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Cimento Verde: Solução para Descarbonização

O artigo analisa o cimento verde como uma solução técnica para a descarbonização da indústria da construção civil, destacando suas características, benefícios e desafios. Os resultados indicam que o cimento verde, feito com materiais alternativos de baixo carbono, pode reduzir significativamente as emissões de CO₂, mas sua adoção em larga escala enfrenta barreiras como aceitação de mercado e custos. Conclui-se que o cimento verde tem potencial para ser uma alternativa eficaz, necessitando de esforços contínuos para sua promoção e implementação.

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Cimento Verde: Solução para Descarbonização

O artigo analisa o cimento verde como uma solução técnica para a descarbonização da indústria da construção civil, destacando suas características, benefícios e desafios. Os resultados indicam que o cimento verde, feito com materiais alternativos de baixo carbono, pode reduzir significativamente as emissões de CO₂, mas sua adoção em larga escala enfrenta barreiras como aceitação de mercado e custos. Conclui-se que o cimento verde tem potencial para ser uma alternativa eficaz, necessitando de esforços contínuos para sua promoção e implementação.

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O CIMENTO VERDE COMO SOLUÇÃO TÉCNICA PARA

DESCARBONIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO


CIVIL
GREEN CEMENT AS A TECHNICAL SOLUTION FOR
DESCARBONIZING THE CONSTRUCTION INDUSTRY

Jaldo Maciel Marinho Júnior 1


Aymara Gracielly Nogueira Colen 2
Fabricio Machado Silva 3

Resumo: Este artigo investiga o papel do cimento Abstract: This article investigates the role of
verde como solução técnica para a descarbonização green cement as a technical solution for the
da indústria da construção civil. O objetivo é analisar decarbonization of the construction industry.
suas características, benefícios e desafios, destacando The objective is to analyze its characteristics,
seu potencial na redução das emissões de carbono benefits and challenges, highlighting its potential
associadas à produção de cimento convencional. A in reducing carbon emissions associated with
metodologia envolve revisão bibliográfica e análise conventional cement production. The methodology
crítica de estudos e dados relevantes. Os resultados involves bibliographic review and critical analysis of
demonstram que o cimento verde, produzido relevant studies and data. The results demonstrate
com materiais alternativos de baixo carbono, that green cement, produced with alternative low-
apresenta vantagens significativas em termos de carbon materials, presents important advantages
sustentabilidade ambiental e desempenho técnico. in terms of environmental sustainability and
No entanto, sua adoção em larga escala requer a technical performance. However, its large-scale
superação de obstáculos como aceitação de mercado, adoption requires overcoming obstacles to market
custos e disponibilidade de materiais. Conclui-se accessibility, costs and material availability. It is
que o cimento verde tem o potencial de ser uma concluded that green cement has the potential
alternativa viável e eficaz para a descarbonização to be a viable and effective alternative for the
da indústria da construção civil, exigindo esforços decarbonization of the construction industry,
contínuos de diversos autores para sua promoção e requiring continuous efforts from various actors for
implementação. its promotion and implementation.

Palavras-chave: Cimento verde, Construção civil, Keywords: Green cement, Civil construction,
Descarbonização, Sustentabilidade, Materiais Decarbonization, Sustainability, Alternative
alternativos. materials.

1 - Discente de Engenharia Civil - Centro Universitário UNITOP, Palmas, TO. Lattes: [Link]
ORCID: [Link] E-mail: jaldommjr@[Link]
2 - Dra Tecnologia Ambiental, Eng. Ambiental, Mestre AgroEnergia (Biomassa Residual do Agro(Industrial) e do Saneamento),
Especialista Inovação Tecnológica. Professora e Pesquisadora do Curso de Engenharia Civil - Centro Universitário UNITOP.
Lattes: [Link] ORCID: [Link] E-mail: [Link]@
3 - Dr. Tecnologia Ambiental, Eng. Civil, Ambiental, de Produção e de Segurança do Trabalho. Professor, Pesquisador e
Coordenador do Curso de Engenharia Civil - Centro Universitário UNITOP. Lattes: [Link]
ORCID: [Link] E-mail: fabricio_amb@[Link]

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 237
Introdução

A indústria da construção civil é reconhecida como uma das principais emissoras de


gases, especialmente devido à produção de materiais como o cimento Portland, cuja fabricação
é intensiva em energia e emite grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) para a
atmosfera (BRULLE, 2019). Diante da urgência do equilíbrio climático global e a busca por
soluções sustentáveis, torna-se essencial mitigar impactos adversos, ultilizando materiais de
baixa emissão de poluentes.
Nesse cenário, pesquisas como a de Curado (2024), mostram que o desenvolvimento
e a adoção de tecnologias voltadas para a descarbonização da construção civil têm ganhado
destaque. Dentre as tecnologias já existentes, a Habitability (2022) e outros profissionais e
pesquisadores, evidenciam o cimento verde como promissor, capaz de reduzir significativamente
as emissões de CO₂ em relação à produção do cimento comum. Este cimento, o Portand, é
obtido pela calcinação de calcário e argila a altas temperaturas (BRULLE, 2019).
No Programa PET-Civil da UFJF, em 2014, cimentos produzidos à base de óxido de
magnésio substituiram em até 80% o cimento convencional, contribuindo para menores
emissões de gases na atmosfera por possuírem menos clínquer do que o cimento Portland.
Conforme GlobalABC/IEA/UNEP (2020), o cimento verde, também conhecido
como cimento de baixo carbono, é produzido a partir de materiais não-convencioanais que
substituem parcialmente ou totalmente o clínquer do cimento convencional. Além disso, são
adotadas práticas de produção mais eficientes e sustentáveis, como o uso de fontes de energia
renovável, a otimização do consumo de água e a minimização da geração de resíduos.
Os resíduos gerados nas atividades agroindustriais podem ser aplicados para a
produção de um cimento sustentável, como as cinzas do bagaço da cana, da casca de arroz,
de palhas, resíduos de madeira, dentre outros. Portando, poder ser utilizado nas execuções de
guias, sarjetas e bocas de lobos.
No Brasil, prefeituras já trabalham com aplicação de resíduos para confecção de
artefatos de concreto. Materiais como escória de alto-forno, cinzas volantes, calcário e argila
calcinada, possuem menor impacto ao sistema produtivo e ambiental, contribuem portanto
para a redução das emissões (SALIM et al. 2023). No Japão já foi produzido um concreto que
substitui a areia por cinzas vulcânicas nas construções de casas, devido a escassez de areia no
país (CIMENTO ITAMBÉ, 2020).
Existem diversos materiais com potencial para a produção de filler (pó fino), porém,
o pó de calcário é o menos prejudicial à saúde dos colaboradores. O cimento ecoeficiente é
fabricado a partir da substituição parcial do clínquer por filler tendo assim uma redução desse
ligante principal emissor de CO2, realizando assim um concreto com menos água, menos poros
e mais firme do que o tradicional. A Fapesp (2013) publicou essa tecnologia e despertou muito
interesse na indústria cimenteira InterCement, do grupo Camargo Corrêa, com sede em São
Paulo
Como uma forma de prolongar a vida útil das edificações, minimizando custos com
manutenções, por necessidade de produção de cimento com menores impactos ambientais na
construção civil, o bioconcreto se destaca no autorreparo de suas fissuras pela introdução das
bactérias Bacillus pseudofirmus. Essa inovação já foi introduzida na construção de uma casa
na Holanda a qual é constantemente inspecionada por profissionais da área (CELERE, 2021).
Por isso, esta pesquisa tem como objetivo investigar o papel do cimento verde como
solução técnica para a descarbonização da indústria da construção civil. Ademais, contribuir
para o avanço do conhecimento técnico e científico e tecnologias sustentáveis no setor.

Metodologia

Levantamento de Dados

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 238
Foram coletados e analisados trabalhos técnicos e científicos em bases de dados Scielo,
Google Acadêmico e periódicos da Capes. Como critérios de inclusão, foram consideradas
publicações com dados sobre construções sustentáveis e materiais de baixo carbono, voltados
à descarbonização da construção civil, com as metas para 2030, e para o ano de 2050.

Abordagem Técnica e Científica do Cimento Verde

Realizou-se uma pesquisa documental e bibliográfica de abordagem qualitativa, baseada


na crítica e compreensão ampla e detalhista de materiais diversos (KRIPKA, SCHERLLER,
BONOTTO, 2015). Como solução de contribuição às metas de descarbonização da indústria
da construção civil, apresentou-se materiais que podem ser aplicados na produção do cimento
verde.
Nesta pesquisa, por meio de uma revisão crítica da literatura, foram levantadas
características, benefícios e desafios associados ao uso do cimento verde, destacando seu
potencial para promover uma indústria da construção civil mais sustentável e ecoeficiente,
fornecendo subsídios para a tomada de decisão de profissionais, empresas e governos e
sociedade em geral.

Estudo de Materiais para Descarbonização da Construção Civil

O cimento verde, cimento sustentável ou ecológico, é uma solução inovadora e ambiental


ao processo produtivo do cimento convencional (RIBEIRO, 2023).
A caracterização do cimento verde se dá pela sua formulação, que inclui a substituição
parcial ou total do clínquer por materiais de baixo carbono, como escória de alto-forno, cinzas
volantes, calcário e argila calcinada (Habitability, 2022), resíduos industriais e de origem
agrícola, como cinzas de biomassas (GlobalABC/IEA/UNEP, 2020) (Figura 1).

Figura 1. Processo Produtivo do Cimento Verde - Descarbonização do Setor

Fonte: AUTOR (2024).

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 239
Estes materiais podem ser produzidos em diferentes proporções, dependendo das
características desejadas ao tipo de cimento. O cimento verde tem que manter as propriedades
físicas e mecânicas necessárias para a construção civil, a segurança e a qualidade das estruturas
Mármol et al. (2016), o desempenho e a durabilidade (Brito & Nascimento, 2018). O Quadro 1
apresenta materiais para esta produção verde.

Quadro 1. Materiais Constituintes do Cimento Verde


As cinzas do bagaço da cana, casca de arroz e resíduos cerâmicos
são postulantes para fazer parte do concreto e minimizar a
presença do cimento. As aplicações vão desde celulose, fibras
naturais de diversas plantas, a cinzas diversas (QU et al. 2014;
APRIANTI et al. 2015; ARDANUY; CLARAMUNT; TOLEDO FILHO,
2015; ONUAGULUCHI; BANTHIA, 2016; WEI; MEYER, 2016;
KESIKIDOU; STEFANIDOU, 2019; LUHAR; CHENG; LUHAR, 2019;
Resíduos Agro LYRA et al. 2019).
(agricultura e da Fábricas de arroz já usam as cascas para gerar energia inerente
agroindústria) aos seus processos. Por inúmeros países terem adotado essa
prática, estudos têm aferido suas propriedades para construção
civil (ABOOD HABEEB; BIN MAHMUD, 2010; MUTHADHI;
KOTHANDARAMAN, 2010; RÊGO et al. 2015; SANDHU; SIDDIQUE,
2017; KANG; HONG; MOON, 2019). Na Universidade de São Paulo
(USP) desenvolveram-se um cimento menos agressivo ao meio
ambiente com a introdução do óxido de magnésio. Este estudo
pode remover até 80% do cimento portland (AGÊNCIA USP, 2010).
Os cimentos à base óxido de magnésio (MgO), isentos de
clínquer, são aliados na redução do uso do cimento Portland
e consequentemente na redução dos impactos causados pelo
Cimentos à base
mesmo. O cimento à base de MgO possui quantidades quase que
óxido de magnésio
insignificantes de cálcio. Com isso passa a ser interessante para
(MgO)
possível combinação com materiais que necessitam de um meio
menos alcalino, como os compósitos de fibras vegetais (UNLUER;
AL-TABBAA, 2015; MÁRMOL; SAVASTANO, 2017).
O bioconcreto é uma mistura do concreto tradicional, bactérias e
Bioconcreto– lactato de cálcio (alimento das bactérias), uma vez que, a bactéria
(Mix de Concreto é ativada quando entra em contato com a água ou oxigênio. Se
tradicional + Lactato o concreto começa a se degradar, os Bacillus Pseudofirmus se
de Cálcio) abrem e por meio de reações químicas, as bactérias auxiliam na
regeneração do concreto (BRITO et al. 2018).
A escória de alto-forno, por exemplo, é um subproduto da
indústria siderúrgica e tem sido amplamente utilizada como
material suplementar na produção de cimento verde. Sua
Resíduos de
utilização não apenas reduz as emissões de CO₂, mas também
Siderugia
melhora as propriedades mecânicas e de durabilidade do cimento,
contribuindo para a produção de concretos mais resistentes e
duráveis (ROSSIGNOLO et al. 2017).
As cinzas volantes, por sua vez, são resíduos da queima de
carvão mineral em usinas termoelétricas e podem ser utilizadas
Resíduos de como material pozolânico na produção de cimento verde. Sua
termoelétricas incorporação no cimento não apenas reduz as emissões de CO₂, mas
também melhora a trabalhabilidade, a resistência à compressão e a
durabilidade do concreto (JAMIL et al. 2013).
Fonte: AUTOR (2024) (adaptado).

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Resultados e Discussão

Cimento Verde nas Indústrias e nos Canteiros de Obras

A introdução do cimento verde, nas indústrias produtoras de cimento e nos canteiros


de obras, requer uma abordagem e uma execução multifacetada. Para facilitar essa transição,
é essencial transferir conhecimentos aos profissionais da indústria da construção civil, sobre
os benefícios do cimento verde e os métodos adequados de produção e aplicação (IBGE,
2010). Governos e órgãos reguladores podem desempenhar um papel crucial na promoção
do cimento verde, oferecendo incentivos fiscais, subsídios e publicando regulamentações,
para incentivar a produção e a utilização (HARVEY, 2016). Colaborações e parcerias entre
as indústrias produtoras de cimento, fabricantes de materiais alternativos, empresas de
construção civil e instituições de pesquisa são de extrema relevância para o desenvolvimento
de soluções técnicas e estratégias de implementação eficazes (IBGE, 2010).
O cimento verde é inovador e promissor para tornar a indústria da construção civil mais
sustentável e ecoeficiente, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas. Além disso,
está alinhado com as tendências globais de sustentabilidade e responsabilidade ambiental,
e à crescente demanda por materiais mais ecoeficientes e de baixo impacto ambiental (EL
GHAOURI, 2023).
Monitorar e avaliar continuamente o desempenho de um cimento verde em termos
de emissões de carbono, qualidade do produto final e impactos ambientais e sociais, também
é essencial (HARVEY, 2016). Isso pode ser feito por meio de sistemas de gestão ambiental,
certificações de sustentabilidade e avaliações de ciclo de vida, pois identificam áreas de
melhoria e otimização (IBGE, 2010), dentre outras aplicações de metodologias e tecnologias.
Ao adotar uma abordagem integrada, as indústrias produtoras de cimento e os canteiros
de obras podem incorporar com sucesso o cimento verde em suas práticas e processos,
contribuindo para a redução das emissões de carbono do setor da construção civil (HARVEY,
2016).

Cimento com Filler de Pó de Calcário

O filler de pó calcário, obtido a partir do processo de moagem fina do calcário (rocha


sedimentar expressiva no Brasil), foram testados em concreto, argamassa e no fibrocimento,
e,obtive-se as mesmas propriedades de um produto convencional, mas com metade do teor de
clínquer (CIMENTO ITAMBÉ, 2014) (Figura 2).
Wang et al. (2019), estimaram que mais de 10 bilhões de resíduos de construção e
demolição (RC&Ds) são gerados no mundo, causando impactos como excessivo consumo de
matérias-primas, além de emissões de gases. Anualmente, a China lidera a geração RC&Ds,
com uma produção de mais de 2 bilhões de resíduos.
Gunasekar et al. (2019) citam que o concreto produzido com RC&Ds reciclados
apresenta ganho em relação a várias propriedades mecânicas. Sata et al. (2020) relatam que
o uso de resíduos de construção e demolição (concreto triturado, cinzas, pneus, vidro) como
agregados pode ser uma alternativa exequível na produção de compósitos geopoliméricos,
porém os estudos ainda são escassos.
A União Europeia estabeleceu como meta para 2020, a reutilização de 70% de resíduos
de construção e demolição, a fim de reduzir seu impacto no meio ambiente e na saúde, bem
como melhorar a eficiência dos recursos (GONZÁLEZ et al. 2017).

Concreto com Vidro Reciclado


A utilidade do pó de vidro como substituto da areia detém de imensa capacidade para a
fabricação de concreto e deve ser visto como uma possibilidade sustentável para a indústria da

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 241
construção civil, dado que o resíduo que seria desprezado será reaproveitado, além de deixar
de extrair recursos naturais, finitos.
Após destruídos, pode continuar a ser útil para a construção. Pesquisadores da
Alemanha e Inglaterra realizaram testes substituindo a areia por vidros após serem triturados.
Em seguida, o material foi lavado, secado, moído e peneirado (Figura 3).

Figura 2. Concreto com filler de pó de calcário Figura 3. Uso de vidro reciclado em concretos

Fonte: FAPESP (2013). Fonte: (LIPPEL, S/D).

Concreto com Resíduos da Mineração e Fibras de Coco

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio do Levantamento


sistemático da produção agrícola (LSPA) a produção de coco, em toneladas, no Brasil saltou de
1.300.000 no ano 2.000 para quase 2.000.000 de toneladas em 2010 (IBGE, 2010).
Segundo Silva et al. (2008), as principais finalidades de se reforçar matrizes com
fibras estão ligadas ao aumento da resistência à tração, flexão e ao impacto, prevenindo ou
retardando o aparecimento de fissuras, o que diminui a abertura das mesmas, e pode conferir
maior capacidade de absorção de energia antes da ruptura.
Ainda, conforme os pesquisadores, os resíduos da mineração como o pó de quartzito
utilizado, além de contribuir para a reciclagem, melhoram, assim como as fibras de coco, a
resistência dos blocos de concreto. Os blocos executados possuem melhores desempenhos em
termos de isolamento térmico, contribuindo para reduzir a transferência de calor (PORTAL
DA CIÊNCIA UFLA, 2023). Consequentemente, edifícios construídos com esses blocos podem
oferecer melhor conforto térmico, poupando a energia que seria gasta em aquecimento ou
resfriamento.
É provável abranger também vantagens econômicas e sociais consideráveis para grupos
que necessitam da extração de quartzito. Ao aproveitar resíduos dessa rocha na confecção
de blocos de concreto, promove-se a criação de empregos locais, a diminuição de desperdício
de recursos naturais e o desenvolvimento sustentável. Isso cede a concepção de estimular a
economia e o bem-estar nas regiões de extração de quartzito.
Em diversos países como a Tailândia, a fibra de coco é frequentemente utilizada para
construir telhados de casas, em proveito da sua resistência à água e às intempéries (DIKOKO,
2023). Dessa forma, com o propósito de tornar blocos de concreto mais compactos de forma
sustentável, pesquisadores de Minas Gerais utilizaram fibras de coco e resíduos da rocha
quartzito (Figura 4).

Cimento com Resíduos Agrícolas

Os resíduos provenientes da agricultura e da agroindústria surgem também com imenso

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potencial para redução das emissões. As cinzas do bagaço da cana, casca de arroz e resíduos
cerâmicos são postulantes para fazer parte do concreto e minimizar a presença do cimento. As
aplicações vão desde celulose, fibras naturais de diversas plantas, a cinzas diversas (QU et al.
2014; APRIANTI et al. 2015; ARDANUY; CLARAMUNT; TOLEDO FILHO, 2015; ONUAGULUCHI;
BANTHIA, 2016; WEI; MEYER, 2016; KESIKIDOU; STEFANIDOU, 2019; LUHAR; CHENG;
LUHAR, 2019; LYRA et al. 2019).
A temperatura de queima para obtenção da cinza da casca do arroz (CCA), é inferior à
do cimento Portland. Com a incineração inspecionada da casca do arroz é possível chegar-se à
eficiência energética e ter-se um material com elevado teor de sílica reativa, capaz de substituir
parcialmente o cimento Portland (TASHIMA et al. 2012; JAMIL et al. 2013; ROSSIGNOLO et
al. 2017). Algumas fábricas de arroz já usam as cascas para gerar energia inerente aos seus
processos. Porém, há a problemática de gerenciar ou dar um destino a cinza residual que
passa a ser uma questão ambiental. Por inúmeros países terem adotado essa prática, estudos
têm aferido suas propriedades para construção civil (ABOOD HABEEB; BIN MAHMUD, 2010;
MUTHADHI; KOTHANDARAMAN, 2010; RÊGO et al. 2015; SANDHU; SIDDIQUE, 2017; KANG;
HONG; MOON, 2019).
Em 2008, foram atribuídas às fábricas de cimento 7% dos lançamentos de gases de
efeito estufa na atmosfera. Conforme os dados empregados pelo Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas (IPCC), para cada tonelada (t) de cimento fabricado resta para atmosfera
1 tonelada de dióxido de carbono (CO2) (REVISTA FAPESP, 2008).
De acordo Gonzalo Visedo, diretor de meio ambiente e sustentabilidade do Sindicato
Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) o Brasil de 1990 a 2015 reduziu-se 20% de suas
emissões, o equivalente a 125 milhões de toneladas de gases de efeito estufa evitados. O plano
possibilita um potencial de minimizar 33% das emissões, impedindo mais 420 megatoneladas
de CO₂ até 2050. Buscar novas soluções implica em inovações tecnológicas, em superar
obstáculos regulatórios, em trabalhar com políticas públicas com o poder público, envolve
outros desafios não apenas da indústria cimentícia (INTEGRIDADE ESG, 2022).
A utilização de resíduos agroindustriais em uma matriz cimentícia (Figura 5), além de
melhorar as propriedades de seus produtos, contribui para uma indústria construtiva mais
sustentável (MÁRMOL et al. 2016; CHEN et al. 2017; ROSSIGNOLO et al. 2017; PRASARA-A;
GHEEWALA, 2018).

Figura 4. Produção de bloco de concreto com Figura 5. Produção de concreto com resíduos
resíduos de mineração e fibra de coco agrícolas

Fonte: PORTAL DA CIÊNCIA UFLA (2023). Fonte: ARCHDAILY BRASIL (2023).

Cimento Magnesiano para Produção de Fibrocimento

Os cimentos à base óxido de magnésio (MgO), isentos de clínquer, são aliados na


redução do uso do cimento Portland e consequentemente na redução dos impactos causados

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 243
pelo mesmo, possui quantidades quase que insignificantes de cálcio. Com isso passa a ser
interessante para possível combinação com materiais que necessitam de um meio menos
alcalino, como os compósitos de fibras vegetais (UNLUER; AL-TABBAA, 2015; MÁRMOL;
SAVASTANO, 2017).
Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um cimento menos
agressivo ao meio ambiente com a introdução do óxido de magnésio. Neste estudo foi possível
remover até 80% do cimento portland (AGÊNCIA USP, 2010). O material produzido se aplicou
como elemento construtivo para telhas e painéis de fechamento. Sua qualidade menos nociva
ao ambiente devido o produto ser menos alcalino que o cimento comum. Segundo Shand
(2016), este tipo de cimento apresenta algumas propriedades consideradas superiores quando
comparado ao Cimento Portland, como cura úmida dispensável; alta resistência ao fogo; baixa
condutividade térmica; boa resistência à abrasão.
Conforme o engenheiro Carlos Gomes, perante os ensaios de imersão em água quente nos
fibrocimentos, compostos por fibras de escória de alto-forno ou celulose, ocorreu um desgaste
acelerado após 56 dias, um período padrão recomendado por norma. Já os fibrocimentos
formados com o material moderno, de maneira oposta do cimento Portland, não expuseram
deterioração das fibras (PET CIVIL UFJF, 2014).
A inovação tecnológica possui vantagens no ramo sustentável dado que, a produção é
consideravelmente menos nociva que a fabricação de cimento convencional e pode absorver
mais carbono do meio ambiente. A energia necessária para a produção deste tipo de cimento é
relativamente mais baixa (WALLING, PROVIS, 2016) (Figura 6).

Bioconcreto

Segundo Brito et al. (2018), o bioconcreto é uma mistura do concreto tradicional,


bactérias e lactato de cálcio (alimento das bactérias), uma vez que, a bactéria é ativada quando
entra em contato com a água ou oxigênio. Se o concreto começa a se degradar, os Bacillus
Pseudofirmus se abrem e por meio de reações químicas, as bactérias auxiliam na regeneração
do concreto.
De acordo com a Thorus Engenharia (2019), o bioconcreto designado como “concreto
auto-curável”, consiste na mistura do concreto com bactérias produtoras de calcário. Um
elemento adicional denominado agente de cura, composto por bactérias Bacillus Pseudofirmus
e lactato de cálcio (C6H10CaO6).
Ademais, conforme Silva e Passarini (2017), a habilidade de autorregeneração (Figura
7), a durabilidade e a eficiência do bioconcreto reduzem os custos de manutenção e reparos e
estende a vida útil de construções, além de ser um material sustentável. Mendes et al. (2016),
afirmam que a utilização de bactérias dormentes na mistura do concreto, além de preencher
as fissuras, aumenta o tempo de vida das estruturas e garante condições seguras de uso, além
de diminuir a realização de manutenções.
De acordo com o engenheiro civil Eng. Saminar (2016), o bioconcreto pode ser
preparado por método de aplicação direta, ou seja, a solução no concreto auto-reparador, o
conteúdo bacteriano é integrado durante a construção, enquanto o sistema de argamassa e
líquido de reparo só entra em ação quando ocorre dano agudo nos elementos de concreto.
Do ponto de vista econômico, o concreto com fibra ainda apresenta menor vantagem
para o mercado. Eles apresentam cicatrização das fissuras em menor período em relação aos
demais, desta forma quando analisados os prazos de cumprimento de execução das obras,
estes tipos de concreto não atendem bem às expectativas das empresas de construção civil
(VENTURA; CLAUDINO; FERREIRA; VEIGA; ROSSI, 2023). Embora pareça ser um material
mais caro que o concreto comum, seu custo/benefício é maior quando avaliado a longo prazo,
tornando-se uma opção mais barata e sustentável que é capaz de aumentar o tempo de vida
dos empreendimentos (WEG, 2021).

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 244
Figura 6. Cimento à base de óxido de magnésio Figura 7. Bioconcreto com capacidade de
para fibrocimento autorregeneração

Fonte: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA (2010). Fonte: EDUCA CIVIL (2020).

Bloco Solo-cimento com RCD

O tijolo solo-cimento é outra alternativa aliada a destinação de entulhos de construção


civil porque possibilita a reintrodução dos resíduos das obras e demolição para serem utilizados
na produção de tijolos verdes ou tijolos ecológicos. Ele é considerado destaque devido seu
processo de confecção ser limpo e isento da queima, impedindo a poluição com gases de efeito
estufa (WEBER; CAMPOS E BORGA, 2017).
Esse tijolo apresenta particularidades essenciais ao desenvolvimento sustentável,
tornando-se assim um material de qualidade e autossustentável (GONÇALVES; CARDOSO,
2016). Ademais, os materiais utilizados são encontrados com certa facilidade: terra (solo),
resíduos de construção e demolição, areia fina, filito ou pó de pedra, cimento CP – V Alta
Resistência Inicial (ARI) (composto por 70% de entulho, 10% de cimento e 10 a 20% de filito).
Stroher (2017) enfatiza que a área da construção civil é responsável por gerar em torno
de 40% da totalidade de resíduos, que se acumulam em aterros, gerando vários problemas
ambientais. Os pesquisadores Wong et al. (2018) argumentaram que a resistência do concreto
poderia ser maximizada pela substituição parcial do cimento pelo pó de tijolos, que é obtido
por britagem e posterior moagem das partículas de tijolos.

Descarbonização da Indústria da Construção Civil

A indústria da construção civil é o maior consumidor a nível global de recursos e matérias-


primas, e, estima-se que até ao ano de 2025 produza cerca de 2,2 bilhões de toneladas de
resíduos (EMF, 2020). Logo, as soluções sustentáveis como uso de materiais não convencionais
minimizam impactos ambientais na sociedade, realizando a chamada “transição verde”.
As emissões de dióxido de carbono (CO₂) da indústria da construção civil representam
aproximadamente 25% do total emitido em escala global, ocorrendo ao longo de todo o ciclo
de vida dos empreendimentos (FARIAS; MARINHO, 2020). Essas emissões estão relacionadas
à elevada demanda energética desta indústria, que representa cerca de 42% do consumo
mundial (DURANTE; CALLEJAS; AMARAL, 2020).
A Figura 8 apresenta uma projeção com compromisso de redução global de 11% de
emissões de gases de efeito estufa até 2030.

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Figura 8. O Histórico e Projeção das Emissões Mundiais de Gases de Efeito Estufa
(Compromisso de Redução de 11% até 2030)

Fonte: IMF (2022).

A indústria cimenteira responde por 7% das emissões de CO₂ globais. Em qualquer


cenário de crescimento, ela pode evoluir em 15 anos para 20% de CO₂, ou seja, a indústria
cimenteira sabe que precisa reduzir o impacto da emissão de CO₂ (ABCP, 2021) (Figura 9).

Figura 9 . Geração de carbono em 2017 e metas para 2030/2050 da indústria ci-


mentícia

Fonte: WRI; CLIMATE ACTION TRACKER (2020).

Uma das principais tendências que impulsionam o crescimento do mercado do cimento


verde é a crescente demanda por construções sustentáveis. À medida que a conscientização
sobre os impactos ambientais da construção civil aumenta, os clientes e investidores estão
cada vez mais exigindo edifícios e infraestruturas que minimizem seu impacto ambiental e
maximizem sua eficiência energética (GlobalABC/IEA/UNEP, 2020). Nesse contexto, uma
solução atraente, capaz de atender a essas demandas e oferecer uma alternativa ao cimento
convencional.
O cimento ecoeficiente reduz a utilização do cimento ao substituir parcialmente por

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filler de calcário consegue minimizar até 70% da dependência de clínquer, consequentemente
diminui as emissões de gases de dióxido de carbono lançados na atmosfera. De acordo com a
GCP Applied Technologies Brasil (2020), cada queda de 1% no fator de clínquer pode reduzir
o CO₂ emitido em 8 – 9kg/tonelada de cimento.
O cimento com cinzas, por exemplo, não necessita em seu processo de produção passar
por etapas de altas temperaturas, como o cimento Portland etapa esta que gera o maior
quantitativo de emissões de poluentes no processo da queima, assim sendo, pode-se conseguir
obter um ligante cimentício com produção de carbono zero, por meio da reutilização das cinzas
de termoelétricas que são geradas nas queimas do bagaço de cana, cinzas da casca de arroz,
cinzas volantes dentre outros materiais residuais.

Práticas Técnicas, Socioambientais e Econômicas

Um aspecto crucial para o sucesso da adoção do cimento verde e outras práticas


sustentáveis na indústria da construção civil é a conscientização e o engajamento das parte
interessadas em todos os níveis, desde os tomadores de
decisão até os trabalhadores da construção civil e a sociedade em geral (ABNT, 2004).
O Quadro 2 apresenta práticas sustentáveis essenciais exequíveis na indústria da construção
civil.

Quadro 2. Práticas Sustentáveis na Indústria da Construção Civil


ÁREA DE ATUAÇÃO PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS
Realizar treinamentos para profissionais da construção civil sobre técnicas
Educação e Capacitação de construção sustentável e uso adequado de materiais ecoeficientes. Pro-
BRITO & NASCIMENTO, gramas educacionais e iniciativas de capacitação são fundamentais para
2018) aumentar o conhecimento e a compreensão sobre os benefícios do cimento
verde e outras soluções sustentáveis.
Envolver as comunidades desde as fases iniciais de planejamento e desenvol-
Envolvimento das Comu- vimento, garantindo transparência, diálogo e participação ativa nos proces-
nidades Locais (CURADO, sos de tomada de decisão. As comunidades locais desempenham um papel
2024) fundamental na aceitação e implementação de projetos de construção sus-
tentável.
Incluir incentivos fiscais para edifícios verdes, certificações de construção
Incentivos e Reconheci- sustentável, como LEED e BREEAM, e premiações para projetos e iniciativas
mento inovadoras. Incentivos financeiros, certificações de sustentabilidade e reco-
(HABITABILITY, 2022) nhecimento público são importantes ferramentas para motivar as partes in-
teressadas a adotarem práticas sustentáveis.
Incluir campanhas de sensibilização, lobby político e parcerias estratégicas
entre diferentes autores. A advocacia e mobilização por parte de organiza-
Advocacia e Mobilização ções da sociedade civil, instituições de pesquisa, empresas e governos são
(EL GHAOURI, 2023) essenciais para promover políticas públicas e regulamentações que favore-
çam a adoção do cimento verde e outras práticas sustentáveis na indústria
da construção civil.
Fonte: AUTORES (2024) (adaptado).

Ao conscientizar e engajar as partes interessadas em todos os aspectos da indústria


da construção civil, é possível promover uma cultura de sustentabilidade e contribuir
para a construção de um setor mais responsável, resiliente e alinhado com os objetivos de
desenvolvimento sustentável (PASTORE, 2023).

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Considerações Finais

O cimento verde surge como uma solução técnica e tecnológica promissora e eficaz
para a descarbonização da indústria da construção civil, oferecendo uma alternativa viável e
sustentável ao cimento convencional. Por meio da incorporação de materiais de baixa emissão
de carbono e da adoção de técnicas e práticas de produção mais eficientes e sustentáveis, o
cimento verde possibilita a redução significativa das emissões de CO₂ em relação à fabricação
e uso do cimento Portland tradicional.
Ao substituir parcialmente o clínquer por materiais como escória de alto-forno, cinzas
volantes, cinzas do bagaço da cana, cinzas da casca de arroz, pozolanas, pó de calcário e resíduos
industriais, o cimento verde contribui para a preservação dos recursos naturais (extração), a
minimização da geração de resíduos e a mitigação dos impactos ambientais negativos causados
pela indústria da construção civil. Além disso, sua durabilidade e desempenho garantem a
segurança e a qualidade das estruturas construídas, sem comprometer a eficiência técnica dos
materiais.
É importante ressaltar que a adoção do cimento verde não apenas beneficia o meio
ambiente, mas também está alinhada com as demandas e expectativas crescentes da sociedade
por práticas construtivas mais sustentáveis e responsáveis. Como parte de um movimento
global em direção à economia de baixo carbono, o cimento verde representa um material
significativo na direção da descarbonização da indústria da construção civil devido a redução
das emissões de gases de efeito estufa.
Contudo, para que o potencial do cimento verde seja plenamente realizado, são
necessários investimentos contínuos em pesquisa tecnológica, desenvolvimento e inovação,
bem como políticas públicas e regulamentações que incentivem a sua adoção e disseminação
em larga escala. Além disso, é fundamental promover a conscientização e a educação ambiental
e industrial sobre os benefícios do cimento verde entre os profissionais da construção civil, os
consumidores, os empreendedores e a sociedade em geral.
Assim, o cimento verde representa uma solução para transformar o setor em direção a
um modelo mais sustentável, resiliente e responsável, contribuindo para a construção de um
futuro mais equitativo para as gerações presentes e futuras, descarbonizando a indústria da
construção civil.

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Recebido em 6 de dezembro de 2024.


Aceito em 16 de dezembro de 2024.

Revista Multidebates, v.8, n.4 - ISSN: 2594-4568 - Palmas-TO, dezembro de 2024 254

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