Noções de Direito Processual Penal 2025
Noções de Direito Processual Penal 2025
Autor:
Renan Araujo
12 de Novembro de 2025
Índice
1) Apresentação Cursos Proc. Penal
..............................................................................................................................................................................................3
2) Conceito e Fontes
..............................................................................................................................................................................................5
11) Questões Comentadas - Conceitos Iniciais sobre Direito Processual Penal - FGV
..............................................................................................................................................................................................
81
13) Lista de Questões - Conceitos Iniciais sobre Direito Processual Penal - FGV
..............................................................................................................................................................................................
114
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APRESENTAÇÃO
Olá, pessoal!
É com imenso prazer que estou aqui, mais uma vez, pelo ESTRATÉGIA CONCURSOS, tendo a oportunidade
de poder contribuir para a aprovação de vocês! Nós vamos estudar teoria e comentar muitos exercícios sobre
DIREITO PROCESSUAL PENAL!
Meu nome é Renan Araujo, tenho 36 anos, sou Defensor Público Federal desde 2010, atuando na Defensoria
Pública da União no Rio de Janeiro, e mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da UERJ. Antes,
porém, fui servidor da Justiça Eleitoral (TRE-RJ), onde exerci o cargo de Técnico Judiciário, por dois anos.
Minha trajetória de vida está intimamente ligada aos Concursos Públicos. Desde o começo da Faculdade eu
sabia que era isso que eu queria para a minha vida! E querem saber? Isso faz toda a diferença! Algumas
pessoas me perguntam como consegui sucesso nos concursos em tão pouco tempo. Simples: Foco + Força
de vontade + Disciplina. Não há fórmula mágica, não há ingrediente secreto! Basta querer e correr atrás do
seu sonho! Acreditem em mim, isso funciona!
É muito gratificante, depois de ter vivido minha jornada de concurseiro, poder colaborar para a aprovação
de outros tantos concurseiros, como um dia eu fui! E quando eu falo em “colaborar para a aprovação”, não
estou falando apenas por falar. O Estratégia Concursos possui índices altíssimos de aprovação em todos os
concursos!
Nossas aulas serão disponibilizadas conforme o cronograma que consta na área do aluno. Em cada aula eu
trarei algumas questões que foram cobradas em concursos públicos, para fixarmos o entendimento sobre
a matéria.
Além da teoria e das questões, vocês terão acesso, ainda, ao fórum de dúvidas. Não entendeu alguma coisa?
Simples: basta perguntar ao professor Yuri Moraes, que é o mestre responsável pelo Fórum de Dúvidas,
exclusivo para os alunos do curso.
Além dos nossos livros digitais (PDFs), nosso curso também é formado por videoaulas. Nas videoaulas
iremos abordar os tópicos do edital com a profundidade necessária, a fim de que o aluno possa esclarecer
pontos mais complexos, fixar aqueles pontos mais relevantes, etc.
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==16c639==
Do ponto de vista prático, ou seja, da materialização do processo, pode ser definido como:
Quanto às características do direito processual penal, a Doutrina costuma listar três3, a saber:
➔ Autonomia - O direito processual penal, embora seja instrumento para fazer valer o direito
material (que é o direito penal), é autônomo em relação a este último, possuindo regras e
princípios próprios;
1
MARQUES, José Frederico. Elementos de Direito Processual Penal. Ed. Forense. Rio de Janeiro. 1961, pág. 20
2
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Processo Penal. Ed. Atlas, São Paulo. 2004, pág. 31
3
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 10º edição. Ed. Juspodivm.
Salvador, 2015, p. 30
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No que tange às finalidades do Direito Processual Penal, elas podem ser basicamente divididas
em duas:
Mas como surge o Direito Processual Penal? Estudar a origem do Direito Processual Penal
pressupõe a análise das fontes do Direito Processual Penal.
No que se refere às fontes do Direito Processual Penal, elas podem ser materiais ou formais.
Estas últimas se dividem em imediatas e mediatas.
1. Fonte formal (ou de cognição) – Meio pelo qual a norma é lançada no mundo jurídico.
Podem ser imediatas (também chamadas de diretas ou primárias) ou mediatas (também
chamadas de indiretas, secundárias ou supletivas).
a) IMEDIATAS – São as fontes principais, aquelas que devem ser aplicadas
primordialmente (Constituição, Leis, tratados e convenções internacionais).
Basicamente, portanto, os diplomas normativos nacionais e internacionais4.
b) MEDIATAS – São aplicáveis quando há lacuna, ausência de regulamentação pelas
fontes formais imediatas (costumes, analogia e princípios gerais do Direito).
2. Fonte material (ou de produção) – É o órgão, ente, entidade ou Instituição responsável
pela produção da norma processual penal. No Brasil, em regra, é a União (por meio do
processo legislativo federal), por força do art. 22, I da Constituição, podendo os Estados
legislarem sobre questões específicas. Sobre Direito Penitenciário a competência é
concorrente entre União, estados e DF.
4
Há quem inclua também, dentre as fontes imediatas, as SÚMULAS VINCULANTES, pois são verdadeiras normas de
aplicação vinculada. Lembrando que a jurisprudência e a Doutrina não são consideradas, majoritariamente, como
FONTES do Direito Processual Penal, pois representam, apenas, formas de interpretação do Direito Processual Penal.
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Princípio da inércia
Alguns doutrinadores não consideram este um princípio do processo penal com base
constitucional, embora seja unânime que é aplicável ao processo penal brasileiro.
Este princípio diz que o Juiz não pode dar início ao processo penal, pois isto implicaria em
violação da sua imparcialidade, representando confusão entre as funções de acusar e julgar.
Trata-se de uma das materializações da adoção do sistema acusatório, ou seja, a clara separação
entre as funções de acusar e julgar.
Percebam que a Constituição estabelece como sendo privativa do MP a promoção da ação penal
pública. Assim, diz-se que o MP é o “titular da ação penal pública”.
Mas e a ação penal privada? Mais à frente vocês verão que a ação penal privada é de titularidade
do ofendido. Assim, o Juiz já não poderia a ela dar início por sua própria natureza, já que a lei
considera que, nesses casos, o interesse do ofendido em processar ou não o infrator se sobrepõe
ao interesse do Estado na persecução penal.
Este princípio é o alicerce máximo daquilo que se chama de sistema acusatório, que é o sistema
adotado pelo nosso processo penal1. No sistema acusatório existe uma figura que acusa e outra
figura que julga, diferentemente do sistema inquisitivo, no qual acusador e julgador se
confundem na mesma pessoa, o que gera parcialidade do julgador, ofendendo inúmeros outros
princípios.
Entretanto, este princípio não impede que o Juiz determine a realização de diligências que
entender necessárias para elucidar questão relevante para o deslinde do processo. Isso porque
no Processo Penal, diferentemente do que ocorre no Processo Civil, vigora o princípio da busca
pela verdade real ou material, não da verdade formal. Assim, no processo penal não há
presunção de veracidade das alegações da acusação em caso de ausência de manifestação em
contrário pelo réu, pois o interesse público pela busca da efetiva verdade impede isto.
1
Alguns sustentam que se adotou um sistema misto (entre acusatório e inquisitivo), pois há caracteres de ambos.
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p.71
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Além disso, este princípio irá embasar diversas outras disposições do sistema processual penal
brasileiro, como aquela que impede que o Juiz julgue um fato não contido na denúncia (seria
uma violação indireta ao princípio da inércia), que caracteriza o princípio da congruência2 entre a
sentença e a inicial acusatória.
Esse princípio é o que se pode chamar de base principal do Direito Processual brasileiro, pois
todos os outros, de uma forma ou de outra, encontram nele seu fundamento. Este princípio está
previsto no art. 5°, LIV da CRFB/88, nos seguintes termos:
Art. 5º (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal;
Assim, a Constituição estabelece que ninguém poderá sofrer privação de sua liberdade ou de
seus bens sem que haja um processo prévio, em que lhe seja assegurada toda a sorte de
instrumentos de defesa.
Desta maneira, especificamente no processo penal, esse princípio norteia algumas regras, como
o Direito que o acusado possui de ser ouvido pessoalmente (Sim, o interrogatório é um direito do
réu), a fim de expor sua versão dos fatos, bem como o direito que o acusado possui de arrolar
testemunhas, contradizer todas as provas e argumentos da acusação etc. Todos eles retiram seu
fundamento do Princípio do Devido Processo Legal.
A obediência ao rito previsto na Lei Processual (seja o rito ordinário ou outro), bem como às
demais regras estabelecidas para o processo é que se chama de Devido Processo Legal em
sentido formal.
Entretanto, existe outra vertente deste princípio, denominada Devido Processo Legal em sentido
material. Nessa última acepção, entende-se que o Devido Processo Legal só é efetivamente
respeitado quando o Estado age de maneira razoável, proporcional e adequada na tutela dos
interesses da sociedade e do acusado.
O princípio do Devido Processo Legal tem como corolários os postulados da Ampla Defesa e do
Contraditório, ambos também previstos na Constituição Federal, em seu art. 5°, LV:
Art. 5 (...)
2
Também chamado de princípio da adstrição ou princípio da correlação entre acusação e sentença. NUCCI,
Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 608
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Entretanto, este princípio sofre limitações, notadamente quando a decisão a ser tomada pelo Juiz
não puder esperar a manifestação do acusado ou a ciência do acusado pode implicar a
frustração da decisão.
EXEMPLO: Imagine que o MP ajuíza ação penal em face de José, requerendo seja
decretada sua prisão preventiva, com base na ocorrência de uma das circunstâncias
previstas no art. 312 do CPP. O Juiz, ao receber a denúncia, verificando estarem
presentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, a decretará
sem ouvir o acusado, pois aguardar a manifestação deste acerca da prisão preventiva
pode acarretar na frustração desta (fuga do acusado).
Já o postulado da ampla defesa prevê que não basta dar ao acusado ciência das manifestações
da acusação e facultar-lhe se manifestar, se não lhe forem dados instrumentos para isso. Ampla
Defesa e Contraditório caminham juntos (até por isso estão no mesmo inciso da Constituição), e
retiram seu fundamento no Devido Processo Legal.
Entre os instrumentos para o exercício da defesa estão a previsão legal de recursos em face das
decisões judiciais, direito à produção de provas, bem como a obrigação de que o Estado forneça
assistência jurídica integral e gratuita, primordialmente através da Defensoria Pública. Vejamos:
Art. 5º (...) LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos
que comprovarem insuficiência de recursos;
Portanto, ao acusado que não possuir meios de pagar um advogado, deve ser garantida a defesa
por um Defensor Público, ou, em não havendo sede da Defensoria Pública na comarca, ser
nomeado um defensor dativo (advogado particular pago pelos cofres públicos), a fim de que lhe
seja prestada defesa técnica.
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Além da defesa técnica, realizada por profissional habilitado (advogado particular ou Defensor
Público), há também a autodefesa, que é realizada pelo próprio réu, especialmente quando do
seu interrogatório, oportunidade na qual pode, ele mesmo, defender-se pessoalmente, sem a
intermediação de procurador. Assim, se o Juiz se recusar a interrogar o réu, por exemplo, estará
violando o princípio da ampla defesa, por estar impedindo o réu de exercer sua autodefesa.
Ao contrário da defesa técnica, que não pode faltar no processo criminal, sob pena de nulidade
absoluta, o réu pode se recusar a exercer a autodefesa, ficando em silêncio, por exemplo, pois o
direito ao silêncio é um direito expressamente previsto ao réu.
Este princípio não impede, porém, que o acusado sofra as consequências de sua inércia em
relação aos atos processuais (não-interposição de recursos, ausência injustificada de audiências,
etc.). Entretanto, o princípio da ampla defesa se manifesta mais explicitamente quando o réu,
embora citado, deixe de apresentar Resposta à Acusação. Nesse caso, dada a importância da
peça de defesa, deverá o Juiz encaminhar os autos à Defensoria Pública, para que atue na
qualidade de curador do acusado, ou, em não havendo Defensoria no local, nomear defensor
dativo para que patrocine a defesa do acusado.
Para finalizar, gostaria de trabalhar alguns tópicos relevantes sobre a ampla defesa e o
contraditório:
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baseada EXCLUSIVAMENTE nesses elementos, o que não impede que o Juiz profira
sentença condenatória baseada nestes elementos juntamente com provas produzidas em
Juízo:
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente
nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.
➔ Réu citado por edital que não se defende nem constitui defensor - Em caso de citação por
edital, o art. 366 do CPP estabelece que se o réu não se defender nem constituir
advogado, o processo deverá ficar suspenso, não sendo lícito ao Juiz determinar o
prosseguimento do feito com defensor nomeado. Isso se dá em razão da compreensão de
que, nas hipóteses de citação por edital, é bastante provável que o réu sequer saiba da
existência do processo, de maneira que dar seguimento com a nomeação de defensor
dativo configuraria violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório:
Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional,
podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas
urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no
art. 312.
➔ Atribuição de falsa identidade x autodefesa - Tal conduta não configura exercício legítimo
da autodefesa. Assim, se o investigado/acusado atribui a si mesmo falsa identidade
perante a autoridade policial (p. ex.: para ocultar seus antecedentes), tal conduta irá
configurar crime, nos termos do entendimento sumulado do STJ (crime de falsa
identidade):
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⇒ Uma regra probatória (regra de julgamento) - Deste princípio decorre que o ônus
(obrigação) da prova cabe ao acusador (MP ou ofendido, conforme o caso). O réu é, desde o
começo, inocente, até que o acusador prove sua culpa. Assim, temos o princípio do in dubio pro
reo ou favor rei, segundo o qual, durante o processo (inclusive na sentença), havendo dúvidas
acerca da culpa ou não do acusado, deverá o Juiz decidir em favor deste, pois sua culpa não foi
cabalmente comprovada.
⇒ Uma regra de tratamento - Deste princípio decorre, ainda, que o réu deve ser, a todo
momento, tratado como inocente. E isso tem uma dimensão interna e uma dimensão externa:
a) Dimensão interna – O agente deve ser tratado, dentro do processo, como inocente. Ex.:
O Juiz não pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de o réu estar
sendo processado, caso contrário, estaria presumindo a culpa do acusado.
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b) Dimensão externa – O agente deve ser tratado como inocente FORA do processo, ou
seja, o fato de estar sendo processado não pode gerar reflexos negativos na vida do réu.
Ex.: O réu não pode ser eliminado de um concurso público porque está respondendo a um
processo criminal (pois isso seria presumir a culpa do réu).
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Vou transcrever para vocês agora alguns pontos que são polêmicos e a respectiva posição dos
Tribunais Superiores, pois isto é importante.
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Considerando o aparente conflito com o texto constitucional, o caso chegou ao STF, que
reconheceu a repercussão geral do Tema (“Tema 10683: Descrição: Recurso extraordinário em
que se discute, à luz do art. 5º, inciso XXXVIII, alínea c, da Constitucional Federal, se a soberania
dos vereditos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de pena imposta pelo Conselho
de Sentença”).
Quando do julgamento do referido tema, o STF concluiu pela possibilidade de execução
imediata de condenação imposta pelo Conselho de Sentença no Tribunal do Júri, pelo princípio
da soberania dos veredictos. Inclusive, o STF atribuiu interpretação conforme à Constituição, com
redução de texto, ao art. 492 do CPP, com a redação da Lei nº 13.964/2019, excluindo do inciso I
da alínea "e" do referido artigo o limite mínimo de 15 anos para a execução da condenação
imposta pelo corpo de jurados. Ou seja, a condenação imposta pelos jurados no Tribunal do Júri
autoriza a execução imediata da pena imposta, sem necessidade de trânsito em julgado, ainda
que a pena fixada seja menor que 15 anos.
Assim, foi fixada a seguinte tese:
➔ Súmula 643 do STJ – O STJ, seguindo o entendimento do STF nas ADCs 43, 44 e 54,
sumulou entendimento no sentido de que a execução das penas restritivas de direitos também
depende do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, não se admite
execução provisória de pena criminal, nem mesmo restritiva de direitos:
3
STF, RE 1235340.
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➔ STF e STJ - indeferimento de registro profissional com base em inquéritos e ações penais
em curso - violação ao princípio da presunção de inocência – O STF (RG, Tema 1171) e o STJ
firmaram entendimento no sentido de que a existência de inquéritos policiais e ações penais em
curso não podem representar obstáculo ao registro profissional do indivíduo, sob pena de
violação ao princípio da presunção de inocência.
➔ STF - concurso público - eliminação de candidato que responde a inquérito ou ação penal
- Possibilidade em casos excepcionais – O STF firmou entendimento no sentido de "a lei pode
instituir requisitos mais rigorosos para determinados cargos, em razão da relevância das
atribuições envolvidas, como é o caso, por exemplo, das carreiras da magistratura, das funções
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essenciais à justiça e da segurança pública (CRFB/1988, art. 144), sendo vedada, em qualquer
caso, a valoração negativa de simples processo em andamento, salvo situações
excepcionalíssimas e de indiscutível gravidade"4, tendo sido firmada a seguinte tese:
(...)
Como vocês podem ver, é a própria Constituição quem determina que os atos decisórios
proferidos pelo Juiz sejam fundamentados. Desta maneira, pode-se elevar esse princípio
(motivação das decisões judiciais) à categoria de princípio constitucional, por ter merecido a
atenção da Lei Máxima.
Portanto, quando o Juiz indefere uma prova requerida, ou prolata a sentença, deve fundamentar
seu ato, dizendo em que fundamento se baseia para indeferir a prova ou para tomar a decisão
que tomou na sentença (condenando ou absolvendo).
Esse princípio decorre da lógica do sistema jurídico pátrio, em que a transparência deve vigorar.
Assim, a parte (seja o acusado ou o acusador) saberá exatamente o que se baseou o Juiz para
proferir aquela decisão e, assim, poder examinar se o Magistrado agiu dentro da legalidade.
Aliás, esse princípio guarda estrita relação com o princípio da Ampla Defesa, eis que a ausência
de fundamentação ou a fundamentação deficiente de uma decisão dificulta e por vezes impede a
4
RE 560.900/DF, Relator: Ministro ROBERTO BARROSO, publicado em 17/08/2020
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sua impugnação, já que a parte prejudicada não tem elementos para combatê-lo, já que não
sabe seus fundamentos.
Princípio da publicidade
Este princípio estabelece que os atos processuais e as decisões judiciais serão públicas, ou seja,
de livre acesso a qualquer do povo. Essa é a regra prevista no art. 93, IX da CRFB/88:
(...)
Percebam que a Constituição determina que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário
serão públicos, mas entende-se “julgamentos” como qualquer ato processual.
Entretanto, essa publicidade NÃO É ABSOLUTA, podendo sofrer restrição, quando a intimidade
das partes ou interesse público exigir. A isso se chama ”publicidade restrita”.
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Ressalto a vocês que essa publicidade pode ser restringida apenas às partes e seus procuradores,
ou somente a estes. O que isso significa? Que alguns atos podem não ser públicos nem mesmo
para a outra parte! Sim! Imaginem que, numa audiência, a ofendida pelo crime de estupro não
queira dar seu depoimento na presença do acusado. Nada mais natural. Assim, o Juiz poderá
mandar que este se retire da sala, permanecendo, porém, o seu advogado. Aos procuradores
das partes (advogado, membro do MP, etc.) nunca se pode negar publicidade dos atos
processuais! Gravem isso!
O princípio da isonomia processual (ou par conditio ou paridade de armas) decorre do princípio
da isonomia, genericamente considerado, segundo o qual as pessoas são iguais perante a lei,
sendo vedadas práticas discriminatórias. Está previsto no art. 5° da Constituição:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
5
Por fim, vale registrar que no Tribunal do Júri (que tem regras muito específicas) o voto dos jurados é sigiloso, por
expressa previsão constitucional, caracterizando-se em mais uma exceção ao princípio. Nos termos do art. 5°, XVIII,
b, da Constituição:
Art. 5º (...)
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
(...)
Assim, nesse caso, não há publicidade do voto proferido pelo jurado, mas a sessão secreta onde ocorre o
julgamento pelos jurados (depósito dos votos na urna) é acessível aos procuradores.
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No campo processual este princípio também irradia seus efeitos, devendo a lei processual tratar
ambas as partes de maneira igualitária, conferindo-lhes os mesmos direitos e deveres. Por
exemplo: Os prazos recursais devem ser os mesmos para acusação e defesa, o tempo para
sustentação oral nas sessões de julgamento também devem ser idênticos, etc.
Boa parte da Doutrina sustenta que na ação penal pública o princípio da paridade de armas fica
mitigado, pois o MP desempenha dupla função (atua como acusador e como fiscal da Lei). Na
ação penal privada haveria uma paridade de armas mais evidente, já que teríamos dois
particulares litigando, um de cada lado (o querelante e o querelado, ou seja, vítima e infrator), e o
MP atuando como fiscal da Lei.
Este princípio estabelece que as decisões judiciais devem estar sujeitas à revisão por outro órgão
do Judiciário. Embora não esteja expresso na Constituição, grande parte dos doutrinadores o
aceita como um princípio constitucional implícito7, fundamentando sua tese nas regras de
competência dos Tribunais estabelecidas na Constituição, o que deixaria implícito que toda
decisão judicial deva estar sujeita a recurso, via de regra. A despeito de não estar explícito na
Constituição, tem previsão expressa no Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana
de Direitos Humanos), ratificado pelo Brasil.
Entretanto, mesmo aqueles que consideram ser este um princípio de índole constitucional
entendem que há exceções, que são os casos de competência originária do STF, ações nas quais
não cabe recurso da decisão de mérito (óbvio, pois o STF é a Corte Suprema do Brasil). Assim,
essa exceção não anularia o fato de que se trata de um princípio constitucional, apenas não lhe
permite ser absoluto.
6
Por exemplo, quando a lei estabelece que a Defensoria Pública possui prazo em dobro para recorrer, não está
ferindo o princípio da isonomia, mas está apenas corrigindo uma situação de desequilíbrio. Isso porque a Defensoria
Pública é uma Instituição absolutamente assoberbada, que não pode escolher se vai ou não patrocinar uma
demanda. Caso o assistido se enquadre como hipossuficiente, a Defensoria Pública deve atuar. Um escritório de
advocacia pode, por exemplo, se recusar a patrocinar uma defesa alegando estar muito atarefado.
7
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52.
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Art. 5º (...) LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente;
O princípio do Juiz Natural estabelece que toda pessoa tem direito de ser julgada por um órgão
do Poder Judiciário brasileiro, devidamente investido na função jurisdicional, cuja competência
fora previamente definida8. Assim, está vedada a formação de Tribunal ou Juízo de exceção, que
são aqueles criados especificamente para o julgamento de um determinado caso. Isso não é
tolerado no Brasil!
Trata-se de princípio que remonta ao Direito anglo-saxão, fundado na ideia básica de vedação à
existência de Tribunais de Exceção. Este princípio viria a ser, posteriormente, mais bem
trabalhado pelo Direito norte-americano, ao exigir-se a fixação prévia da competência
jurisdicional.
Porém, vocês não devem confundir Juízo ou Tribunal de exceção com varas especializadas. As
varas especializadas são criadas para otimizar o trabalho do Judiciário, e sua competência é
definida abstratamente, e não em razão de um fato isolado, de forma que não ofendem o
princípio. O que este princípio impede é a manipulação das “regras do jogo” para se “escolher”
o Juiz que irá julgar a causa.9
8
PACELLI, Eugênio. Op. cit., p. 37
9
Outra situação que também NÃO VIOLA o princípio do Juiz Natural é a atração, por conexão ou continência, do
processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados (súmula 704 do STF). Veremos mais
sobre isso na aula sobre jurisdição e competência.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 21
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Assim, proposta a ação penal, ela será distribuída para um dos Juízes com competência para
julgá-la.
Boa parte da Doutrina sustenta10, ainda, a existência do princípio do Promotor Natural. Tal
princípio estabelece que toda pessoa tem direito de ser acusada pela autoridade competente.
Assim, é vedada a designação pelo Procurador-Geral de Justiça de um Promotor para atuar
especificamente num determinado caso. Isso seria simplesmente um acusador de exceção,
alguém que não estava previamente definido como o Promotor (ou um dos Promotores) que
poderia receber o caso, mas alguém que foi definido como o acusador de um réu após a prática
do fato, cuja finalidade é fazer com que o acusado seja processado por alguém que possui
determinada característica (Promotor mais brando ou mais severo, a depender do infrator).
Vigora no processo penal o princípio da identidade física do Juiz, que significa, basicamente, que
o Juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença. Vejamos o art. 399, §2º do CPP:
Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Por qual razão isso existe? O referido princípio se baseia no fato de que o Juiz que teve contato
direto com a produção da prova em audiência (ouviu as testemunhas, interrogou o réu, etc.) tem
melhores condições de “sentir” o caso e, portanto, será capaz de proferir uma melhor sentença.
Isso mesmo, sentença é uma palavra que deriva do latim sententia, derivada do verbo
sentio/sentire (sentir).
10
Ver, por todos, NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 52
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Contudo, existem algumas ressalvas a esta regra. Segundo o STJ, algumas situações afastam a
obrigatoriedade de que o Juiz que presidiu a instrução esteja obrigado a proferir sentença,
devendo ser relativizada a regra do art. 399, §2º do CPP. Isso ocorrerá nas hipóteses de Juiz:
➔ Promovido
➔ Licenciado
➔ Afastado
➔ Convocado
➔ Aposentado
Vejamos:
Além disso, se o Juiz não mais integrar os quadros do Poder Judiciário (pediu exoneração, por
exemplo), obviamente que a sentença não será proferida por ele.
Este princípio guarda estreita relação com os princípios probatórios da oralidade (privilegiar a
“palavra falada” em relação à “palavra escrita”), da concentração dos atos (sempre que possível
as provas devem ser produzidas todas num só ato processual, numa só audiência) e da
imediatidade ou imediatismo (o Juiz deve estar o mais próximo possível da produção da prova.
Quanto mais próxima a pessoa do Juiz estiver da prova produzida, melhor ele poderá valorar a
prova).
No nosso sistema processual penal vige o princípio do livre convencimento motivado do Juiz, ou
seja, o Juiz não está obrigado a decidir conforme determinada prova (confissão, por exemplo),
podendo decidir da forma que entender, desde que fundamente sua decisão em alguma das
provas produzidas nos autos do processo.
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Em razão disso, às partes é conferido o direito de produzir as provas que entendam necessárias
para convencer o Juiz a acatar sua tese. Entretanto, esse direito probatório não é ilimitado,
encontrando limites nos direitos fundamentais previstos na Constituição. Essa limitação
encontra-se no art. 5°, LVI da Constituição. Vejamos:
Art. 5º (...) LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos;
Vejam que a Constituição é clara ao dizer que não se admitem no processo as provas que tenham
sido obtidas por meios ilícitos. Mas o que seriam meios ilícitos? Seriam todos aqueles meios em
que para a obtenção da prova tenha que ser violado um direito fundamental de alguém.
A Doutrina divide as provas ilegais em provas ilícitas (quando violam normas de direito material) e
provas ilegítimas (quando violam normas de direito processual), mas isso não é assunto para esta
aula especificamente.
ATENÇÃO! A doutrina dominante admite a utilização de provas ilícitas quando esta for a única
forma de se obter a absolvição do réu.
Veda-se, também, a utilização de provas ilícitas por derivação, que são aquelas provas obtidas
licitamente, mas que derivam de uma prova ilícita, adotando-se aqui a teoria dos frutos da árvore
envenenada.
Todavia, é importante destacar que a vedação às provas ilícitas por derivação está prevista
apenas no CPP (art. 157, §1º do CPP), não estando expressamente prevista na Constituição
Federal.
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Tal princípio, também conhecido como nemo tenetur se detegere, tem por finalidade impedir
que o Estado, de alguma forma, imponha ao réu (ou ao indiciado) alguma obrigação que possa
colocar em risco o seu direito de não produzir provas prejudiciais a si próprio. O ônus da prova
incumbe à acusação, não ao réu.
➔ Direito ao silêncio
➔ Direito à ampla defesa
➔ Presunção de inocência
Assim, em razão deste princípio, o acusado não é obrigado a praticar qualquer ato que possa ser
prejudicial à sua defesa, como realizar o teste do bafômetro (trata-se de uma fase pré-processual,
mas o resultado seria utilizado posteriormente no processo), fornecer padrões gráficos para
realização de exame grafotécnico, etc. Além disso, o silêncio não pode ser considerado como
confissão e nem pode ser interpretado em prejuízo da defesa, sob pena de esvaziar-se a lógica
de tal garantia.
⇒ Direito ao silêncio – Trata-se do direito de não responder às perguntas que lhe forem
formuladas.
⇒ Inexigibilidade de dizer a verdade – Tolerância quanto às informações inverídicas
prestadas pelo réu. Como o Brasil não criminaliza o “perjúrio” (mentira realizada pelo
réu em juízo), o processo penal tolera a conduta do réu de mentir em juízo, daí não
resultando qualquer prejuízo para a defesa.
⇒ Direito de não ser compelido a praticar comportamento ATIVO – O réu não pode ser
obrigado a participar ATIVAMENTE da produção de qualquer prova, podendo se
recusar a participar sempre que entender que isso pode prejudicá-lo. Ex.: Não está
obrigado a fornecer padrões gráficos para exame de caligrafia, não está obrigado a
participar da reconstituição (reprodução simulada dos fatos), etc. Todavia, o réu pode
ser obrigado a participar da audiência de reconhecimento (pois não se trata de um
comportamento ativo, e sim passivo. O réu só vai ficar lá, parado, a fim de que a
vítima o reconheça, ou não, como o infrator.
⇒ Direito de não se submeter a procedimento probatório invasivo – Trata-se do direito
de não se submeter a qualquer procedimento que seja realizado por meio de
penetração no corpo humano (Ex.: exame de sangue, endoscopia, etc.).
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A Doutrina, todavia, entende que é possível submeter o acusado a situações nas quais não se
exija uma participação ativa na produção probatória (ex.: obrigatoriedade de comparecer ao local
indicado a fim de que se proceda ao reconhecimento pela vítima).
Por este princípio entende-se que uma pessoa não pode ser punida duplamente pelo mesmo
fato. Além disso, estabelece que uma pessoa não possa, sequer, ser processada duas vezes pelo
mesmo fato. Daí podermos dizer que não há, no processo penal, a chamada “revisão pro
societate”.
EXEMPLO: José foi processado pelo crime X. Todavia, como não havia provas, foi
absolvido. Tal decisão transitou em julgado, tornando-se imutável. Todavia, dois meses
depois, surgiram provas da culpa de José. Neste caso, José não poderá ser
processado novamente.
CUIDADO! Uma pessoa não pode ser duplamente processada pelo mesmo fato quando já houve
decisão capaz de produzir coisa julgada material, ou seja, a imutabilidade da decisão
(condenação, absolvição, extinção da punibilidade, etc.). Quando a decisão não faz coisa julgada
material, é possível novo processo (Ex.: Extinção do processo pela rejeição da denúncia, em
razão do descumprimento de uma mera formalidade processual).
Tal princípio veda, ainda, que um mesmo fato, condição ou circunstância seja duplamente
considerado para fins de fixação da pena.
EXEMPLO: José está sendo processado pelo crime de homicídio qualificado pelo
motivo torpe. José é condenado pelo júri e, na fixação da pena, o Juiz aplica a
agravante genérica prevista no art. 61, II, a do CP, cabível quando o crime é praticado
por motivo torpe. Todavia, neste caso, o “motivo torpe” já foi considerado como
qualificadora (tornando a pena mais gravosa – de 06 a 20 anos para 12 a 30 anos),
então não pode ser novamente considerada no mesmo caso. Ou seja, como tal
circunstância (motivo torpe) já qualifica o delito, não pode também servir como
circunstância agravante, sob pena de o agente ser duplamente punido pela mesma
circunstância.
Essa última vertente do referido princípio está mais relacionada ao direito penal que ao direito
processual penal propriamente.
Assim:
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Importante destacar que o STJ possui entendimento consolidado no sentido de que o trânsito
em julgado em processo anterior impede o ajuizamento de nova ação penal pelo mesmo fato,
ainda que a decisão no processo já extinto tenha sido proferida por Juízo absolutamente
incompetente:
Outro ponto a se destacar é que a vedação ao duplo processo pelo mesmo fato só se aplica às
hipóteses em que a decisão anterior produziu coisa julgada material. Caso contrário, será possível
o manejo de nova ação penal pelo mesmo fato. É o que ocorre, por exemplo, com a sentença
que rejeita a denúncia e extingue o processo, tendo como fundamento, por exemplo, a ausência
de justa causa. Ora, nesse caso, o MP poderá ajuizar nova ação penal pelo mesmo fato, desde
que apresente novos elementos capazes de configurar a justa causa (prova da materialidade e
indícios suficientes de autoria delitiva).
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Princípio Definição
Princípio da inércia O Juiz não pode dar início ao processo, pois isto
implicaria em violação da sua imparcialidade.
Princípio do duplo grau de As decisões judiciais devem estar sujeitas à revisão por
jurisdição outro órgão do Judiciário, diverso daquele que proferiu
a decisão e hierarquicamente superior. Não está
expresso na CF/88, mas tem previsão expressa no Pacto
de San José da Costa Rica (Convenção Americana de
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Princípio do Juiz Natural Toda pessoa tem direito de ser processada e julgada
por um órgão do Poder Judiciário devidamente
investido na função jurisdicional, cuja competência fora
previamente definida de acordo com regras prévias e
abstratas. Veda-se, por consequência, a criação de
Tribunal ou Juízo de exceção, que são aqueles criados
especificamente para o julgamento de um determinado
caso.
Princípio do “non bis in Uma pessoa não pode ser punida duplamente pelo
idem” mesmo fato, nem pode sequer ser duas vezes
processada pelo mesmo fato. Ademais, um mesmo fato,
condição ou circunstância não pode ser duplamente
valorado em desfavor do acusado.
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A CRFB/88 prevê uma série direitos que são assegurados ao preso. Vejamos:
Art. 5º (...)
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por
seu interrogatório policial;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a
liberdade provisória, com ou sem fiança;
(...)
Vejam que temos uma série de direitos assegurados ao preso. Tenho um quadrinho abaixo que
pode facilitar a compreensão:
ADMISSIBILIDADE DA
DEPOIS DE EFETUADA A PRISÃO PARA EVITAR A PRISÃO
PRISÃO
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Tribunal do Júri
Art. 5º (...)
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei,
assegurados:
a) a plenitude de defesa;
Sem maiores considerações a respeito deste tema, apenas ressaltando que a competência do
Tribunal do Júri abarca os crimes dolosos contra a vida bem como os crimes que forem a eles
conexos (ex.: José estupra Maria e depois mata Joana, única testemunha do caso. Nesta
situação, o Tribunal do Júri é competente para julgar o homicídio doloso de Joana e o crime
estupro contra Maria, que é conexo com o homicídio).
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Importante destacar, ainda, que dois crimes muito comuns não são considerados crimes dolosos
contra a vida:
Menoridade Penal
Isso quer dizer que eles não respondem penalmente, estando sujeitos às normas do ESTATUTO
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.
Art. 5º (...)
Vale ressaltar que o inciso XLVIII é uma espécie de materialização do princípio da individualização
da pena, pois busca uma execução da pena mais racional, evitando-se que presos de perfis
distintos venham a cumprir pena juntos.
Art. 5º (...)
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(...)
(...)
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal;
(...)
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que
ficar preso além do tempo fixado na sentença;
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SISTEMAS PROCESSUAIS
A Doutrina não era unânime, mas prevalecia o entendimento de que o Brasil havia adotado um
sistema predominantemente acusatório (para alguns, MISTO), por diversas razões, dentre elas:
➔ O Juiz podia (até 2019), de ofício, produzir provas (sem requerimento de ninguém)
Todas estas circunstâncias conduziam à interpretação de que o Brasil havia adotado um sistema
predominantemente acusatório (para alguns, MISTO11).
Todavia, a Lei 13.964/19 (chamado “pacote anticrime”) criou a figura do Juiz das Garantias,
acabando de vez com a discussão, estabelecendo um sistema inegavelmente acusatório ao
processo penal brasileiro.
11
Alguns se referem a um sistema de aparência acusatória ou inquisitivo garantista.
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Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.298)
(Vide ADI 6.300) (Vide ADI 6.305)
Como se vê, atualmente o CPP prevê de forma expressa que nosso sistema processual penal é
acusatório, limitando-se a atuação “ex officio” do Juiz, bem como limitando sua iniciativa
probatória, como forma de reforçar sua imparcialidade.
Importante fazer uma ressalva no que tange aos poderes instrutórios do Juiz (poderes relativos à
produção probatória).
No que tange à produção probatória pelo Juiz, dois são os sistemas que podem ser adotados:
“adversarial system” e “inquisitorial system”.
Já no sistema inquisitorial (“inquisitorial system”), que não se confunde com “processo penal
inquisitivo”, o Juiz, sem se afastar de sua posição de julgador, pode ter iniciativa probatória em
certos casos. Ou seja, o Juiz pode ter a iniciativa probatória em certos casos, de forma
excepcional e subsidiária, sem perder com isso a sua imparcialidade.
Um sistema acusatório (referente ao processo penal como um todo) pode adotar, no que se
refere à iniciativa probatória pelo Juiz, tanto o sistema adversarial (que concentra nas mãos das
partes a iniciativa probatória) quanto o sistema inquisitorial (que confere ao Juiz a iniciativa
probatória em certos casos). Desta forma, podemos ter um sistema acusatório em que somente
as partes podem ter a iniciativa probatória (sistema acusatório-adversarial), bem como um sistema
acusatório no qual o Juiz possa, em certos casos, determinar de ofício a produção de alguma
prova (sistema acusatório-inquisitório), que é o adotado no Brasil.
Juiz tem ampla liberdade para agir de ofício Limitação da atuação “ex officio” do Juiz
(sem provocação)
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inexistentes do indivíduo
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A figura do Juiz das Garantias está prevista nos arts. 3º-A a 3º-F do CPP (todos estes artigos
incluídos pela Lei 13.964/19):
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação.
III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este
seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo;
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XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399
deste Código;
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Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais,
exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia
ou queixa na forma do art. 399 deste Código.
Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas
competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no
processo.
Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade
com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão,
sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal.
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Em linhas gerais, a criação do Juiz das Garantias atende a um anseio antigo de boa parte da
comunidade jurídica, que já enxergava a necessidade de um Juiz que atuasse exclusivamente na
fase de investigação.
Mas, professor, por qual razão seria necessário um Juiz apenas para a fase de investigação e
outro para a efetiva instrução e julgamento do processo futuramente? A lógica é bastante
simples. Durante a investigação, existem diversas situações nas quais é necessária a atuação de
um Magistrado (autorizar busca e apreensão, interceptação telefônica, decretar prisão preventiva,
etc.). Este Juiz que atua durante a investigação acaba se envolvendo demais com a atividade
investigatória, acaba por atuar durante meses (às vezes anos) “ao lado” dos órgãos da
persecução penal (autoridade policial e membro do MP), ouvindo suas teses, suas conjecturas,
etc. Isso faz com que este Magistrado muitas vezes se sinta “parte” da atividade persecutória (e
não é), de maneira que a futura denúncia contra o réu seria, em grande parte, fruto também do
seu trabalho durante a investigação.
Ok, professor, e daí? E daí que quem enxerga ter parcela de responsabilidade por tudo o que foi
produzido na investigação acaba por olhar de forma PARCIAL para a denúncia, afinal de contas,
ninguém gosta de ver seu trabalho jogado no lixo. Isso poderia conduzir a uma tendência de
olhar para a denúncia com ótimos olhos, tendendo a julgá-la procedente (condenando o
acusado). A condenação em si não é o problema, o problema seria olhar para a denúncia já com
olhos de condenação, quando, na verdade, o Juiz deve se manter ABSOLUTAMENTE IMPARCIAL
(equidistante da acusação e da defesa).
Assim, a criação do Juiz das Garantias acaba por distanciar o julgador (aquele Juiz que
efetivamente irá julgar o caso) da investigação, o que o deixa ainda mais equidistante das partes
(o Juiz deve ser imparcial, não pendendo nem para a acusação nem para a defesa).
Todavia, não é possível estudar a figura do Juiz das Garantias sem a análise da decisão proferida
pelo STF quando do julgamento conjunto das ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, que questionavam
a constitucionalidade de diversos pontos a respeito dos arts. 3º-A a 3º-F do CPP (além de alguns
outros dispositivos).
O STF, ao julgar as referidas ADIs, afirmou a absoluta constitucionalidade da figura do Juiz das
Garantias, consignando que “a instituição do “juiz das garantias” pela Lei nº 13.964/19 veio a
reforçar o modelo de processo penal preconizado pela Constituição de 1988. Tal medida
constitui uma alteração sem precedentes em nosso processo penal, o qual tem, paulatinamente,
caminhado para um fortalecimento do modelo acusatório.”.1
Assim, vamos analisar cada um dos dispositivos legais à luz não só do texto legal, mas também
da interpretação conferida pelo STF.
Importante frisar, porém, que o tópico a seguir irá passear por alguns pontos do direito
processual penal cujo aprofundamento não seria adequado nessa aula, que possui caráter mais
introdutório. Assim, exemplificativamente, ao falarmos sobre a competência do Juiz das garantias
para decidir sobre prorrogação do prazo de conclusão do inquérito policial, não vamos nos
1
(ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n
DIVULG 18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023
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alongar sobre o tema, já que tal aprofundamento deve ser realizado quando se estuda inquérito
policial.
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação.
Como se vê, logo de início o art. 3º-A já estabelece que o processo penal brasileiro terá estrutura
acusatória, derrubando a discussão anteriormente existente na Doutrina. Para endossar a opção
pela estrutura acusatória (mais condizente com um Estado que se pretenda democrático de
Direito), o referido dispositivo passou a estabelecer vedações no processo penal:
Posição do STF quanto ao art.3-A do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à CRFB/88, para
assentar que o juiz, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode determinar a
realização de diligências suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre questão relevante
para o julgamento do mérito.
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O STF ressaltou que a estrutura acusatória, prevista na primeira parte do art. 3º-A, “apenas torna
expresso, no texto do Código de Processo Penal, o princípio fundamental do processo penal
brasileiro, extraído da sistemática constitucional, na esteira da doutrina e da jurisprudência
pátrias.”2
Ou seja, para o STF, a primeira parte do dispositivo (“o processo penal terá estrutura acusatória”)
apenas positiva, ou seja, coloca expressamente no texto legal aquilo que já era a compreensão
da doutrina e da jurisprudência com base na sistemática constitucional brasileira. A CF/88, de
índole claramente garantista, somente poderia admitir um processo penal de estrutura
acusatória, o que agora está expressamente dito no texto do CPP.
Quanto à segunda parte do dispositivo, o STF assentou que apenas reforça o caráter acusatório
do sistema processual penal brasileiro, como forma de assegurar a equidistância do Juiz em
relação às partes e, consequentemente, sua imparcialidade, evitando-se a figura do “Juiz
protagonista”:
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termos, o novo artigo 3º-A do Código de Processo Penal, na redação dada pela
Lei 13.964/2019, deve ser interpretado de modo a vedar a substituição da
atuação de qualquer das partes pelo juiz, sem impedir que o magistrado,
pontualmente, nos limites legalmente autorizados, determine a realização de
diligências voltadas a dirimir dúvida sobre ponto relevante.
A interpretação dada pelo STF apenas reforça o texto legal, ao estabelecer que ao Juiz não é
lícito tomar as “rédeas” da produção probatória, de forma que o Juiz até pode tomar a iniciativa
de determinar a realização de alguma diligência probatória para dirimir dúvida sobre ponto
relevante do mérito da causa, mas sempre de forma suplementar em relação à atuação das
partes, a quem a lei confere primazia na iniciativa da produção probatória.
III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este
seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo;
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XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399
deste Código;
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Posição do STF quanto ao art.3-B, CAPUT, do CPP - Foi declarado CONSTITUCIONAL pelo STF,
tendo sido fixado, porém, prazo de 12 (doze) meses, a contar da publicação da ata do
julgamento (agosto de 2023), para que sejam adotadas as medidas legislativas e administrativas
necessárias à adequação das diferentes leis de organização judiciária, à efetiva implantação e ao
efetivo funcionamento do juiz das garantias em todo o país, tudo conforme as diretrizes do
Conselho Nacional de Justiça e sob a supervisão dele, podendo o prazo ser prorrogado uma
única vez, por no máximo 12 (doze) meses.
Assim, foi reconhecida a manifesta irrazoabilidade do período de “vacatio legis” previsto na Lei
13.964/19 (30 dias) no que tange à implementação do “Juízo das garantias” em todo o território
nacional, dadas as enormes dificuldades e os enormes custos para sua implantação.
Por conta disso, foi declarada a inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, do art. 20 da Lei
13.964/2019, no que se refere à fixação do prazo de 30 dias para a instalação dos juízes das
garantias.
Posição do STF quanto ao art. 3º-B, incisos IV, VIII e IX do CPP - Foi atribuída interpretação
conforme à CRFB/88, para que todos os atos praticados pelo Ministério Público como condutor
de investigação penal se submetam ao controle judicial (HC 89.837/DF, Rel. Min. Celso de Mello),
bem como foi fixado o prazo de até 90 (noventa) dias, contados da publicação da ata do
julgamento, para os representantes do Ministério Público encaminharem, sob pena de nulidade,
todos os PIC (Procedimentos investigatórios criminais) e outros procedimentos de investigação
criminal, mesmo que tenham outra denominação, ao respectivo juiz natural, independentemente
de o juiz das garantias já ter sido implementado na respectiva jurisdição.
A razão da decisão reside no fato de que a supervisão da investigação criminal não se restringe
ao inquérito policial, mas aos demais procedimentos de igual natureza, cuja instauração não
configura evento isolado, mas algo frequente:
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Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso VI do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para prever que o exercício do contraditório será preferencialmente em audiência
pública e oral. Trata-se de interpretação bastante relevante, pois o texto legal, numa
interpretação literal, impunha a obrigatoriedade de que o contraditório acerca da prorrogação de
prisão provisória ou outra medida cautelar pelo Juiz das Garantias deveria ser exercido em
audiência pública e oral. Com o entendimento firmado pelo STF, tal obrigatoriedade caiu por
terra, restando assentado que o exercício do contraditório nestes casos será preferencialmente
em audiência pública e oral.
Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso VII do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para estabelecer que o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco
para o processo, ou diferi-la em caso de necessidade. Assim, no caso de decisão do Juiz das
Garantias a respeito do requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes
e não repetíveis, o contraditório e a ampla defesa PODERÃO ser exercidos em audiência pública
e oral, mas o Juiz poderá deixar de realizar a audiência quando houver risco para o processo, ou
diferi-la em caso de necessidade.
Posição do STF quanto ao art. 3º-B, inciso XIV do CPP - Foi declarada a
INCONSTITUCIONALIDADE do inciso XIV do art. 3º-B do CPP, e atribuída interpretação
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conforme para assentar que a competência do juiz das garantias cessa com o oferecimento da
denúncia.
Trata-se de entendimento bastante relevante, na medida em que o inciso XIV do art. 3º-B
estabelece que caberia ao Juiz das Garantias decidir sobre o recebimento da denúncia ou
queixa. Para o STF, portanto, tal previsão é INCONSTITUCIONAL, cabendo ao Juiz da causa
(aquele que irá julgar o processo) decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, de
maneira que a competência do Juiz das Garantias se encerra no momento em que há o
oferecimento da denúncia (ação penal pública) ou da queixa-crime (ação penal privada).
Posição do STF quanto ao art. 3º-B, § 1º do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para estabelecer que “o preso em flagrante ou por força de mandado de prisão
provisória será encaminhado à presença do juiz das garantias, no prazo de 24 horas, salvo
impossibilidade fática, momento em que se realizará a audiência com a presença do ministério
público e da defensoria pública ou de advogado constituído, cabendo, excepcionalmente, o
emprego de videoconferência, mediante decisão da autoridade judiciária competente, desde
que este meio seja apto à verificação da integridade do preso e à garantia de todos os seus
direitos.”
Ou seja, apesar da vedação legal expressa ao uso de videoconferência para a realização de
audiência de custódia, o STF entendeu que o uso de videoconferência não está vedado por
completo, podendo ser realizada a audiência de custódia por videoconferência
excepcionalmente, quando:
➢ Este meio seja apto à verificação da integridade do preso e à garantia de todos os seus
direitos;
Dessa forma, o STF reconheceu que tais dispositivos são manifestamente irrazoáveis, e qualquer
interpretação “que imponha prazos improrrogáveis e deles extraia presunções absolutas e
3
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
18-12-2023 PUBLIC 19-12-2023
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 47
[Link] 131
abstratas de ilegalidade da prisão cautelar, sem permitir prévia decisão da autoridade judiciária
competente, fundamentada na periculosidade do agente e na complexidade do caso” irá ferir o
direito fundamental à inafastabilidade da jurisdição.
==16c639==
Posição do STF quanto ao art. 3º-B, § 2º do CPP - Foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para definir que: “a) o juiz pode decidir de forma fundamentada, reconhecendo a
necessidade de novas prorrogações do inquérito, diante de elementos concretos e da
complexidade da investigação; e b) a inobservância do prazo previsto em lei não implica a
revogação automática da prisão preventiva, devendo o juízo competente ser instado a avaliar os
motivos que a ensejaram, nos termos da ADI nº 6.581;”
➢ Ainda que não seja observado o prazo legal de conclusão do inquérito policial com
indiciado preso, isso não gera ilegalidade automática da prisão, devendo ser provocado o
Juízo competente para que avalie se é o caso de revogar ou não a prisão preventiva
decretada.
Assim, após a análise do texto legal e da interpretação conferida pelo STF aos referidos
dispositivos, podemos concluir que o Juiz das Garantias tem competência para:
⇒ Receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º
da Constituição Federal
4
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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Como se vê, o Juiz das Garantias deverá atuar desde o início da investigação criminal5 até o
oferecimento da denúncia ou queixa (a previsão de que sua competência se estenderia até o
recebimento da denúncia ou queixa foi considerada inconstitucional).
5
A propósito, como vimos, o Juiz das Garantias deve ser informado sobre a instauração de qualquer investigação
criminal (não apenas inquérito policial).
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[Link] 131
Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais,
exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia
ou queixa na forma do art. 399 deste Código.
Posição do STF quanto ao art. 3º-C, primeira parte, do CPP - Foi atribuída interpretação
conforme à CRFB/88, para esclarecer que as normas relativas ao juiz das garantias não se aplicam
às seguintes situações:
➔ Casos de violência doméstica e familiar - Para o STF, realizar esta “cisão rígida” entre as
fases da persecução penal (fase de investigação e fase de instrução e julgamento)
dificultaria que o juiz viesse a ter conhecimento pleno de toda a dinâmica do contexto da
agressão, o que poderia dificultar o amparo à vítima da violência;
➔ Infrações penais de menor potencial ofensivo - No caso das infrações de menor potencial
ofensivo, a inaplicabilidade da figura do Juiz das Garantias decorre do próprio texto legal.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 50
[Link] 131
Posição do STF quanto ao art. 3º-C, segunda parte, do CPP (“(...) e cessa com o recebimento da
denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código. “) - Tal previsão foi DECLARADA
INCONSTITUCIONAL, sendo atribuída interpretação conforme para assentar que a competência
do juiz das garantias cessa com o oferecimento da denúncia ou queixa, pelos motivos já
delineados anteriormente.
Como se vê, mais uma vez temos uma série de interpretações dadas pelo STF e que devem ser
consideradas pelo aluno.
Assim, em resumo, uma vez OFERECIDA a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão
decididas pelo juiz da instrução e julgamento. Ademais, as decisões proferidas pelo juiz de
garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento, que deverá reexaminar a necessidade
das medidas cautelares em curso (prisão preventiva, medida cautelar diversa da prisão, etc.), no
prazo máximo de 10 dias.
6
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas
competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no
processo.
O caput do art. 3º-D foi declarado INCONSTITUCIONAL pelo STF, bem como foi declarada a
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL do parágrafo único do mesmo art. 3º-D do CPP.
Quanto ao “caput” do art. 3º-D, o STF fundamentou sua decisão no fato de que o referido
dispositivo estabelece uma espécie de presunção legal absoluta (juris et de jure, e não juris
tantum) de parcialidade do juiz apenas pelo fato de ter proferido decisões na fase do inquérito, o
que implica o inconcebível reconhecimento de que o Juiz seria incapaz de julgar sem estar
enviesado pela sua atuação na fase anterior. Vejamos:
(g) A Lei 13.964/2019 estabeleceu, assim, uma presunção legal absoluta (juris et
de jure, e não juris tantum) de parcialidade do juiz que, no exclusivo exercício da
função jurisdicional, tenha proferido decisões na fase do inquérito.
(...)
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[Link] 131
No que tange ao parágrafo único do art. 3º-D, trata-se de dispositivo que cria típica norma de
organização judiciária, de maneira que configura usurpação de competência legislativa das
unidades federadas (Estados-membros), com iniciativa legislativa exclusiva do Poder Judiciário
respectivo, de maneira que o dispositivo padece de inconstitucionalidade formal.
Já quanto ao art. 3º-E do CPP, foi atribuída interpretação conforme à CRFB/88, para para assentar
que o juiz das garantias será investido, e não designado, conforme as normas de organização
judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, já que, no entendimento do STF, a
“designação caracteriza-se como ato administrativo de natureza discricionária e a título precário,
incompatível com a garantia da magistratura pertinente à inamovibilidade, pressuposto da
independência funcional”.7
Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o
tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade
com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão,
sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal.
O art. 3º-F trata da competência do Juiz das Garantias para assegurar que os direitos dos presos
sejam respeitados. Este dispositivo busca efetivar o mandamento constitucional que assegura aos
presos o respeito à integridade moral (além do respeito à integridade física).8
Já quanto ao parágrafo único do art. 3º-F do CPP, foi atribuída interpretação conforme à
CRFB/88, para assentar que “a divulgação de informações sobre a realização da prisão e a
7
ADI 6298, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
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Art. 5º (...) XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
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[Link] 131
identidade do preso pelas autoridades policiais, ministério público e magistratura deve assegurar
a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à
prisão.”
No entendimento do STF, tanto o caput quanto o parágrafo único estão em consonância com as
preocupações legais contra a exploração da imagem da pessoa presa, que emanam do princípio
da dignidade da pessoa humana. Todavia, especificamente quanto ao parágrafo único, a previsão
de regulamentação por autoridades não expressamente definidas em Lei poderia gerar prejuízo à
liberdade de imprensa no que tange à obtenção de informações sobre casos que envolvam a
prisão de investigados, prejudicando o direito à informação. Vejamos:
“(c) O artigo 3º-F, caput, impugnado nestas ADIs, revela-se em consonância com
as preocupações contra a exploração da imagem da pessoa submetida à prisão,
emanando do princípio da dignidade da pessoa humana, razão pela qual deve
ser declarada sua constitucionalidade material.
(f) Por conseguinte, de modo a compatibilizar o artigo 3º-F, parágrafo único, com
o artigo 220 da Constituição Federal, deve-se atribuir interpretação conforme ao
dispositivo impugnado, para assentar que a divulgação de informações sobre a
realização da prisão e a identidade do preso pelas autoridades policiais,
ministério público e magistratura deve assegurar a efetividade da persecução
penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 54
[Link] 131
Tópicos finais
Embora não haja previsão nos arts. 3º-A a 3º-F do CPP, o STF, ao julgar as ADIs 6298, 6299, 6300
e 6305, fixou uma regra de transição:
Ou seja, se a ação penal já havia sido instaurada no momento da implementação efetiva do Juiz
das Garantias, isso não poderá gerar qualquer modificação quanto ao Juízo competente para
julgar a causa.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 55
[Link] 131
Quando duas ou mais leis processuais penais se sucedem no tempo, surge a necessidade de
definir qual delas será aplicável a determinado processo criminal. Nesse sentido, existem
basicamente três teorias para tentar explicar a aplicabilidade da lei processual penal nova:
⇒ Teoria da unidade processual – Uma lei processual penal nova não poderia ser
aplicada a processos criminais já em curso, somente sendo aplicável aos processos
que viessem a ser instaurados no futuro. Assim, para esta teoria, um processo
criminal somente poderia ser regido, do início ao fim, por uma única lei.
⇒ Teoria das fases processuais – Uma lei processual penal nova pode ser aplicada a um
processo em curso, mas só seria aplicável na fase processual seguinte (fase
postulatória, fase instrutória, fase decisória, etc.). Isso significa, portanto, que num
mesmo processo poderiam ser aplicadas diversas leis, mas cada fase processual
somente poderia ser regida por uma única lei.
⇒ Teoria do isolamento dos atos processuais – Para esta teoria a lei processual penal
nova pode ser aplicada imediatamente aos processos em curso, mas somente será
aplicável aos atos processuais futuros, ou seja, não irá interferir nos atos processuais
que já foram validamente praticados sob a vigência da lei antiga. Para esta teoria,
portanto, um processo pode ser regido por diversas leis que se sucederam no
tempo. Além disso, dentro de uma mesma fase processual é possível que haja a
aplicação de mais de uma lei processual penal.
Mas, qual foi a teoria adotada pelo CP? Nos termos do art. 2° do CPP:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Por este artigo podemos extrair o princípio do tempus regit actum, também conhecido como
princípio do efeito imediato ou aplicação imediata da lei processual. Este princípio significa que a
lei processual regulará os atos processuais praticados a partir de sua vigência, não se aplicando
aos atos já praticados.1
Esta é a regra de aplicação temporal de toda e qualquer lei, meus caros, ou seja, produção de
efeitos somente para o futuro.
Assim, vocês devem ter muito cuidado! Ainda que o processo tenha se iniciado sob a vigência de
uma lei, sobrevindo outra norma, alterando o CPP (ainda que mais gravosa ao réu), esta será
1
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96. No mesmo sentido, Eugênio Pacelli. PACELLI, Eugênio. Curso de
processo penal. 16º edição. Ed. Atlas. São Paulo, 2012, p. 24.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 56
[Link] 131
aplicada aos atos futuros. Ou seja, a lei nova não pode retroagir para alcançar atos processuais já
praticados, mas se aplica aos atos futuros dos processos em curso.
EXEMPLO: Imaginemos que uma pessoa responda a processo criminal pelo crime de
homicídio. Nesse caso, a Lei prevê dois recursos, “A” e “B”. Durante o processo surge
uma lei alterando o CPP e excluindo a possibilidade de interposição do recurso “B”,
ou seja, é uma norma prejudicial ao réu, pois retira do réu a possibilidade de manejo
de um recurso. Nesse caso, trata-se de norma puramente processual, e a aplicação da
lei nova será imediata. Entretanto, se o acusado já tiver interposto o recurso “B”, a lei
nova não terá o condão de fazer com que o recurso deixe de ser julgado, pois se trata
de ato processual já praticado (interposição do recurso), devendo o Tribunal apreciá-lo.
A doutrina entende, inclusive, que mesmo se o recurso ainda não foi interposto, mas o
prazo recursal já está em curso, a lei nova não é aplicável.
==16c639==
Dessa forma, sem grande esforço, podemos concluir que, no que se refere às normas de direito
processual penal, sua aplicação é imediata, inclusive aos processos em curso, mas somente aos
atos processuais futuros, não afetando os atos processuais já praticados validamente sob a
vigência da lei anterior. Isso consagra a adoção da teoria do isolamento dos atos processuais.
Tudo o que foi dito anteriormente, quanto à aplicação da lei processual penal nova, se aplica
exclusivamente à hipótese de leis puramente processuais2. Ocorre, porém, que dentro de uma lei
processual pode haver normas de natureza material. Como assim? Uma lei processual pode
estabelecer normas que, na verdade, são de Direito Penal, pois criam ou extinguem direito do
indivíduo, relativos à sua liberdade, etc., como é o caso das normas relativas à prescrição, à
extinção da punibilidade em geral, e outras. Nesses casos de leis materiais, inseridas em normas
processuais (e vice-versa), ocorre o fenômeno da heterotopia.
Em casos como este, o difícil é saber identificar qual regra é de direito processual e qual é de
direito material (penal). Porém, uma vez identificada a norma como sendo uma regra de direito
material, sua aplicação será regulada pelas normas atinentes à aplicação da lei penal no tempo,
inclusive no que se refere à possibilidade de eficácia retroativa para benefício do réu.
EXEMPLO: Imagine que José esteja sendo processado pelo crime X, que prescreve em
10 anos. Surge, porém, uma Lei nova, que possui conteúdo eminentemente
processual, tratando sobre questões relativas ao processo em geral. Todavia, essa lei
nova contém um dispositivo que estabelece que a prescrição em relação ao crime X
ocorrerá em 20 anos. Tal norma, apesar de estar inserida numa lei processual, possui
conteúdo de direito penal, pois é relativa à prescrição (que é causa de extinção da
punibilidade). Assim, essa norma não será aplicável ao caso de José, por ser uma
norma penal nova mais gravosa. Aplica-se aqui a regra do Direito Penal da
irretroatividade da lei penal nova mais gravosa.
2
Normas puramente processuais são aquelas que se referem a questões meramente relativas ao processo, ao
procedimento em geral, como as normas relativas à comunicação dos atos processuais (citações e intimações), aos
prazos para manifestação das partes, aos recursos, etc.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 57
[Link] 131
No caso das normas mistas, embora haja alguma divergência doutrinária, vem prevalecendo o
entendimento de que, por haver disposições de direito material, devem ser utilizadas as regras
de aplicação da lei penal no tempo, ou seja, retroatividade da lei mais benéfica e impossibilidade
de retroatividade quando houver prejuízo ao réu.3
CUIDADO! No que se refere às normas relativas à execução penal (cumprimento de pena, saídas
temporárias, etc.), a Doutrina diverge quanto à sua natureza. Há quem entenda tratar-se de
normas de direito material, há quem as considere como normas de direito processual. Entretanto,
para nós, o que importa é o que o STF e o STJ pensam! E eles entendem que se trata de norma
de direito material. Assim, se uma lei nova surge, alterando o regime de cumprimento da pena,
beneficiando o réu, ela será aplicada aos processos em fase de execução, por ser considerada
norma de direito material.
3
NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 96
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 58
[Link] 131
Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para atingir
fatos anteriores a sua entrada em vigor.
COMENTÁRIOS
Item errado. A Lei processual penal, pelo princípio do efeito imediato, tem aplicação imediata,
seja ela benéfica ou prejudicial ao agente, aplicando-se inclusive aos processos em curso
(obviamente, tais processos se referem a fatos praticados antes da entrada em vigor da nova lei
processual), mas sem prejudicar os atos processuais já validamente realizados sob a vigência da
lei anterior, nos termos do art. 2º do CPP:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Aplicam-se aqui as regras da lei PROCESSUAL penal no tempo, não as regras da lei penal no
tempo.
GABARITO: ERRADA
No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.
A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;
B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade da
lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 59
[Link] 131
C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;
D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;
E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, deve ser aplicada a nova lei processual penal, nos termos do art. 2º do CPP, ainda
que desfavorável ao réu, por se tratar de norma puramente processual. Serão respeitados, porém,
os atos já praticados, pelo princípio do tempus regit actum.
Por fim, o CPP admite interpretação extensiva e aplicação analógica da lei processual, nos termos
do art. 3º do CPP.
GABARITO: Letra E
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 60
[Link] 131
(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.
COMENTÁRIOS
Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da legislação
anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
COMENTÁRIOS
Pelo princípio do tempus regit actum, a lei processual penal tem aplicação imediata aos processos
em curso, mas só se aplica aos ATOS PROCESSUAIS FUTUROS, ou seja, não se aplica àqueles que
já foram realizados, nos termos do art. 2º do CPP.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 61
[Link] 131
No caso do recurso, como o prazo recursal já havia se iniciado antes da entrada em vigor da lei
nova, esse prazo será regido pela lei antiga (que vigorava quando o prazo começou a fluir).
Assim, a lei processual nova só se aplica aos prazos recursais FUTUROS, não àqueles que já se
iniciaram antes de sua vigência.
Assim, considerando o prazo antigo (05 dias), o recurso é tempestivo, pois o prazo findou em
28.11.2015, que foi sábado, sendo prorrogado até dia 30.11.2015, dia útil seguinte.
COMENTÁRIOS
No processo penal vigora o princípio do tempus regit actum, ou seja, o ato processual será
praticado de acordo com a lei processual que vigorar no momento de sua realização,
independentemente de se tratar de lei processual mais gravosa do que aquela que vigorava no
momento da prática do delito, nos termos do art. 2º do CPP.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 62
[Link] 131
assinale a alternativa que corretamente expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que
não haviam transitado em julgado quando da alteração legislativa.
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.
B) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento
em que entra em vigor, sem que se questione se mais gravosa ou não.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.
D) Aplica-se a regra do Direito Processual de imediatidade, em que a lei é aplicada no momento
em que entra em vigor, devendo-se questionar se a novatio legis é mais gravosa ou não.
COMENTÁRIOS
No caso específico da alteração da natureza da ação penal em relação aos crimes de lesões
==16c639==
corporais leves e culposas, o STJ entendeu que a norma possuía caráter híbrido (de direito
processual e de direito material), devendo ser aplicada a regra relativa às normas de Direito Penal,
no que tange à retroatividade da lei mais benéfica.
Por se tratar de lei mais benéfica, o STJ entendeu que deveria ser aplicada aos fatos praticados
antes de sua entrada em vigor, desde que o processo ainda estivesse tramitando, devendo a vítima
manifestar seu interesse no prosseguimento da ação penal (já que a ação penal já havia sido
ajuizada).
Vejamos:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 63
[Link] 131
COMENTÁRIOS
No Processo penal vigora, em relação às leis puramente processuais, o princípio do tempus regit
actum, ou seja, a lei é aplicada aos processos desde logo, independentemente de o processo ter
sido instaurado antes. São preservados, contudo, os atos já praticados. Vejamos:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois no Brasil se adota o princípio da aplicação imediata da lei processual penal,
também conhecido como princípio do tempus regit actum, ou seja, a norma processual penal é
aplicável imediatamente aos processos em curso (naturalmente, são relativos a fatos praticados
antes da entrada em vigor da lei processual nova). Os atos processuais já praticados sob a vigência
da lei antiga, porém, permanecem válidos.
COMENTÁRIOS
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 64
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Item correto, pois em se tratando de normas híbridas, embora haja alguma divergência, prevalece
o entendimento de que deve ser aplicada a regra prevista para a aplicação das leis de direito penal
material: retroatividade da lei mais benéfica, e irretroatividade da lei quando for prejudicial ao réu.
COMENTÁRIOS
Item correto. O princípio do tempus regit actum determina que a lei processual penal será
aplicável imediatamente, ou seja, inclusive aos processos em curso. Contudo, os atos já
validamente praticados sob a vigência da lei anterior permanecem íntegros, não são prejudicados
pela lei nova.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 65
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Assim, a norma processual penal (como qualquer outra) vigora em determinado lugar e em
determinado momento. Nesse sentido, devemos analisar onde e quando a lei processual penal
brasileira se aplica.
O que seria esse princípio? Esse princípio estabelece que a lei processual penal brasileira
produzirá efeitos dentro do território nacional, aplicando-se aos processos criminais que aqui se
desenvolverem.
Dessa forma, havendo o desenvolvimento de algum processo criminal no nosso país, será
aplicável a lei processual penal brasileira.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 66
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Quando se diz que a territorialidade da lei processual penal é absoluta, se está a dizer que ao
processo criminal em trâmite no Brasil, será aplicada a lei processual penal brasileira, e nenhuma
outra (ainda que o crime que esteja sendo julgado no Brasil tenha ocorrido no exterior, ou seja,
trate-se de extraterritorialidade da lei penal).
O art. 1º do CPP possui uma redação ruim, fica aqui a crítica. Ao tentar tratar sobre a lei
processual penal no espaço, o art. 1º acabou por “reduzir” a lei processual penal brasileira ao
CPP, quando na verdade, deveria ter dito que “o processo penal reger-se-á, em todo o território
brasileiro pela lei processual penal brasileira”. Só então, a partir dessa compreensão, seria o caso
de estabelecer exatamente qual lei seria considerada de aplicação primordial, no caso, o CPP.
==16c639==
Feita a crítica, vamos sintetizar o que a Doutrina interpreta acerca do art. 1º do CPP:
➔ Ao processo penal em trâmite no Brasil, será aplicável a lei processual penal brasileira
(territorialidade absoluta)
➔ A lei processual penal brasileira, aplicável aos processos aqui em trâmite, é
primordialmente o CPP, salvo em casos excepcionais, quando houver legislação específica.
O art. 1° do CPP faz ressalva ainda a outras duas situações, atualmente inaplicáveis:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 67
[Link] 131
➔ Processos por crimes de imprensa – O STF, no julgamento da ADPF 130, considerou não
recepcionada a Lei 5.250/67 (Lei de imprensa), eis que se tratava de lei com nítido caráter
de censura, violando a liberdade jornalística e de imprensa. Logo, o procedimento
especial para processo e julgamento dos crimes ali previstos deixou de existir.
Há, ainda, outras situações previstas em leis especiais. No caso de haver rito específico para o
processo e julgamento de determinado crime, como ocorre no caso da Lei de Drogas, deverá ser
utilizado, primordialmente, o rito específico, cabendo ao CPP atuar de forma subsidiária.
Além do que até aqui foi dito, é importante destacar também que o CPP só é aplicável aos atos
processuais praticados no território nacional.
Desta forma, se por algum motivo o ato processual tiver de ser praticado no exterior, por meio
de carta rogatória ou outro instrumento de cooperação jurídica internacional, serão aplicadas as
regras processuais do país em que o ato for praticado.
EXEMPLO: José está sendo processado, no Brasil, pelo crime X. Todavia, uma das
testemunhas de José, Paula, reside na França. Neste caso, para que Paula seja ouvida
deverá ser expedida carta rogatória, que é um instrumento por meio do qual o
Judiciário brasileiro solicita cooperação jurídica ao Judiciário francês, a fim de que
Paula seja ouvida na França e os termos de seu depoimento sejam enviados
posteriormente ao Brasil, por escrito, a fim de serem anexados ao processo. Neste
caso, Paula será ouvida na França, e o seu depoimento será regulado de acordo com
as regras processuais previstas na Lei francesa, e não de acordo com as regras
processuais brasileiras.
Trata-se da lógica do “locus regit actum”, ou seja, o ato processual é regido pela lei do local em
que foi realizado.
A Doutrina processual, capitaneada por TOURINHO FILHO, traz três hipóteses excepcionais em
que a lei processual penal brasileira poderia ser aplicada a ato processual realizado fora do nosso
território, são elas:
➔ Realização do ato em território “nullius” – O território “de ninguém” é local sobre o qual
nenhum Estado exerce soberania, logo, não haveria impedimento à aplicação da lei
processual penal brasileira em casos tais.
➔ Autorização do país local em utilizar as regras processuais brasileiras – Havendo
concordância do país local na utilização da nossa lei processual, não haveria qualquer
ofensa à soberania do país em que o ato vier a ocorrer.
➔ Realização do ato em território estrangeiro ocupado por ocasião de guerra – Nesse caso,
a despeito de se tratar de ato a ser realizado em território de outro país, trata-se de
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 68
[Link] 131
Nesses três casos excepcionais acima descritos, não haveria óbice à aplicação da lei processual
penal brasileira além dos limites territoriais do nosso país.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 69
[Link] 131
Exclusivamente sobre o ponto de vista da Lei Processual no Espaço, a alegação do advogado está
correta?
A) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas
processuais brasileiras podem ser aplicadas fora do território nacional.
B) Não, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais
brasileiras só se aplicam no território nacional.
C) Sim, pois no processo penal vigora o princípio da territorialidade, já que as normas processuais
brasileiras podem ser aplicadas em qualquer território.
D) Não, pois no processo penal vigora o princípio da extraterritorialidade, já que as normas
processuais brasileiras podem ser aplicas fora no território nacional.
COMENTÁRIOS
GABARITO: Letra B
COMENTÁRIOS
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 70
[Link] 131
Item errado, pois o próprio CPP traz diversas ressalvas em seu art. 1º, como as hipóteses de
existência de tratado internacional, ou em relação aos crimes militares (para os quais será aplicada
a lei processual penal militar, e só de forma subsidiária o CPP), etc.
GABARITO: Errada
COMENTÁRIOS
Item correto, pois a regra é a aplicação do princípio da territorialidade, ou seja, ao processo penal
realizado no território brasileiro, aplica-se o CPP. Contudo, existem algumas exceções, dentre as
quais se encontra a hipótese de existência de tratados, convenções ou regras de direito
internacional, nos termos do art. 1º, I do CPP.
GABARITO: Correta
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 71
[Link] 131
A interpretação extensiva é uma atividade na qual o intérprete estende o alcance do que diz a
lei, em razão de sua vontade (vontade da lei) ser esta. Ou seja, ao tentar extrair o alcance da
norma, o intérprete conclui que a norma acabou dizendo menos do que efetivamente queria
dizer.
No crime de extorsão mediante sequestro, por exemplo, é lógico concluir que a lei quis incluir,
também, extorsão mediante cárcere privado. Assim, faz-se uma interpretação extensiva, que
pode ser aplicada sem que haja violação ao princípio da legalidade, pois, na verdade, a lei diz
isso, só que não está expresso em seu texto.
Embora o art. 581, I estabeleça o cabimento do RESE apenas para impugnar a decisão de não
recebimento da denúncia ou queixa, a Doutrina aponta, em interpretação extensiva, o cabimento
do referido recurso para impugnar a decisão de não recebimento do ADITAMENTO à denúncia
ou queixa (uma peça por meio da qual o acusador retifica ou complementa a inicial acusatória).
A compreensão aqui é: a lei quis englobar também o aditamento, mas acabou não deixando isso
expresso em suas palavras. Logo, faz-se uma interpretação extensiva, ou seja, ampliando o
alcance das palavras contidas no texto legal.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 72
[Link] 131
A aplicação analógica (ou analogia), por sua vez, é bem diferente. Como o nome diz, decorre da
analogia, que é o mesmo que comparação. Assim, essa forma de integração da lei processual
penal somente será utilizada quando não houver norma disciplinando determinado caso. Nessa
situação, utiliza-se uma norma aplicável a outro caso, considerado semelhante.
Na aplicação analógica (analogia), o Juiz aplica a um caso uma norma que não foi
originariamente prevista para tal, e sim para um caso semelhante.
Percebam: na interpretação extensiva existe norma, e a norma alcança o caso hipotético (mas isso
não está claro no texto normativo); na analogia não existe norma regulamentando o caso
hipotético, ou seja, há uma lacuna. Exatamente por isso, é necessário suprir essa lacuna, fechar
esse “buraco normativo”, ou seja, realizar a integração da lei processual.
Vamos a um exemplo:
==16c639==
O art. 252 se refere ao cônjuge, mas nada diz sobre o companheiro. Difícil imaginar que a lei
quisesse incluir também o companheiro, até porque o CPP é de 1941, momento histórico em que
não havia tal compreensão de equivalência entre casamento e união estável. Também não é
razoável imaginar que tenha sido a vontade da lei, deliberadamente, deixar de incluir o
companheiro. Não parece, portanto, ser um caso de “silêncio eloquente” da lei, uma daquelas
situações em que a norma deliberadamente pretende não ser aplicável a determinado caso,
silenciando sobre ele.
Logo, chegamos a uma “anomia” ao caso. Não há norma regulamentando a existência, ou não,
de impedimento para o Juiz quando seu companheiro já atuou no caso como defensor ou
advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito.
Nesse caso, podemos recorrer à analogia, já que “ubi eadem ratio, ibi idem jus” (onde há a
mesma razão, deve haver o mesmo Direito).
A grande questão é saber o que se enquadra como “caso semelhante”. Para isso, a Doutrina
elenca três fatores que devem ser respeitados:
➔ Semelhança essencial entre os casos (previsto e não previsto pela norma). Desprezam-se
as diferenças não essenciais – No exemplo dado, podemos concluir que há semelhança
essencial entre os casos.
➔ Igualdade de valoração jurídica das hipóteses – Podemos, no exemplo dado, valorar
juridicamente ambas as situações de forma igual? Sim. Podemos entender que o Juiz atuar
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 73
[Link] 131
no caso em que seu cônjuge já atuou como defensor ([Link]) tem o mesmo valor jurídico
que o Juiz atuar no caso em que seu companheiro já atuou como defensor.
➔ Igualdade de circunstâncias ou igualdade de razão jurídica de ambos os institutos – A
razão jurídica por trás da hipótese de impedimento prevista no art. 252, I é impedir a
atuação de um magistrado presumivelmente parcial, na medida em que seria bastante
difícil ao Juiz ser imparcial quando seu cônjuge (ou algum dos parentes próximos ali
mencionados) já tivesse atuado no caso. A mesma razão pode ser aplicada ao
companheiro? Sim, já que é possível imaginar que a mesma presunção de parcialidade
exista no caso do companheiro.
➔ Analogia “legis” – Trata-se da analogia propriamente dita (colmatar uma lacuna usando
outra norma).
➔ Analogia “juris” - Valer-se de disposições legais para compreender a existência de um
princípio jurídico que irá colmatar a lacuna (ex.: direito ao silêncio e outras normas
conduzem ao princípio da vedação à autoincriminação, que será usado para regular
determinadas situações para as quais não haja norma).
A Doutrina entende, ainda, que no caso de aplicação analógica (analogia) “in malam partem”,
não pode haver lesão a conteúdos de natureza material (penal), pois não se admite analogia in
malam partem no Direito Penal.
Como exemplo, imaginemos que uma lei estabeleça a participação das partes (autor e réu) em
determinado ato processual. Se a lei nada disser em relação a ordem de participação das partes
no ato processual, deve-se permitir que a defesa atue por último, pois é de conhecimento geral
daqueles que aplicam o Direito que a defesa deve falar por último no processo, a fim de que
possa se defender plenamente dos fatos que lhe são imputados, em homenagem aos princípios
do contraditório e da ampla defesa.
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Introdução
Para falarmos sobre a aplicação da lei processual penal em relação às pessoas, temos que
entender, primeiramente, quem são os sujeitos do delito. São basicamente de duas ordens:
Sujeito ativo e passivo.
As definições acima estão postas de uma forma simples, de fácil assimilação, para que possamos
chegar ao ponto que nos interessa, que são as eventuais regras diferenciadas para a aplicação da
lei processual penal a depender do sujeito ativo do delito.
O sujeito ativo de determinada infração penal acabará ocupando o polo passivo da demanda no
processo penal, ou seja, o infrator é sujeito ativo do delito (quem pratica o delito), mas está no
polo passivo da ação penal (pessoa a quem se imputa o delito).
Imunidades diplomáticas
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 75
[Link] 131
Com relação aos agentes consulares (diferentes dos agentes diplomáticos) a imunidade só é
conferida aos atos praticados em razão do ofício, não a qualquer crime.
Resumidamente:
➔ Imunidade total de jurisdição penal – Agentes diplomáticos e seus familiares, bem como
os membros do pessoal administrativo e técnico da missão, assim como os membros de
suas famílias que com eles vivam, desde que não sejam nacionais do estado acreditado
(no caso, o Brasil) nem nele tenham residência permanente.
➔ Imunidade de jurisdição penal em relação aos atos funcionais – Agentes consulares e
membros do pessoal de serviço da missão diplomática que não sejam nacionais do Estado
acreditado nem nele tenham residência permanente.
Imunidades Parlamentares
1. Imunidade material
Assim, o parlamentar não comete crime quando pratica estas condutas em razão do cargo
(exercício da função). Entretanto, não é necessário que o parlamentar tenha proferido as palavras
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[Link] 131
dentro do recinto (Congresso, Assembleia Legislativa, etc.), bastando que tenha relação com sua
função (Pode ser numa entrevista a um jornal local, etc.).
Quanto à natureza jurídica dessa imunidade (o que ela representa perante o Direito), há muita
controvérsia na Doutrina, mas a posição que predomina é a de que se trata de fato atípico, ou
seja, a conduta do parlamentar não chega sequer a ter enquadramento na lei penal (Essa é a
posição que vem sendo adotada pelo Supremo Tribunal Federal – STF).
Temos, ainda, a imunidade material dos vereadores, prevista no art. 29, VIII da Constituição:
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o
interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta
Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
(...)
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no
exercício do mandato e na circunscrição do Município; (Renumerado do inciso VI,
pela Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
Vejam que é necessário que o ato (no caso dos vereadores) tenha sido praticado na circunscrição
do município. Caso contrário, não haverá a incidência da proteção constitucional. O tema,
inclusive, foi objeto de decisão do STF em julgamento com repercussão geral, tendo sido fixada
a seguinte tese:
2. Imunidade formal
Se as imunidades materiais estão mais relacionadas ao Direito Penal, as imunidades formais são
aquelas mais afetas do direito processual penal propriamente, pois as imunidades formais estão
relacionadas a questões processuais, como possibilidade de prisão e seguimento de processo
penal. Está prevista no art. 53, §§ 1° a 5° da Constituição da República, sendo também conhecida
como “freedom from arrest.”
A primeira das hipóteses é a imunidade formal para a prisão. Assim dispõe o art. 53, § 2° da
Constituição:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 77
[Link] 131
caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva,
para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
O STF entende que essa impossibilidade de prisão se refere a qualquer tipo de prisão, inclusive
as de caráter provisório, decretadas pelo Juiz. A única ressalva é a prisão em flagrante pela
prática de crime inafiançável.
Quanto à possibilidade de prisão em flagrante por crime inafiançável, o STF, em decisão bastante
controversa, estabeleceu um entendimento “alargado” do conceito de crime inafiançável para
estes fins. Vejamos:
Como se vê, na referida decisão o STF entendeu que o “flagrante de crime inafiançável” previsto
no art. 53, §2º da CF/88 não se restringe àqueles crimes previstos em lei como inafiançáveis, mas
também se aplica àquelas situações em que o crime, a princípio, é afiançável, mas
circunstancialmente não é possível a concessão da fiança, como ocorre na hipótese de estarem
presentes os requisitos da prisão preventiva.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 78
[Link] 131
Entretanto, recentemente, o STF decidiu que os parlamentares podem ser presos, além desta
hipótese, no caso de sentença penal condenatória transitada em julgado, ou seja, na qual não
cabe mais recurso algum.
Continuando no caso da prisão em flagrante, os autos da prisão serão remetidos à casa a qual
pertencer o parlamentar, em até 24h, e esta decidirá, em votação aberta, por maioria absoluta de
seus membros, se a prisão é mantida ou não.
Assim, se um parlamentar cometer um crime após a diplomação e for denunciado por isso, o STF,
se receber a denúncia, deverá dar ciência à Casa a qual pertence o parlamentar (Câmara ou
Senado), e esta poderá, por iniciativa de algum partido político que lá tenha representante, sustar
o andamento da ação até o término do mandato.
CUIDADO! Só quem pode tomar a iniciativa de pedir a sustação da ação penal é partido político
que possua algum representante naquela casa.
A sustação deve ser decidida no prazo de 45 dias a contar do recebimento do pedido pela Mesa
Diretora da Casa. Caso o processo seja suspenso, suspende-se também a prescrição, para evitar
que o parlamentar deixe de ser julgado ao término do mandato.
Havendo a sustação da ação penal em relação ao parlamentar, e tendo o processo outros réus
que não sejam parlamentares, o processo deve ser desmembrado, e os demais réus serão
processados normalmente.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 79
[Link] 131
CUIDADO! No caso de crime cometido antes da diplomação, não há essa regra. O STF não tem
que comunicar a Casa e não há possibilidade de sustação do andamento do processo!
Essas regras (referentes a ambas as espécies de imunidades) são aplicáveis aos parlamentares
estaduais (Deputados estaduais), por força do art. 27, § 1° da Constituição. Entretanto, aos
parlamentares municipais (vereadores) só se aplicam as imunidades materiais! Ah, e em qualquer
caso, não abrangem os suplentes!
Os parlamentares não podem renunciar a estas imunidades, pois, como disse antes, trata-se de
prerrogativa inerente ao cargo, não à pessoa1.
1
Entretanto, a Doutrina e a Jurisprudência entendem que o parlamentar afastado para exercer cargo de Ministro ou
Secretário de Estado NÃO mantém as imunidades, ou seja, ele perde a imunidade parlamentar (A súmula nº 04 do
STF foi cancelada). INQ 725-RJ, rel. Ministra Ellen Gracie, 8.5.2002.(INQ-725) – Informativo 267 do STF.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 80
[Link] 131
A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata
b) o princípio do contraditório.
e) o princípio da inafastabilidade.
Comentário:
A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata o princípio da presunção de inocência, já que a punição
pressupõe a culpa, e a culpa somente resta definitivamente configurada quando há o trânsito em
julgado da condenação.
Gabarito: C
“Devido à disputa entre as autoridades do Rio de Janeiro e de Vila Rica pela competência para
julgar os sediciosos, a rainha, D. Maria I, determinou, através da Carta Régia de 17.07.1790, a
composição de uma Alçada, na qual Desembargadores de Lisboa eram os responsáveis pelo
julgamento. Após a oitiva dos vinte e nove réus, seguiu-se o prazo de cinco dias para defesa.
Os réus argumentaram que não cometeram crime algum, porquanto o movimento fora abortado,
ainda em seu início, com a suspensão da Derrama. Apesar disso, em 18 de abril de 1792, foi
publicada a sentença pela Alçada, condenando onze réus à morte (na prática dez, porque
Cláudio Manuel da Costa se “suicidara” no cárcere), e outros participantes receberam penas
menores como açoites e o degredo eterno.”
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 81
[Link] 131
a) inquisitivo, e o princípio do juiz natural não foi observado, o que se extrai claramente do texto
apresentado.
b) acusatório, e o princípio da ampla defesa não foi observado, o que se pode inferir do texto
apresentado.
Comentário:
Pelo texto se verifica claramente que o princípio do juiz natural não foi observado, pois tal
princípio estabelece, dentre outras coisas, que não haverá Juízo ou Tribunal de exceção, ou seja,
criado especificamente para julgar determinado fato, após sua prática. Ademais, a sumariedade
do rito, sem o direito à ampla produção probatória pelos réus, é indicativo de um sistema
inquisitivo, no qual não há respeito à ampla defesa.
Gabarito: A
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 82
[Link] 131
III. Tendo em vista que os recursos especial e extraordinário não possuem efeito suspensivo, a
pena imposta em acórdãos proferidos por tribunais de 2º grau pode ser executada
imediatamente, desde que efetuada a detração da prisão cautelar anteriormente imposta.
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas.
Comentário:
A Lei 13.964/19 (chamado “pacote anticrime”) alterou a redação do art. 492, I, “e” do CPP, para
permitir a execução provisória de pena criminal imposta pelo TRIBUNAL DO JÚRI, quando se
tratar de pena igual ou superior a 15 anos.
Considerando o aparente conflito com o texto constitucional, o caso chegou ao STF, que
reconheceu a repercussão geral do Tema (“Tema 10681: Descrição: Recurso extraordinário em
que se discute, à luz do art. 5º, inciso XXXVIII, alínea c, da Constitucional Federal, se a soberania
dos vereditos do Tribunal do Júri autoriza a imediata execução de pena imposta pelo Conselho
de Sentença”).
1
STF, RE 1235340.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 83
[Link] 131
II. CORRETA: Item correto. O STF entende que a prisão cautelar deve estar fundamentada em
elementos concretos que indiquem o perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado,
razão pela qual é inconstitucional qualquer previsão de vedação de liberdade provisória ex lege,
ou seja, previsão legal que impeça concessão de liberdade provisória abstratamente considerada
(ex.: vedação de concessão de liberdade provisória a crime hediondo), já que isso implicaria a
necessidade de decretação da prisão preventiva independentemente das circunstâncias do caso
concreto, o que faria com que a prisão perdesse seu caráter cautelar.
III. ERRADA: Item errado, pois o STF, quando do julgamento definitivo das ADCs 43, 44 e 54,
retomou seu entendimento clássico: a presunção de inocência deve ser compreendida nos
exatos termos da CF/88, ou seja, até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, de
forma que é vedada a execução provisória de pena criminal, ou seja, é vedada a execução de
pena criminal antes do trânsito em julgado.
Gabarito: D
b) O princípio do juiz natural inviabiliza que a pena cumprida no estrangeiro exclua ou reduza a
pena a ser cumprida no Brasil, ainda que se trate do mesmo fato criminoso.
c) Embora não seja absoluto, o princípio da identidade física consiste no mandamento de que o
juiz que presidiu a instrução deverá, a princípio, proferir a sentença.
d) Como decorrência do princípio do contraditório, pode-se afirmar que tanto a falta de defesa
quanto sua deficiência ensejam a nulidade absoluta do processo, independentemente da prova
de prejuízo para o réu.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 84
[Link] 131
e) Embora vigente o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, o
exercício do direito de permanecer em silêncio não impede que o juiz considere esta
circunstância em prejuízo do réu na sentença.
Comentário:
a) ERRADA: Item errado, pois é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso a
todos elementos de prova já documentados no procedimento investigatório conduzido pela
polícia judiciária, nos termos da súmula vinculante 14. Ou seja, o direito a tal acesso não engloba
aquelas diligências ainda em curso ou que ainda serão realizadas, e cujo conhecimento pela
defesa possa gerar ineficácia da medida.
b) ERRADA: Item errado, pois o princípio do juiz natural não tem qualquer relação com tal fato.
Ademais, nos termos do art. 8º do CP, a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime será
abatida da pena eventualmente imposta no Brasil pelo crime, ou servirá como atenuante, caso
sejam penas de naturezas diversas.
c) CORRETA: Item correto, pois o princípio da identidade física do Juiz estabelece que o Juiz
que presidir a instrução deverá proferir a sentença. Vejamos o art. 399, §2º do CPP:
Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Contudo, existem algumas ressalvas a esta regra. Segundo o STJ, algumas situações afastam a
obrigatoriedade de que o Juiz que presidiu a instrução esteja obrigado a proferir sentença,
devendo ser relativizada a regra do art. 399, §2º do CPP. Isso ocorrerá nas hipóteses de Juiz:
➔ Promovido
➔ Licenciado
➔ Afastado
➔ Convocado
➔ Aposentado
Vejamos:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 85
[Link] 131
d) ERRADA: Item errado, pois, no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta,
mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Trata-se de
entendimento sumulado do STF:
e) ERRADA: Item errado, pois o direito ao silêncio, decorrência natural do princípio da vedação à
autoincriminação, engloba o direito de não ser prejudicado pelo exercício do silêncio. Ou seja, o
silêncio não importa confissão, nem pode ser interpretado em prejuízo da defesa, nos termos do
art. 186, parágrafo único, do CPP.
Gabarito: C
A República Federativa Alfa reconhece o Poder Judiciário como um dos poderes independentes
da República. Em Alfa há um órgão de acusação independente e diferente do Judiciário,
responsável por formular acusações criminais, tendo a iniciativa probatória.
A partir dos dados fornecidos, o país Alfa adota o sistema processual com traços mais marcantes
do sistema
a) acusatório.
b) inquisitivo.
c) misto.
d) consensual.
Comentário:
A partir dos dados fornecidos, é possível concluir que o país Alfa adota o sistema processual com
traços mais marcantes do sistema acusatório, quais sejam:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 86
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Gabarito: A
João, após ser condenado em diversos processos criminais, com sentenças transitadas em
julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio, veio a falecer. João fora condenado a penas
(1) privativas de liberdade e de (2) prestação de serviços à comunidade, bem como a (3) ressarcir
os danos que causara aos lesados. Em razão desse quadro, seus herdeiros ficaram preocupados
com a possibilidade de terem de cumprir as penas aplicadas a João e ainda não cumpridas.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, os herdeiros somente podem ser obrigados a cumprir a medida 3, ou seja, ressarcir
os danos que causara aos lesados, em razão do princípio da intranscendência da pena, que
estabelece que nenhuma pena passará da pessoa do condenado, de forma que as penas
impostas (itens 1 e 2) não poderão ser executadas contra os herdeiros. Todavia, a obrigação de
reparar o dano se estende aos sucessores, até o limite do patrimônio transferido a título de
herança, nos termos do art. 5º, XLV da CF/88:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 87
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GABARITO: LETRA B
João foi processado criminalmente pela suposta prática do crime de roubo. Ao fim do processo,
após a apresentação de alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa técnica, o juiz
chega à conclusão de que não há prova suficiente para condenação, motivo pelo qual absolve o
acusado.
b) não autoincriminação;
c) busca da verdade;
d) ampla defesa;
e) verdade real.
COMENTÁRIOS
GABARITO: LETRA A
a) O princípio do Juiz Natural no âmbito do processo penal, por se correlacionar com o bem
jurídico liberdade, é incompatível com a ideia de competência relativa ou prorrogação de
competência.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 88
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e) O princípio da ampla defesa engloba o direito à autodefesa do acusado, o que lhe assegura
capacidade postulatória no âmbito do processo penal, sem prejuízo do direito à constituição de
defensor técnico.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois o princípio do Juiz Natural não é incompatível com a ideia de
competência relativa ou prorrogação de competência. Logo, é possível falar-se em competência
relativa no processo penal, de forma que sendo o Juízo relativamente incompetente (ex.:
competência territorial), a incompetência deve ser arguida oportunamente, caso contrário, haverá
a “prorrogação da competência”, ou seja, o Juízo originalmente incompetente, mas perante o
qual foi ajuizada a ação penal, passará a ser competente para julgar a demanda, ante a ausência
de arguição de sua incompetência no prazo adequado.
b) ERRADA: Item errado, pois o princípio da proibição da produção de provas contra si próprio
(nemo tenetur se detegere) não impede a aplicação de sanção administrativa ao investigado que
se recusa a se submeter a procedimento que pode, em tese, incriminá-lo (ex.: multa de trânsito a
condutor que se recusa a realizar o teste do bafômetro).
d) CORRETA: Item correto, pois o princípio da iniciativa das partes (ou princípio da inércia
jurisdicional) não impede o magistrado de reconhecer, de ofício, circunstâncias que interfiram na
quantidade de pena aplicada (ex.: reconhecer, de ofício, agravantes, nos termos do art. 385 do
CPP).
e) ERRADA: Item errado, pois a autodefesa não garante ao acusado a capacidade postulatória no
processo penal, devendo o acusado estar patrocinado por um profissional habilitado, seja um
advogado ou defensor público, que será o responsável por sua defesa técnica. Caso o próprio
acusado tenha habilitação técnica (seja advogado), poderá ele próprio exercer sua defesa
técnica.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 89
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Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão.
Assim, o ajuizamento da revisão criminal, por exemplo, pode ser feito pelo próprio condenado,
diretamente, sem necessidade de advogado.
GABARITO: LETRA D
O princípio da não autoincriminação tem aplicação na fase processual e, segundo ele, o acusado
não estaria obrigado a colaborar para a formação da convicção do julgador se isso desatender
aos seus próprios interesses. Por ser a busca pessoal ato pré-processual, o Aviso de Miranda é
dispensável, até mesmo porque o interrogatório sub-reptício não surte efeitos processuais;
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o chamado “aviso de Miranda” (advertência o indiciado/acusado quanto ao seu
direito de permanecer em silêncio) é indispensável, devendo o indiciado/acusado ser informado
previamente quanto ao seu direito de permanecer em silêncio. Frise-se que a ausência de tal
informação ao interrogando gera nulidade relativa (tese nº 13 da edição 69 da jurisprudência em
teses do STJ).
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS
A primeira parte da afirmativa está correta: “Embora não esteja previsto expressamente na
Constituição, o princípio acusatório é decorrência lógica da adoção de uma Constituição
democrática. Neste sentido, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade
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da figura do juiz de garantias preserva a imparcialidade do juízo da instrução que não participa
da fase pré-processual”.
Todavia, a parte final está errada, ao dizer que o Juiz da instrução não terá acesso aos autos que
compõem as matérias de competência do Juiz de garantias. O STF reconheceu a
constitucionalidade da figura do Juiz das garantias, mas declarou a inconstitucionalidade, com
redução de texto, dos §§ 3º e 4º do art. 3º-C do CPP, incluídos pela Lei nº 13.964/2019, e atribuiu
interpretação conforme à CF/88, para fixar que os autos que compõem as matérias de
competência do juiz das garantias serão remetidos ao juiz da instrução e julgamento.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS
GABARITO: CORRETA
Acerca dos sistemas processuais penais e a legislação processual penal brasileira interpretada
pelos Tribunais Superiores, assinale a afirmativa correta.
a) A adoção do sistema acusatório no direito brasileiro advém da legislação adjetiva penal, que
em sua redação original demonstrava a opção pelo sistema acusatório puro.
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COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois a redação original do CPP não demonstrava a opção expressa pelo
sistema acusatório puro, o que somente veio a acontecer com as alterações promovidas pela Lei
13.964/19 (“pacote anticrime”), notadamente pela inclusão do art. 3º-A no CPP:
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz
na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de
acusação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI 6.298)
(Vide ADI 6.300) (Vide ADI 6.305)
b) CORRETA: Item correto, pois, de fato, a clara separação entre as funções de acusador e
julgador é uma das características marcantes do sistema acusatório, que pode prever, ainda a
proibição de produção de provas de ofício pelo magistrado, como forma de assegurar maior
distanciamento do Juiz em relação à produção da prova, de maneira a reforçar sua
imparcialidade.
c) ERRADA: Item errado, pois o chamado “sistema adversarial” tem relação com os poderes
instrutórios do Juiz, de forma que neste há predominância das partes na produção probatória.
Contrapõe-se ao sistema inquisitorial, no qual o Juiz, sem se afastar de sua posição de julgador,
pode ter iniciativa probatória em certos casos. Um sistema acusatório (referente ao processo
penal como um todo) pode adotar, no que se refere à iniciativa probatória pelo Juiz, tanto o
sistema adversarial (que concentra nas mãos das partes a iniciativa probatória) quanto o sistema
inquisitorial (que confere ao Juiz a iniciativa probatória em certos casos). Desta forma, podemos
ter um sistema acusatório em que somente as partes podem ter a iniciativa probatória (sistema
acusatório-adversarial), bem como um sistema acusatório no qual o Juiz possa, em certos casos,
determinar de ofício a produção de alguma prova (sistema acusatório-inquisitório).
d) ERRADA: Item errado, pois se adota, no Brasil, um sistema acusatório, nos termos do art. 3º-A
do CPP.
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e) ERRADA: Item errado, pois o indiciamento é ato privativo da autoridade policial, não podendo
ser requisitado o indiciamento pelo Juiz, nos termos do art. 2º, §6º da Lei 12.830/13.
GABARITO: LETRA B
Ato contínuo, João se evadiu, vindo a ser capturado em flagrante por policiais que realizavam
patrulhamento de rotina na região.
Após os fatos, João foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde manifestou o desejo de ser
informado sobre o nome dos policiais que lhe prenderam.
a) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para o exercício do
contraditório e da ampla defesa;
b) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas, para o exercício do contraditório e
da ampla defesa;
c) João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, desde que assine termo de
compromisso de manter a informação sob sigilo;
e) João não tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, considerando o caráter
inquisitorial do inquérito policial.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, art. 5º, LXIV da
CF/88, bem como sua prisão (e o local onde se encontre) deve ser comunicada ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada, nos termos do art. 5º, LXII da
CF/88,
Art. 5º (...)
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(...)
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por
seu interrogatório policial;
Frise-se que o art. 306 do CPP ainda inclui o MP dentre aqueles que devem receber a
comunicação imediata da prisão e do local em que o preso se encontre.
Quanto à defensoria pública, esta somente receberá cópia do APF, em 24h, caso o preso não
indique advogado.
GABARITO: LETRA D
14. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)
O direito processual penal é regido por diversos princípios, dentre os quais o do nemo tenetur se
detegere, pelo qual ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. Com base no
princípio em questão e na jurisprudência dos Tribunais Superiores:
C) as provas que exijam comportamento passivo do investigado não poderão ser produzidas sem
sua concordância;
E) apenas o preso poderá valer-se do direito ao silêncio, não se estendendo tal proteção aos
investigados.
COMENTÁRIOS
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B) ERRADA: Item errado, pois a recusa do investigado em prestar informações quando intimado
em sede policial NÃO poderá justificar, por si só, o seu indiciamento pela autoridade policial, na
medida em que a recusa do investigado em colaborar não configura assunção de culpa, estando
abarcada pelo princípio da vedação à autoincriminação.
D) ERRADA: Item errado, pois a alteração de cena do crime pelo agente configura fraude
processual (art. 347 do CP), não estando abarcada pela autodefesa, já que não é lícito ao
acusado adulterar a cena do crime para induzir a erro o perito ou o julgador.
E) ERRADA: Item errado, pois o direito ao silêncio é garantia que se estende a qualquer pessoa
que se encontre na condição de investigado/acusado, esteja presa ou solta.
GABARITO: LETRA A
Com base no princípio da presunção de inocência, a prisão preventiva deve ser decretada
apenas quando as medidas cautelares alternativas não forem suficientes, não mais havendo
prisão automática em razão de sentença condenatória de primeira instância.
COMENTÁRIOS
O princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém pode ser considerado culpado
antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Logo, a prisão antes do trânsito
em julgado nunca pode ser compreendida como “castigo”, “pena” ao acusado, na medida em
que a pena pressupõe a culpa, e a culpa somente está definida quando do término do processo.
Logo, toda prisão no curso da persecução penal deve ser uma prisão de caráter cautelar (visando
à preservação de algum interesse da investigação ou do processo). Além disso, dado o Estado
natural de liberdade (a liberdade é a regra, não a exceção), a prisão cautelar deve ser concebida
como última hipótese, somente sendo admitida quando outras medidas cautelares pessoais
(medidas cautelares diversas da prisão) não forem suficientes para alcançar o mesmo fim.
GABARITO: Correta
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Inspirado no princípio de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, o agente pode se
recusar a realizar exame de etilômetro (bafômetro), podendo, porém, o crime ser demonstrado
por outros meios de prova.
COMENTÁRIOS
Item correto, pois o princípio da vedação à autoincriminação (ou nemo tenetur se detegere)
estabelece que ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, de forma que o
indiciado/acusado pode se recusar a participar ativamente da produção de prova contrária ao seu
interesse, como seria o exame do bafômetro. Todavia, nada impede que o fato criminoso (ex.:
dirigir embriagado) seja comprovado por outros meios (ex.: depoimento dos policiais, indicando
embriaguez evidente, filmagens, etc.).
GABARITO: Correta
O Código de Processo Penal prevê o princípio da identidade física do juiz, estabelecendo que o
juiz responsável pelo recebimento da denúncia deverá proferir sentença, ainda que outro seja o
que presida a instrução.
COMENTÁRIOS
O princípio da identidade física do Juiz estabelece que o Juiz que presidiu a instrução deverá
proferir sentença (art. 399, §2º do CPP):
Art. 399 (...) § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
GABARITO: Errada
COMENTÁRIOS
Item errado, pois a fundamentação sucinta não é vedada, desde que satisfaça os requisitos
legais. Não se exige extensa fundamentação, desde que a fundamentação, embora sucinta, seja
capaz de externar os motivos concretos que conduziram o julgador a tomar a decisão.
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GABARITO: Errada
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o entendimento dos Tribunais Superiores é pacífico no sentido de que o
princípio da vedação à autoincriminação não pode ser utilizado como argumento para a
atribuição de falsa identidade ou falsos qualificativos. Inclusive, o STJ possui a súmula 522,
estabelecendo que a atribuição de falsa identidade configura crime, ainda que em situação de
alegada autodefesa (ex.: atribuir-se nome falso, para evitar cumprimento de mandado de prisão
expedido contra si):
GABARITO: Errada
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Com base na situação exposta, a criação da 5ª Vara Criminal com o objetivo de proferir sentença
no processo complexo:
A) é válida, mas não poderá ela ser extinta logo após a sentença ser publicada em razão da
possibilidade de recursos;
B) não é válida, cabendo a João proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz;
C) é válida, podendo ela ser extinta logo após a publicação da sentença, nos termos previstos no
ato do Tribunal de Justiça;
D) não é válida, cabendo a Jorge proferir a sentença em razão do princípio da identidade física
do juiz;
E) não é válida, cabendo a José proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz.
COMENTÁRIOS
O primeiro deles é o princípio do Juízo Natural, eis que foi criado um Juízo de exceção, uma Vara
única e exclusivamente criada para julgar determinado fato criminoso, o que configura odioso
casuísmo, vedado pela CF/88, conforme art. 5º, XXXVII:
Portanto, a criação da 5º Vara, com essa única finalidade, configura violação ao princípio do Juízo
natural, não sendo válida.
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Outra violação se refere ao princípio da identidade física do Juiz, também violado, pois,
analisando-se sob o prisma da figura física do Juiz, cabe ao Juiz que presidiu a instrução proferir
sentença (art. 399, §2º do CPP). Logo, caberia ao Juiz José proferir sentença.
GABARITO: Letra E
O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.
(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;
(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;
(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;
(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.
COMENTÁRIOS
Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da
legislação anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:
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Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Carlos conduzia seu veículo automotor de maneira tranquila, quando foi parado em uma
operação que verificava a condução de veículo automotor em via pública sob a influência de
álcool. Apesar de estar totalmente consciente de seus atos, Carlos havia ingerido 07 (sete) latas
de cerveja, razão pela qual temia que o teste do “bafômetro” identificasse percentual acima do
permitido em lei.
(A) não é obrigado a realizar o exame, que exige um comportamento positivo seu,
respeitando-se a regra de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, diferentemente do
que ocorreria se fosse necessária apenas cooperação passiva;
(B) é obrigado a realizar o exame, tendo em vista que esse é indispensável para a configuração
do tipo, sempre podendo o resultado ser utilizado como meio de prova;
(C) não é obrigado a realizar o exame, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si, seja
através de cooperação ativa seja com cooperação passiva, como no caso de ato de
reconhecimento de pessoa;
(D) é obrigado a realizar o exame, ainda que este seja desnecessário para a configuração do
tipo, que pode ser demonstrado por outros meios de prova;
(E) é obrigado a realizar o exame, mas seu resultado poderá ou não ser utilizado como meio de
prova de acordo com a vontade de Carlos, já que ninguém é obrigado a produzir prova contra si.
COMENTÁRIOS
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seja compelido a cooperar PASSIVAMENTE, embora não possa ser compelido a cooperar
ATIVAMENTE (como é o caso do teste do bafômetro).
D) o princípio do juiz natural não impede a atração por continência nos casos em que o co-réu
possui foro por prerrogativa de função quando o réu deveria ser julgado por um juiz de direito de
primeiro grau.
E) o princípio da vedação de provas ilícitas não é absoluto, sendo admissível que uma prova ilícita
seja utilizada quando é a única disponível para a acusação e o crime imputado seja considerado
hediondo.
COMENTÁRIOS
B) CORRETA: O STF entende que Inquéritos e Processos criminais em curso não podem ser
considerados maus antecedentes, pois, no primeiro caso, sequer há acusado, e no segundo
ainda não houve decisão irrecorrível condenando o réu.
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D) CORRETA: Quando dois réus cometem um crime, e um deles possui prerrogativa de foro,
conhecido também como foro privilegiado (direito de ser julgado perante determinado Tribunal,
conforme o cargo ocupado), é possível que, por conveniência da instrução criminal, ambos sejam
julgados conjuntamente pelo Tribunal perante o qual responde aquele que tem prerrogativa de
foro (súmula 704 do STF). Isso não ofende o Juiz natural pois é uma possibilidade previamente e
abstratamente prevista em lei.
E) INCORRETA: Ao contrário do que admite a questão, tal princípio não pode ser relativizado em
favor da acusação, mas somente em favor da defesa, quando esta prova for o único meio de se
obter a absolvição do réu, em razão de estar em jogo o direito à liberdade do acusado
(entendimento doutrinário majoritário).
a) as provas obtidas por meios ilícitos são admissíveis, no processo, com escopo de prestigiar a
verdade real;
b) a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa de uma das
partes o exigir;
d) ninguém será considerado culpado até a prolação de sentença penal condenatória recorrível,
proferida por juiz competente e observados o contraditório e ampla defesa;
e) o jurisdicionado poderá ser processado, mas não sentenciado senão pela autoridade judiciária
competente.
COMENTÁRIOS
A) ERRADA: Tais provas são INADMISSÍVEIS no processo, nos termos do art. 5º, LVI da
Constituição.
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D) ERRADA: Item errado, pois o princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém
será considerado culpado antes do TRÂNSITO EM JULGADO de sentença penal condenatória,
nos termos do art. 5º, LVII da Constituição.
E) ERRADA: Item errado, pois a Constituição estabelece que ninguém será processado nem
julgado senão pela autoridade competente, nos termos do art. 5º, LIII da CRFB/88.
Inúmeras são as normas relacionadas à prisão que acarretam medidas de proteção aos direitos
individuais, dentre as quais a informação sobre os direitos do cidadão preso, que deve ser
informado do seu direito de permanecer em
a) silêncio.
b) observação.
c) detenção provisória.
d) albergue especial.
e) prisão domiciliar.
COMENTÁRIOS
Art. 5º (...) LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de
advogado;
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O princípio do juiz natural é uma garantia constitucional que somente poderá ser excepcionada
mediante decisão da maioria dos integrantes do tribunal ao qual estiver submetido o juiz.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o princípio do juiz natural é uma garantia que não pode ser excepcionada, o
que não impede a criação de varas especializadas.
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EXERCÍCIOS COMENTADOS – APLICAÇÃO DA
LEI PROCESSUAL PENAL
1. (FGV/2018/AL-RO/CONSULTOR)
Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para
atingir fatos anteriores a sua entrada em vigor.
COMENTÁRIOS
Item errado. A Lei processual penal, pelo princípio do efeito imediato, tem aplicação imediata,
seja ela benéfica ou prejudicial ao agente, aplicando-se inclusive aos processos em curso
(obviamente, tais processos se referem a fatos praticados antes da entrada em vigor da nova lei
processual), mas sem prejudicar os atos processuais já validamente realizados sob a vigência da
lei anterior, nos termos do art. 2º do CPP:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.
Aplicam-se aqui as regras da lei PROCESSUAL penal no tempo, não as regras da lei penal no
tempo.
GABARITO: ERRADA
No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.
A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;
B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 105
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C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;
D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;
E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.
COMENTÁRIOS
==16c639==
Nesse caso, deve ser aplicada a nova lei processual penal, nos termos do art. 2º do CPP, ainda
que desfavorável ao réu, por se tratar de norma puramente processual. Serão respeitados,
porém, os atos já praticados, pelo princípio do tempus regit actum.
Por fim, o CPP admite interpretação extensiva e aplicação analógica da lei processual, nos termos
do art. 3º do CPP.
GABARITO: Letra E
O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.
(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;
(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;
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(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;
(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.
COMENTÁRIOS
Neste caso, a citação de Jorge deverá observar os termos da lei nova, ainda que prejudicial ao
acusado, pois é a lei que vigora no momento da realização do ato, mas a citação de João e José
não precisa ser renovada, pois são atos perfeitamente realizados quando da vigência da
legislação anterior. Vejamos o art. 2º do CPP:
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.
GABARITO: LETRA D.
A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo
prazo recursal deve ser observado.
B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
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Pelo princípio do tempus regit actum, a lei processual penal tem aplicação imediata aos
processos em curso, mas só se aplica aos ATOS PROCESSUAIS FUTUROS, ou seja, não se aplica
àqueles que já foram realizados, nos termos do art. 2º do CPP.
No caso do recurso, como o prazo recursal já havia se iniciado antes da entrada em vigor da lei
nova, esse prazo será regido pela lei antiga (que vigorava quando o prazo começou a fluir).
Assim, a lei processual nova só se aplica aos prazos recursais FUTUROS, não àqueles que já se
iniciaram antes de sua vigência.
Assim, considerando o prazo antigo (05 dias), o recurso é tempestivo, pois o prazo findou em
28.11.2015, que foi sábado, sendo prorrogado até dia 30.11.2015, dia útil seguinte.
5. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou
um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então, denunciado como incurso nas sanções
penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No curso do processo, mas antes de ser
proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de Processo Penal de natureza
exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo que o rito a ser seguido no
recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que a mudança foi prejudicial,
pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.
Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João
A) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
imediata aplicação da nova lei.
D) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.
COMENTÁRIOS
No processo penal vigora o princípio do tempus regit actum, ou seja, o ato processual será
praticado de acordo com a lei processual que vigorar no momento de sua realização,
independentemente de se tratar de lei processual mais gravosa do que aquela que vigorava no
momento da prática do delito, nos termos do art. 2º do CPP.
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Item errado, pois o próprio CPP traz diversas ressalvas em seu art. 1º, como as hipóteses de
existência de tratado internacional, ou em relação aos crimes militares (para os quais será
aplicada a lei processual penal militar, e só de forma subsidiária o CPP), etc.
COMENTÁRIOS
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.
COMENTÁRIOS
No caso específico da alteração da natureza da ação penal em relação aos crimes de lesões
corporais leves e culposas, o STJ entendeu que a norma possuía caráter híbrido (de direito
processual e de direito material), devendo ser aplicada a regra relativa às normas de Direito
Penal, no que tange à retroatividade da lei mais benéfica.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 110
[Link] 131
Por se tratar de lei mais benéfica, o STJ entendeu que deveria ser aplicada aos fatos praticados
antes de sua entrada em vigor, desde que o processo ainda estivesse tramitando, devendo a
vítima manifestar seu interesse no prosseguimento da ação penal (já que a ação penal já havia
sido ajuizada).
Vejamos:
(...) (HC 10.841/RS, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em
22/08/2000, DJ 11/09/2000, p. 292)
COMENTÁRIOS
No Processo penal vigora, em relação às leis puramente processuais, o princípio do tempus regit
actum, ou seja, a lei é aplicada aos processos desde logo, independentemente de o processo ter
sido instaurado antes. São preservados, contudo, os atos já praticados. Vejamos:
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 111
[Link] 131
Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
11. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) No Brasil, adota-se integralmente o princípio
da irretroatividade da lei processual penal, que impede que as inovações na norma processual
penal sejam aplicadas de imediato para fatos praticados antes de sua entrada em vigor.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois no Brasil se adota o princípio da aplicação imediata da lei processual penal,
também conhecido como princípio do tempus regit actum, ou seja, a norma processual penal é
aplicável imediatamente aos processos em curso (naturalmente, são relativos a fatos praticados
antes da entrada em vigor da lei processual nova). Os atos processuais já praticados sob a
vigência da lei antiga, porém, permanecem válidos.
12. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) As normas previstas no Código de Processo
Penal de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de direito processual e de direito material,
devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei penal, quando seu conteúdo
for prejudicial ao réu.
COMENTÁRIOS
Item correto, pois em se tratando de normas híbridas, embora haja alguma divergência,
prevalece o entendimento de que deve ser aplicada a regra prevista para a aplicação das leis de
direito penal material: retroatividade da lei mais benéfica, e irretroatividade da lei quando for
prejudicial ao réu.
13. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) A lei processual penal
aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados sob a vigência da lei
anterior.
COMENTÁRIOS
Item correto. O princípio do tempus regit actum determina que a lei processual penal será
aplicável imediatamente, ou seja, inclusive aos processos em curso. Contudo, os atos já
validamente praticados sob a vigência da lei anterior permanecem íntegros, não são prejudicados
pela lei nova.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 112
[Link] 131
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 113
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A diretriz segundo a qual ninguém pode ser punido criminalmente antes do trânsito em julgado
da decisão condenatória retrata
b) o princípio do contraditório.
e) o princípio da inafastabilidade.
“Devido à disputa entre as autoridades do Rio de Janeiro e de Vila Rica pela competência para
julgar os sediciosos, a rainha, D. Maria I, determinou, através da Carta Régia de 17.07.1790, a
composição de uma Alçada, na qual Desembargadores de Lisboa eram os responsáveis pelo
julgamento. Após a oitiva dos vinte e nove réus, seguiu-se o prazo de cinco dias para defesa.
Os réus argumentaram que não cometeram crime algum, porquanto o movimento fora abortado,
ainda em seu início, com a suspensão da Derrama. Apesar disso, em 18 de abril de 1792, foi
publicada a sentença pela Alçada, condenando onze réus à morte (na prática dez, porque
Cláudio Manuel da Costa se “suicidara” no cárcere), e outros participantes receberam penas
menores como açoites e o degredo eterno.”
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 114
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a) inquisitivo, e o princípio do juiz natural não foi observado, o que se extrai claramente do texto
apresentado.
b) acusatório, e o princípio da ampla defesa não foi observado, o que se pode inferir do texto
apresentado.
III. Tendo em vista que os recursos especial e extraordinário não possuem efeito suspensivo, a
pena imposta em acórdãos proferidos por tribunais de 2º grau pode ser executada
imediatamente, desde que efetuada a detração da prisão cautelar anteriormente imposta.
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 115
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d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas.
b) O princípio do juiz natural inviabiliza que a pena cumprida no estrangeiro exclua ou reduza a
pena a ser cumprida no Brasil, ainda que se trate do mesmo fato criminoso.
==16c639==
c) Embora não seja absoluto, o princípio da identidade física consiste no mandamento de que o
juiz que presidiu a instrução deverá, a princípio, proferir a sentença.
d) Como decorrência do princípio do contraditório, pode-se afirmar que tanto a falta de defesa
quanto sua deficiência ensejam a nulidade absoluta do processo, independentemente da prova
de prejuízo para o réu.
e) Embora vigente o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, o
exercício do direito de permanecer em silêncio não impede que o juiz considere esta
circunstância em prejuízo do réu na sentença.
A República Federativa Alfa reconhece o Poder Judiciário como um dos poderes independentes
da República. Em Alfa há um órgão de acusação independente e diferente do Judiciário,
responsável por formular acusações criminais, tendo a iniciativa probatória.
A partir dos dados fornecidos, o país Alfa adota o sistema processual com traços mais marcantes
do sistema
a) acusatório.
b) inquisitivo.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 116
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c) misto.
d) consensual.
João, após ser condenado em diversos processos criminais, com sentenças transitadas em
julgado, pela prática de crimes contra o patrimônio, veio a falecer. João fora condenado a penas
(1) privativas de liberdade e de (2) prestação de serviços à comunidade, bem como a (3) ressarcir
os danos que causara aos lesados. Em razão desse quadro, seus herdeiros ficaram preocupados
com a possibilidade de terem de cumprir as penas aplicadas a João e ainda não cumpridas.
João foi processado criminalmente pela suposta prática do crime de roubo. Ao fim do processo,
após a apresentação de alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa técnica, o juiz
chega à conclusão de que não há prova suficiente para condenação, motivo pelo qual absolve o
acusado.
b) não autoincriminação;
c) busca da verdade;
d) ampla defesa;
e) verdade real.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 117
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a) O princípio do Juiz Natural no âmbito do processo penal, por se correlacionar com o bem
jurídico liberdade, é incompatível com a ideia de competência relativa ou prorrogação de
competência.
e) O princípio da ampla defesa engloba o direito à autodefesa do acusado, o que lhe assegura
capacidade postulatória no âmbito do processo penal, sem prejuízo do direito à constituição de
defensor técnico.
O princípio da não autoincriminação tem aplicação na fase processual e, segundo ele, o acusado
não estaria obrigado a colaborar para a formação da convicção do julgador se isso desatender
aos seus próprios interesses. Por ser a busca pessoal ato pré-processual, o Aviso de Miranda é
dispensável, até mesmo porque o interrogatório sub-reptício não surte efeitos processuais;
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Acerca dos sistemas processuais penais e a legislação processual penal brasileira interpretada
pelos Tribunais Superiores, assinale a afirmativa correta.
a) A adoção do sistema acusatório no direito brasileiro advém da legislação adjetiva penal, que
em sua redação original demonstrava a opção pelo sistema acusatório puro.
Ato contínuo, João se evadiu, vindo a ser capturado em flagrante por policiais que realizavam
patrulhamento de rotina na região.
Após os fatos, João foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde manifestou o desejo de ser
informado sobre o nome dos policiais que lhe prenderam.
a) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para o exercício do
contraditório e da ampla defesa;
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 119
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b) a prisão de João deverá ser comunicada ao juiz competente, à família do preso ou à pessoa
por ele indicada e à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas, para o exercício do contraditório e
da ampla defesa;
c) João tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, desde que assine termo de
compromisso de manter a informação sob sigilo;
e) João não tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão, considerando o caráter
inquisitorial do inquérito policial.
14. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)
O direito processual penal é regido por diversos princípios, dentre os quais o do nemo tenetur se
detegere, pelo qual ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. Com base no
princípio em questão e na jurisprudência dos Tribunais Superiores:
C) as provas que exijam comportamento passivo do investigado não poderão ser produzidas sem
sua concordância;
E) apenas o preso poderá valer-se do direito ao silêncio, não se estendendo tal proteção aos
investigados.
Com base no princípio da presunção de inocência, a prisão preventiva deve ser decretada
apenas quando as medidas cautelares alternativas não forem suficientes, não mais havendo
prisão automática em razão de sentença condenatória de primeira instância.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 120
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Inspirado no princípio de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, o agente pode se
recusar a realizar exame de etilômetro (bafômetro), podendo, porém, o crime ser demonstrado
por outros meios de prova.
O Código de Processo Penal prevê o princípio da identidade física do juiz, estabelecendo que o
juiz responsável pelo recebimento da denúncia deverá proferir sentença, ainda que outro seja o
que presida a instrução.
Com base na situação exposta, a criação da 5ª Vara Criminal com o objetivo de proferir sentença
no processo complexo:
A) é válida, mas não poderá ela ser extinta logo após a sentença ser publicada em razão da
possibilidade de recursos;
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 121
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B) não é válida, cabendo a João proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz;
C) é válida, podendo ela ser extinta logo após a publicação da sentença, nos termos previstos no
ato do Tribunal de Justiça;
D) não é válida, cabendo a Jorge proferir a sentença em razão do princípio da identidade física
do juiz;
E) não é válida, cabendo a José proferir a sentença em razão do princípio da identidade física do
juiz.
O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.
(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;
(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;
(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;
(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 122
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Carlos conduzia seu veículo automotor de maneira tranquila, quando foi parado em uma
operação que verificava a condução de veículo automotor em via pública sob a influência de
álcool. Apesar de estar totalmente consciente de seus atos, Carlos havia ingerido 07 (sete) latas
de cerveja, razão pela qual temia que o teste do “bafômetro” identificasse percentual acima do
permitido em lei.
(A) não é obrigado a realizar o exame, que exige um comportamento positivo seu,
respeitando-se a regra de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, diferentemente do
que ocorreria se fosse necessária apenas cooperação passiva;
(B) é obrigado a realizar o exame, tendo em vista que esse é indispensável para a configuração
do tipo, sempre podendo o resultado ser utilizado como meio de prova;
(C) não é obrigado a realizar o exame, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si, seja
através de cooperação ativa seja com cooperação passiva, como no caso de ato de
reconhecimento de pessoa;
(D) é obrigado a realizar o exame, ainda que este seja desnecessário para a configuração do
tipo, que pode ser demonstrado por outros meios de prova;
(E) é obrigado a realizar o exame, mas seu resultado poderá ou não ser utilizado como meio de
prova de acordo com a vontade de Carlos, já que ninguém é obrigado a produzir prova contra si.
D) o princípio do juiz natural não impede a atração por continência nos casos em que o co-réu
possui foro por prerrogativa de função quando o réu deveria ser julgado por um juiz de direito de
primeiro grau.
10
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 123
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E) o princípio da vedação de provas ilícitas não é absoluto, sendo admissível que uma prova ilícita
seja utilizada quando é a única disponível para a acusação e o crime imputado seja considerado
hediondo.
a) as provas obtidas por meios ilícitos são admissíveis, no processo, com escopo de prestigiar a
verdade real;
b) a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa de uma das
partes o exigir;
d) ninguém será considerado culpado até a prolação de sentença penal condenatória recorrível,
proferida por juiz competente e observados o contraditório e ampla defesa;
e) o jurisdicionado poderá ser processado, mas não sentenciado senão pela autoridade judiciária
competente.
Inúmeras são as normas relacionadas à prisão que acarretam medidas de proteção aos direitos
individuais, dentre as quais a informação sobre os direitos do cidadão preso, que deve ser
informado do seu direito de permanecer em
a) silêncio.
b) observação.
c) detenção provisória.
d) albergue especial.
e) prisão domiciliar.
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TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 124
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O princípio do juiz natural é uma garantia constitucional que somente poderá ser excepcionada
mediante decisão da maioria dos integrantes do tribunal ao qual estiver submetido o juiz.
GABARITO
12
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 125
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1. (FGV/2018/AL-RO/CONSULTOR)
Com base no princípio da irretroatividade da lei processual penal, uma lei de conteúdo
exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para
atingir fatos anteriores a sua entrada em vigor.
No curso de ação penal em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que
versava sobre processamento de ação penal em procedimento comum ordinário, com conteúdo
exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu.
A) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, não admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva ou
analógica da lei processual;
B) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não
aplicação analógica da lei processual;
C) lei processual penal em vigor na época dos fatos, em virtude do princípio da irretroatividade
da lei mais gravosa, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação
analógica da lei processual;
D) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva, mas não aplicação analógica da
lei processual;
E) nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados,
admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei
processual.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 126
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O Ministério Público denunciou João, José e Jorge pela prática de determinado crime. Após
recebimento da denúncia, João e José foram regularmente citados pelo Oficial de Justiça Caio.
Jorge, entretanto, não foi localizado para citação, determinando o juiz o desmembramento do
processo em relação a ele. Logo em seguida, entrou em vigor lei de conteúdo exclusivamente
processual prejudicial ao réu, prevendo nova forma de citação. No dia seguinte à entrada em
vigor da nova lei, no processo de João e José foi designada a realização de audiência de
instrução e julgamento, enquanto foi localizado novo endereço para citação de Jorge no
processo desmembrado, determinando o magistrado a citação nesse endereço.
(A) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na lei que vigia na data dos fatos, pois a ação ainda está em curso;
(B) norma em vigor quando da prática delitiva, pois, em que pese a lei processual prejudicial
possa retroagir para atingir fatos anteriores, já havia denúncia em face de Jorge;
(C) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, devendo a citação de João e José ser
renovada com base na nova lei, pois a ação ainda está em curso;
(D) inovação legislativa, ainda que prejudicial ao acusado, mas a citação de João e José não
precisa ser renovada;
(E) norma em vigor quando da prática delitiva, pois a lei não pode retroagir para prejudicar o
acusado.
4. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Em 23 de novembro de 2015 (segunda
feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio, advogado de defesa de réu em ação
penal de natureza condenatória, é intimado da sentença condenatória de seu cliente. No curso
do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza puramente processual, que
alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para apresentação de
recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro de 2015, dia
útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas razões.
A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo
prazo recursal deve ser observado.
B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 127
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C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo
prazo recursal deve ser observado.
5. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou
um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então, denunciado como incurso nas sanções
penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No curso do processo, mas antes de ser
proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de Processo Penal de natureza
exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo que o rito a ser seguido no
recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que a mudança foi prejudicial,
pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.
Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João
A) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
imediata aplicação da nova lei.
D) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.
6. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) Em um processo em que se apura a prática
dos delitos de supressão de tributo e evasão de divisas, o Juiz Federal da 4ª Vara Federal
Criminal de Arroizinho determina a expedição de carta rogatória para os Estados Unidos da
América, a fim de que seja interrogado o réu Mário. Em cumprimento à carta, o tribunal
americano realiza o interrogatório do réu e devolve o procedimento à Justiça Brasileira, a 4ª Vara
Federal Criminal. O advogado de defesa de Mário, ao se deparar com o teor do ato praticado,
requer que o mesmo seja declarado nulo, tendo em vista que não foram obedecidas as garantias
processuais brasileiras para o réu.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 128
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7. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) O processo penal reger-se-á, em todo o
território brasileiro, pelo Código de Processo Penal, não havendo qualquer ressalva prevista
neste diploma.
8. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) O processo penal rege-se
pelo Código de Processo Penal, em todo o território brasileiro ressalvados, entre outros, os
tratados, as convenções e regras de direito internacional.
9. (FGV – 2013 – OAB – XI EXAME UNIFICADO) A Lei n. 9.099/95 modificou a espécie de
ação penal para os crimes de lesão corporal leve e culposa. De acordo com o Art. 88 da referida
lei, tais delitos passaram a ser de ação penal pública condicionada à representação. Tratando-se
de questão relativa à Lei Processual Penal no Tempo, assinale a alternativa que corretamente
expõe a regra a ser aplicada para processos em curso que não haviam transitado em julgado
quando da alteração legislativa.
A) Aplica-se a regra do Direito Penal de retroagir a lei, por ser norma mais benigna.
C) Aplica-se a regra do Direito Penal de irretroatividade da lei, por ser norma mais gravosa.
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 129
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11. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) No Brasil, adota-se integralmente o princípio
da irretroatividade da lei processual penal, que impede que as inovações na norma processual
penal sejam aplicadas de imediato para fatos praticados antes de sua entrada em vigor.
12. (FGV – 2013 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) As normas previstas no Código de Processo
Penal de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de direito processual e de direito material,
devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei penal, quando seu conteúdo
for prejudicial ao réu.
13. (FGV – 2008 – PC-RJ – OFICIAL DE CARTÓRIO - ADAPTADA) A lei processual penal
aplica-se imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos já realizados sob a vigência da lei
anterior.
GABARITO
1. ERRADA
2. LETRA E
3. LETRA D
4. ALTERNATIVA B
5. ALTERNATIVA A
6. ALTERNATIVA B
7. ERRADA
8. CORRETA
9. ALTERNATIVA A
10. ALTERNATIVA B
11. ERRADA
12. CORRETA
13. CORRETA
TJ-RJ (Técnico Judiciário - Sem Especialidade) Noções de Direito Processual Penal - 2025 (Pós-Edital) 130
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