0% acharam este documento útil (0 voto)
10 visualizações69 páginas

Redação e Interpretação para 6º Ano

A apostila tem como objetivo auxiliar alunos do 6º ano na aprendizagem de redação e interpretação de texto, apresentando atividades para revisar e aprofundar conhecimentos. Ela aborda níveis de linguagem, cuidados na redação, tipos de discurso e elementos da narração, além de destacar a importância de entender o contexto das palavras. O documento também inclui um exemplo de narrativa, 'A Bela Adormecida', para ilustrar os conceitos discutidos.

Enviado por

andradetopo-1
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
10 visualizações69 páginas

Redação e Interpretação para 6º Ano

A apostila tem como objetivo auxiliar alunos do 6º ano na aprendizagem de redação e interpretação de texto, apresentando atividades para revisar e aprofundar conhecimentos. Ela aborda níveis de linguagem, cuidados na redação, tipos de discurso e elementos da narração, além de destacar a importância de entender o contexto das palavras. O documento também inclui um exemplo de narrativa, 'A Bela Adormecida', para ilustrar os conceitos discutidos.

Enviado por

andradetopo-1
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PREPARATÓRIO PARA O 6º ANO

REDAÇÃO
e
INTERPRETAÇÃO de TEXTO
Caro aluno,

Esta Apostila para Aprendizagem de Redação e Interpretação de Texto


foi produzida para você com o objetivo de colaborar com seus estudos.

Ela apresenta uma série de atividades a serem resolvidas. Servirão para que você
verifique os conteúdos que já domina e os que precisará estudar com vistas a um
melhor acompanhamento no nosso preparatório.

Com ela, você poderá rever, aprofundar e/ou ampliar a aprendizagem de


habilidades essenciais nessa área do conhecimento relacionadas a:

- empregar os procedimentos de leitura em função dos diferentes objetivos e


interesses do sujeito e das características do gênero;

- estabelecer as relações necessárias entre o texto, outros textos e recursos de


natureza suplementar que o acompanham (gráficos, tabelas, desenhos, fotos, etc.) no
processo de compreensão e interpretação do texto;

- utilizar inferências pragmáticas para dar sentido a expressões que não pertençam a
seu repertório linguístico ou estejam empregadas de forma não usual em sua linguagem;

- redigir textos considerando as condições de produção: finalidade; especificidade do


gênero; lugares preferenciais de circulação; interlocutor.

Esperamos que você possa ampliar seus conhecimentos.

Bons Estudos!
NÍVEIS DE LINGUAGEM

Vamos falar agora sobre os tipos de linguagem que você pode utilizar em suas
narrações. Como você já deve ter ouvido falar, existem basicamente dois níveis de
linguagem: a linguagem formal e a linguagem coloquial.

Entendemos por linguagem formal a língua culta, que se caracteriza pela correção
gramatical, ausência de gírias ou termos regionais, riqueza de vocabulário e frases bem
elaboradas. Exemplo:
No corredor de uma universidade, um eminente professor de Direito Penal encontra um ex-
aluno, agora seu colega. O professor diz-lhe:

- Que prazer encontrá-lo depois de tanto tempo!

- Como está, professor? É bom revê-lo - sorriu o ex-aluno emocionado. O senhor nem
pode imaginar o quanto me foram úteis os conhecimentos que adquiri em suas aulas.

- Você sempre foi bom aluno. Tinha a certeza de que se tornaria um advogado notável .

A linguagem coloquial, por sua vez, é aquela que as pessoas utilizam no dia-a-dia,
oralmente, conservando informalmente com amigos, parentes e colegas. É a linguagem
descontraída, que dispensa formalidades e aceita gírias, diminutivos afetivos e palavras
de cunho regional.

Exemplo:

Os dois amigos se encontraram no pátio do colégio, na hora do intervalo, e Marcos perguntou:

- Como é que é, Zé? Tá a fim de dar uns giros por aí depois da aula?

- É isso aí! Deixa eu ir me mandando, que o sinal já tocou – falou Zé apertando o passo.

IMPORTANTE SABER!!!.
1) As palavras podem ter mais de um significado, sendo usadas em sentido próprio, literal ou
real

(denotativo) ou em sentido figurado (conotativo). Observe:

a) O gato subiu no telhado. (denotativo)

Meu primo é um gato. (conotativo)


b) O torcedor ficou uma fera com a demora do time.
(conotativo) A fera do zoológico assustou a todos.
(denotativo)

2) Uma palavra pode ter vários significados. Veja a palavra bomba.

a) Comi uma bomba deliciosa.

(doce recheado de creme)


5
b) A bomba destruiu o banco.

(projétil com substâncias explosivas)

c) Enchi o pneu de bicicleta com a bomba.

(aparelho com que se enchem câmaras-de-ar)

d) A bomba foi ligada, pois a água acabou.

(máquina para elevar ou esgotar água)

e) A notícia do apagão foi uma bomba no país.

(acontecimento inesperado)
Como você viu, a palavra bomba pode significar coisas diferentes do contexto em que for usada
e, assim, acontece com muitas outras palavras. Este é um exemplo de polissemia.

FIQUE ATENTO!

Tirinhas de jornal e história em quadrinhos são quase presença obrigatória, atualmente , nas provas

de Língua Portuguesa de alguns concursos. Portanto, observe essas dicas.

A linguagem dos quadrinhos caracteriza-se:

- pelo uso informal da própria linguagem;

- pela crítica social;

- pelo tom irônico;

- pela caracterização do personagem – expressões faciais, suas roupas, o ambiente;

- pelo uso da linguagem não verbal – quando a ausência de palavras diz muito mais;

- pela utilização de palavras e expressões em sentido figurado ou levadas “ao pé da letra”.

6
CUIDADOS ESPECIAIS NO PREPARO DA REDAÇÃO

É muito provável que, ao fazer qualquer redação, você sinta alguma dificuldade na parte
gramatical, principalmente, quanto à ortografia.

Para evitar certos erros muitos visados, procure seguir alguns lembretes gramaticais, fazendo
suas redações da melhor forma possível.

ESQUEMA

Antes de começar a fazer redação, pense no tema sugerido, crie ideias, coloque-as em ordem, de modo que seu
trabalho tenha princípio, meio e fim.
O esquema poderá ser escrito ou mental e evitará que as ideias pareçam contraditórias. Lembre-se que a parte
final será muito importante para embelezar o que você escrever.

RASCUNHO

Você não pode dispensar o rascunho. Relendo-o, você fará a correção da forma. O dicionário deverá ser
consultado sempre que necessário.
A correção está ligada à acentuação gráfica, concordância, ortografia, pontuação etc. Proceda, então, da
seguinte maneira:

1) Verifique a pontuação, de acordo com as pausas da leitura.


2) Use parágrafo quando mudar de argumento.
3) Observe se repetiu algumas palavras desnecessariamente. Se a repetição ocorreu, procure a
substituição mais adequada.
4) Corrija a ortografia, consultando o dicionário quando preciso e lembrando-se das regras de
ortografia.
5) Observe se os verbos estão concordando com os sujeitos. “O verbo concorda com o sujeito em número
e pessoa”.
6) Cuidado com o emprego do acento grave indicativo da crase.
7) Dê forma portuguesa às palavras de origem estrangeiras. Assim:

piquenique e não pic-nic


pingue-pongue e não ping-pong
futebol e não foot-ball

8) Verifique se escreveu por extenso os algarismos arábicos.


9) Não se esqueça de que a fala de cada um dos interlocutores, nos diálogos, deve iniciar as linhas com
travessão.
10) Tome cuidado:

Não inicie uma frase com pronome oblíquo.


Evite o uso de gíria.
Pule linha entre o título e o início da redação.

7
TIPO DE DISCURSO

Discurso direto e indireto – O narrador, para relatar a fala das personagens, pode servir-se basicamente
de dois recursos:

 discurso direto – o narrador reproduz textualmente as palavras da personagem:

“O pai chamou Pedrinho e perguntou:


- Quem quebrou o vidro, meu filho?

 discurso indireto – o narrador transmite com suas próprias palavra a fala do personagem:

“Quando o pai chegou, perguntou à mulher quem quebrara o vidro...”


A diferença básica entre discurso direto e indireto é a mudança de emissor. No discurso direto, o emissor
é a personagem; no discurso indireto, o emissor é o narrador.

PONTUAÇÃO NO DISCURSO DIRETO

1) A fala da personagem, no discurso direto, deve vir disposta em parágrafo e introduzida por
travessão:
“Virou-se para o pai e aconselhou:
- Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado.”

2) Os verbos de elocução são pontuados de acordo com sua posição.

1ª posição – antes da fala – separa-se por dois-pontos:

“O pai chamou Pedrinho e perguntou :


- Quem quebrou o vidro, meu filho?

2ª posição – depois da fala – separa-se por travessão ou vírgula:

- Agora você se chama Luisinha , disse-me beijando a face.


- Agora você se chama Luisinha - disse-me beijando a face.

3ª posição - no meio da fala – separa-se por travessão ou virgula:

“- A Sociedade - afirmava Simão - tem obrigação de fazer o enterro.”


“ – Nesse daí , observou Luís Garcia sorrindo levemente , há de ser tão sincera como hoje.” (Machado
de Assis)

8
NARRAÇÃO

Organização do texto

Narrador ≠ Autor

Um dos elementos importantes que deve ser analisado atentamente na composição de uma
história é o narrador.
Narrador é aquele que narra, que conta a história.
Frequentemente, confunde-se narrador com autor. São, no entanto, pessoas distintas.

Posições do narrador

Para narrar uma história, o narrador pode assumir duas posições

básicas. NARRADOR – fora do fato

NARRADOR – dentro do fato

Ao assumir a posição – fora do fato – , o narrador é apenas um observador. Denomina-se


narrador- observador. Nesse caso, o narrador fala das personagens; emprega portanto, a 3ª pessoa.
Nesse caso, a narrativa apresenta foco externo.
Ao assumir a 2ª posição – dentro do fato - , o narrador torna-se uma personagem participante dos
acontecimentos. Denomina-se narrador-personagem. Nesse caso, o narrador fala de si mesmo;
emprega, portanto, a 1ª pessoa . O narrador –personagem também pode ser chamado de narrador-
protagonista, compondo uma narrativa com foco interno.
A posição que o narrador assume para narrar uma história chama-se foco-narrativo ou ponto-vista.

Há ainda o narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo. Há vários tipos de narrador
onisciente, mas podemos dizer que são chamados assim porque conhecem todos os aspectos da
história e de seus personagens. Pode por exemplo descrever sentimentos e pensamentos das
personagens, assim como pode descrever coisas que acontecem em dois locais ao mesmo tempo.

9
ELEMENTOS DA NARRAÇÃO

Depois de escolher o tipo de narrador que você vai utilizar, é necessário ainda conhecer os
elementos básicos de qualquer narração.
Todo texto narrativo conta uma FATO que se passa em determinado TEMPO e LUGAR. A narração
só existe na medida em que há ação; esta ação é praticada pelos PERSONAGENS.
Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenrola-se envolvendo certas
circunstâncias que o caracterizam. É necessário, portanto, mencionar o MODO como tudo aconteceu
detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar
CONSEQUÊNCIAS, as quais devem ser observadas.

Observação: toda narrativa tem um clímax, isto é, o momento em que a história apresenta o seu
ponto máximo de emoção; o momento em que o conflito é maior.

Leia atentamente “A Bela Adormecida”, um conto de fadas que você certamente já ouviu
ou leu um dia.

A Bela Adormecida

Há muitos e muitos anos, num reino muito distante, viviam um rei e uma rainha cujo maior
desejo era o de terem um filho.

Certo dia, quando a rainha estava tomando banho, em sua luxuosa banheira, uma rã
encantada saiu aos pulos de dentro da água e lhe disse:

– Seu desejo se realizará. Antes de um ano, você terá uma filha.


A profecia da rã se realizou, e nasceu uma linda menina. O rei, feliz da vida, resolveu
oferecer uma grande festa para comemorar o acontecimento e convidou os parentes, os amigos e
até as fadas que viviam na região.
No reino, viviam treze fadas, mas como só havia doze pratos de ouro para servi-las no
banquete, deixaram de convidar uma delas.

A festa foi realizada com todo o esplendor. As fadas concederam muitos dons à menina:
uma lhe deu a virtude, outra a beleza, uma terceira a inteligência e assim por diante.

10
-
Quando faltava apenas uma das doze fadas para presentear a pequena princesa, apareceu
inesperadamente aquela que não havia sido convidada. Sem cumprimentar ou olhar para as
pessoas, a intrusa gritou, com voz furiosa e ameaçadora:

– Quando tiver quinze anos, a princesa espetará o dedo em um fuso de fiar e cairá mortinha
da silva. E, junto com ela, morrerão todos os moradores do castelo.

Sem dizer mais uma palavra sequer, virou as costas e foi embora.

Todas as pessoas presentes ficaram assustadas, mas a décima segunda fada, que ainda
não havia concedido seu dom à princesa, disse:

– Como não tenho poderes para quebrar o encanto, vou amenizar o seu efeito. A princesa
não cairá mortinha da silva, apenas dormirá um sono profundo, durante cem anos.

O rei, ainda esperançoso de que poderia evitar aquele acontecimento maléfico, mandou que
fossem destruídos todos os fusos existentes no reino. Enquanto isso, as promessas favoráveis das
boas fadas se cumpriam, pois a princesa era linda, modesta, prestativa, gentil e inteligente, e todos
que a viam ficavam encantados.

Certo dia, o rei e a rainha saíram para passear. A princesa, então com quinze anos, ficou
sozinha no castelo e resolveu dar umas voltinhas, por curiosidade, em alguns aposentos do enorme
palácio. Quando chegou a uma velha torre, subiu uma escada e encontrou uma portinha, com uma
chave enferrujada na fechadura.

A princesa entrou no pequeno aposento e encontrou uma senhora bem velhinha, usando um
fuso de fiar.

– Bom dia, senhora – disse a princesa. – O que está fazendo?

– Estou fazendo fio para tecer um pano – respondeu a velha.

A princesa achou aquilo muito divertido e pediu para mexer no fuso. Mal começou e a
pequena princesa espetou o dedo, caindo em um sono profundo, junto com todos os moradores do
castelo.

O rei e a rainha, que acabavam de chegar, também adormeceram no salão nobre, juntamente
com todos os membros da corte. Os cavalos adormeceram na cocheira; os cães, no pátio; os
pombos, em cima do telhado. O vento parou e as árvores que rodeavam o castelo não moveram
mais uma folha sequer.

Em torno do castelo, começou a crescer uma cerca de espinheiros que foi encobrindo tudo,
até a bandeira hasteada no alto da torre.

11
Muitos e muitos anos depois, um príncipe ouviu de seu avô a história sobre uma cerca
de espinhos que escondia um castelo, no qual havia uma linda princesa adormecida por cem anos.

Ele também ficou sabendo que muitos príncipes tentaram chegar ao castelo, mas
haviam morrido no meio do espinhal.

– Eu não tenho medo! – exclamou o jovem príncipe. – Quero ver essa Bela Adormecida.

O velho tentou fazê-lo mudar de ideia, mas não teve jeito.

Já haviam se passado quase cem anos desde o encanto e aproximava-se o momento em


que a Bela Adormecida iria despertar.

Quando o príncipe aproximou-se da cerca de espinhos, não viu espinho algum, e sim
milhares de lindas flores, que não o impediam de passar, mas que se fechavam atrás dele, como
uma cerca.
No pátio do castelo, os cavalos e os cães dormiam, imóveis. No salão nobre, o rei e a rainha
dormiam junto do trono, e os membros da corte, espalhados por toda a parte. O príncipe chegou à
torre e abriu a porta do quarto onde estava a Bela Adormecida. A princesa era tão bela que ele não
conseguia tirar os olhos dela nem por um segundo e, curvando-se, beijou-a.

A Bela Adormecida, logo que foi beijada, acordou, abriu os olhos e encarou o príncipe com
uma expressão de doçura e carinho. Foi amor à primeira vista.

E assim, após seu sono de cem anos, a princesa se casou com o príncipe. Houve uma grande
festa no reino e o casal viveu feliz para sempre.

SOUSA, Mauricio de. Contos de Andersen, Grimm e Perrault. São Paulo, Girassol, 2008.

ESTUDO DO TEXTO
FIQUE LIGADO

Numa narrativa,
algumas vezes é
Antes de iniciarmos o estudo do texto, numere os parágrafos.
reproduzido o diálogo
Assim, vai ficar mais fácil para você localizar os trechos a que
entre os personagens.
algumas perguntas fazem referência. Você lembra o que é um
parágrafo? Nesse caso, cada
fala de um personagem
corresponde a um
O parágrafo é uma porção do texto, indicada por um ligeiro
parágrafo. Assim, essa
afastamento da margem esquerda da folha. Possui extensão
fala não se confunde
variada: os parágrafos podem ser longos ou curtos.
com a do narrador ou
com a de outro
personagem.
12
ESTRUTURA DA NARRATIVA

Em toda narrativa, identificamos quatro grandes estágios: situação inicial,


complicação, clímax e desfecho.
Leia, no quadro abaixo, as partes que compõem a narrativa. A seguir, associe a primeira
coluna à segunda, de forma a exemplificar cada parte da narrativa.

“Há muitos e muitos anos, num reino


Situação Inicial – o narrador explica muito distante, viviam um rei e uma rainha
algumas circunstâncias da história. cujo maior desejo era o de terem um filho.”
A
Apresenta a época, o local e os
personagens que participam da
narrativa.
“O príncipe chegou à torre e abriu a
porta do quarto onde estava a Bela
Adormecida. A princesa era tão bela que
ele não conseguia tirar os olhos dela nem
B
Complicação – fase em que se por um segundo e, curvando-se, beijou-a.
inicia o conflito entre os personagens.

“Logo que foi beijada, a Bela


C
Clímax – momento de maior tensão, Adormecida acordou, abriu os olhos e
estágio em que o conflito entre os encarou o príncipe com uma expressão de
doçura e carinho. Foi amor à primeira visa.
personagens centrais chega a um
A princesa se casou com o príncipe e o
ponto tal que não é mais possível adiar
casal viveu feliz para sempre.”
o desfecho.

D “Ao visitar o aposento de uma senhora


bem velhinha e mexer num fuso, a
Desfecho – solução de um ou pequena princesa espetou o dedo, caindo
mais conflitos apresentados na em um sono profundo, junto com todos os
narrativa. moradores do castelo.”

13
VAMOS IDENTIFICAR ALGUNS
ELEMENTOS DA NARRATIVA?

I – PERSONAGEM
1 – Os PERSONAGENS do conto “A Bela Adormecida” são

, _, _, ,

e .

2 – Nem todo personagem tem a mesma importância no desenrolar da narrativa. O


personagem central, considerado o mais importante, chama-se
PROTAGONISTA. O protagonista de “A Bela Adormecida” é
.

3 – Numa narrativa, em oposição ao/aos protagonista(s), aparece o


ANTAGONISTA, personagem que rivaliza com o PROTAGONISTA. Geralmente é o
vilão. O antagonista do conto tradicional “A Bela Adormecida” é
.
4 - Aqueles personagens que não adquirem tanta relevância na narrativa são

denominados SECUNDÁRIOS. São personagens secundários:

, , ,

, , .

II – TEMPO E ESPAÇO

TEMPO DETERMINA QUANDO OS EPISÓDIOS DA


NARRATIVA ACONTECEM.

ESPAÇO DETERMINA ONDE A HISTÓRIA ACONTECE.

Qual é a expressão, na narrativa “A Bela Adormecida”, que indica

a) TEMPO? _
b) ESPAÇO?

14
A história “A Bela Adormecia” é narrada a partir da imaginação do autor. É
inteiramente inventada, sem o compromisso de reconstituir um fato que tenha ocorrido
em determinado tempo e espaço. A ATEMPORALIDADE da narrativa é uma
característica dos contos de fadas

III – NARRADOR

O narrador é uma espécie de testemunha de tudo o que ocorre, capaz de nos


revelar as atitudes dos personagens, o que pensam e sentem.

Com base no estudo acima e no “Fique Ligado!”, identifique o foco narrativo


de “A Bela Adormecida”.

a) O texto é narrado em .
b) Sublinhe, no texto, um trecho que comprove a sua resposta.

Para caracterizar um personagem, o narrador apresenta-nos alguns traços


físicos ou psicológicos. Quanto aos psicológicos, que fazem parte do lado
emocional do personagem, muitas vezes, precisamos identificá-los, por meio da
trama da história.

PERSONAGEM

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS

Traços fisionômicos – aparência de Traços psicológicos – de caráter, de


uma pessoa. personalidade, de comportamento.

15
Leia o texto a seguir:

A PRINCESA ROSA-CHOQUE
Béatrice Garel e Muzo

Do alto da torre de seu castelo, a princesa Rosa-Choque sonhava com o príncipe encantado.
– Como vou encontrá-lo? – perguntou ela, suspirando. A Bela Adormecida, a Cinderela, a
Branca de Neve, todas elas se casaram com o príncipe de seus sonhos. O que elas
fizeram?
Rosa Choque foi perguntar à sua fada-madrinha. E ela lhe respondeu num tom misterioso:

– Tudo o que posso lhe dizer é que antigamente os príncipes apareciam para salvar as
princesas que corriam perigo.

A princesa pensou, pensou...

– Tenho uma ideia! – exclamou ela. – Vou pedir ao velho dragão, que mora no meio da
floresta, para me raptar. Assim, vou correr perigo!

Rosa-Choque foi imediatamente encontrar o dragão e lhe contou o que desejava. O dragão
respirou fundo:
– Ah! Estou velho e cansado demais para raptar você. Mas se me der um tablete de
chocolate, talvez eu consiga lançar uma chama ou duas.
– Combinado! – disse Rosa-Choque.
O dragão rugiu e com muito esforço lançou uma chama.

– É tudo o que posso fazer – disse ele.

– Socorro! Socorro! – gritou a princesa.

Não demorou muito e se ouviu um barulho bem alto de alguém gritando. [...]

MUZO & GAREL, Béatrice. A princesa Rosa-Choque. São Paulo, Escala Educacional, 2006.

16
MAIS UM ELEMENTO DA NARRATIVA – O ENREDO

Numere os fatos de “A princesa Rosa-Choque” na ordem em que ocorrem.

“O dragão rugiu e com muito esforço lançou uma chama”.

“Do alto da torre de seu castelo, a princesa Rosa-Choque sonhava


com o príncipe encantado”.

“Rosa-Choque foi imediatamente encontrar o dragão e lhe contou o


que desejava”.

“Não demorou muito e se ouviu um barulho bem alto de alguém


gritando”.

Responda às questões propostas e volte ao texto, sempre que considerar necessário.

1 – A princesa Rosa-Choque não conviveu com a Bela Adormecida, Cinderela e Branca de Neve.
Como então a princesa conhece a história de princesas que “se casaram com o príncipe de seus
sonhos”? Comprove sua resposta com um trecho do texto.

2 – No trecho do 2º parágrafo: “– Como vou encontrá-lo? – perguntou ela, suspirando.”,


as palavras destacadas substituem que termos já mencionados?

3 – Qual foi a estratégia utilizada pela princesa Rosa-Choque para “correr perigo”?

4 – Qual o efeito de sentido da repetição do verbo “pensou” e da utilização das reticências,


no quinto parágrafo “A princesa pensou, pensou...”?

17
5 – Quais foram os ADJETIVOS usados para caracterizar o dragão?

6 – Sublinhe, na narrativa, o trecho que nos revela o que o dragão pediu à princesa em
troca de colocá-la em perigo.

ESTRUTURA DO TEXTO “A PRINCESA ROSA‐CHOQUE”

PERSONAGENS

TEMPO

ESPAÇO

ENREDO

NARRADOR

ELEMENTO TRANSFORMADOR

18
Agora que você já leu os contos de fadas clássicos e modernos, vamos nos
divertir e aprender mais a respeito das histórias em que os animais são personagens,
falam e reagem como seres humanos – as fábulas. Essas narrativas têm origem na
Antiguidade e procuram nos transmitir algum ensinamento. Esopo, um escravo que
viveu no século 6 a.C, consagrou a fabula como gênero.
Que tal ler “A raposa e a cegonha”, de Esopo, fábula muito conhecida em
nossa literatura e que, provavelmente, você já conhece?

Assim como os contos de fadas, uma mesma fábula pode apresentar versões
diferentes. Elas foram contadas e recriadas. Você encontrará esta mesma fábula
escrita por La Fontaine e adaptada por inúmeros autores.

[Link]
A RAPOSA E A
CEGONHA

Um dia, a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na
outra, serviu sopa num prato raso. Claro que a raposa tomou toda a sua sopa sem o
menor problema, mas a pobre cegonha com seu bico comprido mal pôde tomar uma gota. O
resultado foi que a cegonha voltou para casa morrendo de fome. A raposa fingiu que estava
preocupada, perguntou se a sopa não estava do gosto da cegonha, mas a cegonha não disse
nada. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão
de retribuir o jantar no dia seguinte.

Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as
delícias que a outra ia servir. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito,
onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma
saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra. Ela aprendeu
muito bem a lição. Enquanto ia andando para casa, faminta, pensava: “Não posso reclamar da
cegonha. Ela me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”

Moral: Trate os outros tal como deseja ser tratado.

Esopo. Fábulas de Esopo. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2005.

19
ESTUDO DO TEXTO

7 – Você já sabe que personagens são os participantes de uma narrativa: ser humano,
animal, um ser fictício ou objeto. Os personagens podem ter nomes ou não. Apresentarem
características físicas e psicológicas.

Os PERSONAGENS desta fábula são

Numa FÁBULA, os animais representam características humanas, nas suas qualidades, nos

seus defeitos.

Você reparou que o texto A raposa e a cegonha é narrado em 3ª pessoa?

O NARRADOR desta fábula conta a história sem participar dela – narrador-observador.


Esta é mais uma característica das fábulas.

Volte ao texto e pinte um trecho que caracterize esse tipo de narrador.

8 – Outra característica do gênero fábula é apresentar, no desfecho, uma MORAL –


um ensinamento. Qual é a lição da fábula A raposa e a cegonha?

Você saberia dizer, com base na leitura do texto, QUANDO e ONDE, especificamente, se
passa a narrativa A raposa e a cegonha?

Nas FÁBULAS, o TEMPO E O ESPAÇO, muitas vezes, não são bem definidos, a
exemplo dos contos de fadas. Isso ocorre para marcar a ATEMPORALIDADE, confirmando sua
tradição oral.

TEMPO e ESPAÇO nas FÁBULAS são IMPRECISOS.

20
9 – Qual é o sentido das expressões destacadas nos trechos abaixo:

a) “Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso.”

b “Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as
delícias que a outra ia servir.”

10 – Justifique o uso das aspas no 2º parágrafo “Não posso reclamar da cegonha. Ela
me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”.

11 – A MORAL, que aparece no final da fábula, não passa de uma opinião do


narrador sobre o fato narrado. Refletindo sobre a moral de A raposa e cegonha, responda às
questões abaixo.

a) Tendo em vista os fatos narrados, por que a moral da história é “Trate os outros tal
como deseja ser tratado.”?

LEITURA DE TEXTO (Atividade III)

TEXTO I

O que quer dizer a palavra HERÓI?

Herói vem do grego héros, que em latim foi grafado heroe, os dois com o significado de homem
extraordinário.
Mas uma pessoas comum também pode se tornar um herói.
Veja a história de Francisco Soares Neto.

21
HERÓI POR UM DIA

O garoto Francisco Soares Neto, de 14 anos, teve seu dia de herói. Pego por uma forte tempestade, em
Sorocaba, interior de São Paulo, Francisco correu para se proteger da chuva na casa de um vizinho.

Quando menos esperava, uma enorme onda de água e lama, formada pela chuva, derrubou a parede da
casa e arrastou os irmãos Janaína, de 7 anos, e Marcos Vinícius, de 6 anos.

A água estava indo direto para um córrego próximo. Francisco não pensou duas vezes e se atirou na água
para salvá-los. Primeiro ele puxou Janaína, que já estava se afogando, depois, pegou Marcos Vinícius.

No final, foi Francisco que precisou de ajuda para sair do meio da enxurrada. O seu feito rendeu
aplausos e cumprimentos dos amigos da escola onde estuda, afinal ele foi um herói!
Revista Zá

TEXTO II

Heróis da tragédia em Angra dos Reis contam os momentos de tensão.

Marinheiro por profissão, bombeiro graças ao destino. Assim o morador do bairro Areal, Reginaldo Jackson,
definia-se nesta terça-feira, após quase 48 horas enfurnado na lama e nos escombros de casas vizinhas à suas, que
por pouco não foi atingida. Sem nenhuma experiência em resgate, ele contava, orgulhoso, o feito de ter salvado
três pessoas de uma família:
- Na hora em que acordei, minha primeira reação foi sair para ajudar. Em muita água, lama, mas valeu o
esforço para conseguir ajudar aquelas pessoas.
No fim da tarde desta terça-feira, ele ainda acompanhava uma equipe de resgate na tentativa de encontrar os
corpos de duas crianças.
A mesma perseverança teve outro herói da tragédia, o cirurgião Alexandre Torres, de 33 anos. Com lama até
a altura do peito, ele atravessou segunda-feira a barreira que fechara por 12 horas a rodovia Rio-Santos para
poder ao Hospital da Irmandade das Santas Misericórdias de Angra dos Reis, onde seis vitimas do desabamento
esperavam por cirurgia. Morador da Urca, no Rio, onde as chuvas não causaram problemas, ele contou que
chegou ao ponto onde ocorrera o deslizamento de barreira recebendo pelo celular chamadas urgentes da direção
do hospital. Com a mala numa mão e o celular na outra, ele decidiu seguir em frente, a pé. Somente quando
estava no meio da lama, se deu conta de que poderia ter sido soterrado:
- Fiz tudo por impulso. Parece que eu estava numa areia movediça. Mas enfrentei tudo porque sabia que
havia paciente precisando de cirurgias, que poderiam morrer.
Médico há dez anos, Alexandre disse que, durante seu percurso no meio da lama, teve a companhia apenas
de um trator, que retirava o entulho da estrada. Do outro lado da barreira, uma ambulância do hospital o
aguardava:
- Só deu tempo de tomar um banho, arrumar roupas emprestadas e ir direto para 25 centro cirúrgico salvar
uma paciente que estava com hemorragia no estômago. Na hora só pensei que ia dar certo. Se tivesse que fazer
isso novamente, eu faria.
Rio 11/12/2002 – [Link]

22
TEXTO III

UMA PORCA HEROÍNA

Tem gente que tem cada bicho de estimação! Uma senhora americana criava, dentro de casa, uma porquinha
que agradeceu todo o carinho recebido salvando a dona. O fato aconteceu em Nova Iorque. Ao perceber que sua
dona estava passando mal, a porquinha saiu correndo e se deitou no meio da rua, parando o trânsito. Ao sair à
procura do dono da porca trapalhona, os policiais encontraram uma senhora caída no chão .
Ela estava tendo um ataque do coração e só foi salva porque a porquinha saiu correndo em busca de ajuda.
Bicho tem dessas coisas! Ainda bem.

Revista Zá

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
A partir da leitura dos textos I, II, III, realize com êxito as questões a seguir.

12) No Texto I , o garoto Francisco atira-se na água para salvar Janaína e Marcos.
No Texto II, o cirurgião Alexandre Torres atravessa uma barreira de lama para chegar ao hospital e
socorrer seis vítimas de um desabamento.
O sentimento que melhor expressa as atitudes tomadas pelos personagens dos dois textos é a

( ) fidelidade

( ) autoconfiança

( ) humildade

( ) impaciência

( ) solidariedade

13) É correto afirmar sobre o Texto II:

a) ( ) Reginaldo Jacson teve sua também atingida pelas chuvas.

b) ( ) Por ser marinheiro, Reginaldo Jackson era experiente em resgates.

c) ( ) Apesar de ter enfrentado um grande obstáculo, o médico Alexandre Torres não chegou ao
hospital a tempo de salvar uma vítima das chuvas.

d) ( ) Tanto Reginaldo quanto Alexandre Torres não demonstraram arrependimento pelo feito heroico que
realizaram.

e) ( ) Neste texto, só é utilizado o discurso direto da língua.

14) Veja as frases abaixo:

A porquinha se deitou no meio da rua.

Precisa conseguir socorro para sua dona.

É possível afirmar que há entre elas, respectivamente, relação de:

23
a) ( ) problema / causa

b) ( ) fato / causa

c) ( ) causa / consequência

d) ( ) finalidade / fato

e) ( ) fato / solução

15) “Bicho tem dessas coisas! Ainda bem.” (Texto III – linha 7) O trecho em destaque pode ser mais bem

interpretado na opção:

a) ( ) Todos os bichos agiram de forma semelhante à porquinha.

b) ( ) Alguns animais não sabem como agir em situação de perigo.

c) ( ) Muitas vezes, somos surpreendidos com as atitudes inteligentes tomadas pelos animais.

d) ( ) Nem sempre os animais conseguem se comunicar com o s homens.

e) ( ) A mania que a porquinha tinha de se deitar na rua trazia problemas à sua dona.

16) Encontre, no Texto I, a CAUSA para o fato abaixo citado:

FATO

O garoto Francisco Neto não pôde proteger-se da chuva na casa do vizinho.

CAUSA

17) Retire do Texto II a fala do médico que apresenta o motivo que o levou a enfrentar o tamanho
perigo. Use as aspas.

24
LEITURA DE TEXTO (Atividade IV)

TEXTO I

MEU IDEAL SERIA ESCREVER...

Rubens Braga

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa
cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e
dissesse:
- “Ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira
5 e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse
rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse
como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada
doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse pra si própria –
“mas essa história é mesmo muito engraçada!”
10 Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido
com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido
pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas
depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da
história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o
15 outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo
de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a
minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível,
tão colorida e tão pura que todos limpassem seu
20 coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito,
depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e
também aquelas pobres mulheres colhidas nas calçadas e lhes
dissesse: “ – Por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto
de prende ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus
25 empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e
espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e
fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, de Dublin, a um japonês, em Chicago
- mas que em todas as línguas elas guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto
30 surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito
sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a
minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada
por nenhum homem, foi como certeza algum anjo, tagarela que a contou aos ouvidos de um
santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve
35 ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem: “ – Mas de onde é que você tirou essa história?”
- eu responderia que ela não é minha. Que eu a ouvi por acaso na rua, de um
desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar
assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
40 E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história
em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está
doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

25
VOCABULÁRIO:

reclusa – que não sai de casa

enlutada – profundamente triste

comissário – autoridade policial

distrito – delegacia

persa – habitante da antiga Pérsia, atual Irá

dublin – capital da Irlanda

se filtrou – se introduziu lentamente (em)

TEXTO II

Você sabe como se formam os diamantes?

26
LÁGRIMAS DE POTIRA

Neste texto vamos conhecer a história de Potira, uma bela indiazinha, e Itagiba, um jovem forte e valente. O
amor entre eles era tão intenso que acabou se perpetuando na natureza no que ela tem de mais nobre e duradouro.

Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras precisas, existiam por
aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira,
menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagiba, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens, assim que se tornassem guerreiros.
Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagiba adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como
negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da
indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e
Potira e Itagiba se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os outros
períodos de separação, quando Itagiba saía com os demais para caçar, tornavam os dois mais unidos. Era
admirável a alegria do reencontro.
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali
havia, e Itagiba teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber
exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto.
Não chorou com as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede
numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se a beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas
irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e
ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava À taba quando o Sol
se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga
ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha
morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou a
beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem
cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes para
perpetuar a lembrança daquele amor.

Contos e lendas de amor. São Paulo, Ática, 1994.

VOCABULÁRIO:

afazeres - trabalho, ocupações

cobiçoso – ambicioso

lenda – narração na qual fatos reais são transformados pela imaginação popular ou poética
taba – aldeia
Tupã – deus tupi

27
TEXTO III

A BANDA

1 Estava à toa na vida


O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
5 A minha gente sofrida
Despediu-se da dor Pra
ver a banda passar
Cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro parou
10 O faroleiro que contava vantagens parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu A
rosa triste que vivia fechada abriu
15 E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
20 Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor A
minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
25 Cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou Que
ainda era moço pra sair do terraço e dançou A moça
feia debruçou na janela pensando
Que a banda tocava pra ela
30 A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
E a lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
35 Mas pra seu desencanto
O que era doce acabou Tudo
tomou seu lugar Depois que
a banda passou E cada qual
no seu canto
40 Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

Chico Buarque

28
INTERPRETAÇAO DO TEXTO
A partir da leitura dos Textos I, II e III faça as questões a seguir com êxito.

18) Podemos afirmar que a principal causa que motivou o autor a criar tal história do Texto I foi o desejo
a) ( ) que, do outro lado do mundo, um chinês muito velho e sábio pudesse concluir que valera a pena ter
de: tanto tempo.
vivido

b) ( ) reconciliar casais que vivem em constantes brigas e desentendimentos.

c) ( ) sensibilizar e alegrar o delegado da polícia a ponto de fazê-lo soltar os bêbados e mulheres colhidas nas
calçadas.

d) ( ) amenizar a dor e a tristeza da moça solitária que mora em seu bairro.

e) ( ) buscar a solução para a paz e a alegria do mundo.

19) No Texto I, Rubem Braga demonstra o desejo de escrever uma história bem diferente das que já
existem. Assinale a única característica que não pode ser atribuída à sua história:

a) ( ) fascinante

b) ( ) otimista

c) ( ) irresistível

d) ( ) pura

e) ( ) depressiva

20) Sobre a crônica lida é correto afirmar que o autor do Texto I :

a) ( ) idealiza tornar mais felizes e sensíveis apenas as pessoas de seu país.

b) ( ) a inicia e a finaliza com ideias análogas.

c) ( ) só utiliza discurso indireto e narrador em primeira pessoa.

d) ( ) gastou muito tempo fazendo sua história, escolhendo as palavras certas para impactar a todos que a
lessem.

e) ( ) deseja que sua história seja divulgada apenas de forma oral; de pessoa para pessoa.

21) O Texto II apresenta uma linda história de amor, vivida pelos protagonistas: Potira e Itagiba.
indique o elemento causador do término deste romance:

a) ( ) Tupã

b) ( ) A guerra

c) ( ) A ambição pelas riquezas

29
d) ( ) A araponga

e) ( ) O excessivo ciúme da índia

22) Marque a opção em que não se pode estabelecer, respectivamente, a relação de FATO e
CAUSA, tendo em vista as ideias contidas no Texto II:

a) ( ) Potira e Itagiba casaram-se sem que houvesse disputa. / Não havia nenhum outro jovem
guerreiro na tribo.

b) ( ) As terras da tribo de Potira foram invadidas. / Em suas terras havia caça abundante.

c) ( ) Potira não chorou ao ver Itagiba e os outros índios partindo. / Ainda não conhecia as desgraças
causadas pela guerra.

d) ( ) Itagibá, às vezes, ausentava-se para caçar com os outros índios. / A alegria do


reencontro tornava o casal cada vez mais unido.

e) ( ) Potira chorou após ouvir o canto da araponga. / Só neste momento, deu-se conta que
Itagiba não mais voltaria.

23) Sobre a poesia de Chico Buarque, Texto III, não podemos afirmar que:

a) ( ) a marcha alegre da banda revitalizou o velho fraco.

b) ( ) a banda levantou a autoestima da moça feia.

c) ( ) tanto o faroleiro quanto o homem sério também foram contagiados pelo ritmo da banda.

d) ( ) a dor de toda aquela gente foi totalmente reduzida com a mensagem de amor
transmitida pela banda.

e) ( ) mesmo com a partida da banda, a cidade permaneceu alegre e empolgada.

24) Indique a que se refere o pronome destacado na frase a seguir:

“E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo...” (Texto I – linha 27)

Refere-se

25) Escreva abaixo dos trechos: sentido conotativo ou sentido denotativo.

a) “A namorada que contava as estrelas parou” (Texto III – verso 11)

30
b) “A rosa triste que vivia fechada se abriu” (Texto III – verso 14)

26) Explique em qual sentido o diminutivo foi empregado nas frases

abaixo. a) Itagibá participou de várias guerrilhas.

b) –Benzinho, venha ver a banda passar!

27) Apresente a regra de acentuação que justifica o acento recebido pelo vocábulo destacado na
passagem abaixo:

“...deve ser uma história do céu que...” (Texto I – linha 35)

FIQUE ATENTO!

 Mais uma dica para fazer um texto de qualidade: Evite a REDUNDÂNCIA!

Toda repetição de uma ideia mediante palavras ou expressões diferentes provoca uma
redundância.
Exemplos: subir lá em cima, descer lá em baixo, entrar pra dentro, sair pra fora, novidade inédita,
hemorragia de sangue, pomar de frutas, hepatite do fígado, demente mental e tantos casos que
ouvimos diariamente no linguajar de gente que não pensa para falar.

31
CARTA PESSOAL

Leia a carta abaixo, denominada carta pessoal.

Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2017.

Querida Karen,

Estou com muita saudade e resolvi escrever para você. Quero te


contar que já comprei a segunda edição daquele livro que te falei. Estou
muito ansioso para começar a leitura, mas agora que as aulas começaram,
não estou tendo tempo.
Por falar nisso, as minhas aulas estão muito divertidas, pois estamos
conhecendo os novos professores e aprendendo muitas matérias novas.
Conheci também alguns colegas de turma, eles parecem ser muito legais. E
você não vai acreditar! Lembra-se da Leticia, que estudou com a gente na
terceira série? Ele está estudando na minha sala e até perguntou de você.
Por enquanto, são essas as novidades. Escreva para mim, me
contando o que está fazendo aí no Paraná e como estão suas aulas no novo
colégio. Estou muito curioso para saber.

Um beijo,

Seu eterno admirador

32
CARACTERÍSTICAS DA CARTA PESSOAL
A carta pessoal é um gênero textual utilizado quando um remetente deseja entrar em
contato com um amigo, familiar, conhecido - o destinatário.

[Link]ção geralmente breve e pessoal, de assunto livre; [Link]


estrutura é composta de local e data, vocativo, corpo e assinatura; às vezes, também
de P.S. ( post-scriptum), 3.a linguagem varia de acordo com o grau de intimidade entre
os interlocutores, podendo ser menos ou mais formal, culta ou coloquial, e,
eventualmente, incluir gírias; [Link] geralmente no presente do indicativo;
quando enviada pelo correio, a carta é acondicionada em um envelope, preenchido
adequadamente com o nome e o endereço do remetente e do destinatário.
5.O local e data são colocados no início da carta, normalmente à esquerda.
6.O vocativo pode conter apenas o nome do destinatário ou vir acompanhado de
palavras de cortesia, como Caro senhor, Querida amiga, por exemplo, ou pode mesmo
ser um apelido, que varia conforme o grau de intimidade entre as pessoas que se
correspondem. O vocativo pode ser seguido de dois-pontos, de vírgula ou não conter
pontuação.
7.A despedida varia muito, podendo ser cortês, carinhosa ou formal.

8.A assinatura do remetente, normalmente o nome manuscrito, sem o


sobrenome, finaliza a carta.
Se algo importante houver sido esquecido, pode ser incluído depois das assinatura, um
P.S.

In: CEREJA, Willian; MAGALHÃES, Thereza. Texto e Interação. S. Paulo:


Atual Editora, 2000, p. 18/19

PROPOSTA DE PRODUÇÃO TEXTUAL

Com certeza, assim como o Robson da carta, você possui um amigo(a) que mora
distante. Redija uma carta para seu amigo, contando as suas novidades e
expressando suas saudades. Lembre-se dos elementos que compõem a carta e use
uma linguagem adequada ao destinatário.
Se você quiser, pode enviá-la por correio convencional, ou através do correio
eletrônico (e-mail). Bom trabalho!

33
DISSERTAÇÃO

A linguagem dissertativa é a linguagem da exposição, discussão e interpretação de ideias. O autor


expõe suas ideias a respeito de um certo assunto, isto é, defende uma ideia.
Nesse tipo de texto, o autor desenvolve o seu raciocínio, encadeando as ideias (seus argumentos)
até chegar uma conclusão.
É importante dizer que a dissertação não possui uma estrutura fixa. Não existe apenas um modo
de
organizar as ideias. A forma é livre, depende dos objetivos de quem escreve. O que importa é que
sejam expressas de forma coerente, resultando num texto compreensível ao leitor.
A diferença entre linguagem narrativa e dissertativa é que, na linguagem narrativa, existe sempre
ALGUÈM (personagem) fazendo ALGUMA COISA (AÇÃO); existe sempre um fato (real ou
imaginado) acontecendo. A linguagem dissertativa tem outra base: é a exposição, a discussão de um
assunto.
A dissertação geralmente possui.
- INTRODUÇÃO
- DESENVOLVIMENTO
- CONCLUSÃO

Mãos à obra!
Há muita discussão sobre a influência da televisão na vida das pessoas.
Liste aqui alguns aspectos positivos e negativos sobre o fato de uma pessoa ter constante hábito de
assiste à televisão.

ASPECTOS POSITIVOS ASPECTOS NEGATIVOS

PROPOSTA DE PRODUÇÃO TEXTUAL

 Agora, desenvolva um texto dissertativo sobre esse assunto. Use cerca de vinte linhas.

34
LEITURA DE TEXTO (Atividade V)
TEXTO I

TUTTY – O TERROR DAS CALÇAS BRANCAS!

[...] é bom, pra cachorro ver alguém se aproximando com a calça imaculadamente branca.
Tudo acontece em duas etapas. Na primeira, eu fico quietinho, deitadinho, cara de quem não está
nem aí, olhando o visitante, o incauto, a vítima (escolha aí como chamar meus parceiros de palco,
por mim, encaro com maior respeito, como colegas sem os quais minha performance
não seria possível).
Daí, quando ele chega mais perto, crente que está abafando com sua calça branca,
admirado pelo cachorrinho que vos fala, lá vou eu como uma mola que se estica rápido como
um avião, surpreendente como um pernilongo que não canta avisando a picada. E antes que ele
possa se defender, dou pelo menos meia dúzia de pulos certeiros (quando ele era mais jovem,
chegava a uma dúzia em trinta segundos), não sem antes me certificar de que minhas patas estão
bem molhadinhas ou, no mínimo, com um pouco de terra do jardim.

35
Claro que nem sempre dá certo. Já levei joelhadas, tapas, gritos, e outros golpes baixos.
Existem, além dos mal humorados, os meus tipos prediletos, aqueles que exigem técnicas e
táticas especiais que descrevo a seguir.
O tipo que vira imediatamente de costas. Para esse, desenvolvi a minha curva rápida. Em 90º,
que consiste em correr como se fosse pular pela frente, desviar no último instante e... carimbar a
frente que ele virou pra trás.
O tipo que me segura pela coleira antes que eu pule. Esse merece um truque genial: eu
não reajo. Fico quietinho, ele segurando minha coleira, e eu abanando o rabinho com as
patinhas dianteiras dobradas. Mas ele me solta, pensando que não há por que impedir
um cachorrinho tão amistoso, lá vou eu com meu superpulo, um só, mas eficiente. Um só,
porque não sou besta de deixar que ele, agora bravo por ter sido tão otário, me segure de novo.
O tipo que conhece o cachorro do Pedrinho. Com esse, tenho de redobrar para cumprir
minha missão. Primeiro, porque ele não entra na casa, nem passa perto de mim, sem
antes pedir ao Pedrinho que me prenda. Aí só me resta apelar e usar todos os meus dotes de
ator pulatício internacional. Não reclamo, não lato, mas não desgrudo meu olhar tristonho do
gajo, até que ele mesmo, cheio de culpa por ter mandado prender um cão cheio de amor pra
dar, peça para me soltarem um pouquinho. Em geral, na despedida.
Pena que esse recurso não dê certo mais de três vezes.

VOCABULÁRIO

incauto – no texto, quer dizer ingênuo.


gajo – no texto, quer dizer indivíduo qualquer

TEXTO II

UM CACHORRO CHAMADO BISMARCK

Quase todo mundo tem uma história de cachorro para contar. Há casos heroicos de
cães, verdadeiros rin-tin-tins, que salvaram vidas humanas. Há os que conhecem a arte de
trepar em árvores. Há cachorros acostumados a fumar charuto e beber uísque.
Na minha rua, por exemplo, quando eu era pequeno, tinha o Bismarck, um cachorro
grandalhão que morava numa casa mais acima. O Bismarck passava o dia fingindo que
dormia na frente do portão. Quando vinha gente pela calçada, esperava a pessoa chegar
bem perto e dava um bote de supetão, rosnando com a dentuça ameaçadora.
A maioria das pessoas passava por alo todos os dias, já estava acostumada e
continuava seu caminho como se nada houvesse acontecido. Quem, em compensação,
não sabia das coisas, levava o maior susto. Vi uma senhora idosa saltando um portão de
ferro de mais de 1,20 metro de altura feito uma atleta de chapéu e guarda chuva. Vi um sujeito
pular da cadeira de rodas e sumir ao longe, mancando em disparada. Acho que foi um tipo
de milagre.
Nessas ocasiões, o Bismarck voltava radiante, exibindo um sorriso nos lábios. Sim.
Tenho certeza. O Bismarck sabia rir. Vi com meus próprios olhos o sacripanta, com os dentes
de fora, rindo e balançando a cabeça, enquanto o povo fugia desesperado.
Ricardo Azevedo. A outra enciclopédia canina. São Paulo:

Companhia das Letrinhas, 1997, p.61.

36
 A discussão sobre a esterilização e o extermínio das raças de cães mais violentos tem causado
muita polêmica e dividido a opinião pública.

Leia atentamente, os Textos III e IV:

TEXTO III

Prezado editor,

1 Tendo acompanhado pelos jornais, revistas e tevês as notícias sobre acidentes


provocados por cães.
Sou casada, tenho 42 anos e três filhos e quero dizer durante quase toda a
minha vida tive um cão dentro de casa e nunca tive qualquer tipo de problema, na
5 rua ou em casa provocado por um cão de minha propriedade. Já tive cães de diferentes
raças e, inclusive, uma rottweiler com pedigree. Apesar de forte, grande e corajosa era
uma das mais dóceis de todas as que já tive.
O que tenho observado ultimamente é que as pessoas estão usando os cães
para demonstrar poder e se exibir.
10 Dessa forma, sou da opinião de que os cães não devem ser esterilizados, nem
andar com focinheira pelas ruas, mas acho que devem andar com coleiras e guias para
evitar problemas.

Andréia Silva. São Paulo, SP.

TEXTO IV

MORDEU, MORREU

Está descoberta a solução para a tragédia dos cães violentos: mordeu, morreu.
Considerando-se que eles já atacaram crianças, ameaçaram vizinhos, carteiros, passantes
e ainda seguem desfilando pelas calçadas, é mesmo de perguntar: onde foi parar o
pessoal da pena de morte? Eles acham justo matar gente, mas ficam quietos quando o crime
foi cometido por um cão? Cachorros delinquentes, por assim dizer, não podem continuar
passeando por aí como se fossem preciosos bichinhos de estimação.
Considerando-se que se cobram 117 reais de quem não usa cinto de segurança, cuja
única função é proteger o dono do automóvel, por que não cobrar multa dez vezes maior de
quem deixa solta uma fera capaz de atacar uma pessoa que não tem nada a ver com isso?
Um cão não precisa arrancar sangue para se transformar num problema. Basta
ameaçar, da medo, que já estará ferindo a liberdade das pessoas.
O país anda com problema demais – segurança, desemprego, trânsito – para ficar
demonstrando cortesia e autocontrole com cachorros agressivos. Como se o problema
estivesse em nós, as vítimas, daqui a pouco seremos obrigados a tomar novas lições de
bom comportamento. Por exemplo: se você enxergar um cão agressivo se aproximando,
mude de calçada. Se ele andar atrás, não corra. Se ele correr, fique quieto e não entre em
pânico. Se nada disso funcionar, paciência: o dono promete que um novo ataque não vai
repetir-se. Donos de cães agressivos nunca admitem que têm uma fera perigosa em casa.
Sempre veem o cachorro dele como um ente com características quase humanas.
Existe outra ideia no ar. É esta: vamos castrar os cães e a próxima geração será
Eliminada. Está bem. Pode funcionar. Mas, como se sabe, nem campanhas sanitárias

37
para proteger seres humanos, como vacinação, alcançam todo mundo. Imagine-se no caso
de cachorros.
A maioria das pessoas gosta de cães e faz muito bem. Eles são companheiros e
brincalhões. Divertem os adultos e ajudam na educação afetiva das crianças. Não é desses
animais que estamos falando, mas de feras agressivas que passeia, pelos supermercados,
pelo parque num domingo, pela saída da escola. Tem gente que gosta de correr pelo bairro onde
mora em companhia de um rottweiler - solto, muitas vezes.
Considera-se aceitável que uma pessoa corra risco de ficar sem um pedaço da mão, da
perna, ou mesmo sofra ataque ainda mais grave apenas porque o proprietário de um pit Bull não
está com vontade de prender sua gracinha? Por que um psicólogo de canil explica que um fila
brasileiro tem direito à liberdade? Não é óbvio que o cidadão que acha razoável expor outro ser
humano a um cachorro perigoso revela: 1)uma escala de valores antissocial; e 2) um distúrbio
mental digno de urgência médica?
Está na hora de acabar com essa conversa de que um cão é apenas o reflexo do dono.
Primeiro, porque isso não é verdade - se nem os filhos humanos são o retrato dos pais
humanos, o que dizer dos cachorros. Segundo, porque esse raciocínio só serve para eximir os
irresponsáveis de suas responsabilidades. Não se pune o dono porque quem atacou foi o cão. E
se deixa o cão à solta porque quem precisa era educado é o dono.

LEITE, Paulo Moreira. Justiça. O que fazer com eles? Veja, São Paulo. N.15, p. 99, 14 abr. 1999.

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

Após ler, atentamente, os Textos I, II, III, e IV, faça com determinação as questões a seguir:

28) Leia as afirmativas sobre o Texto I e, em seguida, assinale a opção correta:

I) Tutty é um cão feroz que representa uma ameaça para as pessoas que visitam a
casa de Pedrinho.

II) Trata-se de uma narrativa em 1ª pessoa, por isso justifica-se a existência de um


narrador Personagem.

III) A narrativa informa que Tutty ainda é uma cachorrinho filhote.

IV) Tutty nunca foi contra atacado por nenhuma de suas vítimas.

V) Em sua técnica, “O tipo que conhece o cachorro de Pedrinho”.. o cachorrinho faz-se


de Coitado para conseguir ser solto e assim, poder finalmente atacar a vítima.

a) ( ) São falsas as afirmativas I e II.

b) ( ) Todas as alternativas são corretas.

c) ( ) Apenas as afirmativas II e V contêm informações verdadeiras.

d) ( ) Somente a afirmativa III é falsa.

e) ( ) Há erro apenas na afirmativa IV.

38
29) De acordo com o Texto II, a única informação falsa encontra-se na opção:

a) ( ) Bismarck conseguia assustar, inclusive, as pessoas da rua que sempre


passavam em frente ao portão.

b) ( ) Diante do susto provocado por Bismarck, uma senhora reagiu de forma inesperada
ao ter uma atitude mais própria de jovens.

c) ( ) O sorriso que o narrador via nos lábios de Bismarck era uma consequência do
prazer que o cão sentia em assustar alguns pedestres.

d) ( ) O medo sentido pelo que estava na cadeira de rodas funcionou como um milagre,
uma vez que ele se pôs a correr mesmo que mancando.

e) ( ) Embora tivesse uma dentuça ameaçadora, não consta no texto que Bismarck
mordia suas vítimas

30) Reconhece as respectivas relações estabelecidas pelas palavras destacadas no trecho

abaixo: “Dessa forma, sou da opinião de que os cães não devem ser esterilizados, nem andar

com focinheira pelas ruas, mas acho que devem andar com coleiras e guias para evitar

problemas.” (Texto III – linhas 10, 11 e 12)

a) ( ) condição/oposição/finalidade

b) ( ) adversidade/adição/fim

c) ( ) adição/adversidade/finalidade

d) ( ) negação/conclusão/direção

e) ( ) exclusão/contraste/lugar

31) “Apesar de forte, grande e corajosa era uma das mais dóceis de todas as que já

tive”. Marque a opção que o verbo encontra-se flexionado no mesmo tempo, pessoa e

número do destacado acima:

a) ( ) Bismarck tinha mania de assustar pessoas.

b) Já conheci cães de várias raças.

c) Andréia Silva escrevera uma carta expondo seu ponto de vista.

d) ( ) Se o cão atacar alguém, será castrado.

e) ( ) Eu punha um nome esquisito em meu cão.

39
TEXTO INFORMATIVO

O texto a seguir traz informações sobre a raposa-do-campo, um mamífero


nativo do Brasil que habita os campos e cerrados de Mato Grosso, Goiás, Minas
Gerais e São Paulo.
Descubra algumas características desse animal – aspecto físico, reprodução,
alimentação e hábitos.

RAPOSA-DO-CAMPO
[Link]

É parecida com o cão, tem um pelo grosso que pode


variar de cor, desde o marrom ao cinza-amarelado.
Quando adulta, mede 1 m de comprimento e pode pesar
de 3 a 5 kg.

A mamãe-raposa tem uma gestação de 55 dias,


geralmente nascem de 3 a 6 pequenos filhotes, que são
amamentados até 90 dias. O casal cuida dos filhotes, e
quando eles completam 6 meses, a família se separa.

Alimenta-se de insetos, aves, pequenos


mamíferos, répteis, anfíbios, ovos e frutas.

São animais noturnos e vivem sozinhos ou em pares.


Emite latidos curtos para se comunicar.

RIEDERER, Marcia. Animais da nossa terra. Florianópolis, Cuca


Fresca, 2003.

O texto que você acabou de ler é um TEXTO INFORMATIVO. Texto informativo é


aquele que tem a função de levar ao leitor um conjunto de dados, informações
sobre determinado assunto, por meio de uma linguagem objetiva. São exemplos de
texto informativo: uma notícia de jornal, de revista, relatórios de pesquisa científica,
edital de concurso.

40
ESTUDO DO TEXTO

Localize as informações no texto I que completam as frases e preencha a


cruzadinha.

32 – A raposa-do-campo é parecida com um 4


.

2
33 – A cor de uma raposa-do-campo pode variar de

cor desde o ao cinza- amarelado.


3

34 – Uma raposa-do-campo pode pesar de três a

5
quilos. 1

35 – Da gestação de uma raposa-do-campo

nascem de três a filhotes.

36 – Os filhotes da raposa-do-campo são

amamentados até dias.

41
Como identificar o tema de um texto???

Um texto é tematicamente orientado; ou seja, desenvolve-se a partir de um


determinado tema, o que lhe dá unidade e coerência. A identificação desse tema é
fundamental, pois só assim é possível apreender o sentido global do texto, discernir entre
suas partes, principais e outras secundárias, parafraseá-lo, dar-lhe um título coerente ou
resumi-lo. Em um texto dissertativo, as ideias principais, sem dúvida, são aquelas que mais
diretamente convergem para o tema central do texto.
Por meio desse descritor, pode-se avaliar a habilidade do aluno identificar do que trata
o texto, com base na compreensão do seu sentido global, estabelecido pelas múltiplas relações
entre as partes que o compõem. Isso é feito ao relacionarem-se diferentes informações
para construir o sentido completo do texto.

Leia o texto abaixo para responder a questão 16.

SAPATO
É MUITO CHATO,
mas é um fato: QUESTÃO 16 (Prova Rio, adaptada)
em pata de pato A palavra que retrata o tema da
não cabe sapato. poesia é
Não há sapato
(A) carrapato.
pra pata de gato
ou pata de rato. (B) sapato.
E eu constato (C) gato.
que nem no mato (D) pato.
se encontra sapato
pra carrapato!
Fonte: CIÇA. Trava-Trela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

Leia o texto a seguir atentamente.

QUESTÃO 37
O assunto desse texto é a
(A) extinção dos animais.
(B) poluição da Terra.
(C) queda dos meteoros.
(D) vida dos dinossauros.
42
Leia o poema de Roseana Murray.

Na minha casa de vento


tem chá de chuva
bolo de neblina
empadão de pensamento.
Na minha casa encantada
tem macarronada de nuvem
e pastel de trovoada.
A sobremesa é transparente
na minha casa de vento
sorvete de orvalho
pavê de faz-de-conta
e torta de tempo
(ruim ou bom, não importa).

Você quer jantar comigo?


(Roseana Murray)

QUESTÃO 38 (SAEP 2012)


O tema central desse poema é
(A) banquete
(B) casa encantada
(C) lanches
(D) casa de vento

Leia este poema:

Meu cachorro Relâmpago


Sérgio Caparelli

O meu cachorro Relâmpago


acordou com sarampo.
Veio dona Manuela:
"Deve ser varicela".
QUESTÃO 19 (SAEP 2012)
E depois a dona Dora: O texto trata principalmente
"Para mim é catapora".
(A) de diferentes tipos de pessoas.
E a dona Fabíola: (B) de vários tipos de doenças tropicais.
"Mais parece varíola". (C) de cachorros.
Por fim, o veterinário: (D) do veterinário de cães.
"Oh, que belo disparate!
O cachorro se manchou
é com molho de tomate".
(Tigres no quintal. Porto Alegre: Kuarup, 1995).

43
Leia o poema abaixo para responder a questão 20.

QUESTÃO 39 (SAEP 2012)


O assunto principal tratado no texto é
(A) a discussão dos bichos.
(B) a bicharada reunida.
(C) como servir a bebida.
D) o diálogo dos animais.

44
Como distinguir um fato da opinião relativa a
esse fato???
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno é solicitado a
distinguir as partes dele referentes a um a fato e as relativas a uma opinião relacionada ao fato
apresentado, expressa pelo autor, narrador ou por algum personagem.
Fundamentalmente, espera-se que o aluno saiba distinguir o que são afirmações
baseadas em valores (opiniões) e afirmações baseadas em evidências (fatos).
É comum, sobretudo em textos dissertativos, que, a respeito de determinados fatos,
algumas opiniões sejam emitidas. Ser capaz de localizar a referência aos fatos, distinguindo-a
das opiniões relacionadas a eles, representa uma condição de leitura eficaz.

Faça a leitura do texto abaixo.

Entenda melhor o que acontece com a natureza


Quer entender melhor o que acontece com a natureza
quando as pessoas não cuidam direito dela? Então, vamos lá!
Imagine que você não gosta de escovar os dentes e, por isso,
acabou com uma tremenda dor de dente. O que você faz? Bom,
todo mundo sabe que a melhor coisa a se fazer é procurar logo
um bom dentista pra ele descobrir o que está acontecendo. Se
for uma cárie, ele vai ter que fazer um tratamento, quem sabe
uma obturação. Mas se você deixar esse dente doendo sem
parar e não fizer nada, pode chegar uma hora em que ele já vai
estar tão prejudicado que pode acabar caindo. Ou, então,
quando finalmente resolver ir ao dentista, ele pode até arrancar esse dente! E aposto que
ninguém vai querer ficar com uma janela no sorriso porque não cuidou direito da saúde da
boca. Viu só? Funciona de forma parecida também com a natureza: ela começa a nos dar sinais
de que está sendo prejudicada, de que está "sentindo dor" e, se ninguém fizer nada, os
resultados podem ser os piores possíveis.
Fonte: [Link]

QUESTÃO 40 (SAEP 2013)


O trecho em que há claramente uma opinião do autor é
(A) “aposto que ninguém vai querer ficar com uma janela no sorriso...”
(B) “ela começa a nos dar sinais de que está sendo prejudicada...”
(C) Quer entender melhor o que acontece com a natureza quando as pessoas não cuidam
direito dela?
(D) Imagine que você não gosta de escovar os dentes e, por isso, acabou com uma tremenda
dor de dente.
Faça a leitura a seguir e depois responda.

Todos deveriam prestar mais atenção às placas que são vistas


nas casas com a frase “CUIDADO COM O CÃO”, elas servem para
proteger as pessoas de ataques de cães bravos, mas também
poderiam servir para lembrar a todos que animais domésticos
precisam ser cuidados e não abandonados.
“É preciso ter clareza sobre o motivo de ter um bicho de
estimação”, explica Dionísio Rebecca, 47 anos, veterinário. Ele também alerta para a
importância de registrar o animal. “Ele ganha uma plaquinha que tem o número de registro. Se
ficar perdido é possível localizá-lo mais facilmente”.
Adaptado de: Folha de São Paulo, Folhinha, sábado, 18 de junho de 2005.

45
QUESTÃO 41

- No texto, a frase que expressa uma opinião sobre o assunto do texto é


(A) “Cuidado com o cão!”.
(B) “É preciso ter clareza sobre o motivo de ter um bicho de estimação”.
(C) “Se ficar perdido é possível localizá-lo mais facilmente”.
(D) “Ele ganha uma plaquinha que tem o número de registro”.

Depois de ler o texto, responda a questão número 23.

QUESTÃO 42
A opinião do autor a respeito dos raios é que
(A) nascem em grandes nuvens escuras.
(B) são fenômenos poderosos e assustadores.
(C) são formados por corrente elétrica.
(D) surgem num clarão seguido de um barulho.

Leia o texto a seguir.

Limpeza é fundamental
A limpeza do corpo deve ser uma rotina para todas as crianças, porque desafiar
a sujeira é essencial para uma boa saúde. Recomenda-se que as unhas devem estar sempre
limpinhas, que não se deve roê-las, pois debaixo delas se “escondem” muitas bactérias que podem
prejudicar a saúde.
Matheus Lopes, 13 anos, diz: “Eu acho muito importante lavar as mãos onde
quer que se esteja”. Às vezes eu me esqueço de lavar antes de comer, mas sei que isso é
muito ruim”.
Portanto, não esqueça: limpeza é fundamental!
Adaptado de: Diário do Pará, Diarinho, nº 355, Dom. 30/05/2010, p.04.

QUESTÃO 43 (SAEP 2012)


No texto, o trecho que apresenta opinião do autor é
(A) “... debaixo delas se ‘escondem’ muitas bactérias que podem prejudicar a saúde”.
(B) “Portanto, não esqueça: limpeza é fundamental!”
(C) “Às vezes eu me esqueço de lavar as mãos antes de comer (...)”.
(D) “Eu acho muito importante lavar as mãos onde quer que se esteja”.

46
Leia com atenção o texto abaixo e depois responda à questão 25.

Alívio
Um homem sente que acordou, mas não consegue abrir os olhos. Tenta se mexer, mas
descobre que está paralisado. Começa a ouvir vozes.
Coitado.
Olha a cara. Parece que está dormindo...
Sente cheiro de velas. Será que...?
Outras vozes:
É. Descansou.
Ninguém esperava. Tão saudável.
Coitado...
As vozes parecem conhecidas. Ele começa a entrar em pânico. Concentra toda a sua força
em abrir os olhos. Não consegue. Tenta mexer uma das mãos. Um dedo! Nada. Meu Deus. Preciso
mostrar que é um engano, que não morri. Vão enterrar um vivo. Ou será que houve um engano?
Morri mesmo. Estou ouvindo tudo, sentindo tudo, mas estou morto. Isto é horrível, isto é...
Um homem tão bom...
Grande caráter...
Que marido.
Vida exemplar...
O homem fica mais aliviado. Pode estar num velório. Mas definitivamente , não é o seu.
VERÍSSIMO, L. F. A Mãe de Froud. V. 43. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 65.

QUESTÃO 44 (SAEP 2013)


O trecho que apresenta uma opinião é:
(A) “Começava a ouvir vozes.”
(B) “Estou ouvindo tudo.”
(C) “Tenta mexer uma das mãos.”
(D) “Um homem tão bom.”

47
COERÊNCIA E COESÃO TEXTUAL

COERÊNCIA TEXTUAL

Imagine a seguinte situação: um casal de namorados foi ao cinema. Lá eles comeram pipoca,
tomaram refrigerante, mas o filme decepcionou um pouco. Ao chegar em casa, a garota pretende
contar à mãe como foi, dizendo a ela um destes dois enunciados. Compare-os:
● Foi ótimo! O filme era tão bom, que todos dormiam no cinema. Além disso, durante a sessão,
comemos pipoca salgada demais e o refrigerante que levamos caiu no meu vestido. Foi uma tarde
maravilhosa!

● Fomos ao cinema, mas não gostamos do filme. Apesar disso, lá comemos pipoca, tomamos
refrigerante e nos divertimos muito.

Como você vê, dos dois, o segundo enunciado é o que articula ideias de forma direta e objetiva,
aproximando bastante o relato dos fatos do que realmente ocorreu.
O primeiro enunciado pode inicialmente parecer contraditório, absurdo em relação aos fatos, pois
normalmente as pessoas não acham maravilhoso comer pipoca salgada demais, cair refrigerante na roupa,
etc. Contudo, esse enunciado é perfeitamente possível, dependendo da intenção de quem fala, o locutor
(no caso da garota), das habilidades linguísticas do interlocutor, ou seja, com que se fala (a mãe) e do
quanto este conhece o locutor ( a própria filha).
Por exemplo, e se a filha estiver ironizando, brincando com a mãe, ou seja, dizendo uma coisa, mas
querendo dizer outra? Nessa caso, ela diz que tudo foi ótimo, mas deseja que sua mãe compreenda o
contrário: tudo foi péssimo.
Assim, tanto o primeiro enunciado quanto o segundo podem se adequados e eficientes, dependendo do
contexto em que são utilizados.
A coerência é uma das características que um texto deve ter para apresentar textualidade, isto é, para que
seja de fato um texto e não apenas um aglomerado de frases.

COESÃO TEXTUAL

Você já aprendeu que um texto, para ter textualidade, precisa apresentar coerência. Mas isso não é
tudo. Imagine que um jornal esportivo noticie a chegada de atletas brasileiros, vindos das
Olimpíadas, da seguinte forma:

Dois atletas que representam o Brasil nas Olimpíadas chegaram ao aeroporto do Galeão, no Rio de
Janeiro, trazendo duas medalhas de ouro. Apesar da conquista do ouro, não havia fãs à espera dos
campeões. O governador do Estado, porém, irá recebê-lo no Palácio.

O enunciado acima apresenta problemas de sentido.

O texto inicialmente faz referência a dois atletas: no entanto, na última frase, se lê: “ O governador [ ... ]
irá recebê-lo”. A quem o governador vai receber: aos dois atletas ou apenas a um? Se a um atleta, qual
deles? No caso, para garantir a clareza da informação, seria necessário alterar o texto para uma destas
soluções: “O governador [ ... ] irá recebê-los” ou, por exemplos: “O governador [ ... ] irá receber o
campeão de natação”.
A esse tipo de relação entre as palavras chamamos coesão .

48
Ambiguidade (ambi=dualidade) é a duplicidade de sentidos que pode haver em uma palavra, em uma
frase ou em um texto inteiro.
Quando empregada de forma intencional, a ambiguidade se torna um importante recurso de
expressão. Quando, porém, é resultado de má organização das ideias, pode gerar problemas para a
comunicação.

Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando


repetições ou substituições que contribuem para a
continuidade de um texto.
As habilidades relacionadas a esse descritor referem-se ao reconhecimento, pelo aluno, da função
dos elementos coesivos (substantivo, pronome, numeral, advérbio, adjetivo, entre outros) e de sua
identificação no encadeamento das ideias no texto.

Trata-se, portanto, do reconhecimento das relações estabelecidas entre as partes do texto.

Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que
identifique a relação de uma determinada palavra com o seu referente ou que reconheça a que ação uma
palavra se refere; ou, dada uma expressão, solicita-se o reconhecimento da palavra que pode substituí-la.

Leia o texto abaixo.


Infância
Eu tenho oito anos e já sei ler e escrever.
Por isso, ganhei de presente a história de Peter Pan. As aventuras dele com o Capitão Gancho
e o jacaré que engoliu um relógio até que são engraçadas. Mas achei uma bobagem aquela mania do
Peter Pan de querer ficar sempre menino.
Já imaginaram se todos quisessem ficar sempre pequenos e nunca mais crescer? Aí quem ia
cuidar da gente? Fazer comida, passar pito, mandar tomar banho, dizer que é hora de ir pra cama?
Sarar a gente da dor de barriga e da dor de dente?
Fonte: Henriqueta Lisboa ET ALII. Varal de Poesia.1ª ed. São Paulo: Ática, 2003. p. 35

QUESTÃO 45 (Prova Rio, 2010)


No trecho “As aventuras dele com o Capitão Gancho”, a palavra destacada refere-se ao
(A) jacaré.
(B) menino.
(C) Peter Pan.
(D) relógio.

49
Leia a receita abaixo.

Receita de beijinho
Como fazer: Junte todos os
Ingredientes: ingredientes numa panela e leve-a ao
1 lata de leite condensado fogo. Mexa com uma colher de pau até a
2 xícaras de coco ralado mistura soltar completamente do fundo.
3 gemas Despeje o conteúdo numa tigela untada
1 colher(sopa) de manteiga ou margarina com manteiga e deixe esfriar. Faça as
Açúcar cristal bolinhas e passe-as no açúcar cristal.
Cravo e confeitos Enfeite-as com um cravinho ou confeitos
de chocolate e sirva-as em forminhas de
QUESTÃO 46 (SAEP 2012) papel.
O termo “sirva -as”, destacado no Adaptado de: O Estado de São Paulo, Estadinho, 30/8/1997.
Bem-te-li: Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 2000.
texto, corresponde à(s)
(A) às forminhas.
(B) às bolinhas.
(C) ao cravinho.
(D) aos confeitos.

Leia o texto abaixo.

Um conto de gatos
Os gatos sortudos da Rua Melenas tinham cada um sete ratos para
comer. Os outros, com dois apenas tinham de se satisfazer.
O total de ratos comidos sendo 24, quantos gatos traçaram ratos?
UM CONTO de gatos. CiênciaHoje das Crianças, ano 9. nº 60. Jul. 2006. p. 28.

QUESTÃO 47 (SAEP 2012)


No trecho: “Os outros, com dois apenas...”, a expressão em destaque se refere

(A) aos gatos


(B) aos ratos
(C) aos contos
(D) aos gatos e ratos

Observe abaixo o texto encarte do livro Amor, Amora:

50
“E ninguém pense que os nomes dos personagens, por mais estranhos que pareçam,
foram inventados pelo autor: são todos nomes de pessoas que ele conhece...”

QUESTÃO 48 (SAEP 2012)


Neste trecho a palavra em destaque se refere
(A) ao carteiro
(B) ao amor
(C) a Marcos Bagno
(D) aos nomes dos personagens

Observe o cartaz e responda à questão 45.

QUESTÃO 45
No cartaz, a palavra isso refere-se
(A) ao piolho.
(B) à cabeça.
(C) à campanha.
(D) ao cartaz.

51
Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no
texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
Com esse item, pretende-se avaliar a habilidade do aluno em perceber a coerência textual,
partindo da identificação dos recursos coesivos e de sua função textual.
Em todo texto de maior extensão, aparecem expressões conectoras – sejam conjunções,
preposições, advérbios e respectivas locuções – que criam e sinalizam relações semânticas de
diferentes naturezas. Entre as mais comuns, podemos citar as relações de causalidade, de comparação,
de concessão, de tempo, de condição, de adição, de oposição etc.

Reconhecer o tipo de relação semântica estabelecida por esses elementos de conexão é uma
habilidade fundamental para a apreensão da coerência do texto.

Após a leitura do texto, responda a questão 56.


Pau-de-sebo
Nas festas juninas do interior do Brasil, é muito comum a brincadeira do pau-de-
sebo. Quem já brincou, diz que é muito divertido.
Bem cedo, no dia da festa, ergue-se o pau-de-sebo. Sua altura, às vezes, passa
dos cinco metros. Ele é cuidadosamente preparado, tirando-se todos os nódulos que
possam existir. O ideal é lixá-lo, para que fique bem liso e, depois, revesti-lo com sebo
de boi derretido. No topo, coloca-se um triângulo de madeira e, nele, amarra-se
dinheiro e brindes.
Durante a festa, os participantes iniciam uma disputa para subir no pau-de-sebo
até o topo e ganhar os brindes e o dinheiro que puderem alcançar.
Adaptado de: [Link]

QUESTÃO 49
A palavra “cuidadosamente” destacada no texto remete à ideia de
(A) modo.
(B) tempo.
(C) negação.
(D) lugar.

Leia o texto abaixo.

A árvore do dinheiro
Um dia de manhã, vendo-se apertado com a falta de dinheiro, Pedro Malasartes
arranjou, com uma velha, um bocado de cera e algumas moedas de vintém, e caminhou por
uma estrada afora. Chegando ao pé de uma árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à
folhagem, com a cera que levava.
Não demorou muito a aparecer na estrada um boiadeiro; e como o sol, já então levantado,
fosse derretendo a cera e fazendo cair as moedas, Malasartes apanhava-as avidamente.
O boiadeiro, curioso, perguntou-lhe o que fazia, e o espertalhão explicou que as frutas
daquela árvore eram moedas legítimas, e que ele as estava colhendo.
O homem mostrou desejos de ficar com a árvore encantada e, engambelado por
Malasartes, acabou trocando-a pelos boizinhos. Depois Malasartes pôs-se ao fresco, levando os
bichos, e o boiadeiro ficou a arrecadar os vinténs que tombavam. Os vinténs acabaram-se logo,
e o triste compreendeu que havia sido enganado.
Fonte: AMARAL, Amadeu. A árvore do dinheiro. In: Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, ano 6, n. 34, dez.1993.

52
QUESTÃO 50 (SARESP 2010 - adaptada)
No texto, o personagem Pedro Malasartes é caracterizado como aquele que é o
(A) curioso.
(B) intrometido.
(C) esperto.
(D) indiscreto.

Leia o texto e responda à questão 58.

Balãozinho de São João


Venha cá, meu balãozinho.
Diga aonde você vai.
Eu estou me enfeitando,
vou pra mata, logo mais.
Ai, ai, ai, não faça isso!
E o fogo que estou vendo?
Fique quieto! Não vá!
Vai ser grande o sofrimento.
Se cair em nossas matas,
Uma tragédia vai ser. QUESTÃO 58 (Projeto Conseguir 2010)
A mata vai pegar fogo. O trecho “Se cair em nossas matas”,
Passarinhos vão morrer. dá a ideia de
Já estou arrependido. (A) afirmação.
Quanto mal faz um balão. (B) negação.
Ficarei bem quietinho, (C) tempo.
amarrado num cordão. (D) condição.
Adaptadode[Link]

Leia a tirinha da Mônica e do Cebolinha e responda à questão a seguir.

QUESTÃO 51 (Prova Rio, adaptada)


O fato que deixou a Mônica irritada foi uma característica de Cebolinha que é considerada
positiva. Essa característica pode ser descrita pelo adjetivo:
(A) romântico.
(B) atencioso.
(C) pontual.
(D) atento.

53
Como identificar as marcas linguísticas que evidenciam
o locutor e o interlocutor de um texto?
Entende-se, por esse descritor, a identificação de marcas linguísticas de variação na
linguagem e, em consequência, a identificação do locutor e do interlocutor de um texto.
É um descritor importante para tratar da diversidade linguística brasileira, especialmente de
variedades mais ligadas a situações comunicativas menos monitoradas, como costumam ser as
produções dos estudantes em geral.
Esse descritor vai exigir do aluno a habilidade de identificar as variedades linguísticas
resultantes da influência de diversos fatores, como o grupo social a que o falante pertence, o lugar e a
época em que ele nasceu e vive, bem como verificar quem fala no texto e a quem este se destina,
reconhecendo as marcas linguísticas expressas por meio de registros usados, vocabulário empregado,
uso de gírias ou expressões, ou níveis de linguagem.

É preciso ressaltar que, estando a língua em constante mudança, a atenção na abordagem desse
descritor deve ser redobrada, para que não se incorra em generalizações e inadequações, o que geraria
o efeito contrário do que se quer com esse tópico, que é abordar a riqueza da diversidade linguística.

Após fazer a leitura do texto abaixo, responda a questão 71.

Como dormem os animais


A preguiça dorme mais de 18 horas por dia, sempre pendurada nos galhos das árvores.
Seus braços são tão fortes que ela pode passar vários dias nessa posição. Mesmo
em sono profundo, nunca cai, graças às suas poderosas garras.
Os peixes vão descansar no fundo das águas, geralmente de noite, onde ficam
imóveis. Alguns até afundam na areia. Como eles não têm pálpebras ficam de olhos abertos.
Os flamingos dormem em pé, ora se equilibrando sobre uma perna, ora em outra.
Adaptado de: Revista Recreio, nº 91. São Paulo: Abril, 6/12/2001.

QUESTÃO 52
O texto acima apresenta uma linguagem
(A) regional.
(B) formal.
(C) informal.
(D) científica.

54
Leia a tirinha:

QUESTÃO 53 (SAEP 2012)


A fala de Chico Bento observada no primeiro quadro é marca de linguagem
(A) formal.
(B) científica.
(C) padrão.
(D) informal.

Observe a propaganda a seguir:

QUESTÃO 73
A linguagem observada na fala do mosquito é parecida
com a usada
(A) por cientistas em palestras.
(B) nas bulas de remédios.
(C) em conversas entre colegas.
(D) por apresentadores de jornais televisivos.

55
LEITURA DE TEXTO (Atividade I)

Texto I

CAIXA MÁGICA DE SURPRESA

Um livro
é uma beleza
é caixa mágica
só de surpresa.

Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.

Um livro
tem asas longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe.

DESCUBRA O PRAZER DE LER...

Um livro
é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.

Um livro
é parque de diversões,
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.

Elias José

56
Texto II
PRATELEIRA DE BAIXO, 12 DE OUTUBRO DE 1978.

Querido Caderno de Letras e Frases


Não sei se você ainda se lembra de mim. Já faz tempo que nos separamos, mas penso
sempre nas suas páginas branquinhas, cheias de linhas, sem nada escrito. Lembro-me das
coisas que você dizia, a vontade que você tinha de que alguma criança usasse suas páginas
para escrever histórias tão bonitas como as minhas.
Acho que seu desejo se realizou. Estou muito curioso para saber como foi, se você e tudo
mais. Queria contar minha grande alegria: não fico mais guardado aqui no armário o tempo
todo. Pois é, as crianças desta classe aprenderam a ler e gostam de me pegar nas mãos,
olhar minhas gravuras e ler minhas histórias.
Todos os livros, meus vizinhos, estão felizes também porque estamos sempre com as
crianças e formamos um grupo de amigos.
Ainda ontem, uma garotinha terminou os exercícios mais cedo, levantou e veio aqui me
pegar. Você precisava ver como ela dava risada! Ela já tinha lido todas as minhas
histórias.
Bem, vou terminando que está quase na hora da criançada chegar. Se você tiver tempo,
escreva uma carta contando como está sua vida.

Um abraço do Livro de Histórias

Texto III

LEIA PARA TURBINAR O CÉREBRO

Daniele Falcão da Sucursal de Brasília

Pesquisas sobre desenvolvimento cerebral mostram que as crianças devem ser expostas aos livros antes
mesmo de aprenderem a ler. Assim, utilizam todo o potencial de linguagem do cérebro. Criança
que só entra em contato coma a leitura depois dos 11, desperdiça a chance de incrementar o potencial
cerebral com que nasceu, sobretudo na área da expressão verbal.

LEITURA TEM QUE COMEÇAR ANTES DOS 10 ANOS

Crianças que nunca ouviram histórias ou que não desenvolveram o hábito de leitura até os dez anos perdem
a chance de “enriquecer” as áreas do cérebro ligadas à linguagem e ao controle das emoções. Embora parte
da capacidade cerebral de uma criança já esteja determinada na hora em que ela nasce, o ambiente em que vive
nos primeiros 10 anos contribui decisivamente na formação e manutenção das conexões entre os
neurônios. Ou seja, embora a inteligência da criança seja parcialmente determinada ao nascer, as
experiências a que é submetida nos primeiros anos indicarão quanto desse potencial será
utilizado. “Quanto mais a criança for exposta à linguagem falada, escrita, lida ou cantada, maior será sua
capacidade verbal e oral ao crescer. Pais que leem ou contam histórias aos filhos que ainda não sabem
ler também influenciam positivamente a capacidade da criança de administrar suas emoções”, diz o
neurocirurgião Élson Araújo Montagno, doutor em medicina pela Universidade
de Berlim. A formação das conexões entre neurônios ocorre das primeiras semanas de gestação até 10
anos, quando parte delas (as que foram utilizadas) são eliminadas.

57
Para cada habilidade (raciocínio, visão, linguagem etc.) há um período específico em que as ligações entre
neurônios se formam. Esse período é chamado de “janela da oportunidade”.
A janela da linguagem dura do nascimento aos 10 anos. Crianças que só adquirem o hábito de ler após essa
idade perdem a melhor oportunidade de maximizar o potencial cerebral com que nascem.
“É um crime privar a criança da leitura entre 6 e 10 anos. Na verdade, antes mesmo de começarem a falar, os
pais devem ler ou contar histórias aos filhos”, diz Montagno.
O neurocirurgião recomenda que os pais transformem o hábito de ler em algo prazeroso. “Se a leitura passar a
ser uma diversão na família, a criança terá muito mais facilidade em aprender e se encontrar quando estiver na
escola.”
Para que a leitura beneficie o desenvolvimento cerebral de uma criança, ela deve se tornar um hábito. Mas não
é preciso estipular um número mínimo de livros que a criança deve ler a cada ano.
“Cada criança tem seu próprio ritmo. O importante é que ela leia independentemente da quantidade de livros.
Os que estão se alfabetizando gostam de ler a mesma história várias vezes, até memorizar. Esse é um ótimo
exercício”, diz.

Extraído do jornal Folha de São Paulo. São Paulo, 21 de fevereiro de 1999.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Faça o que se pede sobre o Texto I.

54) Assinale a única opção onde não existe sentido figurado:

( ) “Um livro tem asas longas e leves.”

( ) “Um livro é um parque de diversões.”

( ) “Um livro é uma beleza.”

55) Na frase, O livro é como uma caixa mágica só de surpresa, a palavra grifada transmite ideia de:

( ) modo.

( ) oposição.

( ) comparação.

56) Use ( V ) para verdadeiro e ( F ) para falso, tendo em vista as informações sobre o Texto:

( ) É escrito em forma de prosa.

( ) Possui cinco estrofes e vinte sete versos.

( ) Há rime em todas as estrofes.

( ) O fato de o livro parecer mudo impede que ele transmita conhecimentos.

( ) O livro é capaz de proporcionar ao leitor viagens imaginárias.

58
A partir da leitura do Texto II, faça o que se pede:
57) Na carta, o Livro de Histórias conta ao Caderno de Letras e Frases sua alegria por não ficar mais guardado no
armário

Apresente a CAUSA para este fato:

58) Leia o trecho abaixo e realize as questões a seguir:

“Ainda ontem uma garotinha terminou os exercícios mais cedo, levantou e veio me pegar. Você precisava ver
como ela dava risada!”

● Indique a que ou a quem se referem as palavras sublinhadas:

me:

você :

ela :

● As palavras ONTEM e MAIS destacadas, no trecho, transmitem, respectivamente, ideias de:

( ) lugar / quantidade.

( ) tempo / intensidade.

( ) passado / adição.

59) Responda, de forma bem completa, às perguntas relacionadas ao Texto III:

I) Segundo a reportagem, que consequência sofre uma criança que só adquire o hábito de leitura após os dez
anos?

II) Por que não é certo determinar quantos livros uma criança deve ler a cada ano?

59
LEITURA DE TEXTO (Atividade II)

TEXTO Nº 1
AS BALEIAS

Não é possível que você suporte a barra


De olhar nos olhos do que morre sem suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor nesse momento

Não é possível que no fundo do seu peito


Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Por derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas

Seus netos vão perguntar em poucos anos


Pelas baleias que cruzavam os oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembramos num troféu em forma de arpão

Como é possível que você tenha a coragem


De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos


Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito de amor
(Roberto Carlos – Erasmo Carlos)

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
PROSA é a forma de expressão que empregamos na comunicação diária. É a maneira de falar ou de
escrever. Na prosa, a história é contada por um narrador.

POESIA é a forma de expressão caracterizada pela aparição de rima e da melodia. Cada linha da poesia é
chamada de verso e um conjunto de versos recebe o nome de estrofe. Na poesia, não há um narrador, há um
eu-lírico ou eu-poético que expressa sentimentos e ideias.

● Um poema pode ser descrito ou narrativo.

60) A partir da explicação anterior, resolva as questões:

• O texto compõe-se de estrofes. As duas primeiras e as

duas últimas são formadas de versos. A terceira estrofe é

60
formada de versos. I texto possui, ao todo,

versos.

61) Responda:

• O autor, através da poesia, faz uma critica. Que critica é essa? A quem ela é dirigida?

• Que palavra está sendo substituída pela palavra “vermelho” no terceiro verso da segunda estrofe?

62) Apresente a ideia pedida:

Fato

A caça às baleias ocorre indiscriminadamente.

Consequência:

63) Observe as expressões destacadas na estrofe abaixo e diga a quem ou a que elas se

referem. “Não é possível que você suporte a barra

De olhar nos olhos do que morre em suas mãos

E ver no mar se debater o sofrimento

E até sentir-se um vencedor nesse momento.”

você

do que morre

vencedor

61
VERSIFICAÇÃO: RECONHECIMENTO DO VERSO, DA RIMA E DA ESTROFE

Infância
(Carlos Drummond de Andrade)

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.


Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé1 ,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Disponível em <[Link] Acesso em: 21/10/2009.

No texto Infância, o poeta Carlos Drummond de Andrade permite ao leitor ter uma imagem das
cenas através das descrições que faz e marca essas descrições com o sentimento de saudade. Em cada
verso descreve as lembranças do eu-lírico: O pai montando a cavalo, a mãe costurando, o irmão
pequeno dormindo, ele sozinho entre as mangueiras lendo histórias de Robinson Crusoé...

Observe como as palavras estão distribuídas nas linhas. Cada linha do poema é um verso. O poeta
decidiu, intuitivamente, a partir de normas criadas por ele mesmo, onde começa e onde acaba o verso
livremente, sem seguir nenhuma regra definida de rimas ou métricas.
Mas nem sempre os versos são construídos livremente. Alguns autores optam por utilizar palavras
que tenham um mesmo som no final de seus versos, fazem uso das rimas. Você conhece o texto A
foca, do poeta Vinícius de Moraes?

Quer ver a foca Quer ver a foca Quer ver a foca


Ficar feliz? Bater palminha? Fazer uma briga?
É pôr uma bola É dar a ela É espetar ela
No seu nariz. Uma sardinha. Bem na barriga!

62
As rimas podem ser classificadas em:

• rimas pobres – utilizam palavras da mesma classe gramatical –


substantivo com substantivo; adjetivo com adjetivo etc.
Exemplo: palminha/sardinha.

• rimas ricas – formadas por palavras de diferentes classes gramaticais – substantivo com adjetivo;
verbo com substantivo etc.
Exemplo: feliz/nariz.

• rimas raras – palavras difíceis de rimar com possibilidades restritas.


Exemplo: nada/ virada.

Observe:
Verso – Cada linha do poema.
Estrofe – Cada grupo de versos.
Rimas – Repetição de sons semelhantes na sílaba tônica.

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
64. Observe a estrutura do texto Infância de Carlos Drummond de Andrade e escreva (V)
para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas:

( ) O texto é construído em versos livremente, não possui rimas.

( ) Possui rimas pobres – poucas palavras que rimam no final dos versos.

( ) Não pode ser considerado poema porque narra uma história.

( ) É um poema narrativo sobre a infância do eu-lírico.

65. O poeta procurou marcar em seus versos os sentimentos de infância do eu-lírico. Escreva na frente de
cada verso destacado o sentimento correspondente:

satisfação solidão tranquilidade ausência

a) “Eu sozinho menino entre as mangueiras/ lia a história de Robinson Crusoé...”

b) “E dava um suspiro...que fundo!”

63
c) “Lá longe meu pai campeava/no mato sem fim da fazenda”

d) “E eu não sabia que minha história/era mais bonita que a de Robinson Crusoé.”

POESIA NA MÚSICA

Há diversas formas de sentir poesia. Nos poemas você já viu que é possível, mas e nas músicas?
É possível sentir a poesia da música?
Claro que sim, há músicas que fazem sorrir ou chorar, outras nos fazem pensar sobre determinado
assunto ou situação. A letra da música é também um poema cheio de emoção e sentimento. Você
conhece esta música dos cantores Victor e Leo?

Deus e eu no sertão
Nunca vi ninguém viver tão feliz Das horas não sei
Como eu no sertão Mas vejo o clarão
Perto de uma mata e de um ribeirão Lá vou eu cuidar do chão
Deus e eu no sertão Trabalho cantando
A terra é a inspiração
Casa simplesinha, rede pra dormir Deus e eu no sertão
De noite um show no céu
Deito pra assistir
Deus e eu no sertão Não há solidão
Tem festa lá na vila
Depois da missa vou
Ver minha menina
De volta pra casa
Queima a lenha no fogão
E junto ao som da mata
Vou eu e um violão [...]

Composição: Victor Chaves


Disponível em: <[Link] Acesso em: 06.10.2009.

Perceba a presença de estrofes, rimas e ritmos nos versos. O eu - lírico procura expressar seus
sentimentos através dos versos na letra da música.

64
65
66
REDAÇÃO

Nome do
Aluno
Nota

10

15

20

CORREÇÃO

Abordagem do Tema 0 -7 2,0


Tipologia Textual 0 -7 2,0
Coesão 0 -7 2,0
Coerência 0 -7 2,0
Gramática 0 -7 2,0
TOTAL PONTOS
67
ATIVIDADES PARA CASA

DATA MÓDULO ASSUNTO / PÁGINAS

68
ATIVIDADES PARA CASA

DATA MÓDULO ASSUNTO / PÁGINAS

69

Você também pode gostar