História de DN8R
Capítulo 1: O Começo da Primeira Aventura
Jack era um garoto comum. Seu pai, um pirata aposentado, havia
deixado o mar depois de perder metade do corpo — o braço e a perna
esquerdos — além da visão e da audição do mesmo lado. Mesmo
assim, sua aposentadoria não foi tranquila: ele ainda carregava uma
dívida que jamais quitara. Para saldá-la, havia prometido entregar seu
próprio filho quando este completasse dez anos.
Quando o pai de Jack retornou à ilha para cuidar dele, o garoto tinha
apenas cinco anos. Até então, sua vida era simples e feliz — passava
os dias brincando com outras crianças, correndo pelas praias e
vivendo sem preocupações. Mas tudo mudou com a chegada do pai.
A partir daquele momento, Jack começou a ser cobrado cada vez
mais. No primeiro ano, apenas uma pequena parte do seu tempo —
cerca de 15% — era ocupada por tarefas e obrigações. Com o passar
dos anos, isso cresceu até consumir quase 70% do seu dia. O trabalho
pesado e as exigências do pai tornaram sua infância uma rotina de
esforço e obediência.
Então, na metade de um certo ano, um navio atracou na ilha. Era o
navio dos cobradores da dívida. Sem piedade, levaram Jack à força,
enquanto ele gritava e chorava. Sua mãe caiu de joelhos, tomada
pelo desespero, e seu pai apenas baixou a cabeça, incapaz de
encarar o filho — olhando fixamente o chão que refletia o vazio
dentro de si.
Poucas horas depois, Jack já era obrigado a trabalhar no navio,
limpando o convés e servindo os marinheiros. Com o passar dos
meses, ganhou novas funções: ajudar na cozinha, cuidar dos
ferimentos dos tripulantes e realizar qualquer tarefa que lhe fosse
imposta. Assim começava sua primeira e amarga aventura.
Capítulo 2: Lançado ao Mar, Jack Morre
Com o passar do tempo, Jack foi forçado a acompanhar a tripulação
em uma missão de saqueamento. Lá, aprendeu a lutar da pior forma
possível: na marra, em meio ao caos e ao sangue. Enfrentou piratas
de todos os tipos e, em uma dessas batalhas, perdeu o olho — junto
com a última fagulha de inocência que ainda restava nele. Aquele foi
o dia em que matou pela primeira vez.
Apesar de tudo, o saque foi um sucesso. O lucro quase bastava para
quitar a dívida deixada por seu pai. Mas nada na vida de um pirata é
simples. Meses depois, os saqueados retornaram em busca de
vingança. Um confronto brutal se seguiu em alto-mar.
Durante a luta, Jack viu o capitão prestes a perder o braço direito em
um ataque. Ele poderia ter se jogado à frente, sacrificado a própria
vida para salvá-lo — mas não o fez. Apenas assistiu, paralisado.
O combate terminou com a tripulação vitoriosa, mas Jack pagou um
preço alto: perdeu um dos próprios braços. Mesmo ferido, sobreviveu.
No entanto, sua omissão não passou despercebida.
Diante de todos, o capitão o fitou com desprezo e disse:
— A dívida do teu pai está quitada... mas a tua começa agora.
Sem hesitar, agarrou Jack e o lançou ao mar. Antes que o garoto
caísse nas águas frias, o capitão disparou um tiro que atravessou uma
de suas pernas.
— Agora não me deve mais nada, garoto... boa sorte. — foram suas
últimas palavras.
Enquanto afundava, o corpo de Jack ardia de dor. A água salgada
queimava suas feridas, e o sol o cegava conforme ele lutava para não
se entregar. Aos poucos, suas forças se esgotaram. Sua visão foi se
tornando turva, e a escuridão tomou conta de tudo.
Capítulo 3: Nasce um Anti-Herói — DN8R
Jack foi lentamente recobrando a consciência. Tudo o que ouvia, em
meio ao zumbido constante em sua cabeça, era uma voz rouca
dizendo:
— Se apresse, LD5K, o extrato parece que perdeu uma perna.
Logo depois, uma gargalhada bem-humorada ecoou pela sala
metálica. Sua visão ainda era turva, mas conforme os olhos se
ajustavam, ele conseguiu ver o dono daquela risada: um velho de
cabelos brancos desgrenhados, metade dos dentes prateados e um
canino dourado brilhando sob a luz fria do laboratório.
— Ainda não é hora de acordar, novato querido — disse o velho com
um sorriso torto, antes de aplicar uma injeção no pescoço de Jack. O
líquido ardia como fogo sob a pele, e logo seus olhos pesaram, sendo
novamente engolidos pela escuridão.
Quando voltou a si, Jack sentiu algo estranho. O braço que havia
perdido... estava lá. Mas não era mais o mesmo. Tinha um tom
arroxeado, pulsava com energia, e a sensação de movimento era
antinatural — como se algo vivo se movesse por dentro.
Tentou se levantar, cambaleando, e então ouviu uma voz familiar
acompanhada da mesma gargalhada de antes:
— Finalmente acordou! Você é duro na queda, garoto. E aí, o que
achou do presentinho? Gostou das melhorias?
Jack, ainda confuso e com raiva, respondeu com a voz rouca:
— Quem é você? O que fez comigo? Por que me salvou?
O homem deu um passo à frente, abrindo os braços com orgulho.
— Eu sou o Capitão Belwind, o Doutor da Nova Geração! — anunciou,
com um sorriso enlouquecido. — Não se preocupe, fiz apenas o
básico. Ainda há muito o que aprimorar em você. Afinal, foi o único
que reagiu bem às... melhorias.
Jack cerrou os punhos.
— Melhorias? E por que me salvar?
Belwind gargalhou novamente.
— Irei explicar, mas com o estômago vazio ninguém entende nada.
Vamos! Está convidado para o jantar de comemoração do mais novo
membro da tripulação Frankenstein! — e, piscando o olho, completou:
— Bem-vindo à família, DN8R.
No salão do navio, Jack ficou chocado. Nenhum dos tripulantes
parecia totalmente humano. Alguns tinham membros de animais,
outros exoesqueletos, asas, olhos extras... todos eram criaturas
modificadas, misturas bizarras de carne e metal, energia e ciência.
Durante o banquete, Belwind explicou tudo: ele buscava criar uma
nova raça superior — seres capazes de dominar ou salvar o mundo.
Para ele, a evolução era um direito de todos.
— O mundo precisa mudar, DN8R. E nós seremos os que moldarão
essa nova era — declarou o Capitão, com o olhar inflamado de
ambição.
Com o tempo, Jack — agora conhecido como DN8R — se acostumou
ao novo nome, ao novo corpo e ao novo destino. Submeteu-se a
outras modificações, tornando-se algo além de humano: um ser feito
de pura energia fundida à matéria viva.
Quatro anos depois, DN8R se tornaria o braço direito de Belwind — o
“primeiro sinal da perfeição”, como o capitão o chamava.
Capítulo 4: Da Vingança à Captura
O Capitão Belwind estava em busca de um recurso raro — algo tão
precioso que poderia impulsionar seus experimentos para um novo
patamar. Durante suas investigações, descobriu que quem o possuía
era justamente a antiga tripulação de DN8R.
O destino parecia rir de Jack mais uma vez. E Belwind, percebendo a
ironia, decidiu entregar-lhe a missão pessoalmente.
— Esse será o seu teste final, meu prodígio — disse com um sorriso
enigmático. — Traga-me o recurso... e acerte as contas com o seu
passado.
Durante um mês inteiro, DN8R planejou o ataque. Organizou rotas,
estudou mapas, preparou emboscadas e recrutou os melhores
combatentes da tripulação Frankenstein. Antes do assalto principal,
realizaram diversos ataques menores: afundaram e saquearam
embarcações aliadas da antiga tripulação de Jack, enfraquecendo sua
defesa e espalhando o medo pelos mares.
Mas quando o ataque principal finalmente aconteceu, tudo deu
errado.
O navio inimigo parecia estar esperando por eles. Canhões disparam
de todos os lados, e o mar se tingiu de vermelho. Mesmo com toda
sua força e as melhorias de seu corpo, DN8R e seus companheiros
foram sobrepujados.
No fim, ele foi capturado.
Meses se passaram. Preso em uma cela fria, DN8R era torturado
constantemente — açoites, descargas elétricas, cortes, perguntas
incessantes sobre o que ela sabia e porque estava atacado eles.
Mas ele nunca falou.
A dor era constante, mas em meio ao sofrimento, um novo tipo de
ódio crescia dentro dele.
Não era mais o ódio de um garoto traído.
Era o ódio de quem precisava tirar um monstro do planeta.