Resíduos de
serviços de saúde
Prof. Edemilson J. Maneira
BRASIL – 216 MIL TONELADAS POR DIA DE RESÍDUOS
SÓLIDOS URBANOS
[Link]
TEMPO DE DECOMPOSIÇÃO
[Link]
CORES LIXEIRAS (GERAL)
O que é Resíduo do
Serviço de Saúde (RSS)?
O Resíduo de serviço de saúde ou RSS,
por definição, é o resíduo resultante de
atividades exercidas por estabelecimento
gerador que, por suas características,
necessitam de processos diferenciados
no manejo, exigindo ou não-tratamento
prévio para a disposição final.
O que são os RSS?
São os chamados Resíduos do Serviço
de Saúde, que constituem os resíduos
sépticos, ou seja, que contêm ou
potencialmente podem conter germes
patogênicos.
São produzidos em serviços de saúde,
como: hospitais, clínicas, laboratórios,
farmácias, clínicas veterinárias, postos
de saúde, etc.
INTRODUÇÃO
A preocupação com a geração de
Resíduos de Serviços de Saúde (RSS)
nunca esteve tanto em evidência como no
dias de hoje. A expressão “Lixo
Hospitalar” deu lugar à “Resíduos de
Saúde”. As resoluções da ANVISA e do
Conselho Nacional do Meio Ambiente
(CONAMA) dispõem sobre o regulamento
técnico para o gerenciamento de resíduos
de serviços de saúde.
O gerenciamento de resíduos dos serviços de
saúde demonstra toda a responsabilidade e
preocupação da empresa não só em respeitar as
normas atinentes ao setor, mas em garantir a saúde
geral da população ao agir de forma consciente.
O objetivo dessa medida é reduzir a produção
de resíduos de serviços de saúde (RSS) e
proporcioná-los a destinação correta, visando a
proteção daqueles que lidam diretamente com os
materiais ou aqueles que, de alguma forma, podem
ser afetados, como a comunidade em geral, já que o
descarte negligente pode contaminar o lençol freático,
os terrenos e o meio ambiente.
.
Em meio a essa política, diversos são os regulamentos,
portarias e outros dispositivos legais que têm como objetivo
instruir, regular e penalizar os responsáveis pelo mau
gerenciamento de resíduos dos serviços de saúde, tornando a
atividade nociva aos interesses e direitos da coletividade.
Sendo um estabelecimento da área da saúde, os laboratórios
de análises clínicas devem criar um Plano de Gerenciamento
de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS), que é
regulamentado pelas resoluções CONAMA nº 283/01,
CONAMA nº 358/05 e ANVISA RDC 306/04. Nele, são
contempladas as ações e processos de geração, segregação,
acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte,
tratamento e destinação final dos resíduos, garantindo que
todas as normas sejam cumpridas.
Em dezembro de 2004, a ANVISA publicou a Resolução
nº 306, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o
gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde e, e
em abril de 2005, o CONAMA publicou a Resolução nº
358, que dispõe sobre o tratamento e disposição final
desses resíduos.
O gerenciamento dos RSS faz parte da Política Nacional
de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº
12.305/10, cujos ditames marcam a articulação integrada
entre os poderes públicos federais, estaduais e
municipais no que se refere a gestão inteligente e
sustentável dos resíduos sólidos oriundos de diferentes
atividades
A elaboração desse Plano é obrigatório para muitos
estabelecimentos, que incluem todos com prestação de serviços
relacionados ao atendimento à saúde humana e animal, assim
como clínicas odontológicas, estúdios de tatuagem, necrotérios,
funerárias, farmácias e clínicas de acupuntura. É ele que
garantirá a segurança dos colaboradores e também da
população em geral, que pode ser afetada pela má gestão dos
RSS. A inexistência do Plano pode resultar em multa para a
empresa que se enquadra nessas características.
Como dito, as três esferas de governo — União, estados e
municípios — deverão se organizar para que a política em
questão se torne efetiva. Nesse contexto, sanções, como multas,
restrições e até a cassação do alvará de funcionamento da
empresa, deverão ser aplicadas em caso de descumprimento
das exigências do Plano.
De quem é a responsabilidade?
Os estabelecimentos prestadores de serviços de
saúde, são responsáveis civil, administrativa e
criminalmente pelos seus resíduos. Sendo
responsáveis pela:
→ Geração
→ Acondicionamento
→ Coleta Interna
→ Abrigo
→ Coleta Externa
→ Transporte
→ Tratamento
→ Destinação Final
Identificação e Classificação dos Resíduos
Grupo “A” – Biológicos
Grupo “B” – Químicos
Grupo “C” – Radioativos
Grupo “D” – Comuns
Grupo “E” – Perfuro cortantes
(Resolução RDC ANVISA nº 306/04)
Riscos potenciais existentes nos RSS
Resíduos que apresentam risco à
Grupo “A”: saúde pública e ao meio ambiente
devido à presença de agentes
Infectantes biológicos (bactérias, fungos, vírus,
clamídias, riquétsias, microplasmas,
prions, parasitas, linhagens
celulares, outros organismos e
toxinas)
Ex.: Kits endovenosas e dializadores, bolsas
transfusionais de sangue ou
hemocomponentes, meios de cultura, vacina
vencida ou inutilizada, filtros de ar e gases,
tecidos, membranas, órgãos, placentas,
fetos, peças anatômicas, animais, vísceras,
objetos perfurantes ou cortantes, excreções,
secreções, líquidos orgânicos, ou outro que
tenha tido contato, materiais descartáveis
que tenham entrado em contato com
paciente.
Resíduos que contém substâncias
Grupo “B” químicas que podem apresentar
Químicos risco à saúde pública e ao meio
ambiente devido as suas
características de inflamabilidade,
corrosividade, reatividade e
toxidade. EX:
Drogas quimioterápicas e outros produtos
que possam causar mutagenicidade e
genotoxicidade e os materiais por elas
contaminados;
Medicamentos vencidos, interditados, não
utilizados, alterados e impróprios para o
consumo, reagentes de laboratórios,
resíduos contendo metais pesados,
antimicrobianos e hormônios sintéticos,
etc;
Demais produtos químicos considerados
perigosos, conforme classificação
constante da NBR 10.004 da ABNT;
Grupo “C” Resíduos que apresentam
risco à saúde pública e ao
Radioativos meio ambiente devido as
suas características de
radiações Ionizantes,
radiação cósmica; radiação
natural dos materiais;
Enquadram-se neste grupo
os resíduos radioativos ou
contaminados com
radionuclídeos,
provenientes de
laboratórios de análises
clínicas, serviços de
medicina nuclear e
radioterapia, segundo a
Resolução CNEN 6.05;
Grupo “D”
Comuns
São todos os resíduos que não oferecem qualquer
tipo de perigo à saúde ou ao meio ambiente,
equivalem-se ao lixo doméstico ou os Resíduo
Sólido Urbanos RSU.
Ex.: Papeis, Restos de Alimentos e etc.
NOTA: É nesse grupo que se encontram os
resíduos recicláveis.
Atenção: Qualquer resíduo comum se for
contaminado com resíduos perigoso, torna-se
igualmente perigoso.
Grupo “E”
Perfurocortantes
Materiais perfurocortantes
ou escarificantes tais como:
lâminas de barbear, agulhas,
escalpes, ampolas de vidro,
brocas,pontas diamantadas,
lamina de bisturi... Etc.
PGRSS - Plano de Gerenciamento de
Resíduos Serviços de Saúde - PGRSS
(CONAMA 358/2005 e RDC 306/2004)
É o documento que aponta e descreve as ações relativas
ao manejo dos resíduos sólidos, observadas suas
características e riscos, no âmbito dos estabelecimentos,
contemplando os aspectos referentes à
geração,
segregação,
acondicionamento,
coleta,
armazenamento,
transporte,
tratamento e
disposição final, bem como a proteção a saúde
pública.
Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde
Geração
Classificação
Segregação
Fase Intra - Estabelecimento de Saúde
Minimização Tratamento Prévio
Redução, Reutilização,
Reciclagem
Acondicionamento
Armazenamento
Intermediário
Coleta e Transporte Internos
Armazenamento Final
Fase Extra - Estabelecimento de Saúde
Coleta e Transporte Externos
Transbordo
Tratamento Disposição Final
Resíduos Tratados
PGRSS - Objetivo
Visa estabelecer de forma definida e
documentada um adequado
gerenciamento dos RSS (resíduos de
serviços de saúde) nas próprias
instituições que os geram, cabendo as
mesmas o desenvolvimento e a
implementação do plano.
PGRSS - Função
Minimizar a geração de resíduos na
fonte;
Adequar a segregação na origem;
Controlar e reduzir os riscos;
Assegurar o correto manuseio e
disposição final, em conformidade com
a legislação vigente.
Etapas do PGRSS
Manejo
Segregação
Acondicionamento
Identificação
Transporte interno
Armazenamento Temporário
Tratamento
Armazenamento Externo
Disposição Final
Manejo
O manejo dos RSS é
entendido como a ação
de gerenciar os resíduos
em seus aspectos intra e
extra estabelecimento,
desde a geração até a
disposição final.
Segregação
Consiste na separação dos resíduos no
momento e local de sua geração, de acordo
com as características físicas, químicas,
biológicas, o seu estado físico e os riscos
envolvidos.
Acondicionamento
Consiste no ato de embalar
os resíduos segregados, em
sacos ou recipientes que
evitem vazamento e resistam
às ações de ruptura.
A capacidade dos
recipientes de
acondicionamento deve ser
compatível com a geração
diária de cada tipo de
resíduo.
Grupo E -
Perfurocortante
Resíduos excedente a
capacidade de 2/3
para embalagens de
perfurocortante.
Identificação
Consiste no conjunto de
medidas que permite o
reconhecimento dos
resíduos contidos nos
sacos e recipientes,
fornecendo informações
ao correto manejo dos
RSS.
A identificação atende aos
parâmetros referenciados
na norma NBR 7.500 da
ABNT.
RESÍDUO COMUM
TRANSPORTE INTERNO DE RSS
Consiste no traslado dos
resíduos dos pontos de
geração até local destinado
ao armazenamento
temporário ou armazena
mento externo com a
finalidade de apresentação
para a coleta.
ARMAZENAMENTO TEMPORÁRIO DE RSS
Consiste na guarda temporária
Armazenamento
dos recipientes contendo os temporário dos
resíduos já acondicionados, RSS em sacos.
em local próximo aos pontos
de geração, destinados à
apresentação para a coleta
externa. Não poderá ser feito
armazenamento temporário
com disposição direta dos Armazenamento
sacos sobre o piso, sendo temporário dos
obrigatória a conservação RSS em carros.
dos sacos em recipientes de
acondicionamento.
ARMAZENAMENTO EXTERNO DE RSS
Consiste na guarda dos
recipientes de resíduos até a
realização da etapa de coleta,
em ambiente exclusivo com
acesso facilitado para os
veículos coletores.
No armazenamento externo não
é permitida a manutenção dos
sacos de resíduos fora dos
recipientes ali estacionados.
REGISTRO FOTOGRÁFICO DA TERCEIRA VISITA NO ESTABELECIMENTO DE
SERVIÇOS DE SAÚDE
ACONDICIONAMENTO
INADEQUADO DE RSS –
Feito fora de recipientes
adequados, diretamente no chão e
excessivamente acumulado, local
aberto, armazenamento dos
resíduos infectante, comum e
perfurocortante em um mesmo
abrigo .
GERENCIAMENTO DO PGRSS
O PGRSS definirá como cada uma das etapas do processo de
cuidados com os resíduos dos serviços de saúde serão feitas. Ele
incluirá os processos de:
• diagnóstico dos resíduos gerados: os resíduos devem ser
categorizados em grupos específicos de acordo com as normas da
ANVISA;
• ações relativas ao manejo: aqui serão especificadas as ações
referentes a todo o manuseio dos resíduos, desde a coleta até o
descarte, levando em consideração as características de cada um.
Por exemplo, quais serão reciclados ou não;
• rotinas e processos de higienização e limpeza: aqui serão definidos
todos os cuidados que devem ser adotados para manter a
segurança dos colaboradores do local e também as ações
referentes aos cuidados com a população e o meio ambiente;
GERENCIAMENTO DO PGRSS
• monitoramento e avaliação do PGRSS: a regulamentação define
um período no qual o PGRSS deve ser avaliado levando alguns
números em consideração, que são taxa de acidentes com
resíduo perfurocortante, variação da geração de resíduos,
variação da proporção de resíduos de cada grupos e variação do
percentual de reciclagem;
• programas de capacitação: para garantir a correta implementação
de todas as ações, devem ser descritos também os treinamentos
que serão disponibilizados aos colaboradores, contemplando
todas as etapas do processo de gerenciamento de resíduos dos
serviços de saúde;
• situações de emergência e acidentes: no caso de algum acidente
no manuseio dos resíduos, é importante que esteja definido no
PGRSS quais as medidas a serem tomadas imediatamente, que
evitem colocar os colaboradores e clientes em risco, e garantam
sua segurança da melhor forma possível.
DISPOSIÇÃO FINAL DE RSS
Consiste na disposição de
resíduos no solo,
previamente preparado
para recebê-los, obede-
cendo a critérios técnicos
de construção e
operação, e com
licenciamento ambiental
de acordo com a
Resolução CONAMA
237/97.