0% acharam este documento útil (0 voto)
8 visualizações6 páginas

Prisão Temporária no RJ: Caso Mauro Nepomuceno

O documento relata um pedido de prisão temporária de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, acusado de crimes contra a criança e adolescente, resistência, lesão corporal e dano ao patrimônio público. A decisão do juiz foi pela decretação da prisão preventiva, considerando a gravidade dos crimes e os indícios de autoria. O caso envolve uma abordagem policial para cumprir um mandado de busca e apreensão, durante a qual houve resistência violenta por parte do acusado e seus comparsas.

Enviado por

eudannascimentto
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
8 visualizações6 páginas

Prisão Temporária no RJ: Caso Mauro Nepomuceno

O documento relata um pedido de prisão temporária de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, acusado de crimes contra a criança e adolescente, resistência, lesão corporal e dano ao patrimônio público. A decisão do juiz foi pela decretação da prisão preventiva, considerando a gravidade dos crimes e os indícios de autoria. O caso envolve uma abordagem policial para cumprir um mandado de busca e apreensão, durante a qual houve resistência violenta por parte do acusado e seus comparsas.

Enviado por

eudannascimentto
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário

Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 20
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

Fls.
Processo: 0073732-35.2025.8.19.0001
Processo Eletrônico

Classe/Assunto: Pedido de Prisão Temporária - Prisão Temporária; Prisão em flagrante; Crime


Ou Contravenção Contra Criança e Adolescente (Art. 61, Lei 8069/90)

Autor do Fato: PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS


Autor do Fato: MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO
Registro de Ocorrência 902-00304/2025 22/07/2025 16ª Delegacia Policial

___________________________________________________________

Nesta data, faço os autos conclusos ao MM. Dr. Juiz


Ane Cristine Scheele Santos

Em 22/07/2025

Decisão
Trata-se de requerimento formulado pela autoridade policial de decretação da prisão
TEMPORÁRIA de MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO pela prática dos crimes
previstos nos arts. 329 §1º, 147, 331, 129 e 163 p.u. inc. III, todos do Código Penal e artigos
33 e 35 da Lei 11.343/2006.

Instado a se manifestar, o órgão ministerial opinou favoravelmente à prisão temporária ou


subsidiariamente à decretação da prisão preventiva, pelos fundamentos expostos às fls. 14/18.

Consta dos autos que se trata de ocorrência referente aos crimes previstos nos arts. 329 §1º,
147, 331, 129 e 163 p.u. inc. III, todos do Código Penal e artigos 33 e 35 da Lei 11.343/2006,
conforme procedimento nº 902-00303/2025.

Passo a apreciar o requerimento.

Inicialmente destaco que os elementos (depoimentos, imagens e outros documentos) de


análise para fundamentar esta decisão são os constantes dos autos do Inquérito distribuído ao
Juízo de Garantias n. 0800738-19.2025.8.19.0601.

Analisando os autos, verifico que, no presente momento, mais adequado se faz a decretação
da PRISÃO PREVENTIVA (e não da prisão temporária), conforme sugerido pelo Ministério
Público, conforme passo a expor.

A prisão preventiva encontra respaldo nos artigos 311 a 313 do Código de Processo Penal e se
faz pertinente para a garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da
instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da
existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade
do imputado.

E os requisitos se fazem presentes, de acordo com os elementos probatórios que passo a


analisar.

Em primeiro lugar, destaco que a materialidade do crime encontra fortes indícios em razão das
imagens colacionadas pela autoridade policial, bem como pelo laudo prévio de exame de

110 ANECS
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 21
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

corpo de delito da vítima ALEXANDRE ALVES FERRAZ.

As imagens foram disponibilizadas pela autoridade policial pelo link:

[Link]

Por todos os elementos colacionados aos autos, verifica-se que os crimes ocorreram no
momento em que uma equipe policial, composta pelo Delegado Dr. Moyses Santana Gomes e
outros policiais civis, tentavam cumprir uma diligência de Busca e Apreensão do adolescente
THALLYS GABRIEL DE AZEVEDO, conhecido pela alcunha de "MENOR PIU".

Informa a autoridade policial que contra o adolescente havia Mandado de Busca e Apreensão,
em razão da prática de atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais,
expedido pela Vara da Infância e juventude desta Capital (processo nº. 0108101-
60.2022.8.19.0001).

As imagens colacionadas no link juntado, mas sobretudo os depoimentos das testemunhas


trazem fortes indícios da atitude do representado e outros elementos se insurgindo contra a
legítima atuação policial, de forma extremamente violenta, indicando uma ação em conjunto
com o propósito de obstar a efetivação da Justiça, uma vez que a autoridade policial estava no
local para cumprimento do mencionado mandado de busca e apreensão do adolescente.

Por outro lado, restou demonstrada também, a prática, em tese, dos crimes de resistência e
lesão corporal e dano ao patrimônio público, uma vez que as pedras arremessadas pelo
representado e seus comparsas atingiram não só a viatura policial, como o próprio policial civil
ALEXANDRE ALVES FERRAZ, que acabou se lesionando.

No entanto, não se faz claro, neste momento processual para decretação da prisão, se há por
parte do representado conduta apta a configurar associação para a prática de tráfico de
entorpecentes.

Vale destacar que a conduta de todos os elementos (aproximadamente 8), dentre eles o
representado e o adolescente THALLYS, que agiram em conjunto para obstar a ação policial
que, inclusive, culminou com a fuga do adolescente, cujo mandado de busca e apreensão iria
ser cumprido pela autoridade policial.

Em relação à autoria, além das imagens, vale destacar o depoimento da testemunha JACI
ANTONIO PEREIRA DE OLIVEIRA constante do Inquérito, ressaltando que a referida
testemunha é funcionário pessoal do representado, atuando como segurança particular, tendo
presenciado todos os fatos apurados no inquérito policial que embasa esta representação:

"Que o declarante relata que trabalha como segurança pessoal do nacional Mauro Davi dos
Santos Nepomuceno, conhecido como MC ORUAM; que o declarante afirma que na noite de
hoje exercia suas funções na residência do seu cliente oportunidade em que ORUAM se
encontrava com alguns amigos em sua residência; que em determinando momento ORUAM e
seus amigos saíram do imóvel com a finalidade de jantar; que em ato contínuo o declarante
afirma que ouviu uma confusão na rua e percebeu que se tratava de uma abordagem policial;
que o declarante afirma que viu alguns amigos de ORUAM sendo abordado e saiu do imóvel
com o fim de "proteger" seu cliente; que neste momento o declarante afirma que reconheceu a
Autoridade Policial, Dr. MOYSES SANTANA, como sendo um dos policiais que realizavam a
abordagem; que neste momento seu cliente e seus amigos começaram a resistir a abordagem
policial, com a finalidade de atrapalhar a ação legítima dos policiais; que os amigos de
ORUAM atearam pedras portuguesas contra a equipe policial; que a equipe policial teve que
retrair e solicitar apoio a fim de resguardar sua integridade física; que após a equipe policial se
afastar a fim de se proteger, ORUAM e seus amigos se evadiram do local; que o declarante
afirma que ouviu ORUAM xingar o Delegado de "Filho da Puta"; que logo em seguida as
equipes de apoio chegaram ao local; que o declarante acompanhou as equipes durante as
buscas dos autores pelo imóvel onde reside ORUAM; que no local foi encontrado apenas o

110 ANECS
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 22
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

nacional PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS, um dos amigos de ORUAM; que
PABLO foi o principal instigador contra a abordagem policial e um dos homens que resistiu a
abordagem, causando todo o incidente; que nada mais disse nem lhe foi perguntado".

No mesmo sentido, a vítima o Delegado de Polícia Dr. MOYSES SANTANA GOMES descreve
com detalhes os momentos experimentados quando do cumprimento do seu dever para
cumprimento de um mandado de busca e apreensão do adolescente THALLYS:

"Que o declarante afirma que na noite de hoje recebeu informações do SETOR DE BUSCA
ELETRÔNICA desta Especializada que o foragido THALLYS GABRIEL DE AZEVEDO, vulgo
MENOR PIU se homiziava na residência do cantor ORUAM no bairro do JOÁ; que determinou
a reunião de um grupo de policiais com o fim de diligenciar até o local e aguardar o momento
em que o alvo deixasse a residência para efetuar o cumprimento do mandado de busca e
apreensão de adolescente infrator; que THALLYS GABRIEL é integrante da facção Comando
Vermelho, sendo um dos maiores roubadores de veículos do estado e, também, é segurança
pessoal de EDGAR ALVES DE ANDRADE, vulgo DOCA; que THALLYS ostenta diversas fotos
portando armas de fogo em suas redes sociais; que o declarante e o policial ALEXANDRE
FERRAZ foram a primeira equipe a chegar no local situado à rua Presciliano da Silva, em uma
viatura descaracterizada; que permaneceram no interior da viatura realizando o monitoramento
da residência; que, em determinado momento, perceberam uma movimentação na frente da
residência e identificaram que THALLYS estava saindo com um grupo de pessoas; que
decidiram realizar a abordagem e determinaram que todos os indivíduos, em torno de 05
(cinco) encostassem na parede e realizaram a revista pessoal; que logo em seguida
anunciaram a apreensão de THALLYS bem como de seu aparelho de telefone celular e cordão
e o conduziram a viatura; que no momento em que se aproximaram da viatura, o nacional
PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS, começou a desacatar os policiais proferindo
diversos xingamentos; que, logo em seguira, MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO,
vulgo ORUAM apareceu na varanda acompanhado de cerca de 08 (oito) indivíduos e
começaram a atear pedras contra o declarante e seu companheiro ALEXANDRE FERRAZ;
que ALEXANDRE foi atingido por duas pedras; que em consequência da resistência a ação
policial, THALLYS acabou se evadindo; que seu telefone e seu cordão foram apreendidos pela
equipe policial; que ato contínuo ORUAM e seus comparsas desceram e partiram em direçao
ao declarante e seu companheiro proferindo diversos xingamentos tais como "CUZÃO",
"FILHO DA PUTA", e, em seguida, proferindo ameaças de morte contra o declarante e
ALEXANDRE FERRAZ afirmando, ainda, ser filho de MARCINHO VP; que os autores
arremessaram mais pedras que danificaram a viatura da polícia civil utilizada pela equipe; que
a equipe teve que se retrair do local temendo pela sua integridade e solicitando apoio das
demais equipes bem como da PMERJ; que logo em seguida as demais equipes chegaram ao
local; que na chegada foi verificado que o nacional PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE
MORAIS ao avistar a aproximação das equipes se evadiu para o interior do imóvel; que então
as equipes ingressaram no imóvel com a finalidade de buscar os autores dos crimes
localizando PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS no interior da residência; que
ORUAM e os demais se evadiram do local antes da chegada das equipes policiais; que
PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS foi autuado em flagrante pelos crimes de
desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça e dano ao patrimônio público
qualificado; que logo em seguida ORUAM iniciou uma série de postagens em redes sociais
onde desafia a polícia a efetuar sua prisão no interior do complexo da Penha, área sob forte
influência da facção Comando Vermelho e local de residência de THALLYS; que seguiu
desafiando as forças do estado afirmando ser filho de MARCINHO VP, um dos principais
líderes da facção Comando Vermelho atualmente preso em presídio federal; que, por fim,
ressalta que é o segundo integrante da facção Comando Vermelho que encontrado homiziado
no interior da residência de ORUAM no período de 06 (seis) meses, demonstrando estar
estável e permanentemente associado a traficantes da referida facção; que, em 26fev25 foi
preso um integrante da facção que possuía mandado de prisão preventiva pendente pelo
crime de organização criminosa e portava uma pistola com numeração suprimida e kit rajada
no interior da residência de ORUAM; que nada mais disse".

Prestou depoimento também a vítima ALEXANDRE ALVES FERRAZ, policial civil que

110 ANECS
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 23
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

participava da operação:

Que o declarante afirma que na noite de hoje, por volta de 21h, foi contatado por sua chefia
imediata na Delegacia de Representação a Entorpecentes, onde é lotado, para compor uma
das equipes que iriam diligenciar no bairro do Joá com a finalidade de capturar o nacional
THALLYS GABRIEL DE AZEVEDO, vulgo MENOR PIU, foragido da justiça, integrante da
facção Comando Vermelho, sendo um dos maiores roubadores de veículos do estado e,
também, é segurança pessoal de EDGAR ALVES DE ANDRADE, vulgo DOCA; que THALLYS
ostenta diversas fotos portando armas de fogo em suas redes sociais; e que se encontrava
homiziado na residência do cantor ORUAM no bairro do JOÁ; Que compôs a primeira equipe,
juntamente com o Delegado Titular desta especializada, Dr. Moyses Santana, sendo primeira
equipe a chegar no local situado à rua Presciliano da Silva, em uma viatura descaracterizada;
que permaneceram no interior da viatura realizando o monitoramento da residência; que, em
determinado momento, perceberam uma movimentação na frente da residência e identificaram
que THALLYS estava saindo com um grupo de pessoas; que decidiram realizar a abordagem e
determinaram que todos os indivíduos, em torno de 05 (cinco) encostassem na parede e
realizaram a revista pessoal; que logo em seguida anunciaram a apreensão de THALLYS bem
como de seu aparelho de telefone celular e cordão e o conduziram a viatura; que no momento
em que se aproximaram da viatura, o nacional PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE
MORAIS, começou a desacatar os policiais proferindo diversos xingamentos; que, logo em
seguira, MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO, vulgo ORUAM apareceu na varanda
acompanhado de cerca de 08 (oito) indivíduos e começaram a atear pedras contra o
declarante e seu companheiro; que o declarante foi atingido por duas pedras; que em
consequência da resistência a ação policial, THALLYS acabou se evadindo; que seu telefone e
seu cordão foram apreendidos pela equipe policial; que ato contínuo ORUAM e seus
comparsas desceram e partiram em direçao ao declarante e seu companheiro proferindo
diversos xingamentos tais como "CUZÃO", "FILHO DA PUTA", e, em seguida, proferindo
ameaças de morte contra o declarante e MOYSÉS SANTANA afirmando, ainda, ser filho de
MARCINHO VP; que os autores arremessaram mais pedras que danificaram a viatura da
polícia civil utilizada pela equipe; que a equipe teve que se retrair do local temendo pela sua
integridade e solicitando apoio das demais equipes bem como da PMERJ; que logo em
seguida as demais equipes chegaram ao local; que na chegada foi verificado que o nacional
PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS ao avistar a aproximação das equipes se
evadiu para o interior do imóvel; que então as equipes ingressaram no imóvel com a finalidade
de buscar os autores dos crimes localizando PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS
no interior da residência; que ORUAM e os demais se evadiram do local antes da chegada das
equipes policiais; que PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS foi autuado em
flagrante pelos crimes de desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça e dano ao
patrimônio público qualificado; que logo em seguida ORUAM iniciou uma série de postagens
em redes sociais onde desafia a polícia a efetuar sua prisão no interior do complexo da Penha,
área sob forte influência da facção Comando Vermelho e local de residência de THALLYS; que
seguiu desafiando as forças do estado afirmando ser filho de MARCINHO VP, um dos
principais líderes da facção Comando Vermelho atualmente preso em presídio federal; que,
por fim, ressalta que é o segundo integrante da facção Comando Vermelho que encontrado
homiziado no interior da residência de ORUAM no período de 06 (seis) meses, demonstrando
estar estável e permanentemente associado a traficantes da referida facção; que, em 26fev25
foi preso um integrante da facção que possuía mandado de prisão preventiva pendente pelo
crime de organização criminosa e portava uma pistola com numeração suprimida e kit rajada
no interior da residência de ORUAM; que nada mais disse

Ressalte-se que nesta diligência, em razão dos fatos apurados, foi efetuada a prisão em
flagrante de PABLO RICARDO DE PAULA SILVA DE MORAIS, que foi encontrado no interior
da residência do representado e foi um dos elementos que se insurgiram, de forma violenta,
contra a atuação da equipe policial, conforme consta dos depoimentos acima transcritos.

Diante destas circunstâncias, há fortes indícios da autoria dos crimes previstos nos arts. 329
§1º, 147, 331, 129 e 163 p.u. inc. III, todos do Código Penal em relação ao nacional MAURO
DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO.

110 ANECS
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 24
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

Portanto, presente o fumus comissi delicti em relação a ele.

No tocante, ao periculum in libertatis, por toda a narrativa delitiva, é nítido que a liberdade do
investigado põe em risco à ordem pública e a garantia da aplicação da lei penal.

Ressalte-se que o representado já fez postagem em rede social desafiando as autoridades a


encontra-lo, uma vez que se evadiu para dentro da comunidade do Complexo da Penha.

Assim, também considero presente o periculum in libertatis.

Vale destacar o Parecer do Ministério Público:

"...A materialidade delitiva encontra-se comprovada pelas lesões sofridas pelo policial e pelos
danos às viaturas oficiais, devidamente documentados nos autos.

Há que se destacar, ainda, que a conduta do representado configura desafio direto e


ostensivo ao Poder Judiciário e às instituições democráticas, ao frustrar
deliberadamente o cumprimento de ordem judicial e incitar a insurgência contra
agentes do Estado por meio de redes sociais, causando grave dano à ordem pública.
Neste sentido, o comprometimento da ordem pública pela conduta do representado é
evidente, à vista do ataque coordenado contra agentes públicos no exercício
regular de suas funções. O episódio reveste-se de especial gravidade por ter ocorrido
durante o cumprimento de mandado judicial, configurando desafio frontal ao Poder Judiciário.
A vinculação orgânica do representado com a organização criminosa Comando
Vermelho, evidenciada pela reiterada utilização de sua residência como local de
acoitamento de criminosos foragidos e pela ostentação pública de sua filiação à facção,
demonstra que sua liberdade representa risco concreto e atual à segurança da coletividade.
As postagens em redes sociais nas quais o representado assume postura desafiadora às
autoridades constituem grave atentado, pois incentivam a desobediência civil e a
resistência violenta contra o Estado Democrático de Direito.
A liberdade do representado constitui, ainda, óbice intransponível ao regular
desenvolvimento das investigações. A notoriedade criminal do representado e sua vinculação
com organização criminosa armada criam atmosfera de intimidação que impede o depoimento
livre e espontâneo das testemunhas, comprometendo a descoberta da verdade material.
Além disso, a situação de foragido em território dominado por facção
criminosa facilita a destruição de elementos probatórios e a articulação de
versões falsas sobre os fatos investigados. A permanência em liberdade
possibilita, também, a reiteração de condutas criminosas similares, considerando o
padrão comportamental do representado de desafiar abertamente as autoridades e auxiliar
criminosos foragidos.
Por fim, há que se avaliar a segurança dos agentes públicos, que se encontra
diretamente ameaçada pela liberdade do representado, que já demonstrou
disposição para a violência contra policiais no exercício de suas funções.
.....
Em síntese, a atuação do plantão judiciário, inclusive em período noturno, é
justificada pela necessidade inadiável de garantir a efetividade da persecução penal, diante de
um cenário de flagrante complexidade e periculosidade, com repercussões graves
e possível envolvimento de facção criminosa armada.
Destaque-se novamente que o investigado já se encontra em situação de fuga, tendo em vista
que o delito fora praticado em situação de flagrante regular. Assim, demonstra inequívoco
desprezo pelas determinações da Justiça e clara intenção de se furtar à ação da lei.
A condição de foragido compromete gravemente a investigação, impedindo sua oitiva e
dificultando a reconstituição dos fatos e identificação de demais envolvidos. A permanência em
liberdade de investigado que já demonstrou propensão à fuga representa risco concreto de
articulação com demais membros da organização criminosa para ocultação de provas,
intimidação de testemunhas e continuidade da atividade delitiva.
A decretação da prisão temporária é, portanto, medida inadiável para possibilitar sua

110 ANECS
Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário
Tribunal de Justiça
Comarca da Capital 25
Cartorio do Plantão Judicial Capital
Dom Manuel, S/N PLANTAO JUDICIARIOCEP: 20020-903 - Centro - Rio de Janeiro - RJ e-mail:
capplantao@[Link]

localização e captura, viabilizando o prosseguimento regular das investigações.


Face ao exposto, o Ministério Público OPINA PELO DEFERIMENTO da prisão
temporária do investigado MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO, vulgo "ORUAM",
pelo prazo de 30 dias, nos termos da representação oferecida pela autoridade policial.
Subsidiariamente, caso Vossa Excelência não vislumbre o cabimento da prisão
temporária, requer-se a DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA do representado, tendo em
vista a similaridade de requisitos entre os institutos e a integral presença de todos os
pressupostos legais previstos no art. 312 do Código de Processo Penal.
Os mesmos elementos fáticos que fundamentam a custódia temporária - quais sejam, as
fundadas razões de autoria e materialidade, o risco à ordem pública, à instrução criminal e à
segurança dos agentes públicos - constituem também os requisitos autorizadores
da prisão preventiva".

Portanto, acolho a representação e adotando as ponderações contidas na promoção


ministerial, com fundamento no disposto nos Artigos 311 e seguintes do Código de Processo
Penal, DECRETO A PRISÃO PREVENTIVA de MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO,
uma vez que presentes se encontram os requisitos previstos em lei que autorizam a custódia
cautelar.

Expeça-se o mandado de prisão pertinente, pelo prazo estipulado.

Tendo em vista a pena dos crimes, fixo o prazo de validade do mandado em 8 anos.

Deixo a cargo do Juízo Natural a apreciação dos demais pedidos (Juízo de Garantias -
processo n. 0800738-19.2025.8.19.0601).

Dê ciência ao Ministério Público COM URGÊNCIA PARA o oferecimento de denúncia.

Encaminhe-se ao Juízo Natural e Ministério Público competentes para adoção das medidas
cabíveis.

Rio de Janeiro, 22/07/2025.

Ane Cristine Scheele Santos - Juiz do Plantão

___________________________________________________________

Autos recebidos do MM. Dr. Juiz

Ane Cristine Scheele Santos

Em ____/____/_____

Código de Autenticação: [Link].NLA5.F4A4


Este código pode ser verificado em: [Link] – Serviços – Validação de documentos
Øþ

110 ANECS

ANE CRISTINE SCHEELE SANTOS:29801 Assinado em 22/07/2025 11:28:00


Local: TJ-RJ

Você também pode gostar