1
1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA
É notória a interferência da ação antrópica na dinâmica do meio físico. Processos
como urbanização e industrialização, quando não conduzidos adequadamente, podem gerar
quadros de degradação ambiental. Por degradação ambiental entende-se como o
“esgotamento ou destruição de um recurso potencialmente renovável, como solo,
pastagem, floresta ou vida selvagem por sua utilização num ritmo mais rápido do que seu
reabastecimento natural” (DICIONÁRIO DE ECOLOGIA E CIÊNCIAS AMBIENTAIS,
2001, p.147).
A degradação ambiental é observável desde o processo de sedentarização das
comunidades. Assim, a evolução das forças produtivas vai respondendo pelo avanço na
forma de apropriação e transformação da natureza, criando a “segunda natureza”, ou seja,
modificando as condições naturais originais e primitivas (CASSETI, 1991).
Ainda que a degradação do meio ocorra desde o surgimento das primeiras
civilizações, foi a partir da Revolução Industrial, sobretudo através dos processos de
industrialização e urbanização que esse processo passa a ocorrer com maior intensidade.
Desde a segunda metade do século XX, observa-se a expansão das áreas urbanas
em detrimento das rurais (SPÓSITO, 2004), ainda que de forma desigual por todo o País.
O incremento demográfico nas áreas urbanas se deu paralelamente ao crescente processo
de industrialização, “justificado pela maior demanda de mão-de-obra, sobretudo a partir
das décadas de 1930 e 1940, mas também por conta do êxodo rural, motivado pela
tendência à mecanização e a mudança de atividades rurais, com menor absorção de mão-
de-obra” (FAUSTO, 2003, p. 589).
O aumento da população urbana, ainda que justificado pela oferta de postos de
trabalho nas indústrias das cidades a partir deste período, ocorreu em descompasso com a
conservação do meio físico, o que pode ser observado através de ocupações indevidas de
alguns compartimentos de relevo, como fundos de vale e encostas íngremes,
desmatamentos em áreas que deveriam ser de preservação permanente, lançamento de
efluentes em cursos d’água, entre outras ações degradantes que vieram a gerar diversos
problemas ambientais, principalmente os processos de dinâmica superficial como erosão,
movimentos de massa, assoreamento, inundação, etc. (OLIVEIRA; BRITO, 1998).
2
Nesse sentido, a ocupação de alguns compartimentos de relevo, como os fundos de
vale e encostas íngremes, oferece perigo às atividades ali desenvolvidas e às residências
edificadas nesses locais, uma vez que se configuram como áreas de risco à vida humana.
“(...) Neste caso, são consideradas áreas de risco, ambientes susceptíveis
à ação dos agentes naturais que colocam em risco a vida da população
que ali vive, a partir de uma relação de causa e efeito, tendo como causa
a ocupação de áreas impróprias que deveriam ser destinadas à
preservação e manutenção dos sistemas naturais e como efeito a
alteração do funcionamento desses sistemas expondo freqüentemente
comunidades aos efeitos dos agentes naturais causados pela sazonalidade
(...)” (SANTOS, J. 2006, p.26).
Além disso, constata-se que a ocupação de áreas de maior fragilidade ambiental, é
caracterizada por classes sociais de baixo poder aquisitivo, sendo estes locais uma das
poucas possibilidades de sobrevida, bem representadas pelas favelas e moradias
ribeirinhas. A esse respeito, segundo Maricato citado por Santos, J. (1996, p.47),
“(...) É nessas áreas rejeitadas pelo mercado imobiliário privado e nas
áreas públicas situadas em regiões desvalorizadas que a população
trabalhadora pobre vai se instalar: beira de córregos, encostas dos
morros, terrenos sujeitos a enchentes ou outros tipos de riscos, regiões
poluídas ou, (...) áreas de proteção ambiental (onde a vigência de
legislação de proteção e ausência de fiscalização definem a
desvalorização) (...)”
Da mesma forma que essa parcela marginalizada da população se apropria de forma
indevida dessas áreas, configurando um quadro de exclusão social, pode-se observar
também uma política de parcelamento de uso do solo que privilegia uma minoria de maior
poder econômico. Isso ocorre, ao contrário do primeiro caso, porque os recursos naturais
como rios e áreas verdes tendem a agregar valor aos imóveis, representando o contato com
a natureza na busca de maior qualidade de vida, manifestado na venda de uma paisagem
supostamente natural.
Sendo assim, constata-se que os recursos naturais, em especial os cursos d’água,
desempenham funções díspares. Ao analisar as duas formas de ocupação do solo, é
possível apreender que nas áreas ocupadas pela população de baixa renda, o meio natural é
o principal fator de risco para a vida das pessoas que ali residem, enquanto que nas áreas
ocupadas pela parcela de alto padrão, muitas vezes esses riscos são suprimidos através de
obras, além de haver a valorização comercial dessas áreas em virtude do que hoje é um
importante artifício para a especulação imobiliária: a proximidade com os recursos
naturais, vegetação e corpos d’água, como recursos paisagísticos.
3
Inserido nesse contexto, o município de Ourinhos, localizado no Sudoeste do
Estado de São Paulo, seguiu este mesmo modelo de ocupação contraditória dos diferentes
compartimentos de relevo, em especial, das baixas vertentes das planícies aluviais. Sendo
assim, o presente trabalho tem como objetivo identificar os riscos ambientais a que estão
sujeitas as microbacias dos Córregos da Chumbeadinha e Furninhas, no município de
Ourinhos/SP. Para tanto, utilizou-se dos procedimentos metodológicos preconizados por
Oliveira e Robaina (2002), em que os referidos autores analisam a susceptibilidade natural,
o padrão urbano e a ocorrência de eventos registrados para estabelecer as áreas de risco
ambiental.
Os recortes espaciais propostos para serem pesquisados apresentam características
naturais semelhantes com padrão de ocupação diferenciada. Além disso, as mesmas são
tributárias da bacia do Rio Paranapanema, o por si só demonstra a relevância deste
trabalho.
4
2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO MUNICÍPIO DE OURINHOS/SP
Abrangendo uma área de 296 km² (IBGE, 2007), o município de Ourinhos localiza-
se a Sudoeste do Estado de São Paulo, no Vale Médio do Rio Paranapanema (Figura 1).
Limita-se ao Norte com os municípios de São Pedro do Turvo; a Nordeste com
Santa Cruz do Rio Pardo; a Noroeste com Salto Grande; ao Sul com o município de
Jacarezinho, no Paraná; a Sudeste com Chavantes e a Sudoeste com Cambará e
Jacarezinho, ambas no Paraná. Precisamente, o ponto central do município apresenta as
seguintes coordenadas geográficas: 22°58’28” de Latitude Sul e 49°52’19” de Longitude
W (PREFEITURA MUNICIPAL DE OURINHOS, 2007).
No que diz respeito à formação geológica, de acordo com Petrobrás (1997), tem-se
a morfoestrutura da Bacia Sedimentar do Paraná, Unidade esta situada na parte meridional
do Brasil, com área de 1,1 milhões km² em território brasileiro. A Bacia teve origem no
Devoniano Inferior (FÚLFARO et al., 1983) e é formada predominantemente por material
de origem sedimentar, ocorrendo também lavas basálticas e sills de diabásio (IPT, 1981). O
referido município está situado, sobretudo, em domínios do Grupo São Bento, Formação
Serra Geral. Esta formação caracteriza-se por apresentar rochas vulcânicas toleíticas em
derrames basálticos de coloração cinza a negra, textura afanítica, com intercalações de
arenitos intertrapianos finos a médios, de estratificação cruzada tangencial (IPT, 1981).
Baseado no Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo (ROSS; MOROZ,
1997), o município de Ourinhos está inserido na morfoescultura denominada Planalto
Ocidental Paulista, mais precisamente no Planalto Centro Ocidental. Esta unidade, ainda de
acordo com os referidos autores, se caracteriza por vales pouco profundos com encostas de
inclinações suaves (10 a 20 %), proporcionando um relevo suavemente ondulado sob
forma de colinas amplas e baixas, com topos aplainados. Essa característica topográfica
permite o desenvolvimento de monoculturas como a cana-de-açúcar, que é uma realidade
na região de Governo na qual Ourinhos é o principal município.
Localização do município de Ourinhos no Sudoeste do Estado de São Paulo com destaque para a rede de
drenagem: circulado em rosa, microbacia do Córrego das Furninhas; contornado em roxo, microbacia do
Córrego da Chumbeadinha.
Prefeitura Municipal de Ourinhos (2006)
5
6
De acordo com a classificação climática de Strahler (1969) citado por Ayoade
(2007), a Bacia do Paranapanema está localizada em uma área de influência das massas de
ar tropical e polar e no sub-grupo do clima subtropical úmido das costas ocidentais e
subtropicais dominadas largamente pela Massa Tropical Marítima. Segundo Köppen
(CEPAGRI, 2008), o Médio Vale do Paranapanema se encontra na classificação Cfa, que
representa um clima mesotérmico úmido, sem estação seca e com verão quente. No
entanto, em Ourinhos, se observa que a estação fria destoa dos outros municípios da região
do Médio Paranapanema, apresentando o inverno mais seco, o que a qualifica como Am-
clima tropical chuvoso com inverno seco, onde o mês menos chuvoso tem precipitação
inferior a 60 mm e o mês mais frio tem temperatura média superior a 18°C.
Segundo o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO,
2008), a temperatura média máxima no município varia entre 24 a 28°C e a temperatura
média mínima, entre 17 e 18°C. Segundo Malvestio (2008), a média pluviométrica do
Médio Vale do Paranapanema foi de 1461mm, representativo para o município de
Ourinhos, que teve como média 1470 mm. Esses totais pluviométricos e temperaturas
relativamente altas são importantes fatores para a formação dos solos que se desenvolvem
no município de Ourinhos/SP.
Considerando o solo fruto da interação do clima, relevo, organismos, material de
origem e tempo suficiente para que possa haver interação entre todos os fatores, é possível
afirmar, baseado no Mapa Pedológico do Estado de São Paulo (EMBRAPA, 1999) que a
combinação desses fatores resultou na formação de Latossolos na área de estudo. Os
latossolos são formados por material mineral e apresentam um horizonte B Latossólico
logo abaixo do horizonte superficial, a menos de 2 metros da superfície, ou a menos de 3
metros, no caso de horizonte superficial apresentar mais 1,5 metro de espessura (FREIRE,
2006).
Essa categoria de solos, conforme suas principais características supracitadas,
denotam baixa susceptibilidade natural a processos erosivos, visto a predominância da
matriz argilosa e sua ocorrência em áreas de relevo suave. Sendo assim, os mesmos são
favoráveis ao uso intensivo de máquinas agrícolas. Essa característica qualifica tais solos
entre os mais adequados à agricultura extensiva no Estado de São Paulo (OLIVEIRA,
7
1999). Posem, se as práticas de apropriação não forem conduzidas adequadamente, podem
se implantar quadros erosivos tão espetaculares quanto em qualquer outro tipo de solo.
Nas planícies aluviais, há o predomínio de solos que sofrem processos de
hidromorfismo, influenciados pela presença constante ou eventual da água fluvial ou
subterrânea. No município de Ourinhos, encontram-se os gleissolos como representantes
dos referidos solos. Segundo EMBRAPA (1999, p. 89);
“(...) Estes são solos constituídos por material mineral, com horizonte
glei imediatamente abaixo do horizonte A, ou de horizonte hístico com
menos de 40 cm de espessura; ou horizonte glei começando dentro de 50
cm da superfície do solo. Não apresentam horizontes plíntico ou vértico,
acima do horizonte glei ou coincidente com este, nem horizonte B
textural com mudança textural abrupta coincidente com glei, nem
qualquer tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte glei (...)”
Os gleissolos sofrem sérias limitações de uso impostas pela presença de lençol
freático e a pouca profundidade. Além disso, em razão de ser formado por sedimentos
aluviais, geralmente apresentam textura irregular ao longo do perfil, ás vezes com
variações texturais muito grande entre os horizontes, sendo de difícil previsão no que diz
respeito à permeabilidade e à capilaridade (OLIVEIRA et al., 1999).
A depender da qualidade da argila, alguns gleissolos são muito apreciados para a
indústria oleira, o que se confirma através do desenvolvimento de dezenas indústrias
cerâmicas nas proximidades das várzeas dos rios Paranapanema e Pardo, atividade pela
qual Ourinhos foi reconhecida regionalmente por muitos anos.
Considerando as variáveis fisiográficas supracitadas, é possível inferir que a
formação vegetal resultante das interações que originalmente cobria o município de
Ourinhos é a Floresta Estacional Semidecidual, popularmente conhecida como Mata
Atlântica de Planalto. Cumpre esclarecer que grande parte dessa vegetação foi dizimada,
restando pequenas manchas. Essa formação vegetal tem como importante característica o
fato de que de 20 a 50 % de suas espécies perdem as folhas durante os períodos secos, o
inverno no caso. É uma mata densa (fechada) com altura média de 25 a 30 metros, rica em
cipós, bromélias e samambaias. É a formação mais degradada do Estado de São Paulo
(possui extensa fragmentação), por estar em áreas que passaram e ainda passam por
grandes transformações econômicas e crescimento populacional acelerado.
8
A retirada da cobertura vegetal original cedeu lugar para a expansão da cultura do
café no Oeste paulista no início do século XX, na qual colonos italianos iniciaram o cultivo
desta monocultura e posteriormente algodão às margens do Rio Paranapanema.
O município surgiu de uma vila de trabalhadores, que, no início do século XX,
atuava no desmatamento das terras designadas à instalação dos trilhos da Estada de Ferro
Sorocabana.
No ano de 1908, houve a inauguração da Estação Férrea de Ourinhos, onde, na
ocasião, já existia uma Escola Preparatória e um Posto Policial. Após 10 anos, em 1918,
Ourinhos foi denominada município pela Lei Estadual de 1.618 de 13 de dezembro de
1918. Neste mesmo ano, o Governo do Estado de São Paulo decidira dar continuidade à
Estrada de Ferro Sorocabana, que tinha sido interrompida em 1909, estendendo os trilhos
até Assis.
Com isso, Ourinhos passou a ser uma localidade estratégica do ponto de vista
econômico, por sua ligação com o norte do Paraná e por estar localizada na região da
Média Sorocabana, próxima a Assis e Avaré, cidades importantes do vale do
Paranapanema (PREFEITURA MUNICIPAL DE OURINHOS, 2007).
Ourinhos, que em 2007 contava com uma população de 98.868 habitantes (IBGE,
2007), possui uma taxa de urbanização muito expressiva: 96,49 % dos habitantes residem
na cidade, enquanto apenas 3,51 % estão na zona rural, de acordo com a Fundação SEADE
(2007). Quanto ao emprego da parcela economicamente ativa, dedicam-se à indústria, 21
%; ao comércio, 67 %; e aos serviços e outras atividades, 12 % da população.
2.1 Caracterização das áreas de estudo: córrego das Furninhas e Chumbeadinha
O Córrego das Furninhas (Figura 2), situado a nordeste do município, é tributário
do Rio Pardo, que por sua vez é afluente do rio Paranapanema. A microbacia atravessa os
bairros Parque Minas Gerais, Jardim Vale Verde, Jardim São Carlos, Vila Boa Esperança-
2ª Seção e Jardim São Jorge.
De acordo com o sistema de hierarquização fluvial proposto por Strahler citado por
Christofoletti (1980), o Córrego se classifica como de 2ª ordem, visto a existência de
pequenos tributários à montante. Sua bacia, principalmente na planície aluvial, apresenta
problemas como moradias irregulares à margem do Córrego, diversos pontos de efluentes
9
lançados in natura no curso d’água, muitos trechos sem matas galerias, além de não ser
alvo de projetos urbanísticos no que diz respeito a manutenção (Figura 3).
49°51’01.26” W
22°58’54.54” S ↑N
Figura 2. Córrego das Furninhas, desde sua nascente até a foz - sentido sul-norte da figura.
Fonte: Google Earth (2007)
Figura 3. Córrego das Furninhas. À margem direita, moradias em situação irregular.
Foto: Shadi Ahmed Abdou (2008)
O Córrego da Chumbeadinha (Figura 4), como pôde ser constatado nos trabalhos de
campo, se encontra em estado de má conservação: ausência de mata ciliar e acúmulo de
10
resíduos sólidos urbanos ao longo do curso. Conforme a hierarquização fluvial de Strahler,
este se qualifica como de 2ª ordem. No entanto, dentro do perímetro urbano, mais
precisamente na parcela de uso urbano, o curso ainda é de 1ª ordem.
49°53’43.16” W
11
12
Figura 4. Vista do alto do Córrego Chumbeadinha.
Fonte: Google Earth (2007)
Uma peculiaridade é o padrão de ocupação da microbacia, se comparado aos outros
córregos da cidade, uma vez que a região foi loteada para um público de alto poder
aquisitivo, evidenciado pelo condomínio fechado Royal Park (Figura 5) as suas margens e
outro loteamento que abriga residências de alto padrão.
Figura 5. No primeiro plano, o represamento do Córrego, formando um lago em frente ao
condomínio fechado.
Foto: Maria Carolina Villaça Gomes (2008)
No que diz respeito aos condomínios horizontais em cidades médias como
Ourinhos, estes se generalizaram a partir de 1990, com características peculiares, como o
caráter de auto-segregação, a forte associação aos ideais de moderno: interesse dos
moradores em se dissociar do rural (SPOSITO, 2006), bem como a busca por residências
em que a natureza esteja próxima, representada por bosques, lagos ou praias.
Nesse sentido, Pires (2006, p.05) observar que:
“(...) os agentes do mercado imobiliário passam a vender “qualidade de
vida”, “contato com a natureza”, “preservação ambiental”, em um
processo que reproduz a urbanização excludente e predatória nesse
ilimitado processo de expansão urbana (...)”
Observa-se que não há moradias irregulares muito próximas ao Córrego, entretanto,
não há sequer um fragmento de mata ciliar ao longo do curso principal, apenas um
pequeno fragmento florestal no entorno da nascente (Figura 6). Nesse sentido, de acordo
com o Código Florestal Lei 4.771 de 1995:
13
Artigo 2° - Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta
Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo
dos rios ou de outro qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em
faixa marginal cuja largura mínima seja: 1) de 30 (trinta) metros para os
cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura.
No entanto, por ser uma região valorizada comercialmente, Organizações Não-
Governamentais e mesmo a Prefeitura Municipal investem em projetos urbanísticos, como
o represamento das águas que foi feito há duas décadas, formando um lago em frente ao
referido loteamento, o plantio de mudas nas margens do lago (Figura 6), além de alguns
projetos da iniciativa privada.
Figura 6. No centro da foto, fragmento de mata ciliar no entorno da nascente do Córrego
Chumbeadinha.
Foto: Maria Carolina Villaça Gomes (2008)
14
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral
O objetivo geral deste trabalho é identificar os riscos ambientais a que estão
sujeitas as planícies aluviais das microbacias dos Córregos Chumbeadinha e Furninhas no
município de Ourinhos/SP.
3.2 Objetivos específicos
Elaborar um diagnóstico socioambiental das duas áreas em questão;
Verificar os processos de uso e ocupação das Microbacias;
Identificar os impactos no meio físico decorrentes do uso e ocupação do solo;
Analisar os riscos ambientais aos quais as microbacias estão sujeitas a partir da
apropriação diferenciada dos compartimentos de relevo.
15
4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Neste capítulo são apresentados os conceitos e discussões que embasaram os
referenciais teórico-metodológicos utilizados para desenvolver o estudo do risco ambiental
nas microbacias dos Córregos das Furninhas e Chumbeadinha no município de
Ourinhos/SP, subdividido em: Bacias hidrográficas: escalas de análise, microbacias
urbanas, riscos ambientais, capitalismo, produção do espaço urbano e apropriação dos
compartimentos de relevo e análise da paisagem associada ao estudo dos riscos ambientais.
4.1 Bacias hidrográficas - escalas de análise
“A bacia hidrográfica é reconhecida como unidade espacial e célula de análise e
planejamento dentro da Geografia física desde o fim dos anos 1960” (BOTELHO et al.,
2004, p.153). No entanto, foi a partir da década de 1990 que sua utilização foi de fato
introduzida no grande grupo das conhecidas Ciências Ambientais, principalmente nos
estudos sobre os temas erosão, manejo e conservação do solo e da água e planejamento
ambiental.
Segundo Botelho (1999), os dois últimos temas são os que reúnem maior número
de trabalhos nos quais é adotada a microbacia, em especial. Entretanto, a utilização deste
termo não é consenso. Observa-se que há resistência por parte da comunidade científica em
aceitar a microbacia hidrográfica como célula de análise. De acordo com o referido autor,
são muitos os trabalhos em que o pesquisador utiliza o termo sub-bacia hidrográfica em
vez de microbacia, acarretando, em alguns casos, em falha sob o ponto de vista semântico,
uma vez que o termo sub-bacia, independente de sua dimensão, diz respeito a uma bacia
que deve estar inserida a outra de tamanho maior no estudo considerado.
O surgimento da utilização do termo microbacia é apontado por Botelho (2004).
Para a autora, a origem se dá nos projetos de manejo e conservação do solo nas áreas
rurais, em que o planejamento das propriedades foi gradativamente substituído pelo
planejamento da microbacia nas quais as propriedades rurais estavam inseridas. A partir
deste momento, em muitos casos, os limites da cerca cederam lugar para os limites
naturais.
No que diz respeito à Geografia, como fora dito anteriormente, os geógrafos físicos
utilizam a bacia hidrográfica como unidade espacial desde a década de 1960, quando
16
Chorley (1969) citado por Botelho (2004), escreveu em seu artigo sobre a bacia como
unidade geomórfica fundamental. Contudo, se manteve o uso do termo bacia, em
detrimento da microbacia hidrográfica, justamente por não identificarem diferenças
significativas entre este termo e aquele que se encontrava em uso por eles, excluindo o
menor tamanho da primeira, ainda não fixado.
Ainda que não haja consenso quanto à definição e, principalmente, a dimensão, a
utilização da microbacia cresceu muito entre os pesquisadores da área ambiental, o que
permitiu o reconhecimento de traços comuns que caracterizam o seu uso.
Desta forma, Botelho (2004, p.157) descreve microbacia:
“(...) É toda bacia hidrográfica cuja área seja suficientemente grande,
para que se possam identificar as inter-relações existentes entre os
diversos elementos do quadro socioambiental que a caracteriza, e
pequena o suficiente para estar compatível com os recursos disponíveis
(materiais, humanos e tempo), respondendo positivamente à relação
custo-benefício existente em qualquer projeto de planejamento (...).”
O trabalho em microbacias demanda uma escala de análise detalhada que, em geral,
exige do pesquisador a produção de dados mais minuciosos, já que geralmente os dados
produzidos pelos grandes projetos nacionais, tanto dos aspectos naturais, exemplo
RADAM Brasil, como sócio-econômicos: recenseamentos do IBGE, não permitem que se
faça um reconhecimento mais aprofundado da área em questão.
Sendo assim, no presente trabalho utilizou-se o conceito de microbacia pois, como
observado por Bragagnolo (1997) citado por Prado (2005, p. 27):
“(...) a eleição da microbacia como unidade de planejamento traz, entre
outras, as seguintes vantagens: (a) racionaliza a aplicação de recursos;
(b) estimula a organização dos produtos; (c) reduz custos; (d) promove a
execução de práticas conservacionistas de forma integrada; (e) reduz
riscos ambientais; (f) realimenta mananciais e como conseqüência dos
fatores citados, recupera a credibilidade da assistência técnica e da
extensão rural (...)”.
4.2 Microbacias urbanas
Historicamente, as cidades têm seu crescimento e ocupação primeiramente à
margem dos rios (SANTOS, J., 2006), fato que se confirma através dos primeiros registros
de sedentação humana nos vales dos Rios Tigres e Eufrates, hoje Iraque.
17
O processo de desenvolvimento urbano, a partir do capitalismo, demandou espaço
físico-territorial, e a busca por novas áreas acabou por ocorrer sobre as áreas de mananciais
de abastecimento humano, comprometendo a sustentabilidade hídrica dos municípios
(CALIJURI, 2003).
As áreas de mananciais, ou mesmo os córregos urbanos, ao serem ocupados, resulta
em alterações significativas no restante da bacia, mudanças essas de ordem hidrológica,
geológica, geomorfológica, econômica e social. Alguns efeitos da urbanização no meio
físico, de acordo com Paul e Meyer citado por Calijuri (2003, p. 04):
Processos hidrológicos: uma característica dominante da
urbanização é a diminuição da permeabilidade da precipitação,
diminuindo a infiltração, logo o aumento do escoamento superficial;
Alterações geomorfológicas: num primeiro momento, a
urbanização concorre para diminuir a densidade de drenagem de canais
naturais. Posteriormente, devido a obras artificiais, sobretudo aquelas
para aumentar a velocidade de escoamento de água das chuvas, pode
haver o aumento da densidade de drenagem, resultando em maior
velocidade de escoamento superficial, o que aumenta o poder erosivo da
água.;
Alterações geológicas: decorrem principalmente do aumento
significativo da produção de sedimentos e do assoreamento que advém
do próprio aumento da área construída, e da impermeabilização.
A Figura 7 mostra as variações em um canal decorrente da urbanização:
Figura 7. Variações no canal decorrentes da Urbanização
Fonte: Paul e Meyer citado por Calijuri (2003)
18
Dentre os fatores que contribuem decisivamente para a deterioração dos recursos
hídricos, decorrentes da urbanização, tem-se os aterros, assoreamentos, remoção da
cobertura vegetal, principalmente a mata ciliar e elevados índices de poluição. No entanto,
se ao menos fossem mantidas as matas ciliares, muitos dos outros problemas ambientais
gerados a partir da intensificação da urbanização seriam amenizados. Para Sopper citado
por Hinkel (2003, p.41):
“(...) A cobertura florestal promove a proteção contra a erosão dos
solos, a sedimentação, a lixiviação excessiva de nutrientes e a elevação
da temperatura da água, contribuindo, deste modo, para a mais elevada
qualidade de água dos mananciais de abastecimento público (Figura 8).
O desmatamento traz sérias conseqüências ao ambiente. O solo exposto
fica sujeito à lixiviação superficial (que leva consigo na deposição
orgânica de vegetais e sua microfauna associada) e à lixiviação profunda
(que promove uma lavagem dos nutrientes nas camadas subsequentes);
tais processos resultam em empobrecimento do solo e conduzem o
material para áreas mais baixas, que em geral convergem para rios e
lagos, que pode acarretar aumento no uso de fertilizantes,
desequilibrando o conteúdo de nutrientes no solo e expondo-o à
contaminação química (...).”
Figura 8. Função hidrológica da cobertura vegetal, sobretudo as matas ciliares.
Fonte: Prandini et al. (1976) citado por ABGE (1998)
Além dos principais problemas urbanos ligados diretamente à água, os demais
problemas ambientais urbanos estão associados, de alguma forma, à problemática das
águas urbanas, como a ocorrência de processos nas vertentes, como movimentos de massa,
que têm como principal agente desencadeador a água, seja pela elevação do grau de
19
saturação do solo, pelo aumento de seu peso específico, ou mesmo pela ruptura de taludes
por pressão hidrostática em trincas e fissuras (CUNHA, 1991).
Também o clima nas áreas urbanas é acentuadamente afetado pelo ciclo
hidrológico. A impermeabilização, a supressão da vegetação e a poluição atmosférica nas
cidades causam o fenômeno das ilhas de calor, que está associado ao aumento da
pluviosidade urbana no verão, contribuindo, conseqüentemente, para o acirramento do
problema das enchentes.
Para resumir os principais impactos sócioambientais da urbanização nas bacias e
microbacias hidrográficas nos mais diversos elementos da paisagem, Braga (2003)
apresenta a seguinte tabela (Tabela 1):
Tabela 1. Elementos do meio e impactos correlatos.
Elementos do meio Principais efeitos-processos
Solos - Impermeabilização
- Contaminação
- Erosão
Relevo - Movimentos de massa
- Subsidência
Hidrografia - Desregulação do ciclo hidrológico
- Enchentes
- Poluição de mananciais
- Contaminação de aqüíferos
Ar - Poluição (principais poluentes: SO2, CO, Material
particulado
Clima - Efeito estufa
- Ilha de calor
- Desumidificação
Vegetação - Desmatamento
- Redução da diversidade
- Plantio de espécies inadequadas
Fauna - Redução da diversidade
- Proliferação da fauna urbana
- Zoonoses
Homem - Estresse
- Doenças urbanas (infecciosas, degenerativas, mentais)
- Violência urbana
Fonte: Braga (2003).
Todos os impactos ambientais negativos supracitados, principalmente se freqüentes
nas mesmas bacias hidrográficas, são responsáveis por caracterizar tais bacias como de
baixa qualidade ambiental, o que torna sua habitabilidade precária, faz com que o mercado
20
imobiliário busque novas áreas para expansão ou simplesmente especulação, ou se torne
uma área à margem da atuação do poder público.
Como reação à problemática ambiental urbana, emergiram, no final do século XX,
diversos movimentos ambientalistas e políticas públicas voltadas ao meio ambiente, assim
como uma série de resoluções e leis ambientais visando o manejo e a conservação
ambiental, sobretudo nas áreas urbanas.
Alguns desses movimentos ambientalistas com expressão em escala global é a
Agenda 21, documento redigido durante a Convenção sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro em 1992. De acordo com Braga (2003,
p.119),
“(...) Coloca em foco a necessidade da promoção do desenvolvimento
sustentável dos assentamentos humanos (Cap. 7) e ressalta a necessidade
da participação e cooperação das autoridades locais na realização de seus
objetivos através da elaboração das “Agendas 21 Locais” (cap. 28) (...)”
Segundo o referido autor, como muitos dos problemas e soluções tratados na
Agenda 21 têm suas raízes nas atividades locais, a participação e cooperação das
autoridades locais na manutenção e desenvolvimento de infraestrutura econômica, social e
ambiental, e supervisão dos processos de planejamento contribuem para a implementação
de políticas ambientais nacionais.
Esse debate acerca da conservação do meio ambiente nas áreas urbanas veio a
contribuir para o desenvolvimento do conceito de cidade sustentável, que passou a
incorporar o Estatuto das Cidades (Lei 10.257 de 10 de julho de 2001), em que estabelece
como uma de suas diretrizes gerais a “garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido
como o direito à terra urbana à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana,
ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras
gerações”(Art. 2o).
Além disso, o Estatuto da Cidade ainda determina que o planejamento das cidades
deve evitar e corrigir os efeitos negativos do crescimento urbano sobre o meio ambiente,
ordenar o uso do solo; deve evitar a deterioração das áreas urbanizadas e a poluição e
degradação ambiental, e a expansão urbana deve ser compatível com os limites da
sustentabilidade ambiental.
O Estatuto da Cidade também vem a reiterar sobre a instituição do Plano Diretor
Municipal (componente da política urbana da Constituição Federal de 1988) e fornece mais
detalhes sobre sua implantação. Entretanto, no que tange à dimensão ambiental, em ambos
21
documentos, o que se observa é a ausência de medidas efetivas para a conservação do meio
ambiente, havendo a menção sobre o tema quando é tratado sobre qualidade de vida, o que
deveria pressupor qualidade ambiental.
Portanto, o que se percebe é uma profunda deficiência das políticas públicas
urbanas na definição de medidas efetivas a serem adotadas para a manutenção do bom
funcionamento e da conservação do meio ambiente, ficando a critério dos órgãos de
planejamento, nas mais diversas esferas, estabelecer parâmetros e procedimentos para
atingir um nível satisfatório de sustentabilidade ambiental.
4.3 Capitalismo, produção do espaço urbano e apropriação dos compartimentos
de relevo
É impossível versar sobre a produção do espaço urbano e seus reflexos no meio
sem dar o devido destaque à importância do modelo capitalista de produção neste processo.
Segundo Maricato (2003), o processo de urbanização brasileira deu-se,
notadamente, no século XX. No entanto, ao contrário da expectativa de muitos, o universo
urbano não superou algumas características dos períodos colonial e imperial, marcados
pela concentração de terra, renda e poder, pelo exercício do coronelismo ou política do
favor e pela aplicação arbitrária da lei.
A urbanização não foi um processo que ocorreu isoladamente. Muito de seu
desenvolvimento se deu em função da crescente industrialização e da crise nas áreas
agrícolas decorrente da mecanização, o que provocou o êxodo rural. Assim, para o
crescimento e desenvolvimento das cidades foram fundamentais as transformações
ocorridas a partir da industrialização e do fluxo populacional campo-cidade.
No que diz respeito às alterações provocadas pelo desenvolvimento da indústria nas
cidades, significativas mudanças de ordem econômica, social e ambiental foram sentidas,
trazendo novos significados e novas dinâmicas ao espaço urbano.
O processo de produção capitalista, baseado na apropriação da força de trabalho, se
sustenta através da acumulação e centralização do capital. Tal relação fundamenta a
produção do espaço urbano, em que as classes dominantes, ao deterem a riqueza produzida
pela classe trabalhadora, se apropriam de determinadas porções do espaço urbano dotados
de valor mercadológico.
22
É a partir daí que se materializam no espaço as desigualdades decorrentes do modo
de produção capitalista. A minoria, dotada de recursos para se estabelecer aonde lhe for
mais conveniente, ocupa áreas cujo valor de troca é acessível apenas a seu poder
econômico. Quanto à parcela que fica à margem desse processo, a grande massa da
população, observa-se seu estabelecimento nas áreas rejeitadas pelas classes dominantes.
Logo, estas ficam confinadas às áreas mais susceptíveis às transformações próprias dos
processos ecológicos, porém aceleradas pelas ações humanas, por não poder enfrentar os
custos de moradias em área ambientalmente mais seguras ou beneficiadas por obras
mitigadoras de impactos ambientais (GUERRA; CUNHA, 2006, p.20).
Ademais, é indispensável destacar as articulações entre os diversos atores na
produção do espaço urbano além das relações entre os proprietários de terras e dos
empreendedores imobiliários. O Estado, em nome da necessidade de “ordenar” o caos da
cidade, acaba por aprofundar as diferenças na constituição e na vivência do espaço urbano.
Os mecanismos de ordenamento do poder público, bem representados por obras de
infra-estrutura, são bons exemplos de como a atuação do Estado estimula a produção
diferenciada do espaço urbano. Através de obras de saneamento básico, asfaltamento,
iluminação pública, áreas de lazer, acessos viários, dentre os mais importantes, e do
zoneamento urbano, é possível taxar variavelmente os imóveis das diversas zonas, o que
vem a provocar diretamente a segregação sócioespacial. Ainda deve-se destacar que, com
freqüência, as áreas que não são contempladas com obras de infra-estrutura são aquelas
que oferecem maior risco, tanto naturais quanto provocados pela sociedade, muito comum
em compartimentos de relevo como fundos de vale e encostas com declividades
acentuadas.
4.4 Risco ambiental em microbacias hidrográficas
As áreas de risco são ambientes susceptíveis à ação dos agentes naturais, tendo
como causa a ocupação de áreas impróprias, expondo com certa freqüência as
comunidades que ali residem (SANTOS, J., 2006). As áreas de risco assim são definidas,
uma vez que põem em risco vidas humanas. A vulnerabilidade em alguns ambientes é um
fenômeno natural, todavia, quando estão em questão às áreas de risco, na sua essência,
trata-se, de um fenômeno social, pois são para determinada parcela da sociedade que seus
efeitos irão refletir.
23
No que diz respeito aos fenômenos que os riscos naturais abarcam, para diversos
autores, enquadram-se as atividades que interferem e/ou são afetadas direta ou
indiretamente por processos da dinâmica superficial ou interna da Terra (CASTRO et al.,
2005). Já os riscos ambientais, estão intrinsecamente relacionados ao uso dos recursos
naturais e da apropriação dos espaços naturais pela sociedade, através do uso e ocupação
do solo.
Apesar da potencialidade dos riscos, estes podem ser gerenciados. Para tal, se faz
necessário o pleno conhecimento das condições da área, tanto na esfera natural como na
sócio-econômica, uma vez que a análise integrada dessas informações permite
compreender suas causas e, sobretudo, as conseqüências presumíveis.
É possível, a partir do reconhecimento das áreas sujeitas a riscos, considerá-las
como mais um instrumento para realizar o zoneamento, com o intuito de assinalar as áreas
onde pode ou não haver ocupação, fundamentado principalmente neste critério.
O uso da microbacia hidrográfica como unidade de análise de áreas sujeitas a risco
vem reforçar o uso majoritário desta como unidade de planejamento ambiental, onde,
segundo Botelho (2005, p 158), “o tamanho da célula de análise é resultado de uma
avaliação cuidadosa, envolvendo objetivos, recursos/custo, aplicações de projeto de
pesquisa e das características da área, tanto física quanto socioeconômicas”.
Assim, sua utilização como recorte espacial é legitimada, sobretudo em trabalhos
desenvolvidos como subsídio ao planejamento ambiental da área pesquisada.
4.5 Análise da paisagem
A utilização da categoria paisagem em trabalhos de Geografia voltou a ganhar
destaque na última década, o que fora deixado de lado quando da emergência da corrente
crítica na Geografia, em meados da década de 1970 no Brasil.
Como se observa no cotidiano, é um conceito amplamente utilizado, sobretudo por
não haver consenso sobre seu significado. No entanto, para a Geografia, ainda que haja
uma série de conceituações, cada uma associada a uma corrente teórico-metodológica,
nenhum autor diverge do seguinte aspecto: é um objeto concreto, resultado das ações e
transformações que elementos (antrópicos e naturais em combinação) produzem ao longo
do tempo, em um determinado espaço (SANTOS, C., 2006).
24
A partir da sistematização da Geografia como ciência no século XIX, dentro de
cada corrente que se sucedia, havia o desenvolvimento de um conceito para a paisagem
que representasse seus pressupostos teórico-metodológicos. Assim, as primeiras
referências à utilização do conceito de paisagem na Geografia foram observadas na escola
alemã em meados do século XIX, em que, segundo Guerra e Marçal (2006), predominaram
as análises descritivas e regionais da paisagem, tendo como precursores naturalistas
importantes na época - Humboldt e Richthofen. No entanto, as análises descritivas não
respondiam às indagações de cunho social que vinham sendo reivindicadas com o passar
dos anos.
O surgimento da Teoria Geral dos Sistemas Dinâmicos, desenvolvida por Ludwig
Von Bertalanffy, em 1948, vem a contribuir para a solução de problemas resultantes da
interação entre as partes, que anteriormente eram apenas descritas isoladamente
(GUERRA; MARÇAL, 2006).
Esse novo olhar abre a possibilidade para se trabalhar o conceito de paisagem a
partir da abordagem sistêmica, influenciando as diversas áreas de estudo relacionadas ao
meio ambiente, principalmente na Geografia e Ecologia. A partir daí a paisagem passa a
ser vista sob um novo horizonte epistemológico, dentro do qual a escola soviética, na
esfera geográfica, desenvolve muitos trabalhos nos anos 1960 se utilizando da abordagem
sistêmica da natureza. É importante destacar que até este momento apenas as formas e
processos naturais eram abordados na análise da paisagem.
Aos poucos, surge no cenário acadêmico a idéia de paisagem como relação homem-
natureza, introduzindo as ações e transformações de ordem antrópica quando da sua
descrição e análise. Nessa perspectiva, o soviético Sotchava (1977) desenvolve o conceito
de Geossistema, em que o autor se utiliza de toda a teoria sobre paisagem fundamentado
sob uma visão sistêmica, o que permitia que o conceito de geossistema fosse considerado
sinônimo de paisagem. Segundo Rodrigues e Silva citado por Guerra e Marçal (2006,
p.110), nesse sentido,
“(...) embora os geossistemas sejam fenômenos naturais, todos os fatores
econômicos e sociais que influenciam sua estrutura e peculiaridades
espaciais devem ser tomados em consideração durante seu estudo e suas
considerações (...).”
Paralelamente ao desenvolvimento do geossistema por Sotchava, o biogeógrafo
francês Georges Bertrand, no ano de 1971, apresenta sua obra acerca da teoria da
25
paisagem, abordando de forma integrativa os elementos que a compõem. Para o referido
autor, a paisagem consiste em:
“(...) uma certa porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica,
portanto, instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que,
reagindo dialeticamente uns sobre os outros, formam um conjunto único
e indissociável (...).”
Apesar da inserção do homem nos fenômenos inerentes à paisagem, este ainda é
ponderado da mesma forma que os demais elementos observáveis em determinada
paisagem. Essa constatação demonstra a desconsideração da capacidade de intervenção
humana e, principalmente, o fato de o homem, constituído em classes sociais, se relacionar
com o meio em que está inserido em intensidades diferentes, de acordo com sua classe
social.
Para que essa deficiência fosse suprimida, Bertrand desenvolve o paradigma GTP
(Geossistema-Território-Paisagem), uma construção de tipo sistêmica, destinada a
demonstrar a complexidade do meio ambiente geográfico respeitando, tanto quanto
possível, a sua diversidade e sua interatividade (BERTRAND, 2007). Essas três
coordenadas traçam caminhos autônomos, porém complementares: o território-fonte
(Geossistema), o território-recurso (Território) e o território-aprovisionamento (Paisagem).
A primeira coordenada, o Geossistema, é um conceito basicamente naturalista, que
permite realizar a análise da estrutura e do funcionamento biofísico de um espaço tal como
ele funciona atualmente, ou seja, com seu grau de antropização.
Já o Território, a segunda entrada, permite analisar as repercussões da organização
e dos funcionamentos sociais e econômicos sobre o espaço considerado.
O terceiro, a Paisagem, é a variável que vem a completar a análise, através da
representação da dimensão cultural deste mesmo conjunto geográfico, uma vez que as
dimensões natural, social, econômica e política já foram abordadas.
Este método é uma tentativa de análise da paisagem na sua totalidade, que busca
abarcar sua complexidade através da abordagem dos fenômenos nas suas mais diversas
dimensões, não que este fato esgote a paisagem.
A Geomorfologia Ambiental é uma importante vertente da Geografia que se utiliza
da paisagem como célula de análise, haja vista sua capacidade de integrar informações
naturais, sócio-econômicas e culturais.
26
5. MATERIAL E MÉTODOS
5.1 Material
O presente trabalho tem como material de análise as áreas de influência direta dos
Córregos Chumbeadinha e Furninhas no município de Ourinhos-SP.
5.2 Métodos
Realizou-se, a partir de revisão bibliográfica, o levantamento de informações sobre
as características do ambiente natural (geologia, geomorfologia, pedologia, climatologia) e
do meio sócio-econômico (fatores condicionantes à produção do espaço urbano, como uso
e ocupação do solo, população, economia e aspectos históricos). Com a finalidade de
registrar os eventos ocorridos nas microbacias após a ocupação humana, foram realizados
trabalhos de campo. Como material cartográfico foi utilizada a Carta de Declividade e de
Drenagem produzidas por Zacharias (2006), na escala 1:50.000.
Para atingir os objetivos propostos, adotou-se a metodologia utilizada por Oliveira e
Robaina (2002) com algumas alterações. Para os referidos autores, as áreas de risco
ambiental foram definidas levando-se em consideração: a) susceptibilidade natural de
ocorrência de eventos em áreas ocupadas; b) padrão urbano da área e; c) Ocorrência de
eventos (relato dos moradores durante a realização da pesquisa de campo, etapa
modificada do original).
5.2.1 Susceptibilidade natural
Para estabelecer as áreas de risco natural nas microbacias dos Córregos da
Chumbeadinha e Furninhas, foram realizados cruzamentos ente as diversas variáveis
ambientais, como a rede de drenagem, o substrato geológico e a declividade. As
informações sobre as variáveis, em virtude da inexistência de cartas em escala detalhada,
são resultados da interpretação das cartas geomorfológicas e clinográfica de Zacharias
(2006) e da realização de trabalhos de campo nas áreas em questão.
Sendo assim, são consideradas susceptíveis as áreas ocupadas que:
27
Tenham declividade inferior a 2 % e se localizem nas
margens dos cursos fluviais, uma vez que as áreas muito planas são susceptíveis a
processos de inundação/alagamentos;
Apresentem declividades superiores a 12 %, onde os
processos erosivos nas vertentes são mais acentuados, havendo a necessidade da realização
de cortes para que haja a possibilidade de ocupação, sendo, portanto, sujeitas a
movimentos de massa;
Depósitos fluviais junto às drenagens, em razão da
instabilidade a que este material está sujeito;
Além dessas condições, se faz necessário destacar:
Áreas que estejam em proximidade inferior a 30 metros dos cursos fluviais, que por
serem próximas ao leito são susceptíveis aos processos de dinâmica geomórfico-fluvial;
Áreas com evidência de processos de dinâmica superficial (erosão, movimentos de
massa, assoreamento, inundação, entre outros) em estágio avançado;
Tenham como substrato depósitos coluvionares, depósitos de tálus e sedimentos
aluviais junto às drenagens.
5.2.2 Padrão urbano da área
Na definição do Padrão Urbano, foram consideradas as características
construtivas/estruturais das moradias (padrão baixo/médio/alto), as condições de infra-
estrutura básica oferecidas à população residente na área (rede pluvial, canalização do
esgoto cloacal e pluvial, obras de contenção e rede viária), assim como o adensamento
populacional e a forma de ocupação do espaço (desordenada/ordenada).
A partir destes levantamentos, pode-se estabelecer o padrão urbano dividindo-se em
Alto, Médio e Baixo Padrão Urbano. Para que fosse feita a hierarquização, atribui-se
valores de 0 e 1 para os parâmetros considerados de acordo com sua ocorrência, como
pode ser observado na Tabela 2:
28
Tabela 2. Parâmetros utilizados para a definição do Padrão Urbano.
Variável Característica Valor
Malha Viária Pavimentada 1
Não pavimentada 0
Esgoto Canalizado 1
Direto no ambiente 0
Rede Pluvial Apresenta 1
Não apresenta 0
Padrão Construtivo Alto/Médio 1
Baixo 0
Ocupação Organizada 1
Desordenada 0
Obras de Contenção Apresenta 1
Não apresenta 0
Fonte: Oliveira e Robaina (2002)
A caracterização da área segundo essas unidades possibilitou a divisão do
espaço baseado na soma dos valores atribuídos às características que apresentam:
Alto Padrão: Constitui as áreas que tenham apresentado valor máximo (6) na soma
total dos atributos;
Médio Padrão: Constitui as áreas que tenham apresentado soma igual a 3; 4 e 5;
Baixo Padrão: Áreas que tenham apresentado soma igual a 0; 1 e 2.
5.2.3 Ocorrência de eventos
De acordo com a metodologia elaborada por Oliveira e Robaina (2002), o terceiro
critério a ser utilizado seria o registro de eventos/ acidentes em jornais. No entanto, optou-
se por trabalhar com questionários aplicados aos habitantes residentes nas áreas de
influência direta dos Córregos e das dinâmicas geomórfico-fluviais.
Sendo assim, foi organizado um questionário fechado (Anexo 1), de forma a
identificar a relação dos moradores com o meio, registrar a ocorrência de eventos, como
enchentes, deslizamentos, focos de erosão, além de investigar como o evento afetou a vida
das pessoas que residem próximo ao ocorrido. Foram entrevistadas 7 pessoas no Córrego
das Furninhas, uma vez que estas residem na própria planície aluvial , e 4 no Córrego
Chumbeadinha, num total de 11 questionários respondidos
29
As respostas foram tabuladas para que as mais representativas fossem utilizadas na
definição das áreas sujeitas aos riscos.
5.2.4 Grau de risco ambiental
O grau de risco ambiental é o produto do cruzamento entre a susceptibilidade
natural, o padrão urbano e a ocorrência de alguns eventos e acidentes na área (OLIVEIRA;
ROBAINA, 2002).
Para estabelecer a quantificação em relação à probabilidade de ocorrência de um
evento Oliveira e Robaina (2002) se utilizaram do conceito de probabilidade subjetiva
utilizado por Carvalho e Hachich citado por Parizzi (2002), no qual a probabilidade é
considerada uma medida do estado de conhecimento do indivíduo a respeito de um
particular fenômeno, ao em vez de uma característica que só pode ser avaliada através de
um número satisfatoriamente grande de observações do fenômeno. A Tabela 3 exemplifica
o cruzamento das variáveis consideradas:
Tabela 3. Cruzamento das variáveis e respectivos graus de risco.
Padrão Urbano Alto Médio Baixo
Susceptibilidade natural Risco baixo Risco moderado Risco Alto
Ocorrência de Risco moderado Risco alto Risco iminente
eventos/acidentes
Sendo assim, foi possível determinar 4 graus para hierarquizar as áreas de risco,
identificados por números romanos:
Risco IV- Baixo: quando a área ocupada por alto padrão urbano apresenta susceptibilidade
natural e não tem registro de ocorrência de eventos, constituir-se-á numa área de grau IV,
ponderada de baixo risco.
Risco III- Moderado: ocorre em áreas que apresentam susceptibilidade natural, está
ocupada com moradias de médio padrão e não há registros de ocorrência de eventos ou se a
área susceptível estiver ocupada por moradias de alto padrão urbano com ocorrências de
eventos.
30
Risco II- Alto: quando nas áreas que apresentam susceptibilidade natural predominarem
ocupação de médio padrão urbano com registro de eventos, ou de baixo padrão sem
ocorrência de eventos, estabelecer-se-á áreas de alto risco de grau II.
Risco I- Iminente: áreas ocupadas por moradias de baixo padrão urbano, que apresentem
susceptibilidade natural e ocorrência de eventos são consideradas de risco iminente,
recebendo o grau I, onde deve haver intervenção em curto prazo.
Assim, houve a possibilidade de realizar a interpretação dos dados primários,
permitindo a hierarquização das áreas de risco ambiental nas microbacias dos Córregos das
Furninhas e Chumbeadinha.
31
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quanto aos resultados do questionário, as informações obtidas confirmaram o que
foi apreendido na paisagem a partir de trabalhos de campo nas áreas em questão, o que
demonstra a potencialidade da paisagem como célula de análise ambiental.
A microbacia do Córrego Furninhas é ocupada por uma população de baixo poder
aquisitivo, o que é ratificado a partir das informações de ordem sócio-econômica do
questionário. Como se previa, o grau de escolaridade é baixo: 42 % dos entrevistados
afirmaram ter o ensino fundamental completo. Tal dado está diretamente associado a
outros como renda familiar, em que aproximadamente 70 % recebe de 2 a 5 salários
mínimos, o que está ligado ao padrão construtivo do imóvel em virtude da hipossuficiência
econômica familiar. Neste caso, as residências variam de médio padrão (de alvenaria,
porém acabamento precário, com 71 % de freqüência) a baixo padrão, representado por
habitações precárias, de materiais alternativos, em que aproximadamente 28 % das
residências se enquadram.
Da mesma forma que a renda determina necessariamente o padrão construtivo do
imóvel, é também o principal atributo quando da escolha da residência: 57 % dos
moradores contatados tiveram como motivo de residir no local a falta de opção, justificado
pelos altos valores dos aluguéis em outros bairros ou mesmo do valor venal de outros
imóveis.
Como resultado do padrão construtivo, têm-se dados problemáticos quanto ao
saneamento básico: 30 % das residências lançam seus efluentes in natura no Córrego.
Embora o Furninhas apresente inúmeros problemas em sua planície aluvial, este
ainda é uma forma de contato com a natureza, uma vez que manifestaram-se a esse respeito
60 % dos habitantes entrevistados.
No que diz respeito aos aspectos negativos da proximidade com o Córrego, 57 %
dos moradores que participaram do questionário disseram ser a proliferação de animais e
doenças o principal problemas associado ao canal. No caso dos problemas ambientais
(processos do meio físico, como erosão, enchente/inundação, solapamentos de margem, ou
movimentos de massa), a ocorrência de inundações foi o mais freqüente, tendo alguns dos
32
eventos atingido residências. Ainda que se tenha o registro de inundações, se faz
necessário observar que a ocorrência se deu em um trecho do canal aonde a planície aluvial
tem declividade muito baixa, ou seja, é capaz de inundar nos eventos pluviométricos mais
intensos.
Por fim, quando do questionamento sobre a importância dos recursos naturais, a
maioria teve como resposta estes serem imprescindíveis para a manutenção da vida, o que
demonstra que a carência de educação formal não pressupõe a falta de consciência
ambiental.
Quanto ao Chumbeadinha, um pormenor fez com que não fosse realizado
plenamente o diagnóstico socioambiental da área de influência da planície aluvial
correspondente, já que não foi permitido pelo condomínio Royal Park o acesso às
residências para aplicação do questionário. Assim, participaram do questionário apenas
aqueles que residem no bairro Nova Ourinhos, loteamento localizado na vertente oposta ao
Condomínio.
Da mesma forma que ocorreu no Córrego das Furninhas, a aplicação do
questionário no Chumbeadinha legitimou as observações feitas quando da realização dos
trabalhos de campo. Já a deficiência ocasionada pela inacessibilidade ao condomínio Royal
Park pôde-se minimizar uma vez que as formas da paisagem construída, tanto do
loteamento fechado como do bairro Nova Ourinhos muito se assemelham.
Como presumido, as questões que remetem à caracterização sócio-econômica
também produziram respostas que dialogam entre si: o alto grau de escolaridade dos
entrevistados (75 % possuem nível superior); o alto rendimento salarial familiar,
principalmente naquelas famílias com poucos membros (em média, em 50 % das
residências tem-se a renda familiar acima de 10 salários mínimos); e o padrão construtivo
dos imóveis é alto na sua totalidade, constatado pela dimensão e estética das residências, o
que expressa o poder aquisitivo dos que ali residem.
Apenas uma questão, a qual se previa um resultado, teve respostas inesperadas.
Quando questionados sobre o motivo pelo qual residem às margens do Chumbeadinha, 50
% afirmaram não existir um motivo. Cogitava-se que este motivo seria a proximidade com
a natureza, enquanto apenas 25 % assim optaram.
Assim, é possível deduzir que, como as residências no bairro Nova Ourinhos estão
em uma vertente de menor declividade e não há vista panorâmica para o lago, não há como
se considerar que o motivo pelo qual aquelas pessoas lá residam seja a beleza
33
cênica/paisagística do lago. Além disso, as casas do referido bairro se encontram também à
montante do lago, ou seja, o canal, que se encontra degradado, não é um atrativo
paisagístico a ser considerado como motivo para residir naquele local. Já na vertente
oposta a da Nova Ourinhos, tem-se declividades suficientes para que haja vista panorâmica
para o lago. Tal fato é, sem dúvidas, a razão pela qual o condomínio foi ali instalado.
Ainda que o lago/córrego tenha seu valor paisagístico, alguns pontos negativos
foram enumerados pelos moradores. No entanto, o que 75 % desses observaram foram os
problemas relacionados à segurança e violência. Na verdade, esses problemas têm sua
origem na ausência de manutenção por parte dos órgãos competentes, como a prefeitura
municipal e as autarquias municipais responsáveis pelo saneamento ambiental do
município.
A respeito dos problemas ambientais na microbacia, 75% dos entrevistados não
identificaram processos do meio físico, tais como erosão, movimentos de massa,
enchentes, entre outros, mas os 25 % que afirmaram ter observado, relataram que algumas
enchentes já ocorreram, ainda que estas não tenham atingido nenhuma residência.
Esse breve diagnóstico socioambiental, baseado na aplicação do questionário aos
residentes e observações de trabalhos de campo nas áreas enfocadas por esta pesquisa,
permitiu que fossem apreendidos as principais formas e processos dos meios biofísico e
sócio-econômico, bem como sua interação na produção desses espaços. Além disso, a
caracterização de cada uma das áreas em questão já deixa indícios dos riscos a que está
sujeita a população que habita as planícies aluviais das referidas microbacias urbanas.
A ocorrência dos riscos é um grave problema ambiental nas áreas urbanas. Com
freqüência se manifestam com maior intensidade em áreas aonde os órgãos públicos
competentes não fiscalizam adequadamente, tanto áreas de ocupação humana como áreas
protegidas por lei.
Há de se considerar a freqüência com que estas se associam às condicionantes
naturais, como geologia e geomorfologia. No caso de relevos planos ou suaves como as
planícies aluviais, o solo é geotecnicamente instável, tornando-os impróprios a certos fins
urbanos. Quanto às encostas com declividade acentuada, o terreno apresenta sérias
restrições para a edificação de habitações.
As áreas então sujeitas aos riscos poderiam ser minimizadas através da adoção de
medidas simples, como o cumprimento das legislações pertinentes, tanto as destinadas à
conservação do meio ambiente como as de zoneamento urbano ou plano diretor municipal.
34
Os riscos ambientais identificados nas microbacias dos Córregos das Furninhas e
Chumbeadinha se associam, sobretudo, à dinâmica fluvial, o que se confirma pelos
trabalhos de campo realizados, por informações obtidas na aplicação dos questionários e
dados da carta de declividade de Ourinhos. Já os riscos decorrentes da dinâmica das
vertentes não são expressivos nas microbacias, haja vista a declividade baixa e nenhum
registro de eventos (erosão ou movimentos de massa) nos questionários aplicados. No
entanto, nos trabalhos de campo realizados foram observados alguns pontos com
solapamento de margem e assoreamento, o que está diretamente ligado à ocorrência de
erosão, ainda que não tenha sido localizada.
6.1 Riscos ambientais na microbacia hidrográfica do Córrego das Furninhas
Considerando que os riscos ambientais, como já citado anteriormente, estão
intrinsecamente relacionados ao uso dos recursos naturais e da apropriação dos espaços
naturais pela sociedade, se faz necessário dar o devido destaque ao processo de uso e
ocupação do solo ao longo da história do Município.
Anterior à ocupação residencial das imediações da microbacia do Furninhas, deu-
se, nessa região de Ourinhos, o desenvolvimento da cafeicultura. Para tal, fora suprimida,
notadamente, toda mata ciliar da microbacia . Após a crise do café, no final da década de
1920, início dos anos 1930, está atividade agrícola perde a hegemonia, cedendo lugar, aos
poucos, ao cultivo da cana-de-açúcar. Concomitante a isso, a urbanização em Ourinhos se
acelera, demandando terras que eram utilizadas com fins agrícolas, no caso, a cana, para a
expansão da área urbana.
Dessa forma, o canal principal da microbacia, aonde são perceptíveis os reflexos
dos fenômenos que ocorrem no seu recorte espacial, passou por dois grandes ciclos
agrícolas (e econômicos) e, em um curto espaço de tempo, se tornou vetor de expansão
urbana. Não demorou para que as margens do canal principal, o Furninhas, estivesse
ocupado por moradias irregulares, sujeitas a todos os processos de dinâmica superficial.
Após esse resgate da evolução do uso e ocupação da microbacia em questão, é
possível, junto ao diagnóstico socioambiental resultante da aplicação do questionário e da
valoração do padrão urbano da área, obtido através dos procedimentos preconizados por
Oliveira e Robaina (2002) definir o nível de risco ambiental no Furninhas (Tabela 4).
35
Tabela 4. Grau de Risco na Microbacia do Córrego das Furninhas.
Variáveis
Susceptilidade Padrão Urbano da Ocorrência de Risco Ambiental
Natural área eventos
Não há declives
menores que 2 % ou 3 Inundações em
acima de 10 % Médio padrão baixas declividades Alto
Quanto aos parâmetros de susceptibilidade natural, pode-se dizer que o risco é
baixo, visto que a declividade está acima de 2 % e abaixo de 10 % na área urbanizada, de
acordo com a Carta Clinográfica produzida por Zacharias (2006) (Anexo 2). Além disso,
não há depósitos coluvionares ou material inconsolidado, determinados como
geotecnicamente instáveis.
A respeito do padrão urbano, segundo a Tabela 1, conclui-se que na microbacia
tem-se Médio Padrão, em que a soma do valor atribuído às variáveis é igual a 3, 4, ou 5.
Neste caso, a soma foi 3.
Já os eventos registrados através do diagnóstico socioambiental, produto do
questionário, foram pontuais, como algumas inundações no período de eventos
pluviométricos extremos, aonde a declividade é sensivelmente baixa (Figura 9). É
importante destacar que enquanto nas imediações do canal principal as vias são todas
asfaltadas, a única via de terra se encontra muito próxima ao local aonde foram registrados
as inundações supracitadas, denotando a carência de intervenções urbanas, tanto de infra-
estrutura como de obras de contenção.
Além das inundações, outros processos como solapamento de margem e
assoreamento foram observados em trabalhos de campo no médio curso do Córrego, o que
se pode associar ao fato de ser uma área com alta densidade de ocupação.
36
Figura 9. Trecho do Córrego no Jardim São Jorge, aonde, segundo morador, já houve
inundação.
Fonte: Maria Carolina Villaça Gomes (2004).
Sendo assim, após a combinação dessas informações, definiu-se o grau de risco na
microbacia do córrego das furninhas é ALTO. Este ocorre, conforme o subcapítulo sobre
Grau de risco ambiental, quando a área susceptível apresentar predomínio de ocupação de
Médio Padrão Urbano com registro de eventos ou de baixo padrão sem registro de eventos.
6.2 Riscos ambientais na microbacia hidrográfica do Córrego Chumbeadinha
O processo de ocupação da nascente e percurso do Córrego Chumbeadinha teve
início nos anos 1980, com a criação do loteamento conhecido por Nova Ourinhos,
desenvolvido pela empreendedora imobiliária Delfim Verde. Idealizado para atender a
crescente expansão urbana, principalmente a demanda de alto poder aquisitivo, a instalação
deste bairro foi um dos responsáveis pela consolidação da expansão urbana nessa direção
de Ourinhos. Na década de 1990, a mesma loteadora desenvolve um projeto para a
implantação de um loteamento fechado próximo à Nova Ourinhos.
Segundo Gentil (2008), o represamento das águas do Chumbeadinha é
concomitante à implantação do projeto do loteamento fechado, o que permite inferir, sem
dúvidas, que a criação do lago teve como finalidade agregar valor àquele condomínio, haja
vista as tendências dos agentes do mercado imobiliário de vender a beleza paisagística da
natureza, a venda de qualidade de vida, o que já vinha ocorrendo nas cidades de maior
37
porte há alguns anos, como Sorocaba/SP em 1981 e São José do Rio Preto/SP em 1971,
segundo Sposito (2006).
No entanto, aquilo que passou a ser “vendido” como genuinamente natural, na
verdade se encontrava descaracterizado em vários aspectos: alterações no curso d’água
(represamento), ausência de mata ciliar, água contaminada; mas nada que afetasse, para os
moradores ou interessados em adquirir um lote, a beleza paisagística e o status adquirido
através da criação do espelho d’água.
Considerando esse resgate histórico do condomínio fechado Royal Park e do
loteamento Nova Ourinhos na microbacia do Chumbeadinha, pôde-se compreender o
processo de expansão urbana observado até os dias de hoje para o Noroeste do município,
além da relação que se estabelece entre o bairro mais “nobre” do município, Nova
Ourinhos, o principal condomínio fechado, Royal Park e a articulação entre o mercado
imobiliário e o poder público municipal.
Quanto à susceptibilidade natural, a referida microbacia apresenta declividades
menores que 2 % (ZACHARIAS, 2006), no entanto, a área em ocorre essa declividade está
submersa ao Lago.
A segunda variável, o padrão urbano da área em questão, de acordo com atribuição
de valor descrita na metodologia deste trabalho, é Médio, visto que a soma dos valores
atribuídos foi 5.
No que diz respeito à ocorrência de eventos na microbacia, no tratamento dos
questionários foram citados apenas algumas enchentes, o que é um processo de dinâmica
natural, sendo o acréscimo na descarga por certo período de tempo (ABGE, 1998).
Tabela 5. Grau de Risco na microbacia do Córrego Chumbeadinha.
Variáveis
Susceptilidade Padrão Urbano da Ocorrência de Risco Ambiental
Natural área eventos
Há declives menores Não há, apenas
que 2%, mas está 5 enchentes no verão,
submerso (Lago) Médio padrão dinâmica fluvial Moderado
natural.
Quanto aos processos associados à dinâmica das vertentes, foi possível observar
que mesmo havendo susceptibilidade natural em razão da declividade alta (de 20 a 30 %)
não houve registros por parte dos moradores entrevistados, assim como nos trabalhos de
38
campo não foram detectados pontos de deposição de material ou assoreamento na planície
aluvial.
Dessa forma, após o detalhamento das variáveis envolvidas na definição do grau
das áreas de risco, identifica-se na Microbacia do Córrego Chumbeadinha risco de grau
MODERADO, que ocorre quando a área apresenta-se com susceptibilidade natural e está
ocupada com moradias de Médio Padrão Urbano sem ocorrência de eventos.
A hipótese inicialmente levantada neste trabalho, a de que paisagens naturais com
muitos processos em comum mas diferentes formas de apropriação ou padrão de ocupação
estão sujeitas a riscos ambientais em diferentes graus, é comprovada através dos diferentes
graus de risco ambiental identificados nas microbacias analisadas, marcadas por diferentes
padrões de ocupação.
Uma vez estabelecidos os graus de risco de cada microbacia, é possível dialogar a
respeito das diferentes formas de apropriação dos fundos de vale, formas estas que se
manifestam em cada uma das microbacias analisadas.
Ainda que o objetivo central desta pesquisa tenha sido a identificar os riscos
ambientais aos quais estão sujeitas as microbacias do Chumbeadinha e Furninhas, a
discussão sobre a função social dos recursos naturais, no caso os recursos hídricos é
imprescindível, uma vez que as áreas de riscos ambientais só existem em razão da
apropriação indevida desses recursos.
Comparando-se os levantamentos históricos que foram realizados para
compreender a evolução do uso e ocupação do solo das duas microbacias, é nítido como as
duas percorreram caminhos distintos, tendo semelhança apenas no fato de ambas terem
sido altamente degradadas inicialmente pelas atividades agrícolas.
A respeito da evolução do uso e ocupação no Furninhas, como fora mencionado
anteriormente, sabe-se que a expansão urbana se deu nos períodos de altas taxas de
crescimento do município, a partir de 1940 de acordo com Boscariol (2006), aonde foram
implantados pelo Estado inúmeros loteamentos voltados às classes sociais de menor poder
aquisitivo, loteamentos populares, os quais são observáveis nas imediações da microbacia.
No entanto, a implantação desses loteamentos populares não garantia o acesso à
demanda mais necessitada, levando-os a buscar outras alternativas de moradia. Assim,
áreas como as planícies aluviais dos córregos que atravessam esses loteamentos populares
se mostravam uma alternativa viável para se estabelecerem.
39
Dessa maneira, diversas moradias irregulares surgiram nessas áreas de riscos
naturais. É importante destacar que as áreas ocupadas ou loteadas irregularmente não são
atendidas por parte do poder público local para a implantação de infra-estrutura básica, o
que, se somado aos riscos naturais, irá caracterizar essas áreas como risco de alto grau, o
que foi constatado ao longo deste estudo de caso.
Nessa caso, fica claro a forma como as classes sociais marginalizadas se apropriam
dos recursos hídricos, mediada por uma relação de sujeição aos riscos ambientais,
tornando, ainda, as margens dos canais áreas de segregação sócio-espacial.
Quanto à ocupação urbana na microbacia do Chumbeadinha, esta foi um processo
integralmente diferente no que diz respeito aos agentes envolvidos: o poder público
municipal agindo em consonância com as loteadoras e as classes sociais atendidas de alto
poder aquisitivo.
Como já mencionado quando da caracterização desta microbacia, a implantação
concomitante do loteamento fechado Royal Park e o represamento do Córrego
Chumbeadinha não foi aleatória. Antes mesmo que as obras do loteamento fossem
concluídas, o lago já havia sido concluído, o que demonstra a solicitude do poder público
quando articulado com a elite econômica e política do município.
Além disso, o loteamento da vertente à margem direita do Chumbeadinha, o bairro
Nova Ourinhos, já se encontrava consolidado, reafirmando seu novo status de área mais
nobre da cidade, aonde apenas as classes mais abastadas se instalaram.
Assim, o Nova Ourinhos bem como o Royal Park, que acabara de surgir, tiveram
acrescidos a seus valores a importância da proximidade com a natureza, da beleza
cênica/paisagística, fato que vem a agregar valor por estar diretamente ligado à melhoria da
qualidade de vida.
Ainda que tenha havido esse acréscimo no valor dos imóveis por conta da
construção do espelho d’água, no que diz respeito ao meio ambiente, pode-se dizer que a
obra não foi sequer acompanhada por um projeto de reflorestamento da mata ciliar, o que
demonstra o verdadeiro desinteresse pela conservação do meio ambiente. O que é válido é
o retorno financeiro que alguns desses recursos podem trazer aos grandes agentes
produtores do espaço urbano, ainda que o custo seja para o meio ambiente.
40
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista os objetivos propostos, o presente trabalho, de modo geral,
procurou discutir à luz da Geografia, enquanto ciência social, um trabalho que na sua
essência, poderia, sem dúvida, ser desenvolvido por pesquisadores de áreas afins, tais
como da engenharia ambiental, geologia, biologia, dentre outros.
O estudo dos riscos ambientais em microbacias representativas para o município de
Ourinhos/SP, seguido pela discussão acerca das diferentes formas de apropriação dos
recursos hídricos do município é um trabalho de fundamental importância para a
compreensão de como o espaço urbano de Ourinhos foi produzido ao longo de seus
quase 100 anos, bem como seus reflexos no meio ambiente físico e os decorrentes riscos
ambientais aos quais a população que vive nas planícies aluviais das microbacias
avaliadas está sujeita.
A avaliação dos riscos ambientais nas microbacias dos Córregos das Furninhas e
Chumbeadinha como de risco alto e risco moderado, respectivamente, deixa nítido como
a intervenção do poder público municipal ou a sua inoperância é determinante no
desencadeamento dos processos de dinâmica superficial ou no seu controle.
No caso da microbacia do Furninhas, eventos como inundações podem vir a ocorrer
durante eventos pluviométricos intensos nas áreas de declividade abaixo de 2 %. Por
conta disso, podem vir a ocorrer outros processos, como o solapamento de margem e
assoreamento. Quanto ao Chumbeadinha, não se evidencia a ocorrência de nenhum risco
além da própria dinâmica fluvial natural, como as enchentes durante os períodos
chuvosos.
Há de se destacar o projeto da atual gestão da Prefeitura Municipal de Ourinhos
com financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo
Federal, em que serão canalizados os corpos hídricos da área urbana do Município, com
exceção do Córrego da Chumbeadinha. Novamente a administração local age de maneira
a beneficiar a elite econômica e política do município, que reside próximo ao lago, e
“beneficiar” àqueles que residem próximo aos córregos, uma vez que a obra representa o
desenvolvimento e o progresso para essa população, que sofre com o descaso da
Prefeitura para com a manutenção dessas áreas.
A questão é que os córregos não se encontram degradados a ponto de a única
solução ser a canalização, demonstrando que em pleno século XXI ainda são
41
desenvolvidos projetos cujo objetivo seja atender aos interesses políticos em detrimento
daqueles que realmente atendam às demandas sociais, pelas quais perpassam às
ambientais.
Este projeto da administração pública local, bem como ocorre em outros governos
nas demais esferas do poder, deixa claro o quanto há de preocupação em se proporcionar
o meio ambiente equilibrado em todas as suas dimensões a toda população, independente
de classe social ou do retorno que isso poderá trazer.
Assim, ao término deste trabalho, pretende-se entregá-lo aos órgãos da
administração municipal de Ourinhos: Prefeitura, Secretaria de Desenvolvimento
Urbano, Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente e à Superintendência de Água
e Esgoto de Ourinhos - SAE, de forma a colaborar com futuros empreendimentos, para
planejamento ambiental nas microbacias avaliadas ou para qualquer intervenção positiva
no meio. Eis a contribuição.
42
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos. 12. ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2007.
BOSCARIOL, R.A.; SILVEIRA, M.R. Formação socioespacial e expansão urbana na
cidade de Ourinhos/SP: primeiras respostas. Disponível em:
<[Link] 2006. Acesso em: 10. ago.
2008.
BOSSI, W.M. A hora e a vez dos planos diretores. Disponível em:
[Link] 2008> 2008. Acesso em: 05. jun.
2008.
BOTELHO, R.G.M. Planejamento ambiental em Microbacia Hidrográfica. IN: Guerra,
A.J.T. et al. Erosão e conservação dos solos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
BOTELHO, R.G.M.; SILVA, A.S. Bacia hidrográfica e qualidade ambiental. IN: Vitte,
A.C. Guerra, A.J.T. (Org.) Reflexões sobre a geografia física no Brasil. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2004.
BERTRAND, G. Paisagem e geografia global. Esboço metodológico. São Paulo,
Universidade de São Paulo, Instituto de Geografia, Cadernos de Ciência da Terra, 1971.
BERTRAND, G.; BERTRAND, C. Uma geografia transversal e de travessias.
Organizador Messias Modesto dos Passos. Maringá: Massoni, 2007.
BRAGA, R; CARVALHO, P. F. C. Recursos hídricos e planejamento urbano e
regional. Rio Claro: Laboratório de Planejamento Municipal-IGCE-UNESP. 2003.
CALIJURI, M.L. Modelagem, implementação e disponibilização na web de um sistema
de informação para a tomada de decisão visando a sustentabilidade de bacias
hidrográficas. Disponível em: <[Link] 2003.
Acesso em: 10. mai. 2008.
CARLOS, A.F. Espaço e indústria. São Paulo: Contexto, 2001.
CASSETI, V. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Contexto, 1991.
CASTRO, C.M.; PEIXOTO, M.N. O.; RIO, G. A. P. do. Riscos ambientais e Geografia:
Conceituações, Abordagens e Escalas. Disponível em:
<[Link] 2008. Acesso
em: 10. jun. 2008.
CENTRO DE PESQUISAS METEOROLÓGICAS E CLIMÁTICAS APLICADAS À
AGRICULTURA. Clima dos municípios paulistas. Disponível em:
<[Link]
2008. Acesso em: 12. ago. 2008.
CENTRO INTEGRADO DE INFORMAÇÕES AGROMETEOROLÓGICAS.
Temperatura máxima anual. Disponível em: <[Link] 2008.
Acesso em: 10. jun. 2008.
______________________________________________________________.
Temperatura mínima anual. Disponível em: <[Link] 2008.
Acesso em: 10. jun. 2008.
43
CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1980.
CUNHA, Marcio Anglieri (coord.). Ocupação de encostas. São Paulo: Instituto de
Pesquisas Tecnológicas, 1991.
DICIONÁRIO DE ECOLOGIA E CIÊNCIAS AMBIENTAIS. Degradação ambiental.
São Paulo: Editora UNESP. p. 147. 2001.
FAUSTO, B. História do Brasil. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2003.
FREIRE, O. Solos das regiões tropicais. Botucatu: FEPAF, 2006.
GENTIL, C. A. Comunicação pessoal. 2008.
GUERRA, A.J.T.; CUNHA, S.B. Impactos urbanos no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2006.
GUERRA, A.J.T.; MARÇAL, M. S. Geomorfologia Ambiental. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2006.
HINKEL, R. Vegetação ripária: funções e ecologia. Disponível em:
[Link]
[Link]#page=48> 2008. Acesso em 02. jun. 2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Manual técnico da
vegetação brasileira. Disponível em:
<[Link]
ManuaisdeGeociencias/Manual%20Tecnico%20da%20Vegetacao%20Brasileira
%[Link]> 1992. Acesso em: 12. ago. 2008.
INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Mapa geológico do estado de São Paulo. São Paulo, 1981. Escala 1:500.000.
LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965. Novo código florestal. Disponível
em:<[Link] 2008>. Acesso em: 30 mai.
2008.
MAIA, R.S. A produção do espaço em áreas de auto-segregação: O caso da Barra da
Tijuca. Rio de Janeiro: Anuário do Instituto de Geociências- UFRJ, 1998.
MALVESTIO, L.M. Determinação da erosividade da chuva de parte da Unidade de
Gerenciamento de Recursos Hídricos do Médio Paranapanema. Relatório de Iniciação
Científica. Ourinhos: UNESP, 2008.
OLIVEIRA, A.M. S. BRITO, S.N.A. (Org.) Geologia de Engenharia. São Paulo: ABGE,
1998.
OLIVEIRA, E.L. A.; ROBAINA, L.E. de S. Mapeamento das áreas de risco
geomorfológico da bacia hidrográfica Arroio Cadena, Santa Maria/RS.
OLIVEIRA, J.B.; CAMARGO, M.N.;ROSSI, M. & CALDERANO FILHO, B. Mapa
pedológico do Estado de São Paulo: legenda expandida. Campinas, Instituto
Agronômico/EMBRAPA Solos. Campinas. 1999. 64p.
PIRES, M.C.S. Novas formas de expansão das metrópoles: Impactos no Ambiente e na
Mobilidade. Disponível em:
<[Link]
[Link]> 2006. Acesso em: 12. ago. 2008.
44
PRADO, T.B.G. Evolução do uso das terras e produção de sedimentos na bacia
hidrográfica do rio Jundiaí-Mirim. Disponível em:
<[Link] 2005. Acesso em: 11. ago. 2008.
PREFEITURA MUNICIPAL DE OURINHOS. Histórico da cidade. Disponível em:
<[Link] 2007 . Acesso em:
03. nov. 2007.
POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Lei Nº 9381 de 31/08/1981. Brasília:
MMA/SNMA, 1981.
QUINTAS, M.C.L. et al. Contribuição para o estudo da evolução mecânica da Bacia
do Paraná. Rio de Janeiro: PETROBRAS, 1997.
ROSS, J.L.S; MOROZ. Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo. São Paulo.
1997. Escala 1:500.000.
ROSS, J.L.S. (Org.) Geografia do Brasil. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2003.
SANTOS, C.A.M. Formas de relevo da cidade de Marília-SP. Presidente Prudente,
2006. Trabalho de Graduação.
SANTOS, J.O. Vulnerabilidade ambiental e áreas de risco na bacia do Rio Cocó:
Região Metropolitana de Fortaleza- Ceará. Fortaleza: UECE, 2006. Dissertação de
mestrado.
SAUER, C.O. A morfologia da paisagem. In: Côrrea, R.L. Rosendahl, Z. (org.), Paisagem,
Tempo e Cultura. Rio de Janeiro: UERJ, 1998.
SOTCHAVA, V.B. O estudo dos geossistemas, 16. IGC-USP. São Paulo, 1977.
ZACHARIAS, A. A. A representação gráfica das unidades de paisagem no
zoneamento ambiental: um estudo de caso no município de Ourinhos – SP. 2006.
Qualificação de Doutorado (Pós-Graduação em Geografia) – Universidade Estadual
Paulista. 120pp.
45
ANEXO 1
Questionário
1. Qual o grau de escolaridade?
Fundamental incompleto Fundamental completo Médio incompleto
Médio completo Superior completo
2. Quantas pessoas residem?
1 a 3 3 a 5 5 a 7 mais de 7
3. Qual a renda da família?
1 a 2 salários 2 a 5 salários 5 a 10 salários Mais de 10 salários
Não informou
4. Padrão Construtivo do imóvel:
Alto padrão (alvenaria) Médio padrão (alvenaria)
Baixo padrão (outros materiais- moradia irregular)
5. Motivo de residir no local:
Proximidade com a natureza Sem motivo principal Falta de opção
Proximidade com o trabalho N.d.a.
6. Como é o esgotamento do imóvel?
Rede pública Fossa Lançamento “in natura” no solo ou corpo d’água Outros
7. Como é o abastecimento de água do imóvel?
Rede pública Poço Águas superficiais Outros
8. Quais os benefícios de residir próximo ao córrego?
Conforto térmico Contato com a natureza Beleza cênica/ paisagística N.d.a.
9. E os pontos negativos?
Proliferação de insetos Segurança/violência Vulnerabilidade a acidentes naturais N.d.a.
10. De que forma usufrui do córrego?
Recreação e lazer Pesca Fins domésticos N.d.a.
11. Observa a intervenção do poder público? Se sim, como?
Revegetação da área Equipamentos de lazer Manutenção da limpeza N.d.a.
12. Identifica problemas ambientais?
Buracos na terra (erosão) Enchente Árvores que caem nas margens do canal
Não observas nenhum problema
13. Para você, qual a importância dos recursos naturais?
Imprescindível para a manutenção da vida Matéria-prima e fonte de energia
Depósito do que a sociedade descarta N.d.a.
46
ANEXO 2