Classicismo
O Classicismo corresponde a um movimento artístico cultural que
ocorreu durante o período do Renascimento (a partir do século XV) na Europa.
O nome do movimento que marca o fim da Idade Média e o início da Idade
Moderna, faz referência aos modelos clássicos (greco-romano).
No campo da literatura, Classicismo é o nome dado aos estilos literários
que vigoravam no século XVI, na época do Renascimento. Por isso, a produção
desse período também é chamada de Literatura Renascentista.
O Nascimento de Vênus (1484-1486), de Sandro Botticelli é umas das obras mais
emblemáticas do Renascimento italiano
Contexto Histórico
Na idade Média, período que durou dez séculos (V ao XV), o principal
atributo da sociedade era a religião.
Esse momento esteve marcado pelo teocentrismo, cujo lema eram os
dogmas e preceitos da Igreja Católica, que cada vez mais adquiria fiéis.
Assim, pessoas que estivessem contra ou questionassem esses dogmas,
eram excomungados, além de sofrer alijamento da sociedade, ou em último
caso, a morte.
O humanismo, que surgiu a partir do século XV na Europa, começou a
questionar diversas questões uma vez que o cientificismo despontava.
Homem Vitruviano (1590) de Leonardo da Vinci é o símbolo do antropocentrismo
humanista
Muitos estudiosos foram capazes de propor novas formas de análise do
mundo e da vida, que estivessem além do divino. Ou seja, apresentavam
questões baseadas na racionalidade humana e no antropocentrismo (homem no
centro do mundo).
Esse momento esteve marcado por grandes transformações e descobertas
históricas:
• as Grandes Navegações;
• a Reforma Protestante (que levou a uma crise religiosa) encabeçada por
Martinho Lutero;
• a invenção da Imprensa pelo alemão Gutenberg;
• o fim do sistema feudal (início do capitalismo);
• o cientificismo de Copérnico e Galileu.
Foi nesse contexto que as pessoas buscavam novas expressões artísticas
pautadas no equilíbrio clássico.
Assim, surgiu o renascimento cultural, período de grandes transformações
artísticas, culturais, políticas e que se espalhou por todo o continente europeu.
Classicismo em Portugal
Em Portugal, o Classicismo compreende o período literário do século XVI
(entre 1537 e 1580). O marco inicial do movimento foi a chegada do poeta
Francisco Sá de Miranda a Portugal.
Ali, ele se inspirou no humanismo italiano, trazendo uma nova forma de
poesia: o “dolce stil nuevo” (Doce estilo novo).
Esse novo modelo estava baseado na forma fixa do soneto (2 quartetos e
2 tercetos), nos versos decassílabos e na oitava rima.
Além de Sá de Miranda merecem destaque os escritores portugueses
classicistas:
• Bernardim Ribeiro (1482-1552), com sua novela “Menina e Moça” (1554);
• António Ferreira (1528-1569), com sua tragédia “A Castro” (1587).
No entanto, foi a partir de Luís de Camões, um dos maiores poetas
portugueses e da literatura mundial, que a literatura portuguesa ganha
notoriedade.
Luís de Camões (1524-1580) foi o maior destaque da literatura classicista em Portugal
Sua grande obra, "Os Lusíadas” (1572), é uma epopeia classicista onde
ele narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. Ela foi escrita em 10 cantos e
está composta de 8816 versos decassílabos em oitava rima distribuídos em 1120
estrofes.
O Classicismo em Portugal permaneceu até 1580. Esse é o ano da morte
de Camões e também da União das Coroas Ibéricas, aliança estabelecida até
1640 entre Espanha e Portugal.
Obs: No Brasil, esse período literário ficou conhecido como Quinhentismo.
Características do Classicismo
As principais características do classicismo são:
• Antiguidade clássica
• Antropocentrismo
• Humanismo
• Universalismo
• Racionalismo
• Cientificismo
• Paganismo
• Objetividade
• Equilíbrio
• Harmonia
• Rigor formal
• Mitologia greco-romana
• Ideal platônico e de beleza
Principais autores e suas obras
Decerto que na literatura portuguesa o autor que recebe destaque é Luís
Vaz de Camões, com sua obra “Os Lusíadas” (1542). Já na Espanha, Miguel de
Cervantes (1547-1616) com sua obra mais notável “Dom Quixote” (1605).
Destacam-se também os escritores humanistas italianos:
• Dante Alighieri 1265-1321), com sua obra mais popular “A Divina
Comédia” (1555);
• Francesco Petrarca (1304-1374), pai do humanismo e inventor do soneto;
• Giovanni Boccacio (1313-1375), com sua obra Magma “Decamerão”
(1348 e 1353).