Claro… aqui vai outra história, desta vez com um clima mais mágico e emocional, mas
ainda bem ficcional.
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A garota que colecionava luas
Numa vila pequena, encravada entre montanhas que pareciam dormir há séculos, vivia Lia
— uma garota conhecida por um hábito estranho:
ela colecionava luas.
Não eram luas de verdade, claro.
Eram fragmentos de luz, pequenos brilhos que só apareciam para pessoas com o coração
partido, flutuando sobre as casas nas noites silenciosas.
Quando alguém sofria por amor, por saudade, por perda… uma miniatura da lua surgia
acima da sua janela.
E Lia, com passos leves e uma rede transparente, as capturava.
Diziam que era loucura.
Mas ninguém nunca a impediu — talvez porque, no fundo, todo mundo carregava uma dor
escondida e gostava de pensar que havia alguém cuidando dela em segredo.
Certo dia, Lia encontrou algo diferente:
uma lua enorme, brilhando com um tom suave de azul, parada sobre a ponte abandonada
que cortava o vilarejo.
Era a maior que ela já tinha visto — pesada de sentimento, quase caindo do céu.
Sentado na beira da ponte estava Noah, um viajante que ninguém conhecia.
Ele segurava um caderno vazio, mas tinha o olhar cheio de coisas que nunca disse.
— Essa lua é sua, Lia falou, apontando para o brilho.
— Eu sei, ele respondeu, sem surpresa. Mas não sei se quero que ela vá embora.
Ela nunca tinha ouvido alguém dizer isso.
Então sentou ao lado dele.
Noah contou que não tinha perdido alguém — pelo menos não de um jeito simples.
Ele tinha se apaixonado por uma mulher que existia apenas em seus sonhos.
Meses repetindo o mesmo encontro imaginário, a mesma conversa inventada, o mesmo
toque que nunca aconteceu.
Ele sabia que ela não era real… mas o sentimento era.
— Não sei como esquecer alguém que nunca existiu, ele disse.
Lia ficou em silêncio.
Ela entendia mais do que queria admitir.
Com cuidado, levantou a rede e tentou capturar a lua azul — mas ela não se moveu.
Ficou presa no ar, como se tivesse escolhido ficar.
— Ela não quer ir, Lia murmurou.
— Nem eu, Noah respondeu.
Então Lia fez algo que nunca tinha feito:
devolveu a rede ao chão, sentou-se diante da lua azul e apenas deixou o brilho cair sobre
os dois.
A luz era quente, parecia abraçar, parecia ouvir.
E, pela primeira vez, Lia percebeu que a função dela não era recolher dores…
era acompanhar quem carregava as dores que não queriam ser recolhidas.
Ficaram ali até o amanhecer.
Quando o sol subiu, a lua azul se dissolveu como poeira luminosa.
Noah abriu o caderno e, sem pensar muito, desenhou o rosto de Lia — não como ela era,
mas como ele a sentia: leve, quieta, impossível.
Ele partiu logo depois, prometendo voltar, mas a vila sabia que promessas são frágeis e
viajantes são ainda mais.
Mas naquela noite, sobre a janela de Lia, uma pequena lua dourada apareceu.
Era a primeira vez que ela mesma ganhava uma.
E, por um segundo, ela sorriu do jeito de quem finalmente entende:
às vezes, a gente também merece ser cuidado…
mesmo quando passou a vida inteira cuidando dos outros.
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Se quiser outra — mais trágica, mais sombria, futurista, romântica, engraçada, mitológica ou
até erguida no universo do seu livro — posso criar agora. Quer qual clima?