Questão de aula 11
Gramática – Cesário Verde, «O sentimento dum ocidental»
Nome ________________________________ N.o _____ 11.o _______ Data ___ / __ /______
Avaliação ____________________ E. de Educação ____________ Professor _______________
Lê o texto.
Coisas de que são feitos os sonhos
Neste ano e meio, durante vários passeios noturnos, foi bem-vinda a companhia de «O sentimento
dum ocidental» (1880) de Cesário Verde. Errámos os dois pela avenida abaixo, agora sem gente, de
uma cidade calada. No lugar do gás, a luz intensa de eletricidade coloria os semáforos. Como
reluziam, solitários, por cima do asfalto. Ao fundo, dançava, tosco, sozinho, leve, um saco de
5 plástico. Debaixo de uma arcada, sobre a qual se iluminavam os andares, um cão ladrava. Não se
viam coristas ou floristas, não se escutavam varinas. Procurei, em vão, o «cheiro salutar e honesto a
pão no forno» ou «o tinir de louças e talheres». A rua pesava vazia nos ecos breves e metálicos dos
carros e era capaz de jurar que, embora fosse noite, connosco se cruzou a beleza magnética de uma
pessoa e que, no canto de um prédio, encontrámos um homenzinho idoso a pedir esmola.
10 Não é este o retrato que Jacques Tati pintou em O meu tio (1958). A melancolia é outra, bem
menos lúgubre. A noite é um tempo de festa, dessa festa inventada pelos encontros, pelo convívio
com estranhos. Afinal, a deambulação do homem distraído tem a mão do sobrinho, a gentil bonomia
dos gestos humanos contra a mudez dos objetos.
Crítica à sociedade moderna, O meu tio é um filme que se faz entre duas cidades. Uma
15 desarrumada e que vai desaparecendo, a outra desenhada e branca, betão sobre betão. Para qual tende
o coração de Tati? Talvez para a primeira, se aquele fim – o de uma despedida, ao som do jazz –
não tornasse tudo mais ambíguo. Por outras palavras, o Sr. Hulot mudou-se para outra outras
paragens, outra paisagem.
José Marmeleiro, «Coisas de que são feitos os sonhos», in [Link]
(texto com supressões, consultado em 30/12/2021).
1. No segmento «Procurei, em vão, o “cheiro salutar e honesto a pão no forno”» (linhas 6 e 7), há a 20 pts.
presença de deíticos
A. temporais e pessoais.
B. espaciais e pessoais.
C. temporais e espaciais.
D. espaciais.
2. Classifica as seguintes orações: 40 pts.
a) «que […] connosco se cruzou a beleza magnética de uma pessoa» (linhas 8 e 9);
_________________________________________________________________________
b) «que se faz entre duas cidades» (linhas 14).
_________________________________________________________________________
Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens • 11.o ano 335
3. Indica a classe e subclasse das seguintes palavras: 60 pts.
a) «bem-vinda» (linha 1);
________________________________________________________________________
b) «agora» (linha 2);
_________________________________________________________________________
c) «que» (linha 10);
_________________________________________________________________________
d) «contra» (linha 13);
_________________________________________________________________________
e) «Crítica» (linha 14);
_________________________________________________________________________
f) «se» (linha 16).
_________________________________________________________________________
4. Identifica a função sintática desempenhada pelas expressões sublinhadas no texto. 80 pts.
a) (linhas 4 e 5);
_________________________________________________________________________
b) (linha 5);
_________________________________________________________________________
c) (linhas 7 e 8);
_________________________________________________________________________
d) (linha 14).
_________________________________________________________________________
336 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens • 11.o ano
Questão de aula 12
Gramática – Cesário Verde, «O sentimento dum ocidental»
Nome ________________________________ N.o _____ 11.o _______ Data ___ / __ /______
Avaliação ____________________ E. de Educação ____________ Professor _______________
Lê o texto.
Cesário Verde, Poeta dos poetas
Cesário Verde é um dos poetas portugueses mais lidos, autor da obra-prima da poesia portuguesa
do século XIX. Há quem diga que fica melhor no século XX, porque antecipou a modernidade.
Poeta de um livro só, poeta dos poetas, José Joaquim Cesário Verde nasceu há 150 anos na Baixa
pombalina, em Lisboa, talvez na Rua da Padaria. No calendário religioso, assinalava-se o dia de S.
5 Cesário, que deu o terceiro nome próprio ao poeta. O pai era um comerciante de ferragens e também
explorava uma quinta em Linda-a-Pastora, nos arredores de Lisboa. A loja dos Verdes ficava na
mesma freguesia onde Cesário nasceu, na rua dos Fanqueiros, esquina com a rua da Alfândega, de
onde se vê o Terreiro do Paço a). Os parafusos da loja e a fruta da quinta chegaram a figurar na sua
poesia.
10 O poeta, que morreu aos 31 anos de tuberculose, refugiou-se sempre nesta identidade de
negociante quando se sentia ignorado como homem de letras. Uma ambivalência que é uma
constante – aos 18 anos matriculou-se no curso superior de Letras para logo o abandonar b). Dois
anos antes da morte, num longo poema autobiográfico intitulado «Nós», escreveu: «E agora, de tal
modo a minha vida é dura, / Tenho momentos maus, tão tristes, tão perversos, / Que sinto só desdém
15 pela literatura, / E até desprezo e esqueço os meus amados versos!»
Aos 25 anos, publicou um dos seus poemas mais amados, «O Sentimento dum Ocidental», tendo
sido completamente ignorado pela crítica. Nem uma palavra, escreveu a um amigo, sobre o poema
feito para evocar o tricentenário da morte de Camões: «Nas nossas ruas, ao anoitecer, / Há tal
soturnidade, há tal melancolia, / Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia / Despertam-me um
20 desejo absurdo de sofrer.»
Isabel Salema, «Cesário Verde, Poeta dos poetas, autor do «melhor poema do século XIX»», in [Link]
(texto com supressões, consultado em 28/12/2021).
1. No contexto em que ocorrem, o uso de «porque» (linha 2), por um lado, e a expressão «há 150 20 pts.
anos» (linha 3), por outro, contribuem para a
A. coesão gramatical temporal, em ambos os casos.
B. coesão gramatical interfrásica, em ambos os casos.
C. coesão gramatical temporal, no primeiro caso, e para a coesão gramatical interfrásica, no
segundo caso.
D. coesão gramatical interfrásica, no primeiro caso, e para a coesão gramatical temporal, no
segundo caso.
2. Na frase «No calendário religioso, assinalava-se o dia de S. Cesário, que deu o terceiro nome 20 pts.
próprio ao poeta» (linhas 4 e 5), as palavras sublinhadas são
A. conjunções, em ambos os casos.
B. pronomes, em ambos os casos.
C. conjunção e pronome, respetivamente.
D. pronome e conjunção, respetivamente.
Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens • 11.o ano 337
3. A oração «que fica melhor no século XX» (linha 2) é 20 pts.
A. subordinada substantiva relativa, com função de sujeito.
B. subordinada substantiva relativa, com função de complemento direto.
C. subordinada substantiva completiva, com função de sujeito.
D. subordinada substantiva completiva, com função de complemento direto.
4. Na linha 11, o pronome «se» encontra-se anteposto ao verbo, porque está 20 pts.
A. integrado numa oração subordinante.
B. dependente de uma oração coordenada.
C. associado a uma palavra com valor negativo.
D. integrado numa oração subordinada.
5. Identifica a função sintática desempenhada pelas expressões seguintes: 80 pts.
a) «um dos poetas portugueses mais lidos» (linha 1);
_________________________________________________________________________
b) «onde Cesário nasceu» (linha 7);
_________________________________________________________________________
c) «no curso superior de Letras» (linha 12);
_________________________________________________________________________
d) «pela crítica» (linha 17).
_________________________________________________________________________
6. Classifica as orações sublinhadas no texto. 40 pts.
a) _________________________________________________________________________
b) _________________________________________________________________________
338 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens • 11.o ano
Questão de aula 3 (p. 319) Questão de aula 8 (p. 329)
ALMEIDA GARRETT, FREI LUÍS DE SOUSA EÇA DE QUEIRÓS, OS MAIAS
1. a) oração subordinada adjetiva relativa restritiva; 1. A; 2. D; 3. C; 4. B.
b) oração subordinada substantiva completiva. 5. a) complemento direto; b) complemento oblíquo;
2. a) advérbio de tempo; b) advérbio relativo; c) pro- c) complemento do nome; d) modificador do nome apo-
nome relativo; d) verbo principal transitivo direto; sitivo.
e) preposição; f) conjunção subordinativa substantiva 6. a) oração coordenada copulativa;
com-pletiva. b) oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
3. a) sujeito; b) modificador do nome restritivo; c) com- Questão de aula 9 (p. 331)
plemento direto; d) sujeito.
ANTERO DE QUENTAL, SONETOS COMPLETOS
4. C.
1. B; 2. C; 3. C; 4. A; 5. D.
Questão de aula 4 (p. 321) 6. a) predicativo do sujeito;
ALMEIDA GARRETT, FREI LUÍS DE SOUSA b) complemento oblíquo;
1. a) modalidade epistémica, com valor de possibilidade; c) complemento direto;
b) modalidade epistémica, com valor de certeza; d) modificador;
c) modalidade epistémica, com valor possibilidade. e) complemento do nome.
2. a) anáfora por substituição (sinónimo); Questão de aula 10 (p. 333)
b) anáfora por substituição (determinante possessivo). ANTERO DE QUENTAL, SONETOS COMPLETOS
3. D. 1. a) complemento do nome; b) sujeito; c) complemento
4. B. direto; d) predicativo do sujeito.
5. a) complemento do nome; 2. a) oração subordinada substantiva completiva;
b) complemento direto; b) oração subordinada adjetiva relativa explicativa.
c) predicativo do sujeito.
3. modalidade epistémica, com valor de certeza.
Questão de aula 5 (p. 323) 4. A.
CAMILO CASTELO BRANCO, AMOR DE PERDIÇÃO 5. a) advérbio de tempo;
1. a) anáfora por substituição (pronominal). b) advérbio de quantidade e grau;
2. linha 7: oração subordinada substantiva completiva; c) quantificador existencial.
linha 9: oração subordinada adjetiva relativa restritiva. Questão de aula 11 (p. 335)
3. a) complemento direto; b) predicativo do sujeito; CESÁRIO VERDE, «O SENTIMENTO DUM
c) modificador; d) complemento oblíquo; e) comple- OCIDENTAL»
mento direto; f) complemento do nome.
1. A.
4. a) valor aspetual imperfetivo;
2. a) oração subordinada substantiva completiva;
d) valor aspetual perfetivo.
b) oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
5. a) «O juiz […] foi José Maria de Almeida Teixeira de
3. a) adjetivo qualificativo;
Queirós» – oração subordinante;
b) advérbio de tempo;
b) «que presidiu ao famoso julgamento» – oração
c) pronome relativo;
subordinada adjetiva relativa restritiva.
d) preposição simples;
Questão de aula 6 (p. 325) e) nome comum;
CAMILO CASTELO BRANCO, AMOR DE PERDIÇÃO f) conjunção subordinativa condicional.
1. D; 2. A; 3. C; 4. D. 4. a) sujeito;
5. modalidade deôntica, com valor de obrigação. b) modificador do nome apositivo;
c) complemento do nome;
6. a) complemento do nome; b) complemento direto;
e) predicativo do sujeito.
c) complemento agente da passiva; d) sujeito composto.
Questão de aula 12 (p. 337)
Questão de aula 7 (p. 327)
EÇA DE QUEIRÓS, OS MAIAS CESÁRIO VERDE, «O SENTIMENTO DUM
1. a) oração subordinada adjetiva relativa restritiva; OCIDENTAL»
b) oração subordinada adverbial temporal; 1. D; 2. B; 3. D; 4. D.
c) oração subordinada adjetiva relativa explicativa; 5. a) predicativo do sujeito;
d) oração subordinada substantiva completiva. b) modificador do nome restritivo; c) complemento
2. a) complemento oblíquo; b) complemento direto; oblíquo; e) complemento agente da passiva.
c) complemento do nome; d) complemento agente da 6. a) oração subordinada adjetiva relativa explicativa;
passiva. b) oração subordinada adverbial final.
3. A.
4. modalidade deôntica com valor de obrigação.
364 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens • 11.o ano