Estudo sobre Crimes e Penalidades no Brasil
Estudo sobre Crimes e Penalidades no Brasil
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Autor: Otávio Souza – PMMINAS
V251005
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ATENÇÃO: PROIBIDA A VEICULAÇÃO DESTES MATERIAIS, ainda que sem finalidade de lucro (uso autorizado
apenas para o comprador), todos os direitos reservados. Muito cuidado com a investigação social, fase
importantíssima do seu certame - a honra militar começa nos estudos.
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Violação de direito autoral → ainda que não tenha objetivo de lucro é crime!
ART. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por
qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Bizu: esse crime INDEPENDE de você ter ou não lucro, o mero compartilhamento incide no caput
do artigo. Quando há lucro o crime é qualificado (ainda mais grave) nos termos do §1º.
SUMÁRIO
DO CRIME .................................................................................................................... 4
Consentimento do
ofendido (causa supralegal
de exclusao da ilicitude)
ART. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Um dos fundamentos que comprovam que o CP utiliza o princípio da intranscendência das penas
é o art. 13 acima.
Além disso, o art. 13 é fundamento legal para as teorias envolvendo as causas ou concausas
absolutamente independentes ou relativamente independentes as quais são limitações ao alcance
da teoria da equivalência das condições (teoria utilizada pelo ordenamento brasileiro). O Brasil adota
a teoria da causalidade simples “conditio sine qua non” – tudo aquilo que dá causa ao resultado deve
ser imputado a alguém.
[Link] absolutamente independente: não guarda relação com a conduta que gerou o resultado.
Assim o agente não responde pelo resultado. Elas podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes, nesses casos o agente responderá por tentativa e não pelo crime consumado.
[Link] relativa independente: possui um certo grau de contato/relação com a conduta que
ensejou o resultado. Elas também podem ser preexistentes, concomitantes ou supervenientes.
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente DEVIA e PODIA agir para evitar o resultado.
O dever de agir incumbe a quem:
Ex.: seguranças privados, mãe que deixa o coleguinha do filho dormir em sua casa.
A omissão, prevista no Código Penal Brasileiro, é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe àquele que
Gabarito letra B → a letra A faltou o termo “anterior”, nos termos da letra de lei.
Perfeita: foram esgotados todos os meios necessários para a consumação do delito. Exemplo: o
agente descarregou todo o carregador com os cartuchos contra a vítima.
Imperfeita: não foi possível esgotar todos os meios que estavam ao alcance do agente. Exemplo:
arma emperrou após o primeiro disparo.
Branca/Incruenta: O agente não conseguiu nem mesmo atingir o objeto do crime. Exemplo: Ao
atirar, não conseguiu atingir o alvo.
Vermelha/Cruenta: O agente consegue atingir o objeto da infração penal, mas não conseguiu
consumar o delito, porquanto se trata de tentativa. Exemplo: o tiro apenas perfurou o braço da
vítima, não a levando a óbito (tentativa de homicídio).
PENA DE TENTATIVA
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de UM a DOIS TERÇOS.
Vilma foi presa em flagrante por tentativa de homicídio contra Alice, sua inimiga mortal. De acordo
com o Código Penal, nesse caso, pune-se a tentativa de homicídio com a pena correspondente à do
crime consumado, diminuída
A) da metade.
B) de um sexto.
C) de um terço.
D) de um sexto a um terço.
E) de um a dois terços.
O tipo penal não exige que a desistência seja espontânea, mas sim VOLUNTÁRIA. Ou seja, o
autor pode desistir por influência/pedido de outrem, por exemplo: pedido de clemência, piedade,
dó. O arrependimento eficaz e a desistência voluntária, ambos definidos no art. 15 do CP, são
chamados pela doutrina de ponte de ouro do direito penal.
Resposta correta: “Bravo” deverá responder pelo crime de Lesão Corporal em razão da
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (só responderá pelos atos já praticados, isto é, pela lesão corporal).
ARREPENDIMENTO POSTERIOR
ART. 16 - Nos crimes cometidos SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de UM
a DOIS terços.
A) Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.
B) Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto,
é impossível consumar-se o crime.
C) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.
E) É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que,
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo.
Gabarito letra D.
CRIME IMPOSSÍVEL
ART. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade
do objeto, é IMPOSSÍVEL consumar-se o crime.
A natureza jurídica do crime impossível é de causa de exclusão da tipicidade, eis que o fato
praticado pelo agente não se enquadra em nenhum tipo penal.
Absoluta impropriedade do objeto: é quando o objeto da ação penal (a vítima) não pode ser
atingido pelo resultado porque está fora do campo de incidência da norma penal. Exemplo: A pessoa
desfere golpes contra um corpo já morto, acreditando que está viva → é impossível matar quem já
está morto.
O flagrante preparado é considerado crime impossível nos termos da súmula 145 do STF:
NÃO HÁ CRIME, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.
A) Computam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia
e, na pena de multa, as frações de real.
D) A natureza jurídica do crime impossível é de causa de exclusão da tipicidade, eis que o fato
praticado pelo agente não se enquadra em nenhum tipo penal.
Gabarito Letra D.
CRIME DOLOSO
CRIME CULPOSO
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime,
senão quando o pratica DOLOSAMENTE.
No Direito Penal, esse princípio estabelece que, para ser responsabilizado criminalmente, o agente
deve ter praticado o crime com dolo, ou seja, com a intenção consciente de realizá-lo (essa é a
regra no Direito Penal brasileiro). Salvo quando a lei definir especificamente a punição para condutas
culposas (resultantes de negligência, imprudência ou imperícia), não se admite a punição de alguém
que não teve a intenção de praticar o crime.
Exemplo:
Se uma pessoa atropela e mata alguém sem intenção (por imprudência), ela não pode ser julgada
por homicídio doloso, mas poderá responder pelo homicídio culposo, por ter essa previsão legal, caso
não tivesse, o fato seria atípico.
ART. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos
culposamente.
O artigo 19 do Código Penal trata da agravação pelo resultado, ou seja, quando uma consequência
mais grave do crime (como a morte da vítima) aumenta a pena. Mas só será aplicada se o agente
tiver causado esse resultado, pelo menos com culpa (negligência, imprudência ou imperícia).
Se o agressor previu o risco e assumiu, ou agiu com imprudência, pode responder por lesão corporal
seguida de morte, com pena agravada.
ESPÉCIES DE ERRO
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO
ART. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime EXCLUI O DOLO, mas permite a punição por
crime culposo, se previsto em lei.
a) Erro de tipo essencial, que recai sobre elementares ou circunstâncias do tipo, sem as quais o
crime não existiria;
b) Erro de tipo acidental, que recai sobre circunstâncias acessórias, secundárias, da figura típica.
Não recai sobre as elementares do crime, portanto, em regra, não altera a repercussão jurídica e
não exclui o crime.
1.1. Erro de tipo essencial escusável (ou invencível ou desculpável): quando não pode ser
evitado pelo cuidado objetivo do agente, ou seja, qualquer pessoa, na situação em que se encontrava
o agente, incidiria em erro. Exemplo: caçador que, em selva densa, à noite, avista vulto vindo em
sua direção e dispara sua arma em direção ao que supunha ser um animal bravio, matando outro
caçador que passava pelo local.
1.2. Erro de tipo essencial inescusável (ou vencível ou indesculpável): quando pode ser
evitado pela observância de cuidado objetivo pelo agente, ocorrendo o resultado por imprudência ou
negligência. Exemplo: caçador que, percebendo movimento atrás de um arbusto, dispara sua arma
de fogo sem qualquer cautela, não verificando tratar-se de homem ou de fera, matando outro
caçador que lá se encontrava. Nesse caso, tivesse o agente empregado ordinária diligência, teria
facilmente constatado que, em vez de animal bravio, havia um homem atrás de arbusto.
→ Já o erro de tipo essencial inescusável exclui apenas o DOLO, respondendo o agente por crime
CULPOSO, se previsto em lei.1
Ocorre erro sobre o objeto quando o agente acredita estar praticando sua conduta sobre uma
determinada coisa, mas, na verdade, ela recai sobre outra. A confusão se dá sobre o objeto material
da ação (coisas, objetos físicos), e não sobre uma pessoa.
1
ANDREUCCI, Ricardo Antônio. Manual de Direito Penal. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2019. p. 118-119
Previsto no §3º do art. 20 do Código Penal, o erro sobre a pessoa ocorre quando o agente quer
atingir uma pessoa específica, mas, por equívoco, acaba atingindo outra, pensando que era a
pretendida. O erro está na identificação da pessoa, e não na execução da ação em si. O agente
responde por sua intenção real, considerando, portanto, as características da vítima virtual (aquela
que ele pretendia atingir e não a que ele atingiu de fato).
Exemplo: O agente deseja matar um policial por vingança, mas confunde a pessoa e mata um
civil, acreditando ser o policial. Aplica-se a qualificadora de ter agido contra autoridade, pois era essa
a intenção.
Regulado pelo art. 73 do Código Penal, o erro na execução acontece quando o agente se equivoca
na trajetória da ação, atingindo pessoa ou objeto diferente do pretendido, por falha no momento de
executar o ato, e não por erro de percepção.
A diferença aqui é que o erro surge durante a realização do ato, e não na fase mental de formação
da vontade. O agente sabia quem queria atingir, mas a execução da ação falha e o resultado recai
sobre outro.
Exemplo: O agente atira contra a vítima pretendida, mas ela se abaixa e o disparo atinge outra
pessoa que estava atrás. Ele erra na execução, e atinge pessoa diversa da desejada. Ainda assim, o
autor responderá pela pessoa que gostaria de ter atingido (vítima virtual) e não a que atingiu de
fato (vítima real).
Previsto no art. 74 do Código Penal, ocorre quando o agente pretendia atingir um determinado bem
jurídico, mas, por erro ou acidente, acaba atingindo outro bem jurídico, de natureza diferente.
Diferente da aberratio ictus, em que o erro afeta quem é atingido, aqui o problema é o tipo de crime
praticado, que se torna diferente daquele que o agente planejou. Pode resultar na prática de dois
crimes (o pretendido e o efetivamente causado).
Exemplo: o agente deseja depredar um patrimônio público atirando uma pedra, porém, erra o
bem e acerta um pedestre que passeava no local, lesionando-o. Nesse contexto, ele responderá por
lesão corporal culposa. Por outro lado, se ele acerta o património público e, também, a pessoa,
responderá em concurso formal de crimes.
O agente acredita que o crime será consumado através da sua conduta, porém o delito se consuma
mediante outra circunstância. Nexo causal é o elemento de ligação entre a conduta do agente e o
resultado.
Exemplo: alguém empurra a vítima em uma via movimentada para que ela fosse atropelada pelo
carro de seu comparsa que vinha em alta velocidade. Porém, antes do outro criminoso atropelar a
vítima, um caminhão a atropela primeiro, levando ela a óbito. Dessa forma, o homicídio estará
consumado da mesma forma, ainda que haja erro sobre o nexo causal.
DESCRIMINANTES PUTATIVAS
§ 1º - É ISENTO DE PENA quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o
fato é punível como crime culposo.
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado NÃO ISENTA DE PENA. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão (mas sim) as da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime.
A escrita do artigo está um pouco confusa, mas significa o seguinte: o autor responde como se
tivesse atingido aquele que desejava atingir, por exemplo, se quer matar um idoso e atinge um
adulto de 30 anos, incidirá as causas de aumento de pena relativas ao idoso.
No Erro sobre os Elementos do Tipo, o sujeito ativo não sabe o que faz, por exemplo: uma pessoa
atira em um arbusto pensando ser um animal silvestre, porém quem está atrás do arbusto é seu
companheiro de caça. Isto é, o agente erra sobre o elemento do tipo “matar alguém”, porque
pensava estar matando um animal, não uma pessoa.
ART. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável (bizu: isto é, imperdoável, não há desculpa, indesculpável:
essa é a regra do CP). O erro sobre a ilicitude do fato:
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude
do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência
ART. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente
ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.
A coação moral irresistível e a obediência hierárquica à ordem não manifestamente ilegal são
tratadas como excludentes de culpabilidade na categoria de “inexigibilidade de conduta diversa”.
Quer dizer que, em certas situações, a lei reconhece que não se podia exigir que a pessoa agisse de
outro modo, pois ela se encontrava, de forma legítima, sob forte pressão psicológica (coação moral)
Coação moral irresistível: O agente é obrigado a cometer o fato por uma ameaça tão grave e
imediata que torna impossível resistir (p. ex. risco à sua vida ou à vida de um familiar).
Obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal: O subordinado cumpre uma ordem
de um superior, que não apresenta sinais claros de ilicitude. Se a ilegalidade não é evidente, não se
pode exigir que o subordinado desobedeça.
Exemplo: imagine que um policial recebe do superior a ordem para realizar uma busca em
determinado local. Ele supõe que a ordem está embasada em mandado válido, não havendo nenhum
indício de irregularidade. Mais tarde, descobre-se que a busca foi feita sem fundamento legal.
Entretanto, como a ilegalidade não era óbvia, o policial cumpriu a ordem de boa-fé. Nesse caso,
pode-se reconhecer a inexigibilidade de conduta diversa, afastando-lhe a culpabilidade. Porém,
responderá o seu superior, isto é, o autor da coação ou da ordem.
E) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e não permite a punição
por crime culposo, ainda que previsto em lei.
Gabarito Letra A.
EXCLUDENTES DE ILICITUDE
ART. 23 - NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica o fato:
I - em ESTADO DE NECESSIDADE;
II - em LEGÍTIMA DEFESA;
L egítima defesa
E stado de necessidade
Exercício regular do direito: é o caso dos lutadores de UFC que cometem lesões corporais
mútuas, porém estão sob o âmbito de um contrato jurídico o qual preceitua direitos e obrigações no
que tange ao espetáculo marcial. Pode-se dizer que eles não cometem crime por estarem em
exercício regular do direito. Logo, o Direito Penal não pode vedar o que é tolerado pelo ordenamento
jurídico pátrio.
Estrito cumprimento do dever legal: exemplo claro são os policiais que agem nos limites da
lei e causam lesão corporal para prender o indivíduo que resiste à prisão legal em flagrante de crime
(a depender da situação, os agentes também estariam amparados por legítima defesa). Outro, o
arrombamento e entrada forçada em residência para prender alguém, durante o dia, com mandado
judicial.
Excesso punível: quando a lei diz que o agente, mesmo agindo em legítima defesa (ou em outra
excludente de ilicitude), “responderá pelo excesso doloso ou culposo”, quer dizer que a pessoa só
está protegida pela lei enquanto utilizar a força dentro de limites razoáveis para se defender ou
proteger um direito. Se, porém, exceder o necessário — por exemplo, continuando a agredir o
agressor além do indispensável para cessar a ameaça —, agirá de forma exagerada e ilegal. Nesse
caso, esse “excesso” pode ser punido como crime doloso (quando a pessoa quis realmente ir além)
ou culposo (quando agiu por imprudência, negligência ou imperícia).
EXCESSO PUNÍVEL
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo EXCESSO doloso
ou culposo.
ART. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo ATUAL, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo (ex.: policiais,
bombeiros, agentes de segurança privada etc.)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a
dois terços.
Teoria Unitária do Estado de Necessidade (CP): O Código Penal brasileiro adotou a teoria
unitária, de acordo com o entendimento majoritário na doutrina, consagra o estado de necessidade
somente como excludente da antijuridicidade, ou seja, justificante. Para isso o bem jurídico
protegido deve possuir valor igual ou maior ao bem jurídico sacrificado. Por outro lado, se o bem
sacrificado tiver valor superior ao protegido a conduta será típica, porém ocorrerá diminuição de
pena de 1/3 a 2/3 (minorante/causa de diminuição de pena). Isso está previso no art. 24, §2º, CP.
A) Considera-se praticado o crime no momento do resultado, ainda que outro seja o momento da
ação ou omissão.
D) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição
por crime culposo, ainda que não previsto em lei
E) Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
Gabarito Letra E.
LEGÍTIMA DEFESA
ART. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, ATUAL ou IMINENTE, a direito seu ou de outrem.
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em
legítima defesa o AGENTE DE SEGURANÇA PÚBLICA que repele agressão ou risco de agressão a vítima
mantida refém durante a prática de crimes (bizu: inovação óbvia e desnecessária do legislador, pois
trata-se da legítima defesa de terceiros a qual já era tutelada pelo Direito Penal).
Bizu: em regra, a legítima defesa só pode ser invocada quando a violência advém de um outro ser
humano. Não há legítima defesa contra ataques de animais (é a regra), isso é estado de
necessidade. Porém, configuraria Legítima Defesa contra o ataque de um animal que foi utilizado
como arma por uma pessoa.
EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE
As causas excludentes da culpabilidade recebem como sinônimos as seguintes terminologias: EXCULPANTES,
DIRIMENTES ou EXIMENTES. Elas são assim agrupadas:
Bizu: não confunda excludentes de culpabilidade (que são esses 3 itens) com excludentes de
imputabilidade (veremos no próximo tópico).
Bizu: a coação física irresistível exclui a conduta, mais precisamente o dolo, portanto ela se insere
no primeiro substrato do crime: a TIPICIDADE e não na culpabilidade como a coação moral.
2
[Link] acessado em
27/12/2019 às 17:03.
“A imputabilidade é constituída por dois elementos: um INTELECTUAL (capacidade de entender o caráter ilícito
do fato), OUTRO VOLITIVO (capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento). O primeiro é a
capacidade (genérica) de compreender as proibições ou determinações jurídicas. Bettiol diz que o agente deve poder
‘prever as repercussões que a própria ação poderá acarretar no mundo social’, deve ter, pois, ‘a percepção do
significado ético-social do próprio agir’. O segundo, a ‘capacidade de dirigir a conduta de acordo com o entendimento
ético-jurídico. Conforme Bettiol, é preciso que o agente tenha condições de avaliar o valor do motivo que o impele
à ação e, do outro lado, o valor inibitório da ameaça penal.”3
O Código Penal erigiu as hipóteses que, segundo critério político-legislativo, conduziriam à inimputabilidade do
agente, a saber:
EXCLUDENTES DE IMPUTABILIDADE
1. doença mental que deixe o indivíduo inteiramente incapaz de entender a ilicitude do fato (CP,
art. 26);
4. embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, desde que inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato (CP, art. 28, § 1º);
5. menoridade - os menores de 18 anos (CP, art. 27, e CF, art. 228) → fator puramente
biológico.
ART. 26 - É ISENTO DE PENA o agente que, por DOENÇA MENTAL ou desenvolvimento mental INCOMPLETO
ou RETARDADO, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Bizu: cuidado com o termo “inteiramente”, pois caso seja “parcialmente” incapaz ele não terá o
benefício da isenção de pena, mas sim redução (minorante = causa de redução de pena).
3
TOLEDO, Franscisco de Assis. Princípios básicos de direito penal, p. 251.
A) justificável
B) semi-imputável
C) atípico
D) isento de pena
E) indultável
Gabarito Letra D.
Parágrafo único - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, em virtude de
PERTURBAÇÃO DE SAÚDE MENTAL ou por desenvolvimento mental INCOMPLETO ou RETARDADO
NÃO ERA INTEIRAMENTE capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
Bizu: observe que o parágrafo único acima, do art. 26 do CP, não é uma excludente de culpabilidade,
mas sim uma causa de redução de pena de 1/3 a 2/3 (também chamada de minorante).
Ocorre em virtude de uma presunção legal, por escolha do examinador brasileiro por comandos de política criminal.
Assim, entende-se que os menores de 18 anos não gozam de plena capacidade de entendimento que torne possível
a imputação da prática de um fato típico e ilícito.
Art. 27 do Código Penal - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos
às normas estabelecidas na legislação especial.
I - a EMOÇÃO ou a PAIXÃO;
§ 1º - É ISENTO DE PENA o agente que, por EMBRIAGUEZ COMPLETA, proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (essa norma é um exemplo de
excludente de CULPABILIDADE).
“Calouro”, estudante de direito da Faculdade Mineira, durante a festa típica de ingresso na referida
entidade de ensino, denominada de “Calourada”, foi capturado por alguns estudantes da mesma
faculdade sob o pretexto de lhe aplicar um “trote universitário”. Durante tal feito, “Calouro” foi
imobilizado pelos seus colegas de faculdade e, de maneira forçada, foi compelido a ingerir grande
quantidade de bebida alcoólica, dos mais diversos tipos, vindo a se sentir mal em virtude do completo
nível de embriaguez. Ocorre que, alguns instantes após o fatídico, “Calouro”, enquanto se deslocava
para sua residência, avista quem acreditava ser sua namorada, indo ao encontro da moça com o
objetivo de beijá-la, não sendo o fato consumado pela interferência de terceiros que passavam pelo
local que o impediram de se aproximar da moça.
Resposta correta: independentemente do “Calouro” ter beijado ou não a moça que achava,
erroneamente, ser sua namorada, o fato seria isento de pena, tendo em vista que o autor estaria
amparado por causa EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE.
§ 2º - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
caso fortuito ou força maior, NÃO possuía, ao tempo da ação ou da omissão, A PLENA CAPACIDADE de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
1. doença mental que deixe o indivíduo inteiramente incapaz de entender a ilicitude do fato (CP,
art. 26);
4. embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, desde que inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato (CP, art. 28, § 1º);
5. menoridade - os menores de 18 anos (CP, art. 27, e CF, art. 228) → fator puramente biológico.
B) João é usuário de crack e tem sua dependência atestada em laudo, portanto João é considerado
inimputável.
C) Eduardo, durante uma confraternização com seus amigos, fez uso de grande quantidade de
álcool e se envolveu em um acidente. Durante a perícia, foi atestado que o mesmo estava com sua
capacidade de determinação reduzida, portanto a pena do Eduardo pode ser reduzida de um a dois
terços.
E) Fernanda durante uma festa eletrônica teve, sem conhecimento, dois comprimidos de ecstasy
colocados em sua bebida, após sair do evento, dirigiu em alta velocidade e ao ultrapassar um sinal
vermelho, atropelou um ciclista. Fernanda pode ser considerada inimputável se for comprovado,
durante perícia médica, que a mesma era inteiramente incapaz de entender ou de determinar
durante a ação.
Gabarito Letra E.
I - privativas de LIBERDADE;
II - restritivas de DIREITOS;
III - de MULTA;
Bizu: o Código Penal adotou 3 ESPÉCIES DE PENAS, porém, em outros diplomas legais, por
exemplo a Constituição Federal de 1988, é possível observar outras modalidades:
b) perda de bens;
c) multa;
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-ES Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES
- Escrivão de Polícia
Gabarito Letra A.
RECLUSÃO E DETENÇÃO
ART. 33 - A pena de RECLUSÃO deve ser cumprida em REGIME FECHADO, SEMIABERTO OU ABERTO. A de
DETENÇÃO, em REGIME SEMIABERTO, OU ABERTO, salvo necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito
do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:
b) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime SEMIABERTO;
c) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em REGIME ABERTO.
Bizu: e se o condenado for reincidente e a pena for igual ou inferior a 4 anos? Súmula 269-
STJ: É admissível a adoção do regime prisional SEMIABERTO aos reincidentes condenados a pena
igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios
previstos no art. 59 deste Código.
FIXAÇÃO DA PENA
ART. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de classificação
para individualização da execução.
ART. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código (bizu: exame criminológico), caput, ao condenado que inicie
o cumprimento da pena em regime semiaberto.
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em COMUM durante o período DIURNO, em colônia agrícola,
industrial ou estabelecimento similar.
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, se
frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada.
REGIME ESPECIAL
Aprofundando: na ADPF 527 o Ministro do STF, Barroso, autorizou que presas transexuais e
travestis com identidade de gênero feminino tenham direito a optar por cumprir penas em
presídio feminino ou masculino, no qual serão mantidas em área reservada, como garantia de
segurança.
DIREITOS DO PRESO
ART. 38 - O preso conserva TODOS os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas as
autoridades o respeito à sua integridade física e moral.
TRABALHO DO PRESO
ART. 39 - O trabalho do preso será SEMPRE remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL
ART. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código (direitos do preso e
trabalho do preso), bem como especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e transferência
dos regimes e estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes sanções.
ART. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental DEVE ser recolhido a hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico OU, à falta, a outro estabelecimento adequado.
DETRAÇÃO
ART. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória,
no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos
no artigo anterior.
I - prestação pecuniária;
NÃO é Pena Restritiva de Direito, em conformidade com o Decreto Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro
de 1940, Código Penal:
A) Prestação pecuniária.
D) Detenção.
Gabarito Letra D.
ART. 44. As penas restritivas de direitos são AUTÔNOMAS e SUBSTITUEM AS PRIVATIVAS DE LIBERDADE,
quando: (REQUISITOS)
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime NÃO for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for
CULPOSO;
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.
§ 3o Se o condenado for reincidente, o JUIZ PODERÁ aplicar a substituição, desde que, em face de
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em
virtude da prática do mesmo crime.
Bizu: o § 3o é exceção ao inciso II deste artigo, perceba que é uma faculdade do juiz “poderá”.
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL
decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena
substitutiva anterior.
ART. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47
e 48.
ART. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a
seis meses de privação da liberdade.
§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a
jornada normal de trabalho.
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em
menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.
Bizu: NÃO confundir com o gênero “Penas Restritivas de Direito”, afinal esta modalidade é uma
espécie desse gênero – art. 43
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;
ART. 48 - A LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos,
por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado.
Bizu: quando a questão apresentar o termo ”casa de albergado”, lembre-se do regime aberto (sobre
as pena privativa de liberdade).
Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado CURSOS E PALESTRAS
ou atribuídas atividades educativas.
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário-
mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário.
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária.
PAGAMENTO DA MULTA
ART. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença. A
requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em
parcelas mensais.
a) aplicada isoladamente;
§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua
família.
ART. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o JUIZ DA EXECUÇÃO
PENAL e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive
no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.
Bizu: o art. 51 faz a determinação de que o juiz da execução penal é o competente para execução
da pena de multa.
Bizu: Nesse item do Edital a dica é LER, RELER e fazer exercícios o maior número de vezes
possíveis, pois não há segredos ou nada muito complexo, trata-se, em regra, de MEMORIZAÇÃO
dos tipos penais. Para isso, verticalizaremos em mecanismos de estudo ativo, para que você
consiga evocar a memória e consolidá-la (principalmente nas missões de questões da Mentoria OBA,
mediante casos hipotéticos).
Além disso, você deve atentar aos detalhes de verbos dos tipos, atenuantes, agravantes e
qualificadoras dos principais crimes, como: homicídio, aborto, furto, roubo, extorsão, crimes contra
a administração pública, lesões corporais etc.
Os exercícios e os bizus deste documento PDF vão te direcionar e aprofundar no que é mais
recorrente e que merecem uma maior atenção ou aprofundamento.
HOMICÍDIO PRIVILEGIADO
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o DOMÍNIO
de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um
sexto a um terço. (Bizu: “sob o domínio”, a banca costuma trocar por “sob influência”, o que torna a
questão errada).
Bizu: o homicídio privilegiado é uma causa de redução de pena no homicídio (minorante). Ademais,
o texto diz: “SOB O DOMÍNIO”, a banca costuma trocar por “sob influência”, o que torna a questão
errada, pois sob domínio é algo mais intenso que sob influência.
O homicídio privilegiado é compatível apenas com as qualificadoras de ordem objetiva. Isso quer
dizer que há homicídio qualificado-privilegiado, desde que a qualificadora seja de ordem OBJETIVA
(aquelas que dizem respeito ao modo e meio de execução e ao crime em geral, não à motivação do
crime).
HOMICÍDIO QUALIFICADO:
§ 2° Se o HOMICÍDIO é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (bizu: qualificadora
de ordem subjetiva);
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum (bizu: qualificadora de ordem objetiva);
A finalidade do art. 121, § 2º, inciso VII (Homicídio Funcional) é garantir uma proteção reforçada
ao Estado e às suas funções essenciais, por meio da tutela da vida de seus agentes e de seus
familiares.
O ponto mais testado em provas sobre essa qualificadora abaixo é o nexo funcional:
"Em decorrência dela": Refere-se ao homicídio que ocorre por causa da função, mas não
necessariamente durante sua execução. É a típica vingança. Exemplo: um ex-presidiário mata o
juiz que o condenou anos atrás.
"Em razão dessa condição" (para os familiares): Aqui, a lei exige que o crime contra o parente
seja motivado exclusivamente pela função do agente público. O objetivo do criminoso é atingir o
agente de forma indireta. Exemplo: matar o filho de um promotor para se vingar do pai. Se o
motivo do crime contra o parente for outro (uma briga de trânsito, por exemplo), a qualificadora
não se aplica.
VII – CONTRA:
<Alteração 2025>
<Alteração 2025>
Bizu: observe que, para configurar a qualificadora exige-se a elementar normativa arma de fogo de
uso RESTRITO ou PROIBIDO que inclusive é crime hediondo. Portanto, armas de fogo de uso
permitido não qualificará o delito. Ademais, trata-se de qualificadora de ordem objetiva por estar
ligada ao modo de execução do homicídio, mas não aos elementos motivadores desse crime
(compatível com o homicídio privilegiado). É uma norma penal em branco, porque o que define o
que é arma de fogo de uso restrito ou proibido é o Decreto 9.847/2019.
Bizu: A expressão "nas dependências de instituição de ensino" se refere a toda a área física,
interna ou externa, que está sob a administração e responsabilidade da entidade
educacional. Não se limita, de forma alguma, apenas à sala de aula.
Aprofundando: nos casos em que a vítima for menor de 14 anos e nas dependências de
instituição de ensino, aplica-se o inciso IX (vítima menor de 14 anos + causa de aumento de
pena do 2º-B, III, “ambiente escolar → instituição de educação básica pública ou privada”)
I - 1/3 (um terço) até a ½ metade se a vítima é pessoa com DEFICIÊNCIA ou com DOENÇA
que implique o aumento de sua vulnerabilidade;
Bizu: o autor precisa saber que a vítima é portadora de deficiência ou doença que implica
aumento da vulnerabilidade, por vedação à responsabilidade penal objetiva (aquela que a lei
determina que o agente responda pelo resultado ainda que agindo com ausência de dolo ou
culpa).
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima OU por qualquer outro título
tiver autoridade sobre ela (é uma majorante / causa de aumento de pena).
Bizu: não precisa decorar todos, apenas entender que toda e qualquer pessoa que exerça
autoridade sobre o menor de 14 anos e for o autor do homicídio responderá pelo homicídio
qualificado com causa de aumento de pena (majorante) de 2/3. Veja que há uma cláusula
genérica “qualquer outro”, portanto, rol exemplificativo.
Bizu: o homicídio contra menor de 14 anos é hediondo conforme previsão legal na lei n.
8.072/90: Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:
Bizu: Causa de aumento de pena (majorante) incluída pela lei 14.811/24 que institui
medidas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos
educacionais ou similares.
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com DEFICIÊNCIA ou com doença que
acarrete CONDIÇÃO LIMITANTE ou de vulnerabilidade FÍSICA ou MENTAL;
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro
título tem AUTORIDADE sobre ela ou, ainda, se é professor ou funcionário da instituição de
ensino.
Degrau 3 (Aumento do Inciso I): Homicídio na escola contra vítima com deficiência → a
punição aumenta em razão da CONDIÇÃO ESPECIAL DA VÍTIMA.
Degrau 4 (Aumento do Inciso II): Homicídio na escola praticado por quem deveria
proteger a vítima → a punição é a mais alta em razão da RELAÇÃO DE CONFIANÇA E
AUTORIDADE entre autor e vítima.
HOMICÍDIO CULPOSO
2. § 4o Sendo DOLOSO o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado
contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
Bizu: atentar-se para essas causas de aumento de pena, as demais são qualificadoras do crime de
homicídio doloso. São causas de aumento de pena no HOMICÍDIO SIMPLES:
No entanto, as consequências desse fato para o agente (o pai) são tão trágicas e devastadoras do
ponto de vista emocional e psicológico que a imposição de uma pena criminal se tornaria
desnecessária, dado o intenso sofrimento já suportado por ele. Com base no art. 121, § 5º, do
Código Penal brasileiro, o juiz, diante da gravidade das consequências experimentadas pelo próprio
agente, pode deixar de aplicar a pena (perdão judicial).
Em termos doutrinários, autores como Rogério Greco, Nucci e Capez apontam que se trata de
uma “sanção natural” ou “sofrimento natural” sofrido pelo infrator em decorrência de seu próprio
ato, que dispensa (ou torna prescindível) a punição estatal formal. Jurisprudencialmente, diversos
tribunais reconhecem a aplicação dessa faculdade (isto é, não uma obrigação, mas uma possibilidade
conferida pela lei ao julgador) quando configurados os requisitos legais: homicídio culposo,
consequências extremamente gravosas ao próprio agente e certeza de que a pena adicional não
cumpriria função preventiva ou retributiva relevante.
Acerca dos crimes contra a pessoa, disciplinados no Código Penal, assinale a alternativa correta.
Gabarito Letra C.
§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por MILÍCIA
PRIVADA, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio
FEMINICÍDIO
Bizu: a partir de 2024, por força da Lei 14.994/24 o crime de feminicídio deixou de ser uma
qualificadora e passou a ser um crime autônomo. Ademais, guarde as seguinte alterações
correlatas4:
1. O feminicídio passa a ser crime autônomo. A pena de reclusão aumenta e passa a ser de 20 a 40
anos. Acaba com a convivência da figura privilegiada do homicídio e com a incidência da qualificadora
do motivo fútil ou torpe.
2. Passa a ser automática para o condenado, a incapacidade para o exercício do poder familiar e a
perda de cargo ou mandato eletivo ou proibição de futura nomeação em função pública (desde a
condenação em definitivo até o fim da pena).
3. O crime de ameaça terá a pena aplicada em dobro se cometido contra a mulher por razões da
condição do sexo feminino e a ação penal NÃO dependerá de representação da ofendida.
4. Crimes de injúria, calúnia e difamação praticados por razões da condição do sexo feminino terão
a pena aplicada em dobro.
5. Na contravenção penal de vias de fato, quando praticada contra a mulher por razões da condição
do sexo feminino, a pena será aumentada do triplo.
6. Na Lei Maria da Penha, a pena para o crime de descumprimento de medida protetiva passa a ser
de 2 a 5 anos de reclusão e multa.
7. Caso um presidiário ou preso provisório por crime de violência doméstica ou familiar ameaçar ou
praticar novas violências contra a vítima ou seus familiares durante o cumprimento da pena, ele será
transferido para presídio distante do local de residência da vítima.
Bizu: Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
4
[Link] Acesso em: 06/01/24.
<2024> § 2º A pena do FEMINICÍDIO é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado:
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência
ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade
física ou mental;
Bizu: as bancas trocam o termo “da vítima” por “do autor”. Fique atento, pois é descendente
ou ascendente da VÍTIMA, a mulher que sofre a ação do sujeito ativo do crime de feminicídio.
Art. 22 da Lei n. 11.340/06 (Lei Maria da Penha): constatada a prática de violência doméstica
e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao
agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência,
entre outras:
(...)
V – nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste Código.
III. com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
Cuidado: essas situações acima qualificam o homicídio, porém, nos casos de feminicídio
elas são majorantes. Guarde que não existe nenhuma qualificadora do crime de
feminicídio, apenas causas de aumento (majorantes).
Bizu: isso significa que os coautores ou partícipes responderão pelo feminicídio, em razão da
comunicação da elementar do tipo penal “em razão da condição do sexo feminino”. Isso pode
vir em formato de caso hipotético para você indicar as condutas dos agentes.
Bizu: <ALTERADO EM 2019> - NÃO foi uma alteração feita pelo pacote anticrime, foi promovida
pela lei nº 13.968 de 2019 que alterou apenas o art. 122 do CP, introduzindo a ideia de automutilação
e qualificadoras e causas de aumento de pena. Lembre-se que o art. 122 abaixo é um crime contra
a vida e quando doloso será de competência do tribunal do júri.
ART. 122. Induzir ou instigar alguém a SUICIDAR-SE ou a praticar AUTOMUTILAÇÃO ou prestar-lhe auxílio
material para que o faça:
Instigar, por outro lado, é “reforçar” um pensamento já existente. Nesse caso, a vítima já tinha
a intenção de suicidar-se ou de praticar automutilação, e o agente, sabendo disso, estimula,
incentiva ou encoraja a consumação do ato.
<CAUSA DE AUMENTO> § 4º A pena é aumentada até o DOBRO se a conduta é realizada por meio da
rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real.
Bizu: Causa de aumento de pena incluída pela lei 14.811/2024 que institui medidas de proteção
à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos educacionais ou similares.
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em LESÃO CORPORAL de natureza GRAVÍSSIMA
e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código.
Bizu: Um exemplo que ilustra o § 6º acima é o de um cuidador que, em casa, induz ou instiga uma
criança de 10 anos (menor de 14 anos) a automutilação ou ao suicídio e isso lhe cause deformidade
permanente, caracterizando lesão corporal de natureza gravíssima (inciso IV do art. 129 do CP).
Pela regra do § 6º, se o crime for praticado contra menor de 14 anos ou contra pessoa que não
possui discernimento ou capacidade de resistência, o agente responde diretamente por lesão
corporal (art. 129) e não induzimento ou instigação ao suicídio ou automutilação (art. 122). A lei
agrava o tratamento jurídico justamente por reconhecer a maior vulnerabilidade dessas vítimas.
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou
contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa,
não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de HOMICÍDIO, nos termos do art. 121 deste
Código.
INFANTICÍDIO
ART. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Bizu: é um crime de autoria própria: precisa ser a MÃE (condição elementar de ordem objetiva).
Além disso há os requisitos de a mãe estar sob efeito do estado puerperal, precisa ser contra o
próprio filho e durante o parto ou logo após. Cuidado, são muitos requisitos e as pegadinhas
são comuns.
ART. 124 - Provocar aborto em si mesma OU consentir que outrem lho provoque:
Bizu: o crime de aborto é uma exceção à TEORIA MONISTA, pois diferentes agentes podem
responder por diferentes tipos penais, a regra no Código Penal brasileiro é que todos aqueles que
concorrem para o crime respondam pelo mesmo tipo penal, lembre-se do art. 29 do CP:
“Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.”
Uma mulher jovem, 20 anos de idade, com intenção de esconder a gravidez dos familiares, expulsa
o concepto dolosamente do seu ventre na 25° semana de gestação. Perante a lei, como essa situação
é caracterizada?
B) Não se pode qualificar como crime antes de uma avaliação psiquiátrica da mulher.
C) Crime de infanticídio.
D) Crime de homicídio.
E) Crime de aborto.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior (ART. 125, sem consentimento da gestante), se a
gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência.
ART. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência
do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Bizu: De acordo com a maior parte da doutrina, o dispositivo do art. 127 do Código Penal configura
causa de aumento (majorante) de pena, e não propriamente uma qualificadora. Isso porque,
textualmente, ele determina que as penas cominadas nos arts. 124 a 126 sejam “aumentadas de
um terço” ou “duplicadas” caso sobrevenha lesão corporal grave ou morte da gestante.
*ABORTO NECESSÁRIO
1. Aborto necessário (terapêutico) para salvar a vida da gestante, se não há outro meio
de evitar o risco de morte (art. 128, I, do Código Penal);
Gabarito Letra C, porque ela não perdeu completamente a função da visão, caso fossem os 2 olhos,
aí sim seria gravíssima. É majorada, porque incide a causa de aumento do § 12 → lesão praticada
contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da CF/88.
§ 1º Se resulta:
II - perigo de vida;
PErigo de vida;
Aceleração de parto.
§ 2° Se resulta:
V - ABORTO:
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente NÃO QUIS O RESULTADO, nem assumiu
o risco de produzi-lo:
DIMINUIÇÃO DE PENA
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o DOMÍNIO
de VIOLENTA emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR A PENA de
um sexto a um terço.
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos
mil réis a dois contos de réis:
§ 6° Se a lesão é CULPOSA:
AUMENTO DE PENA
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121
deste Código.
§ 4o No HOMICÍDIO CULPOSO, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância
de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não
procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.
Sendo DOLOSO o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor
de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
Art. 121, § 5º - Na hipótese de HOMICÍDIO CULPOSO, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade:
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra
pessoa portadora de deficiência.
Bizu: aqui há as mesmas definições que ocorreram para o homicídio qualificado, porém como
causa de aumento de pena para a lesão corporal. As mesmas pegadinhas se aplicam aqui na lesão
corporal DOLOSA (lesão corporal culposa não se encaixa nesta tipificação).
Importante salientar que as condutas abaixo (inciso I, alíneas “a”, “b” e “c”) são crimes
hediondos tão somente quando forem lesão corporal DOLOSA GRAVÍSSIMA ou com resultado
MORTE.
Reforçando:
1- No crime de homicídio esse mesmo texto abaixo é definidor de uma qualificadora, por outro
lado, o crime de lesão corporal o trata como majorantes (causa de aumento de pena de 1/3 a
2/3).
2- Na lei de HEDIONDOS também existe essa previsão, porém precisa ser lesão corporal
DOLOSA de natureza gravíssima ou seguida de morte para ser crime hediondo.
I - 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se a lesão DOLOSA for praticada:
a) a vítima for pessoa com deficiência ou com doença que acarrete condição limitante ou
de vulnerabilidade física ou mental; ou
Alínea “a”
b) o autor for ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor,
curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade
sobre ela ou, ainda, for professor ou funcionário da instituição de ensino.
Alínea “b”
<Alteração 2024> § 13. Se a lesão for praticada contra a MULHER, por razões da condição do sexo
feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código:
ART. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea,
de que sabe ou deve saber que está contaminado:
ART. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de
produzir o contágio:
ABANDONO DE INCAPAZ
ABANDONO DE INCAPAZ
ART. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo,
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos (aumentou de detenção para reclusão).
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 3 (três) a 7 (sete) anos (aumentou, era de um a cinco anos).
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 8 (oito) a 14 (quatorze) anos (aumentou, era de quatro a doze
anos).
AUMENTO DE PENA
I - se o abandono ocorre em lugar ermo (bizu: afastado, distante, sem morador, pois aumenta a
chance de comprometimento da integridade do incapaz)
Imagine uma babá (ou cuidador) responsável por uma criança de 3 anos, totalmente incapaz de
defender-se sozinha. Em determinado momento, essa babá sai de casa por um longo período,
deixando a criança sozinha e sem qualquer supervisão, alimento ou proteção. Nesse cenário, a babá
pratica o crime de abandono de incapaz, previsto no art. 133 do Código Penal, pois tinha o dever de
cuidar, guarda ou vigilância e, conscientemente, deixou de exercer essa obrigação, expondo a
criança a riscos que ela própria não poderia enfrentar.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que não é imprescindível demonstrar a ocorrência de
um dano efetivo; basta a comprovação de que o abandono colocou a vítima em situação de risco
concreto.
Sujeito ativo: em regra, é a pessoa que tem o dever de zelar pela vítima ― seja por lei, contrato
ou por assumir voluntariamente a guarda (pais, tutores, curadores, babás, enfermeiros, etc.).
Sujeito passivo: a pessoa que, “por qualquer motivo, é incapaz de defender-se”, isto é, não
consegue se proteger dos riscos decorrentes do abandono (menores, idosos, pessoas com
deficiência, doentes graves etc.).
Natureza do crime: é classificado como crime de perigo, pois a lei tutela a incolumidade física e
psíquica do incapaz. Basta expor a vítima ao risco; não é necessário que ela efetivamente sofra
lesões para caracterizar o delito.
§ 2º - Se resulta a morte:
OMISSÃO DE SOCORRO – Bizu: cai bastante em concurso público e é um crime omissivo PRÓPRIO.
ART. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada
ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública:
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplicada, se resulta a morte.
Fato gerador do dever de agir: surge em virtude do dever geral de solidariedade social, que
obriga qualquer pessoa, em situações críticas, a auxiliar alguém em perigo ou ao menos acionar as
autoridades competentes (Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia etc.).
Sem risco pessoal: a lei ressalva que a obrigação de agir só subsiste quando não houver perigo
para quem presta o socorro. Se ajudar representar um risco relevante à integridade física do agente,
a omissão não é típica no contexto do art. 135.
Consumação: ocorre no momento em que a pessoa deixa de prestar assistência, quando seria
possível fazê-lo, ou deixa de acionar o socorro. Não se exige qualquer resultado concreto de dano à
vítima; a conduta omissiva em si já é considerada criminosa.
3. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado (ex: ponho fogo na
boate e crio o risco pra todos os presentes).
ART. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de
formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial:
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de
natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.
MAUS-TRATOS
ART. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos (era de detenção, de dois meses a um ano, ou
multa).
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 3 (três) a 7 (sete) anos (aumentou, era de um a quatro anos).
§ 2º - Se resulta a morte:
<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 8 (oito) a 14 (quatorze) anos (aumentou, era de quatro a doze
anos).
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.
DA RIXA
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[Link]
omissivoimproprio#:~:text=%C3%89%20aquele%20em%20que%20uma,dever%20jur%C3%ADdico%20de%20evit%C3%A1%2Dlo., acessado em 25/09/20 às 23:04.
ART. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
EXCEÇÃO DA VERDADE
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
DIFAMAÇÃO
Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é
relativa ao exercício de suas funções.
INJÚRIA
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado,
se considerem aviltantes: (bizu: INJÚRIA REAL)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
<INOVAÇÃO 2023>
Portanto, ATENÇÃO! A injúria racial não é mais tratada no § 3º do art. 140 do Código Penal, o qual
apenas trata da injúria referente a:
1. Religião;
2. Pessoa idosa;
Bizu: as disposições abaixo atingem todos os crimes contra a honra, em regra. Por isso, o título
“disposições comuns”.
ART. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de UM TERÇO, se qualquer dos crimes é cometido:
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação
ou da injúria.
§ 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das REDES SOCIAIS da rede mundial
de computadores, aplica-se em TRIPLO a pena.
<2024> § 3º Se o crime é cometido contra a MULHER por razões da condição do sexo feminino, nos
termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em DOBRO.
EXCLUSÃO DO CRIME
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste
no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
RETRATAÇÃO
ART. 143 - O querelado que, ANTES DA SENTENÇA, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento
de pena (bizu: é um exemplo de excludente de culpabilidade).
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de
meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se
praticou a ofensa.
ART. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido
pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde
pela ofensa.
ART. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do
art. 140, § 2º (injúria REAL), da violência resulta lesão corporal.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do
art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.
ART. 146 - CONSTRANGER alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por
qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
AUMENTO DE PENA
Art. 146-A. INTIMIDAR sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica,
uma ou mais pessoas, de modo INTENCIONAL e REPETITIVO, sem motivação evidente, por meio de atos de
intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas,
materiais ou virtuais:
Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da REDE DE COMPUTADORES, de rede social, de
aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em tempo real:
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
Bizu: o artigo 146-A acima é fruto de inovação jurídica de 2024 que incluiu o bullying e cyberbullying
no Código Penal, mediante Lei 14.811/24. Fique atento apenas aos elementos do tipo penal e à
qualificadora do parágrafo único.
AMEAÇA
ART. 147 - AMEAÇAR alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal
injusto e grave:
§ 1º Se o crime é cometido contra a MULHER por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º
do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em DOBRO.
Bizu o crime de ameaça, em regra, tem natureza de ação penal pública condicionada à
representação. Vale ressaltar que a representação é uma condição de procedibilidade da ação penal.
Desa forma, caso o Ministério Público ignore o fato de não haver representação do ofendido, é
imperativo o reconhecimento da nulidade do processo desde sua origem.
Porém, com as alterações de 2024 o crime de ameaça contra a mulher por razões da condição do
sexo feminino passou a ser de ação penal pública incondicionada (independe de representação).
Ademais, o § 1º representa uma causa de aumento de pena para o crime de ameaça quando a vítima
for mulher por razões da condição do sexo feminino (a majorante é o dobro).
PERSEGUIÇÃO/STALKING
ART. 147-A. Perseguir alguém, REITERADAMENTE e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade FÍSICA
ou PSICOLÓGICA, restringindo-lhe a capacidade de LOCOMOÇÃO ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de LIBERDADE ou PRIVACIDADE.
II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121
deste Código;
§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
Bizu: a vítima ou responsável precisa representar, trata-se de ação penal pública condicionada
à representação.
ART. 147-B. Causar DANO EMOCIONAL à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou
que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir
ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
(Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)
Bizu: a intenção do legislador é punir com maior rigor a violência psicológica praticada por meio
de tecnologias de manipulação digital (como a Inteligência Artificial), reconhecendo o seu altíssimo
potencial de dano, sua capacidade de criar falsas realidades e o impacto devastador e duradouro
que causam na vítima.
ART. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado:
ART. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no
local de trabalho;
TRÁFICO DE PESSOAS
ART. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave
ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:
IV - adoção ilegal;
V - exploração sexual.
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-
las;
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário E não integrar organização
criminosa.
O caput do art. 149-A pune o tráfico de pessoas com reclusão de 4 a 8 anos e multa. O § 2.º cria
uma causa obrigatória de diminuição de pena: o juiz deve reduzir a sanção “de um a dois terços”
quando o réu preenche simultaneamente dois requisitos:
Ser primário – não possuir condenação penal definitiva por crime doloso.
Não integrar organização criminosa – atuar de forma isolada ou eventual, sem participar de
grupo estruturado, estável ou dividido em tarefas.
ART. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem
de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
I - durante o DIA, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência
de o ser.
Pontos de atenção
O agente público precisa agir dentro dos limites do mandado ou da necessidade de flagrante.
Abusos podem caracterizar abuso de autoridade (Lei 13.869/2019).
Se o crime for de natureza permanente (por exemplo, cárcere privado ou tráfico de drogas
mantido no interior do imóvel), a situação de flagrante perdura enquanto a conduta se prolongar,
permitindo entrada a qualquer hora.
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição
do n.º II do parágrafo anterior (aposento ocupado de habitação coletiva);
Bizu: alta incidência nas provas policiais – custo-benefício alto, foque nesses tipos penais,
principalmente furto, roubo e extorsão.
FURTO
Bizu: “coisa alheia” significa um bem que é de outra pessoa, estranha ao sujeito ativo do crime de
furto. Não há possibilidade de furtar uma coisa própria, podendo configurar, inclusive, erro sobre os
elementos do tipo. Ademais, a coisa precisa ser MÓVEL (celular, carro, televisão) e não imóvel
(terrenos, edifícios).
O furto e o roubo se consumam com a mera inversão da posse (teoria da amotio ou apprehensio),
dispensando a posse mansa ou pacífica. Ou seja, ainda que o criminoso seja perseguido e capturado
segundos depois de subtrair o bem, ele responderá por furto consumado e não furto tentado, porque
a coisa já estava em sua posse, ainda que de forma não pacífica ou desvigiada.
As câmeras não impedem por si sós a consumação do furto. Elas servem para monitoramento e
podem facilitar a identificação do criminoso ou permitir a intervenção de seguranças, mas não
tornam impossível o resultado.
§ 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o REPOUSO NOTURNO (é uma causa
de aumento de pena, majorante.
Bizu: a definição jurídica de repouso noturno não é equiparada a noite, embora haja alguns julgados
do STJ nesse sentido. A ideia de repouso noturno é intensificar a proteção do patrimônio enquanto
as pessoas descansam/repousam, por se tratar de uma situação de maior vulnerabilidade e de menor
vigília do bem.
FURTO PRIVILEGIADO
§ 2º - Se o criminoso é PRIMÁRIO, e é de PEQUENO valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
Bizu: Súmula 511, STJ: "É possível o reconhecimento do privilégio previsto no §2º do art. 155 do
CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o
pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem OBJETIVA.
§ 3º - EQUIPARA-SE à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
FURTO QUALIFICADO
Bizu: o furto deve ser contra bens "que comprometam o funcionamento" do serviço. Isso
significa que não basta que o furto ocorra em um local que presta serviço essencial; é
preciso que o objeto subtraído efetivamente cause um prejuízo ou paralisação na prestação
desse serviço. A banca criará um cenário onde o furto ocorre em um hospital, em uma
delegacia ou em uma empresa de ônibus, mas o bem furtado é irrelevante para a
continuidade do serviço (pegadinha).
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de EXPLOSIVO ou
de artefato análogo que cause perigo comum – bizu: é considerado crime hediondo e isso cairá nas próximas
provas #otaviodiná.
Bizu: a lei anticrime tornou o § 4º-A um crime hediondo. Porém, o legislador errou ao não
considerar o roubo agravado pela mesma circunstância (mediante uso de explosivo) como sendo
Súmula 442, STJ: "É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo."
§ 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o FURTO MEDIANTE FRAUDE é
cometido por meio de DISPOSITIVO ELETRÔNICO OU INFORMÁTICO, conectado ou não à rede de
computadores, com OU sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso,
ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.
§ 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso (bizu: são
causas de aumento de pena):
I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização
de servidor mantido FORA do território nacional;
Bizu: o art. 4º-B e 4º-C são inovações recentes, em razão do estrondoso aumento desses crimes
durante a pandemia, mediante a internet, dispositivos eletrônicos ou informáticos. Sem dúvidas será
alvo de próximas questões, pois o crime de furto é bastante cobrado.
Bizu: não confunda o crime de furto mediante fraude com o crime de estelionato. No furto
mediante fraude o verbo é subtrair e a conduta do agente consiste em desvigiar a coisa alheia
móvel (pense no mágico que desvia a atenção da vítima para subtrair o bem dela). Já no estelionato
o verbo é obter, isto é, a própria vítima entrega o bem ao golpista.
Uma pessoa entra em uma loja de departamentos e escolhe dois produtos: um perfume de alto valor
e outro bem mais barato (por exemplo, um frasco de shampoo genérico). Discretamente, essa
pessoa retira o perfume caro da embalagem original e o coloca na embalagem do shampoo barato.
Em seguida, dirige-se ao caixa e paga somente o valor referente ao shampoo, ludibriando o sistema
de cobrança (e, por consequência, a vigilância da loja) quanto ao verdadeiro preço do produto que
está adquirindo.
Nesse contexto, a fraude ocorre antes ou durante a subtração, exatamente para evitar ou diminuir
a vigilância e facilitar a apropriação ilícita do bem de maior valor, sem que a loja perceba.
Esse cenário se enquadra no art. 155, § 4º, II, do Código Penal (furto qualificado pela fraude), pois
o agente emprega artifício ou outro meio fraudulento para enganar a vítima (a loja), tornando
possível ou mais fácil a subtração do bem.
Diferencia-se do estelionato (art. 171 do CP), pois, no furto mediante fraude, não há entrega
voluntária do produto por parte do ofendido; na verdade, há um embuste que oculta a verdadeira
natureza ou o valor do objeto, fazendo com que a vítima não perceba a subtração enquanto ocorre.
§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro ESTADO ou para o EXTERIOR.
<Alteração 2025> § 8º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos e multa, se a subtração for de
fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento ou TRANSMISSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA ou de telefonia ou para transferência de dados, bem como equipamentos ou materiais
ferroviários ou metroviários, aplicável, em qualquer caso, o disposto no § 2º deste artigo.
Bizu: no delito de roubo o § 8º acima é uma qualificadora, no roubo, o mesmo tipo penal,
é uma majorante (causa de aumento de pena).
ART. 156 - SUBTRAIR o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém,
a coisa comum:
§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito
o agente (bizu: é uma forma de extinção da punibilidade).
Bizu: o furto de coisa comum é crime de menor potencial ofensivo e faz jus à aplicação dos
institutos despenalizadores da Lei n. 9.099/95, por ser de competência do Juizados Especial Criminal.
Logo, goza da transação penal, da composição civil entre as partes e da suspensão condicional do
processo. Ademais não é apurado mediante inquérito policial, mas por termo circunstanciado.
DO ROUBO E DA EXTORSÃO
ROUBO PRÓPRIO
Roubo Próprio: art. 157 - SUBTRAIR coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante GRAVE ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
ROUBO IMPRÓPRIO
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, LOGO DEPOIS de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa
ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Roubo Impróprio: violência praticada após a subtração com intuito de garantir a posse do bem
Violência Imprópria: utilização de qualquer outro meio para impossibilitar a defesa da vítima do
roubo, como uso de hipnose, trancar as vítimas em um quarto (caiu na PMMG), uso de sonífero, boa
noite cinderela etc.
<Alteração 2025> § 1º-A A pena é de reclusão de 6 (seis) a 12 (doze) anos e multa, se a subtração for
cometida contra quaisquer bens que COMPROMETAM O FUNCIONAMENTO de órgãos da União, de
Estado ou de Município ou de estabelecimentos públicos ou privados que prestem serviços públicos
essenciais.
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou
para o exterior;
Bizu: exemplos de armas brancas: facas, punhais, canivetes. Esses instrumentos são
capazes de gerar grave ameaça.
<Alteração 2025> VIII – se a subtração for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para
fornecimento ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia ou para transferência de
dados, bem como equipamentos ou materiais ferroviários ou metroviários.
Bizu: no delito de roubo o inciso VIII é uma majorante, no furto, o mesmo tipo penal, é uma
qualificadora.
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso RESTRITO ou
PROIBIDO, aplica-se em DOBRO a pena prevista no caput deste artigo.
No crime de furto as qualificadoras são minoria se comparadas às majorantes. Por outro lado, no
crime de furto inverte, isto é, a maioria são qualificadoras e a minoria majorantes (no furto quase
tudo qualifica).
§ 3º Se da violência resulta:
Bizu: no crime de furto praticamente tudo QUALIFICA, enquanto no de roubo quase tudo são causas
de aumento de pena, exceto lesão corporal grave e morte. A PMMG adora confundir o candidato
entre qualificadora e causa de aumento de pena que são preceitos secundários do tipo penal.
Bizu: resumo do uso de armas no crime de roubo (todas são causas de aumento de pena):
Atenção: detalhes sobre o crime de roubo foram cobrados em concursos policiais em 2025 (CRS)
através de um caso hipotético, observe:
Durante o turno de serviço, a equipe policial militar composta pelo Sargento "Echo" e Cabo "Tango"
foi acionada por populares que relataram ter ocorrido o seguinte fato: na praça central do bairro, há
30 metros do local em que estavam, dois cidadãos haviam acabado de ser detidos por particulares,
que os visualizaram subtraindo uma bolsa de elevado valor de uma mulher. A mulher estava sentada
no banco da referida praça por ocasião dos fatos. Para subtrair a bolsa, um dos autores colocou a
mão direita por baixo da camisa, simulando portar arma de fogo, enquanto o outro deu um soco no
rosto da vítima, causando-lhe escoriações nos lábios. Constatou-se que vários cidadãos que estavam
próximos, percebendo a ação dos infratores, os perseguiram e os detiveram, estando um deles com
a bolsa da vítima nas mãos. Entre o momento da subtração e a detenção dos autores pelos
particulares, não decorreu mais de 2 minutos, tendo tudo acontecido na mesma rua. A guarnição
policial militar, então, adotou todas as providências necessárias e após ouvir o relato dos envolvidos,
munidos de imagens de câmeras de vigilância de comércios vizinhos, que registraram toda a ação,
realizou a condução dos mesmos para a autoridade policial, na condição de presos. Entretanto, no
momento de registrar os fatos, algumas dúvidas surgiram, tendo o Tenente "Foxtrot", oficial
Coordenador de Policiamento da Unidade (CPU), sido acionado. Após ouvir as dúvidas dos militares
da guarnição, o tenente afirmou o seguinte:
I - O crime ocorrido foi o de roubo majorado (correto → o roubo é majorado pelo concurso de 2 ou
mais pessoas)
III - É imprescindível a posse mansa e pacífica para que o crime seja considerado consumado
(errado → é prescindível, isto é, não se exige posse mansa e pacífica - teoria da apprehensio ou
amotio);
V - Não existe causa de aumento de pena (errado → existe sim, majorante é sinônimo de causa de
aumento de pena, veja que os itens I e V são autoexcludentes).
ART. 158 - CONSTRANGER alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, e com o intuito de obter para si
ou para outrem indevida vantagem ECONÔMICA, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa:
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, AUMENTA-SE a pena
de um terço até metade.
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para
a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se
resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o,
respectivamente. (Bizu: Qualificadoras)
Bizu: Súmula 96 do STJ: a teor do disposto no art. 158 do Código Penal (crime de extorsão), não
se exige, para a inteira realização do tipo (consumação), a obtenção da vantagem
econômica indevida, que, na verdade, configura o exaurimento da ação delituosa, bastando a
intenção. Trata-se de crime formal, o qual dispensa o resultado naturalístico para sua consumação.
Traduzindo: a mera exigência da vantagem econômica já consuma o delito, ainda que não a
receba. Pois, receber a vantagem é mero exaurimento.
ART. 159 – SEQUESTRAR pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, QUALQUER VANTAGEM, como
condição ou preço do resgate:
Diferenças importantes entre extorsão (art. 158) e extorsão mediante sequestro (art. 159) que
podem ser pegadinhas:
Crime instantâneo/ formal (consuma‑se com a coação; vantagem pode nem ocorrer)
Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que Tício responderá
pelo crime de: extorsão qualificada, pela restrição da liberdade da vítima, condição necessária para
a obtenção da vantagem econômica, e majorado pelo emprego de arma → é chamado pela doutrina
de sequestro relâmpago.
§ 3º - se resulta a MORTE:
Referente aos crimes contra o patrimônio do Código Penal, assinale a alternativa correta.
B) O agente que arromba a porta do veículo e o furta responde por furto qualificado.
C) O agente que arromba a porta do veículo e furta um celular que estava em seu interior responde
por furto simples.
Gabarito Letra A.
Aprofundando:
Furto do veículo: Quebrar o vidro para levar o próprio carro é considerado um ato de execução do
furto simples, não uma qualificadora. O obstáculo era parte da coisa.
Furto de objeto dentro do veículo: Quebrar o vidro para levar um objeto que está lá dentro
(celular, bolsa, estepe) caracteriza furto qualificado, pois o veículo funcionava como obstáculo à
subtração do objeto.
EXTORSÃO INDIRETA
ART. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode
dar causa a procedimento CRIMINAL contra a vítima ou contra terceiro:
ALTERAÇÃO DE LIMITES
ART. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-
se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Usurpação de águas
Esbulho possessório
II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas,
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.
ART. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de
propriedade:
DO DANO
DANO
O dispositivo não prevê forma culposa, exigindo dolo (vontade livre e consciente de causar o
estrago). Como o princípio da legalidade (art. 1.º do CP) proíbe criação de crimes por analogia,
qualquer destruição ou deterioração provocada apenas por imprudência, negligência ou imperícia é
atípica, salvo previsão expressa em lei especial. Devendo o agente responder na seara cível.
DANO QUALIFICADO
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
ART. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que
o fato resulte prejuízo:
ART. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico,
arqueológico ou histórico:
ART. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei:
ART. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede mediante
QUEIXA.
1. art. 163 caput “destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”: ação penal privada e somente se
procede mediante queixa;
2. art. 163, inciso IV “dano por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima”: ação
penal privada e somente se procede mediante queixa;
3. art. 164 “introdução ou abandono de animais em propriedade alheia”: ação penal privada e
somente se procede mediante queixa;
4. art. 163, inciso I “dano com violência à pessoa ou grave ameaça”: ação penal pública.
5. art. 163, inciso II “dano com emprego de substância inflamável ou explosiva”: ação penal
pública.
6. art. 163, inciso III “dano contra o patrimônio público”: ação penal pública.
7. art. 165 “dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico”: ação penal pública.
Queixa: é o instrumento por meio do qual o ofendido (ou seu advogado) ingressa diretamente em
juízo, apresentando a “queixa-crime”. Nesse caso, a vítima atua como “parte acusadora”, ainda que,
posteriormente, o Ministério Público possa intervir como custos legis (fiscal da lei).
DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA
ART. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Bizu: difere-se do furto, pois a pessoa já tem a posse mansa do bem móvel.
Um gerente de loja recebe, no caixa, R$ 15 000,00 para depositar na conta da empresa no fim do
expediente. O dinheiro lhe foi entregue validamente (posse mansa e pacífica) porque faz parte de
suas funções. Em vez de depositar, ele se apropria do numerário, passando a tratá‑lo como se fosse
seu — compra bens pessoais e, dias depois, não devolve o valor apesar da cobrança do empregador.
No furto (art. 155), o agente subtrai bem que está na posse da vítima.
AUMENTO DE PENA
I - em depósito necessário;
ART. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma
legal ou convencional:
I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que
tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou
custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário
e de bons antecedentes, desde que:
I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo
valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
ART. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
APROPRIAÇÃO DE TESOURO
I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o
proprietário do prédio;
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono
ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.
ART. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º.
Art. 155, § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o JUIZ pode substituir
a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
Bizu: esta é a forma privilegiada, ocorre, em regra, em crimes em que NÃO há emprego de violência
ou grave ameaça. Portanto, aplica-se essa ferramenta jurídica aos crimes de apropriação indébita,
a qual será chamada de apropriação indébita privilegiada, caso cumpra os requisitos legais.
Bizu: o pacote anticrime alterou o estelionato para, em regra, ação penal pública condicionada
a representação, porém estabeleceu exceções no § 5º do art. 171.
ART. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém
em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o
disposto no art. 155, § 2º.
Defraudação de penhor
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia
pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou
agrava as consequencias da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro
(exemplo: queimar o próprio carro para acionar o seguro);
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o
pagamento.
FRAUDE ELETRÔNICA
Bizu: essa prática cresceu exponencialmente na pandemia e o legislador resolveu dar uma resposta
a essas práticas fraudulentas. Veja que essas condutas guardam relação com o que conhecemos
sobre os “hackers” e é bastante abrangente, pois admite “qualquer outro meio fraudulento” mediante
entrega de informações fornecidas pela vítima.
“Romeo”, com 34 anos, durante navegação via rede mundial de computadores, recebeu uma
mensagem através do “chat” de uma rede social contendo propaganda de um tênis de marca famosa,
anunciado na ocasião com um desconto de 15% em relação ao valor costumeiro de mercado.
Considerando atraente a oferta, “Romeo” iniciou a negociação com “Golf”, atualmente com 19 anos,
remetente da mensagem, tudo através da citada rede social. Durante a conversa, “Romeo” solicitou
comprovação da vinculação de “Golf” com a empresa fabricante e/ou revendedora do tênis, na
tentativa de minimizar a possibilidade de sofrer “golpes”. Além disso, solicitou cópia de documentos
que pudessem comprovar a identidade de “Golf”. Após enviar cópia de seus documentos
(posteriormente verificando-se que eram montagens decorrentes de inteligência artificial), como
forma de dar legitimidade às tratativas, “Golf” solicitou a “Romeo” cópia de sua identidade, que por
sua vez continha o número do CPF. “Romeo”, então, confiando nas informações e aparente
legitimidade da negociação, realizou a transferência do valor do tênis para “Golf”. Logo em seguida,
“Golf” enviou uma mensagem com o seguinte teor: “peguei mais um trouxa”, bloqueando o contato
e desativando a conta na rede social em que conversava com “Romeo”. Percebendo ter sido
enganado, “Romeo” procura a Polícia Militar para providências.
Diante do exposto, com base no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), analise as assertivas abaixo:
I - O crime praticado por “Golf” possui pena de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa →
Está correta (infelizmente a banca cobrou decoreba de pena)
II - Trata-se de crime de furto qualificado mediante fraude (fraude eletrônica) → está incorreto, o
crime não é de furto, mas de estelionato em sua modalidade qualificada.
III - Trata-se de crime de estelionato qualificado → está correto, pois o crime é de estelionato
em sua modalidade qualificada (fraude eletrônica § 2º-A).
IV - O crime praticado é de ação penal pública incondicionada → incorreta, em regra, o
estelionato é de ação penal pública condicionada a representação, salvo exceções (art.
171, § 5º).
(MAJORANTE DA FRAUDE ELETRÔNICA) § 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a
relevância do resultado gravoso, AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é
praticado mediante a utilização de servidor mantido FORA do território nacional.
Bizu: a Lei nº 14.155, de 2021 incluiu a figura do vulnerável, pois a redação anterior só trazia o
idoso.
§ 4º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) ao DOBRO, se o crime é cometido contra IDOSO ou
VULNERÁVEL, considerada a relevância do resultado gravoso.
II - criança ou adolescente;
Bizu: os incisos I ao IV acima são procedidos mediante ação penal pública incondicionada
(exceção às outras fraudes desse artigo que exigem representação – ação penal pública condicionada
à representação).
Bizu: Ademais, cuidado com o inciso IV, porque o seu examinador vai trocar “maior de 70 anos” por
“idoso” – pegadinha. Idoso é pessoa maior de 60 anos.
ART. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações que envolvam ativos
VIRTUAIS, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo
alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.
Bizu: esse crime comporta mais de um verbo (tipo penal misto alternativo) e exige finalidade
específica denunciada pela expressão “com o fim de”.
DUPLICATA SIMULADA
ART. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade
ou qualidade, ou ao serviço prestado.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de
Registro de Duplicatas.
ABUSO DE INCAPAZES
ART. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da
alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito
jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
INDUZIMENTO À ESPECULAÇÃO
ART. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental de
outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo
saber que a operação é ruinosa:
FRAUDE NO COMÉRCIO
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender,
como precioso, metal de ou outra qualidade:
Bizu: também aplicável as particularidades do furto privilegiado (aqui seria fraude contra
comércio privilegiada):
OUTRAS FRAUDES
ART. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de
recursos para efetuar o pagamento:
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias,
deixar de aplicar a pena.
ART. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou
à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela relativo:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular.
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular:
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer,
balanço ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições
econômicas da sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo;
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou
de outros títulos da sociedade;
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas,
salvo quando a lei o permite;
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução
ações da própria sociedade;
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço
falso, distribui lucros ou dividendos fictícios;
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue
a aprovação de conta ou parecer;
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter
vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral.
ART. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal:
FRAUDE À EXECUÇÃO
ART. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:
RECEPTAÇÃO
ART. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe
ser produto de CRIME, ou INFLUIR para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:
Na receptação PRÓPRIA as condutas típicas são adquirir (receber a propriedade, por compra,
dação em pagamento, permuta, doação, herança), receber (a conduta de quem toma a posse da
coisa), transportar (levar, transferir, carregar a coisa), conduzir ou ocultar (esconder).
Praticado o crime por uma ou mais modalidades de conduta o agente responderá por um só delito
e, se vender a coisa, o fato irá caracterizar um post factum não punível(JTACrSP 44/40) – dito de
6
[Link] acessado em 26/09/20 às 15:55.
Na receptação IMPRÓPRIA o agente INFLUI (convence, estimula, induz alguém) para que
terceiro, de boa fé, adquira, receba ou oculte a coisa. Pode até haver bilateralidade, se o adquirente
também estiver de má-fé.
RECEPTAÇÃO QUALIFICADA
§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar,
vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio
irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.
§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela
condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: (bizu: receptação CULPOSA)
§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a
coisa.
Bizu: também aplicável as particularidades do furto privilegiado (aqui seria receptação culposa
privilegiada):
<Alteração 2025>§ 7º Se a receptação for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento
ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia, transferência de dados, ou de cargas transportadas em
modais logísticos ferroviários ou metroviários, aplica-se em dobro a pena prevista no caput ou no § 1º deste
artigo, conforme o caso.
RECEPTAÇÃO DE ANIMAL
ART. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de
produção ou de comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes,
que deve saber ser produto de crime:
ESTUPRO
ART. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou
permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
ART. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que
impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter VANTAGEM ECONÔMICA, aplica-se também
MULTA.
IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
ART. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria
lascívia ou a de terceiro:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.
ASSÉDIO SEXUAL
ART. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o
agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função.
ART. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato
sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes:
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer
outro registro COM O FIM DE incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter
íntimo.
2. Não importa se houve consentimento, experiência sexual anterior ou relação afetiva, pois a lei
considera que a vítima não tem capacidade de consentir.
3. Assim, não se exige prova de violência física ou ameaça para caracterizar o crime.
Consequências práticas
ESTUPRO DE VULNERÁVEL
ART. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra
causa, não pode oferecer resistência.
Bizu: uma vez que a violência é presumida, pouco importa seu consentimento, porque ele não é
valido. O autor e a vítima podem ser, inclusive, namorados. A anuência dos pais não obsta a
consumação do crime e a consequente resposta penal.
Um adulto jovem, 19 anos e do sexo masculino, tem relação sexual, com conjunção carnal, com
uma menor de 13 anos de idade com o consentimento da menor. Considerando o exposto, o jovem
praticou
A) Ato lícito.
C) Sedução de menor.
D) Estupro
Gabarito Letra D.
CORRUPÇÃO DE MENORES
ART. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem:
ART. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção
carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem:
ART. 218-B. (Bizu: é CRIME HEDIONDO) Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração
sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:
§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior
de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;
ART. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar,
por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -,
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave.
AUMENTO DE PENA
§ 1º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente que
mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação
(bizu: é o tipo penal revenge porn – pornografia de vingança).
EXCLUSÃO DE ILICITUDE
§ 2º NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação
de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a
identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos.
1. a primeira diz respeito ao agente que divulga a mídia (foto ou vídeo) em publicação de natureza
jornalística, científica, cultural ou acadêmica sem identificar a vítima;
2. a segunda diz respeito ao agente que publica a mídia (foto ou vídeo) em publicação de natureza
jornalística, científica, cultural ou acadêmica identificando a vítima, desde que ela seja maior de
18 anos e tenha dado autorização para isso.
ART. 312 - APROPRIAR-SE o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio (bizu: não é
necessário que o bem pertença à Administração Pública):
• Depois, ele inverte o título da posse (no peculato-apropriação) ou desvia o bem de sua finalidade
(no peculato-desvio).
• Se não houver essa relação funcional de custódia, o fato, em tese, pode ser apropriação indébita
ou furto, mas não peculato.
A Corte já afirmou que “peculato alcança bens pertencentes ao Poder Público ou a particulares sob
tutela administrativa”, desde que o agente tenha a posse em razão do cargo (AgRg no RHC
170.748-SP, Quinta Turma, julgado em 2023).
Peculato mediante erro de outrem (artigo 313) – também chamado de peculato estelionato.
Os crimes contra a administração pública são amplamente cobrados em concursos policiais, em razão
da pertinência temática. Caiu, inclusive, na PPMG 2021, veja:
Tibúrcio, funcionário público, usa documentos falsos com a exclusiva finalidade de desviar para si
verbas públicas, das quais tinha a posse em razão do cargo. É correto falar que Tibúrcio praticou:
A) crime de estelionato
B) crime de peculato
Jairo, servidor público, violando dever funcional, apropriou-se de dois celulares particulares, os quais
estavam em sua posse em razão do cargo. Considerando o disposto no Código Penal, Jairo estará
sujeito a ser processado e julgado pelo crime de
A) peculato.
B) furto.
C) apropriação indébita.
D) corrupção passiva.
E) concussão.
Gabarito letra A.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai (PECULATO FURTO), ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio,
valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
PECULATO CULPOSO
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE X REDUÇÃO DE PENA no crime de peculato culposo (isso cai bastante)
ART. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
ART. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o
fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano:
ART. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização
ou solicitação de autoridade competente:
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta
dano para a Administração Pública ou para o administrado.
ART. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou
inutilizá-lo, total ou parcialmente:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.
ART. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Bizu: O crime se consuma quando o agente público emprega qualquer verba ou renda, já vinculada
por lei, decreto ou portaria, em finalidade distinta daquela previamente fixada. Não é necessário
apropriação, desvio para proveito próprio ou dano ao erário; basta o desvio formal de destino. O
sujeito ativo pode ser ordenador de despesa, gestor ou qualquer servidor que tenha ingerência sobre
a aplicação do recurso.
◼ Porém, não comete crime aquele que dá destinação diversa em estado de necessidade. Isto é, o
tipo admite aplicação da causa geral do art. 24 do Código Penal. Se a destinação diversa for imposta
por perigo atual de dano grave e inevitável, a conduta torna-se lícita, porque a lei não exige sacrifício
absoluto do bem jurídico protegido (legalidade orçamentária) quando coexistir perigo mais relevante
(vida, saúde coletiva, segurança). Isso não exclui controles político-administrativos, apenas exclui a
esfera penal.
CONCUSSÃO (IMPORTANTE!!!)
Art. 316 - EXIGIR, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Bizu: a lei anticrime alterou apenas a pena máxima da concussão de 8 para 12 anos. A chave para
identificar o crime de concussão é o verbo “EXIGIR”.
QUALIFICADORA: § 1º - Se o funcionário EXIGE tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber
indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:
ART. 317 SOLICITAR ou RECEBER, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional,
cedendo a pedido ou influência de outrem:
Bizu: Para diferenciar corrupção passiva de corrupção ativa, decore os verbos do tipo penal:
Corrupção passiva privilegiada: praticar, deixar de praticar ou retardar ato de ofício a pedido de
outrem;
Concussão: exigir;
Caiu na PPMG 2021, desta forma: Quincas é policial penal e amigo de Vanda, advogada do
apenado Martim, o qual cumpre pena privativa de liberdade no mesmo estabelecimento em que
trabalha Quincas. Cedendo a pedido de Vanda, a fim de beneficiar Martim, Quincas pratica
indevidamente um ato de ofício. Nesse contexto, é correto afirmar que Quincas praticou crime de:
B) prevaricação
C) advocacia administrativa
D) tráfico de influência
Gabarito letra A.
ART. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (ART. 334):
PREVARICAÇÃO (importante!!!)
ART. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa
de lei, para SATISFAZER INTERESSE OU SENTIMENTO PESSOAL:
Bizu: O legislador quis criar um tipo mais específico para combater o uso de celulares nos presídios,
problema reconhecido como vetor de organização criminosa e de ordens de crimes a partir das
cadeias.
PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA
ART. 319-A. Deixar o DIRETOR DE PENITENCIÁRIA e/ou AGENTE PÚBLICO, de cumprir seu dever de vedar
ao preso o acesso a APARELHO TELEFÔNICO, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos
ou com o ambiente externo.
Bizu: O legislador quis criar um tipo mais específico para combater o uso de celulares nos
presídios, problema reconhecido como vetor de organização criminosa e de ordens de crimes a
partir das cadeias.
Omissão de cautela
(...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou DIRETOR responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de
comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo,
acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois
de ocorrido o fato.
CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA
ART. 320 - Deixar o funcionário, POR INDULGÊNCIA (bizu: indulgencia = dó, piedade), de responsabilizar
subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao
conhecimento da autoridade competente:
A) Prevaricação.
B) Condescendência criminosa.
C) Corrupção passiva.
D) Excesso de exação.
Gabarito letra B.
ADVOCACIA ADMINISTRATIVA
ART. 321 - PATROCINAR, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se
da qualidade de funcionário:
VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.
ABANDONO DE FUNÇÃO
ART. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:
ART. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-
la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma,
o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;
ART. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-
lo:
FUNCIONÁRIO PÚBLICO
ART. 327 - CONSIDERA-SE FUNCIONÁRIO PÚBLICO, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem
ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração
direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.
Bizu: o art. 327 é chamado pela doutrina de “normas explicativas” – também chamadas por alguns
autores de “normas de extensão” ou “normas definidoras”. Essas normas não descrevem condutas
criminosas nem preveem pena; a sua função é fixar o alcance de expressões usadas em tipos penais,
fornecendo um conceito jurídico próprio para todo o Código.