ERASMO DE ROTERDÃ
SOBRE AS IDEIAS
Apesar de hoje não ser tão lido quanto Shakespeare ou
Maquiavel, em sua época Erasmo tornou-se a maior autoridade
intelectual da Europa, sendo o primeiro escritor da história a viver
exclusivamente da venda de seus livros.
ROMPENDO DRASTICAMENTE COM AS CONCEPÇÕES DE
SUA ÉPOCA, o filósofo foi também um dos primeiros pensadores a
defender as mulheres. Alguns autores afirmam que “ele é o
GRANDE PRECURSOR DO ILUMINISMO, armado apenas com as
armas da razão e da ironia”.
Erasmo era considerado um “humanista cristão”, que tinha
grande aversão à Idade Média, período em que tornaram a igreja
impura, envolvendo-a na política e impondo diversos ritos que
contradiziam a palavra de Cristo.
Ele propunha o retorno ao “cristianismo puro e
independente” e foi UM DOS MAIORES PRECURSORES DA
REFORMA DE LUTERO em 1517 (também dispensou instituições
terrenas e sacerdotes como mediadores e acreditava na
SALVAÇÃO UNICAMENTE PELA FÉ). Porém, ao eclodir a Reforma,
Erasmo não apoiou Lutero.
CONDENOU A GUERRA, num período em que tal atividade
era vista como destino pela nobreza. O que até Santo Agostinho
e São Tomás de Aquino justificavam com o princípio de guerra justa.
Erasmo afirmava que “não é pela guerra que se vence a guerra”.
ELOGIO DA LOUCURA (1509)
Escrito em pouco mais de uma semana, foi o 1° best-seller da
história. Traduzido para quase todas as línguas, é uma síntese de
todo pensamento de Erasmo. Dotado de uma fina ironia,
sofisticado humor e uma grande profundidade psicológica.
COMO SE FOSSE A PRÓPRIA DEUSA DA LOUCURA
escrevendo, o autor expôs uma irônica análise da loucura e da
sabedoria, fazendo, com isso, uma PESADA CRÍTICA À
SOCIEDADE DE SUA ÉPOCA.
A Loucura diz ser a CAUSA DA VERDADEIRA FELICIDADE:
“Que seria da vida sem a Loucura? (...) Se os mortais se abstivessem
da sabedoria e só quisessem viver sob as minhas leis, gozariam de
perpétua juventude”. Para a Loucura, felizes seriam aqueles que
passam a vida fora de si, embriagados nos banquetes e festas,
sempre brincando e rindo, sem reflexão alguma:
Em guerras, dois exércitos se batem obtendo mais prejuízos do
que vantagens.
Na caça, esfolar bois e carneiros, constitui-se em uma
“incomparável delícia”. Se não fosse esse prazer, ninguém
caçaria.
No jogo, quando pessoas se julgam muito felizes, mesmo
quando saem perdendo tudo o que tem.
Segundo Erasmo, o povo não suportaria o príncipe; o marido a
mulher; o patrão, o servo; a patroa, a criada; o hospedeiro, o
hospede, se não se enganassem reciprocamente, temperando tudo
com um grãozinho de Loucura.
Porém, continua Erasmo, quanto mais sábio o homem se
torna, mais distante fica da Loucura, sentindo vergonha, remorso
e, seguindo éticas, tornando-se, assim, carrancudo e sombrio, O
MORTAL MAIS INFELIZ DA TERRA.
TRAÇA UMA CRÍTICA A SOCIEDADE DE SUA ÉPOCA (à
LOUCURA LOUCA):
ADVOGADOS fazem em cima de uma porção de leis inúteis um
amontoado de comentários, fazendo o vulgo crer que sua arte
requer um laborioso engenho.
Enquanto isso os SOFISTAS, FILÓSOFOS E DIALÉTICOS fazem
mais barulho, gabando-se de serem os únicos sábios, respeitados
pela barba e pela túnica, quando não passam de ridículos loucos que
nos causam risos.
Se um PAPA OU UM BISPO tivesse consciência de sua
responsabilidade, certamente seriam magros, pensativos e
hipocondríacos. Mas, pelo contrário, vivem alegremente no ócio,
buscando honrarias e dinheiro, juntando exércitos e acumulando
patrimônios.
Se um GOVERNANTE refletisse sobre suas
responsabilidades, certamente sua condição seria a mais triste
e miserável do mundo. Porém, como os PRÍNCIPES TÊM A
INSPIRAÇÃO DA LOUCURA, acham que se divertindo, participando
de caçadas e engordando a custa do sangue de seus escravos estão
cumprindo seu dever.
Dessa forma, para se enriquecer, conseguir poder
mulheres, honrarias, enfim, FELICIDADE, é preciso abandonar tal
sabedoria apresentada por Erasmo (LOUCURA SÁBIA).
O verdadeiro sábio, pobre, desprezado, odiado, evitado por todos, só
causa piedade aos demais, enquanto os tolos são favorecidos pela
fortuna e elevados aos cargos públicos (SABEDORIA LOUCA).
Finalmente, nas palavras de Sérgio Paulo Rouanet: “a loucura
sábia sabe que a sabedoria é louca, e loucura louca (de
monges que sacrificam suas vidas, por exemplo) é
suficientemente louca para acreditar na sabedoria”.