Konoha
País do Fogo
A neve caía do céu noturno, densa e opaca, tornando a visão e os passos um exercício de
agonia. Ren sentiu os pés descalços e doloridos, mas ignorou o incômodo. Seu foco
permaneceu no panorama branco, nas grandes árvores de troncos longos, todas engolidas
pelo manto do inverno.
om o corpo a tremer, ele caminhava com dificuldade. A neve cobria suas panturrilhas, e o
C
esforço para avançar o deixou apavorado. Ele tentava reconhecer o local, mas manter a
calma foi impossível sob o peso do medo, onde o desespero tornou-se uma dor real e
incômoda. O frio o desorientou.
entando correr, Ren caiu. Mas não se permitiu ficar ali. Apoiou as mãos no chão e olhou
T
para trás, procurando o motivo daquele pavor, mas nada encontrou. O medo habitou
apenas dentro dele, uma força sem rosto. A nevasca permitiu enxergar pouquíssima coisa,
mas a luz que emanou de uma única casa, um farol na brancura, lhe deu forças para se
arrastar.
Ele parou, contudo, quando um grito alto e agonizante lhe rasgou o ouvido, vindo de dentro
da casa iluminada. Assustado, olhou em volta, vendo as outras moradias escuras, tudo ao
redor tomado pela sombra.
grito pareceu dobrar de volume. Os sons ficaram tão intensos que, agora, pareceram sair
O
também das outras casas escuras. O medo e o frio cresceram em um ritmo insano,
fundindo-se em uma só força. Ele tentou se levantar, mas caiu de novo, levando as mãos às
orelhas quando os berros ficaram tão altos que pareceram estar sendo gritados dentro de
sua própria cabeça.
m sussurro chamou sua atenção, suave demais, perfurando o caos. Ele abriu os olhos que
U
tinha fechado.
— Ren…
ão viu nada. Apenas a névoa intensa. Naquele instante de agonia final, ele sentiu o toque
N
do vazio.
Ren sentiu o corpo ser sacudido com força. Vozes gritavam no seu ouvido.
Disparou, abrindo os olhos de repente e puxando todo o ar que conseguiu.
Apertou as pupilas, tentando entender o que estava acontecendo. A respiração ainda vinha
descompassada, mas logo se ajustou. Sua mente, confusa, começou a colocar as coisas no
lugar. O peso no peito foi diminuindo, até que o ar voltou a fluir.
— Naruto... — disse, meio eufórico pelo pesadelo, a voz baixa e rouca.
Se sentando na cama, o Shiranui fitou o garoto de roupas laranja e o velho óculos
pendurado na testa. Naruto sorria de orelha a orelha, todo animado, ignorando
completamente o olhar intenso que mostrava o quanto estava chateado com sua ação.
— Bom dia, Ren! — gritou animado.
Mesmo com o sono pesado, que não lhe dava a menor vontade de se levantar, levantou-se,
passando pelo loiro e indo até a janela que dava vista para Konoha. O vilarejo ainda estava
quase escuro, um sinal de que ainda havia tempo para descansar, o que o fez se virar
rapidamente na direção do amigo, que mantinha a cabeça levemente inclinada para baixo.
— Naruto! Ainda nem é manhã, é madrugada! Eu tenho que dormir… Tenho aula amanhã.
E você também.
Ren suspirou, voltando para perto da cama. Mas, antes que pudesse subir nela, sentiu o
braço ser agarrado, forçando-o a se virar para o autor da ação. Naruto o segurava firme, o
olhar fixo na própria mão que prendia o braço. Por um instante, o loiro pareceu não
perceber o que fazia, apenas ficou ali, imóvel.
Ren o observou em silêncio, sem entender direito o motivo daquela súbita seriedade. Então,
Naruto soltou seu braço devagar, e desviou o olhar.
— Nada... — murmurou, tentando soar casual, mas a voz saiu baixa demais. — Só... não
consigo pegar no sono, e queria te convidar pra sair comigo.
Ren piscou, confuso com a proposta inesperada. O loiro sorriu, um daqueles sorrisos
desajeitados que tentavam esconder o que realmente se passava dentro dele.
— Sair? Agora? Naruto, é de madrugada. — disse, cruzando os braços, num tom meio
incrédulo.
O loiro deu uma risadinha sem graça, coçando a nuca.
— É, eu sei... mas o céu tá bonito hoje, e... eu só queria conversar um pouco. Com você.
Havia algo diferente nele, uma sinceridade desconcertante, uma melancolia escondida por
trás daquele sorriso sem graça. Parecia o mesmo garoto barulhento e impulsivo de sempre,
mas com um brilho estranho nos olhos, que não era visto há um tempo.
Esse olhar... Ren já o tinha visto refletir nos olhos de Naruto antes, aquele olhar silencioso
que aparecia quando o garoto estava em tormento. Não era algo incomum para ele. Desde
pequenos, os dois se conheciam, e a amizade entre eles era genuína e forte, daquelas que
pareciam atravessar qualquer coisa.
Brigas eram quase incomuns, mas quando aconteciam, quase sempre por causa da
teimosia de Naruto, o loiro, com o orgulho lá no céu, corria para tentar conversar com Ren.
O último citado nunca o impediu. Sempre ouvia, sempre acolhia, mesmo quando o jeito
impulsivo de Naruto o deixava exasperado.
Naruto sempre fora o tipo que sorria para esconder a dor, e isso fazia Ren perceber quando
algo não ia bem, mesmo quando ninguém mais via. Os choros de Naruto eram raros, quase
secretos, mas aconteciam. Ren se lembrava bem de cada um deles, das noites em que o
som abafado dos soluços o acordava, ou dos dias em que o loiro aparecia à sua porta
fingindo estar bem, apenas para acabar adormecendo ali, com os olhos ainda marejados.
Quando chegaram aos oito anos, Naruto começou a mudar. O garoto extrovertido e
barulhento que todos conheciam começou a se fechar um pouco, como se parte daquele
brilho dentro dele tivesse se apagado. Ainda assim, isso nunca o impediu de invadir o
quarto de Ren, às vezes para conversar, às vezes para reclamar da vida, e outras vezes
apenas para deitar ao lado dele e dormir.
— Naruto, vamos dormir.
Tendo sua proposta negada, o loiro mexia os dedos, esperando ser expulso, mas mudou de
ideia ao levantar o rosto e ver os olhos azuis pálidos, quase chegando ao transparente,
fixos nele com intensidade. Ainda em pé ao lado da cama, Ren se aproximou e ergueu o
cobertor, um convite mudo para que ele se deitasse consigo.
Sem pensar duas vezes, Naruto tirou os sapatos e subiu na cama. O óculos que usava
sobre a cabeça foi removido, deixando a sensação leve e confortável. Ele observou o amigo
pegar os óculos de suas mãos e caminhar até a mesinha ao lado da cama, colocando-os ali
com cuidado. Ren voltou em silêncio, e o loiro se ajeitou sob as cobertas, puxando o
cobertor até o queixo.
Ren, ao perceber que Naruto se ajeitava para dormir, desviou o olhar para a janela aberta.
Caminhou até ela, os dedos roçando levemente a moldura da madeira fria.
— Tch… só não vou sozinho porque… porque não quero — murmurou baixinho,
emburrado.
— Durma, Naruto.
A voz calma de Ren quebrou o silêncio do quarto. Ele fechou a janela devagar, o som suave
do vento cessando quando fora fechada. Voltou para a cama em passos lentos, subiu e se
cobriu, deixando apenas o som da respiração dos dois preencher o ambiente.
Mesmo tendo mandado Naruto dormir, sua própria mente não lhe dava descanso. A
lembrança do sonho recente ainda o atormentava, um daqueles pesadelos sem sentido aos
quais já estava acostumado.
Ainda assim, agradecia em silêncio ao garoto à sua frente, a presença dele o havia tirado
daquela escuridão.
Naruto parecia já estar dormindo, encolhido sob as cobertas.
Ren ficou olhando por um momento as costas do mesmo, o peito leve e a mente em
silêncio.
Quase estendeu a mão para passar os dedos pelos fios loiros bagunçados do amigo, num
gesto delicado, mas parou antes de tocar.
Recolheu a mão, fechou os olhos e se deixou levar pelo sono, finalmente se permitindo
adormecer.
——
Os pássaros cantavam seus cânticos sobre Konoha, enquanto a vila ganhava vida em meio
ao movimento das ruas. Comerciantes chamavam por clientes, crianças corriam entre as
vielas, e o som das conversas se misturava ao sopro suave do vento. O sol despontava no
horizonte, dourando os telhados e revelando mais um dia de paz, onde ninjas já se
encontravam em suas posições, prontos para cumprir suas missões.
O som do riacho distante se misturava ao som da brisa, ecoando suavemente pelos
arredores da vila. Mas o que realmente chamava atenção eram dois garotos treinando
próximo a enormes árvores, cujos troncos pareciam gigantes diante do tamanho deles. O ar
era cortado por socos e chutes rápidos, acompanhados de suspiros pesados e o som seco
dos impactos.
— Chega, estamos atrasados.
voz feminina, irritada, ecoou entre as árvores, forte o suficiente para quebrar a
A
concentração dos golpes. Um dos garotos, no auge da distração, virou o rosto para a voz,
um erro fatal no meio do treino.
Seu adversário avançou num piscar de olhos, girando o corpo com precisão e
impulsionando-se com o pé direito. A ponta do pé acertou em cheio o queixo do outro
garoto, lançando-o para trás com força. O impacto o fez voar por alguns metros antes de
cair entre as folhas secas, levantando uma pequena nuvem de poeira.
— Não deve dar as costas para o inimigo.
A voz serena, porém firme, de Ren ecoou, fazendo o garoto caído erguer o olhar. Kaito era
amparado pela irmã ao lado, que o observava furiosa, já cansada daquela cena se repetir
todos os dias.
Ainda assim, Akane sabia que não adiantava interferir. Seria inútil tentar argumentar com os
dois teimosos. Mas ela não podia evitar, cravou um olhar raivoso em Ren. O garoto
mantinha o semblante calmo, sem se importar. Duas mechas brancas e finas do cabelo dele
caíam sobre os lados do rosto, balançando suavemente com a brisa, enquanto seu olhar
permanecia firme, quase desafiador.
— Cara, você me acertou de novo! — Kaito sorriu, se pondo de pé, já se recuperando.
Olhando irritada para o irmão, ela reagiu às suas palavras com rapidez e acertou um tapa
na cabeça dele. Kaito quase caiu novamente, mas conseguiu equilibrar-se rapidamente
sobre os pés. Instintivamente, levou a mão ao local atingido, massageando-o enquanto
lançava um olhar entre irritado e surpreso para a sua irmã.
— Sempre é isso, estou cansada já! Já estamos atrasados para a aula e vocês aqui
lutando! Sei que gostam, mas eu não gosto de ficar todo dia quase levando seu corpo
machucado para o hospital ou arrastado para a academia! — Disse a garota, chateada,
olhando para o ruivo que ainda esfregava a cabeça onde havia levado o tapa.
— Não exagere, Akane. Eu e o Ren só estamos aprimorando nossas habilidades. — Kaito
murmurou, olhando para ela com um leve sorriso.
— Só as do Ren, né? Porque até agora só vejo você servindo de saco de pancadas. —
Provocou a garota, um sorriso de escárnio crescendo nos lábios.
Kaito bufou, desviando o olhar, enquanto Ren mantinha a expressão calma, com um
pequeno sorriso quase imperceptível no canto dos lábios.
— Está certa, Akane. Vamos, já estamos atrasados. — disse Ren, caminhando até os dois.
Sempre foi assim, os três juntos. Desde quando se conheceram, os gêmeos inseparáveis e
Ren, o garoto quieto, mas sempre gentil e educado.
Eles eram bem conhecidos na aldeia por suas pequenas brincadeiras. Entre eles, Kaito e
Naruto eram os que mais aprontavam, usando suas habilidades em competições e
traquinagens. Haruna, embora sempre lhes desse sermões, por vezes acabava participando
das brincadeiras, incapaz de resistir à diversão. Ren, por outro lado, apenas ficava na sua,
observando. Kaito, Akane e Naruto eram, por si só, uma fonte constante de burburinho e
pequenos problemas.
As três cabeças eram, em conjunto, as grandes responsáveis por encher o Hokage de
reclamações diárias ditas pelos ninjas da vila.
Mas eles não se importavam.
Enquanto os três saíam apressados da área das árvores, voltando à trilha, caminhavam em
silêncio. Kaito tinha a mão em cima do hematoma dolorido no queixo, que era um lembrete
físico de sua derrota. O ar entre eles estava denso, não apenas pela pressa, mas pela
frustração visível no rosto do garoto.
— Na próxima, eu ganho. Apenas perdi porque a Akane me distraiu. — Kaito resmungou,
olhando de canto para a irmã.
A menina revirou os olhos com impaciência. Ela parou de andar, cruzando os braços, a
irritação ultrapassando a pressa para a Academia. Ren, que andava alguns passos à frente,
diminuiu o ritmo, observando a discussão preste a começar.
Ah, claro! A culpa é minha agora? — Haruna rebateu, a voz carregada de ironia. — Eu
—
disse que estávamos atrasados. Se a sua concentração é tão fraca que o som da minha voz
te faz dar as costas para o seu rival, talvez você devesse treinar menos Taijutsu e mais
controle mental.
Kaito bufou, desviando o olhar. O comentário irônico de Akane o acertou em cheio porque
tinha uma ponta de verdade insuportável. A verdade é que ele preferia esmagar um
adversário com força bruta e não suportava ter que estudar ou planejar, ao contrário de Ren
e Akane.
— Chega vocês dois, precisamos chegar logo lá. Vamos logo antes que Iruka-sensei brigue
com a gente.
A voz de Ren se fez presente, parando a discussão.
mbos os irmãos se olharam com chamas nos olhos, mas pararam assim que o amigo
A
começou a seguir em frente. Logo, o trio deixou a trilha de terra batida para trás, emergindo
na agitação da rua principal de Konoha. A diferença era palpável, o ar fresco da floresta deu
lugar ao cheiro de cozido e à poeira levantada pelos passos apressados.
Ramen, olhem! — Kaito exclamou, parando de correr por um instante para apontar para
—
uma barraca de fumaça aromática que já atraía alguns clientes famintos.
Akane o puxou pela gola da camisa.
Nem pense nisso, Kaito! Estamos no limite! Se você parar para ramen, Iruka-sensei vai
—
nos dar a pior bronca de todas!
— Mas só um cheiro não faz mal... — Kaito tentou argumentar, sendo arrastado.
en riu, um som baixo e controlado que quase foi abafado pela confusão da rua. Ele
R
rapidamente se colocou ao lado de Akane, ajudando a puxar Kaito.
Ela tem razão, Kaito. O cheiro é bom, mas vamos focar em chegar lá. Podemos ir comer
—
ramen depois das aulas, certo? — Ren sugeriu, olhando para o amigo sorrindo.
Certo, certo. Mas não se esqueçam que vocês me devem um ramen extra hoje. — Kaito
—
cedeu com um suspiro dramático.
Você deve a si mesmo um treino mais focado, isso sim! — Haruna provocou, soltando a
—
gola dele.
trio apressou o passo, misturando-se à multidão de Konoha. Eles passaram por shinobis
O
apressados, comerciantes que gritavam suas ofertas e alguns aldeões matinais. Academia
já estava visível, mas antes de atravessar, pararam rapidamente quando focaram nas
grandes quatro esculturas dos quatro Hokages.
As faces monumentais estavam, inegavelmente, cobertas de tinta colorida e desenhos
infantis grosseiros. Não eram pichações de mau gosto, mas sim obras de arte espontâneas
e caóticas que só poderiam pertencer a uma pessoa. Nem precisaram pensar para saber
quem fez aquilo.
— Naruto.
Os três murmuraram o nome em uníssono.
— Ele não tem jeito mesmo! Acha que vai dar tempo de limpar antes que o Terceiro Hokage
veja? — Kaito perguntou, já com um sorriso no rosto.
Não seja idiota, Kaito! O Terceiro Hokage provavelmente já viu. É por isso que o Naruto
—
está desaparecido! E nós vamos acabar de detenção com ele se não corrermos! —Akane
sibilou, puxando os dois pela manga para longe da visão dos monumentos.
en apenas balançou a cabeça, um pequeno sorriso discreto surgindo. A arte de Naruto era
R
ridícula, mas inconfundivelmente dele.
Eles finalmente chegaram ao portão da Academia. Para alívio deles, Iruka-sensei não
estava no pátio na espera deles como às vezes ficava. Eles se esgueiraram pelo pátio e
pelos corredores silenciosamente quase vazio e logo deslizaram para a porta deslizante da
sala de aula com o máximo de cuidado possível.
A cena que se desenrolou na sala fez Kaito prender o riso e Akane suspirar em derrota por
não ter chegado a tempo de evitar a confusão.
sala estava cheia de alunos sentados em seus lugares. E Iruka-sensei estava de pé,
A
furioso, e Naruto estava amarrado com uma corda forte no chão, bem no centro da sala. Ele
esperneava e gritava, a testa franzida em protesto inútil, o rosto manchado de tinta.
Eu já cansei, Naruto, você não passou nos testes de ontem e nem nos anteriores.
—
Amanhã você vai ter outra chance e está jogando pela janela. — O Sensei dizia para o
menino birrento no chão.
s três, assim que perceberam que poderiam passar despercebidos, caminharam devagar
O
para os lugares vagos. Ren se sentou na mesa ao lado da mesa onde Kiba e Sakura
estavam. Os irmãos sentaram atrás, na mesa ao lado onde Sasuke e Shikamaru estavam.
Kaito em provocação deu um sorriso disfarçado para Naruto, que o fuzilou com o olhar.
Ae… Por sua causa, Naruto, todo mundo vai ter que repassar o jutsu de transformação.
—
— Iruka gritou, sacudindo um dedo na direção do garoto no chão.
Todos na sala reclamaram, inclusive os que tinham acabado de chegar. Kaito e Akane
resmungaram baixinho, deixando escapar o descontentamento, enquanto Ren observava a
cena calmamente. Naruto sorriu para o ele do chão, um sorriso travesso, que recebeu um
de volta.
— Ren, Kaito, Akane, os três atrasados novamente. Sofreram seus castigos pelo atraso. —
O Sensei virou para eles, os olhos semicerrados.
Mas, Sensei, não tem nada a ver com o Naruto, nós... — Kaito tentou argumentar, mas
—
foi interrompido por um olhar cortante de Iruka.
— Sem "mas", Kaito! Atraso é atraso! Não importa a razão. Vocês sabem as regras! —
Iruka bradou. Ele apontou para os três com o dedo. — Mais uma hora de aula de reforço
hoje à tarde.
Não.
Ren abaixou a cabeça com o castigo. Mais uma hora de reforço. Ele não podia, a tarde ele
iria ajudar Naruto em algumas técnicas, como prometeu assim que acordaram naquela
manhã com o menino pulando em cima de si e implorando sua ajuda. Mas, pelo castigo e
pelo que o loiro tinha aprontado, teria que ser para outro dia. Ele apenas suspirou, um som
quase inaudível.
— Voltando... Já que o nosso amigo aqui insiste em testar minha paciência... vamos
repassar o Jutsu de Transformação. É uma técnica fundamental, e eu quero execuções
impecáveis! — Iruka-sensei declarou, soltando a corda de Naruto com um shuriken e
fazendo a corda enrolar de volta para o seu bolso.
Naruto se levantou, esfregando os pulsos e resmungando, o bico ainda nos lábios. Mas o
semblante logo mudou quando Ren se aproximou, tocando de leve em seu ombro, com um
sorriso e um balançar de cabeça em reprovação divertida. Depois, ficou ao lado dele, o
garoto de cabelos longos prateados era apenas alguns centímetros mais baixo que o loiro
exibido, que ainda encontrava um jeito de se gabar, mesmo com tão pouca diferença.
Sakura caminhou até a frente da sala.
— Muito bem, Sakura, a hora é essa. Transformação! — ela gritou, e com uma nuvem de
fumaça, a transformação se completou.
O resultado era uma cópia perfeita de Iruka-sensei.
— Transformou-se em mim? Bom. — O Sensei elogiou.
O "Iruka" de Sakura desfez a transformação com um puff e a garota comemorou, vitoriosa e
satisfeita com o dever cumprido, não antes de chamar a atenção de Sasuke, que parecia
não se importar com nada que estava ao seu redor.
— Sasuke-kun, viu só? — Ela disse, a voz cheia de expectativa.
Sasuke, porém, parecia completamente desligado, com seu olhar fixo em algum ponto
distante da parede, alheio a ela e a qualquer outra pessoa na sala. Ele nem sequer piscou.
Akane revirou os olhos com pela ação da mesma, um movimento que foi acompanhado
quase que em sincronia por Ino, que bufou. Ren observou a cena das duas, achando a
rivalidade e a obsessão delas por Sasuke cansativa. Ele então trocou um olhar significativo
com Kaito, que apenas revirou os olhos em resposta. Todos sabiam da obsessão irritante e
incessante das garotas pelo Uchiha.
— Próximo, Sasuke Uchiha.
Sasuke deu alguns passos à frente, e toda a atenção, principalmente a das três
admiradoras, se voltou imediatamente para ele.
Sem dizer uma palavra, a transformação foi instantânea. O controle de chakra era
impecável. A cópia de Iruka era idêntica à de Sakura, mas o movimento foi tão fluido que
até mesmo Ren, que observava atentamente, sentiu uma leve pontada de reconhecimento
pela habilidade. O que era raro, já que os dois não se davam bem.
Ren achava Sasuke egocêntrico demais, arrogante até, e o primeiro citado o considerava
um idiota. Embora o mesmo não fosse tão irritante quanto os seus três amigos, já que era
inteligente, reservado e bom aluno, mas ainda assim era amigo dos que causavam
confusão pela aldeia.
— Ren Hyōsen.
Ao ouvir seu nome, o prateado se moveu, parando no mesmo ponto onde os outros haviam
ficado. A agitação causada por Sasuke havia diminuído, as garotas pareciam desapontadas
pelo fim do show do Uchiha, e pouca atenção foi dada a ele.
en ergueu os olhos, encontrando o olhar de Iruka-sensei por um breve segundo. Ele não
R
fez alarde.
Puf!
A nuvem de fumaça foi controlada, dissipando-se quase instantaneamente. Onde Ren
estava, agora havia uma cópia de Iruka. A fumaça surgiu e pareceu ser sugada para dentro
no mesmo instante, compacta e controlada, desaparecendo sem deixar rastros.
A cópia era idêntica, assim como a de Sakura e Sasuke. A transformação de Ren era a
ausência total de instabilidade ou ondulação na forma, característica de um controle
disciplinado. O corpo do Iruka copiado estava perfeitamente parado, parecendo que a
transformação poderia durar o dia todo. Isso demonstrava que ele havia dominado a técnica
básica através da prática focada e da atenção aos fundamentos.
Muito bom, Ren. Execução limpa e forma estável. — Iruka piscou, acenando com
—
satisfação pelo desempenho técnico.
Os gêmeos e Naruto, deram um sorriso contente em seus lugares.
A fumaça surgiu novamente, e Ren voltou ao normal, seu rosto pálido e os cabelos brancos
emoldurando uma expressão neutra. Ele deu de ombros, como se a nota fosse óbvia, e
caminhou de volta ao seu lugar, passando direto pelo olhar indescritível de Sasuke.
— Certo. Próximo, Naruto…