SCIENTIA NATURALIS
Scientia Naturalis, v. 4, n. 2, p. 672-684, 2022
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ISSN 2596-1640
Abordagem do lixo eletrônico no ensino de química: uma
revisão bibliográfica
Ademar da Costa Amaro Junior1*, Daniela Raphanhin da Silva2, Rejane Souza de
Assunção de Campos3, Suzana Aparecida da Silva4, Rosimeire Montanuci4
1
Discente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Curso de Licenciatura
em Química, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, 2Discente do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Mato Grosso, Curso de Licenciatura em Química, Canarana, Mato Grosso, Brasil,
3
Discente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Curso de Licenciatura
em Química, Várzea Grande, Mato Grosso, Brasil, 4Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência
e Tecnologia de Mato Grosso, Campus Cuiabá Bela Vista, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
*ademaramarojunior@[Link]
Recebido em: 04/06/2022 Aceito em: 03/12/2022 Publicado em: 30/12/2022
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RESUMO
Diante dos crescentes dados estatísticos relacionados ao consumismo eletrônico, este trabalho realizou
uma revisão bibliográfica sobre o lixo eletrônico trabalhado no ensino de Química que, por sua vez, o
Brasil é o mercado emergente que gera o maior volume desse lixo anualmente, desta forma, há urgência
em trabalhar de forma significativa na escola. É importante que as instituições estejam empregando as
questões inerentes aos detritos gerados para fortalecer a formação cidadã. Portando, realizou-se a pesquisa
bibliográfica qualitativa em três locais de abrangência nacional e reconhecidos na área de Química e
ensino de Química: Revista Química Nova na Escola (QNEsc), anais da divisão de ensino de Química do
Congresso Brasileiro de Química (CBQ) e anais do Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ).
Para analisar a quantidade de artigos que embasam a prática pedagógica de professores e como o assunto
está sendo tratado. Por mais que seja de extrema importância empregar a temática de lixo eletrônico nas
escolas, outros assuntos protagonizam as publicações na esfera educacional, assim, apresenta certo déficit
de materiais para alicerçar, de forma significativa os docentes químicos. Verificou-se como resultado
poucas publicações em torno do tema e, na maioria, é utilizado como tema gerador do conteúdo de
eletroquímica.
Palavras-chave: Educação ambiental. Ensino de química. Lixo eletrônico.
Approach to e-waste in chemistry teaching: a literature
review
ABSTRACT
In view of the growing statistical data related to electronic consumerism, this work carried out a
bibliographic review on electronic waste worked in the teaching of Chemistry, which, in turn, Brazil is
the emerging market that generates the largest volume of this waste annually, in this way, there are
urgency to work meaningfully at school. It is important that institutions are using the issues inherent to
the generated waste to strengthen citizen education. Therefore, qualitative bibliographic research was
carried out in three places of national scope and recognized in the area of Chemistry and teaching of
Chemistry: Revista Química Nova na Escola (QNSc), proceedings of the Chemistry Teaching Division of
the Brazilian Congress of Chemistry (CBQ) and proceedings of the National Meeting of Chemistry
Teaching (ENEQ). To analyze the number of articles that support the pedagogical practice of teachers and
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how the subject is being treated. As much as it is extremely important to use the topic of electronic waste
in schools, other subjects are the main issues in publications in the educational sphere, thus, there is a
certain deficit of materials to significantly support chemical teachers. As a result, there were few
publications on the subject and, in most cases, it is used as a generator theme for electrochemistry
content.
Keywords: Environmental education. Chemistry teaching. E-waste.
INTRODUÇÃO
A educação ambiental (EA) não se resume a conservação da fauna, da flora e
dos recursos naturais, ela engloba questões políticas, sociais, econômicas e culturais
entre o mundo humano e o natural a fim de solidificar uma sociedade consciente,
participativa e reflexiva (REIGOTA, 2017). A lei nº 9.795, de 07 de abril de 1.999
instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental e a define, no artigo 1º, como:
Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos,
habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio
ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e
sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).
No mesmo documento são traçados os objetivos no art. 5º que apontam o
desenvolvimento de uma nação sustentável e equilibrada. Nota-se que os verbos
utilizados estão voltados para a formação de uma sociedade autônoma e crítica
(compreender, democratizar, conscientizar, participar, cooperar, integrar e fortalecer)
enfatizando que o ambiente é um dever de cada cidadão (BRASIL, 1999).
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta a empregar esse e outros
temas de maneira transversal e integradora, pois não é de especificidade de nenhuma
área do conhecimento considerando as especificidades de cada escola e sistemas de
ensino.
Entretanto, não basta somente declarar questões ambientais no documento, deve-
se estar inseparável da prática pedagógica das escolas além de fundamentada nos
marcos oficiais da educação brasileira (BARBOSA; DE OLIVEIRA, 2020). Na escola,
a EA deve ser mais que conceitos e reflexões, deve tornar-se atitudes na prática cidadã
(BRASIL, 1998)
Sabe-se que toda a ação do homem no ambiente produz resíduos, porém essa
onda consumista traz a uma nova realidade, em pleno século XXI, a produção do lixo
eletrônico. O avanço constante e acelerado da tecnologia tem levado a cada vez mais
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buscar aparelhos eletroeletrônicos melhores e mais potentes, às vezes sem necessidade,
simplesmente pelo prazer de possuí-los.
Em outros séculos já discutiam os efeitos causados pelas más condições
ambientais. “Desde o século XVIII se tem relatos dos efeitos na saúde provocados pelas
consequências do rápido processo de industrialização e urbanização, desencadeando
problemas ambientais, pelo desequilíbrio causado quanto aos resíduos e seu devido
descarte” (BOTTOMORE; NISBET, 1980).
Depara-se com o acumulo de materiais em terrenos baldios, lixões, lagos, rios,
pois são constituídos de materiais que possuem metais pesados altamente tóxicos, como
mercúrio, cádmio e chumbo que podem contaminar o meio ambiente, o que leva muitas
organizações ecologistas a pressionarem empresas e governos para o seu
equacionamento (CEMPRE, 2007, CIMÉLIA, 2007)
Segundo estudos da ONU (2020), entre os países emergentes, o Brasil está entre
os maiores produtores per capita de resíduos eletrônicos. Produzimos em 2019, por
exemplo, 2,1 milhões de toneladas de resíduos, figurando no quinto lugar do ranking
mundial de produção, e primeiro lugar no cenário latino-americano. O documento não
apresenta dados atualizados do quanto desse montante foi reciclado, mas estima-se que
seja menos de 3% (GREEN, 2020).
Considera-se ainda que à medida que novas tecnologias são disponibilizadas no
mercado e aparelhos são substituídos com uma frequência cada vez maior, o volume de
lixo eletrônico cresce rapidamente e apenas 17,4% desse tipo de resíduo é reciclado no
mundo (ONU, 2020). Assim, as organizações têm se visto diante de um novo dilema: o
que fazer com o lixo que produzem? Por todo o mundo empresas têm sido
responsabilizadas pelo ciclo completo de seus produtos, inclusive após o descarte dos
mesmos. Um grave problema que começa a ganhar espaço para discussões é o destino
do chamado “lixo eletrônico”.
Grande parte do “lixo eletrônico” é formada por computadores e outros produtos
do setor de informática. “A rapidez de obsolescência desses materiais aumenta
progressivamente e muitas vezes eles tornam-se “ultrapassados” antes mesmo de saírem
das lojas, o que representa um grande problema para empresas, sociedade e meio-
ambiente” (BORGES, 2007, ABINEE, 2007).
No entanto, a sociedade passa a ser responsável pela sensibilização da
quantidade de lixo produzido e descartado para o ambiente. A coleta e destinação dos
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resíduos urbanos são de responsabilidade dos governos locais, sendo custeado pela
própria população, na forma de taxas igualmente, independente de quem obtenha lucros
com a veloz dinâmica da descartabilidade induzida pelos bens de consumo duráveis
(ROCHA et al., 2010).
Leis e normas surgem constantemente para regular o descarte de materiais
nocivos ao meio ambiente, como as Iniciativas e Diretrizes Ambientais da União
Europeia (2007), que procuram controlar e acompanhar os resíduos e a poluição que o
processo produtivo pode gerar.
A esse respeito no Brasil também existe resolução do Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA, 1999), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente que,
embora o principal foco da resolução seja o descarte de pilhas e baterias, já indica um
avanço para uma legislação de responsabilidade ambiental. Esses materiais contêm
quantidades variadas de metais pesados. A resolução 257/99 do CONAMA estabeleceu
limites de conteúdo de mercúrio, cádmio e chumbo para separar as fontes perigosas das
não perigosas, e ainda estabeleceu a responsabilidade do produtor e do importador pela
coleta e destinação dos resíduos (CONAMA, 1999).
O Governo Federal promulgou em 2010 a lei 12.305, que estabeleceu a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), marco regulatório que prevê a gestão integrada e
o gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo originalmente um prazo de quatro anos
para a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, cabendo aos municípios a
responsabilidade pelos resíduos gerados em seus territórios, assim, reforça a
importância das políticas públicas brasileiras analisar o desenvolvimento sustentável e
criar mecanismos de informações e responsabilizações por meio de padrões de
processos de reciclagem de sucata eletrônica em função às legislações nacionais para
diminuir os resíduos descartados em aterros sanitários (BRASIL, 2010).
O estudo de Química, assim como de outras disciplinas, possui sua importância,
pois é através dela que os alunos construirão um conhecimento, refletindo com o seu
ambiente uma relação entre a natureza e o ser humano, que contribui para o
desenvolvimento de uma consciência social e planetária.
Para Chassot (2014), o currículo deve estar voltado para a vida política,
questionadora de uma ética de responsabilidade e uma educação de dimensões
ecológicas. Porém, a educação oferecida atualmente não torna os cidadãos mais críticos.
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Afirma que o ensino de Química não precisa necessariamente ser universal, pois o ideal
é a seleção de assuntos que atendam aos pressupostos citados anteriormente.
No Brasil, o Movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA)
contribui para que a Química seja instrumento que permita o exercício pleno da
cidadania. Assim, recomenda-se a utilização de temas geradores e provocativos para tal
educação, abordando o cotidiano e a realidade dos discentes.
Deste modo, a disciplina de Química se relaciona com a cidadania, trabalhando
com o aluno para que ele seja crítico, em relação ao saber científico, compreendendo e
valorizando os modos de intervir na natureza e de como utilizar seus recursos,
resultando em significados étnicos, em uma relação homem-natureza, diminuindo os
impactos ambientais.
Contudo, tem-se o alvo de melhorar o ensino-aprendizagem das Ciências
Naturais, que este ultimamente é conduzido de forma pouco comprometido e
perceptível. Deste modo, para ter um bom resultado é necessário considerar as
estruturas de conhecimento envolvidas no processo de ensino e aprendizagem - do
aluno, do professor, da Ciência.
Dessa forma este trabalho tem o objetivo de analisar publicações de periódicos e
anais de eventos nacionais na área de ensino de Química que exploram o lixo eletrônico
no ensino médio. Pretende-se, também, diagnosticar trabalhos publicados como revisão
bibliográfica e trabalhos com resultados de intervenção na sala de aula e ainda
investigar a produção de conhecimento sobre o ensino do lixo eletrônico no âmbito do
ensino de química.
MATERIAL E MÉTODOS
Para descrever e analisar a incorporação teórica e metodológica do lixo
eletrônico abordado no ensino de Química optou-se por desenvolver a pesquisa de
natureza qualitativa. A metodologia possibilitou, sobretudo, realizar uma categorização
teórico-metodológica para a análise dos conteúdos, com a finalidade de obter uma
inferência sensível de um conjunto amplo de informações (BARDIN, 2016).
As características da pesquisa qualitativa foram: objetivação do fenômeno;
hierarquização das ações de descrever, compreender, explicar, precisão das
relações entre o global e o local em determinado fenômeno; observância das
diferenças entre o mundo social e o mundo natural; respeito ao caráter
interativo entre os objetivos buscados pelos investigadores, suas orientações
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teóricas e seus dados empíricos; busca de resultados os mais fidedignos
possíveis; oposição ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa
para todas as ciências (GERHARDT; SILVEIRA, 2009, p. 32).
A análise de conteúdo constitui uma metodologia de pesquisa usada para
descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos (MORAES,
1999; FRANCO, 2005; BARDIN, 2016). KRIPPENDORF salienta que sempre será
possível investigar os textos dentro de múltiplas perspectivas, conforme expressa:
Em qualquer mensagem escrita, simultaneamente, podem ser computadas
letras, palavras e orações; podem categorizar-se as frases, descrever a
estrutura lógica das expressões, verificar as associações, denotações,
conotações e também podem formular-se interpretações psiquiátricas,
sociológicas ou políticas (KRIPPENDORF, 1990, p. 30).
Nesse sentido, o método da presente pesquisa bibliográfica está baseado a
técnica da análise de conteúdo, fundamentada nas obras de Bardin (2016), adaptamos
em quatro etapas: organização, exploração do material e categorização e interpretação.
A primeira fase de organização consiste na escolha dos documentos a serem
submetidos à análise; a dos objetivos, e a elaboração de indicadores que fundamentem a
interpretação final. (BARDIN, 2016). Foi selecionado o banco de conteúdos que
contemplasse o objetivo proposto pela pesquisa, assim o material previamente
elaborado, compreende em artigos científicos e periódicos. Apresenta-se como o banco
de conteúdo: periódicos da revista Química Nova na Escola (QNEsc), anais da divisão
de ensino de Química do Congresso Brasileiro de Química (CBQ) e anais do Encontro
Nacional de Ensino de Química (ENEQ). A busca pelos conteúdos analisados consistiu
no período de 10 (dez) anos, a partir do ano de 2011 até o ano 2020. Foram escolhidos
por terem grande relevância para a docência em Química, por abranger o território
nacional e serem conhecidos e reconhecidos pela comunidade científica. O ano de 2011
foi o ponto de partida pelo fato da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU)
anunciarem como o Ano Internacional da Química com o objetivo de exaltar os aportes
dessa ciência no bem estar dos seres humanos, comemorar o centenário do primeiro
Prêmio Nobel de Química laureando uma mulher, Marie Curie, e desmistificar o
conhecimento químico como causador dos males do planeta (BOLZANI, 2011).
Definiu-se como unidade de registro para o tema: o lixo eletrônico no ensino de
Química, a busca pelo termo lixo eletrônico em títulos, resumos, palavras-chaves e no
corpo da publicação.
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Na segunda fase exploração do material realizou-se o processo de leitura
flutuante (BARDIN, 2016) em títulos, resumos, palavras-chaves e corpo da publicação.
Quando identificado um artigo relacionado à temas transversais, educação ambiental,
temas ambientais e ensino de Química foi realizada a busca pelo corpo do texto com a
palavra lixo eletrônico. Nesta fase, avaliou-se os artigos úteis e não úteis para a
investigação, selecionando os artigos que contemplassem objetivos propostos, ou seja,
dentro do contexto de pesquisa (BARDIN, 2016).
Na terceira fase categorização foi realizada a leitura aprofundada em busca das
unidades de análise, surge assim, as categorias da análise em uma abordagem subjetiva.
É agrupado em categorias conforme os tipos de contextos identificados conforme a
pertinência e objetividade. As categorias são construídas ao longo do processo da
análise. (BARDIN, 2016).
Categorias de análise
Eletroquímica, pilhas e baterias o lixo eletrônico foi abordado como tema
gerador referente a estes conteúdos químicos.
Descarte, coleta e reciclagem dos materiais eletrônicos: Interação do homem
com o meio ambiente, conservação e degradação do ambiente e consequências
ambientais.
Propostas para o ensino de lixo eletrônico: análise de publicações que reforçam a
importância da educação ambiental em específico sobre o lixo eletrônico na graduação e
o modo que está sendo trabalhado o tema em sala de aula e se possuí materiais didáticos
disponíveis e aplicados no ensino de Química.
A última fase realizou-se a interpretação e inferência das informações coletadas
de forma crítica e reflexiva, destacando as informações para obtenção dos resultados
finais. Realizou-se a compreensão da unidade de contexto dos fenômenos investigados
por meio da abordagem indutiva, gerativa, construtiva e subjetiva. Para Moraes
A abordagem indutiva-construtiva toma como ponto de partida os dados,
construindo a partir deles as categorias e a partir destas a teoria. É portanto,
essencialmente indutiva. Sua finalidade não é generalizar ou testar hipóteses,
mas construir uma compreensão dos fenômenos investigados (MORAES,
1999, p. 10).
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“A unidade de contexto deve ser considerada e tratada como a unidade básica
para a compreensão da codificação da unidade de registro e corresponde ao segmento da
mensagem“ (FRANCO, 2005).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na divisão de ensino do CBQ foram encontradas 2251 publicações, dessas
apenas 13 exploraram o tema. A revista QNEsc publicou 420 artigos e somente 1
relacionado a essa pesquisa, já os anais do ENEQ constou com 3720 trabalhos com 12
pertinentes. Portanto, o número de publicações identificadas está listado no quadro 1
abaixo e correspondem a 0,31% do número total com média anual de 2,6 trabalhos.
Outros artigos foram encontrados relacionados a eletroquímica e toxicidade de
metais, contudo, por não abordarem a temática do lixo eletrônico não foram
contabilizados.
Quadro 1 - Publicações analisadas.
N.º Título Local Ano
A inserção de estratégias para o desenvolvimento do tema
1 educação ambiental no ensino de Química em nível médio CBQ 2012
com uso de abordagem CTSA
2 Os metais pesados e a função social do ensino de Química CBQ 2013
Reciclagem do lixo eletrônico: destinação final de resíduos
3 CBQ 2013
eletrônicos (ações sustentáveis na cidade de Confresa - MT
Concepções dos discentes do ensino médio sobre o lixo
4 CBQ 2014
eletrônico como eixo didático no ensino de Química
5 Ensino de pilhas aliado à educação ambiental CBQ 2014
Descarte de pilhas e baterias: uma ferramenta prática para a
6 CBQ 2014
educação ambiental
Proposta de uma sequência didática para o estudo de
7 eletroquímica através de uma abordagem CTSA com CBQ 2014
enfoque no descarte de pilhas e baterias.
Uma abordagem didático-contextualizada: conceito e
8 CBQ 2014
aplicações de metais pesados no ensino médio
Pilhas e baterias: funcionamento, impactos ambientais e
9 CBQ 2016
normas de gerenciamento adequado
Abordagem de aula temática sobre lixo eletrônico voltado
10 CBQ 2017
para alunos do ensino médio regular
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Materiais eletroeletrônicos e a obsolescência programada:
11 CBQ 2017
uma abordagem CTS nas aulas de Química do ensino médio
Pilhas e baterias: percepção dos alunos do ensino médio
12 sobre o descarte do lixo especial no município de Benjamin CBQ 2017
Constante - AM
Relato de experiência PIBID: sequências didáticas para a
13 CBQ 2018
contextualização do lixo eletrônico no ensino médio
Proposta de projeto de ensino sobre alotropia a partir da
14 ENEQ 2014
visão de professores de Química e Ciências
Lixo Eletroeletrônico: Uma Abordagem Ambiental no
15 ENEQ 2014
Ensino de Química
O Ensino de Química Ambiental no Ensino Médio:
16 ENEQ 2014
Concepções de alunos sobre os metais tóxicos
Abordando o Tema Lixo Eletrônico em uma Sequência
17 ENEQ 2016
Didática
Educação CTSA e o Lixo Eletrônico: Uma Proposta de
18 ENEQ 2016
Problematização do PIBID - UEG - Anápolis-Goiás
Lixo eletrônico como tema para o estudo de conceitos de
19 ENEQ 2016
química no ensino fundamental
Lixo eletrônico em uma perspectiva CTSA e dos três
20 ENEQ 2016
momentos pedagógicos
Lixo eletrônico: uma proposta do PIBID Química – UEG –
21 ENEQ 2016
Anápolis – Goiás numa perspectiva da educação CTSA
Lixo eletrônico: educação e conscientização nas séries
22 ENEQ 2018
iniciais da educação básica
O lixo eletroeletrônico como instrumento para educação
23 ambiental: um diagnóstico com alunos do ensino médio ENEQ 2016
integrado ao técnico
Experimentação investigativa e educação CTS sob o tema
24 ENEQ 2016
dos resíduos eletrônicos em aulas de química
O método do arco da problematização na coleta de dados em
25 pesquisa do ensino de química, relatando a experiência com ENEQ 2018
a temática do lixo eletrônico
Química e educação ambiental: uma experiência no ensino QNES
26 2014
superior C
Fonte: autoria própria.
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Eletroquímica, pilhas e baterias
Seis trabalhos (5, 6, 7, 9, 10 e 12) evidenciaram a utilização do assunto como
tema gerador no ensino de Química para abordar conceitos de eletroquímica, pilhas e
baterias sendo que a maioria com o recurso da experimentação (Quadro 1). Os trabalhos
14 a 25 evidenciam na abordagem de pilhas e baterias, às vezes dando destaque a um ou
outro, sendo retratado em sala de aula por discentes de Química que observaram a
pouca enfatização em relação ao assunto. Visto que tal problematização além de
conscientizar os alunos facilita o ensinamento na disciplina.
Segundo Chassot (2001), o ensino de química deve ser trabalhado de forma
dinâmico e contextualizado, sendo de vital importância para a motivação e compreensão
de tópicos que exigem uma maior concentração por parte dos alunos. Maldaner (2000)
relata que o ensino que faz parte do dia-a-dia do aluno, precisa ser abordado de forma
contextualizada, permitindo ao estudante desenvolver capacidades como interpretar e
analisar dados, argumentar, tirar conclusões, avaliar e tomar decisões.
Um dos trabalhos (10) relatou que a eletroquímica é o conteúdo que mais
apresenta dificuldades durante o ensino médio tanto para alunos quanto para
professores. A repulsão apresentada se dá pela falha no entendimento dos conceitos e
definições nos processos das reações de oxirredução (também chamada de reações
redox) causando objeções nas práticas pedagógicas dos docentes (NOGUEIRA et al.,
2017).
Descarte, coleta e reciclagem de materiais eletrônicos
Desenvolver tópicos sobre descarte correto, reciclagem de eletrônicos, coleta
seletiva e logística reversa colaboram com o pensamento ambiental e a utilização do
ensino pela problematização nos trabalhos de 14 a 25 que abordam primeiramente o
conhecimento dos alunos, num segundo momento a apresentação de materiais didáticos
com disseminação do conhecimento, e, por último, a apresentação por esses estudantes
sobre a aprendizagem e aplicação no cotidiano. Sendo assim, como abordagem final
sempre evidenciam o descarte correto, a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais
eletrônicos.
Explorar o pensamento crítico em torno do tema torna-o essencial não somente
na questão química, mas também, embasado nos temas transversais de saúde, meio
ambiente e trabalho e consumo. Essas temáticas são contempladas em habilidades dos
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componentes curriculares, cabendo aos sistemas de ensino e escolas, de acordo com
suas especificidades, tratá-las de forma contextualizada (BRASIL, 2018).
Faz-se necessário introduzir na sala de aula a questão ambiental com o foco nos
resíduos eletrônicos que nos últimos anos houve um aumento excessivo. Assim, os
alunos possam desenvolver a capacidade de posicionar-se em questões ambientais que
interferem na sociedade de forma participativa (BRASIL, 2018).
Dois deles (6 e 12) procuraram constatar os conhecimentos dos estudantes e as
atitudes frente ao material eletrônico por meio de questionário estruturado e propostas
atitudinais de conscientização e descarte correto.
Propostas para o ensino de lixo eletrônico.
Sobre metodologias de ensino empregadas nos resumos, nota-se que a
experimentação é a mais aplicada, porém apenas três desses exemplificaram a atividade
prática realizada sendo de caracterização dos componentes de uma pilha (4), construção
de pilha de Daniell (6) e verificação de carga elétrica (10). Outras metodologias foram
utilizadas como confecção de história em quadrinhos (13), sequência didática (7 e 13),
oficinas (9)
Para os materiais didáticos observou-se três trabalhos (1, 10 e 14) que
desenvolveram e aplicaram o material previamente elaborado. O nº 1 tratou de diversos
temas pertinentes à educação ambiental sendo um deles o descarte do lixo eletrônico,
um de seus objetivos era a construção de apostilas temáticas pois os autores relataram
que não havia material didático em educação ambiental com a abordagem CTSA.
Destaca-se a publicação n.º 14 que foi a construção de uma proposta de projeto
de ensino de alotropia evidenciando o lixo eletrônico construído por professores de
Química e Ciências. A metodologia utilizada de forma geral nos trabalhos de 14 a 25 é a
problematização, a qual é desenvolvida a partir de uma realidade vivenciada pelos
alunos, facilitando a abordagem do conteúdo.
Em formação de professores destaca-se que o nº 10 relata a aplicação de um
projeto desenvolvido numa disciplina da graduação e o nº 26 ressalta a importância dos
cursos de licenciaturas em preparar os futuros professores de Química para abordar
práticas de ensino que inserem os problemas ambientais globais como o descarte do lixo
eletrônico, como ferramenta da contextualização sendo uma estratégia válida e
enriquecedora. Brasil (1999) decreta “a incorporação da dimensão ambiental na
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formação, especialização e atualização dos educadores de todos os níveis e modalidades
de ensino”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa possibilitou verificar que há publicações sobre o lixo eletrônico
como resultado de intervenção nas aulas de Química, no entanto, a quantidade ainda é
significativamente baixa em relação ao total analisado.
Na perspectiva da educação ambiental, notou-se a preocupação com a
conscientização dos estudantes na destinação correta desse tipo específico de resíduo
sólido criando momentos para problematizar e refletir parte da realidade que estamos
inseridos. Contudo, a logística reversa prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos
foi timidamente empregada como destinação correta, logo, entende-se que o consumidor
é o único responsável pelo descarte consciente.
A categorização permitiu observar as formas mais recorrentes da abordagem do
lixo eletrônico nas aulas de Química e que, em grande parte, foi utilizado como tema
gerador no ensino de eletroquímica por ser diagnosticado como um dos conteúdos mais
complexos do currículo.
Futuras pesquisas podem ser realizadas para verificar não somente o porquê das
poucas aplicações em sala de aula do lixo eletrônico como também a elaboração de
materiais didáticos específicos que embasem as práticas pedagógicas dos professores de
Química.
REFERÊNCIAS
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BARBOSA, G.; DE OLIVEIRA, C. T. Educação Ambiental na Base Nacional Comum
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