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Reatores Anaeróbios UASB: Vantagens e Funcionamento

Os reatores anaeróbios de manta de lodo (UASB) oferecem vantagens como baixo custo e eficiência na remoção de matéria orgânica, sendo amplamente utilizados no Brasil. O funcionamento depende de um fluxo ascendente adequado e da manutenção de condições ideais para a biomassa, com parâmetros críticos como carga hidráulica e velocidade ascendente. A modelagem e a estimativa de eficiência são ainda limitadas, mas estudos indicam que o tempo de detenção hidráulica é crucial para o desempenho do sistema.

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Lucas Lobo
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Reatores Anaeróbios UASB: Vantagens e Funcionamento

Os reatores anaeróbios de manta de lodo (UASB) oferecem vantagens como baixo custo e eficiência na remoção de matéria orgânica, sendo amplamente utilizados no Brasil. O funcionamento depende de um fluxo ascendente adequado e da manutenção de condições ideais para a biomassa, com parâmetros críticos como carga hidráulica e velocidade ascendente. A modelagem e a estimativa de eficiência são ainda limitadas, mas estudos indicam que o tempo de detenção hidráulica é crucial para o desempenho do sistema.

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Lucas Lobo

UMA AULA SOBRE:

Reatores anaeróbios
de manta de lodo

[Link]
INTRODUÇÃO
O processo anaeróbio por neio de reatores de manta de lodo apresenta
inúmeras vantagens em relação aos processos aeróbios
convencionais, notadamente quando aplicado em locais de clima
quente, como é o caso da maioria dos municípios brasileiros
•Sistema compacto,com baixa demanda de área.
•Baixo custo de implantação e de operação.
•Baixa produção de lodo.
•Baixo consumode energia (apenaspara a elevatória de
chegada,quando for o caso (.
•Satisfatória eficiência de remoção de DBO e de DQO, da ordem de
ml% a lá%.
•Possibilidade de rápido reinício,mesmo após longasparalisações. Projeto e Dimensionamento
Simplicidade construtiva e sem necessidade de equipamentos
•Elevada concentração do lodo excedente.
sofisticados.
•Boa desidratabilidade do lodo.
Falta de roteiro padronizado para dimensionamento ainda
•Possibilidade de emanação de maus odores. causa erros em projetos.
•Baixa capacidade do sistemaem tolerar cargas tóxicas.
•Elevado intervalo de tempo necessário para a partidado sistema.
•Necessidade de una etapa de pós-tratamento.
INTRODUÇÃO
Disseminação no Brasil
Mais de 300 reatores UASB em operação no país.
Principais estados: Paraná e Bahia, além de MG, RS, RJ,
SP, DF e outros.
Brasil é referência mundial em tecnologia anaeróbia
aplicada a esgotos domésticos.

Nomenclatura
Diversas siglas geram confusão (DAFA, RAFA, AFAM,
RAFAM).
Recomenda-se o uso de:
Reator UASB, ou
Reator de manta de lodo, ou
Reator anaeróbio de fluxo ascendente e manta de lodo.
Princípio de Funcionamento do Reator UASB
O funcionamento eficiente do reator UASB depende de alguns princípios essenciais: o fluxo ascendente deve garantir o máximo contato entre a
biomassa e o substrato, evitando curto-circuitos que comprometam a degradação da matéria orgânica. É fundamental que o separador trifásico seja
bem projetado, permitindo a saída do biogás e do efluente, ao mesmo tempo em que retém o lodo. Além disso, o lodo na manta deve estar bem
adaptado, com alta atividade metanogênica e excelente sedimentabilidade, sendo que o lodo granulado apresenta desempenho superior ao floculento.

Partida do Sistema (“Start-up”) Estrutura Interna


Leito de lodo: região mais densa e ativa biologicamente.
Inicia-se com inoculação de lodo anaeróbio.
Manta de lodo: zona superior com sólidos mais dispersos (1–3%).
Alimentação começa em baixa taxa, aumentando gradualmente.
Mistura promovida pelo fluxo ascendente e bolhas de biogás.
Forma-se um leito de lodo concentrado (4–10%) no fundo do reator. Pode haver recirculação de gás ou efluente para auxiliar a mistura.
Lodo pode se tornar granulado (1 a 4 mm), com boa sedimentação

Separação de fases Característica operacionais


Separador trifásico (gás, líquido e sólidos) no topo do
Tempo de residência celular > 30 dias, garantindo lodo
reator:
estabilizado.
Retém e retorna o lodo ao compartimento de digestão.
Alta taxa de carga orgânica com baixo custo e simplicidade
Permite saída do efluente tratado e do biogás.
Alta retenção de biomassa →maior eficiência e
construtiva.

estabilidade.
Configurações Típicas de Reatores UASB
1. Evolução
Inicialmente projetados para efluentes industriais com paredes
verticais e digestão/decantação de mesma área.
Adaptação para esgotos domésticos gerou novas configurações.
2. Critérios de Projeto
Esgotos domésticos: dimensionamento pelo fluxo hidráulico, não pela
carga orgânica.
Velocidade ascensional é crítica: alta velocidade → perda de
biomassa.
Reator com seção variável: menor na digestão, maior na decantação
para reduzir velocidade e favorecer sedimentação.
3. Distribuição do afluente
Industriais: afluente entra pela base.
Domésticos: afluente entra pela parte superior, exigindo ajuste na área
do decantador.
4. Equalização
Industriais: pode incluir unidade de equalização para vazão/carga
uniforme.
Domésticos: não há equalização → reator deve suportar variações de
fluxo e carga.
Critérios e Parâmetros de Projeto

CARGA HIDRÁULICA VOLUMÉTRICA E TEMPO DE DETENÇÃO HIDRÁULICA

Representa a quantidade de esgoto aplicada diariamente por unidade de volume do reator.


O Tempo de Detenção Hidráulica (TDH) é o inverso da carga hidráulica volumétrica, indicando o tempo médio de permanência do efluente.
Limite recomendado: até 1,0 m³/m³·dia, correspondendo a um TDH mínimo de 4,8 horas.
Valores acima desse limite podem causar:
Perda de biomassa por arraste.
Redução da estabilização dos sólidos.
Possibilidade de falha operacional.
Para temperaturas próximas de 20 °C:
TDH ideal: entre 8 e 10 horas (vazão média).
TDH mínimo: 4 horas (vazão máxima).
A definição adequada do TDH é fundamental para a eficiência e estabilidade do reator UASB.
Critérios e Parâmetros de Projeto

CARGA ORGÂNICA VOLUMÉTRICA

Representa a massa de matéria orgânica aplicada diariamente por unidade de volume do reator.
Expressa por:
COV = (Q · S) / V
Onde:
Q = vazão (m³/d)
S = concentração do substrato afluente (kgDQO/m³)
V = volume do reator (m³)
Valores típicos:
Efluentes industriais (piloto): até 41 kgDQO/m³·d.
Estações em escala real: geralmente < 11 kgDQO/m³·d.
Esgoto doméstico: 2,1 a 3,1 kgDQO/m³·d.
Valores elevados de COV podem gerar velocidade ascendente excessiva e prejudicar o desempenho do reator.
O volume do reator pode ser calculado por:
V = (Q · S) / COV
Para esgotos domésticos, o dimensionamento é definido principalmente pela carga hidráulica volumétrica.
Critérios e Parâmetros de Projeto

CARGA BIOLÓGICA (CARGA DE LODO)

Representa a massa de matéria orgânica aplicada diariamente por unidade de biomassa presente no reator.
Expressa por:
CB = (Q · S) / m
Onde:
Q = vazão (m³/d)
S = concentração do substrato afluente (kgDQO/m³)
m = massa de microrganismos (kgSVT)
Cargas biológicas iniciais (partida):
Entre 0,01 e 0,11 kgDQO/kgSVT·d, variando conforme o tipo de efluente.
Devem ser aumentadas gradualmente conforme a eficiência do sistema.
Limite máximo:
Depende da atividade metanogênica do lodo.
Para esgoto doméstico: 0,3 a 0,4 kgDQO/kgSVT·d.
Regime permanente:
Pode atingir até 2,0 kgDQO/kgSVT·d, conforme o tipo de afluente.
Estudos com reatores UASB em Etabira (MG) mostraram que cargas de 0,10 a 0,30 kgDQO/kgSVT·d durante a partida mantiveram a
estabilidade do processo (pH e AGVs).
Critérios e Parâmetros de Projeto

VELOCIDADE ASCENDENTE DO FLUXO

A velocidade ascendente do fluxo representa a taxa com que o esgoto sobe


através do reator UASB e é obtida pela relação entre a vazão afluente e a área da
seção transversal do reator, conforme a expressão:
v = Q / A.
Essa velocidade também pode ser relacionada à altura do reator (H) e ao tempo
de detenção hidráulica (θh), sendo expressa como:
v = H / θh.
A escolha da velocidade adequada é fundamental para evitar o arraste do lodo e
garantir a estabilidade do sistema. Em reatores com lodo floculento, recomenda-
se que a velocidade média varie entre 0,5 e 0,7 m/h, podendo alcançar 1,5 a 2,0
m/h em picos de curta duração. Já os reatores com lodo granular suportam
velocidades bem maiores, chegando a cerca de 10 m/h.
No tratamento de esgotos domésticos, a velocidade ascendente deve ser inferior
a 1,0 m/h, com tempos de detenção entre 6 e 10 horas. Nessas condições, a
profundidade do reator geralmente varia de 3 a 6 metros, garantindo o equilíbrio
entre o fluxo ascendente e a retenção da biomassa.
Critérios e Parâmetros de Projeto

EFICIÊNCIAS DE REMOÇÃO DE MATÉRIA ORGÂNICA EM REATORES UASB

A modelagem matemática dos reatores UASB ainda é pouco utilizada, e as eficiências de


remoção costumam ser estimadas por relações empíricas, baseadas em dados experimentais de
reatores em operação.
Estudos realizados em cinco reatores (Bucaramanga, Cali, Cetesb, Pedregal e Kampur) —
operando entre 20°C e 25°C — mostraram que o tempo de detenção hidráulica (TDH) influencia
fortemente a eficiência do sistema.
A remoção de DQO variou entre 40% e 75%, enquanto a remoção de DBO oscilou entre 45% e
85%, conforme o TDH (Tempo de detenção hidráulica) aumentava.
A partir dos resultados experimentais, foram obtidas curvas de eficiência empíricas, que
permitem estimar o desempenho de reatores UASB tratando esgotos domésticos:
DQO: 𝐸 = 100 × (1 − 0,68 × θₕ⁻⁰·³⁵)
DBO: 𝐸 = 100 × (1 − 0,70 × θₕ⁻⁰·⁵⁰)
Nessas equações, E representa a eficiência (%) e θₕ o tempo de detenção hidráulica (em horas).
Apesar de úteis para estimativas, essas equações apresentam limitações devido ao número
reduzido de dados experimentais e à variação significativa entre os resultados observados.
Critérios e Parâmetros de Projeto

ESTIMATIVA DA CONCENTRAÇÃO DE DQO E DE DBO NO EFLUENTE FINAL

Estimativa da Concentração de DQO e DBO no Efluente Final


A concentração de DQO e DBO no efluente final pode ser estimada a partir da eficiência esperada do sistema.
Fórmula para Estimativa:
S = S₀ - (E × S₀) / 100
Significado das Variáveis:
S: Concentração de DQO ou DBO no efluente (mg/l).
S₀: Concentração de DQO ou DBO no afluente (mg/l).
E: Eficiência de remoção de DQO ou DBO (%).
Critérios e Parâmetros de Projeto

ESTIMATIVA DA CONCENTRAÇÃO DE SS NO EFLUENTE FINAL

A concentração de sólidos suspensos (SS) no efluente final de reatores UASB depende de diversos fatores, incluindo:
Concentração e características de sedimentabilidade do lodo.
Frequência de descarte de lodo e altura do leito de lodo.
Velocidades nas aberturas para o decantador.
Existência de retentores de escuma.
Eficiência do separador de gases, sólidos e líquidos.
Taxas de aplicação e tempos de detenção hidráulica nos compartimentos de digestão e decantação.
Impacto da Separação Sólido-Líquido:
Má separação ou descargas intencionais de lodo aumentam a concentração de biomassa e lodo perdido, elevando a DQO e DBO do efluente.
Para eliminar a influência desses fatores, a DQO do efluente decantado em cone Imhoff é avaliada após 1 hora.
A DQO do efluente decantado pode variar de 60% a 80% da DQO do efluente bruto para TDH entre 6 e 10 horas.
Equação Empírica para SS:
Ajuste dos resultados operacionais resultou na curva de concentração esperada de SS:
SS = 250 / θh + 10
Onde SS é a concentração de sólidos suspensos no efluente (mg/l) e θh é o tempo de detenção hidráulica (h).
Critérios e Parâmetros de Projeto

SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO AFLUENTE

Essencial: Distribuição uniforme do substrato afluente na parte inferior do reator.


Garante contato íntimo entre biomassa e substrato.
Evita caminhos preferenciais (curto-circuitos).
Importância Elevada em:
Tratamento de esgotos de baixa concentração (ex: domésticos).
Baixas temperaturas (baixa produção de biogás dificulta mistura).
Riscos de Curto-Circuitos:
Pequena altura do leito de lodo.
Pequeno número de distribuidores de afluente.
Lodos com alta velocidade de sedimentação e/ou muito concentrados.
Critérios e Parâmetros de Projeto

COMPARTIMENTOS DE DISTRIBUIÇÃO

Compartimentos de Distribuição em Reatores UASB


Importância: Garantir distribuição equitativa do afluente para melhor mistura e evitar zonas
mortas no lodo.
Problema (Sistemas Não Compartimentados):
Bloqueios em tubos distribuidores são difíceis de identificar visualmente.
Aumento da perda de carga afeta todo o canal de distribuição, não individualmente.
Solução (Compartimentos):
Divisão da vazão por pequenos compartimentos (caixas) com vertedores.
Cada caixa alimenta um único tubo distribuidor.
Permite distribuição uniforme e visualização de perdas de carga (indicando entupimentos).
Facilita a desobstrução por meio de varões apropriados.
Exemplos:
Estruturas de distribuição em reatores circulares e retangulares (Figuras 7.10 e 7.11).
Critérios e Parâmetros de Projeto

TUBOS DE DISTRIBUIÇÃO EM REATORES UASB

Função: Encaminhar esgotos dos compartimentos de distribuição até o fundo do reator.


Requisitos de Diâmetro:
Grande o suficiente: Para velocidade descendente do esgoto > 0,2 m/s, evitando arraste de ar.
Ar no reator pode causar aeração do lodo anaeróbio e mistura explosiva com biogás.
Diâmetro de 75 mm é usual para esgotos de baixa concentração.
Grande o bastante: Para evitar obstrução frequente por sólidos.
Exige gradeamento prévio para remoção de sólidos.
Diâmetros de 75 a 100 mm são satisfatórios.
Requisitos de Velocidade na Extremidade Inferior:
Pequeno o suficiente: Para maior velocidade de fluxo, boa mistura e contato com o lodo.
Ajuda a evitar deposição de sólidos inertes.
Incompatível com a redução do diâmetro do tubo (dificulta movimento ascensional de bolhas de ar).
Soluções para Entupimento/Velocidade:
Redução da seção da tubulação apenas na extremidade inferior (bocais de 40-50 mm).
Velocidades de saída > 0,40 m/s evitam deposição de areia.
Aberturas (janelas) nas extremidades laterais dos tubos (ex: 25x40 mm, equivalente a bocal de 50 mm).
Instalação:
Extremidades inferiores instaladas em pontos predeterminados, conforme área de influência.
Manutenção de posição fixa em relação ao fundo do reator é fundamental (distância de 10-15 cm do fundo).
Critérios e Parâmetros de Projeto

NÚMERO DE DISTRIBUIDORES

Importância: Distribuição correta do esgoto é crucial para contato efetivo com a biomassa e bom funcionamento do reator.
Cálculo do Número de Distribuidores (Nd): Nd = A / Ad
A: Área da seção transversal do reator (m²).
Ad: Área de influência de cada distribuidor (m²).
Diretrizes Preliminares para Área de Influência (Tabela 7.3):
Varia conforme o tipo de lodo (denso, medianamente denso, granular) e a carga orgânica aplicada.
Ex: Lodo denso e floculento com carga < 1,0 kgDQO/m³.d tem Ad de 0,5-1,0 m².
Áreas de Influência Observadas (Esgotos Domésticos - Tabela 7.4):
Levantamentos indicam Ad variando de 1,0 a 4,0 m² em sistemas reais.
Ex: Itabira (MG) 2,3 a 3,0 m²; Pedregal (PB) 2,0 a 4,0 m².
Problemas com Grandes Áreas de Influência:
Projetos com Ad > 5 m² podem comprometer a mistura e criar zonas mortas no leito de lodo.
Reduz a eficiência esperada do processo.
Reatores Tronco-Cônicos:
A área de influência dos tubos distribuidores não é uniforme devido à seção transversal crescente.
Ad deve ser calculada considerando a seção transversal junto à parte mais profunda do reator (onde o lodo é mais concentrado).
Recomendação para Esgotos Domésticos:
Devido aos benefícios e baixo custo, recomenda-se Ad de 2,0 a 3,0 m² para esgotos domésticos com concentrações típicas de DQO (400 a 600 mg/l).
Critérios e Parâmetros de Projeto

SEPARADOR TRIFÁSICO

Dispositivo essencial instalado na parte superior do reator.


Principal Objetivo:
Manutenção do lodo anaeróbio dentro do reator, permitindo elevados tempos de retenção de sólidos (alta idade do lodo).
Como Funciona:
Separa o gás contido na mistura líquida.
Mantém ótimas condições de sedimentação no compartimento de decantação.
Após remoção do gás, o lodo é separado da massa líquida e retornado ao compartimento de digestão
Critérios e Parâmetros de Projeto

SEPARAÇÃO DOS GASES

Objetivo:
Evitar flotação do lodo e perda de biomassa, garantindo a formação de interface líquido-gás.
Taxa de Liberação de Biogás (T_gás):
Deve ser elevada para vencer espuma, mas baixa para evitar arraste de lodo.
Recomendação (Souza, 1986): Mínimo de 1,0 m³gás/m².h; Máximo de 3,0 a 5,0 m³gás/m².h.
Cálculo T_gás: T_gás = Q_gás / A_i
Q_gás: produção esperada de biogás (m³/h)
A_i: área da interface líquido-gás (m²)
Critérios e Parâmetros de Projeto

AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE BIOGÁS

Estimada pela carga de DQO afluente convertida em gás metano.


Carga de DQO convertida em metano (DQOCH4):
DQOCH4 = Q * (S0 - S) - Yobs * Q * S0
Q: vazão de esgoto afluente (m³/d)
S0: concentração de DQO afluente (kgDQO/m³)
S: concentração de DQO efluente (kgDQO/m³)
Yobs: coeficiente de produção de sólidos (0,11 a 0,23 kgDQOlodo/kgDQOapl)
Conversão de Massa de Metano em Produção Volumétrica:
QCH4 = (42 * DQOCH4) / K(t)
QCH4: produção volumétrica de metano (m³/d)
K(t): fator de correção para temperatura operacional do reator (kgDQO/m³)
Fator de Correção K(t):
K(t) = (P * K) / (R * (273 + t))
P: pressão atmosférica (1 atm)
K: DQO correspondente a 1 mol de CH4 (64 gDQO/mol)
R: constante dos gases (0,08206 atm.L/mol . °K)
t: temperatura operacional do reator (°C)
Teor de Metano no Biogás:
Para esgotos domésticos, geralmente entre 60% e 80%.
Critérios e Parâmetros de Projeto

SEPARAÇÃO DOS SÓLIDOS

Localização:
Após a separação dos gases, o líquido e sólidos vão para o compartimento de decantação.
Condições Ideais de Sedimentação:
Baixas velocidades ascensionais.
Ausência de bolhas de gás.
Retorno do Lodo:
Lodo retido no decantador retorna ao compartimento de digestão sem necessidade de medidas especiais.
Diretrizes Básicas:
Defletores: Instalação imediata abaixo das aberturas para o decantador, para separar biogás e direcionar líquido/sólidos.
Paredes do Decantador: Inclinações ≥ 45° (idealmente ≥ 50°).
Profundidade: Compartimento de decantação na faixa de 1,5 a 2,0 m.
Taxas de Aplicação Superficial e TDH (Tabela 7.5):
Vazão Média: Taxa de aplicação superficial de 0,6-0,8 m/h; TDH de 1,5-2,0 h.
Vazão Máxima: Taxa de aplicação superficial < 1,2 m/h; TDH > 1,0 h.
Picos Temporários (2-4h): Taxa de aplicação superficial < 1,6 m/h; TDH > 0,6 h.
Critérios e Parâmetros de Projeto

ABERTURA PARA O DECANTADOR EM REATORES

Função Principal:
Permitir a passagem dos esgotos para o compartimento de decantação.
Objetivos de Projeto:
Separação de Gases: Garantir que os gases sejam separados antes da entrada na zona de decantação, favorecendo a sedimentação.
Requer superposição adequada do defletor de gases para separação gás-líquido.
Retenção de Sólidos: Manter velocidades nas aberturas inferiores abaixo das faixas recomendadas.
Retorno do Lodo: Assegurar o retorno dos sólidos sedimentados ao compartimento de digestão.
Exige inclinações adequadas das paredes e defletores de gases, além de velocidades compatíveis nas aberturas.
Velocidades Recomendadas nas Aberturas (Tabela 7.6):
Vazão Média: < 2,0-2,3 m/h
Vazão Máxima: < 4,0-4,2 m/h
Picos Temporários (2-4h): < 5,5-6,0 m/h
Critérios e Parâmetros de Projeto

TEMPO DE DETENÇÃO NO DECANTADOR

Recomendação:
Tempo de detenção hidráulica (TDH) de 1 a 2 horas.
Variações Observadas em Projetos:
TDH nem sempre está dentro da faixa preconizada.
Em reatores com estações elevatórias, TDH pode ser reduzido a 0,5 hora (com duas ou mais bombas em operação).
Consequências de TDH Reduzido:
Velocidades elevadas nas aberturas.
Perda elevada de sólidos no efluente.
Falha potencial do sistema de tratamento
Critérios e Parâmetros de Projeto

COLETA DO EFLUENTE

Localização:
Parte superior do reator, junto ao compartimento de decantação.
Dispositivos Comuns:
Placas com vertedores triangulares.
Tubos perfurados submersos.
Placas com Vertedores Triangulares:
Requisitos: Nivelamento preciso, retentor de escuma (aprox. 20 cm imerso).
Cuidado: Evitar turbulência e liberação de gases.
Preferência: Saídas afogadas, sem turbulência.
Tubos Perfurados Submersos (Vantagens):
Favorecem manutenção de vazões uniformes (nivelamento menos crítico).
Reduzem/eliminam turbulência, liberação de gases e maus odores.
Dispensa retentores de escuma (efluente abaixo da camada de escuma).
Tubos Perfurados Submersos (Desvantagens):
Possibilidade de acúmulo de sólidos nos furos e na tubulação.
Recomendação: Inclinação mínima de 1% para autolimpeza
Critérios e Parâmetros de Projeto

SISTEMA DE GASES

Problema:
Liberação descontrolada de biogás é prejudicial (maus odores, riscos de explosão por metano).
Necessidade:
Biogás deve ser coletado, medido e, posteriormente, utilizado ou queimado.
Componentes do Sistema de Retirada de Biogás:
Tubulação de coleta.
Compartimento hermético com selo hídrico e purga de biogás.
Medidor de biogás (opcional).
Reservatório de biogás (gasômetro) (opcional).
Biogás Não Aproveitado:
Reservatório é substituído por válvula corta-chama e queimador de gases.
Localização preferencial: distância segura do reator (Figuras 7.15 e 7.16).
Medidor de Vazão de Biogás:
Essencial para monitorar a quantidade de gás e avaliar a eficiência do processo.
Evitar danos por arraste de líquidos condensados nas tubulações.
Velocidade média de escoamento do biogás não deve ultrapassar 3,5 m/s.
Critérios e Parâmetros de Projeto

SISTEMA DE AMOSTRAGEM DE LODO

Objetivo:
Monitorar o crescimento e a qualidade da biomassa no reator.
Rotina Operacional Importante: Avaliar quantidade e atividade da biomassa por dois mecanismos:
Determinação do perfil de sólidos e massa de microrganismos.
Avaliação da atividade metanogênica específica da biomassa.
Monitoramento Contínuo da Biomassa: Permite ações de controle sobre os sólidos, como:
Identificação da altura e concentração do leito de lodo para estratégias de descarte (quantidade e frequência).
Determinação dos pontos ideais de descarte com base em testes de atividade metanogênica e características do lodo.
Instalação de Tubulações de Registros (para retirada e caracterização da biomassa):
Espaçamento: 50 cm.
Diâmetro: 1 ½ a 2 polegadas.
Tipo: Registro de esfera.
Critérios e Parâmetros de Projeto

SISTEMA DE DESCARTE DE LODO

Função:
Extração periódica de lodo em excesso e material inerte acumulado no fundo do reator.
Pontos de Descarte:
Mínimo de dois pontos para flexibilidade operacional.
Um no fundo do reator.
Outro a 1,0 a 1,5 m acima do fundo (dependendo da altura do compartimento de digestão).
Diâmetro da Tubulação:
Recomendado: mínimo de 100 mm.
Critérios e Parâmetros de Projeto

PRODUÇÃO DE LODO

Vantagem Principal:
Baixa produção de sólidos biológicos (0,10 a 0,20 kgSST/kgDQOap), uma das principais vantagens dos processos anaeróbios.
Características Importantes do Lodo Anaeróbio:
Elevado grau de estabilização: Permite encaminhamento direto para desidratação (secagem) sem tratamento prévio.
Elevada concentração de sólidos: Usualmente 3% a 5%, facilitando o descarte de menores volumes.
Facilidade de desidratação.
Potencial de uso: Lodo seco pode ser fertilizante agrícola (com cuidados devido a patógenos).
Estimativa da Produção de Sólidos (P_lodo):
P_lodo = Y × DQO_apl
P_lodo: produção de sólidos no sistema (kgSST/d).
Y: coeficiente de produção de sólidos (kgSST/kgDQOapl); valores típicos para esgotos domésticos: 0,10 a 0,20 kgSST/kgDQOapl.
DQO_apl: carga de DQO aplicada ao sistema (kgDQO/d).
Avaliação da Produção Volumétrica de Lodo (V_lodo):
V_lodo = P_lodo / (γ × C)
V_lodo: produção volumétrica de lodo (m³/d).
γ: densidade do lodo (usualmente 1.020 a 1.040 kg/m³).
C: concentração do lodo (%).
Critérios e Parâmetros de Projeto

CRITÉRIOS E PARÂMETROS DE PROJETO

Pré-tratamento Essencial:
Reatores anaeróbios de alta taxa (UASB) possuem volumes reduzidos.
Entrada de sólidos não-biodegradáveis é altamente prejudicial.
Acúmulo causa zonas mortas, caminhos preferenciais, reduzindo biomassa e eficiência.
Necessário gradeamento e caixa de areia para remover sólidos grosseiros e sedimentáveis.
Critérios e Parâmetros de Projeto

ASPECTOS CONSTRUTIVOS

Os aspectos construtivos focam na necessidade de o reator ser robusto e resistente à corrosão devido aos subprodutos agressivos da digestão anaeróbia. A
altura útil do reator é determinada pelo tipo de lodo e pelas cargas aplicadas, variando entre 4,0 e 5,0 m para esgoto doméstico com lodo floculento. Os
materiais mais comuns são o concreto e o aço, mas exigem proteção interna, como revestimento à base de epóxi ou borracha clorada, para prevenir
vazamentos de gases e corrosão, já que o concreto pode constituir uma estrutura pesada e volumosa. Materiais não corrosivos e menos volumosos, como PVC
e fibra de vidro, são alternativas atrativas.
Critérios e Parâmetros de Projeto

ASPECTOS OPERACIONAIS

Os aspectos operacionais abordam principalmente a partida do reator, que é um período inicial de instabilidade que requer controle rigoroso. A partida ideal é
feita utilizando lodo de inóculo adaptado ao esgoto, o que garante um processo mais rápido e satisfatório. Na ausência de lodo adaptado, a inoculação pode
ser feita com lodo não adaptado (requerendo adaptação e seleção microbiana) ou, de forma mais desfavorável e prolongada (3 a 4 meses), sem inóculo. O
volume de inóculo (lodo de semeadura) é calculado com base na carga biológica inicial, que deve ser mantida na faixa de 0,1 a 0,5 kgDQO/kgSSV⋅d durante a
partida e aumentada gradativamente. Durante a inoculação, o lodo deve ser transferido para o fundo do reator vazio, evitando turbulências e contato excessivo
com o ar. O monitoramento de rotina do processo é fundamental, com controle de temperatura, pH (preferencialmente entre 6,8 e 7,2) e ácidos voláteis (abaixo
de 200 a 300 mg/l).

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