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Noções de Direito Processual Penal 2025

O documento apresenta um curso de Noções de Direito Processual Penal para o concurso TJ-RJ, ministrado por Renan Araujo, que inclui teoria e questões práticas. Ele aborda conceitos fundamentais, princípios processuais e fontes do Direito Processual Penal, além de oferecer suporte através de videoaulas e um fórum de dúvidas. O curso visa preparar os alunos para a aplicação da lei penal e a compreensão do sistema acusatório.

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julianagffeijo
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Noções de Direito Processual Penal 2025

O documento apresenta um curso de Noções de Direito Processual Penal para o concurso TJ-RJ, ministrado por Renan Araujo, que inclui teoria e questões práticas. Ele aborda conceitos fundamentais, princípios processuais e fontes do Direito Processual Penal, além de oferecer suporte através de videoaulas e um fórum de dúvidas. O curso visa preparar os alunos para a aplicação da lei penal e a compreensão do sistema acusatório.

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Aula 00

TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem


Especialidade) Noções de Direito
Processual Penal - 2025 (Pós-Edital)

Autor:
Renan Araujo

12 de Novembro de 2025

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Renan Araujo
Aula 00

Índice
1) Apresentação Cursos Proc. Penal
..............................................................................................................................................................................................3

2) Conceito e Fontes
..............................................................................................................................................................................................5

3) Princípios Processuais Penais


..............................................................................................................................................................................................7

4) Juiz das Garantias


..............................................................................................................................................................................................
37

5) Lei Processual Penal no Tempo


..............................................................................................................................................................................................
56

6) Questões Comentadas - Lei Processual Penal no Tempo - FGV


..............................................................................................................................................................................................
59

7) Lei processual penal no espaço


..............................................................................................................................................................................................
66

8) Questões Comentadas - Aplicação da Lei Processual Penal no Espaço - FGV


..............................................................................................................................................................................................
70

9) Interpretação e Integração da Lei Processual


..............................................................................................................................................................................................
72

10) Lei penal em relação às pessoas


..............................................................................................................................................................................................
75

11) Questões Comentadas - Conceitos Iniciais sobre Direito Processual Penal - FGV
..............................................................................................................................................................................................
81

12) Questões Comentadas - Aplicação da Lei Processual Penal - FGV


..............................................................................................................................................................................................
105

13) Lista de Questões - Conceitos Iniciais sobre Direito Processual Penal - FGV
..............................................................................................................................................................................................
114

14) Lista de Questões - Aplicação da Lei Processual Penal - FGV


..............................................................................................................................................................................................
126

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APRESENTAÇÃO
Olá, pessoal!

É com imenso prazer que estou aqui, mais uma vez, pelo ESTRATÉGIA CONCURSOS, tendo a oportunidade
de poder contribuir para a aprovação de vocês! Nós vamos estudar teoria e comentar muitos exercícios sobre
DIREITO PROCESSUAL PENAL!

E aí, preparados para a maratona?

Bom, está na hora de me apresentar a vocês, certo?

Meu nome é Renan Araujo, tenho 36 anos, sou Defensor Público Federal desde 2010, atuando na Defensoria
Pública da União no Rio de Janeiro, e mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da UERJ. Antes,
porém, fui servidor da Justiça Eleitoral (TRE-RJ), onde exerci o cargo de Técnico Judiciário, por dois anos.

Minha trajetória de vida está intimamente ligada aos Concursos Públicos. Desde o começo da Faculdade eu
sabia que era isso que eu queria para a minha vida! E querem saber? Isso faz toda a diferença! Algumas
pessoas me perguntam como consegui sucesso nos concursos em tão pouco tempo. Simples: Foco + Força
de vontade + Disciplina. Não há fórmula mágica, não há ingrediente secreto! Basta querer e correr atrás do
seu sonho! Acreditem em mim, isso funciona!

É muito gratificante, depois de ter vivido minha jornada de concurseiro, poder colaborar para a aprovação
de outros tantos concurseiros, como um dia eu fui! E quando eu falo em “colaborar para a aprovação”, não
estou falando apenas por falar. O Estratégia Concursos possui índices altíssimos de aprovação em todos os
concursos!

Nossas aulas serão disponibilizadas conforme o cronograma que consta na área do aluno. Em cada aula eu
trarei algumas questões que foram cobradas em concursos públicos, para fixarmos o entendimento sobre
a matéria.

Além da teoria e das questões, vocês terão acesso, ainda, ao fórum de dúvidas. Não entendeu alguma coisa?
Simples: basta perguntar ao professor Yuri Moraes, que é o mestre responsável pelo Fórum de Dúvidas,
exclusivo para os alunos do curso.

Além dos nossos livros digitais (PDFs), nosso curso também é formado por videoaulas. Nas videoaulas
iremos abordar os tópicos do edital com a profundidade necessária, a fim de que o aluno possa esclarecer
pontos mais complexos, fixar aqueles pontos mais relevantes, etc.

No mais, desejo a todos uma boa maratona de estudos!

Prof. Renan Araujo

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==16c639==

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​ CONCEITO, FINALIDADES, CARACTERÍSTICAS E


FONTES DO DPP
Conceitualmente, podemos conceber o Direito Processual Penal como o ramo do Direito que
tem por finalidade a aplicação, no caso concreto, da Lei Penal outrora violada. Nos dizeres de
JOSÉ FREDERICO MARQUES:

“O conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do


Direito Penal, bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária, e a
estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos auxiliares”1.

==16c639==

Do ponto de vista prático, ou seja, da materialização do processo, pode ser definido como:

“(...) conjunto de atos cronologicamente concatenados (procedimentos),


submetido a princípios e regras jurídicas destinadas a compor as lides de caráter
penal. Sua finalidade é, assim, a aplicação do direito penal objetivo”2.

Quanto às características do direito processual penal, a Doutrina costuma listar três3, a saber:

➔​ Instrumentalidade - O direito processual penal não constitui um fim em si mesmo, sendo


um meio para se fazer valer o direito material (que é o direito penal). Assim, o direito
processual penal é um instrumento para que se possa aplicar o direito material violado;

➔​ Autonomia - O direito processual penal, embora seja instrumento para fazer valer o direito
material (que é o direito penal), é autônomo em relação a este último, possuindo regras e
princípios próprios;

➔​ Normatividade - Trata-se de um ramo do Direito, ou seja, uma forma de controle social


baseada em normas dotadas de coercitividade (cujo cumprimento é impositivo, ou seja,
não depende da vontade das partes), tendo, inclusive, codificação própria (Código de
Processo Penal). Trata-se de um ramo do Direito Público, pois regula relações entre o
Estado e os indivíduos.

1
MARQUES, José Frederico. Elementos de Direito Processual Penal. Ed. Forense. Rio de Janeiro. 1961, pág. 20
2
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Processo Penal. Ed. Atlas, São Paulo. 2004, pág. 31
3
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 10º edição. Ed. Juspodivm.
Salvador, 2015, p. 30

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No que tange às finalidades do Direito Processual Penal, elas podem ser basicamente divididas
em duas:

⇒​ Finalidade IMEDIATA (direta) – Fazer valer o jus puniendi do Estado, com a


aplicação, em concreto, da Lei penal, respeitando os direitos fundamentais do
indivíduo.
⇒​ Finalidade MEDIATA (indireta) – A obtenção da paz social, da restauração da ordem
violada pela prática do delito, por meio da aplicação concreta do Direito Penal ao
caso.

Mas como surge o Direito Processual Penal? Estudar a origem do Direito Processual Penal
pressupõe a análise das fontes do Direito Processual Penal.

No que se refere às fontes do Direito Processual Penal, elas podem ser materiais ou formais.
Estas últimas se dividem em imediatas e mediatas.

1.​ Fonte formal (ou de cognição) – Meio pelo qual a norma é lançada no mundo jurídico.
Podem ser imediatas (também chamadas de diretas ou primárias) ou mediatas (também
chamadas de indiretas, secundárias ou supletivas).
a)​ IMEDIATAS – São as fontes principais, aquelas que devem ser aplicadas
primordialmente (Constituição, Leis, tratados e convenções internacionais).
Basicamente, portanto, os diplomas normativos nacionais e internacionais4.
b)​ MEDIATAS – São aplicáveis quando há lacuna, ausência de regulamentação pelas
fontes formais imediatas (costumes, analogia e princípios gerais do Direito).

2.​ Fonte material (ou de produção) – É o órgão, ente, entidade ou Instituição responsável
pela produção da norma processual penal. No Brasil, em regra, é a União (por meio do
processo legislativo federal), por força do art. 22, I da Constituição, podendo os Estados
legislarem sobre questões específicas. Sobre Direito Penitenciário a competência é
concorrente entre União, estados e DF.

4
Há quem inclua também, dentre as fontes imediatas, as SÚMULAS VINCULANTES, pois são verdadeiras normas de
aplicação vinculada. Lembrando que a jurisprudência e a Doutrina não são consideradas, majoritariamente, como
FONTES do Direito Processual Penal, pois representam, apenas, formas de interpretação do Direito Processual Penal.

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PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS

Princípio da inércia

Alguns doutrinadores não consideram este um princípio do processo penal com base
constitucional, embora seja unânime que é aplicável ao processo penal brasileiro.

Este princípio diz que o Juiz não pode dar início ao processo penal, pois isto implicaria em
violação da sua imparcialidade, representando confusão entre as funções de acusar e julgar.
Trata-se de uma das materializações da adoção do sistema acusatório, ou seja, a clara separação
entre as funções de acusar e julgar.

Um dos dispositivos constitucionais que dá base a esse entendimento é o art. 129, I da


Constituição Federal:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

Percebam que a Constituição estabelece como sendo privativa do MP a promoção da ação penal
pública. Assim, diz-se que o MP é o “titular da ação penal pública”.

Mas e a ação penal privada? Mais à frente vocês verão que a ação penal privada é de titularidade
do ofendido. Assim, o Juiz já não poderia a ela dar início por sua própria natureza, já que a lei
considera que, nesses casos, o interesse do ofendido em processar ou não o infrator se sobrepõe
ao interesse do Estado na persecução penal.

Este princípio é o alicerce máximo daquilo que se chama de sistema acusatório, que é o sistema
adotado pelo nosso processo penal1. No sistema acusatório existe uma figura que acusa e outra
figura que julga, diferentemente do sistema inquisitivo, no qual acusador e julgador se
confundem na mesma pessoa, o que gera parcialidade do julgador, ofendendo inúmeros outros
princípios.

Entretanto, este princípio não impede que o Juiz determine a realização de diligências que
entender necessárias para elucidar questão relevante para o deslinde do processo. Isso porque
no Processo Penal, diferentemente do que ocorre no Processo Civil, vigora o princípio da busca
pela verdade real ou material, não da verdade formal. Assim, no processo penal não há
presunção de veracidade das alegações da acusação em caso de ausência de manifestação em
contrário pelo réu, pois o interesse público pela busca da efetiva verdade impede isto.

1
Alguns sustentam que se adotou um sistema misto (entre acusatório e inquisitivo), pois há caracteres de ambos.
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p.71

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Além disso, este princípio irá embasar diversas outras disposições do sistema processual penal
brasileiro, como aquela que impede que o Juiz julgue um fato não contido na denúncia (seria
uma violação indireta ao princípio da inércia), que caracteriza o princípio da congruência2 entre a
sentença e a inicial acusatória.

Princípio do devido processo legal

Esse princípio é o que se pode chamar de base principal do Direito Processual brasileiro, pois
todos os outros, de uma forma ou de outra, encontram nele seu fundamento. Este princípio está
previsto no art. 5°, LIV da CRFB/88, nos seguintes termos:

Art. 5º (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal;

Assim, a Constituição estabelece que ninguém poderá sofrer privação de sua liberdade ou de
seus bens sem que haja um processo prévio, em que lhe seja assegurada toda a sorte de
instrumentos de defesa.

Desta maneira, especificamente no processo penal, esse princípio norteia algumas regras, como
o Direito que o acusado possui de ser ouvido pessoalmente (Sim, o interrogatório é um direito do
réu), a fim de expor sua versão dos fatos, bem como o direito que o acusado possui de arrolar
testemunhas, contradizer todas as provas e argumentos da acusação etc. Todos eles retiram seu
fundamento do Princípio do Devido Processo Legal.

A obediência ao rito previsto na Lei Processual (seja o rito ordinário ou outro), bem como às
demais regras estabelecidas para o processo é que se chama de Devido Processo Legal em
sentido formal.

Entretanto, existe outra vertente deste princípio, denominada Devido Processo Legal em sentido
material. Nessa última acepção, entende-se que o Devido Processo Legal só é efetivamente
respeitado quando o Estado age de maneira razoável, proporcional e adequada na tutela dos
interesses da sociedade e do acusado.

O princípio do Devido Processo Legal tem como corolários os postulados da Ampla Defesa e do
Contraditório, ambos também previstos na Constituição Federal, em seu art. 5°, LV:

Art. 5 (...)

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em


geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes;

2
Também chamado de princípio da adstrição ou princípio da correlação entre acusação e sentença. NUCCI,
Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 608

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1. Dos postulados do contraditório e da ampla defesa

O princípio do Contraditório estabelece que os litigantes em geral e, no nosso caso, os acusados,


têm assegurado o direito de contradizer os argumentos trazidos pela parte contrária e as provas
por ela produzidas.

Entretanto, este princípio sofre limitações, notadamente quando a decisão a ser tomada pelo Juiz
não puder esperar a manifestação do acusado ou a ciência do acusado pode implicar a
frustração da decisão.

EXEMPLO: Imagine que o MP ajuíza ação penal em face de José, requerendo seja
decretada sua prisão preventiva, com base na ocorrência de uma das circunstâncias
previstas no art. 312 do CPP. O Juiz, ao receber a denúncia, verificando estarem
presentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, a decretará
sem ouvir o acusado, pois aguardar a manifestação deste acerca da prisão preventiva
pode acarretar na frustração desta (fuga do acusado).

Já o postulado da ampla defesa prevê que não basta dar ao acusado ciência das manifestações
da acusação e facultar-lhe se manifestar, se não lhe forem dados instrumentos para isso. Ampla
Defesa e Contraditório caminham juntos (até por isso estão no mesmo inciso da Constituição), e
retiram seu fundamento no Devido Processo Legal.

Entre os instrumentos para o exercício da defesa estão a previsão legal de recursos em face das
decisões judiciais, direito à produção de provas, bem como a obrigação de que o Estado forneça
assistência jurídica integral e gratuita, primordialmente através da Defensoria Pública. Vejamos:

Art. 5º (...) LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos
que comprovarem insuficiência de recursos;

Portanto, ao acusado que não possuir meios de pagar um advogado, deve ser garantida a defesa
por um Defensor Público, ou, em não havendo sede da Defensoria Pública na comarca, ser
nomeado um defensor dativo (advogado particular pago pelos cofres públicos), a fim de que lhe
seja prestada defesa técnica.

Frise-se: a defesa técnica é absolutamente indispensável no processo penal, não podendo


nenhum acusado ser processado e julgado sem defensor, nos termos do art. 261 do CPP. Não
por outro motivo o STF sumulou entendimento no sentido de que a ausência de defesa técnica é
causa de nulidade absoluta. A eventual deficiência da defesa técnica, contudo, configura
nulidade relativa, devendo ser arguida oportunamente e demonstrado o prejuízo que adveio para
o réu em razão da defesa deficiente:

Súmula 523 do STF

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No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua


deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.

Além da defesa técnica, realizada por profissional habilitado (advogado particular ou Defensor
Público), há também a autodefesa, que é realizada pelo próprio réu, especialmente quando do
seu interrogatório, oportunidade na qual pode, ele mesmo, defender-se pessoalmente, sem a
intermediação de procurador. Assim, se o Juiz se recusar a interrogar o réu, por exemplo, estará
violando o princípio da ampla defesa, por estar impedindo o réu de exercer sua autodefesa.

A autodefesa se desdobra em três:

⇒ Direito de audiência – Tal direito se materializa durante o interrogatório,


oportunidade na qual o acusado pode apresentar ao Juiz, pessoalmente, a sua
defesa, ou seja, sua versão acerca dos fatos.
⇒ Direito de presença – É assegurado ao acusado o direito de acompanhar os atos da
instrução processual, auxiliando o seu defensor na realização da defesa. Ex.
Acompanhar a realização da “reconstituição” (reprodução simulada dos fatos).
⇒ Capacidade postulatória autônoma excepcional – Ao acusado é conferido o direito
de postular diretamente ao Juízo em determinados casos. Ex.: O acusado tem
legitimidade recursal, ou seja, ele pode recorrer mesmo que seu defensor não recorra
(art. 577 do CPP).

Ao contrário da defesa técnica, que não pode faltar no processo criminal, sob pena de nulidade
absoluta, o réu pode se recusar a exercer a autodefesa, ficando em silêncio, por exemplo, pois o
direito ao silêncio é um direito expressamente previsto ao réu.

Este princípio não impede, porém, que o acusado sofra as consequências de sua inércia em
relação aos atos processuais (não-interposição de recursos, ausência injustificada de audiências,
etc.). Entretanto, o princípio da ampla defesa se manifesta mais explicitamente quando o réu,
embora citado, deixe de apresentar Resposta à Acusação. Nesse caso, dada a importância da
peça de defesa, deverá o Juiz encaminhar os autos à Defensoria Pública, para que atue na
qualidade de curador do acusado, ou, em não havendo Defensoria no local, nomear defensor
dativo para que patrocine a defesa do acusado.

Para finalizar, gostaria de trabalhar alguns tópicos relevantes sobre a ampla defesa e o
contraditório:

➔ Utilização exclusiva de elementos de convicção da fase de investigação para condenar o


réu – VEDAÇÃO - Os elementos de convicção colhidos na fase de investigação não foram
produzidos sob o crivo do contraditório pleno, ainda que possa ter havido oportunidade
posterior para o exercício do contraditório “sobre” a prova (e não “na produção” da
prova). Desta forma, o art. 155 do CPP veda (ainda que com exceções), a condenação

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baseada EXCLUSIVAMENTE nesses elementos, o que não impede que o Juiz profira
sentença condenatória baseada nestes elementos juntamente com provas produzidas em
Juízo:

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente
nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.

➔ Réu citado por edital que não se defende nem constitui defensor - Em caso de citação por
edital, o art. 366 do CPP estabelece que se o réu não se defender nem constituir
advogado, o processo deverá ficar suspenso, não sendo lícito ao Juiz determinar o
prosseguimento do feito com defensor nomeado. Isso se dá em razão da compreensão de
que, nas hipóteses de citação por edital, é bastante provável que o réu sequer saiba da
existência do processo, de maneira que dar seguimento com a nomeação de defensor
dativo configuraria violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório:

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional,
podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas
urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no
art. 312.

➔ Atribuição de falsa identidade x autodefesa - Tal conduta não configura exercício legítimo
da autodefesa. Assim, se o investigado/acusado atribui a si mesmo falsa identidade
perante a autoridade policial (p. ex.: para ocultar seus antecedentes), tal conduta irá
configurar crime, nos termos do entendimento sumulado do STJ (crime de falsa
identidade):

Súmula 522 do STJ

A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,


ainda que em situação de alegada autodefesa.

➔ Fraude processual x autodefesa – Poderia o investigado/acusado adulterar a cena do


crime, alterar o estado de pessoas e coisas referentes à infração penal, com vistas à induzir
a erro o perito ou o julgador? Não. Tal conduta não está abarcada pela autodefesa,
configurando crime de fraude processual (art. 347 do CP).

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Princípio da presunção de não culpabilidade (ou presunção de


inocência)

A Presunção de inocência é o maior pilar de um Estado Democrático de Direito, pois, segundo


este princípio, nenhuma pessoa pode ser considerada culpada (e sofrer as consequências disto)
antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Nos termos do art. 5°, LVII da
CRFB/88:

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença


penal condenatória;

O que é trânsito em julgado de sentença penal condenatória? É a situação na qual a sentença


proferida no processo criminal, condenando o réu, não pode mais ser modificada através de
recurso. Assim, enquanto não houver uma sentença criminal condenatória irrecorrível, o acusado
não pode ser considerado culpado e, portanto, não pode sofrer as consequências da
condenação.

Este princípio pode ser considerado:

⇒ Uma regra probatória (regra de julgamento) - Deste princípio decorre que o ônus
(obrigação) da prova cabe ao acusador (MP ou ofendido, conforme o caso). O réu é, desde o
começo, inocente, até que o acusador prove sua culpa. Assim, temos o princípio do in dubio pro
reo ou favor rei, segundo o qual, durante o processo (inclusive na sentença), havendo dúvidas
acerca da culpa ou não do acusado, deverá o Juiz decidir em favor deste, pois sua culpa não foi
cabalmente comprovada.

CUIDADO: Existem hipóteses em que o Juiz não decidirá de acordo com


princípio do in dubio pro reo, mas pelo princípio do in dubio pro societate. Por
exemplo, nas decisões de recebimento de denúncia ou queixa e na decisão de
pronúncia, no processo de competência do Júri, o Juiz decide contrariamente ao
réu (recebe a denúncia ou queixa no primeiro caso, e pronuncia o réu no
segundo) com base apenas em indícios de autoria e prova da materialidade. Ou
seja, nesses casos, mesmo o Juiz tendo dúvidas quanto à culpabilidade do réu,
deverá decidir contrariamente a ele, e em favor da sociedade, pois destas
decisões não há consequências para o réu, permitindo-se, apenas, que seja
iniciado o processo ou a fase processual, na qual serão produzidas as provas
necessárias à elucidação dos fatos.

⇒ Uma regra de tratamento - Deste princípio decorre, ainda, que o réu deve ser, a todo
momento, tratado como inocente. E isso tem uma dimensão interna e uma dimensão externa:

a) Dimensão interna – O agente deve ser tratado, dentro do processo, como inocente. Ex.:
O Juiz não pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de o réu estar
sendo processado, caso contrário, estaria presumindo a culpa do acusado.

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b) Dimensão externa – O agente deve ser tratado como inocente FORA do processo, ou
seja, o fato de estar sendo processado não pode gerar reflexos negativos na vida do réu.
Ex.: O réu não pode ser eliminado de um concurso público porque está respondendo a um
processo criminal (pois isso seria presumir a culpa do réu).

Desta maneira, sendo este um princípio de ordem Constitucional, deve a legislação


infraconstitucional (especialmente o CP e o CPP) respeitá-lo, sob pena de violação à
Constituição. Portanto, uma lei que dissesse, por exemplo, que o cumprimento de pena se daria
a partir da sentença em primeira instância seria inconstitucional, pois a Constituição afirma que o
acusado ainda não é considerado culpado nessa hipótese.

ATENÇÃO! A existência de prisões provisórias (prisões decretadas no curso do processo) não


ofende a presunção de inocência, pois nesse caso não se trata de uma prisão como cumprimento
de pena, mas sim de uma prisão cautelar, ou seja, para garantir que o processo penal seja
devidamente instruído ou eventual sentença condenatória seja cumprida. A prisão cautelar,
portanto, possui um fundamento CAUTELAR (evitar algum prejuízo), não estando baseada na
suposta culpa do agente.

EXEMPLO: Réu está ameaçando testemunhas e destruindo provas. Nesse caso, se o


Juiz decretar a prisão preventiva, para a conveniência da instrução criminal, estará
apenas reconhecendo que a liberdade do réu é um risco para a perfeita instrução do
processo, motivo pelo qual o mesmo deverá ser preso cautelarmente, para evitar que
haja efetivo prejuízo à instrução.

Ou seja, a prisão cautelar, quando devidamente fundamentada na necessidade de evitar a


ocorrência de algum prejuízo (risco para a instrução ou para o processo, por exemplo), é válida.
O que não se pode admitir é a utilização da prisão cautelar como “antecipação de pena”.
Inclusive, esse entendimento é pacífico no âmbito da jurisprudência:

“A prisão preventiva não caracteriza antecipação de pena e não viola a


presunção de inocência, por não constituir reconhecimento definitivo de
culpabilidade.”

(AgRg no HC n. 828.065/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador


Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de
30/11/2023.)

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Vou transcrever para vocês agora alguns pontos que são polêmicos e a respectiva posição dos
Tribunais Superiores, pois isto é importante.

● Processos criminais em curso e inquéritos policiais em face do acusado podem ser


considerados maus antecedentes? Segundo o STJ e o STF não, pois em nenhum
deles o acusado foi condenado de maneira irrecorrível, logo, não pode ser
considerado culpado nem sofrer qualquer consequência em relação a eles (súmula
444 do STJ).
● Regressão de regime de cumprimento da pena – O STJ e o STF entendem que não
há necessidade de condenação criminal transitada em julgado para que o preso sofra
a regressão do regime de cumprimento de pena mais brando para o mais severo (do
semiaberto para o fechado, por exemplo). Nesses casos, basta que o preso tenha
cometido novo crime doloso ou falta grave, durante o cumprimento da pena pelo
crime antigo, para que haja a regressão, nos termos do art. 118, I da Lei 7.210/84 (Lei
de Execuções Penais), não havendo necessidade, sequer, de que tenha havido
condenação criminal ou administrativa. A Jurisprudência entende que esse artigo da
LEP não ofende a Constituição.
● Revogação do benefício da suspensão condicional do processo em razão do
cometimento de crime – Prevê a Lei 9.099/95 que em determinados crimes, de
menor potencial ofensivo, pode ser o processo criminal suspenso por determinado,
devendo o réu cumprir algumas obrigações durante este prazo (dentre elas, não
cometer novo crime), findo o qual estará extinta sua punibilidade. Nesse caso, o STF
e o STJ entendem que, descoberta a prática de crime pelo acusado beneficiado com
a suspensão do processo, este benefício deve ser revogado, por ter sido
descumprida uma das condições, não havendo necessidade de trânsito em julgado
da sentença condenatória do crime novo.

O STF chegou a relativizar o princípio da presunção de inocência, entendendo que a presunção


de inocência iria somente até o esgotamento das instâncias ordinárias (até segundo grau de
jurisdição). A partir daí, seria possível a execução provisória de pena, não sendo mais possível
falar em presunção de inocência, por já haver condenação em segunda instância, ainda que
pendente julgamento de Recurso Especial para o STJ ou Recurso Extraordinário para o STF.
Porém, este entendimento (que se iniciou quando do julgamento do HC 126.292) foi
posteriormente abandonado pelo STF, quando do julgamento definitivo das ADCs 43, 44 e 54,
tendo o STF retomado seu entendimento clássico: a presunção de inocência deve ser
compreendida nos exatos termos da CF/88, ou seja, até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória, de forma que é vedada a execução provisória de pena criminal.
Vale ressaltar que a Lei 13.964/19 (chamado “pacote anticrime”) alterou a redação do art. 492, I,
“e” do CPP, para permitir a execução provisória de pena criminal imposta pelo TRIBUNAL DO
JÚRI, quando se tratar de pena igual ou superior a 15 anos.

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Considerando o aparente conflito com o texto constitucional, o caso chegou ao STF, que
reconheceu a repercussão geral do Tema (“Tema 10683: Descrição: Recurso extraordinário em
que se discute, à luz do art. 5º, inciso XXXVIII, alínea c, da Constitucional Federal, se a soberania
dos vereditos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de pena imposta pelo Conselho
de Sentença”).
Quando do julgamento do referido tema, o STF concluiu pela possibilidade de execução
imediata de condenação imposta pelo Conselho de Sentença no Tribunal do Júri, pelo princípio
da soberania dos veredictos. Inclusive, o STF atribuiu interpretação conforme à Constituição, com
redução de texto, ao art. 492 do CPP, com a redação da Lei nº 13.964/2019, excluindo do inciso I
da alínea "e" do referido artigo o limite mínimo de 15 anos para a execução da condenação
imposta pelo corpo de jurados. Ou seja, a condenação imposta pelos jurados no Tribunal do Júri
autoriza a execução imediata da pena imposta, sem necessidade de trânsito em julgado, ainda
que a pena fixada seja menor que 15 anos.
Assim, foi fixada a seguinte tese:

STF - Tema 1068 de Repercussão Geral

“A soberania dos veredictos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de


condenação imposta pelo corpo de jurados, independentemente do total da
pena aplicada.”.

A. Jurisprudência relevante sobre princípio da presunção de


inocência

➔ Súmula 643 do STJ – O STJ, seguindo o entendimento do STF nas ADCs 43, 44 e 54,
sumulou entendimento no sentido de que a execução das penas restritivas de direitos também
depende do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, não se admite
execução provisória de pena criminal, nem mesmo restritiva de direitos:

Súmula 643 do STJ

A execução da pena restritiva de direitos depende do trânsito em julgado da


condenação.

➔ STF - Regressão de regime - Prática de novo crime - desnecessidade de trânsito em


julgado – O STF entendeu que a regressão de regime de cumprimento de pena pela prática de
novo crime pelo apenado dispensa o trânsito em julgado em relação a este novo crime, não
constituindo isso uma ofensa ao princípio da presunção de inocência:

3
STF, RE 1235340.

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“(...) O art. 118, I, da Lei 7.210/1984 prevê a regressão de regime se o apenado


“praticar fato definido como crime doloso ou falta grave”. 3. Para caracterização
do fato, não exige a lei o trânsito em julgado da condenação criminal em relação
ao crime praticado. Precedentes. 4. Habeas corpus extinto sem resolução de
mérito.”

(HC 110881, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ROSA WEBER,


Primeira Turma, julgado em 20-11-2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-154
DIVULG 07-08-2013 PUBLIC 08-08-2013)

➔ STF e STJ - indeferimento de registro profissional com base em inquéritos e ações penais
em curso - violação ao princípio da presunção de inocência – O STF (RG, Tema 1171) e o STJ
firmaram entendimento no sentido de que a existência de inquéritos policiais e ações penais em
curso não podem representar obstáculo ao registro profissional do indivíduo, sob pena de
violação ao princípio da presunção de inocência.

2. O Superior Tribunal de Justiça tem adotado o entendimento de que o


indeferimento de pedido de registro profissional com base na existência de
inquérito em curso ou em ação penal sem trânsito em julgado viola o princípio
da presunção de inocência (AgRg no REsp 1.542.026/RS, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, DJe 14.9.2015; AgRg no REsp 1.452.502/SC, Rel.
Ministro SÉRGIO KUKINA, DJe 3.9.2015; AgRg no AREsp 504.196/DF, Rel.
Ministro OG FERNANDES, DJe 11.9.2014).

3. Agravo interno a que se dá provimento.

(AgInt no RMS n. 64.827/GO, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador


Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 1/6/2022.)

No mesmo sentido, o STF:

STF - Repercussão Geral - Tema 1171

Tese: Violam o princípio da presunção de inocência o indeferimento de matrícula


em cursos de reciclagem de vigilante e a recusa de registro do respectivo
certificado de conclusão, em razão da existência de inquérito ou ação penal sem
o trânsito em julgado de sentença condenatória.

➔ STF - concurso público - eliminação de candidato que responde a inquérito ou ação penal
- Possibilidade em casos excepcionais – O STF firmou entendimento no sentido de "a lei pode
instituir requisitos mais rigorosos para determinados cargos, em razão da relevância das
atribuições envolvidas, como é o caso, por exemplo, das carreiras da magistratura, das funções

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essenciais à justiça e da segurança pública (CRFB/1988, art. 144), sendo vedada, em qualquer
caso, a valoração negativa de simples processo em andamento, salvo situações
excepcionalíssimas e de indiscutível gravidade"4, tendo sido firmada a seguinte tese:

STF - Repercussão Geral - Tema 22

Tese: Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é


legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de
candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou ação penal.

Princípio da obrigatoriedade da fundamentação das decisões


judiciais

Este princípio está previsto no art. 93, IX da Constituição:

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá


sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

(...)

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e


fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;

Como vocês podem ver, é a própria Constituição quem determina que os atos decisórios
proferidos pelo Juiz sejam fundamentados. Desta maneira, pode-se elevar esse princípio
(motivação das decisões judiciais) à categoria de princípio constitucional, por ter merecido a
atenção da Lei Máxima.

Portanto, quando o Juiz indefere uma prova requerida, ou prolata a sentença, deve fundamentar
seu ato, dizendo em que fundamento se baseia para indeferir a prova ou para tomar a decisão
que tomou na sentença (condenando ou absolvendo).

Esse princípio decorre da lógica do sistema jurídico pátrio, em que a transparência deve vigorar.
Assim, a parte (seja o acusado ou o acusador) saberá exatamente o que se baseou o Juiz para
proferir aquela decisão e, assim, poder examinar se o Magistrado agiu dentro da legalidade.

Aliás, esse princípio guarda estrita relação com o princípio da Ampla Defesa, eis que a ausência
de fundamentação ou a fundamentação deficiente de uma decisão dificulta e por vezes impede a

4
RE 560.900/DF, Relator: Ministro ROBERTO BARROSO, publicado em 17/08/2020

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sua impugnação, já que a parte prejudicada não tem elementos para combatê-lo, já que não
sabe seus fundamentos.

Alguns pontos controvertidos merecem destaque:

➔ A decisão de recebimento da denúncia ou queixa, apesar de possuir forte carga


decisória, não precisa de fundamentação complexa (STF entende que isso não fere a
Constituição).
➔ A fundamentação referida é constitucional – Fundamentação referida é aquela na
qual um órgão do Judiciário se remete às razões expostas por outro órgão do
Judiciário (Ex.: O Tribunal, ao julgar a apelação, mantendo a sentença, pode
fundamentar sua decisão referindo-se aos argumentos expostos na sentença de
primeira instância, sem necessidade de reproduzi-los no corpo do Acórdão).
➔ As decisões proferidas pelo Tribunal do Júri não são fundamentadas, pois os
julgadores (jurados) não possuem conhecimento técnico, proferindo seu voto
conforme sua percepção de Justiça indicar.

Princípio da publicidade

Este princípio estabelece que os atos processuais e as decisões judiciais serão públicas, ou seja,
de livre acesso a qualquer do povo. Essa é a regra prevista no art. 93, IX da CRFB/88:

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá


sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

(...)

IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e


fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;

Percebam que a Constituição determina que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário
serão públicos, mas entende-se “julgamentos” como qualquer ato processual.

Entretanto, essa publicidade NÃO É ABSOLUTA, podendo sofrer restrição, quando a intimidade
das partes ou interesse público exigir. A isso se chama ”publicidade restrita”.

Essa possibilidade de restrição está prevista, ainda, no art. 5°, LX da CRFB/88:

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Art. 5º (...) LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais


quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

Ressalto a vocês que essa publicidade pode ser restringida apenas às partes e seus procuradores,
ou somente a estes. O que isso significa? Que alguns atos podem não ser públicos nem mesmo
para a outra parte! Sim! Imaginem que, numa audiência, a ofendida pelo crime de estupro não
queira dar seu depoimento na presença do acusado. Nada mais natural. Assim, o Juiz poderá
mandar que este se retire da sala, permanecendo, porém, o seu advogado. Aos procuradores
das partes (advogado, membro do MP, etc.) nunca se pode negar publicidade dos atos
processuais! Gravem isso!

Essa impossibilidade de restrição da publicidade aos procuradores das partes é decorrência


natural do princípio do contraditório e da ampla defesa, pois são os procuradores quem exercem
a defesa técnica, não podendo ser privados do acesso a nenhum ato do processo, sob pena de
nulidade.5

Princípio da isonomia processual

O princípio da isonomia processual (ou par conditio ou paridade de armas) decorre do princípio
da isonomia, genericamente considerado, segundo o qual as pessoas são iguais perante a lei,
sendo vedadas práticas discriminatórias. Está previsto no art. 5° da Constituição:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

5
Por fim, vale registrar que no Tribunal do Júri (que tem regras muito específicas) o voto dos jurados é sigiloso, por
expressa previsão constitucional, caracterizando-se em mais uma exceção ao princípio. Nos termos do art. 5°, XVIII,
b, da Constituição:

Art. 5º (...)

XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:

(...)

b) o sigilo das votações;

Assim, nesse caso, não há publicidade do voto proferido pelo jurado, mas a sessão secreta onde ocorre o
julgamento pelos jurados (depósito dos votos na urna) é acessível aos procuradores.

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No campo processual este princípio também irradia seus efeitos, devendo a lei processual tratar
ambas as partes de maneira igualitária, conferindo-lhes os mesmos direitos e deveres. Por
exemplo: Os prazos recursais devem ser os mesmos para acusação e defesa, o tempo para
sustentação oral nas sessões de julgamento também devem ser idênticos, etc.

Entretanto, é possível que a lei estabeleça algumas situações aparentemente anti-isonômicas, a


fim de equilibrar as forças dentro do processo.6

Boa parte da Doutrina sustenta que na ação penal pública o princípio da paridade de armas fica
mitigado, pois o MP desempenha dupla função (atua como acusador e como fiscal da Lei). Na
ação penal privada haveria uma paridade de armas mais evidente, já que teríamos dois
particulares litigando, um de cada lado (o querelante e o querelado, ou seja, vítima e infrator), e o
MP atuando como fiscal da Lei.

Princípio do duplo grau de jurisdição

Este princípio estabelece que as decisões judiciais devem estar sujeitas à revisão por outro órgão
do Judiciário. Embora não esteja expresso na Constituição, grande parte dos doutrinadores o
aceita como um princípio constitucional implícito7, fundamentando sua tese nas regras de
competência dos Tribunais estabelecidas na Constituição, o que deixaria implícito que toda
decisão judicial deva estar sujeita a recurso, via de regra. A despeito de não estar explícito na
Constituição, tem previsão expressa no Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana
de Direitos Humanos), ratificado pelo Brasil.

Entretanto, mesmo aqueles que consideram ser este um princípio de índole constitucional
entendem que há exceções, que são os casos de competência originária do STF, ações nas quais
não cabe recurso da decisão de mérito (óbvio, pois o STF é a Corte Suprema do Brasil). Assim,
essa exceção não anularia o fato de que se trata de um princípio constitucional, apenas não lhe
permite ser absoluto.

Princípio do Juiz Natural

A Constituição estabelece em seu art. 5°, LIII que:

6
Por exemplo, quando a lei estabelece que a Defensoria Pública possui prazo em dobro para recorrer, não está
ferindo o princípio da isonomia, mas está apenas corrigindo uma situação de desequilíbrio. Isso porque a Defensoria
Pública é uma Instituição absolutamente assoberbada, que não pode escolher se vai ou não patrocinar uma
demanda. Caso o assistido se enquadre como hipossuficiente, a Defensoria Pública deve atuar. Um escritório de
advocacia pode, por exemplo, se recusar a patrocinar uma defesa alegando estar muito atarefado.
7
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52.

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Art. 5º (...) LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente;

Assim, desse dispositivo constitucional podemos extrair o princípio do Juiz Natural.

O princípio do Juiz Natural estabelece que toda pessoa tem direito de ser julgada por um órgão
do Poder Judiciário brasileiro, devidamente investido na função jurisdicional, cuja competência
fora previamente definida8. Assim, está vedada a formação de Tribunal ou Juízo de exceção, que
são aqueles criados especificamente para o julgamento de um determinado caso. Isso não é
tolerado no Brasil!

Trata-se de princípio que remonta ao Direito anglo-saxão, fundado na ideia básica de vedação à
existência de Tribunais de Exceção. Este princípio viria a ser, posteriormente, mais bem
trabalhado pelo Direito norte-americano, ao exigir-se a fixação prévia da competência
jurisdicional.

Porém, vocês não devem confundir Juízo ou Tribunal de exceção com varas especializadas. As
varas especializadas são criadas para otimizar o trabalho do Judiciário, e sua competência é
definida abstratamente, e não em razão de um fato isolado, de forma que não ofendem o
princípio. O que este princípio impede é a manipulação das “regras do jogo” para se “escolher”
o Juiz que irá julgar a causa.9

A modificação da competência em razão de regras de conexão e continência viola tal princípio?


Não.

O deslocamento da competência em razão da reunião de processos por força de conexão ou


continência configura previsão geral e abstrata de modificação de competência jurisdicional,
aplicável a todo e qualquer caso idêntico, não sendo, portanto, modificação casuística da
competência para julgar determinado caso, de forma que não representa violação ao princípio
do Juiz natural, nos termos da súmula 704 do STF:

Súmula 704 do STF

Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo


legal a atração por continência ou conexão do processo do co-réu ao foro por
prerrogativa de função de um dos denunciados.

EXEMPLO: José, advogado, e Pedro, deputado federal, praticaram em concurso de


agentes um crime de corrupção passiva. Pedro, deputado federal, possui foro
privilegiado no STF. José, por não ter foro privilegiado, deveria ser julgado pelo juízo
singular de primeira instância. Contudo, por força da continência por cumulação
subjetiva (duas ou mais pessoas acusadas da mesma infração, art. 77, I do CPP), é

8
PACELLI, Eugênio. Op. cit., p. 37
9
Outra situação que também NÃO VIOLA o princípio do Juiz Natural é a atração, por conexão ou continência, do
processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados (súmula 704 do STF). Veremos mais
sobre isso na aula sobre jurisdição e competência.

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recomendável a reunião dos processos para julgamento conjunto, de forma a evitar


decisões conflitantes. Nesse caso, o STF, por ser de maior hierarquia, seria o
competente para julgar ambos (José e Pedro), de forma que haveria a “atração” do
julgamento do corréu (José) ao foro por prerrogativa de função do outro réu (Pedro).

Assim, proposta a ação penal, ela será distribuída para um dos Juízes com competência para
julgá-la.

Boa parte da Doutrina sustenta10, ainda, a existência do princípio do Promotor Natural. Tal
princípio estabelece que toda pessoa tem direito de ser acusada pela autoridade competente.
Assim, é vedada a designação pelo Procurador-Geral de Justiça de um Promotor para atuar
especificamente num determinado caso. Isso seria simplesmente um acusador de exceção,
alguém que não estava previamente definido como o Promotor (ou um dos Promotores) que
poderia receber o caso, mas alguém que foi definido como o acusador de um réu após a prática
do fato, cuja finalidade é fazer com que o acusado seja processado por alguém que possui
determinada característica (Promotor mais brando ou mais severo, a depender do infrator).

Entretanto, a definição de atribuições especializadas (Promotor para crimes ambientais, crimes


contra a ordem financeira, etc.) não viola este princípio, pois não se está estabelecendo uma
atribuição casuística, apenas para determinado caso, mas uma atribuição abstrata, que se aplicará
a todo e qualquer caso semelhante. É exatamente o mesmo que ocorre em relação às Varas
especializadas.

Princípio da identidade física do Juiz

Vigora no processo penal o princípio da identidade física do Juiz, que significa, basicamente, que
o Juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença. Vejamos o art. 399, §2º do CPP:

Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Por qual razão isso existe? O referido princípio se baseia no fato de que o Juiz que teve contato
direto com a produção da prova em audiência (ouviu as testemunhas, interrogou o réu, etc.) tem
melhores condições de “sentir” o caso e, portanto, será capaz de proferir uma melhor sentença.
Isso mesmo, sentença é uma palavra que deriva do latim sententia, derivada do verbo
sentio/sentire (sentir).

10
Ver, por todos, NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52

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Contudo, existem algumas ressalvas a esta regra. Segundo o STJ, algumas situações afastam a
obrigatoriedade de que o Juiz que presidiu a instrução esteja obrigado a proferir sentença,
devendo ser relativizada a regra do art. 399, §2º do CPP. Isso ocorrerá nas hipóteses de Juiz:

➔ Promovido
➔ Licenciado
➔ Afastado
➔ Convocado
➔ Aposentado

Regra da PLACA (P.L.A.C.A.)!

Vejamos:

Informativo 483 do STJ

“Assim, diante da ausência de outras normas específicas que regulamentem o


mencionado dispositivo legal, o STJ entende dever ser admitida a mitigação do
aludido princípio nos casos de convocação, licença, promoção, aposentadoria ou
afastamento por qualquer motivo que impeça o juiz que presidiu a instrução a
sentenciar o feito, por aplicação analógica, devidamente autorizada pelo art. 3º
do CPP, da regra contida no art. 132 do CPC. Ao prosseguir o julgamento, a
Turma concedeu a ordem para anular a sentença proferida contra o paciente. HC
185.859-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/9/2011. “

Além disso, se o Juiz não mais integrar os quadros do Poder Judiciário (pediu exoneração, por
exemplo), obviamente que a sentença não será proferida por ele.

Este princípio guarda estreita relação com os princípios probatórios da oralidade (privilegiar a
“palavra falada” em relação à “palavra escrita”), da concentração dos atos (sempre que possível
as provas devem ser produzidas todas num só ato processual, numa só audiência) e da
imediatidade ou imediatismo (o Juiz deve estar o mais próximo possível da produção da prova.
Quanto mais próxima a pessoa do Juiz estiver da prova produzida, melhor ele poderá valorar a
prova).

Princípio da vedação às provas ilícitas

No nosso sistema processual penal vige o princípio do livre convencimento motivado do Juiz, ou
seja, o Juiz não está obrigado a decidir conforme determinada prova (confissão, por exemplo),
podendo decidir da forma que entender, desde que fundamente sua decisão em alguma das
provas produzidas nos autos do processo.

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Em razão disso, às partes é conferido o direito de produzir as provas que entendam necessárias
para convencer o Juiz a acatar sua tese. Entretanto, esse direito probatório não é ilimitado,
encontrando limites nos direitos fundamentais previstos na Constituição. Essa limitação
encontra-se no art. 5°, LVI da Constituição. Vejamos:

Art. 5º (...) LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos;

Vejam que a Constituição é clara ao dizer que não se admitem no processo as provas que tenham
sido obtidas por meios ilícitos. Mas o que seriam meios ilícitos? Seriam todos aqueles meios em
que para a obtenção da prova tenha que ser violado um direito fundamental de alguém.

A Doutrina divide as provas ilegais em provas ilícitas (quando violam normas de direito material) e
provas ilegítimas (quando violam normas de direito processual), mas isso não é assunto para esta
aula especificamente.

ATENÇÃO! A doutrina dominante admite a utilização de provas ilícitas quando esta for a única
forma de se obter a absolvição do réu.

Veda-se, também, a utilização de provas ilícitas por derivação, que são aquelas provas obtidas
licitamente, mas que derivam de uma prova ilícita, adotando-se aqui a teoria dos frutos da árvore
envenenada.

EXEMPLO: Imagine que Paulo é indicado como testemunha de um fato criminoso.


Durante a investigação, Paulo, mediante tortura, acaba mencionando que Maria
presenciou o fato criminoso. Maria é devidamente ouvida no processo criminal e seu
depoimento é utilizado para a condenação do réu. Neste caso, o depoimento de
Maria, em si, não é ilícito, pois foi realizado validamente. Todavia, só se chegou até
Maria em razão da tortura realizada sobre Paulo, motivo pelo qual o vício contido no
depoimento de Paulo contamina o depoimento de Maria.

Todavia, é importante destacar que a vedação às provas ilícitas por derivação está prevista
apenas no CPP (art. 157, §1º do CPP), não estando expressamente prevista na Constituição
Federal.

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Princípio da vedação à autoincriminação

Tal princípio, também conhecido como nemo tenetur se detegere, tem por finalidade impedir
que o Estado, de alguma forma, imponha ao réu (ou ao indiciado) alguma obrigação que possa
colocar em risco o seu direito de não produzir provas prejudiciais a si próprio. O ônus da prova
incumbe à acusação, não ao réu.

Este princípio pode ser extraído da conjugação de três dispositivos constitucionais:

➔ Direito ao silêncio
➔ Direito à ampla defesa
➔ Presunção de inocência

Assim, em razão deste princípio, o acusado não é obrigado a praticar qualquer ato que possa ser
prejudicial à sua defesa, como realizar o teste do bafômetro (trata-se de uma fase pré-processual,
mas o resultado seria utilizado posteriormente no processo), fornecer padrões gráficos para
realização de exame grafotécnico, etc. Além disso, o silêncio não pode ser considerado como
confissão e nem pode ser interpretado em prejuízo da defesa, sob pena de esvaziar-se a lógica
de tal garantia.

Podemos dizer, então, que o princípio da vedação à autoincriminação possui alguns


desdobramentos:

⇒ Direito ao silêncio – Trata-se do direito de não responder às perguntas que lhe forem
formuladas.
⇒ Inexigibilidade de dizer a verdade – Tolerância quanto às informações inverídicas
prestadas pelo réu. Como o Brasil não criminaliza o “perjúrio” (mentira realizada pelo
réu em juízo), o processo penal tolera a conduta do réu de mentir em juízo, daí não
resultando qualquer prejuízo para a defesa.
⇒ Direito de não ser compelido a praticar comportamento ATIVO – O réu não pode ser
obrigado a participar ATIVAMENTE da produção de qualquer prova, podendo se
recusar a participar sempre que entender que isso pode prejudicá-lo. Ex.: Não está
obrigado a fornecer padrões gráficos para exame de caligrafia, não está obrigado a
participar da reconstituição (reprodução simulada dos fatos), etc. Todavia, o réu pode
ser obrigado a participar da audiência de reconhecimento (pois não se trata de um
comportamento ativo, e sim passivo. O réu só vai ficar lá, parado, a fim de que a
vítima o reconheça, ou não, como o infrator.
⇒ Direito de não se submeter a procedimento probatório invasivo – Trata-se do direito
de não se submeter a qualquer procedimento que seja realizado por meio de
penetração no corpo humano (Ex.: exame de sangue, endoscopia, etc.).

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A Doutrina, todavia, entende que é possível submeter o acusado a situações nas quais não se
exija uma participação ativa na produção probatória (ex.: obrigatoriedade de comparecer ao local
indicado a fim de que se proceda ao reconhecimento pela vítima).

Princípio do “non bis in idem”

Por este princípio entende-se que uma pessoa não pode ser punida duplamente pelo mesmo
fato. Além disso, estabelece que uma pessoa não possa, sequer, ser processada duas vezes pelo
mesmo fato. Daí podermos dizer que não há, no processo penal, a chamada “revisão pro
societate”.

EXEMPLO: José foi processado pelo crime X. Todavia, como não havia provas, foi
absolvido. Tal decisão transitou em julgado, tornando-se imutável. Todavia, dois meses
depois, surgiram provas da culpa de José. Neste caso, José não poderá ser
processado novamente.

CUIDADO! Uma pessoa não pode ser duplamente processada pelo mesmo fato quando já houve
decisão capaz de produzir coisa julgada material, ou seja, a imutabilidade da decisão
(condenação, absolvição, extinção da punibilidade, etc.). Quando a decisão não faz coisa julgada
material, é possível novo processo (Ex.: Extinção do processo pela rejeição da denúncia, em
razão do descumprimento de uma mera formalidade processual).

Tal princípio veda, ainda, que um mesmo fato, condição ou circunstância seja duplamente
considerado para fins de fixação da pena.

EXEMPLO: José está sendo processado pelo crime de homicídio qualificado pelo
motivo torpe. José é condenado pelo júri e, na fixação da pena, o Juiz aplica a
agravante genérica prevista no art. 61, II, a do CP, cabível quando o crime é praticado
por motivo torpe. Todavia, neste caso, o “motivo torpe” já foi considerado como
qualificadora (tornando a pena mais gravosa – de 06 a 20 anos para 12 a 30 anos),
então não pode ser novamente considerada no mesmo caso. Ou seja, como tal
circunstância (motivo torpe) já qualifica o delito, não pode também servir como
circunstância agravante, sob pena de o agente ser duplamente punido pela mesma
circunstância.

Essa última vertente do referido princípio está mais relacionada ao direito penal que ao direito
processual penal propriamente.

Assim:

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Importante destacar que o STJ possui entendimento consolidado no sentido de que o trânsito
em julgado em processo anterior impede o ajuizamento de nova ação penal pelo mesmo fato,
ainda que a decisão no processo já extinto tenha sido proferida por Juízo absolutamente
incompetente:

“Ainda que se trate de decisão proferida por juiz absolutamente incompetente,


não há dúvidas de que o trânsito em julgado da primeira ação penal impede que
o paciente seja novamente processado e condenado pelos mesmos fatos, o que
ofenderia o princípio que proíbe o bis in idem. Precedentes do STJ.”

(HC n. 362.616/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em


1/12/2016, DJe de 7/12/2016.)

Outro ponto a se destacar é que a vedação ao duplo processo pelo mesmo fato só se aplica às
hipóteses em que a decisão anterior produziu coisa julgada material. Caso contrário, será possível
o manejo de nova ação penal pelo mesmo fato. É o que ocorre, por exemplo, com a sentença
que rejeita a denúncia e extingue o processo, tendo como fundamento, por exemplo, a ausência
de justa causa. Ora, nesse caso, o MP poderá ajuizar nova ação penal pelo mesmo fato, desde
que apresente novos elementos capazes de configurar a justa causa (prova da materialidade e
indícios suficientes de autoria delitiva).

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Quadro-resumo sobre princípios processuais penais

Vamos revisar os princípios do direito processual penal neste pequeno quadro-resumo:

Princípio Definição
Princípio da inércia O Juiz não pode dar início ao processo, pois isto
implicaria em violação da sua imparcialidade.

Princípio do devido Necessidade de respeito às regras processuais


processo legal estabelecidas, que devem garantir às partes o direito de
contraditar as alegações e provas produzidas pela outra
parte, bem como garantir ao acusado o direito à ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes,
desdobrando-se em defesa técnica (realizada por
profissional habilitado) e autodefesa.

Princípio da presunção de Ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito


inocência em julgado de sentença penal condenatória, o que
implica dizer que o indiciado ou acusado deve ser
tratado como presumidamente não culpado (regra de
tratamento), bem como transfere-se para a acusação o
ônus de provar a culpa do acusado (regra probatória).

Princípio da Todas as decisões judiciais devem ser fundamentadas, o


obrigatoriedade de que não impede a utilização de fundamentação mais
sucinta em determinados casos, ou o recurso à
fundamentação das “fundamentação referida” (remeter-se a trechos de
decisões judiciais outra decisão).

Princípio da publicidade Os atos processuais, a princípio, devem ser públicos.


Trata-se de publicidade que não é absoluta, pois a lei
pode limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a
estes.

Princípio da isonomia Deve a lei processual tratar ambas as partes de maneira


processual igualitária, conferindo-lhes os mesmos direitos e
deveres. Porém, é possível que a lei estabeleça algumas
situações aparentemente anti-isonômicas, a fim de
equilibrar as forças dentro do processo (ex.: concessão
de prazo em dobro para a Defensoria Pública).

Princípio do duplo grau de As decisões judiciais devem estar sujeitas à revisão por
jurisdição outro órgão do Judiciário, diverso daquele que proferiu
a decisão e hierarquicamente superior. Não está
expresso na CF/88, mas tem previsão expressa no Pacto
de San José da Costa Rica (Convenção Americana de

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Direitos Humanos), ratificado pelo Brasil.

Princípio do Juiz Natural Toda pessoa tem direito de ser processada e julgada
por um órgão do Poder Judiciário devidamente
investido na função jurisdicional, cuja competência fora
previamente definida de acordo com regras prévias e
abstratas. Veda-se, por consequência, a criação de
Tribunal ou Juízo de exceção, que são aqueles criados
especificamente para o julgamento de um determinado
caso.

Princípio da identidade O Juiz que presidir a instrução deverá proferir a


física do Juiz sentença, por ter tido contato direto com a prova oral
colhida em audiência. Há exceções, como no caso de
Juiz aposentado, promovido, licenciado, afastado ou
convocado.

Princípio da vedação às Não se admite no processo a utilização de provas que


provas ilícitas tenham sido obtidas por meios ilícitos, assim
compreendidas aquelas colhidas com violação a direitos
do indivíduo. Como regra geral, veda-se, também, a
utilização de provas ilícitas por derivação.

Princípio da vedação à O Estado não pode impor ao réu (ou ao indiciado) a


autoincriminação prática de algum ato que possa gerar a produção de
prova contrária aos seus interesses. Desse princípio se
extrai o direito ao silêncio, o direito de não fornecer
padrões gráficos para perícia grafotécnica, de não
realizar o “teste do bafômetro”, etc.

Princípio do “non bis in Uma pessoa não pode ser punida duplamente pelo
idem” mesmo fato, nem pode sequer ser duas vezes
processada pelo mesmo fato. Ademais, um mesmo fato,
condição ou circunstância não pode ser duplamente
valorado em desfavor do acusado.

DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS RELEVANTES


Vamos sintetizar neste tópico algumas disposições constitucionais relativas ao Direito Processual
Penal que, embora relevantes, não podem ser consideradas princípios.

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Direitos constitucionais do preso

A CRFB/88 prevê uma série direitos que são assegurados ao preso. Vejamos:

Art. 5º (...)

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados


imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele
indicada;

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer


calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por
seu interrogatório policial;

LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a
liberdade provisória, com ou sem fiança;

(...)

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar


ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;

Vejam que temos uma série de direitos assegurados ao preso. Tenho um quadrinho abaixo que
pode facilitar a compreensão:

GARANTIAS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS AO PRESO

ADMISSIBILIDADE DA
DEPOIS DE EFETUADA A PRISÃO PARA EVITAR A PRISÃO
PRISÃO

● Flagrante delito ● Comunicação da prisão e ● Liberdade provisória


(sem necessidade de do local em que se encontra o (quando presentes os
ordem judicial) preso IMEDIATAMENTE ao juiz requisitos)
● Por ordem escrita e competente e à família do
fundamentada de

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autoridade judiciária preso ou à pessoa por ele ● Habeas corpus, no


competente, salvo nos indicada. caso de ilegalidade ou
casos de transgressão ● Informação ao preso abuso de poder
militar ou crime sobre seus direitos, entre os
propriamente militar, quais o de permanecer calado,
definidos em lei sendo-lhe assegurada a
assistência da família e de
advogado.
● Identificação dos
responsáveis pela prisão e/ou
interrogatório policial.
● Relaxamento da prisão
que seja ilegal
● Direito de ser colocado
em liberdade, se estiverem
presentes os requisitos para
concessão da liberdade
provisória.

Tribunal do Júri

A Constituição Federal reconhece a instituição do Júri, e estabelece algumas regrinhas. Vejamos:

Art. 5º (...)

XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurados:

a) a plenitude de defesa;

b) o sigilo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

Sem maiores considerações a respeito deste tema, apenas ressaltando que a competência do
Tribunal do Júri abarca os crimes dolosos contra a vida bem como os crimes que forem a eles
conexos (ex.: José estupra Maria e depois mata Joana, única testemunha do caso. Nesta
situação, o Tribunal do Júri é competente para julgar o homicídio doloso de Joana e o crime
estupro contra Maria, que é conexo com o homicídio).

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Importante destacar, ainda, que dois crimes muito comuns não são considerados crimes dolosos
contra a vida:

⇒ Latrocínio (roubo com resultado morte) – Trata-se de crime patrimonial.


⇒ Lesão corporal com resultado morte – A morte, aqui, decorre de culpa, portanto não
se trata de crime doloso contra a vida.

Menoridade Penal

A Constituição prevê, ainda, que os menores de 18 anos são inimputáveis. Vejamos:

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às


normas da legislação especial.

Isso quer dizer que eles não respondem penalmente, estando sujeitos às normas do ESTATUTO
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.

Disposições referentes à execução penal

A Constituição traz, ainda, algumas disposições referentes à execução da pena privativa de


liberdade, de forma a garantir, também ao condenado, condições de cumprimento da pena que
preservem sua dignidade:

Art. 5º (...)

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a


natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer


com seus filhos durante o período de amamentação;

Vale ressaltar que o inciso XLVIII é uma espécie de materialização do princípio da individualização
da pena, pois busca uma execução da pena mais racional, evitando-se que presos de perfis
distintos venham a cumprir pena juntos.

Outras disposições constitucionais referentes ao processo


penal

A Constituição nos traz, ainda, algumas outras disposições relevantes. Vejamos:

Art. 5º (...)

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XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de


dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal
ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996)

(...)

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

(...)

LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo


nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento).

LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal;

(...)

LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que
ficar preso além do tempo fixado na sentença;

Vamos tecer breves considerações:

● INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA (inciso XII) – Atualmente está regulamentada pela


Lei 9.296/96. Constitucionalmente só se admite para instrução processual penal ou
investigação criminal, sempre por ordem JUDICIAL (Chamada “cláusula de RESERVA
DE JURISDIÇÃO”).
● PROVAS ILÍCITAS (inciso LVI) – Tais provas são vedadas no processo penal (e em
qualquer processo), estando regulamentadas no CPP (art. 157), que veda, inclusive as
provas que sejam derivadas das ilícitas. A Doutrina, contudo, vem admitindo a
utilização destas provas quando for a ÚNICA maneira de provar a inocência do
acusado.
● VEDAÇÃO À IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL (inciso LVIII) – A identificação criminal
(registro datiloscópico, fotografia em sede policial, e outros registros biométricos,
etc.) é meio deveras vexatório, não sendo admitido para aquele que for civilmente
identificado, bem como nos demais casos previstos em Lei (Para esta aula não nos
aprofundaremos no tema).
● AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA (inciso LIX) – Trata-se de uma
modalidade de ação penal na qual o ofendido oferece a queixa (ação penal privada)
em crime de ação pública (No qual não caberia ação privada) em razão da inércia do
MP. Está regulamentada no CPP, em seu art. 29 e seguintes.
● INDENIZAÇÃO AO CONDENADO POR ERRO E AO QUE CUMPRIR PENA ALÉM
DO PRAZO (inciso LXXV) – Com relação a este inciso, apenas uma observação: O
preso provisório não tem direito à indenização caso, posteriormente, seja
considerado inocente. Isto porque a prisão provisória tem natureza cautelar, e não se
fundamenta na culpa do indiciado/acusado. Assim, a posterior sentença absolutória
não representa assunção, pelo Estado, de um “erro” anterior.

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SISTEMAS PROCESSUAIS

Os sistemas processuais são basicamente três:

➔ Inquisitivo – O poder se concentra nas mãos do julgador, que acumula funções de


Juiz e acusador. Neste sistema predomina o sigilo procedimental, a confissão é tida
como prova máxima e o contraditório e a ampla defesa são quase inexistentes. Não
há possibilidade de recusa do julgador e o processo é eminentemente escrito (e
sigiloso).

➔ Acusatório – Neste sistema há separação clara entre as figuras do acusador e do


==16c639==

julgador, vigorando o contraditório, a ampla defesa e a isonomia entre as partes. A


publicidade impera e há possibilidade de recusa do Juiz (suspeição, por exemplo).
Há restrição à atuação do Juiz na fase investigatória, sendo esta atuação bastante
limitada (ex.: impossibilidade de decretação da prisão preventiva “de ofício”).

➔ Misto – Neste sistema são mesclados determinados aspectos de cada um dos


outros dois sistemas. Geralmente a primeira fase (investigação) é
predominantemente inquisitiva e a segunda fase (processo judicial) é
eminentemente acusatória.

A Doutrina não era unânime, mas prevalecia o entendimento de que o Brasil havia adotado um
sistema predominantemente acusatório (para alguns, MISTO), por diversas razões, dentre elas:

➔ Existe uma etapa genuinamente inquisitiva – Inquérito policial

➔ O Juiz podia (até 2019), de ofício, produzir provas (sem requerimento de ninguém)

➔ O Juiz podia, de ofício, decretar a prisão preventiva do acusado (no curso do


processo)

Todas estas circunstâncias conduziam à interpretação de que o Brasil havia adotado um sistema
predominantemente acusatório (para alguns, MISTO11).

Todavia, a Lei 13.964/19 (chamado “pacote anticrime”) criou a figura do Juiz das Garantias,
acabando de vez com a discussão, estabelecendo um sistema inegavelmente acusatório ao
processo penal brasileiro.

11
Alguns se referem a um sistema de aparência acusatória ou inquisitivo garantista.

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Vejamos a redação do art. 3º-A do CPP:

Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.298)
(Vide ADI 6.300) (Vide ADI 6.305)

Como se vê, atualmente o CPP prevê de forma expressa que nosso sistema processual penal é
acusatório, limitando-se a atuação “ex officio” do Juiz, bem como limitando sua iniciativa
probatória, como forma de reforçar sua imparcialidade.

Importante fazer uma ressalva no que tange aos poderes instrutórios do Juiz (poderes relativos à
produção probatória).

No que tange à produção probatória pelo Juiz, dois são os sistemas que podem ser adotados:
“adversarial system” e “inquisitorial system”.

No chamado “sistema adversarial” (“adversarial system”) há predominância das partes na


produção probatória, de maneira que o Juiz atuaria como mero espectador, aguardando a
produção probatória pelas partes e, ao final, decidindo.

Já no sistema inquisitorial (“inquisitorial system”), que não se confunde com “processo penal
inquisitivo”, o Juiz, sem se afastar de sua posição de julgador, pode ter iniciativa probatória em
certos casos. Ou seja, o Juiz pode ter a iniciativa probatória em certos casos, de forma
excepcional e subsidiária, sem perder com isso a sua imparcialidade.

Um sistema acusatório (referente ao processo penal como um todo) pode adotar, no que se
refere à iniciativa probatória pelo Juiz, tanto o sistema adversarial (que concentra nas mãos das
partes a iniciativa probatória) quanto o sistema inquisitorial (que confere ao Juiz a iniciativa
probatória em certos casos). Desta forma, podemos ter um sistema acusatório em que somente
as partes podem ter a iniciativa probatória (sistema acusatório-adversarial), bem como um sistema
acusatório no qual o Juiz possa, em certos casos, determinar de ofício a produção de alguma
prova (sistema acusatório-inquisitório), que é o adotado no Brasil.

Vamos a um quadro comparativo com as principais características dos sistemas inquisitivo e


acusatório:

Inquisitivo Acusatório (adotado no Brasil)


Acusador e julgador se confundem na mesma Clara separação entre as funções de acusar e
pessoa julgar

Juiz tem ampla liberdade para agir de ofício Limitação da atuação “ex officio” do Juiz
(sem provocação)

Contraditório e ampla defesa limitados ou Contraditório e ampla defesa como garantias

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inexistentes do indivíduo

Predomina o sigilo Predomina a publicidade

Juiz-inquisidor, com amplos poderes Iniciativa probatória delegada às partes


instrutórios (iniciativa probatória) (iniciativa probatória do Juiz apenas de forma
excepcional e subsidiária)

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​ JUIZ DAS GARANTIAS

Introdução acerca do Juiz das Garantias

A figura do Juiz das Garantias está prevista nos arts. 3º-A a 3º-F do CPP (todos estes artigos
incluídos pela Lei 13.964/19):

Juiz das Garantias

Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação.

Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da


investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia
tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe
especialmente:

I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput


do art. 5º da Constituição Federal;

II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão,


observado o disposto no art. 310 deste Código;

III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este
seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo;

IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal;

V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar,


observado o disposto no § 1º deste artigo;

VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como


substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do
contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou
em legislação especial pertinente;

VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas


consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla
defesa em audiência pública e oral;

VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em


vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no
§ 2º deste artigo;

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IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver


fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento;

X - requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o


andamento da investigação;

XI - decidir sobre os requerimentos de:

a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática


e telemática ou de outras formas de comunicação;

b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico;

c) busca e apreensão domiciliar;

d) acesso a informações sigilosas;

e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do


investigado;

XII - julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia;

XIII - determinar a instauração de incidente de insanidade mental;

XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399
deste Código;

XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao


investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e
provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne,
estritamente, às diligências em andamento;

XVI - deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a


produção da perícia;

XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de


colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação;

XVIII - outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo.

§ 1º O preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será


encaminhado à presença do juiz de garantias no prazo de 24 (vinte e quatro)
horas, momento em que se realizará audiência com a presença do Ministério
Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, vedado o emprego
de videoconferência.

§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante


representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar,
uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se

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ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente


relaxada.’

Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais,
exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia
ou queixa na forma do art. 399 deste Código.

§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo


juiz da instrução e julgamento.

§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da


instrução e julgamento, que, após o recebimento da denúncia ou queixa, deverá
reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de
10 (dez) dias.

§ 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias


ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério Público e
da defesa, e não serão apensados aos autos do processo enviados ao juiz da
instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas
irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que
deverão ser remetidos para apensamento em apartado.

§ 4º Fica assegurado às partes o amplo acesso aos autos acautelados na


secretaria do juízo das garantias.

Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas
competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no
processo.

Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais


criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições
deste Capítulo.

Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de


organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando
critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal.

Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade
com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão,
sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal.

Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar,


em 180 (cento e oitenta) dias, o modo pelo qual as informações sobre a
realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e
respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas
à imprensa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à
informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão.

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Em linhas gerais, a criação do Juiz das Garantias atende a um anseio antigo de boa parte da
comunidade jurídica, que já enxergava a necessidade de um Juiz que atuasse exclusivamente na
fase de investigação.

Mas, professor, por qual razão seria necessário um Juiz apenas para a fase de investigação e
outro para a efetiva instrução e julgamento do processo futuramente? A lógica é bastante
simples. Durante a investigação, existem diversas situações nas quais é necessária a atuação de
um Magistrado (autorizar busca e apreensão, interceptação telefônica, decretar prisão preventiva,
etc.). Este Juiz que atua durante a investigação acaba se envolvendo demais com a atividade
investigatória, acaba por atuar durante meses (às vezes anos) “ao lado” dos órgãos da
persecução penal (autoridade policial e membro do MP), ouvindo suas teses, suas conjecturas,
etc. Isso faz com que este Magistrado muitas vezes se sinta “parte” da atividade persecutória (e
não é), de maneira que a futura denúncia contra o réu seria, em grande parte, fruto também do
seu trabalho durante a investigação.

Ok, professor, e daí? E daí que quem enxerga ter parcela de responsabilidade por tudo o que foi
produzido na investigação acaba por olhar de forma PARCIAL para a denúncia, afinal de contas,
ninguém gosta de ver seu trabalho jogado no lixo. Isso poderia conduzir a uma tendência de
olhar para a denúncia com ótimos olhos, tendendo a julgá-la procedente (condenando o
acusado). A condenação em si não é o problema, o problema seria olhar para a denúncia já com
olhos de condenação, quando, na verdade, o Juiz deve se manter ABSOLUTAMENTE IMPARCIAL
(equidistante da acusação e da defesa).

Assim, a criação do Juiz das Garantias acaba por distanciar o julgador (aquele Juiz que
efetivamente irá julgar o caso) da investigação, o que o deixa ainda mais equidistante das partes
(o Juiz deve ser imparcial, não pendendo nem para a acusação nem para a defesa).

Todavia, não é possível estudar a figura do Juiz das Garantias sem a análise da decisão proferida
pelo STF quando do julgamento conjunto das ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, que questionavam
a constitucionalidade de diversos pontos a respeito dos arts. 3º-A a 3º-F do CPP (além de alguns
outros dispositivos).

O STF, ao julgar as referidas ADIs, afirmou a absoluta constitucionalidade da figura do Juiz das
Garantias, consignando que “a instituição do “juiz das garantias” pela Lei nº 13.964/19 veio a
reforçar o modelo de processo penal preconizado pela Constituição de 1988. Tal medida
constitui uma alteração sem precedentes em nosso processo penal, o qual tem, paulatinamente,
caminhado para um fortalecimento do modelo acusatório.”.1

Assim, vamos analisar cada um dos dispositivos legais à luz não só do texto legal, mas também
da interpretação conferida pelo STF.

Importante frisar, porém, que o tópico a seguir irá passear por alguns pontos do direito
processual penal cujo aprofundamento não seria adequado nessa aula, que possui caráter mais
introdutório. Assim, exemplificativamente, ao falarmos sobre a competência do Juiz das garantias
para decidir sobre prorrogação do prazo de conclusão do inquérito policial, não vamos nos

1
(ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n
DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

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alongar sobre o tema, já que tal aprofundamento deve ser realizado quando se estuda inquérito
policial.

Art. 3º-A do CPP

Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação.

Como se vê, logo de início o art. 3º-A já estabelece que o processo penal brasileiro terá estrutura
acusatória, derrubando a discussão anteriormente existente na Doutrina. Para endossar a opção
pela estrutura acusatória (mais condizente com um Estado que se pretenda democrático de
Direito), o referido dispositivo passou a estabelecer vedações no processo penal:

⇒ VEDADA a iniciativa do juiz na fase de investigação – Todas as eventuais


disposições do CPP (e de leis especiais) relativas à atuação do Juiz “ex officio” (sem
provocação) na fase de investigação passam a ser consideradas tacitamente
revogadas. O Juiz, agora, só pode agir durante a fase pré-processual se houver
provocação (em regra, do MP ou da autoridade policial);

⇒ VEDADA a substituição da atuação probatória do órgão de acusação – Crítica


antiga da Doutrina mais abalizada, a atuação proativa do Juiz na produção de
provas restou severamente restringida. A antiga possibilidade de, mesmo antes de
iniciada a ação penal, determinar “ex officio” (sem provocação) a produção
antecipada de provas urgentes e relevantes (prevista no art. 156, I do CPP), parece
não estar mais de acordo com o novo sistema do Juiz das Garantias, até porque o
art. 3º-B do CPP trata como uma das competências do Juiz das Garantias “decidir
sobre o REQUERIMENTO de produção antecipada de provas consideradas
urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Ou seja,
ao que parece, o Juiz das Garantias (aquele que irá atuar na fase pré-processual,
acompanhando a investigação) não poderá determinar a produção antecipada de
provas sem que haja provocação.

Posição do STF quanto ao art.3-A do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à CRFB/88, para
assentar que o juiz, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode determinar a
realização de diligências suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre questão relevante
para o julgamento do mérito.

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O STF ressaltou que a estrutura acusatória, prevista na primeira parte do art. 3º-A, “apenas torna
expresso, no texto do Código de Processo Penal, o princípio fundamental do processo penal
brasileiro, extraído da sistemática constitucional, na esteira da doutrina e da jurisprudência
pátrias.”2

Ou seja, para o STF, a primeira parte do dispositivo (“o processo penal terá estrutura acusatória”)
apenas positiva, ou seja, coloca expressamente no texto legal aquilo que já era a compreensão
da doutrina e da jurisprudência com base na sistemática constitucional brasileira. A CF/88, de
índole claramente garantista, somente poderia admitir um processo penal de estrutura
acusatória, o que agora está expressamente dito no texto do CPP.

Quanto à segunda parte do dispositivo, o STF assentou que apenas reforça o caráter acusatório
do sistema processual penal brasileiro, como forma de assegurar a equidistância do Juiz em
relação às partes e, consequentemente, sua imparcialidade, evitando-se a figura do “Juiz
protagonista”:

“(...) e) Deriva do princípio acusatório a vedação, a priori, à iniciativa do juiz na


fase de investigação e a substituição da atuação probatória das partes. A posição
do juiz no processo é regida pelos princípios da imparcialidade e da
equidistância, porquanto “[...] A separação entre as funções de acusar defender e
julgar é o signo essencial do sistema acusatório de processo penal (Art. 129, I,
CRFB), tornando a atuação do Judiciário na fase pré-processual somente
admissível com o propósito de proteger as garantias fundamentais dos
investigados” (ADI 4414, Relator Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em
31/05/2012). (f) A legítima vedação à substituição da atuação probatória do
órgão de acusação significa que o juiz não pode, em hipótese alguma, tornar-se
protagonista do processo. Simultaneamente, remanesce a possibilidade de o juiz,
de ofício: (a) “determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a
realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante” (artigo 156,
II); (b) determinar a oitiva de uma testemunha (artigo 209); (c) complementar a
sua inquirição (artigo 212) e (d) “proferir sentença condenatória, ainda que o
Ministério Público tenha opinado pela absolvição” (artigo 385). (g) Diante da
obrigatoriedade e da indisponibilidade que caracterizam a ação penal pública no
direito processual penal brasileiro, as manifestações do Ministério Público
submetem-se ao controle judicial, no âmbito do qual compete aos juízes
competentes para o julgamento da ação penal impedir que, direta ou
indiretamente, aqueles princípios sejam violados nos autos. Deveras, os institutos
da desistência ou da perempção são aplicáveis exclusivamente às ações penais
privadas. (h) Como registrado em sede jurisprudencial, “A submissão do
magistrado à manifestação final do Ministério Público, a pretexto de
supostamente concretizar o princípio acusatório, implicaria, em verdade,
subvertê-lo, transmutando o órgão acusador em julgador e solapando, além da
independência funcional da magistratura, duas das basilares características da
jurisdição: a indeclinabilidade e a indelegabilidade.” (REsp n. 2.022.413/PA,
relator Ministro Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023, DJe de 7/3/2023.) (i) Nestes
2
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

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termos, o novo artigo 3º-A do Código de Processo Penal, na redação dada pela
Lei 13.964/2019, deve ser interpretado de modo a vedar a substituição da
atuação de qualquer das partes pelo juiz, sem impedir que o magistrado,
pontualmente, nos limites legalmente autorizados, determine a realização de
diligências voltadas a dirimir dúvida sobre ponto relevante.

(ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023,


PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

A interpretação dada pelo STF apenas reforça o texto legal, ao estabelecer que ao Juiz não é
lícito tomar as “rédeas” da produção probatória, de forma que o Juiz até pode tomar a iniciativa
de determinar a realização de alguma diligência probatória para dirimir dúvida sobre ponto
relevante do mérito da causa, mas sempre de forma suplementar em relação à atuação das
partes, a quem a lei confere primazia na iniciativa da produção probatória.

Art. 3º-B do CPP

Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da


investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia
tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe
especialmente:

I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput


do art. 5º da Constituição Federal;

II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão,


observado o disposto no art. 310 deste Código;

III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este
seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo;

IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal;

V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar,


observado o disposto no § 1º deste artigo;

VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como


substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do
contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou
em legislação especial pertinente;

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VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas


consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla
defesa em audiência pública e oral;

VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em


vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no
§ 2º deste artigo;

IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver


fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento;

X - requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o


andamento da investigação;

XI - decidir sobre os requerimentos de:

a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática


e telemática ou de outras formas de comunicação;

b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico;

c) busca e apreensão domiciliar;

d) acesso a informações sigilosas;

e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do


investigado;

XII - julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia;

XIII - determinar a instauração de incidente de insanidade mental;

XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399
deste Código;

XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao


investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e
provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne,
estritamente, às diligências em andamento;

XVI - deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a


produção da perícia;

XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de


colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação;

XVIII - outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo.

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§ 1º O preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será


encaminhado à presença do juiz de garantias no prazo de 24 (vinte e quatro)
horas, momento em que se realizará audiência com a presença do Ministério
Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, vedado o emprego
de videoconferência.

§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante


representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar,
uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se
ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente
relaxada.’

Todavia, o STF declarou a inconstitucionalidade de alguns desses dispositivos ou conferiu a eles


interpretação conforme à Constituição, como veremos a seguir:

Posição do STF quanto ao art.3-B, CAPUT, do CPP - Foi declarado CONSTITUCIONAL pelo STF,
tendo sido fixado, porém, prazo de 12 (doze) meses, a contar da publicação da ata do
julgamento (agosto de 2023), para que sejam adotadas as medidas legislativas e administrativas
necessárias à adequação das diferentes leis de organização judiciária, à efetiva implantação e ao
efetivo funcionamento do juiz das garantias em todo o país, tudo conforme as diretrizes do
Conselho Nacional de Justiça e sob a supervisão dele, podendo o prazo ser prorrogado uma
única vez, por no máximo 12 (doze) meses.

Assim, foi reconhecida a manifesta irrazoabilidade do período de “vacatio legis” previsto na Lei
13.964/19 (30 dias) no que tange à implementação do “Juízo das garantias” em todo o território
nacional, dadas as enormes dificuldades e os enormes custos para sua implantação.

Por conta disso, foi declarada a inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, do art. 20 da Lei
13.964/2019, no que se refere à fixação do prazo de 30 dias para a instalação dos juízes das
garantias.

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, incisos IV, VIII e IX do CPP - Foi atribuída interpretação
conforme à CRFB/88, para que todos os atos praticados pelo Ministério Público como condutor
de investigação penal se submetam ao controle judicial (HC 89.837/DF, Rel. Min. Celso de Mello),
bem como foi fixado o prazo de até 90 (noventa) dias, contados da publicação da ata do
julgamento, para os representantes do Ministério Público encaminharem, sob pena de nulidade,
todos os PIC (Procedimentos investigatórios criminais) e outros procedimentos de investigação
criminal, mesmo que tenham outra denominação, ao respectivo juiz natural, independentemente
de o juiz das garantias já ter sido implementado na respectiva jurisdição.

A razão da decisão reside no fato de que a supervisão da investigação criminal não se restringe
ao inquérito policial, mas aos demais procedimentos de igual natureza, cuja instauração não
configura evento isolado, mas algo frequente:

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“(d) Considerada a frequente instauração de investigações criminais, sob outros


títulos que não o de inquérito, deve ser dada interpretação conforme à
Constituição aos referidos incisos, de modo a determinar que que todos os atos
praticados pelo Ministério Público como condutor de investigação penal se
submetam ao controle judicial (HC 89.837/DF, Rel. Min. Celso de Mello) e fixar o
prazo de até 90 (noventa) dias, contados da publicação da ata do julgamento,
para os representantes do Ministério Público encaminharem, sob pena de
nulidade, todos os PIC e outros procedimentos de investigação criminal, mesmo
que tenham outra denominação, ao respectivo juiz natural, independentemente
de o juiz das garantias já ter sido implementado na respectiva jurisdição (...) “

(ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023,


PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso VI do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para prever que o exercício do contraditório será preferencialmente em audiência
pública e oral. Trata-se de interpretação bastante relevante, pois o texto legal, numa
interpretação literal, impunha a obrigatoriedade de que o contraditório acerca da prorrogação de
prisão provisória ou outra medida cautelar pelo Juiz das Garantias deveria ser exercido em
audiência pública e oral. Com o entendimento firmado pelo STF, tal obrigatoriedade caiu por
terra, restando assentado que o exercício do contraditório nestes casos será preferencialmente
em audiência pública e oral.

No entendimento do STF, a exigência de audiência pública e oral para a prorrogação de medidas


cautelares simplesmente inviabiliza totalmente a efetividade da investigação e não agrega
qualquer valor à utilidade do processo e à viabilidade da prestação jurisdicional, configurando
medida absolutamente desproporcional.

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso VII do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para estabelecer que o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco
para o processo, ou diferi-la em caso de necessidade. Assim, no caso de decisão do Juiz das
Garantias a respeito do requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes
e não repetíveis, o contraditório e a ampla defesa PODERÃO ser exercidos em audiência pública
e oral, mas o Juiz poderá deixar de realizar a audiência quando houver risco para o processo, ou
diferi-la em caso de necessidade.

No entendimento do STF, a exigência de audiência pública e oral para a produção antecipada de


provas simplesmente inviabiliza por completo a efetividade da investigação e não agrega
qualquer valor à utilidade do processo e à viabilidade da prestação jurisdicional, configurando
medida absolutamente desproporcional.

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso XIV do CPP - Foi declarada a
INCONSTITUCIONALIDADE do inciso XIV do art. 3º-B do CPP, e atribuída interpretação

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conforme para assentar que a competência do juiz das garantias cessa com o oferecimento da
denúncia.

Trata-se de entendimento bastante relevante, na medida em que o inciso XIV do art. 3º-B
estabelece que caberia ao Juiz das Garantias decidir sobre o recebimento da denúncia ou
queixa. Para o STF, portanto, tal previsão é INCONSTITUCIONAL, cabendo ao Juiz da causa
(aquele que irá julgar o processo) decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, de
maneira que a competência do Juiz das Garantias se encerra no momento em que há o
oferecimento da denúncia (ação penal pública) ou da queixa-crime (ação penal privada).

No corretíssimo entendimento do STF, a previsão legal de que a competência do Juiz das


Garantias se estenderia até o recebimento da denúncia ou queixa é incompatível com a própria
sistemática do Juiz das Garantias, já que caberia ao Juiz das Garantias, de acordo como está no
texto legal, determinar a citação do réu, analisar a resposta à acusação e, até mesmo, decidir
pela absolvição sumária, pois se trata de momento anterior ao recebimento da denúncia ou
queixa. Isso, evidentemente, não é compatível com a figura do Juiz das Garantias, pois extrapola
o que se pode compreender como competência de um Juízo que seja “garantidor das garantias”
durante a fase pré-processual.

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, § 1º do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para estabelecer que “o preso em flagrante ou por força de mandado de prisão
provisória será encaminhado à presença do juiz das garantias, no prazo de 24 horas, salvo
impossibilidade fática, momento em que se realizará a audiência com a presença do ministério
público e da defensoria pública ou de advogado constituído, cabendo, excepcionalmente, o
emprego de videoconferência, mediante decisão da autoridade judiciária competente, desde
que este meio seja apto à verificação da integridade do preso e à garantia de todos os seus
direitos.”
Ou seja, apesar da vedação legal expressa ao uso de videoconferência para a realização de
audiência de custódia, o STF entendeu que o uso de videoconferência não está vedado por
completo, podendo ser realizada a audiência de custódia por videoconferência
excepcionalmente, quando:

➢ Houver impossibilidade fática de apresentação do preso; e

➢ Este meio seja apto à verificação da integridade do preso e à garantia de todos os seus
direitos;

No entendimento do STF, “os parágrafos 1º e 2º do artigo 3º-B estabelecem prazos impreteríveis,


improrrogáveis e que, muitas vezes, em razão de peculiaridades do caso concreto, podem se
revelar exíguos para a realização da audiência de custódia ou a conclusão da investigação.”3

Dessa forma, o STF reconheceu que tais dispositivos são manifestamente irrazoáveis, e qualquer
interpretação “que imponha prazos improrrogáveis e deles extraia presunções absolutas e

3
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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abstratas de ilegalidade da prisão cautelar, sem permitir prévia decisão da autoridade judiciária
competente, fundamentada na periculosidade do agente e na complexidade do caso” irá ferir o
direito fundamental à inafastabilidade da jurisdição.

Especificamente quanto ao prazo, supostamente peremptório, para a realização da audiência de


custódia, o texto legal desconsiderou, por completo, as diversas peculiaridades locais que são
encontradas num país de dimensões continentais como o Brasil. Há cidades extremamente
isoladas, cujo acesso se dá apenas por meio fluvial ou por estradas que dependem de condições
climáticas favoráveis para que sejam transitáveis. Assim, a realidade das grandes capitais não é a
mesma em todos os locais do país, de maneira que a vedação absoluta ao emprego de
videoconferência se mostra irrazoável.

==16c639==

Posição do STF quanto ao art. 3º-B, § 2º do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para definir que: “a) o juiz pode decidir de forma fundamentada, reconhecendo a
necessidade de novas prorrogações do inquérito, diante de elementos concretos e da
complexidade da investigação; e b) a inobservância do prazo previsto em lei não implica a
revogação automática da prisão preventiva, devendo o juízo competente ser instado a avaliar os
motivos que a ensejaram, nos termos da ADI nº 6.581;”

Em linhas gerais, o STF concluiu que:

➢ O Juiz pode, por representação do delegado e a requerimento do MP, prorrogar o prazo


de conclusão do Inquérito Policial com indiciado preso por MAIS DE UMA vez, se isso se
mostrar necessário diante da complexidade da investigação;

➢ Ainda que não seja observado o prazo legal de conclusão do inquérito policial com
indiciado preso, isso não gera ilegalidade automática da prisão, devendo ser provocado o
Juízo competente para que avalie se é o caso de revogar ou não a prisão preventiva
decretada.

No entendimento do STF, “os parágrafos 1º e 2º do artigo 3º-B estabelecem prazos impreteríveis,


improrrogáveis e que, muitas vezes, em razão de peculiaridades do caso concreto, podem se
revelar exíguos para a realização da audiência de custódia ou a conclusão da investigação.”4

Assim, após a análise do texto legal e da interpretação conferida pelo STF aos referidos
dispositivos, podemos concluir que o Juiz das Garantias tem competência para:

⇒ Receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º
da Constituição Federal

4
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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⇒ Receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão


⇒ Zelar pela observância dos direitos do preso
⇒ Ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal
⇒ Decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar
⇒ Prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou
revogá-las
⇒ Decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e
não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa (preferencialmente em
audiência pública e oral)
⇒ Prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso (cabendo
prorrogação por mais de uma vez)
⇒ Determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável
para sua instauração ou prosseguimento
⇒ Requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o andamento
da investigação
⇒ Decidir sobre os requerimentos de:
▪ interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de
informática e telemática ou de outras formas de comunicação;
▪ afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico;
▪ busca e apreensão domiciliar;
▪ acesso a informações sigilosas;
▪ outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do
investigado;

⇒ Julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia (desde que,


naturalmente, a autoridade coatora não seja de igual ou superior hierarquia)
⇒ Determinar a instauração de incidente de insanidade mental
⇒ Assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e
ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no
âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em
andamento
⇒ Deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção da perícia
⇒ Decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de colaboração
premiada, quando formalizados durante a investigação
⇒ Realizar audiência de custódia (que pode, excepcionalmente, ser realizada por
videoconferência)
⇒ Outras matérias inerentes às atribuições relativas à supervisão da investigação criminal

Como se vê, o Juiz das Garantias deverá atuar desde o início da investigação criminal5 até o
oferecimento da denúncia ou queixa (a previsão de que sua competência se estenderia até o
recebimento da denúncia ou queixa foi considerada inconstitucional).

5
A propósito, como vimos, o Juiz das Garantias deve ser informado sobre a instauração de qualquer investigação
criminal (não apenas inquérito policial).

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Art. 3º-C do CPP

Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais,
exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia
ou queixa na forma do art. 399 deste Código.

§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo


juiz da instrução e julgamento.

§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da


instrução e julgamento, que, após o recebimento da denúncia ou queixa, deverá
reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de
10 (dez) dias.

§ 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias


ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério Público e
da defesa, e não serão apensados aos autos do processo enviados ao juiz da
instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas
irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que
deverão ser remetidos para apensamento em apartado.

§ 4º Fica assegurado às partes o amplo acesso aos autos acautelados na


secretaria do juízo das garantias.

Posição do STF quanto ao art. 3º-C, primeira parte, do CPP - Foi atribuída interpretação
conforme à CRFB/88, para esclarecer que as normas relativas ao juiz das garantias não se aplicam
às seguintes situações:

➔ Processos de competência originária dos Tribunais - Estes processos possuem


regulamentação própria, sendo regidos pela Lei nº 8.038/1990, sendo que o julgamento
se dá de forma coletiva, reforçando a imparcialidade do julgador;

➔ Processos de competência do tribunal do júri - Não faz sentido a aplicação da figura do


Juiz das Garantias, na medida em que o julgamento não é realizado pelo Juiz togado, mas
pelo Conselho de Sentença, reforçando a imparcialidade de quem julga;

➔ Casos de violência doméstica e familiar - Para o STF, realizar esta “cisão rígida” entre as
fases da persecução penal (fase de investigação e fase de instrução e julgamento)
dificultaria que o juiz viesse a ter conhecimento pleno de toda a dinâmica do contexto da
agressão, o que poderia dificultar o amparo à vítima da violência;

➔ Infrações penais de menor potencial ofensivo - No caso das infrações de menor potencial
ofensivo, a inaplicabilidade da figura do Juiz das Garantias decorre do próprio texto legal.

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Posição do STF quanto ao art. 3º-C, segunda parte, do CPP (“(...) e cessa com o recebimento da
denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código. “) - Tal previsão foi DECLARADA
INCONSTITUCIONAL, sendo atribuída interpretação conforme para assentar que a competência
do juiz das garantias cessa com o oferecimento da denúncia ou queixa, pelos motivos já
delineados anteriormente.

Posição do STF quanto ao art. 3º-C, § 1º do CPP - Foi declarada a INCONSTITUCIONALIDADE


do termo “Recebida”, contido no § 1º do art. 3º-C do CPP, bem como foi atribuída interpretação
conforme à CRFB-88 ao dispositivo para assentar que, oferecida a denúncia ou queixa, as
questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento, pelos mesmos motivos
do dispositivo analisado anteriormente.

Posição do STF quanto ao art. 3º-C, § 2º do CPP - Foi declarada a INCONSTITUCIONALIDADE


do termo “Recebimento”, contido no § 2º do art. 3º-C do CPP, bem como foi atribuída
interpretação conforme à CRFB-88 ao dispositivo, para assentar que, após o oferecimento da
denúncia ou queixa, o juiz da instrução e julgamento deverá reexaminar a necessidade das
medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 (dez) dias, pelos motivos já delineados
anteriormente.

Posição do STF quanto ao art. 3º-C, §§ 3º e 4º do CPP - Foi declarada a


INCONSTITUCIONALIDADE com redução de texto, dos §§ 3º e 4º do art. 3º-C do CPP, incluídos
pela Lei nº 13.964/2019, e atribuir interpretação conforme para entender que os autos que
compõem as matérias de competência do juiz das garantias serão remetidos ao juiz da instrução
e julgamento.

No entendimento do STF, há manifesta irrazoabilidade na previsão de que os autos do inquérito


devem permanecer acautelados secretaria do juízo das garantias, já que está baseada na ideia de
que o juiz da ação penal (o Juiz da causa, aquele que vai julgar o processo), “ao tomar
conhecimento dos autos da investigação, perderia sua imparcialidade para o julgamento do
mérito”.6 Porém, o Juiz da causa precisa decidir sobre o recebimento, ou não, da inicial
acusatória, analisando, fundamentadamente, se há justa causa (prova da materialidade e indícios
suficientes de autoria), de forma que necessita ter acesso aos autos da investigação criminal.

Como se vê, mais uma vez temos uma série de interpretações dadas pelo STF e que devem ser
consideradas pelo aluno.

Assim, em resumo, uma vez OFERECIDA a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão
decididas pelo juiz da instrução e julgamento. Ademais, as decisões proferidas pelo juiz de
garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento, que deverá reexaminar a necessidade
das medidas cautelares em curso (prisão preventiva, medida cautelar diversa da prisão, etc.), no
prazo máximo de 10 dias.

6
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

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Por fim, considerando a interpretação do STF, os autos que compõem as matérias de


competência do juiz das garantias serão enviados ao juiz da instrução e julgamento, devendo ser
apensados aos autos principais.

Art. 3º-D e 3º-E do CPP

Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas
competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no
processo.

Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais


criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições
deste Capítulo.

Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de


organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando
critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal.

O caput do art. 3º-D foi declarado INCONSTITUCIONAL pelo STF, bem como foi declarada a
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL do parágrafo único do mesmo art. 3º-D do CPP.

Quanto ao “caput” do art. 3º-D, o STF fundamentou sua decisão no fato de que o referido
dispositivo estabelece uma espécie de presunção legal absoluta (juris et de jure, e não juris
tantum) de parcialidade do juiz apenas pelo fato de ter proferido decisões na fase do inquérito, o
que implica o inconcebível reconhecimento de que o Juiz seria incapaz de julgar sem estar
enviesado pela sua atuação na fase anterior. Vejamos:

(g) A Lei 13.964/2019 estabeleceu, assim, uma presunção legal absoluta (juris et
de jure, e não juris tantum) de parcialidade do juiz que, no exclusivo exercício da
função jurisdicional, tenha proferido decisões na fase do inquérito.

(...)

(j) A presunção absoluta do viés de confirmação de decisões pretéritas, que


inspirou o artigo 3º-D da Lei 13.964/2019, nutre-se de convicções opostas,
admitindo, como regra, a irracionalidade do juiz e sua incapacidade para tomar
decisões fundadas em dados e elementos objetivos de convicção, deixando-se
guiar por heurísticas e vieses inconscientes de confirmação, sem quaisquer
fundamentos.

(l) Diante da manifesta irrazoabilidade da norma de impedimento estabelecida


no artigo 3º-D do Código de Processo Penal, incluída pela Lei 13.964/2019, deve
ser declarada sua inconstitucionalidade material.

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ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023,


PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

No que tange ao parágrafo único do art. 3º-D, trata-se de dispositivo que cria típica norma de
organização judiciária, de maneira que configura usurpação de competência legislativa das
unidades federadas (Estados-membros), com iniciativa legislativa exclusiva do Poder Judiciário
respectivo, de maneira que o dispositivo padece de inconstitucionalidade formal.

Já quanto ao art. 3º-E do CPP, foi atribuída interpretação conforme à CRFB/88, para para assentar
que o juiz das garantias será investido, e não designado, conforme as normas de organização
judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, já que, no entendimento do STF, a
“designação caracteriza-se como ato administrativo de natureza discricionária e a título precário,
incompatível com a garantia da magistratura pertinente à inamovibilidade, pressuposto da
independência funcional”.7

Art. 3º-F do CPP

Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade
com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão,
sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal.

Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar,


em 180 (cento e oitenta) dias, o modo pelo qual as informações sobre a
realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e
respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas
à imprensa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à
informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão.

O art. 3º-F trata da competência do Juiz das Garantias para assegurar que os direitos dos presos
sejam respeitados. Este dispositivo busca efetivar o mandamento constitucional que assegura aos
presos o respeito à integridade moral (além do respeito à integridade física).8

Quanto ao “caput” do art. 3º-F do CPP, o STF declarou sua CONSTITUCIONALIDADE.

Já quanto ao parágrafo único do art. 3º-F do CPP, foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para assentar que “a divulgação de informações sobre a realização da prisão e a

7
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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8
Art. 5º (...) XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

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identidade do preso pelas autoridades policiais, ministério público e magistratura deve assegurar
a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à
prisão.”

No entendimento do STF, tanto o caput quanto o parágrafo único estão em consonância com as
preocupações legais contra a exploração da imagem da pessoa presa, que emanam do princípio
da dignidade da pessoa humana. Todavia, especificamente quanto ao parágrafo único, a previsão
de regulamentação por autoridades não expressamente definidas em Lei poderia gerar prejuízo à
liberdade de imprensa no que tange à obtenção de informações sobre casos que envolvam a
prisão de investigados, prejudicando o direito à informação. Vejamos:

“(c) O artigo 3º-F, caput, impugnado nestas ADIs, revela-se em consonância com
as preocupações contra a exploração da imagem da pessoa submetida à prisão,
emanando do princípio da dignidade da pessoa humana, razão pela qual deve
ser declarada sua constitucionalidade material.

(d) A determinação legal de edição de regulamento, pelas autoridades, no prazo


de 180 dias, para dispor sobre a padronização das relações entre a imprensa e os
órgãos de persecução penal, conquanto imbuída das mesmas preocupações
protetivas da dignidade da pessoa presa, deve ser interpretada de modo a
compatibilizá-la com a liberdade jornalística e de imprensa.

(e) De um lado, a restrição, ex ante, à obtenção e divulgação de fatos verdadeiros


pela imprensa pode ter inequívoco efeito inibidor (chilling effect) sobre toda a
mídia. De outro lado, eventual restrição, pelos regulamentos a serem expedidos,
à veiculação de informações sobre pessoas encarceradas também poderá gerar
proteção insuficiente aos próprios detentos: a limitação da reprodução de
imagens de indivíduos presos impediria reportagens sobre situações de abuso
(e.g. uso de força excessiva; encarceramento em condições degradantes etc.),
reduzindo o âmbito da responsabilidade (accountability) do Estado no exercício
das suas potestades punitivas.

(f) Por conseguinte, de modo a compatibilizar o artigo 3º-F, parágrafo único, com
o artigo 220 da Constituição Federal, deve-se atribuir interpretação conforme ao
dispositivo impugnado, para assentar que a divulgação de informações sobre a
realização da prisão e a identidade do preso pelas autoridades policiais,
ministério público e magistratura deve assegurar a efetividade da persecução
penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão.

ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023,


PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023

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Tópicos finais

Embora não haja previsão nos arts. 3º-A a 3º-F do CPP, o STF, ao julgar as ADIs 6298, 6299, 6300
e 6305, fixou uma regra de transição:

“Quanto às ações penais já instauradas no momento da efetiva implementação do juiz das


garantias pelos tribunais, a eficácia da lei não acarretará qualquer modificação do juízo
competente.”

Ou seja, se a ação penal já havia sido instaurada no momento da implementação efetiva do Juiz
das Garantias, isso não poderá gerar qualquer modificação quanto ao Juízo competente para
julgar a causa.

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LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO

Quando duas ou mais leis processuais penais se sucedem no tempo, surge a necessidade de
definir qual delas será aplicável a determinado processo criminal. Nesse sentido, existem
basicamente três teorias para tentar explicar a aplicabilidade da lei processual penal nova:
⇒ Teoria da unidade processual – Uma lei processual penal nova não poderia ser
aplicada a processos criminais já em curso, somente sendo aplicável aos processos
que viessem a ser instaurados no futuro. Assim, para esta teoria, um processo
criminal somente poderia ser regido, do início ao fim, por uma única lei.
⇒ Teoria das fases processuais – Uma lei processual penal nova pode ser aplicada a um
processo em curso, mas só seria aplicável na fase processual seguinte (fase
postulatória, fase instrutória, fase decisória, etc.). Isso significa, portanto, que num
mesmo processo poderiam ser aplicadas diversas leis, mas cada fase processual
somente poderia ser regida por uma única lei.
⇒ Teoria do isolamento dos atos processuais – Para esta teoria a lei processual penal
nova pode ser aplicada imediatamente aos processos em curso, mas somente será
aplicável aos atos processuais futuros, ou seja, não irá interferir nos atos processuais
que já foram validamente praticados sob a vigência da lei antiga. Para esta teoria,
portanto, um processo pode ser regido por diversas leis que se sucederam no
tempo. Além disso, dentro de uma mesma fase processual é possível que haja a
aplicação de mais de uma lei processual penal.

Mas, qual foi a teoria adotada pelo CP? Nos termos do art. 2° do CPP:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Por este artigo podemos extrair o princípio do tempus regit actum, também conhecido como
princípio do efeito imediato ou aplicação imediata da lei processual. Este princípio significa que a
lei processual regulará os atos processuais praticados a partir de sua vigência, não se aplicando
aos atos já praticados.1

Esta é a regra de aplicação temporal de toda e qualquer lei, meus caros, ou seja, produção de
efeitos somente para o futuro.

Assim, vocês devem ter muito cuidado! Ainda que o processo tenha se iniciado sob a vigência de
uma lei, sobrevindo outra norma, alterando o CPP (ainda que mais gravosa ao réu), esta será

1
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96. No mesmo sentido, Eugênio Pacelli. PACELLI, Eugênio. Curso de
processo penal. 16º edição. Ed. Atlas. São Paulo, 2012, p. 24.

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aplicada aos atos futuros. Ou seja, a lei nova não pode retroagir para alcançar atos processuais já
praticados, mas se aplica aos atos futuros dos processos em curso.

EXEMPLO: Imaginemos que uma pessoa responda a processo criminal pelo crime de
homicídio. Nesse caso, a Lei prevê dois recursos, “A” e “B”. Durante o processo surge
uma lei alterando o CPP e excluindo a possibilidade de interposição do recurso “B”,
ou seja, é uma norma prejudicial ao réu, pois retira do réu a possibilidade de manejo
de um recurso. Nesse caso, trata-se de norma puramente processual, e a aplicação da
lei nova será imediata. Entretanto, se o acusado já tiver interposto o recurso “B”, a lei
nova não terá o condão de fazer com que o recurso deixe de ser julgado, pois se trata
de ato processual já praticado (interposição do recurso), devendo o Tribunal apreciá-lo.
A doutrina entende, inclusive, que mesmo se o recurso ainda não foi interposto, mas o
prazo recursal já está em curso, a lei nova não é aplicável.
==16c639==

Dessa forma, sem grande esforço, podemos concluir que, no que se refere às normas de direito
processual penal, sua aplicação é imediata, inclusive aos processos em curso, mas somente aos
atos processuais futuros, não afetando os atos processuais já praticados validamente sob a
vigência da lei anterior. Isso consagra a adoção da teoria do isolamento dos atos processuais.

Tudo o que foi dito anteriormente, quanto à aplicação da lei processual penal nova, se aplica
exclusivamente à hipótese de leis puramente processuais2. Ocorre, porém, que dentro de uma lei
processual pode haver normas de natureza material. Como assim? Uma lei processual pode
estabelecer normas que, na verdade, são de Direito Penal, pois criam ou extinguem direito do
indivíduo, relativos à sua liberdade, etc., como é o caso das normas relativas à prescrição, à
extinção da punibilidade em geral, e outras. Nesses casos de leis materiais, inseridas em normas
processuais (e vice-versa), ocorre o fenômeno da heterotopia.

Em casos como este, o difícil é saber identificar qual regra é de direito processual e qual é de
direito material (penal). Porém, uma vez identificada a norma como sendo uma regra de direito
material, sua aplicação será regulada pelas normas atinentes à aplicação da lei penal no tempo,
inclusive no que se refere à possibilidade de eficácia retroativa para benefício do réu.

EXEMPLO: Imagine que José esteja sendo processado pelo crime X, que prescreve em
10 anos. Surge, porém, uma Lei nova, que possui conteúdo eminentemente
processual, tratando sobre questões relativas ao processo em geral. Todavia, essa lei
nova contém um dispositivo que estabelece que a prescrição em relação ao crime X
ocorrerá em 20 anos. Tal norma, apesar de estar inserida numa lei processual, possui
conteúdo de direito penal, pois é relativa à prescrição (que é causa de extinção da
punibilidade). Assim, essa norma não será aplicável ao caso de José, por ser uma
norma penal nova mais gravosa. Aplica-se aqui a regra do Direito Penal da
irretroatividade da lei penal nova mais gravosa.

2
Normas puramente processuais são aquelas que se referem a questões meramente relativas ao processo, ao
procedimento em geral, como as normas relativas à comunicação dos atos processuais (citações e intimações), aos
prazos para manifestação das partes, aos recursos, etc.

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Diferentemente das normas heterotópicas (que são ou de direito material ou de direito


processual, mas inseridas em lei de natureza diversa), existem normas mistas, ou híbridas, que
são aquelas que são, ao mesmo tempo, normas de direito processual e de direito material.

No caso das normas mistas, embora haja alguma divergência doutrinária, vem prevalecendo o
entendimento de que, por haver disposições de direito material, devem ser utilizadas as regras
de aplicação da lei penal no tempo, ou seja, retroatividade da lei mais benéfica e impossibilidade
de retroatividade quando houver prejuízo ao réu.3

CUIDADO! No que se refere às normas relativas à execução penal (cumprimento de pena, saídas
temporárias, etc.), a Doutrina diverge quanto à sua natureza. Há quem entenda tratar-se de
normas de direito material, há quem as considere como normas de direito processual. Entretanto,
para nós, o que importa é o que o STF e o STJ pensam! E eles entendem que se trata de norma
de direito material. Assim, se uma lei nova surge, alterando o regime de cumprimento da pena,
beneficiando o réu, ela será aplicada aos processos em fase de execução, por ser considerada
norma de direito material.

3
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96

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EXERCÍCIOS COMENTADOS – LEI PROCESSUAL


PENAL NO TEMPO
1. (FGV/2018/AL-RO/CONSULTOR)

Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para atingir
fatos anteriores a sua entrada em vigor.

COMENTÁRIOS

Item errado. A Lei processual penal, pelo princípio do efeito imediato, tem aplicação imediata,
seja ela benéfica ou prejudicial ao agente, aplicando-se inclusive aos processos em curso
(obviamente, tais processos se referem a fatos praticados antes da entrada em vigor da nova lei
processual), mas sem prejudicar os atos processuais já validamente realizados sob a vigência da
lei anterior, nos termos do art. 2º do CPP:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Aplicam-se aqui as regras da lei PROCESSUAL penal no tempo, não as regras da lei penal no
tempo.

GABARITO: ERRADA

2. (FGV / 2018 / TJSC / TÉCNICO)

No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.

O técnico judiciário, no momento de auxiliar no processamento do feito, deverá aplicar a:

A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;

B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade da
lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;

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C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;

D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;

E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, deve ser aplicada a nova lei processual penal, nos termos do art. 2º do CPP, ainda
que desfavorável ao réu, por se tratar de norma puramente processual. Serão respeitados, porém,
os atos já praticados, pelo princípio do tempus regit actum.

Por fim, o CPP admite interpretação extensiva e aplicação analógica da lei processual, nos termos
do art. 3º do CPP.

GABARITO: Letra E

3. (FGV – 2018 – TJ-AL – OFICIAL DE JUSTIÇA)


O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em vigor
da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de instrução e
julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no processo
desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.
Considerando as informações narradas, o Oficial de Justiça Caio deverá realizar a citação de Jorge
observando os termos da:
(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José
ser renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;
(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial possa
retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;
(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;

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(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.

COMENTÁRIOS

Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da legislação
anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

4. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM)


Em 23 de novembro de 2015 (segunda feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio,
advogado de defesa de réu em ação penal de natureza condenatória, é intimado da sentença
condenatória de seu cliente. No curso do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de
natureza puramente processual, que alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que
o prazo para apresentação de recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia
30 de novembro de 2015, dia útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das
respectivas razões.
Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é
A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo
prazo recursal deve ser observado.
B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
D) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o
antigo prazo recursal deve ser observado.

COMENTÁRIOS

Pelo princípio do tempus regit actum, a lei processual penal tem aplicação imediata aos processos
em curso, mas só se aplica aos ATOS PROCESSUAIS FUTUROS, ou seja, não se aplica àqueles que
já foram realizados, nos termos do art. 2º do CPP.

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No caso do recurso, como o prazo recursal já havia se iniciado antes da entrada em vigor da lei
nova, esse prazo será regido pela lei antiga (que vigorava quando o prazo começou a fluir).

Assim, a lei processual nova só se aplica aos prazos recursais FUTUROS, não àqueles que já se
iniciaram antes de sua vigência.

Assim, considerando o prazo antigo (05 dias), o recurso é tempestivo, pois o prazo findou em
28.11.2015, que foi sábado, sendo prorrogado até dia 30.11.2015, dia útil seguinte.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

5. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM)


João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então,
denunciado como incurso nas sanções penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No
curso do processo, mas antes de ser proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de
Processo Penal de natureza exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo
que o rito a ser seguido no recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que
a mudança foi prejudicial, pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.
Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João
A) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
imediata aplicação da nova lei.
B) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da
irretroatividade da lei prejudicial e de o fato ter sido praticado antes da inovação.
C) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da ultratividade
da lei.
D) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.

COMENTÁRIOS

No processo penal vigora o princípio do tempus regit actum, ou seja, o ato processual será
praticado de acordo com a lei processual que vigorar no momento de sua realização,
independentemente de se tratar de lei processual mais gravosa do que aquela que vigorava no
momento da prática do delito, nos termos do art. 2º do CPP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

6. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO)


A Lei n. 9.099/95 modificou a espécie de ação penal para os crimes de lesão corporal leve e
culposa. De acordo com o Art. 88 da referida lei, tais delitos passaram a ser de ação penal pública
condicionada à representação. Tratando-se de questão relativa à Lei Processual Penal no Tempo,

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assinale a alternativa que corretamente expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que
não haviam transitado em julgado quando da alteração legislativa.
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.
B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento
em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou não.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.
D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento
em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis é mais gravosa ou não.

COMENTÁRIOS

No caso específico da alteração da natureza da ação penal em relação aos crimes de lesões
==16c639==

corporais leves e culposas, o STJ entendeu que a norma possuía caráter híbrido (de direito
processual e de direito material), devendo ser aplicada a regra relativa às normas de Direito Penal,
no que tange à retroatividade da lei mais benéfica.

Por se tratar de lei mais benéfica, o STJ entendeu que deveria ser aplicada aos fatos praticados
antes de sua entrada em vigor, desde que o processo ainda estivesse tramitando, devendo a vítima
manifestar seu interesse no prosseguimento da ação penal (já que a ação penal já havia sido
ajuizada).

Vejamos:

(...) A partir da edição da Lei nº 9.099/95, os crimes de lesões corporais leves e de


lesões culposas passaram a ser de ação pública condicionada (art. 88), sendo a
propositura da ação penal dependente de representação do ofendido ou de seu
representante legal.
- Os arts. 88 e 91, do citado diploma legal, são normas de direito processual penal
e de direito penal de natureza benigna, porque susceptíveis de causar a extinção
da punibilidade pela renúncia ou pela decadência, aplicando-se não só aos casos
previstos na legislação ordinária, como também aos previstos em legislação
especial, inclusive na Justiça Militar.
(...) (HC 10.841/RS, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em
22/08/2000, DJ 11/09/2000, p. 292)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

7. (FGV – 2014 – TJ/RJ – ANALISTA – EXECUÇÃO DE MANDADOS)

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A Constituição da República e o Código de Processo Penal prevêem regras e princípios para


solucionar conflitos no tema “a lei no tempo”. À lei puramente processual penal aplicam-se os
seguintes princípios:
(A) da irretroatividade da lei prejudicial ao réu e da retroatividade da lei benéfica;
(B) da aplicação imediata e do tempus regit actum (tempo rege o ato);
(C) da inalterabilidade e da ultratividade da lei benéfica;
(D) da ultratividade e da retroatividade da lei benéfica ao réu;
(E) da retroatividade da lei prejudicial e da ultratividade da lei benéfica.

COMENTÁRIOS

No Processo penal vigora, em relação às leis puramente processuais, o princípio do tempus regit
actum, ou seja, a lei é aplicada aos processos desde logo, independentemente de o processo ter
sido instaurado antes. São preservados, contudo, os atos já praticados. Vejamos:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

8. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)


No Brasil, adota-se integralmente o princípio da irretroatividade da lei processual penal, que
impede que as inovações na norma processual penal sejam aplicadas de imediato para fatos
praticados antes de sua entrada em vigor.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois no Brasil se adota o princípio da aplicação imediata da lei processual penal,
também conhecido como princípio do tempus regit actum, ou seja, a norma processual penal é
aplicável imediatamente aos processos em curso (naturalmente, são relativos a fatos praticados
antes da entrada em vigor da lei processual nova). Os atos processuais já praticados sob a vigência
da lei antiga, porém, permanecem válidos.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

9. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)


As normas previstas no Código de Processo Penal de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de
direito processual e de direito material, devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa
da lei penal, quando seu conteúdo for prejudicial ao réu.

COMENTÁRIOS

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Item correto, pois em se tratando de normas híbridas, embora haja alguma divergência, prevalece
o entendimento de que deve ser aplicada a regra prevista para a aplicação das leis de direito penal
material: retroatividade da lei mais benéfica, e irretroatividade da lei quando for prejudicial ao réu.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

10. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA)


A lei processual penal aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados
sob a vigência da lei anterior.

COMENTÁRIOS

Item correto. O princípio do tempus regit actum determina que a lei processual penal será
aplicável imediatamente, ou seja, inclusive aos processos em curso. Contudo, os atos já
validamente praticados sob a vigência da lei anterior permanecem íntegros, não são prejudicados
pela lei nova.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

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LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO


O estudo da aplicabilidade da Lei Processual Penal está relacionado à sua aptidão para produzir
efeitos. Essa aptidão para produzir efeitos está ligada a dois fatores: espacial e temporal.

Assim, a norma processual penal (como qualquer outra) vigora em determinado lugar e em
determinado momento. Nesse sentido, devemos analisar onde e quando a lei processual penal
brasileira se aplica.

O art. 1° do CPP diz o seguinte:

Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este


Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de
Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros
do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts.
86, 89, § 2º, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no
17);
V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF nº 130
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos
nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de
modo diverso.

Dessa forma, podemos perceber que o CPP adotou o princípio da territorialidade.

O que seria esse princípio? Esse princípio estabelece que a lei processual penal brasileira
produzirá efeitos dentro do território nacional, aplicando-se aos processos criminais que aqui se
desenvolverem.

Dessa forma, havendo o desenvolvimento de algum processo criminal no nosso país, será
aplicável a lei processual penal brasileira.

A Doutrina majoritária sustenta tratar-se de territorialidade absoluta, na medida em que não há


possibilidade de se aplicar, no Brasil, norma processual penal estrangeira.

Mas e as hipóteses de extraterritorialidade, professor? Não confunda as coisas, meu caro. A


extraterritorialidade da LEI PENAL não tem nenhuma relação com o que estamos estudando. A

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extraterritorialidade da lei penal é a possibilidade, em casos excepcionais, de aplicarmos a lei


penal brasileira a crimes ocorridos fora do Brasil. Ou seja, mesmo o crime não tendo ocorrido no
Brasil, será possível (caso presente alguma hipótese de extraterritorialidade) o processo de
julgamento desse crime no Brasil, de acordo com a lei penal brasileira.

Quando se diz que a territorialidade da lei processual penal é absoluta, se está a dizer que ao
processo criminal em trâmite no Brasil, será aplicada a lei processual penal brasileira, e nenhuma
outra (ainda que o crime que esteja sendo julgado no Brasil tenha ocorrido no exterior, ou seja,
trate-se de extraterritorialidade da lei penal).

O art. 1º do CPP possui uma redação ruim, fica aqui a crítica. Ao tentar tratar sobre a lei
processual penal no espaço, o art. 1º acabou por “reduzir” a lei processual penal brasileira ao
CPP, quando na verdade, deveria ter dito que “o processo penal reger-se-á, em todo o território
brasileiro pela lei processual penal brasileira”. Só então, a partir dessa compreensão, seria o caso
de estabelecer exatamente qual lei seria considerada de aplicação primordial, no caso, o CPP.
==16c639==

Feita a crítica, vamos sintetizar o que a Doutrina interpreta acerca do art. 1º do CPP:

➔ Ao processo penal em trâmite no Brasil, será aplicável a lei processual penal brasileira
(territorialidade absoluta)
➔ A lei processual penal brasileira, aplicável aos processos aqui em trâmite, é
primordialmente o CPP, salvo em casos excepcionais, quando houver legislação específica.

O próprio art. 1º trata de exceções à aplicação do CPP. São elas:

➔ Tratados, convenções e regras de Direito Internacional – Neste caso, a aplicação do CPP


pode ser afastada, pontualmente, em razão de alguma norma específica prevista em
tratado ou convenção internacional.
➔ Jurisdição política – É o caso das prerrogativas constitucionais do Presidente da República,
dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos
ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade. Neste caso, serão
julgados de acordo com procedimentos próprios, previstos na Constituição Federal. OBS.:
Os artigos mencionados no art. 1º, II do CPP se referem à Constituição de 1937, em vigor
quando da publicação do CPP (que é de 1941)
➔ Processos de competência da Justiça Militar - Tais processos seguirão, como regra, o
Código de Processo Penal Militar, e apenas subsidiariamente, o CPP.

O art. 1° do CPP faz ressalva ainda a outras duas situações, atualmente inaplicáveis:

➔ Processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17) – Hoje


extinto, era um Tribunal especial para julgar crimes contra a segurança nacional. Logo, tal
previsão não é mais aplicável.

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➔ Processos por crimes de imprensa – O STF, no julgamento da ADPF 130, considerou não
recepcionada a Lei 5.250/67 (Lei de imprensa), eis que se tratava de lei com nítido caráter
de censura, violando a liberdade jornalística e de imprensa. Logo, o procedimento
especial para processo e julgamento dos crimes ali previstos deixou de existir.

Há, ainda, outras situações previstas em leis especiais. No caso de haver rito específico para o
processo e julgamento de determinado crime, como ocorre no caso da Lei de Drogas, deverá ser
utilizado, primordialmente, o rito específico, cabendo ao CPP atuar de forma subsidiária.

Além do que até aqui foi dito, é importante destacar também que o CPP só é aplicável aos atos
processuais praticados no território nacional.

Desta forma, se por algum motivo o ato processual tiver de ser praticado no exterior, por meio
de carta rogatória ou outro instrumento de cooperação jurídica internacional, serão aplicadas as
regras processuais do país em que o ato for praticado.

EXEMPLO: José está sendo processado, no Brasil, pelo crime X. Todavia, uma das
testemunhas de José, Paula, reside na França. Neste caso, para que Paula seja ouvida
deverá ser expedida carta rogatória, que é um instrumento por meio do qual o
Judiciário brasileiro solicita cooperação jurídica ao Judiciário francês, a fim de que
Paula seja ouvida na França e os termos de seu depoimento sejam enviados
posteriormente ao Brasil, por escrito, a fim de serem anexados ao processo. Neste
caso, Paula será ouvida na França, e o seu depoimento será regulado de acordo com
as regras processuais previstas na Lei francesa, e não de acordo com as regras
processuais brasileiras.

Trata-se da lógica do “locus regit actum”, ou seja, o ato processual é regido pela lei do local em
que foi realizado.

A Doutrina processual, capitaneada por TOURINHO FILHO, traz três hipóteses excepcionais em
que a lei processual penal brasileira poderia ser aplicada a ato processual realizado fora do nosso
território, são elas:

➔ Realização do ato em território “nullius” – O território “de ninguém” é local sobre o qual
nenhum Estado exerce soberania, logo, não haveria impedimento à aplicação da lei
processual penal brasileira em casos tais.
➔ Autorização do país local em utilizar as regras processuais brasileiras – Havendo
concordância do país local na utilização da nossa lei processual, não haveria qualquer
ofensa à soberania do país em que o ato vier a ocorrer.
➔ Realização do ato em território estrangeiro ocupado por ocasião de guerra – Nesse caso,
a despeito de se tratar de ato a ser realizado em território de outro país, trata-se de

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território ocupado por ocasião de guerra, ou seja, situação de excepcional violação à


soberania local.

Nesses três casos excepcionais acima descritos, não haveria óbice à aplicação da lei processual
penal brasileira além dos limites territoriais do nosso país.

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EXERCÍCIOS COMENTADOS – LEI PROCESSUAL


NO ESPAÇO
1. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO)
Em um processo em que se apura a prática dos delitos de supressão de tributo e evasão de divisas,
o Juiz Federal da 4ª Vara Federal Criminal de Arroizinho determina a expedição de carta rogatória
para os Estados Unidos da América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento
à carta, o tribunal americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à Justiça
Brasileira, a 4ª Vara Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, ao se deparar com o teor
do ato praticado, requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que não foram
obedecidas as garantias processuais brasileiras para o réu.
==16c639==

Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espaço, a alegação do advogado está
correta?
A) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas
processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território nacional.
B) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais
brasileiras só se aplicam no território nacional.
C) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais
brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território.
D) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas
processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional.

COMENTÁRIOS

No Direito Processual Penal vigora o princípio da territorialidade da aplicação da lei processual, o


que significa dizer que a Lei Processual brasileira (no caso, o CPP) somente se aplica no
TERRITÓRIO NACIONAL, não havendo que se falar em utilização da lei processual brasileira para
um ato praticado fora do Brasil.

Isso, inclusive, já foi decidido pelo STF, exemplificativamente, no HC 91444/RJ.

GABARITO: Letra B

2. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA)


O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, pelo Código de Processo Penal, não
havendo qualquer ressalva prevista neste diploma.

COMENTÁRIOS

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Item errado, pois o próprio CPP traz diversas ressalvas em seu art. 1º, como as hipóteses de
existência de tratado internacional, ou em relação aos crimes militares (para os quais será aplicada
a lei processual penal militar, e só de forma subsidiária o CPP), etc.

GABARITO: Errada

3. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO)


O processo penal rege-se pelo Código de Processo Penal, em todo o território brasileiro
ressalvados, entre outros, os tratados, as convenções e regras de direito internacional.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois a regra é a aplicação do princípio da territorialidade, ou seja, ao processo penal
realizado no território brasileiro, aplica-se o CPP. Contudo, existem algumas exceções, dentre as
quais se encontra a hipótese de existência de tratados, convenções ou regras de direito
internacional, nos termos do art. 1º, I do CPP.

GABARITO: Correta

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​ INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA LEI


PROCESSUAL PENAL
O art. 3° do CPP diz:

Art. 3º A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação


analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.

A interpretação extensiva é uma atividade na qual o intérprete estende o alcance do que diz a
lei, em razão de sua vontade (vontade da lei) ser esta. Ou seja, ao tentar extrair o alcance da
norma, o intérprete conclui que a norma acabou dizendo menos do que efetivamente queria
dizer.

No crime de extorsão mediante sequestro, por exemplo, é lógico concluir que a lei quis incluir,
também, extorsão mediante cárcere privado. Assim, faz-se uma interpretação extensiva, que
pode ser aplicada sem que haja violação ao princípio da legalidade, pois, na verdade, a lei diz
isso, só que não está expresso em seu texto.

Vamos a outro exemplo:

O art. 581 do CPP assim dispõe:

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:


I - que não receber a denúncia ou a queixa;

Embora o art. 581, I estabeleça o cabimento do RESE apenas para impugnar a decisão de não
recebimento da denúncia ou queixa, a Doutrina aponta, em interpretação extensiva, o cabimento
do referido recurso para impugnar a decisão de não recebimento do ADITAMENTO à denúncia
ou queixa (uma peça por meio da qual o acusador retifica ou complementa a inicial acusatória).

A compreensão aqui é: a lei quis englobar também o aditamento, mas acabou não deixando isso
expresso em suas palavras. Logo, faz-se uma interpretação extensiva, ou seja, ampliando o
alcance das palavras contidas no texto legal.

Embora o CPP admita expressamente sua possibilidade de aplicação, há entendimento de que


no caso de se tratar de norma mista, ou norma puramente material inserida em lei processual,
não caberá interpretação extensiva em prejuízo do réu (pois deverão ser aplicadas as regras
relativas à interpretação da lei penal).

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A aplicação analógica (ou analogia), por sua vez, é bem diferente. Como o nome diz, decorre da
analogia, que é o mesmo que comparação. Assim, essa forma de integração da lei processual
penal somente será utilizada quando não houver norma disciplinando determinado caso. Nessa
situação, utiliza-se uma norma aplicável a outro caso, considerado semelhante.

Na aplicação analógica (analogia), o Juiz aplica a um caso uma norma que não foi
originariamente prevista para tal, e sim para um caso semelhante.

Percebam: na interpretação extensiva existe norma, e a norma alcança o caso hipotético (mas isso
não está claro no texto normativo); na analogia não existe norma regulamentando o caso
hipotético, ou seja, há uma lacuna. Exatamente por isso, é necessário suprir essa lacuna, fechar
esse “buraco normativo”, ou seja, realizar a integração da lei processual.

Vamos a um exemplo:
==16c639==

O art. 252, I do CPP assim dispõe:

Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:


I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta
ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do
Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;

O art. 252 se refere ao cônjuge, mas nada diz sobre o companheiro. Difícil imaginar que a lei
quisesse incluir também o companheiro, até porque o CPP é de 1941, momento histórico em que
não havia tal compreensão de equivalência entre casamento e união estável. Também não é
razoável imaginar que tenha sido a vontade da lei, deliberadamente, deixar de incluir o
companheiro. Não parece, portanto, ser um caso de “silêncio eloquente” da lei, uma daquelas
situações em que a norma deliberadamente pretende não ser aplicável a determinado caso,
silenciando sobre ele.

Logo, chegamos a uma “anomia” ao caso. Não há norma regulamentando a existência, ou não,
de impedimento para o Juiz quando seu companheiro já atuou no caso como defensor ou
advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito.

Nesse caso, podemos recorrer à analogia, já que “ubi eadem ratio, ibi idem jus” (onde há a
mesma razão, deve haver o mesmo Direito).

A grande questão é saber o que se enquadra como “caso semelhante”. Para isso, a Doutrina
elenca três fatores que devem ser respeitados:

➔ Semelhança essencial entre os casos (previsto e não previsto pela norma). Desprezam-se
as diferenças não essenciais – No exemplo dado, podemos concluir que há semelhança
essencial entre os casos.
➔ Igualdade de valoração jurídica das hipóteses – Podemos, no exemplo dado, valorar
juridicamente ambas as situações de forma igual? Sim. Podemos entender que o Juiz atuar

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no caso em que seu cônjuge já atuou como defensor ([Link]) tem o mesmo valor jurídico
que o Juiz atuar no caso em que seu companheiro já atuou como defensor.
➔ Igualdade de circunstâncias ou igualdade de razão jurídica de ambos os institutos – A
razão jurídica por trás da hipótese de impedimento prevista no art. 252, I é impedir a
atuação de um magistrado presumivelmente parcial, na medida em que seria bastante
difícil ao Juiz ser imparcial quando seu cônjuge (ou algum dos parentes próximos ali
mencionados) já tivesse atuado no caso. A mesma razão pode ser aplicada ao
companheiro? Sim, já que é possível imaginar que a mesma presunção de parcialidade
exista no caso do companheiro.

Pode-se dividir doutrinariamente a analogia em:

➔ Analogia “legis” – Trata-se da analogia propriamente dita (colmatar uma lacuna usando
outra norma).
➔ Analogia “juris” - Valer-se de disposições legais para compreender a existência de um
princípio jurídico que irá colmatar a lacuna (ex.: direito ao silêncio e outras normas
conduzem ao princípio da vedação à autoincriminação, que será usado para regular
determinadas situações para as quais não haja norma).

A Doutrina entende, ainda, que no caso de aplicação analógica (analogia) “in malam partem”,
não pode haver lesão a conteúdos de natureza material (penal), pois não se admite analogia in
malam partem no Direito Penal.

Assim, em se tratando de norma penal inserida em lei processual (heterotopia) ou em se tratando


de norma mista/híbrida, será vedada a analogia prejudicial ao réu no que tange aos aspectos
materiais.

Já os princípios gerais do Direito são regras de integração da lei, ou seja, de complementação de


lacunas. Assim, quando não se vislumbrar uma lei que possa reger adequadamente o caso
concreto, o CPP admite a aplicação dos princípios gerais do Direito. Esses princípios gerais do
Direito são inúmeros, e são aqueles que norteiam a atividade de aplicação do Direito, são as
normas fundamentais do processo penal.

Como exemplo, imaginemos que uma lei estabeleça a participação das partes (autor e réu) em
determinado ato processual. Se a lei nada disser em relação a ordem de participação das partes
no ato processual, deve-se permitir que a defesa atue por último, pois é de conhecimento geral
daqueles que aplicam o Direito que a defesa deve falar por último no processo, a fim de que
possa se defender plenamente dos fatos que lhe são imputados, em homenagem aos princípios
do contraditório e da ampla defesa.

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LEI PROCESSUAL PENAL EM RELAÇÃO ÀS


PESSOAS

Introdução

Para falarmos sobre a aplicação da lei processual penal em relação às pessoas, temos que
entender, primeiramente, quem são os sujeitos do delito. São basicamente de duas ordens:
Sujeito ativo e passivo.

O sujeito ativo é a pessoa que pratica a conduta delituosa.

O sujeito passivo de um delito, por outro lado, será a vítima.

As definições acima estão postas de uma forma simples, de fácil assimilação, para que possamos
chegar ao ponto que nos interessa, que são as eventuais regras diferenciadas para a aplicação da
lei processual penal a depender do sujeito ativo do delito.

O sujeito ativo de determinada infração penal acabará ocupando o polo passivo da demanda no
processo penal, ou seja, o infrator é sujeito ativo do delito (quem pratica o delito), mas está no
polo passivo da ação penal (pessoa a quem se imputa o delito).

Em regra, a Lei Processual Penal é aplicável a todas as pessoas indistintamente. Entretanto, em


relação a algumas pessoas, existem disposições especiais. Vejamos:

Imunidades diplomáticas

Estas imunidades se baseiam no princípio da reciprocidade, ou seja, o Brasil concede imunidade


a estas pessoas, enquanto os países que representam conferem imunidades aos nossos
representantes.

Não há violação ao princípio constitucional da isonomia, pois a imunidade não é conferida em


razão da pessoa imunizada, mas em razão do cargo que ocupa. Ou seja, ela é de caráter
funcional. Exatamente por essa razão, o agente diplomático beneficiado pela imunidade não
pode renunciá-la.

Estas imunidades diplomáticas estão previstas na Convenção de Viena, incorporada ao nosso


ordenamento jurídico por meio do Decreto 56.435/65, que prevê imunidade total (em relação a
qualquer crime) aos diplomatas, que estão sujeitos à Jurisdição de seu país apenas. Esta
imunidade se estende aos funcionários dos órgãos internacionais (quando em serviço!) e aos seus
familiares, bem como aos Chefes de Governo e Ministros das Relações Exteriores de outros
países.

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Com relação aos agentes consulares (diferentes dos agentes diplomáticos) a imunidade só é
conferida aos atos praticados em razão do ofício, não a qualquer crime.

EXEMPLO: Imagine que Yamazaki, cônsul do Japão no Rio de Janeiro, no domingo,


curtindo uma praia, agride um vendedor de picolés por ter lhe dado o troco errado
(carioca malandro...), responderá pelo crime, pois não se trata de ato praticado no
exercício da função.

Resumidamente:
➔ Imunidade total de jurisdição penal – Agentes diplomáticos e seus familiares, bem como
os membros do pessoal administrativo e técnico da missão, assim como os membros de
suas famílias que com eles vivam, desde que não sejam nacionais do estado acreditado
(no caso, o Brasil) nem nele tenham residência permanente.
➔ Imunidade de jurisdição penal em relação aos atos funcionais – Agentes consulares e
membros do pessoal de serviço da missão diplomática que não sejam nacionais do Estado
acreditado nem nele tenham residência permanente.

Imunidades Parlamentares

As imunidades parlamentares estão previstas na Constituição Federal, motivo pelo qual


geralmente são mais bem estudadas naquela disciplina. Entretanto, como costumam ser
cobradas também na matéria de Direito Penal, vamos estudá-las ponto a ponto.

Trata-se de prerrogativas dos parlamentares, com vistas a preservar a Instituição (Poder


Legislativo) de ingerências externas. São duas as hipóteses de imunidades parlamentares: a)
material (conhecida como real, ou ainda, inviolabilidade); b) formal (ou processual ou ainda,
adjetiva).

1. Imunidade material

Trata-se de prerrogativa prevista no art. 53 da Constituição:

Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por


quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.

​Trata-se da imunidade também conhecida como inviolabilidade ou “freedom of speech.”

Assim, o parlamentar não comete crime quando pratica estas condutas em razão do cargo
(exercício da função). Entretanto, não é necessário que o parlamentar tenha proferido as palavras

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dentro do recinto (Congresso, Assembleia Legislativa, etc.), bastando que tenha relação com sua
função (Pode ser numa entrevista a um jornal local, etc.).

Quanto à natureza jurídica dessa imunidade (o que ela representa perante o Direito), há muita
controvérsia na Doutrina, mas a posição que predomina é a de que se trata de fato atípico, ou
seja, a conduta do parlamentar não chega sequer a ter enquadramento na lei penal (Essa é a
posição que vem sendo adotada pelo Supremo Tribunal Federal – STF).

Temos, ainda, a imunidade material dos vereadores, prevista no art. 29, VIII da Constituição:

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o
interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
(...)
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no
exercício do mandato e na circunscrição do Município; (Renumerado do inciso VI,
pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992)

Vejam que é necessário que o ato (no caso dos vereadores) tenha sido praticado na circunscrição
do município. Caso contrário, não haverá a incidência da proteção constitucional. O tema,
inclusive, foi objeto de decisão do STF em julgamento com repercussão geral, tendo sido fixada
a seguinte tese:

STF - Repercussão Geral - Tema 0469


Tese: Nos limites da circunscrição do município e havendo pertinência com o
exercício do mandato, garante-se a imunidade ao vereador.

2. Imunidade formal

Se as imunidades materiais estão mais relacionadas ao Direito Penal, as imunidades formais são
aquelas mais afetas do direito processual penal propriamente, pois as imunidades formais estão
relacionadas a questões processuais, como possibilidade de prisão e seguimento de processo
penal. Está prevista no art. 53, §§ 1° a 5° da Constituição da República, sendo também conhecida
como “freedom from arrest.”

A primeira das hipóteses é a imunidade formal para a prisão. Assim dispõe o art. 53, § 2° da
Constituição:

Art. 53 (...) § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso


Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse

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caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva,
para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.

O STF entende que essa impossibilidade de prisão se refere a qualquer tipo de prisão, inclusive
as de caráter provisório, decretadas pelo Juiz. A única ressalva é a prisão em flagrante pela
prática de crime inafiançável.

Quanto à possibilidade de prisão em flagrante por crime inafiançável, o STF, em decisão bastante
controversa, estabeleceu um entendimento “alargado” do conceito de crime inafiançável para
estes fins. Vejamos:

“2. Não incidência da imunidade parlamentar prevista no caput, do art. 53, da


Constituição Federal. A jurisprudência da CORTE é pacífica no sentido de que a
garantia constitucional da imunidade parlamentar material somente incide no
caso de as manifestações guardarem conexão com o desempenho da função
legislativa ou que sejam proferidas em razão desta; não sendo possível utilizá-la
como verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas.
Precedentes. 3. As condutas praticadas pelo parlamentar foram perpetradas em
âmbito virtual, por meio da publicação e divulgação de vídeos em mídia digital
("YouTube") durante todo o dia, com constante interação do mesmo, situação
que configura crime permanente enquanto disponível ao acesso de todos, ainda
que por curto espaço de tempo, permitindo a prisão em flagrante do agente. 4.
Nos termos do art. 324, IV, do Código de Processo Penal, não será autorizada a
fiança quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão
preventiva. A presença dos requisitos autorizadores da prisão preventiva afasta a
afiançabilidade do crime, permitindo a prisão em flagrante do parlamentar.
Precedente da CORTE: AC 4.039 Ref-MC/DF, Rel. Min. TEORI ZAVASCKI,
Segunda Turma. 5. Necessidade de que a Câmara dos Deputados, nos termos do
§2º, do art. 53, da Constituição Federal, resolva, pela maioria absoluta de seus
membros, em votação nominal e aberta, sobre a prisão do parlamentar. 6.
DECISÃO REFERENDADA. Manutenção da prisão em flagrante do parlamentar
por crime inafiançável.”
(Inq 4781 Ref, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em
17-02-2021, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-092 DIVULG 13-05-2021 PUBLIC
14-05-2021)

Como se vê, na referida decisão o STF entendeu que o “flagrante de crime inafiançável” previsto
no art. 53, §2º da CF/88 não se restringe àqueles crimes previstos em lei como inafiançáveis, mas
também se aplica àquelas situações em que o crime, a princípio, é afiançável, mas
circunstancialmente não é possível a concessão da fiança, como ocorre na hipótese de estarem
presentes os requisitos da prisão preventiva.

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Questões político-ideológicas à parte (sempre), é preciso destacar que se trata de decisão


bastante controvertida.

Entretanto, recentemente, o STF decidiu que os parlamentares podem ser presos, além desta
hipótese, no caso de sentença penal condenatória transitada em julgado, ou seja, na qual não
cabe mais recurso algum.

Continuando no caso da prisão em flagrante, os autos da prisão serão remetidos à casa a qual
pertencer o parlamentar, em até 24h, e esta decidirá, em votação aberta, por maioria absoluta de
seus membros, se a prisão é mantida ou não.

A imunidade se inicia com a diplomação do parlamentar e se encerra com o fim do mandato.

Já a imunidade formal para o processo, está prevista no §3° do art. 53 da Constituição:


==16c639==

Art. 53 (...) § 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime


ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto
da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da
ação.

Assim, se um parlamentar cometer um crime após a diplomação e for denunciado por isso, o STF,
se receber a denúncia, deverá dar ciência à Casa a qual pertence o parlamentar (Câmara ou
Senado), e esta poderá, por iniciativa de algum partido político que lá tenha representante, sustar
o andamento da ação até o término do mandato.

CUIDADO! Só quem pode tomar a iniciativa de pedir a sustação da ação penal é partido político
que possua algum representante naquela casa.

EXEMPLO: Se um Senador está sendo processado, sendo o Senado comunicado pelo


STF, somente um partido com representação no SENADO FEDERAL poderá tomar a
iniciativa de pedir a sustação da ação penal, que será decidida pela Casa.

A sustação deve ser decidida no prazo de 45 dias a contar do recebimento do pedido pela Mesa
Diretora da Casa. Caso o processo seja suspenso, suspende-se também a prescrição, para evitar
que o parlamentar deixe de ser julgado ao término do mandato.

Havendo a sustação da ação penal em relação ao parlamentar, e tendo o processo outros réus
que não sejam parlamentares, o processo deve ser desmembrado, e os demais réus serão
processados normalmente.

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CUIDADO! No caso de crime cometido antes da diplomação, não há essa regra. O STF não tem
que comunicar a Casa e não há possibilidade de sustação do andamento do processo!

Essas regras (referentes a ambas as espécies de imunidades) são aplicáveis aos parlamentares
estaduais (Deputados estaduais), por força do art. 27, § 1° da Constituição. Entretanto, aos
parlamentares municipais (vereadores) só se aplicam as imunidades materiais! Ah, e em qualquer
caso, não abrangem os suplentes!

Lembrando: vereador não tem imunidade formal! O STF, inclusive, já se manifestou


expressamente sobre o tema:

“(...) 1. A Constituição Federal não assegura ao vereador a garantia da imunidade


parlamentar formal. Precedente. “
(STP 157 AgR, Relator(a): DIAS TOFFOLI (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em
21-02-2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-059 DIVULG 16-03-2020 PUBLIC
17-03-2020)

Os parlamentares não podem renunciar a estas imunidades, pois, como disse antes, trata-se de
prerrogativa inerente ao cargo, não à pessoa1.

As imunidades parlamentares permanecem ainda que o país se encontre em estado de sítio.


Entretanto, por decisão de 2/3 dos membros da Casa, estas imunidades poderão ser suspensas,
durante o estado de sítio, em razão de ato praticado pelo parlamentar fora do recinto.

1
Entretanto, a Doutrina e a Jurisprudência entendem que o parlamentar afastado para exercer cargo de Ministro ou
Secretário de Estado NÃO mantém as imunidades, ou seja, ele perde a imunidade parlamentar (A súmula nº 04 do
STF foi cancelada). INQ 725-RJ, rel. Ministra Ellen Gracie, 8.5.2002.(INQ-725) – Informativo 267 do STF.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS – INTRODUÇÃO AO


DIREITO PROCESSUAL PENAL

01. FGV - ANL (CM Fortal)/CM Fortaleza/Advogado/2024

A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata

a) o princípio da ampla defesa.

b) o princípio do contraditório.

c) o princípio da presunção de inocência.

d) o princípio da paridade de armas.

e) o princípio da inafastabilidade.

Comentário:

A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata o princípio da presunção de inocência, já que a punição
pressupõe a culpa, e a culpa somente resta definitivamente configurada quando há o trânsito em
julgado da condenação.

Gabarito: C

02. FGV - Res (TJ RJ)/TJ RJ/Direito/2024

“Devido à disputa entre as autoridades do Rio de Janeiro e de Vila Rica pela competência para
julgar os sediciosos, a rainha, D. Maria I, determinou, através da Carta Régia de 17.07.1790, a
composição de uma Alçada, na qual Desembargadores de Lisboa eram os responsáveis pelo
julgamento. Após a oitiva dos vinte e nove réus, seguiu-se o prazo de cinco dias para defesa.

Os réus argumentaram que não cometeram crime algum, porquanto o movimento fora abortado,
ainda em seu início, com a suspensão da Derrama. Apesar disso, em 18 de abril de 1792, foi
publicada a sentença pela Alçada, condenando onze réus à morte (na prática dez, porque
Cláudio Manuel da Costa se “suicidara” no cárcere), e outros participantes receberam penas
menores como açoites e o degredo eterno.”

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(A sentença condenatória de Tiradentes e a construção do mito. Ensaio elaborado por Andréa


Vanessa da Costa Val, Assessora da Memória do Judiciário Mineiro, e por Carine Kely Rocha
Viana, sob a supervisão do Superintendente, Desembargador Hélio Costa. Jurisp. Mineira, Belo
Horizonte, a. 59, nº 187, p. 13-18, out./dez. 2008)

Sobre os sistemas processuais penais e os princípios do processo penal no âmbito do processo


mencionado pelo texto (julgamento de Tiradentes), é correto afirmar que o sistema processual
então vigente apresentava traços mais característicos do sistema

a) inquisitivo, e o princípio do juiz natural não foi observado, o que se extrai claramente do texto
apresentado.

b) acusatório, e o princípio da ampla defesa não foi observado, o que se pode inferir do texto
apresentado.

c) misto, e os princípios fundamentais do processo penal foram observados, o que se extrai


claramente do texto apresentado.

d) inquisitivo, e não é possível, pelo texto, observar o malferimento de princípios fundamentais


do processo penal.

e) acusatório, e é possível, pelo texto, observar o malferimento de princípios fundamentais do


processo penal.

Comentário:

Pelo texto se verifica claramente que o princípio do juiz natural não foi observado, pois tal
princípio estabelece, dentre outras coisas, que não haverá Juízo ou Tribunal de exceção, ou seja,
criado especificamente para julgar determinado fato, após sua prática. Ademais, a sumariedade
do rito, sem o direito à ampla produção probatória pelos réus, é indicativo de um sistema
inquisitivo, no qual não há respeito à ampla defesa.

Gabarito: A

03. FGV - Magis (ENAM)/ENAM/2024

A respeito do princípio da presunção de inocência, analise as afirmativas a seguir.

I. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria atinente à


possibilidade de execução imediata de pena aplicada pelo Tribunal do Júri, ainda que a sentença
condenatória proferida não tenha transitado em julgado.

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II. Segundo assentado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a presunção de inocência


impõe que a decretação de prisão cautelar se baseie em elementos concretos extraídos dos
autos, não sendo possível a vedação de liberdade provisória ex lege.

III. Tendo em vista que os recursos especial e extraordinário não possuem efeito suspensivo, a
pena imposta em acórdãos proferidos por tribunais de 2º grau pode ser executada
imediatamente, desde que efetuada a detração da prisão cautelar anteriormente imposta.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) III, apenas.

d) I e II, apenas.

e) II e III, apenas.

Comentário:

I. CORRETA: Item correto.

A Lei 13.964/19 (chamado “pacote anticrime”) alterou a redação do art. 492, I, “e” do CPP, para
permitir a execução provisória de pena criminal imposta pelo TRIBUNAL DO JÚRI, quando se
tratar de pena igual ou superior a 15 anos.

Considerando o aparente conflito com o texto constitucional, o caso chegou ao STF, que
reconheceu a repercussão geral do Tema (“Tema 10681: Descrição: Recurso extraordinário em
que se discute, à luz do art. 5º, inciso XXXVIII, alínea c, da Constitucional Federal, se a soberania
dos vereditos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de pena imposta pelo Conselho
de Sentença”).

Quando do julgamento do referido tema, o STF concluiu pela possibilidade de execução


imediata de condenação imposta pelo Conselho de Sentença no Tribunal do Júri, pelo princípio
da soberania dos veredictos. Inclusive, o STF atribuiu interpretação conforme à Constituição, com
redução de texto, ao art. 492 do CPP, com a redação da Lei nº 13.964/2019, excluindo do inciso I
da alínea "e" do referido artigo o limite mínimo de 15 anos para a execução da condenação
imposta pelo corpo de jurados. Ou seja, a condenação imposta pelos jurados no Tribunal do Júri
autoriza a execução imediata da pena imposta, sem necessidade de trânsito em julgado, ainda
que a pena fixada seja menor que 15 anos.

1
STF, RE 1235340.

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Assim, foi fixada a seguinte tese:

STF - Tema 1068 de Repercussão Geral

“A soberania dos veredictos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de


condenação imposta pelo corpo de jurados, independentemente do total da
pena aplicada.”.

II. CORRETA: Item correto. O STF entende que a prisão cautelar deve estar fundamentada em
elementos concretos que indiquem o perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado,
razão pela qual é inconstitucional qualquer previsão de vedação de liberdade provisória ex lege,
ou seja, previsão legal que impeça concessão de liberdade provisória abstratamente considerada
(ex.: vedação de concessão de liberdade provisória a crime hediondo), já que isso implicaria a
necessidade de decretação da prisão preventiva independentemente das circunstâncias do caso
concreto, o que faria com que a prisão perdesse seu caráter cautelar.

III. ERRADA: Item errado, pois o STF, quando do julgamento definitivo das ADCs 43, 44 e 54,
retomou seu entendimento clássico: a presunção de inocência deve ser compreendida nos
exatos termos da CF/88, ou seja, até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, de
forma que é vedada a execução provisória de pena criminal, ou seja, é vedada a execução de
pena criminal antes do trânsito em julgado.

Gabarito: D

04. FGV - AL (CAM DEP)/CAM DEP/Consultor Legislativo/Área XXII/2024

Acerca dos princípios reitores do processo penal, assinale a afirmativa correta.

a) Como corolário do princípio da ampla defesa, é direito do defensor, no interesse do


representado, ter acesso a todos elementos de prova, já documentados ou não, no
procedimento investigatório conduzido pela polícia judiciária.

b) O princípio do juiz natural inviabiliza que a pena cumprida no estrangeiro exclua ou reduza a
pena a ser cumprida no Brasil, ainda que se trate do mesmo fato criminoso.

c) Embora não seja absoluto, o princípio da identidade física consiste no mandamento de que o
juiz que presidiu a instrução deverá, a princípio, proferir a sentença.

d) Como decorrência do princípio do contraditório, pode-se afirmar que tanto a falta de defesa
quanto sua deficiência ensejam a nulidade absoluta do processo, independentemente da prova
de prejuízo para o réu.

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e) Embora vigente o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, o
exercício do direito de permanecer em silêncio não impede que o juiz considere esta
circunstância em prejuízo do réu na sentença.

Comentário:

a) ERRADA: Item errado, pois é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso a
todos elementos de prova já documentados no procedimento investigatório conduzido pela
polícia judiciária, nos termos da súmula vinculante 14. Ou seja, o direito a tal acesso não engloba
aquelas diligências ainda em curso ou que ainda serão realizadas, e cujo conhecimento pela
defesa possa gerar ineficácia da medida.

b) ERRADA: Item errado, pois o princípio do juiz natural não tem qualquer relação com tal fato.
Ademais, nos termos do art. 8º do CP, a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime será
abatida da pena eventualmente imposta no Brasil pelo crime, ou servirá como atenuante, caso
sejam penas de naturezas diversas.

c) CORRETA: Item correto, pois o princípio da identidade física do Juiz estabelece que o Juiz
que presidir a instrução deverá proferir a sentença. Vejamos o art. 399, §2º do CPP:

Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Contudo, existem algumas ressalvas a esta regra. Segundo o STJ, algumas situações afastam a
obrigatoriedade de que o Juiz que presidiu a instrução esteja obrigado a proferir sentença,
devendo ser relativizada a regra do art. 399, §2º do CPP. Isso ocorrerá nas hipóteses de Juiz:

➔ Promovido
➔ Licenciado
➔ Afastado
➔ Convocado
➔ Aposentado

Vejamos:

Informativo 483 do STJ

“Assim, diante da ausência de outras normas específicas que regulamentem o


mencionado dispositivo legal, o STJ entende dever ser admitida a mitigação do
aludido princípio nos casos de convocação, licença, promoção, aposentadoria ou
afastamento por qualquer motivo que impeça o juiz que presidiu a instrução a
sentenciar o feito, por aplicação analógica, devidamente autorizada pelo art. 3º
do CPP, da regra contida no art. 132 do CPC. Ao prosseguir o julgamento, a

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Turma concedeu a ordem para anular a sentença proferida contra o paciente. HC


185.859-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/9/2011. “

d) ERRADA: Item errado, pois, no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta,
mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Trata-se de
entendimento sumulado do STF:

Súmula 523 do STF

No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua


deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.

e) ERRADA: Item errado, pois o direito ao silêncio, decorrência natural do princípio da vedação à
autoincriminação, engloba o direito de não ser prejudicado pelo exercício do silêncio. Ou seja, o
silêncio não importa confissão, nem pode ser interpretado em prejuízo da defesa, nos termos do
art. 186, parágrafo único, do CPP.

Gabarito: C

05. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2024

A República Federativa Alfa reconhece o Poder Judiciário como um dos poderes independentes
da República. Em Alfa há um órgão de acusação independente e diferente do Judiciário,
responsável por formular acusações criminais, tendo a iniciativa probatória.

Em Alfa, um acusado seria um sujeito de direitos no âmbito do processo penal, e os princípios


democráticos do processo penal, tais como o princípio do Juiz Natural e da presunção de
inocência, são reconhecidos.

A partir dos dados fornecidos, o país Alfa adota o sistema processual com traços mais marcantes
do sistema

a) acusatório.

b) inquisitivo.

c) misto.

d) consensual.

Comentário:

A partir dos dados fornecidos, é possível concluir que o país Alfa adota o sistema processual com
traços mais marcantes do sistema acusatório, quais sejam:

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● Clara separação entre as funções de acusar e julgar


● Limitação da atuação “ex officio” do Juiz
● Contraditório e ampla defesa como garantias do indivíduo
● Predomina a publicidade
● Iniciativa probatória delegada às partes (iniciativa probatória do Juiz apenas de forma
excepcional e subsidiária)

Gabarito: A

06. FGV - Ana (PGM Niterói)/Pref Niterói/Processual/2023

João, após ser condenado em diversos processos criminais, com sentenças transitadas em
julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio, veio a falecer. João fora condenado a penas
(1) privativas de liberdade e de (2) prestação de serviços à comunidade, bem como a (3) ressarcir
os danos que causara aos lesados. Em razão desse quadro, seus herdeiros ficaram preocupados
com a possibilidade de terem de cumprir as penas aplicadas a João e ainda não cumpridas.

Ao procurarem a orientação de um advogado, foi corretamente informado aos herdeiros,


considerando as três medidas impostas a João, que:

a) somente podem vir a cumprir as medidas 2 e 3;

b) somente podem vir a cumprir a medida 3;

c) somente podem vir a cumprir a medida 1;

d) não devem arcar com nenhuma delas;

e) devem arcar com todas elas.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, os herdeiros somente podem ser obrigados a cumprir a medida 3, ou seja, ressarcir
os danos que causara aos lesados, em razão do princípio da intranscendência da pena, que
estabelece que nenhuma pena passará da pessoa do condenado, de forma que as penas
impostas (itens 1 e 2) não poderão ser executadas contra os herdeiros. Todavia, a obrigação de
reparar o dano se estende aos sucessores, até o limite do patrimônio transferido a título de
herança, nos termos do art. 5º, XLV da CF/88:

Art. 5º (...) XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a


obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos
termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do
valor do patrimônio transferido;

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GABARITO: LETRA B

07. FGV - JL (TJ BA)/TJ BA/2023

João foi processado criminalmente pela suposta prática do crime de roubo. Ao fim do processo,
após a apresentação de alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa técnica, o juiz
chega à conclusão de que não há prova suficiente para condenação, motivo pelo qual absolve o
acusado.

Nesse cenário, o juiz decidiu ancorado no princípio da:

a) presunção de não culpabilidade;

b) não autoincriminação;

c) busca da verdade;

d) ampla defesa;

e) verdade real.

COMENTÁRIOS

Nesse cenário, o juiz decidiu ancorado no princípio da presunção de não culpabilidade. O


princípio da presunção de inocência, ou presunção de não culpabilidade, estabelece que
“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Daí decorre que o estado natural é o de inocência, de maneira que o ônus da prova da culpa
recai sobre a acusação. Uma vez que o Juiz entenda pela ausência de prova cabal quanto à culpa
do réu, deverá absolvê-lo, pois o princípio da presunção de inocência conduz à conclusão de que
a dúvida sobre a culpa beneficia o réu (in dubio pro reo).

GABARITO: LETRA A

08. FGV - Aud Est (CGE SC)/CGE SC/Direito/2023

Considerando os princípios regentes do processo penal e a jurisprudência dos Tribunais


Superiores, assinale a afirmativa correta.

a) O princípio do Juiz Natural no âmbito do processo penal, por se correlacionar com o bem
jurídico liberdade, é incompatível com a ideia de competência relativa ou prorrogação de
competência.

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b) O princípio da proibição da produção de provas contra si próprio impede a aplicação de


sanção administrativa ao investigado que se recusa a se submeter a procedimento que pode, em
tese, incriminá-lo.

c) O princípio da lealdade processual é inaplicável no processo penal, por incompatibilidade


com o princípio nemo tenetur se detegere.

d) O princípio da iniciativa das partes não impede o magistrado de reconhecer, de ofício,


circunstâncias que interfiram na quantidade de pena aplicada.

e) O princípio da ampla defesa engloba o direito à autodefesa do acusado, o que lhe assegura
capacidade postulatória no âmbito do processo penal, sem prejuízo do direito à constituição de
defensor técnico.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o princípio do Juiz Natural não é incompatível com a ideia de
competência relativa ou prorrogação de competência. Logo, é possível falar-se em competência
relativa no processo penal, de forma que sendo o Juízo relativamente incompetente (ex.:
competência territorial), a incompetência deve ser arguida oportunamente, caso contrário, haverá
a “prorrogação da competência”, ou seja, o Juízo originalmente incompetente, mas perante o
qual foi ajuizada a ação penal, passará a ser competente para julgar a demanda, ante a ausência
de arguição de sua incompetência no prazo adequado.

b) ERRADA: Item errado, pois o princípio da proibição da produção de provas contra si próprio
(nemo tenetur se detegere) não impede a aplicação de sanção administrativa ao investigado que
se recusa a se submeter a procedimento que pode, em tese, incriminá-lo (ex.: multa de trânsito a
condutor que se recusa a realizar o teste do bafômetro).

c) ERRADA: Item errado, pois o princípio da lealdade processual é também é aplicável ao


processo penal, e consiste no dever imposto aos sujeitos do processo de agir com base na
boa-fé e na moralidade, com vistas à solução da lide.

d) CORRETA: Item correto, pois o princípio da iniciativa das partes (ou princípio da inércia
jurisdicional) não impede o magistrado de reconhecer, de ofício, circunstâncias que interfiram na
quantidade de pena aplicada (ex.: reconhecer, de ofício, agravantes, nos termos do art. 385 do
CPP).

e) ERRADA: Item errado, pois a autodefesa não garante ao acusado a capacidade postulatória no
processo penal, devendo o acusado estar patrocinado por um profissional habilitado, seja um
advogado ou defensor público, que será o responsável por sua defesa técnica. Caso o próprio
acusado tenha habilitação técnica (seja advogado), poderá ele próprio exercer sua defesa
técnica.

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Frise-se, porém, que excepcionalmente o CPP confere capacidade postulatória autônoma ao


acusado, como, por exemplo, no caso de revisão criminal, nos termos do art. 623 do CPP:

Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão.

Assim, o ajuizamento da revisão criminal, por exemplo, pode ser feito pelo próprio condenado,
diretamente, sem necessidade de advogado.

GABARITO: LETRA D

09. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

O princípio da não autoincriminação tem aplicação na fase processual e, segundo ele, o acusado
não estaria obrigado a colaborar para a formação da convicção do julgador se isso desatender
aos seus próprios interesses. Por ser a busca pessoal ato pré-processual, o Aviso de Miranda é
dispensável, até mesmo porque o interrogatório sub-reptício não surte efeitos processuais;

COMENTÁRIOS

Item errado, pois o chamado “aviso de Miranda” (advertência o indiciado/acusado quanto ao seu
direito de permanecer em silêncio) é indispensável, devendo o indiciado/acusado ser informado
previamente quanto ao seu direito de permanecer em silêncio. Frise-se que a ausência de tal
informação ao interrogando gera nulidade relativa (tese nº 13 da edição 69 da jurisprudência em
teses do STJ).

GABARITO: ERRADA

10. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

Embora não esteja previsto expressamente na Constituição, o princípio acusatório é decorrência


lógica da adoção de uma Constituição democrática. Neste sentido, a decisão do Supremo
Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da figura do juiz de garantias preserva a
imparcialidade do juízo da instrução que não participa da fase pré-processual e não terá acesso
aos autos que compõem as matérias de competência do primeiro;

COMENTÁRIOS

A primeira parte da afirmativa está correta: “Embora não esteja previsto expressamente na
Constituição, o princípio acusatório é decorrência lógica da adoção de uma Constituição
democrática. Neste sentido, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade

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da figura do juiz de garantias preserva a imparcialidade do juízo da instrução que não participa
da fase pré-processual”.

Todavia, a parte final está errada, ao dizer que o Juiz da instrução não terá acesso aos autos que
compõem as matérias de competência do Juiz de garantias. O STF reconheceu a
constitucionalidade da figura do Juiz das garantias, mas declarou a inconstitucionalidade, com
redução de texto, dos §§ 3º e 4º do art. 3º-C do CPP, incluídos pela Lei nº 13.964/2019, e atribuiu
interpretação conforme à CF/88, para fixar que os autos que compõem as matérias de
competência do juiz das garantias serão remetidos ao juiz da instrução e julgamento.

GABARITO: ERRADA

11. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

Embora tenha assento constitucional, ao autorizar a execução antecipada da pena, o Supremo


Tribunal Federal ignorou a literalidade do conceito de trânsito em julgado e com isso malferiu o
princípio da presunção de inocência, incorrendo em flexibilização sem precedentes das
liberdades fundamentais.

COMENTÁRIOS

Item correto. O STF, contrariando a literalidade da CF/88, chegou a relativizar o princípio da


presunção de inocência, entendendo que a presunção de inocência iria somente até o
esgotamento das instâncias ordinárias (até segundo grau de jurisdição). A partir daí, seria possível
a execução provisória de pena, não sendo mais possível falar em presunção de inocência, por já
haver condenação em segunda instância, ainda que pendente julgamento de Recurso Especial
para o STJ ou Recurso Extraordinário para o STF.

Porém, este entendimento (que se iniciou quando do julgamento do HC 12.292) foi


posteriormente abandonado pelo STF, quando do julgamento definitivo das ADCs 43, 44 e 54,
tendo o STF retomado seu entendimento clássico: a presunção de inocência deve ser
compreendida nos exatos termos da CF/88, ou seja, até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória, de forma que é vedada a execução provisória de pena criminal.

GABARITO: CORRETA

12. FGV - Aud Est (CGE SC)/CGE SC/Direito/2023

Acerca dos sistemas processuais penais e a legislação processual penal brasileira interpretada
pelos Tribunais Superiores, assinale a afirmativa correta.

a) A adoção do sistema acusatório no direito brasileiro advém da legislação adjetiva penal, que
em sua redação original demonstrava a opção pelo sistema acusatório puro.

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b) O sistema acusatório se caracteriza pela separação entre as funções de acusador e julgador,


podendo haver, acidentalmente, a proibição de produção de provas de ofício pelo magistrado.

c) O sistema adversarial é sinônimo de sistema acusatório puro, e se caracteriza pela separação


absoluta entre acusação e órgão julgador.

d) A Jurisprudência do STF é no sentido de que o sistema inquisitivo adotado no Brasil torna


inadmissível a decretação da prisão preventiva, de ofício, pelo magistrado.

e) É compatível com o sistema acusatório adotado no Brasil a requisição, pelo Magistrado, de


indiciamento do acusado, desde que realizada após o recebimento da denúncia.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois a redação original do CPP não demonstrava a opção expressa pelo
sistema acusatório puro, o que somente veio a acontecer com as alterações promovidas pela Lei
13.964/19 (“pacote anticrime”), notadamente pela inclusão do art. 3º-A no CPP:

Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.298)
(Vide ADI 6.300) (Vide ADI 6.305)

b) CORRETA: Item correto, pois, de fato, a clara separação entre as funções de acusador e
julgador é uma das características marcantes do sistema acusatório, que pode prever, ainda a
proibição de produção de provas de ofício pelo magistrado, como forma de assegurar maior
distanciamento do Juiz em relação à produção da prova, de maneira a reforçar sua
imparcialidade.

c) ERRADA: Item errado, pois o chamado “sistema adversarial” tem relação com os poderes
instrutórios do Juiz, de forma que neste há predominância das partes na produção probatória.
Contrapõe-se ao sistema inquisitorial, no qual o Juiz, sem se afastar de sua posição de julgador,
pode ter iniciativa probatória em certos casos. Um sistema acusatório (referente ao processo
penal como um todo) pode adotar, no que se refere à iniciativa probatória pelo Juiz, tanto o
sistema adversarial (que concentra nas mãos das partes a iniciativa probatória) quanto o sistema
inquisitorial (que confere ao Juiz a iniciativa probatória em certos casos). Desta forma, podemos
ter um sistema acusatório em que somente as partes podem ter a iniciativa probatória (sistema
acusatório-adversarial), bem como um sistema acusatório no qual o Juiz possa, em certos casos,
determinar de ofício a produção de alguma prova (sistema acusatório-inquisitório).

d) ERRADA: Item errado, pois se adota, no Brasil, um sistema acusatório, nos termos do art. 3º-A
do CPP.

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e) ERRADA: Item errado, pois o indiciamento é ato privativo da autoridade policial, não podendo
ser requisitado o indiciamento pelo Juiz, nos termos do art. 2º, §6º da Lei 12.830/13.

GABARITO: LETRA B

13. FGV - TJ RN/TJ RN/Judiciária/2023

João ingressou em um ônibus e, mediante grave ameaça, consubstanciada no emprego de arma


de fogo, exigiu a entrega dos telefones celulares dos passageiros.

Ato contínuo, João se evadiu, vindo a ser capturado em flagrante por policiais que realizavam
patrulhamento de rotina na região.

Após os fatos, João foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde manifestou o desejo de ser
informado sobre o nome dos policiais que lhe prenderam.

Nesse cenário, considerando as disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Processual


Penal, é correto afirmar que:

a) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para o exercício do
contraditório e da ampla defesa;

b) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas, para o exercício do contraditório e
da ampla defesa;

c) João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, desde que assine termo de
compromisso de manter a informação sob sigilo;

d) a prisão de João deverá ser comunicada imediatamente ao juiz competente e à família do


preso ou à pessoa por ele indicada;

e) João não tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, considerando o caráter
inquisitorial do inquérito policial.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, art. 5º, LXIV da
CF/88, bem como sua prisão (e o local onde se encontre) deve ser comunicada ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada, nos termos do art. 5º, LXII da
CF/88,

Art. 5º (...)

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LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados


imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele
indicada;

(...)

LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por
seu interrogatório policial;

Frise-se que o art. 306 do CPP ainda inclui o MP dentre aqueles que devem receber a
comunicação imediata da prisão e do local em que o preso se encontre.

Quanto à defensoria pública, esta somente receberá cópia do APF, em 24h, caso o preso não
indique advogado.

GABARITO: LETRA D

14. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)

O direito processual penal é regido por diversos princípios, dentre os quais o do nemo tenetur se
detegere, pelo qual ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. Com base no
princípio em questão e na jurisprudência dos Tribunais Superiores:

A) a atribuição de falsa identidade pelo suspeito ou investigado, ainda que em situação de


autodefesa, configura fato típico;

B) a recusa do investigado em prestar informações quando intimado em sede policial poderá


justificar, por si só, o seu indiciamento pela autoridade policial;

C) as provas que exijam comportamento passivo do investigado não poderão ser produzidas sem
sua concordância;

D) a alteração de cena do crime pelo agente não configura fraude processual;

E) apenas o preso poderá valer-se do direito ao silêncio, não se estendendo tal proteção aos
investigados.

COMENTÁRIOS

A) CORRETA: Item correto, pois a atribuição de falsa identidade pelo suspeito ou


investigado, ainda que em situação de autodefesa, configura fato típico (crime de falsa
identidade), conforme súmula 522 do STJ.

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B) ERRADA: Item errado, pois a recusa do investigado em prestar informações quando intimado
em sede policial NÃO poderá justificar, por si só, o seu indiciamento pela autoridade policial, na
medida em que a recusa do investigado em colaborar não configura assunção de culpa, estando
abarcada pelo princípio da vedação à autoincriminação.

C) ERRADA: Item errado, pois as provas que exijam comportamento passivo do


investigado PODERÃO ser produzidas sem sua concordância, como é o caso do reconhecimento
pessoal. O investigado/acusado somente não poderá ser obrigado a participar ATIVAMENTE de
prova contrária ao seu interesse.

D) ERRADA: Item errado, pois a alteração de cena do crime pelo agente configura fraude
processual (art. 347 do CP), não estando abarcada pela autodefesa, já que não é lícito ao
acusado adulterar a cena do crime para induzir a erro o perito ou o julgador.

E) ERRADA: Item errado, pois o direito ao silêncio é garantia que se estende a qualquer pessoa
que se encontre na condição de investigado/acusado, esteja presa ou solta.

GABARITO: LETRA A

15. (FGV / 2018 / AL-RO / CONSULTOR)

Com base no princípio da presunção de inocência, a prisão preventiva deve ser decretada
apenas quando as medidas cautelares alternativas não forem suficientes, não mais havendo
prisão automática em razão de sentença condenatória de primeira instância.

COMENTÁRIOS

O princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém pode ser considerado culpado
antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Logo, a prisão antes do trânsito
em julgado nunca pode ser compreendida como “castigo”, “pena” ao acusado, na medida em
que a pena pressupõe a culpa, e a culpa somente está definida quando do término do processo.

Logo, toda prisão no curso da persecução penal deve ser uma prisão de caráter cautelar (visando
à preservação de algum interesse da investigação ou do processo). Além disso, dado o Estado
natural de liberdade (a liberdade é a regra, não a exceção), a prisão cautelar deve ser concebida
como última hipótese, somente sendo admitida quando outras medidas cautelares pessoais
(medidas cautelares diversas da prisão) não forem suficientes para alcançar o mesmo fim.

GABARITO: Correta

16. (FGV / 2018 / AL-RO / CONSULTOR)

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Inspirado no princípio de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, o agente pode se
recusar a realizar exame de etilômetro (bafômetro), podendo, porém, o crime ser demonstrado
por outros meios de prova.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois o princípio da vedação à autoincriminação (ou nemo tenetur se detegere)
estabelece que ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, de forma que o
indiciado/acusado pode se recusar a participar ativamente da produção de prova contrária ao seu
interesse, como seria o exame do bafômetro. Todavia, nada impede que o fato criminoso (ex.:
dirigir embriagado) seja comprovado por outros meios (ex.: depoimento dos policiais, indicando
embriaguez evidente, filmagens, etc.).

GABARITO: Correta

17. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O Código de Processo Penal prevê o princípio da identidade física do juiz, estabelecendo que o
juiz responsável pelo recebimento da denúncia deverá proferir sentença, ainda que outro seja o
que presida a instrução.

COMENTÁRIOS

O princípio da identidade física do Juiz estabelece que o Juiz que presidiu a instrução deverá
proferir sentença (art. 399, §2º do CPP):

Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Logo, a princípio, caberá ao Juiz da instrução a prolação da sentença.

GABARITO: Errada

18. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O princípio da motivação das decisões traz como consequência a nulidade da decisão


fundamentada de maneira sucinta e daquelas que se utilizem, ainda que em parte, da motivação
per relationem.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois a fundamentação sucinta não é vedada, desde que satisfaça os requisitos
legais. Não se exige extensa fundamentação, desde que a fundamentação, embora sucinta, seja
capaz de externar os motivos concretos que conduziram o julgador a tomar a decisão.

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Ademais, a fundamentação referida ou “fundamentação per relationem”, que ocorre quando


utiliza trechos de decisões pretéritas ou parecer ministerial como razões para sua decisão, não é
vedada em absoluto, desde que a matéria tenha sido abordada pelo próprio julgador, com
menção a argumentos próprios. Ou seja, não pode o julgador se limitar a utilizar a
fundamentação per relationem, embora possa utilizá-la para endossar os argumentos que ele
próprio utilizou:

(...) É entendimento deste Tribunal a validade da "utilização da técnica da


fundamentação per relationem, em que o magistrado se utiliza de trechos de
decisão anterior ou de parecer ministerial como razão de decidir, desde que a
matéria haja sido abordada pelo órgão julgador, com a menção a argumentos
próprios" (RHC n. 94.488/PA, relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 19/4/2018, DJe 2/5/2018), exatamente como na espécie,
não havendo que falar em nulidade da decisão agravada.

(...) (AgRg no RHC 149.020/MG, Rel. Ministro OLINDO MENEZES


(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEXTA TURMA,
julgado em 23/11/2021, DJe 29/11/2021)

GABARITO: Errada

19. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O princípio da inexigibilidade de autoincriminação permite que o acusado apresente, em sede


policial ou em juízo, nome e dados qualificativos falsos sem que isso constitua crime.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois o entendimento dos Tribunais Superiores é pacífico no sentido de que o
princípio da vedação à autoincriminação não pode ser utilizado como argumento para a
atribuição de falsa identidade ou falsos qualificativos. Inclusive, o STJ possui a súmula 522,
estabelecendo que a atribuição de falsa identidade configura crime, ainda que em situação de
alegada autodefesa (ex.: atribuir-se nome falso, para evitar cumprimento de mandado de prisão
expedido contra si):

Súmula 522 do STJ

A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,


ainda que em situação de alegada autodefesa.

GABARITO: Errada

20. (FGV / 2018 / TJAL / TÉCNICO)

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Perante a 1ª Vara Criminal de determinada comarca de Tribunal de Justiça, corre processo em


que se investiga a prática de crimes gravíssimos de organização criminosa e tráfico de drogas,
sendo, inclusive, investigados grandes empresários do Estado. Considerando o fato de que o juiz
titular do órgão estaria afastado de licença médica há muitos anos, diversos juízes participaram
do feito: João proferiu decisões autorizando medidas cautelares antes mesmo da denúncia;
Jorge foi o responsável pelo recebimento da denúncia e por analisar o teor das respostas à
acusação apresentadas pela defesa; José participou da audiência de instrução e interrogatório
dos réus. Após apresentação das alegações finais, diante da complexidade do processo e dos
inúmeros volumes, o Tribunal de Justiça decidiu criar uma 5ª Vara Criminal especificamente para
julgamento desse processo, impedindo que a 1ª Vara Criminal tivesse seu processamento
dificultado pela dedicação do magistrado que lá atuava à sentença que deveria ser produzida.
Com a sentença publicada, a 5ª Vara Criminal seria extinta.

Com base na situação exposta, a criação da 5ª Vara Criminal com o objetivo de proferir sentença
no processo complexo:

A) é válida, mas não poderá ela ser extinta logo após a sentença ser publicada em razão da
possibilidade de recursos;

B) não é válida, cabendo a João proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz;

C) é válida, podendo ela ser extinta logo após a publicação da sentença, nos termos previstos no
ato do Tribunal de Justiça;

D) não é válida, cabendo a Jorge proferir a sentença em razão do princípio da identidade física
do juiz;

E) não é válida, cabendo a José proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, há violação a dois princípios.

O primeiro deles é o princípio do Juízo Natural, eis que foi criado um Juízo de exceção, uma Vara
única e exclusivamente criada para julgar determinado fato criminoso, o que configura odioso
casuísmo, vedado pela CF/88, conforme art. 5º, XXXVII:

Art. 5º (...) XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

Portanto, a criação da 5º Vara, com essa única finalidade, configura violação ao princípio do Juízo
natural, não sendo válida.

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Outra violação se refere ao princípio da identidade física do Juiz, também violado, pois,
analisando-se sob o prisma da figura física do Juiz, cabe ao Juiz que presidiu a instrução proferir
sentença (art. 399, §2º do CPP). Logo, caberia ao Juiz José proferir sentença.

GABARITO: Letra E

21. (FGV – 2018 – TJ-AL – OFICIAL DE JUSTIÇA – REAPLICAÇÃO)

O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.

Considerando as informações narradas, o Oficial de Justiça Caio deverá realizar a citação de


Jorge observando os termos da:

(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;

(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;

(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;

(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;

(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.

COMENTÁRIOS

Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da
legislação anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:

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Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

22. (FGV – 2018 – TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA)

Carlos conduzia seu veículo automotor de maneira tranquila, quando foi parado em uma
operação que verificava a condução de veículo automotor em via pública sob a influência de
álcool. Apesar de estar totalmente consciente de seus atos, Carlos havia ingerido 07 (sete) latas
de cerveja, razão pela qual temia que o teste do “bafômetro” identificasse percentual acima do
permitido em lei.

De acordo com a jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, Carlos:

(A) não é obrigado a realizar o exame, que exige um comportamento positivo seu,
respeitando-se a regra de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, diferentemente do
que ocorreria se fosse necessária apenas cooperação passiva;

(B) é obrigado a realizar o exame, tendo em vista que esse é indispensável para a configuração
do tipo, sempre podendo o resultado ser utilizado como meio de prova;

(C) não é obrigado a realizar o exame, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si, seja
através de cooperação ativa seja com cooperação passiva, como no caso de ato de
reconhecimento de pessoa;

(D) é obrigado a realizar o exame, ainda que este seja desnecessário para a configuração do
tipo, que pode ser demonstrado por outros meios de prova;

(E) é obrigado a realizar o exame, mas seu resultado poderá ou não ser utilizado como meio de
prova de acordo com a vontade de Carlos, já que ninguém é obrigado a produzir prova contra si.

COMENTÁRIOS

No bojo do princípio da inexigibilidade de autoincriminação (nemo tenetur se detegere) há o


direito, dentre outros, de não ser compelido a praticar comportamento ativo contra si próprio,
ou seja, o réu (ou indiciado ou suspeito) não pode ser obrigado a participar ATIVAMENTE da
produção de qualquer prova, podendo se recusar a participar sempre que entender que isso
pode prejudica-lo. Todavia, o réu (ou indiciado ou suspeito) pode ser obrigado a participar da
audiência de reconhecimento (pois não se trata de um comportamento ativo, e sim passivo.
Assim, o princípio da vedação à autoincriminação não impede que o suspeito/indiciado/acusado

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seja compelido a cooperar PASSIVAMENTE, embora não possa ser compelido a cooperar
ATIVAMENTE (como é o caso do teste do bafômetro).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

23. (FGV – 2008 – TJ-MS – JUIZ DE DIREITO)

Relativamente aos princípios processuais penais, é incorreto afirmar que:

A) o princípio da presunção de inocência recomenda que em caso de dúvida o réu seja


absolvido.

B) o princípio da presunção de inocência recomenda que processos criminais em andamento não


sejam considerados como maus antecedentes para efeito de fixação de pena.
==16c639==

C) os princípios do contraditório e da ampla defesa recomendam que a defesa técnica se


manifeste depois da acusação e antes da decisão judicial, seja nas alegações finais escritas, seja
nas alegações orais.

D) o princípio do juiz natural não impede a atração por continência nos casos em que o co-réu
possui foro por prerrogativa de função quando o réu deveria ser julgado por um juiz de direito de
primeiro grau.

E) o princípio da vedação de provas ilícitas não é absoluto, sendo admissível que uma prova ilícita
seja utilizada quando é a única disponível para a acusação e o crime imputado seja considerado
hediondo.

COMENTÁRIOS

A) CORRETA: Como vimos, a presunção de inocência norteia todo o desenvolvimento do


processo, pois se considera o acusado inocente até que haja sentença penal condenatória
irrecorrível. Assim, havendo dúvidas, deverá o réu ser absolvido, pelo princípio do favor rei, que
decorre da presunção de inocência.

B) CORRETA: O STF entende que Inquéritos e Processos criminais em curso não podem ser
considerados maus antecedentes, pois, no primeiro caso, sequer há acusado, e no segundo
ainda não houve decisão irrecorrível condenando o réu.

C) CORRETA: Um dos baluartes da ampla defesa e do contraditório é o direito que a defesa


possui de se manifestar após a acusação. Sim, pois se isso não fosse possível, a acusação poderia
fazer alegações e produzir provas que não poderiam ser refutadas pela defesa, o que implicaria
em violação à ampla defesa e ao contraditório.

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D) CORRETA: Quando dois réus cometem um crime, e um deles possui prerrogativa de foro,
conhecido também como foro privilegiado (direito de ser julgado perante determinado Tribunal,
conforme o cargo ocupado), é possível que, por conveniência da instrução criminal, ambos sejam
julgados conjuntamente pelo Tribunal perante o qual responde aquele que tem prerrogativa de
foro (súmula 704 do STF). Isso não ofende o Juiz natural pois é uma possibilidade previamente e
abstratamente prevista em lei.

E) INCORRETA: Ao contrário do que admite a questão, tal princípio não pode ser relativizado em
favor da acusação, mas somente em favor da defesa, quando esta prova for o único meio de se
obter a absolvição do réu, em razão de estar em jogo o direito à liberdade do acusado
(entendimento doutrinário majoritário).

Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA É A LETRA E.

24. (FGV – 2014 – TJ-GO – ANALISTA JUDICIÁRIO – APOIO JUDICIÁRIO E


ADMINISTRATIVO)

Inserido no título de direitos e garantias fundamentais, o Art. 5º da Constituição da República


trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. Em matéria processual, tal norma estabelece
que:

a) as provas obtidas por meios ilícitos são admissíveis, no processo, com escopo de prestigiar a
verdade real;

b) a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa de uma das
partes o exigir;

c) aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são


assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

d) ninguém será considerado culpado até a prolação de sentença penal condenatória recorrível,
proferida por juiz competente e observados o contraditório e ampla defesa;

e) o jurisdicionado poderá ser processado, mas não sentenciado senão pela autoridade judiciária
competente.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Tais provas são INADMISSÍVEIS no processo, nos termos do art. 5º, LVI da
Constituição.

B) ERRADA: A restrição à publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o


interesse social o exigirem, nos termos do art. 5º, LX.

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C) CORRETA: Esta é a previsão contida no art. 5º, LV da Constituição:

Art. 5º (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos


acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes;

D) ERRADA: Item errado, pois o princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém
será considerado culpado antes do TRÂNSITO EM JULGADO de sentença penal condenatória,
nos termos do art. 5º, LVII da Constituição.

E) ERRADA: Item errado, pois a Constituição estabelece que ninguém será processado nem
julgado senão pela autoridade competente, nos termos do art. 5º, LIII da CRFB/88.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

25. (FGV – 2014 – ASSEMB. LEGISLATIVA-BA – TÉCNICO SUPERIOR)

Inúmeras são as normas relacionadas à prisão que acarretam medidas de proteção aos direitos
individuais, dentre as quais a informação sobre os direitos do cidadão preso, que deve ser
informado do seu direito de permanecer em

a) silêncio.

b) observação.

c) detenção provisória.

d) albergue especial.

e) prisão domiciliar.

COMENTÁRIOS

Um dos direitos constitucionais assegurados ao preso é de permanecer calado, ou seja, em


silêncio, nos termos do art. 5º, LXIII da Constituição:

Art. 5º (...) LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de
advogado;

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

26. (FGV – 2008 – TJ-MS – JUIZ - ADAPTADA)

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O princípio do juiz natural é uma garantia constitucional que somente poderá ser excepcionada
mediante decisão da maioria dos integrantes do tribunal ao qual estiver submetido o juiz.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois o princípio do juiz natural é uma garantia que não pode ser excepcionada, o
que não impede a criação de varas especializadas.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS – APLICAÇÃO DA
LEI PROCESSUAL PENAL
1. (FGV/2018/AL-RO/CONSULTOR)

Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para
atingir fatos anteriores a sua entrada em vigor.

COMENTÁRIOS

Item errado. A Lei processual penal, pelo princípio do efeito imediato, tem aplicação imediata,
seja ela benéfica ou prejudicial ao agente, aplicando-se inclusive aos processos em curso
(obviamente, tais processos se referem a fatos praticados antes da entrada em vigor da nova lei
processual), mas sem prejudicar os atos processuais já validamente realizados sob a vigência da
lei anterior, nos termos do art. 2º do CPP:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.

Aplicam-se aqui as regras da lei PROCESSUAL penal no tempo, não as regras da lei penal no
tempo.

GABARITO: ERRADA

2. (FGV / 2018 / TJSC / TÉCNICO)

No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.

O técnico judiciário, no momento de auxiliar no processamento do feito, deverá aplicar a:

A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;

B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;

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C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;

D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;

E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.

COMENTÁRIOS
==16c639==

Nesse caso, deve ser aplicada a nova lei processual penal, nos termos do art. 2º do CPP, ainda
que desfavorável ao réu, por se tratar de norma puramente processual. Serão respeitados,
porém, os atos já praticados, pelo princípio do tempus regit actum.

Por fim, o CPP admite interpretação extensiva e aplicação analógica da lei processual, nos termos
do art. 3º do CPP.

GABARITO: Letra E

3. (FGV – 2018 – TJ-AL – OFICIAL DE JUSTIÇA)

O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.

Considerando as informações narradas, o Oficial de Justiça Caio deverá realizar a citação de


Jorge observando os termos da:

(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;

(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;

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(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;

(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;

(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.

COMENTÁRIOS

Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da
legislação anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:

Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.

GABARITO: LETRA D.

4. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Em 23 de novembro de 2015 (segunda


feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio, advogado de defesa de réu em ação
penal de natureza condenatória, é intimado da sentença condenatória de seu cliente. No curso
do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza puramente processual, que
alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para apresentação de
recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro de 2015, dia
útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas razões.

Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é

A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo
prazo recursal deve ser observado.

B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.

C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.

D) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o


antigo prazo recursal deve ser observado.

COMENTÁRIOS

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Pelo princípio do tempus regit actum, a lei processual penal tem aplicação imediata aos
processos em curso, mas só se aplica aos ATOS PROCESSUAIS FUTUROS, ou seja, não se aplica
àqueles que já foram realizados, nos termos do art. 2º do CPP.

No caso do recurso, como o prazo recursal já havia se iniciado antes da entrada em vigor da lei
nova, esse prazo será regido pela lei antiga (que vigorava quando o prazo começou a fluir).

Assim, a lei processual nova só se aplica aos prazos recursais FUTUROS, não àqueles que já se
iniciaram antes de sua vigência.

Assim, considerando o prazo antigo (05 dias), o recurso é tempestivo, pois o prazo findou em
28.11.2015, que foi sábado, sendo prorrogado até dia 30.11.2015, dia útil seguinte.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

5. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou
um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então, denunciado como incurso nas sanções
penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No curso do processo, mas antes de ser
proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de Processo Penal de natureza
exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo que o rito a ser seguido no
recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que a mudança foi prejudicial,
pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.

Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João

A) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
imediata aplicação da nova lei.

B) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da


irretroatividade da lei prejudicial e de o fato ter sido praticado antes da inovação.

C) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da


ultratividade da lei.

D) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.

COMENTÁRIOS

No processo penal vigora o princípio do tempus regit actum, ou seja, o ato processual será
praticado de acordo com a lei processual que vigorar no momento de sua realização,
independentemente de se tratar de lei processual mais gravosa do que aquela que vigorava no
momento da prática do delito, nos termos do art. 2º do CPP.

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Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

6. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) Em um processo em que se apura a prática


dos delitos de supressão de tributo e evasão de divisas, o Juiz Federal da 4ª Vara Federal
Criminal de Arroizinho determina a expedição de carta rogatória para os Estados Unidos da
América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento à carta, o tribunal
americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à Justiça Brasileira, a 4ª Vara
Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, ao se deparar com o teor do ato praticado,
requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que não foram obedecidas as garantias
processuais brasileiras para o réu.

Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espaço, a alegação do advogado


está correta?

A) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território nacional.

B) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas


processuais brasileiras só se aplicam no território nacional.

C) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território.

D) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional.

COMENTÁRIOS

No Direito Processual Penal vigora o princípio da territorialidade da aplicação da lei processual, o


que significa dizer que a Lei Processual brasileira (no caso, o CPP) somente se aplica no
TERRITÓRIO NACIONAL, não havendo que se falar em utilização da lei processual brasileira para
um ato praticado fora do Brasil.

Isso, inclusive, já foi decidido pelo STF, exemplificativamente, no HC 91444/RJ.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

7. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) O processo penal reger-se-á, em todo o


território brasileiro, pelo Código de Processo Penal, não havendo qualquer ressalva prevista
neste diploma.

COMENTÁRIOS

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Item errado, pois o próprio CPP traz diversas ressalvas em seu art. 1º, como as hipóteses de
existência de tratado internacional, ou em relação aos crimes militares (para os quais será
aplicada a lei processual penal militar, e só de forma subsidiária o CPP), etc.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

8. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) O processo penal rege-se


pelo Código de Processo Penal, em todo o território brasileiro ressalvados, entre outros, os
tratados, as convenções e regras de direito internacional.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois a regra é a aplicação do princípio da territorialidade, ou seja, ao processo


penal realizado no território brasileiro, aplica-se o CPP. Contudo, existem algumas exceções,
dentre as quais se encontra a hipótese de existência de tratados, convenções ou regras de direito
internacional, nos termos do art. 1º, I do CPP.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

9. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) A Lei n. 9.099/95 modificou a espécie de


ação penal para os crimes de lesão corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida
lei, tais delitos passaram a ser de ação penal pública condicionada à representação. Tratando-se
de questão relativa à Lei Processual Penal no Tempo, assinale a alternativa que corretamente
expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que não haviam transitado em julgado
quando da alteração legislativa.

A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.

B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento


em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou não.

C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.

D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento


em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis é mais gravosa ou não.

COMENTÁRIOS

No caso específico da alteração da natureza da ação penal em relação aos crimes de lesões
corporais leves e culposas, o STJ entendeu que a norma possuía caráter híbrido (de direito
processual e de direito material), devendo ser aplicada a regra relativa às normas de Direito
Penal, no que tange à retroatividade da lei mais benéfica.

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Por se tratar de lei mais benéfica, o STJ entendeu que deveria ser aplicada aos fatos praticados
antes de sua entrada em vigor, desde que o processo ainda estivesse tramitando, devendo a
vítima manifestar seu interesse no prosseguimento da ação penal (já que a ação penal já havia
sido ajuizada).

Vejamos:

(...) A partir da edição da Lei nº 9.099/95, os crimes de lesões corporais leves e


de lesões culposas passaram a ser de ação pública condicionada (art. 88), sendo
a propositura da ação penal dependente de representação do ofendido ou de
seu representante legal.

- Os arts. 88 e 91, do citado diploma legal, são normas de direito processual


penal e de direito penal de natureza benigna, porque susceptíveis de causar a
extinção da punibilidade pela renúncia ou pela decadência, aplicando-se não só
aos casos previstos na legislação ordinária, como também aos previstos em
legislação especial, inclusive na Justiça Militar.

(...) (HC 10.841/RS, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em
22/08/2000, DJ 11/09/2000, p. 292)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

10. (FGV – 2014 – TJ/RJ – ANALISTA – EXECUÇÃO DE MANDADOS) A Constituição da


República e o Código de Processo Penal prevêem regras e princípios para solucionar conflitos no
tema “a lei no tempo”. À lei puramente processual penal aplicam-se os seguintes princípios:

(A) da irretroatividade da lei prejudicial ao réu e da retroatividade da lei benéfica;

(B) da aplicação imediata e do tempus regit actum (tempo rege o ato);

(C) da inalterabilidade e da ultratividade da lei benéfica;

(D) da ultratividade e da retroatividade da lei benéfica ao réu;

(E) da retroatividade da lei prejudicial e da ultratividade da lei benéfica.

COMENTÁRIOS

No Processo penal vigora, em relação às leis puramente processuais, o princípio do tempus regit
actum, ou seja, a lei é aplicada aos processos desde logo, independentemente de o processo ter
sido instaurado antes. São preservados, contudo, os atos já praticados. Vejamos:

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Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

11. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) No Brasil, adota-se integralmente o princípio
da irretroatividade da lei processual penal, que impede que as inovações na norma processual
penal sejam aplicadas de imediato para fatos praticados antes de sua entrada em vigor.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois no Brasil se adota o princípio da aplicação imediata da lei processual penal,
também conhecido como princípio do tempus regit actum, ou seja, a norma processual penal é
aplicável imediatamente aos processos em curso (naturalmente, são relativos a fatos praticados
antes da entrada em vigor da lei processual nova). Os atos processuais já praticados sob a
vigência da lei antiga, porém, permanecem válidos.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

12. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) As normas previstas no Código de Processo
Penal de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de direito processual e de direito material,
devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei penal, quando seu conteúdo
for prejudicial ao réu.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois em se tratando de normas híbridas, embora haja alguma divergência,
prevalece o entendimento de que deve ser aplicada a regra prevista para a aplicação das leis de
direito penal material: retroatividade da lei mais benéfica, e irretroatividade da lei quando for
prejudicial ao réu.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

13. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) A lei processual penal
aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados sob a vigência da lei
anterior.

COMENTÁRIOS

Item correto. O princípio do tempus regit actum determina que a lei processual penal será
aplicável imediatamente, ou seja, inclusive aos processos em curso. Contudo, os atos já
validamente praticados sob a vigência da lei anterior permanecem íntegros, não são prejudicados
pela lei nova.

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Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

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​ EXERCÍCIOS PARA PRATICAR – INTRODUÇÃO


AO DIREITO PROCESSUAL PENAL

01. FGV - ANL (CM Fortal)/CM Fortaleza/Advogado/2024

A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata

a) o princípio da ampla defesa.

b) o princípio do contraditório.

c) o princípio da presunção de inocência.

d) o princípio da paridade de armas.

e) o princípio da inafastabilidade.

02. FGV - Res (TJ RJ)/TJ RJ/Direito/2024

“Devido à disputa entre as autoridades do Rio de Janeiro e de Vila Rica pela competência para
julgar os sediciosos, a rainha, D. Maria I, determinou, através da Carta Régia de 17.07.1790, a
composição de uma Alçada, na qual Desembargadores de Lisboa eram os responsáveis pelo
julgamento. Após a oitiva dos vinte e nove réus, seguiu-se o prazo de cinco dias para defesa.

Os réus argumentaram que não cometeram crime algum, porquanto o movimento fora abortado,
ainda em seu início, com a suspensão da Derrama. Apesar disso, em 18 de abril de 1792, foi
publicada a sentença pela Alçada, condenando onze réus à morte (na prática dez, porque
Cláudio Manuel da Costa se “suicidara” no cárcere), e outros participantes receberam penas
menores como açoites e o degredo eterno.”

(A sentença condenatória de Tiradentes e a construção do mito. Ensaio elaborado por Andréa


Vanessa da Costa Val, Assessora da Memória do Judiciário Mineiro, e por Carine Kely Rocha
Viana, sob a supervisão do Superintendente, Desembargador Hélio Costa. Jurisp. Mineira, Belo
Horizonte, a. 59, nº 187, p. 13-18, out./dez. 2008)
1

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Sobre os sistemas processuais penais e os princípios do processo penal no âmbito do processo


mencionado pelo texto (julgamento de Tiradentes), é correto afirmar que o sistema processual
então vigente apresentava traços mais característicos do sistema

a) inquisitivo, e o princípio do juiz natural não foi observado, o que se extrai claramente do texto
apresentado.

b) acusatório, e o princípio da ampla defesa não foi observado, o que se pode inferir do texto
apresentado.

c) misto, e os princípios fundamentais do processo penal foram observados, o que se extrai


claramente do texto apresentado.

d) inquisitivo, e não é possível, pelo texto, observar o malferimento de princípios fundamentais


do processo penal.

e) acusatório, e é possível, pelo texto, observar o malferimento de princípios fundamentais do


processo penal.

03. FGV - Magis (ENAM)/ENAM/2024

A respeito do princípio da presunção de inocência, analise as afirmativas a seguir.

I. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria atinente à


possibilidade de execução imediata de pena aplicada pelo Tribunal do Júri, ainda que a sentença
condenatória proferida não tenha transitado em julgado.

II. Segundo assentado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a presunção de inocência


impõe que a decretação de prisão cautelar se baseie em elementos concretos extraídos dos
autos, não sendo possível a vedação de liberdade provisória ex lege.

III. Tendo em vista que os recursos especial e extraordinário não possuem efeito suspensivo, a
pena imposta em acórdãos proferidos por tribunais de 2º grau pode ser executada
imediatamente, desde que efetuada a detração da prisão cautelar anteriormente imposta.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) III, apenas.

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d) I e II, apenas.

e) II e III, apenas.

04. FGV - AL (CAM DEP)/CAM DEP/Consultor Legislativo/Área XXII/2024

Acerca dos princípios reitores do processo penal, assinale a afirmativa correta.

a) Como corolário do princípio da ampla defesa, é direito do defensor, no interesse do


representado, ter acesso a todos elementos de prova, já documentados ou não, no
procedimento investigatório conduzido pela polícia judiciária.

b) O princípio do juiz natural inviabiliza que a pena cumprida no estrangeiro exclua ou reduza a
pena a ser cumprida no Brasil, ainda que se trate do mesmo fato criminoso.
==16c639==

c) Embora não seja absoluto, o princípio da identidade física consiste no mandamento de que o
juiz que presidiu a instrução deverá, a princípio, proferir a sentença.

d) Como decorrência do princípio do contraditório, pode-se afirmar que tanto a falta de defesa
quanto sua deficiência ensejam a nulidade absoluta do processo, independentemente da prova
de prejuízo para o réu.

e) Embora vigente o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, o
exercício do direito de permanecer em silêncio não impede que o juiz considere esta
circunstância em prejuízo do réu na sentença.

05. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2024

A República Federativa Alfa reconhece o Poder Judiciário como um dos poderes independentes
da República. Em Alfa há um órgão de acusação independente e diferente do Judiciário,
responsável por formular acusações criminais, tendo a iniciativa probatória.

Em Alfa, um acusado seria um sujeito de direitos no âmbito do processo penal, e os princípios


democráticos do processo penal, tais como o princípio do Juiz Natural e da presunção de
inocência, são reconhecidos.

A partir dos dados fornecidos, o país Alfa adota o sistema processual com traços mais marcantes
do sistema

a) acusatório.

b) inquisitivo.

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c) misto.

d) consensual.

06. FGV - Ana (PGM Niterói)/Pref Niterói/Processual/2023

João, após ser condenado em diversos processos criminais, com sentenças transitadas em
julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio, veio a falecer. João fora condenado a penas
(1) privativas de liberdade e de (2) prestação de serviços à comunidade, bem como a (3) ressarcir
os danos que causara aos lesados. Em razão desse quadro, seus herdeiros ficaram preocupados
com a possibilidade de terem de cumprir as penas aplicadas a João e ainda não cumpridas.

Ao procurarem a orientação de um advogado, foi corretamente informado aos herdeiros,


considerando as três medidas impostas a João, que:

a) somente podem vir a cumprir as medidas 2 e 3;

b) somente podem vir a cumprir a medida 3;

c) somente podem vir a cumprir a medida 1;

d) não devem arcar com nenhuma delas;

e) devem arcar com todas elas.

07. FGV - JL (TJ BA)/TJ BA/2023

João foi processado criminalmente pela suposta prática do crime de roubo. Ao fim do processo,
após a apresentação de alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa técnica, o juiz
chega à conclusão de que não há prova suficiente para condenação, motivo pelo qual absolve o
acusado.

Nesse cenário, o juiz decidiu ancorado no princípio da:

a) presunção de não culpabilidade;

b) não autoincriminação;

c) busca da verdade;

d) ampla defesa;

e) verdade real.

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08. FGV - Aud Est (CGE SC)/CGE SC/Direito/2023

Considerando os princípios regentes do processo penal e a jurisprudência dos Tribunais


Superiores, assinale a afirmativa correta.

a) O princípio do Juiz Natural no âmbito do processo penal, por se correlacionar com o bem
jurídico liberdade, é incompatível com a ideia de competência relativa ou prorrogação de
competência.

b) O princípio da proibição da produção de provas contra si próprio impede a aplicação de


sanção administrativa ao investigado que se recusa a se submeter a procedimento que pode, em
tese, incriminá-lo.

c) O princípio da lealdade processual é inaplicável no processo penal, por incompatibilidade


com o princípio nemo tenetur se detegere.

d) O princípio da iniciativa das partes não impede o magistrado de reconhecer, de ofício,


circunstâncias que interfiram na quantidade de pena aplicada.

e) O princípio da ampla defesa engloba o direito à autodefesa do acusado, o que lhe assegura
capacidade postulatória no âmbito do processo penal, sem prejuízo do direito à constituição de
defensor técnico.

09. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

O princípio da não autoincriminação tem aplicação na fase processual e, segundo ele, o acusado
não estaria obrigado a colaborar para a formação da convicção do julgador se isso desatender
aos seus próprios interesses. Por ser a busca pessoal ato pré-processual, o Aviso de Miranda é
dispensável, até mesmo porque o interrogatório sub-reptício não surte efeitos processuais;

10. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

Embora não esteja previsto expressamente na Constituição, o princípio acusatório é decorrência


lógica da adoção de uma Constituição democrática. Neste sentido, a decisão do Supremo
Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da figura do juiz de garantias preserva a
imparcialidade do juízo da instrução que não participa da fase pré-processual e não terá acesso
aos autos que compõem as matérias de competência do primeiro;

11. FGV - DP RJ/DPE RJ/2023 - ADAPTADA

Embora tenha assento constitucional, ao autorizar a execução antecipada da pena, o Supremo


Tribunal Federal ignorou a literalidade do conceito de trânsito em julgado e com isso malferiu o

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princípio da presunção de inocência, incorrendo em flexibilização sem precedentes das


liberdades fundamentais.

12. FGV - Aud Est (CGE SC)/CGE SC/Direito/2023

Acerca dos sistemas processuais penais e a legislação processual penal brasileira interpretada
pelos Tribunais Superiores, assinale a afirmativa correta.

a) A adoção do sistema acusatório no direito brasileiro advém da legislação adjetiva penal, que
em sua redação original demonstrava a opção pelo sistema acusatório puro.

b) O sistema acusatório se caracteriza pela separação entre as funções de acusador e julgador,


podendo haver, acidentalmente, a proibição de produção de provas de ofício pelo magistrado.

c) O sistema adversarial é sinônimo de sistema acusatório puro, e se caracteriza pela separação


absoluta entre acusação e órgão julgador.

d) A Jurisprudência do STF é no sentido de que o sistema inquisitivo adotado no Brasil torna


inadmissível a decretação da prisão preventiva, de ofício, pelo magistrado.

e) É compatível com o sistema acusatório adotado no Brasil a requisição, pelo Magistrado, de


indiciamento do acusado, desde que realizada após o recebimento da denúncia.

13. FGV - TJ RN/TJ RN/Judiciária/2023

João ingressou em um ônibus e, mediante grave ameaça, consubstanciada no emprego de arma


de fogo, exigiu a entrega dos telefones celulares dos passageiros.

Ato contínuo, João se evadiu, vindo a ser capturado em flagrante por policiais que realizavam
patrulhamento de rotina na região.

Após os fatos, João foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde manifestou o desejo de ser
informado sobre o nome dos policiais que lhe prenderam.

Nesse cenário, considerando as disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Processual


Penal, é correto afirmar que:

a) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para o exercício do
contraditório e da ampla defesa;

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b) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas, para o exercício do contraditório e
da ampla defesa;

c) João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, desde que assine termo de
compromisso de manter a informação sob sigilo;

d) a prisão de João deverá ser comunicada imediatamente ao juiz competente e à família do


preso ou à pessoa por ele indicada;

e) João não tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, considerando o caráter
inquisitorial do inquérito policial.

14. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)

O direito processual penal é regido por diversos princípios, dentre os quais o do nemo tenetur se
detegere, pelo qual ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. Com base no
princípio em questão e na jurisprudência dos Tribunais Superiores:

A) a atribuição de falsa identidade pelo suspeito ou investigado, ainda que em situação de


autodefesa, configura fato típico;

B) a recusa do investigado em prestar informações quando intimado em sede policial poderá


justificar, por si só, o seu indiciamento pela autoridade policial;

C) as provas que exijam comportamento passivo do investigado não poderão ser produzidas sem
sua concordância;

D) a alteração de cena do crime pelo agente não configura fraude processual;

E) apenas o preso poderá valer-se do direito ao silêncio, não se estendendo tal proteção aos
investigados.

15. (FGV / 2018 / AL-RO / CONSULTOR)

Com base no princípio da presunção de inocência, a prisão preventiva deve ser decretada
apenas quando as medidas cautelares alternativas não forem suficientes, não mais havendo
prisão automática em razão de sentença condenatória de primeira instância.

16. (FGV / 2018 / AL-RO / CONSULTOR)

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Inspirado no princípio de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, o agente pode se
recusar a realizar exame de etilômetro (bafômetro), podendo, porém, o crime ser demonstrado
por outros meios de prova.

17. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O Código de Processo Penal prevê o princípio da identidade física do juiz, estabelecendo que o
juiz responsável pelo recebimento da denúncia deverá proferir sentença, ainda que outro seja o
que presida a instrução.

18. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O princípio da motivação das decisões traz como consequência a nulidade da decisão


fundamentada de maneira sucinta e daquelas que se utilizem, ainda que em parte, da motivação
per relationem.

19. (FGV / 2018 / TJSC / OJA)

O princípio da inexigibilidade de autoincriminação permite que o acusado apresente, em sede


policial ou em juízo, nome e dados qualificativos falsos sem que isso constitua crime.

20. (FGV / 2018 / TJAL / TÉCNICO)

Perante a 1ª Vara Criminal de determinada comarca de Tribunal de Justiça, corre processo em


que se investiga a prática de crimes gravíssimos de organização criminosa e tráfico de drogas,
sendo, inclusive, investigados grandes empresários do Estado. Considerando o fato de que o juiz
titular do órgão estaria afastado de licença médica há muitos anos, diversos juízes participaram
do feito: João proferiu decisões autorizando medidas cautelares antes mesmo da denúncia;
Jorge foi o responsável pelo recebimento da denúncia e por analisar o teor das respostas à
acusação apresentadas pela defesa; José participou da audiência de instrução e interrogatório
dos réus. Após apresentação das alegações finais, diante da complexidade do processo e dos
inúmeros volumes, o Tribunal de Justiça decidiu criar uma 5ª Vara Criminal especificamente para
julgamento desse processo, impedindo que a 1ª Vara Criminal tivesse seu processamento
dificultado pela dedicação do magistrado que lá atuava à sentença que deveria ser produzida.
Com a sentença publicada, a 5ª Vara Criminal seria extinta.

Com base na situação exposta, a criação da 5ª Vara Criminal com o objetivo de proferir sentença
no processo complexo:

A) é válida, mas não poderá ela ser extinta logo após a sentença ser publicada em razão da
possibilidade de recursos;

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B) não é válida, cabendo a João proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz;

C) é válida, podendo ela ser extinta logo após a publicação da sentença, nos termos previstos no
ato do Tribunal de Justiça;

D) não é válida, cabendo a Jorge proferir a sentença em razão do princípio da identidade física
do juiz;

E) não é válida, cabendo a José proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz.

21. (FGV – 2018 – TJ-AL – OFICIAL DE JUSTIÇA – REAPLICAÇÃO)

O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.

Considerando as informações narradas, o Oficial de Justiça Caio deverá realizar a citação de


Jorge observando os termos da:

(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;

(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;

(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;

(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;

(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.

22. (FGV – 2018 – TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA)

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Carlos conduzia seu veículo automotor de maneira tranquila, quando foi parado em uma
operação que verificava a condução de veículo automotor em via pública sob a influência de
álcool. Apesar de estar totalmente consciente de seus atos, Carlos havia ingerido 07 (sete) latas
de cerveja, razão pela qual temia que o teste do “bafômetro” identificasse percentual acima do
permitido em lei.

De acordo com a jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, Carlos:

(A) não é obrigado a realizar o exame, que exige um comportamento positivo seu,
respeitando-se a regra de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, diferentemente do
que ocorreria se fosse necessária apenas cooperação passiva;

(B) é obrigado a realizar o exame, tendo em vista que esse é indispensável para a configuração
do tipo, sempre podendo o resultado ser utilizado como meio de prova;

(C) não é obrigado a realizar o exame, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si, seja
através de cooperação ativa seja com cooperação passiva, como no caso de ato de
reconhecimento de pessoa;

(D) é obrigado a realizar o exame, ainda que este seja desnecessário para a configuração do
tipo, que pode ser demonstrado por outros meios de prova;

(E) é obrigado a realizar o exame, mas seu resultado poderá ou não ser utilizado como meio de
prova de acordo com a vontade de Carlos, já que ninguém é obrigado a produzir prova contra si.

23. (FGV – 2008 – TJ-MS – JUIZ DE DIREITO)

Relativamente aos princípios processuais penais, é incorreto afirmar que:

A) o princípio da presunção de inocência recomenda que em caso de dúvida o réu seja


absolvido.

B) o princípio da presunção de inocência recomenda que processos criminais em andamento não


sejam considerados como maus antecedentes para efeito de fixação de pena.

C) os princípios do contraditório e da ampla defesa recomendam que a defesa técnica se


manifeste depois da acusação e antes da decisão judicial, seja nas alegações finais escritas, seja
nas alegações orais.

D) o princípio do juiz natural não impede a atração por continência nos casos em que o co-réu
possui foro por prerrogativa de função quando o réu deveria ser julgado por um juiz de direito de
primeiro grau.
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E) o princípio da vedação de provas ilícitas não é absoluto, sendo admissível que uma prova ilícita
seja utilizada quando é a única disponível para a acusação e o crime imputado seja considerado
hediondo.

24. (FGV – 2014 – TJ-GO – ANALISTA JUDICIÁRIO – APOIO JUDICIÁRIO E


ADMINISTRATIVO)

Inserido no título de direitos e garantias fundamentais, o Art. 5º da Constituição da República


trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. Em matéria processual, tal norma estabelece
que:

a) as provas obtidas por meios ilícitos são admissíveis, no processo, com escopo de prestigiar a
verdade real;

b) a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa de uma das
partes o exigir;

c) aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são


assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

d) ninguém será considerado culpado até a prolação de sentença penal condenatória recorrível,
proferida por juiz competente e observados o contraditório e ampla defesa;

e) o jurisdicionado poderá ser processado, mas não sentenciado senão pela autoridade judiciária
competente.

25. (FGV – 2014 – ASSEMB. LEGISLATIVA-BA – TÉCNICO SUPERIOR)

Inúmeras são as normas relacionadas à prisão que acarretam medidas de proteção aos direitos
individuais, dentre as quais a informação sobre os direitos do cidadão preso, que deve ser
informado do seu direito de permanecer em

a) silêncio.

b) observação.

c) detenção provisória.

d) albergue especial.

e) prisão domiciliar.

26. (FGV – 2008 – TJ-MS – JUIZ - ADAPTADA)

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O princípio do juiz natural é uma garantia constitucional que somente poderá ser excepcionada
mediante decisão da maioria dos integrantes do tribunal ao qual estiver submetido o juiz.

​ GABARITO

1. C 10. ERRADA 19. ERRADA


2. A 11. CORRETA 20. LETRA E
3. D 12. B 21. ALTERNATIVA D
4. C 13. D (DESATUALIZADA)
5. A 14. LETRA A 22. ALTERNATIVA A
6. B 15. CORRETA 23. ALTERNATIVA E
7. A 16. CORRETA 24. ALTERNATIVA C
8. D 17. ERRADA 25. ALTERNATIVA A
9. ERRADA 18. ERRADA 26. ERRADA

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​ EXERCÍCIOS PARA PRATICAR – APLICAÇÃO DA


LEI PROCESSUAL PENAL

1.​ (FGV/2018/AL-RO/CONSULTOR)

Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para
atingir fatos anteriores a sua entrada em vigor.

2.​ (FGV / 2018 / TJSC / TÉCNICO)

No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.

O técnico judiciário, no momento de auxiliar no processamento do feito, deverá aplicar a:

A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;

B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;

C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;

D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;

E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.

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3.​ (FGV – 2018 – TJ-AL – OFICIAL DE JUSTIÇA)

O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.

Considerando as informações narradas, o Oficial de Justiça Caio deverá realizar a citação de


Jorge observando os termos da:
==16c639==

(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;

(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;

(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;

(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;

(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.

4.​ (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Em 23 de novembro de 2015 (segunda
feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio, advogado de defesa de réu em ação
penal de natureza condenatória, é intimado da sentença condenatória de seu cliente. No curso
do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza puramente processual, que
alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para apresentação de
recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro de 2015, dia
útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas razões.

Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é

A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo
prazo recursal deve ser observado.

B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.

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C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.

D) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o


antigo prazo recursal deve ser observado.

5.​ (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou
um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então, denunciado como incurso nas sanções
penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No curso do processo, mas antes de ser
proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de Processo Penal de natureza
exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo que o rito a ser seguido no
recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que a mudança foi prejudicial,
pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.

Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João

A) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
imediata aplicação da nova lei.

B) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da


irretroatividade da lei prejudicial e de o fato ter sido praticado antes da inovação.

C) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da


ultratividade da lei.

D) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.

6.​ (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) Em um processo em que se apura a prática
dos delitos de supressão de tributo e evasão de divisas, o Juiz Federal da 4ª Vara Federal
Criminal de Arroizinho determina a expedição de carta rogatória para os Estados Unidos da
América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento à carta, o tribunal
americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à Justiça Brasileira, a 4ª Vara
Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, ao se deparar com o teor do ato praticado,
requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que não foram obedecidas as garantias
processuais brasileiras para o réu.

Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espaço, a alegação do advogado


está correta?

A) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território nacional.

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B) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas


processuais brasileiras só se aplicam no território nacional.

C) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território.

D) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas


processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional.

7.​ (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) O processo penal reger-se-á, em todo o
território brasileiro, pelo Código de Processo Penal, não havendo qualquer ressalva prevista
neste diploma.
8.​ (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) O processo penal rege-se
pelo Código de Processo Penal, em todo o território brasileiro ressalvados, entre outros, os
tratados, as convenções e regras de direito internacional.
9.​ (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) A Lei n. 9.099/95 modificou a espécie de
ação penal para os crimes de lesão corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida
lei, tais delitos passaram a ser de ação penal pública condicionada à representação. Tratando-se
de questão relativa à Lei Processual Penal no Tempo, assinale a alternativa que corretamente
expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que não haviam transitado em julgado
quando da alteração legislativa.

A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.

B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento


em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou não.

C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.

D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento


em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis é mais gravosa ou não.

10.​ (FGV – 2014 – TJ/RJ – ANALISTA – EXECUÇÃO DE MANDADOS) A Constituição da


República e o Código de Processo Penal prevêem regras e princípios para solucionar conflitos no
tema “a lei no tempo”. À lei puramente processual penal aplicam-se os seguintes princípios:

(A) da irretroatividade da lei prejudicial ao réu e da retroatividade da lei benéfica;

(B) da aplicação imediata e do tempus regit actum (tempo rege o ato);

(C) da inalterabilidade e da ultratividade da lei benéfica;

(D) da ultratividade e da retroatividade da lei benéfica ao réu;

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(E) da retroatividade da lei prejudicial e da ultratividade da lei benéfica.

11.​ (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) No Brasil, adota-se integralmente o princípio
da irretroatividade da lei processual penal, que impede que as inovações na norma processual
penal sejam aplicadas de imediato para fatos praticados antes de sua entrada em vigor.
12.​ (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) As normas previstas no Código de Processo
Penal de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de direito processual e de direito material,
devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei penal, quando seu conteúdo
for prejudicial ao réu.
13.​ (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) A lei processual penal
aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados sob a vigência da lei
anterior.

​ GABARITO

1.​ ERRADA
2.​ LETRA E
3.​ LETRA D
4.​ ALTERNATIVA B
5.​ ALTERNATIVA A
6.​ ALTERNATIVA B
7.​ ERRADA
8.​ CORRETA
9.​ ALTERNATIVA A
10.​ ALTERNATIVA B
11.​ ERRADA
12.​ CORRETA
13.​ CORRETA

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