Solos
O solo é formado, num processo contínuo, pela desagregação física e decomposição química das rochas.
Quando expostas à atmosfera, as rochas sofrem a ação direta do calor do Sol e da água da chuva, entre
outros fatores, que modificam os aspectos físicos delas e a composição química dos minerais que as
compõem. Em outras palavras, as rochas sofrem a ação do intemperismo físico e químico.
Intemperismo: conjunto de ações físicas, químicas e biológicas que causam a desagregação e a
decomposição das rochas. Seu resultado final é a formação dos solos. No intemperismo físico, o agente
causador é a temperatura; no químico, o agente causador é a água; no intemperismo biológico, o agente
causador são os seres vivos. É importante observar que eles agem conjuntamente.
O intemperismo químico ocorre principalmente nas regiões de clima úmido, como, por exemplo, no Brasil,
onde predomina o clima quente e úmido controlado por massas de ar equatoriais e tropicais. As
temperaturas quentes criam condições satisfatórias para o desenvolvimento da vegetação e favoráveis para
o aumento da quantidade de gás carbônico e ácidos orgânicos, substâncias de grande ação no processo de
decomposição química das rochas. O intemperismo químico não é somente o agente de formação dos
matacões, mas também do relevo arredondado, das “meias laranjas” ou dos “mares de morros”, das regiões
tropicais úmidas, como ocorre em parcelas do território brasileiro.
Em regiões tropicais úmidas, são necessários, em média, cem anos para a formação de uma camada de
apenas 1 centímetro de solo. Em áreas de clima frio e seco, esse período é ainda maior.
O solo se organiza em camadas com características diferentes, denominadas horizontes.
Pedogênese: processo que origina os solos e seus horizontes
Horizontes
O, A e B
- são os mais importantes para a agricultura dada a sua fertilidade: quanto mais equilibrada for a disponibilidade
de certos elementos químicos, como o potássio, o nitrogênio, o sódio, o ferro e o magnésio, maior é sua
fertilidade e seu potencial de produtividade agrícola
- Esses horizontes também são importantes para o ecossistema, por causa da densidade e variedade de vida em
seu interior (por exemplo, minhocas, formigas e microrganismos).
O processo de formação dos solos, assim como a erosão, é modelador do relevo. Ao longo do tempo
geológico, as rochas que sofreram intemperismo vão se transformando em solo e a sua porosidade permite
a penetração de ar e água, criando condições favoráveis para o desenvolvimento de organismos vegetais e
animais, bem como de microrganismos. O solo, portanto, é constituído de partículas minerais, matéria
orgânica, água e ar.
Constituição dos solos
- Partículas minerais: apresentam composição e tamanhos diferentes, dependendo da rocha que lhe deu origem.
Quanto ao tamanho, as partículas podem ser classificadas em frações: argila, silte, areia fina, areia grossa e
cascalho (variando do menor ao maior tamanho).
- Matéria orgânica: formada por restos vegetais e animais não decompostos e pelo produto desses restos depois
de decompostos por microrganismos. O produto resultante dessa decomposição é o húmus.
- Húmus: material orgânico, formado por microrganismos, restos de plantas e animais em decomposição.
- Água: fica retida por tempo determinado nos poros do solo. Sua reposição é feita, principalmente, pela chuva
ou pela irrigação. A água do solo contém sais minerais, oxigênio e gás carbônico, constituindo um importante
meio para fornecer nutrientes aos vegetais.
- Ar: ocupa os poros do solo não preenchidos pela água. É essencial para as plantas que absorvem oxigênio pelas
raízes; além disso, em abundância, favorece a produção de húmus.
Fatores de formação dos solos
O tipo de rocha matriz, o clima, o relevo, os organismos e a ação do tempo são os fatores determinantes
para a origem e evolução dos solos.
Fatores de formação dos solos
- Rocha matriz: sob as mesmas condições climáticas, cada tipo de rocha exposta ao intemperismo dá origem a um
tipo de solo diferente, dependendo de sua constituição mineralógica.
- Clima: a temperatura e a umidade regulam a velocidade, a intensidade, o tipo de intemperismo das rochas, a
distribuição e o deslocamento de materiais ao longo do perfil do solo. Quanto mais quente e úmido for o clima,
mais rápida e intensa será a decomposição das rochas, pois o aumento da temperatura e da umidade acelera a
velocidade das reações químicas. Solos de climas tropicais são mais profundos que de climas temperados (menos
quentes) e áridos (menos úmidos).
- Relevo: com suas diferentes formas, proporciona desigual distribuição de água da chuva, de luz e calor, além de
favorecer ou não os processos de erosão. As diferenças topográficas facilitam, por exemplo, o acúmulo de água
das chuvas em áreas mais baixas e côncavas e aceleram a velocidade de escoamento dela em vertentes íngremes.
As vertentes mais expostas à insolação tornam-se mais quentes e secas do que outras faces menos iluminadas,
que, no hemisfério sul, estão voltadas predominantemente para a direção sul.
- Organismos: compreendem os microrganismos (bactérias, algas e fungos), que são decompositores, e os
vegetais e animais. Todos são agentes de conservação do solo. Já o ser humano, por exemplo, pode degradar ou
conservar o solo, dependendo do uso que faz dele.
- Tempo: período de exposição da rocha matriz às condições da atmosfera. Solos jovens são geralmente mais
rasos que os velhos.
Nas áreas de declividade acentuada, os solos são mais rasos porque a alta velocidade de escoamento das
águas diminui a infiltração; assim, a água fica pouco tempo em contato com as rochas, diminuindo a
intensidade do intemperismo. Além disso, o material decomposto ou desagregado é rapidamente
transportado para as baixadas – por isso, no pico de serras e de montanhas, a rocha costuma ficar exposta,
sem nenhum recobrimento.
Conservação dos solos
A principal causa da erosão, notadamente em países de clima tropical, é a retirada total da vegetação
(muitas vezes feita por meio de queimadas) para implantação de culturas agrícolas e pastagens.
Erosão
- Os fragmentos da rocha que sofreram intemperismo ficam livres para serem transportados pela água que
escorre na superfície (erosão hídrica) ou pelo vento (erosão eólica). No Brasil, o escoamento superficial da água
é o principal agente erosivo. Como os horizontes O e A são os primeiros a serem desgastados, a erosão prejudica
o ecossistema e a fertilidade natural do solo.
- A água é o principal fator de erosão dos solos.
- Outros fatores ou variáveis da erosão do solo: o tipo de solo (solos arenosos são mais suscetíveis à erosão); a
estrutura, a espessura e as forças de coesão entre as partículas que formam os agregados dos solos; a
quantidade, duração e frequência das chuvas; a cobertura vegetal existente na área; o comprimento e o grau de
declividade das encostas e a qualidade da ação antrópica.
Toda atividade agrícola provoca a degradação dos solos ao longo do tempo, mas a intensidade varia, dependendo do
tipo de cultura e das técnicas utilizadas (uso de agroquímicos, espaçamento entre fi leiras, cobertura do solo, prática
de queimadas, entre outras).
Práticas para diminuir a velocidade de escoamento da água das chuvas e da erosão: Terraceamento, curvas de nível,
associação de culturas, cultivo de árvores, etc.
- Terraceamento: consiste em fazer cortes nas superfícies íngremes para formar degraus – terraços. Esse
procedimento possibilita a expansão das áreas agrícolas em regiões montanhosas e populosas, por isso é muito
comum em países asiáticos, como China, Japão, Tailândia e Filipinas.
- Curvas de nível: prática que consiste em arar o solo e depois semeá-lo seguindo as cotas altimétricas do relevo,
o que por si só já reduz a velocidade de escoamento superficial da água da chuva. Para reduzi-la ainda mais, é
comum a construção de obstáculos no terreno, espécie de lombadas, com terra retirada dos próprios sulcos
resultantes da aração. Com esse método simples, a perda de solo agricultável é sensivelmente reduzida.
- Associação de culturas: em cultivos que deixam boa parte do solo exposta à erosão (como algodão e café), é
comum plantar, entre uma fileira e outra, espécies leguminosas (feijão, por exemplo), que recobrem bem o
terreno. Além de reduzir a erosão, essa prática favorece o equilíbrio orgânico do solo.
- Cultivo de árvores: em regiões onde os ventos são fortes e a erosão eólica é intensa, pode-se plantar árvores
em linha para formar uma barreira que quebre sua velocidade e, consequentemente, reduza sua capacidade
erosiva
- Adequar as culturas aos tipos de solo, respeitando seu limite, sua possibilidade de uso;
- Adubar o solo, tanto para corrigir uma deficiência de nutrientes como para repor o que o cultivo retira dele;
- Revezar culturas, já que cada uma delas tem exigências diferentes em relação aos nutrientes do solo.
Solos aluviais: provenientes de rochas de outros locais (geralmente de terras mais altas) que se
transportaram.
Solos eluviais: formadas por rochas que se decompuseram no mesmo local.
Orgânicos: formados a partir de materiais orgânicos.
Solos no Brasil (Alfacon)
Massapê
Propício para o cultivo da cana-de-açúcar.
Localizado no Nordeste do país, na Zona da Mata.
Possui uma textura escura e argilosa; solo fértil.
Terra Roxa
Localiza-se no Centro-Sul.
É proveniente do desgaste do basalto (formado pela lava vulcânica). Houve sucessivos derrames basálticos,
que ocasionaram num solo extremamente fértil.
São solos muito férteis, que proporcionaram o cultivo, por exemplo, da cultura do café; extremamente
propício para a agricultura.
Um exemplo de onde se encontra a terra roxa é o Planalto Meridional, que é um planalto sedimentar com
basalto.
Saumorão
Ocorre em quase todo o Brasil. Abrange praticamente todo o Centro-Oeste, que é a maior região produtora
mundial de soja, graças às tecnologias desenvolvidas, tais como a calagem, a fim de tornar o solo menos
ácido e propício para a agricultura.
É um solo arenoso, composto por sedimentos.
Não é propício para a agricultura, pois é ácido.
Aluviais
São solos transportados (para outros locais). Estão espalhados por todo o Brasil, mas mais concentrados na
Amazônia, que conta com a maior quantidade de rios (os solos são transportados, principalmente pelos
rios).
Solos que estão principalmente nas beiras de rios.
Voçorocas
São grandes sulcos no terreno, formado pela água das chuvas, especialmente as chuvas fortes. Em alguns
lugares, as voçorocas podem atingir dezenas de metros de largura e profundidade, impossibilitando o uso do
solo para atividades agrícolas e urbanas.
São rasgões mais largos e mais profundos do solo que as ravinas, com laterais bem mais inclinadas,
geralmente com fundo plano ou chato.
As áreas voçorocadas são de difícil recuperação, podendo-se apenas controla-las por meio do desvio do
escoamento superficial da água. As voçorocas constituem problema muito sério de erosão.
Para impedir a formação das voçorocas, a primeira ação deve ser o desvio do fluxo de água. Se a topografia
do relevo não permitir esse desvio, deve-se controlar a velocidade e o volume da água que escoa sobre o
sulco. Isso pode ser feito com o plantio de grama (se a declividade das paredes do sulco não for muito
acentuada) ou com a construção de taludes – degraus responsáveis pela diminuição da velocidade de
escoamento da água –, recurso usado em rodovias brasileiras. Outra solução bastante utilizada e difundida é
a construção de uma barragem e o consequente represamento da água que escoa tanto pela superfície
quanto pelo subsolo. Esse represamento faz com que a voçoroca fique submersa e receba sedimentos
trazidos pela água, que com o tempo a estabilizam.
Movimentos de massa
Em encostas que apresentam declividade acentuada, os movimentos de massa são fenômenos naturais, ou
seja, fazem parte da dinâmica externa da crosta terrestre e são agentes que participam da modelagem do
relevo ao longo do tempo.
No Brasil, onde existem muitas regiões serranas sujeitas a elevados índices pluviométricos, os
escorregamentos de solos nas encostas são muito frequentes, principalmente no verão, quando as chuvas
são abundantes e tornam o solo mais saturado e pesado. Esse fenômeno faz parte da dinâmica da natureza
e acontece independentemente da intervenção humana. Há, entretanto, um grande número de movimentos
de massa provocados pela ação antrópica, ou seja, pela ação humana. Geralmente, estão associados ao
desmatamento, à ocupação irregular de encostas e ao peso acumulado sobre o solo (tanto em áreas
urbanas quanto agrícolas), como pedreiras e depósitos de lixo. Esses desastres são noticiados com destaque
pela imprensa e são recorrentes na época das chuvas.
Conservação dos solos em florestas
Em uma floresta, as árvores servem de anteparo para as gotas de chuva que escorrem pelos seus troncos,
infiltrando-se no subsolo. Além de diminuir a velocidade de escoamento superficial, as árvores evitam o
impacto direto da chuva no solo.
Consequências da retirada de vegetação dos solos:
- Aumento do processo erosivo e empobrecimento do sol;
- Assoreamento de rios e lagos, prejudicando a navegação, causando enchentes e desequilíbrio ambiental;;
- Extinção de nascentes, rebaixamento do lençol freático (que pode causar problemas de abastecimento);
- Possível diminuição dos índices pluviométricos e da evapotranspiração. Estima-se que metade das chuvas caídas
sobre as florestas tropicais seja resultante da evapotranspiração, ou seja, troca de água da floresta com a
atmosfera;
- Elevação das temperaturas locais e regionais, como consequência da maior irradiação de calor para a atmosfera
por causa do solo exposto. A floresta absorve boa parte da energia solar pelo processo de fotossíntese e
transpiração. Sem a floresta, quase toda essa energia é devolvida para a atmosfera em forma de calor, elevando
as temperaturas médias;
- Agravamento dos processos de desertificação e arenização;
- Redução ou fim das atividades extrativas vegetais e a inviabilização do turismo ecológico;
- Proliferação de pragas e doenças pelos desequilíbrios nas cadeias alimentares. Algumas espécies, antes sem
nenhuma nocividade, passam a proliferar com a eliminação de seus predadores, podendo causar graves prejuízos
econômicos e ambientais.
Fenômenos que podem acontecer ao solo