interpretar situações/imagens ambíguas a partir de experiências passadas e
anseios presentes
➢ Compor histórias também a partir de experiências, expressando sentimentos
e necessidades (cs e ics)
Materiais
Total de 31 pranchas (11 universais e 20 específicas (gênero e idade)
Aplicação: 20 pranchas (na sequência numérica)
Duração: 1h p/ 1o conjunto (mais estruturado) e 1h p/ o 2o (menos estruturado)
PRANCHAS TEMÁTICAS
Instruções
A preparação do sujeito e do ambiente envolve a cordialidade e o acolhimento
favoráveis à livre imaginação e criatividade (em alguns casos, atividades prévias que
estimulem a expressão, como outros testes ou brinquedos).
Forma A:
“Este é um teste de imaginação que é uma das formas de inteligência. Vou mostrar-
lhe algumas pranchas, uma de cada vez, e a sua tarefa será inventar, para cada uma
delas, uma história com o máximo de ação possível. Conte-me o que levou ao fato
mostrado na prancha, descreva o que está acontecendo no momento, o que as
personagens estão sentindo e pensando. Conte depois como termina a história.
Procure expressar seus pensamentos conforme eles forem ocorrendo em sua
[Link]ê compreendeu? Como você tem 50 minutos para as 10 pranchas, você
pode utilizar cerca de 5 minutos para cada história. Aqui está a primeira prancha”.
Forma B:
“Este é um teste para contar histórias. Eu tenho aqui algumas pranchas que vou
lhe mostrar. Quero que você faça uma história para cada uma delas. Conte o que
aconteceu antes e o que está acontecendo agora. Fale o que as pessoas estão
sentindo e pensando e como termina a história. Você pode fazer o tipo de história
que quiser. Compreendeu? Bem, então aqui está a primeira prancha. Você tem 5
minutos para fazer uma história. Faça o melhor que puder”.
Segunda sessão: intervalo mínimo de 1 dia - enfatizar instrução sobre liberdade
de imaginação.
Forma A: “Vamos fazer hoje o mesmo que da outra vez. Só que agora você pode
dar toda a liberdade à sua imaginação. Suas dez primeiras histórias estavam
ótimas, mas você se limitou demais aos fatos do dia-a-dia. Agora, eu gostaria de
ver do que você é capaz quando deixa de lado as realidades comuns e põe sua
imaginação para funcionar, como acontece num mito, nas histórias de fadas ou
numa alegoria. Aqui está a primeira prancha”.
Forma B: “Hoje vou lhe mostrar mais algumas pranchas. Será mais fácil porque as
pranchas agora são bem melhores, mais interessantes. Você me contou ótimas
histórias outro dia. Agora quero ver você fazer algumas outras. Se puder, faça-as
mais emocionantes do que as outras - como sucede num sonho ou num conto de
fadas. Aqui está a primeira prancha”.
*Importante que o examinador não diga palavras que gerem suspeita de que o
conteúdo será avaliado pelo conteúdo da associação livre. Mas, que ele acredite
que o aplicador está interessado apenas em sua aptidão criativa (literária).
*Discretos elogios podem estimular a imaginação e a narrativa.
*Questionamentos podem ser feitos: como o personagem reagiu, o que
desencadeou tal situação, como se sentiu e o desfecho.
*Sinalizar o tempo (se usou 3 minutos, pode dedicar mais tempo)
*Interromper histórias demasiado longas, detalhes ou descrição da prancha,
direcionando para o desfecho da história
Análise e interpretação das histórias
Examinador: desprendimento de suas próprias questões e capacidade de
empatia. Experiência clínica (observação, entrevista, testes). Conhecimentos
teóricos psicodinâmicos. Treino.
Informações prévias: sexo, idade, pais vivos e/ou separados, irmãos (idade e
sexo), profissão, estado civil.
Tipo de análise de conteúdo: cada história / evento deve ser analisado em
relação:
1) à força ou forças do heroi
2) à força ou forças do meio (pressão)
I. O heroi
Personagem com o qual o examinando se identifica: se preocupa com consciência,
sentimentos, motivações, desfecho
- Personagem principal
- Secundário (preocupação do heroi com história de outro personagem)
- Objeto na relação sujeito-objeto (não sobre si, mas sobre o ambiente)
- Dois personagens diferentes (duas partes da personalidade: antissocial-personagem
criminoso x consciência - representante da lei)
- Sequência de herois (primeiro, segundo, terceiro)
- Herois parciais (grupo)
- Sexo oposto
Traços a serem observados: “superioridade (poder, capacidade), inferioridade,
criminalidade, anormalidade psíquica, solidão, sentimentos de pertinência,
liderança e inclinação para discussões (conflitos interpessoais)”.
II. Motivos, inclinações e sentimentos dos herois
Análise de todos os herois (das 20 pranchas): como pensam, sentem, fazem…
O que o avaliador pretende compreender? Traços de extroversão-introversão,
masculinidade-feminilidade, ascendência-submissão, ansiedade, culpa,
inferioridade…
Lista de necessidades (+ estados internos e emoções) pode ser compreendida a
partir de constructos teóricos específicos (psicodinâmicos) ou apenas como traços
e atitudes.
São pontuados a partir da intensidade, frequência, duração e importância no
enredo. Exemplo: irritação leve = 1, raiva intensa = 5, conflitos constantes = 5,
expressões intermediárias = 2 a 4
1) Agressão
2) Ajuda
3) Auto-agressão
4) Degradação
5) Desvelo
6) Dominância
7) Passividade
8) Realização
9) Sexo
10)Outras necessidades: afiliação, aquisição, autojustificação, autonomia,
criação, excitação, exibição, reconhecimento…
Estados interiores e emoções: ansiedade, conflito, instabilidade emocional,
ciúme, desconfiança, abatimento, exaltação…
III. Forças do ambiente do heroi
Observar os detalhes e o aspecto geral do ambiente (especialmente as situações
humanas com as quais o heroi interage):
- Personagens presentes no quadro ou inventados?
- Traços e características recorrentes nos personagens em interação com o
heroi
- São amistosos ou inamistosos?
- Mulheres mais amistosas ou os homens?
- Quais são as características das mulheres mais velhas (figuras maternas)?
- E dos homens mais velhos (figuras paternas)?
IV. Desfecho / Desenlace
Resulta da interação entre as forças do heroi e as forças do ambiente:
- Qual a possibilidade de esforço/determinação/competência do heroi?
- Forças favoráveis x oponentes do ambiente?
- Como o heroi reage às forças opositoras?
- Sob quais condições tem êxito (por si mesmo ou com ajuda)?
- O heroi faz as coisas acontecerem ou as coisas lhe acontecem?
- Ativo ou passivo?
Há sucesso ou fracasso, realizações ou frustrações/dificuldades, desfechos felizes ou infelizes?
E quais temas são mais frequentes?
As interpretações são baseadas em:
- Análise e pontuação de necessidades, emoções e pressões
- Temas e desfechos preponderantes
Referências
Hutz, C. S., Bandeira, D. R., & Trentini, C. M. (2018). Avaliação psicológica da inteligência e da personalidade.
(Avaliação psicológica). Grupo A. [Link]
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