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Aula de Análise Real: Derivadas e Integrais

As notas de aula abordam conceitos fundamentais de análise real, incluindo derivadas, suas propriedades e teoremas associados. O documento detalha definições de derivadas, diferenciabilidade, regras de derivação e teoremas como o de Rolle e Lagrange. Além disso, discute a simetria e periodicidade das derivadas em funções par e ímpar.

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As notas de aula abordam conceitos fundamentais de análise real, incluindo derivadas, suas propriedades e teoremas associados. O documento detalha definições de derivadas, diferenciabilidade, regras de derivação e teoremas como o de Rolle e Lagrange. Além disso, discute a simetria e periodicidade das derivadas em funções par e ímpar.

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Notas de Aula

de
Analise real

Luiz Felipe Pereira Bandeira

13 de novembro de 2025
Sumário
1 Derivada 2
1.1 Noções Iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Derivadas Laterais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Diferenciabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4 Propriedades de simetria e periodicidade da derivada . . . . . . . . . . . . 6
1.5 Derivada de uma função composta (Regra da cadeia) . . . . . . . . . . . . 6
1.6 Derivada da função inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.7 Derivada de uma Função Definida Implicitamente . . . . . . . . . . . . . . 8
1.8 Derivada de funções definidas parametricamente . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.9 Teorema de Fermat: condição necessária de extremo local . . . . . . . . . . 10
1.10 Pontos críticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.11 Teorema de Rolle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.12 Teorema de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

2 Integrais 13
2.1 Noções iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

1
1 Derivada
1.1 Noções Iniciais
Nesta seção vamos definir os conceitos de derivada e estudar suas propriedades básicas e
consequências de alguns teoremas. Para isso, consideremos a seguinte definição:
Definição 1.1. Seja I ⊂ R um intervalo aberto, f : I → R uma função, a ∈ I ′ ∩ I.
Dizemos que f é derivável em a quando existir o limite
f (x) − f (a)
f ′ (a) = x→a
lim .
x−a
Fazendo a substituição h = x − a, temos
f (a + h) − f (a)
f ′ (a) = lim .
h→0 h
Considere os pontos do gráfico

P = (a, f (a)) e Q = (a + h, f (a + h)).

A reta secante passando por esses dois pontos tem inclinação


f (a + h) − f (a)
msec (h) = .
h
Quando h → 0, o ponto Q se aproxima de P e a reta secante converge para a reta
tangente ao gráfico no ponto P . Assim, a derivada f ′ (a) representa a inclinação da reta
tangente ao gráfico de f no ponto x = a.

f (a + h)
f (a)

x
a a+h

Definição 1.2. Seja X ⊂ R um conjunto aberto. Dizemos que uma função f : X → R é


derivável no conjunto X quando existir a derivada de f em todos os pontos a ∈ X ∩ X ′ .

1.2 Derivadas Laterais


Definição 1.3 (Derivada à direita). Seja f : [a, b) → R. A derivada à direita de f no
ponto a é definida por:
f (a + h) − f (a)
f+′ (a) = lim+ ,
h→0 h
desde que este limite exista.

2
Definição 1.4 (Derivada à esquerda). Seja f : (c, a] → R. A derivada à esquerda de f
no ponto a é definida por:

f (a + h) − f (a)
f−′ (a) = lim− ,
h→0 h
desde que este limite exista.

Teorema 1.1. Uma função f é derivável em um ponto a se, e somente se, existem as
derivadas laterais f+′ (a) e f−′ (a) e são iguais.

Demonstração. (⇒) Se f é derivável em a, então existe o limite:

f (a + h) − f (a)
f ′ (a) = lim .
h→0 h
Como o limite existe, os limi tes laterais devem existir e serem iguais:

f (a + h) − f (a) f (a + h) − f (a)
lim+ = lim− = f ′ (a).
h→0 h h→0 h
(⇐) Se existem as derivadas laterais e f+′ (a) = f−′ (a) = L, então para qualquer ϵ > 0,
existem δ1 > 0 e δ2 > 0 tais que:

f (a + h) − f (a)
0 < h < δ1 ⇒ − L < ϵ,
h
f (a + h) − f (a)
− δ2 < h < 0 ⇒ − L < ϵ.
h

Tomando δ = min{δ1 , δ2 }, temos:

f (a + h) − f (a)
0 < |h| < δ ⇒ − L < ϵ,
h

o que mostra que f é derivável em a com f ′ (a) = L.

Teorema 1.2 (Regras de Derivação). Sejam f e g funções deriváveis em a. Então:

(a) (Derivada da Soma) A função f + g é derivável em a e:

(f + g)′ (a) = f ′ (a) + g ′ (a)

(b) (Derivada do Produto) A função f · g é derivável em a e:

(f · g)′ (a) = f ′ (a)g(a) + f (a)g ′ (a)

(c) (Derivada do Quociente) Se g(a) ̸= 0, a função f


g
é derivável em a e:
!′
f f ′ (a)g(a) − f (a)g ′ (a)
(a) =
g [g(a)]2

Demonstração. Demonstramos cada caso separadamente:

3
(a) Derivada da Soma:

(f + g)(a + h) − (f + g)(a)
(f + g)′ (a) = lim
h→0 h
f (a + h) + g(a + h) − f (a) − g(a)
= lim
h→0 h !
f (a + h) − f (a) g(a + h) − g(a)
= lim +
h→0 h h
f (a + h) − f (a) g(a + h) − g(a)
= lim + lim
h→0 h h→0 h
= f ′ (a) + g ′ (a)

(b) Derivada do Produto:

(f · g)(a + h) − (f · g)(a)
(f · g)′ (a) = lim
h→0 h
f (a + h)g(a + h) − f (a)g(a)
= lim
h→0 h
f (a + h)g(a + h) − f (a)g(a + h) + f (a)g(a + h) − f (a)g(a)
= lim
h→0
" h #
f (a + h) − f (a) g(a + h) − g(a)
= lim g(a + h) · + f (a) ·
h→0 h h
  ! !
f (a + h) − f (a) g(a + h) − g(a)
= lim g(a + h) · lim + f (a) · lim
h→0 h→0 h h→0 h
′ ′
= g(a)f (a) + f (a)g (a)

(c) Derivada do Quociente:


!′
f
f (a+h)
g(a+h)
− f (a)
g(a)
(a) = lim
g h→0 h
f (a + h)g(a) − f (a)g(a + h)
= lim
h→0 h · g(a + h)g(a)
f (a + h)g(a) − f (a)g(a) + f (a)g(a) − f (a)g(a + h)
= lim
h→0 h · g(a + h)g(a)
g(a) [f (a + h) − f (a)] − f (a) [g(a + h) − g(a)]
= lim
h→0 h · g(a + h)g(a)
g(a) · limh→0 − f (a) · limh→0
f (a+h)−f (a)
h
g(a+h)−g(a)
h
=
limh→0 g(a + h) · g(a)
g(a)f (a) − f (a)g ′ (a)

=
[g(a)]2

Teorema 1.3. Seja f : X → R uma função derivável em x0 ∈ X. Então f é contínua em


x0 .

4
Demonstração. Como f é derivável em x0 , temos que o limite
f (x) − f (x0 )
lim
x→x0 x − x0
existe e é finito.
Assim,
  f (x) − f (x0 )
lim f (x) − f (x0 ) = lim (x − x0 ) · = 0 · f ′ (x0 ) = 0.
x→x0 x→x0 x − x0
Logo,
lim f (x) = f (x0 ),
x→x0

o que mostra que f é contínua em x0 .

1.3 Diferenciabilidade
Definição 1.5. Seja f : X ⊆ R → R e x0 ∈ X ′ ∩ X. Dizemos que f é diferenciável em
x0 se existir uma constante A ∈ R e uma função C tal que, para todo h suficientemente
pequeno com x0 + h ∈ X,

f (x0 + h) = f (x0 ) + Ah + C(h) · h,

com
lim C(h) = 0.
h→0

Teorema 1.4. Seja f : X ⊆ R → R e x0 ∈ X ′ ∩ X. A função f é derivável em x0 se, e


somente se, f é diferenciável em x0 .
Demonstração. Suponha que f seja diferenciável em x0 . Então, existe uma constante
A ∈ R e uma função C(h) tal que

f (x0 + h) = f (x0 ) + Ah + C(h) · h, lim C(h) = 0.


h→0

Dividindo ambos os lados por h ̸= 0, obtemos


f (x0 + h) − f (x0 )
= A + C(h).
h
Passando ao limite quando h → 0, temos
f (x0 + h) − f (x0 )  
lim = lim A + C(h) = A.
h→0 h h→0

Portanto, f é derivável em x0 e sua derivada é f ′ (x0 ) = A.


(Derivabilidade =⇒ Diferenciabilidade) Agora, suponha que f seja derivável
em x0 , isto é, o limite
f (x0 + h) − f (x0 )
f ′ (x0 ) = lim
h→0 h
existe e é finito.
Definimos
f (x0 + h) − f (x0 )
C(h) := − f ′ (x0 ), h ̸= 0.
h

5
Então, por definição de derivada,

lim C(h) = 0,
h→0

e podemos escrever

f (x0 + h) − f (x0 ) = f ′ (x0 ) · h + C(h) · h.

Logo, a função f satisfaz a definição de diferenciabilidade em x0 , com A = f ′ (x0 ) e


C(h) conforme definido.

1.4 Propriedades de simetria e periodicidade da derivada


Proposição 1.1. Seja f : S ⊆ R → R uma função par e diferenciável em S. Então, a
derivada f ′ (x) é ímpar em S.

Demonstração. Seja x0 ∈ S. Como f é par, f (−x) = f (x), e a função está definida em


uma vizinhança de x0 e −x0 . Definindo h = x − x0 e t = −x, temos:

f (x) − f (−x0 ) f (−t) − f (x0 ) f (t) − f (x0 )


f ′ (−x0 ) = lim = lim = − lim = −f ′ (x0 ).
x→−x0 x − (−x0 ) t→x 0 −t − (−x0 ) t→x 0 t − x0

Como x0 ∈ S é arbitrário, concluímos que f ′ é ímpar em S.

Proposição 1.2. Seja f : S ⊆ R → R uma função ímpar e diferenciável em S. Então, a


derivada f ′ (x) é par em S.

Demonstração. A demonstração segue as mesmas linhas da prova anterior, utilizando


f (−x) = −f (x), e é deixada para o leitor.

Proposição 1.3. Seja f : S ⊆ R → R diferenciável e periódica, com período T . Então


f ′ é periódica com o mesmo período T .

Demonstração. Seja x0 ∈ S. Como f é periódica, f (x + T ) = f (x), e f está definida em


uma vizinhança de x0 e x0 + T . Definindo h = x − x0 e t = x − T , temos:

f (x) − f (x0 + T ) f (t + T ) − f (x0 + T ) f (t) − f (x0 )


f ′ (x0 +T ) = lim = lim = lim = f ′ (x0 ).
x→x0 +T x − (x0 + T ) t→x 0 t + T − (x0 + T ) t→x 0 t − x0

Como x0 ∈ S é arbitrário, f ′ é periódica com período T .

1.5 Derivada de uma função composta (Regra da cadeia)


Teorema 1.5 (Regra da cadeia). Sejam f : X ⊆ R → R e g : Y ⊆ R → R, com x0 ∈ X
e y0 = f (x0 ) ∈ Y . Se f é diferenciável em x0 e g é diferenciável em y0 , então a função
composta
h(x) := g(f (x))
é diferenciável em x0 e
h′ (x0 ) = g ′ (f (x0 )) · f ′ (x0 ).

6
Demonstração. Usamos a definição de diferenciabilidade. Como f é diferenciável em x0
e g é diferenciável em y0 , existem funções C(h) e D(k) com h = x − x0 e k = y − y0 , tais
que
f (x0 + h) − f (x0 ) = f ′ (x0 )h + C(h)h, lim C(h) = 0,
h→0

g(y0 + k) − g(y0 ) = g (y0 )k + D(k)k, lim D(k) = 0.
k→0

Tomando y = f (x) e k = y − y0 = f (x) − f (x0 ), temos:

h(x0 + h) − h(x0 ) = g(f (x0 + h)) − g(f (x0 ))


= g(y0 + k) − g(y0 )
= g ′ (y0 )k + D(k)k
= g ′ (f (x0 ))(f (x0 + h) − f (x0 )) + D(k)(f (x0 + h) − f (x0 ))
= g ′ (f (x0 ))(f ′ (x0 )h + C(h)h) + D(k)(f ′ (x0 )h + C(h)h)
= g ′ (f (x0 ))f ′ (x0 )h + E(h)h,

onde  
E(h) := g ′ (f (x0 ))C(h) + D(k) f ′ (x0 ) + C(h) .
Como h → 0, temos k → 0 segue que

lim E(h) = g ′ (f (x0 )) · 0 + 0 · (f ′ (x0 ) + 0) = 0.


h→0

Portanto, h é diferenciável em x0 e sua derivada é

h′ (x0 ) = g ′ (f (x0 )) · f ′ (x0 ).

1.6 Derivada da função inversa


Teorema 1.6. Seja f : X ⊆ R → R contínua e estritamente monótona numa vizinhança
de x0 ∈ X. Se f é diferenciável em x0 e f ′ (x0 ) ̸= 0, então existe a função inversa

x = f −1 (y)

definida numa vizinhança de y0 = f (x0 ), que é diferenciável em y0 , e vale:


1
(f −1 )′ (y0 ) = .
f ′ (x 0)

Demonstração. Primeiro, garantimos a existência da inversa. Como f é contínua em uma


vizinhança Ix = (x0 − δ, x0 + δ), a imagem Iy = f (Ix ) também é um intervalo (Teorema
da imagem de um intervalo). Além disso, pela monotonia estrita de f e pelo Teorema da
inversa contínua, existe a inversa f −1 : Iy → Ix , contínua e estritamente monótona.
Agora, provamos a diferenciabilidade. Considere um incremento ∆y = y − y0 ̸= 0,
com o incremento correspondente da inversa:

∆x = f −1 (y) − f −1 (y0 ) ̸= 0.

7
Usando a relação entre os incrementos:
f −1 (y) − f −1 (y0 ) ∆x x − x0 1
= = = .
y − y0 ∆y f (x) − f (x0 ) f (x)−f (x0 )
x−x0

Como f é contínua e diferenciável em x0 , temos ∆y → 0 =⇒ ∆x → 0, e tomando


limite:
f −1 (y) − f −1 (y0 ) 1 1
(f −1 )′ (y0 ) = lim = lim f (x)−f (x0 ) = ′ .
y→y0 y − y0 x→x0
x−x
f (x 0)
0

−1
Portanto, f é diferenciável em y0 e a fórmula está comprovada.

1.7 Derivada de uma Função Definida Implicitamente


Uma forma mais geral de definir uma função do que a forma explícita consiste na defi-
nição implícita, dada por uma equação do tipo

F (x, y) = 0,

em que as soluções y em função de x podem não ser conhecidas de forma explícita. Quando
a resolução direta para y não é possível (ou não é conveniente), a seguinte proposição
fornece um método para determinar a derivada de y em função de x.
Teorema 1.7 (Derivação implícita). Seja F : R2 → R uma função tal que a equação

F (x, y) = 0

define implicitamente uma função y = f (x) em uma vizinhança de um ponto (x0 , y0 ),


com y0 = f (x0 ). Suponha que existem as derivadas parciais Fx e Fy em um entorno de
(x0 , y0 ), com
Fy (x0 , y0 ) ̸= 0,
e que Fy é contínua em (x0 , y0 ). Então f é diferenciável em x0 e vale

Fx (x0 , y0 )
f ′ (x0 ) = − .
Fy (x0 , y0 )

Demonstração. Como F (x, f (x)) = 0 para todo x suficientemente próximo de x0 , consi-


dere o incremento x = x0 + h. Temos, portanto,

0 = F (x0 + h, f (x0 + h)) − F (x0 , f (x0 )).

Adicionando e subtraindo F (x0 + h, f (x0 )), obtemos:


 
0 = F (x0 + h, f (x0 + h)) − F (x0 + h, f (x0 ))
 
+ F (x0 + h, f (x0 )) − F (x0 , f (x0 )) .

Pela diferenciabilidade de F em relação a cada variável, existem funções α(h) e β(h) tais
que
  
F (x0 + h, f (x0 + h)) − F (x0 + h, f (x0 )) = Fy (x0 , y0 ) + α(h) f (x0 + h) − f (x0 ) ,
 
F (x0 + h, f (x0 )) − F (x0 , f (x0 )) = Fx (x0 , y0 ) + β(h) h,

8
com limh→0 α(h) = limh→0 β(h) = 0. Além disso, pela continuidade de Fy , tem-se
limh→0 (Fy (x0 + h, y0 ) − Fy (x0 , y0 )) = 0.
Substituindo as expressões anteriores na igualdade inicial, obtém-se:
  
0 = Fy (x0 , y0 ) + (Fy (x0 + h, y0 ) − Fy (x0 , y0 )) + α(h) f (x0 + h) − f (x0 )
 
+ Fx (x0 , y0 ) + β(h) h.

Dividindo ambos os lados por h ̸= 0, obtemos:


 
f (x0 + h) − f (x0 )
0 = Fy (x0 , y0 )+(Fy (x0 +h, y0 )−Fy (x0 , y0 ))+α(h) +Fx (x0 , y0 )+β(h).
h
Tomando o limite quando h → 0 e usando as propriedades de limite de α(h), β(h) e Fy ,
segue que:
0 = Fy (x0 , y0 )f ′ (x0 ) + Fx (x0 , y0 ),
de onde se conclui que
Fx (x0 , y0 )
f ′ (x0 ) = − .
Fy (x0 , y0 )

1.8 Derivada de funções definidas parametricamente


A forma mais geral de se definir analiticamente uma função é a forma paramétrica:

x = g(t)
, t ∈ I ⊂ R,
y = h(t)

onde t é um parâmetro que relaciona a variável independente x e a dependente y. Em


geral, nem sempre é possível reduzir esta forma a uma expressão implícita ou explícita
y = f (x).

Teorema 1.8 (Derivação paramétrica). Seja y = f (x) definida por

x = g(t), y = h(t),

em uma vizinhança de t0 , com x0 = g(t0 ). Suponha que:

1. g(t) e h(t) são diferenciáveis em t0 ;

2. g ′ (t0 ) ̸= 0;

3. g é inversível numa vizinhança de t0 , com inversa contínua t = g −1 (x) em x0 .

Então f é diferenciável em x0 e sua derivada é dada por

dy h′ (t0 )
f ′ (x0 ) = = .
dx x=x0 g ′ (t0 )

9
Demonstração. Como g é invertível, podemos escrever t = g −1 (x) próximo de x0 . Então
y = f (x) = h(g −1 (x)).
Pela regra da cadeia:
d
f ′ (x0 ) = h(g −1 (x)) = h′ (t0 ) · (g −1 )′ (x0 ).
dx x=x0

Pelo teorema da derivada da inversa, (g −1 )′ (x0 ) = 1


g ′ (t0 )
, logo:
h′ (t0 )
f ′ (x0 ) = .
g ′ (t0 )

1.9 Teorema de Fermat: condição necessária de extremo local


Teorema 1.9. Seja f : I → R uma função definida em um intervalo aberto I ⊆ R, e seja
c ∈ I um ponto de extremo local de f . Se f é diferenciável em c, então
f ′ (c) = 0.
Demonstração. Suponha, por absurdo, que f ′ (c) ̸= 0. Se f ′ (c) > 0 (o caso f ′ (c) < 0 é
análogo), então, pela definição de derivada,
f (x) − f (c)
f ′ (c) = lim > 0.
x→c x−c
Portanto, existe δ > 0 tal que, para todo x ∈ (c − δ, c + δ) \ {c}, tem-se
f (x) − f (c)
> 0.
x−c
Em particular:
• se x > c, então x − c > 0, e portanto f (x) − f (c) > 0, ou seja, f (x) > f (c);
• se x < c, então x − c < 0, e portanto f (x) − f (c) < 0, isto é, f (x) < f (c).
Assim, f (c) é simultaneamente menor que os valores à esquerda e menor que os valores
à direita de c, o que contradiz a hipótese de que c é um ponto de máximo local (e
analogamente, não poderia ser mínimo). Logo, a suposição f ′ (c) ̸= 0 é falsa, e conclui-se
que
f ′ (c) = 0.

1.10 Pontos críticos


Definição 1.6 (Ponto crítico). Seja f : I → R uma função definida em um intervalo
aberto I ⊆ R. Um ponto c ∈ I é dito um ponto crítico de f se f ′ (c) existe e é nula,
ou se f ′ (c) não existe. Em particular, quando f ′ (c) = 0, o ponto c é chamado de ponto
estacionário.
Teorema 1.10 (Fermat com pontos críticos). Seja f : I → R uma função definida em
um intervalo aberto I. Se c ∈ I é um ponto de extremo local de f , então c é um ponto
crítico de f .

10
1.11 Teorema de Rolle
Teorema 1.11 (Rolle). Seja f : [a, b] → R uma função tal que:

1. f é contínua em [a, b];

2. f é diferenciável em (a, b);

3. f (a) = f (b).

Então, existe pelo menos um ponto c ∈ (a, b) tal que

f ′ (c) = 0.

Demonstração. Como f é contínua em [a, b], pelo Teorema do Valor Extremo, f atinge
seus valores máximo e mínimo absolutos no intervalo. Se f é constante, então f ′ (x) = 0
para todo x ∈ (a, b), e o resultado segue imediatamente.
Suponha agora que f não seja constante. Nesse caso, o máximo e o mínimo absolutos
não coincidem, e ao menos um deles é atingido em um ponto interior c ∈ (a, b), pois
f (a) = f (b) impede que ambos ocorram apenas nos extremos do intervalo.
Se f atinge um máximo local em c, ou um mínimo local em c, então, pelo Teorema de
Fermat, f ′ (c) = 0. Assim, existe pelo menos um ponto c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0.

1.12 Teorema de Lagrange


Teorema 1.12 (Lagrange). Seja f : [a, b] → R uma função contínua em [a, b] e diferen-
ciável em (a, b). Então, existe pelo menos um ponto c ∈ (a, b) tal que

f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a
Demonstração. Definimos a função auxiliar
" #
f (b) − f (a)
h(x) = f (x) − f (a) + (x − a) ,
b−a

isto é, h(x) representa a diferença entre f (x) e a reta secante que passa pelos pontos
Pa = (a, f (a)) e Pb = (b, f (b)).
Como f é contínua em [a, b] e diferenciável em (a, b), o mesmo vale para h(x). Além
disso, h(a) = h(b) = 0.
Pelo Teorema de Rolle, existe c ∈ (a, b) tal que h′ (c) = 0. Calculando a derivada:

f (b) − f (a)
h′ (x) = f ′ (x) − .
b−a
Logo, em x = c,
f (b) − f (a)
f ′ (c) = .
b−a

Observação 1.1. O Teorema de Rolle é um caso particular do Teorema de Lagrange,


obtido quando f (a) = f (b).

11
Corolário 1.1 (Critério de constância). Uma função f é constante em (a, b) se, e somente
se, f ′ (x) = 0 para todo x ∈ (a, b).

Demonstração. Se f (x) = c é constante, então f ′ (x) = 0 para todo x.


Reciprocamente, suponha que f ′ (x) = 0 para todo x ∈ (a, b). Sejam x1 , x2 ∈ (a, b)
com x1 < x2 . Pelo Teorema de Lagrange, existe c ∈ (x1 , x2 ) tal que

f (x2 ) − f (x1 )
f ′ (c) = .
x2 − x1
Como f ′ (c) = 0, segue que f (x2 ) = f (x1 ). Portanto, f é constante em (a, b).

Corolário 1.2. Duas funções f e g diferem por uma constante, isto é,

f (x) = g(x) + c em (a, b),

se, e somente se, f ′ (x) = g ′ (x) para todo x ∈ (a, b).

Demonstração. Definindo h(x) = f (x)−g(x), temos h′ (x) = f ′ (x)−g ′ (x). Assim, f ′ (x) =
g ′ (x) implica h′ (x) = 0 em (a, b), e pelo corolário anterior, h(x) é constante, isto é,
f (x) − g(x) = c. O recíproco é imediato.

Teorema 1.13 (Teorema de Cauchy – Forma Generalizada do Teorema do Valor Médio).


Sejam f, g : [a, b] → R funções contínuas em [a, b] e diferenciáveis em (a, b). Então, existe
pelo menos um ponto c ∈ (a, b) tal que

[g(b) − g(a)]f ′ (c) = [f (b) − f (a)]g ′ (c).

Demonstração. Consideremos a função auxiliar

h(x) = [g(b) − g(a)]f (x) − [f (b) − f (a)]g(x).

As funções f e g satisfazem as hipóteses de continuidade e diferenciabilidade, logo o


mesmo vale para h(x). Além disso,

h(a) = [g(b) − g(a)]f (a) − [f (b) − f (a)]g(a) = h(b).

Pelo Teorema de Rolle, existe c ∈ (a, b) tal que h′ (c) = 0. Derivando,

h′ (x) = [g(b) − g(a)]f ′ (x) − [f (b) − f (a)]g ′ (x).

Substituindo x = c e usando h′ (c) = 0, obtemos a igualdade desejada.

Teorema 1.14 (Teorema de Taylor). Seja f uma função diferenciável (n + 1) vezes em


uma vizinhança de a. Então, para cada x dessa vizinhança, existe c entre a e x tal que

f ′ (a) f ′′ (a) f (n) (a) f (n+1) (c)


f (x) = f (a) + (x − a) + (x − a)2 + · · · + (x − a)n + (x − a)n+1 .
1! 2! n! (n + 1)!

Demonstração. Seja x fixo em uma vizinhança de a, e suponha x > a (o caso x < a é


análogo). Introduzimos o termo de resto Rn (x) pela relação

f ′ (a) f (n) (a)


f (x) = f (a) + (x − a) + · · · + (x − a)n + Rn (x).
1! n!

12
Definamos a função auxiliar g : [a, x] → R por
f ′ (t) f ′′ (t) f (n) (t) (x − t)n+1
g(t) = f (x) − f (t) + (x − t) + (x − t)2 + · · · + (x − t)n + Rn (x) .
1! 2! n! (x − a)n+1
A função g é diferenciável em [a, x] e satisfaz g(a) = g(x) = 0. Logo, pelo Teorema de
Rolle, existe c ∈ (a, x) tal que g ′ (c) = 0. Derivando,
f (n+1) (t) (n + 1)(x − t)n
g ′ (t) = − (x − t)n + Rn (x) .
n! (x − a)n+1
Substituindo t = c e g ′ (c) = 0, obtemos
f (n+1) (c)
Rn (x) = (x − a)n+1 .
(n + 1)!
Substituindo na expressão de f (x), segue a fórmula do Teorema de Taylor.
Teorema 1.15 (Fórmula de Taylor com resto de Peano). Se f admite derivadas até a
ordem n em uma vizinhança de a, então
f ′ (a) f ′′ (a) f (n) (a)  
f (x) = f (a) + (x − a) + (x − a)2 + · · · + (x − a)n + o (x − a)n ,
1! 2! n!
 
quando x → a. O termo o (x − a)n é chamado resto de Peano.

2 Integrais
2.1 Noções iniciais
Definição 2.1. Definimos a partição de [a, b] pelo conjunto
P = {t0 = a, t1 , . . . , tn−1 , tn = b}
onde
t0 < t1 < · · · < tn−1 < tn .
Observação 2.1. Quando temos n subintervalos de mesmo tamanho, dizemos que P é
uma partição regular.
Definição 2.2. Seja f : [a, b] → R uma função limitada e considere uma partição regular
de [a, b] dada por
P = {x0 = a, x1 , . . . , xn = b},
onde todos os subintervalos possuem o mesmo comprimento
b−a
∆x = .
n
Escolhendo em cada subintervalo [xi−1 , xi ] um ponto x∗i tal que
x∗i = a + i ∆x, i = 1, 2, . . . , n,
definimos a soma de Riemann de f associada à partição P por
X
n Z b
lim f (x∗i ) ∆x = f (x)dx.
n→∞ a
i=1

13
Observação 2.2. Para a interpretação geométrica vamos a seguinte imagem
y

x
t0 = a t1 t2 t3 ··· tn−1 tn = b

Geometricamente, f (x∗i )∆t representa a área aproximada sob o gráfico de f em cada


subintervalo. Quando f (x) ≥ 0 em todo o intervalo, a soma fornece uma aproximação da
área total sob a curva. Se, porém, f (x) < 0 então teriamos que
Z b
A=− f (x)dx
a

Proposição 2.1. Seja f : [a, b] → R uma função. Se f é integrável em [a, b], então f é
limitada em [a, b].
Demonstração. Por absurdo, suponha que f não seja limitada em [a, b]. Então, para todo
n ∈ N, existe xn ∈ [a, b] tal que
f (xn ) > n.
Mas, por hipótese, f é integrável em [a, b]. Logo, para cada partição P = {t0 , t1 , . . . , tn }
e pontos de amostragem x∗i ∈ [ti−1 , ti ], temos a soma de Riemann
X
n
S(f, P ) = f (x∗i ) ∆ti .
i=1

Agora, fixemos m ∈ N e consideremos o subintervalo onde x∗m = xm . Podemos destacar


esse termo na soma:
X
n X
n
f (x∗i ) ∆ti = f (x∗i ) ∆ti + f (x∗m ) ∆tm .
i=1 i̸=m

Como f (x∗m ) = f (xm ) > m, temos


X
n X
n
f (x∗i ) ∆ti + f (x∗m ) ∆tm > m ∆tm + f (x∗i ) ∆ti .
i̸=m i̸=m

Equivalentemente, podemos isolar o termo f (x∗m ):


 
1  X n
f (x∗m ) > m− f (x∗i ) ∆ti  . (1)
∆tm i̸=m

Como f é não limitada, o lado direito de (1) pode ser arbitrariamente grande. Logo,
as somas de Riemann de f não são limitadas, e portanto não podem convergir para um
número real o que contradiz a suposição de que f é integrável.
Concluímos, portanto, que f deve ser limitada em [a, b].

14
Observação 2.3. A recíproca da Proposição 2.1 é falsa.
De fato, considere a função de Dirichlet f : [0, 1] → R definida por

se x ∈ Q,
1,
f (x) = 
0, se x ∈
/ Q.

A função f é claramente limitada, pois 0 ≤ f (x) ≤ 1 para todo x ∈ [0, 1]. Seja uma
partição regular de [0, 1] dada por
1
P = {x0 = 0, x1 , . . . , xn = 1}, ∆x = .
n
Escolhendo os pontos de amostragem x∗i = 0 + i∆x = ni , temos x∗i ∈ Q, logo

f (x∗i ) = 1 para todo i = 1, 2, . . . , n.

Assim, a soma de Riemann é


X
n X
n
1
f (x∗i ) ∆x = 1· = 1,
i=1 i=1 n

e portanto
X
n
lim f (x∗i ) ∆x = 1.
n→∞
i=1

Por outro lado, se escolhermos pontos irracionais x∗i em cada subintervalo, então f (x∗i ) = 0
e n X
lim f (x∗i ) ∆x = 0.
n→∞
i=1

Como o limite depende da escolha dos pontos, f não é integrável no sentido de Rie-
mann, portanto, f é limitada mas não integrável, o que prova que a recíproca da
Proposição 2.1 é falsa.

Definição 2.3 (Integral de Riemann/Darboux). Seja f : [a, b] → R uma função limitada.


Considere uma partição qualquer do intervalo [a, b]

P = {x0 = a, x1 , . . . , xn = b},

e denote por ∆xi = xi − xi−1 o comprimento de cada subintervalo. Em cada subintervalo


[xi−1 , xi ] definimos

Mi = sup f (x) e mi = inf f (x).


x∈[xi−1 ,xi ] x∈[xi−1 ,xi ]

As somas superior e inferior associadas à partição P são dadas por


X
n X
n
S(f, P ) = Mi ∆xi , s(f, P ) = mi ∆xi .
i=1 i=1

A integral superior é o ínfimo das somas superiores:


Z b
f (x) dx = inf S(f, P ),
a P

15
e a integral inferior é o supremo das somas inferiores:
Z b
f (x) dx = sup s(f, P ).
a P

Dizemos que f é integrável no sentido de Riemann se


Z b Z b
f (x) dx = f (x) dx,
a a

e, nesse caso, definimos o valor comum como a integral de Riemann de f no intervalo


[a, b]:
Z b Z b Z b
f (x) dx = f (x) dx = f (x) dx.
a a a

Teorema 2.1 (Equivalência entre Riemann (partições regulares) e Riemann–Darboux).


Seja f : [a, b] → R uma função limitada. As seguintes afirmações são equivalentes:

1. (Definição por somas em partições regulares) Existe I ∈ R tal que, para a


partição regular de [a, b]

b−a
P = {x0 = a, x1 , . . . , xn = b}, com ∆x = ,
n
e pontos de amostragem x∗i = a + i ∆x, tem-se
X
n
lim f (x∗i ) ∆x = I.
n→∞
i=1

2. (Definição de Darboux) As integrais superior e inferior coincidem, isto é,


Z b Z b
f (x) dx = f (x) dx = I.
a a

Nesse caso, f é integrável em [a, b] e o valor comum I é o mesmo em ambas as definições.

Demonstração. (1) ⇒ (2). Suponha que f é integrável no sentido de Riemann, isto é,


X
n
lim f (x∗i ) ∆x = I.
n→∞
i=1

Note que as somas de Darboux correspondem a casos particulares das somas de Rie-
mann, obtidas quando os pontos de amostragem x∗i são escolhidos de modo que

f (x∗i ) = inf f (x) ou f (x∗i ) = sup f (x),


x∈[xi−1 ,xi ] x∈[xi−1 ,xi ]

isto é, quando x∗i é o ponto em que f atinge o mínimo ou o máximo no subintervalo.


Como, pela hipótese, quaisquer escolhas de x∗i produzem somas de Riemann que con-
vergem para o mesmo valor I, em particular isso vale para essas escolhas extremas. Assim,
X
n X
n
lim mi ∆x = lim Mi ∆x = I,
n→∞ n→∞
i=1 i=1

16
onde mi = inf x∈[xi−1 ,xi ] f (x) e Mi = supx∈[xi−1 ,xi ] f (x). Portanto,
Z b Z b
f= f = I,
a a

o que mostra que f também é integrável no sentido de Darboux.


(2) ⇒ (1). Suponha agora que as integrais de Darboux coincidem:
Z b Z b
f (x) dx = f (x) dx = I.
a a

Para qualquer escolha de pontos de amostragem ξi ∈ [xi−1 , xi ], vale

mi ≤ f (ξi ) ≤ Mi ,

e, multiplicando por ∆xi e somando, obtemos


X
n
s(P, f ) ≤ f (ξi ) ∆xi ≤ S(P, f ).
i=1

Como S(P, f ) e s(P, f ) são ambos arbitrariamente próximos de I, pelo Teorema do


Sanduíche,
X
n
lim
n→∞
f (ξi ) ∆x = I.
i=1

Portanto, f é integrável no sentido de Riemann, e o valor da integral coincide com o de


Darboux.
Agora vamos as seguintes propriedades da soma de darboux

Lema 2.1 (Monotonicidade das somas de Darboux). Seja f : [a, b] → R uma função
limitada. Se P ′ é um refinamento de uma partição P , então

s(P, f ) ≤ s(P ′ , f ) e S(P ′ , f ) ≤ S(P, f ).

Lema 2.2. Para toda função limitada f : [a, b] → R, vale

sup s(P, f ) ≤ inf S(P, f ).


P P

Lema 2.3 (Aproximação por Darboux para funções contínuas). Seja f : [a, b] → R uma
função contínua. Para qualquer partição regular
b−a
P = {x0 = a, x1 , . . . , xn = b}, ∆x = ,
n
e quaisquer pontos de amostragem ξi ∈ [xi−1 , xi ], vale a desigualdade:
X
n
s(P, f ) ≤ f (ξi ) ∆x ≤ S(P, f ).
i=1

Teorema 2.2 (Existência da integral para funções contínuas). Seja f : [a, b] → R contínua
em [a, b]. Então f é integrável (no sentido de Riemann/Darboux) em [a, b].

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Demonstração. Como [a, b] é compacto e f é contínua em [a, b], segue que f é uniforme-
mente contínua e limitada em [a, b].
Seja ε > 0. Pela continuidade uniforme existe δ > 0 tal que, para quaisquer x, y ∈
[a, b],
ε
|x − y| < δ =⇒ |f (x) − f (y)| < .
b−a
Escolha então uma partição qualquer

P = {x0 = a < x1 < · · · < xn = b}

tal que cada comprimento de subintervalo satisfaça

∆xi = xi − xi−1 < δ para i = 1, . . . , n.

Em cada subintervalo fechado [xi−1 , xi ] a função contínua f atinge mínimo mi e má-


ximo Mi . Pela escolha de δ temos, para todo i,
ε
Mi − mi ≤ sup |f (x) − f (y)| < .
x,y∈[xi−1 ,xi ] b−a

Multiplicando por ∆xi e somando sobre i = 1, . . . , n, obtém-se


X
n X
n
ε ε X n
ε
S(P, f ) − s(P, f ) = (Mi − mi ) ∆xi < ∆xi = ∆xi = (b − a) = ε.
i=1 i=1 b − a b − a i=1 b−a

Portanto existe uma partição P (com todos os ∆xi < δ) tal que a diferença entre a
soma superior e a soma inferior é menor que ε:

S(P, f ) − s(P, f ) < ε.

Como isso é válido para todo ε > 0, segue que o ínfimo das somas superiores e o supremo
das somas inferiores coincidem:

inf S(P, f ) = sup s(P, f ).


P P

Pela definição de Darboux, isto significa que f é integrável em [a, b]. (Pelo teorema de
equivalência, f também é integrável no sentido das somas de Riemann.)

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