Redação e Interpretação para 6º Ano
Redação e Interpretação para 6º Ano
REDAÇÃO
e
INTERPRETAÇÃO de TEXTO
Caro aluno,
Ela apresenta uma série de atividades a serem resolvidas. Servirão para que você
verifique os conteúdos que já domina e os que precisará estudar com vistas a um
melhor acompanhamento no nosso preparatório.
- utilizar inferências pragmáticas para dar sentido a expressões que não pertençam a
seu repertório linguístico ou estejam empregadas de forma não usual em sua linguagem;
Bons Estudos!
NÍVEIS DE LINGUAGEM
Vamos falar agora sobre os tipos de linguagem que você pode utilizar em suas
narrações. Como você já deve ter ouvido falar, existem basicamente dois níveis de
linguagem: a linguagem formal e a linguagem coloquial.
Entendemos por linguagem formal a língua culta, que se caracteriza pela correção
gramatical, ausência de gírias ou termos regionais, riqueza de vocabulário e frases bem
elaboradas. Exemplo:
No corredor de uma universidade, um eminente professor de Direito Penal encontra um ex-
aluno, agora seu colega. O professor diz-lhe:
- Como está, professor? É bom revê-lo - sorriu o ex-aluno emocionado. O senhor nem
pode imaginar o quanto me foram úteis os conhecimentos que adquiri em suas aulas.
- Você sempre foi bom aluno. Tinha a certeza de que se tornaria um advogado notável .
A linguagem coloquial, por sua vez, é aquela que as pessoas utilizam no dia-a-dia,
oralmente, conservando informalmente com amigos, parentes e colegas. É a linguagem
descontraída, que dispensa formalidades e aceita gírias, diminutivos afetivos e palavras
de cunho regional.
Exemplo:
- Como é que é, Zé? Tá a fim de dar uns giros por aí depois da aula?
- É isso aí! Deixa eu ir me mandando, que o sinal já tocou – falou Zé apertando o passo.
IMPORTANTE SABER!!!.
1) As palavras podem ter mais de um significado, sendo usadas em sentido próprio, literal ou
real
(acontecimento inesperado)
Como você viu, a palavra bomba pode significar coisas diferentes do contexto em que for usada
e, assim, acontece com muitas outras palavras. Este é um exemplo de polissemia.
FIQUE ATENTO!
Tirinhas de jornal e história em quadrinhos são quase presença obrigatória, atualmente , nas provas
- pelo uso da linguagem não verbal – quando a ausência de palavras diz muito mais;
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CUIDADOS ESPECIAIS NO PREPARO DA REDAÇÃO
É muito provável que, ao fazer qualquer redação, você sinta alguma dificuldade na parte
gramatical, principalmente, quanto à ortografia.
Para evitar certos erros muitos visados, procure seguir alguns lembretes gramaticais, fazendo
suas redações da melhor forma possível.
ESQUEMA
Antes de começar a fazer redação, pense no tema sugerido, crie ideias, coloque-as em ordem, de modo que seu
trabalho tenha princípio, meio e fim.
O esquema poderá ser escrito ou mental e evitará que as ideias pareçam contraditórias. Lembre-se que a parte
final será muito importante para embelezar o que você escrever.
RASCUNHO
Você não pode dispensar o rascunho. Relendo-o, você fará a correção da forma. O dicionário deverá ser
consultado sempre que necessário.
A correção está ligada à acentuação gráfica, concordância, ortografia, pontuação etc. Proceda, então, da
seguinte maneira:
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TIPO DE DISCURSO
Discurso direto e indireto – O narrador, para relatar a fala das personagens, pode servir-se basicamente
de dois recursos:
discurso indireto – o narrador transmite com suas próprias palavra a fala do personagem:
1) A fala da personagem, no discurso direto, deve vir disposta em parágrafo e introduzida por
travessão:
“Virou-se para o pai e aconselhou:
- Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado.”
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NARRAÇÃO
Organização do texto
Narrador ≠ Autor
Um dos elementos importantes que deve ser analisado atentamente na composição de uma
história é o narrador.
Narrador é aquele que narra, que conta a história.
Frequentemente, confunde-se narrador com autor. São, no entanto, pessoas distintas.
Posições do narrador
Há ainda o narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo. Há vários tipos de narrador
onisciente, mas podemos dizer que são chamados assim porque conhecem todos os aspectos da
história e de seus personagens. Pode por exemplo descrever sentimentos e pensamentos das
personagens, assim como pode descrever coisas que acontecem em dois locais ao mesmo tempo.
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ELEMENTOS DA NARRAÇÃO
Depois de escolher o tipo de narrador que você vai utilizar, é necessário ainda conhecer os
elementos básicos de qualquer narração.
Todo texto narrativo conta uma FATO que se passa em determinado TEMPO e LUGAR. A narração
só existe na medida em que há ação; esta ação é praticada pelos PERSONAGENS.
Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenrola-se envolvendo certas
circunstâncias que o caracterizam. É necessário, portanto, mencionar o MODO como tudo aconteceu
detalhadamente, isto é, de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar
CONSEQUÊNCIAS, as quais devem ser observadas.
Observação: toda narrativa tem um clímax, isto é, o momento em que a história apresenta o seu
ponto máximo de emoção; o momento em que o conflito é maior.
Leia atentamente “A Bela Adormecida”, um conto de fadas que você certamente já ouviu
ou leu um dia.
A Bela Adormecida
Há muitos e muitos anos, num reino muito distante, viviam um rei e uma rainha cujo maior
desejo era o de terem um filho.
Certo dia, quando a rainha estava tomando banho, em sua luxuosa banheira, uma rã
encantada saiu aos pulos de dentro da água e lhe disse:
A festa foi realizada com todo o esplendor. As fadas concederam muitos dons à menina:
uma lhe deu a virtude, outra a beleza, uma terceira a inteligência e assim por diante.
10
-
Quando faltava apenas uma das doze fadas para presentear a pequena princesa, apareceu
inesperadamente aquela que não havia sido convidada. Sem cumprimentar ou olhar para as
pessoas, a intrusa gritou, com voz furiosa e ameaçadora:
– Quando tiver quinze anos, a princesa espetará o dedo em um fuso de fiar e cairá mortinha
da silva. E, junto com ela, morrerão todos os moradores do castelo.
Sem dizer mais uma palavra sequer, virou as costas e foi embora.
Todas as pessoas presentes ficaram assustadas, mas a décima segunda fada, que ainda
não havia concedido seu dom à princesa, disse:
– Como não tenho poderes para quebrar o encanto, vou amenizar o seu efeito. A princesa
não cairá mortinha da silva, apenas dormirá um sono profundo, durante cem anos.
O rei, ainda esperançoso de que poderia evitar aquele acontecimento maléfico, mandou que
fossem destruídos todos os fusos existentes no reino. Enquanto isso, as promessas favoráveis das
boas fadas se cumpriam, pois a princesa era linda, modesta, prestativa, gentil e inteligente, e todos
que a viam ficavam encantados.
Certo dia, o rei e a rainha saíram para passear. A princesa, então com quinze anos, ficou
sozinha no castelo e resolveu dar umas voltinhas, por curiosidade, em alguns aposentos do enorme
palácio. Quando chegou a uma velha torre, subiu uma escada e encontrou uma portinha, com uma
chave enferrujada na fechadura.
A princesa entrou no pequeno aposento e encontrou uma senhora bem velhinha, usando um
fuso de fiar.
A princesa achou aquilo muito divertido e pediu para mexer no fuso. Mal começou e a
pequena princesa espetou o dedo, caindo em um sono profundo, junto com todos os moradores do
castelo.
O rei e a rainha, que acabavam de chegar, também adormeceram no salão nobre, juntamente
com todos os membros da corte. Os cavalos adormeceram na cocheira; os cães, no pátio; os
pombos, em cima do telhado. O vento parou e as árvores que rodeavam o castelo não moveram
mais uma folha sequer.
Em torno do castelo, começou a crescer uma cerca de espinheiros que foi encobrindo tudo,
até a bandeira hasteada no alto da torre.
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Muitos e muitos anos depois, um príncipe ouviu de seu avô a história sobre uma cerca
de espinhos que escondia um castelo, no qual havia uma linda princesa adormecida por cem anos.
Ele também ficou sabendo que muitos príncipes tentaram chegar ao castelo, mas
haviam morrido no meio do espinhal.
– Eu não tenho medo! – exclamou o jovem príncipe. – Quero ver essa Bela Adormecida.
Quando o príncipe aproximou-se da cerca de espinhos, não viu espinho algum, e sim
milhares de lindas flores, que não o impediam de passar, mas que se fechavam atrás dele, como
uma cerca.
No pátio do castelo, os cavalos e os cães dormiam, imóveis. No salão nobre, o rei e a rainha
dormiam junto do trono, e os membros da corte, espalhados por toda a parte. O príncipe chegou à
torre e abriu a porta do quarto onde estava a Bela Adormecida. A princesa era tão bela que ele não
conseguia tirar os olhos dela nem por um segundo e, curvando-se, beijou-a.
A Bela Adormecida, logo que foi beijada, acordou, abriu os olhos e encarou o príncipe com
uma expressão de doçura e carinho. Foi amor à primeira vista.
E assim, após seu sono de cem anos, a princesa se casou com o príncipe. Houve uma grande
festa no reino e o casal viveu feliz para sempre.
SOUSA, Mauricio de. Contos de Andersen, Grimm e Perrault. São Paulo, Girassol, 2008.
ESTUDO DO TEXTO
FIQUE LIGADO
Numa narrativa,
algumas vezes é
Antes de iniciarmos o estudo do texto, numere os parágrafos.
reproduzido o diálogo
Assim, vai ficar mais fácil para você localizar os trechos a que
entre os personagens.
algumas perguntas fazem referência. Você lembra o que é um
parágrafo? Nesse caso, cada
fala de um personagem
corresponde a um
O parágrafo é uma porção do texto, indicada por um ligeiro
parágrafo. Assim, essa
afastamento da margem esquerda da folha. Possui extensão
fala não se confunde
variada: os parágrafos podem ser longos ou curtos.
com a do narrador ou
com a de outro
personagem.
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ESTRUTURA DA NARRATIVA
13
VAMOS IDENTIFICAR ALGUNS
ELEMENTOS DA NARRATIVA?
I – PERSONAGEM
1 – Os PERSONAGENS do conto “A Bela Adormecida” são
, _, _, ,
e .
, , ,
, , .
II – TEMPO E ESPAÇO
a) TEMPO? _
b) ESPAÇO?
14
A história “A Bela Adormecia” é narrada a partir da imaginação do autor. É
inteiramente inventada, sem o compromisso de reconstituir um fato que tenha ocorrido
em determinado tempo e espaço. A ATEMPORALIDADE da narrativa é uma
característica dos contos de fadas
III – NARRADOR
a) O texto é narrado em .
b) Sublinhe, no texto, um trecho que comprove a sua resposta.
PERSONAGEM
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Leia o texto a seguir:
A PRINCESA ROSA-CHOQUE
Béatrice Garel e Muzo
Do alto da torre de seu castelo, a princesa Rosa-Choque sonhava com o príncipe encantado.
– Como vou encontrá-lo? – perguntou ela, suspirando. A Bela Adormecida, a Cinderela, a
Branca de Neve, todas elas se casaram com o príncipe de seus sonhos. O que elas
fizeram?
Rosa Choque foi perguntar à sua fada-madrinha. E ela lhe respondeu num tom misterioso:
– Tudo o que posso lhe dizer é que antigamente os príncipes apareciam para salvar as
princesas que corriam perigo.
– Tenho uma ideia! – exclamou ela. – Vou pedir ao velho dragão, que mora no meio da
floresta, para me raptar. Assim, vou correr perigo!
Rosa-Choque foi imediatamente encontrar o dragão e lhe contou o que desejava. O dragão
respirou fundo:
– Ah! Estou velho e cansado demais para raptar você. Mas se me der um tablete de
chocolate, talvez eu consiga lançar uma chama ou duas.
– Combinado! – disse Rosa-Choque.
O dragão rugiu e com muito esforço lançou uma chama.
Não demorou muito e se ouviu um barulho bem alto de alguém gritando. [...]
MUZO & GAREL, Béatrice. A princesa Rosa-Choque. São Paulo, Escala Educacional, 2006.
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MAIS UM ELEMENTO DA NARRATIVA – O ENREDO
1 – A princesa Rosa-Choque não conviveu com a Bela Adormecida, Cinderela e Branca de Neve.
Como então a princesa conhece a história de princesas que “se casaram com o príncipe de seus
sonhos”? Comprove sua resposta com um trecho do texto.
3 – Qual foi a estratégia utilizada pela princesa Rosa-Choque para “correr perigo”?
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5 – Quais foram os ADJETIVOS usados para caracterizar o dragão?
6 – Sublinhe, na narrativa, o trecho que nos revela o que o dragão pediu à princesa em
troca de colocá-la em perigo.
PERSONAGENS
TEMPO
ESPAÇO
ENREDO
NARRADOR
ELEMENTO TRANSFORMADOR
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Agora que você já leu os contos de fadas clássicos e modernos, vamos nos
divertir e aprender mais a respeito das histórias em que os animais são personagens,
falam e reagem como seres humanos – as fábulas. Essas narrativas têm origem na
Antiguidade e procuram nos transmitir algum ensinamento. Esopo, um escravo que
viveu no século 6 a.C, consagrou a fabula como gênero.
Que tal ler “A raposa e a cegonha”, de Esopo, fábula muito conhecida em
nossa literatura e que, provavelmente, você já conhece?
Assim como os contos de fadas, uma mesma fábula pode apresentar versões
diferentes. Elas foram contadas e recriadas. Você encontrará esta mesma fábula
escrita por La Fontaine e adaptada por inúmeros autores.
[Link]
A RAPOSA E A
CEGONHA
Um dia, a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na
outra, serviu sopa num prato raso. Claro que a raposa tomou toda a sua sopa sem o
menor problema, mas a pobre cegonha com seu bico comprido mal pôde tomar uma gota. O
resultado foi que a cegonha voltou para casa morrendo de fome. A raposa fingiu que estava
preocupada, perguntou se a sopa não estava do gosto da cegonha, mas a cegonha não disse
nada. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que fazia questão
de retribuir o jantar no dia seguinte.
Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as
delícias que a outra ia servir. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito,
onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma
saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra. Ela aprendeu
muito bem a lição. Enquanto ia andando para casa, faminta, pensava: “Não posso reclamar da
cegonha. Ela me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”
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ESTUDO DO TEXTO
7 – Você já sabe que personagens são os participantes de uma narrativa: ser humano,
animal, um ser fictício ou objeto. Os personagens podem ter nomes ou não. Apresentarem
características físicas e psicológicas.
Numa FÁBULA, os animais representam características humanas, nas suas qualidades, nos
seus defeitos.
Você saberia dizer, com base na leitura do texto, QUANDO e ONDE, especificamente, se
passa a narrativa A raposa e a cegonha?
Nas FÁBULAS, o TEMPO E O ESPAÇO, muitas vezes, não são bem definidos, a
exemplo dos contos de fadas. Isso ocorre para marcar a ATEMPORALIDADE, confirmando sua
tradição oral.
20
9 – Qual é o sentido das expressões destacadas nos trechos abaixo:
a) “Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso.”
b “Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as
delícias que a outra ia servir.”
10 – Justifique o uso das aspas no 2º parágrafo “Não posso reclamar da cegonha. Ela
me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro.”.
a) Tendo em vista os fatos narrados, por que a moral da história é “Trate os outros tal
como deseja ser tratado.”?
TEXTO I
Herói vem do grego héros, que em latim foi grafado heroe, os dois com o significado de homem
extraordinário.
Mas uma pessoas comum também pode se tornar um herói.
Veja a história de Francisco Soares Neto.
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HERÓI POR UM DIA
O garoto Francisco Soares Neto, de 14 anos, teve seu dia de herói. Pego por uma forte tempestade, em
Sorocaba, interior de São Paulo, Francisco correu para se proteger da chuva na casa de um vizinho.
Quando menos esperava, uma enorme onda de água e lama, formada pela chuva, derrubou a parede da
casa e arrastou os irmãos Janaína, de 7 anos, e Marcos Vinícius, de 6 anos.
A água estava indo direto para um córrego próximo. Francisco não pensou duas vezes e se atirou na água
para salvá-los. Primeiro ele puxou Janaína, que já estava se afogando, depois, pegou Marcos Vinícius.
No final, foi Francisco que precisou de ajuda para sair do meio da enxurrada. O seu feito rendeu
aplausos e cumprimentos dos amigos da escola onde estuda, afinal ele foi um herói!
Revista Zá
TEXTO II
Marinheiro por profissão, bombeiro graças ao destino. Assim o morador do bairro Areal, Reginaldo Jackson,
definia-se nesta terça-feira, após quase 48 horas enfurnado na lama e nos escombros de casas vizinhas à suas, que
por pouco não foi atingida. Sem nenhuma experiência em resgate, ele contava, orgulhoso, o feito de ter salvado
três pessoas de uma família:
- Na hora em que acordei, minha primeira reação foi sair para ajudar. Em muita água, lama, mas valeu o
esforço para conseguir ajudar aquelas pessoas.
No fim da tarde desta terça-feira, ele ainda acompanhava uma equipe de resgate na tentativa de encontrar os
corpos de duas crianças.
A mesma perseverança teve outro herói da tragédia, o cirurgião Alexandre Torres, de 33 anos. Com lama até
a altura do peito, ele atravessou segunda-feira a barreira que fechara por 12 horas a rodovia Rio-Santos para
poder ao Hospital da Irmandade das Santas Misericórdias de Angra dos Reis, onde seis vitimas do desabamento
esperavam por cirurgia. Morador da Urca, no Rio, onde as chuvas não causaram problemas, ele contou que
chegou ao ponto onde ocorrera o deslizamento de barreira recebendo pelo celular chamadas urgentes da direção
do hospital. Com a mala numa mão e o celular na outra, ele decidiu seguir em frente, a pé. Somente quando
estava no meio da lama, se deu conta de que poderia ter sido soterrado:
- Fiz tudo por impulso. Parece que eu estava numa areia movediça. Mas enfrentei tudo porque sabia que
havia paciente precisando de cirurgias, que poderiam morrer.
Médico há dez anos, Alexandre disse que, durante seu percurso no meio da lama, teve a companhia apenas
de um trator, que retirava o entulho da estrada. Do outro lado da barreira, uma ambulância do hospital o
aguardava:
- Só deu tempo de tomar um banho, arrumar roupas emprestadas e ir direto para 25 centro cirúrgico salvar
uma paciente que estava com hemorragia no estômago. Na hora só pensei que ia dar certo. Se tivesse que fazer
isso novamente, eu faria.
Rio 11/12/2002 – [Link]
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TEXTO III
Tem gente que tem cada bicho de estimação! Uma senhora americana criava, dentro de casa, uma porquinha
que agradeceu todo o carinho recebido salvando a dona. O fato aconteceu em Nova Iorque. Ao perceber que sua
dona estava passando mal, a porquinha saiu correndo e se deitou no meio da rua, parando o trânsito. Ao sair à
procura do dono da porca trapalhona, os policiais encontraram uma senhora caída no chão .
Ela estava tendo um ataque do coração e só foi salva porque a porquinha saiu correndo em busca de ajuda.
Bicho tem dessas coisas! Ainda bem.
Revista Zá
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
A partir da leitura dos textos I, II, III, realize com êxito as questões a seguir.
12) No Texto I , o garoto Francisco atira-se na água para salvar Janaína e Marcos.
No Texto II, o cirurgião Alexandre Torres atravessa uma barreira de lama para chegar ao hospital e
socorrer seis vítimas de um desabamento.
O sentimento que melhor expressa as atitudes tomadas pelos personagens dos dois textos é a
( ) fidelidade
( ) autoconfiança
( ) humildade
( ) impaciência
( ) solidariedade
c) ( ) Apesar de ter enfrentado um grande obstáculo, o médico Alexandre Torres não chegou ao
hospital a tempo de salvar uma vítima das chuvas.
d) ( ) Tanto Reginaldo quanto Alexandre Torres não demonstraram arrependimento pelo feito heroico que
realizaram.
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a) ( ) problema / causa
b) ( ) fato / causa
c) ( ) causa / consequência
d) ( ) finalidade / fato
e) ( ) fato / solução
15) “Bicho tem dessas coisas! Ainda bem.” (Texto III – linha 7) O trecho em destaque pode ser mais bem
interpretado na opção:
c) ( ) Muitas vezes, somos surpreendidos com as atitudes inteligentes tomadas pelos animais.
e) ( ) A mania que a porquinha tinha de se deitar na rua trazia problemas à sua dona.
FATO
CAUSA
17) Retire do Texto II a fala do médico que apresenta o motivo que o levou a enfrentar o tamanho
perigo. Use as aspas.
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LEITURA DE TEXTO (Atividade IV)
TEXTO I
Rubens Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está naquela casa
cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e
dissesse:
- “Ai meu Deus, que história mais engraçada!” E então a contasse para a cozinheira
5 e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse
rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse
como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada
doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse pra si própria –
“mas essa história é mesmo muito engraçada!”
10 Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido
com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido
pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas
depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da
história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o
15 outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo
de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a
minha história chegasse - e tão fascinante de graça, tão irresistível,
tão colorida e tão pura que todos limpassem seu
20 coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito,
depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e
também aquelas pobres mulheres colhidas nas calçadas e lhes
dissesse: “ – Por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto
de prende ninguém!” E que assim todos tratassem melhor seus
25 empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e
espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e
fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, de Dublin, a um japonês, em Chicago
- mas que em todas as línguas elas guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto
30 surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito
sábio e muito velho dissesse: “Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a
minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada
por nenhum homem, foi como certeza algum anjo, tagarela que a contou aos ouvidos de um
santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve
35 ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina.”
E quando todos me perguntassem: “ – Mas de onde é que você tirou essa história?”
- eu responderia que ela não é minha. Que eu a ouvi por acaso na rua, de um
desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar
assim: “Ontem ouvi um sujeito contar uma história...”
40 E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história
em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está
doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
25
VOCABULÁRIO:
distrito – delegacia
TEXTO II
26
LÁGRIMAS DE POTIRA
Neste texto vamos conhecer a história de Potira, uma bela indiazinha, e Itagiba, um jovem forte e valente. O
amor entre eles era tão intenso que acabou se perpetuando na natureza no que ela tem de mais nobre e duradouro.
Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras precisas, existiam por
aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira,
menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagiba, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens, assim que se tornassem guerreiros.
Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagiba adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como
negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da
indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e
Potira e Itagiba se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os outros
períodos de separação, quando Itagiba saía com os demais para caçar, tornavam os dois mais unidos. Era
admirável a alegria do reencontro.
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali
havia, e Itagiba teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber
exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto.
Não chorou com as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede
numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se a beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas
irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e
ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava À taba quando o Sol
se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga
ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha
morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou a
beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem
cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes para
perpetuar a lembrança daquele amor.
VOCABULÁRIO:
cobiçoso – ambicioso
lenda – narração na qual fatos reais são transformados pela imaginação popular ou poética
taba – aldeia
Tupã – deus tupi
27
TEXTO III
A BANDA
Chico Buarque
28
INTERPRETAÇAO DO TEXTO
A partir da leitura dos Textos I, II e III faça as questões a seguir com êxito.
18) Podemos afirmar que a principal causa que motivou o autor a criar tal história do Texto I foi o desejo
a) ( ) que, do outro lado do mundo, um chinês muito velho e sábio pudesse concluir que valera a pena ter
de: tanto tempo.
vivido
c) ( ) sensibilizar e alegrar o delegado da polícia a ponto de fazê-lo soltar os bêbados e mulheres colhidas nas
calçadas.
19) No Texto I, Rubem Braga demonstra o desejo de escrever uma história bem diferente das que já
existem. Assinale a única característica que não pode ser atribuída à sua história:
a) ( ) fascinante
b) ( ) otimista
c) ( ) irresistível
d) ( ) pura
e) ( ) depressiva
d) ( ) gastou muito tempo fazendo sua história, escolhendo as palavras certas para impactar a todos que a
lessem.
e) ( ) deseja que sua história seja divulgada apenas de forma oral; de pessoa para pessoa.
21) O Texto II apresenta uma linda história de amor, vivida pelos protagonistas: Potira e Itagiba.
indique o elemento causador do término deste romance:
a) ( ) Tupã
b) ( ) A guerra
29
d) ( ) A araponga
22) Marque a opção em que não se pode estabelecer, respectivamente, a relação de FATO e
CAUSA, tendo em vista as ideias contidas no Texto II:
a) ( ) Potira e Itagiba casaram-se sem que houvesse disputa. / Não havia nenhum outro jovem
guerreiro na tribo.
b) ( ) As terras da tribo de Potira foram invadidas. / Em suas terras havia caça abundante.
c) ( ) Potira não chorou ao ver Itagiba e os outros índios partindo. / Ainda não conhecia as desgraças
causadas pela guerra.
e) ( ) Potira chorou após ouvir o canto da araponga. / Só neste momento, deu-se conta que
Itagiba não mais voltaria.
23) Sobre a poesia de Chico Buarque, Texto III, não podemos afirmar que:
c) ( ) tanto o faroleiro quanto o homem sério também foram contagiados pelo ritmo da banda.
d) ( ) a dor de toda aquela gente foi totalmente reduzida com a mensagem de amor
transmitida pela banda.
“E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo...” (Texto I – linha 27)
Refere-se
30
b) “A rosa triste que vivia fechada se abriu” (Texto III – verso 14)
27) Apresente a regra de acentuação que justifica o acento recebido pelo vocábulo destacado na
passagem abaixo:
FIQUE ATENTO!
Toda repetição de uma ideia mediante palavras ou expressões diferentes provoca uma
redundância.
Exemplos: subir lá em cima, descer lá em baixo, entrar pra dentro, sair pra fora, novidade inédita,
hemorragia de sangue, pomar de frutas, hepatite do fígado, demente mental e tantos casos que
ouvimos diariamente no linguajar de gente que não pensa para falar.
31
CARTA PESSOAL
Querida Karen,
Um beijo,
32
CARACTERÍSTICAS DA CARTA PESSOAL
A carta pessoal é um gênero textual utilizado quando um remetente deseja entrar em
contato com um amigo, familiar, conhecido - o destinatário.
Com certeza, assim como o Robson da carta, você possui um amigo(a) que mora
distante. Redija uma carta para seu amigo, contando as suas novidades e
expressando suas saudades. Lembre-se dos elementos que compõem a carta e use
uma linguagem adequada ao destinatário.
Se você quiser, pode enviá-la por correio convencional, ou através do correio
eletrônico (e-mail). Bom trabalho!
33
DISSERTAÇÃO
Mãos à obra!
Há muita discussão sobre a influência da televisão na vida das pessoas.
Liste aqui alguns aspectos positivos e negativos sobre o fato de uma pessoa ter constante hábito de
assiste à televisão.
Agora, desenvolva um texto dissertativo sobre esse assunto. Use cerca de vinte linhas.
34
LEITURA DE TEXTO (Atividade V)
TEXTO I
[...] é bom, pra cachorro ver alguém se aproximando com a calça imaculadamente branca.
Tudo acontece em duas etapas. Na primeira, eu fico quietinho, deitadinho, cara de quem não está
nem aí, olhando o visitante, o incauto, a vítima (escolha aí como chamar meus parceiros de palco,
por mim, encaro com maior respeito, como colegas sem os quais minha performance
não seria possível).
Daí, quando ele chega mais perto, crente que está abafando com sua calça branca,
admirado pelo cachorrinho que vos fala, lá vou eu como uma mola que se estica rápido como
um avião, surpreendente como um pernilongo que não canta avisando a picada. E antes que ele
possa se defender, dou pelo menos meia dúzia de pulos certeiros (quando ele era mais jovem,
chegava a uma dúzia em trinta segundos), não sem antes me certificar de que minhas patas estão
bem molhadinhas ou, no mínimo, com um pouco de terra do jardim.
35
Claro que nem sempre dá certo. Já levei joelhadas, tapas, gritos, e outros golpes baixos.
Existem, além dos mal humorados, os meus tipos prediletos, aqueles que exigem técnicas e
táticas especiais que descrevo a seguir.
O tipo que vira imediatamente de costas. Para esse, desenvolvi a minha curva rápida. Em 90º,
que consiste em correr como se fosse pular pela frente, desviar no último instante e... carimbar a
frente que ele virou pra trás.
O tipo que me segura pela coleira antes que eu pule. Esse merece um truque genial: eu
não reajo. Fico quietinho, ele segurando minha coleira, e eu abanando o rabinho com as
patinhas dianteiras dobradas. Mas ele me solta, pensando que não há por que impedir
um cachorrinho tão amistoso, lá vou eu com meu superpulo, um só, mas eficiente. Um só,
porque não sou besta de deixar que ele, agora bravo por ter sido tão otário, me segure de novo.
O tipo que conhece o cachorro do Pedrinho. Com esse, tenho de redobrar para cumprir
minha missão. Primeiro, porque ele não entra na casa, nem passa perto de mim, sem
antes pedir ao Pedrinho que me prenda. Aí só me resta apelar e usar todos os meus dotes de
ator pulatício internacional. Não reclamo, não lato, mas não desgrudo meu olhar tristonho do
gajo, até que ele mesmo, cheio de culpa por ter mandado prender um cão cheio de amor pra
dar, peça para me soltarem um pouquinho. Em geral, na despedida.
Pena que esse recurso não dê certo mais de três vezes.
VOCABULÁRIO
TEXTO II
Quase todo mundo tem uma história de cachorro para contar. Há casos heroicos de
cães, verdadeiros rin-tin-tins, que salvaram vidas humanas. Há os que conhecem a arte de
trepar em árvores. Há cachorros acostumados a fumar charuto e beber uísque.
Na minha rua, por exemplo, quando eu era pequeno, tinha o Bismarck, um cachorro
grandalhão que morava numa casa mais acima. O Bismarck passava o dia fingindo que
dormia na frente do portão. Quando vinha gente pela calçada, esperava a pessoa chegar
bem perto e dava um bote de supetão, rosnando com a dentuça ameaçadora.
A maioria das pessoas passava por alo todos os dias, já estava acostumada e
continuava seu caminho como se nada houvesse acontecido. Quem, em compensação,
não sabia das coisas, levava o maior susto. Vi uma senhora idosa saltando um portão de
ferro de mais de 1,20 metro de altura feito uma atleta de chapéu e guarda chuva. Vi um sujeito
pular da cadeira de rodas e sumir ao longe, mancando em disparada. Acho que foi um tipo
de milagre.
Nessas ocasiões, o Bismarck voltava radiante, exibindo um sorriso nos lábios. Sim.
Tenho certeza. O Bismarck sabia rir. Vi com meus próprios olhos o sacripanta, com os dentes
de fora, rindo e balançando a cabeça, enquanto o povo fugia desesperado.
Ricardo Azevedo. A outra enciclopédia canina. São Paulo:
36
A discussão sobre a esterilização e o extermínio das raças de cães mais violentos tem causado
muita polêmica e dividido a opinião pública.
TEXTO III
Prezado editor,
TEXTO IV
MORDEU, MORREU
Está descoberta a solução para a tragédia dos cães violentos: mordeu, morreu.
Considerando-se que eles já atacaram crianças, ameaçaram vizinhos, carteiros, passantes
e ainda seguem desfilando pelas calçadas, é mesmo de perguntar: onde foi parar o
pessoal da pena de morte? Eles acham justo matar gente, mas ficam quietos quando o crime
foi cometido por um cão? Cachorros delinquentes, por assim dizer, não podem continuar
passeando por aí como se fossem preciosos bichinhos de estimação.
Considerando-se que se cobram 117 reais de quem não usa cinto de segurança, cuja
única função é proteger o dono do automóvel, por que não cobrar multa dez vezes maior de
quem deixa solta uma fera capaz de atacar uma pessoa que não tem nada a ver com isso?
Um cão não precisa arrancar sangue para se transformar num problema. Basta
ameaçar, da medo, que já estará ferindo a liberdade das pessoas.
O país anda com problema demais – segurança, desemprego, trânsito – para ficar
demonstrando cortesia e autocontrole com cachorros agressivos. Como se o problema
estivesse em nós, as vítimas, daqui a pouco seremos obrigados a tomar novas lições de
bom comportamento. Por exemplo: se você enxergar um cão agressivo se aproximando,
mude de calçada. Se ele andar atrás, não corra. Se ele correr, fique quieto e não entre em
pânico. Se nada disso funcionar, paciência: o dono promete que um novo ataque não vai
repetir-se. Donos de cães agressivos nunca admitem que têm uma fera perigosa em casa.
Sempre veem o cachorro dele como um ente com características quase humanas.
Existe outra ideia no ar. É esta: vamos castrar os cães e a próxima geração será
Eliminada. Está bem. Pode funcionar. Mas, como se sabe, nem campanhas sanitárias
37
para proteger seres humanos, como vacinação, alcançam todo mundo. Imagine-se no caso
de cachorros.
A maioria das pessoas gosta de cães e faz muito bem. Eles são companheiros e
brincalhões. Divertem os adultos e ajudam na educação afetiva das crianças. Não é desses
animais que estamos falando, mas de feras agressivas que passeia, pelos supermercados,
pelo parque num domingo, pela saída da escola. Tem gente que gosta de correr pelo bairro onde
mora em companhia de um rottweiler - solto, muitas vezes.
Considera-se aceitável que uma pessoa corra risco de ficar sem um pedaço da mão, da
perna, ou mesmo sofra ataque ainda mais grave apenas porque o proprietário de um pit Bull não
está com vontade de prender sua gracinha? Por que um psicólogo de canil explica que um fila
brasileiro tem direito à liberdade? Não é óbvio que o cidadão que acha razoável expor outro ser
humano a um cachorro perigoso revela: 1)uma escala de valores antissocial; e 2) um distúrbio
mental digno de urgência médica?
Está na hora de acabar com essa conversa de que um cão é apenas o reflexo do dono.
Primeiro, porque isso não é verdade - se nem os filhos humanos são o retrato dos pais
humanos, o que dizer dos cachorros. Segundo, porque esse raciocínio só serve para eximir os
irresponsáveis de suas responsabilidades. Não se pune o dono porque quem atacou foi o cão. E
se deixa o cão à solta porque quem precisa era educado é o dono.
LEITE, Paulo Moreira. Justiça. O que fazer com eles? Veja, São Paulo. N.15, p. 99, 14 abr. 1999.
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
Após ler, atentamente, os Textos I, II, III, e IV, faça com determinação as questões a seguir:
I) Tutty é um cão feroz que representa uma ameaça para as pessoas que visitam a
casa de Pedrinho.
IV) Tutty nunca foi contra atacado por nenhuma de suas vítimas.
38
29) De acordo com o Texto II, a única informação falsa encontra-se na opção:
b) ( ) Diante do susto provocado por Bismarck, uma senhora reagiu de forma inesperada
ao ter uma atitude mais própria de jovens.
c) ( ) O sorriso que o narrador via nos lábios de Bismarck era uma consequência do
prazer que o cão sentia em assustar alguns pedestres.
d) ( ) O medo sentido pelo que estava na cadeira de rodas funcionou como um milagre,
uma vez que ele se pôs a correr mesmo que mancando.
e) ( ) Embora tivesse uma dentuça ameaçadora, não consta no texto que Bismarck
mordia suas vítimas
abaixo: “Dessa forma, sou da opinião de que os cães não devem ser esterilizados, nem andar
com focinheira pelas ruas, mas acho que devem andar com coleiras e guias para evitar
a) ( ) condição/oposição/finalidade
b) ( ) adversidade/adição/fim
c) ( ) adição/adversidade/finalidade
d) ( ) negação/conclusão/direção
e) ( ) exclusão/contraste/lugar
31) “Apesar de forte, grande e corajosa era uma das mais dóceis de todas as que já
tive”. Marque a opção que o verbo encontra-se flexionado no mesmo tempo, pessoa e
39
TEXTO INFORMATIVO
RAPOSA-DO-CAMPO
[Link]
40
ESTUDO DO TEXTO
2
33 – A cor de uma raposa-do-campo pode variar de
5
quilos. 1
41
Como identificar o tema de um texto???
SAPATO
É MUITO CHATO,
mas é um fato: QUESTÃO 16 (Prova Rio, adaptada)
em pata de pato A palavra que retrata o tema da
não cabe sapato. poesia é
Não há sapato
(A) carrapato.
pra pata de gato
ou pata de rato. (B) sapato.
E eu constato (C) gato.
que nem no mato (D) pato.
se encontra sapato
pra carrapato!
Fonte: CIÇA. Trava-Trela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
QUESTÃO 37
O assunto desse texto é a
(A) extinção dos animais.
(B) poluição da Terra.
(C) queda dos meteoros.
(D) vida dos dinossauros.
42
Leia o poema de Roseana Murray.
43
Leia o poema abaixo para responder a questão 20.
44
Como distinguir um fato da opinião relativa a
esse fato???
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto, no qual o aluno é solicitado a
distinguir as partes dele referentes a um a fato e as relativas a uma opinião relacionada ao fato
apresentado, expressa pelo autor, narrador ou por algum personagem.
Fundamentalmente, espera-se que o aluno saiba distinguir o que são afirmações
baseadas em valores (opiniões) e afirmações baseadas em evidências (fatos).
É comum, sobretudo em textos dissertativos, que, a respeito de determinados fatos,
algumas opiniões sejam emitidas. Ser capaz de localizar a referência aos fatos, distinguindo-a
das opiniões relacionadas a eles, representa uma condição de leitura eficaz.
45
QUESTÃO 41
QUESTÃO 42
A opinião do autor a respeito dos raios é que
(A) nascem em grandes nuvens escuras.
(B) são fenômenos poderosos e assustadores.
(C) são formados por corrente elétrica.
(D) surgem num clarão seguido de um barulho.
Limpeza é fundamental
A limpeza do corpo deve ser uma rotina para todas as crianças, porque desafiar
a sujeira é essencial para uma boa saúde. Recomenda-se que as unhas devem estar sempre
limpinhas, que não se deve roê-las, pois debaixo delas se “escondem” muitas bactérias que podem
prejudicar a saúde.
Matheus Lopes, 13 anos, diz: “Eu acho muito importante lavar as mãos onde
quer que se esteja”. Às vezes eu me esqueço de lavar antes de comer, mas sei que isso é
muito ruim”.
Portanto, não esqueça: limpeza é fundamental!
Adaptado de: Diário do Pará, Diarinho, nº 355, Dom. 30/05/2010, p.04.
46
Leia com atenção o texto abaixo e depois responda à questão 25.
Alívio
Um homem sente que acordou, mas não consegue abrir os olhos. Tenta se mexer, mas
descobre que está paralisado. Começa a ouvir vozes.
Coitado.
Olha a cara. Parece que está dormindo...
Sente cheiro de velas. Será que...?
Outras vozes:
É. Descansou.
Ninguém esperava. Tão saudável.
Coitado...
As vozes parecem conhecidas. Ele começa a entrar em pânico. Concentra toda a sua força
em abrir os olhos. Não consegue. Tenta mexer uma das mãos. Um dedo! Nada. Meu Deus. Preciso
mostrar que é um engano, que não morri. Vão enterrar um vivo. Ou será que houve um engano?
Morri mesmo. Estou ouvindo tudo, sentindo tudo, mas estou morto. Isto é horrível, isto é...
Um homem tão bom...
Grande caráter...
Que marido.
Vida exemplar...
O homem fica mais aliviado. Pode estar num velório. Mas definitivamente , não é o seu.
VERÍSSIMO, L. F. A Mãe de Froud. V. 43. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 65.
47
COERÊNCIA E COESÃO TEXTUAL
COERÊNCIA TEXTUAL
Imagine a seguinte situação: um casal de namorados foi ao cinema. Lá eles comeram pipoca,
tomaram refrigerante, mas o filme decepcionou um pouco. Ao chegar em casa, a garota pretende
contar à mãe como foi, dizendo a ela um destes dois enunciados. Compare-os:
● Foi ótimo! O filme era tão bom, que todos dormiam no cinema. Além disso, durante a sessão,
comemos pipoca salgada demais e o refrigerante que levamos caiu no meu vestido. Foi uma tarde
maravilhosa!
● Fomos ao cinema, mas não gostamos do filme. Apesar disso, lá comemos pipoca, tomamos
refrigerante e nos divertimos muito.
Como você vê, dos dois, o segundo enunciado é o que articula ideias de forma direta e objetiva,
aproximando bastante o relato dos fatos do que realmente ocorreu.
O primeiro enunciado pode inicialmente parecer contraditório, absurdo em relação aos fatos, pois
normalmente as pessoas não acham maravilhoso comer pipoca salgada demais, cair refrigerante na roupa,
etc. Contudo, esse enunciado é perfeitamente possível, dependendo da intenção de quem fala, o locutor
(no caso da garota), das habilidades linguísticas do interlocutor, ou seja, com que se fala (a mãe) e do
quanto este conhece o locutor ( a própria filha).
Por exemplo, e se a filha estiver ironizando, brincando com a mãe, ou seja, dizendo uma coisa, mas
querendo dizer outra? Nessa caso, ela diz que tudo foi ótimo, mas deseja que sua mãe compreenda o
contrário: tudo foi péssimo.
Assim, tanto o primeiro enunciado quanto o segundo podem se adequados e eficientes, dependendo do
contexto em que são utilizados.
A coerência é uma das características que um texto deve ter para apresentar textualidade, isto é, para que
seja de fato um texto e não apenas um aglomerado de frases.
COESÃO TEXTUAL
Você já aprendeu que um texto, para ter textualidade, precisa apresentar coerência. Mas isso não é
tudo. Imagine que um jornal esportivo noticie a chegada de atletas brasileiros, vindos das
Olimpíadas, da seguinte forma:
Dois atletas que representam o Brasil nas Olimpíadas chegaram ao aeroporto do Galeão, no Rio de
Janeiro, trazendo duas medalhas de ouro. Apesar da conquista do ouro, não havia fãs à espera dos
campeões. O governador do Estado, porém, irá recebê-lo no Palácio.
O texto inicialmente faz referência a dois atletas: no entanto, na última frase, se lê: “ O governador [ ... ]
irá recebê-lo”. A quem o governador vai receber: aos dois atletas ou apenas a um? Se a um atleta, qual
deles? No caso, para garantir a clareza da informação, seria necessário alterar o texto para uma destas
soluções: “O governador [ ... ] irá recebê-los” ou, por exemplos: “O governador [ ... ] irá receber o
campeão de natação”.
A esse tipo de relação entre as palavras chamamos coesão .
48
Ambiguidade (ambi=dualidade) é a duplicidade de sentidos que pode haver em uma palavra, em uma
frase ou em um texto inteiro.
Quando empregada de forma intencional, a ambiguidade se torna um importante recurso de
expressão. Quando, porém, é resultado de má organização das ideias, pode gerar problemas para a
comunicação.
Essa habilidade é avaliada por meio de um texto no qual é solicitado ao aluno que
identifique a relação de uma determinada palavra com o seu referente ou que reconheça a que ação uma
palavra se refere; ou, dada uma expressão, solicita-se o reconhecimento da palavra que pode substituí-la.
49
Leia a receita abaixo.
Receita de beijinho
Como fazer: Junte todos os
Ingredientes: ingredientes numa panela e leve-a ao
1 lata de leite condensado fogo. Mexa com uma colher de pau até a
2 xícaras de coco ralado mistura soltar completamente do fundo.
3 gemas Despeje o conteúdo numa tigela untada
1 colher(sopa) de manteiga ou margarina com manteiga e deixe esfriar. Faça as
Açúcar cristal bolinhas e passe-as no açúcar cristal.
Cravo e confeitos Enfeite-as com um cravinho ou confeitos
de chocolate e sirva-as em forminhas de
QUESTÃO 46 (SAEP 2012) papel.
O termo “sirva -as”, destacado no Adaptado de: O Estado de São Paulo, Estadinho, 30/8/1997.
Bem-te-li: Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 2000.
texto, corresponde à(s)
(A) às forminhas.
(B) às bolinhas.
(C) ao cravinho.
(D) aos confeitos.
Um conto de gatos
Os gatos sortudos da Rua Melenas tinham cada um sete ratos para
comer. Os outros, com dois apenas tinham de se satisfazer.
O total de ratos comidos sendo 24, quantos gatos traçaram ratos?
UM CONTO de gatos. CiênciaHoje das Crianças, ano 9. nº 60. Jul. 2006. p. 28.
50
“E ninguém pense que os nomes dos personagens, por mais estranhos que pareçam,
foram inventados pelo autor: são todos nomes de pessoas que ele conhece...”
QUESTÃO 45
No cartaz, a palavra isso refere-se
(A) ao piolho.
(B) à cabeça.
(C) à campanha.
(D) ao cartaz.
51
Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no
texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
Com esse item, pretende-se avaliar a habilidade do aluno em perceber a coerência textual,
partindo da identificação dos recursos coesivos e de sua função textual.
Em todo texto de maior extensão, aparecem expressões conectoras – sejam conjunções,
preposições, advérbios e respectivas locuções – que criam e sinalizam relações semânticas de
diferentes naturezas. Entre as mais comuns, podemos citar as relações de causalidade, de comparação,
de concessão, de tempo, de condição, de adição, de oposição etc.
Reconhecer o tipo de relação semântica estabelecida por esses elementos de conexão é uma
habilidade fundamental para a apreensão da coerência do texto.
QUESTÃO 49
A palavra “cuidadosamente” destacada no texto remete à ideia de
(A) modo.
(B) tempo.
(C) negação.
(D) lugar.
A árvore do dinheiro
Um dia de manhã, vendo-se apertado com a falta de dinheiro, Pedro Malasartes
arranjou, com uma velha, um bocado de cera e algumas moedas de vintém, e caminhou por
uma estrada afora. Chegando ao pé de uma árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à
folhagem, com a cera que levava.
Não demorou muito a aparecer na estrada um boiadeiro; e como o sol, já então levantado,
fosse derretendo a cera e fazendo cair as moedas, Malasartes apanhava-as avidamente.
O boiadeiro, curioso, perguntou-lhe o que fazia, e o espertalhão explicou que as frutas
daquela árvore eram moedas legítimas, e que ele as estava colhendo.
O homem mostrou desejos de ficar com a árvore encantada e, engambelado por
Malasartes, acabou trocando-a pelos boizinhos. Depois Malasartes pôs-se ao fresco, levando os
bichos, e o boiadeiro ficou a arrecadar os vinténs que tombavam. Os vinténs acabaram-se logo,
e o triste compreendeu que havia sido enganado.
Fonte: AMARAL, Amadeu. A árvore do dinheiro. In: Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, ano 6, n. 34, dez.1993.
52
QUESTÃO 50 (SARESP 2010 - adaptada)
No texto, o personagem Pedro Malasartes é caracterizado como aquele que é o
(A) curioso.
(B) intrometido.
(C) esperto.
(D) indiscreto.
53
Como identificar as marcas linguísticas que evidenciam
o locutor e o interlocutor de um texto?
Entende-se, por esse descritor, a identificação de marcas linguísticas de variação na
linguagem e, em consequência, a identificação do locutor e do interlocutor de um texto.
É um descritor importante para tratar da diversidade linguística brasileira, especialmente de
variedades mais ligadas a situações comunicativas menos monitoradas, como costumam ser as
produções dos estudantes em geral.
Esse descritor vai exigir do aluno a habilidade de identificar as variedades linguísticas
resultantes da influência de diversos fatores, como o grupo social a que o falante pertence, o lugar e a
época em que ele nasceu e vive, bem como verificar quem fala no texto e a quem este se destina,
reconhecendo as marcas linguísticas expressas por meio de registros usados, vocabulário empregado,
uso de gírias ou expressões, ou níveis de linguagem.
É preciso ressaltar que, estando a língua em constante mudança, a atenção na abordagem desse
descritor deve ser redobrada, para que não se incorra em generalizações e inadequações, o que geraria
o efeito contrário do que se quer com esse tópico, que é abordar a riqueza da diversidade linguística.
QUESTÃO 52
O texto acima apresenta uma linguagem
(A) regional.
(B) formal.
(C) informal.
(D) científica.
54
Leia a tirinha:
QUESTÃO 73
A linguagem observada na fala do mosquito é parecida
com a usada
(A) por cientistas em palestras.
(B) nas bulas de remédios.
(C) em conversas entre colegas.
(D) por apresentadores de jornais televisivos.
55
LEITURA DE TEXTO (Atividade I)
Texto I
Um livro
é uma beleza
é caixa mágica
só de surpresa.
Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.
Um livro
tem asas longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe.
Um livro
é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.
Um livro
é parque de diversões,
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.
Elias José
56
Texto II
PRATELEIRA DE BAIXO, 12 DE OUTUBRO DE 1978.
Texto III
Pesquisas sobre desenvolvimento cerebral mostram que as crianças devem ser expostas aos livros antes
mesmo de aprenderem a ler. Assim, utilizam todo o potencial de linguagem do cérebro. Criança
que só entra em contato coma a leitura depois dos 11, desperdiça a chance de incrementar o potencial
cerebral com que nasceu, sobretudo na área da expressão verbal.
Crianças que nunca ouviram histórias ou que não desenvolveram o hábito de leitura até os dez anos perdem
a chance de “enriquecer” as áreas do cérebro ligadas à linguagem e ao controle das emoções. Embora parte
da capacidade cerebral de uma criança já esteja determinada na hora em que ela nasce, o ambiente em que vive
nos primeiros 10 anos contribui decisivamente na formação e manutenção das conexões entre os
neurônios. Ou seja, embora a inteligência da criança seja parcialmente determinada ao nascer, as
experiências a que é submetida nos primeiros anos indicarão quanto desse potencial será
utilizado. “Quanto mais a criança for exposta à linguagem falada, escrita, lida ou cantada, maior será sua
capacidade verbal e oral ao crescer. Pais que leem ou contam histórias aos filhos que ainda não sabem
ler também influenciam positivamente a capacidade da criança de administrar suas emoções”, diz o
neurocirurgião Élson Araújo Montagno, doutor em medicina pela Universidade
de Berlim. A formação das conexões entre neurônios ocorre das primeiras semanas de gestação até 10
anos, quando parte delas (as que foram utilizadas) são eliminadas.
57
Para cada habilidade (raciocínio, visão, linguagem etc.) há um período específico em que as ligações entre
neurônios se formam. Esse período é chamado de “janela da oportunidade”.
A janela da linguagem dura do nascimento aos 10 anos. Crianças que só adquirem o hábito de ler após essa
idade perdem a melhor oportunidade de maximizar o potencial cerebral com que nascem.
“É um crime privar a criança da leitura entre 6 e 10 anos. Na verdade, antes mesmo de começarem a falar, os
pais devem ler ou contar histórias aos filhos”, diz Montagno.
O neurocirurgião recomenda que os pais transformem o hábito de ler em algo prazeroso. “Se a leitura passar a
ser uma diversão na família, a criança terá muito mais facilidade em aprender e se encontrar quando estiver na
escola.”
Para que a leitura beneficie o desenvolvimento cerebral de uma criança, ela deve se tornar um hábito. Mas não
é preciso estipular um número mínimo de livros que a criança deve ler a cada ano.
“Cada criança tem seu próprio ritmo. O importante é que ela leia independentemente da quantidade de livros.
Os que estão se alfabetizando gostam de ler a mesma história várias vezes, até memorizar. Esse é um ótimo
exercício”, diz.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Faça o que se pede sobre o Texto I.
55) Na frase, O livro é como uma caixa mágica só de surpresa, a palavra grifada transmite ideia de:
( ) modo.
( ) oposição.
( ) comparação.
56) Use ( V ) para verdadeiro e ( F ) para falso, tendo em vista as informações sobre o Texto:
58
A partir da leitura do Texto II, faça o que se pede:
57) Na carta, o Livro de Histórias conta ao Caderno de Letras e Frases sua alegria por não ficar mais guardado no
armário
“Ainda ontem uma garotinha terminou os exercícios mais cedo, levantou e veio me pegar. Você precisava ver
como ela dava risada!”
me:
você :
ela :
( ) lugar / quantidade.
( ) tempo / intensidade.
( ) passado / adição.
I) Segundo a reportagem, que consequência sofre uma criança que só adquire o hábito de leitura após os dez
anos?
II) Por que não é certo determinar quantos livros uma criança deve ler a cada ano?
59
LEITURA DE TEXTO (Atividade II)
TEXTO Nº 1
AS BALEIAS
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
PROSA é a forma de expressão que empregamos na comunicação diária. É a maneira de falar ou de
escrever. Na prosa, a história é contada por um narrador.
POESIA é a forma de expressão caracterizada pela aparição de rima e da melodia. Cada linha da poesia é
chamada de verso e um conjunto de versos recebe o nome de estrofe. Na poesia, não há um narrador, há um
eu-lírico ou eu-poético que expressa sentimentos e ideias.
60
formada de versos. I texto possui, ao todo,
versos.
61) Responda:
• O autor, através da poesia, faz uma critica. Que critica é essa? A quem ela é dirigida?
• Que palavra está sendo substituída pela palavra “vermelho” no terceiro verso da segunda estrofe?
Fato
Consequência:
63) Observe as expressões destacadas na estrofe abaixo e diga a quem ou a que elas se
você
do que morre
vencedor
61
VERSIFICAÇÃO: RECONHECIMENTO DO VERSO, DA RIMA E DA ESTROFE
Infância
(Carlos Drummond de Andrade)
No texto Infância, o poeta Carlos Drummond de Andrade permite ao leitor ter uma imagem das
cenas através das descrições que faz e marca essas descrições com o sentimento de saudade. Em cada
verso descreve as lembranças do eu-lírico: O pai montando a cavalo, a mãe costurando, o irmão
pequeno dormindo, ele sozinho entre as mangueiras lendo histórias de Robinson Crusoé...
Observe como as palavras estão distribuídas nas linhas. Cada linha do poema é um verso. O poeta
decidiu, intuitivamente, a partir de normas criadas por ele mesmo, onde começa e onde acaba o verso
livremente, sem seguir nenhuma regra definida de rimas ou métricas.
Mas nem sempre os versos são construídos livremente. Alguns autores optam por utilizar palavras
que tenham um mesmo som no final de seus versos, fazem uso das rimas. Você conhece o texto A
foca, do poeta Vinícius de Moraes?
62
As rimas podem ser classificadas em:
• rimas ricas – formadas por palavras de diferentes classes gramaticais – substantivo com adjetivo;
verbo com substantivo etc.
Exemplo: feliz/nariz.
Observe:
Verso – Cada linha do poema.
Estrofe – Cada grupo de versos.
Rimas – Repetição de sons semelhantes na sílaba tônica.
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
64. Observe a estrutura do texto Infância de Carlos Drummond de Andrade e escreva (V)
para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas:
( ) Possui rimas pobres – poucas palavras que rimam no final dos versos.
65. O poeta procurou marcar em seus versos os sentimentos de infância do eu-lírico. Escreva na frente de
cada verso destacado o sentimento correspondente:
63
c) “Lá longe meu pai campeava/no mato sem fim da fazenda”
d) “E eu não sabia que minha história/era mais bonita que a de Robinson Crusoé.”
POESIA NA MÚSICA
Há diversas formas de sentir poesia. Nos poemas você já viu que é possível, mas e nas músicas?
É possível sentir a poesia da música?
Claro que sim, há músicas que fazem sorrir ou chorar, outras nos fazem pensar sobre determinado
assunto ou situação. A letra da música é também um poema cheio de emoção e sentimento. Você
conhece esta música dos cantores Victor e Leo?
Deus e eu no sertão
Nunca vi ninguém viver tão feliz Das horas não sei
Como eu no sertão Mas vejo o clarão
Perto de uma mata e de um ribeirão Lá vou eu cuidar do chão
Deus e eu no sertão Trabalho cantando
A terra é a inspiração
Casa simplesinha, rede pra dormir Deus e eu no sertão
De noite um show no céu
Deito pra assistir
Deus e eu no sertão Não há solidão
Tem festa lá na vila
Depois da missa vou
Ver minha menina
De volta pra casa
Queima a lenha no fogão
E junto ao som da mata
Vou eu e um violão [...]
Perceba a presença de estrofes, rimas e ritmos nos versos. O eu - lírico procura expressar seus
sentimentos através dos versos na letra da música.
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REDAÇÃO
Nome do
Aluno
Nota
10
15
20
CORREÇÃO
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ATIVIDADES PARA CASA
69