Depois de muito caminhar pela floresta de pinheiros, comecei a
achar que ela nunca fosse acabar. Pensei pelo lado lógico:
provavelmente tinha hectares e hectares de extensão — o que
me deixava um pouco desconcertada.
Como algo podia ser tão grande e, ao mesmo tempo, me fazer
sentir tão pequena?
“Tenho que parar de pensar nisso”, pensei. “Agora não é o
melhor momento para questionar o sentido da vida.”
Eventualmente, encontrei o lugar onde planejava chegar desde
o e-mail que recebi na noite anterior. O vento frio atravessava
meus ossos, mesmo com toda a camada grossa de roupa que
decidi vestir ao amanhecer.
Era bonito. Nostálgico.
O sol se escondia atrás das nuvens, tingindo tudo de uma luz
azulada — uma melancolia quase física. Ainda assim, nada
conseguia apagar a ansiedade que me corroía por dentro.
Sentia o peito apertado, como se algo estivesse prestes a
acontecer.
E, acima de tudo, me sentia observada.
Rick Lincoln parecia obcecado por mim outra vez.
Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça — um eco
ancestral, uma herança de medo que o cérebro insiste em
manter viva para me avisar que algo não está certo. Respirei
fundo, o ar gelado entrando e saindo com dificuldade, pesado,
como se o frio tivesse me tomado por dentro.
Então ouvi passos. Pesados. Apressados. Sobre a neve.
Olhei para trás, já esperando o pior.
Não adiantou.
1
Um impacto forte atingiu minha cabeça. Caí, gemendo de dor,
a visão tremendo e o sangue pintando minha mão de vermelho.
Tudo começou a ficar borrado. Tentei manter os olhos abertos,
mas o mundo já se desfazia.
A última coisa que vi foi uma silhueta escura acima de mim.
Depois, nada.
Quem quer que esteja lendo isso — e queira entender como
cheguei a essa situação — precisa ouvir a minha história.
A história que mudou minha vida.
E a de muitos outros.
Infelizmente.