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Ocupação Territorial da Amazônia: Políticas e Impactos

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18424

Brazilian Journal of Development

A ocupação territorial da Amazônia e do sudeste Paraense: Políticas e projetos


de desenvolvimento, reforma agrária e impactos socioambientais

The territorial occupation of the Amazon and southeast Paraense: Policies and
projects for development, agrarian reform and socio-environmental impacts
DOI:10.34117/bjdv6n4-132

Recebimento dos originais: 20/03/2020


Aceitação para publicação: 08/04/2020

Nathália Karoline Feitosa dos Santos


Mestre em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
Email: nathaliakroline18@[Link]

Andréa Hentz de Mello


Doutora em Ciência do Solo na Universidade Federal de Santa Maria
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail:andreahentz@[Link]

Jeronimo da Silva e Silva


Doutor em Antropologia da Universidade Federal do Pará
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail: jero1978@[Link]

Érika Vivianne Nascimento Araújo


Mestre em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail:erikaaraujo@[Link]

Ismael Alves Amorim


Especialista em Geotecnologias e Recursos Naturais na Amazônia Oriental
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail:ismaelamorim93@[Link]

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Thais Esllem Silva Matos
Especialista em Geotecnologias e Recursos Naturais na Amazônia Oriental
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail: [Link]@[Link]

Jordanio Silva Santos


Mestre em Administração
Instituição: Universidade da Amazônia
Endereço: Av. Alcindo Cacele, 287-Umarizal, Belém-PA
CEP: 66060-000
E-mail: jordaniosilva1@[Link]

Anastacia Pavão Oliveira


Mestranda em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia
Instituição: Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Endereço: Avenida J com a Avenida dos Ipês, Cidade Universitária, Loteamento Cidade Jardim, -
Rodovia BR 230, Km 08 – Marabá- PA
CEP: 68500-000
E-mail: anastaciapavao@[Link]

RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo compreender a ocupação territorial da Amazônia, especialmente
do Sudeste Paraense, tendo como base as políticas e os projetos de desenvolvimento pensados para
a região. A metodologia utilizada, abordou as políticas públicas e os grandes projetos
desenvolvimentistas, a partir de uma análise geral e conjuntural da Amazônia, que teve sua
colonização baseada no simples crescimento econômico, sem uma preocupação com as causas
ambientais e sociais. Assim, a partir da década de 70, a Amazônia tornou-se foco das políticas do
Estado, principalmente no que tange a sua colonização e na implantação de atividades econômicas
que garantissem o desenvolvimento da região e a sua integração ao restante do país. É nesse
contexto mencionado que se encontram os projetos de assentamento de reforma agrária
estabelecidos na Amazônia. Criados como estratégias de colonização e integração do espaço rural à
economia interno-externa. Tendo como base todo esse processo histórico, entende-se que é
necessário a formulação de políticas e estratégias para a Amazônia que impliquem em reflexões
acerca das questões da regionalização e do desenvolvimento socioeconômico e ambiental, levando-
se em consideração as especificidades e peculiaridades regionais, na busca constante do equilíbrio,
entre o uso dos recursos naturais e a conversão produtiva dos ecossistemas regionais.

Palavras-chave: Colonização, Fluxo de migração, Políticas Públicas, Transamazônica.

ABSTRACT
This research aimed to understand the territorial occupation of the Amazon, especially for the
Southeast of Pará, based on development policies and projects designed for a region. A
methodology used, addresses public policies and major developer projects, based on a general and
cyclical analysis of the Amazon, which had its colonization based on simple economic growth,
without a concern for social and social causes. Thus, from the 1970s onwards, the Amazon became
the focus of State policies, especially with regard to colonization and the implementation of
economic activities that guarantee the development of the region and its integration in the rest of the
country. It is in this context that the projects for settlement of agrarian reform determined in the

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Amazon are found. Created as strategies for colonization and integration of rural areas into the
internal-external economy. Based on all this historical process, it is understood that it is necessary
to apply policies and strategies for the Amazon that imply reflections on issues of regionalization
and socioeconomic and environmental development, taking into account as specificities and
regional peculiarities, in the constant search for balance between the use of natural resources and
the productive conversion of regional ecosystems.

Keywords: Colonization, Permission flow, Public Policies, Transamazônica.

[Link]ÇÃO

Até por volta da década de 60 a Amazônia com sua baixa densidade demográfica e pouco
desenvolvimento, ficou longo do foco de investidores, pesquisadores e até mesmo dos governantes,
deixando à margem, problemas e necessidades como, por exemplo, promover uma melhor
integração ao restante do país e a seus grandes centros assim como permitir acesso a políticas
voltadas ao desenvolvimento econômico-social (MACEDO, 2009).
A partir da década de 70, a Amazônia se tornou foco das políticas do Estado,
principalmente no que tange a sua colonização e na implantação de atividades econômicas que
garantissem o desenvolvimento da região e a sua integração ao restante do país. Nesse processo,
houve a abertura de rodovias, como a Transamazônica, que foi fundamental para atingir o objetivo
integracionista de forma imediata. Desta forma, no Sudeste Paraense a doação de terras, e a
implantação de grandes empreendimentos como estradas, usinas hidrelétricas e mineração,
contribuíram para a ocupação da região (HÉBETTE, 2004). Como consequência, esse processo
trouxe consigo grandes contingentes populacionais que colonizaram a região, criando as frentes de
ocupação e conflitos agrários e ambientais.
Como sintoma dessa dinâmica, enormes extensões de terras amazônicas passaram por
processo de desmatamento e foram submetidas à intensificação e à diversificação dos modos de
exploração dos recursos naturais Assim, a sustentabilidade das atividades produtivas na Amazônia
tem sido objeto de crítica, e uma análise sobre essa dinâmica faz-se necessária em um momento em
que um novo ciclo econômico e de reestruturação do território instala-se na região (VIEIRA et al.,
2014).
Dentro deste contexto estão os projetos de assentamento de reforma agrária estabelecidos
na Amazônia que foram criados como estratégias de colonização e integração do espaço a economia
interno-externa e como forma de desafogar as cidades a partir da mudança de fluxo de migração da
cidade para o campo. Para Alencar (2016), os assentamentos são produtos tanto da pressão popular

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por terras, quanto da política de colonização dirigida e de integração nacional. Logo, a criação dos
assentamentos na Amazônia partiu de um contexto social e político.
Com tais considerações, Macedo (2009), afirma que o cenário amazônico é resultante de
inúmeras causas, destacando-se: os processos históricos de ocupação e suas diferentes vertentes; os
planos políticos e estratégicos para desenvolvimento da região e o aumento populacional ocorrido
com o incentivo à migração de várias categorias de trabalhadores. Suas sucessões e/ou
simultaneidades contribuíram para a formação do complexo mosaico de culturas e práticas
produtivas que são encontradas na região amazônica.
Portanto, este trabalho objetiva, a partir de uma revisão de literatura, compreender a
ocupação territorial da Amazônia e do Sudeste Paraense a partir das políticas e projetos de
desenvolvimento pensados para essa região, dando ênfase a reforma agrária e aos impactos
socioambientais desencadeados pelo processo de uso dos recursos naturais nesse bioma. Espera-se
que os resultados possam contribuir para o entendimento do processo histórico de ocupação da
Amazônia, evidenciar a importância que tem a reforma agrária e agricultura familiar na região e
apontar as consequências geradas por esse modelo de apropriação da natureza.

2. REVISÃO DE LITERATURA
7 A OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA SOB A LÓGICA CAPITALISTA
A Amazônia é o maior remanescente contínuo de floresta tropical da Terra, abrange diversos
ecossistemas que abrigam a maior biodiversidade do planeta, como matas de terra firme, florestas
inundadas, várzeas, igapós, campos abertos e cerrados e possui a mais extensa rede hidrográfica do
planeta A região é caracterizada pela elevada diversidade cultural e biológica, apresentando
elevadas diversidades geológicas, geomorfológicas, edáficas, vegetativas e climáticas
(GEOAMAZÔNIA, 2008).
No Brasil, a Amazônia localiza-se a Norte do país e compreende os Estados do Acre,
Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, possui mais de 5
milhões de km², o que corresponde a cerca de 60% do território nacional, abrangendo não só as
florestas tropicais úmidas como também uma longa faixa de vegetação de transição, cerrados no sul
da região e os campos ao norte, em Roraima, Pará e Amapá (REZENDE, 2006; MMA, 2008).
O contexto histórico de ocupação e exploração da região amazônica é marcada por grandes
surtos extrativistas como o da borracha e o da castanha (Bertholletia excelsa), mas foi apenas a
partir de meados do século XX, com a ocupação da Amazônia em ritmo mais intenso e acelerado,
que os danos ambientais resultantes da ação humana tornaram-se mais visíveis, como o crescimento
da população, a concentração da propriedade rural e o desemprego nas regiões de ocupação mais

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antiga do país também foram causas de novas migrações para a Amazônia, que serviu como válvula
de escape de tensões sociais (COSTA, 2009).
A história da ocupação econômica da Amazônia registra diversos ciclos de organização,
produção e integração econômica externa, que decorrem das condições em que se combinam a
demanda mundial por recursos naturais com condições de transporte e acesso à terra à sua natureza
(BUARQUE, 1995).
A consolidação da ocupação da Amazônia foi realizada visando integrar a Amazônia com
o resto do País e com o capital internacional, assim, o Governo Militar adotou um conjunto de
medidas de ocupação do território amazônico, com o lema “Integrar para não Entregar” e “Terra
sem homens para homens sem terra”. Na ocasião, foram implantadas políticas públicas, que
resultaram na criação do Plano de Integração Nacional (PIN), do Programa de Redistribuição de
Terras (PROTERRA), dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND I e II) e fortalecimento das
ações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), agindo na criação e
delimitação de projetos de assentamentos na região, caracterizando a Amazônia como o bioma que
possui o maior número de assentamentos no Brasil atualmente (INCRA, 2018).
Para Becker (1997), as estratégias utilizadas pelo governo para a ocupação da Amazônia
podem ser resumidas em três linhas de ação: Implantação de redes de integração espacial, através
da construção da rede rodoviária, de telecomunicações, hidroelétrica, desapropriação de terras
devolutas para implantação de projetos de colonização e mineração e; subsídios ao fluxo de capital
e indução de fluxos migratórios.

2.2 O ESTADO E OS GRANDES PROJETOS DESENVOLVIMENTISTAS NA


MESORREGIÃO DO SUDESTE PARAENSE
O período de ‘desenvolvimento’ inicial da Amazônia brasileira corresponde ao período de
regime militar, em que foram implantadas várias estratégias de desenvolvimento com objetivo de se
obterem vantagens econômicas e ganhos imediatos. A política de integração regional significou
uma tentativa de dar homogeneidade às estruturas socioeconômicas, neste sentido o papel do Estado
brasileiro foi o de impor um processo forçado de modernização acelerada através da crença nos
programas de desenvolvimento e valorização econômica sem ater-se às consequências
socioambientais deste processo. Assim, o ideal de desenvolvimento pensando para a Amazônia foi
baseado em teorias do crescimento, modernização e desenvolvimento, explanadas por Furtado
(1971).
No decorrer das transformações sofridas na Amazônia, o Estado do Pará foi um dos mais
afetados pelos planos e políticas governamentais. Neste contexto, merece destaque, a “política

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agrária” que teve como objetivo a implantação de vários assentamentos de reforma agrária na
década de 70. A maioria destas ações concentrou-se nas regiões Sudeste do Pará, desde então esta
região é marcada pela ação dos camponeses, que ainda hoje lutam pelo direito de acesso
(assentamento), ou pela permanência na terra (manutenção e regularização de posses) (MACEDO,
2009).
De acordo com Sauer (2005) e Hébette (2004), as ações do governo para o Sudeste do
Pará, assim como para a Amazônia, não se resumiram apenas às questões agrário-fundiárias. Houve
também uma série de grandes incentivos à mineração, siderurgia, pecuária, ao setor energético e a
comercialização de produtos gerados na região com a construção de infraestrutura de transporte e
escoamento. Estas iniciativas geraram novos investimentos na produção agropecuária, e
consequentemente contribuíram para tornar mais agudos os problemas sociais e ambientais.
A Região do Sudeste é uma das mesorregiões do estado do Pará, sendo composta por 39
municípios e uma área de mais de 297 mil quilômetros quadrados, sendo uma área de fronteira
estadual e de biomas. Como já mencionado, no contexto da ocupação territorial da Amazônia, a
Mesorregião do Sudeste Paraense é uma área estratégica do Estado para o processo de
desenvolvimento do espaço amazônico, uma vez que é nessa região onde estão localizados os
grandes projetos desenvolvimentistas que são o foco das políticas de integração e foram
responsáveis por atrair grande contingente populacional para a Amazônia.
O Sudeste Paraense é um local conhecido por grandes conflitos de terras e em seu contexto
histórico, é marcado pelo sistema oligárquico que articulava as dominações locais de poder por
meio das áreas de castanhais existentes na região. Até os anos vinte, a exploração das terras nessa
região é realizada de forma livre. A partir do momento que a castanha (principal produto do
extrativismo na época) se transforma em fonte de troca e provedora de lucros, inicia-se o processo
de cercamento dos castanhais, isto é, os acessos às áreas de ouriços que antes eram livres passam a
ser realizados mediante arrendamento (EMMI; MARIN, 1996). Ainda segundo as autoras, os donos
dos castanhais passam a ser os grupos de famílias que também tinham a estrutura comercial da
época como, por exemplo, dos gêneros alimentícios e materiais utilizados na coleta da castanha,
transporte e também faziam grande parte do escoamento da produção, essas famílias concentravam
terras e poder, constituindo-se como verdadeiras oligarquias. Mais tarde, essas mesmas famílias
passaram a ser donas dos latifúndios existentes na região, quando ocorre a reconfiguração no uso da
terra e dos recursos naturais por advento das políticas públicas aplicadas no Sudeste Paraense.
Segundo Santos (2017), os grandes projetos de desenvolvimento pensados para a
Amazônia foram financiados pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), se
deslocaram para o Sudeste Paraense a partir da década de 1970, junto com as frentes de expansão

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camponesa, compondo gradativamente um mosaico rural, ao qual também se agregaram agentes
locais mercantis e produtores de economias extrativistas tradicionais; no entanto, foi o processo de
pecuarização o principal vetor do crescimento nessa região. Por sua vez, a economia da mineração
vivenciou a saga dos garimpos, como a Serra Pelada, nos anos 1980, e avançou, em meados dessa
década, com a presença da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), atuando na exploração mineral
em larga escala. Ao mesmo tempo, ocorreram processos aceleradores de crescimento populacional
e de urbanização.
O processo de ocupação nesta região foi induzido pelo governo, através de ações indiretas,
como a abertura de estradas e o financiamento de grandes projetos agropecuários e de exploração
mineral como o Projeto Grande Carajás, sendo o processo predominante o da ocupação espontânea,
decorrente dos grandes fluxos migratórios dos anos 70 e 80 (SCHIMINK; WOOD, 1992). Nesta
região pode-se observar a sobreposição de processos antigos de ocupação nas faixas ribeirinhas dos
rios, com processos mais atuais de colonização, ao longo das estradas, nos planaltos de terra firme.
De acordo com Silva Filho (2016), esses projetos pautados sob a lógica capitalista e
embasadas nas teorias desenvolvimentistas foram:
8 Abertura da BR-230 (Transamazônica) que juntamente com a Cuiabá-Santarém visavam à
política de estruturação e expansão dos eixos rodoviários, os quais objetivavam interligação
da região aos demais centros econômicos do país.
9 Implementação da Reforma Agrária com intuito de resolver questões fundiárias em outras
regiões do país e simultaneamente viabilizar a colonização da Amazônia;
10 O projeto Grande Carajás que trabalhou com três grandes frentes de trabalho integradas,
divididas entre projetos de infraestrutura como nos casos das ferrovias, rodovias, portos e
barragens; projetos agropecuários e florestais e projetos envolvendo minérios e metalurgia.
Para que fosse possível tornar realidade esse projeto governamental, fez-se necessário a
implantação de uma grande infraestrutura, formada pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a Estrada de
Ferro Carajás e o Porto de Ponta da Madeira, localizado no Porto do Itaqui, em São Luís. Das
mediações da Serra de Carajás até o Porto do Itaqui em São Luís, foi construída uma ferrovia com o
objetivo facilitar o escoamento mineral, assim, a dinâmica do capital levou à exploração de
quantidades cada vez maiores de recursos naturais e todo o ciclo da mineração na Amazônia ganhou
proporções a partir da região de Carajás (SILVA FILHO, 2016).
Além das atividades minerais e pecuárias, as políticas de Reforma Agrária foram grandes
indutores de ocupação nessa região, sendo as mesmas implementadas na década 1990, com o
aumento da pressão dos movimentos sociais e das representações ligadas à agricultura familiar. O
resultado dessa pressão foi o processo de expansão do número de assentamentos rurais na área do

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território, que é considerada atualmente uma das áreas mais importantes da política de reforma
agrária na medida em que concentra um dos maiores números de projetos de assentamentos do país
(MICHELOTTI, 2010).
Assim, toda essa conjuntura de dinâmica ocupacional da Amazônia pautada sob a lógica
agropecuária, minero-metalúrgica e fundiária resultou (e ainda resulta) em um grande processo de
antropização, que tem graves consequências ambientais e sociais, no qual o desmatamento é uma
das maiores problemáticas que podem ser citadas e a partir desse fenômeno outros impactos são
gerados atingindo projeções cada vez maiores, acarretando uma degradação dos recursos naturais,
muitas vezes, de forma irreversível.

2.3 SUDESTE PARAENSE: REFORMA AGRÁRIA, AGRICULTURA FAMILIAR E


PROJETOS DE ASSENTAMENTOS
A questão agrária no Brasil sempre foi um ponto de grande discussão, não só do ponto da
distribuição das terras, mas também do ponto que tange o papel da agricultura familiar como forma
de desenvolvimento rural e sustentável, promovendo a qualidade de vida e renda das famílias no
campo. O debate acerca da reforma agrária remete-se à própria história de formação da propriedade
privada no Brasil, visto que ela reflete uma história de desigualdade na distribuição da terra que fez
aflorar as lutas que questionavam o quadro de grande concentração da terra no Brasil. A concepção
dos assentamentos rurais parte da ideia de justiça social no campo, de fixar trabalhadores rurais em
pequenas propriedades familiares (BERGAMASCO; NODER, 1996).
Aliado ao conceito da Reforma agrária está a agricultura familiar, que caracteriza-se
quando a família é simultaneamente a proprietária dos meios de produção e assume o trabalho nas
unidades produtivas, sendo todas as técnicas utilizadas na produção definidas pelos próprios
agricultores, os quais se utilizam de seus conhecimentos tradicionais em todas as fases do processo
produtivo, desde a escolha do local onde será feita plantação, a maneira como será preparado o solo,
as formas de colheita, até o planejamento de comercialização dos produtos finais (MACIEL, 2014).
No Brasil, a Agricultura familiar é de extrema importância na questão da segurança
alimentar do país, pois os alimentos produzidos nas pequenas propriedades fazem parte em sua
grande maioria da alimentação básica do brasileiro. Para que a produção consiga atender a demanda
dos consumidores é necessário investimentos voltados para o pequeno agricultor para otimizar as
formas de cultivos existentes (OLIVEIRA; PEREIRA, 2010).
Em síntese, os projetos de assentamentos criados pelo INCRA estão dentre as políticas
públicas que visam promover a reforma agrária e o desenvolvimento rural e sustentável, tendo
como grande objetivo a promoção do desenvolvimento rural por meio da agricultura familiar.

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Diante disso, os assentamentos foram criados como instrumentos de transformação do espaço, pois
os mesmos são construídos pelas atividades humanas e pela sociedade e transformados
constantemente. Partindo deste pressuposto, o processo de produção do espaço, se dá através do uso
dos recursos naturais pelo homem para sua sobrevivência e da sociedade, adicionando ou retirando
elementos da natureza através do trabalho e consequentemente modificando a paisagem
(ALENCAR, 2017).
É na Amazônia que o governo federal brasileiro conduz mais intensivamente a política de
reforma Agrária e a Mesorregião do Sudeste Paraense é a mais emblemática pela grande quantidade
de assentamentos existentes na região (LE TOURNEAU; BURSZTYN, 2010).
No contexto aqui abordado é importante e necessário destacar inicialmente a distribuição
dos assentamentos entre os estados que compõem a Amazônia Legal para se entender a dimensão
da quantidade de assentamentos de reforma agrária na região amazônica e mais especificamente no
sudeste paraense. Segundo os dados mais atuais do INCRA (2017), na Amazônia Legal existem
3.739 assentamentos identificados, correspondendo a mais de 77 milhões de hectares e elencando
terra a mais de 645 mil famílias. O estado do Pará detém a maior quantidade de assentamentos
(30%), seguido por Maranhão (27%), Mato Grosso (15%) e Tocantins (10%). Os demais
assentamentos (18%) estão distribuídos nos outros Estados, conforme é apresentado na Tabela 1.
A região do Sudeste Paraense é muito significativa quando se estuda a questão dos
assentamentos na Amazônia, uma vez que grande parte dos assentamentos da Amazônia e do Pará,
estão localizados nessa região. De acordo com o INCRA (2018), são quinhentos e quatorze (514)
assentamentos, cobrindo uma área de aproximadamente 4,5 milhões de hectares, garantindo terra
para mais de 75 mil famílias. Na região do Sudeste Paraense, a agricultura familiar mantém
presença efetiva e consolidada e o grande número de agricultores familiares que vivem nestes
assentamentos, produzem alimentos para sua própria alimentação e dos centros urbanos próximos,
evidenciando a importância social e econômica dos assentamentos e da agricultura familiar para
esta região.

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Tabela 1. Informações gerais dos assentamentos localizados nos estados que compõem a Amazônia Brasileira.
Estado Nº de Nº de famílias assentadas Área de assentamento (ha)
assentamentos
Acre 161 32.661 5.604.066,82
Amazonas 145 57.234 27.290.997,70
Amapá 54 14.723 2.245.309,57
Maranhão 1.028 132.301 4.741.258,65
Mato Grosso 549 82.424 6.023.370,76
Pará 1.132 247.410 22.819.670,06
Rondônia 224 38.963 6.202.021,39
Roraima 67 16.566 1.442.597,48
Tocantins 379 23.445 1.243.064,46
Total 3.739 645.727 77.612.356,90
Fonte: INCRA, 2018.

A criação dos assentamentos no Sudeste Paraense não é fruto de um planejamento prévio,


tampouco é uma aplicação homogênea de uma política do Estado. Fruto das diversas formas de luta
pela terra, desenvolvidas por distintos movimentos sociais em diferentes contextos históricos, os
assentamentos também expressam essa diversidade. O desafio da consolidação dos assentamentos,
compreendido como a possibilidade de estabilização e conquista de uma autonomia relativa pelo
campesinato, não pode ser tratado de maneira igual para o seu conjunto, reconhecendo que cada um
deles possui uma trajetória própria que significa, um certo acúmulo de trunfos específicos
(MICHELOTTI, 2010).
Ainda segundo Michelotti (2010), as políticas de Reforma Agrária começaram a ser
implementadas nesta região na década 1990, com o aumento da pressão dos movimentos sociais e
das representações ligadas à agricultura familiar. O resultado dessa pressão foi o processo de
expansão do número de assentamentos rurais na área do território, que é considerada atualmente
uma das áreas mais importantes da política de reforma agrária na medida em que concentra um dos
maiores números de projetos de assentamentos do país.

2.4 IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DO PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA


As transformações estabelecidas no espaço geográfico amazônico provocaram mudanças
no modelo de exploração e degradação da natureza através do esgotamento dos recursos naturais.
Estudos sobre as políticas públicas para o desenvolvimento econômico da Amazônia
implementadas na década de 1980 mostraram que ele foi caracterizado pela criação de um aparato

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institucional voltado para o crescimento de setores considerados estratégicos na época como o
mineral, agropecuário e o hidrelétrico (BEZERRA, 2011), mas sem uma preocupação com as
questões socioambientais em suas mais variadas formas e escalas.
Para Monteiro e Coelho (2004), o modelo de desenvolvimento econômico pensado para a
Amazônia repercutiu nas dinâmicas sociais e ecológicas da região, acelerando a substituição das
florestas e a ampliação da concentração fundiária no Estado do Pará, desencadeando, então,
problemas ambientais e sociais.
O avanço sobre as áreas de mata ciliares na Amazônia, também é algo preocupante, uma
vez que, este tipo de vegetação protege as margens dos cursos d’água da erosão, além de
desempenhar a função de regular a vazão dos rios, diminuindo o escoamento superficial.
Funcionam como filtros reguladores da dinâmica hídrica, de sedimentos e de nutrientes entre as
partes mais altas da bacia e o ecossistema aquático. Entre as principais consequências apresentadas
pela destruição e desaparecimento dessa vegetação estão: ausência da cobertura vegetal; alteração
das condições e características locais; geração de desequilíbrio ecológico em grandes dimensões;
escoamento superficial de resíduos para o leito dos rios, com acúmulo de sedimentos e o
rebaixamento do nível do lençol freático; perda da fertilidade do solo; extinção de espécies de
animais terrestres e aquáticos, ou seja, desequilíbrio total dos ecossistemas envolvidos com este
ambiente, gerando sempre resultados negativos (RODRIGUES, 2004).
O impacto social é consequentemente grande, pois a diversidade de relações e povos
existentes na Amazônia não estão isolados. Ainda há de se refletir que a importância da água, da
terra, do trabalho para os índios, agricultores e para o capitalista é diferente. Outro problema a ser
considerado é a concentração de renda, que traz como consequência o crescimento da miséria e da
fome em parte da população. (HÉBETTE, 2004). A situação gerada por essas relações conflitantes e
antagônicas de produção de desigualdades contribuem para o início de uma mobilização, no intuito
de pressionar o governo em relação a expansão capitalista na região. No contexto da pecuária esta
tem sido apontada como uma das atividades que mais prejudicam o meio ambiente. As
externalidades negativas causadas pela bovinocultura estão correlacionadas com o principal meio de
produção adotado no Brasil, o sistema extensivo. Este se caracteriza pelo baixo investimento em
formação (principalmente quando a terra adquirida já contém algum tipo de pasto) e manutenção de
pastagem na Amazônia, a criação de gado requer a utilização de grandes áreas, o que potencializa o
processo de conversão de floresta em pastagem. A baixa longevidade da produtividade associada
com a baixa fertilidade dos solos da Amazônia e práticas inadequadas de manejo, levam os
produtores a abandonar suas áreas originais em busca de outras áreas para a implantação de novas
pastagens, em geral, avançando sobre áreas de florestas primárias (DE ZEN et al., 2008).

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O impacto social é consequentemente grande, pois a diversidade de relações e povos
existentes na Amazônia não estão isolados. Ainda há de se refletir que a importância da água, da
terra, do trabalho para os índios, agricultores e para o capitalista é diferente. Outro problema a ser
considerado é a concentração de renda, que traz como consequência o crescimento da miséria e da
fome em parte da população. (HÉBETTE, 2004). A situação gerada por essas relações conflitantes e
antagônicas de produção de desigualdades contribuem para o início de uma mobilização, no intuito
de pressionar o governo em relação a expansão capitalista na região.
No contexto da pecuária esta tem sido apontada como uma das atividades que mais
prejudicam o meio ambiente. As externalidades negativas causadas pela bovinocultura estão
correlacionadas com o principal meio de produção adotado no Brasil, o sistema extensivo. Este se
caracteriza pelo baixo investimento em formação (principalmente quando a terra adquirida já
contém algum tipo de pasto) e manutenção de pastagem na Amazônia, a criação de gado requer a
utilização de grandes áreas, o que potencializa o processo de conversão de floresta em pastagem. A
baixa longevidade da produtividade associada com a baixa fertilidade dos solos da Amazônia e
práticas inadequadas de manejo, levam os produtores a abandonar suas áreas originais em busca de
outras áreas para a implantação de novas pastagens, em geral, avançando sobre áreas de florestas
primárias (DE ZEN et al., 2008).
O avanço sobre as áreas de mata ciliares na Amazônia, também é algo preocupante, uma
vez que, este tipo de vegetação protege as margens dos cursos d’água da erosão, além de
desempenhar a função de regular a vazão dos rios, diminuindo o escoamento superficial.
Funcionam como filtros reguladores da dinâmica hídrica, de sedimentos e de nutrientes entre as
partes mais altas da bacia e o ecossistema aquático. Entre as principais consequências apresentadas
pela destruição e desaparecimento dessa vegetação estão: ausência da cobertura vegetal; alteração
das condições e características locais; geração de desequilíbrio ecológico em grandes dimensões;
escoamento superficial de resíduos para o leito dos rios, com acúmulo de sedimentos e o
rebaixamento do nível do lençol freático; perda da fertilidade do solo; extinção de espécies de
animais terrestres e aquáticos, ou seja, desequilíbrio total dos ecossistemas envolvidos com este
ambiente, gerando sempre resultados negativos (RODRIGUES, 2004).
O impacto social é consequentemente grande, pois a diversidade de relações e povos
existentes na Amazônia não estão isolados. Ainda há de se refletir que a importância da água, da
terra, do trabalho para os índios, agricultores e para o capitalista é diferente. Outro problema a ser
considerado é a concentração de renda, que traz como consequência o crescimento da miséria e da
fome em parte da população. (HÉBETTE, 2004). A situação gerada por essas relações conflitantes e

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antagônicas de produção de desigualdades contribuem para o início de uma mobilização, no intuito
de pressionar o governo em relação a expansão capitalista na região.
Na perspectiva de Fearnside (2005), as políticas de incentivos fiscais e subsídios
governamentais, foram os grandes indutores do desflorestamento da Amazônia, principalmente
entre os anos de 1970 e 1980, assim como as políticas econômicas implantadas no Brasil. Assim a
dinâmica de ocupação da Amazônia foi pensada sob a lógica capitalista e não se levou em
consideração questões ambientais e sociais tendo como reflexo um panorama atual de alta
antropização dos recursos naturais.

3. CONCLUSÃO
A Fronteira Amazônica é marcada por particularidades que evidenciam o seu processo de
ocupação, marcado por uma preocupação baseado em teorias desenvolvimentistas, deixando-se de
lado a questão ambiental e social. Nesse sentido e levando-se em consideração as estratégias dos
militares, com o discurso de ocupação dos espaços vazios na Amazônia, é possível perceber que a
colonização dessa região funcionou como uma forma de apropriação dos recursos naturais sob a
lógica capitalista.
Tendo como base todo esse processo histórico, entende-se que é necessário a formulação
de políticas e estratégias para a Amazônia que impliquem em reflexões acerca das questões da
regionalização e do desenvolvimento socioeconômico e ambiental. As políticas públicas têm que
levar em consideração as especificidades e peculiaridades regionais, na busca constante do
equilíbrio, entre o uso dos recursos naturais e a conversão produtiva dos ecossistemas regionais.
Deve-se pensar em políticas ambientais, cujos resultados sejam benefícios em longo prazo, de
modo que as gerações atuais sejam justas com tais benefícios para com as gerações futuras.

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