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A Queda de Eco: Identidade e Sacrifício

Luno, um garoto que se transforma em Eco após um encontro com uma entidade antiga, vive atormentado por memórias de um herói e sua própria identidade. Ele se torna um infiltrador no submundo, mas ao aceitar uma missão para roubar uma relíquia, descobre que seu destino está ligado a um ritual que invoca uma entidade que consome identidades. No final, Eco é sacrificado, e sua essência se torna parte da entidade, deixando um eco de seu rosto em noites sem lua.

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A Queda de Eco: Identidade e Sacrifício

Luno, um garoto que se transforma em Eco após um encontro com uma entidade antiga, vive atormentado por memórias de um herói e sua própria identidade. Ele se torna um infiltrador no submundo, mas ao aceitar uma missão para roubar uma relíquia, descobre que seu destino está ligado a um ritual que invoca uma entidade que consome identidades. No final, Eco é sacrificado, e sua essência se torna parte da entidade, deixando um eco de seu rosto em noites sem lua.

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Luno (Eco)

Ninguém lembra do verdadeiro nome daquele garoto de Trebuck. Luno nasceu normal,
era só mais uma criança do Reinado que provavelmente se tornaria um soldado se
tudo desse certo. Mas, aos cinco anos de idade, enquanto brincava com seus amigos,
eles encontraram uma construção abandonada, algo semelhante a um templo.
Movidos pela curiosidade, decidiram entrar; ainda era dia e o lugar estava bem
iluminado.

Dentro, encontraram o esperado: janelas quebradas, bancos de madeira podres,


desenhos contando histórias de deuses esquecidos, até que o chão sob eles cedeu
pela podridão.

Ao cair, os três se depararam com uma sala surpreendentemente conservada, como


se uma divindade — ou o próprio tempo — impedisse sua degradação. Era uma sala
simples: chão e paredes de mármore, cobertos por desenhos detalhistas que
contavam a história de um deus perverso que outrora fora humano.

Segundo os murais, houve um herói que apostou com esse deus que conseguiria fazê-
lo sangrar. Contudo, um integrante de seu grupo o traiu, e o herói foi capturado,
aprisionado num fosso, torturado e obrigado a trabalhar. Mas ele escapou, e, dessa
vez, derrotou o deus tirano. Curiosamente, os poderes do herói e do deus envolviam
metais.

A sala era grande, assim como a história. Quando as crianças terminaram de observar
os desenhos, perceberam que a noite havia chegado e não havia sinal dos pais.
Decidiram dormir ali mesmo, pois já estavam cansados.

Mas Luno foi acordado por uma luz misteriosa. Quando a lua atingiu seu pico, à meia-
noite, lamparinas nas paredes se acenderam, emitindo chamas violetas. Os desenhos
do pilar central começaram a brilhar levemente. O garoto se aproximou e passou a
mão sobre ele, mas a retirou rapidamente ao sentir uma dor aguda na palma. Sangue
pingava no chão e no altar. Então viu uma fina e afiada agulha que tinha certeza de que
não estava ali antes.

Fragmentos de memórias invadiram sua mente — memórias de uma mulher que


acompanhava o herói na jornada para derrotar o deus. Apenas momentos específicos,
em que planejavam suas ações. Ao voltar a si, viu que seu corpo havia mudado. Estava
maior — não muito, mas o suficiente para escalar e pedir ajuda. Seus pais não o
reconheceram, mesmo com Luno insistindo que era ele. Quando amanheceu, retornou
ao seu corpo normal e conseguiu voltar para casa.
Durante anos, muitas vezes teve de se esconder em seu quarto o dia inteiro porque não
entendia sua aparência, nem as memórias que vinham junto com ela. Nunca eram
mais que poucos segundos, mas cada vez que via o mundo pelos olhos de outras
pessoas, sentia-se menos ele mesmo.

Um dia, enquanto andava pelas ruas, foi emboscado por religiosos de Valkaria.
Chamaram-no de "filho da Tormenta", "avatar de Tenebra" e "praga de Nimb", e o
espancaram. Enquanto apanhava e tentava se proteger, viu seu próprio pai entre as
pessoas, o condenando apenas por viver.

Luno não sabe se foi por sorte, azar ou acaso, mas um estrondo irrompeu no meio dos
gritos — um som como o de um meteoro. As pessoas se afastaram dele, e isso foi o
suficiente para que fugisse. Sem destino e no limiar da vida e da morte, decidiu
abandonar seu nome e ser chamado apenas de Eco, seu antigo apelido na cidade.

Anos depois, Eco se infiltra no submundo de Malpetrim, reputado como “o homem


sem rosto fixo”. Sua habilidade de assumir feições de mortos recentes torna-o valioso
em espionagem, falsificação de identidades e contrabando de informações. Trabalha
para várias facções: ladrões, cultistas de Sszzaas e até rebeldes de Tenebra, sempre
mantendo uma rede de contatos anônima.

Certo dia, recebe um trabalho aparentemente simples: falsificar a identidade de um


dignitário estrangeiro para que um grupo de mercenários possa extrair uma relíquia de
um armazém fortificado. O pagamento é elevado, e a relíquia, segundo a fonte, seria
uma peça metálica esculpida com runas que atrairiam Eco, pois ressoam com a
origem de sua maldição ligada a metais. Ele aceita sem saber que está prestes a
caminhar para a ruína.

Na noite da missão, Eco adquire a aparência exata do dignitário — mas, ao usar sua
maldição, fragmentos de memórias do alvo começam a invadi-lo: vislumbres de
pactos sombrios, dívidas de sangue e um segredo: a relíquia que ele ajudaria a roubar é
também um selo usado para conter uma entidade antiga que manipula rostos e
identidades. Durante a infiltração, Eco hesita, atormentado pelas lembranças e pelo
pressentimento de que algo maior está em jogo.

Ainda assim, prossegue. Ao chegar ao armazém, percebe armadilhas rúnicas e


cultistas aguardando. Entende tarde demais que foi usado como isca: ao obter a
relíquia, o grupo ativa um ritual que invoca parcela dessa entidade, corroendo
identidades. A sala se enche de sussurros, e as máscaras de Eco — todas as faces já
absorvidas — emergem no ar, espectrais e furiosas. Tenta fugir, mas as runas
metálicas presentes no objeto reagem à sua essência, prendendo-o.
Nesse momento, ele compreende seu papel: o ritual exige o sacrifício de alguém cujo
rosto se confunda com tantos outros, para alimentar a energia necessária a libertar a
entidade. Preso, Eco assiste ao desmoronar de sua individualidade: as faces se
desfazem em sombras, e a dor é intensa. Em seu último momento de lucidez, lembra-
se de fragmentos da mulher heroica dos murais do templo originário — como se uma
centelha de compaixão e coragem ainda o habitasse.

Mesmo assim, não há salvação. O ritual se completa, e Eco perece consumido pela
entidade. Após o fim, sua forma desaparece, mas dizem que, em noites sem lua perto
do antigo armazém, reflexos distorcidos mostram um rosto múltiplo implorando por
libertação.

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