0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações17 páginas

Experimento de Rutherford na Física Nuclear

A aula aborda o experimento de Rutherford, que revelou a estrutura do átomo como um núcleo positivo cercado por elétrons, fundamentando o campo da física nuclear. O documento também discute a evolução dos modelos atômicos, desde a teoria atomística de Leucipo e Demócrito até as contribuições de Dalton e Thomson, culminando nas descobertas de Rutherford. Este último, através de experimentos com partículas alfa, desafiou e redefiniu a compreensão da estrutura atômica, levando à formulação do modelo atômico nucleado.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações17 páginas

Experimento de Rutherford na Física Nuclear

A aula aborda o experimento de Rutherford, que revelou a estrutura do átomo como um núcleo positivo cercado por elétrons, fundamentando o campo da física nuclear. O documento também discute a evolução dos modelos atômicos, desde a teoria atomística de Leucipo e Demócrito até as contribuições de Dalton e Thomson, culminando nas descobertas de Rutherford. Este último, através de experimentos com partículas alfa, desafiou e redefiniu a compreensão da estrutura atômica, levando à formulação do modelo atômico nucleado.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

EXPERIMENTOS HISTÓRICOS

DE FÍSICA MODERNA
AULA 3

Prof. Felipe Luz de Oliveira


CONVERSA INICIAL

Nesta aula, vamos continuar nosso entendimento referente à estrutura da


matéria, falaremos sobre o experimento de Rutherford. Este é um experimento
importante, pois vem a determinar a distribuição de cargas de um átomo, o
famoso átomo nucleado, em que temos um centro positivo, rodeado de elétrons
(distribuídos).
É graças a essa ideia que surge um novo ramo da física, nomeado como
física nuclear. Trata-se de uma parte da física que estuda fenômenos
microscópicos envolvendo núcleos atômicos, ela é um importante campo da
física contemporânea, não apenas porque constitui uma ampla gama de
aplicações, mas também porque seus fenômenos nos proporcionam um leque
enorme de pesquisas e novas compreensões do universo atômico, sua
descoberta e estudo, afetou e continua afetando seriamente o dia a dia de todos
nós.
A palavra nuclear causa desconforto em muitas pessoas, remetendo a
coisas ruins, afinal duas palavras que normalmente não são bem-vistas levam
esse termo, são elas: bomba nuclear e usina nuclear. A primeira realmente
remete a algo ruim, a segunda, infelizmente, é injustamente malvista, pois se
trata de uma excelente fonte de geração de energia, além de ser uma forma
limpa de se gerar energia.
Porém, tudo isso só foi possível graças à descoberta do núcleo atômico,
algo que até certa época era impensável. E é desse ponto que partiremos na
aula de hoje, qual o pensamento que se tinha sobre o átomo e como se
concretizou a descoberta do núcleo atômico.

TEMA 1 – OS MODELOS ATÔMICOS

Já no século V a.C., era possível encontrar ideias sobre o átomo, de modo


que Leucipo e Demócrito escrevem a Teoria atomística, que consistia na ideia
de que a matéria era formada por uma partícula indivisível, invisível,
impermeável e inanimada, nomeada átomo.
No entanto, é em 1803 que as primeiras bases experimentais para
fortalecer essa ideia de que a matéria era formada por átomos surge, e seu
idealizador era John Dalton (Figura 1). Ele propôs, em sua Teoria Atômica, que

2
o átomo era uma esfera maciça e homogênea, indivisível e indestrutível
(Filgueiras, 2004).
Dalton, por meio da experimentação (pesagens minuciosas e analise de
reações químicas), concluiu que os átomos existiam e possuíam certas
características. Seu modelo ficou conhecido como “modelo da bola de bilhar”, e
as conclusões de Dalton foram as seguintes:

• A matéria em sua totalidade é formada por átomos, que são diminutas


partículas esféricas, maciças, neutras e indivisíveis;
• Todos os átomos são iguais para determinado elemento, tanto em sua
massa quanto nas demais propriedades, de maneira que átomos de
elementos diferentes irão apresentar massa e propriedades diferentes;
• Átomos de determinado elemento não se convertem em outros átomos de
outros elementos por meio de reações químicas;
• Os átomos são unidades de transformações químicas, sendo uma reação
química a combinação, separação e rearranjo de átomos;
• Os átomos não são criados, destruídos, divididos ou convertidos em
outros átomos em uma reação química.
• Na formação dos compostos, os átomos entram em proporções
numéricas fixas;
• O peso total de um composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos
elementos que o constituem (Nisenbaum, 2016).

O modelo de Dalton apresentava falhas e entre elas estão: a existência


de isótopos, em reações químicas átomos podem sim ser alterados, ausência
dos elétrons, ausência de orbitas e níveis de energia, e falta do núcleo atômico,
ou seja, novos modelos eram necessários para explicar determinados
fenômenos e características não abordadas por Dalton.

3
Figuras 1 e 2 – John Dalton e Joseph John Thomson

Crédito: Henry Rosco/PD.

Crédito: CC/PD.

Já no final do século XIX, várias descobertas (dos raios-x, da


radioatividade, do elétron etc.) auxiliaram no desenvolvimento da física
4
subatômica, levando o próprio descobridor do elétron a elaborar seu próprio
modelo atômico. Seu nome era Joseph John Thomson (Figura 1) e seu modelo
consistia na neutralidade dos átomos, sendo ele conhecido como pudim de
passas, já que definiu o átomo como uma carga positiva e pequenas partículas
menores de carga negativa “acopladas” a ele. O modelo de Dalton e Thomson
pode ser visualizado na Figura 3.

Figura 3 – Esquematização do Modelo atômico de Dalton e Thomson

Crédito: Felipe Luz de Oliveira.

O modelo de Thomson, além de explicar a neutralidade dos átomos,


também previa a origem das propriedades químicas dos elementos, assim como
a origem dos elétrons, o que o levou a receber o prêmio Nobel da Física (Palandi
et al. 2010).
Mas, nem tudo era perfeito no modelo proposto por ele, pois ainda
faltavam explicações que seu modelo não contemplava, como a radioatividade
por exemplo, o que nos leva ao experimento que levou ao abandono do modelo
atômico de Thomson e a um novo modelo atômico: o experimento e modelo de
Rutherford.

TEMA 2 – ERNEST RUTHERFORD

Ernest Rutherford (Figura 3), também conhecido como 1º Barão


Rutherford de Nelson, nasceu na Nova Zelândia, no ano de 1871, e estudou em
sua cidade natal, até que, em 1893, graduou-se em Matemática e Física, e
ganhou em um concurso uma bolsa de estudos para a Universidade de
Cambridge, na Inglaterra (Brennan, 2010; Frazão, 2017; Badash, 2020).
5
Na Universidade, foi orientado por J. J. Thomson, o famoso descobridor
dos elétrons, e foi nesta época que realizou pesquisas sobre o movimento das
partículas atômicas ou de íons. Rutherford era amigo do casal Curie e estudou
as radiações emitidas pelo rádio, elemento recém-descoberto pelos amigos
(Vieira, 2011; Frazão 2017).

Figura 4 – Ernest Rutherford

Crédito: George Grantham Bain Collection/PD.

Rutherford também estudou as radiações de Urânio em pesquisas feitas


em colaboração com o Frederick Soddy. Juntos conseguiram distinguir os raios
alfa e beta e desenvolvem a teoria das desintegrações radioativas espontâneas.
No mesmo ano, surgiu uma oportunidade e foi nomeado professor de Física da
Universidade McGill (Brennan, 2000).
Não muito tempo depois, formulou a hipótese de que a radiatividade não
era um fenômeno normal em todos os átomos, mas somente de uma certa
categoria. Essa hipótese foi colocada em seu livro sobre Radiatividade, livro este
nomeado de Substâncias Radiativas e Suas Radiações, um marco para sua
carreira e para a ciência de forma geral. Essas ideias o levaram a ser
contemplado como o Nobel de Química, em 1908, e, por mais que fosse

6
definitivamente um físico, Rutherford contribuiu em muito para o estudo da
química nessa época (Vieira, 2011; Frazão, 2017).
Foi em 1910 que se torna uma inspiração para todo aspirante de física
moderna, pois, nessa época, começa uma série de experiências nessa área,
conseguindo chegar à conclusão de que o átomo era nucleado, o que lhe
proporciona o título popular de pai da Física Nuclear. Suas ideias vão servir de
base para que Niel Bohr aplique a elas a teoria quântica e solucione o impasse
de seu modelo atômico (o modelo atômico de Rutherford).
Brennan (2000), em seu trabalho nomeado Gigantes da Física, afirma que
Rutherford foi além da radiação e estrutura atômica, foi também um dos
responsáveis pela invenção do sonar, dizendo que

Durante a Primeira Guerra Mundial ele trabalhou nos problemas da


detecção submarina por acústica subaquática. Evidentemente,
entregou-se a esse trabalho à sua maneira peculiar. Em apenas alguns
meses produziu três relatórios secretos que traçaram o mapa das
operações militares subaquáticas naquele momento. Foi necessária a
sua influência para levar a Marinha Real a trabalhar seriamente sobre
os problemas da detecção subaquática e para orientar esses esforços
quando eles se iniciaram. Embora o próprio Rutherford nunca tenha
reivindicado esse crédito, alguns historiadores da ciência declaram
que, para todos os propósitos, ele foi o coinventor do sonar.

Rutherford foi presidente da Royal Society e recebeu inúmeras honrarias


ao longo de sua vida, destaca-se o título de “Barão” de Nelson, em 1931, e
“Lorde”, em 1937, título do qual não usufruiu por muito tempo, já que nesse
mesmo ano veio a falecer, com 66 anos de idade, devido a uma hérnia umbilical,
e que possivelmente também foi o responsável por sua morte, pois devido ao
título de Lorde, ele só poderia ser operado por um médico da nobreza de acordo
com as normas britânicas, porém ele não aguentou a demora (Brennan, 2010;
Vieira, 2011; Frazão, 2017).

TEMA 3 – O EXPERIMENTO DE RUTHERFORD

Em 1907, na Universidade de Manchester, Rutherford conseguiu uma


equipe de jovens de alta competência, que o auxiliaram e colaboraram em uma
série de experimentos. Por meio destes, Rutherford, então, pode chegar à
conclusão de que as partículas alfa eram corpúsculos de carga elétrica positiva.
Entre seus assistentes é válido mencionar, separadamente, Johannes (Hans)
Geiger, pois é junto a ele que Rutherford desenvolve um equipamento capaz de
contar partículas alfa individualizadas (hoje conhecido como “contador Geiger”,

7
aparelho super importante para profissionais da área de radioproteção, por
exemplo) (Palandi et al; 2010; Tavares; 2011).
Geiger e Marsden, juntos, estudaram e observaram os espalhamentos de
partículas alfa em vários metais, o que os levou a publicarem um artigo na Royal
Society. Após esse trabalho, Geiger publicou outro artigo, explicando a
preferência por usar somente o ouro nos experimentos, devido ao fato desse
metal ser mais fácil de trabalhar e também por possuir os melhores coeficientes
de espalhamento. Foram utilizados dois esquemas experimentais para o estudo
do desvio de partículas radioativas em diferentes materiais, como mostra a
Figura 5.

Figura 5 – Do lado esquerdo o experimento de Geiger (1910) e, do lado direito,


o experimento de Geiger e Madsen (1913)

Crédito: Smile Ilustras.

Por meio de uma carta recebida de Otto Hahn, um químico conhecido de


Rutherford, eles começaram a recorrer a uma técnica alternativa, por meio de
cintililação produzida pelo encontro dos raios alfas a uma camada de sulfeto de
zinco. E foi graças a esse método que, com a ajuda de Thomas Royds,
Rutherford consegue definir as partículas alfas como sendo átomos de hélio
(sem seus elétrons), sendo assim, íons de carga elétrica +2 (Figura 6).

8
Figura 6 – Equipamento usado na determinação de partículas alfas

Fonte: elaborado com base em Tavares, 2011.

Em pesquisas anteriores, Rutherford já identificava que existia um


pequeno desvio de raios alfa quanto passavam por folhas de mica muito finas,
folhas na casa dos centésimos de milímetros (da ordem de grandeza de 10-5 m).
Isto, devido ao fato que os feites geravam uma mancha mal definida, ou seja,
não organizada como o esperado (o registro se data em filme de papel
fotográfico) (Melzer; Aires, 2015).
Em seu trabalho denominado “Ernest Rutherford e o Átomo Nuclear”,
Tavares (2011) traz o seguinte paragrafo sobre um dos experimentos de
Rutherford

Também observou que quando um feixe de raios alfa passava através


de uma fenda estreita, a imagem da fenda formada pela incidência das
partículas alfa sobre um filme fotográfico apresentava-se alargada, isto
é, com bordas mal definidas, toda vez que se deixava um pouco de ar
na câmara, demonstrando desse modo que alguns raios alfa tinham
sido desviados de sua direção original em decorrência de colisões com
as moléculas de ar. A mesma observação foi registrada mais tarde em
Manchester por Rutherford e seus assistentes quando usaram a tela
de sulfeto de zinco. Numa câmara de vácuo, quando um feixe de raios
alfa passava por um pequeno orifício circular, quer dizer, feixe bem
colimado, as cintilações eram observadas numa área circular bem
definida e de diâmetro igual ao do orifício. Entretanto, quando uma
folha finíssima de mica era interposta entre o orifício e a tela, a região
onde ocorriam as cintilações tornava-se maior, com bordas não bem
definidas, mostrando de novo que parte das partículas alfa era
desviada de sua direção original.

O esquema do experimento citado pode ser visto na Figura 7.


9
Figura 7 – Experimento de Rutherford demonstrando o desvio de partículas alfa

Créditos: Sergey Merkulov/Shutterstock.

Rutherford, é muito marcante na ciência pelo fato de ser um dos pioneiros


na ideia de pesquisa em grupo, pois ele tinha grandes grupos de pesquisa, onde
todos colaboravam. Com tantas descobertas interessantes, Rutherford dá a
Ernest Marsden a missão de procurar por partículas alfas, mas com desvios
maiores que 10º. Marsden, em sua missão, substitui as folhas de mica e usa
folhas muito finas de ouro, e, para detecção das partículas alfas, usou de uma
tela com sulfeto de zinco móvel, que permitia se movimentar para frente, para os
lados e mesmo na região da câmara próximo ao feixe incidente, ou seja, em
frente e atrás da folha de ouro (Marques; Caluzi, 2010; Tipler; Liewellyn, 2014).
Em uma sala escura e com o auxílio de uma luneta, era então possível
visualizar as partículas desviadas e espalhadas. Uma esquematização desse
experimento pode ser visualizada na Figura 8.

10
Figura 8 – Esquematização do experimento de Marsden e Rutherford

Créditos: ChemistryGod/Shutterstock.

A tarefa era tão cansativa que Tavares (2011) descreve que,

A tarefa era cansativa aos olhos, de modo que após poucos minutos
Rutherford e Marsden trocavam de função, isto é, enquanto um
observava os sinais luminosos o outro fazia as anotações. Para
perplexidade de todos, Marsden descobriu que umas poucas partículas
alfa eram lançadas para trás, atingindo a tela de cintilações quando
esta estava próxima da região do feixe incidente, isto é, estavam sendo
desviadas por um ângulo bem maior que 90º, ou seja, elas estavam
sendo literalmente “refletidas” por uma finíssima folha de ouro. A
novidade foi divulgada por Geiger e Marsden em 1909, porém nenhum
daqueles do grupo de Rutherford (nem mesmo este) pôde entender
aqueles eventos raros, ao mesmo tempo intrigantes, surpreendentes e
enigmáticos.

Fato é que o resultado obtido era que a maioria das partículas


continuavam sua trajetória (atravessando a folha de ouro), poucas
atravessavam, porém, desviavam-se de sua trajetória, e algumas poucas
partículas também eram refletidas, não vindo a atravessar a folha de ouro. Esses
fatos levariam Rutherford a entender que o modelo atômico de Thomson estava
errado, afinal se a maioria das partículas atravessavam a folha de ouro, isso
significava que a maior parte do átomo é vazio, e o fato de poucas partículas
serem desviadas, indicava que elas se aproximavam de algo que tinha carga
elétrica igual a elas, ou seja, cargas positivas (já que o feixe era de partículas
alfas). E aquelas que eram refletidas indicavam que existia uma região massiva
no átomo, impedindo, assim, sua passagem. Essa região também teria carga

11
elétrica igual a das partículas alfa, ou seja, positivas (Melzer; Aires, 2015;
Nisenbaum, 2016).

TEMA 4 – O ÁTOMO DE RUTHERFORD

Foi no ano de 1911 que Ernest Rutherford provou que os dados de Geiger
e Marsden estavam corretos, apresentando um novo modelo atômico, em que a
carga positiva do átomo se concentrava em uma região demasiadamente
pequena do espaço atômico, sendo essa região detentora de toda a massa do
mesmo, e os elétrons estariam, então, espalhados ao redor dessa região
(determinada, hoje, como núcleo atômico). O esquema desse modelo pode ser
visto na Figura 9 (Palandi, 2020). Seu Modelo atômico era conhecido como
sistema solar ou sistema planetário, já que o lembrava o Sol como núcleo e os
elétrons os planetas ao redor dele.

Figura 9 – Modelo Atômico de Rutherfod

Créditos: ChemistryGod/Shutterstock.

Os cientistas da época não acreditavam no modelo de Rutherford,


entendiam seus experimentos como uma anomalia e, por um tempo, o modelo
de Thompson continuou a prevalecer. Porém, pouco tempo mais tarde,
descobriu-se os nêutrons, o que fortificou a ideia do modelo de Rutherford,

12
atualizando também seu modelo, que agora teria, no centro, um núcleo formado
por duas partículas.
Fato é que o núcleo atômico foi uma descoberta muito importante para
física, e conhecer suas características se tornou um desafio, de modo que surge,
nesse momento, um novo ramo da física, a física nuclear.

TEMA 5 – CARACTERÍSTICAS DO NÚCLEO ATÔMICO

Ao caracterizarmos o núcleo atômico, certamente começamos com a


relação massa/dimensão. Ele detém 99,9% da massa atômica, porém esse
tamanho é dez mil vezes inferior e isso é algo muito interessante, pois, dessa
forma, 99,99% do átomo é “território” dos elétrons, que por sua vez têm massas
tão pequenas comparadas ao núcleo, que chegamos até desconsiderar no
cálculo de massa atômica.
O núcleo atômico é formado por duas partículas, os prótons e os nêutrons,
que podem serem chamados de núcleos, ou seja, componentes do núcleo. Os
prótons apresentam carga positiva e os nêutrons não apresentam carga elétrica.
O modelo de um núcleo atômico é demonstrado na Figura 10.

Figura 10 – Representação de um núcleo atômico

Crédito: Felipe Luz de Oliveira, 2020.

Porém, não foi tão simples chegarmos a essas informações, de modo que
Rutherford conseguiu o sonho dos alquimistas, transformar um elemento
químico em outro. O ano era 1919 e o experimento era bombardear o gás
nitrogênio com partículas alfas, e como resultado alguns núcleos de hidrogênio
eram detectados. Ele assim estava certo de que eram provenientes dos átomos

13
de nitrogênio, portanto estava sendo transmutado em oxigênio, por meio de
efeitos nucleares.
Sendo o Hidrogênio o elemento de menor massa, ele concluiu que se
tratava de uma partícula elementar do núcleo atômico de todos os elementos, ou
seja, o núcleo possui uma estrutura e é formado por prótons.
Nesse momento duas questões não permitiam a conclusão dessa ideia, o
fato de o número de prótons em um núcleo não ser suficiente para justificar sua
massa e o fato de que cargas de mesma carga elétrica se repelirem, portanto,
como podiam os prótons estarem todos juntos?
Rutherford, então, sugeriu a existência de uma segunda partícula ementar
na composição do núcleo atômico, que seria neutra eletricamente, porém ela só
foi detectada 13 anos depois, por seu aluno James Chadwick.
Outra característica importante do núcleo já havia sido estudada por uma
vasta quantidade de outros experimentos de diversos pesquisadores, que
conseguiram verificar uma expressão para o cálculo do raio de um núcleo
atômico, sendo este determinado da seguinte forma:

𝑟𝑟 = 𝑟𝑟0 . 𝐴𝐴1/3
Nos dias atuais sabemos que todo elemento da tabela periódica de
número atômico Z é composto por Z prótons e N nêutrons, sendo o núcleo de
massa a adição de Z e N.

NA PRÁTICA

As pesquisas e descobertas de Ernest Rutherford na radioatividade e


física nuclear nos trouxeram o conforto e saúde que hoje são fornecidos a boa
parte da população, seja por meio da geração de energia elétrica de usinas
nucleares ou por equipamentos de diagnóstico e tratamento para o câncer. Fato
é que Rutherford, com seus experimentos, mudou a sociedade e o meio
científico.
Na prática, os amantes da descoberta de Rutherford, também conhecidos
como físicos nucleares, irão trabalhar em laboratórios de pesquisa, onde existe
uma gama gigantesca de pesquisas a serem realizadas, podendo também estar
presente em Usinas Nucleares, cuidando tanto da segurança quanto do seu
projeto de construção.

14
É comum encontrar físicos nucleares a serviço da marinha, no auxilio e
participação em projetos de submarinos nucleares, assim como na área militar,
na construção de armamento, e por mais raro que seja também não é incomum
encontrar físicos nucleares trabalhando junto a hospitais, engenharia de
materiais e até junto a geólogos e arqueólogos, durante projetos de datação.

FINALIZANDO

Ao falarmos sobre geração de energia, hoje, grandes discussões são


levantadas, afinal o mundo de hoje pede uma geração de energia elétrica limpa
e renovável. De modo que a geração de energia nuclear, atualmente, já
consegue atender a esses dois requisitos, por mais que seja malvista por muitos
por conta de situações como Chernobyl e Fukushima. Hoje, além de produzir
energia elétrica para distribuidoras, temos submarinos nucleares, por exemplo,
que se utilizam dessa fonte de energia.
A física nuclear também teve grande impacto no poder bélico de inúmeros
países e, certamente, é graças a esses conhecimentos que muitos países detêm
tamanho poder armamentista, e com isso poder econômico. Sendo assim a física
nuclear deixa claro a importância de deter o conhecimento científico, pois por
meio dele é possível ter melhor poder bélico, melhores fontes de geração de
energia e, consequentemente, maior impacto político e econômico. E tudo isso
só é e foi possível graças às ideias e ao experimento de Rutherford.

15
REFERÊNCIAS

BADASH, L. Ernest Rutherford: british physicist. British physicist. 2020.


Disponível em: <[Link]
Acesso em: 8 fev. 2021.

BRENNAN, R. P. Gigantes da Física: uma história da física moderna através


de oito biografias. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

FILGUEIRAS, C. A. L. Duzentos Anos da Teoria Atômica de Dalton. 2004.


Disponível em: <[Link] Acesso
em: 8 fev. 2021.

FRAZÃO, D. Ernest Rutherford: físico e químico neozelandês. Físico e químico


neozelandês. 2017. Disponível em:
[Link]
0(1871%2D1937),30%20de%20agosto%20de%201871. Acesso em: 8 fev.
2021.

MELZER, E. E. M.; AIRES, J. A. A História do desenvolvimento da teoria atômica:


um percurso de Dalton a Bohr. Amazonia, [s. l], v. 11, n. 22, p. 62-77, jan. 2015.
Semestral.

NISENBAUM, M. A. Estrutura Atômica. 2016. Química, UFPR. Disponível em:


[Link]
_atomica.pdf. Acesso em: 8 fev. 2021.

PALANDI, J.; FIGUEIREDO, D. B.; DENARDIN, J. C.; MAGNAGO, P. R. Física


Moderna. Santa Maria: Gef-Ufsm, 2010.

PALANDI, J.; FIGUEIREDO, D. B.; DENARDIN, J. C.; MAGNAGO, P. R. Física


Nuclear. 2010. Santa Maria. UFSM. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 8 fev. 2021.

PARENTE, F.A.G.; SANTOS, A.C.F. dos; TORT, A.C. Os 100 anos do átomo de
Bohr. Rev. Bras. Ensino Fís., São Paulo, v. 35, n. 4, p. 1-8, Dez. 2013.
Disponível em: <[Link]
11172013000400001&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 8fev. 2021.

TAVARES, O. A. P. Ernest Rutherford e o Átomo Nuclear. Centro Brasileiro de


Pesquisas Cientificas, Rio de Janeiro, p. 1-9, fev. 11.

16
TERUYA, N.; DUARTE, S. B. Núcleos exóticos e síntese dos elementos
químicos. Quím. Nova, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 360-366, 2012. Disponível em:
<[Link]
40422012000200024&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 8 fev. 2021.

TIPLER, P. A.; LIEWELLYN, R. A. Física Moderna. 6. ed. Rio de Janeiro: Ltc,


2014.

VIEIRA, C. L. Um século da descoberta do núcleo atômico. Física na Escola,


Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 38-41, jun. 2011.

17

Você também pode gostar