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Fundamentos do Direito Constitucional em Portugal

O documento aborda a evolução do Direito Constitucional em Portugal, destacando a Constituição de 1976 como a mais relevante e suas revisões ao longo do tempo. Discute a diferença entre constituições formais e materiais, os direitos fundamentais em comparação com os direitos humanos, e a importância da constituição como norma suprema do ordenamento jurídico. Além disso, explora o conceito de constitucionalismo, suas origens e a transição do constitucionalismo antigo para o moderno, enfatizando a limitação do poder e a garantia de direitos individuais.

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Rita Mendonça
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Fundamentos do Direito Constitucional em Portugal

O documento aborda a evolução do Direito Constitucional em Portugal, destacando a Constituição de 1976 como a mais relevante e suas revisões ao longo do tempo. Discute a diferença entre constituições formais e materiais, os direitos fundamentais em comparação com os direitos humanos, e a importância da constituição como norma suprema do ordenamento jurídico. Além disso, explora o conceito de constitucionalismo, suas origens e a transição do constitucionalismo antigo para o moderno, enfatizando a limitação do poder e a garantia de direitos individuais.

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Direito Constitucional

A minha sebenta

A 1º Constituição conhecida em Portugal foi a constituição de 1822, que teve como


grande influência a Revolução francesa de 1789.
A mais importante é a constituição de 1976, que se encontra em vigor atualmente.
Esta constituição não é uma constituição fechada, uma vez que foi sendo alterada ao
longo dos anos. A estas alterações dá-se o nome de revisões constitucionais, e são
revisões processadas pelo poder constituinte derivado (poder de alterar uma constituição
≠ poder constituinte originário).
O objeto de estudo do Direito Constitucional é a Constituição, que se apoia em 3
pilares:
• Caracterização da disciplina jurídica, que é o direito constitucional;
• Constituição (conjunto de normas jurídicas que constituem a lei fundamental);
• Constitucionalismo (movimentos sociais, políticos e jurídicos que deram origem ao
chamado constitucionalismo moderno).
NOTA 1: o estado não é apenas uma organização. O estado somos todos nós, é uma
comunidade de homens; o interesse público primário é encontrado na constituição; a
constituição é o projeto político da comunidade, dotado de força normativa.
- O direito constitucional influencia e subordina tanto o ramo do direito privado como o
do direito público.
O Direito Constitucional apoia-se em 3 âmbitos: o âmbito material, territorial e
subjetivo.
Âmbito material: Ramo do Direito sustentado num princípio da supremacia das
respetivas normas jurídicas.
Âmbito territorial: Ramo do Direito aplicável ao território do Estado, mas com
alcance transnacional em certos casos.
Âmbito subjetivo: Ramo do Direito que regula as relações que envolvam órgãos de
soberania ou políticos e entes públicos e cidadãos em matéria de direitos fundamentais
Desta forma, entende-se que o direito constitucional é um ramo do Direito Público
Interno. Este, tem como base a constituição e esta pode dividir-se em constituição
formal e constituição material.
NOTA 2: Lei Fundamental é sinónimo de constituição
Os direitos fundamentais não são sinónimo a 100% de Direitos Humanos
- Os direitos fundamentais são sempre protegidos pelos nossos estados, na constituição
portuguesa tem direitos fundamentais que compete ao estado Portugal assegurar os
direitos dos portugueses e daqueles que lá vivem – cidadãos do estado com a sua
nacionalidade, no entanto, há quem não tenha.
Além disso os catálogos dos direitos fundamentais são mais ricos que os direitos
humanos, têm mais coisas, há um consenso. Por exemplo: o direito à saúde, o direito à
habitação – é algo óbvio, não estão consagrados nos direitos humanos pois são direitos
nacionais, uma vez que compete ao estado de cada país e são direitos fundamentais
- Os direitos humanos ligam-se a convenções internacionais, nesse caso, todos os
estados têm o dever de proteger os direitos humanos de todas as pessoas, ou seja, toda a
gente tem direitos humanos, há um consenso reduzido, o catálogo é diferente, são
direitos internacionais.
Por exemplo: prevê o direito de refúgio, mas nem todos os estados têm isso logo não é
um direito fundamental.
Pode haver direitos fundamentais e humanos iguais, por exemplo: se achar que o direito
à vida está a ser violado e for a um tribunal português invoca-se os direitos
fundamentais, se for a um tribunal europeu invoca-se os direitos humanos.
- As constituições nascem como um documento político, ligada à organização política
não de direitos, por exemplo: havia parlamento, deputados
- Dentro do ordenamento jurídico interno a constituição é a norma mais elevada, tudo o
que vem abaixo tem de respeitar a constituição
- Pode haver leis incompatíveis entre si, mas leis incompatíveis à constituição não é
possível
Órgãos de soberania:
1. Presidente da República,
2. Assembleia da República,
3. Tribunais e,
4. Governo.
A constituição formal é a que está escrita, em papel. A constituição material é a que não
está escrita, uma vez que o Direito também aparece sem ser designado, por exemplo: o
princípio da dignidade da pessoa humana, norma de valor elevado, formou-se pelo
nosso uso enquanto comunidade e costumes – assim, sendo algo óbvio é material.
Outro exemplo: o direito à vida está previsto na constituição por isso tem dimensão
formal, mas diz-nos pouco, pois envolve mais, mas que não está escrito e por isso é
constituição material.

A nossa constituição é:
 Fixa
 Escrita
 Consta toda no mesmo lugar - no mesmo livro

O QUE É UMA CONSTITUIÇÃO?


Todos os grupos sociais organizados (nomeadamente os Estados) têm uma constituição;
mas nem todos possuem um documento escrito chamado constituição e nem todos os
que têm tal documento constitucional possuem uma constituição filtrada pela ideia de
constitucionalismo.

CS - Constituição social: todos os grupos sociais têm uma constituição; constituição


como ferramenta social, de agregação de uma comunidade (e isso existe em todo o lado,
desde sempre, apesar de existir de formas diferentes); onde há sociedade há direito, e
onde há direito há constituição (todos os povos podem ter uma constituição, mas nem
todos a têm escrita) - uso descritivo do termo "constituição".
CF - Constituição formal: nem todos possuem um documento chamado constituição -
uso do termo "constituição" como nome de um tipo de documento
CN - Constituição normativa: nem todos os que têm tal documento constitucional
possuem uma constituição filtrada pela ideia de constitucionalismo (esta é que é o
objeto de estudo do direito, e é o resultado do movimento intelectual chamado
"constitucionalismo") - uso do termo "constituição" para referir o conjunto
formado por um texto e um conteúdo específico

Constituição: nasce para combater o absolutismo, visa limitar o poder

A CONSTITUIÇÃO NORMATIVA
Constituição normativa - conjunto de regras que têm um valor superior, pois consagra
princípios que consideramos ter valores fundamentais

Conjunto de regras jurídicas


 Vinculativas do corpo político e limitadoras do poder: absolutismo e anti
despotismo
 Informado por princípios materiais fundamentais:
 Separação de poderes
 Distinção entre poder constituindo e poderes constituídos
 Garantia de direitos e liberdades
 Governo representativo
 Controlo político/judicial do poder

A constituição normativa não se basta com um conjunto de regras jurídicas formalmente


superiores
As regras integradas no corpo constitucional devem corporizar valores dotados de
bondade material

Bondade material: material designa sempre conteúdo, substância. Há valores que


consideramos, na sua essência, bons/justos - ex.: separação de poderes é um valor
considerado bom/justo

O QUE FAZ PARTE DA CONSTITUIÇÃO?

Como delimitar o corpus da Constituição?


 Candidatos positivos: materiais normativos que fazem parte da Constituição
 Candidatos neutros: materiais normativos cuja inclusão na Constituição suscita
dúvidas
 Candidatos negativos: materiais normativos que não integram o âmbito da
Constituição

Abordagens possíveis:
1. O corpus constitucional é constituído apenas pelo texto formalmente criado com
valor de Constituição
2. O corpus constitucional é constituído não só pelo texto formalmente criado com
valor de Constituição, mas também por outros materiais normativos
3. O corpus constitucional é constituído apenas por uma parte do texto
formalmente criado com valor de Constituição

O TEXTO CONSTITUCIONAL
Mesmo considerado que a Constituição se resume ao texto constitucional, a questão de
delimitar o âmbito da Constituição nem sempre é fácil
 Nem sempre o texto constitucional está reunido num documento único
 Por vezes, além do documento constitucional, há outros instrumentos (de direito
interno ou direito internacional) com valor constitucional

MAIS DO QUE O TEXTO CONSTITUCIONAL


Mesmo em ordens jurídico-constitucionais onde existe um documento que condensa a
quase totalidade das regras constitucionais, é possível a inclusão de outros materiais
Esta inclusão pode dar-se por:
 Reenvio constitucional: é a própria Constituição que remete para outros
elementos
 Costume constitucional: um ato ou facto institucionaliza-se, assumindo natureza
constitucional, em virtude do (1) uso prolongado e (2) da convicção da sua
juridicidade
 Interpretação constitucional: o poder judicial revela regras constitucionais que
concretizam ou expandem o teor literal do texto constitucional
MENOS DO QUE O TEXTO CONSTITUCIONAL
Poderão excluir-se da Constituição normas que, embora inseridas no texto
constitucional, não são materialmente constitucionais?
 Normas cuja importância constitucional é transitória
 Normas de escassa relevância constitucional
 Normas garantidoras de "posições constitucionais"
 Normas técnicas de carácter regulamentar
A redução do corpus constitucional por via interpretativa acarreta o risco de quebrar a
unidade da Constituição, pelo que parece preferível reconhecer o igual valor de todas as
normas constitucionais

A CONSTITUIÇÃO MATERIAL
O Direito Constitucional é um "direito vivo", que não se limita à formalidade (law in
the books), sendo um direito em constante evolução (law in action)
Por conseguinte, existe um Direito Constitucional não escrito, que, embora encontro os
seus fundamentos e limites na Constituição escrita, a completa, desenvolve e vivifica

A constituição material é o conjunto de fins e valores constitutivos do princípio efetivo


da unidade e permanência de um ordenamento jurídico e o conjunto de forças políticas e
sociais que os exprimem, assegurando a respetiva prossecução e concretização.

Lógica subjacente aos candidatos positivos que compõem a Constituição material:


 Natureza constitutiva: estarão em causa elementos "fundacionais", que
conformem a própria Constituição
 Dimensão integradora: estarão em causa elementos que são chamados pela
própria Constituição, dando-lhe integralidade
 Carácter indispensável: estão em causa elementos de que depende uma leitura
lógica e coerente da Constituição
DO CONSTITUCIONALISMO ANTIGO AO CONSTITUCIONALISMO
MODERNO
MOVIMENTOS CONSTITUCIONAIS E CONSTITUCIONALISMO
Constitucionalismo: teoria que ergue o princípio do governo limitado indispensável à
garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma
comunidade

O constitucionalismo moderno constitui uma técnica específica de limitação do poder


ao qual subjaz uma finalidade garantística.
CONSTITUIÇÃO MODERNA E CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA

Constitucionalismo antigo Constitucionalismo moderno


Conjunto de princípios escritos ou
Movimento político, social e cultural
consuetudinários que sustentam a
que propõe uma nova forma de
existência de direitos estamentais
ordenação e fundamentação do poder
perante o monarca e limitam o seu
político e a afirmação de direitos e
poder
liberdades individuais

Constituição antiga Constituição moderna

Conjunto de regras (escritas ou Ordenação sistemática e racional da


consuetudinárias) e de estruturas comunidade política através de um
institucionais conformadoras de uma documento escrito no qual se declaram as
dada ordem jurídico-política num liberdades e direitos e fixam os limites do
determinado sistema político-social poder político

A Constituição resulta da realidade A Constituição rompe com a realidade


sociopolítica e dá-lhe suporte sociopolítica e organiza-a de forma
diferente.

MODELOS DE COMPREENSÃO
Constituição moderna
 Ordenar e limitar o poder político
 Reconhecer e garantir os direitos e liberdades do indivíduo
Três modelos de permitem a compreensão da formulação do conceito:
1. Modelo britânico - historicista
2. Modelo francês - individualista (mais parecido com o nosso)
3. Modelo americano - uso da liberdade

MODELO HISTORICISTA

Magna Carta: os nobres ingleses revoltaram-se contra o rei João I devido aos seus
impostos abusivos e poder absoluto; é um documento que o rei foi obrigado a assinar.
estabeleceu pela primeira vez que o rei não estava acima da lei, limitando o seu poder e
protegendo os direitos dos nobres (e, por extensão, dos cidadãos livres). É a base do
constitucionalismo
Petition of Rights: conflito entre o Parlamento e o rei Carlos I, que governava de forma
autoritária e arrecadava impostos sem aprovação parlamentar; é um documento do
parlamento que o rei foi obrigado a aceitar, e que o proibia de: cobrar impostos sem
consentimento do Parlamento, prender pessoas sem julgamentos, declarar lei marcial em
tempo de paz
Revolução Puritana (Guerra Civil Inglesa): o desentendimento total entre o rei Carlos I
(que queria poder absoluto) e o Parlamento (dominado por puritanos, que queriam mais
poder); é uma guerra civil entre os apoiantes do rei e os apoiantes do Parlamento,
liderados por Oliver Cromwell. O Parlamento venceu
República de Cromwell: após a vitória na guerra civil, o rei Carlos I foi decapitado e a
monarquia abolida; a Inglaterra tornou-se uma república, chamada "Commonwealth".
Na prática, tornou-se uma ditadura militar liderada por Cromwell, com o título de "Lord
Protector"
Restauração Monárquica: após a morte de Cromwell, o seu sistema era instável e
impopular, o país queria de volta a estabilidade da monarquia; o parlamento convidou
Carlos II, filho de Carlos I, para voltar do exílio e ser rei. A monarquia foi restaurada,
mas com poderes mais reduzidos
Revolução Gloriosa: o rei Jaime II (católico) era muito impopular e tentou restaurar o
poder absoluto e o catolicismo; foi uma revolução sem sangue. O Parlamento convidou
o holandês Guilherme de Orange (protestante) a invadir e a substituir Jaime II.
Guilherme e a sua mulher Maria tornaram-se monarcas conjuntos
Bill of Rights: imediatamente após a Revolução Gloriosa, para consolidar o poder do
Parlamento e impedir futuros abusos reais; é uma lei aprovada pelo Parlamento que
Guilherme e Maria tiveram de aceitar. Estabeleceu de vez a soberania do Parlamento: só
o Parlamento pode aprovar leis e impostos, liberdade de discurso no Parlamento,
proibição de monarcas católicos. Foi o passo final para a monarquia constitucional

 Não existe um texto único que constitua a Constituição britânica, sendo a sua
principal fonte originária o costume.
 Ao longo dos tumultos políticos do séc. XVII, a supremacia absoluta do Rei dá
lugar à primazia do Parlamento.
 Os direitos adquiridos foram sendo consagrados em "contratos de domínio",
assumindo natureza predominantemente corporativa.
 O modelo constitucionalista inglês radicaliza-se, fundamentalmente, no binómio
liberty (entendida como liberdade pessoal) e property (requerendo a garantia da
segurança dos bens).
 O binómio liberdade e propriedade encontra-se em todos os contratos de
domínio;
os direitos fundamentais estavam associados a este binómio.
 A garantia da liberdade e segurança dá lugar à instituição de um processo justo
regulado por lei (due process of law) que disciplina a privação da liberdade e
propriedade.
 As leis que tutelam as liberdades (laws of the land) são dinamicamente
interpretadas e reveladas pelos juízes, e não pelo legislador, que, por esta via,
vão cimentando o direito comum (common law).
 A partir, sobretudo, da Revolução Gloriosa, a representação e soberania
parlamentar ganha estatuto constitucional, como garantia de um governo
moderado.
 Além do Rei e dos lordes, um novo grupo social consegue entrar no parlamento,
que assume estrutura colegial (King, Lords and Commons).
 A Constituição afirma-se como constituição mista, através da qual o poder
deixa de estar concentrado nas mãos do monarca e passa a ser partilhado por ele
e outros órgãos do governo (no caso, o parlamento), instituindo-se o governo
misto.
 A supremacia do parlamento dá lugar à afirmação do poder supremo da lei
(parlamentar), dando origem ao princípio do Estado de Direito (rule of law)

Características do Constitucionalismo Inglês:


 Constituição flexível: a modificação da Constituição cabe ao Parlamento, sendo
realizada, a qualquer altura, através do mesmo processo de alteração da lei
ordinária.
 Centralidade da jurisprudência: o juiz interpreta e revela as laws of the land,
criando o direito comum por via da aticidade jurisprudencial.
 Princípio da legalidade: o ordenamento jurídico tem como princípio estruturante
a rule of law, que restringe o exercício do poder.

O princípio da legalidade leva a quatro dimensões da rule of law:


1. Julgamento dos cidadãos de acordo com um processo justo regulado por lei (due
process of law).
2. Primazia da lei do Parlamento, enquanto exercício do poder supremo, que
protege os cidadãos contra o exercício arbitrária do poder real.
3. Sujeição de todos os atos do poder executivo ao Parlamento.
4. Igualdade de acesso aos tribunais por parte dos cidadãos.

MODELO INDIVIDUALISTA
Convocação dos Estados Gerais: França em bancarrota, crise económica e fome. O rei
Luís XVI não conseguia cobrar novos impostos; o rei foi obrigado a convocar os
Estados Gerais (uma assembleia com representantes dos 3 estados: Clero, Nobreza e
Povo). Não se reunia há 175 anos. Foi o estopim da revolução
Constituição da Assembleia Nacional: o Terceiro Estado (povo) estava em desvantagem
nos Estados Gerais e revoltou-se; os representantes do povo autoproclamam-se
"Assembleia Nacional", jurando não sair até darem uma constituição a França. Foi um
ato de rebelião contra o rei
Tomada da Bastilha: medo de que o rei dissolvesse a Assembleia Nacional e ataques de
tropas reais; o povo de Paris assaltou a Bastilha (prisão estatal e símbolo do poder
absoluto do rei) para obter armas. É o símbolo do início da Revolução Francesa
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão: após a queda do Antigo Regime, era
necessário definir os princípios da nova França; é um documento fundamental que
proclama a liberdade, igualdade, soberania nacional e os direitos naturais do Homem. É
a base da democracia moderna
Instituição da República: a monarquia foi-se tornando insustentável. O rei tentou fugir e
foi acusado de traição; após a insurreição popular, a monarquia foi abolida e foi
instaurada a Primeira República Francesa. O rei Luís XVI foi guilhotinado em 1793
Período do Terror: República em perigo (guerras externas, revoltas internas). Liderado
por Robespierre e os Jacobinos: é um período de governo revolucionário radical para
defender a revolução. Usou o terror de estado (guilhotina) para eliminar "inimigos". Foi
uma ditadura
Diretório: reação ao terror. Robespierre foi guilhotinado e os moderados tomaram o
poder; é um governo mais conservador e corrupto, com poder a cargo de 5 ditadores.
Foi um período instável, ameaçado por monárquicos e radicais
Golpe de 18 do Brumário: instabilidade do Diretório e ascensão de um general popular:
Napoleão Bonaparte; Napoleão, com o apoio do exército, deu um golpe de estado e
dissolveu o Diretório. Marcou o fim da Revolução Francesa e o início da ditadura de
Napoleão

 A tradição constitucional francesa, diferentemente do evolucionismo britânico,


é marcada pelo aparecimento abrupto de categorias políticas novas.
 A sedimentação histórica inglesa não tinha rompido com os esquemas medievais
dos "direitos dos estamentos", sendo apenas com a Revolução Francesa que se dá o
primeiro momento de autêntica rutura com o Antigo Regime.
 A Revolução Francesa procurava edificar uma nova ordem jurídico-política
sobre
os direitos naturais dos indivíduos.
 Os direitos proclamados eram individuais (atribuídos ao indivíduo enquanto tal),
e não estamentais (atribuídos aos indivíduos enquanto membro de determinado
estamento, segundo uma "ordem natural das coisas")

Tudo isto leva à Centralidade dos direitos individuais

 A rutura com o Antigo Regime exigiu um exercício de refundação ou


legitimação do poder político que não tinha sido necessário no quadro do
constitucionalismo britânico, em que a ideia de governo moderado e de
constituição mista davam continuidade ao modelo anterior.
 A "ordem dos homens" deixa de ser divina ou natural e passa a ser vista como
artificial - isto é, construída.
 A respetiva legitimação vai fundar-se na ideia de contrato social, segundo a qual
as vontades individuais constroem a sociedade humana por acordo

Assim, leva à ideia de contratualização da ordem política

IMPORTANTE: Direitos individuais + contratualização da ordem política -> poder


constituinte -> a criação de uma nova arquitetura política exigia um documento escrito
que garantisse direitos e conformasse o poder político -> só podia ser elaborado pela
Nação, a única entidade com verdadeiro poder soberano (originário) para criar a lei
fundamental.

 Logo em 1789, é proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do


Cidadão, que prescreve, entre outros, que numa sociedade em que não esteja
assegurada a garantia dos direitos fundamentais nem consagrada a separação dos
poderes não existe constituição (art. 16º).
 A Revolução durante vários anos, ao longo dos quais são aprovadas várias
Constituições - verifica-se, por isso, uma descontinuidade formal no
constitucionalismo francês.
 Todas as Constituições foram escritas, entendendo-se que, desta forma, estaria
melhor assegurado o seu cumprimento pelos governantes

Características do constitucionalismo francês:


 Supremacia da Lei: o parlamento, representando a Nação, exprime a vontade
geral, pelo que poder legislativo e a lei produzida têm supremacia em relação
aos outros poderes e respetivos atos.
 Negação da supremacia do poder judicial: o poder judicial deve estar
subordinado ao poder legislativo (à lei), assim se evitando que os juízes
substituam a vontade geral pela sua vontade individual. Aos juízes cabe aplicar a
lei, e não interpretá-la.
 Negação da supremacia da Constituição: dada a supremacia da lei, o controlo
da constitucionalidade das leis é muito limitado e em caso algum deve ser
realizado pelos tribunais ordinários, sendo realizado por um órgão
administrativo.
O constitucionalismo francês dá lugar ao modelo de "Estado de Legalidade"
(legicentrismo):
 A lei é criada exclusivamente pelo órgão legislativo, que representa a Nação e
exprime a vontade geral.
 O poder executivo deve atuar em escrito cumprimento da legalidade, respeitando
o princípio da legalidade da administração.
 A lei deve ser geral e abstrata, pois só assim se exprime, efetivamente, a vontade
geral.
CONSTITUCIONALISMO AMERICANO

Primeiro
Congresso
Lei do Selo Massacre de Continental Tratado de Paris
(1765) Boston (1770) (1774) (1783)

Congresso Festa do Chá de Declaração de Aprovação da


Continental Boston (1773) Independência Constituição
(1765) (1776) (1787/1789)
• A Revolução Americana surge em oposição ao parlamento inglês, que impunha
impostos aos povos das colónias sem admitir a sua representação (no taxation
without representation);
• O constitucionalismo americano encontra, por isso, raiz na oposição à
omnipotência do legislador;
• O ‘povo’ (e não a ‘nação’, como na tradição francesa) é assumido como fonte do
poder soberano, devendo estar protegido contra as leis parlamentares;
• Emerge uma conceção de ‘democracia dualista’: algumas decisões são tomadas
diretamente pelo povo (momentos constitucionais), ao passo que outras são
tomadas pelo governo.
• O poder constituinte é atribuído ao povo, que fixa regras disciplinadoras e
domesticadoras do poder, oponíveis aos governantes e ao legislador;
• Todavia, diferentemente da nação de tradição francesa, o povo não é um
soberano omnipotente, cuja vontade deve guiar toda a vida política (por via da
lei parlamentar); ao invés, o povo intervém apenas no momento constituinte e
deixa a tomada de decisões ordinárias aos seus representantes (através da ação
executiva);
• O modelo americano distingue-se por se alicerçar na ideia de governo limitado –
o governo soberano deve atuar dentro das restrições impostas pela constituição
elaborada pelo povo;
• A Constituição assume-se como higher law, mas também como paramount law
– lei superior que deve ser respeitada pelas leis inferiores, sob pena de nulidade;
• O poder judicial torna-se verdadeiro defensor da constituição, fiscalizando a
constitucionalidade através da judicial review.
Características do constitucionalismo americano
- Constituição como Higher Law: A Constituição, resultando do acordo do povo, é a lei
superior, devendo ser respeitada pelos governantes, cuja ação deverá ser conforme com
os preceitos constitucionais.
- Constituição como Paramount Law: A supremacia da Constituição determina que
quaisquer leis inferiores que forem contrárias às suas disposições serão nulas.

Sendo a lei mais elevada, a Constituição só pode ser alterada através de um processo
complexo, diferente do processo legislativo ordinário (“constituição rígida”).
- Judicial Review: O poder judicial fiscaliza a constitucionalidade das leis, bem como
garante os cidadãos face a condutas governamentais contrárias às disposições
constitucionais, podendo qualquer tribunal desaplicar a lei e obrigar o governo a
respeitá-la.
MODELOS DE COMPREENSÃO

PODER CONSTITUINTE E CONSTITUCIONALISMO


1. Quem tem poder para criar uma constituição?
2. Que procedimento deve ser seguido?
3. Existem limites ao exercício do poder constituinte?
1.1 Modelos de compreensão
Constitucionalismo inglês: Garantia de equilíbrio entre poderes medievais, assegurando
um governo moderado e os direitos e liberdades firmados historicamente
O poder constituinte REVELA a Constituição
Em suma, a lógica é: a constituição vai surgindo ao longo do tempo, logo vai se
revelando. Algo que já está lá, nos só temos de descobrir/revelar, o poder constituinte
revela a constituição, ligada à fonte do costume.

Constitucionalismo francês: Criação de uma nova ordem política e social, em rutura


com a anterior, em que a Nação assume poder absoluto.
O poder constituinte CRIA a Constituição

Em suma, o poder constituinte cria a constituição, a partir do nada, é caracterizado pela


rutura, ou seja, a constituição é criada de modo a instaurar uma nova era.

Constitucionalismo americano: Limitação do governo e garantia dos direitos individuais


contra a arbitrariedade dos poderes ordinários.
O poder constituinte DIZ a Constituição
Em suma, o poder constituinte diz a constituição, tentam fazer regras para
ordenar os assuntos internos, ou seja, é o conjunto de regras às quais o Governo tem de
obedecer, a constituição dita os limites do exercício do poder.

Constitucionalismo inglês - Revelar a Constituição

• A constituição inglesa consiste num corpus de normas costumeiras e um


reduzido número de documentos escritos que limitam a autoridade do monarca e
garantem os direitos e liberdades estamentais;
• A constituição não é, por isso, criada deliberadamente, antes consistindo na
confirmação das normas constitucionais já existentes, que se foram produzindo
ao longo dos tempos;
• Inexiste, no constitucionalismo inglês, uma ideia de poder constituinte atribuída
a um ator abstrato (o povo ou a nação) e exercida para projetar uma nova ordem;
O poder constituinte limita-se a revelar a Constituição que se forma historicamente.

Constitucionalismo francês - Criar a Constituição


• O constitucionalismo francês assume o intuito de romper com a ordem anterior e
criar uma nova ordem política e social;
• O poder constituinte é, por isso, atribuído à Nação, que tem poder originário,
autónomo e omnipotente para criar tudo de novo “a partir do nada”;
• Uma vez que toda a ordem anterior deve ser destruída, o exercício do poder
constituinte é ilimitado e só pode ser exercício pela entidade com legitimidade
política originária;
• A Constituição tem uma força projetante, dirigindo-se para o futuro.
O poder constituinte cria uma Constituição destinada a instaurar uma nova era.
Constitucionalismo americano - Dizer a Constituição
• A Constituição dos EUA é configurada como documento inviolável onde são
registadas as normas superiores a que deve obedecer o poder político;
• O povo surge como soberano mais elevado, entendido em termos alargados
(incluindo os eleitores, mas também os representantes dos Estados federados);
• Os poderes ordinários são criados pela Constituição, colocados em posição
equiordenada e equilibrada e subordinados às disposições constitucionais;
• Os cidadãos são garantidos contra o arbítrio dos poderes políticos mediante
garantia de direitos constitucionais;
• A Constituição prescreve as “regras do jogo” para os poderes políticos e para a
sociedade.
O poder constituinte diz a Constituição, por esta via ditando os limites do exercício do
poder.

JOHN LOCKE E O SUPREME POWER


• Locke desenvolve uma teoria do contrato social segundo a qual a saída do estado
de natureza se dá por vontade da sociedade civil, na qual reside, por isso, o
poder soberano;
• Essa passagem para uma sociedade organizada pressupõe que o povo consinta na
atribuição de um poder limitado e específico a um soberano que legislará em seu
nome;
• Sendo o povo o soberano originário, só ele tem autoridade política para
estabelecer a constituição política da sociedade;
• Distingue-se, por isso, o poder constituinte, que é do povo, do poder ordinário,
exercido pelo governo.

E. SIEYÈS E O POUVOIR CONSTITUANT


• Num quadro de luta contra a monarquia absolutista, o poder constituinte é
reconhecido à Nação;
• A Nação tem plena liberdade para criar a constituição, porquanto o seu poder é
originário e soberano;
• O poder constituinte dirige-se, por isso, à instauração de uma nova ordem
política, sendo através desse processo criador que seriam instituídos os poderes
constituídos, conformados e regulados pela própria constituição;
• O poder constituinte é sempre omnipotente e autónomo, assumindo contornos
quase divinos.

MADISON E CONSTITUTIONAL POLITICS


• A “constitutional politics” surge em momentos excecionais de mobilização
popular e destina-se a estabelecer os esquemas fundadores de uma nova ordem
constitucional;
• A “ordinary politics” desenvolve-se com base nas regras e princípios
estabelecidos na lei superior e fundamental;
• A revisão constitucional reconduz-se a este segundo campo, devendo, por isso,
respeitar os limites instituídos no texto constitucional.

PODER CONSTITUINTE E REVISÃO


O poder constituinte é o poder de mudar, rever, criar ou por fim a uma constituição.
Distingue-se dos poderes constituídos que são: Legislativo, Executivo e Judicial.
O poder constituinte distingue-se do poder originário e do poder derivado.
O poder originário é mais livre, com alguns limites, mas não são apertados, é por isso, o
poder de criar a constituição.
O poder derivado é poder alterar a constituição, é mais limitado.
TITULAR DO PODER CONSTITUINTE
O titular do poder constituinte é o povo, desta forma, o povo é caracterizado como
“grandeza pluralística”.
A grandeza pluralística são: indivíduos, associações, grupos, igrejas, comunidades,
personalidades… defensores de interesses, ideias, crenças e valores que podem ser
convergentes ou conflituantes.
Assim, não se trata de um povo caraterizado pela sua origem, língua ou cultura comum
(povo em sentido rácico, naturalista ou étnico); mas antes de um povo em sentido

político, isto é, de um grupo de pessoas que agem segundo ideais e interesses de


natureza política.

PROCEDIMENTO CONSTITUINTE

1. Decisões pré-constituintes
2. Ato procedimental constituinte

Procedimento representativo Procedimento direto

1. Assembleia constituinte soberana; 1. Referendo constituinte;


2. Assembleia constituinte não soberana; a) Proposta elaborada por órgãos
3. Assembleia constituinte e convenções políticos;
do povo. b) Proposta elaborada por iniciativa
popular.
2. Plebiscito.

3. Adoção da constituição
DECISÕES PRÉ-CONSTITUINTES
1. Decisão de elaborar uma lei fundamental;
2. Edição de leis constitucionais provisórias.

Estabelecimento de condições mínimas e regras indispensáveis para a feitura de uma


Constituição legítima
Referendo constituinte – aprovada mediante livre decisão popular num processo
referendário justo.
Plebiscito – aprovada por votação popular, sem regras procedimentais estabelecidas.

ATO PROCEDIMENTAL CONSTITUINTE


Procedimento representativo

elaboração da Constituição por uma assembleia constituinte

A assembleia pode, ou não, ser responsável pela aprovação final do texto elaborado.
1. Assembleia constituinte soberana: uma assembleia especial, eleita para
o efeito, elabora o texto constitucional e aprova-o, sem intervenção direta do povo.
Assim, o povo delega o poder de elaborar e o poder de aprovar a Constituição numa
Assembleia eleita para o efeito.

2. Assembleia constituinte não soberana: a assembleia elabora e discute


um ou mais projetos de Constituição, que serão submetidos a aprovação popular,
mediante referendo.
Assim, o povo delega o poder de elaborar a Constituição, mas não o poder de a aprovar
ou rejeitar.
3. Assembleia constituinte e convenções do povo: a assembleia elabora e
discute o projeto de Constituição, que será submetido a aprovação em convenções do
povo reunidas em diversos centros territoriais expressamente para esse efeito.
Assim, o povo delega o poder de elaborar a Constituição, mas não o poder de a aprovar
ou rejeitar.
Procedimentos diretos

aprovação da Constituição elaborada pelos órgãos políticos ou por cidadãos diretamente


pelo povo.

O texto constitucional pode ser elaborado por órgãos políticos ou por grupos de
cidadãos
1. Aprovação por referendo: a Constituição é aprovada mediante livre decisão
popular exercida através de um processo referendário justo, podendo ser o texto
constitucional apresentado a votação elaborada por:
a) Órgãos políticos (por ex. a assembleia legislativa ou o governo);
b) Iniciativa popular (um conjunto de cidadãos).
2. Aprovação por plebiscito: a Constituição é aprovada por votação popular de
um
projeto unilateralmente elaborado pelos titulares do poder e dirigido a alterar a ordem
constitucional vigente em termos juridicamente duvidosos.

LIMITES DO PODER CONSTITUINTE


Na teoria clássica, o poder constituinte era configurado como poder autónomo,
incondicionado e livre e, por isso, o exercício do poder constituinte partida do “nada”
político, jurídico e social. No entanto, há desvinculação jurídica completa e, hoje em
dia, a compreensão atual do poder constituinte é diversa, reconhecendo-lhes limites de
várias ordens.
Há três tipos de limites do poder constituinte:
1. Limites transcendentes: limites que antecedem a vontade do povo,
baseados em valores éticos superiores, associados a uma específica consciência jurídica
coletiva.
- O sujeito constituinte obedece a padrões e modelos de conduta espirituais, culturais,
éticos e sociais radicados na consciência jurídica geral da comunidade, bem como
observa certos princípios de justiça;

2. Limites Imanentes: limites que decorrem da noção e sentido do poder


constituinte formal, ligados à configuração e identidade do Estado no contexto
histórico-cultural em que o poder constituinte é exercido.
- O poder constituinte está limitado pela conceção de Estado que se pretende constituir,
emergente do contexto histórico-cultural em que a rutura com a ordem anterior se deu;

3. Limites Heterónomos: limites provenientes da conjugação com outros


ordenamentos jurídicos, nomeadamente o Direito Internacional.
- O poder constituinte encontra-se vinculado por princípios de direito internacional, quer
de carácter geral (ius cogens) quer de carácter especial (obrigações assumidas pelo
Estado); além disso, no caso dos Estados federais, o poder constituinte dos Estados
federados está também vinculado às opções do poder constituinte federal.

HISTÓRIA CONSTITUCIONAL PORTUGUESA

O CONSTITUCIONALISMO VINTISTA
Nota: O constitucionalismo vintista refere-se ao movimento liberal radical que vigorou
em Portugal entre 1820 e 1823, após a Revolução de 1820, que foi marcada pela
influência da Constituição Espanhola de Cádis e pela adoção de uma constituição
liberal, a primeira do país. Este movimento estabeleceu a separação de poderes e deu
primazia às liberdades individuais.

PODER CONSTITUINTE (1822)


• A Constituição de 1822 surge na sequência da revolução liberal de 1820, tendo
inaugurado a monarquia constitucional portuguesa;
• O poder constituinte foi expressão do confronto e compromisso entre os grupos em
confronto no período revolucionário; • A disputa em torno do modelo político-
constitucional a instituir colocou em confronto três modelos:
1. Constitucionalismo inglês: apoiado pela ala moderada;
2. Constitucionalismo francês: inspirava o setor radical;
3. Constitucionalismo espanhol: advogado pelos gradualistas
Como era a constituição de 1822?
Havia princípios consagrados nesta constituição:
 Princípio democrático: reconhecimento da Nação como titular da soberania,
não dependendo a elaboração da Constituição do Rei;
 Princípio representativo: a Constituição é elaborada pelos deputados eleitos
da Nação;
 Princípio da separação de poderes: distinção dos poderes legislativo,
executivo e judicial e garantia de esferas autónomas de atuação;
 Princípio da igualdade jurídica e respeito pelos direitos pessoais: reconhece-
se, pela primeira vez em língua portuguesa, que a lei deve ser igual para todos.
 O princípio do respeito pelos direitos pessoais
Nesta constituição encontrava-se, logo no Título I, o catálogo dos direitos e deveres
fundamentais e individuais.
Os direitos consagrados são, sobretudo, liberdades, dirigindo-se alguns deles contra o
Antigo Regime, eliminado privilégios. Algumas disposições consagram imposições
constitucionais (por ex. em matéria de instrução básica da população).
PODER LEGISLATIVO (relativamente ao princípio da separação de poderes)
O poder legislativo residia nas Cortes, dependendo da sanção do rei - O rei tinha direito
de veto (proibição) suspensivo: em caso de recusa de sanção da lei, as Cortes podiam,
através de segunda deliberação maioritária, superar o veto, sendo a sanção real
obrigatória após esta decisão confirmadora.
• As Cortes configuravam-se como assembleia unicameral, ou seja, só tinha uma câmara
eleita bienalmente, isto é, de 2 em 2 anos;
• Os deputados eram eleitos através de sufrágio não universal e censitário.
Não Universal: Estavam excluídos do exercício do direito voto as mulheres, os
menores de 25 anos, os homens “no poder e companhia dos pais”, os “criados de
servir”, os “vadios” e os “regulares”.
Censitário: Não podiam ser eleitos, entre outros, aqueles que não gozassem de renda
suficiente para se sustentar.
 Ao poder legislativo incumbia a função legislativa, o controlo político da
constitucionalidade e da legalidade e, entre outras, a competência para aferir a
responsabilidade por factos ilícitos dos secretários de Estado;
 A iniciativa de leis pertencia aos deputados, embora os secretários de Estado
pudessem fazer propostas que, depois de examinadas, podiam ser convertidas em
projetos de lei;
 A conceção vintista da lei aproxima-se da matriz francesa que concebe o
parlamento como fonte monista de legitimidade legiferante – a lei surgia como norma
jurídica primária universal, de tal modo que os demais poderes só podiam atuar com
base nela ou em execução dela.
O Rei e o Conselho de Estado
• A Constituição de 1822 configura a monarquia como monarquia limitada, acentuando
o caráter derivado da autoridade do Rei (“A autoridade do Rei provém da Nação”) e
delimitando a competência do monarca no quadro da separação de poderes;
• O Rei é “Chefe de Estado” e Chefe do Executivo, sendo, nesta última função, assistido
por secretários de Estado;
• O Conselho de Estado, composto por treze cidadãos portugueses de origem nomeados
pelo Rei, devia ser ouvido em matérias importantes (nomeadamente, sobre dar sanção às
leis) e propunha ao Rei pessoas para as magistraturas e bispados.
Início e sessão da vigência
• A Constituição de 1822 vigora, inicialmente, entre 23 de setembro de 1822 e 4 de
junho de 1823;
• O fim do seu 1.º período de vigência é imposto pela Vilafrancada, o movimento
contrarrevolucionário chefiado por D. Miguel;
• Após a Revolução de Setembro, a 10 de setembro de 1836, o texto vintista é
reinstituído, vigorando até ser substituído pela Constituição de 1838.
O CONSTITUCIONALISMO DA RESTAURAÇÃO
Constitucionalismo Histórico
• O conceito abstrato-normativo da revolução liberal foi alvo de acérrima crítica por
parte do pensamento tradicionalismo e contrarrevolucionário.
Constitucionalismo revolucionário
✓ A Constituição é criada pelo exercício da razão, impondo à realidade um esquema
elaborado em abstrato;
✓ A Constituição rompe com o estado de coisas, recusando qualquer herança histórica;
✓ O teor da Constituição é a-histórico, podendo ser transposto de um contexto concreto
para outro;
VS
Constitucionalismo histórico
✓ A Constituição limita-se a expressar as conquistas alcançadas ao longo do tempo,
sendo um produto histórico concreto;
✓ A Constituição resulta da cristalização da evolução histórica da Nação, dela não se
separando;
✓ O teor da Constituição é enraizado, devendo corresponde à realidade constitucional
concreta de cada Estado.

CONSTITUCIONALISMO HISTÓRICO
• Em Portugal, o constitucionalismo histórico é defendido pelos miguelistas e pelos
teóricos absolutistas, que defendiam o retorno ao regime anterior;
• Os defensores da Constituição histórica defendem o regresso ao absolutismo,
entendendo não ser por via constitucional que se opera a transformação da ordem
existente;
• O pensamento contrarrevolucionário insistia numa conceção de “constituição natural”,
que se ajustava ao ser histórico concreto e às condições históricas nacionais, por
oposição à Constituição de 1822 que tinha pretendido superar o Antigo Regime e
instituir uma monarquia constitucional moderada;
• Este pensamento está presente, em particular, no movimento cartista.

CONSTITUCIONALISMO DA RESTAURAÇÃO - 1826


• O movimento cartista defendia as “constituições outorgadas” ou “cartas
constitucionais”.
A constituição devia corresponder à realidade existente, criando uma ordem normativa
que replicasse a realidade histórica do país.

No contexto histórico em que a revolução liberal se dá em Portugal, tal implicaria fazer


corresponder a Constituição ao modelo de monarquia hegemónico na Europa dominada
pela Santa Aliança.

Movimento Cartista

Os princípios constitucionais da soberania popular e divisão de poderes deviam


articular-se com o princípio monárquico

O Rei e a representação nacional são poderes diversos (coexistentes), que não podem
derivar-se um do outro

A autoridade real não deriva da Nação, sendo antes paralela à soberania popular, que se
expressa através de órgãos representativos próprios

• As cartas constitucionais surgem como um compromisso entre o princípio monárquico


e os direitos de participação liberais-parlamentares;
• O compromisso por esta via sedimentado era também um compromisso entre os
elementos nobiliárquicos-feudais e as ideias e interesses da burguesia liberal

✓ O sistema monocameral é substituído por um sistema bicameral, em que as duas


câmaras do parlamento representam diversas forças sociais;
✓ O regime censitário é agravado, quer em termos quantitativos, quer em termos
qualitativos, excluindo-se algumas classes sociais até do exercício do direito de voto.

A ORDEM LEGAL E O JUSTE MILIEU


• No quadro do ideário da restauração vão surgir duas ideias que influenciarão o modo
como o constitucionalismo é perspetivado:
“Ordem legal”

Refere-se à ordem fundada no direito constitucional positivo, defendida pelos


“partidos ordeiros” contra a “anarquia popular” traduzida em revoltas e protestos.

“Política do juste milieu”

Associada à ideia de centrismo e de moderação política, refere-se à estratégia dos


“partidos ordeiros” de votar num sentido ou noutro consoante o que se mostrar mais
adequado, sem conceção pré-fixas.

Carta Constitucional de 1826


• A rutura com a ordem liberal vintista não acontece logo com a Vilafrancada;
• O rei D. João IV procurou enveredar pelo moderantismo, mediante elaboração de uma
carta que mantivesse alguns elementos do vintismo, mas que reconhecesse a soberania
régia;
• Em virtude da oposição manifesta dos representantes da Santa Aliança, tal carta nunca
foi promulgada;
• Após a morte de D. João IV, D. Pedro outorgou uma Carta Constitucional à Monarquia
Portuguesa e abdicou na sua filha D. Maria, que haveria de casar-se com D. Miguel.
Como era a constituição de 1826?
• O poder constituinte da Carta de 1826 baseia-se no princípio monárquico, e já não no
princípio da soberania popular: é o monarca que, por livre vontade, outorga a lei
fundamental (não sendo os representantes do povo que a elaboram);
• A monarquia assume-se, todavia, como limitada e representativa.
Limitada: Vinculada por normas jurídicas e pela assistência de uma pluralidade de
órgãos
Representativa: Coexistente com um órgão representativo – as cortes

Todavia, a iniciativa e a sanção são prerrogativas do Rei

Princípios:
1. Princípio Monárquico
2. Princípio da Divisão de poderes: À divisão de poderes não corresponde
uma completa divisão de funções
3. Princípio Censitário
4. Direitos civis e políticos: Embora recolha muitos direitos vintistas, a
Carta
consagra
também
direitos ou garantias de classe da nobreza e da burguesia

A monarquia cartista é uma diarquia O poder é partilhado pelo rei e por uma
oligarquia

O rigoroso regime censitário determinou que apenas uma muito reduzida minoria
pudesse votar e ser eleita + As Cortes passam ainda a ter duas câmaras e é instituído o
poder moderador do rei.
Organização do poder político
• A Carta introduz o poder moderador e consagra um sistema bicameral;
• O poder moderador foi configurado, teoricamente, por Benjamin Constant, com o
objetivo de conceder ao rei faculdades consideradas “neutras”, que lhe permitiriam
assegurar o equilíbrio entre os demais poderes constitucionais;
• Na prática, o poder moderador acabava por entregar ao rei a resolução dos conflitos,
assumindo-se como chave de toda a organização política;
• Integravam-se no poder moderador, entre outras, a nomeação dos pares, a sanação dos
decretos e resoluções das Cortes, a dissolução da Câmara dos Deputados, o perdão e a
comutação de penas, a nomeação e demissão de Ministros…
• Com a Carta Constitucional, as Cortes passam a ter duas Câmaras:
1. Câmara dos Pares: composta por:
a) Membros vitalícios e hereditários, nomeados pelo rei e sem número fixo;
b) Membros por direito próprio em virtude do nascimento (infantes e princípio real);
c) Membros por direito próprio em virtude do cargo (patriarca de Lisboa, arbispos e
bispos).
2. Câmara dos Deputados: composta por membros eleitos para o exercício
temporário do cargo - A eleição está sujeita a um regime rigoroso censitário, tanto
quanto ao sufrágio ativo como passivo

O Ministério
• A Carta Constitucional introduz uma nova figura: o “Ministério”, composto por
“Ministros de Estado” e por um “Presidente do Conselho”, que exercem o poder
executivo em nome do rei;
• Esta arquitetura aponta para a instituição de um gabinete de estilo do regime
parlamentar de responsabilidade política;
• Da monarquia constitucional com governo representativo transita-se para um regime
parlamentar dualista.
O procedimento legislativo
• A iniciativa legislativa cabe a qualquer uma das câmaras, bem como ao Poder
Executivo; • O monarca participa no procedimento legislativo através da sanção
(aprovação da lei) ou do veto (não aprovação da lei);
• O veto real às leis tinha efeito absoluto, não sendo possível às Cortes superá-lo.
Períodos de vigência
• A Carta Constitucional é o documento constitucional português, até ao momento, que
mais tempo esteve em vigor.
• Distinguem-se três períodos de vigência:
1. Entre 1826 e 1828: a primeira vigência terminaria a 3 de maio de 1828, data em que
D. Miguel convoca os “Três Estados do Reino” de forma tradicional;
2. Entre 1834 e 1836: após a guerra civil, a Carta é reposta em vigor, em maior de 1834,
sendo abolida, mais tarde, após a revolução setembrista que saiu vitoriosa a 9 de
setembro de 1936;
3. Entre 1842 e 1911: o golpe de Estado de Costa Cabral conduziu à restauração da carta
por decreto de 10 de fevereiro de 1842, tendo permanecido em vigor até à queda da
monarquia e implantação da república em 1910.

O CONSTITUCIONALISMO SETEMBRISTA - 1838


Contexto histórico – a revolução de setembro
• Em 1828, D. Miguel restaura o poder absoluto, desta forma desencadeando uma
guerra civil;
• A guerra civil termina em 1834 com a vitória liberal, na sequência da qual é
reintroduzida a Carta Constitucional de 1826;
• Em setembro de 1836, todavia, dá-se um golpe de Estado (a Revolução de Setembro)
em reação, entre outros, à primazia do princípio monárquico na Carta;
• Na sequência da Revolução de Setembro, é reinstituída a Constituição de 1822;
• O processo de revisão da Constituição de 1822, sendo influenciado por fações que
pretendiam a atenuação dos princípios vintistas, acabou por dar lugar à aprovação da
Constituição de 1838.
CARTISMO E SETEMBRISMO
• O setembrismo não constituía uma corrente unitária, identificando-se três fações com
abordagens diferenciadas:
1. Setembrismo moderado, que era a favor de reformas profundas, mas graduais;
2. Setembrismo radical, que defendia a “revolução legal” como meio de acesso ao
poder, entendendo que a deposição do cartismo só seria possível através da insurreição;
3. Setembrismo vitalício, que reivindicava a representação forte da Nação, mas aceitava
a estrutura aristocrática-burguesa, vitalícia e hereditária da Câmara dos Pares;
• O cartismo também não era uma corrente unitária, havendo desde críticos dos
governos cartistas hostis à violação da legalidade instituída até partidários da Carta que
usam métodos extraconstitucionais para manter ou alcançar o poder.
• Dada a diversidade interna dos dois movimentos, começa a verificar-se um movimento
de confluência, sobretudo em torno de dois tópicos:
❖ Marginalização dos adeptos da “revolução legal” (a fação mais radical dos
setembristas);
❖ Solidificação da burguesia como substrato social e económico do Estado liberal.
• A Constituição de 1838 também é produto desta dialética entre setembrismo e
cartismo, atenuando algum do radicalismo da Constituição de 1822 e afastando o
princípio monárquico como fundamento único da soberania do Rei.

A Constituição de 1838 é uma constituição pactuada: um pacto entre o soberano e a


representação nacional.
Ou seja, esta constituição é uma constituição pactuada entre as cortes e o rei. Para além
disso foi uma constituição compromisso entre os defensores da soberania nacional
(vintistas) e os defensores da monarquia constitucional (cartistas). Uma constituição
pactuada é um pacto entre o rei e a representação nacional. Este tipo de constituição
marcava a transição de uma monarquia hereditária para uma monarquia representativa e
pronunciava a morte de legitimidade dinástica.
Como era a constituição de 1838?
• A Constituição de 1838 é produto do compromisso entre os defensores da soberania
nacional vintista e os partidários da monarquia constitucional assente no princípio
monárquico.

✓ O poder moderador é eliminado;


✓ Os poderes do monarca são diminuídos em relação aos demais poderes;
✓ A câmara alta (agora, Câmara dos Senadores) subsiste, mas passa a ser eletiva e
temporária;
✓ A eleição de deputados e senadores passa a ser feita por sufrágio direto, embora se
tenha mantido o regime censitário;
✓ No caso dos Senadores, a capacidade eleitoral passiva é ainda mais restrita,
porquanto se elencam as categorias de cidadãos elegíveis;
✓ O Rei é reconhecido como Chefe do Executivo e volta a ter direito de sanção das leis.
Período de vigência
• A Constituição de 1838 entrou em vigor a 4 de abril de 1838 e deixou de vigorar a 27
de janeiro de 1842, na sequência do golpe de Estado de Costa Cabral.
O CONSTITUCIONALISMO REPUBLICANO - 1911
Contexto histórico - A revolução republicana
• A 5 de outubro de 1910 é destituída a Monarquia Constitucional e implantada a
República em Portugal;
• Após a Revolução, o governo provisório chefiado por Teófilo de Braga dirigiu o país
até à aprovação da Constituição de 1911;
• A Constituição de 1911 deu início à Primeira República portuguesa.
Princípios republicanos
A República era laica, descentralizada e democrática.
Dentro da República Democrática:
- Soberania nacional: retomou as fórmulas da constituição de 1838 e de 1822, e afirmou
que a soberania residia na Nação;
- Regime representativo: a soberania da Nação manifesta-se através dos representantes
eleitos, que exercem um mandato livre e independente dos eleitores;
- Separação de poderes: divisão tripartida dos poderes (legislativo, executivo e judicial),
que foram considerados “independentes e harmónicos entre si”.
- Sufrágio universal: desaparece a base censitária do sufrágio, embora não seja
consagrado verdadeiro sufrágio universal (as mulheres, os analfabetos e, em certa
medida, os militares não gozam de capacidade eleitoral);
- Bicameralismo partidário: duas camaras: Câmara dos Deputados e o Senado.
- Parlamentarismo monístico: o Parlamento goza de amplo poder político sobre o
Governo;
- Governo de assembleia: o Parlamento não podia ser dissolvido antes do termo do
mandato, sendo o único órgão que podia condicionar decisivamente as diretivas
políticas da República.
República Laica
• Laicismo do Estado:
✓ Separação do Estado e da Igreja;
✓ Igualdade de cultos;
✓ Liberdade de culto;
✓ Laicização do ensino;
✓ Extinção das ordens religiosas.
• Instituição de um “pluralismo denominacional”.
República Descentralizada
• Atribuição de autonomia ao Poder Local;
• Proibição da ingerência do executivo nos corpos administrativos;
• Distinção dos poderes municipais em deliberativo e executivo;
• Admissão do referendo local;
• Imposição da representação das minorias nos corpos administrativos;
• Autonomia financeira dos corpos administrativo.
Como era a constituição de 1911?
• Inscrição, na Constituição, de um completo catálogo de direitos fundamentais liberais,
destacando-se:
✓ Direito à liberdade, segurança individual e propriedade como eixo fundamental;
✓ Proibição da pena de morte;
✓ Garantia de habeas corpus;
✓ Liberdade de religião e culto;
✓ Controlo judicial da constitucionalidade da lei;
✓ Admissibilidade de direitos fundamentais fora da Constituição formal.
• Os direitos económicos, sociais e culturais têm um lugar mais modesto no texto
constitucional.

A Estrutura organizatória do poder político


Poder Legislativo: Congresso que se subdivide entre Senado e Câmara dos Deputados
Poder Executivo: Presidente da República e Ministério
O CONGRESSO
• A Câmara dos Deputados e o Senado eram ambas eleitas por sufrágio direto e
dispunham de competência legislativa tendencialmente igual;
• A diferença entre si residia, sobretudo, na competência, duração do mandato e
competência privativa:
Câmara dos Deputados
• Eleição a cada três anos;
• Eleitos pelos vários círculos eleitorais;
• Competência privativa quanto a iniciativa em matéria de impostos, organização
militar, discussão de propostas do executivo, revisão da constituição, crimes de
responsabilidade e prorrogação e adiamento da sessão legislativa.
VS
Senado
• Eleição a cada seis anos;
• Eleitos por distritos do continente (3), das ilhas (3) e das províncias ultramarinas (1);
• Competência privativa quanto à aprovação/rejeição das propostas de nomeação dos
governadores e comissários da República para as províncias do Ultramar.

Funções do Congresso – reuniam-se a cada 4 meses ao ano


➢ Funções legislativas;
➢ Funções financeiras;
➢ Funções eleitorais (eleição do Presidente da República);
➢ Funções de controlo político do Governo.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA – mandato de 4 anos


• Desconfiança, nas Cortes Constituintes de 1911, da figura do Presidente da República
(caráter antidemocrático)

Introdução do órgão na Constituição como elemento “coordenador”

Funções predominantemente representativas:

✓ Representante da Nação nas relações gerais do Estado;


✓ Ausência de direito de veto e de direito de dissolução do Parlamento;
✓ Exercício do poder executivo por intermédio dos Ministros.
• Eleição pelas câmaras do Congresso em sessão conjunta, por maioria qualificada de
2/3 (com duas voltas, caso nenhum candidato obtivesse essa votação).

O MINISTÉRIO
• Embora não se referindo expressamente à organização de gabinete, a Constituição de
1911 determinava que, entre os ministros, haveria um, nomeado pelo Presidente da
República, que seria o Presidente do Ministério, responsável não só pela sua pasta, mas
também pela política geral;
• Todos os atos do Presidente da República careciam de referenda por, pelo menos, o
ministro competente;
A FISCALIZAÇÃO JUDICIAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS
Período de vigência: de 1911 a 1931
O CONSTITUCIONALISMO CORPORATIVO

A IDEOLOGIA CONSTITUCIONAL DO ESTADO NOVO


Estado Novo:
1. Estado hierárquico - corporativo
2. Estado forte
3. Economia dirigida
4. Ideia supra - individualista de Nação

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