A Relação Pedagógica
Objetivo Geral ➢Refletir sobre a especificidade da
relação pedagógica
O que é ser bom professor?
Introdução O que é ensinar bem?
O que é educar bem?
Há uma intencionalidade no
ato educativo, pelo que as
conceções do
professor/educador não são
indiferentes à forma como a
educação é conduzida.
Introdução
Neste sentido, não há
educação neutra (por detrás
da atuação do professor, há
uma teoria da educação mais
ou menos explícita).
O que é que distingue o pedagógico do
educativo ?
Relação Uma relação educativa é uma relação que
Educativa e provoca a alteração de
Relação comportamentos e que tem subjacente
uma intencionalidade.
Pedagógica
É uma concretização da relação educativa
(Amado, Freire, Carvalho, & André, 2009).
Em sentido restrito, refere-se ao contacto
interpessoal (professor-aluno; professor-
Relação turma) que se estabelece num
Pedagógica espaço/tempo limitados no âmbito de um
processo de ensino-aprendizagem
(Estrela, 2006, citado por Amado et al.,
2009).
▪ É um encontro de subjetividades (com
tudo o que estas envolvem).
▪ Ao termo educativo, o pedagógico (do
grego paidós+agogé/condução
Relação +criança) acrescenta: o saber
Pedagógica claramente para onde se quer ir,
escolher criteriosamente a forma
(cont.) como se quer chegar lá e o
conhecimento do ponto de partida.
▪ O modelo de relação pedagógica
tradicional baseava-se na transmissão
Relação do saber e assentava num
Pedagógica distanciamento do/a professor/a e
do/a aluno/a, não havendo espaço
Tradicional para a expressão da afetividade.
▪ A relação pedagógica deve ser uma
relação protetora do desenvolvimento e
da autonomia e, como tal, fundada
numa autoridade bem conduzida, que
Conceções atuais difere quer do autoritarismo, quer da
permissividade.
(Cunha, 1997)
Clarificação de
Conceitos
▪ É a perversão da autoridade. Tem como
objetivo o conformismo e a
submissão. É característico da
educação mais tradicional.
▪ Não tem em conta a capacidade de
autonomia do sujeito, tratando-o como
um objeto e não como um sujeito.
Autoritarismo
▪ As estratégias preferidas são: o
castigo/humilhação, que gera
frequentemente rancor ou medo e
conformismo (não gera uma verdadeira
aprendizagem mas um
condicionamento).
▪ Caracteriza-se pela falta de regras e
pelas cedências contínuas (falta de
exigência).
▪ Em vez de pessoas autónomas conduz
ao desenvolvimento de seres
Permissividade egoístas, manipuladores e
caprichosos, que não se respeitam a
eles próprios nem aos outros.
(Cunha, 1997)
▪ Et. Autós (por si mesmo)+ Nomos(lei),
aquele/a que é capaz de agir segundo
a lei que impõe a si próprio/a.
▪ O conceito de autonomia completa o
conceito de Liberdade, que é um
conceito negativo
Autonomia (Ex: eu sou livre de não estudar, mas só
sou realmente autónomo se essa for uma
decisão conscientemente tomada (posso
achar que é mais importante numa dada
fase da vida trabalhar). Não sou livre se
alguém impuser que eu não estude! )
▪ A autonomia consiste num
exercício consciente e
Autonomia responsável da liberdade.
Como se promove a autonomia?Através
do exercício da autoridade!
Os estudos sobre o desenvolvimento
moral, conduzidos por Jean Piaget,
Promoção permitem-nos concluir aquilo que vários
autores (caso do Aristóteles, no século VI
da a. C.) já tinham referido: a autonomia tem
Autonomia de ser precedida por uma heteronomia
(Aristóteles refere na Política que para se
governar é preciso primeiro ter sido
governado).
Estudos apontam para que, quanto mais
os alunos percepcionam a ausência de
favoritismo e a neutralidade por parte
dos professores, mais confiam neles e
Autoridade lhes atribuem um estatuto de
autoridade.
(Amado et al., 2009)
“Nas aulas em que considerei ter
aprendido algo mais e em que me senti
bem e feliz, o professor era simpático e
meigo (…)olhava de maneira igual para
todos(..) e tratava todos da mesma
Testemunhos de forma” .
alunos “Não havia injustiças: se eu levantasse
primeiro o braço, era eu a falar”.
Amado et al. (2009), pp.81-82)
A afetividade não é alheia à autoridade.
A dimensão afectiva na relação
pedagógica está associada a categorias
do comportamento verbal* e não
verbal** do professor, como por
exemplo:
*verbalizações de incentivo, ajuda,
A importância da feedback e elogio.
afetividade **a proximidade (deslocações do
professor para junto dos alunos numa
atitude de ajuda);
**recetividade (olhar para o aluno,
assentir com a cabeça, mostrando que o
está a escutar).
(Amado et al., 2009)
Com base na leitura e discussão do Texto
2. (Cunha, 1997), reflita sobre as
seguintes questões:
1. O que caracteriza o exercício correto
da autoridade no âmbito da relação
Tarefas pedagógica?
2. Explore um dos princípios
enunciados pelo autor no texto,
esclarecendo porque é que é
fomentador da autonomia do aluno-
▪ Cunha, P. (1996). Ética e educação.
Lisboa: UCP (pp. 53-68)
▪ Amado, J., Freire, I, Carvalho, E., &
André, M. J. (2009). O lugar da
afetividade na relação pedagógica.
Referências Contributos para a formação de
professores. Sísifo. Revista de Ciências
da Educação, 8, 75-86