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Resíduos Sólidos e Educação Profissional

O artigo analisa a geração de resíduos sólidos no contexto do modo de produção capitalista e sua abordagem na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil. A pesquisa revela que, embora a temática ambiental esteja presente nas diretrizes educacionais, sua implementação curricular é insuficiente, necessitando de maior atenção para formar profissionais comprometidos com questões socioambientais. A inclusão eficaz de temas ambientais no ensino é crucial para a conscientização e ação em relação aos problemas de resíduos sólidos.

Enviado por

Fernanda Pavani
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Resíduos Sólidos e Educação Profissional

O artigo analisa a geração de resíduos sólidos no contexto do modo de produção capitalista e sua abordagem na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil. A pesquisa revela que, embora a temática ambiental esteja presente nas diretrizes educacionais, sua implementação curricular é insuficiente, necessitando de maior atenção para formar profissionais comprometidos com questões socioambientais. A inclusão eficaz de temas ambientais no ensino é crucial para a conscientização e ação em relação aos problemas de resíduos sólidos.

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Artigos Originais

ANÁLISE CRÍTICA SOBRE A GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E O


MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA: ABORDAGEM NO CONTEXTO DO
ENSINO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA (EPT)

Original Articles

CRITICAL ANALYSIS ON SOLID WASTE GENERATION AND THE


CAPITALIST PRODUCTION MODE: APPROACH IN THE CONTEXT OF
TEACHING IN PROFESSIONAL AND TECHNOLOGICAL EDUCATION (EPT)
Clarissa Maria Brito Lima
[Link]@[Link]
[Link]

Kleiton Rocha Saraiva


[Link]@[Link]
[Link]

CAMINE: Cam. Educ. = CAMINE: Ways Educ., Franca, SP, Brasil - eISSN 2175-
4217 - está licenciada sob Licença Creative Commons

RESUMO: Um dos maiores problemas ambientais da sociedade contemporânea


é a geração exacerbada de resíduos sólidos, resultante principalmente do
crescimento populacional e do modo de produção capitalista. Este artigo tem por
objetivo analisar, por meio de uma revisão literária, a relação entre a temática
dos resíduos sólidos e o modo de produção capitalista, e como se dá essa
abordagem no contexto do ensino na Educação Profissional e Tecnológica
(EPT) no Brasil. Para tal, desenvolveu-se uma pesquisa de caráter bibliográfico,
consultando-se artigos, teses, dissertações em bases de dados como Scielo,
Google acadêmico, utilizando-se, preferencialmente, como critérios de inclusão
trabalhos publicados nos anos de 2011 a 2019, escritos no idioma português.
Verificou-se que a temática dos resíduos sólidos dentro da educação
profissional aparece mais voltada para a elaboração de planos de
gerenciamento de resíduos dentro dos Institutos Federais de Educação, Ciência
e Tecnologia nos diferentes estados brasileiros, enquanto que no ensino, de
forma curricular, apesar do tema transversal Meio Ambiente estar presente nos
PCNs e da Lei da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), essa
temática ainda se mostra pouco abordada, necessitando então de maior
atenção e efetividade, uma vez que é de extrema importância que haja a
formação de profissionais comprometidos com as questões socioambientais e
que realmente possam interferir de forma eficiente para a resolução ou
minimização de problemas ambientais, como esse dos resíduos sólidos.

Docente do Instituto Federal do Maranhão


Doutor pela Universidade Federal do Ceará
Revista CAMINE: Caminhos da Educação, Franca, v. 14, n. 1, 2022.
ISSN 2175-4217
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Palavras-chave: Resíduos sólidos. Educação Profissional e Tecnológica.


Produção capitalista.

ABSTRACT: One of the greatest environmental problems of contemporary


society is the exacerbated generation of solid waste, resulting mainly from
population growth and the capitalist production method. This article aims to
analyze, through a literary review, the relationship between the theme of solid
waste and the capitalist mode of production, and how this approach takes place
in the context of teaching in Professional and Technological Education (EPT) in
Brazil. To this end, a bibliographic research was developed, consulting articles,
theses, dissertations in databases such as Scielo, Google academic, using,
preferably, as inclusion criteria works published in the years 2011 to 2019,
written in the Portuguese language. It was found that the theme of solid waste
within professional education appears more focused on the elaboration of waste
management plans within the Federal Institutes of Education, Science and
Technology in different Brazilian states, while in teaching, in a curricular way,
despite of the transversal theme Environment being present in the PCNs and the
Law of the National Environmental Education Policy (PNEA), this theme is still
little addressed, therefore requiring greater attention and effectiveness, since it is
extremely important that there is the formation of professionals committed to
socio-environmental issues and who can really interfere efficiently in solving or
minimizing environmental problems, such as that of solid waste.

Keywords: Solid waste. Professional and Technological Education. Capitalist


production.

INTRODUÇÃO

É de conhecimento público que são muitos os problemas que afligem o


meio ambiente. Entretanto, um dos problemas que vem chamando bastante
atenção e se configurando como de difícil solução é o dos resíduos sólidos,
popularmente chamados de lixo. Isso acontece por conta do crescimento
elevado desses resíduos (principalmente devido ao enorme consumismo das
sociedades contemporâneas), seu difícil gerenciamento e sua disposição final
inadequada.
Sabe-se que as atividades humanas são geradoras de resíduos, no
entanto, na antiguidade, a quantidade produzida era pequena e em sua maioria
formada por resíduos de composição orgânica, sendo então de mais fácil
decomposição (SENKO; BOVO, 2013). Apesar dessa relação inerente, de uma
maneira geral a sociedade se relacionou com seus resíduos por meio de
atitudes de afastamento. Nesse sentido, segundo Fadini
fato é que o lixo passou a ser encarado como um problema, o qual deveria ser
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combatido e escondido da Revolução Industrial, iniciada na


Inglaterra, o processo de urbanização foi desencadeado, o que levou ao
aumento populacional desordenado, ao padrão de consumo das sociedades
contemporâneas que usam de forma exagerada produtos descartáveis, que
compram muito além do necessário e que se deixam influenciar pelo poder da
mídia e dos meios de comunicação, o que só faz aumentar de forma contínua a
quantidade de resíduos sólidos urbanos (RSU) gerados.
A maior parte desses resíduos não tem o destino adequado, o que
acarreta em enormes problemas. Apesar da Lei 12.305/2010 que institui a
Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil ter estabelecido o
prazo para acabar com os lixões em todo o país até agosto de 2014, muitos
municípios ainda fazem uso desse destino inapropriado, que pode resultar em
poluição do solo e das águas por causa do chorume, líquido de cor escura e
odor desagradável resultante da degradação do lixo, e ainda acarretar doenças
uma vez que moscas, ratos, baratas e outros animais encontrados nos lixões
são vetores de doenças.
A mudança na relação entre produção e consumo começou a acontecer
depois da Segunda Guerra Mundial, nas décadas finais do século XX, com o
consumo assumindo um papel de maior protagonismo, abrindo um novo ciclo de
acumulação dirigido e intensificado pela demanda e sua diversificação (LIMA,
2015). Esse processo capitalista de produção alterou o curso proveitoso de um
produto uma vez que foram desenvolvidos mecanismos tecnológicos para
alterar as características do produto, deixando-os com propriedades diminuídas,
com a justificativa estratégica de que essa forma de produção leva em
consideração o acesso e a popularização de bens, sendo que a verdade é que
essa produção leva ao desperdício e à fácil deterioração do bem. Sendo assim,
para o sistema capitalista, o importante mesmo é a produção, a qual exige a
exploração de recursos naturais como fontes de matéria-prima e, após o
consumo, é gerada uma quantidade exacerbada de resíduos, os quais por sua
vez impactarão tais recursos (CHRYSOSTOMO; FIORI JUNIOR; FELICIO,
2017). Vê-se então que é um círculo vicioso que gera muitos impactos
ambientais, mas que muitas vezes passa despercebido pela grande maioria da
população.
Nesse sentido, percebe-se que a discussão da temática é urgente e a
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responsabilidade é de todos, entretanto, ressalta-se o papel de extrema


importância da escola, uma vez que ela se constitui como um espaço ideal para
envolver os estudantes em um ambiente que possibilite reflexão e tomada de
ações voltadas à criação de uma consciência sustentável. Segundo Ramiro
(2017) é importante a problemática dos resíduos sólidos ser abordada de
forma mais ampla e satisfatória nas instituições de ensino, uma vez que os
alunos podem desenvolver um pensamento crítico que leve à transformação
desta realidade de degradação, disseminando os conhecimentos adquiridos em
suas residências e comunidades, buscando sensibilizar a favor de um mundo
melhor e mais sustentável para as atuais e futuras gerações.
Sabe-se que as temáticas ambientais devem ser trabalhadas em todos os
níveis e modalidades de ensino, conforme explica a Lei 9.795/99 que instituiu a
Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) colocando a Educação
Ambiental (EA) como processo que permite o indivíduo e a coletividade construir
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas
para a conservação do meio ambiente (BRASIL, 1999). Entretanto, estudos
realizados em diversas escolas brasileiras mostram que o ensino das temáticas
ambientais ainda deixa muito a desejar nas diferentes modalidades de ensino,
incluindo-se as escolas de educação profissional, sendo então necessário e de
extrema importância refletir-se sobre a formação socioambiental dos estudantes
dessa modalidade que prima por uma formação humana integral que por sua
vez tem a educação ambiental como parte constituinte (DE PAULA;
HENRIQUE, 2016). Esses autores ainda apontam um aspecto extremamente
relevante que é o fato dessa ausência de reflexão se justificar pelas
características da formação educacional a qual a grande maioria das pessoas
teve acesso e denuncia a crise de valores pessoais que se tem vivido nos
últimos séculos, conveniente ao sistema político-econômico vigente, mas para a
qual a escola precisa estar atenta, problematizar, suscitar reflexão, a fim de que
o estudante saia da zona de conforto alienadora e se mova em direção a uma
práxis transformadora (DE PAULA; HENRIQUE, 2016).
Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), criados
por meio da Lei nº 11.892/2008 têm como objetivo uma formação integral que
articula ciência, tecnologia, trabalho e cultura, e um compromisso com as
questões ambientais, uma vez que têm como finalidade formar profissionais
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críticos e autônomos, capazes de reconhecer e valorizar a sustentabilidade


socioambiental (BRASIL, 2008). Sendo assim, se faz necessária a inclusão das
temáticas ambientais de uma forma mais eficaz no processo de ensino-
aprendizagem nessas instituições.
Diante disso, objetivou-se analisar, por meio de uma revisão literária, a
relação entre a temática dos resíduos sólidos e o modo de produção capitalista,
no contexto do ensino e aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica
(EPT) no Brasil.

METODOLOGIA

Para alcançar o objetivo proposto, foi realizado um estudo do tipo revisão


de literatura, utilizando-se de documentos como livros, artigos, teses em bases
de dados como Scielo e Google Acadêmico. O levantamento dos dados foi
realizado nos meses de outubro de 2019 a dezembro de 2020 e, para tal,
utilizou-se descritores como resíduos sólidos, educação profissional,
capitalismo, ensino integrado. Verificou-se inicialmente se esses trabalhos eram
pertinentes por meio da leitura dos títulos, dos resumos e, posteriormente, dos
trabalhos completos, de forma que a partir dessas análises foram selecionados
os estudos pertinentes ao propósito da pesquisa. Também, sempre que
possível, utilizou-se como requisito para o levantamento bibliográfico que os
trabalhos selecionados tivessem sido publicados entre os anos de 2011 e 2019,
levando-se em conta a busca preferencial de referências mais recentes e após o
ano de 2010 que foi o ano de instituição da Lei da Política Nacional de Resíduos
sólidos (PNRS).

DESENVOLVIMENTO

Resíduos Sólidos e Base Legal


Segundo a Norma NBR 10.004, revisada em 2004, a definição de
resíduos sólidos é a seguinte:
Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades

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de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de


serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos
provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em
equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como
determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu
lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam
para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à
melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).

Pereira Neto (2007) define lixo como uma massa heterogênea de


resíduos sólidos resultantes das atividades humanas, que podem ser reciclados
e parcialmente utilizados, gerando, entre outros benefícios, proteção à saúde
pública e economia de energia e de recursos naturais.
A Lei 12.305 de 2010 sanciona a Política Nacional de Resíduos Sólidos
(PNRS), a qual define resíduos sólidos como:
[...] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede,
se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados
sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e
líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na

soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor


tecnologia disponível (BRASIL, 2010, p.2).

Percebe-se então com esses conceitos que os resíduos possuem


potencial de serem reaproveitados, reciclados, enquanto que os rejeitos são
aqueles que não têm mais condições de serem reaproveitados e precisam então
ser encaminhados para a disposição final adequada, que no caso são os
aterros sanitários.
É importante frisar que, em tempos passados, as pessoas tinham uma
relação de distanciamento do lixo, apenas o afastavam para longe de suas
casas e acreditavam que assim tudo estava resolvido, ou seja, não se
preocupavam com o seu destino final. Essa cultura de considerar o lixo como
algo sujo e sem utilidade acabou sendo passada de geração em geração, de
modo que até hoje boa parte da sociedade não está preocupada com o correto
gerenciamento e destino final adequado desses resíduos e não percebe sua
grande importância neste processo.
A análise histórica mostra que as políticas públicas de resíduos sólidos no
Brasil iniciaram-se motivadas por fatores como a expansão demográfica e da
urbanização, do consumo e da geração de resíduos, pela difusão de uma
consciência e ação ambientalista, além do ressurgimento de movimentos da
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sociedade civil que abriram novos espaços para debates e experiências sobre
democracia participativa, gestão compartilhada, instrumentos e fóruns de
participação social e governança (DEMAJOROVIC,1995).
Ainda tendo como base a PNRS, a mesma define gerenciamento de
resíduos sólidos GRS, como:
Conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de
coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final
ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final
ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal
de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de
gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei
(BRASIL, 2010, p.2).

A PNRS determina que a prioridade na gestão dos resíduos não é


voluntária, e sim, obrigatória, prevendo a não geração, a redução, a reutilização,
a reciclagem e o tratamento. Prevê ainda a adoção da logística reversa, por
meio de ações para coletar os resíduos sólidos e devolvê-los ao setor
empresarial (BRASIL, 2010).
Apesar das legislações específicas que tratam da questão dos resíduos
sólidos e seu gerenciamento, o problema só aumenta. A própria lei da PNRS foi
aprovada após mais de 20 anos de discussões no Congresso Nacional, o que
demonstra como as leis brasileiras muitas vezes demoram bastante para serem
efetivadas. O prazo determinado pela PNRS para os municípios darem a
destinação final adequada aos resíduos sólidos e eliminarem os lixões a céu
aberto foi estipulado até agosto de 2014, mas o Senado aprovou um projeto de
prorrogação escalonada desse prazo, passando para 2018 a 2021, dependendo
do perfil da cidade. Essa medida foi necessária, pois a maior parte das
prefeituras não conseguiu cumprir a meta e ficaram impedidas de receber
recursos federais para limpeza urbana. Porém, o que se observa é que mesmo
passados mais de 9 anos da aprovação da Lei, a gestão de resíduos sólidos
ainda constitui um cenário frágil e deficitário, e, com a permanência do contexto
de pandemia devido à Covid-19, acredita-se que esse prazo mais uma vez não
deverá ser cumprido. Isso sem contar na enorme quantidade de resíduos
sólidos gerados durante esse período pandêmico.
Neste panorama, estudos indicam que a destinação final compreende o
ponto mais deficiente no sistema de gestão de resíduos brasileiros. Dados da
Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
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(ABRELPE) em 2017 revelam que o Brasil produz 1,035 kg de resíduos sólidos


urbanos por habitante/dia, assemelhando-se a países desenvolvidos que são
considerados como os maiores produtores de lixo atualmente (ABRELPE,
2017). Contudo, a diferença entre nosso país e esses outros, está no padrão de
descarte, pois no Brasil, apesar de existir relativa preocupação, as políticas
públicas criadas para o armazenamento de tanto lixo produzido ainda não são
efetivas, o que resulta em gigantescos lixões a céu aberto e um número ínfimo
de reciclagem.
O documento da ABRELPE de 2017 demonstra ainda que, apesar da
maioria desses resíduos coletados serem destinados a aterros sanitários
(59,1%), ainda é grande a quantidade de lixo destinada a lixões a céu aberto e
aterros controlados, sendo que isso é preocupante uma vez que essas formas
de destino não possuem o conjunto de sistemas e medidas necessários para a
proteção do meio ambiente contra danos e degradações, causando então danos
sanitários, ambientais, sociais e econômicos (ABRELPE, 2017).
Portanto, é urgente que essas leis sejam mais rígidas e que novas
políticas públicas surjam para tentar resolver de forma mais efetiva essa
problemática ambiental.

Resíduos Sólidos e o Modo de Produção Capitalista


O capitalismo surgiu a partir da decomposição do feudalismo e o
consequente desenvolvimento de novas formas de organização econômica e
social, caracterizadas pela violenta dissociação entre o produtor e seus meios
de produção (PRONI, 1997).
O período pós Segunda Guerra Mundial foi denominado de era de ouro
do capitalismo por Hobsbawn (1994), pois houve um acelerado processo de
expansão da economia, com o pleno desenvolvimento tecnológico, levando ao
aumento da produção e do consumo. Esse consumo por sua vez não estava
associado apenas aos mais ricos, mas sim a toda sociedade, pois se mostrou
impressionante o quanto as pessoas vincularam ao consumo a felicidade e bem
estar de suas vidas, atribuindo aos objetos e mercadorias maior valor do que
realmente possuem (CHRYSOSTOMO; FIORI JUNIOR; FELICIO, 2017). Toda
essa realidade foi apoiada com força total pelo marketing e pela mídia, por meio
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de suas campanhas publicitárias, estrategicamente elaboradas e que


contribuem significativamente para o consumo, para o atendimento de um
desejo instalado artificialmente, e não por uma necessidade real (SENKO;
BOVO, 2013).
Todo esse desenvolvimento do sistema capitalista se deu às custas da
destruição dos recursos naturais. Não há nesse sistema uma preocupação
com os impactos causados ao meio ambiente, mas apenas com a produção, ou
seja, o capital utiliza tecnologias para que o aumento dessa produção seja cada
vez maior, e mais atrativo (CHRYSOSTOMO; FIORI JUNIOR; FELICIO, 2017).
Nesse contexto, Sampaio et al. (2014), baseando-se nas ideias de Foucault,
comentam que dentro da natureza do sistema capitalista, as estratégias e os
projetos elaborados para a correta gestão dos resíduos sólidos urbanos (RSU)
têm como finalidade os benefícios políticos e o retorno financeiro, e não a
preocupação com as questões ambientais.
De acordo com alguns pesquisadores, não há a possibilidade de uma
sociedade sustentável sem a implantação de outro sistema diferente do atual.
Em uma visão utópica, Zaneti, Sá e Almeida (2009) explicam que:
seria necessário reverter a lógica do capital, impedindo que o interesse
privado prevalecesse em detrimento do coletivo, no sistema público de
gestão. [...] No verdadeiro sentido da sustentabilidade, seria também
necessário que o Estado, além de fazer a gestão integrada do resultado,
ou seja, do lixo resíduo mercadoria, desde a sua produção até a
disposição final e a sua reintrodução na cadeia produtiva, conduzisse a
gestão pública no sentido de alterar os padrões de produção e consumo,
atuando sobre a dimensão cultural e educacional da sustentabilidade, a
qual é determinante dos comportamentos socioeconômicos dos atores
em relação aos resíduos (ZANETI; SÁ; ALMEIDA, 2009, p. 188).

Nesse sentido, vê-se que não é tarefa fácil a resolução, ou ao menos a


diminuição da problemática dos resíduos sólidos, entretanto ela é possível se
houver um trabalho conjunto entre todos os setores da sociedade, com políticas
públicas efetivas, bem como com o desenvolvimento de trabalhos eficazes,
eficientes e efetivos nas escolas, pois sabe-se do poder que essas instituições
têm para a obtenção de mudanças de comportamentos e atitudes por parte de
sua comunidade. É preciso que a sociedade entenda que o correto
gerenciamento desses resíduos resultará em benefícios para todos.

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A Temática Ambiental no Contexto do Ensino Médio Integrado

O ensino médio é uma etapa da educação básica de muita importância


para a formação dos sujeitos, mas também de muitas dúvidas, uma vez que se
tem de forma explícita a relação entre o conhecimento e o trabalho, ou seja,
onde os jovens tanto estão projetando suas vidas como componentes da
população economicamente ativa, o que inclui as escolhas profissionais,
quanto os adultos veem nessa etapa de ensino a possibilidade de se
qualificarem como trabalhadores (RAMOS, 2011).
O nível médio de ensino vem passando por transformações em sua
organização institucional e curricular e o Ministério da Educação brasileiro
afirma a necessidade de aumentar o número de vagas bem como melhorar a
qualidade do ensino. Já os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
Médio (PCNEM) apontam para uma das maiores preocupações nesse nível de
ensino: a desvinculação entre os conteúdos das várias disciplinas que compõem
o currículo escolar e a realidade social existente. Na maioria das vezes, os
conteúdos escolares são considerados, por professores e alunos, sem utilidade
nenhuma ou servindo somente para aprovação nos vestibulares. Assim, não
contribuem de forma geral para a formação pessoal ou profissional do indivíduo
(ABREU, 2002).
As novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
(DCNEM) confirmam uma maior atenção dada à temática ambiental,
principalmente no inciso VI do Artigo 5°, e também no Artigo 27, incisos I e XVII,
que seguem transcritos na íntegra:
Art. 5° O ensino médio em todas as suas modalidades de ensino e as
suas formas de organização e oferta, será orientado pelos seguintes
princípios específicos: [...] VI sustentabilidade ambiental; (BRASIL,
2018, p.2). [...] Art. 27. A proposta pedagógica das unidades escolares
que ofertam o ensino médio deve considerar: I atividades
integradoras artístico-culturais, tecnológicas e de iniciação científica,
vinculadas ao trabalho, ao meio ambiente e à prática social. [...] XVII
estudo e desenvolvimento de atividades socioambientais, conduzindo
a Educação Ambiental como uma prática educativa integrada, contínua
e permanente (BRASIL, 2018, p.14).

Conforme se vê, a educação é um dos instrumentos básicos e


indispensáveis para a sustentabilidade dos processos de gestão ambiental.
Sendo assim, os problemas ambientais, dentre os quais o dos resíduos sólidos,
devem ser trabalhado nas escolas, não somente em disciplinas consideradas
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afins como Biologia e Geografia, mas de uma forma integrada e por meio de
pesquisas, contribuindo com a formação de cidadãos críticos e responsáveis
com o ambiente para a construção e materialização de uma educação social
voltada à sensibilização ambiental da comunidade escolar, com ações práticas,
possíveis de serem realizadas pelos educandos no ambiente em que vivem
(SENKO; BOVO, 2013).
De acordo com Moura (2013), o ensino médio deve garantir uma base
unitária para todos, fundamentado na concepção de formação humana integral,
tendo o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura como eixos estruturantes.
Na visão desse autor, a busca dessa formação omnilateral, integral ou
politécnica1 para todos, de forma pública e igualitária e sob a responsabilidade
do estado é um caminho difícil diante da sociedade capitalista que temos,
porém, uma das possibilidades para essa travessia é o ensino médio integrado
(EMI), o qual surgiu a partir da demanda da classe trabalhadora por uma
educação que não separa o trabalho intelectual do trabalho manual.
Ciavatta (2014) também compartilha dessas ideias e afirma que o ensino

uma relação entre partes e totalidade na produção do conhecimento, em todas


as disciplinas e atividades escolar
explicar que o currículo integrado elaborado sobre essas bases do trabalho
como princípio educativo, da ciência e da cultura, não hierarquiza os
conhecimentos nem os respectivos campos das ciências, mas os problematiza
em suas historicidades, relações e contradições. A autora aponta ainda que:
As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM)
apresentam indicações sobre a relevância desse tipo de conhecimento
na formação escolar e destaca, ainda, a preocupação que o currículo
deve ter com a sua historicidade, reconhecendo a relação entre
trabalho, ciência e cultura como o eixo integrador dos conhecimentos,
por meio do qual essa dimensão pode ser abrangida. Afirmam que a
integração entre as dimensões do trabalho, ciência, tecnologia e
cultura, na perspectiva do trabalho como princípio educativo, tem por
fim propiciar a compreensão dos fundamentos científicos e
tecnológicos dos processos sociais e produtivos, devendo orientar a
definição de toda proposição curricular, constituindo-se no fundamento
da seleção dos conhecimentos, disciplinas, metodologias, estratégias,
tempos, espaços, arranjos curriculares alternativos e formas de
avaliação (RAMOS, 2011, p.780).

1
se encaminha na
direção da superação da dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual, entre instrução

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Sabe-se que desenvolver esse currículo integrado na prática não é tarefa


fácil e é necessário um trabalho conjunto de todos os sujeitos envolvidos com a
educação. Entretanto, muitos professores que trabalham com o Ensino Médio
Integrado (EMI), por exemplo, não tiveram uma formação específica para
trabalhar dessa forma. O estudo de Morais e Henrique (2017) sobre a formação
inicial de professores de Biologia para trabalhar no Ensino Médio Integrado
(EMI), cita que a Biologia, no decorrer do processo histórico, esteve associada à
memorização de conceitos científicos e, por vezes, fechada em seu próprio
campo de conhecimento, sem estabelecer relações mais concretas com as
outras áreas de conhecimento, fato que dificulta a materialização do currículo
integrado, tendo em vista que a base desse currículo é a interdisciplinaridade.
Machado (2010) explica que o convite à construção de currículos integrados é
também uma convocação à interdisciplinaridade, e ainda complementa:
[...] A interligação das disciplinas pode ser explorada por diversos
recursos, tais como: desenho da grade curricular contemplando
aproximações temporais, fusões de conteúdos, realização de estudos
e pesquisas compartilhadas, promoção conjunta de seminários e
eventos, implementação de métodos de ensino por projetos e dos
temas geradores, dentre outros (MACHADO, 2010, p. 93).

Ainda segundo o estudo de Morais e Henrique (2017), os professores, de


maneira geral, não tiveram uma formação apropriada para trabalhar no ensino
médio integrado e, por isso, acabam trabalhando fechados nos conhecimentos
de suas próprias áreas. Como o EMI exige um fazer docente específico, é
urgente pensar em uma formação inicial para esses docentes, não somente os
da área de Biologia, mas das demais disciplinas. A Biologia é um componente
obrigatório do currículo do ensino médio e uma das bases da relação do homem
com a natureza, por isso é colocada sobre ela grande responsabilidade nessa
discussão e defesa das questões ambientais e consequentemente de seus
problemas, dentre os quais estão o dos resíduos sólidos.
Percebe-se que os currículos integrados não estão conseguindo atender
ao seu real propósito, e consequentemente, temáticas importantes como as
ambientais, ainda estão sendo abordadas de forma superficial no ensino, não
contribuindo para a formação de cidadãos críticos, conscientes e que possam
realmente intervir significativamente na sociedade.

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Resíduos Sólidos no contexto da Educação Profissional e Tecnológica


(EPT)
A educação profissional começou a ser ofertada no Brasil em 1909,
quando a União criou as Escolas de Aprendizes e Artífices. Inicialmente, a sua
oferta era de ensino profissional primário e gratuito, voltada especificamente
para a parcela mais desfavorecida da sociedade, com o objetivo de afastá-los
da ociosidade, do vício e do crime (AFONSO; GONZALEZ, 2018). Em outras
palavras, a educação profissional iniciou com a finalidade de ministrar o ensino
de ofícios referentes às especialidades industriais de cada Estado,
profissão,
um ofício, e formar então os futuros operários necessários às indústrias em
formação (KUENZE, 2009).
Esse contexto marca então uma clara divisão social do trabalho, uma vez
que a educação geral e propedêutica era destinada à formação de
trabalhadores intelectuais, tornando-se privilégio das elites, enquanto a
educação profissionalizante era destinada à formação de trabalhadores manuais
de classes sociais menos favorecidas, aos quais era negado o acesso a essa
escola das ciências, das letras e das artes (MOURA, 2007; RAMOS, 2014).
Essa educação profissional, manual e prática, oposta a uma rede de
escolas voltada para a educação propedêutica, intelectual, destinada aos mais
ricos é criticada por diversos pesquisadores no campo da educação, como
Kuenzer (2007), Ciavatta (2013), Brandão (2013) que identificam a dualidade
educacional brasileira em diferentes níveis de ensino, e se contrapõem às
propostas de criação de sistemas de ensino diferenciados para a classe
dirigente e a classe trabalhadora.
A partir de 1942, por meio do Decreto nº 4.127, as Escolas de Aprendizes
e Artífices foram transformadas em Escolas Industriais e Técnicas, passando a
oferecer a formação profissional em nível equivalente ao secundário (como era
chamado o ensino médio naquela época). Em 1959 as Escolas Industriais
Técnicas foram transformadas em Escolas Técnicas Federais (ETFs) que
posteriormente, com a lei nº 8.948/94, são transformadas em Centros Federais
de Educação, Ciência e Tecnologia (CEFETs), levando-se em conta critérios
como instalações físicas, os laboratórios e equipamentos adequados, as
condições técnico-pedagógicas e administrativas, e os recursos humanos e
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financeiros necessários ao funcionamento de cada centro (BRASIL, 1997).


No então governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) existiram
profundas mudanças no campo da EPT, efetuadas sem grandes discussões
com a sociedade, como por exemplo, a educação profissional técnica foi
separada do ensino médio, devendo ser desenvolvida de forma concomitante ou
sequencial a ele, com certificações independentes. Em outras palavras, ficava
então proibida a oferta de cursos técnicos integrados ao ensino médio,
demonstrando um grande alinhamento do governo com o mercado de trabalho,
para a oferta de uma formação técnica rápida e sem grande aprofundamento,
acabando com os anseios de uma formação profissional mais ampla, omnilateral
ou politécnica, tal como defendida por educadores brasileiros apoiados em
propostas de Gramsci e Marx, dentre outros (AFONSO; GONZALEZ, 2018).
Posteriormente, já no governo do presidente Lula, aconteceu o
reestabelecimento da possibilidade de oferta de cursos técnicos integrados ao
ensino médio, em um modelo de formação mais ampla e integral. A ampliação
da rede federal de escolas voltadas para a educação profissional se deu pela
instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs),
através da Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2008), a qual
proporcionou aos IFs autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didático-
pedagógica, o que resultou em aumento do número de vagas para a EPT,
ofertando uma educação pública de qualidade desde o ensino básico até a pós-
graduação.
As temáticas ambientais, por se tratarem de temas transversais, devem
estar presentes em todos os níveis e modalidades de ensino, portanto, também
na modalidade de educação profissional e tecnológica. Pesquisas realizadas
sobre a temática dos resíduos sólidos no contexto da Educação Profissional e
Tecnológica são desenvolvidas dentro dos Institutos Federais de Educação,
Ciência e Tecnologia (IFs) brasileiros e estão relacionadas, em sua maioria, a
elaboração de planos de gerenciamento de resíduos sólidos, e não a uma
abordagem dessa temática dentro da perspectiva do ensino.
Alguns dos trabalhos levam em consideração o Decreto Presidencial nº
5.940 de 25 de outubro de 2006 que institui: separação dos resíduos
recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da Administração Pública
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Federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e


(BRASIL, 2006, p.1).
Entretanto, essa destinação final ambientalmente correta do resíduo reciclável é
apontada como um dos principais entraves para a realização da coleta seletiva,
uma vez que algumas cidades onde os campi estão instalados não possuem
cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
O estudo de Lopes e Penna (2013), por exemplo, teve como objetivo
geral realizar um diagnóstico das fases iniciais do gerenciamento dos resíduos
sólidos gerados no Instituto Federal de Minas Gerais, campus Governador
Valadares (IFMG-GV), onde foi sugerido que se elaborasse e implantasse no
Instituto o Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS), o
qual contemplaria todas as etapas, ou seja, a não geração até a disposição final
ambientalmente adequada dos resíduos gerados no campus, enfatizando-se
que o sucesso de todas essas práticas dependeria do envolvimento da
administração, dos funcionários terceirizados, professores e estudantes, pois o
gerenciamento adequado de resíduos sólidos depende da participação de todos
em busca da sustentabilidade.
Estudo similar ao anterior foi o de Anjos (2016) que também teve como
objetivo geral elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
(PGRS) em uma Instituição de Educação, Ciência e Tecnologia, localizada no
Estado de Goiás, visando atendimento da legislação ambiental e normas
pertinentes, bem como a capacitação educacional e operacional de funcionários
e estudantes no correto manejo dos resíduos sólidos gerados. A autora cita sua
intenção de que esta metodologia possa servir de modelo para outras unidades
da Instituição e também para outros Institutos da Rede, uma vez que modelos e
trabalhos nessa área ainda são bastante restritos.
Como exemplo de uma pesquisa voltada ao ensino, pode-se explicitar o
trabalho realizado por Pereira e Lima (2015) intitulado
Ensino Médio e Profissionalizante: A Experiência do Instituto Federal do Amapá

Instituto Federal do Amapá, campus Jari, referindo-se ao tratamento adequado


de resíduo eletrônico e enfatizou a necessidade de incorporar nas disciplinas
profissionalizantes conteúdos que discutam a sustentabilidade de determinados
hábitos de vida, como a questão do consumo de eletrônicos. Segundo os
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autores, é preciso ampliar esses conhecimentos nessas instituições de


ensino e levar essa proposta de EA desafiadora para que assim haja a
possibilidade de transformações da forma como alunos, professores, técnicos
administrativos, gestores e demais membros da comunidade escolar tratam a
questão ambiental, especificamente a problemática dos resíduos sólidos.
Já o estudo de Castaman e De Bortoli (2020) demonstra a temática dos
resíduos sólidos, mais especificamente dos resíduos eletrônicos, sendo
trabalhada no ensino por meio da educação ambiental. Esse estudo foi realizado
no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul
(IFRS) - Campus Sertão, no curso Técnico em Manutenção e Suporte em
Informática, modalidade concomitância externa, onde se tem a Educação
Ambiental como unidade curricular e esta foi trabalhada no ensino por meio da
experiência de confecção, execução e aplicação de jogos educativos de
descarte de lixo eletrônico, demostrando-se uma experiência positiva para o
processo de ensino e aprendizagem, possibilitando unir teoria e prática, de
forma lúdica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A geração exacerbada de resíduos sólidos tem ampla relação com o


modelo capitalista econômico e por isso é preciso que a temática dos resíduos
sólidos não seja associada apenas ao momento da geração, mas nos caminhos
da produção, no problema do consumo, na questão do descarte correto, da
reutilização, da reciclagem, enfim, a todos os momentos que estão envolvidos
no sistema. Sabe-se que não há uma fórmula pronta para resolver essa
problemática, mas é certo que as instituições de ensino têm papel primordial
nesse processo e necessitam promover a educação ambiental em seus
espaços.
De acordo com a investigação realizada durante este trabalho, verificou-
se que a temática dos resíduos sólidos é contemplada dentro da Educação
Profissional e Tecnológica, mas ainda
elaboração de planos de gerenciamento de resíduos dentro dos Institutos
Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e não numa abordagem curricular
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mais efetiva. Entende-se que é muito importante o desenvolvimento de planos


de gestão de resíduos, porém também é preciso que a temática não só esteja
presente de forma teórica dentro do currículo, mas seja de fato desenvolvida a
contento nas instituições de ensino, conforme é solicitado pelos documentos
oficiais como os PCNs e a Lei da Política Nacional de Educação Ambiental
(PNEA).
O ensino dessa temática deve ser prioridade, pois o modo de produção
capitalista vigente, associado a essa cultura do consumismo, resultam cada vez
mais no aceleramento da quantidade de resíduos sólidos gerados. Portanto, é
necessária a criação de estratégias para que essa abordagem aconteça de
forma efetiva, eficaz e eficiente no ensino, com a quebra de paradigmas
tradicionais, com a formação de professores para que trabalhem as temáticas
ambientais de forma transdisciplinar, resultando assim na formação de cidadãos
críticos, responsáveis e comprometidos com as questões socioambientais.

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