Overlord 3: A Valquíria Sangrenta
Overlord 3: A Valquíria Sangrenta
Sangrenta
オーバーロード Ilustrado por so-bin
Aviso Legal:
A tradução de OVERLORD — para inglês e português — é feita e revisada de fã para fã,
não monetizem em cima da obra e não compactuem com quem o faz. Se quiserem e pu-
derem contribuir com o autor, comprem o livro ou ebook (japonês, inglês ou português)
em sua livraria de preferência.
Sobre:
A obra faz uso de muitos anglicismos, ainda mais por se basear em RPGS, então há mui-
tos termos em inglês e tentei preservar vários desses aspectos em alguns termos, nomes
de armas, itens, raças e coisas do tipo.
Claro, algumas coisas precisam ser adaptadas, outras é preciso generalizar. Dito isto,
àqueles que são adeptos do Dia do Saci em vez do Halloween podem não gostar. Estejam
avisados.
Créditos:
CRÉDITOS PT-BR:
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CRÉDITOS EN-US:
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REFERÊNCIA DE NOMES:
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Atenção: Se baixou este arquivo de outro link que não o oficial do blog. Ou se tem muito
tempo que baixou e deixou guardado, que tal dar uma conferida no blog? Talvez esta seja
uma versão desatualizada :)
Autor:
Maruyama Kugane
Ilustrador:
so-bin
Ainz Ooal Gown não conhece a derrota.
Capítulo 01: Rebanho de Predadores
Parte 1
Várias pessoas se viraram para olhar a garota que estava provocando esta confusão.
A garota era tão bela que usar alguma palavra para descrevê-la parecia inadequado. Sua
aparência podia rivalizar com a da mulher mais bela do Reino — aquela com a denomi-
nação de “Dourada” — e sua raiva só aumentava seus encantos.
Além disso, cada movimento que ela fazia era elegante e refinado, mesmo enquanto fa-
zia birra.
Provavelmente era da nobreza de algum país, herdeira de uma família renomada. Abor-
recida, ela sacudiu seus cabelos com longos cachos nas pontas e olhou para a comida à
sua frente em insatisfação.
Havia pães recém-assados, ainda fumegando em sua cesta. Os pratos estavam cheios de
pedaços grossos servidos ao ponto, a suculência da carne era visível em seus sucos ver-
melhos, também fôra servido com milho doce e purê de batatas com manteiga. Apenas
um vislumbre já estimulava o apetite. Os legumes frescos que compunham a salada ainda
estavam crocantes e macios, e seus sumos aromático encheram a sala com um aroma
cítrico.
No entanto, apesar dos grandes esforços dos chefs mais experientes ao usar os melho-
res ingredientes para produzir obras de arte culinárias — que só a nobreza, realeza ou
os comerciantes mais abastados teriam o privilégio de provar —, nada agradou a garota,
que torceu o nariz para os pratos diante dela.
Era natural sentir-se chocado com a queixa dela, mas além disso, as pessoas que a ou-
viam também sentiam curiosidade sobre o que ela normalmente comia.
“Ahhhg, eu não suporto ficar mais nesta cidade decadente! Vamos embora imediata-
mente!”
“Silêncio! Eu disse que estamos de saída, então estamos de saída, você me entende?”
Somente depois de ouvir a birra infantil da menina, a postura do mordomo mudou. Ele
abaixou a cabeça e respondeu:
“Hmph! Então não perca mais tempo com isso, se apresse, Sebas!”
A garota jogou de lado o garfo que estava segurando e levantou-se, antes de sair da sala
de jantar. Ela ainda estava irritada ao fazê-lo.
Depois que a tempestade passou, uma voz solene e digna iluminou o clima pesado na
sala:
O mordomo pegou a cadeira que a moça havia arrastado e recolocou-a no lugar, depois
fez uma profunda reverência a todos na sala de jantar como sinal de contrição. Muitos
deles aceitaram o pedido de desculpas imaculado do velho de olhos gentis.
“—Estalajadeiro.”
“Sim.”
“Mais uma vez, peço desculpas por todo o incomodo causado. Embora eu saiba que isso
não será o bastante para apagar o passado, espero que me permita pagar pelas refeições
de todos aqui.”
Olhares de alegria floresceram nos rostos de vários dos clientes quando ouviram essas
palavras. Uma refeição em uma pousada de primeira classe como essa certamente não
seria barata. Se este velho estivesse disposto a pagar pela comida, seria uma boa razão
para perdoar aquela menina.
Sebas olhou para um canto da sala, havia um homem de aparência indigente fazendo
uma refeição. Quando o homem notou os olhos de Sebas, levantou-se e caminhou rapi-
damente em direção a ele.
Embora suas roupas não fossem puídas em comparação com às das pessoas próximas,
de alguma forma não combinavam com ele. Na verdade, era bem cômico — como um
palhaço de fantasia.
“Mestre Sebas.”
“O que é, Zach-san?”
“Como tava no contrato, eu não tenho direito de propor alternativas... mas não seria
melhor reconsiderar a decisão de partir imediatamente?”
“Essa é uma das razões, e... eu tenho alguns... outros negócios pra cuidar.”
Zach coçou a cabeça algumas vezes. Embora seu cabelo parecesse limpo o suficiente, a
maneira como ele estava coçando fazia parecer que ele arrancaria flocos de pele. Muitas
pessoas ficaram com as carrancas ainda mais chocadas. No entanto, se ele havia notado
ou não, não tinha nenhuma relevância, pois ele acabou coçando ainda mais.
“Mas é provável que Milady não aceite essa sugestão. Ou melhor, dada a personalidade
de Milady, ela não mudará sua decisão anterior.”
“Mas...”
“Claro, não vamos sair imediatamente. Vamos precisar de algum tempo para carregar a
bagagem de Milady no bagageiro. Durante esse tempo, por favor, prepare-se para a
nossa partida.”
Enquanto Zach procurava algo para dizer, Sebas notou um brilho ardiloso nos olhos do
homem de aparência empobrecida diante dele. Entretanto, Sebas não mostrou sinais de
que se importasse.
Isso tudo foi para encobrir o fato de que tudo estava indo como planejado.
“Que tal duas, talvez daqui três horas? Se partirmos mais tarde, as ruas ficarão enco-
bertas pela escuridão. Será o tempo limite.”
Aquele olhar repugnante e calculista apareceu nos olhos do homem novamente. Sebas
mais uma vez fingiu que não havia notado. Depois de lamber os lábios várias vezes, Zach
respondeu:
♦♦♦
Enquanto observava a figura de Zach partir, Sebas acenou com a mão, como se quisesse
limpar o ar ao seu redor. Parecia poluído de alguma forma e impregnava-se nele.
Sebas — seu rosto sendo uma máscara de neutralidade — lutou contra o desejo de sus-
pirar.
Francamente falando, Sebas não tinha amor por pessoas tão desprezíveis. Talvez seus
colegas Demiurge e Shalltear pudessem tirar alguma pequena diversão dessas pessoas
tratando-as como brinquedos, mas Sebas não queria deixar pessoas assim perto de si.
Havia algumas opiniões que eram de comum acordo na Grande Tumba de Nazarick, tais
como, “Todos os que não pertencem à Nazarick são formas de vida inferiores”, e “Com
raríssimas exceções, humanos e demi-humanos são fracos que devem ser pisoteados.”
Sebas era movido pelo credo de seu criador, que era “Aqueles que não salvam os fracos
não podem se considerar fortes.”, por isso, ele tinha uma divergência com as opiniões de
Depois de levantar a mão para acariciar o bigode bem aparado, ele voltou seus pensa-
mentos para o que deveria fazer em seguida.
O plano estava indo muito bem. No entanto, ele ainda precisava confirmar os detalhes
com sua supervisora.
Enquanto Sebas estava pensando sobre a direção em que iria proceder, ele notou um
homem se aproximando dele.
“Deve ser muito difícil para o senhor ter que partir neste momento.”
A pessoa que se dirigia a ele era um homem de pouca barba com quase 40 anos. Seu
cabelo preto estava riscado de branco, devido à idade e refeições pesadas, sua barriga
era macia e arredondada.
A vestimenta era de bom gosto, com roupas que refletiam sua alta posição e senso de
moda.
“Baldo-san, eu presumo?”
O homem chamado Baldo Lauffray era um comerciante que controlava uma grande
parte do comércio de grãos nessa cidade. Por alguma razão, ele se aproximou e começou
a falar com Sebas.
A Cidade Fortaleza era um local estratégico na guerra. Baldo estava fortemente envol-
vido no comércio de alimentos da região, o que fez dele uma grande figura entre os mui-
tos comerciantes da cidade.
Uma vez que alguém juntasse uma força de combate de mais de dez mil homens, ali-
mentá-los tornava-se uma tarefa que consumiria grandes quantidades de tempo e mão
de obra. Portanto, a política do Reino sobre esse assunto era marchar suas tropas para
esta cidade com provisões mínimas, quando passassem por E-Rantel, elas seriam rea-
bastecidas. Portanto, diferente de outras cidades, mercadores que lidavam com comida
e armas eram bastante influentes aqui.
“Não é?”
A expressão de Sebas mudou pela primeira vez, ele sorria enquanto respondia cortes-
mente. Sua resposta implicava que ele sabia exatamente a quem Baldo estava se refe-
rindo.
“Ele não é um sujeito confiável. Não faço idéia do porquê o senhor contrataria alguém
como ele, Sebas-san.”
Ele não podia dizer ao outro homem as verdadeiras razões por trás da contratação de
Zach. No entanto, se dissesse que havia contratado Zach porque ele não era ninguém,
Sebas ficaria com a imagem manchada e a reputação que estavam construindo iria por
água abaixo.
Embora tivessem decidido deixar a cidade, ele queria evitar que Baldo pensasse mal
dele. No futuro, eles podem precisar fazer uso do homem.
“Isso pode estar correto, mas ninguém se vendeu tão bem como ele. É verdade que o
pobre homem tem uma personalidade falha, mas a Milady aprecia o entusiasmo do ho-
mem.”
Baldo sorriu desconfortavelmente, e sua opinião sobre a milady em questão caiu alguns
níveis.
Ela estava lá exatamente para esse propósito, então não havia o que fazer, mas Sebas
ainda achava que seria ruim se a culpa recaísse sobre ela.
“Espero que não leve isso para o pessoal, se for o caso, rezo para que esqueça o que
direi, mas não seria melhor o senhor tentar persuadir sua Milady a reconsiderar?”
“Pode haver mérito em suas palavras. Porém, quando penso no pai de Milady... Digo, a
gentileza que ele me mostrou, eu simplesmente não posso...”
“Nesse caso, o senhor gostaria que eu mandasse alguns homens de confiança junto?”
Essas palavras podem ter sido ditas com bondade e cordialidade, mas foram de uma
negação inflexível. Talvez Baldo pressentisse a firme determinação escondida naquela
resposta, e por isso decidiu tentar um ângulo diferente de abordagem.
“Tem certeza? Eu pessoalmente sinto que seria melhor ser escoltado por guarda-costas
competentes. O caminho para a Capital Real é longo e, ao contrário do Império, as estra-
das do Reino não são muito seguras. Posso recomendar alguns mercenários confiáveis
se preferir.”
A segurança das estradas no Reino era de responsabilidade dos nobres que possuíssem
terras pelas quais essas estradas passavam. Por sua vez, eles coletariam um pedágio dos
viajantes. Esse era o privilégio dos nobres, mas, na verdade, era pouco mais que um meio
de cobrar um imposto de circulação, e a segurança das estradas estava cheia de brechas.
Era muito comum os viajantes encontrarem bandoleiros ou mercenários que praticavam
o banditismo enquanto estavam na estrada.
Em um esforço para resolver este problema, a “Princesa Dourada” havia trabalhado fer-
renhamente para ter as estradas patrulhadas por guardas leais à Coroa. No entanto, ha-
via pouquíssimos desses patrulheiros para dar algum efeito no plano de contingência.
Além disso, os nobres estavam preocupados com o fato de que seus privilégios seriam
infringidos e faziam de tudo para atrapalhar os patrulheiros.
No final, a situação se resumia a um país não podia garantir a segurança de suas pró-
prias estradas.
“Sim, o senhor tem certa razão nisso. Mas infelizmente, Milady tem uma certa aversão
a pessoas em demasia ao seu lado, portanto, devo cumprir seus pedidos de forma que a
satisfaça.”
“Tem certeza?”
Baldo estava franzindo a testa de maneira exagerada, com uma expressão preocupada
no rosto. Era assim que um adulto reagiria diante de uma criança fazendo birra.
Sebas e companhia alojaram-se nesta estalagem sob o pretexto de ser uma herdeira e
seu fiel mordomo, que vieram de uma cidade nas terras do Império. Então mostraram o
amplo poder de compra, a fim de ver como as pessoas ao seu redor reagiriam. O favor
que Baldo queria fazer foi feito sob medida para agradar pessoas ricas.
“Vou transmitir sua gentileza ao pai de Milady, que é meu mestre, Baldo-san.”
Um leve brilho crepitou nos olhos de Baldo, mas ele rapidamente o escondeu. Pessoas
normais não teriam percebido esse brilho momentâneo. No entanto, essa breve exposi-
ção foi mais do que suficiente para Sebas perceber.
“Bem, peço desculpas se parecer grosseria, mas devo fazer os arranjos iniciais, pois Mi-
lady está esperando.”
Baldo — que teve suas intenções lidas — piscou e estudou a expressão de Sebas breve-
mente, antes de suspirar:
“—Hm, é algo realmente inevitável, então. Sebas-san, quando vier a esta cidade nova-
mente, por favor, procure por mim. Eu vou recebê-lo calorosamente.”
Sebas podia sentir que as ações do Baldo não eram puramente motivadas por ganhos
pessoais. Ele estava genuinamente preocupado com a menina e seu mordomo.
Foi por causa de pessoas assim, que ele queria ajudar os necessitados. Por isso ele não
conseguia odiar a humanidade.
♦♦♦
Quando Sebas fechou a porta atrás de si, uma garota reverenciando o cumprimentou.
Qualquer um que tivesse testemunhado a cena na sala de jantar mais cedo provavel-
mente ficaria atordoado, pois a garota que o cumprimentou era a herdeira egoísta, tem-
peramental e mimada de instantes atrás.
Ela tinha uma expressão séria no rosto, como se a histeria de momentos atrás não pas-
sasse de atuação.
Sua atitude era a que uma subordinada usaria para cumprimentar um superior.
Suas roupas e seu rosto eram os mesmos, mas parecia que ela era uma pessoa comple-
tamente diferente.
Algo para ser notado era que ela estava com um dos olhos — olho esquerdo — fechado.
Ela não havia fechado o olho enquanto estava na sala de jantar.
Sebas olhou nos arredores da suíte de luxo. Claro, não era nada impressionante para
Sebas, que estava no comando do 9º Andar da Grande Tumba de Nazarick. Sua falta de
surpresa foi simplesmente porque não havia sentido em comparar.
Ele notou que havia pilhas de bagagem no canto da sala. Estavam fechadas e prontas
para a viagem, mas não foram preparadas por Sebas. As preparações foram completadas
pela única outra pessoa na sala.
A menina que levantou a cabeça para responder-lhe era uma das Empregadas de Bata-
lha (Pleiades) — Solution Epsilon.
“Por que age assim? Estou fazendo o papel do seu mordomo agora, não estou?”
Depois de ver o sorriso de Sebas, o rosto da Solution mudou pela primeira vez, para um
sorriso desconfortável.
“De fato, o senhor é meu mordomo por enquanto. No entanto, eu também sou sua su-
bordinada, Sebas-sama.”
“...Sim. Obrigada.”
Sebas levantou facilmente uma das maiores bagagens, então indagou Solution como se
tivesse acabado de pensar em alguma coisa.
“Entendido.”
Os cantos dos olhos dela caíram enquanto a boca se curvava para cima. Embora pare-
cesse vagamente um sorriso, as contorções necessárias para produzir tal expressão se-
riam impossíveis para um ser humano alcançar. Talvez seja melhor descrevê-lo como
um rosto distorcido feito de argila.
“—Apenas com a permissão de Shalltear-sama. Mas se ela permitir, você pode fazer o
que bem entender.”
“Tem certeza? Compreendo. Então, por favor, diga a Shalltear-sama que eu gostaria de
ter aquele homem, se possível.”
Simultaneamente a isso, Sebas lamentou e queria saber mais sobre o homem que des-
pertara tal alegria no rosto de Solution. Portanto, perguntou:
“Oh, ele disse que não vê a hora de se aproveitar de mim, não é sempre que coisas assim
acontecem, eu pretendo me divertir com ele também.”
Aquele sorriso — tão inocente quanto o de uma criança — ansiava pelo que viria a se-
guir.
Parte 2
Enquanto Zach se movia com passos apressados, ele pensou em como a vida dele tinha
sido lamentável.
Os frutos do seu trabalho árduo foram levados pelo senhorio da terra. Se fosse levado
60% de sua colheita, ainda poderia ser suportável. Embora na pobreza, eles ainda pode-
riam viver nos 40% restantes.
No entanto, quando pegavam 80% da colheita, eles passavam por muitas dificuldades.
Já era difícil o suficiente sobreviver com 40% das colheitas. Com apenas 20%, eles co-
miam o pão que o diabo amassou.
Naquela época, Zach era jovem e não sabia o que estava acontecendo. Sua amada irmã
desapareceu, mas curiosamente seus pais não saíram procurando por ela. Depois de
adulto, Zach entendeu que ela provavelmente havia sido vendida. Graças aos esforços da
Princesa Dourada, a escravidão havia sida proibida recentemente, mas naquela época
era comumente praticada por todo o Reino.
Portanto, sempre que Zach visitara um bordel, ele não conseguia deixar de olhar para
os rostos das garotas. Claro, ele não achava que seria capaz de encontrar sua irmã mais
nova e, mesmo que a encontrasse, nem mesmo saberia o que dizer. Ainda assim, ele não
pôde deixar de continuar procurando.
Periodicamente, o Reino mobiliza seus exércitos contra o Império e, quando o faz, reúne
todos os homens capazes dos vilarejos e os envia para o campo de batalha. A ausência
de jovens fortes por um mês trazia consequências terríveis para os vilarejos. No entanto,
algumas pessoas ficavam gratas por esse recrutamento.
Afinal de contas, quanto menos bocas para alimentar, menos comida as famílias preci-
sariam. Além disso, os jovens recrutas seriam alimentados pelo Reino. Para alguns, seria
a primeira vez que se alimentariam de forma satisfatória.
Entretanto, esse era o único o mérito que a situação mantinha. Não importava o quão
duro um homem lutasse, ele só seria recompensado se tivesse feito realizações extraor-
dinárias. Não, às vezes esses homens não seriam recompensados independentemente
do que fizessem. Apenas a sorte seria recompensada. Então, quando voltaram para seus
vilarejos, eles ainda tinham de enfrentar a dura realidade de uma colheita ruim, afinal,
havia poucas mãos de obra para a colheita.
Zach havia sido recrutado duas vezes, mas seu terceiro chamado a servir tinha mudado
os feitios de sua sorte.
Aquela guerra tinha sido a mesma que todas as outras, terminando depois de algumas
pequenas escaramuças. Zach, que tinha dado um jeito de sobreviver, estava prestes a ir
para casa quando de repente parou. Ele olhou para a espada em sua mão e foi como se
tivesse recebido um sinal divino.
Em vez de retornar ao seu vilarejo, não seria melhor escolher um modo de vida dife-
rente?
Claro, Zach não passava de um simples agricultor com um pouco de treinamento básico.
Ele tinha pouca escolha em que tipo de vida nova poderia levar.
O que Zach decidiu fazer pertencia ao único trunfo que possuía; em outras palavras,
fugir com uma arma que o Reino emprestara para os soldados. Ele sequer considerou
quaisquer problemas que causaria para sua família, afinal, haviam vendido sua irmãzi-
nha — mesmo que tenha sido para manter o resto da família viva —, sendo assim ele
não os amava.
Mas como alguém que não conhecia essas terras e nem tinha apoiadores conseguiria
desertar tão facilmente? Por sorte, ele conseguiu encontrar pessoas para ajudá-lo, pode
ser considerado sorte, não é mesmo?
É claro que um fazendeiro como Zach dificilmente teria utilidade para um bando de
mercenários. No entanto, o bando havia perdido muitos de seus membros durante a
guerra, e seu objetivo era reabastecer seus números o mais rápido possível.
Essa foi a razão pela qual o bando de mercenários o deixou entrar tão facilmente. Como
de praxe, eles não eram uma organização justa e não ligavam a mínima para a lei. Em
tempos de guerra, lutavam como mercenários, mas em tempos de paz se resumiam a
bandidos de beira de estrada.
Ter era melhor do que não ter. Tomar era melhor do que perder. Fazer os outros cho-
rarem era melhor do que chorar.
Para ele, não havia nada de errado com isso, nem mesmo se arrependeu do que fez.
Sua fé nesse estilo de vida cresceu cada vez mais profundo dentro de si, o lamento dos
oprimidos eram o combustível de Zach.
♦♦♦
Zach correu pelo bairro pobre. Ele avançava sem parar em direção ao vermelho pro-
fundo do sol poente.
Tendo corrido continuamente desde que saíra da estalagem, ele estava ofegante e sua
testa escorregadia de suor. Sua fadiga o fazia querer parar, e ele se perguntou se deveria
Assustado, Zach olhou para a silhueta negra que havia saltado com agilidade.
Ela era uma garota bonita. Ela usava uma capa preta que a fazia parecer se misturar às
sombras, mas seus olhos roxos reluziam cheios de curiosidade, olhando diretamente
para Zach.
“Quem tem que falar isso sou eu! Presta atenção! Vê se olha por onde anda!”
A garota não pareceu se intimidar com a reclamação de Zach. Em vez disso, ela sorriu
friamente.
Aquele sorriso arrepiante fez Zach recuar instintivamente, perdendo toda a coragem de
sacar sua arma. Era como um leão encarando um rato.
Talvez o som metálico que ele ouviu quando a menina pulou viesse da armadura que
usava por debaixo do manto negro.
Uma garota de armadura por essas bandas — deve ser uma aventureira. Não posso com-
prar briga com alguém assim.
Sirenes de perigo soaram pela cabeça de Zach e, ao mesmo tempo, ele pensava rapida-
mente no que deveria fazer.
Ele não a desprezava por ser mulher. Zach sabia que havia uma equipe de aventureiras
composta apenas de mulheres fortes. O líder — e guerreiro mais forte — do bando mer-
cenário a qual ele pertenceu tinha mencionado uma vez.
Por outro lado, Zach também fazia parte do bando mercenário, contudo, ele era um dos
membros mais fracos entre os combatentes. Foi por isso que ele recebeu um emprego
assim.
Sua transpiração por correr ainda estava presente e, quando Zach começou a lamentar
o que fizera, dessa vez foi um suor frio que começou a escorrer.
“Hm~ Ah, deixa pra lá. Não tenho tempo pra isso. Só fique sabendo, que se a gente trom-
bar de por aí de novo, você vai passar maaaus bocadooos.”
A garota retornou a seu caminho deixando essas palavras para trás. A curiosidade de
Zach o fez se virar para assistir enquanto ela saía. Ele pensou que o lugar à sua frente era
uma parte desabitada do bairro pobre.
O que uma mulher bonita estava fazendo aqui tão tarde? O pensamento despertou sua
curiosidade, mas havia algo mais importante esperando por ele, então interrompeu sua
introspecção e seguiu em frente.
Logo, ele chegou ao distrito pobre, em uma esquina que estava cheia de muitas casas
caindo aos pedaços. Ele olhou em volta para ver se alguém o seguia.
O sol lentamente sumiu no horizonte, pintando o mundo em tons de preto, então Zach
se concentrou em saber se alguém estava se escondendo em algum canto escuro. Ele já
havia verificado várias vezes antes, mas só por segurança, deu uma última olhada.
Zach assentiu em satisfação e, enquanto controlava sua respiração, bateu três vezes em
uma porta. Depois de esperar cinco segundos, ele bateu mais quatro vezes.
Depois de fazer o código secreto combinado de antemão, ele recebeu uma resposta ime-
diata. O rangido de madeira veio do outro lado da porta, e a persiana de madeira que
bloqueava o postigo deslizou. Zach podia ver os olhos de um homem do outro lado,
olhando-o de cima a baixo e verificando sua identidade.
Sem esperar pela resposta de Zach, o homem fechou o postigo, e esse som foi seguido
por um destrancar de uma pesada fechadura. A porta se abriu ligeiramente.
“Entra aí.”
Havia um leve aroma de podridão vindo de dentro da sala, era como se o céu tivesse se
afastado da terra. Aguardando seu nariz ser capaz de se acostumar com o cheiro, Zach
entrou agilmente na sala.
Uma vez que a porta se fechou, ele viu que o interior era pequeno e escuro.
A porta levava diretamente à cozinha e à sala de jantar, que era mobiliada com uma
mesa. Havia uma vela na mesa, cuja fraca luz dissipava um pouco a escuridão.
“Porra, justo agora...? Eles não querem facilitar pra gente não... Mas e aí, não pode tentar
atrasar eles um pouco?”
O homem já ouvira Zach falar da tal mulher inúmeras vezes e franziu a testa profunda-
mente.
“Usa a cabeça, cara! Fala que as estradas à noite são perigosas, que tem bandidos assus-
tadores e tudo mais. Fala sério... qualquer idiota inventa uma baboseira dessas. Argh, e
se sabotar uma das rodas da diligência? Vai atrasar eles até amanhã.”
“Não dá! Eles já iam carregar as bagagens quando saí de lá. É melhor agir logo e ir im-
provisando o resto.”
“Em cima do laço. Agrrr— o que a gente faz? Tenho que informar o pessoal... o tempo
tá curto até demais... vai ser complicado fazer isso, mas eles são valiosos...”
Zach pensou nas mãos macias e delicadas da garota que era tratada como Milady.
O canto da boca de Zach se contorceu em um sorriso lascivo que mostrou seus dentes.
“Depois dos outros, pode sim. A gente vai pedir resgaste, não vai exagerar, hein! Não vá
espancando a mulher.”
O homem zombou lascivamente. Talvez tenha sido por causa de seu crescente desejo,
mas de repente ele ficou de pé.
“Enfim, hora de colocar o plano pra funcionar. Vou entrar em contato com o chefe.”
“Certo.”
“Vou mandar dez caras pro local de sempre. O resto é com você, leve eles pra lá em no
máximo quatro horas. Se não chegar lá nesse tempo, vamos agir sem você, entendeu? E
não levante suspeitas, mantenha a presa no bercinho.”
Parte 3
Era um veículo grande que podia acomodar confortavelmente seis pessoas, puxado por
um quarteto de cavalos.
A lua cheia brilhou no céu noturno, iluminando a terra com seu brilho perolado. Dito
isto, correr a toda velocidade pela noite ainda era um curso tolo de ação. Teria sido mais
sábio armar barracas, lanternas e sentinelas enquanto passavam a noite aqui.
O mundo noturno não estava sob o controle da humanidade. Ou melhor, isso não seria
totalmente preciso — nenhum lugar sem luz poderia ser considerado parte do mundo
dos humanos. A noite escondia todos os tipos de animais, demi-humanos e monstros.
Muitas criaturas possuíam o dom de ver no escuro, criaturas essas que frequentemente
atacavam humanos.
Ainda assim, os passageiros da diligência mal sentiam o veículo trepidar durante a pe-
rigosa jornada pela noite.
A pavimentação das estradas tinha começado após uma sugestão da Princesa Dourada,
mas os únicos lugares em que haviam sido concluídos foram aqueles em posse da coroa
e do Marquês Raeven, um dos seis Grandes Nobres. Isso porque os outros nobres pro-
testaram contra esse gesto, achando que tais estradas só beneficiariam o Império
quando atacassem o Reino.
Os custos de manutenção dessas estradas também provocaram muito debate. Por sua
vez, isso levou a Princesa Dourada, Renner, a entrar em contato com os comerciantes
afim de conseguir que pagassem os custos, pois os nobres encarregados das áreas pelas
quais as estradas passariam estavam empurrando o problema para debaixo do tapete.
Assim, o trabalho de pavimentação se tornou um impasse.
Como esta região não estava muito longe de E-Rantel — que é administrada pela Coroa
— a qualidade da estrada continha um padrão bastante elevado.
Ainda assim, não era perfeito. A diligência balançava levemente enquanto avançava
pela estrada, algumas vibrações leves chegaram até os passageiros.
O pequeno chacoalhar serviu como ponto final para o assunto que os passageiros con-
versavam.
Entre os passageiros estavam Sebas, com Solution ao seu lado. Oposto a ele havia Shall-
[ N o i v a s Vampiras]
tear, flanqueada por duas das Vampire Brides que eram suas asseclas-concubinas. Zach
estava obviamente conduzindo a diligência do banco do condutor.
Um breve silêncio tomou conta do ambiente, e então, um tempo depois, Sebas falou na
esperança de bani-lo:
“Eu notei que a senhorita e a Aura-sama não se dão muito bem. Existe alguma razão
específica para isso?”
Shalltear respondeu baixinho, ela olhou para a unha de seu dedo mindinho, como se
estivesse entediada.
A unha branca-pérola tinha cerca de dois centímetros de comprimento. Embora ela ti-
vesse uma lixa na mão, a unha parecia bem aparada, então não havia necessidade de
Agora com mãos vazias, ela tateou os seios das vampiras ao lado dela. No entanto,
quando notou as expressões nas duas pessoas na frente dela, ela retraiu as mãos, com
um olhar um pouco envergonhado em seu rosto.
Concluiu Sebas. O rosto de Shalltear se enrugou, como se ela tivesse comido algo
amargo, e então indagou:
“Eu... acho que nos damos bem. Eu simplesmente a provoco um pouco, porque meu cri-
ador, Peroroncino-sama, me fez assim. Mas não há inimizade entre nós ~arinsu. Talvez
a Bukubukuchagama-sama tenha projetado aquela baixinha para não se dar bem comigo
também.”
Shalltear acenou com a mão, como se ela estivesse muito entediada, e então viu o olhar
penetrante de Sebas pela primeira vez.
Um olhar de reverência tomou conta dos olhos de Shalltear quando ela contou suas
lembranças de acompanhar esses seres a quem exaltavam.
Shalltear acrescentou que ela não sabia bem o que isso significava. Sebas um tanto des-
concertado inclinou a cabeça e disse:
“Seiyuu... lembro que parece ser uma linha de trabalho que envolve o uso do som. Pa-
rece que são hábeis em cantar, então talvez seja algo semelhante a um bardo.”
Depois de ouvir a resposta de Sebas, Shalltear riu, como o tilintar dos sinos de prata, e
respondeu negativamente:
“Uma vez eu ouvi a Bukubukuchagama-sama dizer que ser uma seiyuu significava dar
uma alma através do som ~arinsu. Em outras palavras, seiyuu é um trabalho que cria
vida.”
“Ohhh! Entendo. Parece que minha linha de raciocínio estava sob um grave equívoco.
Muito obrigado pela sua correção, Shalltear-sama.”
Sebas e todos os outros seres feitos pelos Seres Supremos foram infundidos com co-
nhecimento no ato da criação, mas parava por aí. Por não conhecerem a vida real de seus
criadores, ocorreriam diversas situações de descontração um tanto divertidas em rela-
ção a vida real de seus amados mestres.
“Não há necessidade de levar isso a sério... ah, sim, Sebas, já que somos companheiros
de viagem, não há necessidade de ser tão formal ~arinsu.”
“Não use honoríficos como -sama... somos todos servos dos Seres Supremos. Eles po-
dem ter dado nossas posições e colocado alguns de nós acima dos outros, mas a verdade
é que somos todos basicamente iguais ~arinsu.”
Ela tinha razão. Solution estava apenas obedecendo Sebas porque ela tinha sido orde-
nada a fazê-lo. Essencialmente, ela e Sebas tinham o mesmo status.
“Que assim seja, Shalltear. Então, eu irei me referir a você assim de agora em diante.”
“Isso que eu queria ouvir ~arinsu. Voltando ao assunto de antes, você não se dá bem
com o Demiurge, não é?”
Sebas permaneceu em silêncio. Shalltear estreitou os olhos, como uma criança brinca-
lhona, e continuou perguntando:
“Os Seres Supremos não projetaram você dessa maneira, de onde isso veio?”
“...Eu me pergunto também. A verdade é que eu também não sei o porquê isso acontece.
Deve ser algum tipo de instinto que me faz ter essa antipatia. Por outro lado, creio que
ele sinta o mesmo por mim.”
Shalltear estudou cuidadosamente Sebas, que assentiu para ela. Então, depois conside-
rar as coisas, Shalltear sentiu que Sebas já sabia a resposta para isso há muito tempo,
mas apenas a escondia em seu coração:
“Que tipo de pessoas são encontradas no Oitavo Andar ~arinsu? Eu sei sobre o Victim,
mas quem mais além dele?”
Sebas franziu a testa com a pergunta súbita. Ele olhou para Shalltear, uma expressão
severa em seu rosto, tentando discernir suas intenções. A expressão de Solution também
mudou, embora fosse sutil o suficiente para que os outros não notassem.
“.. No passado, houveram tolos que desafiaram os Seres Supremos e invadiam Nazarick,
violando as defesas do Sétimo Andar ~arinsu. No entanto, eles não alcançaram o Nono
Andar, onde os Seres Supremos residiam. Sendo esse o caso, eles devem ter sido parados
no Oitavo Andar. Infelizmente eu não lembro desse acontecimento, mas deviam ser bem
poderosos para chegarem tão longe, então acredito que eles foram impedidos por algo
igualmente poderoso. Mas não tenho idéia de quem ou o que os deteve ~arinsu. Talvez
a Albedo saiba de algo. Afinal, ela é a Supervisora Guardiã de Nazarick. Seria estranho se
ela não soubesse disso ~arinsu.”
“...É meio chato saber que ela está um passo à frente de mim. Que tipo de seres misteri-
osos são encontrados no Oitavo Andar ~arinsu? Seriam NPCs pessoalmente criados pelo
Ainz-sama ~arinsu?”
Sebas foi feito por Touch Me. Demiurge foi feito por Ulbert Alain Odle. Cocytus foi feito
por Takemikazuchi. No entanto, mesmo Shalltear não sabia que tipo de NPC Ainz — ou
Momonga, o mais respeitado dos 41 Seres Supremos — havia criado.
Sendo esse o caso, era razoável concluir que esse personagem misterioso residia no 8º
Andar, sobre o qual Shalltear não tinha conhecimento.
“...Não, creio que não seja como diz. Este é apenas um boato, mas ouvi dizer que o NPC
criado pelo Ainz-sama é chamado de Pandora’s Actor, e sua força é comparável ao resto
de nós, Guardiões. Aparentemente, ele defende as profundezas da Tesouraria.”
Mesmo que a Tesouraria só pudesse ser acessada com o Anel de Ainz Ooal Gown, seria
estranho deixá-la desprotegida. Nas profundezas da Tesouraria, todos os itens mágicos
mais sofisticados que a Ainz Ooal Gown havia coletado estavam armazenados. Também
foi dito que continha vários itens World-Class. Sendo esse o caso, era o local mais ade-
quado para o NPC defensor criado pelo maior dos 41 Seres Supremos, Ainz.
O orgulho de Shalltear estava um tanto ferido quando ela considerou que não havia sido
escolhida para guardar um local tão exaltado, mas se consolou com o pensamento de que
isso era inevitável. Para Shalltear, manter os intrusos longe do Terceiro Andar também
era uma tarefa crucial, tão importante quanto proteger a Tesouraria.
“É o que parece, mas eu mesmo não o vi. Pois não se pode visitar o lugar sem um Anel
de Ainz Ooal Gown.”
“Oh...”
A resposta de Shalltear foi desprovida de energia, como se ela tivesse perdido todo o
interesse pelo assunto. Porém, Sebas não pareceu se importar.
“Realmente. Afinal, é um lugar que nem podemos entrar ~arinsu. Deve haver algo den-
tro.”
“Talvez haja uma armadilha que ataque até mesmo nós, Guardiões ~arinsu?”
“Mm, talvez seja o caso, mas se eu tivesse de adivinhar... poderia ser uma armadilha
mortal, uma que mata indiscriminadamente quem entrar?”
“A Grande Tumba de Nazarick foi feita a mão pelos Seres Supremos, e defendida por
nós, que prometemos nossas vidas a este serviço ~arinsu. Qualquer um capaz de pene-
trar essa fortaleza inexpugnável e invadir o Sétimo Andar, provavelmente não seria pa-
rado por uma armadilha dessas... Quer dar uma espiadinha lá ~arinsu?”
Shalltear tinha um sorriso travesso no rosto, como uma criança antevendo alguma tra-
vessura. O sorriso de Sebas era o mesmo de sempre, mas havia um certo nuance agora.
“Shalltear... o ditado diz que a curiosidade matou o gato. Devemos esperar em silêncio
até que o Ainz-sama nos diga o contrário.”
Sebas não perguntou sobre a súbita mudança de assunto. Em vez disso, ele respondeu
diretamente:
“Sim, já que eles morderam o anzol, linha e chumbada. Tudo o que precisamos fazer é
puxar.”
Shalltear assentiu levemente, e então ela lambeu levemente os lábios. Suas pupilas car-
mesins brilhavam.
Havia um tom de aborrecimento, dado que Sebas tinha podado a alegria de Shalltear
momentos atrás. Como se para confortá-la, Sebas continuou:
“Sim, não terá problemas ~arinsu. Até porque, ele não parece ter gosto bom.”
“Obrigada, Shalltear-sama.”
“Assim estamos quites com o pequeno erro que cometi agora a pouco ~arinsu.”
“Claro... Na verdade, jamais duvidei de sua honra, pois jamais faria algo tão tolo assim.
Como disse, foi apenas uma brincadeira, não foi?”
“Exatamente ~arinsu. Se você tivesse dito algo do tipo, Sebas, eu mesma consideraria
como uma piada da sua parte. Mas por precaução eu teria subordinados te observando
ao longe. Ao primeiro sinal de qualquer traição de sua parte, eu arrancaria cada um de
seus membros e levaria seu torso arrastado em correntes ante de Ainz-sama.”
“Não? Coisas assim só me fazem duvidar mais da sua lealdade! Tenho certeza que faria
~arinsu!”
“Deixando isso de lado, eu prefiro mais as garotas bonitas. Mas eu posso encontrar ou-
tras maneiras de me divertir entregando-o para a Solution ~arinsu.”
Antes de partirem para E-Rantel, Ainz dera a Sebas uma ordem: “Quero capturar huma-
nos que conheçam Artes Marciais ou magias. No entanto, você só irá atrás de criminosos
cuja ausência passará despercebida.”.
Justamente por isso que Solution e Sebas tinham desempenhado o papel de uma her-
deira obstinada e teimosa e seu mordomo facilmente enganado, com a intenção de fisgar
um peixe como Zach.
A missão de Shalltear, por outro lado, era usar um peixe como este para observar todo
o cardume que o seguia.
“Por que eu iria tão longe ~arinsu? O Ainz-sama disse que não havia problema em
drená-los e transformá-los em escravos. O importante é capturá-los. Ainda assim... in-
vestigar todos um por um seria uma chatice, então eu poderia muito bem sugá-los até
secar.”
Sebas não falou as palavras em seu coração — “Entendo” —, apenas assentiu. Todavia,
ele teve que reconhecer que não estava totalmente confortável com a interpretação de
Shalltear em relação as ordens. Com isso em mente, Sebas não pôde deixar de dizer:
Demiurge possuía uma habilidade conhecida como 〔Command Mantra〕. Era uma ha-
bilidade poderosa capaz de afetar a mente, algo que seria crucial durante uma operação
de captura como essa.
“...Hã!?”
O clima dentro da diligência ficou sombrio imediatamente, como se uma névoa conge-
lante pairasse no ar.
Até os cavalos que puxavam a diligência pareciam ter percebido isso, porque o veículo
repentinamente balançou. As faces sem sangue das Vampire Brides que flanqueavam
Shalltear ficaram ainda mais pálidas do que o normal, enquanto Solution estremecia ao
lado de Sebas. Mesmo Sebas, cujo poder deveria ser equivalente a Shalltear, pôde sentir
arrepios no corpo.
Esta era a intenção assassina emitida pelas mais forte Guardiã de Andar de Nazarick. A
hostilidade que a envolveu, fez as brigas anteriores com Aura parecerem brincadeira de
criança. Se a situação fosse mal administrada, poderia levar a um confronto de vida ou
morte.
Enquanto Shalltear esfriava o ar ainda mais, a cor de suas pupilas carmesim começou a
se espalhar pela esclera, deixando os globos oculares vermelhos, como se estivessem se
enchendo de sangue.
“Sebas — pode repetir o que disse ~arinsu? Ou está insinuando que nessa sua forma
não-dracônica você quer—”
“Mil perdões, eu me expressei mal. Eu estava apenas um pouco desconfortável. Vai dar
tudo certo, contanto que o seu 〔Blood Frenzy〕 não se ative.”
Sebas podia dizer que o breve silêncio foi um sinal de seu desconforto em relação a si
mesma.
A razão pela qual Ainz fez uso de Shalltear para esta missão — que poderia ter acabado
ignorando ordens ou até mesmo enlouquecer — foi devido a um processo de eliminação.
Na ausência de Ainz, Albedo tinha que permanecer na Grande Tumba de Nazarick e en-
tre os dois Guardiões restantes — Shalltear e Cocytus — Shalltear se mesclava melhor
entre os humanos.
Depois disso, Shalltear respirou fundo várias vezes. Ela parecia estar tentando absorver
sua raiva de volta, ou talvez estivesse tentando dominar o desconforto em seu coração.
Com um último suspiro, Shalltear retomou à sua expressão normal — uma jovem atra-
ente com um ar sedutor presente — e suas pupilas voltaram a cor original.
“...Na maioria das vezes, eles se tornarão meus escravos depois que eu drenar o sangue
deles, o que deve simplificar as coisas ~arinsu. Além disso, não precisamos trazê-los de
volta vivos. O próprio Ainz-sama me esclareceu isso. Além do mais, eu definitivamente
vou manter meu 〔Blood Frenzy〕 sob controle ~arinsu.”
Vampiros eram uma espécie que podia drenar o sangue da vítima e transformá-los em
lacaios perfeitamente leais. A maioria dos Vampiros só poderia criar Vampiros não-in-
teligentes de baixo nível, mas os Vampiros que Shalltear poderia produzir tinham quase
tanta inteligência quanto um humano normal.
“Isso mesmo, então não há necessidade de dúvidas ~arinsu. Eu realizarei a missão que
o Ainz-sama me deu sem falhar, então ele me elogiará com “Bom trabalho, Shalltear, você
é minha escrava favorita”, e então dirá: “Você é a mais digna de estar ao meu lado.”.”
O pedido de desculpas de Sebas foi sincero e veio do coração. Não foi apenas dirigido a
Shalltear, mas a alguém além deles.
“Eu não percebi que minhas declarações não apenas insultaram você, mas também ao
Ainz-sama, que te escolheu para essa tarefa, e peço desculpas por isso também. Espero
que me perdoe por isso.”
“De fato...”
Shalltear — que estava perdida em fantasias sobre os elogios que seu mestre iria pro-
ferir caso tivesse sucesso em sua tarefa — retornou aos seus sentidos. Ela sorriu, como
uma garota que acabara de pensar em uma brincadeira nova. Sebas também estava aca-
riciando seu bigode enquanto sorria singelamente.
Parte 4
A maneira casual como discutiam o modo de lidar com seu alvo e em qual ordem fazer,
soava como já estivesse com a presa na jaula. Na verdade, eles fizeram esse tipo de coisa
inúmeras vezes no passado. Seria estranho caso sentissem alguma preocupação.
Depois que Zach pulou do assento do condutor, ele correu para os homens que haviam
aparecido.
Antes de pular da diligência, ele havia cortado as rédeas para que o veículo não pudesse
se mover. Quando apertaram o cerco, uma das portas laterais começou a abrir de frente
para os homens.
Os homens brandiram suas armas para que suas presas pudessem ver. Foi uma adver-
tência sem palavras de, se não saírem rapidamente, vão estar com problemas.
Uma mulher bonita se revelou sob a luz do luar. Os mercenários e bandidos reunidos
riram grosseiramente e olharam para ela com olhos libidinosos. Ficou claro por suas
expressões que ficaram completamente seduzidos.
No entanto, uma pessoa entre eles foi pega de surpresa. Essa pessoa era Zach.
Depois disso, apareceu outra linda mulher, vestida elegantemente como a primeira. A
dúvida começou a florescer nos rostos dos homens. Seus alvos deveriam ter sido uma
herdeira que não sabia como o mundo funcionava, assim como um mordomo velhote.
E então, uma garota que poderia ser considerada pré-adolescente deu as caras, e suas
dúvidas desapareceram.
Seu cabelo prateado reluzia sob o luar, e seus olhos de vermelho carmesim exibiam um
brilho sedutor.
Os bandidos só puderam suspirar após ver tantas beldades, ficaram incapazes de reunir
palavras para algum elogio. Neste momento, até mesmo sua luxúria bestial se encolheu
diante de uma beleza digna da realeza.
Shalltear sorriu lascivamente enquanto se banhava nos olhares encantados dos homens.
Ela avançou desprotegida diante deles e disse:
“Senhores, obrigada por virem até aqui por mim ~arinsu. Posso saber quem é seu líder?
Posso negociar com ele?”
Depois de ver os bandidos olharem para a mesma pessoa, Shalltear aprendeu tudo que
precisava saber. Isso é, todos os outros era dispensáveis.
O homem pintado com o líder parecia ter recuperado o juízo após o encontro com essas
mulheres bonitas. Ele caminhou para frente.
“Ahh, perdão pelo mal-entendido ~arinsu. Eu só disse que queria negociar para tirar
algumas informações de vocês. Me desculpe por isso.”
“Você deve ser o Zach. Eu vou te dar a Solution como prometido, pode se afastar um
pouco daqui, por favor?”
Alguns dos bandidos procuraram uma resposta, mas só encontraram confusão nos ros-
tos um do outro. No entanto, entre eles—
O bandido que estava parado na frente de Shalltear estendeu a mão para tatear seus
grandes seios, que não correspondiam à sua idade.
O homem estupefato olhou para o braço que agora estava sem mão, e depois de um
momento de atraso, ele gritou:
Como ela cortou a cabeça dele? Cadê as armas? Só vejo as mãos. O pesadelo diante deles
dificilmente parecia real. Os bandidos ficaram aterrorizados, nada disso fazia sentido
lógico, foram incapazes de reagir sob o impacto desse tremendo choque. No entanto, o
que viram em seguida os levou de volta aos seus sentidos.
O sangue fresco jorrando das partes cortadas do corpo se movia como se tivesse von-
tade própria, reunindo-se acima da cabeça de Shalltear e formando uma esfera de san-
gue.
Shalltear e companhia sabiam que esse era o efeito da habilidade 「Blood Pool」. No
entanto, a primeira coisa que esses bandidos sem noção pensavam ao ver essa habili-
dade desumana foi:
Qualquer um que entendesse magia deveria ter sido capaz de dar um aviso mais preciso.
“Magic caster” era um termo muito amplo que se referia a muitas classes, e os meios para
lidar com cada uma eram variados. Em particular, pode-se pensar em Shalltear — que
só usava um vestido — como uma magic caster arcana, ou talvez espiritual. Contudo,
nada disso seria preciso. Pôde-se concluir, então, que nenhum deles conhecia magia.
“Que chatice. Limpem essa bagunça. Só poupem esse, e aquele ali... entendido?”
Mais da metade da cabeça do bandido voou, e o cérebro rosado se espalhou pelo crânio
quebrado. Puxado pela gravidade, o cadáver do bandido rolou para o chão com um
grande baque. Esse som foi um sino inicial que encheu os bandidos de terror e Shalltear
com prazer.
♦♦♦
Ele quis vomitar quando sentiu o cheiro do sangue que vinha da carnificina diante dele.
Os homens tinham as mãos e os pés arrancados como folhas de papel, seus crânios es-
touravam como romãs maduras entre o aperto de mãos delicadas.
Uma armadura peitoral foi arrancada e uma mão apunhalou a barriga agora exposta.
Quando foi retirada, vários metros de intestino reluzente e escorregadio foram trazidos
junto. O fato de que a vítima ainda estava viva depois disso, demostrava bem a resiliência
da humanidade.
Um homem estava se contorcendo no chão, ele tentava fugir mesmo com as duas pernas
quebradas. Objetos de cor branca — seus ossos quebrados — se projetavam através de
sua pele e carne. Ele estava desesperadamente tentando se arrastar com as mãos, lu-
tando para se afastar da fonte desse horror, querendo permanecer vivo por apenas mais
um momento.
A menina bonita olhou para o homem rastejando a seus pés, e sua risada estridente caiu
sobre ele.
Mesmo que alguém tentasse florear este fato, o mundo ainda seguia o princípio da ali-
mentação dos fortes sobre os fracos. Era absolutamente natural que os fortes oprimis-
sem os fracos. Afinal, mesmo Zach já havia feito isso. Porém, era certo para os fortes irem
tão longe e fazer tanto?
Claro que não. Ele não podia aceitar pessoas sendo mortas de formas tão cruéis. O que
ele deveria fazer? O inimigo estava simplesmente optando por não o atacar, mas se ele
tentasse fugir, provavelmente fariam algo para que não ousasse fugir novamente. Al-
guma dor lancinante, por exemplo.
Por que sua espada era tão pequena? Como ele poderia resistir a esses monstros capa-
zes de arrancar os braços dos homens fortes sem esforço?
O que ele fez para eles? Ele nunca tinha pensado em fazer nada para esses monstros.
Zach se abraçou, como se tentasse esconder sua presença. O rítmico ranger dos dentes
de repente lhe pareceu extremamente irritante — o que aconteceria se aqueles mons-
tros o ouvissem e fossem atrás dele?
Ele tentou se conter, mas seus dentes não o obedeceram e continuaram rangendo.
Falando nisso, que tipo de pessoas eles eram? Zach não os reconhecia de lugar nenhum.
—Uma voz gentil e doce veio de trás dele, completamente em desacordo com o cenário
cruel à sua frente.
Zach olhou com medo para trás e viu sua contratante parada diante dele.
Sua expressão não combinava com a herdeira arrogante e exigente que ele conhecia. Se
estivesse calmo o bastante, ele poderia ter se sentido desconfiado sobre isso, mas Zach
— que havia sido levado à confusão por esse mundo bizarro e que fedia a sangue — não
tinha mais energia para suspeitar de nada.
Zach lamentou, sua voz falhava enquanto se dirigia a Solution, a filha endinheirada da
nobreza que não sabia nada do mundo.
Certamente, se ele soubesse disso antes, as coisas não teriam terminado assim. A vadia
diante dele era responsável por essa cena assustadora.
Ansiedade e terror se combinaram para impulsioná-lo para a frente e Zach, furioso, não
podia mais suportar seus sentimentos. Ele estendeu a mão para pegar Solution pelo co-
larinho e sacudi-la grosseiramente.
Uma mão pálida como marfim e fria como gelo, agarrou-se a Zach e, em seguida, Solu-
tion se adiantou, levando-o para um lugar isolado.
“Mesmo que eu já tenha permissão, Sebas-sama não gosta de ver desse tipo de coisa,
então eu prefiro fazer isso à distância.”
Ele não tinha idéia do que ela estava falando. Ainda assim, Zach achava que, se estivesse
sozinho, poderia haver uma chance de que ele pudesse sobreviver.
Não havia nada que pudesse fazer. Zach era fraco demais. Ele não poderia salvar seus
companheiros muito mais fortes que ele.
“Por favor não seja bruto comigo. Se possível... eu gostaria que você fosse gentil, me
faria muito feliz.”
Atrás da diligencia, Solution falou baixinho para Zach, então acenou para ele arqueando
as costas, como se quisesse abrir o vestido. Zach ao ver isso, ficou boquiaberto;
Zach olhou para Solution como se ela fosse uma espécie de criatura exótica.
As mãos de Solution não pararam enquanto ele pensava, e por isso Zach, completa-
mente confuso, perguntou:
Como se esperasse por aquele momento, seus seios firmemente presos surgiram. Eram
voluptuosos, firmes e macios, e sua pele parecia vagamente translúcida sob o luar.
“Faça as honras.”
Era tão bela. Este era o corpo mais belo e feminino que Zach já tinha visto em sua vida.
De todas as mulheres de que Zach conheceu, a mais bela até então foi uma que pertencia
a uma caravana que ele atacara. No entanto, quando chegou a vez dele, a garota já estava
tão exaurida que mal conseguia mover um músculo. Ela ficou imóvel, apenas abrindo as
pernas como um sapo. Mesmo assim, isso não diminuíra nem um pouco sua beleza.
Para sua felicidade, a garota diante dele era ainda mais bonita, e ela não estava indife-
rente como a outra garota.
Zach pensou por um momento que o corpo dela era tão macio que parecia que toda a
mão dele estava dentro dela. Mas quando ele olhou para a mão, percebeu que não era
esse o caso.
O belo rosto de Solution não mudou mesmo sob essas circunstâncias estranhas. Ela sim-
plesmente observou Zach em silêncio. Sua expressão era a de uma cientista observando
um animal de laboratório cujo alguma substância química letal havia sido injetada, mis-
turando um frio desapego com curiosidade e excitação.
Zach fechou a mão em um punho e a moveu com toda a força no rosto belo de Solution.
Zach moveu com força total, socando com força e sem se importar se seu punho estava
ferido. Apesar de um homem adulto atacá-lo com todas as suas forças, aquele rosto bo-
nito permaneceu imóvel. Nada parecia machucá-la.
Em vez disso, Zach ficou assustado com o que sentiu quando a atingiu.
Essa sensação era como dar um soco em algo macio, como água ou geleia. Em circuns-
tâncias normais, deveria ter havido alguma resistência ao seu soco, mas ele não achava
que tivesse atingido o osso. Não era isso que um humano deveria sentir.
A cena irreal de carnificina atrás dele — esquecida devido à sua excitação — de repente
passou por sua mente.
Enquanto ela dizia isso, uma dor como o esfaqueamento de centenas de agulhas irradi-
ava de sua mão presa.
“AAAAHHHHH!”
“A verdade é que eu gosto muito de ver as coisas se dissolverem. Por isso achei que foi
uma feliz coincidência que você queria estar dentro de mim, Zach-san.”
Lutando contra a dor, Zach sacou sua espada curta enquanto gritava para ela. Então, ele
forçou a facada no rosto bonito de Solution, no entanto o corpo de Solution ondulou.
“Toma isso!”
O que aconteceria ao esfaquear a superfície de um lago com uma espada curta? O má-
ximo que aconteceria seriam ondulações, e foi o que aconteceu.
Solution encarou Zach a fundo, com a espada curta ainda saindo de seu rosto, gentil-
mente disse:
“Sinto muito, mas sou resistente a ataques físicos, então um golpe como esse não pode
me prejudicar. Vou começar a dissolvê-lo, tudo bem?”
Um cheiro acre irritou suas narinas, e em segundos a espada curta caiu do rosto de So-
lution, a lâmina estava dissolvida pela metade. Assim que ela disse, seu lindo e imaculado
rosto permanecia diante de seus olhos.
A agonia em sua mão estava se espalhando lentamente pelo resto de seu braço, mas o
medo da morte iminente anulava a dor, por isso Zach fez sua pergunta, mesmo enquanto
lágrimas brotavam em seus olhos.
No entanto, a resposta o fez querer enfiar os dedos nos ouvidos para negar.
“Eu sou uma Slime do tipo predatório. Como o tempo é limitado, vou precisar te engolir.”
Os braços de Zach foram puxados para o corpo da Solution. Tão forte era a sucção que
Zach não pôde resistir, mesmo que fosse capaz de fazê-lo.
Zach chorou e implorou, mas a força que o atraía para o corpo de Solution ainda era
muito forte, o suficiente para que um ser humano não pudesse resistir. Seus braços, seus
ombros, todos eles foram devorados continuamente.
Com aquele último grito, o rosto de Zach foi sugado pelo corpo de Solution.
E assim, o homem foi engolido inteiro, como se fosse a presa de uma cobra píton.
♦♦♦
Depois de alguns minutos, não havia mais sobreviventes. O lugar estava fedendo a
morte. Não, um homem ainda sobreviveu. Ele tinha botado a língua para trabalha en-
quanto se agachava perto dos pés de Shalltear, lambendo seus sapatos de salto alto. Es-
tava limpando a massa encefálica que os tinha espalhado depois que Shalltear tinha es-
magado crânio de um bandido sob os pés.
“Bom trabalho ~arinsu. Então, de acordo com nosso acordo, eu não tirarei sua vida.”
O homem, com feições assustadas se retraiu como uma tartaruga, olhou para Shalltear
com uma expressão agradecida em seu rosto e a agradeceu repetidas vezes. Shalltear
olhou com carinho para o homem que parecia um filhote de cachorro, após isso estalou
os dedos.
“Drene-o.”
Uma vez que as duas Vampire Brides chegaram ao seu lado, o homem finalmente en-
tendeu o que aquelas palavras significavam.
“Os undeads ainda estão tecnicamente meio vivos, então eu não estava mentindo para
você ~arinsu.”
As Vampire Brides cravaram os dentes com entusiasmo, e Shalltear olhou com o canto
do olho para o homem enquanto sua força vital era drenada para longe. Ela virou-se para
Solution — que estava reorganizando o colarinho bagunçado enquanto saía detrás da
diligência — e disse:
“Sim, fiquei bastante satisfeita. Sou profundamente grata a senhora por isso.”
“Não precisa ficar em cerimônia ~arinsu. Somos servas de Nazarick, afinal. Falando
nisso, aquele humano se divertiu?”
“Perdão, eu não sabia que ele ainda estava tão cheio de energia.”
Solution proporcionou uma visão bizarra quando ela se curvou em desculpas, com o
braço ainda saindo do rosto. Então sorrindo, ela empurrou o braço de volta para dentro,
logo depois o braço agitado foi completamente dragado para dentro de si.
“É incrível como você pode engolir um homem inteiro e agir como se nada tivesse acon-
tecido ~arinsu.”
“Seu elogio significa muito para mim, Shalltear-sama. Isso não é externamente visível,
mas o interior do meu corpo é originalmente vazio. E como sou uma criatura desse tipo,
talvez algum efeito mágico proporcione essa habilidade.”
“Oh~ Hm, sei que pode parecer intromissão demais da minha parte, mas quando ele vai
morrer ~arinsu?”
“Caso a senhora queira, eu posso secretar um ácido mais forte para matá-lo imediata-
mente, mas como é raro capturar algum humano que realmente queria estar dentro de
mim, se possível, eu realmente gostaria de disfrutar dele por um dia inteiro.”
“Eu não ouvi nenhum grito, você corroeu a garganta dele com ácido ~arinsu?”
“Não, eu não fiz. Se eu dissolvesse a garganta com ácido, ele poderia sufocar por não
conseguir respirar. Por isso, inseri parte do meu corpo nele para suprimir a voz, e tam-
bém tem o efeito de evitar maus cheiros.”
“Estou muito impressionada. É dificil achar seres com a sua atitude de prestar muita
atenção aos brinquedinhos e brincar com eles o máximo possível. Aliás, pode corroer
lugares específicos com seus ácidos ~arinsu? Tipo, corroer uma pequena área?”
“Sim, é uma tarefa fácil de realizar. A prova disso são os pergaminhos, poções e outros
itens mágicos dentro do meu corpo, e o fato de que esses itens estão intactos. Eu poderia
me mover livremente mesmo se a senhora entrasse dentro do meu corpo, Shalltear-
sama, embora eu tivesse que pedir-lhe para que não se movesse muito.”
“Sim, não vejo impedimentos. Embora... onde vamos pegar nossos brinquedinhos?”
Shalltear sorriu alegremente quando encontrou Solution olhando para as Vampire Bri-
des atrás dela.
“Não seria uma escolha ruim, mas eu quero esperar até que alguém tente nos invadir,
depois implorarei ao Ainz-sama para entregá-los a nós ~arinsu.”
“Quando acontecer, será uma honra se a senhora os dividir comigo. Eu gostaria de en-
goli-los até o peito e expor o que sobrar. Isso deve dar uma sensação bem interessante.”
Shalltear planejou continuar, mas foi interrompida por uma voz vinda de traz.
“Entendi, estou indo. Então, Shalltear-sama, embora doa meu coração sair, permita-me
me despedir.”
Shalltear olhou para Solution enquanto ela corria de volta para a diligência e depois
para Sebas, que estava sentado no lugar do condutor.
“Mas é claro ~arinsu. Nós os invadiremos depois e procuraremos por qualquer pessoa
interessante que possa saber algo que agrade ao Ainz-sama ~arinsu. Caso contrário,
tudo isso será uma perda de tempo.”
U asseclas-concubinas de Shalltear.
A Vampire Bride líder cuidadosamente carregava Shalltear nos braços, enquanto a que
estava atrás dela arrastava algo que parecia um tronco seco.
Elas não estavam longe do lugar onde se separaram de Sebas. Como não possuíam ma-
pas ou algo parecido, não tinham idéia de quão longe estavam do destino, a não ser que
provavelmente teriam que percorrer um longo caminho. No entanto, o tinido de metal
duro soou pelo ar, e a Vampire Bride líder parou imediatamente.
Como o caminho era estreito, uma vez que a pessoa na frente parasse, quem viesse por
trás teria de fazer o mesmo.
Assim que a Vampire Bride na frente estava prestes a responder à pergunta que vinha
de trás, ela estremeceu quando notou o olhar frio de sua Mestra em seus braços.
Pérolas de suor frio floresciam em suas costas, ela estava profundamente consciente de
que sua Mestra não era uma pessoa gentil ou misericordiosa.
Shalltear, que estava descansando nos braços da Vampire Bride — em outras palavras,
como uma princesa sendo carregada por um príncipe — esticou as pernas em aborreci-
mento.
Pulando com extrema destreza, seus pés usando salto alto pisaram o chão. O vestido
caiu como uma cascata cobrindo suas pernas pálidas.
As Vampire Brides não puderam deixar de engolir em seco quando notaram o olhar
gelado nos olhos de Shalltear.
O motivo que levou Shalltear a não correr pela floresta foi simplesmente ela porque
sentia que isso seria um incômodo, e também porque não queria sujar seus saltos. Claro,
havia outra razão obtusa, mas nenhum dos presentes ousaria falar ou mesmo pensar
sobre. Mesmo em Nazarick, apenas algumas pessoas se atreveriam a dizer isso cara a
cara.
Já que eram ferramentas de transporte, as Vampire Brides não podiam parar sem ins-
truções de Shalltear. E Shalltear não precisaria de pernas desobedientes.
Essa foi a mensagem que os olhos de Shalltear carregaram. Não, seria uma pena se a
dor fosse tudo o que as esperava. A intenção assassina transbordava em sua pergunta
anterior.
Na Grande Tumba de Nazarick, a vida e a morte de todos que não fossem os NPCs cria-
dos pelos 41 Seres Supremos estavam à disposição dos Guardiões de Andar e dos de
Área. Se elas continuassem sendo irritantes à sua Mestra, poderiam ser executadas no
local.
Sabendo disso, a Vampire Bride — que tinha a sensação de que esta poderia ser sua a
última frase de seu epitáfio — nervosamente começou a falar:
Shalltear olhou para baixo e viu que as endentações de uma armadilha de metal se fe-
charam ao redor da perna esbelta da Vampire Bride.
Esta não era uma armadilha projetada para lidar com seres humanos, mas com ursos
selvagens, que eram criaturas poderosas e difíceis de lidar. Ele poderia facilmente que-
brar os tornozelos de qualquer humano — mesmo usando grevas — que fosse pego.
Mesmo quando perfurada pelos dentes de aço da armadilha, usados para mancar os
animais, a Vampire Bride não sentiu dor nem sofreu fraturas. Ela não parecia ter se ma-
chucado.
As Vampire Brides poderiam resistir a danos causados por praticamente qualquer dano
físico, exceto dano infligido por armas feitas de prata ou certos outros materiais especi-
ais como armas mágicas com encantamentos específicos. Por ser fortificada com essa
Ainda assim, mesmo imune aos seus danos, a armadilha de urso tinha cumprido seu
outro propósito, impedir o movimento.
Como a armadilha não estava coberta de veneno, ficou claro que não pretendia matar
sua presa. Sua finalidade era impedir seus alvos, desacelerando a caça, forçando-os a um
destino indesejado.
“Sim! Imediatamente!”
A visão de uma linda garota abrindo uma armadilha de ursos parecia surreal, mas qual-
quer um que conhecesse a força de uma Vampire Bride não acharia estranho.
“Bem, o fato de haver uma armadilha aqui sugere que estamos perto do nosso destino.
Achei que ainda estávamos bem longe ~arinsu.”
Depois disso, a Vampire Bride na retaguarda despejou o objeto que estava carregando
no chão.
Era um cadáver humano, dessecado e mumificado. Contudo, ela não estava carregando
um cadáver comum. Possuía uma vida falsa, corroborado toda vez que se agitava rigida-
mente.
Seus braços pareciam ramos murchos que brotavam garras afiadas, e pontos de luz ver-
melha brilhavam em suas órbitas vazias como as de um vampiro. Caninos anormalmente
afiados brilhavam dentro de sua boca entreaberta.
[Vampiro M e n o r ]
Este era um monstro chamado Lesser Vampire.
Foi tudo o que restou do bandido que tinha sido exsanguinado pelas Vampire Brides.
Não deveria existir apenas isso. Deveria haver fazedores de ruído e armadilhas de apoio
como complemento. No entanto, elas não haviam detectado tais armadilhas.
“...Bem, esqueça isso ~arinsu. Não é como se vocês tivessem alguma habilidade de de-
tecção...”
Solution tinha níveis em profissões do tipo Assassino e, com suas habilidades de Ladino,
ela poderia facilmente descobrir essas armadilhas.
“Meh, não faz sentido reclamar sobre o sangue derramado. Então, vamos nos apressar
e ir para o covil dos bandidos~ arinsu.”
♦♦♦
Logo, elas alcançaram o esconderijo dos mercenários. Embora ainda estivessem na flo-
resta, as árvores estavam ficando mais finas e, além desse lugar, não havia mais árvores,
apenas um campo coberto de vegetação rasteira cheio de pedras.
Havia um grande buraco no centro de uma depressão em forma de tigela, da qual saíam
leves raios de luz. A julgar pelo ângulo da luz, deve haver um caminho inclinado mais
abaixo.
Parece que a intenção era usar os troncos como cobertura contra ataques à distância,
para que pudessem se proteger se o inimigo atirasse com arcos, isso daria tempo alguém
entrar e avisar seus companheiros.
Por precaução, havia grandes sinos nos ombros das sentinelas. Mesmo se fossem de
alguma forma abatidos por um ataque furtivo, o som dos sinos alertaria seus amigos da
presença de inimigos.
Essa situação era insolúvel por meios puramente físicos, mas havia uma maneira de
ultrapassá-la.
Shalltear ponderou qual desses métodos seria o mais divertido, então percebeu que ha-
via uma informação importante que ela não tinha.
Esta defesa robusta poderia ser usada para afastar os inimigos de emboscada ou per-
mitir que um homem acabe com uma horda. No entanto, Shalltear e suas seguidoras
eram diferentes.
“Será que é o caso ~arinsu? Já que estamos aqui, não há necessidade de ficarmos escon-
didas nas sombras. E sendo sincera, eu não estou acostumada com esse tipo de coisa
mesmo ~arinsu.”
“Isso porque onde quer que a senhorita vá, sua aura brilhante e bela se destaca, Shall-
tear-sama.”
Ignorando a Vampire Bride implorando perdão com a cabeça abaixada, Shalltear esten-
deu a mão e agarrou o corpo do Lesser Vampire.
“Eu confiarei o pesado dever de ser a vanguarda a você ~arinsu. Agora vá!”
Seus esbeltos braços viraram um borrão e o Lesser Vampire rasgou o ar antes de atingir
uma das sentinelas. Devido ao giro dado durante o lançamento, o Lesser Vampire girou
várias vezes antes de acertar o homem.
A força do impacto foi além da imaginação. Não apenas a cabeça da sentinela, mas até o
peito dele jorrou sangue em todas as direções e cheiro de sangue fresco contaminou o
ar.
O outro homem não conseguia analisar o que acabara de acontecer diante de seus olhos.
Tudo o que ele podia fazer era olhar aturdido para o destino trágico de seu colega.
Ainda assim, isso foi uma visão bastante divertida para quem o lançou.
“Strike~”
As Vampire Brides aplaudiram Shalltear, que estava bombeando um braço pela vitória.
Escusado dizer que o Lesser Vampire havia sido pulverizado, mas as três não pareciam
incomodadas com isso. Aquela criatura nunca tinha sido parte de Nazarick, e só tinha
sido feita para entretenimento. Elas não sentiram nada sobre como acabara de ser des-
truído.
Além disso, originalmente era um ser humano. Shalltear nem se lembrava do que lhe
prometera antes.
“Yoi-sho~”
Quando ouviu o som de um sino à distância, Shalltear pegou uma pedra que era ligeira-
mente maior que sua mão.
Sua mão delicada se moveu a uma velocidade chocante. No momento seguinte, Shalltear
observou os resultados à distância e alegremente pronunciou:
Então, o som de uma sentinela gritando sobre um ataque inimigo alcançou os ouvidos
de Shalltear. Parece que outra sentinela ouviu o som do sino.
Quando ela olhou dentro da caverna, que parecia estar ficando mais e mais ruidosa,
Shalltear sorriu gentilmente antes de pedir:
“Vamos. Você, vigie de cima de uma árvore próxima e tenha certeza de que ninguém
escape ~arinsu. Já você será a vanguarda que abrirá caminho para mim. Se encontrar
alguém mais forte do que o resto me vise imediatamente. Eu quero brincar com eles
~arinsu.”
“Sim, Shalltear-sama.”
“Vão.”
Tendo recebido suas ordens, a Vampire Bride deu um passo à frente, aproximando-se
lentamente da entrada da caverna—
A terra desmoronou — ou melhor, a terra não desmoronou. Ela que havia caído em uma
armadilha.
Talvez Shalltear pudesse ter sido capaz de evitar a armadilha antes de cair nela, mas as
reações da Vampire Bride não foram rápidas o bastante para fugir de uma armadilha
onde a terra desapareceu sob seus pés.
“Ehhhhh~”
Se for pensar bem, ela deveria ter previsto que eles colocariam uma armadilha na frente
da entrada da caverna. No entanto, irritou-a saber que sua assecla não tivesse percebido
essa obviedade, e ainda tivesse caído. Foi com um coração fervendo com tais emoções
que ela sorriu.
Shalltear Bloodfallen era uma Guardiã da gloriosa Grande Tumba de Nazarick. O fato de
uma serva de um indivíduo tão poderoso ter caído em uma armadilha como essa era
totalmente intolerável.
Uma voz cheia de intenção assassina vazou entre os lábios carmesins de Shalltear:
Com um grande salto, a Vampire Bride pulou do buraco e aterrissou ao lado dela. Em-
bora suas roupas estivessem manchadas de terra, não havia sinal de que ela tivesse se
machucado.
“Esqueça, apenas entre lá. A menos que você queira que eu te arremesse como fiz agora
a pouco, quer isso ~arinsu?”
Como Shalltear estendeu a mão com um gesto de agarrar, a Vampire Bride lamentou
em reconhecimento e imediatamente correu para a caverna. Shalltear a seguiu vagaro-
samente por atrás, avançando para a caverna.
Parte 2
Quando o clamor de fora se filtrou no quartinho privado, a mão que trabalhava em uma
arma parou e um par de orelhas se ergueu.
Estavam sendo atacados, porém ele ainda não sabia quantos atacantes eram ou mesmos
suas habilidades. Foi parte do treinamento gritar essas informações o mais alto que po-
diam assim que sofressem algum ataque.
Um ataque de um pequeno número de homens não causaria tal caos. Com isso em
mente, pode ser razoável deduzir que uma grande tropa os invadiu. No entanto, isso não
explicava o porquê não havia som de um amontoado de soldados do lado de fora, por
isso os inimigos não seriam tão numerosos.
Isso pode explicar esse sentimento estranho de atacantes que eram poucos em número
e possuíam grande poder de luta.
Ele se levantou lentamente e pendurou a espada na cintura, logo depois vestiu uma ca-
misa de cota de malha sem perder muito tempo. Em seguida prendeu uma algibeira de
couro com vários frascos de poções no cinto. Já que ele já estava usando seu colar e anéis
encantados, seus preparativos estavam completos agora.
Ele afastou a cortina para o lado antes de entrar no caminho central dentro da caverna.
Ele era alto, mas não magro. O corpo sob suas roupas era tão sólido quanto aço. Ele não
havia aperfeiçoado seu físico através de treinamento de força, mas através de batalhas
sangrentas.
Seu cabelo estava desleixadamente cortado e, portanto, parecia irregular. Tinha uma
aparência bagunçada. Seus olhos castanhos olhavam intensamente para frente, e o canto
de sua boca estava puxado no começo de um sorriso de escárnio. Seu queixo estava co-
berto de barba que parecia bolor.
Embora ele parecesse bastante desleixado, cada um de seus movimentos era ágil e gra-
cioso, como os de uma fera.
“O que aconteceu?”
“Isso eu já percebi. O que eu quero saber é quantos estão lá? Quem são eles?”
Brain inclinou a cabeça no que pareceu uma perplexidade, e então caminhou em dire-
ção à entrada da caverna, através da qual o clamor se derramava.
A mais forte equipe de aventureiros do Reino se chamava “Rosa Azul” e era composta
de cinco mulheres. Uma delas era uma velha senhora. Ela e Brain trocaram golpes, e am-
bos os lados saíram cobertos de feridas. Ele também ouvira dizer que os assassinos mais
fortes do Império, aparentemente eram mulheres.
Mulheres poderosas não eram exatamente uma raridade. Embora as mulheres tivessem
corpos mais fracos do que os homens, a magia poderia facilmente cobrir essa lacuna.
E, claro, se alguém com habilidades físicas poderosas fosse aumentado com magia igual-
mente poderosa, o resultado seria alguém invencível.
Brain passou a nutrir grande respeito por essas adversárias desconhecidas, ainda mais
por serem poucas contra os muitos. O sangue ferveu em seu peito, uma luxúria de bata-
lha que parecia uma o ansiar pela lutar com oponentes poderosos.
“Hm, não precisa vir junto. Apenas certifique-se de proteger bem o interior.”
♦♦♦
Originalmente, ele não era nada mais que um fazendeiro despretensioso. Contudo, ele
possuía um dom natural, a aptidão para esgrima. Com a ajuda dessa aptidão, ele era pra-
ticamente invencível, desde que tivesse uma arma na mão. No campo de batalha, ele não
Nunca tendo conhecido a derrota na esgrima, ele percorreu o que parecia um caminho
eterno de vitória.
Ninguém, nem ele próprio, duvidara disso. Mas o Torneio Marcial do Reino mudou o
curso de sua vida.
No começo, ele não havia entrado para vencer. Ele simplesmente pretendia deixar todo
o Reino saber de suas proezas. Seu objetivo era deixar todos os seus rivais esmagados a
seus pés. No entanto, ele mal podia acreditar no resultado daquele torneio.
Derrota—
Pela primeira vez desde que empunhou uma espada— não, pela primeira vez em sua
vida, ele havia sido derrotado.
O homem que o derrotou foi Gazef Stronoff. Ele agora servia o Reino como Capitão Guer-
reiro e ficou reconhecido como o mais poderoso guerreiro das nações vizinhas.
No final, Gazef conquistou a vitória com a técnica chamada 《Corte de Luz Quadruplo》.
O conto dessa luta foi imortalizado em músicas e histórias. Além disso, a ascensão de
Gazef, um plebeu, à posição de Capitão Guerreiro era prova de quão espetacular essa
batalha fôra. Mesmo os nobres que o detestavam não puderam negar seu talento.
Depois de ficar em reclusão por mais de um mês, Brain rompeu o desespero que levaria
alguém a beber e se recompôs.
Ele recusou ofertas de emprego de vários nobres, tendo decidido pela primeira vez em
sua vida a se fortalecer.
Ele não quis trabalhar para os nobres porque não queria que seus dons enferrujassem.
Até porque, ele precisaria de parceiros de treino competentes para aprimorar suas Artes
Marciais. Ele não queria dar showzinhos de espada para os nobres. Ele queria algum
trabalho que pagasse bem e o desse a oportunidade de lutar contra oponentes realmente
desafiadores.
Ele não escolheu o caminho lucrativo do aventureiro porque os aventureiros não ti-
nham muitas chances de matar pessoas. Claro, eles lutaram contra muitos monstros, mas
o objetivo final de Brain era derrotar Gazef. Com isso em mente, ele teve que treinar
lutando com outros humanos.
Dentro desta gama limitada de opções, Brain escolheu se juntar à Brigada do Alastra-
mento Mortífero. Com certeza, eles eram apenas um bando de mercenários, mas qual-
quer companhia mercenária era o suficiente.
Isso é, limpar sua vergonha anterior e vingar sua derrota com a vitória.
Para alcançar este objetivo, ele precisava aprimorar suas habilidades ao máximo. Brain
estava disposto a sacrificar qualquer coisa por uma arma que extraísse todo o potencial
de suas habilidades.
Armas mágicas eram muito caras, mas não era uma mera arma mágica que ele procu-
rava.
No sul, longe do Reino, havia uma cidade no deserto. Histórias de lâminas que cortavam
aço como manteiga vieram de lá, tais armas eram muito superiores às armas comuns,
armas encantadas e até mesmo às armas mágicas. Essas espadas custavam uma quantia
impressionante, o suficiente para fazer alguém esbugalhar os olhos ao ouvir o preço. Era
esse o tipo de arma que Brain queria.
Atualmente, as habilidades do Brain atingiram seu limite. Ele estava bastante confiante
de que poderia derrotar qualquer um facilmente, mesmo que seu oponente fosse Gazef.
Mesmo assim, ele não permitiu que isso subisse à sua cabeça e continuou treinando a si
mesmo todos os dias.
Toda vez que ele fechava os olhos, a cena de sua derrota passava por sua cabeça.
Ele pensava que jamais seria derrotado, mas essa noção foi destruída e, em seu lugar,
ficou a silhueta nobre do homem que o vencera. Tudo ficou marcado em sua mente, como
um carimbo a ferro quente.
♦♦♦
Brain caminhou até a entrada da caverna, e o leve cheiro de sangue saudou seu nariz.
Os gritos pararam. Isso significava que todos os seus companheiros perto da entrada
haviam sido massacrados. Mesmo após ter passado menos de 3 minutos.
Até onde sabia, havia pelo menos dez mercenários na entrada. Suas ordens foram para
segurar, ganhar tempo para os outros se prepararem para a guerra. Mas pensar que al-
guém matou todos esses mercenários em tão pouco tempo...
“Se houver apenas duas intrusas, isso significa que suas habilidades devem estar no
mesmo nível que as minhas.”
Enquanto andava facilmente para frente, ele bebeu uma poção da algibeira em sua cin-
tura. O líquido incrivelmente amargo fluiu por sua garganta até o estomago. Ele bebeu o
outro frasco e—
Uma onda de calor se expandiu de suas entranhas, fluindo para todas as extremidades
de seu corpo. Em resposta a esse calor, ele podia ouvir seus músculos inchando e endu-
recendo.
Este rápido aumento muscular foi o resultado da magia contida dentro da poção.
A primeira poção mágica que ele tinha bebido continha o efeito da magia 「Lesser
Strength」, seguido por uma que lhe conferia 「Lesser Dexterity」.
Não havia necessidade de ingeri-las. Poções começavam a surtir efeito quando uma
certa quantidade de líquido fizesse contato com seu corpo. No entanto, Brain sentia que
seriam mais eficazes quando ingeridas ao invés de aplicadas na pele. Claro, isso poderia
ser apenas um capricho, mas certos caprichos como esse às vezes davam origem a po-
deres surpreendente.
Depois disso, ele ungiu sua katana com óleo. O dito óleo deixou um leve brilho branco-
azulado em sua lâmina, antes de desaparecer quando foi absorvido pelo metal. Aquele
óleo conferia os efeitos de uma magia conhecida como 「Magic Weapon」, encantando
temporariamente sua espada com uma magia que aumentava a afiação do fio.
Em resposta a essas palavras de comando, uma onda sutil de poder mágico se espalhou
do colar e anel de Brain para envolver seu corpo.
[ C o l a r d o Olho]
O Necklace of Eye era um colar que protegia a capacidade de ver, garantindo resistência
à cegueira, visão no escuro, compensação de reflexo e outros efeitos. Não havia sentido
um guerreiro ter a melhor arma se ele não conseguisse acertar nada. Uma tática comum
de aventureiro era impedir a visão e finalizar o inimigo atacando com armas longas à
distância. E de fato Brain havia passado por esse tipo de problemas nas mãos de aven-
tureiros antes de obter esse colar.
Depois disso, ele ativou um item que poderia armazenar e liberar magias de baixo nível,
[ A n e l d o V í n c u l o Mágico ]
o Ring of Magic Bind. O efeito que liberou foi de dano reduzido de energia, 「Lesser Pro-
tection Energy」.
Ele respirou fundo várias vezes, expulsando o calor intenso que se formava dentro de
seu corpo.
Na atual circunstância, Brain — seu corpo reforçado por vários efeitos — era um espa-
dachim que estava no auge da humanidade. Ele estava absolutamente confiante em sua
capacidade de luta, e um sorriso selvagem floresceu em seu rosto.
♦♦♦
“Dificilmente ~arinsu. Eu não sei se é porque essas pessoas são muito fracas, mas não
estão enchendo a 「Blood Pool」.”
Foi uma resposta bastante casual às boas-vindas de Brain. Pode ter sido porque a opo-
sição sabia que Brain viria diretamente para elas. De sua parte, Brain não tinha intenção
de se esconder, então talvez essa reação fosse apenas esperada.
Ele disse que havia duas mulheres, mas não passa de uma menininha, e ainda estão de
vestido...?
Ainda assim, Brain deixou de lado esses pensamentos, porque acima da cabeça daquela
menina inimaginável e bonita pairava um orbe que parecia ser feito de sangue fresco.
“Não acho que eu já vi essa magia antes... vocês são duas magic casters?”
“Eu sou uma magic caster divina que venera o Sangue Primordial, a Divina Ancestral de
Cainabel ~arinsu.”
“A Ancestral de Kayne Able? Nunca ouvi falar, é algum tipo de divindade do mal?”
“Isso mesmo, mas ele foi derrotado pelos Seres Supremos. Aparentemente, ele era ape-
nas um “chefão fraco de evento”, ou algo assim.”
Brain olhou para longe da garota que murmurava com paixão “Ninguém esperaria nada
menos dos Seres Supremos ~arinsu.” e fixou o olhar na mulher que a acompanhava como
uma atendente. A mulher era uma beldade que não se via todos os dias, seus seios eram
bem fartos e seu aroma era de um almíscar erótico que excitava os sentidos.
Seu vestido branco estava respingado de manchas vermelhas. Isso implicava que ela
era a vanguarda.
“Não importa, estou pronto. Eu te espero se ainda não tiver, que tal?”
A menina olhou para Brain em surpresa. Então ela cobriu a boca e riu baixinho.
“Mas como é valente ~arinsu. Tem certeza que quer fazer isso sozinho? Pode chamar
todos os seus amiguinhos, eu deixo ~arinsu.”
“Um bando de crianças nunca vai te prejudicar, não é isso? Então eu serei suficiente.”
“Não posso fazer nada se não tem noção do quão alto as estrelas estão, não é mesmo?
Pensamentos infantis como ser capaz de tocar as estrelas combinam com uma garotinha
como a Aura. Mas são repugnantes quando os ouve vindo de um adulto ~arinsu.”
Brain levantou sua lâmina, nivelando sua ponta para as duas. Ao ver isso, a garota olhou
aborrecida para o teto, depois para a frente e então—
“Ataque-o.”
Seus movimentos eram rápidos como o vento — no entanto, mesmo que ela se movesse
como o vento, Brain ainda poderia cortá-la facilmente.
“Toma!”
Enquanto Brain gritava, trouxe sua katana para baixo com um movimento vigoroso. Ta-
manho poder poderia dividir um guerreiro blindado em duas partes, a arma cortou o ar
com a força de um furacão.
“Kuh!”
Contra-atacada no meio de seu avanço, a mulher saltou para longe enquanto pressio-
nava a mão contra o peito. O corte começou no ombro esquerdo e chegando até um dos
seios.
Parte disso foi porque ele não pôde vencê-la com um único golpe, mas havia algo mais
que Brain não entendeu. Isso é, o ombro da mulher não estava sangrando. Sangue deve-
ria estar jorrando em circunstâncias normais.
Será magia?
Quando o pensamento passou pela mente de Brain, ele viu o que estava acontecendo na
ferida sob a mão da mulher e estreitou os olhos.
A ferida no ombro estava se curando lentamente. Ele ouvira falar de certas magias de
cura que funcionavam rapidamente, mas não era nada parecido com isso. Sendo esse o
caso, havia apenas uma resposta.
Seu oponente era um monstro com poderes de regeneração. Seus caninos afiados esta-
vam expostos e suas pupilas vermelhas estavam cheias de hostilidade. E mesmo assim,
ainda tem uma aparência bem humana...
“Uma vampira... é isso? Habilidades especiais incluem... cura rápida, olhos místicos de
charme, drenagem de vida, criação de servos pela drenagem de sangue, resistência a
dano de arma e resistência ao frio? Também tem o— ah, quem liga...”
Não havia necessidade de se preocupar com o resto. Com isso, ele agarrou o punho de
sua katana mais uma vez.
Naquele momento, Brain sentiu seus pensamentos nebulosos, até mesmo sentiu atra-
ção pela mulher à sua frente. Entretanto, ele dispersou sua confusão com um rápido cha-
coalhar de cabeça.
“...Olhos Místicos, huh? Minha mente não é fraca assim, não vou cair nessa magia de
quinta.”
Tendo desembainhado a espada, o coração de Brain também era como uma espada, que
cortava sem esforço através do controle mental de nível básico.
A Vampire Bride mostrou suas presas para assustá-lo, mas essa tentativa de intimida-
ção foi tingida por seu próprio medo. Se ela sentisse que era a mais forte, então tudo o
que precisaria fazer era partir para cima sem se preocupar com as táticas de intimidação.
Em outras palavras, ela sentiu que precisava tomar cuidado com ele após o contra-ata-
que, ou talvez porque sentia que ele era um adversário forte.
Brain avançou lentamente na Vampire Bride, que recuou firmemente em sincronia com
seu avanço.
Brain zombou com tédio. A Vampire Bride parecia pensar que seu oponente estava pro-
vocando e então ela parou de recuar, mas em vez disso deu um passo à frente.
Os dois estavam a cerca de três metros de distância; uma distância que a Vampire Bride
poderia cobrir em um único salto. Mesmo assim, ela não atacou, porque temia as habili-
dades Brain. E então a Vampire Bride sorriu e estendeu a mão.
“「ShockWave」.”
Uma onda de choque percorreu o ar em direção a Brain. Dado que essa magia poderia
facilmente arrancar uma armadura de placas completa, isso poderá prejudicar grave-
mente Brain — que usava apenas uma cota de malha abaixo da camisa — se o atingisse.
“Só sorria depois de ter certeza que acertou o alvo — claro, a menos que queira deixar
claro seu ataque.”
O riso de zombaria de Brain soou depois de evitar facilmente a onda de choque invisível.
A Vampire Bride entrou em pânico e recuou. Originalmente, ela acreditava que os huma-
nos eram uma espécie inferior e o menosprezara. No entanto, a expressão de seu rosto
era agora de choque, já que suas suposições haviam sido rejeitadas.
Brain não mostrou isso em seu rosto, mas ele sabia que tinha que mudar suas táticas
agora, pois ele não esperava que seu inimigo usasse magia também.
O alvo de Brain era o homem chamado Gazef. Seu sonho era cruzar espadas com ele.
Portanto, seu conhecimento de magia não era tão vasto quanto seu conhecimento de
lâminas. Ele não conhecia os mistérios da magia e não tinha idéia de que tipo de truques
seu oponente faria em seguida.
A moça parada nos bastidores estava descontente com esse impasse e não conseguiu
mais esconder seu aborrecimento.
A garota estalou o dedo, e o som agudo fez o corpo da Vampire Bride estremecer.
Foi a oportunidade perfeita para atacar, mas Brain não o fez. Ele desviou a atenção da
Vampire Bride para a garotinha logo atrás.
Ela era delicada, embora fosse factual que seus seios fartos fossem dissonantes de seu
corpo pequeno. Seus braços delicados pareciam frágeis o suficiente para que Brain sen-
tisse que poderia quebrá-los se exercesse alguma força.
Havia muitos tipos de magic casters divinos. Talvez ela não fosse uma Clériga de corpo
a corpo, mas uma Sacerdotisa orientada por magia, ou talvez até algum tipo de Bispo
especializado em lançar magias.
Não me parece um comando usado pra criaturas invocadas. Então ela deve ser uma Vam-
pira também.
Além disso, dada a atitude da garota, ela deve ser uma de uma ordem superior de Vam-
piro. A aparência do monstro muitas vezes não corresponde às suas habilidades reais,
por isso não seria estranho que o corpo daquela menina possuísse habilidades físicas
mais altas do que a Vampira que a acompanhava. Além disso, ela havia observado às
formidáveis proezas de combate de Brain e ainda assim decidira entrar em campo.
Alguém que essa vampira aí teme... Ele deve ser bem mais forte. Não posso abaixar minha
guarda.
Se a criatura tivesse sido derrotada por heróis no passado, então seu oponente dificil-
mente seria invencível.
Brain apertou o punho de sua katana, lentamente mudando para uma posição de ataque.
Depois que Brain se identificou para essa rival de grande poder, a garota reagiu de ma-
neira surpreendente; Ela arqueou uma sobrancelha em resposta.
“Ah! Você queria saber meu nome ~arinsu! Cocytus concederia isso imediatamente,
mas eu nunca conversei essas coisas com pessoas, então demorei um pouco para enten-
der a cortesia. Minhas desculpas, deveria ter perguntado isso diretamente ~arinsu.”
♦♦♦
Essa elegante reverência foi dirigida a um homem que estava diante dela com uma lâ-
mina desembainhada. Ele não tinha certeza se ela sabia que não seria atacada, ou se es-
tava confiante em lidar com qualquer ataque que viesse. A julgar pela expressão, seria
mais algo como “Alguém como você não é nada para se ter medo”.
Brain olhou silenciosamente para Shalltear, olhos afiados que aterrorizariam até
mesmo um veterano rabugento. Sua calma o irritou, mas por outro lado, essa expressão
a deixava nas mãos de Brain.
A arrogância era uma das armas que a humanidade poderia usar para derrotar mons-
tros, cujo poder superava o dos seres humanos. Na verdade, Brain havia experienciado
este tipo de oportunidade antes de derrotar vários monstros que eram mais poderosos
que ele.
A coisa mais importante era — quem ri por último, ri melhor. No fim ele sempre dizia:
“Você pode desprezar algumas pessoas, mas não outras”.
— Artes Marciais.
“Hmph, e quem disse que eu preciso de Artes Marciais pra dar conta de uma pirralha?”
Respondeu Brain. Era uma mentira, claro. Ele não era estúpido o suficiente para anun-
ciar seu ás na manga para suas oponentes.
Ele concentrou sua mente em um único ponto, e no momento em que estava totalmente
concentrado, sua consciência se expandiu para os arredores. Suas percepções estavam
em um nível em que ele estava totalmente ciente de tudo ao seu redor; sons, o ar e outros
fenômenos sensoriais. Este movimento foi uma das Artes Marciais originais que ele criou
— 《Campo》.
Seu alcance não era grande, apenas cerca de três metros de raio, mas a Arte Marcial lhe
permitia perceber tudo dentro desse raio. Talvez seja mais fácil explicar isso como um
aumento de precisão e evasão enquanto estiver nessa área.
Combinado com o corpo aprimorado de Brain, essa Arte Marcial possuía um poder ex-
traordinário.
Ele estava confiante de que poderia sair ileso sob uma chuva de flechas. Além disso, sua
precisão era tal que ele podia dividir até um pequeno grão de trigo em dois.
Em adição—
Todas as coisas vivas morrem quando as armas atingiram seus pontos vitais. Assim,
tudo o que era preciso fazer era dominar técnicas que pudessem atingir com precisão os
referidos sinais vitais.
Em vez de aprender uma ampla gama de técnicas, ele havia se concentrado em um único
objetivo. Seu objetivo era atacar mais rápido que seu oponente, acertar com precisão um
Esse golpe de alta velocidade era rápido o suficiente para ser inesquivável, mas ele não
parou por aí.
Seu treinamento depois disso foi extraordinário, sempre em busca do auge da excelên-
cia. Ele deve ter praticado centenas de milhares, não, milhões de vezes. Seu uso inces-
sante do 《Lampejo Instantâneo》fez com que os calos crescessem nas palmas das mãos,
a ponto de fazerem o formato do punho da espada. Ele se tornou um especialista na téc-
nica.
Em sua busca incessante pela perfeição, ele mais uma vez deu origem a uma nova téc-
nica. Ele poderia cortar seu inimigo tão rapidamente que o sangue não iria nem grudar
na lâmina. Sentindo que ele havia alcançado o reino dos deuses, ele chamou essa técnica
aprimorada de 《Lampejo de Deus》.
Uma vez que ele combinasse essas duas Artes Marciais, 《Campo》 que garantia o
acerto e 《Lampejo de Deus》que atingia a velocidade divina, não havia como alguém
conseguir evitar ser morto em um só golpe.
Seus ataques sempre eram direcionados aos pontos vitais de seus oponentes; especifi-
camente, seus pescoços.
Foi nomeado assim dado ao som que o sangue de seu oponente fazia enquanto espir-
rava dos pescoços decepados.
Como se tratava de Vampiras, provavelmente não haveria spray de sangue, mas ser ca-
paz de cortar o pescoço de seu inimigo provavelmente contava como uma vitória.
Quando ela olhou para Brain, que ficou em silêncio e não fez nada além de respirar,
Shalltear rodeou os ombros em tédio.
“Estou pronto para começar, por isso, se tiver algumas últimas palavras, sinta-se à von-
tade para as dizer~.”
Venha—
Ela tá de sacanagem comigo!? Quero só ver essa calma quando sua cabeça sair quicando
pelo chão.
Brain não disse isso. Ele sentiu que isso iria quebrar sua concentração e desperdiçar
seu esforço.
Para ele, sua rival não passava de uma tola, mas ele tinha a sensação que ainda seria
difícil.
Brain ativou 《Impulso de Habilidade》. Ele estava esperando sua oponente entrar na
área de seu 《Campo》 e, uma vez que ela fizesse, isso ele a atacaria. Monstros arrogan-
tes que se achavam mais poderosos que os outros eram todos assim. Afinal, os humanos
eram criaturas fracas com habilidades físicas inferiores e nenhuma habilidade especial
digna de nota.
Mas desta vez, eu vou te ensinar o que ganha por desprezar os humanos.
Brain concluiu que as Artes Marciais tinham sido criadas para lutar contra seres que
eram mais fortes que os humanos.
Ele riu da abordagem despreocupada de sua oponente; talvez ela não soubesse que ca-
minhava em direção ao matadouro.
...Mais um passo.
E então—
Com essa declaração mental, Brain atacou com todas as suas forças.
“Hoo!”
Havia uma única palavra para descrever a velocidade desse movimento — relâmpago.
Quando percebesse o ocorrido, a cabeça já teria caído, era rápido asism. Depois de pra-
ticar milhões de vezes, foi verdadeiramente digno do epiteto de “lampejo divino”.
Eu ganhei.
Ele havia errado o ataque. O golpe em que concentrara todas as suas forças havia sido
evitado.
Se isso tivesse acontecido, ele poderia admitir que havia encontrado um oponente ini-
maginavelmente poderoso.
Contudo—
Além disso, ela segurava a lâmina suavemente, como se fosse as asas de uma borboleta.
Brain não pôde deixar de arquejar pesadamente, quando sentiu o ar parecer congelar
ao seu redor.
“...Im-Impossível...”
Aquelas palavras quase inaudíveis acompanharam cada suspiro que ele fez.
Embora parecesse estar agarrando a lâmina cautelosamente, com quase nenhum es-
forço, Brain não conseguia mover a espada para trás ou para frente mesmo usando toda
a força de seu corpo. Era como puxar uma corrente presa a uma pedra várias centenas
de vezes seu próprio peso corporal.
“Hmph, o Cocytus tem várias dessas, mas como há uma diferença astronômica entre os
empunhadores, não vale a pena ficar atenta ~arinsu.”
Quando Brain entendeu o que realmente aconteceu, sua consciência ficou branca.
Foi uma sensação de desespero tão grande que expulsou toda a senciência de seu ser.
Mesmo assim, ele se recompôs novamente. Isso porque ele havia sido derrotado uma
vez, e assim como um osso quebrado se tornava mais grosso e mais forte, ele havia de-
senvolvido uma resistência à condição de derrota.
Ele tinha que acreditar no fato de que dedos delgados poderiam facilmente segurar seu
ataque mais rápido.
Seu rosto quase empalideceu com o baque daquele choque, Shalltear franziu as sobran-
celhas, e ele ficou surpreso com esse desenvolvimento.
“Entende agora ~arinsu? Você não pode me vencer sem usar Artes Marciais. Então por
favor use-as, não se contenha. Já não passou da hora de vir com tudo?”
Quando essas palavras cruéis alcançaram seus ouvidos, Brain não pôde deixar de amal-
diçoar:
Depois de largar a katana, Shalltear saltou de volta para sua posição original, com pre-
cisão de milímetros.
Mas então, Brain finalmente percebeu que sua oponente era poderosa o suficiente para
fazer isso com ele, que havia alcançado os limites da força humana. Um sentimento de
medro crescente não pôde ser evitado.
Brain sempre sentiu que viver era a coisa mais importante. Se fosse superado, o certo
seria engolir o orgulho e fugir, sempre haveria a chance de purgar sua vergonha em um
encontro posterior. Para Brain, enquanto estivesse vivo, ele poderia reivindicar a vitória,
porque tinha certeza que poderia ficar mais forte treinando com o passar dos anos.
No entanto, como ele poderia fugir de alguém cujas habilidades físicas superavam as
suas com folga?
Ele estava apontando para as pernas dela, para reduzir a mobilidade da oponente antes
de escapar a toda velocidade.
Ele evitaria o raio de alcance em que seu inimigo havia interceptado o golpe anterior,
em vez disso, atacaria algo que era mais difícil de defender.
Com isso em mente, Brain focou sua atenção no pescoço de Shalltear enquanto embai-
nhou sua katana. Quando o 《Campo》 fosse ativado, ele poderia atacar com precisão,
mesmo de olhos fechados, então fazia sentido enganar seu oponente com os olhos.
Embora ele já tivesse esperado que ela entrasse em seu 《Campo》, era o oposto agora
— ele esperava que ela não entrasse no 《Campo》.
Enquanto Brain olhava para o pescoço de Shalltear, ele notou a expressão zombeteira
da menina com o canto do olho.
Ele cortou decrescente com sua katana, usando seu peso corporal para acelerar ainda
mais seu golpe.
Como deixou de lado qualquer estresse mental, ele estava certo de que este manejo foi
mais rápido que o anterior. Mesmo ele não tinha como defender-se contra um ataque
daquela velocidade.
No momento em que ele estava prestes a cortar o tornozelo delicado da garota que se
revelava debaixo do babado de sua saia—
A linha de visão de Brain não se moveu, ele não tinha idéia do que havia acontecido. No
entanto, as habilidades sensoriais especiais concedidas a ele pelo 《Campo》 o torna-
ram ciente de que sua amada katana agora jazia no chão, pisada sob um pé de salto alto.
A razão pela qual a katana de Brain escorregou foi por causa do choque transmitido em
suas mãos quando o sapato de salto alto havia pisado sobre a lâmina.
Havia apenas uma razão para não acreditar nisso. Apesar de aumentar seu foco até o
limite, ele ainda não havia percebido os movimentos do oponente. Sim, nem mesmo den-
tro do 《Campo》 do qual ele estava tão orgulhoso.
Ela estava tão perto que, caso esticasse a mão, poderia tocá-la. O olhar desdenhoso de
Shalltear pousou em Brain. A pressão desse olhar era tão surpreendente que ameaçou
esmagar o ar e sua cara no chão
Ele tinha passado por vários encontros de vida ou morte, de fato já estava acostumado
a passar por situações desesperadoras. Ainda assim, esses encontros foram pouco mais
do que brincadeiras de crianças em comparação com sua situação atual.
“!”
Em seguida, ela dizia: “Esteja pronto para ser pisoteado”. No entanto, assim que Brain
pensou que isso aconteceria, ele ouviu algo completamente diferente.
Ele não pôde responder. Não, para ser preciso, ele sequer sabia o que dizer. Talvez ele
pudesse responder divertidamente como um palhaço: “Ah, eu acabei de usar, mas você
as derrotou facilmente”.
“...Será que você não é tão forte assim ~arinsu? Eu pensei que você fosse mais forte do
que aqueles sujeitos na entrada... Desculpe por isso, eu meço a força em metros, então
eu não consigo discernir diferenças de um milímetro ou dois.”
Durante o confronto com Gazef, ele estava excessivamente confiante em suas habilida-
des naturais, não era como se estivesse perdido sem nunca antes treinar. Como resul-
tado, sua derrota se transformou em sua motivação.
Tem algo de errado. Desde sempre eu tenho matado monstros que desprezaram e zomba-
ram de mim, não importa o quanto são fortes— eu sempre mato eles, então por quê...?
“AAAAAHHHHH!”
Com um grande grito, ele fez seu movimento em Shalltear. Brain fez um ataque giratório
em Shalltear — que tinha um olhar perplexo em seu rosto enquanto o observava atacar
— com toda a força que seu corpo poderia reunir.
Seu golpe, que fazia uso de todos os músculos do corpo, poderia facilmente cortar um
ser humano armadurado ao meio.
Shalltear não aparentou intenção de fugir desse ataque devastador. A maneira como ela
viu o arco brilhante de luz branca descendo sobre ela fez Brain pensar que poderia ser
capaz de acertar um golpe.
No entanto, a cena anterior negou esses pensamentos. Ele poderia realmente atingi-la
tão facilmente?
Quando um zumbido encheu o ar, Brain mais uma vez viu uma visão inacreditável.
Com esse movimento — que nem sequer se qualificava brincadeira para ele — ela apa-
rara aquele golpe que Brain havia projetado com toda a força.
Alguém capaz de aparar um golpe que poderia quebrar a armadura de placas, espadas
e escudos—
Lutando desesperadamente para reunir sua vontade de lutar, ele concentrou sua força
em suas mãos, que tremiam com o impacto dos aparos de Shalltear. Ele ergueu sua ka-
tana e a desceu com tudo, e então — Shalltear ainda a desviou casualmente.
“Huaaaah~”
Shalltear bocejou de uma maneira exagerada, chegando mesmo a dar tapinhas em sua
boca com a mão direita. Ela estava intencionalmente olhando para o teto agora. Parece
que ela não estava mais levando Brain a sério.
“GROOOOHHHH—!”
Um rugido estranho saiu da garganta de Brain. Não, não era um rugido, mas sim um
grito de desespero.
Não importava o ângulo, ou direção, em que fizesse seus ataques, todos foram desvia-
dos.
Parecia que sua katana estava sendo atraída para aquela unha e, naquele momento,
Brain finalmente entendeu.
“Ara~ já está cansado ~arinsu? Mas pensando bem, esse seu cortador de unha está bem
cego, não acha ~arinsu?”
Poderia ele cortar uma montanha com a katana? Isso era impossível; até uma criança
sabia disso. Então, poderia ele acertar Shalltear? Qualquer guerreiro que a enfrentasse
saberia essa resposta.
Os seres humanos não podiam derrotar entidades que estavam além da imaginação hu-
mana. Se alguém fosse capaz de ficar cara a cara com ela, esse alguém certamente deve-
ria ser um indivíduo poderoso que estava além do reino da humanidade. Lamentavel-
mente, Brain era apenas um guerreiro que estava no auge da humanidade.
“Treinou ~arinsu? Que declaração sem sentido. Eu fui criada para ser forte, então ja-
mais houve necessidade de treinar para me tornar mais forte ~arinsu.”
Eu me esforcei, eu treinei por tanto tempo. Mas, não serviu pra nada. Como eu fui egoísta,
e pensar que eu me achava um gênio?
Suas pernas pareciam pesadas, como se tivessem sido esmagadas por enormes pedras.
“...? Ahahahaha, por que está chorando? Aconteceu alguma coisa triste ~arinsu?”
Ele entendeu o que Shalltear estava dizendo. No entanto, sua voz estava abafada, como
se estivesse vindo de longe.
Todo esse tempo manejando pesadas barras de ferro até dar bolhas nas mãos, para es-
tourá-las e continuar treinando ainda mais, tinham perdido o sentido. Vestir armaduras
pesadas e correr longas distâncias não fazia sentido. Derrotar monstros por si mesmo
também não tinha sentido.
Em face de um ser verdadeiramente poderoso, Brain não era diferente dos fracotes im-
potentes que ele costumava zombar.
Shalltear riu enquanto avançava com seu dedo mindinho estendido. Brain gritou; não o
grito de guerra de um guerreiro para a batalha, mas o grito de uma criança.
Tendo experimentado a capacidade física de Shalltear em primeira mão, ele sabia que
ela o alcançaria imediatamente.
Ainda assim, ele aceitou esse fato sem pestanejar. Ou melhor, Brain não tinha mais ener-
gia para se preocupar com esse tipo de coisa. Ele simplesmente deu suas costas indefesas
para ela, enrugando o rosto em uma confusão cheia de lágrimas e sujeira enquanto de-
sesperadamente corria para o fundo da caverna.
Só então, a voz de uma inocente garota, cheia de sede de sangue, veio de trás de Brain.
“Quer brincar de pega-pega, é? Gostou de brincar comigo ~arinsu? Então vamos nos
divertir muito, aHaHaHaHaAa!”
Parte 3
Um vento frio soprou através do salão principal, fluindo pelas barreiras na barricada,
banhando os sobreviventes da Brigada do Alastramento Mortífero, todos os 42 deles.
O salão principal era a parte mais espaçosa do sistema de cavernas, então era comu-
mente utilizado como área de jantar. Contudo, agora era uma fortaleza improvisada.
Eles haviam derrubado suas mesas e empilhado caixas para formar uma simples barri-
cada. Depois disso, amarraram várias cordas na altura do peito entre a entrada do salão
principal e a barricada, a fim de afastar qualquer um que tentasse forçar a barricada.
Uma vez que o inimigo encontrasse os obstáculos, os defensores poderiam evitar uma
batalha corpo a corpo.
Quase todos estavam dispostos atrás desta formação defensiva, segurando suas bales-
tras enquanto esperavam no centro, esquerda e direita.
Era uma formação simples, mas poderia conter uma força inimiga bem maior.
O tremor os homens faziam suas camisas de cota de malha tremerem com eles, produ-
zindo o farfalhar de elos atritando sobre outros elos.
O interior da caverna era frio e bastante confortável mesmo nos dias de verão. No en-
tanto, o que eles sentiam agora não era exatamente frio.
Após alguns segundos, sons de risadas vieram da entrada. Devido aos ecos da caverna,
as risadas foram transformadas em um riso fantasmagórico estridente, cujo sexo do ora-
dor não era distinguível, isso os arrepiou até os ossos.
Eles acreditavam que como o homem mais forte da Brigada do Alastramento Mortífero
— Brain Unglaus — estava os defendendo, então não havia a menor necessidade de
construírem uma barricada ou coisa parecida.
Brain era muito mais forte que um homem comum. Mesmo os Cavaleiros Imperiais não
eram páreos para ele. Nem mesmo monstros poderiam. Ele poderia matar um Ogro em
um golpe, atacar uma horda de Goblins sozinho e cortá-los como grama. Se toda a Bri-
Mas se tal homem tivesse sido derrotado, o que isso significava para eles?
O fato de alguém poder lutar com Brain e ainda rir desse jeito só poderia significar uma
coisa.
Tudo o que podiam fazer, era olhar silenciosamente uns para os outro.
Os olhos de todos aqui reunidos foram guiados em silencio para a entrada do salão —
na direção da caverna.
O som de passos acelerados vindo de encontro a eles foi ouvido, ficando cada vez mais
alto.
Alguém engoliu em seco. Os sons de várias cordas de balestras sendo armadas podiam
ser ouvidos em meio ao silêncio.
“Brain!”
O homem que gritou era o chefe dos mercenários — o líder da brigada. Logo, um grande
aplauso explodiu pelo corredor. Seus aplausos jubilantes vieram da crença de que ele
havia derrotado as invasoras.
Ouviam-se sons de vozes congratulando Brain, bem como as mãos dando tapinhas no
ombro uns dos outros.
Eles ovacionaram o nome de Brain uma e outra vez. Em meio ao elogio, Brain ficou na
entrada do salão, segurando sua arma em uma mão trêmula enquanto observava silen-
ciosamente os rostos dos mercenários à sua volta.
Não, isso não estava certo. Sua expressão sugeria que ele estava procurando por algo.
Brain não prestou atenção àquelas palavras enquanto evitava agilmente a barricada,
forçando seu caminho sem desperdiçar um único segundo antes de continuar sua fuga.
Ele sentiu que os mercenários olhavam estupidamente para ele enquanto arrastava a
porta. O caminho levava a uma caverna que estava sendo usada como depósito, e ele
correu para dentro.
“Quem sabe? Ele parecia estranho, né... Ele tava... chorando, ou estava!?”
Eles pararam de olhar quando a porta foi fechada, mas os mercenários ficaram comple-
tamente perplexos com o estranho evento desdobrado.
Apenas uma pessoa aqui estava franzindo a testa; o líder da brigada. Isso porque só ele
— não, Brain sabia também — tinha uma idéia do que estava acontecendo. No entanto,
ele não teve tempo para verificar suas suspeitas.
Nenhum deles tinha idéia de quem era essa pessoa. Como ninguém no bando conhecia
a estranha figura, ficou claro que era a intrusa que desencadeou essa perturbação, e a
comoção desapareceu em um instante.
Parecia impossível. Se esse fosse realmente o caso, significava que a razão pela qual
Brain viera até o salão, foi porque tinha recuado. E se a intrusa ainda estivesse viva, isso
significava que ele havia fugido.
Além disso, ao contrário de antes, havia apenas uma intrusa, suas costas estavam en-
curvadas de maneira bizarra.
Não era alto e parecia uma menina. Seus braços pendiam frouxamente abaixo, assim
como sua cabeça. O estranho era que, dada a posição da cabeça se comparado ao início
do pescoço, o pescoço em questão estava longo demais, parecia que estava três vezes
mais longo do que o de um ser humano normal.
Várias madeixas de cabelos prateados e lustrosos que se arrastavam pelo chão en-
quanto ela adentrava lentamente no salão. Ela usava um vestido primorosamente traba-
lhado, que parecia estar envolto em trevas.
Ninguém falou.
Sua cabeça lentamente subiu, revelando um rosto obscurecido pelos fios de cabelo pra-
teado. Através deles, eles puderam ver um par de fulgores vermelhos, que lentamente
se estreitaram até ficarem tão finos quanto agulha.
“Boa noite a todos. Me chamo Shalltear Bloodfallen. Essa é a chegada? Então o jogo de
pega-pega acabou?”
Ela riu alegremente, aparentemente divertida com isso. Shalltear abaixou a cabeça e riu
sem parar até que seu cabelo prateado cobriu seu rosto.
Quando os mercenários ofegaram com a visão diante deles, o riso de Shalltear ficou
cada vez mais alto.
“aHaHaAaHaHaHaHaHaAaAhAhHaHaHaHhH!!”
Sua alegria a plenos pulmões ecoou pelo corredor quando a menina lentamente levan-
tou a cabeça novamente.
O rosto que viram fez com que os mercenários parecessem que seus corações estavam
sendo esmagados no peito, e que a água gelada enchia suas veias.
“AhAhAaAhAhAaHaAhAhAa!!!”
Shalltear mostrou suas presas e sorriu, estava tão largo que os cantos de sua boca quase
tocaram seus ouvidos. Ela riu várias dúzias de vezes, como o badalar de um sino em ru-
ínas.
Embora estivessem em uma caverna, parecia que até o ar não suportava o som e se
juntava aos ressonantes ecos.
Apesar da distância entre eles, podiam sentir o cheiro de sangue em sua respiração.
Devido à intensidade do mau cheiro, parecia que o ar ficava carmesim.
“Gaaaargaah—!”
“—Atirem!”
Ao ouvir a voz de seu líder, os mercenários voltaram a si, afugentaram o medo e dispa-
raram suas balestras como um só.
O som dos múltiplos virotes trazia à lembrança os sons de uma chuvarada, cravejando
o corpo de Shalltear com projéteis.
Ainda assim, enquanto esse pensamento enchia suas mentes, as cinzas fumegantes de
medo dentro de seus corações não podiam ser extintas.
Como se guiados por algum tipo de sexto sentido, os mercenários começaram a recar-
regar suas balestras.
Como um maestro preparando-se para conduzir uma orquestra, ela lentamente abriu
os braços. Os virotes que cobriam seu corpo começaram a sair, caindo no chão. Nenhum
deles tinha sequer uma gota de sangue, nem as pontas estavam amassadas. Era como se
nunca tivessem sido usados.
O teto estava a uns cinco metros acima do chão da caverna. A garota deu um salto alto
o suficiente para alcançá-lo e tocá-lo facilmente. Ela navegou graciosamente pelo ar e
aterrissou do outro lado da barricada. Quando seus saltos altos se chocaram no chão,
todos os virotes presos nela também caíram.
Ela se virou para olhar para os soldados atrás dela, que estavam recarregando suas ba-
lestras.
A mão perfurou o corpo do mercenário que ela havia socado, enviando-o voando para
dentro da barricada. Com um estrondo que tremeu o teto, a madeira da barricada se
desintegrou, espalhando estilhaços por toda parte.
Apenas o singelo som das lascas de madeira caindo no chão podia ser ouvido no silêncio
arrebatador.
Shalltear enfiou o dedo indicador na massa de sangue flutuando acima dela e sacou um
naco de sangue, que se transformou em caracteres diante dela. Parecia letras em sâns-
crito ou um símbolo semelhante, e era chamado de Runa Mágica.
Shalltear possuía uma profissão chamada Bebedor de Sangue, e essa era uma de suas
habilidades: 「Blood Pool」. Este orbe de sangue encantado poderia armazenar o san-
gue das vítimas para vários propósitos. Poderia também drenar mana do sangue, para
que se pudesse usar habilidades que melhorasse as magias sem consumir MP extra.
Depois de conjurar esta magia de 10º nível — que era do mais alto nível de magia — os
corpos de dez mercenários começaram a inflar.
Não havia tempo para eles gritarem. Tudo o que podiam fazer era observar seus corpos
se expandirem inexoravelmente, olhares de terror e ignorância em seus rostos. Então,
no momento seguinte, seus corpos explodiram, como o estouro de balões.
“Hooohhhhh!”
Depois daquele grito, um estoc empalou o peito de Shalltear por trás — perfurando seu
coração. Fez um movimento serrando para cima e para baixo, como se para alargar a
ferida.
A espada larga se moveu depois que quase cravou no meio da cabeça de Shalltear, sua
ponta parou depois que perfurou o olho esquerdo.
Eles a manejaram repetidas vezes, mas Shalltear ainda estava firme, apesar de ter uma
espada larga enterrada no meio do rosto. Dado ao rosto que tinha um sorriso assustador,
não havia nenhum sinal de que ela estava com dor.
Depois que eles se cansaram de atacá-la, os mercenários abaixaram suas espadas e par-
tiram para socos e chutes, as lágrimas escorriam pelos seus rostos. Embora fossem
muito maiores do que ela, Shalltear permaneceu indiferente. Era como se os mercená-
rios estivessem atacando um enorme pedregulho.
Shalltear inclinou a cabeça para olhar os mercenários e começou a pensar. Então ela
bateu palmas, tendo pensado em algum esquema diabólico.
Ela exalou, como se expelisse o calor de dentro si. O fedor espesso de sangue fez as
pessoas ao redor enjoarem.
Shalltear descuidadamente arrancou a espada larga presa em sua cabeça. Uma vez que
retirou, não havia sinal de que ela havia sido ferida.
Assim que Shalltear estava prestes a manejá-la, ela parou no meio de sua ação. A espada
estava totalmente enferrujada e se desintegrou em poucos segundos. Em sua mente san-
guinolenta, ela pensou em uma das penalidades de uma de suas profissões — Cavaleiro
Amaldiçoado — e a soltou de maneira vagamente desapontada. Por fim, ela casualmente
sacudiu uma de suas delicadas mãos de marfim.
Tendo perdido toda a vontade de lutar, um dos homens correndo foi agarrado por trás
por Shalltear, que segurou a cabeça com as duas mãos e a apertou. A cabeça se abriu
como um marisco com a concha aberta, seu cérebro esguichou.
“HAhAhAh! AaahAhAh-AhA! Que olhar é esse, estão assUuusTaadOs? Espere aí, HAha!
HAhAhAhAhA! Será que... é por miiiiiiiiMM—!? O pEgA-PeGa aInDa nÃo tErMiIiNoOoU!”
“Me poupe! Por favor! Não farei mal a ninguém, nunca mais!”
Quando ela olhou para o homem, gritando e choramingando por misericórdia agarrado
à sua perna, o rosto de Shalltear se rachou em um sorriso predatório. O mercenário ime-
diatamente entendeu o que aquele sorriso significava e seu rosto ficou pálido.
“Nããão! Pareeee—!”
Ainda segurando a perna dela, o homem foi erguido no ar. Shalltear o segurou pelas
costas e o jogou de leve no teto.
“Waghaaah!”
Ser capaz de sentir dor era a prova de que ele ainda estava vivo. O mercenário, grato
por ser capaz de escapar da morte, abriu seus olhos levemente, e então percebeu que
estava comemorando cedo demais. Isso porque as esbeltas mãos branco-marfim de
Shalltear o abraçaram gentilmente, não permitindo que ele tocasse completamente o
chão.
Não, não apenas isso — uma boca escancarada se abriu diante dele, parecendo um pe-
daço de sangue coagulado e irradiando um fedor que nunca havia encontrado antes.
“HAhAhA, hAhAhA, que diiiverTiiiiiDoOoOoO~ Você realmente acha que pode morrer
tão faaciiiiiiLmeeEnte, NããããoOo~”
“Poupe, me poupe—”
♦♦♦
A boca que se abria de orelha a orelha estava em forma semicircular, e os dois caninos
dentro dela eram compridos o suficiente para alcançar o queixo. Seus olhos brilhantes
eram da cor do sangue, e as pontas dos dedos eram esguios como ramos de madeira seca,
dos quais brotavam garras com cerca de dez centímetros de comprimento. Ela parecia
que estava debruçada sempre que se movia e saltava para sua presa em uma investida
aérea.
Os únicos monstros do tipo Vampiro que poderiam ser considerados bonitos eram as
concubinas de Shalltear, as Vampire Brides.
A única razão pela qual Shalltear a Vampira Real parecia tão bela, foi porque o membro
da guilda que a projetou era hábil em desenhar e transformar sua arte em realidade.
A aparência atual de Shalltear era seu visual original como Vampiro Real. Em outras
palavras, sua aparência habitual era apenas uma farsa.
♦♦♦
Não ficou claro se o mercenário sentiu primeiro foi as dezenas de agulhas perfurando
sua garganta, ou se ouviu o som grosseiro de seu sangue sendo drenado em um instante.
O homem sentiu sua própria existência sendo sugada, e o arrepiante temor dessa per-
cepção instilou nele um terror que nunca sentira antes.
No entanto, mesmo quando ele tentou lutar, seus membros ficaram pesados e sua visão
escureceu.
♦♦♦
Shalltear sorriu maldosamente enquanto parada dentro do salão silencioso que agora
estava desprovido de qualquer movimento. O orbe de sangue acima de sua cabeça tinha
absorvido muita coisa nova, a ponto de ser apenas um pouco menor que a cabeça dela.
Shalltear abriu a porta do depósito onde Brain havia entrando, abrindo a fechadura. As
dobradiças da porta cederam na mão de Shalltear.
Foi aqui que Shalltear cheirou algo surpreendente — ar fresco, perfumado com poeira,
o aroma do vento de fora. Ao mesmo tempo, o rastro do humano ficou mais fraco. Shall-
tear poderia ter se perdido em seu Blood Frenzy, mas ela ainda se lembrava da missão
atribuída a ela.
“KUWAAAAAAAH—!”
Com um rugido furioso, Shalltear afastou os obstáculos em seu caminho e avançou para
o lugar de onde soprava o vento.
Ela encontrou um buraco atrás das caixas, que haviam sido bloqueadas por arenito a
menos de um metro à frente. O ar fresco fluía de uma abertura na rocha.
O Lesser Vampire não estava mentindo — ele não sabia que havia uma passagem de
fuga aqui.
Ao contrário de Mare, Shalltear não tinha nenhuma magia para mover a terra. Se ela
tentasse limpá-lo lançando um 「Shockwave」, poderia derrubar o teto inteiro sobre si.
Ele escapou.
Por que aquele inseto miserável em forma humana não se movia de acordo com os de-
sejos de Shalltear, uma Guardiã de Nazarick?
Tudo que eu quero é transformar suas vidas pífias em uma mísera contribuição para a
glória de Nazarick; por que você não entende e se alegra com esse fato?
Shalltear rangia os dentes, e então a Vampire Bride que tinha sido designada para o
dever de vigiar gritou atrás dela.
“—Shalltear-sama!”
O fato de uma de suas Vampire Brides ter deixado seu posto irritou Shalltear, e sua visão
ficou vermelha enquanto ela entretinha momentaneamente a idéia de matá-la. No final,
ela conseguiu banir as chamas de sua raiva com grande esforço. Se ela tivesse deixado
sua posição para um assunto importante, então ela deveria ser poupada.
“oOqueEeE — FoOiii?”
Parte 4
Shalltear pulou e, como um passarinho voando pela noite, ela saltou sobre a barricada
de madeira na entrada da caverna. As Vampire Brides que a acompanhavam avançaram
lentamente.
As linhas de frente eram formadas por três guerreiros homens, cada um equipado com
equipamentos diferentes, mas todos eles usavam uma armadura de escamas, com uma
arma na mão e um grande escudo nas costas.
Atrás deles estava uma guerreira ruiva usando armadura de tiras de couro.
Havia seis deles no total, e, embora tenham ficado surpresos ao ver Shalltear emergindo
da caverna, eles calmamente entraram em alerta, um movimento nascido da experiência
acumulada.
Embora não fosse ruim abater os humanos fracos, que tinham a consistência de tofu,
oponentes mais resistentes como esse eram mais interessantes.
Com um olhar de antecipação nos olhos carmesim, Shalltear dirigiu um sorriso preda-
tório para as pessoas diante deles.
“Isso fala!?”
O choque apareceu no rosto do magic caster arcano, mas apenas por um momento, e
então sua expressão enrijeceu.
“Foco no inimigo, provável que seja um Vampiro! Apenas prata ou armas mágicas efi-
cazes! Adversário parece muito forte! Lutaremos em retirada! Não olhem em seus olhos!”
—Um grito foi ouvido, facilmente audível por qualquer um presente na depressão ro-
chosa.
Durante esse tempo, a guerreira atrás deles pegou a arma que lhe foi passada pelo guer-
reiro na frente e começou a aplicar algo na lâmina.
As armas feitas de prata não eram apenas mais caras que as armas comuns, mas eram
mais macias que o aço, assim não eram adequadas para uso a longo prazo. Portanto,
muitos aventureiros compraram pomadas como essas e as aplicavam em suas armas
quando surgia a necessidade, permitindo-lhes assumir temporariamente as proprieda-
des da prata.
Empunhando armas que agora irradiavam o brilho da prata, o grupo se moveu para
conter seu inimigo e assim recuar.
Seu recuo de combate foi uma exibição impressionante. O grupo parecia agir como um
único organismo enquanto recuava de maneira ordenada.
O magic caster arcano conteve o clérigo — que estava planejando glorificar seu símbolo
sagrado — e então começou a lançar uma magia nas linhas de frente. O clérigo seguiu o
exemplo.
Embora a composição exata variasse entre as subclasses, a maioria dos clérigos poderia
usar o poder divino para transformar, repreender ou destruir criaturas como undeads,
demônios, anjos e afins. No entanto, essas habilidades só funcionavam em monstros
mais fracos que eles. Em outras palavras, o magic caster arcano tinha visto o clérigo se
preparando para subjugar o undead com poder divino, e instantaneamente havia adivi-
nhando a diferença de força entre seus inimigos e eles mesmos, e então instruiu-o a fazer
outra coisa com seu poder.
Enquanto observava essa série de ações, Shalltear olhou para o líder do grupo, preten-
dendo capturá-lo de acordo com suas ordens. Porém, o impulso assassino de derramar
mais sangue lentamente tingiu seu coração de vermelho carmesim.
Ela queria abatê-los, pulverizá-los, desmembrá-los e banhar-se em seu sangue. Sua res-
piração ficou irregular e ela começou a espumar pela boca.
“「Anti-Evil Protection」!”
Ainda assim — não importava o quanto se esforçassem, ações sem sentido ainda eram
insignificantes. Contra um inimigo que era tão esmagadoramente superior a eles, nada
que fizessem teria algum impacto.
Sua adorável demonstração de resistência foi a gota d'água que quebrou a espinha do
hesitante autocontrole de Shalltear.
“Eu não posso... eu não posso aguentar iiiissooOO — Eu não posso me segurar mA-
AAAIIIIIIS~!”
Com um grito como se ela tivesse se libertado de suas amarras, Shalltear se adiantou.
Seus passos foram leves e precisos, como uma dançarina. No entanto, para as pessoas
à sua frente, ela se moveu mais rápido que o vento.
Ela perfurou o escudo de sua vítima, quebrou sua armadura, ignorou suas proteções
mágicas, rasgando sua pele, músculos e ossos, e segurou o coração que estava batendo a
apenas momentos atrás. E então — ela o arrancou. Enquanto se erguia sobre o corpo do
guerreiro caído, Shalltear ergueu a massa de tecido preto-avermelhado — deformada
em suas mãos — diante dos outros. A guerreira choramingou de medo, enquanto o rosto
do sacerdote se torceu de raiva.
“「Animate Dead」.”
Shalltear engoliu o coração que ela estava segurando, e então cravou a mão no orbe de
sangue flutuando acima. De lá ela retirou coágulo pulsante de sangue — uma caricatura
de um coração. Ela então atirou o item sanguinolento no Zombie.
Parecia que toda a água havia evaporado de seu corpo, dada a forma como sua pele
havia se transformado em algo parecido com casca seca. Garras afiadas e seus caninos
se projetaram. Em pouco tempo, a criatura undead diante deles não poderia mais ser
considerada um Zombie.
“Impossível! Eu nunca ouvi falar de um Vampiro capaz de usar magia de alto nível sem
custo!”
“É, mas agora tem um na nossa frente! Sem pânico! Acalme-se e pense!”
“Mas...!”
“Oh!”
O clérigo entrou em pânico. Talvez os outros tivessem sido influenciados por isso, mas
um dos guerreiros foi suspenso por Shalltear. O outro atacou seu ex-camarada, que
agora era um Lesser Vampire.
O clérigo ergueu seu símbolo sagrado, que emitiu uma explosão de poder divino. Claro,
isso não teve efeito em Shalltear.
“AhHhHaHaHaHaHaAhAhA!”
A espada de um dos guerreiros cravou o corpo do Lesser Vampire, que havia sido imo-
bilizado, possivelmente pelo poder divino do clérigo. Aquele era um Vampiro de baixo
nível, inexperiente, que havia sido feito de um Zombie, e foi por isso que o poder divino
foi realmente efetivo, mas o conhecimento que o Zombie que ela havia feito perdera para
o poder divino desagradou Shalltear.
Ela sacudiu seu dedo mindinho, defletindo a espada apontada para ela, e então olhou
irritada para o clérigo que estava na retaguarda.
“DEEEsaaApAreçaaAA—!”
“「Lesser Strength」!”
A magia de buff foi lançada no último guerreiro, que agora estava lutando contra um
Lesser Vampire com seu próprio corpo aprimorado. O guerreiro tinha a vantagem e fez
bom uso disso.
Eles pareciam estar se divertindo, Shalltear decidiu deixá-los brincar mais um pouco.
Afinal, ainda havia petiscos de sobra. Sua mente estava nublada pela sede de sangue,
Shalltear virou-se para o clérigo diante dela.
Que adorável, ela ainda está assumindo uma postura de luta, apesar de seu medo—
Apesar de que, até onde sabia, era apenas um animalzinho encurralado tentando assus-
tar um inimigo muito superior. Uma onda de calor e deleite surgiu entre as pernas de
Shalltear.
Que sons ela faria quando as pontas dos dedos fossem mastigadas? Talvez pudesse cor-
tar suas orelhas e alimentá-la com isso. Não, ela deveria beber o sangue primeiro. Afinal,
essa guerreira foi a primeira presa feminina que encontrou desde que chegou.
Saltando facilmente sobre a guerreira, Shalltear aterrissou diante do magic caster ar-
cano e do clérigo.
Antes que o clérigo pudesse reagir, Shalltear já tinha agarrado a mão que segurava o
símbolo sagrado, e ela apertou. Os ossos do clérigo se desintegraram sob sua força irre-
sistível, e pedaços triturados de músculo e pele esguicharam dos espaços entre seus de-
dos.
“Guwaaaaaargh—!”
Depois de ouvir os gritos do clérigo, Shalltear ficou muito satisfeita consigo mesma e
decidiu conceder-lhe misericórdia e acabar com o seu tormento.
Com um aceno de mão, o sangue jorrando do coto do pescoço do clérigo fluiu para o
orbe de sangue acima da cabeça de Shalltear. Ela assentiu com prazer.
A espada havia transpassado seu peito — juntamente com seu coração —, mas a indi-
ferença de Shalltear extraiu um grito distorcido da guerreira.
Já que a guerreira não tinha uma arma de prata, ela deve ter usado a de um guerreiro
morto.
O magic caster estava correto, mas não totalmente. A fim de prejudicar Shalltear, era
preciso uma arma feita de prata que possuísse uma grande reserva de mana, ou uma
arma com um poderoso encanto elemental. Simplesmente ser feita de prata não era su-
ficiente.
Shalltear não deu a mínima para a guerreira, apenas fixou seu olhar no magic caster
arcano, que ficou em choque.
“「Magic Arrow」!”
Em desespero, o magic caster lançou uma magia, disparando duas flechas luminosas
em Shalltear. No entanto, foram facilmente defensáveis.
Este foi o resultado de uma das habilidades especiais de Shalltear — que concedia re-
sistência à magia. Não era uma defesa perfeita e dependia da força do atacante. No en-
tanto, dada a lacuna abrupta entre seus níveis de poder, ela poderia facilmente resistir
às magias dele.
Em outras palavras, não havia nada que o magic caster arcano pudesse fazer a Shalltear.
Com um gesto casual de mão, Shalltear cortou a cabeça da pessoa que já não lhe inte-
ressava.
Olhando para trás, ela viu que o Lesser Vampire ainda estava lutando com o outro guer-
reiro.
Shalltear pegou as duas cabeças caídas no chão e as arremessou nos dois combatentes.
As cabeças — com cerca de seis quilos cada — voaram com velocidade sobrenatural.
Então, como esperado, os dois lados desmoronaram no chão.
Não doeu nem incomodou Shalltear, não passou de uma ação sem sentido. A única coisa
que fazia se resumia a abrir buracos em suas roupas, mas enquanto Shalltear estivesse
bem, a roupa mágica se restauraria automaticamente.
Shalltear soava como uma criança deixando sua comida favorita por último — no en-
tanto, ela tinha um sorriso nauseante e perverso no rosto enquanto se virava para enca-
rar a guerreira que estava atacando suas costas.
Quando a guerreira encontrou o olhar carmesim de Shalltear, percebeu que ela era a
única sobrevivente e cambaleou para trás com os olhos brilhando de lágrimas. Ela vas-
culhou sua bolsa de cintura, seus dedos encontraram alguma coisa.
Shalltear vagarosamente saboreou o mundo obscurecido pelo sangue diante dela. Ela
parecia curiosa sobre o que a mulher estava fazendo.
Embora a guerreira a tenha lançado com todas as suas forças, a velocidade com que o
frasco fazia sua trajetória parecia quase insuportavelmente lento para Shalltear. Ela po-
deria ter evitado facilmente, mas o orgulho dos fortes não lhe permitia evitá-lo. Além
disso, ela queria ver o olhar no rosto da mulher quando seu último trunfo se desinte-
grasse diante de seus olhos.
Toda via, Shalltear se conteve. Afinal, quanto mais se controlasse, mais doce seria seu
deleite quando finalmente se entregasse.
Talvez Shalltear devesse começar por fazê-la sofrer até que implorasse pela morte e, só
então, ela saborearia lentamente seu sangue. Se a mulher ainda fosse virgem, ela iria
Tendo tomado sua decisão, Shalltear golpeou o frasco que finalmente chegou. A força
para quebrar o frasco fez com que o líquido vermelho saísse no gargalo do frasco e es-
pirrasse em sua pele.
O interior da mente de Shalltear ficou branco por um momento, e sua sede de sangue
foi instantaneamente extinta.
Ela olhou para o lugar de onde a dor vinha, era a mão que tinha socado o frasco. Um
odor acre e uma nuvem de fumaça subiu do lugar onde o líquido a tocara.
Shalltear virou seu rosto olhando para o frasco caído no chão. O bico estava aberto e
um cheiro fraco e doce saía do que sobrara. Shalltear estava muito familiarizada com
esse contêiner.
O líquido dentro deveria ser uma poção de cura de baixo nível. Como os itens de cura
podem danificar os undeads, foi provavelmente por isso que a pele de Shalltear foi leve-
mente dissolvida.
“Impossível—!”
Ao ouvir o comando de Shalltear, as Vampire Brides — que estavam nos arredores ape-
nas assistindo — entraram em ação. Em um instante, elas haviam agarrado os braços da
guerreira que tentava fugir durante o breve estupor de Shalltear.
A guerreira lutou bravamente, mas a força das Vampire Brides superava a dela, e elas a
arrastaram para Shalltear.
Isso porque Shalltear não podia usar magias de cura, apesar de ser uma magic caster
divina.
Havia muitas perguntas que ela queria perguntar, no entanto, uma subjugava todas as
outras.
A resposta da guerreira parecia ser algo indesejado, e o corpo de Shalltear pareceu con-
gelar.
“...Nem pensar... não, não pode ser... mas... onde— em qual cidade é essa estalagem?”
Shalltear engasgou em choque quando sentiu o mundo girar. Isso porque ela tinha uma
idéia aproximada de quem era o homem de armadura preta.
Se seu palpite estivesse correto, isso apenas levantaria mais perguntas. Por que essa
mulher tinha uma poção dessas? Aquela pessoa não daria poções sem motivo.
Aquela pessoa tinha dado uma ordem a guerreira? Ou talvez ele tivesse dado a ela para
fortalecer suas boas relações?
Ela não estava mais com vontade de prolongar o assunto. Ela tinha que descobrir o má-
ximo de coisas possíveis. Ao se decidir, Shalltear encarou a guerreira com olhos que
agora estavam vermelhos pelos efeitos da habilidade.
“Sim. Não sabíamos quantos bandidos tinham, então decidimos nos separar e colocar o
inimigo em uma área cercada que a outra parte do grupo estava montando.”
Shalltear murmurou. Ela estalou a língua quando percebeu que isso significava mais
problemas para ela.
“Sim, havia um ranger. Ele disse que voltaria correndo pra E-Rantel em busca de ajuda
caso ocorresse uma emergência.”
O magic caster arcano tinha gritado bem alto — alto o suficiente para que todos na de-
pressão pudessem ouvir.
“GHAR!”
Com os olhos bem abertos, Shalltear saltou para um dos lados da planície, foi mais rá-
pida que o vento. Ela saltou sobre a borda e olhou ao redor, mas até mesmo seus olhos
capazes de visão noturna não podiam penetrar nas profundezas da floresta e, embora
aguçasse sua audição, ela só podia ouvir o vento soprando na grama e árvores.
“Desgraçado!”
Ele havia escapado; ela tinha sido muito descuidada. Shalltear rangeu os dentes quando
percebeu que havia deixado duas de suas presas escaparem.
“Minhas crianças!”
Várias sombras surgiram perto dos pés de Shalltear. As formas de vários lobos apare-
ceram, mas ao contrário dos lobos comuns, sua pelugem era negra como a noite e seus
olhos irradiavam um brilho carmesim malévolo.
[ L o b o s Vampiros]
Eram monstros de 7º nível, Vampire Wolves.
Uma das habilidades que Shalltear possuía era chamada de 「Household Summons」,
que permitia a ela invocar vários monstros. Assim sendo, estes eram os mais adequados
para rastreamento e busca.
Enquanto os observava partir, Shalltear sentiu que havia pouquíssima chance de que
eles pudessem eliminar seus monstros. Ela pensou em Aura e refletiu que: mesmo que o
fugitivo não fosse tão talentoso quanto Aura, por ser um ranger ainda havia a possibili-
dade de conseguir escapar.
Em outras palavras, ele provavelmente escaparia. Se esse fosse o caso, o que ela deveria
fazer? Shalltear voltou apressadamente e agarrou a guerreira e perguntou:
“Acha? Era só o que faltava! Próxima pergunta, aquele ranger encontrará o outro grupo?”
“Não. Nosso plano era que, se qualquer um dos grupos estivesse em perigo de ser ex-
terminado, ele fugiria imediatamente para a cidade. Pois fazer isso teria maior chance
de nos manter vivos.”
Eles haviam feito preparações meticulosas para o caso de falharem, e foi esse planeja-
mento cuidadoso que a deixou impotente para responder. Quando Shalltear percebeu
isso, a raiva a consumiu por dentro.
Ainda assim, mesmo que desabafasse, isso não mudaria em nada as circunstâncias atu-
ais.
Embora Shalltear não soubesse se a oposição tinha visto claramente seu rosto, a visão
humana provavelmente não seria capaz de discernir a identidade de Shalltear.
Mesmo assim—
“Merda!”
As ordens que Ainz lhe dera foram— Suas presas desta vez são criminosos e outros inde-
sejáveis cuja ausência não será perdida. Por exemplo, se você encontrar alguém entre os
bandidos que podem usar magia ou Artes Marciais, você deve capturá-los a todo custo,
mesmo que você precise drená-los e torná-los escravos. Você também deve capturar qual-
quer um que saiba sobre esse mundo e que seja habilidoso em combate. No entanto, não
chame atenção; Se as pessoas souberem que Nazarick tem envolvimento, no futuro isso
pode causar muitos problemas para nós.
Sendo esse o caso, ela já havia violado muitos aspectos dessas ordens.
“Ainda está tudo bem, ainda está tudo bem, ainda está bem.”
Talvez o outro lado espalhasse a notícia de um Vampiro, mas o nome dela e o envolvi-
mento de Nazarick não seriam expostos.
Em outras palavras, ela não deixou nenhuma pista que ligaria o ataque de Vampiro da-
qui à Nazarick. E mesmo se as pessoas na cidade tentassem entender o ocorrido, eles só
concluiriam que os mercenários haviam sido abatidos por um Vampiro selvagem — Se
um existisse nessa área.
Claro, havia inconsistências em todos os lugares, mas a oposição não seria capaz de en-
contrá-los sem coletar mais informações.
A questão agora era o que fazer com essa mulher nas condições atuais.
Se seu mestre lhe tivesse dado a poção por alguma razão ou propósito, então matar essa
mulher obstruiria os objetivos de seu mestre, o que seria muito ruim.
A melhor maneira seria entrar em contato com seu mestre, mas Shalltear não poderia
usar 「Message」.
Shalltear resmungou tão baixo que ninguém conseguiu ouvir, agarrando a cabeça em
pensamento angustiado.
“Se ao menos eu não tivesse esse 〔Blood Frenzy〕...não, dizer isso seria desrespeitoso
para o meu criador, Peroroncino-sama. Se eu pudesse controlar esse 〔Blood Frenzy〕...”
Era tarde demais para qualquer arrependimento, e não importava como ela lidasse com
essa mulher, parecia que uma bronca seria inevitável. A questão agora era como mini-
mizar o dano que havia sido feito.
Shalltear pensou e pensou, até parecer que fumaça sairia de suas orelhas, antes de che-
gar a uma conclusão.
Em vez de matá-la, deixá-la viver lhe dava mais opções. Ela não seria perdoada por tê-
la matado, mas poupá-la deixava espaço para um melhor desenrolar da situação.
Isso foi o que Shalltear decidiu. Ou melhor, era assim que ela tentava desesperadamente
se iludir.
“Como se chama?”
Shalltear ordenou que a garota chamada Britta ficasse onde estava, e então trouxe duas
servas Vampire Brides que estavam afastadas:
Ela tinha dúvidas se haveria tempo para isso. No entanto, ela ainda teve que arriscar e
esperar que a oposição pensasse todo o massacre tinha sido pela riqueza. Embora ti-
vesse falhado em sua missão, ela ainda tinha que fazer planos para espalhar informações
falsas.
“Deixe-a em paz.”
“Sim, Shalltear-sama. Eu procurei no interior para erradicar qualquer peixe que escor-
regasse de nossa rede, e eu encontrei várias mulheres que parecem ter sido usadas para
satisfazer a luxúria dos homens. O que devemos fazer com elas?”
Partindo do princípio que não viram seu rosto, ela poderia deixar duas servas acabarem
com isso. Porém, ela não sabia se era a escolha certa. Provavelmente deveria matar todas
elas também. Não, se ela fizesse isso, não seria natural que Britta fosse a única sobrevi-
vente.
Shalltear estava frustrada por não poder chegar a uma conclusão que a beneficiasse.
“Tanto faz! Eu não sei! Poupem elas! E jogue essa Britta no meio das mulheres de lá!”
“...Eu vou ser repreendida com certeza... o que devo fazer... porém— hm?”
Shalltear levantou a cabeça, olhando para a parte da floresta onde os Vampire Wolves
tinham ido.
“...Eles o encontraram?”
“Quando jogarem essa mulher com as outras, venham atrás de mim! Fiquem prontas
em seus lugares!”
Tendo tomado uma decisão, Shalltear fez uma pausa apenas para disparar um comando
conciso antes de correr a velocidade de um relâmpago.
Embora ela tenha sido forçada a desacelerar na floresta, enquanto seus alvos fossem
seres humanos, eles não poderiam escapar das garras de Shalltear, mesmo quando em
alguma montaria.
Ela irrompeu da floresta até a última posição conhecida de seus lacaios lobos.
Cada pessoa estava trajando panóplia completa, os equipamentos variavam entre cada
um deles.
Seu equipamento não era simples e funcional, mas tão decorativo e único quanto o pró-
prio equipamento de Shalltear. Eles pareciam bastante poderosos ao mero relance. Claro,
Shalltear teve várias dúvidas, ela não tinha idéia de onde essas pessoas vinham. Essas
doze pessoas pareciam completamente diferentes das outras que Shalltear tinha visto
neste mundo. Era como ver um bando de leões depois de ver muitos ratos.
Shalltear ficou surpresa, mesmo não tendo níveis em profissões guerreiras, a sua avali-
ação da força de sua oposição lhe disse que ele não era apenas mais forte do que as Vam-
pire Brides, mas até mais forte que Solution, uma das Empregadas de Batalha das Pleia-
des.
O equipamento que ele usava parecia ter sido projetado para a estética masculina e por
isso que o identificou como homem, mas ele parecia bastante andrógino na aparência.
Ela não sabia dizer se era homem ou mulher, pois parecia com ambos, mas ao mesmo
tempo não se parecia com nenhum deles. Ele não era muito alto e nutria uma aparência
bastante jovem. Talvez ainda estivesse na adolescência, o que só tornava mais difícil di-
zer.
Seu cabelo era preto e comprido, quase chegando ao chão, enquanto seus olhos aguça-
dos tinham pupilas vermelhas que observavam Shalltear com cautela. Ele carregava uma
lança de aparência simples que parecia incongruente com o resto de seu equipamento.
“—Use-o.”
Os outros entraram em ação em resposta ao comando, mas Shalltear não lhes deu aten-
ção. Havia apenas uma pessoa que se destacava em seu cálculo; os outros não pareciam
muito uma ameaça.
No entanto, a mulher que usava era muito velha, o rosto estava cheio de rugas e as per-
nas expostas pareciam raízes de bardanas ou batatas secas. Esse vestido era completa-
mente inadequado para ela e francamente falando, seria digno de fazer os espectadores
franzirem o cenho. Shalltear chegou a ponto de desviar os olhos dela.
♦♦♦
No entanto, este foi o último elo de uma longa cadeia de acidentes e coincidências.
Se Ainz não tivesse capturado Nigun, se Ainz não contra-atacasse às magias de adivi-
nhação da Teocracia com tanta ferocidade, se a Teocracia não tivesse confundido isso
[Soberano Dragão d a C a t á s t r o f e ]
com o renascimento do Catastrophe Dragonlord, se Shalltear não estivesse se distraído
— talvez os eventos tivessem se desdobrado de forma diferente. Contudo, a soma de
todas essas possibilidades poderia ser expressa como uma inevitabilidade.
Esse qipao se chamava Keiseikeikoku. Um tesouro sagrado deixado para trás pelos deu-
ses que salvaram toda a humanidade, e seu poder excedia o de qualquer coisa que Shall-
tear carregasse.
♦♦♦
—Shalltear tremeu.
Esta foi a primeira vez que Shalltear — como Guardiã, uma das entidades de maior pa-
tente na Grande Tumba de Nazarick — alguma vez estremeceu. Foi uma sensação sutil,
podendo até mesmo ser chamada de sexto sentido.
Shalltear encarou a velha senhora, com a intenção de destruí-la, foi isso que seus ins-
tintos lhe instruíram a fazer.
O homem empunhando a lança avançou vindo em sua direção e assim que percebeu
isso, ele estava prestes a fazer seu movimento.
“Não me atrapalhe!”
Ela queria capturar várias pessoas. Isso porque ela teve uma premonição de que captu-
rar essas pessoas não apenas compensaria seus erros anteriores, mas também lhe ren-
deria elogios.
Como um ser undead, ela deveria ter imunidade completa aos itens controladores de
mente, mas sua força de vontade ainda estava sendo dominada. Ela tentou desesperada-
mente se agarrar até mesmo ao ódio que sentia, mas usa consciência gradualmente em-
branquecia. Enquanto sua mente ponderava inúmeras variações do pior cenário possí-
vel—
“Ghiiiiiiiirr—!”
—Ela chorou, lágrimas de sangue escorriam enquanto lutava para lutar contra a força
dominante que estava a corrompendo, uma Guardiã da Grande Tumba de Nazarick.
No entanto, apesar da resistência frenética de Shalltear, sua mente foi aos poucos per-
dendo o discernimento. Ela nem mesmo conseguia usar magia de teletransporte. Isso
porque sua mente ficaria completamente ofuscada se ela se permitisse se distrair com
esses assuntos.
Usando a última chama de sua razão, Shalltear usou uma habilidade para criar um
「Purifying Javelin」. Era uma lança gigantesca com dano elemental sagrado, e apesar
de seu próprio alinhamento maligno, ainda poderia causar um enorme dano a seus ini-
migos. A coisa mais importante era que ela poderia gastar MP para aprimorá-la com pre-
cisão e capacidade de rastreamento perfeitas.
E então — usando a última parte de sua mente que ainda estava consciente e alerta —
ela arremessou.
Enquanto sua mente ficava mais branca, ela aprimorou a habilidade usando tudo que
tinha, criando um verdadeiro projétil da catástrofe.
O golpe raiou como uma estrela cadente destruindo o escudo, perfurando a vanguarda
e por fim a velha senhora.
O grupo entrou em pânico. Ambos os perfurados golfaram jorros de sangue. Isso foi a
última coisa que Shalltear viu.
C No centro, cercado por uma fortaleza feita de mais de vinte enormes tor-
res circulares unidas por muros cortina, ficava o Castelo Real Ro-Lente.
Dentro de suas profundezas ficava o Palácio de Valencia.
Havia uma sala dentro do palácio que era mais funcional do que decorativa. Muitos no-
bres estavam reunidos lá.
A silhueta do Capitão Guerreiro do Reino, Gazef Stronoff, era visível entre eles. Ele es-
tava atualmente genuflecto diante do mestre a quem jurara sua vida, aquele que ocupava
o trono, o Rei Ranpossa III.
Essa foi a impressão que ele teve do Rei quando comparou o homem agora com o ho-
mem de meio mês atrás antes de sua partida.
Seu delicado cabelo branco estava bagunçado, seu corpo magro não podia ser descrito
como saudável por qualquer trecho da palavra, e sua aparência era igualmente depri-
mente. A mão que segurava o cetro era tão delgada quanto um galho seco, e a coroa que
ele usava parecia fazer peso em sua cabeça.
Ele reinou por 39 anos e agora tinha 60 anos de idade. Ele deveria ter entregue o trono
a um sucessor apropriado, mas o problema era que ele não tinha tal sucessor.
Não foi por falta de príncipes para herdar o trono. Pelo contrário, havia dois príncipes,
mas ambos estavam longe de serem ideais. Se ele lhes desse o trono, eles se tornariam
marionetes dançando nos cordéis dos Grandes Nobres.
Essas palavras simpáticas atraíram uma profunda reverência de Gazef quando o res-
pondeu.
“Uhun. Eu recebi alguns relatórios, mas gostaria de ouvir o ocorrido de sua própria boca,
Capitão Guerreiro.”
“Sim senhor.”
Gazef descreveu em detalhes os acontecimentos ocorridos depois que ele deixou a Ca-
pital Real e chegou ao Vilarejo Carne. Ele deu especial atenção ao misterioso magic caster
Interlúdio
112
chamado Ainz Ooal Gown, mas não mencionou suas suspeitas sobre o envolvimento da
Teocracia Slane. Isso porque Gazef achava que seria melhor se menos pessoas soubesse
disso, até porque, era desaconselhável falar um assunto delicado neste lugar.
E assim, Gazef gastou um bom tempo falando. Ele narrou uma história heroica de um
homem que entrou em cena para corrigir um erro em seu caminho, que mergulhou sem
medo no perigo para resgatar os aldeões, sem nunca levar custos em conta.
“Isso realmente aconteceu? Bem, certamente é uma análise que o enaltece muito. E pen-
sar que ele se colocaria em perigo para salvar os fracos...”
Vários nobres trocaram fofocas paternalistas sobre Ainz Ooal Gown enquanto o Rei
murmurava aquelas palavras de elogio.
“—Um errante que não se atreveu a revelar seu rosto para o mundo.”
No final, eles até levantaram a idéia de que ele poderia ter encenado o ataque para
anunciar sua chegada.
Gazef se esforçou para evitar que sua raiva aparecesse em seu rosto. Ele se sentiu pro-
fundamente inútil por não poder defender seu salvador daquelas palavras.
Havia uma razão para isso, claro. Isso porque os nobres que zombavam de Ainz tinham
uma coisa em comum — eram de uma das grandes facções do Reino; a dos Grandes No-
bres.
30% do Reino Re-Estize era governado diretamente pelo rei, enquanto os Grandes No-
bres controlavam outros 30%. Os 40% restantes eram um domínio feudal que pertencia
aos outros nobres. Além disso, a liderança do Reino foi dividida em duas facções, que
lutam pelo poder dia e noite.
De um lado estava a Facção Real, enquanto do outro lado estava a Facção Nobre, que
era composta por mais da metade dos seis Grandes Nobres do Reino. Embora estivessem
atualmente diante do rei, isso era apenas uma extensão do campo de batalha onde am-
bos os lados lutavam.
Por causa disso, Gazef — sendo da Facção Real e, portanto, servo de confiança do Rei
— não estava disposto a interpor casualmente. Ele sabia que suas próprias frases desa-
jeitadas não poderiam derrotar esses nobres, então ele teve que minimizar suas próprias
chances de falar algo que levasse a um mal-entendido.
O olhar de Gazef recaiu em um dos nobres, que tinha um olhar excepcionalmente frio
em seus olhos.
Seu cabelo loiro estava amarrado, seus olhos azuis eram estreitos e aguçados.
Sua pele era de um pálido singular para aqueles que evitavam o sol. Ele projetava a
imagem de uma cobra venenosa, que foi reforçada por sua constituição esguia.
Deveria ter menos de 40 anos de idade, mas sua compleição adoentada o fazia parecer
mais velho que isso.
Era conhecido como Marquês Raeven, um dos seis Grandes Nobres. Ele voava entre as
duas facções como um morcego para seu próprio ganho, e era um dos que apoiava o
segundo filho do Rei.
“Então, vamos concluir seu relatório aqui, Capitão Guerreiro. Há outros assuntos im-
portantes para decidir.”
Aquelas palavras cansadas do Rei silenciaram brevemente a tagarelice dos nobres. Ga-
zef retornou para o lado do Rei e analisou os nobres. Por ser um homem de confiança do
Rei, ele já estava acostumado com os olhares descontentes deles.
O homem esguio andou em silêncio diante deles e começou a falar em voz baixa.
Ninguém o interrompeu. Não só ele possuía influência em cada facção, mas também era
o mais poderoso dos seis Grandes Nobres. Ninguém ousaria tê-lo como inimigo.
O Marquês Raeven delineou os planos para o futuro, descrevendo quantos soldados re-
queria de cada nobre, sem encontrar qualquer oposição. Ao finalizar, ele sorriu arrogan-
temente e curvou-se para o Rei:
Interlúdio
114
“—E isso é tudo.”
O tribunal tornou-se um mar de comoção mais uma vez, com pessoas conversando
umas sobre as outras.
“É a nossa vez de tomar a ofensiva. Vamos atacar o Império enquanto estamos na van-
tagem.”
“Concordo plenamente. Vamos mostrar aos tolos do Império o quão assustadores po-
demos ser.”
Não sejam idiotas— Quão revigorante seria se ele pudesse dizer isso.
O Reino e seu vizinho, o Império, se enfrentavam nas Planícies Katze a cada ano.
Até o momento, nenhum dos lados sofreu baixas consideráveis, mas isso foi apenas por-
que o Império não havia comprometido suas forças no campo de batalha. Se eles real-
mente pretendessem conquistar o Reino, não haveria necessidade de se agruparem nas
Planícies Katze e esperar o exército do Reino.
Gazef e alguns dos nobres que tinham mais neurônios que soberba sentiram que o ob-
jetivo desses eventos era esgotar a força do Reino.
Tomemos por exemplo o Reino com seus impostos e camponeses, comparado ao Impé-
rio e sua corporação profissional de cavaleiros.
Ficou imediatamente óbvio quais tropas eram individualmente superiores, como resul-
tado, o Reino tinha que mobilizar mais do que o dobro de tropas que o Império. Por pre-
cisarem de mais homens, eles consumiam muito mais recursos alimentícios. Claro, havia
alguns itens mágicos que poderiam produzir comida, mas era dito que os alimentos só
eram qualificados assim por causa de seu valor nutricional. Seu gosto era tão revoltante
que até os famintos pensavam duas vezes antes de consumi-los. No fim, esse alimento
criado magicamente não era capaz de substituir as rações.
Além disso, o Império escolheu a época de colheita do trigo de maturação tardia para
invadir, causando falta de mãos de obra nos vilarejos. Isso atrasava a colheita de trigo e
outros grãos.
Por causa disso, a Facção Nobre não prestou atenção às consequências disso. Na ver-
dade, ficaram encantados com a perspectiva da Facção Real — seus inimigos — per-
dendo poder e influência.
Uma vez que a força do Reino desapareça, o Império nos invadirá sem piedade. Vocês re-
almente acham que o inimigo vai se contentar com briguinhas de nobres? São tão ingênuos
que parece que nasceram ontem...
A Facção Nobre acreditava que exerceria seu poder absoluto para sempre. Gazef ficou
particularmente enfurecido com esses nobres.
“Se esse é o caso, pode ser que o magic caster suspeito que ajudou o Capitão Guerreiro
é um homem do Império? Talvez ele pretenda nos infiltrar como espião.”
“Ah, faz sentido. Na verdade, é bem provável. Dizem que o Império tem uma academia
que treina os magic caster, então...”
“Eu me sinto deveras desconfortável com um sujeito desses aparecendo no Reino. Tal-
vez devêssemos pensar em alguma maneira de lidar com ele?”
“Talvez seja prudente considerar capturá-lo vivo. Francamente, o problema real aqui é
a Guilda dos Aventureiros. Eles contam com vários magic casters, na quantidade que são,
fazem o que bem entendem. Precisamos lidar com isso o quanto antes também. Talvez
possamos torná-los nossos vassalos ou algo assim.”
“Sem contar as taxas que a Guilda coleta. Os aventureiros do Reino cobram uma soma
ridícula para eliminar monstros dentro de nossas fronteiras!”
Gazef não pôde mais permanecer em silêncio depois de ouvir isso. Não havia como per-
mitir que continuassem falando mal da pessoa que o salvara, de seus subordinados e dos
aldeões.
“Um momento, por favor. Para início de conversa, aquele magic caster estava bem-dis-
posto em relação ao Reino; Não seria uma decisão sensata tentar capturar alguém as-
sim—”
Gazef tinha falado em uma tentativa de redirecionar a conversa cada vez mais precon-
ceituosa dentro do tribunal. Mas vários nobres reagiram com ar de desgosto.
Interlúdio
116
Gazef alcançara sua posição atual pelo mérito exclusivo de suas habilidades como es-
padachim. Ele era pouco mais que um novato para esses nobres com suas longas e dis-
tintas histórias.
Assim, Gazef era objeto de muita zombaria. O fato de ninguém conseguir igualar suas
habilidades marciais apenas aprofundou o ressentimento dos nobres.
Esses aristocratas do alto escalão não suportavam serem superados por alguém de ori-
gens mais humildes do que eles próprios.
Vários nobres continuaram criticando Ainz Ooal Gown sem esperar que Gazef termi-
nasse, e outros se juntaram também.
“...É o bastante. Eu sinto que a decisão do Capitão Guerreiro não foi um erro.”
Gazef olhou com gratidão para o homem que o escolhera e a quem ele havia prometido
sua fidelidade até o fim.
♦♦♦
Gazef sempre ficava cansado depois dessas reuniões cheias de joguinhos de poder e
bajulações, mas Gazef não deixou seu cansaço aparecer em seu rosto enquanto acompa-
nhava o Rei de volta ao Palácio.
O Rei havia machucado o joelho em uma guerra anterior e por conta disso, andar com
por conta própria implicava algum risco de queda, mesmo usando bengala. No entanto,
Gazef não estendeu a mão para apoiá-lo, como uma consideração pela dignidade do Rei.
Além disso, se ele tivesse alcançado um estado onde precisava de alguém para apoiá-lo
a fim de caminhar, os gritos da Facção Nobre para que ele abdicasse só aumentariam, a
fim de garantir um lugar no trono para um príncipe fantoche facilmente manipulado.
Portanto, embora Gazef lamentasse a necessidade de tal, ele teve que deixar o Rei andar
por conta própria.
Embora tivesse saído abruptamente, Gazef entendeu o que o Rei queria dizer, de modo
que ele só pôde cerrar os dentes.
Gazef não conseguiu encontrar nada que pudesse consolar o Rei e muito menos respon-
der aos seus resmungos.
O Império tinha sido um reino feudal há três gerações. Porém, o poder dos nobres havia
sido constantemente erodido, e a safra atual de nobres era absolutamente leal ao impe-
rador atual.
Seu título de Imperador Sangrento viera do rio de sangue derramado quando chegou ao
poder. Gazef recordou a época que conhecera o próprio homem em campo de batalha; o
imperador que queria trazê-lo para o seu lado.
“Eu sinto muito por não ter notado o óbvio e ter te enviado desprotegido. Eu nem pude
equipá-lo adequadamente antes de dar uma ordem tão ríspida... Espero que possa me
perdoar, a vidas de seus homens foram perdidas por causa disso... por minha causa.”
“Gazef, está tudo bem. E... embora não possa compensar suas mortes, gostaria de pagar
alguma forma de compensação às famílias dos falecidos. Além disso, gostaria de trans-
mitir diretamente minha gratidão ao Gown-dono e agradecê-lo por salvar meu confi-
dente mais próximo.”
“Se ele é verdadeiramente um homem justo que acredito ser, as palavras do senhor,
meu Rei, serão mais do que suficiente.”
Interlúdio
118
Duas pessoas apareceram diante dos olhos do Rei. Aquela que chamou sua atenção foi
a linda garota que andava na frente. Dizia-se que sua beleza era tal que não podia ser
reproduzida com exatidão nas pinturas; era uma beleza verdadeiramente indescritível.
O Rei sorriu. Ele sempre favoreceu sua princesinha em relação a seus outros filhos.
Como a terceira princesa da família real, ela herdou a beleza ofuscante de sua mãe, e
era conhecida como a Princesa Dourada.
Tendo atingido 16 anos de idade, já estava na idade de se casar. Essa também era uma
razão pela qual os nobres estavam ficando inquietos.
Seu cabelo loiro, uma das razões de seu apelido, adornava do pescoço até as costas. Seus
lábios sorridentes eram de um rosa claro e ela parecia saudável e enérgica. Seus olhos
brilhantes como safiras eram de um azul suave e profundo.
Seu vestido branco habilmente modelado só enriquecia a imagem de pureza que ela
projetava, enquanto o colar de ouro em volta do pescoço parecia simbolizar seu espírito
nobre.
Atrás dela estava um jovem no auge da adolescência. Trajava uma armadura branca
pura, ele poderia ser resumido em uma única palavra — intenso.
Seu rosto tinha uma expressão firme e inflexível, como se fosse forjado de aço, e sua
pele estava bronzeada pelo sol. Seu cabelo loiro estava bem aparado para facilitar o mo-
vimento e evitar que ele se emaranhasse durante o combate.
O jovem se chamava Climb, e Gazef não tinha idéia de como se aproximar dele. Não era
que ele não gostasse do rapaz; pelo contrário, ele realmente admirava a determinação
do garoto.
No entanto, Gazef não suportava a intensidade que ele emanava. Ele apreciava pessoas
sérias, mas esperava que o menino pudesse pelo menos relaxar um pouco.
Como alguém que estava ao lado da mulher mais bela do Reino, ele era alvo de muito
ódio e ciúme, sem nem mesmo um amigo para chamar de seu. Além disso, ele veio das
mesmas origens humildes de Gazef — não, pior do que Gazef. Assim, ele não podia mos-
trar nenhuma fraqueza, não podia permitir que alguém criticasse um único movimento
que fizesse.
O Rei sorriu para Renner enquanto ela corria, e acenou para Climb que se curvava pro-
fundamente.
“Mesmo? Eu estava pensando em algo, então achei que seria de bom tom esperá-lo aqui
para contar minha idéia.”
A outra razão pela qual Renner era conhecida como a Princesa Dourada foi devido à sua
mente hábil e espírito admirável. Suas políticas não apenas foram revolucionárias, como
até mesmo propuseram novas leis, todas sólidas e sensatas.
As políticas que ela propôs pareciam ser inteiramente centradas em torno de medidas
que ajudavam as classes mais baixas. No entanto, essas não eram simples doações, mas
um sistema abrangente de políticas destinadas a ajudar às pessoas que desejavam tra-
balhar, dando elas a chance de se alimentarem por sua própria força de vontade.
Além disso, essas políticas também melhorariam o lugar das pessoas comuns, aumen-
tariam sua lealdade à Coroa, melhorariam a produtividade e afetariam positivamente a
Coroa em geral.
Embora a maioria dessas iniciativas tenham sido desmanteladas por nobres — que se
opunham a qualquer melhoria no destino dos camponeses —, os membros mais sábios
da sociedade e as pessoas que haviam se beneficiado dessas políticas aprovaram-na for-
temente.
“Mas pai, devido ao atraso, agora é hora da minha caminhada pelo castelo. Por favor,
permita-me dar um passeio com o Climb antes de voltar.”
Climb enrijeceu ainda mais quando ouviu a Princesa dizer que seus passeios com ele
eram mais importantes do que falar com o Rei. Gazef sentiu um pouco de pena dele.
Bem, a Princesa Renner sempre teve um espírito livre. Tudo o que ele pode fazer como seu
seguidor é acompanhá-la em seu passeio.
Interlúdio
120
“É bom respeitar horários. Enfim, vá. Quando voltar, minha filha, venha para meus apo-
sentos e conversaremos sobre isso.”
Gazef fez uma sugestão para Climb enquanto se curvava, tentando fisgar seu lado guer-
reiro:
“Climb, você precisa aprimorar sua esgrima, para defender a Princesa Renner sob
quaisquer circunstâncias.”
“Sim senhor!”
Não havia base para essas palavras. Ainda assim, depois de ouvir a Princesa falar, até
ele sentiu que Climb realmente não precisava.
“Sim, Princesa.”
Os dois haviam esquecido seu lugar como mestre e servo, mas o Rei não deu atenção a
isso. Ele simplesmente observou os dois saírem, como se fossem amados tesouros que
ele havia perdido há muito tempo.
“...Seria inapropriado eu ficar com pena dele, dado que eu sou o Rei, você não acha?”
As origens de Climb eram desconhecidas. Ele era um menino indigente que Renner ha-
via recrutado durante uma excursão à fortaleza.
Até então, ele não passava de um menino desnutrido à beira da morte. Mas agora ele
trabalhava com afinco e treinava incessantemente para proteger sua salvadora. Talvez
nem essas palavras seriam precisas o bastante para descrever o que ele havia feito.
Todavia, ele estava se aprimorando pouco a pouco, dia após dia. Claro, suas habilidades
não estavam no nível das de Gazef, talvez nem em seus sonhos mais loucos ele chegasse
perto do Reino dos Heróis. Mesmo assim, a força que ele adquiriu ao treinar-se o colocou
no auge de todos os guerreiros do Reino. Dito isto, havia alguns obstáculos que ele não
conseguiu superar.
Um lugar perto da Princesa Renner era muito valioso, e Climb era indigno disso.
“Eu sei que é tolice, mas pelo menos umas de minhas filhas eu gostaria que fosse... livre.
Bem, se eu fizer isso, minhas outras filhas vão me repreender. Quão velho e tolo um ho-
mem deve ser para pensar em tais coisas...?”
“Mas ao que tudo indica, mais uma de minhas filhas será sujeita à infelicidade.”
Se o Rei precisasse casar a Princesa Renner agora, ela provavelmente seria arranjada a
um dos Grandes Nobres...
Isso foi o que Gazef pensou, mas ele não disse nada, porque não sabia se deveria. So-
mente alguém de status similar ao Rei podia entender seus problemas, e Gazef não era
uma dessas pessoas.
O silêncio passou entre os dois, e então eles avançaram novamente, para afastá-lo de
seu caminho.
Interlúdio
122
Capítulo 03: Confusão e Compreensão
primeira coisa que Ainz viu após o teletransporte foi uma colina. Porém,
A
não era tão alta quanto uma; era mais um calombo na terra, com no máximo
seis metros de altura.
Esta paisagem foi criada por Mare, um dos Guardiões da Grande Tumba de Nazarick. Os
muros da superfície da tumba foram enterrados sob esses montes.
Ainz ativou 「Fly」 e sobrevoou o amontoado de terra. Dentro de seu amplo campo de
visão, a única coisa que podia ver era a terra coberta de ervas daninhas, sem nenhum
traço do nível da superfície da Grande Tumba de Nazarick. Estava quase completamente
coberta pelo solo.
Ainz pairou inerte por muito tempo, mas continuou voando em sua velocidade atual.
Uma vez que ele chegou a um certo ponto, o cenário mudou e ele sentiu como se tivesse
perfurado uma espécie de membrana fina. O terreno montanhoso desapareceu e o cená-
rio familiar de casa encheu os olhos de Ainz.
Este era o sinal de que ele havia violado a camada protetora de ilusões.
Sem diminuir a velocidade da magia 「Fly」, Ainz continuou em direção ao seu destino,
o grande Mausoléu Central. Isso porque esta era a única entrada para a Grande Tumba
de Nazarick.
“Bem-vindo de volta, Ainz-sama”, disse uma voz feminina gentil. Logo foi seguido por
um coro de outras saudações e boas-vindas.
A mulher de vestido branco imaculado que estava diante dele não era outra senão Al-
bedo, a Supervisora Guardiã da Grande Tumba de Nazarick. Ela era a única com a ima-
gem mais clara da situação atual.
As quatro empregadas atrás dela eram membros das Empregadas de Batalha (Pleiades),
e atrás delas havia uma linha de oitenta vassalos.
Cheio de respeito por esse fato, Ainz levantou a mão e acenou em resposta aos cumpri-
mentos de seus vassalos. Talvez ele devesse ter dito algumas palavras em agradecimento,
mas isso não era adequado, dadas as circunstâncias.
Ele queria fazer essa pergunta, mas hesitou. O desconforto cresceu dentro dele — ele
temia que, se perguntasse sobre a traição, descobriria a verdade nua e crua. Além disso,
era perigoso demais discutir esse assunto na frente dos vassalos.
Yuri usava o mesmo uniforme básico de limpeza pronto para combate que Narberal,
mas havia algumas diferenças em sua roupa.
Era Yuri Alpha, Líder Assistente das Empregadas de Batalha, Pleiades. Como Sebas era
seu líder, não seria errado considerá-la a gerente das Pleiades.
Ela segurava uma bandeja com as duas mãos, que estava coberta com um pano de cetim
roxo. O pano em si trazia o anel — o Anel de Ainz Ooal Gown.
Este anel permitia que o seu portador se teletransportasse livremente pela Grande
Tumba de Nazarick. Ainz o removia durante qualquer excursão ao mundo exterior, por-
que temia que pudesse ser roubado.
Quando ele olhou para o anel em seu dedo esquelético, Ainz assentiu em satisfação. O
desconforto de não o usar por vários dias desapareceu, substituído por uma alegria
plena.
Ele não podia se teletransportar diretamente para o Salão do Trono, então usou o poder
do Anel para mandá-lo ao recinto que era diretamente adjacente ao Salão do Trono, o
Lemegeton. Assim que chegou, as portas maciças foram abertas, e Ainz entrou na com-
panhia de Albedo, indo para o trono de cristal. Enquanto caminhava, Ainz perguntou
algo que pensava há algum tempo.
“Então, antes de começarmos, tenho algumas perguntas. Você disse que a Shalltear nos
traiu; então, quando ela nos traiu, como o Sebas — que estava junto dela — reagiu? Ou
ele não estava por perto?”
“Eu o fiz, e ele emitiu me enviou um relatório. De acordo com o Sebas, eles encontraram
um grupo de bandidos. Depois disso, Shalltear foi em direção ao esconderijo dos bandi-
dos para capturá-los. Nada suspeito ocorreu durante o ocorrido, e ela proclamou vocal-
mente a intenção de suprema lealdade ao senhor, Ainz-sama.”
“Entendi. Ou seja, alguma coisa aconteceu depois disso, algo que a fez decidir nos trair.”
“Exatamente... além disso, ela levou duas Vampire Brides com ela. No entanto, elas pa-
recem ter sido destruídas.”
“...Mesmo? Mas se for assim... não, isso significa que algo aconteceu que as destruiu. En-
tão, resumirei o que aconteceu do meu jeito.”
Ainz tinha quase terminado seu relatório no momento em que eles alcançaram as esca-
das para o trono. No entanto, ele ainda não havia chegado aos eventos da tumba, então
continuou falando.
Depois que tudo terminou, Albedo — que estava em silêncio ouvindo atentamente —
assentiu em reconhecimento.
Uma janela translúcida apareceu diante de seus olhos. Parecia o console, mas era com-
pletamente diferente dele. A janela tinha várias páginas, cada uma coberta por caracte-
res densamente compactados.
Pena que é meio chato ter de vir até aqui... pelo menos eu tenho o anel, então facilita
muito... não é nada de mais.
Com movimentos previamente praticados, Ainz ativou e ampliou a página de status dos
NPCs.
Esta página registrava os nomes de todos os NPCs feitos pelos membros da guilda. De-
pois de mudar o método de classificação da ordem alfabética (katakana) para a ordem
nivelada, do mais alto para o mais baixo, os olhos de Ainz navegaram pela lista — e então
seus olhos pararam em um único ponto. Então, ele silenciosamente virou o olhar para o
rosto de Albedo.
Ele examinou duas, três vezes, e depois de perceber que seus olhos não estavam enga-
nados, ele gritou “Impossível!” dentro de seu coração. Se seu rosto esquelético pudesse
exibir uma expressão, seria a de choque.
“Se ela estivesse morta, seu nome teria desaparecido e deixado um espaço em branco.
Com toda a probabilidade, isso representa traição.”
Quando Ainz respondeu assim a Albedo, ele lembrou o significado dessa mudança
quando a viu pela última vez em YGGDRASIL.
Albedo chamou isso de traição, mas era um pouco diferente do que o sistema estava
exibindo. De fato, falando de maneira geral, era semelhante à traição, mas essa mudança
de cor ocorria quando um terceiro usava controle mental para fazer um NPC tomar ações
hostis temporariamente.
Ainz expressou a negação em seu coração mais uma vez. Shalltear e Ainz eram ambos
undeads, o que significava que eram de raças imunes a todos os tipos de efeitos que afe-
tavam a mente. Então como Shalltear tinha sido controlada?
Era mais fácil aceitar o fato de que Shalltear simplesmente havia traído Nazarick. Por
exemplo, talvez estivesse insatisfeita com o modo que era tratada e alguém lá fora pode
ter oferecido melhores condições, levando à sua traição.
Se não fosse esse o caso, significava que algo havia acontecido quando eles vieram para
este mundo que estava fora do escopo do conhecimento de Ainz.
Ainz lembrou o rosto de Nfirea. De fato, talvez um detentor de Talento como ele, ou
mesmo com algum poder desconhecido poderia ter afetado uma mente undead.
“...Isso poderia ser o efeito de algum ser, fenômeno ou efeito especial que é exclusivo
deste mundo?”
“Não temos como afirmar. Entretanto, está bem claro que Shalltear nos traiu, então eu
proponho a formação de uma força de ataque imediatamente.”
Será que os vassalos que haviam recebido a volta de Ainz pretendiam eliminar Shall-
tear? Ao relembrar dos seres, ele notou que havia muitos vassalos raros de Nazarick,
ditos vassalos possuíam ataques elementais sagrados que eram eficazes contra os unde-
ads.
Essas escolhas eram perfeitas para destruir Shalltear. Ficou claro que Albedo falava sé-
rio.
Shalltear Bloodfallen era muito forte. Na verdade, ela era a mais forte dos Guardiões,
exceto por Gargantua. Portanto, seria necessário que os membros da equipe escolhidos
por Albedo estivessem absolutamente certos de derrotá-la, ou então seria muito difícil.
“O senhor aprova?”
“Não, é cedo demais para chegar a essa conclusão. Vamos verificar as razões por trás da
traição da Shalltear primeiro.”
“És realmente compassivo, Ainz-sama. Mas se alguém ousa se opor aos Seres Supremos
com hostilidade, não há necessidade de mostrar-lhes qualquer piedade.”
“Não misture as coisas, Albedo. Não é que eu esteja mostrando misericórdia a Shalltear,
mas simplesmente não entendo o porquê ela nos trairia.”
Se esse tipo de coisa pudesse acontecer a qualquer outra pessoa além de Shalltear, ele
teria que descobrir uma maneira de lidar com isso. Pois se ela estivesse infeliz com a
forma como havia sido tratada, então a mesma coisa poderia acontecer com os outros
vassalos. Assim, ele teria que tomar as medidas apropriadas para eliminar o mal pela
raiz.
Quando ele ouviu através do 「Message」 que um NPC criado por seus amigos o havia
traído, dado à sua posição de Chefe de Guilda, ele sentiu como se tivesse sido condenado
por todos os outros membros da guilda. Tão grande foi o choque que ele quase caiu de
joelhos. No entanto, isso não era mais uma questão simples de ser repreendido por ou-
tros.
Ele deveria resolver este problema não como um Chefe de Guilda, mas em sua capaci-
dade como o governante absoluto da Grande Tumba de Nazarick. Era cedo demais para
se desesperar, e se — embora fosse impossível — Shalltear realmente tivesse sido con-
trolada pela mente, então ele precisava salvá-la.
“Minhas mais sinceras desculpas, mas ainda não sabemos. Eu considerei que a Shalltear
poderia atacar Nazarick, então ordenei que as subordinadas diretas de Shalltear fossem
trancafiadas na prisão, depois despachei outros vassalos para reforçar o Primeiro Andar.”
“Mesmo? Então, vamos visitar sua irmã mais velha para ver se ela pode adivinhar a lo-
calização da Shalltear.”
Parte 2
O Quinto Andar da Grande Tumba de Nazarick era uma região extremamente fria pois
foi modelada para ser a epítome do glaciar.
O vento congelante soprava na roupa de Ainz, que tremulou ao vento. Albedo ficou ao
lado dele e, quando ele olhou para o jeito que ela estava vestida, Ainz perguntou:
“Você não está com frio? Se precisar, pode colocar sua armadura. Ainda devemos ter
tempo para isso.”
Ainz estava completamente imune a todas as formas de ataques de elementos frios. Ele
não seria congelado, independentemente de quão baixa a temperatura fosse. No entanto,
o mesmo não se aplicava a Albedo. Se ela estivesse em sua panóplia completa de batalha,
meras rajadas congelantes como essa não a machucariam, mas no momento ela usava
apenas um vestido branco. Ele a perguntou sobre isso antes de se teletransportarem,
mas a sensação que teve foi de que ela estava tentando passar-se por alguém valente.
“Agradeço por se preocupar tanto comigo, Ainz-sama, mas não é necessário. Este frio
não é um problema.”
“Se diz.”
Normalmente, haveria um efeito ambiental aqui que aplicava danos causados pelo frio
e retardava o movimento. Mas operá-lo exigia dinheiro, por isso foi deixado desativado.
Talvez ela simplesmente tivesse tido sorte por terem tomado essa decisão logo no início.
Ou foi porque Albedo tinha algum tipo de item mágico ou habilidade que negava o dano
do frio?
Na verdade, os NPCs foram equipados pelos membros da guilda que os projetaram. Ha-
via apenas alguns deles que Ainz poderia confiantemente dizer que entendia completa-
mente, além de Pandora’s Actor. Dito isso, ele repassou todos os dados depois de chegar
a esse novo mundo.
As perguntas encheram a mente de Ainz quando ele olhou para a majestosa mansão de
dois andares diante dele.
Este edifício parecia estranhamente fora de lugar nesta terra congelada. Era como uma
casa de um livro de fantasia e parecia cercada por uma atmosfera de conto de fadas.
No entanto, sua superfície estava coberta por uma camada de gelo, dando-lhe uma aura
desconfortavelmente fria. Na verdade, o nome dessa mansão era o mais distante possível
de um conto de fadas.
“Então vamos.”
Com essas simples palavras, Ainz abriu o portão principal. Embora estivesse coberto
por uma espessa camada de gelo, o portão ainda se abria com facilidade, como se desse
boas-vindas ao visitante.
Uma rajada de ar frio passou por deles no instante em que o portão se abriu. Isso porque
o interior da prisão era mais frio do que o ambiente gelado do lado de fora.
Foi só depois desse vento de arrepiar que Albedo começou a tremer. Ao ver isso, Ainz
enfiou a mão na dimensão de bolso e retirou uma capa carmesim, cuja bainha estava
decorada com padrões flamejantes.
“Use isso, Albedo. O encantamento não é forte, mas deve ser o suficiente para afastar o
frio.”
“Se bem me lembro, os membros sobreviventes da Escritura da Luz Solar estão aqui.”
“Sim. Neuronist os observa de perto— Ah, tão quentinho, parece que o senhor está me
abraçando, Ainz-sama... kukuku.”
Duvido que ser abraçada por braços sem pele ou carne aqueceria alguém.
Mas é claro que Ainz não disse isso. No mínimo, ele sabia que não seria apropriado no
presente momento.
Enquanto Albedo se contorcia e girava ao redor da capa, envolvendo-se com tanta força
que quase desaparecia, Ainz se adiantou.
“O que está fazendo, não podemos perder tempo... ainda mais nessas circunstâncias.”
A habilidade passiva de Ainz — 「Undead Blessing」 — permitia que ele sentisse todos
os undeads à espreita dentro do complexo. Como era chato, Ainz desabilitou a habilidade
para ignorar a presença dos undeads enquanto descia a passagem congelada, era tão fria
que parece ter sido pintada de branco-azulado.
“Não haveria problema. Embora não me desagrade, ele/ela fala demais. Há um assunto
que precisamos resolver o mais rápido possível e eu gostaria de evitar perder tempo.”
“Entendido. Bem, depois de tudo isso, eu vou dar uma advertência a Neuronist, avisarei
para não falar coisas desnecessárias.”
“Não, não, não há necessidade disso. Como eu disse, isso não me desagrada.”
“Mas...”
De fato, se Shalltear os traísse devido à sua narrativa ter sido projetada dessa maneira,
então ele tinha que perdoá-la por isso. Isso porque ela estava simplesmente obedecendo
a vontade de seu criador, Peroroncino. No entanto, ele não parecia o tipo que plantaria
sementes ruins na guilda. Tudo isso confundia Ainz, porque Peroroncino era um homem
que gostava de brincar, mas não gostava de arruinar relacionamentos entre seus amigos.
Se for isso mesmo, então deve ser uma razão externa, afinal? A cor do texto claramente
mostra que é controle mental... mas ainda não tem como descartar a possibilidade de ser
uma parte de suas configurações.... Ainda não tenho certeza, mas pode ser de uma altera-
ção nas configurações aconteceu depois de virmos a este mundo. Além do mais, eu não me-
morizei os perfis de personalidade de todos os NPCs, mas suas personalidades parecem
bastante semelhantes às de seus criadores... Eu acho que ninguém poderia programá-los
sem personalidades, então pode ser por isso. Se isso tudo for verdade, então a Shalltear...
será que ela tinha algo como uma bomba-relógio embutida em suas configurações? Seu
criador gostava de Eroges, sei lá, então talvez ele tenha programado algum tipo de evento
nela que precisava ser resolvido com um passo a passo... caramba, é até bem provável.
Ela estava olhando para frente e andando, mas ao contrário de agora a pouco, ela não
estava com seus passos sincronizados. E mesmo que seus olhos estivessem voltados
para a frente, não estavam focados em nenhum lugar em particular.
Ela estava repetindo essas palavras sem parar, como um disco arranhado.
“...Ei, Albedo. Eu disse que amava todos vocês. Isso se refere a todos, entendeu?”
“Mas, mas isso significa que o senhor também me ama, não é?”
“Kufu!!”
*Trin!* Ou melhor, foi um *boom*. Um choque surpreendente veio do teto, tão grande
foi a força do impacto. Quando ouviram o que soou como uma bomba explodindo, os
corpos translúcidos de vários monstros incorpóreos saíram do teto.
Estes eram os undeads que estavam escondidos dentro da prisão, que a habilidade de
Ainz havia detectado.
Ainz olhou para Albedo, estava tão feliz que cantarolava para si mesma. Embora ela
tivesse caído do teto, suas habilidades raciais incluíam certa quantidade de redução de
danos, de modo que não doera nada.
“...Albedo, estamos quase no quarto da sua irmã mais velha. Você está pronta?”
“Uhum. Me entregue.”
Albedo estendeu a mão em direção à mão branca pálida emergindo do manto negro,
assim que a boneca foi depositada a mão recuou. A boneca em questão era mais ou me-
nos do tamanho de um bebê de verdade.
“Tão bizarro.”
A boneca era uma caricatura de um bebê humano, suas feições distorcidas traziam uma
aura de cupidos religiosos. Seus grandes olhos redondos eram particularmente repug-
nantes. Ainz franziu as sobrancelhas inexistentes e dirigiu seu olhar para o final do cor-
redor. Havia um grande afresco ali, pintado em uma parede que continha uma porta.
Se isso fosse tudo, teria sido uma bela pintura. No entanto, o tempo parecia ter degra-
dado a pintura, transformando-a em uma visão horrenda. Em particular, não se podia
mais ver a forma do bebê em si. Tudo o que restou foi algo que parecia um cadáver.
Ainz empurrou a porta, que se abriu sem som ou resistência — e ele foi recebido pelo
som de bebês chorando.
Não foi apenas o som de uma ou duas vozes. Nem foi o resultado de um eco.
Nesse quarto vazio, praticamente sem quaisquer mobilhas, havia um único berço que
uma mulher balançava gentilmente.
Embora Ainz tivesse entrado no quarto, a mulher de luto em roupas negras permaneceu
em silêncio, preocupada apenas com o berço que ela estava balançando. Seu rosto não
podia ser visto porque seu longo cabelo preto o cobria completamente.
Normalmente, se um NPC visse um Ser Supremo (no caso, Ainz) e não lhe desse atenção,
Albedo os repreenderia em voz alta. No entanto, ela permaneceu em silêncio. Ainz sabia
o motivo para isso, porque a postura cautelosa de Albedo já dizia tudo.
Ela apertou-a com força e depois a jogou de lado com toda sua força. A boneca quebrou
em pedaços quando bateu na parede.
Um som de dentes rangentes veio da mulher e, com isso, os ruídos das placas do teto e
chão ficaram mais altos. Logo, a fonte do som se revelou, e pedaços de carne que pare-
ciam bebês translúcidos emergiram.
Essas massas de carne que lembravam bebês pareciam estar perto do nível 20, e eram
[ B e b ê s d a Car niça]
chamados de Carrion Baby.
Em jogos como YGGDRASIL, poder-se-ia colocar monstros pop nas dungeons, pagando
a moeda própria do jogo ou usando dinheiro real. No entanto, eles não voltariam à vida
após serem destruídos, então eram mais um luxo para os jogadores. Aqueles jogadores
que não focaram em roleplaying não colocariam tais monstros em ação.
O fato de ele ter colocado tantos Carrion Babies aqui, apesar de seus baixos níveis, era
um testemunho da natureza meticulosa de Tabula Smaragdina.
Enquanto Ainz se impressionava com seu velho amigo, a mulher tirou uma grande te-
soura de algum lugar e a segurou com força. Um olhar aguçado era visto através de seu
cabelo despenteado, dirigido a Ainz e Albedo.
“Vo-você, você, você, levou! Levou, levou, meu bebê, meu bebê, meu bebê, MEU BE-
BÊÊÊÊÊ—!”
A mulher pareceu tomar a conversa vagarosa como algum tipo de provocação e come-
çou a correr, sua intenção assassina a fez avançar tão rapidamente quanto o vento.
A mulher de luto em roupas negras dava passos largos com a intenção de matar, encur-
tando a distância entre eles em apenas alguns passos.
“Ohhhhh~”
Ela envolveu seu amado filho com infinita compaixão, como se nunca fosse o abandonar.
Então, cuidadosamente colocou o bebê de volta no berço, antes de virar o rosto, envolta
por seus longos cabelos, para Ainz e Albedo.
A razão pela qual Ainz pôde lidar calmamente com essa cadeia de eventos foi porque
ele havia testemunhado essa bizarrice antes, no jogo.
Seu companheiro de guilda disse que havia feito uma nova NPC, e pediu aos outros
membros da guilda para virem vê-la com ele. No final, todos gritaram juntos e soltaram
vários ataques em Nigredo. Parecia bastante nostálgico agora quando ele relembrava do
passado.
De fato, Nigredo era a irmã mais velha de Albedo. Em outras palavras, ela era um NPC
criado pelo jogador Tabula Smaragdina.
Se alguém dissesse que Albedo era a encarnação de seu amor por gap moe, então Ni-
gredo seria a personagem que representava o amor de Tabula Smaragdina por filmes de
terror.
Ninguém pode dizer que ele era uma má pessoa, mas ninguém também pode negar que
ele era uma figura e tanto.
Em circunstâncias normais, ele era um homem racional, mas quanto mais se envolvia
em algo, mais ele começava a revelar sua verdadeira natureza. Enquanto Ainz se lem-
brava do passado, Nigredo afastou os longos cabelos que cobriam sua feição, revelando
seu verdadeiro rosto.
Talvez ela achasse que cobrir o rosto estava sendo desrespeitoso com Ainz, mas, por
outro lado, ele preferia que ela continuasse cobrindo o rosto.
Seu verdadeiro rosto era assustador, isso para dizer o mínimo. Não tinha pele, apenas
músculos expostos.
Sua boca não tinha lábios, mas brandia um belo conjunto de dentes. Seus olhos reluzen-
tes ficavam ainda mais evidentes devido à ausência de pálpebras. Um observador pode-
ria achá-la bonita se olhasse apenas para seus olhos ou dentes, mas, como um todo, seu
rosto não inspirava nada além de repulsa.
“Então, Nigredo, eu vim aqui para buscar sua ajuda. Eu poderia fazer uso de suas habi-
lidades?”
“...Provavelmente conta como vivo... provavelmente deve estar vivo... eu serei franco
com você. O alvo é a Shalltear Bloodfallen.”
“A Guardiã de Andar? Perdoe minha grosseria. Como é um pedido do senhor, não des-
perdiçarei seu tempo, Ainz-sama.”
Nigredo é uma magic caster, e uma das NPCs de mais alto nível em Nazarick. Embora
não aparentasse, ela fôra designada para se especializar em adivinhação e coleta de in-
formações. Foi por isso que Ainz veio aqui pedir ajuda para localizar Shalltear.
Em pouco tempo — como convinha a uma pessoa com suas habilidades —, Nigredo
anunciou rapidamente os resultados.
“Eu a Encontrei.”
Ela lançou outra magia, e um 「Crystal Monitor」 apareceu, mostrando algo que pare-
cia uma vasta extensão de floresta. Alguém de armadura estava em pé entre as árvores.
Ainz a elogiou:
Segurava uma enorme lança de aparência estranha em uma das mãos, parecendo uma
pipeta que alguém poderia usar em uma aula de ciências.
Esta era Shalltear Bloodfallen. Ela possuía níveis em Valquíria — uma profissão de ma-
gic caster divina que se especializava em poder de luta — e ela estava totalmente pronta
para a batalha.
Ainz tinha itens divine-class suficientes para que ele pudesse equipá-los em cada slot
de seu corpo. No entanto, isso não significa que eles fossem fáceis de encontrar.
Como resultado, era bastante comum que até mesmo jogadores de nível 100 não pos-
suíssem um único item divine-class.
Mesmo os membros da Ainz Ooal Gown — uma guilda que estava entre as top 10 do
jogo — não puderam equipar todos seus NPCs com todos os slots com itens divine-class.
No máximo, eles só podiam dar-lhes um ou dois desses itens.
Seu nome soava bobo, mas seu poder era extremamente insidioso. Quando inseridos
em uma arma, alguns cristais de dados permitem que o usuário absorva uma certa por-
centagem do dano causado e o usar para reabastecer seu HP. A Spuit Lance era especia-
lizada em fazer isso.
“Eh? Ah, por favor espere! Como a Shalltear já está totalmente equipada, é possível que
as hostilidades comecem assim que nos ver. Por isso, precisamos selecionar vários guar-
das para defender o senhor!”
“Não temos tempo para isso; se as negociações fracassarem, nós nos retiraremos ime-
diatamente—”
Uma voz feminina ecoou em sua mente. Pertencia a Narberal, que ficara em E-Rantel.
Estou ocupado — ele queria dizer, mas Ainz se cortou no meio do caminho.
Isso porque ele se lembrou de como ele havia interrompido a 「Message」 de Entoma
na noite anterior. No acontecido, ele achava que não era nada de mais, mas, talvez, se
tivesse agido imediatamente, a situação atual poderia ser diferente. Isso porque ele po-
deria ter entregue a tarefa de salvar Nfirea a Narberal.
Os NPCs tratavam Ainz como seu Supremo Governante. Mesmo se ele fizesse a decisão
errada, eles ainda tratariam as palavras de Ainz como sua principal prioridade. Por causa
disso, Ainz teve que manter a calma, agir com cuidado e evitar cometer erros.
Isso é um pouco demais, às vezes vocês esperam demais de uma pessoa comum como eu...
Enquanto ria internamente de seu próprio julgamento falho, Ainz sorriu amargamente
ao concluir que era provavelmente impossível para ele. Então, ele sentiu a atitude sub-
serviente de Narberal através de 「Message」, ela estava esperando pelas instruções de
seu mestre. O corpo de Ainz tremeu como se tivesse sido atingido por um raio.
Mas o que estou pensando? Eu sou Ainz Ooal Gown, o governante de Nazarick, o homem
que assumiu o nome que representa todos. Então, eu não sou mais Suzuki Satoru. Impossí-
vel? Não! Agora que assumi esse nome, tenho que transformar o impossível em possível.
“...Estou te ouvindo. O que é? Deve ser importante já que entrou em contato comigo com
「Message」.”
『Sim. Alguém da Guilda dos Aventureiros está procurando pelo senhor, Ainz-sama.』
Narberal não estava sendo clara, então Ainz deixou que o silêncio mostrasse sua confu-
são. Logo, ela parecia ter percebido isso e falou novamente:
『Na verdade, há outro problema além desse. Isso... diz respeito a um Vampiro.』
“Como é? Vampiro?”
Ainz se virou para olhar para Shalltear, cuja imagem estava no monitor.
“Eles mencionaram alguma coisa sobre? Disseram ter cabelo prateado ou armadura
carmesim, ou algo assim?”
『Lamentavelmente, eles não fizeram. A pessoa que enviaram não passava de um bate-
dor. Eles disseram que explicariam na guilda e esperavam que o senhor se apressasse o
mais rápido possível, Ainz-sama. Ouvi dizer que várias equipes de aventureiros já che-
garam lá... o mensageiro da Guilda está por perto; o que devo dizer a ele?』
Ainz fechou os olhos. Claro, ele não tinha olhos, então simplesmente significava que as
luzes nas órbitas oculares desapareceram.
Depois de terminar a explicação para Albedo, ela baixou os olhos por alguns instantes
e depois olhou para Ainz.
“Dado que nos falta informações, haverá méritos e deméritos para qualquer alternativa.
Assim, deve selecionar de acordo com sua preferência pessoal, Ainz-sama. Se depen-
desse de mim, eu ignoraria esses humanos.”
Ele então considerou como a situação de Shalltear mudaria se ele colocasse a Guilda
como prioridade.
Enquanto ele pensava sobre as desvantagens de ambos, ele começou a sentir que qual-
quer uma das opções levaria ao desastre.
“Albedo, despache alguém para ficar de olho em Shalltear. Eu irei visitar a Guilda em E-
Rantel. Depois que o assunto estiver concluído, iremos até a Shalltear.”
“Entendido.”
“Claro, diga isso. Então, Albedo, me perdoe, mas eu irei para a Guilda agora.”
“Sim senhor. Vou enviar vários vassalos, de acordo com suas instruções.”
“Por favor faça. Além disso, vou entregar o Anel para a Yuri. Então pegue com ela depois.”
Na verdade, havia algo que ele queria entregar para o Bibliotecário-Chefe, mas Ainz
sentiu que não tinha mais esse tempo, então ele se teletransportou com o poder do Anel.
Agora que apenas as duas irmãs ficaram no quarto, o clima no quarto ficou mais tenso.
Como se esperasse por essa oportunidade, Nigredo se virou para Albedo, um olhar curi-
oso em seus olhos.
“Então ela deve ser eliminada o quanto antes. Mas... parece que não é o que o Ainz-sama
deseja fazer, não é?”
“De fato. Por causa da misericórdia sem limites de Ainz-sama... não, ele provavelmente
acha que matá-la sem saber o porquê ela se rebelou seria um grande erro. Tenho certeza
de que é isso que o Ainz-sama tem em mente.”
“Hmmm.”
Pensando que a conversa acabara, Albedo estava prestes a liberar o poder de seu Anel
quando sentiu que sua irmã mais velha ainda tinha algo a dizer. Quando Nigredo estava
em um estado mental racional, ela era o tipo de pessoa que falava francamente, então
havia apenas uma razão pela qual a irmã mais velha de Albedo hesitaria assim.
Embora não quisesse perguntar sobre isso, quando considerou que talvez não fosse so-
bre o assunto de antes, ela se obrigou a perguntar, mesmo que com relutância.
“...Como eu não tenho permissão para deixar a Prisão Congelada, não tenho certeza so-
bre a situação lá fora. A Espinela ainda está bem?”
...Como eu pensava.
Albedo se arrependeu de ter perguntado, mas em uma voz calma, ela respondeu:
“Eu odeio ela. Mesmo que sejamos todas feitas por Tabula Smaragdina-sama... não, a
Espinela foi feita de uma maneira completamente diferente de nós. Ela não é confiável.”
“Por tudo que sei, até você pode estar sendo manipulada por ela. Tenho certeza que a
Espinela trará um grande desastre à Nazarick algum dia. Eu sinto isso.”
“...Nós nunca veremos esse assunto com os mesmos olhos. Eu não creio que ela trará
algum problema para nós.”
“Promete? Bem, se você — a Supervisora Guardiã sente isso, então não há mais nada a
ser dito. Contudo, eu espero que você leve minhas preocupações em consideração, em
seu papel como Supervisora Guardiã.”
Ela sentia que todos os seres criados pelos Seres Supremos eram leais a eles. Mas ainda
assim, Shalltear se rebelou. Se esse fosse o caso, qualquer um poderia ser o próximo.
Ela não podia apagar completamente esses pensamentos. No entanto, para Albedo, isso
não era necessariamente uma coisa ruim.
Albedo tinha um olhar perplexo e confuso no rosto quando chegou ao seu destino.
“Ainz-sama, amor da minha vida. Eu sou sua leal cadela, sua escrava.”
Ela declamou seus sentimentos para um homem que não estava lá.
“Mesmo se todos em Nazarick se rebelarem contra ti, eu sempre estarei ao seu lado.”
Parte 3
Havia seis homens na sala. Três deles eram homens de aparência robusta, paramenta-
dos para a guerra, enquanto um deles parecia igualmente imponente apesar de sua falta
de armas ou armaduras. Foi ele quem se levantou para chamar Ainz. Além deles, havia
um homem magro, de aparência neurótica, com uma túnica e, por fim, um homem gordo
sentado na parte mais interna da sala.
Ainz sentou-se sob os olhos de todos os outros, e então o homem de pé falou mais uma
vez.
Ele tinha um ar de veterano rústico e poderoso. Não havia dúvida de que ele era um
excelente guerreiro.
O cabelo em sua cabeça era escasso o suficiente para que seu couro cabeludo refletisse
a luz, e o pouco cabelo que restara já havia se tornado branco.
Talvez fosse porque o nariz estava entupido, mas ele fazia barulhos de *buhiiii* ao falar.
O homem magro — que parecia tão frágil como um mastro de bambu e um tanto quanto
anoréxico — acenou para Ainz.
“E esses três são seus camaradas de profissão, membros das equipes de aventureiros
que são o orgulho de E-Rantel. Da direita para a esquerda estão Igvarge-san da Kralgra,
Bellote-san da Lobo Celestial e Moknach-san da Arco-íris.”
Esses três homens tinham placas de metal ao redor do pescoço — feitas de mythril —
e cada um deles dava a impressão de ser comandante e até algo além disso. Seus equipa-
mentos não passavam de lixo para Ainz, mas eles ainda estavam muito acima dos equi-
pamentos que maioria dos aventureiros da cidade usava.
Cada um deles portava um olhar diferente, mas todos compartilhavam o mesmo fio co-
mum de curiosidade.
“Antes disso, há algo que eu gostaria de te perguntar, Ainzach. Eu nunca ouvi falar do
nome Momon antes. Como ele é placa de mythril, então deve ter feito algo digno de nota,
não é?”
Parecia haver um pouco de hostilidade em sua voz. No entanto, Ainzach parecia não
prestar atenção e respondeu alegremente:
“Seus feitos incluem domar o Sábio Rei da Floresta, bem como resolver o incidente do
cemitério na noite passada.”
“O incidente do cemitério!?”
“Buhiii~ você está bem informado. Instruí que o assunto não seja divulgado devido a
algumas notícias preocupantes. Mas onde ouviu isso?”
“Lamento, Prefeito. Eu simplesmente ouvi isso por aí, sabe como é, então é difícil dizer
de onde exatamente as notícias vieram. E no fim das contas, só ouvi por alto mesmo.”
“Hm~ soa falso para mim, mas vamos relevar. Deve haver muitas pessoas que sabem
sobre os undeads que vagarem livremente. Buhiii~ me perdoe, eu o interrompi sem ne-
cessidade.”
“Tudo bem, Prefeito. De todo modo, a Guilda concluiu que, devido às suas contribuições
nesse incidente, Momon-san é um aventureiro mythril.”
Ele nem mais estava fingindo ser educado. Igvarge mostrou sua agressão nua em seu
rosto e então alguém falou friamente.
“Hmph. Sendo franco, eu tenho que admitir que também não estou nada feliz com a
classificação mythril de Momon-dono, Chefe de Guilda.”
O homem que cortou foi o chefe da Guilda dos Magistas, Rakheshir. Havia uma expres-
são de desprezo em seu rosto, embora Ainz entendesse que não era dirigido a si mesmo,
mas a Igvarge. No entanto, Igvarge não percebeu isso e sorriu para Rakheshir de uma
maneira amigável.
“Ku, kuku.”
Os lábios de Rakheshir ficaram ainda mais finos, como se ele tivesse ouvido algo diver-
tido. Não foi um gesto amigável, porque ele tinha um olhar desdenhoso em seus olhos.
“Digamos que... isso não cabe a você julgar, Igvarge-kun. Há pessoas na Guilda que sen-
tem que o Momon-kun é digno de uma placa de orichalcum.”
“Quê!?”
Assim que viu, o sorriso zombeteiro de Rakheshir cresceu tanto que torceu todo o seu
rosto.
“Momon-san rompeu uma horda de milhares de undeads com apenas sua parceira —
perdão, ele também tinha o Sábio Rei da Floresta, um total de três membros — e derro-
tou um grupo que realizava um ritual profano.”
“De fato, você está correto. Inicialmente, senti que isso não era suficiente para qualificar
o Momon-san para o posto de orichalcum. No entanto, a descoberta dos amontoados de
ossos nos deu o testemunho do quão poderoso Momon-san é.”
“Bem, sim! Os Skel-Skeletal Dragons são fortes! Mas os aventureiros mythril ainda po-
dem def—”
A surpresa de Igvarge foi acompanhada pelos outros dois aventureiros. Então, houve
uma mudança sutil na atitude deles quando eles olharam para Ainz. Eles eram como ob-
servadores tentando sondar as profundezas de um lago.
“Encontramos os restos de dois Skeletal Dragons no local. Acham que suas equipes po-
deriam romper uma horda de milhares de undeads, matar dois Skeletal Dragons e matar
os mentores até então desconhecidos dessa conspiração em tão pouco tempo? Outros
aventureiros estavam presentes no cemitério, e também relataram a presença de espí-
[Aparições]
ritos distorcidos como Wraiths. Você poderia ter atravessado um terreno tão mortal?”
“Então, por curiosidade. Ouvi dizer que a única outra integrante do grupo de Momon-
san é uma mulher. Ela é uma magic caster, ou seja, ela teria sido completamente inútil
contra os Skeletal Dragons e sua completa imunidade mágica. Sob estas circunstâncias,
apenas ele... não, mesmo com o Sábio Rei da Floresta ao lado dele seria um feito sobre-
humano. Chegou a pensar por este lado?”
“Momon-san. Por favor, permita-me te agradecer em nome da cidade. Se não fosse pela
sua resposta rápida, muitas outras vidas poderiam ter sido perdidas. Infelizmente, eu só
posso falar por mim mesmo neste assunto, mas se um dia vier a mim com qualquer pe-
dido, eu farei o meu melhor para cumpri-lo.”
“Não sou digno de tantos elogios, Chefe de Guilda. Eu estava simplesmente cumprindo
o pedido dos Bareare e resolvi o problema que se colocava em meu caminho.”
“Fufufufu...”
“Seu louvor me honra... mas eu não quero revelar meus trunfos de qualquer maneira.”
“A gente daria conta se fossemos juntos! Além disso, problema é dele se o grupo dele é
pequeno, não temos nada ver com isso. Se não consegue mais ninguém, é porque ele não
é bom!”
O clima ficou tenso, parecia estar gelando, e então o som de um buhiii~ soou no ambi-
ente.
“Vamos deixar o assunto por aqui. Não nos reunimos aqui para lutar, concordam?”
“Eu entendo que os senhores valorizam a força, mas não foi isso que nos reuniu aqui
hoje, que tal colocar as cartas na mesa logo?”
“Obrigado, Prefeito.”
“Huu? Eu não tenho idéia do porquê me agradeceria, mas prossiga com as explicações.
Pois até agora eu não tenho certeza do que está acontecendo aqui.”
“Não se preocupe, além disso, eu estava lidando com um assunto importante com o
Stronoff-kun.”
“Um momento, não é melhor mostrar alguma cortesia básica e remover nossos elmos?”
Igvarge interrompeu mais uma vez com palavras zombeteiras. Ele não estava errado
em dizer isso, mas sua birra já estava passando dos limites. Os outros aventureiros tam-
bém franziram a testa.
“Está bem. Ele fez um apontamento importante desta vez. Eu que fui um pouco rude.”
No entanto, a face falsa que Ainz revelou ao tirar o elmo era simples, o que não era
particularmente atraente.
“Já que eu venho de outro país, uso meu elmo para evitar problemas. Por favor, perdoe
minha falta de boas maneiras.”
Enquanto a voz dando sermão a segunda interrupção de Igvarge era ouvida, ele perce-
beu que todos os outros na sala se sentiam assim também, então relutantemente ficou
em silêncio.
Várias pessoas sorriram amargamente com as palavras de Ainz. O rosto de Igvarge ha-
via mudado de pálido para quase branco, mas quando Ainz colocou o elmo de novo, não
houve queixa.
“Então, espero que não percamos mais tempo. Vamos direto ao assunto.”
“Bem, é porque alguém nos atrasou e não discutimos nada até agora.”
Ainz baixou a cabeça em desculpas. Ele tinha experimentado esse tipo de coisa antes
como assalariado, onde seus chefes anunciavam que só começariam quando todos tives-
sem chegado. Assim, tudo o que ele podia fazer era suprimir a vontade de ir para casa,
porque ele realmente entendia como se sentiam.
“...Já terminou? Mais uma interrupção sua e pode dar o fora daqui.”
Como esperado, foi Ainzach quem falou. Seus olhos estavam cheios de raiva, e não havia
vestígio de calma em sua voz. Naturalmente, ele estava olhando para Igvarge.
Ainz ficou confuso ao observar a reação de Igvarge. Dada a hostilidade que o homem
lhe mostrara agora, não era muito diferente de um estudante do ensino médio discu-
tindo com os pais. Por que ele escolheu recuar?
O que as pessoas pensariam de Igvarge se ele fosse expulso de uma reunião com aven-
tureiros mythril? Mesmo que a verdade viesse à tona, haveria algumas pessoas que acre-
ditariam que ele havia sido expulso por ser um inútil. Se isso acontecesse, sua posição
dentro da comunidade de aventureiros despencaria. Foi provavelmente por isso que ele
calou a boca.
A única aventureira sobrevivente estava com muito medo para conseguir dar uma des-
crição precisa, e só havia anotado detalhes como roupas, cor de cabelo e coisas do tipo.
No entanto, o que mais se destacou foi “cabelos prateados e boca larga”.
Apesar de ser apenas uma descrição confusa, qualquer um que conhecesse Shalltear
pensaria imediatamente nela quando ouvissem tal descrição. Em seu coração, Ainz tinha
certeza da identidade do monstro.
Eu não tenho idéia de como as coisas acabaram assim, mas pode dar ainda mais errado
se eu não alterar as memórias da sobrevivente. Mas vou ter que deixar isso para depois.
“Placas de ferro.”
“...Tenho uma pergunta, por que reuniu tantos aventureiros se é apenas um Vampiro?
Vai fazer uma competição de algum tipo?”
“Ele tem razão. Os aventureiros de ranque platina podem lidar com isso. Não tenho
idéia do porquê reuniria tantos aventureiros mythril.”
“Pode ser que esteja insinuando que o tal Vampiro tem um nível alto... algo como o Vam-
pirelord Landfall que foi mencionado na Saga dos Treze Heróis?”
“Nós não sabemos se o inimigo é de fato um Vampirelord, mas de acordo com a aven-
tureira que sobreviveu, o monstro usou magia de terceiro nível, 「Create Undead」.
Acho que não preciso dizer mais nada, já sabem as implicações disso.”
Eles não tinham nada a dizer. Os olhares tensos em seus rostos falavam tudo que pre-
cisava ser dito.
“—Qualquer coisa que possa usar magia desse nível é ranque platina, no mínimo.”
Panasolei franziu a testa quando começou a obter uma imagem melhor da situação.
“Em outras palavras... não vou interromper com coisas assim novamente.”
Os olhos de Panasolei ficaram afiados, e isso foi o suficiente para mudar a imagem que
passava de si até agora. Ele havia passado de um porco gordo e preguiçoso para um javali
selvagem. Ou melhor dizendo, esse era o verdadeiro rosto de Panasolei.
“É tão grave quanto parece, Chefe de Guilda-san. Um monstro a par com de um aventu-
reiro ranque platina, e até onde sabemos, pode ser ainda mais forte.”
“Exatamente.”
“Como você o descreveria, digo em termos do tamanho de uma força militar compará-
vel?”
“Vou tentar exemplificar, esta é apenas a minha opinião pessoal e não é de forma al-
guma uma avaliação final e livre de críticas. Mas se você quiser pensar nisso em termos
de um grupo de combatentes, dado o fato de que os undeads não se cansam, nem comem
ou bebem... Eu acho que você poderia compará-lo com um exército de dez mil.”
Um olhar de choque surgiu sobre Panasolei ao ouvir isso, e ele olhou para os outros
aventureiros, como se buscasse opiniões sobre essas palavras. Além de Ainz, todos con-
cordaram com as palavras do líder da Guilda dos Magistas.
“Para continuar de onde o Theo parou, apenas cerca de vinte por cento dos aventurei-
ros do Reino podem ser considerados com ou acima do nível de platina. Existem cerca
de três mil aventureiros no Reino, então, entre os oito milhões de pessoas do Reino, exis-
tem apenas cerca de seiscentos aventureiros classificados em platina ou acima. Você en-
tende agora? Os aventureiros classificados em platina são um tanto raros.”
“Misericórdia... Eu gostaria de não acreditar nisso, mas não posso. Então, com essa si-
tuação em mente, gostaria de perguntar aos senhores; estão confiantes em eliminar essa
criatura? Se não... bem, que tal pedir ao Capitão Guerreiro Gazef-kun por alguma ajuda?”
Gazef Stronoff. O mais poderoso guerreiro do Reino, superior até aos aventureiros ada-
mantite. Um homem que era indiscutivelmente o Ás do Reino.
“Pode ser verdade que nenhum guerreiro seja capaz de vencer o Stronoff-dono. No en-
tanto, se Stronoff-dono enfrentasse um grupo de aventureiros mais fracos do que ele, os
vencedores seriam, sem dúvida, os aventureiros. Isso ocorre porque os grupos de aven-
tureiros têm muitos métodos de ataque e defesa — para continuar o exemplo do uso do
Stronoff-dono, o grupo pode usar quatro vezes a quantidade de magias e Artes Marciais
que o Stronoff-dono pode usar. O impacto desta diferença é particularmente marcado
quando enfrentamos monstros que possuem habilidades especiais únicas.”
“Uhum...”
“A solução ideal seria recrutar aventureiros orichalcum e adamantite para isso. Mas an-
tes disso, eu gostaria que os aventureiros mais fortes de nossa cidade montassem uma
linha defensiva para impedir que o dito Vampiro nos invada.”
“Esse é o melhor resultado possível do pior cenário possível. Preciso te lembrar que
nosso inimigo é um exército de um homem só?”
No entanto, e se esse exército fosse comprimido em uma única pessoa? E se essa pessoa
fosse capaz de usar 「Invisibility」 ou fosse adepta de furtividade?
“Ainda assim, como aventureiro, devo dizer que formar uma linha defensiva será muito
difícil, Chefe de Guilda-dono. Pense bem, coordenar nossas equipes vai precisar de um
tempo razoável de treinamento...”
“Sim, mas em vez disso, o que me diz de todos atacarem juntos e ponto final?”
“Eu duvido que isso seja possível. Para trabalhar tão bem quanto isso, precisamos ela-
borar planos de batalha complexos, mas quanto mais complexo o plano, maior a proba-
bilidade de ocorrer algo inesperado. Em vez de arriscar, seria melhor não trabalharmos
em conjunto e apenas operar de forma independente. Falando nisso, por que esse tal
Vampiro apareceu lá? A Guilda formulou alguma teoria?”
“Sobre isso... já que o inimigo é um poderoso Vampiro, a Guilda não tem todos os deta-
lhes no momento. Quando estávamos prestes a organizar um grupo de reconhecimento,
ocorreu o incidente da noite anterior, que dispersou nossas forças.”
“...Entendo. Então você está preocupado que esses dois incidentes estejam vinculados?”
“Momon-shi não cuidou do incidente do cemitério? Havia alguma coisa nos corpos dos
mentores que ligaria os dois eventos?”
Ainz ficou intrigado. O Chefe da Guilda dos Aventureiros — que respondia sem qual-
quer hesitação — virou-se para o Prefeito com um olhar interrogativo em seus olhos.
Ainda assim, quando se pensava a respeito, informações relativas aos criminosos que
haviam conduzido um ataque terrorista à cidade... Era obvio que havia coisas que po-
diam e não podiam ser ditas aos aventureiros.
“Aquela sociedade secreta de controle de undeads? Eu acho que eles realmente estão
ligados a esse Vampiro.”
“Então o objetivo deles era acionar incidentes dentro e fora da cidade para dividir nos-
sas forças? Ou ambos são engodos e o plano real está prestes a começar... qualquer que
seja, é terrível.”
“É bem provável que o Vampiro já tenha saído daquele local... ainda assim, há uma
chance não próxima de zero de que ele permaneça lá, por isso devemos mandar al-
guém—”
Essa foi uma reação natural. Afinal de contas, qualquer um que se dirigisse para a loca-
lização do Vampiro estava dizendo implicitamente que queria entrar em perigo. Se eles
realmente encontrassem o Vampiro, e se o Vampiro fosse tão poderoso quanto os rumo-
res, então a morte certa os esperava.
“...Vamos deixar isso de lado por enquanto. É mais importante fortalecer as defesas da
cidade. Afinal, até onde sabemos, o Vampiro já pode ter se infiltrado na cidade.”
“...Bem, seria bastante fácil se infiltrar aqui, já que pode usar magia. Afinal de contas,
isso não é como a Capital Imperial, com cavalaria aérea e magic caster em patrulha.”
Pode-se usar 「Fly」 para entrar pelo ar, ou andar em linha reta sendo ocultado por
「Invisibility」. Magia era muito problemática para lidar, e foi por isso que consolidar
sua força de luta e montar uma defesa era o caminho mais lógico.
“Ainda assim, é muito difícil fazer qualquer coisa sem qualquer informação concreta.
Eu proponho que precisamos verificar sua localização urgente!”
No final, havia apenas uma maneira de evitar expor a identidade de Shalltear. Ainz en-
goliu em seco — embora não houvesse nada para ele engolir — e disse:
“Para começar, estão todos enganados. É uma Vampira e não tem nada a ver com a Zur-
rernorn.”
“Eu sei como como a Vampira se chama, porque eu a tenho caçado por muitos anos.”
“Quê!?”
O ar estremeceu.
O cérebro de Ainz trabalhava à carga máxima— o evento principal estava prestes a co-
meçar.
Ele parou de repente. Originalmente, ele pretendia dizer “Carmilla”, mas um nome
como esse era normal demais para uma Vampira. Se houvesse outros jogadores por
perto, esse nome rapidamente os revelaria sobre sua presença. Enquanto se perguntava
qual nome dar, um lampejo de inspiração aconteceu, e ele deixou escapar um nome:
“Honyopenyoto...”
“Eh?”
Ele mesmo inventara o nome, mas achava que era um pouco diferente do que mencio-
nara pouco antes disso. Ainda assim, se alguém o pressionasse com suas dúvidas, ele
pretendia manter que tinha falado errado.
“Honyo-penyo...?”
“É Honyopenyoko.”
Embora ele tenha dado a Vampira um nome que terminasse com “ko”, nenhum jogador
de YGGDRASIL deveria ser capaz de adivinhar que ele havia inventado. Cheio de orgulho
por essa escolha perfeita de nomes, Ainz sorriu presunçosamente sob o elmo.
“É isso, então? Essa Honyop... ah, que seja! O importante é que sabemos que o nome da
Vampira... E quanto a você, já não é hora de nos dizer sua verdadeira identidade? Veio e
qual país—”
“Lamento, mas não posso dizer isso agora. Atualmente, estou em uma missão altamente
secreta. E caso descubra, não terei outra escolha senão deixar estas partes, e então você
terá que lidar com a Vampira sem minha ajuda. Eu não quero que isso se torne um inci-
dente internacional. Entende minha posição, Prefeito?”
O Prefeito assentiu devagar e, ao ver isso, Ainzach mordeu o lábio e olhou atentamente
para Ainz.
A encarada do Chefe de Guilda não teve efeito algum. Ainda assim, Ainz não sabia se
haviam comprado sua história ou se continha contradições. Esses dois pontos de incer-
teza encheram seu coração de desconforto, mas Ainz descartou-o com uma brusquidão
que não toleraria interferência e continuou:
Assim falou o Guerreiro que chegou atrasado, mas trajando uma armadura negra tão
sublime quanto a escuridão.
Embora não pudessem ver seu rosto, eles podiam sentir a confiança e determinação
transbordando em sua voz.
O ar se encheu com uma pressão que poderia ter sido confundida com um estrondo, e
o suspiro que se seguiu fez todos pensarem que tinham feito esse estrondo.
Essa declaração sem a menor consideração foi feita com a maior audácia.
Não era nada sábio tal ato, nem mesmo entre os companheiros aventureiros de nível
equivalente. No entanto — todos os aventureiros aqui eram veteranos de inúmeras lutas
entre a vida e a morte. Eles podiam sentir que a atitude dele não nascera da imprudência,
do narcisismo ou do orgulho, mas fôra calculada fria e cuidadosamente. Ao mesmo
tempo, falou muito da força do próprio Momon, já que ele poderia fazer tal afirmação.
Parecia que a armadura negra estava crescendo diante de seus olhos, e a pressão que
sentiam os fazia imaginar que a própria sala estava encolhendo. Eles podiam sentir que
aquele homem era alguém que não podiam superar; era como se ele fosse um aventu-
reiro adamantite.
Ainzach sufocou as palavras para dentro de si, e então respirou fundo várias vezes. Na
verdade, todos os presentes faziam o mesmo, o Prefeito até abrira o colarinho e o suor
escorrera despudoradamente.
“Discutimos isso depois. Mas que fique ciente, após este incidente ser resolvido... após
eu achar e destruir a Vampira, eu gostaria de uma placa orichalcum no mínimo. Isso tor-
naria a tarefa de rastrear o Vampiro, porque é cansativo ter que provar minha força.”
Os aventureiros não trabalhavam para cidades ou países, mas essa cidade não tinha
nenhum aventureiro orichalcum no momento. Se ele se tornasse um dos maiores aven-
tureiros da cidade, todos saberiam seu nome. Além disso, a raridade dos aventureiros
de ranque orichalcum significava que sua fama se espalharia ainda mais. Dessa forma,
as pessoas vinham até ele com missões perigosas, e isso permitiria que ele aprendesse
sobre outros poderosos Vampiros.
No entanto, havia um homem cujo coração se recusava a aceitar isso, mesmo que ele já
tivesse sido persuadido em um nível intelectual.
“Duvido que seja forte a este ponto. A-Além disso, nem sabemos se a Vampira é tão forte
quanto você diz. E reanimar cadáveres pode ter sido obra de um item mágico. Minha
equipe vai junto!”
A razão pela qual Igvarge ainda poderia reunir sua oposição a Ainz apesar de ter sido
abalado até o núcleo foi puramente por causa de sua hostilidade em relação a Ainz e sua
recusa em admitir a derrota.
No entanto, seus companheiros aventureiros não aprovaram sua atitude. Bellote falou
em tom farpado:
“—Tudo bem.”
Ainz concordou prontamente com o pedido. No entanto, não houve gentileza nessa res-
posta; As seguintes palavras foram frias e implacáveis.
“Pode vir, mas fique ciente de que, se vier... será morte certa para você. E por tudo que
sei, todo o seu grupo pode ter o mesmo destino.”
Aquele tom factual não soava como uma ameaça, nem soava como uma piada. Era uma
previsão clara do futuro, que causou um arrepio no corpo de Igvarge. Na verdade, todos
os presentes estavam gelados até o osso por essa afirmação.
“Esse é o meu aviso. Mas se não se importa, então venha junto, será um prazer.”
Ele estava blefando, mas não podia se arrepender agora. Ele não podia fugir disso. Como
poderia ele, um aventureiro mythril, desgraçar-se diante de alguém influente como o
prefeito?”
Assim que a tensão se construiu novamente entre os dois, Ainzach — que se acalmou
um pouco — perguntou a Ainz:
“É gosto de gente confiante, mas há alguma base para essa confiança? Sabemos o quanto
é forte, mas com certeza esse monstro não é brincadeira. E sendo honesto com você, não
tenho certeza se é certo jogar tudo nas suas costas. Se... se por algum motivo você for
derrotado, precisamos estar preparados para o pior...”
“Como assim?”
“Uma vez eu li um antigo livro... dizia que a Teocracia possui poderosos itens mágicos
que consideram seus tesouros nacionais. E este é como um deles... um Cristal Selado de
magia. Como você possui tal coisa?”
“Surpreendente... mas de fato está certo. Além disso, este cristal contém uma magia de
oitavo nível.”
As exclamações que Ainz havia evocado de Rakheshir eram como os gritos de uma ga-
linha sendo estrangulada. Até o rosto do homem havia se distorcido até um ponto assus-
tador.
Não foi apenas Rakheshir que ficou chocado. Todos— mais precisamente, todos exceto
o Prefeito, tinham uma expressão de medo ou surpresa em seus rostos aturdidos. Qual-
quer aventureiro com um mínimo de experiência poderia entender o valor do item que
Ainz mostrara para eles.
“...É coisa das lendas, mas se realmente for magia desse nível... isso aí não é nada menos
que uma relíquia mítica.”
Os três aventureiros — até mesmo Igvarge — olhavam atentamente para o cristal sobre
a manopla negra, olhares assustados estampavam seus rostos.
“Por quê?”
O cristal passou por várias mãos antes de chegar a Rakheshir, que o encarou como uma
mulher que finalmente obtivera uma joia pela qual sempre ansiou. Não, pode-se dizer
que ele era como um menino que encontrou um tesouro que sempre procurara.
“Incrível... ah, sim, Momon-dono, posso lançar uma magia sobre isso?”
Depois de ver Ainz concordar com um aceno de mão, Rakheshir trabalhou avidamente
sua magia.
O olhar no rosto do homem ficou ainda mais exagerado depois que ele lançou essas
magias e depois...
“Impressionante!”
—Não havia vestígio do homem de antes. Em vez disso, seus olhos inocentes irradiavam
um olhar de puro deleite, e até seu tom era diferente, como se ele fosse um adolescente
novamente.
“É verdade! É realmente magia do oitavo nível! Isso é tudo que minhas magias podem
me dizer... mas é incrível, realmente incrível!”
Ele gritou assim várias vezes, o que deixou todo mundo olhando em silêncio. Então,
Rakheshir pegou o cristal e o lambeu por inteiro, até mesmo esmagando-o contra o rosto
— como se tivesse enlouquecido.
“Foi desenterrado em uma certa ruína, junto com muitos itens mágicos. Claro, o cristal
já tinha essa magia selada dentro dele no momento em que foi descoberto. Eu tive ajuda
de um poderoso magic caster para identificá-lo.”
“Uuu... claro.”
“De volta ao ponto, eu— eu me oponho ao Momon-san indo matar essa Vampira!”
O silêncio tomou conta do ambiente mais uma vez e Ainzach espalmou seu rosto. Ele
fez uma carranca e perguntou em tom severo:
“...Por que essa oposição súbita? Não que eu não imagine o porquê, mas ainda assim...
eu tenho que perguntar.”
Ele ficou completamente insano, Ainzach decidiu quando olhou para o amigo, mas deci-
diu descartar sua opinião.
“Por favor, espere! Magia do oitavo nível é praticamente de nível divino! Como pode
usar um item tão valioso numa mera Vampira?”
A raiva fervia nos olhos de Ainzach. Ele não podia mais tolerar esses alvoroços, especi-
almente de alguém da alta sociedade como Rakheshir.
Depois de olhar para o amigo para se certificar de que estava de volta ao normal, Ain-
zach decidiu formalizar o pedido.
“Compreendo.”
“Vamos sair o mais rápido possível. Vampiros sofrem uma penalidade de lentidão sob
a luz do dia.”
“Penalidade? Eh, fala de ficarem fracos? Eles se movem menos durante o dia. Nosso lado
estará pronto em breve.”
“Uma hora? Não é um pouco cedo demais? Ainda há muito tempo antes do pôr do sol.”
“Estou com muita pressa. Se te falta coragem e precisa de algum tempo para se recom-
por, então eu vou deixar você aqui e ir sozinho. Alguma pergunta?”
Havia uma raiva evidente na voz de Igvarge quando ele se levantou depois de falar. Ainz
olhou friamente para Igvarge recuar e então se virou para olhar para as outras pessoas
que estavam na sala.
“Ótimo, partiremos o quanto antes. Espero que todos os outros defendam E-Rantel. Eu
não desejo voltar sem ter encontrado a Vampira e descobrir o quão problemática a situ-
ação é.”
♦♦♦
No final, só restaram três pessoas na sala; Panasolei, Ainzach e Rakheshir, que ainda
tinham uma expressão apaixonada no rosto.
Rakheshir também achava que tinha feito uma exibição desagradável, e ainda agora era
difícil conter sua animosidade.
A herborista Lizzie era sua conhecida de longa data e, da última vez que conversaram,
ela contou com euforia sobre uma misteriosa poção. Enquanto ouvia sua animada pales-
tra na ocasião, ele a observara com olhos desanimados e se perguntava se realmente
valeria a pena ficar tão animado só por isso. No entanto, agora ele queria rir de seu pas-
sado.
Ele agora entendia como era ser tomado pela surpresa e agitações emocionais incon-
troláveis que se sentia quando um objeto impossível aparecia diante dos olhos.
Rakheshir ficou em silêncio. Isso porque ele estava lutando para suprimir a alegria de
menino que estava surgindo dentro si.
“Sim. Aquele item pode mudar tudo o que sabemos sobre magia. Até então, o fato era
que a magia acima do sexto nível vivia apenas nas lendas. Até onde sei, eu posso ter sido
o primeiro dessas bandas a testemunhar algo daquele nível.”
As magias conhecidas como “Magia de Níveis” apareceram neste mundo cerca de 500 a
600 anos atrás. Depois disso, houve vários heroicos usuários de magia, mas os rumores
de outras pessoas além dos Treze Heróis, usando magias de 7º nível e acima, eram exa-
tamente isso — rumores.
Nas sagas heroicas, havia um herói que uma vez usou uma magia que fez as pessoas
concluírem que “É impossível até mesmo com a magia do 7º nível ou superior”, mas a
Contudo—
Rakheshir pensou, essas histórias podem não ser inteiramente fictícias. Ele fez uma
anotação mental disso e disse a si mesmo para investigá-las quando tivesse tempo.
Por exemplo, o Rei Goblin que matou muitos Dragões usando um galho de freixo, o herói
alado que sobrevoou o céu por longos períodos, o Cavaleiro Místico que montou um Dra-
gão de Três Cabeças, a princesa que governou a cidade de cristal com seus doze leais
cavaleiros, e assim por diante.
Assim, eles consultaram a mais renomada herborista da cidade, Lizzie Bareare, sobre o
assunto. O que eles aprenderam foi que a poção era um item mágico tão valioso quanto
o cristal de agora.
Alguém poderia suspeitar se ele possuísse apenas um item exótico, então era natural se
perguntar quem diabos ele era, já que possuía dois. Ainda assim, por que a Vampira pa-
rou seu ataque?
Havia duas possibilidades. Primeira, era que ele seria inimigo dessa Vampira. Segundo,
era que havia algum elo entre eles. Era por isso que eles queriam ver se tal relação existia.
Momon era realmente um inimigo dessa Vampira?
Isso era o que eles estavam realmente preocupados, e os três pensaram na conversa
com Momon.
“Eu acho que a possibilidade disso é muito baixa. O que me diz, Rakheshir?”
Mesmo que Momon estivesse realmente ligado a essa Vampira, a resposta descrita an-
teriormente não lhe traria bem algum.
“Eu duvido, Prefeito. Aventureiros gozam de fama e prestígio, mas possuem pouca in-
fluência. Quais são os benefícios de se tornar um aventureiro orichalcum, Ainzach?
“...Bem, pode-se aceitar solicitações com pagamento melhor e ganhar mais fama. Se ti-
ver sorte, pode até receber um agrado do governo por serviços prestados... na melhor
das hipóteses. Dá para conseguir poder e influência por meios mais fáceis, se é que me
entendem.”
A impressão mais reveladora dos aventureiros era que eles eram mercenários especia-
lizados contra monstros. Certamente, era possível que alguém pudesse se tornar o líder
de área dentre os presentes na Guilda dos Aventureiros, mas eles ainda seriam incapazes
de alcançar uma posição em que pudessem ditar a política nacional.
“Se ele almejasse ser rico, era só vender aquele cristal e nunca mais se preocupar com
dinheiro para o resto da vida. Alguém tão forte quanto ele poderia crescer rapidamente
na fama. O fato é que muitos dos guardas da cidade já o chamam de herói lendário.”
O homem de quem falavam havia abatido uma imponente criatura undead em um golpe,
e então cortou incontáveis undeads como uma tempestade, deixando corpos dilacerados
em seu rastro. Essas visões inspiradoras eram realmente aquelas que seriam associadas
a um grande herói.
“Mesmo assim, sinto dizer que não temos provas de sua confiabilidade. Por outro lado,
até agora não há contradições no que o Momon-dono disse, e se ele realmente for um
inimigo, por que nos mostraria aquele Cristal Selado? Acho que podemos confiar nele.”
As palavras de Rakheshir resultaram em expressões iguais no rosto dos outros dois ho-
mens. Essa expressão dizia claramente que era difícil acreditar em tais palavras vindas
de um maníaco como ele.
“Prefeito, Ainzach, a razão pela qual nenhum de vocês pode confiar em Momon-san é
porque ele apareceu do nada, da mesma maneira que a Vampira, acertei? Do meu ponto
de vista, as palavras do Momon-san puderam explicar isso adequadamente.”
“Faz sentido... então ela queria deixar o Momon-san saber que ela estava por perto e
fazê-lo a seguir. A Vampira deve ter visto a poção da aventureira e suspeitou que ela
fosse parente do Momon-san. Assim, ela a libertou para espalhar a notícia de sua pre-
sença. Realmente faz sentido...”
“...Dado o fato de que o Momon-kun perseguiu aquela Vampira até essas bandas... Eu
não posso imaginar que ela ficaria feliz em saber que ele estava por perto.”
“É como eu disse, Prefeito. O empecilho, é que ainda não sabemos de qual país ele veio,
então é bom ficarmos atentos e confiar desconfiando. Embora eu não ache que ele seja
tão suspeito... kuku, eu gostaria de discutir o assunto dos itens mágicos de Momon-san
pessoalmente com ele. Aquela armadura também parece muito valiosa.”
Os cadáveres mutilados deixados por Ainz tinham sido armazenados sob os olhos de
dúzias e mais dúzias de guardas, mas haviam desaparecido após o amanhecer. Embora
suspeitassem que alguém os houvesse violado e roubado, os guardas não haviam sido
atacados e não havia sinais de que alguém suspeitasse.
A área de armazenamento tinha sido construída de uma maneira que inibia o uso de
magia de teletransporte; Pode-se dizer que era uma espécie de sala secreta. Assim, não
havia sinal de como os intrusos haviam conseguido entrar. Era como se os cadáveres
tivessem desaparecido em uma nuvem de fumaça.
Eles ainda estavam secretamente procurando por pistas dentro da cidade, mas até o
presente momento não encontraram nada. A possibilidade de encontrar alguma pista
era próxima de zero. Em outras palavras, não puderam extrair nenhuma informação dos
dois cadáveres.
“Poderia ser que o ritual profano que eles estavam conduzindo os transformou em
undeads, e então escaparam?”
“Pelo que você disse, parece que o Momon-kun não entrou naquele lugar. Se encontrás-
semos um item mágico que não pertencesse a ninguém e de grande valor, poderíamos
deixar a encargo dele?”
“Mmm, se tais itens não tiverem envolvimento com o ritual, então pelas regras dos
aventureiros, os itens pertencem a ele.”
Parte 4
O vento morno entrou através das fendas em seu elmo, soprando sobre o local que cor-
respondia aos seus olhos. Talvez se tivesse globos oculares, ele estaria piscando sem pa-
rar, mas Ainz não tinha nenhum órgão sensorial, então tudo o que ele sentiu foi “o vento
está soprando”.
Olhando para baixo, ele viu a terra passando sob seus pés como uma flecha disparada.
Ele não sabia se era porque estava perto do chão ou por alguma outra razão, mas parecia
que ele estava se movendo mais rápido do que realmente estava. Claro, ele não estava
nem um pouco assustado. Ainda assim, toda vez que seu corpo trepidava, ele canalizava
mais força para suas pernas.
Embora Hamsuke pudesse manter o equilíbrio, ainda era como montar Hamster Djun-
gariano gigantesco. Ainz precisava abrir bem as pernas para cavalgar, e essa postura de
pilotagem instável era agravada pela falta de rédeas, barda ou sela. Mesmo alguém com
um equilíbrio extraordinário como Ainz tinha que ter cuidado para não cair.
Vai ser difícil manusear minhas espadas enquanto estiver montando em Hamsuke; talvez
eu devesse ter um conjunto de chicotes de equitação e bardas feitos para isso, espero que
em breve. O Ferreiro Chefe está fazendo projetos de armaduras; talvez eu possa conseguir
alguma ajuda.
Não era apenas o passeio instável que trouxe esse tópico à mente, mas também por
causa de quem andava ao lado.
Narberal estava montada em um cavalo enquanto permanecia alinhada com Ainz. Ela
montou um Statue of Animal: War Horse, um item mágico que evocava um enorme ca-
valo de guerra com armadura.
Faziam uma equipe de quatro pessoas, e pareciam mais bem equipados do que os fina-
dos membros do Espada das Trevas, com quem Ainz tinha viajado dias atrás.
Ainz jogou a questão do Espada das Trevas para o fundo de sua mente, deixando de lado
os pensamentos complicados que esse assunto trazia consigo, e então estudou os cavalos
que aquelas pessoas montavam.
Ainz não era equestre, mas dado que os pêlos brilhavam e seus corpos estavam em bom
estado, era correto supor que não eram cavalos comuns.
Ainz estava bastante deprimido, mas ele parecia ser o único que se sentia assim.
Essas palavras vieram de um dos camaradas de Igvarge, uma tentativa de iniciar uma
conversa com Ainz. Ao contrário de Igvarge, não havia hostilidade em sua voz, em vez
disso, curiosidade. Hamsuke teria despertado esse sentimento no aventureiro, e suas
palavras estavam cheias de admiração e reverência.
Eu ainda não consigo me acostumar com esse tipo de reação. Eles têm que fazer essa cena
toda por causa de um hamster... hm?
Ainz deu um cascudo impiedoso na cabeça de Hamsuke usando a mão, isso produziu
um som profundo e reverberante do crânio da criatura.
“Cara... o Igvarge falou que você... Deixa pra lá, ele deve estar com raiva de você, só pode
ser isso.”
“Como ele me descreveu? Ah, não precisa dizer, posso adivinhar só de olhar para vocês.”
“Hahaha, sinto muito. Aquele cara... ele não é um mau sujeito, sabe? O problema é que
ele fica com umas birras quando aparece alguém melhor que ele.”
“...É surpreendente como vocês ainda estejam junto com alguém assim no grupo. Ou
este grupo troca de membros frequentemente?”
“Não, somos os mesmos desde a fundação do grupo. Mesmo que a personalidade dele
não faça parecer, ele é um bom sujeito e bom aventureiro também!”
Ainz bufou. Então, levantou a mão, indicando que Narberal deveria suprimir a raiva que
se formava dentro dela em direção a Igvarge. Ainz não queria começar uma briga aqui
— havia coisas mais importantes que tinham que ser feitas neste momento.
Ainz sentiu uma pontada de arrependimento. Talvez tivesse usado muita força. Ainda
assim, teria sido ruim se ele tivesse caído por conta da agitação de Hamsuke.
Ele não se machucaria mesmo se caísse no chão. Ainz já havia conduzido um experi-
mento com um dos vassalos que tinham uma redução de danos semelhante à sua, e não
sentira nenhuma dor mesmo depois de ter caído de uma altura de um quilômetro.
“Corra mais uniformemente. Eu não quero ter que usar força para continuar montando
em você.”
“Entendido! Milorde deve estar preocupado com o corpo deste seu servo aqui!”
Desta vez, Hamsuke chorou por ser impelida a tal, e Ainz ordenou que se mantivesse na
dianteira. Foi então que o companheiro de Igvarge de agora a pouco se dirigiu a ele em
um tom respeitoso:
“Oh, impressionante! O senhor consegue manter seu equilíbrio em uma posição tão pre-
cária. Isso seria muito perigoso, mesmo para alguém com um bom senso de equilíbrio
como o seu, não?”
“Sela... mas este aqui realmente não gosta disso... apenas uma brincadeira, é claro! Se
Milorde desejar, seu servo aqui não tem objeções!”
Sob o olhar reprovador de Narberal, Hamsuke se esforçou para mostrar a atitude con-
dizente com uma vassala leal. As vibrações vindas de baixo da cintura de Ainz eram di-
ferentes dos tremores das viagens.
Porque diabos está assustando um hamster com intenção assassina? Embora eu aprecie
esse tipo de lealdade, não está indo longe demais? Não há problema em desprezar os seres
humanos, mas há um tempo e um lugar para esse tipo de coisa... Ela é muito cabeça dura...
Ela realmente foi projetada assim? Não há muito o que pode ser feito já que ela é assim,
mas...
Apenas por ter Hamsuke com ele já proporcionava um enorme impulso para sua fama,
e a combinação da lealdade inabalável do Rei Sábio da Floresta a si mesmo era muito
diferente do medo que inspirava nos outros. O primeiro faria as pessoas pensarem bem
em Ainz e considerá-lo um aventureiro de espírito nobre. Embora isso não significasse
muito, ele queria continuar se desenvolvendo nesta direção, já que tinha a chance de
fazê-lo. Isso também porque ele queria ser considerado um herói.
Além disso, seria útil que pessoas de fora de Nazarick jurassem lealdade a ele.
Isso fez Ainz refletir sobre suas ações, e considerou que poderia ter sido muito rude
com Hamsuke. Por isso, ele afagou levemente o lugar que havia dado um cascudo agora
a pouco, como se estivesse acariciando um animalzinho.
O som de dentes rangendo era claramente audível para Ainz, mesmo através do galopar
de cavalos.
...Se estou fazendo isso, é por culpa sua, esqueceu? Quanta força está usando para ranger
alto assim? E se for ciúmes dela, então eu deveria fazer algo só para ela? A Narberal tem
sido muito leal também, mas... como eu poderia recompensá-la?
Enquanto Ainz agonizava sobre presenteá-la com um anel ou algum outro tesouro,
Igvarge falou de uma maneira completamente hostil.
É um pouco embaraçoso te montar, Hamsuke, mas eu fico feliz porque não preciso andar
a cavalo. Se bem que, pode chegar o momento em que eu precise. É melhor eu praticar
depois, caso alguma emergência surja.
Depois de ouvir a resposta irritada de Igvarge, Ainz guiou Narberal e Hamsuke para a
floresta.
Muito parecido com a floresta perto do Vilarejo Carne, as florestas aqui não tinham si-
nais de habitação humana e era muito difícil de atravessar. No entanto, Ainz portava di-
versos itens mágicos, então para ele era equivalente a uma planície. Além disso, sua an-
siedade em relação a Shalltear o fez acelerar o passo, a ponto de Igvarge pedir que dimi-
nuíssem o ritmo.
Bem, Ainz perguntou por educação antes, mas suas palavras secas estavam cheias de
hostilidade. Narberal — que estava andando ao lado de Ainz — quase se virou para re-
preendê-los, mas Ainz a obrigou a ficar quieta.
Ainz sabia o que havia provocado essa resposta de Hamsuke, e então ele sussurrou no
ouvido de Hamsuke:
“—O tilintar metálico que ouviu é dos meus subordinados. Pode relaxar.”
Ele havia ordenado que Nigredo estabelecesse vigilância e além de ter tomado muitas
outras precauções, mas perguntou de novo só para ter certeza.
“Tem certeza?”
O homem não parecia feliz com essa resposta, mas depois de perceber que Ainz não
queria falar sobre isso, ele deu de ombros e não insistiu no assunto.
Ainz apenas pensava naquelas palavras sem falar enquanto avançava silenciosamente
pela floresta.
“Aconteceu algo?”
Esta foi a primeira vez que os outros homens mostraram aprovação a hostilidade de
Igvarge.
Igvarge estava gritando para uma árvore grande o suficiente para esconder a silhueta
de uma pessoa.
Em meio à crescente tensão no ar, Ainz caminhou calmamente até a árvore. Uma voz
com um leve tom de pânico o chamou, mas Ainz não prestou atenção.
Narberal assistiu como se fosse a coisa natural a fazer. Hamsuke teve suas dúvidas, mas
não ofereceu nenhuma oposição.
Quando ele se aproximou da árvore, alguém saiu de trás, como se em resposta. A pessoa
em questão estava vestida com uma armadura completa que era da mesma cor preta que
a de Ainz. Aquela pessoa segurava um gigantesco bardiche que irradiava um brilho verde
pestilento.
“Então, Shallt—”
Esta foi uma reação totalmente compreensível para Igvarge e companhia, mas foi uma
ofensa imperdoável aos olhos de Albedo, que ainda estava se curvando para Ainz. O ran-
cor ardente queimava dentro de seu coração, então ela o soltou, como se planejasse in-
cinerar tudo com as chamas de sua ira.
“Tem razão, permita-me refazer minhas palavras. Ela é minha subordinada; Isso res-
ponde à sua pergunta? Albedo, comece o próximo passo, como planejamos.”
“Oh, quase me esqueci. Eu não me chamo Momon. Meu nome verdadeiro é Ainz. Não
que vocês precisem se lembrar disso, é claro.”
Albedo sorriu presunçosamente ao ver os olhares confusos nos rostos dos homens. No
entanto, aquele sorriso foi tão gelado quanto um túmulo.
“Então, Albedo... lide com eles. Deixe um vivo... melhor, deixe dois, pode ser bom um na
reserva. Nosso jammer de sinal já está operante, então você pode ir em frente e usar uma
comunicação mágica.”
“Leve os cadáveres para Nazarick. Se eles forem fortes o suficiente, podemos usá-los
para experiências de criação de undeads de alto nível.”
“Sim, senhor.”
Isso era apenas esperado. Afinal, para Albedo, cortar as cabeças das formas de vida in-
feriores (humanos) era pouco mais do que cortar filetes de daikon.
Se essa não fosse a ordem de Ainz, ela nem precisaria balançar sua arma para verificar
o equilíbrio.
Igvarge e seu grupo podem não ter entendido a situação, mas ainda sabiam que estavam
em perigo, eles levantaram suas espadas em preparação para lutar.
“Ah, sinto muito. Mas eu te avisei na guilda, quando eu disse “será morte certa para
você”, eu realmente quis dizer que, se vierem comigo, eu os matarei.”
“Eu te avisei, mas você não quis ouvir. Estas são as consequências da sua escolha.
Aceite-a com dignidade.”
A razão pela qual todos eles imediatamente recuaram sem sequer verificar seu adver-
sário, foi porque entendiam a grande diferença entre suas respectivas forças de batalha.
Além disso, eles não recuaram unidos, em vez disso, se separaram a fim de maximizar
suas chances de sobrevivência.
A reação deles estava fora do escopo das previsões de Albedo, que demorou um pouco
para responder à altura. Embora seus atributos físicos excedessem em muito os de Ainz,
perseguir um inimigo através da floresta ainda era bastante problemático.
Ela perseguiu seu primeiro alvo e em um instante o deixou inconsciente com uma ha-
bilidade de captura.
“Mare, lide com esses dois. Faça questão de eliminar o homem que foi desrespeitoso
com o Ainz-sama.”
Parte 5
Igvarge correu.
Pensando sobre os acontecimentos da Guilda, ele tinha entendido até certo ponto que
Momon era um aventureiro melhor do que ele, mas Igvarge não estava disposto a reco-
nhecer esse fato.
Ao perceber que o que eles haviam discutido naquela sala era verdade, o coração de
Igvarge se encheu de raiva.
Eu não sei de que país você é, mas não me atrapalhe. Eu dou a informação que quiser, só
não me encha o saco.
Ele e seu grupo haviam treinado ferrenhamente para realizar seus sonhos, subiram len-
tamente suas posições no ranque depois de inúmeras experiências de quase morte. Era
natural que ficassem infelizes quando alguém de repente saltasse várias posições.
Ele daria uma rasteira em Momon se tivesse a chance. Ele arruinaria a reputação de
Momon com falsos rumores. Era isso que Igvarge tinha em mente quando decidira viajar
com Momon.
Este também foi o motivo — quando a companheira de Momon apareceu trajando ar-
madura negra, declarou que ela mataria Igvarge e seu grupo — pelo qual ele poderia
recuar sem qualquer hesitação. Embora estivesse com medo, ele ainda se movia mais
rápido do que qualquer outro. Estava sendo impulsionado pelo desejo malicioso de es-
palhar más notícias sobre Momon — sobre Ainz — por toda a Guilda.
Vai se arrepender, eu vou voltar vivo, você vai ver! Depois vou botar a boca no trombone,
todo mundo vai ficar sabendo!!
Ele não sabia como Momon estava conectado a Vampira. Mas ele tinha certeza de que
poderia guiar os rumores partindo desse princípio.
Embora soubesse que aquela arma terrível poderia ceifá-lo a qualquer momento, que
sua vida poderia estar em perigo, Igvarge sorriu, incapaz de reprimir as emoções que
surgiam em seu coração.
Ele não se importava com seus camaradas. Ou melhor, eles se tornariam os mártires
que permitiram que ele saísse vivo, o que seria ainda melhor.
Não havia necessidade de alguém forte ao seu lado. Seus companheiros eram apenas
degraus em sua escalada até o cume. Ele seria o verdadeiro herói que salvou o mundo,
Mas então, havia um homem que iria atrapalhar seus sonhos — superando ele e sua
equipe. Pior, ele estava fazendo isso sem nem se dedicar. Isso foi imperdoável.
O fato de que Igvarge pudesse correr em alta velocidade pela floresta sem o rosto ficar
vermelho ou ofegante provava que ele era de fato um aventureiro mythril.
Contudo—
Que lugar é esse? Eu corri em círculos pra despistar alguma emboscada que possam ter
montado perto dos cavalos... mas hein?
Igvarge sentia tinha tomado o caminho certo, e seu senso de direção confirmou isso.
Todavia, seu sexto sentido dizia o contrário. Ele não se perderia mesmo se esta fosse sua
primeira vez em qualquer floresta. Mas por algum motivo, ele ainda estava incerto de
sua localização.
Ele pensou. Porém, isso não parecia sua imaginação. Embora relutante, ele teve que re-
conhecer que isso era real.
“Parece um labirinto...”
O mal-estar e a ansiedade surgiram dentro de si, parecia haver um véu bizarro perme-
ando a floresta que deveria ser completamente familiar.
E então—
Igvarge se lembrou do carrasco vestida de preto e sacudiu a cabeça olhando para a fonte
do som. Ele viu a cabeça de uma criança saindo atrás de uma árvore.
Ele ouvira dizer que os grandes assentamentos de Elfos Negros estavam localizados nas
grandes florestas ao sul, onde nenhum homem pusera os pés. Elfos Negros eram do tipo
que viviam longe de áreas civilizadas. Nesse sentido, eles eram diferentes dos Elfos da
Floresta, que negociavam com humanos.
Havia algo estranho sobre esse Elfo Negro, que além disso era uma criança. O coração
de Igvarge se encheu com dúvida. Só então, a criança nervosamente deu um passo à
frente.
É uma menina.
Ela estava vestida com roupas femininas, e o olhar assustado em seu rosto delicado e
bonito despertou os desejos sádicos de Igvarge. Embora ele se perguntasse se essa ga-
rota havia sido enviada por Momon, os dois tinham atitudes completamente diferentes,
e então ele riu da idéia como sendo impossível.
Mais importante, se essa garota fosse uma Elfa Negra que vivia nessa floresta, ela cer-
tamente conheceria uma rota segura. Além disso, se aquela mulher de armadura negra
o alcançasse, ele poderia usar a garota como refém. Com isso em mente, Igvarge decidiu
tentar convencer a garota a obedecê-lo, e então ele deu um passo à frente.
“...Ei.”
Ele intencionalmente fez sua voz mais grave, preenchendo-a com notas de ameaça, isso
assustou a Elfa Negra que deu um passo para trás.
Igvarge riu friamente ao ver o olhar nervoso no rosto dela. Ele estava confiante de que
seu plano funcionaria.
“Não precisa se desculpar. Há algo que eu quero te perguntar, pode chegar mais perto?”
Como poderia um aventureiro mythril como ele mesmo falhar em parar a magia de uma
pirralha como ela?
Mesmo depois de lutar com todas as suas forças, as plantas se recusaram a ceder. Como
ansiedade e pânico encheram seu coração, Igvarge levantou a voz e gritou:
Foi então que Igvarge percebeu que sua roupa era excepcional. As roupas e armaduras
foram feitas magistralmente, algo desse tipo o próprio Igvarge não seria capaz de adqui-
rir. Além disso, os olhos — a lembrança de algo que um amigo Elfo dissera uma vez sur-
giu em sua mente.
No entanto, antes que a memória pudesse tomar forma completa, uma sombra cobriu
seu rosto.
Embora seu rosto ainda parecesse acovardado, não havia emoção em seus olhos. Ela
não sentia nada a respeito do que estava prestes a fazer. Era como se sua atitude de medo
fosse apenas uma encenação que ela havia sido instruída a fazer.
Ele sobrepôs a silhueta da garota diante dele sobre a da mulher de armadura negra de
antes.
♦♦♦
Albedo tirou o elmo e sorriu para Mare que olhava nervosamente para ela.
“Se-Sério? Ehehehe.”
O Elfo Negro maravilhado com a possibilidade do elogio olhou para o cadáver e então
Albedo perguntou:
“E sobre o outro?”
“Ah, b-bem... já cuidei disso. Eu, eu arrastei o cadáver para atrás de uma árvore...”
“Jura? Então realmente fez tudo com perfeição. Mare, poderia me ajudar a levar os ca-
dáveres para Nazarick?”
“Cla-claro.”
Albedo sorriu mais uma vez para o menino sorrindo de alegria enquanto segurava o
cajado manchado de sangue.
Ele é tão honesto com seus sentimentos. Ainda assim, seria melhor se ele fosse mais aberto
com todos em Nazarick.
Parte 6
Disse Albedo, com o elmo preso na cintura. Ainz assentiu enquanto ouvia. Agora, não
havia testemunhas da identidade de Shalltear. Com a armadura removida, Ainz se sentiu
bastante à vontade enquanto respondia:
“Ótimo. Um problema a menos. Infelizmente, eles foram mortos pela Vampira, então nós,
os sobreviventes, devemos continuar nossa jornada.”
“Entendido. Então... Ainz-sama, o que é essa criatura trêmula que se esconde atrás de
seu manto?”
Ainz se virou e descobriu que, como esperado — embora fosse muito difícil entender o
porquê uma criatura tão grande faria tal coisa — Hamsuke estava agarrado ao manto de
“Quê!? Essa coisinha realmente tem a posição mais cobiçada por todos os habitantes de
Nazarick!?”
“...Hm? ...Ah, Hamsuke. Esta é Albedo, minha fiel serva que governa a Grande Tumba de
Nazarick durante minha ausência. Em outras palavras, ela é sua chefe. Vá, se apresente
a ela.”
“Este humilde aqui é, como Milorde já disse, conhecido como Hamsuke. Eu me coloco
aos seus cuidados, Albedo-dono.”
“Sim, senhor!”
A resposta de Narberal foi bastante enérgica. Hamsuke rodou o objeto que havia rece-
bido no cemitério dentro de sua boca, e perguntou a Narberal de uma maneira distor-
cida:
“En-entendi, Milorde. E— essa coisa é muito barulhenta! Este aqui tem uma pergunta
importante a fazer! Faça silêncio! Então, este aqui tem uma pergunta a fazer... Narberal-
dono, este aqui estará em perigo? Este aqui será comido?”
“Já que você é o animal de estimação do Ainz-sama, você não será comido sem autori-
zação. Eu informarei a todos; Não há motivo para se preocupar.”
O rosto de Ainz não se moveu, mas ele estava sorrindo. Parece que deixá-los viajar jun-
tos em E-Rantel melhorou o relacionamento de ambos.
“Entendido.”
Quando ele estava prestes a repetir o que havia dito a Narberal na noite passada, “Po-
demos precisar entregar os responsáveis por trás do incidente...”, Albedo continuou fa-
lando e interrompeu-o.
“Eles podem ter aprendido alguma coisa enquanto lutavam com o senhor, Ainz-sama.
Como há magia que pode trazer os mortos de volta à vida, o melhor curso de ação teria
sido recuperar imediatamente os cadáveres. Ou havia alguma razão especial para fazer
o contrário?”
Magia de ressurreição existia neste mundo; em outras palavras, homens mortos pode-
riam contar histórias melhor do que qualquer autópsia.
Ainz recordou os acontecimentos daquela noite. Ele pensou em sua identidade real, o
nome de Nazarick e as habilidades de Narberal. O homem e a mulher sabiam tudo isso,
especialmente aquela mulher.
Algo grave demais para um erro, seria uma ofensa usar a palavra “erro” para descrever
tal cadeia desastrosa de eventos.
Tudo o que ele podia fazer agora era esperar que ninguém pudesse usar a magia de
ressurreição, mas de acordo com as informações obtidas com os membros da Escritura
da Luz Solar, havia pessoas dentro da Teocracia Slane capazes de usar tal magia. Além
disso, havia uma grande chance de que os aventureiros de ranque adamantite possuís-
sem magias equivalentes, e oficiais de alto escalão em um país poderiam secretamente
comandar pessoas que fossem capazes de tal magia.
Se fosse esse o caso, os superiores de E-Rantel procurariam pessoas para usar esse tipo
de magia quando concluíssem que o falecido possuía informações importantes. Dado
que se fosse bem-sucedidos em seus planos, E-Rantel seria fortemente abalada, então
seria natural para os superiores exigirem mais informações.
Ainz havia dito a Narberal para não se incomodar com os cadáveres. Ele deveria assu-
mir publicamente que isso foi um erro?
Ele deveria evitar dizer qualquer coisa que pudesse diminuir a fé de seus subordinados,
pelo menos enquanto ele não soubesse o porquê Shalltear o havia traído. Ele tinha que
permanecer calmo em uma situação como essa.
Ainz agora sabia o porquê os superiores de sua empresa não estavam dispostos a ad-
mitir seus erros. Com fé em suas conclusões, ele tomou uma decisão.
“...De fato, está correto. Mas tenho uma razão especial para deixar esses corpos. Não há
nada com que se preocupar; tudo vai de acordo com meus planos... exceto a questão da
Shalltear.”
“...Eh?”
“Eu não mencionei isso? Então, você já ouviu falar dos experimentos de cura de Demi-
urge?”
“Sim, eu ouvi. Separar todos os quatro membros, e então curá-los com magia, essas ex-
periências, correto?”
“Exato. Então, outra pergunta. Você sabe onde uma magia de ressurreição deve ser apli-
cada?”
“Não é no cadáver?”
“...Eu creio que não... hm, ou pelo menos, ou eu não deveria pensar assim?”
Em YGGDRASIL, era possível optar por voltar à vida em um dos quatro locais ao conju-
rar uma magia de ressurreição baseada em drenagem de XP.
Sendo esse o caso, onde as pessoas neste mundo voltariam à vida quando a magia de
ressurreição fosse lançada sobre elas?
O cenário que Ainz mais queria evitar era o quarto tipo, voltando à vida em um ponto
de referência designado. Se Nigun voltasse à vida na Teocracia Slane, Ainz teria essenci-
almente ressuscitado um inimigo dando de brinde várias informações úteis, e então gen-
tilmente o libertado de volta à vida selvagem. Sendo assim, ele não podia realizar expe-
rimentos com a magia de ressurreição, mas como consequência, ele não saberia o quão
abrangente seria os tipos de ressureição desde mundo.
“Faz todo o sentido. Devemos tomar nota dessas coisas. Como esperado de Ainz-sama
— eu estou impressionada com sua perspicácia!”
“Não é nada de mais. Embora eu realmente precise encontrar um lugar para realizar
um experimento como esse... hm. Então, quando estivermos prontos, sairemos.”
♦♦♦
Os dois chegaram a uma grande clareira dentro da floresta. Pode-se dizer que esta cena
era preenchida com um charme rústico, mas no meio dela estava algo que estava com-
pletamente fora de lugar — uma pessoa em uma armadura carmesim completa. Era uma
visão fantástica em meio à luz do sol, mas o fedor de sangue que emanava arruinou a
atmosfera.
Shalltear.
Mas, agora parecia bastante real. A razão para essa certeza era o fedor de sangue car-
regado até ele pelo vento.
Ainz inspirou e expirou repetidamente. Claro, seu corpo não conseguia respirar, então
ele estava apenas exercendo movimentos habituais, mas talvez ele sentisse algo que po-
deria ter o levado a essas respirações.
Ainz disse:
“Shalltear.”
Ele sentiu que sua voz foi severa e dominante, mas ainda assim, as palavras que ele
havia falado eram roucas, silenciosas e patéticas.
Mesmo assim, não houve resposta. Antes de chamar Shalltear de novo, Ainz cuidadosa-
mente a observou.
Shalltear não estava o ignorando. Em vez disso, seus olhos vermelhos estavam abertos
e vazios, dando a impressão de que não havia consciência ali.
Albedo, que estava ao lado dele, ficou furiosa com a atitude de Shalltear.
“Shalltear! Você não apresentou uma explicação para seus atos, e ainda age com gros-
seria para com o Ainz-sama...”
“Albedo, cale sua boca! Fique quieta! Não se mexa! Nem se aproxime da Shalltear!”
As palavras firmes de Ainz interromperam Albedo quando ela estava prestes a avançar
em Shalltear. Este era um tom que ele raramente tomava com os NPCs feitos por seus
amigos, mas nesta ocasião, não havia nada que pudesse fazer para evitar.
Foi assim que Ainz ficou chocado com a condição atual de Shalltear.
Ainz comparou cenas de seu passado a Shalltear que ele via diante de seus olhos, e o
choque passou por ele. Ao mesmo tempo, sua supressão de emoções entrou em cena,
permitindo que ele tomasse uma decisão tranquila e percebesse que a possibilidade que
ele tinha em mente era a mais provável.
Ainz se dirigiu a Albedo. Ele queria compartilhar seus pensamentos e, ao fazê-lo, reco-
nhecer a realidade da situação.
“Não digo que é certeza absoluta... mas a julgar pelas informações fornecidas pelos
membros da Escritura da Luz Solar e por minha própria experiência com esse tipo de
coisa, posso afirmar que isso é alguma forma de controle mental. Claro, eu não sei como
ou o porquê uma undead como a Shalltear foi controlada. Isso poderia ser o resultado
de algum fenômeno exclusivo deste mundo?”
“Alguma pessoa misteriosa tentou controlar a mente da Shalltear, mas algo aconteceu
antes que essa pessoa pudesse emitir qualquer ordem. Talvez eles tenham sido abatidos
assim que fizeram isso... em todo caso, tenho certeza que ela foi abandonada, sem ne-
nhuma ordem. É bem provável que ela se defenderá caso alguém chegue muito perto ou
se for atacada. A maioria dos NPCs com alinhamento maligno fará exatamente isso, então
não chegue muito perto.”
“Entendido. Creio que não seremos capazes de arrastá-la para Nazarick assim... Isso não
será problema se quem fez tentativa de controle de Shalltear estiver morto, mas se essa
pessoa ainda estiver viva, será perigoso esperar aqui.”
Shalltear tinha sido controlada por alguma coisa. Pode ser algo exclusivo neste mundo,
algo que poderia funcionar em undeads. Se fosse esse o caso, Ainz poderia acabar tendo
a mente controlada se permanecesse aqui.
“Embora este item seja muito caro, será a melhor maneira de dispersar o controle men-
tal da Shalltear o mais rápido possível.”
Os dedos de Ainz se moveram. Um dos anéis que ele usava, um item simples sem muitas
decorações, brilhava com uma luz prateada e exibia três meteoros encravados em sua
coroa. Pode-se dizer que esse era o anel mais poderoso que Ainz tinha em sua posse.
“Isso é...?”
Ao ver a expressão intrigada de Albedo, o rosto de Ainz — embora seu rosto sem carne
não pudesse se mover — foi preenchido com um sorriso orgulhoso quando ele falou o
nome do anel.
“Este é o Shooting Star, um item extremamente raro que permite ao seu portador três
usos de magias de Super-Aba, 「Wish Upon a Star」.”
No entanto, este anel perdera sua glória de ultra-raro e passou a simbolizar insensatez
financeira, por conta de quanto dinheiro ele tinha gasto a fim de obtê-lo.
♦♦♦
A magia de Super-Aba imbuída no anel, 「Wish Upon a Star」, era aquele que consumia
uma porcentagem da barra de XP para gerar aleatoriamente a possibilidade de um de-
sejo. Em outras palavras, ao gastar 10% da sua barra de XP, pode-se escolher uma opção.
Ao gastar 50%, pode-se escolher entre cinco opções.
Havia muitas escolhas que poderiam ser feitas para um desejo; De acordo com as ins-
truções online, havia mais de 200 deles. Além disso, alguns desejos eram mais comuns
que outros; Mesmo assim, esta era uma magia terrível, muitos temiam que esgotaria seu
XP por nada.
Mesmo em YGGDRASIL, onde o ganho de níveis era fácil, ainda seria um gasto muito
alto de XP para ativá-lo, já que um magic caster precisava ter nível 95 antes de aprender
essa magia de Super-Aba. Ainda assim, muitas pessoas hesitaram em gastar ou não seu
XP nesse tipo de coisa.
♦♦♦
As escolhas que alguém poderia fazer quando conjurar 「Wish Upon A Star」 do anel
eram geradas aleatoriamente, muito parecido com a magia original. Contudo, era mais
provável obter escolhas úteis e menos escolhas que pareciam piadas dos desenvolvedo-
res. De um certo ponto de vista, pode-se dizer que era uma versão melhorada da magia
original. Além disso, uma escolha a cada dez seria viável, e não haveria tempo de espera
para a ativação. Era digno da alcunha de “o melhor item de cash”.
Claro, parecia vergonhoso — e um pouco de aposta — ter que usar um item de cash tão
prestigiado. Mas Shalltear era insubstituível. Além disso, usar seu próprio XP sobressa-
lente afetaria seu uso de outras habilidades que drenariam XP, então ele teve suas dúvi-
das sobre seguir esse caminho.
Ele esperava que pudesse escolher negar todos os efeitos em um determinado alvo. Ele
também havia pensado em várias outras alternativas, mas essa foi a opção mais direta
que veio à mente.
Claro, ele não precisava falar essas palavras para ativar o item. Mas foi impulsionado
por seu desejo de obter a melhor escolha entre mais de 200 opções disponíveis, daí seu
bramido. Era como alguém gritaria durante um momento tenso em um jogo ou em um
arremesso de dados.
Uma vez que a magia deste mundo parecia operar nos mesmos moldes de YGGDRASIL,
o anel deveria ser capaz de remover o controle mental de Shalltear. Ou melhor, era isso
que Ainz esperava que fosse o caso.
O cenário que Ainz mais temia — que a magia não funcionasse — não aconteceu. O anel
liberou a magia neste mundo... e então os pontos vermelhos de luz dentro das órbitas
dos olhos de Ainz se encolheram.
Parecia que novas informações estavam sendo inseridas em sua mente — algo na linha
do descontentamento. Ao mesmo tempo, ele sentiu como se tivesse sido ligado a algo
vasto — algo como alegria, talvez. Muitas das emoções que Ainz sentiu enquanto ele
ainda era humano o inundaram.
Uma vez que as ondas de emoção se desvaneceram, Ainz percebeu que 「Wish Upon a
Star」 funcionava de forma diferente aqui do que em YGGDRASIL.
Quando Ainz soube do Talento de Nfirea, ele se perguntou se poderia roubá-lo com o
「Wish Upon a Star」. Agora, ele percebeu que poderia ter feito isso.
Neste mundo, 「Wish Upon a Star」 era uma magia que concederia os desejos de seu
lançador. Embora ainda gastasse XP, 「Wish Upon a Star」 era agora uma magia que
poderia tornar o impossível possível. Além disso, sacrificando 5 níveis — 500% de sua
barra de XP — poderia realizar desejos ainda maiores.
Com isso em mente, Ainz tinha certeza de que ele poderia dissipar os efeitos mágicos
em Shalltear. Quando o triunfo surgiu através dele, Ainz gritou:
No instante seguinte, as luzes nos olhos de Ainz ficaram cada vez maiores.
Ainz não teve tempo para responder. Ele estava relembrando as notícias que havia ab-
sorvido em vários sites, além da própria longa experiência com YGGDRASIL, combi-
nando-as com o que aprendera desde que chegara a esse mundo. A parte mais impor-
tante disso foi a informação sobre o uso do 「Wish Upon a Star」, a magia que destruía
completamente a lógica em que os conhecimentos de Ainz eram apoiados.
Ansiedade e raiva encheram Ainz quando ele chegou a uma conclusão. No entanto, ele
podia sentir algo mais, mesmo através da supressão de emoções que deveria tê-lo man-
tido calmo — medo.
“Sim!”
“Sim!”
Albedo sacou sua arma e ficou ao lado de Ainz. Ainz levantou as duas mãos, tomando
uma posição para lidar com qualquer coisa que pudesse vir.
Com o passar do tempo, Ainz se permitiu relaxar lentamente. Albedo também se desfez
de sua postura pronta, voltando à sua postura normal.
“Droga!”
Depois que ele se acalmou, ele estava cheio de raiva escaldante. Seus picos emocionais
foram automaticamente cortados depois de se tornarem undead, mas, apesar de terem
sido suprimidos, a raiva se formou mais uma vez dentro dele.
Ainz notou um toque de medo na voz de Albedo e finalmente percebeu que seu com-
portamento não era apropriado para um governante absoluto. Ele rapidamente se acal-
mou, exalando com força a respiração que não possuía. Parecia que ele estava expul-
sando a ira de um fogo selvagem que o consumia através daquela respiração.
“...Me perdoe. Parece que perdi meus sentidos por um momento. Não dê atenção a essa
cena que acabou de ver.”
“Por favor não diga isso. Sou grata pelo senhor ter considerado minha sugestão, Ainz-
sama. Se é seu desejo que eu esqueça o que vi, então eu removerei isso da minha mente.
Mas— o que aconteceu? Eu te desagradei, Ainz-sama? Se o senhor estiver disposto a me
dizer, me esforçarei para não deixar isso acontecer novamente.”
“...Não senti raiva de você, Albedo. Foi porque percebi que meu desejo não se realizou,
mesmo depois de ativar o poder do anel.”
Vendo como Albedo permaneceu em silêncio, Ainz sabia que sua explicação era insufi-
ciente, então ele continuou:
“...Há apenas uma coisa que pode superar o poder da magia de Super-Aba 「Wish Upon
a Star」.”
Se fosse antigamente, ele poderia ter pensado que era interferência de algo neste
mundo, mas Ainz estava confiante de que não era o caso. Isso porque ele sentiu isso
quando ativou o anel.
“Isso mesmo, Albedo. Há apenas uma coisa que pode fazer isso... o poder dos Itens
World-Class.”
Havia apenas 200 desses itens em YGGDRASIL, e nem mesmo as Armas de Guilda ou os
itens divine-class poderiam se comparar a eles. O poder dos Itens World-Class era tal
que até mesmo controlar os undeads — que são imunes aos efeitos mentais — seria algo
fácil demais.
Significa que, Albedo assim como os Guardiões fora de Nazarick poderiam se tornar
alvos.
“Albedo, entre em contato com todos os Guardiões que estão fora, imediatamente. De-
vemos verificar se eles foram controlados como a Shalltear. Vá para o Salão do Trono
agora! Depois disso, iremos direto para... a Tesouraria.”
D
foram incontáveis luzes brilhando no ar, como estrelas no céu.
O teto era tão alto que seria necessário se esforçar para ver toda a exten-
são, as paredes eram tão compridas que ultrapassavam o campo de visão.
A vasta sala que se situavam estava cheia de tesouros reluzentes.
No centro havia uma pilha de moedas de ouro e pedras preciosas, tão imensa que pare-
cia uma cadeia de montanhas. Mesmo se contassem o que poderia ser visto, isso seria
apenas uma pequena fração da soma real. Além disso, havia magistrais obras de arte
enterradas na montanha de ouro.
Um rápido olhar revelou uma caneca de ouro, um cetro incrustado com pedras precio-
sas, uma jarra de cristal, uma pele de animal que emitia um brilho de platina, uma tape-
çaria requintadamente tecida com fios de ouro, uma ocarina perolada, um leque feito de
penas da cor do arco-íris, uma máscara feita de pele de animal, e muitos, muitos mais.
Havia centenas desses itens enterrados naquela gigantesca pilha de riquezas. Enquanto
seus seguidores contemplavam esta montanha literal de tesouros, Ainz podia ouvir sus-
piros sussurrados de admiração deles. Parece que as vozes vieram de duas pessoas.
Ainz olhou para trás, para as três mulheres esperando por ordens.
Albedo tirou a armadura e voltou a vestir o vestido branco. Havia um olhar de genuína
admiração em seu lindo rosto enquanto ela olhava os arredores. Uma expressão similar
adornava o rosto de Yuri Alpha, a empregada a quem havia dado seu anel ao retornar à
Nazarick.
Apenas uma delas era diferente das duas anteriores. Ela não ficou sem fôlego, mas ob-
servou Ainz em silêncio.
Seu rosto era uma obra de arte esculpida. Apenas um de seus olhos — que irradiava um
brilho frio como uma esmeralda lapidada — era visível, o outro era coberto por um tapa-
olho. Seu cabelo loiro-avermelhado brilhava refletindo a luz das estrelas que brilhava no
teto.
Ela era um ser heteromórfico, do tipo conhecido como Autômato. Se chamava CZ2128
Delta, ou de forma abreviada, Shizu.
Aliás, essa arma mágica, a raça Autômato e a profissão Artilheiro, todas foram adicio-
nadas ao jogo após a atualização em grande escala chamada “Valkyrie’s Downfall”.
Yuri ajustou as armações negras de seus óculos sem grau. Ela parecia incapaz de supor-
tar a bagunça ao seu redor, dado seu senso de dever como empregada. Então ela pergun-
tou:
“Ainz-sama, posso perguntar o porquê desses tesouros não terem sido arrumados?
Mesmo que existam magias de proteção ativadas, esse não é um método de armazena-
mento ideal. Basta o senhor dar a ordem começaremos a arrumar imediata—”
“Não deixe isso te incomodar. No entanto, o fato é que os itens enterrados nessa pilha
de ouro não têm grande valor.”
A direção que Ainz tinha olhado, para onde os olhos de Yuri tinham seguido, justifica-
vam seu pedido de desculpas. Havia prateleiras por toda parte, empilhadas até o teto, e
os tesouros ali eram mais atraentes do que as montanhas de ouro.
Havia uma varinha engastada com uma pedra de sangue, um par de manoplas de hihii-
rokane com incrustações de granadas, um pequeno anel de prata adornado com diaman-
tes negros, uma estatueta de obsidiana esculpida em forma de cachorro, um punhal roxo
de ametista, um altar em miniatura com inúmeras pequenas pérolas brancas embutidas
por todo o objeto, uma peônia feita de algum material parecido com vidro que espalhava
luz em todas as cores do arco-íris, uma flor rosa que tinha sido magistralmente esculpida
em um rubi estrela, uma tapeçaria que mostrava um dragão negro platina que continha
um enorme diamante, incensários dourados incrustados em pedras preciosas, um par
de estatuetas masculinas e femininas esculpidas em rubi e safira respectivamente, abo-
toaduras de opalas de fogo que pareciam chamas, uma caixa de charutos entalhada e
esculpida em pau-rosa, uma jaqueta dourada feita de pele de animal, uma dúzia de pra-
tos feitos de apoitakara, tornozeleiras decoradas com pedras preciosas de quatro cores,
um grimório cuja capa era feita de demantoide, uma estátua de tamanho humano de uma
mulher que tinha sido esculpida em ouro, um cinto com topázios imperiais costurados
em seu material, um conjunto de xadrez cujas peças eram cobertas com diferentes ge-
mas, uma estatueta de fada esculpida em uma única peça de esmeralda, um manto preto
Além disso, havia muitos espelhos de topázio azul, cristais vermelhos que eram do ta-
manho de um homem, uma gigantesca estátua de platina de um guerreiro, um pilar co-
berto de personagens misteriosos, bem como uma gigantesca alexandrita que precisaria
dos dois braços para abraçá-la completamente.
Esses inúmeros tesouros deram para Yuri a resposta que precisava; simplesmente não
havia lugar para colocá-los.
“Vamos.”
Foi então que perceberam um fraco vestígio de gás venenoso roxo pairando no ar.
Yuri olhou em volta para encontrar a fonte do gás púrpura, mas, embora olhasse para
o teto, as paredes e os cantos, não conseguiu identificar a fonte do miasma.
Assim que a confusão floresceu no rosto de Yuri, uma voz monótona respondeu:
“Eh?”
A resposta surpresa de Yuri foi recebida por um olhar frio e inescrutável. Esse olhar
veio do olho verde calmo de Shizu, que era desprovido de qualquer emoção.
Ninguém seria capaz de captar qualquer emoção daqueles olhos. O rosto de Shizu era
belíssimo, mas se fosse para deixar a generosidade de lado, então poderia ser chamado
de máscara teatral.
Afinal, Shizu era uma Autômato. Ela não mostrava emoções— na verdade, era assim
que ela fôra programada.
“Seria por isso que me escolheu— perdão, por isso que o senhor escolheu nós três para
acompanhá-lo?”
Yuri — que estava ajeitando os óculos — era uma Dullahan, enquanto a inexpressiva
Shizu uma Autômato. Ambas heteromórficas, com imunidade a veneno como parte de
suas características raciais.
Já Albedo era um diabrete e não possuía resistências naturais a venenos, mas tinha ou-
tro jeito de se tornar imune a eles.
“Você está certa no motivo pelo qual eu trouxe vocês aqui... No entanto, eu trouxe a
Shizu por outro motivo; ela também está aqui para fazer uma verificação.”
Ainz e sua comitiva cruzaram a cordilheira de ouro com a magia 「Mass Fly」, e então
chegaram à porta do outro lado.
Não, seria certo chamar aquilo de porta? Era mais uma escuridão negra sem fundo na
forma de uma porta, afixada a uma parede.
Quando chegaram ante dessa porta em forma de pintura, Ainz caiu em seus pensamen-
tos.
“Ainz-sama, já que há o Arsenal, isso significa que existem outros tesouros armazena-
dos em outros locais?”
Ainz não tinha idéia do porquê Albedo teria tais dúvidas. Mas era compreensível o por-
quê ela não sabia sobre tudo. Afinal, a Tesouraria não estava acessível por meios comuns,
e só pode ser alcançada através do uso do Anel de Ainz Ooal Gown. Foi projetada para
ser muito difícil de se infiltrar. Assim, era natural que Albedo — que recebera o Anel há
apenas dez dias — não soubesse de tais coisas.
Ele tinha muitas perguntas sobre o que exatamente os NPCs sabiam, mas depois de pen-
sar um pouco, Ainz descartou essas preocupações como triviais e respondeu à pergunta.
“Ah, sim. Meu antigo companheiro de Guilda, Genjiro. Ele era muito meticuloso ao clas-
sificar as coisas, muitos dos itens organizados aqui devem servir a algum propósito.”
“Isso mesmo, Yuri. Porém, creio que houve uma exceção às suas tendências de organi-
zação. Se ele realmente fosse obcecado com limpeza, então os tesouros em meio às peças
de ouro deveriam ter sido arrumados. Mas talvez estejam, mas não é algo que seja per-
ceptível de relance. Partindo deste ponto de vista, os itens devem ter sido organizados
em ordem de equipamentos defensivos, armas, joias, itens incríveis, consumíveis, supri-
mentos para criação de itens, cristais de dados e assim por diante. Além disso, há toda
sorte de cômodos em Nazarick... então sim, há tesouros e coisas do tipo espalhadas por
todo lugar.”
“No entanto, tudo está localizado onde deveria estar. Não importa qual direção siga—
oh perdão, parece que falei demais.”
“Certamente não. Eu sou grata por ter respondido nossas perguntas tão prontamente,
Ainz-sama.”
Estamos quase sem tempo, mas o que deu em mim? Parece que minha boca perde o freio
quando falo das glórias de Nazarick...
Esta era uma porta que exigia uma certa senha para abrir. Talvez alguém pudesse forçar
a abertura com habilidades mágicas ou trapaça, mas Ainz não conhecia magias assim e
nem possuía tais habilidades. Assim, ele deveria falar a senha—
Eu esqueci.
Havia tantos truques desse tipo em Nazarick que ele provavelmente só conseguiria lem-
brar de uma senha se ela usasse com frequência. No entanto, dado que não vinha à Te-
souraria muitas vezes, ele não se lembrava da senha para essa porta.
Ele só viera aqui quando pagava os custos de manutenção de Nazarick com o dinheiro
que ganhara, e isso havia sido anos atrás.
Como não conseguia lembrar a senha, Ainz falou uma senha mestra:
Albedo reagiu àquelas palavras que Ainz não pôde deixar de mencionar.
Ainz pensou em uma das pessoas que projetaram os truques e armadilhas usados em a
Ainz Ooal Gown.
Ele ajudou a projetar cerca de 20% dos mecanismos básicos de toda a Grande Tumba
de Nazarick. Seus projetos anormalmente intrincados consumiram grande parte da ca-
pacidade de dados gratuitos de Nazarick, o que fez com que os outros membros se quei-
xassem por ele não conseguir se conter. Assim, ele assumiu a responsabilidade por suas
ações e pagou por muitos itens de cash para expandir a capacidade de dados.
Ainz estudou as palavras que apareceram. Isso deve ser uma dica para a senha, mas o
que poderia significar?
Ele afligiu seu cérebro, tomando seu tempo para sondar as profundezas de sua mente
para a resposta.
Logo, Ainz finalmente encontrou a senha, que jazia dentro de suas memórias.
“Deve ser — Desse modo obterás a glória do mundo. E se afastarão de ti todas as trevas
—, correto?”
Assim que Ainz disse isso, ele olhou para Shizu com olhos questionadores.
Ela fôra feita por um de seus amigos que trabalhara em diferentes mecanismos de Ta-
bula Smaragdina. A narrativa de Shizu foi escrita para que ela estivesse familiarizada em
como contornar os mecanismos de Nazarick. Por isso que ela poderia facilmente resol-
ver essa dica de senha.
No entanto, Ainz não pediu ajuda porque queria satisfazer o desejo egoísta de abrir a
porta através de seus próprios esforços.
A Grande Tumba de Nazarick foi trazida à vida quando ele veio para este novo mundo.
Portanto, ele queria ser o primeiro a colocar seus pés aqui, da mesma forma que os ho-
mens queriam deixar suas pegadas na neve recém-caída. Foi esse desejo que levou Ainz
a abrir a porta sozinho.
Agora que a sombra havia desaparecido, eles podiam ver o fim do túnel. Tudo estava
perfeitamente organizado, completamente diferente da área anterior. A melhor maneira
de descrevê-lo seria algo como uma exibição de museu.
O teto ficava a cerca de cinco metros acima do solo, uma altura que claramente não era
projetada com humanos em mente, e cerca de dez metros de uma parede a outra.
O chão era feito de blocos de pedras negras e brilhantes, e parecia uma única placa de
pedra gigantesca.
Fileiras puras de incontáveis armas estavam dispostas nas paredes à esquerda e à di-
reita de Ainz, fazendo uma exibição impressionante.
“Vamos indo.”
Ainz entrou no Arsenal sem esperar que suas três seguidoras respondessem.
O que os ladeava eram espadas largas, espadas grandes, estocs, flamígeras, cimitarras,
patas, shotels, kukris, claymores, espadas curtas, quebradores de espada...
Claro, espadas não eram as únicas armas aqui. Havia machados de uma mão, machados
de duas mãos, cassetetes de mão, dardos, arcos, balestras...
Além disso, havia muitas armas irrealistas que forçavam os limites do conceito de “ar-
mas”. Eram do tipo que não poderiam ser embainhadas, seriam melhor classificadas
como decorativas do que úteis, algo assim. Ou melhor dizendo, essas armas eram a mai-
oria na verdade.
Havia uma espada com uma lâmina de cristal azul, uma espada branca pura com incrus-
tações e gravuras douradas, uma espada negra com runas roxas ao longo de sua extensão
e até mesmo um arco que parecia ter sido feito apenas de luz.
Havia um machado de duas mãos cuja lâmina constantemente pingava sangue fresco.
Rostos atormentados apareceram e desapareceram no metal negro de uma gigantesca
maça. Havia uma lança que lembrava mãos humanas apertando uma à outra. Por isso
Era senso comum imaginar que a maioria delas continham encantamentos, mas o efeito
exato que cada uma era um mistério. Alguém poderia adivinhar o propósito de uma es-
pada cuja lâmina tremeluzia como uma chama, mas era impossível saber as habilidades
de uma espada cuja lâmina parecia um chicote e que se contorcia como uma centopeia.
O grupo olhou para essas armas que estavam de ambos os lados enquanto caminhavam
silenciosamente pelo Arsenal. Em pouco tempo — cerca de cem metros e milhares de
armas depois — eles chegaram ao seu destino, que era uma sala retangular.
Poderia ser uma sala de hóspedes, já que havia uma mesa e um sofá no meio da sala
vazia. Havia outras passagens visíveis à esquerda e à direita que pareciam semelhantes
àquelas pelas quais Ainz e companhia tinham entrado.
Havia apenas uma rota que levava adiante, estava em posição oposta a passagem que
haviam usado. A atmosfera aqui também era dramaticamente diferente. Se a sala ante-
rior era equivalente a um museu, a próxima seria como equivalente a uma tumba.
A altura da sala era quase a mesma que a anterior, mas o interior escuro se estendia
ainda mais. Era difícil dizer devido aos ângulos, mas parecia que haviam grandes nichos
na parede, com algo colocado dentro.
“O Mausoléu?”
Bem, eu escolhi o nome... Mas já que é esse o caso, Albedo pode nem saber o nome do Guar-
dião da Tesouraria...
“Sim, eu conheço. Sendo a Supervisora Guardiã, eu estou ciente de seu nome e aparên-
cia... Pandora’s Actor é o Guardião de Área da Tesouraria, possui um intelecto compará-
vel ao meu e ao de Demiurge. Além de administrar a Tesouraria, ele também tem o ob-
jetivo de preparar as moedas necessárias para ativar a rede de defesa de Nazarick. Em
outras palavras, ele é o tesoureiro.”
“É basicamente isso mesmo. Entretanto, isto não é tudo. Aquele sujeito é—”
Embora tivesse o corpo de um homem, sua cabeça era a de uma lula distorcida. O lado
direito de sua cabeça estava coberto até a metade por tatuagens de caracteres, algo que
lembrava as da porta sombria.
Sua pele era como a de um cadáver, com manchas roxas em meio a uma cor branca
horripilante, estava coberta por algum tipo de lama pegajosa que emitia um brilho bi-
zarro. Teias feitas de pele cresceram entre os longos dígitos de suas mãos de quatro de-
dos.
Seu corpo estava coberto por uma roupa de couro preto brilhante e justa, cravejada
gotas de prata. Vários cintos estavam enrolados em seu corpo. Sua capa preta estava
fechada na frente, como se quisesse escondê-lo.
“Tabula Smaragdina-sama!”
Este era um dos 41 Seres Supremos. Como magic caster, ele era superior a Ainz em
termos de poder de ataque.
Shizu sacou a arma e apoiou a coronha no ombro, e apontou o cano para a pessoa à sua
frente.
Yuri cerrou os punhos na altura do peito e bateu as manoplas uma na outra, o que as
fez ressoar como um gongo.
Então, ela se moveu ao lado de Albedo, na frente de Ainz e Shizu. Ainz estava como ma-
gic caster, enquanto Shizu era a artilheira, portanto, nenhum dos dois se saia bem em
combate próximo. Assim, esta era a posição ideal para ela estar no raio de cobertura
defensiva.
O ser misterioso que parecia com Tabula Smaragdina limitou-se a inclinar a cabeça para
a pergunta de Albedo, mas não deu nenhuma resposta.
Quando aquela voz fria soou, as duas Empregadas de Batalha hesitaram. Embora este
fosse um oponente desconhecido, elas ainda estavam um pouco relutantes em atacar
alguém que se parecesse com um de seus criadores.
Sob essas circunstâncias, as Empregadas de Batalha não tinham culpa. Tudo o que podia
ser dito era que o julgamento calmo de Albedo foi impecável.
Sua principal prioridade era a segurança de quem estava sob sua tutela, Ainz.
Albedo estalou a língua diante da reação lenta das duas. Quando estava prestes a atacar
por conta própria, Ainz com um ar de infelicidade disse:
Seu rosto era liso, sem nariz ou outras características faciais. Não havia olhos, dentes
ou língua; apenas três buracos negros que pareciam ter sido desenhados por uma cri-
ança com uma canetinha preta.
A cabeça rosada, parecida com um ovo, era lisa e brilhante, sem um único fio de cabelo
visível na superfície.
Era Pandora’s Actor, um NPC de nível 100 projetado por Ainz e colocado no comando
da Tesouraria. Seus talentos eram variados, e ele podia copiar 45 formas diferentes jun-
tamente com as habilidades — embora com apenas 80% do poder original.
Seu quepe tinha um ornamento da Ainz Ooal Gown, enquanto o uniforme que usava era
muito parecido com os uniformes usados pela Guarda de Elite Neonazista durante as
guerras da Euro-Arcologia de 2118.
“Certamente! Eu explodo com animosidade todos os dias! Falando nisso, posso saber o
propósito para o qual o senhor veio? E pensar que teria em sua diligência essas belas
donzelas, a Supervisora Guardiã e as Empregadas de Batalha das Pleiades!”
Yuri e Albedo retornaram suas posições atrás de Ainz depois que o Guardião de Área se
revelou, embora as três tivessem diferentes olhares em seus rostos.
Yuri — que se orgulhava de sua posição como uma das Pleiades — ajeitou os óculos e
pareceu descontente por ser chamada de “bela donzela”. Parecia que queria dizer al-
guma coisa, embora no final ela não o fizesse.
Albedo, que estava ao lado de Ainz, parecia com ciúmes do fato de que Pandora’s Actor
havia sido criado por Ainz e franziu os lábios de modo que Ainz não podia ver.
Shizu, por outro lado, não esboçou nenhuma mudança em sua expressão e simples-
mente devolveu sua arma ao seu lugar.
“Vamos entrar nos cofres mais internos para recuperar alguns itens World-Class.”
“Tem certeza, meu senhor? Então chegou a hora de liberar vosso poder!?”
Pandora’s Actor exibiu um olhar exagerado de choque. Este ato fez Ainz franzir as so-
brancelhas inexistentes.
Suas roupas eram uma coisa a parte, mas o que o levava a reagir exageradamente a
tudo? Ainz sabia a resposta para isso.
Ainz criou Pandora’s Actor; em outras palavras, todos os seus movimentos e gestos
existiam porque Ainz achava elegante. Assim, ele alegremente dedicou seu tempo no de-
sign desse personagem.
No passado, ele achava que os uniformes militares eram muito legais, e ele acreditava
que os atores deveriam ser dramáticos, mas assistir alguém tão inteligente como ele fa-
zer tais movimentos exagerados era—
Ele era seu passado sombrio. Um passado sombrio que estava vivo e respirava.
“...Melhor esquecer isso, eu preciso me recompor. Meu novo corpo não se abala por tais
golpe psicológicos, não posso perder tempo remoendo isso.”
“...Mm, é isso. Eu pretendo retirar Avarice and Generosity, Hygieia's Chalice, Billion Bla-
des, e Depiction of Nature and Society.”
“Deixe-os. Eles são itens de uso único. O fato de serem tão poderosos significa que é
preciso pensar no momento certo para usá-los. Além disso, há também a questão de
como recuperar os itens após a reutilização.”
“O senhor está coberto de razão. Esses são tesouros lendários de poder implacável! Dig-
nos de serem chamados de trunfos, tornam o impossível possível. Podem até mudar o
mundo—”
Ainz assentiu em reconhecimento. Aqueles eram os itens World-Class que a Ainz Ooal
Gown possuía. Ele não sabia que havia mais um, Atlas, que havia sido roubado deles. Em
outras palavras, ele havia aprendido que o conhecimento dos NPCs era afetado por suas
configurações, mas eles poderiam ignorar quaisquer contradições em suas narrativas.
Ainz tinha observado os NPCs por vários dias. Ele havia aprendido que os NPCs pare-
ciam agir como seus antigos companheiros de guilda nas partes de suas personalidades
que não eram cobertas pelos detalhes da narrativa, bem como nas relações interpessoais
com outros NPCs. Por exemplo, a relação entre Shalltear e Aura, ou entre Demiurge e
Sebas.
Parecia que seus amigos do passado estavam ao seu lado mais uma vez. Alegrava o co-
ração de Ainz, mas ao mesmo tempo ele se sentia terrivelmente sozinho.
“Era o que esperava, Pandora’s Actor. Parece que fiz uma pergunta inútil.”
“Certamente não; Eu devo oferecer minhas mais sinceras desculpas por minha falta de
conhecimento.”
Com isso, ele se curvou. Cada movimento que ele fazia era exagerado a ponto de ser
ridículo.
“...Está tudo bem. Eu irei para o Mausoléu em breve. Aconteceu alguma coisa aqui?”
“Claro que não, tudo dentro deste domínio é de propriedade exclusiva sua e de todos os
Seres Supremos, Momonga-sama. Como poderia acontecer alguma coisa?”
“Embora, me pese o coração, eu confesso que esperava uma ordem do senhor, para que
eu fizesse uso de minhas habilidades, Momonga-sama.”
Ele tinha razão; de certo modo, Ainz pretendia mesmo fazer uso dele.
Pandora’s Actor possuía inteligência e astúcia que o classifica entre os pináculos de Na-
zarick. Mesmo que usualmente usasse essa inteligência para propósitos estranhos, era
muito difícil deixar de lado essa sabedoria em tempos de grande necessidade.
Além disso, Pandora’s Actor possuía habilidades muito flexíveis, a ponto de poder subs-
tituir todos os outros Guardiões.
No entanto, Ainz não o havia feito para tarefas de combate ou administrativas, mas para
preservar as formas da “Ainz Ooal Gown” e as memórias de seus companheiros.
Com trejeitos que sugeria que ele estava hesitante em falar (provavelmente), Pandora’s
Actor mais uma vez fez uma profunda reverência e completou:
“Mm, me faça sentir orgulho. Além disso, a partir de agora, me chame de Ainz, Ainz Ooal
Gown.
Depois que Pandora’s Actor o saudou, Ainz se virou, como se para mostrar que a con-
versa terminara. Só então, uma voz veio de trás dele.
“No entanto, Ainz-sama; peço perdão pela petulância, porém afirmo que, uma vez que
surgiu uma situação que requer o uso de itens World-Class, talvez seja melhor o senhor
permitir que eu deixe a Tesouraria e me mova por outros andares.”
“...”
Pandora’s Actor era uma preciosidade, mas seria tolice perder mais preciosidades im-
portantes por preferir mostrar do que usar. Agora era a hora de fazer bom uso dele, dado
que esta era uma situação de emergência, e ele também deveria mover o ouro da Tesou-
raria para o Salão do Trono.
Depois de tomar sua decisão, Ainz se virou, bem a tempo de ver Pandora’s Actor colo-
cando uma mão em seu peito, como se para honrá-lo.
Ainz também ouviu um silencioso “uwah~” de Shizu como uma forma de inexpressivi-
dade.
Aquele som esculpiu uma ferida dolorosa na alma de Ainz — embora sua supressão
emocional imediatamente o acalmasse.
Pandora’s Actor foi realmente dramático demais, e fez seu criador (Ainz) pensar que
cada movimento que ele fazia era projetado para ter uma aura de “Eu sou descolado”.
Talvez tais ações se encaixassem se ele realmente fosse um cara descolado, mas era
basicamente uma cabeça de ovo ambulante. Isso deixou Ainz terrivelmente inseguro. Até
mesmo testemunhar isso o fez se sentir desconfortável.
Em silêncio, Ainz observou Pandora’s Actor por um tempo, e então pegou um anel de
sua dimensão de bolso e jogou para ele.
“Use apenas se necessário. Albedo, informe os vassalos de Nazarick sobre ele. E Pan-
dora’s Actor, você só deve viajar entre o Salão do Trono e a Tesouraria no momento.”
“Como desejar.”
Os dois responderam ao mesmo tempo, mas Pandora’s Actor bateu os calcanhares com
grande força, sacudindo o braço que estava esticado até a ponta dos dedos e saudou com
grande pompa e peculiaridade... dizendo de forma grosseira, ele estava atuando de
forma exagerada.
“Minha nossa...”
Por que eu projetei ele com essa personalidade? Antes eu até achava que isso era legal e
tal... Quero dizer, na verdade, eu ainda acho o uniforme legal...
Ainz agarrou Pandora’s Actor pelos ombros e puxou-o para o lado, como se dissesse:
Vem comigo. Naturalmente, ele disse para Albedo e as empregadas para ficarem onde
estavam.
“Me responda uma coisinha... Eu sou seu criador e aquele a quem é completamente fiel,
correto?”
“Indubitavelmente, Ainz-sama! O senhor me criou, mesmo que ordene que eu lute con-
tra outros Seres Supremos, eu devo atacar sem hesitar!”
“Ótimo... então, isso será uma ordem desse ser, bem... deste homem, seu mestre, ou um
favor que fará, tanto faz... Só pare de fazer saudações, entendeu?”
Pandora’s Actor fixou seus olhos vazios com os de Ainz, sua confusão com as palavras
de Ainz ficaram evidentes.
“Er, bem... como eu devo dizer, essa sua saudação é bem estranha, então por favor não
saúda novamente... Quanto ao seu uniforme, isso te faz parecer muito destemido, então
vamos deixar assim... mas por favor, sem mais saudações assim.”
“Isso é alemão!? Não fale assim também. Quero dizer, pode falar se quiser, mas não na
minha frente. Estou te implorando.”
“S-Sim...”
Essa foi a primeira vez que Pandora’s Actor ficou visivelmente chocado, e sua resposta
pareceu um pouco estranha. Depois de perceber que seus rostos estavam perto o sufici-
ente para um beijo, Ainz recuou e perguntou fracamente:
“É só o que eu te peço, entendeu? Não acho que minha supressão emocional pode
aguentar muito mais disso. É pior do que montar um hamster gigante... Mal consigo acre-
ditar em mim mesmo. Enfim, embora eu gostaria de discutir o assunto com mais detalhes,
a situação é bastante urgente, vamos deixar as coisas assim por hora.”
♦♦♦
“Então, há algo que precisa ser feito antes de entrar no Mausoléu. Albedo, entregue o
Anel de Ainz Ooal Gown que eu te dei ao Pandora’s Actor.”
“Há uma armadilha derradeira colocada aqui; os Avataras estão programados para ata-
car qualquer um com este Anel, mesmo que seja você ou eu.”
“Entendo... intrusos usariam o Anel para chegar aqui. Assim, eles acionariam a armadi-
lha final.”
“Ah!”
Ainz exclamou. Ele parecia ter pensado em algo. Ele colocou o Anel com a caixa que
continha todos os outros anéis que ele ainda não tinha decidido a quem presentear.
Isso porque ele ainda seria considerado detentor do Anel, mesmo se estivesse em sua
dimensão de bolso, o que resultaria em Avataras atacando-o se entrasse no Mausoléu.
“Mas o Ainz-sama deixou claro, não? Se a senhorita usar o Anel, será atacada. Só vai tirá-
lo por pouco tempo...”
“Você não entende!? Este é o Anel que o Ainz-sama me deu! Como eu poderia—!”
“...Albedo, não temos tempo. Se você não está disposta a deixar isso com ele, então eu
irei na...”
Albedo de repente soltou, fazendo Pandora’s Actor perder o equilíbrio e tropeçar para
trás com um grito.
“Está...? Então venha. Pandora’s Actor, você vai guiar a Yuri e Shizu para mover alguns
dos tesouros para o Salão do Trono... sei que pode ser algo corrido, mas seja atencioso
com a Albedo e não use o Anel dela. Em vez disso, use o que eu te dei.”
“—Entendido! ...Então, quem deve ficar aqui e receber o Ainz-sama quando ele voltar?”
Um olhar que mal encaixava uma beleza elegante cruzou o rosto de Albedo quando Pan-
dora’s Actor interrompeu sua autopromoção. Ainz decidiu desviar o olhar de Albedo na-
quele estado, para não estragar a imagem da linda donzela em sua mente.
“Ainda teremos algum tempo. Vou notificá-lo por 「Message」 e você virá ao nosso en-
contro. Afinal, não podemos deixar este lugar sem um Anel.”
“Sim, senhor.”
Ainz e Albedo entraram no Mausoléu, sob os olhos de Pandora’s Actor e das duas em-
pregadas.
Este lugar mal iluminado era mortalmente silencioso, e parecia um lugar adequado para
os espíritos dos mortos descansarem. Ainz se sentiu um pouco culpado por quebrar o
“Pelo que posso dizer, são os tesouros mais valiosos que os Seres Supremos coletaram.
Eles são profundamente queridos e um deles está em minha posse... mas isso é tudo.”
“Entendo. Então, em algum outro dia, vou escrever o que eu sei sobre os Itens World-
Class em um papel. Será mais seguro que mais pessoas conheçam essa informação. Mas
antes disso, vou te deixar a par dos perigos desses itens.”
♦♦♦
Itens World-Class.
A Árvore do Mundo Yggdrasil tinha inúmeras folhas, mas então apareceu um gigantesco
monstro que devorou essas folhas, fazendo-as cair uma após a outra, até restarem ape-
nas nove. Essas nove folhas foram as encarnações anteriores dos Nove Mundos: Asgard,
Alfheim, Vanaheim, Nidavellir, Midgard, Jotunheim, Niflheim, Helheim e Muspelheim.
No entanto, aquele monstro que devorou as folhas continuou seu avanço nessas nove
folhas restantes. Este foi o pano de fundo sobre a qual os jogadores se aventuraram em
mundos desconhecidos para proteger seu próprio mundo.
O que esses itens World-Class representavam? Eles eram equivalentes àquelas outras
folhas — em outras palavras, um único Item World-Class representava um mundo in-
teiro. Assim, o princípio básico de design dos Itens World-Class era que eles possuíam
enorme poder e, de fato, muitos Itens World-Class eram extremamente poderosos.
Muitos jogadores tinham até expressado a opinião de que esses itens estavam desequi-
librados demais, mas os desenvolvedores simplesmente responderam: “As possibilida-
des do mundo não são tão pequenas”, e não mostraram intenção de mudar esses quebra-
dores de equilíbrio.
Os desenvolvedores pareciam ter um fraco pela palavra “Mundo”, e assim qualquer pro-
fissão ou monstro com “Mundo” — ou seja “World” — em seu nome era geralmente
muito mais forte que o normal.
♦♦♦
Assim que Ainz chegou nessa parte, os dois chegaram a duas fileiras ordenadamente
ladeadas de nichos, cada uma preenchida com uma estátua trajando equipamento de
batalha.
Este lugar se assemelhava ao Lemegeton, até seus arranjos mágicos e o clima no ar. No
entanto, os Demônios de Lemegeton não estavam armados, mas todas as estátuas aqui
ostentavam equipamentos incrivelmente poderosos, e sua potência rivalizava com o
equipamento de batalha principal de Ainz.
“Então você notou. É isso mesmo — os Avataras são estátuas feitas à imagem dos meus
antigos camaradas. Ainda assim... como pôde perceber eles são muito fortes, porém pa-
recem feios, não acha? Eu não acho que consegui capturar nem dez por cento do quão
incríveis eles eram...”
“Como alguém que foi criada pelos Seres Supremos, não haveria como não perceber.”
“Mesmo?”
“Sim. Mas Ainz-sama... o nome deste lugar e dessas estátuas... Será que os outros Seres
Supremos já morreram?”
Ainz parou no meio do caminho e olhou em silêncio as estátuas enquanto esse pensa-
mento passava por sua cabeça.
Albedo não tinha idéia do que fazer com o silêncio de Ainz, e um olhar de inquietação
se espalhou por seu rosto.
Nenhum homem poderia ficar indiferente a um olhar triste em uma beleza Classe Mun-
dial como ela. Além disso, ela era a obra amorosa de um de seus companheiros passados.
Embora Ainz fosse undead, seu coração ainda se enchia de culpa e ansiedade.
No entanto, Ainz nunca teve uma namorada, ou mesmo amigos na vida real, então ele
não tinha idéia do que poderia dizer para consolá-la ou como demonstrar simpatia. Em
pânico, Ainz olhou desesperadamente ao redor, tentando pensar em algo para dizer.
Uma mentira.
O fato era que Ainz foi quem construiu e colocou os Avataras. Por causa disso, se Ainz
deixasse o jogo, não haveria ninguém para colocar Avatara de Ainz lá para ele, dado que
mais ninguém permanecera na guilda.
Seus membros da Guilda disseram, “Você pode ficar com isso”, e então deixaram o jogo
depois de transferir seus equipamentos e itens de cash para ele. Ainz então usava itens
de cash para fazer esses Golems, assim equipando os itens de seus antigos companheiros
neles, ele os fez como um memorial para seus amigos que haviam deixado o jogo.
Ao fazer Pandora’s Actor, Ainz o construiu com os assets de aparência de todos os seus
companheiros. No entanto, mesmo observando suas transformações como base, Ainz
não possuía a destreza ou habilidades necessárias para criar um personagem que pu-
desse se parecer com os membros da guilda em detalhes.
Assim, ele comprou dados visuais e instalou-os no corpo de cada Golem. Os resultados
foram esses monstros dignos de pesadelos, cujos membros eram longos demais ou cur-
tos demais, ou cujas cabeças estavam excessivamente grandes.
No entanto, esse hediondo incompatível ambiente criou uma atmosfera sinistra e indu-
zia intenso desconforto nas pessoas. Portanto, do ponto de vista de fazer um conjunto
de guardiões derradeiros, Ainz considerou que eles se saíram surpreendentemente bem.
Como devo dizer... eles se parecem com bonecos que eu fazia quando era criança. Dá um
pouco de vergonha...
Solidão.
Quando seus companheiros deixaram o jogo um após o outro, Ainz fez os Avataras para
armazenar seus equipamentos. Aqueles amigos que não tinham saído do jogo pergunta-
ram-lhe o porquê havia feito os Avataras, e foi assim que ele respondeu: “Podemos pre-
cisar de uma última linha defensiva de guardiões”.
Ele fizera os Avataras para simbolizar as lutas que ele e seus amigos haviam comparti-
lhado na Grande Tumba de Nazarick e compensar a falta que eles faziam.
Esta foi também a razão pela qual este lugar foi chamado de Mausoléu. Inicialmente, era
conhecido como o Santuário Profundo da Tesouraria. Mas Ainz mudou seu nome em me-
mória daqueles amigos que tinham saído de — ou melhor, desaparecido de — YGGDRA-
SIL, e transformara este lugar em um local de descanso para seus companheiros.
—Ainda acredito que meus amigos vieram parar neste mundo. E até onde sei, todos po-
dem estar espalhados mundo afora...
Assim que Ainz mergulhou em pensamentos profundos, uma exclamação de dor ecoou
pela passagem.
A solidão que ele sentiu desapareceu no mesmo instante, e quando Ainz se virou rapi-
damente para olhar Albedo, uma sensação ainda mais poderosa de surpresa o tomou de
assalto. Os olhos de Albedo estavam cheios de lágrimas, e parecia que lágrimas fluiriam
livremente se ela apenas piscasse um pouco.
Sua voz estava abafada enquanto ela repetia com voz rouca: “Por favor... por favor”.
Parecia uma oração e um lamento de angustia — como se estivesse tossindo sangue —
ao mesmo tempo.
Ainz nunca tinha visto alguém pleitear com tanta sinceridade ao longo de toda a sua
vida.
Ainz não esperava que sua brincadeira tivesse tal efeito sobre Albedo, ele ficou cheio
de culpa quando se abaixou para ajudar albedo que estava prostrada no chão.
“Me perdoe.”
Sentindo na pele a miséria e amargura? Então por que ele não entendia os sentimentos
de Albedo? Por que ele havia submetido Albedo a essa dor?
Depois de ajudá-la, Ainz viu que o rosto de Albedo estava manchado de lágrimas e seus
olhos ainda estavam úmidos.
“...”
Ele queria se desculpar novamente — mas no final ele não disse nada, por falta de pa-
lavras adequadas.
Ele não tinha experiência com relacionamentos interpessoais e não sabia como con-
fortá-la e parar suas lágrimas.
“Ai-Ainz-sama, p-por favor me prometa, me prometa que o senhor não vai nos abando-
nar!”
Ainz não pôde continuar depois do “mas”. Isso porque ele tinha pensado em algo, mas
Albedo parecia ter assumido que seu silêncio era devido a outro motivo.
“Por quê? Por que não pode me prometer isso? O senhor está pensando em nos aban-
donar também? Por quê? O que te desagrada? Tudo o que precisa fazer é explicar e eu
vou me corrigir imediatamente! Se o senhor me considera um empecilho, então termi-
narei minha vida imediatamente!”
“Não!”
“Por favor, me escute. Primeiro, atualmente... não há como salvar a Shalltear. O controle
mental em efeito sobre ela é definitivamente o efeito de um item World-Class. A única
maneira de proteger contra os efeitos de um Item World-Class é ter um Item World-Class,
ou Especial-Class.”
“Então, então a razão pela qual o senhor veio aqui foi retirar um Item World-Class?”
“Exato. Eu quero que os Guardiões tenham itens World-Class próprios. O fato é que,
provavelmente é possível desfazer o controle mental da Shalltear com um item World-
Class semelhante, mas não sei se devo usar os itens World-Class... que mestre desalmado
eu sou. Pensar que eu realmente valorizaria um pequeno item sobre uma de minhas leais
subordinadas.”
“Isso não é verdade! Os itens World-Class foram reunidos através dos esforços dos Se-
res Supremos e, portanto, são mais valiosos do que nós!”
Se eles estivessem no jogo, Ainz concordaria com ela, embora parte dele sentisse o con-
trário.
No entanto, nessas circunstâncias, o fato era que Ainz não conseguia usar esses trunfos.
Entre todos os Itens World-Class, foram encontrados vinte itens conhecidos como “Os
Vinte”. Os Vinte possuíam poder inigualável.
Havia um item famoso entre os Vinte, se chamava Longinus, que poderia deletar com-
pletamente seu alvo, mas o preço que o usuário pagava por isso era para ser totalmente
deletado.
Não havia como restaurar os dados de alguém excluído por esse item World-Class, a
não ser usando os poderes de ressurreição de outros Itens World-Class. Nem itens de
cash ou magias de ressurreição funcionariam. Se alguém fosse usá-lo em um NPC de Na-
zarick, isso reduziria até mesmo os níveis máximos de NPCs que poderiam ser criados
— uma característica especial de uma base de guilda.
Havia Ahura Mazda, que tinha um efeito potente em qualquer coisa com um valor ne-
gativo de carma, e sua área de efeito poderia abranger um mundo inteiro.
Havia também Ouroboros, que poderia solicitar uma mudança mais abrangente no sis-
tema, mais ainda do que Five Elements Overcoming.
Os itens conhecidos como os Vinte eram tão poderosos que desapareciam depois de
serem usados uma vez, motivo pelo qual ele não suportava usá-los por qualquer boba-
gem, por isso eram tratados como trunfos.
Ainz Ooal Gown orgulhava-se de possuir dois dos Vinte. Eles só seriam usados contra
inimigos de poder incrível, porque apenas itens de poder correspondente poderiam
competir com eles.
Além disso, era de uso único, portanto eles simplesmente desapareceriam após o uso.
Nazarick era protegida por itens World-Class, portanto o interior não deveria ser afe-
tado, mas se as coisas tomassem o pior caminho, o inimigo poderia ser capaz de sitiar a
entrada.
Portanto, ele tinha que encontrar outra maneira de salvar Shalltear, sem usar itens
World-Class.
“Albedo, sou grato por suas palavras. Agora vou lhe contar a razão pela qual fiquei em
silêncio.”
Parecia que estava no corpo humano que tivera no passado. Ainz respirou fundo, como
se estivesse vivo, porque sabia o quanto as palavras que viriam a seguir seriam impor-
tantes.
“Eu pretendo desafiar a Shalltear para uma batalha cara a cara. Portanto... não tenho
certeza se posso voltar vivo.”
“—Eu entendo que devemos lutar contra a Shalltear, porque deixá-la em paz é a pior
opção possível!”
Ele não sabia o porquê o inimigo não dera ordens a Shalltear, mas, quando o fizessem,
a situação se tornaria terrível, porque tudo sobre Nazarick poderia acabar sendo ex-
posto.
“Mas por que optar por uma luta cara a cara? Não podemos ganhar usando os números
ao nosso favor? Somos incapazes de ajudá-lo?”
“Não é isso, Albedo. Eu confio em você. É só que... bem, existem três razões. Primeiro...
é porque eu tenho dúvidas das minhas habilidades como governante.”
Se realmente houver uma Longinus em algum canto deste mundo, então é possível que
todos os Guardiões sejam erradicados pelo preço da vida de um aldeão. Já é ruim por si só
que a Shalltear tenha sido vítima de controle mental, mas levando em conta tudo que men-
cionei, acho que ela ainda se saiu até bem.
“E então o senhor pretende expiar seus pecados lutando sozinho contra a Shalltear...
mas quem poderia culpá-lo, Ainz-sama, o mais elevado governante de Nazarick?”
“Isso não é tudo. Esta é a segunda razão... o fato de a Shalltear estar sozinha. Pode muito
bem ser uma armadilha — na verdade, pode ser uma armadilha fatal.”
“Calma, ainda não terminei. Sabe o que mais temíamos quando fazíamos uma armadilha
assim?”
Sem esperar por uma resposta, Ainz começou a responder sua própria pergunta:
Depois que viu a compreensão brilhar nos olhos vermelhos de Albedo, a respiração ine-
xistente de Ainz exalou.
“Nesse caso, deixe-me ir! Eu sou a mais adequada para a tarefa, e eu ainda tenho um
item World-Class... O senhor tem certeza que pode ganhar? Por favor, não minta— quais
as chances de vitória?”
Shalltear Bloodfallen.
Ela era a mais forte Guardiã da Grande Tumba de Nazarick. Nem mesmo Albedo — não,
ninguém entre os outros NPCs de nível 100 seria capaz de enfrentá-la.
“Por causa disso... eu devo ser o único. Eu sou o único que pode desafiá-la em uma luta
de frente e vencer.”
“Bem, sim... talvez o senhor possa derrotá-la usando seus melhores equipamentos,
mas...”
Era porque a própria Shalltear Bloodfallen se tornou a nêmesis de Ainz Ooal Gown.
Shalltear, por outro lado, foi feita com uma build otimizada. Além disso, as profissões
derivadas do âmbito magic caster divino de Shalltear a asseguraram que poderia usar
muitas magias eficazes contra os undeads, e ela era adepta de combate corpo a corpo.
Ainz não podia usar sua especialidade contra Shalltear, e Shalltear tinha uma vantagem
quando lutava contra os undeads.
Além disso, Ainz normalmente não equiparia seus melhores itens pois temia que fos-
sem roubados. Assim, quando entrassem em confronto, as chances de Ainz seriam muito
baixas. Pior, ele pode não ter chance alguma.
Ainz tinha certeza de que era isso. Albedo abaixou a cabeça e resposta.
Pode ser o caso, Ainz concordou. Era realmente improvável que ele derrotasse Shalltear.
Ainda assim—
—Você verá que o título de Governante Supremo de Nazarick não serve apenas para exibir.
“—Não há nada de errado com o seu pensamento, mas está errado. Afinal, você só pos-
sui o conhecimento que foi infundido em você.”
“Perdão? Experiente?”
“Ah! Então é isso que o senhor quis dizer! Sim, posso aproveitar plenamente a força que
os Seres Supremos me deram. Então acredito ser muito experiente.”
Ainz balançou a cabeça para rejeitar a resposta de Albedo. Ele aprendeu muito quando
lutou contra àquela mulher, Clementine.
“Errado. Ser forte nada tem a ver com ser experiente, são coisas completamente dife-
rentes. Você se lembra da invasão em larga escala de Nazarick? Está familiarizada com
as lembranças da Shalltear durante o ocorrido?”
“Eu não perguntei em detalhes, mas ela disse que lembrava vagamente de ter sido
morta uma vez.”
“...Normalmente, ela e eu éramos aqueles que lidavam com intrusos isolados... Essa
mesquinhez foi de bastante ajuda. Sendo esse o caso, eu devo ser o oponente, já que te-
nho as maiores chances de ganhar.”
No entanto, Albedo parecia ter sentido o sorriso de seu soberano absoluto, e suas bo-
chechas ficaram rosadas, como se olhassem para o homem que ela adorava.
Ainz fez seu desafio para uma pessoa que não estava aqui.
“Na era de ouro da Ainz Ooal Gown, eu mais ganhei do que perdi em PVP... E sim, até
mesmo venci jogadores que se vangloriavam de suas builds perfeitas, acha que alguém
como eu perderá para quem só confia em força bruta? E o mais importante, Peroroncino
e eu éramos grandes amigos. Para ser claro, A batalha acabou antes de começar..., Shall-
tear.”
“...Ainz-sama, eu não vou mais tentar te impedir. No entanto, quero que me prometa
que voltará para mim com segurança.”
“Eu prometo a você que vou derrotar a Shalltear e retornar para Nazarick.”
Parte 2
Por segurança, ele também escolheu se teletransportar para um ponto a mais de dois
quilômetros de distância de Shalltear.
Embora ele já tivesse verificado o ambiente com magia, não havia como garantir por
completo que o usuário do Item World-Class que controlava Shalltear não estivesse por
perto. No entanto, tudo o que ele pôde fazer foi tentar não se preocupar desnecessaria-
mente. Quando Ainz moveu seus ombros em alívio, ele olhou para trás, para as duas pes-
soas que estavam seguindo-o.
Eles foram os únicos que Ainz permitira o acompanhar antes da batalha iminente.
Ele já havia ordenado a todos os subordinados que tinham tarefas externas a voltar
para Nazarick. Além de Aura e Mare, apenas Sebas e Solution ainda estavam fora.
A principal razão pela qual ele os escolheu foi brincar com a fraqueza emocional de seus
inimigos. Ao contrário de Demiurge e Cocytus, que são heteromorfos, Aura e Mare são
humanoides. Talvez o inimigo não estivesse disposto a matar crianças humanoides tão
adoráveis.
É claro que talvez o inimigo possa ser realmente implacável. Mesmo assim, ele queria
ter pessoas por perto caso algo acontecesse.
Ainz olhou para as duas manoplas incompatíveis nas mãos de Mare. A da direita foi
forjada como uma mão reluzente de um anjo e brilhava com luz prateada, mas a es-
querda era como uma garra de demônio, coberta de ganchos e espinhos. O brilho carme-
sim do magma vazava pelas fissuras em sua superfície.
Então, ele se virou para Aura e seu grande pergaminho preso nas costas.
“...Sim.”
Aura assentiu, seu rosto estava firme como rocha. Mare se apressou para abaixar a ca-
beça também.
“Ouça bem, vocês devem se retirar. Isso também faz parte dos meus planos. Além disso,
os itens que lhes dei são os tesouros de Nazarick. Não podem permitir que sejam toma-
dos, não importa os meios que tenham que usar. De certa forma, eles podem ser consi-
derados mais valiosos do que vocês. Entenderam?”
Aura respondeu um pouco relutante, o que fez Ainz se sentir ansioso. Se ela desobede-
cer a suas ordens devido à sua lealdade, isso poderia levar a um problema fatal.
Depois de ouvir suas respostas — uma enérgica, e outra tímida e reservada — surgiu
uma questão no coração de Ainz.
Ele não queria usar um item World-Class para salvar Shalltear. Desse ponto de vista,
pode-se dizer que ele valorizava mais os itens.
No entanto, a razão para não usar os Itens World-Class foi a mesma que ele havia dito
a Albedo na Tesouraria. Eles eram o Ás na Manga, o que poderia transformar qualquer
derrota em uma vitória.
Uma coisa seria se não houvesse outra maneira de salvar Shalltear, mas como ainda
havia outra possibilidade, então seria mais sensato evitar usar seus trunfos.
Ignorando isso, o que era mais importante? Os NPCs — que haviam sido minuciosa-
mente trabalhados por seus companheiros, e que agora eram seres inteligentes e leais,
ou os Itens World-Class — que simbolizavam as aventuras que elevaram a posição da
Ainz Ooal Gown dentro do jogo YGGDRASIL?
Embora Ainz tenha pensado profundamente sobre o assunto, o fato de não conseguir
encontrar uma resposta o incomodava.
Talvez ele poderia declarar conclusivamente essa resposta antes de vir a este mundo,
mas agora, ele não poderia.
Porque eu estou planejando matar essa... essa NPC, que é como uma criança. Estou plane-
jando matar a filha do Peroroncino.
Contudo—
Depois de ver os olhares de Aura e Mare, Ainz sentiu que não era bom preocupá-los
ainda mais, e mudou de assunto.
As criaturas tinham dois metros de largura e seus corpos eram rosa. No entanto, esses
monstros tinham inúmeros olhos com pupilas brancas nebulosas. Parecia que os olhos
de vários tipos de cadáveres tinham sido costurados ao acaso.
[Globo Ócular C a d a v e r ]
Estes eram os Eyeball Corpses, seres undeads feitos com a habilidade 「Create High
Tier Undead」.
Ainz usou toda sua capacidade diária dessa habilidade para fazer estes Eyeball Corpses,
pois são monstros especializados em combater seres furtivos, seja por magia ou habili-
dades.
Seus olhos nebulosos não eram meramente ornamentais, possuíam uma percepção no-
tável. Até mesmo uma ranger especializada como Aura, não podia igualar-se a eles. Em-
bora o nível de combate fosse baixo, tinham ênfase na capacidade de detecção, então o
objetivo de Ainz era fazer com que dessem suporte a Aura no alvejamento da oposição.
“Não se preocupe com isso, te dou minha palavra que sim. Além disso, vincule sua
mente a deles com magia. Dessa forma, poderá atuar como um centro de comando e pa-
trulhar a área sem maiores problemas.”
“Certo! Bem, se eu fosse sozinha seria mais rápido, mas não sabemos onde estão esses
caras. Deixa comigo! Depois que o Mare usar magia de aprimoramento de furtividade, a
gente vai pegar qualquer um que aparecer e então vamos nos esconder.”
Ainz sorriu discretamente — embora não pudesse ser visto, pois seu rosto não podia se
mover.
♦♦♦
A última pessoa a entrar na sala foi Demiurge, que se sentou de qualquer jeito em um
assento vazio. Isso ilustrou claramente o seu humor, uma vez que ele nunca agiria de
forma tão indelicada em circunstâncias normais.
Demiurge estreitou os olhos enquanto dirigia sua questão para Albedo, sentada à sua
frente na mesa.
Seu tom foi uniforme em ambas, mas isso era simplesmente um fino véu sobre a super-
fície. Todos podiam sentir o quão intensas eram as farpas em suas palavras.
“—Por quê?”
Disse ele, interrompendo Albedo como uma lâmina de uma guilhotina, então comple-
tou:
“Por que quando o Ainz-sama partiu para a cidade humana — E-Rantel —, foi você
quem insistiu em que um Guardião o seguisse. Mas agora, magicamente você concorda?
Você mais do que ninguém deveria estar preocupada com a segurança do Ainz-sama
neste momento, assim como estava antes.”
Sua raiva pareceu sacudir a sala. Essa intensidade era completamente diferente do De-
miurge com quem eles estavam familiarizados.
Cocytus virou lentamente a cabeça, olhando as duas pessoas se encarando. Havia preo-
cupação em seus olhos.
“...Além disso, você deveria saber que o Ainz-sama estava te enganando, não é?”
Depois que Albedo assentiu novamente, Cocytus exalou bruscamente. Ambos sabiam
que esse som claro e agudo era aquele que Cocytus fazia quando estava confuso.
“...Anteriormente. Você. Disse. Que. O. Ainz-sama. Lhe. Disse. Suas. Razões. Para. Deixá-
lo. Lutar. Sozinho... Mas. Você. Não. Acha. Estranho? Do. Ponto. De. Vista. De. Ainz-sama,
Um. Ataque. Sequencial. Seria. Mais. Seguro, Poderíamos. Atacar. Em. Ondas, Assim. Di-
minuiríamos. O. Hp. E. Mp. De. Shalltear.”
“Eu não sei... é por isso que estou perguntando. Albedo, já que você não sabia o motivo,
por que deixou o Ainz-sama ir sozinho?”
Demiurge abriu ligeiramente os olhos para mostrar que estava confuso, como se pe-
disse a Albedo que continuasse sua explicação.
“Naquela época, Ainz-sama não parecia um homem, mas em vez disso... como devo di-
zer... sim, isso pode soar desrespeitoso, mas naquela época ele parecia uma criança fu-
gindo do mundo.”
“Eu não senti nada disso. Não é você que está vendo coisas onde não existe?”
Demiurge desviou o olhar para o 「Crystal Monitor」 dentro da sala. Sua superfície
exibia a forma de seu mestre caminhando nas profundezas da floresta.
Albedo estava olhando para o 「Crystal Monitor」 também, mas com o olhar de uma
donzela apaixonada em seu rosto. No entanto, essa expressão só irritou Demiurge que
já estava bem frustrado.
“Neste momento, o Ainz-sama tem uma expressão de grande convicção em seu rosto.
Como mulher— talvez seja desleal pensar dessa maneira, mas quando percebi que meu
amado mestre manteria essa convicção até o fim, então vi que não havia mais nada a
dizer. Além disso, ele me prometeu que retornará triunfante.”
Uma vez que ele viu que Albedo não iria continuar, Demiurge visivelmente descontente
não pode mais se conter:
“Você é ingênua. Irracional. Está apenas tomando decisões com base em seus sentimen-
tos! Ainz-sama é o último Ser Supremo que permaneceu conosco. No instante que sou-
bermos de qualquer risco à sua vida, é nosso dever eliminar qualquer perigo. Mesmo se
A voz de Demiurge estava bastante calma quando ele se virou para sair.
Demiurge sentiu algo acelerando em sua direção e se virou para olhar. Ele viu Cocytus,
brandindo uma arma divine-class.
“...Já entendi tudo... Então a razão pela qual você me chamou aqui e me ordenou para
este lugar foi para isso, não foi, Albedo?”
“De fato, Demiurge. O Sétimo Andar já está trancado sob ordens minhas e de Ainz-sama,
e nós temos o controle de todos os vassalos. Preciso lhe dizer de quem são as ordens que
eles vão obedecer?”
“Ainz-sama retornará.”
Os olhos de Demiurge se arregalaram, mas não havia olhos dentro das órbitas dos olhos.
Em vez disso, ele tinha pedras preciosas, que não tinham pupilas ou esclera, mas que
eram lapidadas com incontáveis facetas cintilantes.
“Acredite em seu mestre. Este é o nosso propósito, como aqueles que foram criados por
eles.”
A boca de Demiurge estava abrindo e fechando todo esse tempo, mas agora ele fechou
com firmeza.
Os NPCs de Nazarick eram absolutamente leais aos 41 Seres Supremos, mas a maneira
como eles expressavam sua devoção variava entre cada um deles. Assim, era natural que
Demiurge e Albedo pudessem ter opiniões diferentes sobre como demonstrar sua leal-
dade.
Se o Ainz-sama se desvanecer como os outros Seres Supremos, a quem devemos ser leais?
Fomos criados para sermos leais a eles, mas uma vez que perdemos esse valor, que razão
existe para existirmos?
Como se para encobrir suas próprias emoções, Demiurge sentou-se com força no as-
sento, estava completamente diferente de como costumava ser.
“Se... Se alguma coisa acontecer com o Ainz-sama, você renunciará ao seu cargo de Su-
pervisora Guardiã.”
“...Demiurge. Você. Se. Atreve. Pedir. A. Albedo. Que. Renuncie. À. Posição. De. Supervi-
sora. Guardiã, Que. Os. Seres. Supremos. Pessoalmente. Atribuíram? Isso. É. Traição!”
“Por mim, tudo bem. Mas saiba, Demiurge, se o Ainz-sama retornar em segurança, você
obedientemente se curvará a mim se ocorrer uma situação semelhante no futuro.”
“Que seja.”
Os ombros de Demiurge tremeram. Não podia fingir que não ouvira as palavras não
auspiciosas que Cocytus, o mais poderoso guerreiro presente, acabara de falar. No en-
tanto, Albedo foi diferente. Ao ouvir esse pronunciamento, ela continuou sorrindo, com
o rosto transbordando de suprema confiança.
♦♦♦
“Droga.”
Ele não amaldiçoou em voz alta, mas a intensidade daquelas palavras implicava uma
raiva tão poderosa que até mesmo Ainz não pôde suprimi-la totalmente. Isto foi apesar
de ser um undead, que como tal era resistente a tais surtos de emoção.
“Eu decidi espalhar o nome da Ainz Ooal Gown para encontrar meus amigos. Esse foi o
método que eu escolhi. Procurei agir de maneira discreta para evitar conflitos sem sen-
tido. Mas no fim, como algo assim foi acontecer?”
Quem eram eles? A quem pertencem? O que queriam? Por que eles usaram um Item
World-Class em Shalltear?
“...Não importa quem sejam, no momento que eu souber quem fez isso com a Shalltear...
eu vou exterminá-lo da existência.”
O crânio imóvel de Ainz estava aparentemente retorcido pelo ódio negro borbulhante
de intenção assassina que era gerada dentro de seu ser.
“Você, seja lá quem for, se arrependerá profundamente da sua tolice. Se é uma briga
com Ainz Ooal Gown que quer, então uma briga você terá.”
Depois de dar voz à raiva em seu coração, a frustração de Ainz diminuiu lentamente.
A verdadeira batalha começaria agora e ele teria que se acalmar para enfrentá-la.
Shalltear era a mais forte dos Guardiões, mas ela não era muito mais forte. Se os outros
Guardiões a atacassem em ondas, a vitória seria certa.
No entanto, havia uma razão pela qual Ainz não havia escolhido esse método—
—Era porque ele não queria ver seus amados filhos se matando diante de seus olhos.
Se ela tivesse traído Ainz Ooal Gown de livre e espontânea vontade, Ainz teria levado a
traição à tona e a teria destruído com tudo que estivesse à sua disposição. Se essa era a
Se ela o tivesse traído porque ela tinha sido programada para fazer isso, ele encontraria
a melhor maneira de se lidar com ela.
No entanto, a situação de Shalltear agora era diferente de todos esses cenários. Ela es-
tava sob controle mental, e o culpado era Ainz, que não previra tal situação. Assim, ele
foi o único responsável por isso.
Ainz removeu um de seus anéis. Um deles era um item de cash que permitia a ressur-
reição sem praticamente nenhuma penalidade. Remover este anel simbolizava a deter-
minação de Ainz ao se entregar de corpo e alma a este desafio, porque se ele pudesse
voltar à vida, ele inconscientemente relaxaria.
Isto não foi uma concessão, mas convicção. Com esse sentimento em seu coração, Ainz
olhou para o céu.
“O inimigo ainda não fez nada. Até agora, a única coisa que posso sentir são as magias
de adivinhação de Nazarick... estou sendo observado?”
Em YGGDRASIL, fogo amigo era desativado, então seus amigos poderiam lançar adivi-
nhações em Ainz normalmente. Entretanto, as coisas eram diferentes neste mundo. Se
Albedo e os outros quisessem observar Ainz, suas proteções mágicas atacariam automa-
ticamente com um contra-ataque mágico.
Foi por isso que Ainz tinha desativado essas magias ofensivas, apenas deixou ligado
suas contramedidas lhe dizia a origem de quaisquer magias de adivinhação. O que ele
aprendeu até agora foi que ninguém estava o observando além de Nazarick.
“E... será que a Albedo viu através da minha mentira? Fazer o quê...? Embora isso não
seja uma aposta para você, não é, Shalltear?”
Ainz olhou para Shalltear. Ele imaginou uma batalha simulada em sua cabeça e sentiu
como se estivesse a evitando.
Mesmo que houvesse se decidido momento antes, apenas ficar de pé aqui o encheu de
um incrível estresse mental.
Embora ele estivesse preparado para se sacrificar— não, era precisamente porque ele
estava preparado para morrer que o que restara de Suzuki Satoru — um humano de
espírito fraco — que estava com medo.
O que estava preste a vir, seria uma batalha até a morte. Esta não seria uma luta em um
jogo como YGGDRASIL — este seria um verdadeiro duelo mortal.
Isso seria diferente de suas batalhas com Nigun e Clementine, onde ele tinha “lutado”
(mais para massacrado) com pessoas que não eram nada além de um inseto para uma
bota. Desta vez, o resultado era incerto, ele estava começando de condições incrivel-
mente desfavoráveis.
“Se eu não fosse o líder da Grande Tumba de Nazarick e o Chefe da Guilda, eu poderia
não ter determinação para apertar meus punhos.”
Ainz riu para si mesmo, como se quisesse exorcizar todas as suas emoções negativas.
O medo da morte havia desaparecido, e ele não estava mais inseguro quanto à possibi-
lidade de ser derrotado.
“Eu sou Ainz Ooal Gown. Como esse nome poderia ser derrotado?”
Ele era o mestre da Grande Tumba de Nazarick. Ele provaria que seu título não era um
mero adorno.
Ainz gritou quando ele lançou sua magia. Ele selecionou cuidadosamente uma magia de
seu enorme repertório — e ativou uma magia de 10º nível.
“Hahaha!”
—Ele riu, seus olhos continuavam fixos em Shalltear quando ele lançou a magia. Ele riu
por causa desse resultado inesperado e também porque ele havia ganho uma grande
aposta.
“Exatamente como eu esperava. Contanto que não considere minhas ações um sinal
claro de hostilidade, os NPCs não entrarão em status de combate! É como se estivesse
no jogo!”
Essas ações eram idênticas às dos monstros com controle metal em YGGDRASIL. O fato
de a lógica do jogo poder ser usada aqui melhorou um pouco a enorme desvantagem que
ele enfrentava.
“Já que é o caso... Sinto muito, Shalltear, mas você terá que me esperar assim por mais
um pouquinho.”
“—「Fly」, 「Bless of Magic Caster」, 「Infinity Wall」, 「Magic Ward: Holy」, 「Life
Essence 」 , 「 Greater Full Potential 」 , 「 Freedom 」 , 「 False Data: Life 」 , 「 See
Through」, 「Paranormal Intuition」, 「Greater Resistance」, 「Mantle of Chaos」,
「Indomitability」, 「Sensor Boost」, 「Greater Luck」, 「Magic Boost」, 「Draconic
Power」, 「Greater Hardening」, 「Heavenly Aura」, 「Absorption」, 「Penetrate
Up」, 「Greater Magic Shield」, 「Mana Essence」, 「Triplet Maximize Magic: Explo-
sive Land Mine」, 「Triplet Magic: Greater Magic Seal」, 「Triplet Maximize Boosted:
Magic Arrow」—”
Tais palavras ditas depois que ele terminou seus preparativos, foram dirigidas a Shall-
tear e a ele mesmo.
A primeira coisa que Ainz fez a seguir foi usar um dos ultimatos mágicos que possuía,
magias que ultrapassaram o 10º nível de magia.
♦♦♦
Uma das primeiras coisas que se aprendia era que, só poderiam ser usadas uma vez por
dia. No entanto, a cada 10 níveis após o nível 70, o jogador ganhava um slot de Super-
Aba por dia.
Em vez de chamá-las de magia, elas podem ser melhor descritas como habilidades.
Em outras palavras, o jogador médio de nível 100 só poderia usar quatro magias de
Super-Aba por dia. Aos novatos, poderia surgir a dúvida— por que não conjurar conse-
cutivamente magias de Super-Aba para derrotar Shalltear? De fato, o poder destrutivo
da magia de Super-Aba era incomparável, superava e muito até mesmo o das magias do
10º nível. Se alguém pudesse conjurar magias de Super-Aba uma após a outra, uma fra-
ção extremamente pequena dos jogadores de nível 100 poderiam sobreviver ao receber
tal extensão de danos. Shalltear não estava entre esse número, então isso definitiva-
mente a derrotaria.
A razão era porque magias de Super-Aba não podiam ser lançadas uma após a outra.
Para começar, cada magia de Super-Aba precisava de uma certa quantidade de tempo
para ser ativada. Itens de cash poderiam remover esse tempo, mas outra penalidade im-
pedia a conjuração repetida de magias de Super-Aba.
Se qualquer membro de uma equipe conjurasse uma magia de Super-Aba, cada membro
da equipe seria penalizado com a incapacidade de conjurar tais magias por um certo
período de tempo — em outras palavras, havia um tempo de espera, ou cooldown.
Esta restrição foi posta em prática para evitar que as guerras de guildas fossem decidi-
das por quem poderia vomitar a maior quantidade de magias de Super-Aba. Além disso,
este tempo de espera não pode ser eliminado por qualquer habilidade ou item de cash.
Assim, quando em PVPing, quem lançasse uma magia de Super-Aba primeiro seria con-
siderado um idiota.
Afinal, a derrota seria iminente caso alguém gastasse um trunfo sem entender correta-
mente o inimigo. O fato era que havia pouquíssimas batalhas de PVP onde os vencedores
eram os primeiros a conjurar magias de Super-Aba.
Não havia frustração ou confusão em seu rosto. Uma luz calma e constante brilhava
dentro de suas órbitas oculares.
Ainz poderia ter usado um item de cash para conjurar instantaneamente a magia de
Super-Aba, mas ele não o fez. Em vez disso, seus olhos se moveram de Shalltear para os
arredores.
“...Nada de emboscadores? Ou eles estão assistindo de longe? Este deve ser o melhor
momento para me atacar, certo?”
Os magic caster que estavam preparando uma magia de Super-Aba sofriam por terem
que abaixar a guarda. Além disso, a magia de Super-Aba terminaria automaticamente
caso quem a conjurasse recebesse uma certa quantidade de dano.
Era apenas um palpite, mas Ainz tinha certeza de que Shalltear não fora usado como
isca, mas simplesmente abandonada ali.
“O que é tudo isso, afinal? Ah, eu não sou onisciente, não consigo adivinhar tudo. Até
porque, se fosse o caso as coisas não terminassem assim.”
Ele não podia se mover livremente enquanto lançava uma magia de Super-Aba. Tudo o
que podia fazer era ficar parado como um manequim e esperar o tempo passar.
Uma voz incrivelmente falsa, fofa e aguda que ecoou pelo ambiente, e foi difícil resistir
ao impulso de franzir as sobrancelhas.
“...Já tentei de tudo e mesmo assim não consigo desligar essa voz...”
Ainz resmungou, mas na verdade não quis dizer isso. Ele poderia facilmente silenciar
com o uso de ferramentas de edição, mas Ainz não o fez.
A pessoa que emprestara sua voz a esse relógio foi Bukubukuchagama, o membro da
guilda que havia criado Aura e Mare.
A razão pela qual uma seiyuu como ela gravou uma voz tão irritante era claramente
porque queria provocar Ainz.
O criador de Shalltear Bloodfallen, Peroroncino, era o irmão mais novo dela. Ele se dava
muito bem com Ainz. Assim, Bukubukuchagama tratava Ainz como amigo de seu irmão,
e isso resultara em coisas como o relógio.
Quando Peroroncino percebeu que sua irmã era seiyuu de um Eroge que ele queria
comprar, seu interesse pela obra foi ladeira abaixo. Ainz sorriu amargamente quando se
lembrou de seu antigo camarada reclamando.
Havia vários slots para pergaminhos no cinto. Ele silenciosamente inseriu os palitos
nessas fendas, memorizando a posição de cada uma ao fazê-lo.
Essas preparações levaram um tempo, e quando estavam completas, a luz azul do cír-
culo mágico se intensificou, indicando que a magia de Super-Aba estava pronta para ser
lançada.
“Hora de começar.”
ouve o som de chiar, como se alguém tivesse jogado uma tocha acesa na
H
água.
A conflagração exotérmica gerou uma onda de calor em rápida expansão, que consumiu
avidamente tudo dentro do seu raio.
Essa visão infernal durou apenas cinco segundos, mas pareceu dezenas de vezes maior
que isso.
Nada fora da área de efeito foi afetado. As árvores ainda eram árvores, a terra estava
tão cheia de vitalidade quanto a floresta, e a floresta em si ficou intocada — um mundo
extremamente normal.
Em contraste, a área dentro da área circular era preta carbonizada, convertida em uma
zona morta de proporções de cair o queixo.
A temperatura fora do senso comum havia consumido toda a vegetação da região, dei-
xando apenas alguns tocos de árvores carbonizadas. Havia várias áreas vitrificadas no
chão que ainda emitiam fumaça.
Parado além dos limites daquele mundo que não permitia sobreviventes, Ainz sentiu
uma presença terrível se dissipar no centro do raio.
“Kakahaaah~ Kahaaaah~”
Aquele som estranho, acompanhado pelo que parecia ser um rangido de dentes, pene-
trava nos ouvidos de Ainz.
Ele se virou para olhar para a fonte e viu um ponto vermelho em meio a um mundo
escuro e queimado.
Shalltear caminhou lentamente para frente, seus passos quebraram o chão carbonizado
embaixo.
Passo a passo, ela encurtou a distância entre Ainz e ela, a Spuit Lance em sua mão cor-
tando o ar com um whoosh que indicava que ela ainda era capaz de lutar.
“Ahahahaha!”
“Você ainda diz -sama. Por que você se dirige a mim como -sama? Quem é seu mestre?”
“Que pergunta estranha. Não é natural abordar um Ser Supremo como o senhor com -
sama? Quanto ao meu mestre atual...”
“...Por que eu tenho que lutar com o senhor, Ainz-sama ~arinsu? ...Ah, é porque me ata-
cou? Mas por que o senhor me atacaria, Ainz-sama... eu preciso destruir alguém que me
ataca com todas as minhas forças? Por que isso?”
Em pouco tempo, Shalltear parecia ter chegado a uma conclusão, e seu sorriso de antes
voltou ao seu rosto.
“Bem, eu ainda não tenho certeza do porquê, mas desde que me atacou, eu devo destruí-
lo, Ainz-sama!”
“...É assim então... eu entendo. Eu entendo que tipo de estado você está...”
“Hmph, você não está entendendo algo errado? Você acha que alguém como você pode
me derrotar — derrotar Ainz Ooal Gown? O nome Ainz Ooal Gown não conhece a derrota.
Shalltear, você vai se ajoelhar em submissão diante de mim.”
Movendo-se com uma velocidade que deixaria uma ventania com inveja, Shalltear ata-
cou, envolta em sede de sangue. O chão queimado explodiu sob seus pés a cada passo
que ela dava. Os ataques de Clementine poderiam ter sido rápidos, mas a velocidade de
Shalltear estava em uma classe própria.
Por um instante, Ainz ficou grato por não precisar piscar, porque Shalltear era rápida o
suficiente para ser perdida de vista caso tirasse os olhos dela por um momento.
Carregando uma risada por onde passava, Shalltear continuou seu ataque, apontando a
ponta de sua lança para Ainz e se impulsionando para frente. Investida de lança era ori-
ginalmente uma técnica usada pelos cavaleiros montados e feita com a velocidade e o
peso de suas montarias. No entanto, o ataque de Shalltear — feito com sua força extra-
ordinária e sua incrível velocidade — superou facilmente os itens necessários para uma
investida.
A palavra “one-shot kill” não poderia nem começar a descrever esse golpe fatal, e ela
rasgou o ar em direção a Ainz. E, apesar da ponta da lança se aproximando rapidamente,
Ainz permaneceu impassível.
O tenro aviso que ele deu a Shalltear, como se preocupado com o bem-estar dela, refe-
ria-se à contramedida que ele preparara para o ataque de Shalltear.
Enquanto Shalltear atacava, a magia 「Triplet Maximize Magic: Explosive Land Mine」
que ele havia conjurado antes, foi ativada automaticamente.
As três explosões explodiram no corpo de Shalltear. Quando Ainz viu isso, ele pediu
desculpas em um tom ainda mais compassivo:
“Shalltear, por favor, perdoe meu aviso final. Na verdade, ainda há mais minas espalha-
das por aí. 「Maximize Magic: Gravity Maelstrom」.”
Neste momento, Shalltear se levantou do estado abatido e estendeu a mão que não se-
gurava a lança.
“「Wall of Stone」.”
Enquanto Ainz continuou com outra magia, costelas enormes irromperam da terra e se
aproximaram de Shalltear como uma armadilha de urso. As pontas afiadas do osso
branco cravaram profundamente o corpo de Shalltear.
“Kah!”
Normalmente, esta magia continuaria segurando seu alvo depois de danificá-los, mas
Shalltear facilmente encolheu os ombros. Isso porque ela estava imune a restrições de
movimento, resultando no fracasso desta tentativa de contenção.
“...Shalltear, eu esqueci de te dizer, mas eu já preparei minas em torno desta área. Que
tal se parar de vir de frente e me atacar pelo ar?”
“—Ainz-sama, não vou morder essa isca. Colocou armadilhas no ar também, não é?”
Não havia nada do tipo. As minas que Ainz havia colocado agora eram o único conjunto.
Nem ele colocou armadilhas no ar. Esta batalha não seria fácil, onde ele poderia desper-
diçar MP em magias ineficazes.
Portanto, ele usou as minas como um blefe para dificultar a mobilidade de Shalltear. Ele
estreitou os olhos quando ela mordeu a isca. No entanto, agora não era a hora de relaxar.
Ainz foi o desafiante nesta batalha. Ele estava andando numa corda bamba muito fina,
e cairia se não fosse cuidadoso. Ainz sabia disso, e ele não era estúpido o suficiente para
se tornar complacente com uma pequena vitória como essa.
Havia genuína admiração nos olhos e na voz de Shalltear. Ao mesmo tempo, Ainz podia
sentir o espírito de luta que ela irradiava de todo o seu corpo.
Se o corpo de Ainz pudesse produzir suor, suas costas provavelmente seriam a nascente
de um rio.
Em qualquer caso, eu preciso continuar causando danos até que meu MP acabe.
Se ele não pudesse fazer isso, Ainz estaria na estrada para ser derrotado.
♦♦♦
Shalltear segurou a Spuit Lance com força, estreitando os olhos para o magic caster di-
ante dela — para seu mestre, Ainz Ooal Gown.
Ela não tinha idéia do porquê teve que se opor a seu amado mestre, mas sua mente lhe
disse que não era uma questão importante. Tudo o que ela tinha que fazer era matá-lo e
refletir sobre o assunto não era relevante agora.
Portanto, mesmo que ela não pudesse esgotar o HP de seu oponente a zero, ela ainda
poderia ganhar enquanto seu inimigo continuaria gastando MP. Isso era especialmente
certo para um magic caster arcano como Ainz, que não tinha como recuperar sua saúde.
Então, por favor, trema de medo com seu HP e MP cada vez menores. Ahaha, meu coração
acelera toda vez que penso no rosto aterrorizado de Ainz-sama!
Então, qual foi a melhor maneira de ela lutar? Teria que ser uma batalha prolongada.
Shalltear agarrou sua Spuit Lance, enquanto ao mesmo tempo ela apressadamente cri-
ava um plano de batalha.
Ah~ Coitadinho do Ainz-sama. Ele não pode convocar vanguardas e tem que lutar sozinho.
Essa magia permitia que ela percebesse a mana de seu oponente por um tempo, e assim
a mana remanescente de Ainz apareceu diante dela.
Ainz tinha cerca de uma vez e meia o MP (mana) de Shalltear. Provavelmente não havia
mais ninguém em Nazarick que tivesse uma capacidade de mana como essa.
Ele é verdadeiramente um Ser Supremo. Alguém que eu possa chamar de undead extraor-
dinário... um undead supremo... não, um undead divino.
Dito isso, ela ainda não achava que perderia. Talvez pudesse ser diferente se fossem
outros Guardiões, mas para Shalltear, Ainz e suas magias aprimoradas de ataque necro-
mânticos dificilmente seriam um desafio para ela.
Claro, eu não devo ser descuidada. Mas falando nisso, por que o Ainz-sama não usa seu
equipamento divine-class?
A túnica que Ainz usava agora parecia muito simples aos olhos de Shalletar. Faltava a
dignidade do usual manto preto.
Será que isso dá alguma vantagem em lutar comigo? É muito provável, mas não faz sen-
tido ficarmos apenas nos encarando. Nada vai acontecer. Então é hora de recuperar um
pouco de saúde primeiro e me preparar para uma batalha prolongada...
“「Regenerate」.”
A magia que Shalltear acabou de lançar poderia até recuperar a saúde dos undeads.
Atualmente, estava restaurando a saúde perdida ao receber o golpe da magia de Super-
Aba. Neste momento, Ainz lançou outro ataque, arremessou uma esfera de gravidade
igual a de antes.
Shalltear usou—
“—「Greater Teleportation」.”
Seu campo de visão se distorceu, mas o cenário que deveria ter aparecido instantanea-
mente diante de seus olhos parecia ter sido desacelerado.
Cheh!
Como Shalltear havia adivinhado, ela estava a uma certa distância de Ainz, quando de-
veria ter sido movida para o alcance de sua Spuit Lance. Em vez disso, ela viu três bolas
cintilantes de luz diante de seus olhos — foi efeito da magia 「Drifting Master Mine」.
Shalltear sentiu as minas e ativou o 「Mist Form」 para evitá-las enquanto voavam em
sua direção. Esta habilidade transmutou seu corpo em névoa, uma habilidade que viria
bem a calhar para os vampiros. No entanto, a magia não transformava o corpo no fenô-
meno físico chamado névoa, mas sim fez seu corpo entrar no plano astral. Assim, ela
poderia usá-lo para evitar completamente ataques no mundo físico — as três explosões.
“Ingênua!”
Depois do grito de Ainz, ele continuou com um 「Maximize Magic: Astral Smite」.
Essa magia poderia atingir entidades astrais, foi direto ao encontro do corpo de Shall-
tear, cuja defesa havia sido reduzida depois de tomar a forma de névoa.
Destruída pela agonia, Shalltear saiu de sua forma de névoa. Ela sentiu o lábio ser cor-
tado e algo macio e escorregadio fluiu de dentro do corte.
Ainz não respondeu a esse elogio sincero. Ele apenas estudou sua oponente com olhos
duvidosos.
“O senhor não pode acreditar em mim, não é? Mas sinto que o senhor é alguém digno
da minha lealdade.”
A saúde de Shalltear diminuiu um pouco, mas essa quantidade de dano estava dentro
dos limites aceitáveis. Em contraste, a mana de Ainz já estava abaixo do esperado, então
valeu a perda. Em outras palavras, Shalltear estava um passo mais perto da vitória.
“「Force Sanctuary」.”
O brilho branco preencheu a área ao redor de Shalltear, uma barreira defensiva feita
apenas de mana. Embora essa barreira impedisse os ataques de quem o ativasse, tam-
bém anularia completamente os ataques do oponente.
Através desta barreira de luz, ela viu Ainz se preparando para lançar uma magia.
“Isso mesmo. Se não lançar uma magia em breve, estará em sérios apuros.”
Shalltear não tinha boas magias defensivas, e ela não tinha intenção de ativá-las. Seu
objetivo era simples, puramente drenar a mana de Ainz. Ela sorriu para Ainz enquanto
ele lançava suas magias.
Ara! Tudo está indo de acordo com o plano, Ainz-sama. Ainda assim, o senhor nem está
usando pergaminhos, cajados ou varinhas; está tentando preservar sua força? O senhor
está em pânico? Ou o senhor sabia que eles não eram eficazes contra mim?
Alguns pergaminhos eram afetados pelas habilidades de quem os criava, mas em sua
maioria, eles seriam feitos no menor nível possível para serem funcionais, o que também
significava que poderiam ser usados até pelos magic caster mais fracos. Dito isso, havia
uma grande chance de que os pergaminhos feitos por Ainz pudessem violar as defesas
de Shalltear. Então por que Ainz não fez isso?
Incontáveis — bem mais de uma ou duas mil — lanças de ossos irromperam da terra
ao redor de Ainz. As lanças de marfim atacaram a barreira defensiva de todas as direções.
Logo, ela ouviu o som do que parecia um vidro quebrando, e a barreira protetora de
Shalltear estilhaçou como vidro. Lascas de osso voaram em todas as direções, e então
desapareceram não deixando nada para trás.
“Cheh!”
Ela não esperava que essa barreira mágica — na qual ela havia gasto uma quantidade
significativa de mana — fosse quebrada em um único movimento. Shalltear foi incapaz
de acreditar nisso. Mas o ataque a ela continuou.
“—「Greater Teleportation」.”
Seu destino de teletransporte era um espaço no ar, fora da área de efeito do 「Delay
Teleportation」.
Shalltear esperava que Ainz continuasse com algum tipo de ataque contra ela. A magia
voou como uma fecha atirada para o ar, como se visasse o lugar que Shalltear iria apare-
cer após o teletransporte.
Mesmo parecendo calma e reflexiva como sempre, Shalltear estava bastante fascinada
pela proeza incrível de Ainz. Essas habilidades magistrais só poderiam ter sido aperfei-
çoadas por meio da experiência em diversas batalhas.
O oponente de Shalltear — ela ainda não sabia o porquê teria que matá-lo — perguntou:
“Por que você está tão relaxada nessa luta? Estamos no mesmo nível, E seu equipa-
mento é melhor que o meu. É verdade que minha especialidade não pode ser exercida
aqui — o que é uma desvantagem—, mas isso é tudo. Ainda assim, posso sentir a confi-
ança que você emana, sua crença de que você tem a vantagem e que a vitória está garan-
tida.”
“Ahahaha, então eu vou mostrar uma das razões pelas quais eu posso ficar relaxada. O
senhor sabia que eu tinha uma habilidade como essa?”
Essa foi uma das habilidades de Shalltear, que combinava ataque e defesa.
“Cheh!”
Ainz estalou a língua para isso. Shalltear tinha feito isso antes porque as coisas não sa-
íram como planejado, mas para Ainz, era porque ele não podia mais relaxar.
“Aha!”
Shalltear riu da expressão corporal de Ainz, e então ela mostrou outra habilidade espe-
cial dela.
Uma gigantesca lança divina apareceu em sua mão. Tinha mais de três metros de com-
primento e uma ponta especialmente grande. A aura de pureza que emanava provou que
não era uma arma comum. Refletia os raios do sol em seu brilho prateado, produzindo
uma exibição bonita e atraente.
“Oh... eu nunca vi isso antes. Você conjurou com uma habilidade ou algo assim?”
“Ahahaha, vamos ver quanto tempo o senhor pode bancar o durão, Ainz-sama. Já que
aparentemente não conhece essa arma, permita que eu a apresente. Se chama
「Purifying Javelin」!”
Shalltear arremessou a lança de platina enquanto ria da ignorância de Ainz. Ela não ar-
remessou como um dardo, mas em vez disso apenas ergueu os dedos, como se soltasse
“Guwaargh!”
—E assim o fez, o peito de Ainz foi perfurado. Nos olhos de Shalltear, aquele crânio
imóvel parecia se contorcer de dor.
“Ahahaha! Isso é uma arma com dano elemental sagrado; parece que foi bastante eficaz!”
Shalltear conjurou a lança gigantesca novamente, e lançou-a mais uma vez. A lança via-
jou a uma velocidade indesviável, desta vez perfurando o ombro de Ainz.
Quando alguém alcançava o nível mais alto da mais forte das profissões guerreiras,
Campeão Mundial, esse alguém aprenderia um ultimato supremo em forma de habili-
dade com o nome de 「World Break」. Esta magia de 10º nível era apenas uma cópia
inferior dessa habilidade, mas ainda estava entre as magias mais letais do jogo.
Shalltear foi partida através do próprio tecido do espaço-tempo, e sangue fresco rojou
do corte dimensional.
“Não há necessidade de ficar irritado, Ainz-sama. Isso também foi uma habilidade”
“Cheh! Em outras palavras, minhas habilidades não funcionarão e você pode fazer o que
quiser, huh!?”
“Por favor, não pense que isso é injusto. Essa foi uma habilidade que o Peroroncino-
sama me deu. Em outras palavras, o grande Ser que é superior ao senhor, estou errada,
Ainz-sama?”
“Aqui vou eu, Shalltear! Eu vou te mostrar que não importa quais habilidades você te-
nha, nenhuma delas pode impedir a minha magia!”
“Aha! O senhor quer um confronto de poder de fogo, então, Ainz-sama? Não acho que
eu vou perder!”
A magia 「Maximize Magic: Reality Slash」 cruzou caminhos com um 「Purifying Jave-
lin」, cada um rasgando os corpos de seus alvos.
Quando os dois trocaram ataques novamente, Shalltear riu da tolice de Ainz em seu
coração. Ao mesmo tempo, ela estava confusa—
Se seu criador tivesse pedido isso, ela obedeceria e lutaria com todas as suas forças.
Mesmo se todos de Nazarick fossem seus inimigos, ela os atacaria sem hesitar nem em
segundo. No entanto, este não foi o caso.
Ela pensou e pensou e pensou, mas não conseguiu encontrar uma resposta.
Ainda assim, ela não conseguia se conter. Era como se alguém estivesse sussurrando
em seu ouvido: “Shalltear, você tem que matar o inimigo com tudo que você tem.”
Magias mais poderosas consumiam mais mana. 「Reality Slash」 era uma dessas ma-
gias, e era bastante ineficiente, em termos de dano causado por mana gasta. Mesmo as-
sim, Ainz ainda estava usando. Shalltear pensou que talvez Ainz estivesse esperando es-
gotar sua saúde e reivindicar a vitória antes que a batalha se tornasse uma briga corpo
a corpo.
É isso mesmo, ele quer terminar rapidamente é a coisa certa da parte dele, porque bata-
lhas prolongadas são a minha vantagem... Talvez seja também porque o Ainz-sama sabe
que as magias de debuff tem pouco efeito sobre undeads.
Muito bem, então eu vou me adaptar a qualquer coisa que ele faça.
As habilidades de Shalltear foram divididas nos tipos de uso livre e limitado. Reverter
o tempo para recuperar os danos só poderia ser feito três vezes ao dia. 「Purifying Jave-
lin」 também só podia ser usada três vezes ao dia, enquanto o 「Impure Shockwave
Shield」 só podia ser usada duas vezes.
Ainda assim, não havia sentido em ser mesquinha sobre o quanto usar. O plano de Shall-
tear era terminar a batalha em uma luta corpo a corpo. Seu MP e habilidades eram es-
sencialmente ferramentas para esgotar o MP de Ainz.
Eu posso lutar sem MP, mas o Ainz-sama estará acabado sem MP.
Shalltear poderia lutar usando todo o potencial de HP e MP, mas Ainz só poderia usar
seu MP. Essa é a grande disparidade entre eles.
Ela olhou para Ainz — que estava limitado a magias — com uma expressão gentil em
seus olhos. Poderíamos chamá-los de olhos de uma mãe olhando para seu filho... ou me-
lhor, o olhar de pena que um forte concederia aos fracos.
Depois de lançar seu último 「Purifying Javelin」, Shalltear aceitou o golpe do contra-
ataque 「Reality Slash」, e decidiu entrar na segunda fase da batalha.
Não é hora de rir, embora eu esteja apenas tentando usar meu MP depois de gastar todas
as minhas habilidades especiais.
“Não me diga? Então, que tal um ataque direto? 「Maximize Magic: Vermilion Nova」!”
Esta foi a primeira vez nesta batalha que ela sentiu sua própria saúde cair como uma
pedra no lago, o que causou um olhar de desagrado no rosto de Shalltear.
Por mais poderoso que fosse, ele não podia se preparar para resistir a todos os ataques
elementais. Havia um limite para isso, mesmo se um personagem heteromórfico combi-
nasse suas resistências raciais com profissões que garantissem resistências e se vestis-
sem da cabeça aos pés em equipamentos divine-class com resistências próprias. No en-
tanto, concentrando-se em resistências específicas, um personagem pode tornar-se
imune a elementos aos quais deveria ser o ponto fraco.
Em outras palavras, Ainz havia abandonado suas outras resistências e focado em au-
mentar sua resistência ao fogo.
Isso pode ser problemático. Eu não tenho idéia de quais resistências elementares o Ainz-
sama desistiu.
A única maneira de discernir as fraquezas elementares de Ainz era usar 「Life Essence」
para checar seu HP e bombardeá-lo com ataques de múltiplos elementos, e então ver
qual deles o machucaria mais.
Eu não vou fazer algo tedioso assim. Vou continuar atacando com elementos que são na-
turalmente fortes contra ele.
A luz do elemento sagrado envolveu Ainz, purificando seu corpo, enquanto o corpo de
Shalltear foi corroído pela escuridão não elementar.
Neste momento — Shalltear não perdeu o fato de que Ainz havia se contorcido de dor.
Embora ele estivesse tentando encobrir mudando sua postura, não havia como enco-
brir o fato de que ele estava tentando permanecer estóico diante da dor.
Não, ela não podia culpá-lo por isso. Afinal, a maioria dos undeads era altamente vulne-
rável a ataques elementais sagrados. Era muito difícil remover essa fraqueza, e se ele
tivesse se preparado para resistir ao elemento fogo, não havia como fazê-lo.
Eles trocaram ataques mágicos nessa dança de vai e vem por um tempo. E mesmo Shall-
tear tinha perdido uma quantidade considerável de saúde. De fato, seu HP (saúde) po-
deria muito bem ter ido a zero se ela não tivesse usado secretamente MP em suas habi-
lidades de defesa mágica.
Esse é o temível Ainz-sama... ele é muito superior a mim em batalha mágica, seja em ata-
que ou defesa. Eu usei várias magias elementais sagradas em sequência, mas o Ainz-sama
sofreu uma perda de HP menor que eu. Ainda assim, o fiz queimar muito MP.
Pelo que ela pôde ver, o MP de Ainz foi muito reduzido em relação ao status de antes.
Mesmo assim, ela podia ver o espírito de luta de Ainz ainda queimando em seus olhos.
Está ficando difícil, quero quebrar essa vontade de aço de Ainz-sama e transformá-lo em
um cachorrinho triste.
Shalltear forçou-se a ignorar as sensações que surgiam entre suas pernas. Se ela esti-
vesse em seu quarto, teria chamado uma Vampire Bride para aliviar isso, mas para seu
pesar, ela estava no campo de batalha. E claro, ela não conseguia se consolar no local
para satisfazer seus desejos carnais.
Shalltear olhou para Ainz com os olhos umedecidos de luxúria, e lambeu os lábios. Se
ela continuasse alongando a distância entre eles, que tipo de reação ele faria para ela?
Energia positiva restauraria a saúde dos vivos, enquanto a energia negativa os danifi-
caria. No entanto, o oposto que é válido para os não-vivos. Assim, 「Greater Lethal」,
que canalizava vastas quantidades de energia negativa, é a mais poderosa magia de cura
que Shalltear (uma undead) poderia lançar.
Shalltear piscou várias vezes, incapaz de acreditar no que estava acontecendo diante de
seus olhos. No entanto, ela teve que aceitar o fato de que os ferimentos de Ainz estavam
se recuperando diante de seus olhos, mesmo que ela não conseguisse acreditar.
“...Eh? Por que o senhor pode conjurar uma magia divina 「Greater Lethal」? Estava na
lista de magias das suas profissões?”
Ainz reclamou, e então usou 「Greater Lethal」 novamente. Shalltear, por sua vez, res-
mungou, “parece que ele me jogou um balde de água fria, não é mesmo?” Ainda assim, seu
objetivo era esgotar o MP de seu inimigo, então o plano ainda corria como planejado.
Com isso em mente, Shalltear continuou conjurando seu 「Greater Lethal」 para recu-
perar saúde. Por Shalltear ser um personagem de nível 100, demorou um pouco para ela
se recuperar totalmente.
Depois de curar suas feridas, Ainz conjurou uma magia defensiva em si mesmo.
Mesmo Shalltear sendo uma magic caster divina, e ela não tinha recebido muito conhe-
cimento de Peroroncino. Assim, ela não sabia o que a magia 「Body of Effulgent Beryl」
fazia. No entanto, o brilho verde que cercava Ainz apareceu assim como antes, então
Shalltear concluiu que deve ser algum tipo de magia defensiva.
Shalltear brandiu sua Spuit Lance, mas no momento em que ela estava prestes a se mo-
ver, as palavras que escorregaram da boca de Ainz entraram em seus ouvidos.
Shalltear não esperava isso, então afrouxou a mão que segurava firme na Spuit Lance.
Ela estava prestes a dizer: “Só agora que percebeu?”
Bem, ela queria dizer isso, mas Shalltear concluiu que seria desrespeitoso zombar de
Ainz, seu mestre, para o qual ela não falaria esses tipos de palavras.
Essa palavra continuou aparecendo em sua mente, e isso a confundia. Por que ela estava
brandindo sua arma para seu mestre, Ainz-sama? Ainda assim, isso era normal. Havia
muitas coisas no mundo que eram difíceis de entender, e isso era simplesmente uma
delas.
O rosto esquelético de Ainz não podia mostrar nenhuma expressão, mas por alguma
razão, ela teve a sensação de que ele estava sorrindo amargamente para ela.
“Eu... sim, isso mesmo. Eu sou muito teimoso, Shalltear. Eu não quero fugir disso.”
Ainz olhou para uma de suas mãos vazias e esqueléticas. Os olhos de Shalltear foram
para aquela mão também.
“Talvez os outros não entendam o porquê eu faço isso. Alguns podem até pensar em
mim como um tolo. Ainda assim, neste momento, estou gostando da minha posição como
Chefe de Guilda, porque... eu... bem, eu posso ter sido Chefe de Guilda antes, mas tudo
que fiz foi coordenar eventos ou outras tarefas. Raramente eu enfrentei algo de frente.
Ainda assim, estou na vanguarda pelo bem da guilda... Talvez isso seja simplesmente
para me satisfazer.”
“Sim... será isso? Pode ser... Bem, até certo ponto, eu poderia ter me resignado ao meu
destino. Parece que fomos quase interrompidos por essa conversa inútil. Minhas descul-
pas, vamos começar novamente.”
Parte 2
Ainz calmamente estudou Shalltear, que estava preparando sua Spuit Lance. Ele teve
que triunfar nesta confusão se quisesse alcançar a vitória
A parte de trás de sua armadura estufou, e um par de asas de morcego explodiu, como
se atravessasse as placas de metal. Ainz sabia o que aconteceria a seguir.
[Morcegos V a m p i r o s
Vários morcegos gigantes saíram de trás dela para o céu. Estes eram Elder Vampire
Anciões]
Bats invocados através de sua habilidade 「Household Summons」. Além disso, ela con-
[ E n x a m e d e Morcegos V a m p i r o s ]
tinuou convocando Vampire B a t Swarms.
Eles não eram monstros fortes, mas ele não podia deixá-los fazer o que quisessem. Ainz
lançou uma magia:
Um tornado, com 100 metros de altura e 50 metros de diâmetro, apareceu diante dele.
A nuvem negra do funil engolfou os morcegos antes que eles pudessem fugir, pren-
dendo-os dentro do vórtice.
Formas nadando com rapidez podiam ser vistas dentro do tornado que girava rapida-
mente. Essas criaturas eram tubarões de seis metros de comprimento e moviam-se como
se estivessem no oceano. Os morcegos que fugiam desesperadamente eram como iscas
que haviam caído na água e os tubarões saltaram sobre eles. Esta magia mostrou sua
verdadeira potência contra as criaturas voadoras, e a prova disso foi adequadamente
mostrada quando os tubarões destroçaram os Vampire Elder Bats de asa a asa em um
instante.
Era uma sombra carmesim, saindo do tornado a toda velocidade. A lança que avançou
ante de si deixou uma imagem residual nos olhos dos espectadores, como um rastro de
fogo de um foguete.
Ainz não pôde reagir a tempo, e seu corpo foi inundado pela dor. Parecia que seus ossos
estavam desmoronando.
No instante em que Ainz não conseguiu prestar atenção, Shalltear apareceu na frente
dele. Sua arma cruel perfurou o peito de Ainz e saiu para fora de suas costas.
“Guwaaaargh!”
A arma que o atingira também causou danos, e a enorme queda na saúde que resultou
provocou um grito de agonia de Ainz.
Qualquer dor que o undead Ainz sentisse, seria suprimida uma vez que sua intensidade
excedesse um certo limiar, muito parecido com suas emoções. Foi por isso que mesmo
Suzuki Satoru, que não tinha experiência em combate, pôde suportar essa dor e lidar
com isso com calma.
A mente de Ainz — não, Suzuki Satoru — foi atacada pelo fato de que sua vida estava
se esvaindo. Sua visão diminuiu e ele sentiu que estava perdendo a consciência, como se
tivesse perdido muito sangue.
No entanto, o desejo de Ainz era mais forte que essa mente fraca humana.
Shalltear não cessou seu ataque, mesmo quando Ainz considerou os passos a seguir.
Tendo o empalado com a ponta de sua lança, ela continuou impulsionando para frente,
empurrando a ponta diretamente no corpo de Ainz e forçando a parte mais grossa da
lança para dentro dele. Ele sentiu seu corpo se rasgar, assim uma explosão de dor intensa,
acompanhada pela sensação de sua saúde esgotar ainda mais, foi sentida.
O 「Body of Effulgent Beryl」 absorveu o dano causado pela lança, e assim parecia que
o tempo tinha voltado ao passado, a ponta da lança começou a recuar para fora do corpo
de Ainz.
O estado de Ainz voltou para onde ele estava antes da lança o empalar. Enquanto Shall-
tear o observava perplexa, Ainz lançou outra magia.
“「Wall of Skeleton」!”
Uma parede composta de inúmeros esqueletos armados irrompeu entre os dois. Os es-
queletos na parede atacaram Shalltear, talhando, esfaqueando e cortando-a.
Os pedaços de osso pulverizados tamborilaram como chuva enquanto caíam. Ainda as-
sim, isso havia comprado algum tempo para Ainz, então valera a pena.
“Liberar!”
De acordo com o comando de Ainz, o 「Triplet Magic: Greater Magic Seal」 desenca-
deou três círculos mágicos, cada um dos quais lançou trinta raios de luz, para um total
Magias de 1º nível não podiam violar as defesas mágicas de Shalltear, mas Ainz havia
conjurado aquela magia mesmo assim. Sentindo algo estranho, Shalltear tentou deses-
peradamente evitá-los, mas os raios de luz marfim giraram noventa graus no ar e a per-
seguiram, caindo sobre ela como um granizo.
A razão pela qual eles poderiam perfurar a defesa de Shalltear foi porque Ainz usou
uma habilidade para aumentar temporariamente as flechas mágicas para o equivalente
a magias de 10º nível.
Três espadas longas apareceram no ar, os corpos das armas eram de um preto brilhante.
Elas perseguiram Shalltear, como se tivessem uma mente própria.
“Sumam daqui!”
Shalltear gritou quando empunhou sua Spuit Lance. No entanto, as espadas de obsidi-
ana continuaram a atacando mesmo depois de serem defletidas. Estas armas, que foram
criadas através da magia, eram muito difíceis de destruir através de meios físicos.
“「Magic Destruction」.”
Shalltear usou seu escasso MP restante para lançar uma magia que dissipava outras
magias.
Conjurando aquela magia sem medir as consequências de poupar MP, as duas espadas
de obsidiana desapareceram. No entanto, uma não havia desaparecido e continuou ata-
cando Shalltear. A taxa de sucesso do 「Magic Destruction」 dependia diretamente da
habilidade de conjuração do conjurador, e essa era uma evidência clara de qual magic
caster era superior.
Shalltear não prestou atenção à espada longa que a atacava e avançou em direção a Ainz.
Um dano como esse era apenas um arranhão para Shalltear.
“Droga!”
—Esta foi a primeira vez que Ainz se amaldiçoou em pânico durante essa batalha.
Ainz tinha saúde suficiente para resistir a um ataque como aquele, mas o problema es-
tava bem diante de seus olhos. Isso porque a saúde perdida por Ainz seria usada para
restaurar a própria saúde de Shalltear.
Sua taxa de recuperação seria o suficiente para superar o dano causado pela 「Obsidian
Sword」, então, para reduzir sua taxa de cura, Ainz lançou outra magia de ataque.
Shalltear está esgotada de MP, então tudo que ela pode fazer é avançar e lutar dentro do
alcance efetivo da Spuit Lance... é isso? Esse é o tipo de luta que mais odeio...
Mesmo enquanto ele recuava, a distância entre eles diminuía a cada momento que pas-
sava. Esta era a diferença entre a velocidade da magia 「Fly」 e a velocidade de voo
nativo que foi melhorada pelas habilidades.
Shalltear se posicionou na frente dele, e sangue jorrava de suas feridas assim que ela o
fez. Então, de repente sua imagem se contorceu. O ar se distorceu — e uma enorme onda
de choque surgiu do corpo de Shalltear.
Isso não é uma 「Force Explosion」! Isso é um escudo 「Negative Impact Shield」!
“Guwaaargh!”
Talvez tenha sido por falta de ouvido interno ou por causa de seus traços undeads, mas
Ainz não ficou atordoado após seu rolamento, então aumentou a distância entre ele e
Shalltear.
Isto foi um golpe de sorte. Ainz não queria ficar preso em combate próximo, e agora ele
tinha a chance de conjurar outras magias.
Assim quando ele estava prestes a fazê-lo, Ainz viu uma bola de luz branca se aglomerar
na frente de Shalltear, que lentamente se moldou em uma forma humanoide.
Seu rosto imóvel ficou ainda mais rígido, em contraste, Shalltear sorriu como se tivesse
conseguido uma vitória esmagadora.
“Chegou a hora... Finalmente decidiu usar, hein? Eu sabia que usaria isso mais cedo ou
mais tarde, Shalltear. E pensar que usaria a 「Einherjar」 — seu trunfo — neste mo-
mento crítico...”
Embora não tivesse a habilidade de conjuração de Shalltear junto com a falta de várias
outras habilidades, justamente com a falta de itens mágicos. Deixando isso de lado, suas
armas, armaduras e estatísticas eram idênticas às de Shalltear. Não era undead, mas um
construto parecido com um Golem. Pois ambas as criaturas tinham resistências e imuni-
dades quase idênticas.
Em outras palavras, havia outra Shalltear, que só podia lutar em combates corpo a
corpo.
Ainz havia antecipado que isso aconteceria, mas enfrentar dois oponentes de níveis 100
ao mesmo tempo seria bastante desgastante.
Além disso, Shalltear tinha convocado incontáveis lacaios, como lobos, morcegos, ratos
e coisas do gênero—
Eu posso acabar com todos eles com uma magia de efeito de área... mas o que devo fazer
sobre a Einherjar?
Enquanto Ainz estava pensando em seu próximo movimento, a Einherjar avançou e isso
o surpreendeu.
Por que Shalltear não se movia? Ela não deveria atacar em conjunto?
Ainz encontrou a resposta para essas perguntas depois de mudar sua linha de visão. Ao
mesmo tempo, os pontos de luz em seus olhos brilhavam.
O que Ainz viu foi a visão dos lacaios conjurados por Shalltear desaparecendo um após
o outro, seus corpos eram perfurados pela Spuit Lance.
Shalltear estava matando seus lacaios com a Spuit Lance para restaurar sua própria
saúde.
Escusado será dizer que a quantidade de saúde restaurada pela Spuit Lance dependia
da quantidade de dano que infligia. Quando ela atacou Ainz — que era de igual nível e
tinha uma alta defesa — se comparado aos lacaios de baixo nível, ficou imediatamente
óbvio o que lhe restauraria mais saúde. De fato, Ainz podia ver a saúde de Shalltear sendo
recarregada rapidamente.
Como o fogo amigo estava em vigor neste mundo, isso também deveria ter sido um re-
sultado esperado.
Ainz recuperou a calma e alterou seus planos de batalha para levar em conta esse de-
senvolvimento inesperado.
“Guwaaargh!”
Forçado a recuar diante da sequência contínua de ataques, Ainz decidiu usar seu pró-
prio trunfo.
A conjuração de Shalltear não era ilimitada, então eles acabariam a qualquer momento.
Ainda assim, seria ruim deixar Shalltear se curando livremente usando os monstros ao
redor.
O plano original era usar o trunfo uma vez que a Einherjar aparecesse. Mas esse plano
não contava com a cura de Shalltear matando seus lacaios invocados.
♦♦♦
Era uma profissão que era muito rara até em YGGDRASIL, apenas um pequeno número
de jogadores a portava.
Ainz pôde entrar nesta profissão porque ele não estava obcecado com o poder puro,
mas se concentrou em interpretar um necromante ao máximo. Se ele tivesse perseguido
o poder, ele não teria descoberto essa profissão — que exigia uma build nada ortodoxa
— por acaso.
Em jogos normais, a maioria das pessoas espalharia a notícia de uma profissão recém-
descoberta em sites de passo a passo para compartilhar com os outros. No entanto, jogos
como YGGDRASIL a informação valia muito para ser compartilhada. Por exemplo, pou-
cas pessoas compartilham notícias sobre um Item World-Class com outras pessoas sem
cobrar nada por isso. Isto foi especialmente verdade para as profissões com trunfos.
O movimento que Ainz estava planejando usar o trunfo só estava disponível depois de
atingir o nível máximo (5º) no Eclipse, uma habilidade que só poderia ser usada uma vez
a cada cem horas.
O lamento de uma mulher ecoou pelo ar. Este grito trouxe consigo um efeito de morte
instantânea.
Ainz tinha usado várias habilidades para melhorar essa magia, então sua potência era
maior que o normal e mais difícil de resistir. Ainda assim, foi inútil contra Shalltear e a
construto Einherjar.
Esta situação foi bastante bizarra, mas Ainz permaneceu impassível. Em vez disso,
pode-se dizer que as coisas estavam indo como planejado.
—Tique.
Ainz olhou para Shalltear à distância enquanto sua saúde diminuía constantemente sob
os ataques da Einherjar e, ao mesmo tempo, sentia-se bastante desapontado.
...Então eu não posso terminar isso de forma limpa, né? Droga, Peroroncino, será que a
construiu especificamente para me enfrentar? Pensar que você realmente deu a ela um
item de ressurreição! Mas que droga!
Ainz lutou freneticamente para evitar os ataques da Einherjar. Depois que os doze se-
gundos passaram, o ponteiro das horas completou um circuito completo e apontou para
o céu mais uma vez.
Tudo morreu.
Até mesmo o ar — que nem estava vivo — decaiu em morte. Por mais de cem metros
em todas as direções, o ar não era mais respirável. Se qualquer criatura viva tentasse
respirar dentro daquela área, seus pulmões seriam corrompidos pelo ar e seriam mortos.
Nem a terra escapou ao abraço da morte. O terreno em um raio de cem metros foi ins-
tantaneamente transmutado em areia.
Apenas Shalltear e Ainz poderiam se mover neste mundo, onde apenas a morte perma-
neceu.
O trunfo de Ainz, 「The Goal Of All Life Is Death」 foi fortalecido pelos efeitos de habi-
lidades de morte instantânea. Essas melhorias em efeitos de morte instantânea pode-
riam ignorar qualquer imunidade ou resistência e matar seus alvos depois que uma certa
quantidade de tempo tivesse passado.
Em YGGDRASIL, o ambiente não teria sucumbido, mas neste novo mundo, os efeitos
foram bastante apropriados para a habilidade. Todas as coisas eram iguais em face da
morte.
O próprio Ainz ficou surpreso com esse efeito estranho. A terra não havia morrido as-
sim em YGGDRASIL. Ele não pôde deixar de balançar a cabeça depois de testemunhar os
efeitos dos poderes do jogo no mundo real.
No entanto, Ainz engoliu a surpresa. O orgulho em seu coração não permitiria que ele
mostrasse qualquer sinal de choque. Em vez disso, ele agiu como se isso fizesse parte de
seu plano. Inflando-se com a arrogância que convinha a um governante, ele gentilmente
perguntou à única sobrevivente:
“O que me diz? Depois de experimentar o poder que pode matar até mesmo os que não
vivem?”
O vento soprou, dispersando o ar morto entre eles. Aquele vento levou suas palavras
para ela.
Aos olhos de Shalltear, o MP de Ainz era quase zero. Não estava completamente vazio,
mas ele provavelmente só seria capaz de usar mais duas ou três magias. Com o seu MP
tão baixo, não havia como ele derrotar Shalltear, não importando quais as magias ele
usasse.
Nem mesmo aquela magia de Super-Aba que poderia a danificar seriamente, 「Fallen
Down」 — poderia matá-la agora.
“Eu acredito que só possa usar mais duas magias de décimo nível, não é mesmo? O se-
nhor tinha muita mana, então eu não posso julgar com precisão quantas magias pode
lançar.”
“Isso mesmo. Eu devo ser capaz de lançar mais duas magias, creio eu.”
Não havia mais qualquer dúvida de que Shalltear Bloodfallen seria a vencedora e Ainz
Ooal Gown o derrotado.
Shalltear paternalmente parabenizou o perdedor, que tinha lutado tão bravamente até
agora.
“Realmente magnífico. Eu tive que esgotar meu MP e usar todas as minhas habilidades
para drenar seu MP para esse nível, Ainz-sama. O senhor deve ser elogiado por durar
tanto tempo.”
Shalltear apertou ainda mais o cabo da Spuit Lance. Agora, tudo o que restava era dar o
golpe fatal no combate corpo a corpo.
“Você está certa. Por isso eu, humildemente, aceitarei o seu louvor.”
Ela estava muito irritada com a indiferença de Ainz Ooal Gown. No entanto, no final
Shalltear conseguiu engolir seu desconforto crescente.
Shalltear lentamente encurtou a distância entre eles. Mesmo que seu inimigo tentasse
lançar uma magia de um pergaminho, Shalltear estava confiante de conseguir atacar
mais rápido que ele. Assim, não havia necessidade de se apressar.
Ainz não fugiu, apenas ficou parado orgulhosamente. Ela podia sentir sua determinação
em sua postura, e assim Shalltear perguntou:
“Últimas palavras?”
“Bem, hm... Já que você concluiu que eu estava em desvantagem, que sem meu MP eu
não seria nada mais que peso morto. Você veio com tudo para cima de mim. Por isso,
devo agradecer-lhe, Shalltear. Se você tivesse lutado com mais cuidado, as coisas não
teriam corrido tão bem para mim.”
“...Quê?”
Shalltear duvidou de seus ouvidos. Parece que ela tinha ouvido alguma bobagem.
“A coisa mais crucial no PVP é enganar o inimigo. Por exemplo, fingir que sou vulnerável
a ataques de elementos sagrados quando na verdade fiquei imune a eles depois de trocar
equipamentos. Por outro lado, há o fato de que eu ainda sou fraco contra ataques ele-
mentais de fogo. No entanto... parece que eu calculei mal. Eu usei 「False Data: Life」
porque achei que você usaria 「Life Essence」. Parece que foi um desperdício. Se houver
uma próxima vez, lembre-se de verificar a saúde do seu oponente. Essa é a diferença
entre a teoria e a experiência.”
Shalltear não conseguia entender o significado dessas palavras. Não, na verdade ela não
queria entendê-las.
Ele não queria admitir sua derrota— não, ela podia sentir sua força de vontade. Mais
do que isso, parecia que a vitória estava nas mãos dele.
...Por que o Ainz-sama não recua? Como um magic caster arcano, ele não pode me vencer
depois de tudo que fiz. Isso deve ser um blefe!
Ainz sorriu.
“Eu estava mentindo, é claro. Isso não era óbvio? Eu pensei que talvez se eu dissesse
isso, você morderia a isca. Isso é porque seria muito difícil vencer se você guardasse seu
「Impure Shockwave Shield」 até o fim.”
O fluxo sanguíneo não significava nada para os undeads, mas Shalltear podia sentir o
sangue querer sair de seu corpo. E com isso, uma onda de agitação a inundou.
Ainz Ooal Gown estava de pé diante dela sem fugir porque estava confiante em alcançar
a vitória.
“Ahhhhhhh!”
Shalltear era o leão, Ainz era o coelho, ela deveria ter sido a caçadora — não, isso estava
errado.
Esta foi uma batalha entre leões; Só que Shalltear o tratara como um coelho—
Um instante antes disso, a magia de Ainz disparou e ele enfiou a mão na túnica.
Se tivesse sido desviado por magia, Shalltear teria pressionado o ataque, porque ela
sabia que Ainz não tinha muito MP restante. Isso simplesmente teria sido sua morte agô-
nica. No entanto, Shalltear congelou quando ela viu a cena diante dela.
Era um conjunto de armaduras de branco puro, com uma enorme safira engastada no
peitoral, que irradiava uma luz pura e sagrada.
Dado à sua altura superior, Ainz olhou para Shalltear com superioridade.
Ela estava com raiva, é claro, mas Shalltear não tinha energia para gastar nisso, porque
uma voz fria falou com ela:
♦♦♦
Houve um forte estrondo quando uma mão atingiu a mesa, que estremeceu com o golpe
que havia sofrido.
Eles bateram na mesa várias vezes, mas essa foi a primeira vez que uma pessoa em
particular o fez.
Albedo olhou para o monitor magico enquanto suspirava o nome daquele Ser Supremo.
Cocytus parecia muito animado — não, na verdade, ele estava muito excitado — en-
quanto exclamava.
“Surpreendente... E. Pensar. Que. Ele. Realmente. Pensou. Tanto. A. Frente, Eu. Estou.
Impressionado.”
Embora a batalha ainda não tivesse sido decidida, os Guardiões presentes estavam
cheios de incomparável reverência pela astúcia e riqueza de experiência de Ainz, que lhe
permitira tecer um plano tão intrincado e guiá-lo para ser realizado nos mínimos deta-
lhes.
“Isso. É!”
“Gyaaaaah—!”
Uma visão inacreditável se desenrolou diante dos olhos de Shalltear. O fio da lâmina se
encravou no ombro de Shalltear até chegar ao seu coração sem batimentos.
A armadura carmesim de Shalltear foi tingida com um tom de vermelho ainda mais pro-
fundo. Ela recuou, olhando para Ainz em estado de choque.
Ainz segurava uma katana. Era uma nodachi gigantesca envolvida em descargas elétri-
cas. Essa espada cortou a armadura de Shalltear como se estivesse cortando papel.
Sim.
“Takemikazuchi MK VIII!”
Shalltear saltou para trás, evitando o golpe da nodachi. O fato dela ter saltado muito
além do alcance impressionante da nodachi era um sinal de como ela estava assustada
com aquela espada.
No entanto, ninguém zombaria de Shalltear por fazer isso, ainda menos se fossem ha-
bitantes da Grande Tumba de Nazarick.
Em vez disso, eles seriam compassivos, porque todos eles temiam essa arma de um Ser
Supremo.
“Shalltear, você deveria saber disso. Ainz Ooal Gown é o poder combinado de quarenta
e um seres. Você jamais teve chance de vencer.”
A perigosa batalha de antes tinha sido como pisar em gelo fino, onde um passo em falso
poderia mandá-lo para o fundo do lago. Mas agora, Ainz trouxe a batalha para seu ini-
migo.
No entanto, depois de usar 「Perfect Warrior」 para se tornar um guerreiro nível 100,
as estatísticas de Ainz superaram muito as de Shalltear, que não era uma guerreira pura.
Além disso, o equipamento atual de Ainz era superior ao dela.
Shalltear saltou para longe, preparando-se para esquivar como antes. Seu objetivo era
contra-atacar Ainz em uma abertura depois que ele fizesse seu movimento. Com certeza,
era difícil ser excessivamente preciso com a nodachi Takemikazuchi MK VIII, o mesmo
valia para a Spuit Lance.
Não importa quão forte fosse, era muito difícil parar um golpe de força total no meio do
caminho. Isto era especialmente verdadeiro quando usava uma arma grande e pesada.
No entanto, Ainz poderia fazer isso. Isso porque ele não usou toda a sua força para ata-
car. Em outras palavras, ele sabia que o golpe seria evitado, então ele deliberadamente
criou uma abertura.
No entanto, ele provavelmente não teria considerado essas questões se não tivesse ex-
perimentado combate em E-Rantel. Ele provavelmente teria desencadeado um grande
ataque de tremer a terra e um após o outro, e com isso tomaria os contra-ataques de
Shalltear.
Mesmo depois de se tornar um guerreiro nível 100, ele não teria sido capaz de utilizar
plenamente as habilidades de um guerreiro, então os ataques acabariam sendo desper-
diçados. Assim como dirigir um carro, existe uma grande diferença entre alguém ter uma
carteira de motorista e alguém que estava acostumado a dirigir em rodovias. Ambos po-
diam operar um carro, mas suas reações a mudanças súbitas nas circunstâncias seriam
drasticamente diferentes.
Durante esta batalha com Shalltear, Ainz sentiu que esta experiência se tornou sua arma
mais potente.
♦♦♦
Isso foi o que Shalltear calmamente pensou quando viu a ponta da espada vindo para
ela tão rápido quanto um raio. No entanto, investidas eram um movimento arriscado.
Pode-se usar as fraquezas dos ataques de empurrar e transformar uma situação peri-
gosa em uma oportunidade.
Shalltear colocou a mão para aparar a investida, ficou decidido que ela sacrificaria seu
braço esquerdo.
Quando a lâmina perfurou sua palma, Shalltear torceu sua mão esquerda, desviando
com sucesso a investida para um lado.
Não penetrou no peito, mas a ponta da espada ainda passava pela palma da mão es-
querda, no músculo e osso, até que estava profundamente enterrada no braço esquerdo.
Além disso, a eletricidade ao redor da nodachi percorreu o corpo de Shalltear.
Embora ela fosse undead, a sensação de ser penetrada selvagemente ainda enchia Shall-
tear de algo parecido com terror, mesmo mantendo os cantos de sua boca levantados.
Shalltear tensionou o braço esquerdo. A nodachi parou, imobilizado por seus músculos.
Perfurar são manobras que poderiam acabar deixando a arma presa na carne do ini-
migo se eles errassem o alvo. Por isso, não eram muito práticos em combate. Em outras
palavras, eles tinham uma fraqueza. Shalltear conhecia essa fraqueza, e foi por isso que
ela sacrificou o braço esquerdo para forçar uma abertura na defesa de seu oponente.
Ela não poderia ter feito isso se não conseguisse travar a nodachi em sua mão esquerda
no instante antes de ser perfurada — uma façanha que ela tinha que executar dentro de
décimos de segundo.
Agora que sua nodachi estava presa, Ainz não tinha como defender-se contra a Spuit
Lance.
Enquanto Shalltear movia a Spuit Lance na velocidade da luz, ela mais uma vez viu uma
visão surpreendente.
Ainz soltou a arma divine-class em sua mão — um item mágico do mais alto nível — e
depois retirou um dos vários palitos de madeira na cintura.
“Hah! O senhor ficou retardado!? Como poderia um palito como este bloquear a Spuit
Lance? E então realmente soltou sua arma de divine-class! Isso não é um erro colossal?”
Certamente, não permanecer atrelado a espada de Takemikazuchi foi uma decisão sá-
bia, mas não havia nenhuma maneira que ele poderia ganhar depois de perder essa arma.
Com um sorriso zombeteiro no rosto, Shalltear prometeu fazer Ainz sofrer mais do que
sua mão esquerda. Ela fez a investida com a Spuit Lance com toda a força — e então foi
desviada, com um som claro e nítido de metal contra metal.
“Eh?”
O palito de madeira não estava mais na mão de Ainz e, em seu lugar, havia dois kodachis,
que haviam desviado a Spuit Lance. Um era tão brilhante como o sol, enquanto o outro
brilhava com a luz pura e suave da lua.
As mãos de Ainz — que segurava os kodachis — soltavam fumaça. Parece que essas
armas eram a ruína dos undeads.
Shalltear não podia sentir o peso da arma que havia perfurado seu braço esquerdo. Ha-
via desaparecido, como se não pudesse existir no mesmo mundo que as novas armas que
Ainz preparara. Shalltear sentiu que a arma havia retornado ao seu local de origem.
“Bem, isso é verdade. Se você não pode segurar uma arma em cada mão, então ficar com
uma seria mais sensato...”
Shalltear não conseguia entender o que ele queria dizer com aquelas palavras, e depois
de perder o equilíbrio, o kodachi iluminado pela lua moveu-se para ela.
O ataque em direção ao pescoço de Shalltear foi um blefe; o kodachi alterou seu curso
com agilidade e correu para o ombro. Por uma margem muito pequena a Spuit Lance
conseguiu desviá-lo.
Ainz aproveitou a oportunidade para se aproximar ainda mais de Shalltear. Como seu
inimigo estava usando uma arma enorme, aproximar-se tornaria mais difícil para o ad-
versário manusear a arma. Esse era o pensamento de um veterano — alguém que estava
intimamente familiarizado com essa idéia.
Então, o outro kodachi — o iluminado pelo sol — cortou pela abertura na defesa da
Spuit Lance e levemente perfurou o corpo de Shalltear.
“Aaaaaahhh!”
Na verdade, ser esfaqueada não doeu muito. O problema era a agonia que vinha da ener-
gia elemental sagrada que enchia seu corpo como veneno. Essa dor foi muito mais difícil
de suportar.
Ainz moveu o kodachi de um lado para o outro enquanto ainda estava dentro dela, como
se para abrir uma ferida como um serrote.
A distância entre Shalltear e Ainz era estreita demais para usar a Spuit Lance, então ela
o chutou. Ele bloqueou com um kodachi, mas ele não pôde resistir totalmente ao chute
“Tome isso!”
Shalltear levantou reflexivamente a Spuit Lance para se defender, mas o enorme im-
pacto viajou através da Spuit Lance e inundou todo o seu corpo.
“Gugyaaah!”
Shalltear gritou pateticamente quando ela foi jogada para trás, como se atingida por um
punho gigantesco. O acerto não causou muito dano, e a Spuit Lance conseguiu bloquear
ataques físicos, mas o efeito do coice foi o suficiente para superar o limiar de proteção
dos itens mágicos.
Ela recuperou seu equilíbrio perdido rapidamente graças a seus itens mágicos, mas algo
ainda queimava dentro de sua cabeça.
“Como, como ousa tirar um grito tão lamentável de mim! Vou me certificar de que grite
assim antes de despedaçá-lo... huh?”
Seus olhos mudaram, e quando ela viu um enorme globo de luz, a agitação de Shalltear
desapareceu.
Aquele clarão de luz do sol veio do arco que Ainz havia sacado. A flecha de luz foi natu-
ralmente apontada para Shalltear.
Esta arma tinha o nome do herói mitológico que havia abatido o sol enquanto a China
era apenas uma massa balcanizada de países menores. E também a principal arma do
Ser Supremo que criou Shalltear.
Todos os Guardiões tinham proteção contra armas de longo alcance, então eles não pre-
cisavam se preocupar com projéteis simples. No entanto, aquelas flechas de luz não cau-
saram danos físicos, mas dano elemental. Em outras palavras, seriam contados como
ataques mágicos, então as defesas seriam inúteis.
O fato de que ela havia usado todo o seu MP e habilidades foram resultados de sua ba-
talha anterior. Em outras palavras, ela seguiu o roteiro de Ainz Ooal Gown ao pé da letra.
Os olhos de Shalltear ficaram vermelhos e ela gritou. Essa era a expressão de alguém
que havia percebido seu erro, e então recuperado a determinação ao ponto de não ad-
mitir a derrota.
“Maldito! Como obteve a arma do Peroroncino-sama? Foi tudo isso parte do seu plano?
Como preparou todas essas armas? Onde as escondeu? É uma habilidade que se ativa
depois que o senhor quebra esses palitos?”
“...Bem, isso é correto. Dizer isso é meio desrespeitoso para com ele. Simplificando, eu
estava usando itens de cash. Entendeu agora? Tudo o que você fez até agora foi dançar
na palma da minha mão.”
Um orbe de luz totalmente carregado foi atirado para Shalltear. Ela sabia que era inútil,
mas de todo modo, ela tentou bloqueá-lo com a Spuit Lance — e então seus arredores
foram envolvidos por uma explosão de brilho intenso.
Aquela armadura branca tinha alto poder defensivo, mas ele não sairia ileso de um
golpe da Spuit Lance. Tudo o que ela podia fazer era contar com as propriedades de ab-
sorção de vida de sua arma ao abandonar toda a defesa e se concentrar em um ataque
de tudo ou nada.
“Uoooooh!”
Shalltear deu voz a um grito de guerra que não combinava com aquele belo rosto. Uma
voz fria e nítida respondeu a ela:
“As chances de vitória são de sete para três... Creio que não preciso dizer quem é quem?”
♦♦♦
“...Ainz-sama. Vencerá.”
Essas palavras saíram de Cocytus enquanto ele assentia a cabeça. No entanto, Demiurge
— que não tinha conhecimento de um guerreiro — fez uma pergunta.
“Por que diz isso? Não deveria demorar mais tempo para determinar se a vitória é
certa?”
“Shalltear. Abandonou. A. Defesa. Para. Um. Ataque. Tudo. Ou. Nada... Eu. Faria. O.
Mesmo. Na. Situação. Dela.”
“De fato. Ainz-sama mudou suas armas uma após a outra — em outras palavras, ela não
tem idéia das outras armas que o Ainz-sama possui. Sob estas circunstâncias, onde ela
não tem mais conhecimento, Shalltear concluiria que fugir é uma opção tola depois de
ver a proeza de Ainz-sama. Assim, tudo o que ela pode fazer é encurtar a distância até o
alcance de ataque de sua Spuit Lance e então lutar. O fato dela não poder mais usar ha-
bilidades e magias só contribui para isso... pelo menos é o que eu acho.”
“Entendo. Então é por isso. Afinal, só você pode entender a totalidade das armas que os
Seres Supremos não nos mostraram, Cocytus.”
“Eu. Somente. Sei. Seus. Nomes. E. Efeitos, Mas. Eu. Não. As. Vi. Em. Ação. Antes.”
“Entendo. Acho que entendo, embora não esteja a par sobre os detalhes. Em outras pa-
lavras, agora que a Shalltear está comprometida em atacar, Ainz-sama trouxe o ma-
chado—”
“—Blood-Sucking Flesh-Eating.”
“Eu. Mencionei. Isso. Antes, Mas. Toda. A. luta. Foi. Como. O. Ainz-sama. Planejou... Eu.
Estou. Admirado. Com. Esta. Destreza.”
“Ainda assim... a batalha ainda não está decidida, não? Ainz-sama ainda está em desvan-
tagem em relação a Shalltear, em termos de saúde.”
“Aquele homem é Ainz Ooal Gown, nosso governante e líder supremo. Do instante que
ele declarou que conquistará a vitória, não há dúvida de que ele irá alcançá-la.”
♦♦♦
Os ataques de Shalltear restauraram sua saúde, mas o dano que Ainz despejava com
cada golpe foi o suficiente para anular a saúde que Shalltear recuperou. Mas a Spuit
Lance continuava a roubar a saúde de Ainz, transformando isso em algo como um jogo
de gato e rato.
Toda vez que o machado acertava Shalltear, parecia que cortaria sua armadura em pe-
daços. Ela sentia os ossos quebrando e carne se rasgando em todo seu corpo. No entanto,
sempre que ela empurrava sua lança, que causava danos certeiros graças a uma habili-
dade, ela podia sentir os ossos se fragmentando sob seus ataques.
A alegria inundou o coração de Shalltear quando ela sentiu que ainda havia uma chance
de vitória. Se eles continuassem trocando golpes, isso poderia ser o caso.
Isso porque ela estava calculando a taxa de esgotamento de sua saúde. Quanto mais ela
ficasse aflita, maior seria sua alegria.
“Ahahahaha!”
“Ahahaha! Ainz-sama! Parece que o senhor vai ficar sem saúde primeiro! A diferença
na nossa saúde será o que determina a vitória e a derrota!”
Shalltear compreendeu sua tolice ao ouvir a voz do instigador que a usurpava e contro-
lara o progresso de todos os acontecimentos que se desenrolaram até agora.
Impossível.
Shalltear não sabia como ele faria isso, mas a voz de uma terceira pessoa esclareceu
suas dúvidas.
Ela nunca tinha ouvido essa voz antes, que parecia ser a de uma mulher fingindo ser
uma criança. Não, isso lembrou Shalltear de uma voz feminina que ela tinha ouvido antes.
Se aquela mulher tivesse forçado sua voz de forma diferente, provavelmente teria soado
assim.
Envolvida em trocar golpes e espancamentos em seu inimigo com sua arma, Shalltear
não tinha idéia do que essa pergunta significava. Um olhar de perplexidade apareceu em
seu belo rosto.
O machado nas mãos de Ainz desapareceu, tornando-se um escudo branco como antes.
Com seu escudo branco e armadura do mesmo material, Ainz se assemelhava a um pa-
ladino branco.
Considerando o estado atual, Ainz provavelmente tinha se voltado para a defesa por
causa daquela voz feminina, mas Shalltear não tinha idéia do motivo para isso. Quando
ele ficou na defensiva, a voz de Ainz chegou aos ouvidos de Shalltear em meio ao choque
de metal.
“Eu preciso mesmo dizer isso? A batalha acabou e a vitória foi decidida.”
Por quê?
“...Magia de Super-Aba não pode matar você em um único ataque, ainda mais quando
você estava com a saúde completa. Então, tudo o que preciso fazer é reduzir sua saúde
até o necessário. As nossas idas e vindas de agora a pouco só serviram para esgotar sua
saúde.”
Os choques de metal contra metal soaram continuamente, o intervalo entre eles era
menos de um décimo de segundo. Os ataques contínuos de Shalltear atacaram Ainz como
uma tempestade.
“...É verdade que sou inferior em termos de capacidade de luta bruta... mas minha de-
fesa mágica é superior. Então — você já deve entender o que estou dizendo, certo? Estou
“Kuuuuuuuhhhhh!”
♦♦♦
Sabendo que a derrota estava à espreita, Shalltear continuou sua série de ataques fre-
néticos. Embora suas feições estivessem distorcidas, sua beleza não diminuíra.
Apesar do que ele dissera a Shalltear, seu plano não fôra tão bem quanto ele pretendia.
Para começar, a magia de Super-Aba era como uma habilidade e não consumia MP. No
entanto, ainda era uma forma de magia, por isso e ele não podia conjurar enquanto
transformado em guerreiro.
Uma vez que ele dissipasse a magia de transformação de guerreiro, ele não seria capaz
de equipar sua armadura e escudo, pois cairiam diante dele. Isso tornaria muito difícil
para ele resistir aos ataques de Shalltear. Se ela decidisse usar uma habilidade de algum
tipo, ele pode não ser capaz de garantir uma vitória através do dano no HP com a magia
de Super-Aba.
Ainz repassou brevemente o tempo de suas ações. Primeiro, ele iria dissipar a transfor-
mação de guerreiro, e então ele usaria um item de cash.
Ele sorriu.
Ele nunca tinha sido tão perdulário no uso de itens de cash antes, mesmo quando PVP
em YGGDRASIL. Essa era a diferença entre um jogo e a realidade — entre entreteni-
mento e sobrevivência.
Agora!
Ele bloqueou o ataque diagonal de Shalltear com o escudo de seu amigo, e então ele
olhou para ela.
O mesmo círculo mágico de antes apareceu uma vez mais, e ele se preparou para que-
brar o item em forma de ampulheta—
Isso porque uma onda de culpa inundou-o; culpa por assassinar uma NPC que seu
amigo havia criado meticulosamente.
Shalltear não perdeu essa abertura. Ela notou o item na mão de Ainz e empurrou sua
Spuit Lance aprimorada com uma habilidade. Seu plano era destruir a mão de Ainz.
Tendo dissipado sua transformação de guerreiro, Ainz não poderia evitar o ataque de
Shalltear—
♦♦♦
Assim que a Spuit Lance estava prestes a destruir o item, ela sentiu algo em sua espinha
— hostilidade.
Alguém hostil aparecera ao lado de Shalltear, então obviamente ela não podia ignorá-
lo.
Shalltear desviou os olhos de Ainz para ver quem era esse inimigo.
A magia de Ainz criara uma extensão de deserto de duzentos metros de largura. Nin-
guém mais estava lá ao lado de Shalltear e Ainz. A hostilidade que ela sentira naquele
momento não estava em lugar algum, como se estivesse sonhando acordada—
—Exclamou Shalltear quando recuperou seus sentidos, mas já era tarde demais.
“「Fallen Down」!”
Com essas palavras, um clarão brilhante irrompeu entre eles e engoliu tudo.
Sua garganta estava seca— na verdade, ela não sabia se sua garganta também tinha sido
incinerada — então era difícil falar. Ainda assim, havia uma coisa que ela tinha a dizer.
Shalltear Bloodfallen sintetizou as últimas reservas de sua vitalidade para enaltecer:
“...Ah, viva a Ainz Ooal Gown-sama. Verdadeiramente, és o mais poderoso dos Seres Su-
premos de Nazarick.”
Este foi o seu sincero respeito pelo todo poderoso que reuniu os 41 Seres Supremos. A
onda de calor parecia queimar suas amarras, embora seu corpo não pudesse se mexer,
ela se sentia inimaginavelmente livre.
Alguém que não deveria estar lá apareceu na consciência de Shalltear que se desinte-
grava. Esse alguém foi a pessoa que permitiu que esta vitória ocorresse.
O undead poderia ignorar praticamente qualquer forma de efeito que afeta a mente. No
entanto, havia certas habilidades que produziam efeitos semelhantes, mas que não eram
contados como tal. Essa pessoa usou tal habilidade.
“...Baixinha.”
Aura dissipou sua habilidade 「Sky Eye」, e seus lábios cor de rosa voltaram à sua
forma original. Havia um olhar de aborrecimento em seu rosto quando ela começou a
repreender alguém que não estava lá.
“Sua idiota... como você pode se deixar controlar, mesmo sendo uma undead? Isso é
burrice sua.”
Mare olhou para onde Aura estava olhando, mas desde que ele estava no meio da flo-
resta, tudo o que ele podia ver em qualquer direção eram árvores. Ainda assim, ele po-
deria dizer o que Aura estava olhando do jeito que ela estava encarando.
Sua irmã mais velha, Aura, poderia usar uma habilidade por ser Ranger, para expandir
seu campo de visão a cerca de dois quilômetros. Foi por isso que ele e sua irmã estavam
vigiando os arredores com a ajuda dos Eyeball Corpses.
A silhueta de Ainz-sama — um ser que nem mesmo a Guardiã mais forte pôde derrotar
— apareceu na mente de Mare. Era uma conclusão sensata; como poderia aquele que
liderou os Seres Supremos ser derrotado?
“Ainz-sama já deve ter recuperado tudo. Vamos voltar como nos foi ordenado.”
“Mm.”
Mare sabia que sua irmã estava de mau humor, então ele não disse mais nada, mas obe-
dientemente executou seus comandos.
Parte 4
Ele abriu a lista de nomes no Salão do Trono e, como esperado, o espaço que deveria
conter o nome de Shalltear estava em branco. Isso afirmava que Shalltear estava morta,
e assim a fase um do plano foi concluída.
O coração de Ainz doeu. Embora ele soubesse que não havia outro jeito, o fato de ele ter
pessoalmente cometido e testemunhado tal ato o enchia de culpa.
Em seu coração, Ainz pediu desculpas a Shalltear. Então ele engoliu em seco e se virou
para os Guardiões aqui reunidos.
“Então, o próximo passo será ressuscitar a Shalltear. Albedo, preste atenção no nome
de Shalltear. Se ela continuar com o status de controle mental...”
“Demiurge...”
“Estamos plenamente conscientes de que suas ordens devem ser respeitadas acima de
tudo, Ainz-sama. Nós nos tornaremos pó se assim ordenar. No entanto, como seus servos
leais, não podemos permitir que seja colocado em perigo mais uma vez, Ainz-sama.”
“Se a Shalltear o trair mais uma vez, nós vamos eliminá-la pois somos seus Guardiões.
Oramos para que o senhor nos observe em nossas ações, Ainz-sama.”
Agora que ele entendia as intenções dos Guardiões, Ainz não poderia oferecer mais re-
sistência.
“Compreendo. Guardiões, se a Shalltear nos trair mais uma vez, vocês podem lidar com
ela do modo que for necessário.”
Mesmo depois de ir tão longe, ele ainda tinha que deixar seus filhos amados se matarem.
A causa principal de tudo foi devido à sua tolice. Foi tudo culpa dele.
Ainz queria suspirar, mas quando ele viu a expressão gentil no rosto de Albedo, que
estava do lado dele, ele decidiu suprimir isso.
“Ainz-sama, tudo que o senhor precisa fazer é ser um expectador. Para quem devemos
nos comprometer com a lealdade se o último dos Seres Supremos desaparecer? Embora
não tenhamos sido abandonados, ainda estaremos sozinhos se todos os Seres Supremos
se forem.”
“...Sim, você está certa... Deve ter sido assim na Tesouraria também... Que idiota eu fui.”
As respostas espirituosas envolveram Ainz enquanto ele agarrava o Cajado de Ainz Ooal
Gown que flutuava no ar ao lado dele, e então se virou em direção a um canto do Salão
do Trono.
Havia uma montanha de moedas de ouro, cerca de quinhentos milhões delas. Essa era
a soma necessária para trazer Shalltear à vida.
Normalmente, ele precisaria usar o teclado para realizar as operações necessárias, mas
agora sabia que não era mais necessário.
Observado pelos Guardiões, o ouro derretido formou um rio que fluía para o mesmo
lugar. Dez mil toneladas de ouro compactaram-se e aglutinaram-se, assumindo uma
forma humanoide que finalmente se transformou na forma de uma boneca dourada, e
seu brilho dourado enfraqueceu lentamente.
“Albedo!”
“Ainda bem...”
Os olhos de Shalltear estavam bem fechados e seu torso não se movia. Ela estava deitada
quieta no chão, como um cadáver. Ainda assim, os undeads eram essencialmente cadá-
veres animados, então isso dificilmente era incomum.
Que incomum—
O torso que acabara de ver era tão reto que mal parecia pertencer a uma garota, mas
sim a um menino. Não sabendo onde colocar os olhos, o olhar de Ainz deixou o torso reto
e olhou para outro lugar.
A recém-ressuscitada Shalltear estava nua, então ele não tinha idéia de onde ele deveria
estar olhando. Ainz estava tão em pânico que ele esqueceu que tudo o que tinha que
fazer era olhar para outro lugar.
Sua visão estava bem aguçava se comparando quando ele era humano, então ele podia
ver certos lugares com muita precisão.
A capa se abriu no ar, caindo perfeitamente em Shalltear e cobrindo todo o seu corpo.
Não é como se eu me arrependesse de fazer isso! Eu estou morto, não adianta ter desejos
sexuais! Não, o correto é, não devo ter nenhum desejo sexual. Eu estava olhando para o
corpo da Shalltear porque eu estava simplesmente curioso sobre se ela foi ou não projetada
em detalhes debaixo de sua roupa íntima. Já que era impossível remover todas as roupas
em YGGDRASIL, então é por isso que eu dei uma olhadinha. Isso mesmo, não é porque eu
queria saber se ela tinha algo como cabelo lá embaixo ou algo assim!
Além disso, ele deliberadamente ignorou a voz feminina atrás dele, dizendo:
“Se o senhor estiver interessado, não tenho objeções em me mostrar ao seu bel-prazer.”
Quando Ainz estava diante dela, os olhos vermelhos de Shalltear se abriram, como se
sentissem a presença de alguém próximo. Ela piscou sonolenta e olhou em volta, final-
mente repousou o olhar em Ainz.
“Ainz-sama?”
Ela parecia estar grogue por ter acabado de acordar. No entanto, ele podia ouvir a leal-
dade em sua voz. Embora Albedo e o sistema de administração de Nazarick já tivessem
confirmado sua lealdade, Ainz ficou encantado em confirmá-lo com seus próprios ouvi-
dos e se ajoelhou para abraçar Shalltear.
“Uh, ueeh?”
Era difícil acreditar que um corpo tão esguio possuísse habilidades físicas tão surpre-
endentes.
Ainz não prestou atenção em Shalltear, que estava balbuciando de um modo completa-
mente perplexo, e apertou ainda mais ela.
“Graças aos céus... não, eu sinto muito. Isso foi tudo culpa minha...”
“Eh? Ah, não tenho certeza do que aconteceu, mas tenho certeza de que o senhor não
poderia ter cometido erro algum, Ainz-sama.”
“... Ainz-sama, eu acredito que a Shalltear está cansada, então devemos deixá-la por en-
quanto.”
“Certamente.”
Depois que Ainz a soltou, um olhar de desapontamento cruzou o rosto de Shalltear e ela
olhou severamente para Albedo. Em resposta, Albedo mostrou seu sorriso habitual. Ele
pensou que elas continuariam a olhar uma para a outra como de costume, mas Shalltear
desviou os olhos.
“Sim, me pergunte o que quiser... mas, Ainz-sama, por que eu estou no Salão do Trono?
E estou vestida assim, e como está me tratando, Ainz-sama. Eu causei algum problema?”
“Eu que estava prestes a te perguntar isso. Você se lembra de algo que aconteceu?”
“Ah, não...”
A memória mais recente de Shalltear era de cinco dias atrás. Ela não tinha nenhuma
idéia do que aconteceu depois disso.
Ainz poderia ter usado a magia de 10º nível 「Control Amnesia」 a mesma que ele tinha
usado no Vilarejo Carne, mas mesmo alterar pequenos trechos de memória exigiria uma
grande quantidade de MP. A quantidade impressionante de MP necessária para afetar as
recordações de cinco dias estava além do limite dos magic casters comuns. Nem mesmo
Ainz e suas extraordinárias taxas de regeneração de MP poderiam fazê-lo.
Claro, o processo de ressurreição pode ser tal que os NPCs perderiam suas memórias
dos últimos dias. Como alternativa, talvez se vários magic casters se reunissem esse pro-
cesso de recuperar memórias fosse possível.
Ele não tinha informação no momento presente, então ele não poderia resolver esse
mistério.
Ainda assim, ele podia ter certeza de quem quer que tenha usado o Item World-Class
em Shalltear sumiu, desapareceu sem deixar vestígios.
É muito problemático quando eu não sei quem está agindo as escondidas. O inimigo pode
estar esperando por uma chance de atacar Nazarick... não, talvez eu devesse ficar feliz que
esse incidente não tenha sido maior... De qualquer forma, vou me certificar de me vingar
completamente de quem fez isso com Nazarick.
Ainz reprimiu a raiva que até mesmo seus traços undeads não podiam suprimir com-
pletamente, e gentilmente perguntou a Shalltear:
Se este mundo fosse como YGGDRASIL, então não deveria haver mais nada. Os NPCs
não deveriam ter perdido níveis, mas ele não tinha certeza se o mesmo se aplicava a esse
mundo também. Por tudo o que ele sabia, os NPCs perderiam níveis, assim como os per-
sonagens dos jogadores.
Depois que Shalltear respondeu, uma expressão de choque apareceu em seu rosto. Não
sabendo o que estava errado, Ainz sentiu um mal-estar crescendo dentro dele.
“Ainz-sama!”
Os rostos dos Guardiões se contorceram quando ouviram isso, com expressões de Nós
queremos que devolva nossas preocupações. Até mesmo Demiurge estava com os dentes
arreganhados.
“Você tem idéia do que fez? Como você pode dizer algo assim?”
Quando Albedo fez uma repreensão em nome de todos, os ombros de Shalltear treme-
ram de medo.
Ainz tinha ficado tão desanimado que suas mãos estavam prestes a arrastar no chão.
Tudo o que ele pôde fazer foi assistir Shalltear discutir com os outros Guardiões e pon-
derar várias questões sobre a ressurreição.
Em particular, ele esperava que Clementine e Khajiit, que ele conheceu no cemitério,
também perdessem suas memórias após a ressurreição, assim como Shalltear.
Como ele não sabia o porquê Shalltear havia perdido suas memórias, ele não podia ga-
rantir que sua ressurreição através da magia seria o mesmo que ressuscitar um NPC
através do dinheiro.
Ainz assistindo a cena diante dele, ele lembrou de uma cena do passado.
♦♦♦
♦♦♦
Ainz lentamente estendeu a mão e depois parou no ar. Parecia que uma parede invisível
de vidro o estava bloqueando.
Se ele se intrometesse, eles prometeriam sua lealdade a ele. Isso era uma forma de re-
verência, e não o calor que ele sentia quando esteve com seus amigos.
Assim que a mão de Ainz caiu sem força, Albedo se virou — como se sentisse algo es-
tranho sobre Ainz — e o observou em silêncio. Desconcertado por ela estar olhando para
ele desse jeito, Ainz estava prestes a perguntar o que estava errado quando as chamas
em seus olhos de repente se acenderam.
Isso porque Albedo estava gentilmente estendendo a mão para ele. Depois de um mo-
mento de hesitação, Ainz segurou a mão dela, e assim ele foi puxado para dentro do cír-
culo dos Guardiões.
“—Ha, hahaha.”
Ainz não conseguiu evitar que sua risada escapasse de sua boca, apesar dos olhares
perplexos dos Guardiões ao seu redor. Não, essa risada não veio apenas de sua boca, mas
de seu coração.
Depois que ele ficou satisfeito, Ainz olhou silenciosamente para Shalltear.
“Eu já disse a Albedo antes, mas a culpa por isso não está com você, Shalltear. Sou eu —
quem detém toda essa informação, que não considerou a possibilidade de isso acontecer
— quem mais merece ser repreendido por isso, sou eu. Shalltear, você não fez nada de
errado. Lembre-se disso.”
“Demiurge, você será responsável por explicar o que aconteceu com a Shalltear. Você
pode fazer isso?”
Ainz calmamente propôs usar um de seus subordinados como isca, os Guardiões apenas
assentiram, com a atitude que um lacaio fiel deveria ter. Eles estavam simplesmente pri-
orizando as considerações do mestre da Grande Tumba de Nazarick sobre a vida de seu
colega.
“Eu não estou totalmente disposto a fazer isso, mas é necessário... Eu não sei o porquê
a Shalltear foi alvo, mas se a oposição está procurando por uma nova vítima, eles podem
muito bem escolher o Sebas, que estava viajando com ela. Foi por isso que eu não o cha-
mei de volta para receber um Item World-Class... Albedo, selecione alguns agentes clan-
destinos para ficar de olho em Sebas e nos arredores... Ele pode ser uma isca, mas eu não
pretendo permitir que Sebas seja vítima. Informe aos observadores que sua missão tam-
bém inclui impedir que o inimigo se aproxime de Sebas.”
Depois de emitir suas ordens, Ainz estreitou os olhos — em outras palavras, as chamas
em suas órbitas oculares escureceram.
...Algum dia conhecerei a pessoa que usou um Item World-Class em Shalltear. Quando esse
dia chegar, retornarei o favor com juros!
Movidos por essas palavras, os Guardiões abaixaram a cabeça. Eles provavelmente sen-
tiram o quanto Ainz os valorizava. No entanto, já que ele realmente expressou esses sen-
timentos, o efeito desse sentimento foi ainda maior.
Shalltear parecia ter percebido que algo havia acontecido com ela. Um olhar de choque
cruzou seu rosto, que logo se transformou em arrependimento e dos grandes.
Ainz gesticulou que ela não precisava guardar esse sentimento no coração. Só então,
uma voz veio do lado.
“O que é, Mare?”
“Não há necessidade disso. Sabe o porquê? Quando alguém quebra um Cristal Selado,
uma energia poderosa é libertada, o suficiente para terraplanar o ambiente.”
“Eh? É, é sério?”
“...Me desculpe. É uma mentira, claro. O que é falso é verdadeiro, e o que é verdadeiro é
falso. Cristais com magias seladas parecem ser itens raros, então ninguém deve ser capaz
de testar isso. Albedo, danifique um pouco os equipamentos que aquele tal de Nigun es-
tava usando. Então, precisamos que o Ferreiro Chefe construa algumas armaduras dani-
ficadas e coloque algumas marcas na minha armadura e queimadura também, então vai
parecer que uma intensa batalha aconteceu.”
“Entendido.”
“Além disso, talvez eu tenha sido descuidado demais até agora, o que permitiu que ini-
migos ocultos nos arredores de Nazarick nos prejudicassem. Assim, desejo iniciar um
programa para fortalecer Nazarick. Parte disso é usar minhas habilidades para criar um
exército de undeads. Eu acho que já mencionei isso antes... hm? Eu só contei a Albedo
sobre isso? Enfim. De todo modo, esta será minha maior prioridade. Eu gostaria de fazer
alguns preparativos para recuperar cadáveres de E-Rantel, eles podem ser utilizados
para fazer um exército de undeads.”
Os undeads mais poderosos que ele pôde fazer com os cadáveres da Escritura da Luz
Solar estavam no nível 40. Se tentasse criar algum além desse nível, os undeads desapa-
receriam com o passar do tempo, junto com os cadáveres que serviram como intermédio.
“Na verdade, depois de receber sua ordem, considerei maneiras de obter cadáveres
frescos. Talvez, o senhor consideraria usar cadáveres não-humanos?”
“...Creio eu que você não pretende usar os cadáveres dos vassalos de Nazarick?”
“Não, isso absolutamente não é minha intenção. Eu estava pensando em usar outros
demi-humanos.”
B
portas para a Guilda dos Aventureiros.
Bellote estava acostumado a esse tipo de coisa. No entanto, a recepção pareceu mais
moderada do que há um mês.
Ele virou os olhos para o quadro de avisos. Lamentavelmente, quase não havia pedidos
de mythril.
Era claro, trabalhos que apenas aventureiros mythril poderiam fazer, portanto eram
muito raros. No entanto, a razão para essa escassez de pedidos não foi porque havia
poucos deles para começar, mas porque havia um aventureiro que poderia rapidamente
responder aos pedidos de classificação mythril.
“...Momon-san, huh.”
Cerca de um mês atrás, aquele homem havia matado uma poderosa Vampira.
Ele não testemunhara pessoalmente essa intensa batalha, mas pôde imaginar o que
acontecera depois de ver os restos daquele campo de batalha. Assim, ele não ficou sur-
preso ao saber que a Kralgra — uma equipe de aventureiros da mesma categoria que o
de Bellote — havia sido aniquilada no fogo cruzado.
Não, qualquer um que se juntasse àquela batalha teria sido morto com certeza.
O cristal mágico que explodiu queimara a terra de preto e até reduzira alguns lugares a
um deserto. A coisa surpreendente era que tinha que ser feito para derrotar tal Vampira.
E ainda assim—
“—Eles sobreviveram...”
Não apenas sobreviveram, mas também conquistaram a vitória. Era natural que Bellote
considerasse essas pessoas — que haviam retornado em segurança de uma batalha com
uma Vampira, um monstro que o próprio Bellote não poderia derrotar — fossem mons-
tros ainda mais poderosos.
A mudança em seu tom de agora a pouco foi porque Momon era poderoso o suficiente
para merecer seu respeito.
Epílogo
298
Enquanto ele estava fantasiando sobre esse tipo de força absoluta, ele ouviu o som da
porta se abrindo. Uma onda de comoção varreu a guilda como uma rajada de vento.
Ele tinha duas espadas grandes nas costas e uma linda garota atrás dele.
O apelido de “Herói Negro” veio daquela armadura de placas incrivelmente bem cons-
truída, que havia sido muito danificada quando ele voltou daquele campo de batalha.
Antes, havia marcas de queimaduras e garras em todos os lugares, mas agora aquela
armadura era imaculada. Ela brilhava sob os raios do sol.
Este foi o resultado dos esforços combinados de todos os magic casters da Guilda dos
Magistas se unindo para consertá-la.
No seu pescoço pendia uma placa de metal — um que pertencia a uma lenda viva, um
objeto de culto para os aventureiros, o trunfo dos que os protegeria de serem devastados
pelas poderosas raças do mundo — uma placa de adamantite.
E agora, esse indivíduo, famoso em canções e contos, apareceu diante deles, agitando a
Guilda dos Aventureiros em um frenesi.
“Este deve ser... o Herói Negro, Momon? ...E atrás dele está a Bela Princesa, Nabe. Os
rumores estavam certos sobre sua aparência...”
“Ouviu os boatos? Dizem que ele foi responsável por queimar aquela parte da floresta...
aparentemente, ele fez isso com algum tipo de Arte Marcial...”
“Inacreditável, se isso é mesmo possível... se ele pudesse usar Artes Marciais para quei-
mar aquilo, então significa que ele não é mais humano, né?”
“Ele deve ser uma das poucas pessoas que poderiam fazer isso, não? Os aventureiros de
ranque adamantite são aqueles que definem o pico do poder. Eu não ficaria surpreso se
as pessoas o chamassem de adamantite apenas por isso.”
“Nossa missão está completa. Por favor, ajude-nos a encontrar qualquer trabalho novo
que apareça.”
Isso era de se esperar, porque esses eram os talentos dos aventureiros de classificação
elevada.
Bellote deixou aquele resmungo escorregar de seus lábios, mas é claro, na verdade ele
não quis dizer isso. Qualquer um que conseguisse alcançar o posto de mythril teria ga-
nho dinheiro suficiente para se aposentar e viver em luxo pelo resto de suas vidas. Assim,
qualquer um que continuasse se aventurando depois desse feito deveria ter uma razão
além do dinheiro.
“Ah, Momon-sama. Sinto muito, mas não temos outros empregos para o senhor, Mo-
mon-sama. Por favor, nos perdoe.”
“Então é assim—”
Momon parecia prestes a dizer algo mais, mas então congelou no meio do caminho. Vá-
rios segundos depois, ele continuou:
“—Entendo. Isso é bom, porque eu acabei de me lembrar de algo que eu tinha que fazer.
Voltarei para a pousada; se aparecer alguma coisa, procure por mim lá. Você sabe onde
eu estou ficando?”
Ainz assentiu, então o florescer de sua capa carmesim apareceu quando se virou e foi
embora.
Epílogo
300
Bellote ouvira o som de Momon falando do seu lado, mas como sua voz era baixa demais,
Bellote não conseguia distinguir os detalhes.
O que Bellote não conseguiu ouvir foi a ordem de Ainz a seus subordinados que estavam
distantes, para que demonstrassem seu incomparável poder militar.
Epílogo
302
Já se passaram cerca de quatro meses desde o volume anterior, e fico feliz de poder
falar com todos novamente. Eu sou o autor, Maruyama Kugane.
Dito isso, como devo continuar escrevendo a partir de agora? Eu me faço essa pergunta
o tempo inteiro. Minhas experiências são em grande parte limitadas à minha rotina de
casa para trabalho e trabalho para casa, por isso não confio escrever algo interessante.
Enfim, vou divulgar minha agenda dos últimos quatro meses pra vocês.
Mas depois do feedback dele e de minhas correções no manuscrito, que duraram cerca
de um mês e meio, finalmente ficou tudo certo. Desta forma, demorou cerca de três me-
ses para escrever “A Valquíria Sangrenta”. Isso me deixou com um mês livre até ser pu-
blicado. Durante esse tempo, eu o dividi em quatro partes e gastei parte atualizando a
versão Web Novel.
Meu trabalho lá na empresa é muito descontraído, então posso ir para casa mais cedo
se precisar. Eu poderia fazer o esforço e revisar também, mas as pessoas que precisam
voltar tarde toda noite acabam dormindo menos, então eles não conseguiriam aquele
mês de tempo livre. Acabaria complicando a vida deles.
...Mas gente, como é que esses autores conseguem publicar um livro novo a cada três
meses? Alguém me ensine como eles fazem isso, por favor. Enfim, vou expressar meu
agradecimento em seguida.
Se você tiver alguma opinião ou comentário, pode usar um cartão-postal (você mesmo
precisará pagar a postagem, desculpe-se por isso) ou pode simplesmente escrever no
site se for um leitor da Web Novel. Eu ficaria muito grato.
Até a próxima,
Maruyama Kugane
Ilustrações
Glossário
Glossário
-Magias, Habilidades & Passivas- Magic Weapon: ..................................................Arma Mágica.
Tradução livre de seus nomes Mana Essence: .......................................... Essência de Mana.
Mantle of Chaos: ............................................Manto do Caos.
Absorption: ...............................................................Absorção. Mass Fly: .......................................................... Voar em Massa.
Animate Dead: ................................................. Animar Morto. Mass Hold Species:................ Segurar Espécies em Massa.
Anti-Evil Protection: ............................. Proteção Anti-Mal. Message: .................................................................. Mensagem.
Appraisal Magic Item: ....................... Avaliar Item Mágico. Mist Form: .....................................................Forma de Névoa.
Astral Smite: .............................................. Ferimento Astral. Mystic Eyes of Charm: ............. Olhos Místicos de Charme.
Bless of Magic Caster: .. Benção do Conjurador de Magia. Negative Impact Shield: .... Escudo de Impacto Negativo.
Blood Frenzy: .......................................... Frenesi de Sangue. Obsidian Sword: ................................ Espada de Obsidiana.
Blood Pool: ................................................ Piscina de Sangue. Paralysis: ..................................................................... Paralisia.
Body of Effulgent Beryl: ....... Corpo de Berilo Refulgente. Paranormal Intuition: ......................Intuição Paranormal.
Brilliant Radiance:........................... Resplendor Brilhante. Penetrate Up: .................................... Aumentar Penetração.
Charm Person:............................................ Encantar Pessoa. Perfect Warrior: ..................................... Guerreiro Perfeito.
Command Mantra: ................................ Mantra Dominante. Preservation ....................................................... Preservação.
Continual Light: ................................................Luz Contínua. Purifying Javelin:.................................... Dardo Purificador.
Control Amnesia:................................... Controlar Amnésia. Reality Slash: ..............................................Cortar Realidade.
Create High Tier Undead:Criar Morto-Vivo de alto Nível. Regenerate: .............................................................Regenerar.
Create Undead: ......................................... Criar Morto-Vivo. See Through: ........................................................ Ver Através.
Cry of the Banshee: .................................. Grito do Banshee. Sensor Boost: .......................................... Impulso de Sensor.
Crystal Monitor:...................................... Monitor de Cristal. Sharks Cyclone: ................................... Ciclone de Tubarões.
Detect Enchant: ............................. Detectar Encantamento. ShockWave: ..................................................Onda de Choque.
Draconic Power: ........................................ Poder Dracônico. Silence: .......................................................................... Silêncio.
Drifting Master Mine: ................... Mina Mestre Flutuante. Sky Eye: ..................................................................Olho do Céu.
Explosive Land Mine: ............... Mina Terrestre Explosiva. Summon Monster 10th: .................. Invocar Monstro 10º.
Fallen Down: .................................... Queda do Firmamento. The Goal Of All Life Is Death: O Objetivo de Toda a Vida
False Data: Life:...................................... Dados Falsos: Vida. é a Morte.
Fly: ........................................................................................ Voar. Thousand Bone Lance: ........................ Lança de Mil Ossos.
Force Explosion: ..................................... Explosão de Força. True Dark: ............................................... Escuro Verdadeiro.
Force Sanctuary:.................................... Santuário de Força. Undead Blessing: ....................... Bênção dos Mortos-Vivos.
Freedom: .................................................................. Liberdade. Vermilion Nova: ........................................... Vermilion Nova.
Gravity Maelstrom: ..................... Turbilhão Gravitacional. Wall of Stone: .............................................. Parede de Pedra.
Greater Full Potential: .............. Maior Potencial Máximo. Wish Upon a Star: .............................. Desejo a Uma Estrela.
Greater Hardening: ........................ Maior Endurecimento. World Break: ..................................................Rompe Mundo.
Greater Lethal: .......................................... Maior Letalidade.
Greater Luck: ....................................................... Maior Sorte.
Greater Magic Seal: ................................ Maior Selo Mágico. -Metamagia-
Greater Magic Shield: ..................... Maior Escudo Mágico.
Greater Rejection:........................................ Maior Rejeição. Maximize Magic:Maximizar Magia - aumenta o poder
Greater Resistance: ................................ Maior Resistência. destrutivo da magia.
Greater Teleportation: ................... Maior Teletransporte. Penetrate Magic:Magia Penetrante - aumenta a penetra-
Greater Thunder: ............................................ Maior Trovão. ção mágica da magia.
Heavenly Aura: ............................................... Aura Celestial. Triplet Magic: ........................................... Triplicar Magia.
Hold Person: .................................................. Segurar Pessoa. Triplet Maximize Boosted: ....... Triplicar Impulsiona-
Hold of Ribs: ............................................ Aperto de Costelas. mento Maximizado - triplica a magia, aumenta o po-
Household Summons:.......................... Invocar Familiares.
der destrutivo, e eleva o nível e poder da magia.
Implosion: .................................................................. Implosão.
Triplet Maximize Magic: Triplicar Magia Maximizada
Impure Shockwave Shield: Escudo Onda de Choque Im-
pura.
- triplica a magia e aumente o poder destrutivo.
Indomitability: .......................................... Indomitabilidade. Widen Magic: ........ Ampliar Magia - aumenta a área de
Infinity Wall: ................................................ Muralha Infinita. efeito da magia.
Invisibility: ........................................................Invisibilidade.
Lesser Dexterity: ........................................ Menor Destreza.
Lesser Mind Protection: ............ Menor Proteção Mental. -Itens-
Lesser Protection Energy: .. Menor Energia de Proteção. Tradução livre & Curiosidades
Lesser Strength: .............................. Menor Fortalecimento.
Life Essence: ................................................ Essência da Vida. Ahura Mazda:Aúra Masda, Ormasde, Ahura Mazda ou
Magic Arrow: ................................................... Flecha Mágica. Ormuz, era o princípio ou deus do bem, segundo o zoro-
Magic Boost: ..................................................Impulso Mágico. astrismo e a mitologia persa. “Aúra-Masda” é um termo
Magic Destruction: ................................ Destruição Mágica. sânscrito que significa “Senhor Sábio”.
Magic Ward: Holy:....................Sentinela Mágica: Sagrada.
Glossário
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Amaterasu:天照 - Ela é a deusa do sol, mas também do cervo-almiscarado, de outros animais e plantas também.
universo. O nome Amaterasu é derivado de Amateru que Seria o equivalente narrativo a feromônios.
significa “que brilha no céu.” Apoitakara: .............Metal prismático do jogo YGGDRASIL.
Avarice and Generosity: ........... Avareza e Generosidade. Ara~:Interjeição geralmente relacionada a surpresa, se
Billion Blades: ....................................... Bilhões de Lâminas. seguida por “~” pode ser mais no sentido de falsa sur-
Blood-Sucking Flesh-Eating: ......... Suga-Sangue Devora- presa.
Carne. Assets:Aqui é usado no sentido de conjunto de definições.
Depiction of Nature and Society:Representação da Na- Blood of Jörmungandr: Sangue de Jörmungandr - O
tureza e Sociedade - refere-se a uma lenda chinesa de um nome “Jörmungandr” refere-se à serpente Midgard da mi-
homem que entra em uma pintura para morar lá. tologia nórdica, a serpente marinha que circundava Mid-
Earth Recover:............................................... Restaura Terra. gard.
Five Elements Overcoming:Subjugação dos Cinco Ele- Buff: ............... Efeitos Positivos que aprimoram o jogador.
mentos – no taoísmo significa superar as relações entre Cainabel:O nome é a combinação do nome “Caim” e
os cinco elementos. “Abel”, os filhos de Adão e Eva da Bíblia.
Hygieia's Chalice:Cálice de Hígia - (em grego antigo: Carste:Conhecido também como carso ou karst. O relevo
Ὑγίεια), na mitologia grega, era a filha de Esculápio. Era a cárstico ou cársico ou sistema cárstico ou cársico, é um
deusa da saúde, limpeza e sanidade (e posteriormente: a tipo de relevo geológico caracterizado pela dissolução
Lua), exercia uma importante parte no culto do pai. química (corrosão) das rochas, que leva ao aparecimento
Iron Fist of Schoolmarm:Punhos de Ferro da Professora. de uma série de características físicas, tais como cavernas,
Keiseikeikoku:Do japonês “傾城傾国” é uma analogia a dolinas, vale seco vale cegos, cones cársticos, rios subter-
uma mulher tão bela que pode trazer ruína para um Rei e râneos, canhões fluviocársicos, paredões rochosos expos-
seu País, em tradução livre seria “Queda do Castelo e seu tos e lapiás.
País”. Algo como femme fatale do francês, mulher fatal em Cavaleiro Amaldiçoado:Algo como um Clérigo corrom-
português. pido.
Longinus:A Lança do Destino (também conhecida como Cimitarra:É uma espada de lâmina curva mais larga na
Lança Sagrada ou Lança de Longino), segundo a tradição extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada
da Igreja Católica, foi a arma usada pelo centurião romano por certos povos orientais, tais como árabes, turcos e per-
Longinus para perfurar o tórax de Jesus Cristo durante a sas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos.
crucificação. Claymore:A palavra vem do gaélico escocês claidheamh
Necklace of Eye: ............................................... Colar do Olho. mòr e significa espadão. A claymore é um tipo de espada
Ouroboros:Ou oroboro (ou ainda uróboro) é um con- montante, porém mais leve.
ceito representado pelo símbolo de uma serpente, ou um Clérigo:Um clérigo age como um agente intermediário,
dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego controlando poderes divinos e infernais, dependendo a
antigo: οὐρά (oura) significa “cauda” e βόρος (boros), que qual deus o clérigo é devoto.
significa “devora”. Assim, a palavra designa “aquele que Cooldown: ................................... Tempo de recarga de algo.
devora a própria cauda”. Daikon: ..................................... Um tipo de rabanete branco.
Ring of Magic Bind: ...................... Anel do Vinculo Mágico. Debuff: .................. Efeitos negativos que afetam o jogador.
Shooting Star: ............................................... Estrela Cadente. Demantoide: .................. Um tipo de mineral de cor verde.
Spuit Lance:Lança Pipeta - “Spuit” é o holandês para se- Demi-Humano:Do latim dimidium (dividido em meta-
ringa/pipeta. des) significa meio. Logo demi-humano = meio-humano.
Tsukuyomi:Em japonês ツクヨミ, 月讀 - ou Tsukuyomi Em japonês é 亜人.
é o deus da Lua na mitologia japonesa, irmão de Amate- Drinking Horn:É o chifre usado como recipiente para be-
rasu e de Susanoo. Tsukiyomi nasceu do olho direito de ber.
Izanagi. Drop:Itens deixados por monstros após serem mortos
World Savior:......................................... Salvador do Mundo. em jogos, o termo também vale para a taxa com qual os
Yi-Bow:Arco de Yi - Yi, ou melhor Hou Yi (后羿), é um ar- itens veios em sorteios, lootboxes.
queiro da mitologia chinesa. Ele também era conhecido Dungeon:O termo é usado em jogos de RPG para desig-
como Shen Yi e simplesmente como Yi (羿). A ele também nar cavernas ou labirintos repletos de monstros, armadi-
é geralmente dado o título de Senhor dos Arqueiros'. Ele lhas e tesouros. Uma Dungeon normalmente é composta
por salas e corredores que as conectam, podendo haver
às vezes é retratado como um deus do arco e flecha que
também passagens secretas. Com etimologia na palavra
desceu do céu para ajudar a humanidade.
francesa donjon. Substantivo significando calabouço ou
masmorra.
Eroges:................................................................ Jogos eróticos.
-Termos & Terminologias- Espinela:Ou espinélios, constituem um grupo de mine-
rais que cristalizam no sistema cúbico.
Adipocere:Também conhecida como cera cadavérica, é Estoc:Também chamada de Estoque, era uma espada reta
uma substância similar a uma cera, formada por organis- e pontiaguda e fina.
mos e bactérias anaeróbicas a partir da hidrólise de gor- Flamígera:Tem um estilo de lâmina caracteristicamente
dura encontrada nos tecidos, como o tecido adiposo de ondulante.
cadáveres. Freixo:Na mitologia nórdica costuma-se referir que o
Almíscar:Almíscar (do persa mushk, "testículo", através freixo (Fraxinus excelsior) era a "Árvore do Mundo", onde
do árabe almisk) é um perfume obtido a partir de uma suas raízes e ramos chegavam ao domínio dos deuses e
substância de forte odor secretada por uma glândula do abrangiam os confins do Universo.
Glossário
324
Rubedo:É uma palavra em latim que significa averme-
lhado. Foi adotada pelos alquimistas para designar o
quarto e último estado da alquimia: a iluminação.
Glossário
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OVERLORD 3 A Valquíria Sangrenta
327
Glossário
328
OVERLORD 3 A Valquíria Sangrenta
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Ainz Ooal Gown descobre que sua leal Guardiã de Andar, Shalltear Blo-
odfallen, se rebelou.
ISBN: 978-4047286894
Glossário
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