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Ação de Indenização por Acidente de Trânsito

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Poder Judiciário

JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Santa Catarina
4ª Vara Federal de Criciúma
Avenida Centenário, 1570, 2o Andar - Bairro: Santa Bárbara - CEP: 88804-001 - Fone: (48) 3431-4270 - [Link] - Email:
sccri04@[Link]

PROCEDIMENTO COMUM Nº 5003345-50.2023.4.04.7204/SC


AUTOR: B. NUNES LOGISTICA LTDA
RÉU: DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT
RÉU: CONCEBRA - CONCESSIONARIA DAS RODOVIAS CENTRAIS DO BRASIL S.A.

SENTENÇA

1) RELATÓRIO

Trata-se de ação ajuizada por B. NUNES LOGISTICA LTDA em face de DEPARTAMENTO


NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES - DNIT e CONCEBRA - CONCESSIONARIA
DAS RODOVIAS CENTRAIS DO BRASIL S.A. visando a condenação solidária de ambos em danos materiais
no importe de R$ 45.708,34, referente a dano emergente e R$ 198.985,65, referente a lucros cessantes, em
decorrência de acidente de trânsito ocorrido no dia 31/12/2022, por volta das 05h05min, no KM 46,2, da BR-153,
em Canápolis/MG, envolvendo o veículo Scania placa RKY9F50, em tese, ocasionado por buraco na pista (evento
1, DOC1).

Devidamente citado, o DNIT apresentou contestação no evento 10, DOC1 sustentando: a)


preliminarmente, a sua ilegitimidade passiva; b) ausência de responsabilidade; c) responsabilidade subjetiva por
omissão; d) inexistência de nexo de causalidade pela não comprovação da falha de conservação da rodovia; e)
culpa da vítima; f) subsidiariamente, abatimento do valor ressarcido por seguradora, não comprovação de lucros
cessantes e compensação com o seguro obrigatório.

A CONCEBRA, por sua vez, apresentou contestação no evento 23, DOC2 deduzindo: a)
responsabilidade subjetiva por atos omissivos; b) inexistência de nexo de causalidade pela não comprovação da
falha de conservação da rodovia; c) culpa exclusiva da vítima; d) ausência de prova da extensão do dano emergente
e do lucro cessante.

Houve apresentação de réplica pela parte autora no evento 27, DOC1, rebatendo as teses.

As partes foram intimadas sobre eventual necessidade de produção de outras provas (evento 29,
DOC1).

O DNIT requereu diligências (evento 34, DOC1), assim como a CONCEBRA (evento 35, DOC1).

A parte autora pugnou pela realização de audiência para produção de prova testemunhal (evento 37,
DOC1).

Foi deferida a produção de prova testemunhal no evento 39, DOC1.

Em 13/08/2024 foi realizada audiência de instrução (evento 54, DOC1). Na oportunidade foram
ouvidas as testemunhas da parte autora: a) Celmo Rosa; b) Nelson Muniz Campos e da parte ré: a) Valmir Nunes;
b) Julio Cesar Pereira Silva. Ao final, a CONCEBRA insistiu na oitiva do motorista do caminhão Luan Gomes
Cemin e o DNIT requereu fosse oficiado a empresa Arroz Realengo LTDA, para que informasse acerca da
existência de acordos não celebrados com o autor em razão da indisponibilidade do veículo envolvido no acidente
discutido nos autos. Os requerimentos foram deferidos.

Juntou-se resposta da empresa Realengo Alimentos Ltda no evento 68, DOC1.

Em 26/11/2024 realizou audiência em continuação, oportunidade na qual foi ouvida a testemunha


Luan Gomes Cemin (evento 94, DOC1).

O juízo deferiu parcialmente as diligências do DNIT de ev. 34, no evento 96, DOC1.

No evento 100, DOC1 a parte autora juntou documentos e se manifestou quanto a sua apólice de
seguro.

A CONCEBRA se manifestou no evento 105, DOC1 e o DNIT no evento 108, DOC1.

Vieram os autos conclusos para sentença.


2) FUNDAMENTAÇÃO

2.1) PRELIMINARES

2.1.1) DA LEGITIMIDADE DO DNIT

O DNIT aduz, como preliminar, sua ilegitimidade, pois a rodovia BR-153, KM 46, teria sido
concedida à iniciativa privada. Com efeito, nos termos do §1º do art. 82 da Lei n. 10.233/01 não teria legitimidade.

Todavia, a jurisprudência do STJ e do TRF4 entendem que o fato da rodovia estar sob concessão não
afasta a responsabilidade do DNIT devido a seu dever permanente de fiscalização do serviço público, nos termos
do art. 82, IV, da Lei n. 10.233/01.

Colhe-se:

[...] 3. A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de que, no caso de ação indenizatória por danos
decorrentes de acidente de trânsito ocorrido em rodovia federal, tanto a União quanto o DNIT possuem
legitimidade para figurar no polo passivo da demanda. [...] (AREsp n. 1.706.772/SC, relator Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22/9/2020, DJe de 5/10/2020.)

DIREITO ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO CÍVEL. ACIDENTE EM RODOVIA FEDERAL. PRELIMINARES.


LEGITIMIDADE DO DNIT. DENUNCIAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA. DESNECESSIDADE. MÉRITO. ÓLEO
NA PISTA. DANOS MATERIAIS INDEVIDOS. NEGLIGÊNCIA DO DNIT NÃO COMPROVADA. SENTENÇA
REFORMADA. 1. O DNIT é parte legítima para figurar no polo passivo de ação de indenização por acidente de
trânsito ocorrido em via federal, ainda que objeto de concessão, em razão do dever de fiscalização permanente
do serviço público previsto na Lei nº 10.233/2001. [...] (TRF4, AC 5006003-59.2023.4.04.7006, 12ª Turma,
Relator para Acórdão MARCUS HOLZ, julgado em 01/10/2025)

[...]2. Legitimidade ad causam do DNIT para integrar a lide que trata de responsabilidade civil em caso de
acidente de trânsito ocorrido em rodovia federal, independentemente de o trecho estar sob concessão/delegação
(CTB, art. 1º, § 3º; CF, art. 37, § 6º; Lei nº 10.233/2001, art. 82, incisos I, II, IV e V). [...] (TRF4, AC 5012160-
68.2020.4.04.7001, 12ª Turma, Relatora para Acórdão GISELE LEMKE, julgado em 27/08/2025)

Assim sendo, rejeito a preliminar.

2.2) MÉRITO

2.2.1) Da Responsabilidade Civil do Estado

Constituição Federal de 1988, reafirmando a teoria do risco administrativo e estabelecendo


a responsabilidade civil objetiva do Estado pelos atos dos seus agentes e das prestadoras de serviço público, assim
dispôs:

art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

No caso concreto, a parte autora imputa à concessionária e ao DNIT um ato omissivo, falha na
conservação da rodovia, em razão da existência de buraco que seria a causa do acidente. Em que pese o tema já ter
apresentado muita divergência, hodiernamente consolidou-se, na jurisprudência, que a responsabilidade é objetiva,
ou seja, independe da demonstração do elemento subjetivo dolo ou culpa.

Apesar da questão de fundo enfrentada no precedente ser distinta, a razão da decisão da tese fixada no
tema 592/STF é a mesma:

Em caso de inobservância do seu dever específico de proteção previsto no art. 5º, inciso XLIX, da Constituição
Federal, o Estado é responsável pela morte de detento.

Poder-se-ia, ainda, citar os temas 518 e 1.122 do STJ:

A despeito de situações fáticas variadas no tocante ao descumprimento do dever de segurança e vigilância


contínua das vias férreas, a responsabilização da concessionária é uma constante, passível de ser elidida tão
somente quando cabalmente comprovada a culpa exclusiva da vítima. No caso de atropelamento de pedestre em
via férrea, configura-se a concorrência de causas, impondo a redução da indenização por dano moral pela
metade, quando: (i) a concessionária do transporte ferroviário descumpre o dever de cercar e fiscalizar os limites
da linha férrea, mormente em locais urbanos e populosos, adotando conduta negligente no tocante às necessárias
práticas de cuidado e vigilância tendentes a evitar a ocorrência de sinistros; e (ii) a vítima adota conduta
imprudente, atravessando a via férrea em local inapropriado.

As concessionárias de rodovias respondem, independentemente da existência de culpa, pelos danos oriundos de


acidentes causados pela presença de animais domésticos nas pistas de rolamento, aplicando-se as regras do
Código de Defesa do Consumidor e da Lei das Concessões.

A fim de não deixar dúvidas:

[...]I – A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que as pessoas jurídicas de direito
público e as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público respondem objetivamente pelos
danos que causarem a terceiros, com fundamento no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, tanto por atos
comissivos quanto por atos omissivos. [...] (ARE 1207942 AgR, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI,
Segunda Turma, julgado em 30-08-2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-193 DIVULG 04-09-2019 PUBLIC
05-09-2019)

Com efeito, para que reste configurada a responsabilidade civil do estado é necessário apenas a
demonstração da conduta, do dano e do nexo de causalidade. Por outro lado, como regra e no caso concreto
(acidente ocasionado por falha de conservação de rodovia) adota-se a teoria do risco administrativo, em
contraposição a teoria do risco integral. Isso significa dizer que se admite as excludentes de culpa exclusiva da
vítima/terceiro, do caso fortuito ou força maior.

Colhe-se do TRF4:

"[...]3. A responsabilidade civil do DNIT é objetiva, conforme o art. 37, § 6º, da CF/1988, aplicando-se a teoria
do risco administrativo para atos comissivos e omissivos. Para a sua configuração, basta a comprovação da
ação/omissão, do nexo causal e da lesão, sendo afastada apenas por culpa exclusiva da vítima ou de terceiro,
ou caso fortuito/força maior.[...]. (TRF4, AC 5005550-57.2020.4.04.7204, 11ª Turma, Relatora para Acórdão
ANA CRISTINA FERRO BLASI, julgado em 24/09/2025)

Também é digno de nota que, na hipótese, não há inversão do ônus da prova, o que sequer foi
pugnado pela parte autora em sede de petição inicial ou réplica.

Partindo de tais premissa passa-se a análise do caso concreto.

Segundo a parte autora o acidente em que envolvido veículo de sua propriedade ocorreu em razão de
buraco existente na rodovia BR-153, no KM 46,2.

O principal elemento de prova é o laudo pericial de acidente de trânsito produzido pelo DNIT,
constante do evento 1, DOC7. Segundo tal documento o acidente teria ocorrido da seguinte forma:

No dia 31/12/2022, por volta das 05h05 hs, no km 46,2 da BR-153, em Canápolis-MG, ocorreu um acidente, do
tipo Colisão com Objeto, seguido de Capotamento, com 01 vítima com lesões leves. Os veículos envolvidos
tratam-se de: (V1) SCANIA /R540 A6X4, acoplado aos semirreboques SR/RANDON SR CA. Com base na análise
dos vestígios materiais identificados, constatou-se a seguinte sequência de episódios: No momento 1, o V1
trafegava na faixa de trânsito do sentido Monte Alegre de Minas-MG/Canápolis-MG. No momento 2, V1 invadiu
o acostamento da faixa de trânsito do sentido Monte Alegre de Minas/Canápolis. No momento 3, V1 colidiu em
sua parte frontal direita, em um talude (barranco), que há no local. No momento 4, V1 após colidir no talude,
veio a tombar 29,0 metros após a colisão, havendo o desprendimento de terra sobre o acostamento, ao longo de
toda essa extensão. No momento 5, V1 permaneceu repousado em sua porção direita, parte sobre a área de
domínio, parte sobre o acostamento e faixa direita da pista de rolamento. A dinâmica do acidente encontra-se
representada no croqui. Conforme constatações em levantamento de local de acidente, concluiu-se que o fator
principal do acidente foi perda do controle da direção, por parte de [Link].: - Velocidade máxima da via 80
Km/h. Sinalização vertical e horizontal presentes. - Condutor do veículo, classificados com lesões leves, pela
equipe médica da concessionária da via. - Não foi possível realizar o teste do etilômetro, em virtude da gravidade
das lesões e encaminhamento da vítima a unidade hospitalar de Itumbira/GO.

As condições da pista eram as seguintes:

E as fotografias:
Destaca-se que o condutor foi hospitalizado, de modo que não foi realizado o teste do etilômetro.
Consta, ainda, que o cronotacógrafo estava inacessível.

Com relação a prova testemunhal, temos o seguinte:

A testemunha Celmo Rosa, responsável pela segurança da carga após tombamento, relatou que havia
um burraco grande na pista e que visualizou a concessionária realizando o tampamento do buraco após o acidente.
Disse que realizou fotografia e filmagem do buraco.

A testemunha Nelson Muniz Campos, responsável pela segurança da carga após tombamento, teceu
considerações semelhantes a de Celmo Rosa.

A testemunha Valmir Nunes, preposto do autor, prestou depoimento, contudo tudo o que sabia sobre
os fatos em si foi o repassado pelo condutor e pelos documentos que já constam dos autos.

A testemunha Julio Cesar Preira Silva, testemunha da ré CONCEBRA, declarou ser o supervisor de
conservação da via. Disse que são realizadas inspeções em todos os trechos da rodovia a cada 90 minutos e que
verificado um buraco o procedimento é de tapar o mesmo com uma "massa fria", de forma paliativa. Quanto aos
fatos em si não mostrou ter conhecimento.

A testemunha Luan Gomes Cemin, condutor do veículo, teceu considerações a respeito do acidente.
Disse que as condições de visibilidade da pista eram boas, que não havia neblina, que era de dia, que conseguiu
enxergar o buraco. Disse que o buraco era grande e que ia de uma faixa para a outra.

Independentemente da responsabilidade ser objetiva, compete a parte autora comprovar a conduta, o


dano e o nexo causal, nos termos do art. 373, I, do CPC.

No caso concreto, a conduta omissiva restou comprovada. Da simples análise do laudo pericial de
acidente de trânsito lavrado pela PRF é possível verificar que haviam buracos na pista, logo possivelmente houve
uma conduta omissiva da concessionária e do DNIT na conservação da via.

Quanto ao nexo de causalidade entendo pela inexistência de provas seguras de que o acidente
tenha sido causado pelo buraco na pista.

Segundo o laudo pericial de acidente de trânsito lavrado pela PRF a pista é dupla, com acostamento e
canteiro central. Se tratava de trecho reto, em aclive, seco e durante o amanhecer.

Não é só, em conclusão quanto as causas do acidente consta que:


"Conforme constatações em levantamento de local de acidente, concluiu-se que o fator principal do acidente foi
perda do controle da direção, por parte de [Link].: - Velocidade máxima da via 80 Km/h. Sinalização vertical e
horizontal presentes."

Em síntese, a PRF concluiu que o fator principal do acidente foi a perda do controle da direção e não
o impacto com buraco na pista. Me parece evidente que, caso o acidente tivesse sido ocasionado por buraco na
pista, tal informação constaria de forma expressa no documento.

Mas não é só, segundo o art. 375 do CPC:

"Art. 375. O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que
ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame
pericial."

Nesse sentido, não me parece crível a versão apresentada pela parte autora. A pista possuia velocidade
máxima de 80km/h, era dupla, reta, durante o amanhecer, seca, com acostamento e canteiro central, além disso
devidamente sinalizada. Tais condições já indicam que se trata de rodovia com padrões muito acima do usualmente
conhecido no Brasil. Em seu depoimento Luan, o condutor, relatou que as condições de visibilidade eram boas, que
não havia neblina e que o dia já estava claro.

Ademais, pelas fotografias é possível constatar a existência de buracos pequenos e rasos e apenas em
um pequeno trecho. Extrai-se:

o
Nota-se pela tofografias que o condutor do caminhão estava em uma reta e o local do acidente foi
aproximadamente no meio do trecho. Não me parece minimamente crível que não fosse possível se antecipar aos
supostos buracos ou mesmo simplesmente desviá-los pela pista dupla. O condutor relatou que o buraco ia de um
lado ao outro da pista, que era grande, contudo das fotografias não é o que se extrai.

A concessionária demonstrou que efetivamente realizou inspeção no local do acidente


aproximadamente 2 horas antes do mesmo ocorrer:

Logo, tenho que versão apresentada pela parte autora não encontra amparo na prova produzida nos
autos. A conclusão adotada seria outra caso houvessem circunstâncias agravantes, como pista simples, trecho em
curva, ausência de sinalização horizontal, pista em obras, chuva etc.

Pelas regras de experiência comum é muito mais provável que o acidente tenha ocorrido por excesso
de velocidade ou até mesmo sonolência.

Ressalto que o tacografo do veículo não foi colhido pela PRF e que não foi realizado teste de
etilômetro no condutor, contudo a parte autora detinha condições de apresentar o resultado do tacógrafo após
conserto do veículo e até mesmo de apresentar prontuário médico do condutor, a fim de afastar qualquer
dúvida. Não é só, não arrolou como testemunha os policiais rodoviários que atenderam a ocorrência e que
poderiam ter melhor esclarecido o acidente. Não juntou fotografia ou gravação do suposto buraco, sendo que a
testemunha Celmo Rosa declarou que o teria feito.

Diante de tal cenário, não é possível responsabilizar os corréus pelo acidente, em razão da ausência
de elementos probatórios, que permitam concluir pela existência de nexo de causalidade.

3) DISPOSITIVO

Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO, extinguindo o processo com resolução de


mérito, na forma do art. 487, I, do CPC.

Condeno o autor ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios que fixo em 10%
(dez por cento) do valor do proveito ecônomico pretendido, devidamente atualizado, considerando os critérios do §
2º do art. 85 do CPC. Os honorários devem ser repartidos entre os corréus.
Da análise do LPAT realizado pela PRF tenho que há indícios de negligência na lavratura do mesmo.
Consta que o tacógrafo estava inacessível, contudo segundo o próprio documento não foi danificada a cabine do
caminhão, o que pode ser constatado das próprias fotografias. Não é só, consta que não foi realizado o teste do
etilômetro em razão da gravidade das lesões e encaminhamento da vítima a unidade hospital, contudo do próprio
laudo consta que as lesões foram leves, logo me parece que seria possível a realização do exame, bastando que o
deslocamento dos policiais até o hospital.

Com efeito, determino seja oficiado à Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal em MG, com cópia
do documento de ev. 1.7 e da presente decisão, para as providências que entender cabíveis.

Sentença publicada e registrada eletronicamente. Intimem-se.

Havendo interposição de recurso e observadas as formalidades dos §§1º e 2º do art. 1.010, do CPC,
remetam-se os autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (art. 1.010, § 3º, do CPC).

Oportunamente, dê-se baixa.

Documento eletrônico assinado por ROGER RASADOR OLIVEIRA, Juiz Federal Substituto, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de
19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível
no endereço eletrônico [Link] mediante o preenchimento do código verificador 720013698264v30 e do código CRC 5293d7f8.

Informações adicionais da assinatura:


Signatário (a): ROGER RASADOR OLIVEIRA
Data e Hora: 02/10/2025, às 16:52:27

5003345-50.2023.4.04.7204 720013698264 .V30

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