Equações Diferenciais Ordinárias: Aula 2023
Equações Diferenciais Ordinárias: Aula 2023
(ainda em preparação!)
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Sumário
2
Capı́tulo 1
3
Aqui C denota a capacitância, L a indutância, R a resistência que são valores determinados.
Esta é uma EDO de variável independente t e função incógnita q (variável dependente).
Notações: Para uma função real y de variável independente x, adotaremos as seguintes notações
dy d2 y dn y
= y (1) = y ′ , 2
= y (2) = y ′′ , ··· , n
= y (n) .
dx dx dx
Também adotaremos a convenção y (0) = y (derivada zero da função).
Definição: A ordem de uma EDO é a ordem da maior derivada (da incógnita) que aparece expli-
citamente na equação. Com esta definição uma EDO de ordem “n” pode ser escrita de forma geral
como
Definição: A equação linear (1.6) é dita homogênea se b ≡ 0 caso contrário é dita não homogênea.
Exemplo: Quanto a linearidades as EDO’s anteriores se classificam da seguinte forma: (1.1) é não
linear, (1.2) e linear homogênea, (1.3) e não linear e (1.4) é linear não homogênea quando E ̸≡ 0
Definição: Uma solução da EDO (1.5) é uma função ϕ definida em algum intervalo I, que atende
a equação, isto é,
Embora não seja mencionado, fica implı́cito que para está equação ser satisfeita, antes tem que se
verificar os seguintes itens:
2. (x, ϕ(x), ϕ′ (x), . . . , ϕ(n) (x)) deve pertencer ao domı́nio de F para todo x ∈ I.
Convenção: Quando consideremos uma função real apenas explicitando sua regra de correspondência
sem especificar seu domı́nio de definição, assumiremos que o domı́nio será o maior subconjunto de
R onde essa regra de correspondência faz sentido. Por exemplo se não especificamos o domı́nio da
função f (x) = 2−1√x , neste caso para que esta regra faça sentido é necessário que o denominador
√
2 − x não se anule e x não seja negativo, logo seu domı́nio será D(f ) = [0, 4[∪]4, ∞[.
Exemplo: Consideremos a EDO y ′′ + y = 0. A função ϕ(x) = cos(x) é uma solução desta EDO?
Primeiro observe nada foi dito sobre o domı́nio desta função, logo como a regra de correspondência
faz sentido em qualquer numero real, o domı́nio desta função é I = R. Agora observe que
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logo esta função é uma solução desta EDO. O leitor pode verificar que ψ(x) = sin(x) também é uma
solução desta EDO, alias, combinações lineares de ϕ e ψ são soluções desta equação, logo esta EDO
tem infinitas soluções.
√
Exemplo: Agora consideremos a EDO dy dt
= 2 y. A função ϕ(t) = t2 é uma solução desta EDO?
Note que não estamos especificando o domı́nio desta função, portanto percebemos que seu domı́nio
é R. Note que ϕ′ (t) = 2t par todo t ∈ R, por outro lado observe que
p √
2t se t ≥ 0,
2 ϕ(t) = 2 t2 = 2|t| =
−2t se t < 0.
p p
ϕ′ (t) = 2 ϕ(t) para todo t ∈ R?, Não, para t = −1 temos p ϕ′
(−1) ̸
= 2 ϕ(−1), logo ϕ não é uma
′
solução desta EDO. Podemos observar que ϕ (t) = 2 ϕ(t) é satisfeito para t ≥ 0, desta forma
podemos afirmar que a restrição de ϕ ao intervalo [0, ∞[, ϕ [0,∞[ , é uma solução desta EDO. Este
exemplo mostra que devemos ter bastante cuidado com o intervalo de definição das funções candidatas
a ser solução. Deixamos pro leitor analisar, se a função ϕ(t) = (t − c)2 onde c é uma constante fixada,
é uma solução desta EDO em algum subintervalo de R. Quantas soluções tem esta EDO?
fazer um gráfico!
Isto significa que, se (x, y) é um ponto do gráfico de alguma solução da EDO, então v(x, y) =
(1, f (x, y)) é o vetor velocidade aplicado em (x, y). Portanto estes vetores determinam um campo de
direções tangenciais a os gráficos das soluções passando por (x, y) do plano R2 .
fazer um gráfico!
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Assim para encontrar a relação que existe entre y e x (y em função de x) basta aplicar a integral
indefinida a ambos lados desta equação (i.e, antiderivar), logo
Z Z
g(y) dy = f (x) dx + C,
y −1/2 dy = 4xdx,
isto é, é uma equação de variáveis separáveis. Note que, nesta colocação que necessário assumir que
a suposta solução y não se anula no seu intervalo de definição, mais ainda, ela tem que ser positiva.
Aplicando a integral indefinida (i.e, antiderivando) temos que
y 1/2
= 2x2 + c
1/2
onde c é uma constante. Portanto são candidatas a ser solução são as funções
2 c 2
y(x) = x + .
2
2
Agora verifiquemos, se as candidatas yc (x) = x2 + 2c , c ∈ R, são soluções. Temos que
′
2 c c
yc (x) = 4x x + , 4xyc1/2 (x) = 4x x2 +
2 2
logo esta funções serão soluções quando restritas ao conjunto
c
Dom(yc ) := {x ∈ R : x2 + ≥ 0}.
2
Por exemplo Dom(y1 ) = R, Dom(y−2 ) =] − ∞, −1] ∪ [1, ∞[. Tendo em vista que a EDO tem infinitas
soluções vejamos se esta EDO tem alguma solução que satisfaça adicionalmente a condição y(0) = 0.
Neste caso uma desta soluções terá que satisfazer
c 2
0 = yc (0) = ⇒ c=0
2
Portanto uma solução que satisfaz a EDO + a condição adicional é y(x) = x4 definida em todo R.
Definição: Um Problema de valor inicial (PVI) de ordem n é uma equação
F (x, y, . . . , y (n) ) = 0,
onde α0 , . . . , αn−1 são números dados. Neste caso, uma solução do PVI é uma função ϕ(x) definida
no intervalo I ⊃ {x0 } tal que
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Em particular um PVI de primeira ordem é dado por
F (x, y, y ′ ) = 0, y(x0 ) = α0 .
Observe que também a função identicamente nula é uma solução do problema, isto é a solução do
PVI pode não ser única. Posteriormente determinaremos condições para que a solução de um PVI
seja única.
Exemplo: Encontremos soluções para o PVI
y ′ + xy = x, y(0) = −2.
Temos que
y ′ = x − xy ⇔ y ′ = x(1 − y)
1 ′
⇔ y =x
1−y
1
⇔ dy = xdx.
1−y
Note que neste processo é necesário asumir que y ̸= 1. Integrando temos
Z Z
1
dy = xdx + c0
1−y
onde c0 é uma constante. Daı́ segue que
x2
− ln |1 − y| = + c0 ,
2
ou equivalentemente
x2 x2
|1 − y| = e− 2 e−c0 ou |1 − y| = ce− 2 , c = e−c0 .
Se consideramos que 1 − y é positivo no seu domı́nio de definição (de forma similar poderı́amos
considerar que é negativo) temos a solução (candidata a solução) é
x2
y(x) = 1 − ce− 2 ,
Agora basta verificar se esta função satisfaz o PVI no seu domı́nio de definição ou se é necessário
redefini-lo num intervalo menor. Esta tarefa será deixada para o leitor.
Exemplo: Encontre soluções para o PVI
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A EDO pode ser colocada da forma
x sin(x)dx = yey dy
onde c é uma constante. Neste ponto podemos observar que tal vez não sejamos capazes de explicitar
y (isolar y em função de x), porem podemos afirmar que a solução y(x) é definida implicitamente
nesta equação. Para determinar o valor da constante usamos a condição inicial
0 = −1 + c ⇒ c = 1,
logo uma solução do PVI, ou pelo menos candidata a solução, é dada implicitamente por
onde p, q e r são funções definidas em algum intervalo I. Assumindo que p nunca se anula no intervalo
I podemos dividir cada termo desta EDO por p(x) e escrever da forma
y ′ + a(x)y = 0. (4.8)
Note que, se y1 (x) e y2 (x) são soluções de (4.8) no intervalo I, então α1 y1 (x) + α2 y2 (x) também
é solução no intervalo I, para quaisquer constantes α1 , α2 . De fato, se denotamos com ϕ(x) =
α1 y1 (x) + α2 y2 (x), então temos que
Assumamos que y é uma solução de (4.8) no intervalo I que nunca se anula, assim pode ser escrita
da forma
y ′ (x)
= −a(x), ∀x ∈ I,
y(x)
ainda, se assumimos que y for positivo em I, teremos que
d
[ln(y(x))] = −a(x), ∀x ∈ I.
dx
Dai segue que
ln(y(x)) = −A(x) + c0
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onde c0 é uma constante real e A é uma antiderivada de a no intervalo I, isto é, A′ (x) = a(x) para
todo x ∈ I. A(x) também é chamada de uma primitiva ou uma integral indefinida de a e denotada
por
Z
A(x) = a(x) dx.
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2 /2 2 /2
isto é, [ex y]′ = 0, de onde segue que ex y = C para alguma constante C ∈ R, portanto
2 /2
y(x) = Ce−x .
Para ter uma solução que satisfaça a condição inicial, é necessário que
02
2 = y(0) = Ce− 2 ⇒ C=2
y ′ + sin(x)y = 0.
Neste caso a(x) = sin(x), logo A(x) = − cos(x), assim multiplicando a equação por e− cos(x) teremos
isto é, [e− cos(x) y]′ = 0, de onde segue que e− cos(x) y = C com C ∈ R, portanto as soluções são da
forma
y(x) = Cecos(x) ,
isto é,
e portanto
Z
−A(x) A(x)
y(x) = e e f (x) dx + C
Rescrevendo esta equação com variável x = t e depois integrando de x0 ate x temos que
Z x
A(x) A(x0 )
e y(x) − e y(x0 ) = eA(t) f (t) dt
x0
10
e portanto
Z x
−A(x) A(t))
y(x) = e y0 + e f (t) dt
x0
Definição: Às equações diferenciais da forma (5.11) que admitem funções potenciais ψ : Ω → R
são chamadas de Equações Exatas em Ω, e neste caso, as funções dadas implicitamente pela equação
(5.13) definem soluções de (5.11).
No que segue adotaremos as seguintes notações: Para uma função ϕ = ϕ(x, y)
∂ϕ ∂ϕ
ϕx (x, y) = (x, y), ϕy (x, y) = (x, y).
∂x ∂y
11
Theorem 1.5.1 Sejam M, N, My , Nx , funções contı́nuas no retângulo Ω =]a, b[×]c, d[1 . Então a
equação
é exata em Ω se e somente se
Proof: (⇒) : Assumindo que a equação é exata, temos que existe ψ : Ω → R tal que ψx = M e
ψy = N , daı́ segue que
(⇐) : Assumindo que My = Nx , precisamos encontrar uma função ψ(x, y) que satisfaça
Consideremos (x0 , y0 ) ∈ Ω. Fixando y, para que a primeira identidade de (5.14) seja verdadeira
temos que ter
Z x
ψ(x, y) = M (r, y) dr + ψ(x0 , y) (5.15)
x0
Como esta função tem que satisfazer a segunda identidade de (5.14) devemos ter
ψy (x0 , y) = N (x0 , y)
onde c0 é uma constante. Vejamos agora, que realmente esta familia de funções verificam (5.14).
Derivando e relação a x, temos que
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isto é,
Observação: A prova do teorema anterior nos fornece um procedimento para encontrar funções
potenciais.
Exemplo Encontremos soluções da seguinte equação diferencial
Verifica-se que
portanto estamos frente a uma equação exata. Para resolve-la tentemos determinar ψ(x, y) tal que
Para determinar o valor da função c0 (x), derivamos esta última em relação a x e a comparamos com
a segunda identidade
daı́ segue que c0 (y) = c1 onde c1 é uma constante, portanto a função ψ(x, y) é dada por
ψ(x, y) = xy(2y 2 − x2 ) + c1 .
xy(2y 2 − x2 ) = c,
Fatores integrantes
Embora muitos problemas nas ciências aplicadas sejam modeladas por equações da forma
estas nem sempre são exatas, porém, as vezes é possı́vel transformar-la em exata. Este processo
consiste em multiplicar esta equação por uma função µ(x, y) apropriada para que a equação resultante
se torne exata. Vejamos que condições deverá atender esta função e caso consigamos este objetivo,
a função µ(x, y) será chamada de fator integrante.
Sejam M , N funções de classe C 1 em Ω ⊂ R2 , Assumamos que a equação (5.16) não é exata e
portanto My ̸= Nx em Ω. Suponhamos que existe uma função µ(x, y) que ao multiplicar esta equação
a torna exata, isto é, µ é um fator integrante para esta equação. Neste caso temos que a equação
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deve satisfazer a condição (µM )y = (µN )x , ou equivalentemente
M µy − N µx + (My − Nx )µ = 0. (5.17)
Como as funções M, N são dadas, encontrar um fator integrante se reduz a encontrar uma solução
para esta equação diferencial parcial com incógnita µ, o que pode ser mais complicado que resolver
a própria equação diferencial (5.16) de alguma outra forma. Porém suponhamos (5.16) admita um
fator integrante que não depende da variável y (depende unicamente de x), então, µy ≡ 0 e a equação
(5.17) pode ser escrita da forma
dµ My − Nx
= µ, (5.18)
dx N
ou µ1 dµ
dx
= MyN−Nx , de onde segue que, para que a equação (5.17) admita um fator integrante indepen-
dente de y, o cociente (My − Nx )/N ñao pode depender de y. Assim, teremos chance de encontrar
fatores integrantes que dependam unicamente de x somente se a função (My − Nx )/N depende uni-
camente de x e neste caso estes fatores integrantes são encontrados resolvendo a equação (5.18). O
mesmo raciocı́nio pode ser usado para encontrar fatores integrantes que unicamente dependam de y
cujo procedimento deixamos como exercı́cio para o leitor, o qual deve chegar à conclusão que, para
isso acontecer, é necessário que a função (My − Nx )/M dependa unicamente de y e neste caso fatores
integrantes podem ser calculados através da equação
dµ Nx − My
= µ.
dy M
2(y 2 + y 3 ) + x(2y + 3y 2 )y ′ = 0.
logo
My = 2(2y + 3y 2 ) e Nx = 2y + 3y 2 ,
2x(y 2 + y 3 ) + x2 (2y + 3y 2 )y ′ = 0,
a qual é exata. Agora,para resolver esta equação devemos encontrar uma função potencial ψ(x, y),
isto é uma função tal que
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Usando a segunda identidade encontramos que
ψ(x, y) = x2 (y 2 + y 3 ) + h(x),
de onde concluı́mos que h′ (x) ≡ 0, portanto h(x) ≡ C0 (constante). Assim chegamos que a função
ψ(x, y) é
ψ(x, y) = x2 (y 2 + y 3 ) + C0 ,
x2 (y 2 + y 3 ) = C,
u′ 1
u + xu′ = f (u) ⇒ =
f (u) − u x
que é uma equação em variáveis separáveis. Encontrando a solução u(x), a solução do problema
original será y(x) = xu(x).
Exemplo: Resolva a equação
2y 2 + xy
y′ =
x2
Esta equação escrita da forma
y 2 y
′
y =2 +
x x
introduzindo a função u = y/x a equação transforma-se em
u′ 2
u + xu′ = 2u2 + u ⇒ 2
=
u x
cujaS soluções são da forma
1 1
− = 2 ln(|x|) + C ⇒ u=−
u 2 ln(|x|) + C
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2. Equação de Bernoulli: y ′ + a(x)y = f (x)y α (α ̸= 0 ou 1)
Introduzimos a transformação u = y β com beta a ser determinado de tal forma que a equação
se torne simples de resolver. Derivando u temos
u′ = βy β−1 y ′
Agora se o termo α + β − 1 fosse nulo torna-se uma equação linear não homogênea, para que
isso aconteça devemos por β = 1 − α. Por tanto a transformação apropriada será
u = y 1−α (6.19)
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1.7 Aplicações das equações de 1a ordem
Decaimento radioativo. Uma substância radioativa é uma substância que está em processo de
decaimento radioativo. Isto acontece quando o núcleo do átomo é instável e envia energia ionizante.
Isto faz com que alcance um estado de menor energia e se transforme. Em uma substância radioativa,
cada átomo tem uma certa probabilidade, por unidade de tempo, de se transformar num átomo mais
leve emitindo radiação nuclear no processo. Se p representa essa probabilidade, o número médio
de átomos que se transmutam, por unidade de tempo, é pN , onde N é o número de átomos não
transmutados em cada instante. A velocidade com que o número de átomos não transmutados
diminui em cada instante t corresponde ao número de átomos transmutados nesse instante, isto é
dN
= −pN.
dt
Se M denota a massa dos átomos não transmutados, ela é diretamente proporcional ao número de
átomos que a constitui, N , logo
dM
= −pM.
dt
Assim, se no inicio da observação a substância tem uma masa inicial que M (0) = M0 , a solução
desta equação é dada por
M (t) = M0 e−pt .
Isto é a massa diminui de forma exponencial para zero, o qual significa que, num tempo suficiente-
mente grande, quase todos os átomos são transmutados.
Sobre o Carbono 14 (C-14) . Em paleontologia é importante determinar a antiguidade de um
determinado fóssil, pra isso estuda-se o decrescimento da quantidade de C-14 alocados nos tecidos
orgânicos. O C-14 é um isótopo radioativo instável, que decai a um ritmo perfeitamente mensurável
a partir da morte de um organismo vivo. O C-14 se produz pela ação dos raios cósmicos sobre o
nitrogênio-14 e é absorvido pelas plantas. Quando estas são ingeridas pelos animais, o C-14 passa
aos tecidos, onde se acumula. Ao morrer, este processo se detêm e o isótopo começa a desintegrar-se
para converter-se de novo em nitrogênio-14. A partir desse momento, a quantidade de C-14 existente
em um tecido orgânico se dividirá pela metade a cada 5.730 anos e cerca de 50 mil anos depois, esta
quantidade começa a ser pequena demais para uma datação precisa.
Exemplo: Um osso fossilizado contém 1/1000 da quantidade original do carbono 14. Determinemos
a idade do fóssil.
solução: O ponto de inicio é considerar que o carbono 14 decresce da forma
M (t) = M0 e−pt
ln(2)
Sabemos que M0 /2 = M (5730) = M0 e−5730p , de onde segue que p = 5730
= 0, 000121, portanto
M (t) = M0 e−(0,000121)t
Assim se em t0 anos contém 1/1000 da quantidade original temos que
M0
= M (t0 ) = M0 e−(0,000121)t0
1000
dai segue que
ln(1000)
t0 = ≈ 57089 anos.
0, 000121
Concentração de sal num tanque. No instante t = 0, um tanque tem Q0 kilos de sal dissolvido
em A litros de agua. Suponha que, agua contendo B kilos de sal por litro, está entrando no tanque
a uma taxa de r litros por minuto, e que o lı́quido, bem misturado, esta saindo do tanque com a
mesma taxa. Nessas condições resolva cada um dos itens seguintes:
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1. Escreva o problema de valor inicial que descreve a quantidade de sal no tanque no instante t.
2. Encontre a quantidade de sal no tanque em qualquer instante t.
3. Ache a quantidade limite Q∞ presente após um longo perı́odo de tempo (t → ∞).
4. Suponha que a quantidade inicia é Q0 = 2Q∞ . Determine o tempo necessário t1 para que a
quantidade de sal a partir desse instante exceda em 50% a quantidade limite.
Solução: Seja Q(t) a quantidade de sal no tanque no instante t, então a taxa de variação de sal no
tanque responde a seguinte formulação
dQ
= taxa de entrada de sal − taxa de saı́da de sal.
dt
Sendo que, se está entrando r litros de agua por minuto, a taxa de entrada de sal será de Br kilos
por minuto. Por outro lado, a quantidade de sal por litro de agua no tanque no instante t será de
Q(t)/A, logo a taxa de saı́da de sal será de Q(t)r/A. Assim
Q(t)r
Q′ (t) = Br − ,
A
sendo que
Q(0) = Q0 .
Resolução do problema de valor inicial:
Z t
−rt/A rs/A
Q(t) = e Q0 + Bre ds
0
= e−rt/A Q0 + BA[ert/A − 1]
Observe que Q′ (t) = −(Q0 − BA) Ar e−rt/A , logo Q′ (t) < 0 se Q0 > BA e Q′ (t) > 0 se Q0 < BA,
portanto temos o seguinte grafico: ???
Tempo necessário t1 :
Q(t1 ) = Q∞ + 50%Q∞
isto é
3
(Q0 − BA)e−rt1 /A + BA = Q∞
2
logo
3
(2Q∞ − Q∞ )e−rt1 /A + Q∞ = Q∞
2
3
e−rt1 /A + 1 =
2
portanto ert1 /A = 2 de onde segue que t1 = (A/r) ln(2) minutos.
Velocidade de escape [Pag 31 Boyce] Um corpo de massa m é projetado para fora da terra em
direção perpendicular à superfı́cie terrestre com uma velocidade inicial v0 .
18
1. Supondo desprezı́vel a resistência do ar, mas levando em consideração o campo gravitacional
da terra com a distância, encontre uma fórmula para a velocidade desse corpo em movimento.
2. Encontre a velocidade inicial necessária para que o corpo não retorne à terrra; essa velocidade
inicial é chamada de velocidade de escape.
Denotemos com
k
w(t) =
(R + x(t))2
onde k é uma constante. Como w(0) = mg, considerando t = 0 na fórmula anterior temos que
k = mgR2 . Assim
mgR2
w(t) = .
(R + x(t))2
dv mgR2
m = −w(t) = − .
dt (R + x)2
Se denotamos com v0 à velocidade inicial, temos que v ′ (0) = v0 . Infelizmente a equação anterior
envolve 3 variáveis t, x, v. Porém podemos eliminar a variavel t da equação fazendo
dv dv dx dv
= =v ,
dt dx dt dx
logo a equação fica da forma
dv gR2 gR2
v =− ou vdv = − dx
dx (R + x)2 (R + x)2
v2 gR2
= + C.
2 R+x
Observe que, para t = 0 temos que x = 0 e v = v0 . Assim, tomando t = 0 na equação anterior
encontramos que C = v02 /2 − gR, assim, substituindo a constante na equação anterior temos que
v2 v2 gRx
= 0− .
2 2 R+x
Portanto a fórmula para a velocidade será
r
2gRx
v=± v02 − .
R+x
19
Note que o lado direito terá sinal positivo enquanto o corpo se afaste da terra e no retorno terá sinal
negativo.
Se xm é a distancia máxima percorrida pelo corpo então v = 0 e o objeto inicia o retorno a terra.
Isto irá acontecer quando
2gRxm
0 = v02 − ,
R + xm
Daqui temos que a seguinte relação entre velocidade inicial e distância máxima atingida:
r
2gRxm
v0 = .
R + xm
Desta relação podemos afirmar que o corpo não retorna à terra se xm = ∞. Interpreta-se esta
afirmação fazendo xm → ∞ na igualdade anterior. Portanto a velocidade de escape ve é
p
ve = 2gR.
Dinâmica populacional: O estudo do crescimento ou decrescimento de especies é un assunto
muito importante para o controle destas. Por exemplo em bactereologia, pode ser muito importante
o controle de uma colônia de bactérias ou vı́rus, em demografia, o assunto é o estudo do crescimento
ou decrescimento da população humana. Em fim existe uma série de aplicações em outras áreas.
Vejamos a modelagem de algumas destas espécies.
Denotemos com P (t) a quantidade de indivı́duos de uma espécie no instante t, denotemos r a
taxa (rapidez) de crescimento em relação à população existente no instante t, isto é
taxa de nascimentos- taxa de mortes
r=
P (t)
assim a rapidez com que a população cresce no instante t é dada por
dP
(t) = taxa de nascimentos- taxa de mortes = rp(t)
dt
Agora, se r e constante a equação acima é linear. Este modelo aproxima meios onde a população
não é grande e os intervalos de tempo são curtos. Quando a população é grande começa uma luta
pela sobrevivência, portanto a a taxa de crescimento em relação à população existente, r, não é mais
constante. Dependendo dos fatores que agem no meio em que a população se dessenvolve r pode
tomar a forma
r(t) = a − bP (t),
onde a, b são constantes positivas, assim o crescimento ou decrescimento da população vem modelado
pela equação
dP
= aP (t) − bP 2 (t)
dt
Claramente esta é uma equação de Bernoulli. Vejamos se esta equação tem uma solução constante
P (t) = P0 para todo t ≥ 0. Neste caso teremos que P ′ (t) = 0 para todo t > 0, logo
0 = aP0 − bP02 = P0 (a − bP0 ), ∀t > 0
isto é P0 = a/b para todo t > 0. Por outro lado, se consideramos uma população inicial P0 ̸= a/b a
população não permanece constante e neste caso resolvendo a equação de Bernoulli com população
inicial P (0) = P0 encontramos que
1
P (t) = 1 −at b
P0
e + a
(1 − e−at )
Observe que
a
lim P (t) =
t→∞ b
20
1.8 Exercı́cios
1. Determine a ordem das seguintes EDO’s e diga se estas são lineares ou não lineares. Entre as
equações lineares determine as que são não homogêneas.
2. Nas seguintes EDO’s verifique se as funções candidatas ϕ são soluções. Caso estas funções nao
sejam soluções no seu domı́nio implı́cito de definição identifique o subintervalo tal que restrita
a este seja solução.
3. Considere a função
Z x
x2 2
ϕ(x) = e e−t dt.
0
4. En cada uma das seguintes EDO’s determine os valores de r ∈ R de tal forma que ϕ(x) = erx
seja uma solução.
5. En cada uma das seguintes EDO’s determine os valores de r ∈ R de tal forma que ϕ(x) = xr
seja uma solução em algum intervalo máximo I. Identifique o intervalo I.
21
9. A seguinte equação não é necessariamente de variáveis separáveis
y ′ = (ax + by)2 .
Faça uma mudança de variáveis (mudança de incógnita) para transformar a equação em uma
outra de variáveis separáveis. Encontre soluções explı́citas y(x) da equação no caso particular
b = −a.
10. Encontre as soluções dos seguintes problemas de valor inicial explicitando o intervalo máximo
dessas soluções
(a) xy ′ − y = x, y(1) = 2.
di
(b) L + Ri = E, i(0) = i0 , onde i0 ,L,R e E são constantes.
dt
(c) y ′ + tan(x)y = cos2 (x), y(0) = −1.
dP
(d) + 2tP = P + 4t − 2, P (0) = 3.
dt
11. Mostre que se a e r são constantes positivas, então toda solução de
y ′ + ay = be−rx
satisfaz lim y(x) = 0. Sugestão: Separe os casos a = r e a ̸= r.
x→∞
(b) Se f (x) não for identicamente nula, procure uma solução da forma y(x) = c(x)e−A(x) e
chegue à conclusão de que a função c tem que ser da forma
Z
c(x) = f (x)eA(x) dx + c2 , onde c2 = constante.
22
(a) −4x(y − x2 ) + 2(y − x2 )y ′ = 0. (c) y 2 cos(x) + 5yy ′ sin(x) + 4y ′ = 0.
(b) 4xey + x2 ey y ′ = −3. (d) cos(xy)ex − x sin(xy)ex y ′ = y sin(xy)ex .
17. A EDO linear de primeira ordem y ′ + a(x)y = f (x) é exata? Caso não seja, encontre um fator
integrante.
18. Mostre que se (Nx − My )/M = P , onde P é uma função que depende somente de y, então a
equação
M (x, y) + N (x, y)y ′ = 0
tem um fator integrante da forma
R
P (y) dy
µ(y) = e .
23
23. Consideremos a seguinte equação diferencial
xy ′ = yf (xy).
u′ 1
= .
u(f (u) + 1) x
y ′ + y = cos(x)y −1 , y(0) = 2.
25. Considere a equação de Bernoulli y ′ + a(x)y = f (x)y 1+α . Mostre que a solução desta equação
com a condição inicial y(0) = y0 > 0 é dada pela função
Z x −1/α
αA(x) −α −αA(s)
y(x) = e y0 − α f (s)e ds ,
0
Mostre que, introduzindo a nova variável u = h(y) a equação é transformada na equação linear
de 1a ordem:
u′ + a(x)u = f (x)
y ′ + y ln(y) = xy
y ′ + 3xy = xy 2 + 2x.
28. Um material radioativo, tal como um dos isótopos de tório-234, desintegra a uma taxa proporci-
onal à quantidade presente. Se Q(t) é a quantidade presente no instante t, então dQ/dt = −rQ,
onde r > 0 é a taxa do decaimento.
24
29. A meia-vida de um material radioativo é o tempo necessário para que uma quantidade desse
material decaia à metade da sua quantidade original. Mostre que, para qualquer material
radioativo que decaia de acordo com a equação Q′ = −rQ, a meia-vida τ e a taxa de decaimento
r estão relacionadas pela equação rτ = ln 2.
30. O rádio-226 tem uma meia-vida de 1620 anos. Encontre o tempo necessário para que uma
determinada quantidade desse material seja reduzida da quarta parte.
31. Um corpo de massa m é projetado verticalmente para cima com uma velocidade inicial v0 em
um meio que oferece uma resistência k|v|, onde k é uma constante. Suponha que a atração
gravitacional da terra é constante.
32. Epidemia. Suponha que uma população pode ser dividida em duas partes: os que têm a doença
e podem transmiti-la, e os que não tem porém são suscetı́veis. Se x e y denotam a população
dos suscetı́veis e dos transmissores respectivamente, sabe-se que x + y = 1. Suponha que a
doença se espalha através de contato e que a taxa de disseminação da doença é proporcional
aos contatos, isto é dy
dt
= αxy com α uma constante real positiva. Mostre que
dy
= αy(1 − y), y(0) = y0 .
dt
(b) Resolva o PVI e mostre que num tempo bastante longo toda a população estará infetada,
isto é, lim y(t) = 1.
t→∞
25
Capı́tulo 2
Note que x : I → RN é uma solução de classe C 1 do PVI (1.1) se, e somente se, satisfaz a equação
integral
Z t
x(t) = x0 + f (s, x(s)) ds.
0
Theorem 2.1.1 (Picard) Seja f : R → RN uma função contı́nua no retângulo R = I¯a × B̄b , onde
Se f é lipchitziana em relação à segunda componente, isto é, existe K > 0 tal que
Então existe uma única solução do problema de valor inicial (1.1) definida no intervalo I¯α , onde
α = min{a, b/M } com M = sup{|f (t, x)| : (t, x) ∈ R}.
isto é ϕn+1 (t) ∈ B̄b para todo t ∈ I¯α . Portanto podemos afirmar que
ϕn ∈ C(I¯α ; B̄b ), ∀n ≥ 0.
26
Para h ∈ C(I¯α ; B̄b ) consideremos a notação ∥h∥∞ := sup |h(t)|. Assim, para t ∈ I¯α com t ≥ t0 temos
t∈I¯α
que
Z t
|ϕ2 (t) − ϕ1 (t)| ≤ |f (s, ϕ1 (s)) − f (s, ϕ0 (s))| ds ≤ K(t − t0 )∥ϕ1 − ϕ0 ∥∞ .
t0
Em vista da convergência da série do lado direito (use teste da Razão), temos que para ϵ > 0 existe
n0 tal que
Logo a sequência (ϕn (t))n∈N e de Cauchy e portanto converge para algum ϕ(t). Fazendo tender
p → ∞ em (1.4) temos que
isto significa que a convergência ϕn → ϕ é uniforme. Como ϕn (t) ∈ B̄b segue que ϕ(t) ∈ B̄b para
todo t ∈ I¯α e desde que
a convergência f (t, ϕn (t)) → f (t, ϕ(t)) também é uniforme. Tomando limite em (1.2) segue que
Z t
ϕ(t) = x0 + f (s, ϕ(s)) ds, t ∈ I¯α .
t0
Esta função satisfaz o problema de valor inicial. Agora mostremos a unicidade. Suponhamos que
ϕ(x) e ψ(x) são duas soluções do problema de valor inicial, então para t ∈ I¯α com t ≥ t0 temos
Z t
|ϕ(t) − ψ(t)| ≤ |f (s, ϕ(s)) − f (s, ψ(s))| ds
t0
Z t
≤ K |ϕ(s) − ψ(s)| ds. (1.5)
t0
Z t
Denotemos com U (t) = |ϕ(s) − ψ(s)| ds, t ≥ 0, então
t0
27
isto é U ′ (t) − KU (t) ≤ 0. Multiplicando por e−Kt obtemos
(e−Kt U (t))′ ≤ 0,
e−Kt U (t) ≤ 0.
Daı́, segue que U (t) ≤ 0 e consequentemente de (1.5) podemos inferir que ϕ(t) = ψ(t) para todo
t ∈ I¯α com t ≥ t0 . Com o mesmo raciocı́nio podemos obter que este resultado vale para t ∈ I¯α com
t ≤ t0 . 2
Exemplo: As aproximações de Picard podem ser interpretadas como soluções aproximadas e geram
um algoritmo para encontrar a solução de forma computacional. Vejamos no seguinte exemplo que
as aproximações de Picard levam a solução de um PVI. Consideremos o problema de valor inicial
dx
= x, x(0) = 1.
dt
As aproximações de Picard, neste caso são:
ϕ0 (t) ≡ 1,
t
t2
Z
ϕ1 (t) = 1 + 1 ds = 1 + ,
2
Z0 t
t2 t3
ϕ2 (t) = 1 + (1 + s2 /2) ds = 1 + + ,
0 2 3!
..
.
t2 tn
ϕn (t) = 1 + + ··· + .
2! n!
Quando n → ∞ temos que
n ∞ i
X ti X t
ϕn (t) = → = et .
i=0
i! i=0
i!
logo, pelo teorema de Picard ϕ(t) = et definida numa vizinhança de 0 é a solução única solução do
PVI.
Logo f é lipschitziana na segunda na segunda componente em R. Pelo teorema anterior o PVI (1.1)
tem uma única solução definida numa vizinhança de t0 . 2
28
Exemplo: Seja x0 ∈ R, vejamos se o problema de valor inicial
dx 3
= x1/3 , x(0) = x0 ,
dt 2
tem solução e é única. Neste caso temos que f (t, x) = 32 x1/3 em Ω = R2 . Como a derivada parcial
∂f 1
(t, x) = x−2/3 ,
∂x 2
existe e é contı́nua para x ̸= 0, temos que o problema de valor inicial com x0 =
̸ 0 tem uma única
solução ϕ definida em alguma vizinhança de 0. Agora, se consideramos x0 > 0, por separação de
variáveis, encontramos que a solução é
2/3
ϕ(t) = (x0 + t)3/2 ,
definida em algum intervalinho centrado em 0. Por outro lado, se x0 = 0, observamos que a função
identicamente nula ϕ0 (t) ≡ 0 é uma solução, porém verifica-se que a função
3/2
t , t ≥ 0,
ϕ1 (t) =
0, t < 0.
também é solução. Este fato não contradiz o teorema de existência e unicidade de Picard, pois a
função f nâo é Lipschitziana em nenhum retângulo da forma [−a, a] × [−b, b], pois se fosse terı́amos
que para alguma constante K > 0
Theorem 2.1.3 (Peano) Se f é uma função contı́nua no conjunto R = I¯a × B̄b . Então existe pelo
menos uma solução do problema de valor inicial (1.1) definida no intervalo I¯α , onde α = min{a, b/M }
com M > sup{|f (t, x)| : (t, x) ∈ R}.
29
2.2 Exercı́cios sobre existência e unicidade de Soluções
1. Use indução para mostrar que a desigualdade (1.3) vale para todo n ∈ N.
4. Seja n ∈ N impar, n ̸= 1. Usando separação de variáveis encontre uma solução não identica-
mente nula do problema de valor inicial
dx √
= t n x, x(0) = 0.
dt
Note que a função identicamente nula também é uma solução, portanto este problema de valor
inicial não tem solução única. Mostre que a hipotese da lipchitzianidade na hipótese do teorema
de Picard falha para este problema.
30
Capı́tulo 3
onde as funções a e b estão definidas no intervalo I. Suponhamos que y1 e y2 são duas soluções
definidas em I, então, para quaisquer constantes c1 , c2 ∈ R a função c1 y1 + c2 y2 também é uma
solução. De fato, se consideramos a função z(x) := c1 y1 (x) + c2 y2 (x), temos que
z ′′ + a(x)z ′ + b(x)z = 0, ∀x ∈ I.
Isto significa que o conjunto de soluções da equação (1.2) forma um espaço vetorial.
Exemplo: Consideremos a equação diferencial homogênea
y ′′ + y ′ − 2y = 0.
31
Vimos que uma solução da equação linear de primeira ordem y ′ + ay = 0 é a função ϕ(x) = e−ax .
Este resultado permite cogitar a ideia de que a equação de segunda ordem tenha uma solução da
forma y(x) = eλx para alguma constante λ. Neste caso deveria-se ter que
de onde concluimos que a constante λ deve ser solução de λ2 + λ − 2 = 0, isto é λ = 1, −2. Assim
as funções y1 (x) = ex e y2 (x) = e−2x são soluções da equação. Segue da linearidade da equação que
c1 ex + c2 e−2x também é solução.
Em vista do exemplo anterior, cabe formular as seguinte questão: Encontradas duas soluções
particulares quaisquer y1 e y2 , de (1.2) num intervalo I, existe alguma outra solução distinta de
c1 y1 + c2 y2 ou todas as soluções são de esta forma?
A resposta a esta questão esta vinculada à noção de independência linear e dimensão do espaço
vetorial das soluções.
Dizemos que duas funções y1 e y2 são linearmente dependentes (L.D.) no intervalo I se existem
constantes c1 , c2 , não nulas simultaneamente, tal que
Exemplo Sejam λ1 ̸= λ2 , as funções y1 (x) = eλ1 x e y2 (x) = eλ2 x são linearmente independentes no
intervalo I = R. De fato, se
c1 eλ1 x + c2 eλ2 x = 0, ∀x ∈ R,
c1 + c2 = 0 e c1 eλ1 + c2 eλ2 = 0.
Da primeira equação temos que c2 = −c1 substituindo este resultado na segunda equação temos que
c1 (eλ1 − eλ2 ) = 0
32
Theorem 3.1.2 Sejam y1 , y2 duas funções deriváveis no intervalo I. Logo,
Proof: Provemos o primeiro item. Como y1 , y2 são L.D. no intervalo I, existe (c1 , c2 ) ̸= (0, 0) tal
que
c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0, ∀x ∈ I
c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0,
c1 y1′ (x) + c2 y2′ (x) = 0.
Proof: Basta mostrar (⇒), a outra implicação é consequência do teorema 3.1.2. Procedamos pelo
absurdo, isto é assumindo a hipótese suponhamos que existe x0 ∈ I tal que W (x0 ) = 0, logo o sistema
y1 (x0 ) y2 (x0 ) c1 0
′ ′ =
y1 (x0 ) y2 (x0 ) c2 0
tem uma solução (c1 , c2 ) não nula. Consideremos a função ϕ(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x), entã temos que
esta função é solução de (1.4) e satisfaz as condições iniciais
y(x0 ) = 0, y ′ (x0 ) = 0.
Como a função nula também é uma solução de (1.4) satisfazendo estas condições iniciais , por uni-
cidade de solução, temos que ϕ é identicamente nula, isto é, y1 e y2 são L.D. o qual é absurdo. 2
33
Theorem 3.1.4 (Abel) Sejam a, b funções contı́nuas no intervalo I consideremos y1 , y2 duas soluções
da equação
y ′′ + a(x)y ′ + b(x)y = 0. (1.5)
Então, fixando qualquer x0 ∈ I, o Wronskiano de y1 , y2 satisfaz
Z x
W (x) = W (x0 ) exp − a(s) ds , ∀x ∈ I.
x0
Observação: Aqui fica evidenciada que se y1 , y2 são soluções de (1.5) e W [y1 , y2 ](x0 ) ̸= 0 para algum
x0 ∈ I então W [y1 , y2 ](x) ̸= 0 para todo x ∈ I.
34
Método de Variação de Parâmetros: Segundas Soluções
Pra finalizar esta seção vejamos que, a partir de uma solução conhecida de ? que não se anula
num intervalo I, sempre podemos encontrar uma outra solução de tal forma que estas sejam linear-
mente independentes. Para atingir este objetivo usaremos o método de variação de parâmetros que
descreveremos a seguir. Suponhamos que y1 é uma solução intervalo I da equação
y ′′ + a(x)y ′ + b(x)y = 0,
e assumamos que y1 (x) ̸= 0 para todo x ∈ I. Sabemos que se multiplicamos esta solução por
qualquier constante u esta última ainda é solução de ?, porem esta não é LI com a primeira, sendo
assim é razoável pensar que variando os coeficientes u (dependendo de x), esta possa ser ainda uma
solução o cual seria LI com a primeira, assim, procuremos uma solução da forma y2 (x) = u(x)y1 (x).
substituindo esta função na equação temos que
e−A(x)
v(x) = c1
y12 (x)
e−A(x)
Z
u(x) = c1 dx + c2 ,
y12 (x)
35
3.2 Equações homogêneas com coeficientes constantes
Para a ∈ R, vimos que as soluções da equação homogênea de ordem um
y ′ + ay = 0,
são da forma y(x) = Ce−ax onde C é uma constante. Usemos esta ideia para encontrar soluções da
equação homogênea de segunda ordem
y ′′ + ay ′ + by = 0, (2.7)
onde a, b são constantes reais. Isto é, vejamos se esta equação admite soluções da forma y(x) := erx
para algum coeficiente r. Sendo assim, devemos ter que
r2 + ar + b = 0.
Esta equação é chamada de equação caracterı́stica da equação diferencial (2.7), sabemos que esta
equação tem no máximo duas soluções dadas por
√
a a2 − 4b
r=− ± .
2 2
Portanto um par de soluções para equação (2.7) dependeram da natureza destas raı́zes, os quais
descrevemos a seguir
1. Se a2 − 4b > 0 temos duas raizes reais distintas r1 e r2 : Neste caso y1 (x) = er1 x e y2 (x) =
er2 x é um par de soluções linearmente independentes, pois W [y1 , y2 ](x) = (r2 − r1 )e(r1 +r2 )x ̸= 0
para todo x ∈ R.
Note que
a
2y1′ + ay1 = 2 − e−a/2 + ae−a/2 = 0
2
Portanto a função u(x) deve satisfazer u′′ y1 = 0. Como y1 (x) ̸= 0 concluimos que u′′ ≡ 0 de
onde segue que
u(x) = k1 x + k2
36
onde k1 e k2 são constantes. Logo y2 (x) = k1 xy1 (x) + k2 y1 (x). Em particular tomamos
k1 = 1, k2 = 0, isto é
Observe que as funções y1 (x) = er0 x , y2 (x) = xer0 x são LI, pois
rx
e0 xer0 x
W (x) = det = e2r0 x ̸= 0, ∀x ∈ R
r0 er0 x er0 x (1 + r0 x)
y ′′ + 6y ′ + 9 = 0, y(0) = α, y ′ (0) = 0.
A equação caraterı́stica é dado por r2 + 6r + 9 = 0 a qual tem uma única raiz de multiplicidade
2, r0 = −3. por tanto, a solução geral da equação diferencial é dado por
Agora devemos encontrar as constantes c1 , c2 , de tal forma que satisfaça a condição inicial
α = y(0) = c1
0 = y ′ (0) = −3c1 e−3·0 + c2 (1 − 3 · 0)e−3·0
3. Se a2 − 4b < 0 temos duas raı́zes complexas conjugadas r = α ± iβ: Neste caso temos
duas soluções complexas
√
α 4b − a2
y1 (x) = e(α+iβ)x e y2 (x) = e(α−iβ)x , onde α = − , β =
2 2
Observe que
Analogamente y2 (x) = u(x) − iv(x) isto é y2 (x) = y1 (x). Como qualquer combinação linear
c1 y1 (x) + c2 y2 (x), c1 , c2 ∈ C
37
√
A equação caraterı́stica é dado por λ2 + 2 = 0 a qual tem duas raizes complexas, λ = 0 ± 2i.
por tanto, a solução geral da equação diferencial é dado por
√ √
y(x) = c1 e0·x cos( 2x) + c2 e0·x sin( 2x)
Agora devemos encontrar as constantes c1 , c2 , de tal forma que satisfaça a condição inicial
0 = y(0) = c1
√ √
− 8β = y ′ (0) = 2c2
admita uma solução não identicamente nula y = y(x) definida em [0, L]. Caso existam estes valores,
d2
estes são os autovalores do operador T = − dx 2 o qual definido num espaço de funções que se anulam
no bordo do intervalo [0, L], e as correspondentes funções não identicamente nulas são as autofunções.
Sabemos que as soluções de (2.9) são geradas por duas soluções linearmente independentes √ que
2
dependem das raı́zes da equação caracterı́stica r + λ = 0. Claramente as raı́zes são r = ± −λ,
portanto teremos as seguintes situações:
√
1. Se λ < 0 as raı́zes r = ± −λ são reais, neste caso a solução geral é da forma
√ √
−λx
ϕ(x) = c1 e + c2 e − −λx
0 = ϕ(0) = c1 + c2
√ √
−λL
0 = ϕ(L) = c1 e + c2 e− −λL
0 = ϕ(0) = c1
0 = ϕ(L) = c1 + c2 L
0 = ϕ(0) = c1
√
0 = ϕ(L) = c1 + c2 sin( λL)
38
Da qual concluimos que c1 = 0. Para que ϕ(x) não seja nula é necessário que c2 ̸= 0, logo para
que estas condições sejam atendidas é necessário que
√ √
sin( λL) = 0 ⇔ λL = nπ para algum n ∈ N
2
isto é λ deve ser da forma λ = λn onde λn := nπ L
onde n ∈ N. e neste caso para cada
autovalor λn temos a autofunção (solução não nula)
p nπ
ϕn (x) = sin( λn x) = sin( x).
L
Suponhamos que a função yp é uma solução particular de (3.10) no intervalo I. Denotemos com
ϕ qualquer outra solução de (3.10) no intervalo I. Consideremos a função yh (x) := ϕ(x) − yp (x),
observe que esta função satisfaz, para cada x ∈ I,
= f (x) − f (x)
= 0,
Alem disso, se y1 , y2 são duas soluções L.I. da equação homogênea (3.11) em I, então existem
constantes c1 , c2 tal que
onde c1 , c2 são constantes quaisquer. Esta última será a solução geral da equação não homogênea
(3.10). Assim, para encontrar todas as soluções da equação não homogênea, basta encontrar uma
solução particular desta e duas soluções LI da equação homogênea associada
Exemplo: Encontre todas as soluções (solução geral) de
y ′′ + y ′ = 3 cos(3x) − 9 sin(3x)
| {z }
f (x)
39
Solução A função yp (x) = sin(3x) é uma solução particular desta equação. A equação homogênea
associada é y ′′ + y ′ = 0 que tem como soluções LI, as funções
y ′′ + ay ′ + by = f (x).
Suponhamos que
Logo parece razoável procurar que a equação admita soluções (particulares) que pertençam a este
espaço, isto é, soluções da forma
Para encontrar coeficientes precisamos derivar esta função duas vezes e substituir na equação, porém
as derivadas de yp podem não pertencer a V o que tornaria esta ideia ineficaz. Nesse sentido, para
aproveitar esta ideia devemos escolher um espaço vetorial V tal que as derivadas das funções que
a conformam ainda pertençam a V. Como f ∈ V então o ponto de partida é escolher V de tal
forma que contenha também as derivadas de f . Escolhido V procuramos soluções particulares como
proposto acima. Este método é conhecido como Método dos Coeficientes a Determinar.
Exemplo: Encontremos uma solução particular para a equação diferencial não homogênea
y ′′ + 4y = |{z}
12x2 .
f (x)
f, f ′ , f ′′ ∈ V := {c0 + c1 x + c2 x2 : c0 , c1 , c2 ∈ R}.
Assim, procuraremos uma solução particular neste espaço, isto é, uma solução do tipo yp (x) =
k0 + k1 x + k2 x2 , onde k1 , k2 , k3 são constantes a determinar.
Daqui temos que k2 = 3, k1 = 0, k0 = −3/2. Então yp (x) = − 32 + 3x2 uma solução particular.
40
Exemplo: Encontremos uma solução particular da equação diferencial
y ′′ + y ′ + 2y = −4 cos(2x) .
| {z }
f (x)
Solução podemos observar que f ′ (x) = 8 sin(2x), f ′′ (x) = 16 cos(2x). Isto é,
f, f ′ , f ′′ ∈ V := {c1 cos(2x) + c2 sin(2x) : c1 , c2 ∈ R}.
Assim, procuraremos uma solução particular neste espaço, isto é, soluções do tipo yp (x) = k1 cos(2x)+
k2 sin(2x) onde k1 , k2 são constantes a determinar.
−4 cos(2x) = yp′′ + yp′ + 2yp
= [−4k1 cos(2x) − 4k2 sin(2x)] + [−2k1 sin(2x) + 2k2 cos(2x)]
+2[k1 cos(2x) + k2 sin(2x)]
= (−2k1 + 2k2 ) cos(2x) + (−2k2 − 2k1 ) sin(2x)
| {z } | {z }
=−4 =0
Daqui temos que k1 = 1, k2 = −1. Então yp (x) = cos(2x) − sin(2x) é a solução particular procurada.
Neste ponto alertamos o leitor funções da forma yp (x) = k cos(2x) podem não ser solução da equação
diferencial. De fato, se assumimos que a equação admite soluções desse tipo, terı́amos
−4 cos(2x) = yp′′ + yp′ + 2yp
= −4k cos(2x)] − 2k sin(2x) + 2k cos(2x)
= −2k cos(2x)] − 2k sin(2x)
de onde segue que −2k = −4 e −2k = 0, o qual é absurdo.
Exemplo: Encontremos uma solução particular para
y ′′ − y ′ − 2y = |{z}
e2x
f (x)
Solução Primeiro podemos observar que f ′ (x) = 2e2x , f ′′ (x) = 2e2x . Isto é,
f, f ′ , f ′′ ∈ V := {ce2x : c ∈ R}.
Assim, Procuraremos uma solução particular do tipo yp (x) = ke2x onde k é uma constante a deter-
minar, logo
e2x = yp′′ − yp′ − 2yp = 4ke2x − 2ke2x − 2ke2x = 0
o qual é absurdo, logo a equação não tem uma solução particular da forma yp (x) = ke2x . Por outro
lado observe que, se consideramos o espaço
W = {(c1 + c2 x)e2x : c1 , c2 ∈ R},
temos que
f, f ′ , f ′′ ∈ W, para todo .
Assim procuremos então soluções da forma yp (x) = (k1 x + k2 )e2x , onde k1 , k1 são constantes a
determinar, neste casso é necessário que
e2x = yp′′ − yp′ − 2yp
= 4(k1 x + k1 + k2 )e2x − (2k1 x + k1 + 2k2 )e2x − 2(k1 x + k2 )e2x
= 3k1 e2x
logo k1 = 1/3 e k2 qualquer.
41
Método de variação de parâmetros: Soluções Particulares
O método a seguir poderá ser aplicado para encontrar soluções particulares desta equação diferen-
cial para qualquer que seja a função f . Embora este método seja mais eficiente que o método de
coeficientes a determinar, na prática a dificuldade é maior.
Consideremos y1 (x), y2 (x) duas soluções L.I. da equação homogênea
y ′′ + a(x)y ′ + b(x)y = 0
Em vista desta informação tentaremos ver se hâ possibilidade de encontrar soluções particulares da
equação não homogênea (3.14) variando as constantes c1 , c2 em (3.15), isto é, procuraremos soluções
particulares da forma
onde u(x), v(x) são funções a ser determinadas. Vejamos que condições devem satisfazer estas
funções. Derivando yp tem-se
Neste ponto, ao derivar esta função lidaremos com um número maior de termos e com o intuito de
simplificar as contas, vejamos se ainda podemos encontrar soluções particulares (3.16) com u(x) e
v(x) satisfazendo a condição técnica:
u′ y1 + v ′ y2 = 0.
y 1 u′ + y 2 v ′ = 0
y1′ u′ + y2′ v ′ = f
42
o qual pode ser colocado na forma matricial
′
y1 y2 u 0
′ ′ ′ =
y1 y2 v f
Logo, segundo a regra de Cramer, a solução deste sistema é dado por
0 y2 y1 0
det det
f y2′ −y2 f y′ f yf
′
u = = , v =′
1 = 1
y1 y2 W y1 y2 W
det ′ ′ det ′ ′
y1 y2 y1 y2
onde W é o wronskiano de y1 , y2 . Daqui segue que
Z Z
y2 (x)f (x) y1 (x)f (x)
u(x) = − dx, v(x) = dx
W (x) W (x)
Exemplo: Encontre todas as soluções de
4y ′′ + 36y = csc(3x)
reescrevemos a equação de forma apropriada
1
y ′′ + 9y = csc(3x) .
|4 {z }
f (x)
43
3.4 Aplicações de Equações de Segunda Ordem
3.4.1 Sistema Massa-Mola
Movimento livre
Suponha que temos uma mola suspensa de um suporte rı́gido e que um objeto de massa m seja
conectada à sua extremidade livre. A distensão ou elongação da mola naturalmente dependerá da
massa, a diferentes massas teremos diferentes distensões. Pela Lei de Hooke, a mola exerce uma força
restauradora F em direção oposta ao alongamento a qual é proporcional a distensão da mola, isto é
existe uma constante k tal que F = ks. Esta constante é chamada coeficiente de rigidez da mola ou
simplesmente coeficiente de Hooke da mola. A força originada pelo peso da masa é W = mg onde g
é a constante gravitacional, assim o sistema fica em equilı́brio quando W = F , isto é, mg = ks. A
constante k pode ser encontrada a partir desta equação.
Se no instante t a massa for deslocada uma quantidade x da sua posição de equilı́brio, a força
restauradora será k(s + x), supondo que a mola não tenha mecanismos de amortecimento e não
existam forças externas (movimento livre), pela Lei de Newton, temos que
d2 x
m = −k(s + x) + mg = −ks + mg − kx = −kx.
dt2
p
Se denotamos com w = k/m temos que o deslocamento x é modelada pela equação
x′′ + w2 x = 0.
As soluções desta equação descrevem um movimento oscilatório dado por
x(t) = c1 cos(wt) + c2 sin(wt). (4.17)
Neste ponto introduziremos alguns conceitos fı́sicos inerentes a este fenômeno. O perı́odo da oscilação
é o tempo mı́nimo p necessário para que o movimento se repita, isto é
2π
wp = 2π ⇒ p= .
w
a frequência das oscilações f determina o número de ciclos completos realizados por unidade de
tempo, isto é
1 w
f= = .
p 2π
A amplitude da vibração é o maior valor, em valor absoluto, dos deslocamentos os quais dependerão
dos coeficientes c1 e c2 . Nesse sentido, se expressamos c1 , c2 em coordenadas polares temos c1 =
R cos(θ) e c2 = R sin(θ), onde R > 0 e 0 ≤ θ < 2π logo o deslocamento (4.17) pode ser escrito da
forma
x(t) = R cos(wt − θ),
p
e neste caso temos que a amplitude da oscilação é R = c21 + c22 . Assim as vibrações do movimento
livre oscilam indefinidamente assumindo valores entre −R e R.
Neste caso a mola sofre um efeito amortecedor, isto pode ser causado por exemplo pela resistência
que o ar no movimento o qual é uma força que age no objeto de forma proporcional a velocidade x′ .
Desta forma a equação que define o movimento é
d2 x
m 2
= −kx − k1 x′ .
dt
44
Considerando r
k k1
ω= , δ= ,
m 2m
a equação pode ser escrita da forma
Desta forma as soluções, segundo o tipo de raı́zes, podem ser da seguinte forma:
Caso I: Quando δ 2 − w2 > 0, dizemos que o sistema é superamortecido, e neste caso
√ √
δ 2 −w2 )t δ 2 −w2 )t
x(t) = c1 e(−δ+ + c2 e(−δ− .
√
Como δ > δ 2 − w2 seque que
√ √
δ 2 −w2 ) δ 2 −w2 )
lim e(−δ+ = 0, lim e(−δ− = 0,
t→∞ t→∞
portanto
lim x(t) = 0,
t→∞
isto significa que as vibrações tendem a estabilizar-se ao londo do tempo para sua posição de equilı́brio
x ≡ 0 de forma muito rápida
Caso II: Quando δ 2 − w2 = 0, dizemos que o sistema é criticamente amortecido, e neste caso
Como
lim e−δt = 0, lim te−δt = 0,
t→∞ t→∞
logo, embora as amplitudes das vibrações possam aumentar temporariamente, ao longo do tempo
tendem a se estabilizar-se na sua posição de equilı́brio.
Caso III: Quando δ 2 − w2 < 0, dizemos que o sistema é subamortecido, e neste caso
Como
lim e−δt cos((w2 − δ 2 )t) = 0, lim e−δt cos((w2 − δ 2 )t) = 0,
t→∞ t→∞
Movimento Forçado
Se uma força externa f (t) age no objeto então o movimento atende a equação diferencial
d2 x
m = −kx + f (t).
dt2
Considerando r
k f (t)
ω= , F (t) = ,
m m
a equação pode ser escrita da forma
45
Como as soluções dependem da forçante F (t) veremos algumas situações particulares. Consideremos
então que F (t) = F0 cos(γt) onde F0 , γ ∈ R. Então temos a equação
x′′ + w2 x = F0 cos(γt).
Neste ponto, como a forçante tem uma ação oscilatória de amplitude limitada sobre o objeto e as
soluções do movimento livre (equação homogênea) também oscilam com amplitude limitada é de se
esperar que as soluções desde problema também oscilem com amplitude limitada, porém isto não
necessariamente é verdade. Para ilustrar esta afirmação vejamos como são as soluções nos seguintes
casos: (i) γ 2 ̸= ω 2 (a forçante e o movimento agem em frequências distintas), e (ii) γ 2 = ω 2 (a
forçante e o movimento agem com as mesmas frequências).
Caso (i) Se γ 2 ̸= ω 2 encontremos uma solução particular da equação da forma
F0
xp (t) = cos(γt).
ω2 − γ2
Portanto, a solução geral da equação é
F0
xγ (t) = c1 cos(ωt) + c2 sin(ωt) + cos(γt), (4.18)
ω2 − γ2
Observamos aqui que as amplitude do movimento permanece limitada.
Caso (ii) Para entender bem este caso, vejamos em a particular que acontece com a solução da
equação que satisfaz as condições iniciais x(0) = 0, x′ (0) = 0 porem ainda com γ ̸= ω 2 . Então, na
solução anterior termos c1 = −F0 /(ω 2 − γ 2 ), c2 = 0. Consequentemente
cos(ωt) − cos(γt)
xγ (t) = −F0 .
ω2 − γ 2
Neste ponto, se γ tende a ω temos soluções de amplitudes limitadas que tendem a uma indeter-
minação, porém para levantar a indeterminação podemos usar a regra de H’ospital:
cos(ωt) − cos(γt)
xw (t) := lim xγ (t) = −F0 lim
γ→ω γ→ω ω2 − γ 2
t sin(γt) F0
= F0 lim = t sin(wt).
γ→ω 2γ 2w
F0
O Leitor pode verificar que de fato a função xw (t) = 2w t sin(wt) é solução da equação quando
′
γ = ω e satisfaz as condições inicias x(0) = 0, x (0) = 0. Neste caso podemos observar que as
amplitudes desta solução aumentam no decorrer do processo. Este fenômeno é conhecido como
Ressonância cujo significado fı́sico é a tendência de um sistema oscilar em máxima amplitude em
certas frequências conhecidas como frequências ressonantes. Nessas frequências, até mesmo forçantes
periódicas pequenas podem produzir vibrações de grande amplitude, pois o sistema armazena energia
vibracional.
No caso geral, para encontrar as soluções no caso γ 2 = ω 2 , quaisquer que sejam os dados iniciais,
iniciamos procurando uma solução particular da forma
F0
xp (t) = t sin(ωt),
2ω
46
logo a solução geral do da equação é
F0
x(t) = c1 cos(ωt) + c2 sin(ωt) + t sin(ωt).
2ω
Logo observamos que neste caso de modo geral acontece o fenômeno de ressonância ja que as soluções
desta tem amplitude ilimitada.
Deixamos para o leitor estudar o comportamento de um sistema Massa-Mola forçado amortecido
onde a força é da forma F (t) = F0 sin(γt).
47
3.5 Exercı́cios
1. Sabemos que combinações lineares de soluções de equações lineares homogêneas também são
soluções. Verifique, através dos seguintes exercı́cios, que em outros casos esta propriedade não
vale.
3. Sejam b ̸= a e y1 (x) = eax . Encontre todas as funções y que satisfazem W [y1 , y](x) = (b −
a)e(a+b)x .
(a) Mostre que a função y2 (x) = u(x)y1 (x) é solução da equação diferencial, se e somente se
e−A(x)
Z
u(x) = c1 dx + c2 .
y12 (x)
R
onde c1 , c2 ∈ R e A(x) = [q(x)/p(x)] dx.
(b) Mostre que {y1 , y2 } são linearmente independentes em I, se e somente se, c1 ̸= 0.
y ′′ + a(x)y ′ + b(x)y = 0.
48
7. Encontre todas as soluções de cada uma das seguintes equações
Em seguida, en cada um dos casos, determine os valores de α de tal forma que todas as soluções
não nulas tendam ao infinito quando x → ∞
y ′′ + 5y ′ + 6y = 0, y(0) = 2, y ′ (0) = β
y ′′ + 2y ′ + y = 0, y(0) = α, y ′ (0) = 0
onde α ∈ R. Em seguida
(a) Determine os valores de α para que a solução assuma seu valor mı́nimo em algum ponto
x0 ∈ R.
(b) calcule o limite de y(x0 ) quando α → ∞.
Em seguida,
(a) Encontre os valores de α de tal forma que lim y(x) = 0 para toda solução da equação
x→∞
diferencial.
(b) Encontre os valores de α de tal forma que lim y(x) não existe para toda solução da
x→∞
equação diferencial.
(c) Quais os valores de α onde as soluções da equação diferencial são limitadas no intervalo
]0, ∞[?
d2 y
+ λy = 0,
dx2
admite soluções reais não identicamente nulas (autofunções) definidas no intervalo [0, 1] quando
sujeita a uma das seguintes condições de contorno:
49
12. Seja (c1 , c2 ) ̸= (0, 0). Determine a relação entre b e β para que a equação
y ′′ + by = c1 cos(βx) + c2 sin(βx)
admita uma solução particular da forma yp (x) = k1 cos(βx)+k2 sin(βx), e neste caso determine
os coeficientes k1 , k2 .
y ′′ + ay ′ + by = eλx
(a) Prove que a equação tem uma solução particular da forma yp (x) = keλx se e somente se λ
não é raiz do polinômio p(r) = r2 + ar + b. Neste caso determine o valor de k.
(b) Prove que se λ é uma raiz simple de p(r) então a equação admite uma solução da forma
yp (x) = kxeλx . Dica: Se λ é raiz simple, então p′ (λ) ̸= 0.
(c) Prove que se λ é uma raiz dupla de p(r) então a equação admite uma solução da forma
yp (x) = kx2 eλx . Dica: Neste caso p′ (λ) = 0.
y ′′ + ay ′ + by = xn
n
X
admita uma solução particular da forma yp (x) = ki xi = k0 + k1 x + · · · + kn xn . Neste caso
i=0
determine o valor dos coeficientes ki .
e ϕ2 (x) é solução de
Isto é, a solução de uma equação não homogênea com condições iniciais é soma de soluções,
uma da equação homogênea com as mesmas condições iniciais e outra da não homogênea porém
com condições iniciais nulas.
50
17. Sabemos que podemos encontrar soluções da equação diferencial
da forma
onde y1 (x), y2 (x) são duas soluções LI da equação homogênea associada e u e v satisfazem
y2 (x)f (x) y1 (x)f (x)
u′ (x) = − , v ′ (x) = .
W [y1 , y2 ](x) W [y1 , y2 ](x)
(a) Mostre que, ϕ(x0 ) = 0 e ϕ′ (x0 ) = 0 se, e somente se, u(x0 ) = 0 e v(x0 ) = 0.
(b) Neste caso, prove que a solução de
é dada por
x
y1 (s)y2 (x) − y1 (x)y2 (s)
Z
ϕ(x) = f (s) ds.
x0 W [y1 , y2 ](s)
e dada por
Z x
y(x) = y0 cos(x) + y1 sin(x) + sin(x − s)f (s) ds.
0
y ′′ + β 2 y = f (x),
para os casos:
(a) f (x) = csc(βx), (b) f (x) = sec2 (βx), (c) f (x) = tan(βx).
21. Sejam α, β > 0, verifique é impossı́vel encontrar uma solução particular da forma yp (x) = ceαx ,
da equação
y(0) = 1, y ′ (0) = 2
22. Mostre que o seguinte problema de contorno no intervalo [0, π] não tem solução.
d2 y
+ y = 1, y(0) = 0, y(π) = 0.
dx2
51
23. [Redução de ordem] Considere a equação de segunda ordem
y ′′ + a(x)y ′ = f (x)
Note que se denotamos com u = y ′ então u satisfaz uma equação linear de 1a ordem. Encon-
trando a solução u podemos encontrar a solução y. Use estas idéias para encontrar as soluções
das seguintes equações diferenciais
y ′′ + x(y ′ )2 = 0, y ′′ − 2y ′ = −3xex
24. [Equações da forma y ′′ = f (y, y ′ )] Para este tipo de equações onde a função f não depende de
x, podemos resolve-lo da seguinte forma: introduzindo u(y) = dy/dx obteremos
du
= f (y, u)
dx
Sabemos pela regra da cadeia que du/dx = (du/dy)(dy/dx) =. Substituindo na equação
anterior temos
du
u = f (y, u)
dy
Assim encontrando uma solução u como função de y desta equação de 1a ordem e logo resolvendo
y ′ = u(y) obteremos as soluções do problema original. Use estas idéias para encontrar as
soluções de
y ′′ + y(y ′ )3 = 0, y ′′ + (y ′ )2 = 2e−y
25. Sejam ω > 0, F0 ∈ R. Para cada γ ̸= ω , mostre que a solução do problema de valor inicial
d2 x
+ ω 2 x = F0 cos(γt), x(0) = 0, x′ (0) = 0,
dt2
é dada pela função
F0
x(t) = (cos(γt) − cos(ωt)).
ω2
− γ2
Esboce o gráfico de esta função. Encontre a solução do problema de valor inicial quando γ = ω
e esboce seu gráfico.
26. Estude o comportamento das soluções ao longo do tempo de um circuito elétrico fechado con-
tendo um indutor, uma resistência e um capacitor onde a fonte de energia é E(t) = E0 sin(γt),
E0 , γ ∈ R.
(a) Derive a primeira equação para tentar eliminar y2 com a ajuda das equações acima. Neste
caso, mostre y1 satisfaz a equação de segunda ordem
y ′′ − tr(A)y ′ + det(A)y = 0,
onde
a b
A= , tr(A) := a + d.
c d
52
(b) Use as ideias do item anterior para encontrar a solução do sistema de equações
y2
y1′ = 3y1 −
2
′ y1
y2 = + 2y2
2
com condições iniciais y1 (0) = 1, y2 (0) = −1.
(c) Encontre a solução do sistema de equações
y1′ = y1 + y2 + ex
y2′ = y1 + y2
53