SOPHIA- INSTITUTO DE ENSINO TECNICO PROFISSIONAL
Curso: EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
MODULO: EXPLICAR COMO A CRIANÇA APRENDE
RDA2: PERCEÇÕES DA CRIANÇA SEGUNDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CENTRADA NA
CRIANÇA (EICC)
Milange aos, 01 de Outubro 2025
1
SOPHIA- INSTITUTO DE ENSINO TECNICO PROFISSIONAL
Curso: EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
MODULO: EXPLICAR COMO A CRIANÇA APRENDE
RDA2: PERCEÇÕES DA CRIANÇA SEGUNDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
CENTRADA NA CRIANÇA (EICC)
N.F: Samira Cafiro Herminio Nome do Formador: Felisberto Tavares Silvério
Milange aos, 01 de Outubro 2025
2
Índice
Introdução ......................................................................................................................... 3
[Link]ções da Criança Segundo a Educação Inclusiva Centrada na Criança (EICC)..... 4
1.1. A Criança como Sujeito de Direitos ...................................................................... 4
1.2. O Protagonismo da Criança no Processo Educativo ............................................. 4
1.3. Inclusão e Participação Ativa ................................................................................ 4
1.4. A Perspetiva Humanista da EICC .......................................................................... 5
1.5. Valorização da Diversidade ................................................................................... 5
1.6. Centralidade da Criança no Processo Educativo ................................................... 5
2. Participação Activa da Criança ................................................................................. 6
2.1. Aprendizagem Significativa e Contextualizada ..................................................... 6
2.2. Apoio e Inclusão Social ......................................................................................... 7
3. Envolvimento da Família e da Comunidade ............................................................ 8
3.1. Equidade e Justiça Educativa .................................................................................... 8
4. Dúvidas sobre as Perceções da Criança segundo a EICC ............................................ 9
Conclusão ........................................................................................................................11
Bibliografia ..................................................................................................................... 12
3
Introdução
A Educação Inclusiva Centrada na Criança (EICC) propõe um olhar inovador
sobre o papel da criança na escola, reconhecendo-a como sujeito de direitos, protagonista
do seu processo educativo e valorizando a diversidade como riqueza pedagógica (Booth
& Ainscow, 2011). No entanto, a aplicação destes princípios levanta algumas questões
críticas. Surge, assim, a necessidade de reflectir sobre as perceções da criança no contexto
da EICC, considerando tanto os avanços teóricos como os desafios práticos enfrentados
pelas escolas.
3
[Link]ções da Criança Segundo a Educação Inclusiva Centrada na Criança (EICC)
1.1. A Criança como Sujeito de Direitos
A Educação Inclusiva Centrada na Criança (EICC) parte do princípio de que a
criança é, antes de mais, um sujeito de direitos. Tal como sublinha a Convenção sobre os
Direitos da Criança das Nações Unidas (UNICEF, 1989), cada criança é cidadã e
detentora de direitos fundamentais, incluindo o acesso à educação, à participação activa
e à inclusão social.
Este paradigma rompe com a visão tradicional da criança como mero recetor
passivo de conteúdos e cuidados. Em vez disso, assume-se que a criança é protagonista
do seu processo educativo, capaz de interagir, refletir e contribuir de forma significativa
para o seu próprio desenvolvimento e para a comunidade escolar.
1.2. O Protagonismo da Criança no Processo Educativo
Na perspetiva da EICC, a aprendizagem não é algo imposto unilateralmente pelo
adulto, mas sim um processo partilhado. A criança é incentivada a questionar,
experimentar e explorar o mundo ao seu redor. Esta abordagem valoriza a curiosidade
natural, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas como competências
essenciais para a vida.
Assim, o papel do professor deixa de ser apenas o de transmissor de
conhecimento, passando a ser mediador e facilitador da aprendizagem. Este modelo
coloca a criança no centro das decisões pedagógicas, reconhecendo-a como participante
ativa e coautora do processo de ensino-aprendizagem (Ainscow, 2005).
1.3. Inclusão e Participação Ativa
Um dos pilares da EICC é a defesa da inclusão. Cada criança, independentemente
da sua condição física, social, económica ou cultural, tem direito a ser parte integrante da
vida escolar. Isso implica não apenas estar presente na sala de aula, mas também
participar de forma plena e efetiva nas atividades educativas e sociais.
A inclusão é entendida como um processo dinâmico que exige adaptações
curriculares, metodológicas e atitudinais. O respeito pela diversidade e a valorização das
4
diferenças constituem alicerces fundamentais para a construção de uma escola mais justa
e democrática (Booth & Ainscow, 2011).
1.4. A Perspetiva Humanista da EICC
A abordagem inclusiva, centrada na criança, vai além da dimensão pedagógica:
reflete uma visão profundamente humanista da educação. Reconhecer a criança como
sujeito de direitos significa também respeitar a sua voz, as suas emoções e a sua
individualidade.
Esta conceção rompe com práticas excludentes do passado, que frequentemente
marginalizavam crianças consideradas "diferentes". Ao colocar a criança no centro, a
EICC promove um ambiente onde todas as crianças podem aprender, crescer e realizar-
se em dignidade e igualdade de oportunidades (Silva, 2018).
1.5. Valorização da Diversidade
Na perspectiva da Educação Inclusiva Centrada na Criança, a diversidade é
entendida como um valor e não como um obstáculo. Cada criança é única, com os seus
próprios ritmos, estilos de aprendizagem, interesses e necessidades específicas.
As diferenças – sejam elas de natureza cognitiva, social, física ou cultural – não
são vistas como barreiras ao desenvolvimento, mas como oportunidades para enriquecer
a experiência educativa. A diversidade permite que a escola se torne um espaço plural,
onde o contacto com diferentes formas de pensar, sentir e agir promove o respeito, a
tolerância e a cooperação entre todos (Booth & Ainscow, 2011).
Valorizar a diversidade significa, também, criar condições para que todas as
crianças se sintam reconhecidas e respeitadas na sua singularidade. Neste sentido, a escola
inclusiva transforma-se num espaço de construção coletiva, onde as diferenças não são
motivo de exclusão, mas de aprendizagem mútua e de crescimento humano.
1.6. Centralidade da Criança no Processo Educativo
Outro princípio fundamental da EICC é a centralidade da criança no processo
educativo. O foco deixa de estar apenas nos conteúdos ou no cumprimento rígido de
programas, passando a estar na criança e nas suas especificidades.
5
Isso implica que o currículo, as metodologias de ensino e os processos de
avaliação devem ser flexíveis e adaptados às necessidades de cada aluno. Como refere
Ainscow (2005), uma escola verdadeiramente inclusiva é aquela que é capaz de se
reorganizar constantemente para responder à diversidade de quem nela aprende.
A centralidade da criança exige, ainda, um olhar atento e sensível por parte dos
educadores, que devem reconhecer não apenas as competências académicas, mas também
as dimensões emocionais, sociais e culturais. Ensinar de forma centrada na criança é,
portanto, promover uma educação integral, que respeita a identidade e o potencial de cada
uma, ajudando-a a desenvolver-se plenamente enquanto ser humano e cidadão activo.
2. Participação Activa da Criança
Na Educação Inclusiva Centrada na Criança, reconhece-se que a criança não é
apenas recetora de conhecimento, mas uma protagonista ativa do seu percurso educativo.
Isso significa que deve ter voz nas decisões relacionadas à sua aprendizagem, sendo
incentivada a participar na definição de objetivos, atividades e estratégias que melhor se
adequem ao seu estilo de aprender.
Dar espaço à voz da criança fortalece a sua autoestima, promove a autonomia e
desenvolve o sentido de responsabilidade. Além disso, contribui para que ela se sinta
respeitada como cidadã, com direito à participação e à expressão das suas opiniões
(Lansdown, 2011). Neste contexto, o diálogo entre professor e aluno torna-se essencial,
já que permite a construção conjunta de significados e o fortalecimento de relações
pedagógicas mais justas e humanizadas.
A participação ativa estimula, ainda, a capacidade crítica e criativa da criança,
permitindo-lhe não só aprender conteúdos escolares, mas também desenvolver
competências para a vida, como a cooperação, a tomada de decisões e a resolução de
problemas.
2.1. Aprendizagem Significativa e Contextualizada
Outro princípio central da EICC é que a aprendizagem deve ser significativa e
partir das experiências reais da criança. Isso implica que os conteúdos não podem ser
apresentados de forma abstrata e distante, mas devem relacionar-se com a vida
6
quotidiana, os interesses pessoais e o contexto sociocultural em que a criança está
inserida.
A aprendizagem significativa ocorre quando o aluno consegue estabelecer
ligações entre o que aprende na escola e as situações do seu dia a dia. Assim, o
conhecimento torna-se útil, prático e culturalmente relevante (Ausubel, 2003). Ao
valorizar o contexto, a escola não apenas transmite informação, mas promove a
construção de saberes que têm impacto real na vida do estudante e na comunidade onde
está inserido.
Uma aprendizagem contextualizada também favorece a motivação, uma vez que
a criança compreende a utilidade do que aprende e se envolve de forma mais ativa no
processo. Desta forma, a escola deixa de ser um espaço de mera reprodução de conteúdos
e transforma-se num lugar de produção de conhecimento significativo, que respeita a
identidade cultural e social de cada aluno.
2.2. Apoio e Inclusão Social
A EICC parte do princípio de que a criança se desenvolve plenamente em
ambientes inclusivos, onde a diversidade é valorizada e a cooperação constitui uma
prática pedagógica constante. Assim, o trabalho em grupo, o respeito mútuo e a
solidariedade são considerados pilares fundamentais para a construção de valores sociais
que acompanham a criança ao longo da sua vida.
Ao participar em ambientes colaborativos, a criança aprende não apenas
conteúdos escolares, mas também competências socioemocionais, como a empatia, a
tolerância e a capacidade de conviver com as diferenças. Estes aspetos são essenciais
numa sociedade marcada pela pluralidade cultural e pela necessidade de convivência
pacífica (Ainscow, 2005).
Além disso, a inclusão social permite que todas as crianças, independentemente
das suas capacidades ou condições, tenham acesso a oportunidades iguais de
aprendizagem, contribuindo para a redução de desigualdades educacionais e sociais.
Assim, a escola torna-se um espaço de integração e justiça social, cumprindo o seu papel
de promotora da cidadania.
7
3. Envolvimento da Família e da Comunidade
A perceção da criança na EICC não se limita ao espaço escolar. Reconhece-se que
a educação é um processo partilhado, no qual a família e a comunidade desempenham
papéis fundamentais. A escola, neste sentido, deve estabelecer uma relação de parceria
com os cuidadores e com os contextos sociais e culturais onde a criança está inserida.
Quando há uma colaboração efetiva entre professores, pais e comunidade, a
aprendizagem torna-se mais significativa e coerente. As experiências adquiridas no lar e
no meio social complementam-se com as práticas escolares, reforçando a motivação e o
sentido de pertença da criança (Epstein, 2011).
O envolvimento da família também fortalece a confiança da criança no seu
percurso educativo, uma vez que percebe o apoio e valorização do seu esforço por parte
dos adultos de referência. Já a integração da comunidade amplia horizontes, permitindo
que o processo de ensino-aprendizagem dialogue com a realidade local e responda às
necessidades coletivas.
3.1. Equidade e Justiça Educativa
A Educação Inclusiva Centrada na Criança (EICC) defende que todas as crianças
têm direito a aprender e a desenvolver-se plenamente, independentemente das suas
condições individuais. Este princípio está diretamente relacionado com a noção de
equidade, que vai além da igualdade formal. Enquanto a igualdade propõe tratar todos da
mesma forma, a equidade reconhece que cada criança possui necessidades distintas e, por
isso, exige apoios diferenciados para garantir oportunidades reais de aprendizagem
(Booth & Ainscow, 2011).
Assim, a justiça educativa manifesta-se quando a escola cria condições específicas
de apoio para cada criança, seja através de adaptações curriculares, da utilização de
tecnologias assistivas ou do acompanhamento pedagógico personalizado. Este processo
não significa privilegiar uns em detrimento de outros, mas sim reconhecer que a
diversidade exige respostas distintas e flexíveis.
Neste contexto, o papel do professor é central, pois cabe-lhe identificar as
necessidades educativas de cada aluno e promover estratégias que favoreçam a sua
8
participação e sucesso. Ao mesmo tempo, as políticas públicas devem assegurar recursos
materiais e humanos que viabilizem práticas de inclusão. Sem estas condições, o princípio
da equidade permanece apenas no plano teórico.
Deste modo, a equidade e a justiça educativa tornam-se elementos essenciais para
a construção de uma escola democrática, capaz de formar cidadãos conscientes, críticos
e participativos. Promover equidade não é nivelar por cima ou por baixo, mas sim oferecer
a cada criança o que ela necessita para aprender com dignidade e alcançar o seu máximo
potencial.
4. Dúvidas sobre as Perceções da Criança segundo a EICC
Ao estudar as perceções da criança segundo a Educação Inclusiva Centrada na
Criança (EICC), surgem-me várias dúvidas que considero importantes refletir.
Em primeiro lugar, embora a EICC defenda a criança como sujeito de direitos e
protagonista do seu processo educativo, questiono-me até que ponto, na prática, as escolas
realmente dão espaço para que ela seja ouvida. Muitas vezes, as decisões continuam a ser
tomadas apenas pelos adultos, e pergunto-me se a voz da criança não acaba por ser
silenciada ou reduzida a um simples formalismo (Booth & Ainscow, 2011).
Outra dúvida prende-se com a valorização da diversidade. Sei que cada criança
tem o seu ritmo e necessidades próprias, mas interrogo-me se o sistema educativo está
realmente preparado para lidar com tamanha diversidade. Será que os professores
possuem formação suficiente para adaptar metodologias de forma justa? E mais: como
garantir que essas adaptações não criem desigualdades entre os alunos?
Também tenho questões quanto à participação ativa da criança. Em teoria, parece
simples permitir que os alunos opinem sobre o que aprendem e como aprendem, mas, na
realidade, será que as crianças têm maturidade e condições para decidir sobre aspetos
pedagógicos? Fico em dúvida se essa autonomia pode ser bem aplicada em todos os
contextos, principalmente em escolas com poucos recursos.
Relactivamente à equidade e justiça educativa, levanto outra inquietação: como
alcançar equidade num cenário de desigualdades tão profundas, como acontece em muitas
escolas moçambicanas, onde faltam computadores, bibliotecas ou professores
9
especializados? Tenho a impressão de que, por vezes, o discurso da equidade não se
concretiza por falta de condições estruturais e políticas.
Por fim, questiono-me sobre o envolvimento da família e da comunidade. Se a
EICC considera estes agentes fundamentais no processo educativo, como lidar com
situações em que as famílias têm baixo nível de escolaridade ou pouca disponibilidade
para participar? Será que não se cria uma nova barreira, já que nem todas as crianças
podem contar com o mesmo apoio familiar?
Estas dúvidas levam-me a refletir que, embora os princípios da EICC sejam nobres
e necessários, a sua implementação prática levanta desafios sérios. Entendo que o ideal
da criança como sujeito central da educação é fundamental, mas interrogo-me sobre a
viabilidade de aplicá-lo de forma plena em contextos de limitações sociais, económicas e
institucionais.
10
Conclusão
A análise permitiu compreender que, embora a EICC traga avanços significativos
na perceção da criança como sujeito ativo e participante, persistem desafios no plano
prático. Questões como a preparação dos professores, as desigualdades no acesso a
recursos e a participação efetiva das famílias revelam limitações concretas para a plena
realização dos princípios da EICC. Assim, conclui-se que é fundamental investir em
políticas públicas, formação docente e envolvimento comunitário para que os ideais da
EICC possam ser efetivamente alcançados.
11
Bibliografia
Ainscow, M. (2005). Developing inclusive education systems: what are the levers
for change? Journal of Educational Change, 6(2), 109–124.
[Link]
Booth, T., & Ainscow, M. (2011). Index for Inclusion: Developing Learning and
Participation in Schools. Bristol: Centre for Studies on Inclusive Education.
Silva, A. (2018). Educação Inclusiva: fundamentos e práticas pedagógicas.
Lisboa: Edições Pedago.
UNICEF. (1989). Convenção sobre os Direitos da Criança. Nova Iorque:
Organização das Nações Unidas. Disponível em: [Link]
convention
Ausubel, D. P. (2003). Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva
cognitiva. Lisboa: Plátano Editora.
Lansdown, G. (2011). Every child’s right to be heard: A resource guide on the
UN Committee on the Rights of the Child General Comment No. 12. London: Save the
Children/UNICEF.
Epstein, J. L. (2011). School, family, and community partnerships: Preparing
educators and improving schools (2nd ed.). Boulder, CO: Westview Press.
Ainscow, M. (2020). Promoting inclusion and equity in education: Lessons from
international experiences. Nordic Journal of Studies in Educational Policy, 6(1), 7-16.
[Link]
Correia, L. M. (2008). Educação inclusiva: Compreender para implementar.
Porto: Porto Editora.
Florian, L. (2014). What counts as evidence of inclusive education?. European
Journal of Special Needs Education, 29(3), 286-294.
[Link]
12
Silva, A. M. (2017). Inclusão escolar e diversidade: Desafios para professores.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
UNESCO. (2009). Policy guidelines on inclusion in education. Paris: UNESCO.
UNICEF. (2017). The State of the World’s Children 2017: Children in a digital
world. New York: UNICEF.
13