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Estudo sobre Crimes e Penalidades no Brasil

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Autor: Otávio Souza – PMMINAS
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LEGENDA DAS AS CORES DOS GRIFOS?


Azul → prazos e datas.
Verde → títulos de determinados assuntos relevantes.
Vermelho → atenção + palavras importantes as quais são alvo de pegadinhas.
Laranja → artigos que já caíram e caem bastante em concursos policiais militares.
Vermelho → pegadinhas com troca de palavras.

ATENÇÃO: PROIBIDA A VEICULAÇÃO DESTES MATERIAIS, ainda que sem finalidade de lucro (uso autorizado
apenas para o comprador), todos os direitos reservados. Muito cuidado com a investigação social, fase
importantíssima do seu certame - a honra militar começa nos estudos.
DOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL
Violação de direito autoral → ainda que não tenha objetivo de lucro é crime!
ART. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por
qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Bizu: esse crime INDEPENDE de você ter ou não lucro, o mero compartilhamento incide no caput
do artigo. Quando há lucro o crime é qualificado (ainda mais grave) nos termos do §1º.

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


Licenciado para Luan CPF 135.339.136-19, celular (35) 999643937 - Protegido por Otávio Souza 1
TÓPICOS MAIS COBRADOS NAS PROVAS ANTERIORES:
Do crime (art. 13 ao 25)

Das penas (art. 32 ao 52)

Crimes contra a Pessoa (art. 121 ao 150)

SUMÁRIO
DO CRIME .................................................................................................................... 4

DA IMPUTABILIDADE PENAL .......................................................................................... 16

DAS PENAS ................................................................................................................. 20

CRIMES CONTRA A PESSOA ........................................................................................... 27

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO ................................................................................... 54

DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL .................................................................. 74

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ................................................................ 78

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


Licenciado para Luan CPF 135.339.136-19, celular (35) 999643937 - Protegido por Otávio Souza 2
TEORIA DO CRIME
A doutrina majoritária considera que crime é uma conduta anteriormente prevista pelo Direito como ilícita e seja
uma ação TÍPICA, ILÍCITA e CULPÁVEL, isto é, defendem a tese de que o Código Penal comunga da TEORIA
ANALÍTICA DO CRIME. O quadro abaixo demonstra os elementos (substratos) para que uma determinada conduta
voluntária e finalissimamente voltada para um resultado seja considerada crime para o Direito Penal brasileiro.

TEORIA ANALÍTICA DO CRIME

Substratos/elementos do Crime (estrutura tripartite)

FATO TÍPICO ANTIJURÍDICO/ILICITO CULPÁVEL

1. Tipicidade 1. Estado de necessidade Imputabilidade (teoria biopsicológica)

2. Conduta (teoria finalista – o dolo e


2. Legítima defesa Potencial consciencia da ilicitude
a culpa integram a conduta)

3. Nexo Causal (teoria da


3. Exercício regular de
equivalencia dos antecedentes – Exigibildiade de conduta diversa
direito
conditio sine qua non)

Bizu: o Brasil adotou a teoria


normativa pura e a teoria limitada da
culpabilidade. Porquanto, todos os
4. Resultado (normativo ou 4. Estrito cumprimento do elementos da culpabilidade são
naturalístico) dever legal normativos (dolo e culpa migram para
o fato típico no finalismo penal, os
quais são elementos subjetivos)

Consentimento do
ofendido (causa supralegal
de exclusao da ilicitude)

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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DO CRIME
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

ART. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

Um dos fundamentos que comprovam que o CP utiliza o princípio da intranscendência das penas
é o art. 13 acima.

Além disso, o art. 13 é fundamento legal para as teorias envolvendo as causas ou concausas
absolutamente independentes ou relativamente independentes as quais são limitações ao alcance
da teoria da equivalência das condições (teoria utilizada pelo ordenamento brasileiro). O Brasil adota
a teoria da causalidade simples “conditio sine qua non” – tudo aquilo que dá causa ao resultado deve
ser imputado a alguém.

[Link] absolutamente independente: não guarda relação com a conduta que gerou o resultado.
Assim o agente não responde pelo resultado. Elas podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes, nesses casos o agente responderá por tentativa e não pelo crime consumado.

[Link] relativa independente: possui um certo grau de contato/relação com a conduta que
ensejou o resultado. Elas também podem ser preexistentes, concomitantes ou supervenientes.

Aprofunde no tema: [Link]

SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE

§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente EXCLUI a imputação quando, por si só,


produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.

RELEVÂNCIA DA OMISSÃO

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente DEVIA e PODIA agir para evitar o resultado.
O dever de agir incumbe a quem:

a) tenha POR LEI obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;

Ex.: policiais, bombeiros etc.

b) de outra forma, ASSUMIU a responsabilidade de impedir o resultado;

Ex.: seguranças privados, mãe que deixa o coleguinha do filho dormir em sua casa.

c) com seu comportamento anterior, CRIOU O RISCO da ocorrência do resultado.

Ano: 2020 Banca: INSTITUTO AOCP

A omissão, prevista no Código Penal Brasileiro, é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe àquele que

A) com seu comportamento criou o risco da ocorrência.

B) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.

C) agiu de forma prudente, mas sem sucesso no resultado.

D) mesmo sem dar causa ao risco da ocorrência, deixou de agir.

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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E) ainda que de outra forma, não assumiu a responsabilidade de impedir o resultado.

Gabarito letra B → a letra A faltou o termo “anterior”, nos termos da letra de lei.

ART. 14 - DIZ-SE O CRIME:

I - CONSUMADO, quando nele se reúnem TODOS os elementos de sua definição legal;

II - TENTADO, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias ALHEIAS à


vontade do agente (ex.: um policial chega e impede a consumação);

Conheça as espécies/tipos de tentativa formuladas pela doutrina:

Perfeita: foram esgotados todos os meios necessários para a consumação do delito. Exemplo: o
agente descarregou todo o carregador com os cartuchos contra a vítima.

Imperfeita: não foi possível esgotar todos os meios que estavam ao alcance do agente. Exemplo:
arma emperrou após o primeiro disparo.

Branca/Incruenta: O agente não conseguiu nem mesmo atingir o objeto do crime. Exemplo: Ao
atirar, não conseguiu atingir o alvo.

Vermelha/Cruenta: O agente consegue atingir o objeto da infração penal, mas não conseguiu
consumar o delito, porquanto se trata de tentativa. Exemplo: o tiro apenas perfurou o braço da
vítima, não a levando a óbito (tentativa de homicídio).

PENA DE TENTATIVA

Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de UM a DOIS TERÇOS.

Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP

Analise o seguinte caso hipotético:

Vilma foi presa em flagrante por tentativa de homicídio contra Alice, sua inimiga mortal. De acordo
com o Código Penal, nesse caso, pune-se a tentativa de homicídio com a pena correspondente à do
crime consumado, diminuída

A) da metade.

B) de um sexto.

C) de um terço.

D) de um sexto a um terço.

E) de um a dois terços.

Gabarito letra E, nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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ART. 15 - O agente que, VOLUNTARIAMENTE, desiste de prosseguir na execução (DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA) OU impede que o resultado se produza (ARREPENDIMENTO EFICAZ), só responde pelos
atos já praticados.

O tipo penal não exige que a desistência seja espontânea, mas sim VOLUNTÁRIA. Ou seja, o
autor pode desistir por influência/pedido de outrem, por exemplo: pedido de clemência, piedade,
dó. O arrependimento eficaz e a desistência voluntária, ambos definidos no art. 15 do CP, são
chamados pela doutrina de ponte de ouro do direito penal.

Atenção: o arrependimento eficaz e a desistência voluntária, caso configurados, NUNCA ensejarão


tentativa, afinal, o agente responde pelos atos já praticados (jamais o crime tentado).

Caiu em concursos policiais através de um caso hipotético:

Analise o caso concreto.

“Bravo”, sócio de um grande grupo empresarial do setor de moda, durante os levantamentos de


rotina, constatou que seu parceiro e também sócio “Delta” havia lhe subtraído uma quantia relevante
dos lucros de uma de suas lojas. Momentos depois, ao se encontrarem e após intensa discussão,
“Bravo”, impelido pelo animus necandi, desferiu duas facadas em “Delta”, sendo uma na perna e
outra no ombro. Em ato contínuo, ao se aproximar da vítima caída ao solo e pronto para lhe desferir
o último golpe que poria fim a vida dela, o autor “Bravo”, lembrou-se de sua infância pacífica, dos
ensinamentos de sua mãe e deixou o local. Diante de toda confusão, outras pessoas ali presentes
socorreram a vítima ao Hospital mais próximo, não tendo ocorrido o óbito.

Resposta correta: “Bravo” deverá responder pelo crime de Lesão Corporal em razão da
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (só responderá pelos atos já praticados, isto é, pela lesão corporal).

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

ART. 16 - Nos crimes cometidos SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de UM
a DOIS terços.

Ano: 2020 Banca: INSTITUTO AOCP - Agente Penitenciário

Em relação ao Código Penal, assinale a alternativa INCORRETA.

A) Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.

B) Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto,
é impossível consumar-se o crime.

C) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime
culposo, se previsto em lei.

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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D) Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa,
até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida pela metade.

E) É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que,
se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo.

Gabarito letra D.

CRIME IMPOSSÍVEL

ART. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade
do objeto, é IMPOSSÍVEL consumar-se o crime.

A natureza jurídica do crime impossível é de causa de exclusão da tipicidade, eis que o fato
praticado pelo agente não se enquadra em nenhum tipo penal.

Ineficácia absoluta do meio: é quando o instrumento utilizado é totalmente incapaz de produzir


o resultado, mesmo que o agente acredite o contrário. Exemplo: o agente tenta matar alguém com
uma arma que está sem munição e com o cano entupido, tornando impossível qualquer disparo.

Absoluta impropriedade do objeto: é quando o objeto da ação penal (a vítima) não pode ser
atingido pelo resultado porque está fora do campo de incidência da norma penal. Exemplo: A pessoa
desfere golpes contra um corpo já morto, acreditando que está viva → é impossível matar quem já
está morto.

O flagrante preparado é considerado crime impossível nos termos da súmula 145 do STF:

NÃO HÁ CRIME, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.

Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP

Assinale a alternativa correta tendo em vista as disposições do Código Penal.

A) Computam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia
e, na pena de multa, as frações de real.

B) Na coação moral irresistível, o fato é atípico, em razão da ausência de vontade do coagido.

C) São causas de exclusão da culpabilidade: a menoridade e o estrito cumprimento de dever legal.

D) A natureza jurídica do crime impossível é de causa de exclusão da tipicidade, eis que o fato
praticado pelo agente não se enquadra em nenhum tipo penal.

E) Entende-se em estado de necessidade quem, usando moderadamente dos meios necessários,


repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

Gabarito Letra D.

CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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ART. 18 - Diz-se o crime:

CRIME DOLOSO

I - DOLOSO, quando o agente QUIS o resultado ou ASSUMIU o risco de produzi-lo.

QUERER o resultado = dolo direto - ele consiste na vontade deliberada (intencional) de


violar diretamente aquilo que está vedado pelo tipo penal. Exemplo: querer e matar alguém
(crime de homicídio doloso – art. 121 do CP).

ASSUMIR o risco do resultado = dolo eventual - isto é, o agente visualiza o resultado e o


assume, a pessoa liga o “foda-se”. Para essa análise é necessário que o risco assumido
extrapole o padrão de um comportamento padrão, atitude visualizada no “homem médio”.
Exemplo: dirigir a 200km/h em uma avenida cheia de crianças, sabendo que ali tem uma
escola e está em horário de final de aula.

CRIME CULPOSO

II - CULPOSO, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou


imperícia.

Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime,
senão quando o pratica DOLOSAMENTE.

No Direito Penal, esse princípio estabelece que, para ser responsabilizado criminalmente, o agente
deve ter praticado o crime com dolo, ou seja, com a intenção consciente de realizá-lo (essa é a
regra no Direito Penal brasileiro). Salvo quando a lei definir especificamente a punição para condutas
culposas (resultantes de negligência, imprudência ou imperícia), não se admite a punição de alguém
que não teve a intenção de praticar o crime.

Exemplo:

Se uma pessoa atropela e mata alguém sem intenção (por imprudência), ela não pode ser julgada
por homicídio doloso, mas poderá responder pelo homicídio culposo, por ter essa previsão legal, caso
não tivesse, o fato seria atípico.

AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO

ART. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos
culposamente.

O artigo 19 do Código Penal trata da agravação pelo resultado, ou seja, quando uma consequência
mais grave do crime (como a morte da vítima) aumenta a pena. Mas só será aplicada se o agente
tiver causado esse resultado, pelo menos com culpa (negligência, imprudência ou imperícia).

Se o agressor previu o risco e assumiu, ou agiu com imprudência, pode responder por lesão corporal
seguida de morte, com pena agravada.

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Por outro lado, se outra pessoa empurrou a vítima e causou a morte, o agressor inicial não responde
pelo resultado, pois não contribuiu culposa ou dolosamente para ele.

ESPÉCIES DE ERRO
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO

ART. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime EXCLUI O DOLO, mas permite a punição por
crime culposo, se previsto em lei.

Há duas espécies de ERRO DE TIPO:

a) Erro de tipo essencial, que recai sobre elementares ou circunstâncias do tipo, sem as quais o
crime não existiria;

b) Erro de tipo acidental, que recai sobre circunstâncias acessórias, secundárias, da figura típica.
Não recai sobre as elementares do crime, portanto, em regra, não altera a repercussão jurídica e
não exclui o crime.

1. O ERRO DE TIPO ESSENCIAL APRESENTA DUAS FORMAS:

1.1. Erro de tipo essencial escusável (ou invencível ou desculpável): quando não pode ser
evitado pelo cuidado objetivo do agente, ou seja, qualquer pessoa, na situação em que se encontrava
o agente, incidiria em erro. Exemplo: caçador que, em selva densa, à noite, avista vulto vindo em
sua direção e dispara sua arma em direção ao que supunha ser um animal bravio, matando outro
caçador que passava pelo local.

1.2. Erro de tipo essencial inescusável (ou vencível ou indesculpável): quando pode ser
evitado pela observância de cuidado objetivo pelo agente, ocorrendo o resultado por imprudência ou
negligência. Exemplo: caçador que, percebendo movimento atrás de um arbusto, dispara sua arma
de fogo sem qualquer cautela, não verificando tratar-se de homem ou de fera, matando outro
caçador que lá se encontrava. Nesse caso, tivesse o agente empregado ordinária diligência, teria
facilmente constatado que, em vez de animal bravio, havia um homem atrás de arbusto.

→ O erro de tipo essencial escusável exclui o DOLO e a CULPA do agente.

→ Já o erro de tipo essencial inescusável exclui apenas o DOLO, respondendo o agente por crime
CULPOSO, se previsto em lei.1

2. O ERRO DE TIPO ACIDENTAL HÁ, PELO MENOS, 5 CATEGORIAS PRINCIPAIS:

2.1 Erro sobre o objeto – error in objeto

Ocorre erro sobre o objeto quando o agente acredita estar praticando sua conduta sobre uma
determinada coisa, mas, na verdade, ela recai sobre outra. A confusão se dá sobre o objeto material
da ação (coisas, objetos físicos), e não sobre uma pessoa.

1
ANDREUCCI, Ricardo Antônio. Manual de Direito Penal. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2019. p. 118-119

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Exemplo: Alguém entra numa residência com a intenção de subtrair uma joia, porém acaba
levando uma bijuteria. Ele responderá por furto da mesma forma e não haverá exclusão do crime.

2.2 Erro sobre pessoa – error in persona

Previsto no §3º do art. 20 do Código Penal, o erro sobre a pessoa ocorre quando o agente quer
atingir uma pessoa específica, mas, por equívoco, acaba atingindo outra, pensando que era a
pretendida. O erro está na identificação da pessoa, e não na execução da ação em si. O agente
responde por sua intenção real, considerando, portanto, as características da vítima virtual (aquela
que ele pretendia atingir e não a que ele atingiu de fato).

Exemplo: O agente deseja matar um policial por vingança, mas confunde a pessoa e mata um
civil, acreditando ser o policial. Aplica-se a qualificadora de ter agido contra autoridade, pois era essa
a intenção.

2.3 Erro na execução – aberratio ictus

Regulado pelo art. 73 do Código Penal, o erro na execução acontece quando o agente se equivoca
na trajetória da ação, atingindo pessoa ou objeto diferente do pretendido, por falha no momento de
executar o ato, e não por erro de percepção.

A diferença aqui é que o erro surge durante a realização do ato, e não na fase mental de formação
da vontade. O agente sabia quem queria atingir, mas a execução da ação falha e o resultado recai
sobre outro.

Exemplo: O agente atira contra a vítima pretendida, mas ela se abaixa e o disparo atinge outra
pessoa que estava atrás. Ele erra na execução, e atinge pessoa diversa da desejada. Ainda assim, o
autor responderá pela pessoa que gostaria de ter atingido (vítima virtual) e não a que atingiu de
fato (vítima real).

2.4 Resultado diverso do pretendido – aberratio criminis

Previsto no art. 74 do Código Penal, ocorre quando o agente pretendia atingir um determinado bem
jurídico, mas, por erro ou acidente, acaba atingindo outro bem jurídico, de natureza diferente.
Diferente da aberratio ictus, em que o erro afeta quem é atingido, aqui o problema é o tipo de crime
praticado, que se torna diferente daquele que o agente planejou. Pode resultar na prática de dois
crimes (o pretendido e o efetivamente causado).

Exemplo: o agente deseja depredar um patrimônio público atirando uma pedra, porém, erra o
bem e acerta um pedestre que passeava no local, lesionando-o. Nesse contexto, ele responderá por
lesão corporal culposa. Por outro lado, se ele acerta o património público e, também, a pessoa,
responderá em concurso formal de crimes.

2.5 erro sobre o nexo causal

O agente acredita que o crime será consumado através da sua conduta, porém o delito se consuma
mediante outra circunstância. Nexo causal é o elemento de ligação entre a conduta do agente e o
resultado.

Exemplo: alguém empurra a vítima em uma via movimentada para que ela fosse atropelada pelo
carro de seu comparsa que vinha em alta velocidade. Porém, antes do outro criminoso atropelar a
vítima, um caminhão a atropela primeiro, levando ela a óbito. Dessa forma, o homicídio estará
consumado da mesma forma, ainda que haja erro sobre o nexo causal.

Ainda com dúvida? Assista: [Link]

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Caso queira aprofundar ainda mais, assista às dicas sobre o Erro de Tipo com o Prof. João Lucas
Souto G. M.: [Link]

DESCRIMINANTES PUTATIVAS

§ 1º - É ISENTO DE PENA quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o
fato é punível como crime culposo.

ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

ERRO SOBRE A PESSOA

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado NÃO ISENTA DE PENA. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão (mas sim) as da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime.

A escrita do artigo está um pouco confusa, mas significa o seguinte: o autor responde como se
tivesse atingido aquele que desejava atingir, por exemplo, se quer matar um idoso e atinge um
adulto de 30 anos, incidirá as causas de aumento de pena relativas ao idoso.

No Erro sobre os Elementos do Tipo, o sujeito ativo não sabe o que faz, por exemplo: uma pessoa
atira em um arbusto pensando ser um animal silvestre, porém quem está atrás do arbusto é seu
companheiro de caça. Isto é, o agente erra sobre o elemento do tipo “matar alguém”, porque
pensava estar matando um animal, não uma pessoa.

ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO

ART. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável (bizu: isto é, imperdoável, não há desculpa, indesculpável:
essa é a regra do CP). O erro sobre a ilicitude do fato:

a) se INEVITÁVEL, ISENTA de pena;

b) se EVITÁVEL, poderá DIMINUÍ-la de um sexto a um terço.

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude
do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência

COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA

ART. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente
ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

A coação moral irresistível e a obediência hierárquica à ordem não manifestamente ilegal são
tratadas como excludentes de culpabilidade na categoria de “inexigibilidade de conduta diversa”.
Quer dizer que, em certas situações, a lei reconhece que não se podia exigir que a pessoa agisse de
outro modo, pois ela se encontrava, de forma legítima, sob forte pressão psicológica (coação moral)

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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ou numa relação hierárquica em que a ordem recebida não aparentava ser ilegal. Se não havia como
resistir ou perceber a ilicitude, não seria justo puni-la.

Coação moral irresistível: O agente é obrigado a cometer o fato por uma ameaça tão grave e
imediata que torna impossível resistir (p. ex. risco à sua vida ou à vida de um familiar).

Obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal: O subordinado cumpre uma ordem
de um superior, que não apresenta sinais claros de ilicitude. Se a ilegalidade não é evidente, não se
pode exigir que o subordinado desobedeça.

Exemplo: imagine que um policial recebe do superior a ordem para realizar uma busca em
determinado local. Ele supõe que a ordem está embasada em mandado válido, não havendo nenhum
indício de irregularidade. Mais tarde, descobre-se que a busca foi feita sem fundamento legal.
Entretanto, como a ilegalidade não era óbvia, o policial cumpriu a ordem de boa-fé. Nesse caso,
pode-se reconhecer a inexigibilidade de conduta diversa, afastando-lhe a culpabilidade. Porém,
responderá o seu superior, isto é, o autor da coação ou da ordem.

Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP

Assinale a alternativa correta.

A) O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de


pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

B) Se o fato é cometido sob coação resistível, só é punível o autor da coação.

C) Se o fato é cometido em estrita obediência à ordem, ainda que manifestamente ilegal, de


superior hierárquico, só é punível o autor da ordem.

D) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado isenta de pena.

E) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e não permite a punição
por crime culposo, ainda que previsto em lei.

Gabarito Letra A.

EXCLUDENTES DE ILICITUDE
ART. 23 - NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica o fato:

I - em ESTADO DE NECESSIDADE;

II - em LEGÍTIMA DEFESA;

III - em ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL ou no EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO.

Bizu: Mnemônico = L.E.E.E

L egítima defesa

E stado de necessidade

E xercício regular do direito

E strito cumprimento do dever legal

Otávio Souza ∙ Método OBA ∙ @pmminas


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Bizu: o Código Penal define o que é legítima defesa, o que é estado de necessidade, mas não o faz
quanto ao exercício regular de direito e o estrito cumprimento do dever legal (essa informação foi
cobrada em prova, bastava saber que não há definição no CP para esses institutos), entenda-os:

Exercício regular do direito: é o caso dos lutadores de UFC que cometem lesões corporais
mútuas, porém estão sob o âmbito de um contrato jurídico o qual preceitua direitos e obrigações no
que tange ao espetáculo marcial. Pode-se dizer que eles não cometem crime por estarem em
exercício regular do direito. Logo, o Direito Penal não pode vedar o que é tolerado pelo ordenamento
jurídico pátrio.

Estrito cumprimento do dever legal: exemplo claro são os policiais que agem nos limites da
lei e causam lesão corporal para prender o indivíduo que resiste à prisão legal em flagrante de crime
(a depender da situação, os agentes também estariam amparados por legítima defesa). Outro, o
arrombamento e entrada forçada em residência para prender alguém, durante o dia, com mandado
judicial.

Excesso punível: quando a lei diz que o agente, mesmo agindo em legítima defesa (ou em outra
excludente de ilicitude), “responderá pelo excesso doloso ou culposo”, quer dizer que a pessoa só
está protegida pela lei enquanto utilizar a força dentro de limites razoáveis para se defender ou
proteger um direito. Se, porém, exceder o necessário — por exemplo, continuando a agredir o
agressor além do indispensável para cessar a ameaça —, agirá de forma exagerada e ilegal. Nesse
caso, esse “excesso” pode ser punido como crime doloso (quando a pessoa quis realmente ir além)
ou culposo (quando agiu por imprudência, negligência ou imperícia).

EXCESSO PUNÍVEL

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo EXCESSO doloso
ou culposo.

A exclusão de ilicitude só prevalece quando a reação do agente — além de proporcional — observa


a necessidade (emprego de meios estritamente indispensáveis), moderação (sem excesso doloso
ou culposo), e presença de elemento subjetivo adequado (animus defensivo ou de salvamento); se
qualquer desses requisitos faltar, o excesso descaracteriza a justificante e o fato volta a ser típico e
ilícito, respondendo o agente pelo excesso doloso ou culposo.

ESTADO DE NECESSIDADE (bizu: decore TUDO)

ART. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo ATUAL, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo (ex.: policiais,
bombeiros, agentes de segurança privada etc.)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a
dois terços.

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O Código Penal, segundo a doutrina majoritária adotou a teoria unitária para o Código Penal:

Teoria Unitária do Estado de Necessidade (CP): O Código Penal brasileiro adotou a teoria
unitária, de acordo com o entendimento majoritário na doutrina, consagra o estado de necessidade
somente como excludente da antijuridicidade, ou seja, justificante. Para isso o bem jurídico
protegido deve possuir valor igual ou maior ao bem jurídico sacrificado. Por outro lado, se o bem
sacrificado tiver valor superior ao protegido a conduta será típica, porém ocorrerá diminuição de
pena de 1/3 a 2/3 (minorante/causa de diminuição de pena). Isso está previso no art. 24, §2º, CP.

Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP

Assinale a alternativa correta em relação ao Código Penal

A) Considera-se praticado o crime no momento do resultado, ainda que outro seja o momento da
ação ou omissão.

B) Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento

C) Diz-se o crime tentado, quando, iniciada a execução, o agente, voluntariamente, desiste de


prosseguir ou impede que o resultado se produza.

D) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição
por crime culposo, ainda que não previsto em lei

E) Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

Gabarito Letra E.

LEGÍTIMA DEFESA

ART. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, ATUAL ou IMINENTE, a direito seu ou de outrem.

Bizu: o temo chave é “MODERADAMENTE” + “INJUSTA AGRESSÃO”, outra diferença é que, na


legítima defesa, o perigo pode ser ATUAL ou IMINENTE, enquanto no estado de necessidade ele
precisar ser atual e NÃO comporta a ideia de iminência.

Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em
legítima defesa o AGENTE DE SEGURANÇA PÚBLICA que repele agressão ou risco de agressão a vítima
mantida refém durante a prática de crimes (bizu: inovação óbvia e desnecessária do legislador, pois
trata-se da legítima defesa de terceiros a qual já era tutelada pelo Direito Penal).

Bizu: em regra, a legítima defesa só pode ser invocada quando a violência advém de um outro ser
humano. Não há legítima defesa contra ataques de animais (é a regra), isso é estado de
necessidade. Porém, configuraria Legítima Defesa contra o ataque de um animal que foi utilizado
como arma por uma pessoa.

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Exemplo: Alex dá o comando para seu cão de guarda, treinado, atacar Otávio com intuito de matá-
lo – nesse caso seria legítima defesa.

EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE
As causas excludentes da culpabilidade recebem como sinônimos as seguintes terminologias: EXCULPANTES,
DIRIMENTES ou EXIMENTES. Elas são assim agrupadas:

1. excludente de culpabilidade por AUSÊNCIA DE IMPUTABILIDADE;

Bizu: não confunda excludentes de culpabilidade (que são esses 3 itens) com excludentes de
imputabilidade (veremos no próximo tópico).

2. excludente de culpabilidade por AUSÊNCIA DE POTENCIAL CONHECIMENTO DA ILICITUDE;

Bizu: Excludentes da potencial consciência da ilicitude: erro de proibição inevitável, o erro de


proibição que exclui a atual consciência da ilicitude; a discriminante putativa, por erro de proibição
inevitável.

3. excludente de culpabilidade por INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA;

Excludentes da exigibilidade de conduta diversa: a coação moral irresistível; a obediência


hierárquica; a inexigibilidade de conduta diversa como causa supralegal de exclusão da
culpabilidade”2

Bizu: a coação física irresistível exclui a conduta, mais precisamente o dolo, portanto ela se insere
no primeiro substrato do crime: a TIPICIDADE e não na culpabilidade como a coação moral.

2
[Link] acessado em
27/12/2019 às 17:03.

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DA IMPUTABILIDADE PENAL

“A imputabilidade é constituída por dois elementos: um INTELECTUAL (capacidade de entender o caráter ilícito
do fato), OUTRO VOLITIVO (capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento). O primeiro é a
capacidade (genérica) de compreender as proibições ou determinações jurídicas. Bettiol diz que o agente deve poder
‘prever as repercussões que a própria ação poderá acarretar no mundo social’, deve ter, pois, ‘a percepção do
significado ético-social do próprio agir’. O segundo, a ‘capacidade de dirigir a conduta de acordo com o entendimento
ético-jurídico. Conforme Bettiol, é preciso que o agente tenha condições de avaliar o valor do motivo que o impele
à ação e, do outro lado, o valor inibitório da ameaça penal.”3

O Código Penal erigiu as hipóteses que, segundo critério político-legislativo, conduziriam à inimputabilidade do
agente, a saber:

I – Inimputabilidade por doença mental (viés psicológico);

II – Inimputabilidade por imaturidade natural (viés biológico).

EXCLUDENTES DE IMPUTABILIDADE

Bizu: são EXCLUDENTES DE IMPUTABILIDADE, mediante critério biopsicológico adotado pelo


ordenamento jurídico brasileiro:

1. doença mental que deixe o indivíduo inteiramente incapaz de entender a ilicitude do fato (CP,
art. 26);

2. desenvolvimento mental incompleto, desde que inteiramente incapaz de entender a ilicitude


do fato (CP, art. 26);

3. desenvolvimento mental retardado, , desde que inteiramente incapaz de entender a ilicitude


do fato (CP, art. 26);

4. embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, desde que inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato (CP, art. 28, § 1º);

5. menoridade - os menores de 18 anos (CP, art. 27, e CF, art. 228) → fator puramente
biológico.

A INIMPUTABILIDADE POR DOENÇA MENTAL

ART. 26 - É ISENTO DE PENA o agente que, por DOENÇA MENTAL ou desenvolvimento mental INCOMPLETO
ou RETARDADO, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Bizu: cuidado com o termo “inteiramente”, pois caso seja “parcialmente” incapaz ele não terá o
benefício da isenção de pena, mas sim redução (minorante = causa de redução de pena).

Os INTEIRAMENTE INCAPAZES de entender de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-


se de acordo com esse entendimento são considerados inimputáveis pelo Direito Penal.

3
TOLEDO, Franscisco de Assis. Princípios básicos de direito penal, p. 251.

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Ano: 2023 Banca: INSTITUTO AOCP

Preencha a lacuna e assinale a alternativa correta.

É ________________ o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou


retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

A) justificável

B) semi-imputável

C) atípico

D) isento de pena

E) indultável

Gabarito Letra D.

Parágrafo único - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, em virtude de
PERTURBAÇÃO DE SAÚDE MENTAL ou por desenvolvimento mental INCOMPLETO ou RETARDADO
NÃO ERA INTEIRAMENTE capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.

Bizu: observe que o parágrafo único acima, do art. 26 do CP, não é uma excludente de culpabilidade,
mas sim uma causa de redução de pena de 1/3 a 2/3 (também chamada de minorante).

A INIMPUTABILIDADE POR IMATURIDADE NATURAL

Ocorre em virtude de uma presunção legal, por escolha do examinador brasileiro por comandos de política criminal.
Assim, entende-se que os menores de 18 anos não gozam de plena capacidade de entendimento que torne possível
a imputação da prática de um fato típico e ilícito.

Menores de dezoito anos

Art. 27 do Código Penal - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos
às normas estabelecidas na legislação especial.

CUIDADO! OS ELEMENTOS NORMATIVOS ABAIXO NÃO EXCLUEM A IMPUTABILIDADE

ART. 28 - NÃO EXCLUEM A IMPUTABILIDADE PENAL:

I - a EMOÇÃO ou a PAIXÃO;

II - a EMBRIAGUEZ, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.

§ 1º - É ISENTO DE PENA o agente que, por EMBRIAGUEZ COMPLETA, proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (essa norma é um exemplo de
excludente de CULPABILIDADE).

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Atenção: caiu em concurso da PMMG (concurso semelhante), em 2025, através de um caso
hipotético:

“Calouro”, estudante de direito da Faculdade Mineira, durante a festa típica de ingresso na referida
entidade de ensino, denominada de “Calourada”, foi capturado por alguns estudantes da mesma
faculdade sob o pretexto de lhe aplicar um “trote universitário”. Durante tal feito, “Calouro” foi
imobilizado pelos seus colegas de faculdade e, de maneira forçada, foi compelido a ingerir grande
quantidade de bebida alcoólica, dos mais diversos tipos, vindo a se sentir mal em virtude do completo
nível de embriaguez. Ocorre que, alguns instantes após o fatídico, “Calouro”, enquanto se deslocava
para sua residência, avista quem acreditava ser sua namorada, indo ao encontro da moça com o
objetivo de beijá-la, não sendo o fato consumado pela interferência de terceiros que passavam pelo
local que o impediram de se aproximar da moça.

Resposta correta: independentemente do “Calouro” ter beijado ou não a moça que achava,
erroneamente, ser sua namorada, o fato seria isento de pena, tendo em vista que o autor estaria
amparado por causa EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE.

§ 2º - A pena pode ser REDUZIDA de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
caso fortuito ou força maior, NÃO possuía, ao tempo da ação ou da omissão, A PLENA CAPACIDADE de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Bizu: não confunda o “INTEIRAMENTE INCAPAZ” com o “NÃO POSSUÍA A PLENA


CAPACIDADE”, pois o primeiro isenta de pena, enquanto o segundo reduz a pena de 1/3 a 2/3.

São EXCLUDENTES DE IMPUTABILIDADE, mediante critério biopsicológico adotado pelo


ordenamento jurídico brasileiro:

1. doença mental que deixe o indivíduo inteiramente incapaz de entender a ilicitude do fato (CP,
art. 26);

2. desenvolvimento mental incompleto, desde que inteiramente incapaz de entender a ilicitude do


fato (CP, art. 26);

3. desenvolvimento mental retardado, , desde que inteiramente incapaz de entender a ilicitude do


fato (CP, art. 26);

4. embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, desde que inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato (CP, art. 28, § 1º);

5. menoridade - os menores de 18 anos (CP, art. 27, e CF, art. 228) → fator puramente biológico.

6* Fora do Código Penal há a dependência de substância entorpecente previsto no art. 45 da Lei


11.343/2006 “Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito,
proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão,
qualquer que tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”.

Ano: 2018 Banca: INSTITUTO AOCP

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Quanto à imputabilidade penal, assinale a alternativa correta.

A) Emoção e paixão excluem a imputabilidade.

B) João é usuário de crack e tem sua dependência atestada em laudo, portanto João é considerado
inimputável.

C) Eduardo, durante uma confraternização com seus amigos, fez uso de grande quantidade de
álcool e se envolveu em um acidente. Durante a perícia, foi atestado que o mesmo estava com sua
capacidade de determinação reduzida, portanto a pena do Eduardo pode ser reduzida de um a dois
terços.

D) Embriaguez completa e fortuita é causa excludente de imputabilidade.

E) Fernanda durante uma festa eletrônica teve, sem conhecimento, dois comprimidos de ecstasy
colocados em sua bebida, após sair do evento, dirigiu em alta velocidade e ao ultrapassar um sinal
vermelho, atropelou um ciclista. Fernanda pode ser considerada inimputável se for comprovado,
durante perícia médica, que a mesma era inteiramente incapaz de entender ou de determinar
durante a ação.

Gabarito Letra E.

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DAS PENAS
CAPÍTULO I - DAS ESPÉCIES DE PENA

ART. 32 - AS PENAS SÃO:

I - privativas de LIBERDADE;

II - restritivas de DIREITOS;

III - de MULTA;

Atenção: o art. 32 já caiu várias vezes em provas policiais.

Bizu: o Código Penal adotou 3 ESPÉCIES DE PENAS, porém, em outros diplomas legais, por
exemplo a Constituição Federal de 1988, é possível observar outras modalidades:

Art. 5º da CF/88 (...)

XLVI - a lei regulará a individualização da PENA e adotará, entre outras, as seguintes:

a) privação ou restrição da liberdade;

b) perda de bens;

c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos;

XLVII - não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;

b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados;

d) de banimento;

e) cruéis;

Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-ES Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES
- Escrivão de Polícia

Em relação às espécies de penas aplicadas pelo Direito Penal, tem-se

A) privativa de liberdades; restritivas de direitos e de multa.

B) privativa de liberdades e de multa.

C) privativa de liberdade; restritiva de direitos; cesta básica e de multa.

D) privativa de liberdade; trabalho forçado e de cesta básica

E) privativa de liberdade e restritivas de direito.

Gabarito Letra A.

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SEÇÃO I - DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE

RECLUSÃO E DETENÇÃO

ART. 33 - A pena de RECLUSÃO deve ser cumprida em REGIME FECHADO, SEMIABERTO OU ABERTO. A de
DETENÇÃO, em REGIME SEMIABERTO, OU ABERTO, salvo necessidade de transferência a regime fechado.

§ 1º - Considera-se:

a) REGIME FECHADO a execução da pena em estabelecimento de segurança MÁXIMA OU


MÉDIA;

b) REGIME SEMIABERTO a execução da pena em COLÔNIA AGRÍCOLA, industrial OU


estabelecimento similar;

c) REGIME ABERTO a execução da pena em CASA DE ALBERGADO OU estabelecimento


adequado.

§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito
do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:

a) o condenado a pena SUPERIOR a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime


FECHADO;

b) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime SEMIABERTO;

c) o condenado NÃO REINCIDENTE, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em REGIME ABERTO.

Atenção: o art. 33 despenca nas provas, decore-o!

Bizu: e se o condenado for reincidente e a pena for igual ou inferior a 4 anos? Súmula 269-
STJ: É admissível a adoção do regime prisional SEMIABERTO aos reincidentes condenados a pena
igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.

§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios
previstos no art. 59 deste Código.

FIXAÇÃO DA PENA

ART. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do


agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para REPROVAÇÃO e PREVENÇÃO do
crime (bizu: dupla função da pena – reprovar e prevenir):

§ 4o O condenado por crime contra a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA terá a progressão de regime do


cumprimento da pena CONDICIONADA à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do
ilícito praticado, com os acréscimos legais.

Atenção: o parágrafo 4º do art. 33 já caiu em provas policiais.

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REGRAS DO REGIME FECHADO

ART. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de classificação
para individualização da execução.

§ 1º - O condenado fica sujeito a TRABALHO no período DIURNO e a ISOLAMENTO durante o repouso


NOTURNO.

§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações


anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena.

§ 3º - O trabalho EXTERNO é ADMISSÍVEL no regime FECHADO, em serviços ou obras PÚBLICAS.

Atenção: o parágrafo 3º do art. 34 já caiu em provas policiais.

REGRAS DO REGIME SEMIABERTO

ART. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código (bizu: exame criminológico), caput, ao condenado que inicie
o cumprimento da pena em regime semiaberto.

§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em COMUM durante o período DIURNO, em colônia agrícola,
industrial ou estabelecimento similar.

§ 2º - O trabalho EXTERNO é admissível, bem como a frequência a cursos supletivos profissionalizantes,


de instrução de segundo grau ou superior.

REGRAS DO REGIME ABERTO

ART. 36 - O regime aberto baseia-se na AUTODISCIPLINA e senso de responsabilidade do condenado (bizu:


cai bastante em prova).

§ 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e SEM vigilância, trabalhar, frequentar curso ou


exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período NOTURNO e nos dias de
FOLGA.

§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime doloso, se
frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente aplicada.

Aprofundando: SÚMULA 716 do STF - admite-se a progressão de regime de cumprimento da


pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, ANTES do trânsito em
julgado da sentença condenatória. Em regra, não se pode pular do regime fechado para o aberto, é
preciso seguir a ordem dos regimes fechado → semiaberto → aberto (há exceção na lei de
organizações criminosas). Por outro lado, é possível regredir per saltum, ou seja, sair do regime
aberto, direto para o regime fechado. O que é vedado é o progredir de regimes per saltum.

REGIME ESPECIAL

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ART. 37 - As MULHERES cumprem pena em estabelecimento próprio (bizu: separado dos homens),
observando-se os deveres e direitos inerentes à sua condição pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste
Capítulo.

Aprofundando: na ADPF 527 o Ministro do STF, Barroso, autorizou que presas transexuais e
travestis com identidade de gênero feminino tenham direito a optar por cumprir penas em
presídio feminino ou masculino, no qual serão mantidas em área reservada, como garantia de
segurança.

DIREITOS DO PRESO

ART. 38 - O preso conserva TODOS os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas as
autoridades o respeito à sua integridade física e moral.

TRABALHO DO PRESO

ART. 39 - O trabalho do preso será SEMPRE remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social.

LEGISLAÇÃO ESPECIAL

ART. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código (direitos do preso e
trabalho do preso), bem como especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e transferência
dos regimes e estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes sanções.

SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL

ART. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental DEVE ser recolhido a hospital de custódia e tratamento
psiquiátrico OU, à falta, a outro estabelecimento adequado.

DETRAÇÃO

ART. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória,
no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos
no artigo anterior.

DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS


ART. 43. As penas RESTRITIVAS DE DIREITOS são:

I - prestação pecuniária;

II - perda de bens e valores;

III - limitação de fim de semana.

IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;

V - interdição temporária de direitos;

VI - limitação de fim de semana.

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Ano: 2016 Banca: UFMT Órgão: TJ-MT Prova: UFMT - 2016 - TJ-MT - Técnico Judiciário

NÃO é Pena Restritiva de Direito, em conformidade com o Decreto Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro
de 1940, Código Penal:

A) Prestação pecuniária.

B) Prestação de serviço à comunidade.

C) Interdição temporária de direitos.

D) Detenção.

Gabarito Letra D.

ART. 44. As penas restritivas de direitos são AUTÔNOMAS e SUBSTITUEM AS PRIVATIVAS DE LIBERDADE,
quando: (REQUISITOS)

I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime NÃO for cometido
com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for
CULPOSO;

II – o réu não for REINCIDENTE em crime DOLOSO;

III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem


como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.

§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena
restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.

§ 3o Se o condenado for reincidente, o JUIZ PODERÁ aplicar a substituição, desde que, em face de
condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em
virtude da prática do mesmo crime.

Bizu: o § 3o é exceção ao inciso II deste artigo, perceba que é uma faculdade do juiz “poderá”.

§ 4o A pena restritiva de direitos CONVERTE-SE em privativa de liberdade quando ocorrer o


descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar
será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de
detenção ou reclusão.

§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL
decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena
substitutiva anterior.

CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS

ART. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47
e 48.

§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a


entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um)
salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do
montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários.

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§ 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir
em prestação de outra natureza.

§ 3o A PERDA DE BENS E VALORES pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação


especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o montante
do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequencia da prática do
crime.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS

ART. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a
seis meses de privação da liberdade.

§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas


gratuitas ao condenado.

§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos


e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais.

§ 3o As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser
cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a
jornada normal de trabalho.

§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em
menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.

INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS

ART. 47 - As penas de INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS são:

Bizu: NÃO confundir com o gênero “Penas Restritivas de Direito”, afinal esta modalidade é uma
espécie desse gênero – art. 43

I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;

II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de


licença ou autorização do poder público;

III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.

IV – proibição de frequentar determinados lugares.

V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos.

LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA

ART. 48 - A LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos,
por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado.

Bizu: quando a questão apresentar o termo ”casa de albergado”, lembre-se do regime aberto (sobre
as pena privativa de liberdade).

Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado CURSOS E PALESTRAS
ou atribuídas atividades educativas.

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DA PENA DE MULTA
ART. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada
em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa.

§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário-
mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário.

§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária.

PAGAMENTO DA MULTA

ART. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença. A
requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em
parcelas mensais.

§ 1º - A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do condenado


quando:

a) aplicada isoladamente;

b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos;

c) concedida a suspensão condicional da pena.

§ 2º - O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua
família.

CONVERSÃO DA MULTA E REVOGAÇÃO

ART. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o JUIZ DA EXECUÇÃO
PENAL e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive
no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.

Bizu: o art. 51 faz a determinação de que o juiz da execução penal é o competente para execução
da pena de multa.

SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA MULTA

ART. 52 - É SUSPENSA a execução da pena de multa, se sobrevém ao condenado DOENÇA MENTAL.

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PARTE ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL

CRIMES CONTRA A PESSOA

Bizu: Nesse item do Edital a dica é LER, RELER e fazer exercícios o maior número de vezes
possíveis, pois não há segredos ou nada muito complexo, trata-se, em regra, de MEMORIZAÇÃO
dos tipos penais. Para isso, verticalizaremos em mecanismos de estudo ativo, para que você
consiga evocar a memória e consolidá-la (principalmente nas missões de questões da Mentoria OBA,
mediante casos hipotéticos).

Além disso, você deve atentar aos detalhes de verbos dos tipos, atenuantes, agravantes e
qualificadoras dos principais crimes, como: homicídio, aborto, furto, roubo, extorsão, crimes contra
a administração pública, lesões corporais etc.

Os exercícios e os bizus deste documento PDF vão te direcionar e aprofundar no que é mais
recorrente e que merecem uma maior atenção ou aprofundamento.

CAPÍTULO I - DOS CRIMES CONTRA A VIDA


HOMICÍDIO SIMPLES

ART. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

HOMICÍDIO PRIVILEGIADO

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o DOMÍNIO
de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um
sexto a um terço. (Bizu: “sob o domínio”, a banca costuma trocar por “sob influência”, o que torna a
questão errada).

Bizu: o homicídio privilegiado é uma causa de redução de pena no homicídio (minorante). Ademais,
o texto diz: “SOB O DOMÍNIO”, a banca costuma trocar por “sob influência”, o que torna a questão
errada, pois sob domínio é algo mais intenso que sob influência.

O homicídio privilegiado é compatível apenas com as qualificadoras de ordem objetiva. Isso quer
dizer que há homicídio qualificado-privilegiado, desde que a qualificadora seja de ordem OBJETIVA
(aquelas que dizem respeito ao modo e meio de execução e ao crime em geral, não à motivação do
crime).

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Ademais, o dolo eventual também é compatível com as qualificadoras objetivas do delito de
homicídio.

HOMICÍDIO QUALIFICADO:

§ 2° Se o HOMICÍDIO é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (bizu: qualificadora
de ordem subjetiva);

II - por motivo fútil (bizu: qualificadora de ordem subjetiva);

III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum (bizu: qualificadora de ordem objetiva);

IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou


torne impossível a defesa do ofendido (bizu: qualificadora de ordem objetiva);

V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime (bizu:


mnemônico = V.O.E.I - qualificadora de ordem subjetiva):

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

HOMICÍDIO FUNCIONAL – Bizu: tecnicamente é uma QUALIFICADORA do crime de homicídio.

A finalidade do art. 121, § 2º, inciso VII (Homicídio Funcional) é garantir uma proteção reforçada
ao Estado e às suas funções essenciais, por meio da tutela da vida de seus agentes e de seus
familiares.

O ponto mais testado em provas sobre essa qualificadora abaixo é o nexo funcional:

"Em decorrência dela": Refere-se ao homicídio que ocorre por causa da função, mas não
necessariamente durante sua execução. É a típica vingança. Exemplo: um ex-presidiário mata o
juiz que o condenou anos atrás.

"Em razão dessa condição" (para os familiares): Aqui, a lei exige que o crime contra o parente
seja motivado exclusivamente pela função do agente público. O objetivo do criminoso é atingir o
agente de forma indireta. Exemplo: matar o filho de um promotor para se vingar do pai. Se o
motivo do crime contra o parente for outro (uma briga de trânsito, por exemplo), a qualificadora
não se aplica.

VII – CONTRA:

<Alteração 2025>

a) autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,


integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da FUNÇÃO ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente CONSANGUÍNEO até o terceiro grau, em razão DESSA CONDIÇÃO;

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

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PEGADINHA: o parente precisa ser consanguíneo, isto é, “do mesmo sangue”,
logo matar filhos adotivos, enteados e parentes por afinidade NÃO configura a
qualificadora (absurdo, atecnia jurídica, mas cai em provas, inclusive caiu na PCAL
em 2021).

<Alteração 2025>

b) membro do PODER JUDICIÁRIO, do MINISTÉRIO PÚBLICO, da DEFENSORIA


PÚBLICA ou da ADVOCACIA PÚBLICA, de que tratam os arts. 131 e 132 da Constituição
Federal, ou OFICIAL DE JUSTIÇA, no exercício da FUNÇÃO ou em decorrência dela, ou
contra seu cônjuge, companheiro ou parente, INCLUSIVE POR AFINIDADE, até o
terceiro grau, em razão DESSA CONDIÇÃO;

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

PEGADINHA: na alínea “b”, diferentemente da alínea “a”, há a expressão


“inclusive por afinidade” (isso será alvo de questões de prova, ainda mais a sua
banca que ama blindar a questão com a literalidade da lei).

Segundo Rogério Sanches, essa qualificadora não atinge os SERVIDORES


(exceto os oficiais de justiça), mas tão somente os MEMBROS do Poder Judiciário,
Ministério Público, Defensoria Pública ou Advocacia Pública, mas somente os
“MEMBROS”. Portanto, um homicídio contra um oficial de promotoria, por exemplo,
não será qualificado pela alínea “b” acima.

HOMICÍDIO COM ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO OU PROIBIDO

VIII - com emprego de ARMA DE FOGO de uso RESTRITO ou PROIBIDO:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Bizu: observe que, para configurar a qualificadora exige-se a elementar normativa arma de fogo de
uso RESTRITO ou PROIBIDO que inclusive é crime hediondo. Portanto, armas de fogo de uso
permitido não qualificará o delito. Ademais, trata-se de qualificadora de ordem objetiva por estar
ligada ao modo de execução do homicídio, mas não aos elementos motivadores desse crime
(compatível com o homicídio privilegiado). É uma norma penal em branco, porque o que define o
que é arma de fogo de uso restrito ou proibido é o Decreto 9.847/2019.

HOMICÍDIO CONTRA MENORES DE 14 ANOS

IX - contra MENOR de 14 (quatorze) anos:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

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Bizu: o § 2º-B abaixo preceitua CAUSAS DE AUMENTO DE PENA para a qualificadora do
homicídio quando cometido contra menor de 14 anos. Parece confuso um homicídio
qualificado poder ter, ao mesmo tempo, causas de aumento de pena as quais serão
analisadas na terceira fase da dosimetria da pena. Isso também ocorre com o feminicídio.
Preste bastante atenção, porque é inovação jurídica fruto de casos midiáticos, portanto
certamente caiará nas próximas provas.

X - nas dependências de INSTITUIÇÃO DE ENSINO:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Bizu: A expressão "nas dependências de instituição de ensino" se refere a toda a área física,
interna ou externa, que está sob a administração e responsabilidade da entidade
educacional. Não se limita, de forma alguma, apenas à sala de aula.

Aprofundando: nos casos em que a vítima for menor de 14 anos e nas dependências de
instituição de ensino, aplica-se o inciso IX (vítima menor de 14 anos + causa de aumento de
pena do 2º-B, III, “ambiente escolar → instituição de educação básica pública ou privada”)

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA PARA HOMICÍDIO CONTRA MENOR DE 14 ANOS

§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 anos é AUMENTADA (majorante) de:

I - 1/3 (um terço) até a ½ metade se a vítima é pessoa com DEFICIÊNCIA ou com DOENÇA
que implique o aumento de sua vulnerabilidade;

Bizu: o autor precisa saber que a vítima é portadora de deficiência ou doença que implica
aumento da vulnerabilidade, por vedação à responsabilidade penal objetiva (aquela que a lei
determina que o agente responda pelo resultado ainda que agindo com ausência de dolo ou
culpa).

II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima OU por qualquer outro título
tiver autoridade sobre ela (é uma majorante / causa de aumento de pena).

Bizu: não precisa decorar todos, apenas entender que toda e qualquer pessoa que exerça
autoridade sobre o menor de 14 anos e for o autor do homicídio responderá pelo homicídio
qualificado com causa de aumento de pena (majorante) de 2/3. Veja que há uma cláusula
genérica “qualquer outro”, portanto, rol exemplificativo.

Bizu: o homicídio contra menor de 14 anos é hediondo conforme previsão legal na lei n.
8.072/90: Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio,


ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I,
II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX).

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<2024> III - 2/3 (dois terços) se o crime for praticado em INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO
básica pública ou privada.

Bizu: Causa de aumento de pena (majorante) incluída pela lei 14.811/24 que institui
medidas de proteção à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos
educacionais ou similares.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA PARA HOMICÍDIO EM AMBIENTE ESCOLAR

<Alteração 2025> § 2º-C. A pena do homicídio cometido nas DEPENDÊNCIAS DE INSTITUIÇÃO DE


ENSINO é AUMENTADA de (causas específicas de aumento de pena → majorantes):

I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com DEFICIÊNCIA ou com doença que
acarrete CONDIÇÃO LIMITANTE ou de vulnerabilidade FÍSICA ou MENTAL;

II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro
título tem AUTORIDADE sobre ela ou, ainda, se é professor ou funcionário da instituição de
ensino.

Bizu: para organizar o raciocínio, pense em uma escala de reprovabilidade:

Degrau 1 (Crime Base): Homicídio.

Degrau 2 (Aumento Base do § 2º-C): Homicídio em ambiente escolar → a punição


aumenta em razão do LOCAL do crime.

Degrau 3 (Aumento do Inciso I): Homicídio na escola contra vítima com deficiência → a
punição aumenta em razão da CONDIÇÃO ESPECIAL DA VÍTIMA.

Degrau 4 (Aumento do Inciso II): Homicídio na escola praticado por quem deveria
proteger a vítima → a punição é a mais alta em razão da RELAÇÃO DE CONFIANÇA E
AUTORIDADE entre autor e vítima.

HOMICÍDIO CULPOSO

§ 3º Se o homicídio é CULPOSO (bizu: quando há imprudência, negligência ou imperícia):

Pena - detenção, de um a três anos.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA NO HOMICÍDIO CULPOSO:

1. § 4o NO HOMICÍDIO CULPOSO, A PENA É AUMENTADA de 1/3 (um terço), se o crime resulta de


inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato
socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em
flagrante.

Bizu: 4 possibilidades aqui previstas enquanto causas de aumento de pena para o


homicídio CULPOSO:

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1) o delito resulta de não observação de regra técnica de profissão, arte ou ofício;

1) agente deixar de prestar imediato socorro à vítima;

2) autor não procura diminuir as consequência do seu ato;

3) autor foge para evitar prisão.

2. § 4o Sendo DOLOSO o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado
contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.

Bizu: atentar-se para essas causas de aumento de pena, as demais são qualificadoras do crime de
homicídio doloso. São causas de aumento de pena no HOMICÍDIO SIMPLES:

1. praticado contra menor de 14 ou maior de 60 anos: essa causa de aumento de pena,


majorante, não é mais aplicável aos menores de 14 anos, porque quando for menor de 14 anos
passa a ser uma qualificadora que foi introduzida pela Lei Henry Borel em 2022. Porém, segue sendo
aplicada aos maiores de 60 (idosos).

2. praticados por MILÍCIA PRIVADA (§ 6o do art. 121) (caiu no CFO/PMMG 2018).

§ 5º Na hipótese de HOMICÍDIO CULPOSO, o juiz PODERÁ DEIXAR DE APLICAR A PENA, se as


consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne
DESNECESSÁRIA.

Um exemplo clássico ― frequentemente citado na doutrina e também reconhecido em decisões


judiciais ― é o caso do pai que, ao manobrar seu automóvel na garagem de casa, não percebe a
presença de seu filho pequeno atrás do veículo e o atropela acidentalmente, ocasionando-lhe a
morte. Trata-se de homicídio culposo (por imprudência), pois o pai não tinha a intenção de matar,
mas deixou de adotar o cuidado objetivo necessário (verificar se havia alguém atrás do carro).

No entanto, as consequências desse fato para o agente (o pai) são tão trágicas e devastadoras do
ponto de vista emocional e psicológico que a imposição de uma pena criminal se tornaria
desnecessária, dado o intenso sofrimento já suportado por ele. Com base no art. 121, § 5º, do
Código Penal brasileiro, o juiz, diante da gravidade das consequências experimentadas pelo próprio
agente, pode deixar de aplicar a pena (perdão judicial).

Em termos doutrinários, autores como Rogério Greco, Nucci e Capez apontam que se trata de
uma “sanção natural” ou “sofrimento natural” sofrido pelo infrator em decorrência de seu próprio
ato, que dispensa (ou torna prescindível) a punição estatal formal. Jurisprudencialmente, diversos
tribunais reconhecem a aplicação dessa faculdade (isto é, não uma obrigação, mas uma possibilidade
conferida pela lei ao julgador) quando configurados os requisitos legais: homicídio culposo,
consequências extremamente gravosas ao próprio agente e certeza de que a pena adicional não
cumpriria função preventiva ou retributiva relevante.

Ano: 2017 Banca: INSTITUTO AOCP

Acerca dos crimes contra a pessoa, disciplinados no Código Penal, assinale a alternativa correta.

A) São crimes contra a pessoa: o homicídio, o infanticídio, o aborto e o latrocínio.

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B) A pena mínima do infanticídio é maior do que a pena mínima do homicídio simples doloso.

C) Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se as consequências da


infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

D) O aborto com consentimento é sempre permitido até o terceiro mês da gestação.

Gabarito Letra C.

§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por MILÍCIA
PRIVADA, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio

FEMINICÍDIO

Bizu: a partir de 2024, por força da Lei 14.994/24 o crime de feminicídio deixou de ser uma
qualificadora e passou a ser um crime autônomo. Ademais, guarde as seguinte alterações
correlatas4:

1. O feminicídio passa a ser crime autônomo. A pena de reclusão aumenta e passa a ser de 20 a 40
anos. Acaba com a convivência da figura privilegiada do homicídio e com a incidência da qualificadora
do motivo fútil ou torpe.

2. Passa a ser automática para o condenado, a incapacidade para o exercício do poder familiar e a
perda de cargo ou mandato eletivo ou proibição de futura nomeação em função pública (desde a
condenação em definitivo até o fim da pena).

3. O crime de ameaça terá a pena aplicada em dobro se cometido contra a mulher por razões da
condição do sexo feminino e a ação penal NÃO dependerá de representação da ofendida.

4. Crimes de injúria, calúnia e difamação praticados por razões da condição do sexo feminino terão
a pena aplicada em dobro.

5. Na contravenção penal de vias de fato, quando praticada contra a mulher por razões da condição
do sexo feminino, a pena será aumentada do triplo.

6. Na Lei Maria da Penha, a pena para o crime de descumprimento de medida protetiva passa a ser
de 2 a 5 anos de reclusão e multa.

7. Caso um presidiário ou preso provisório por crime de violência doméstica ou familiar ameaçar ou
praticar novas violências contra a vítima ou seus familiares durante o cumprimento da pena, ele será
transferido para presídio distante do local de residência da vítima.

ART. 121-A. Matar MULHER POR RAZÕES DA CONDIÇÃO DE SEXO FEMININO:

Pena – reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos.

Bizu: Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:

I - violência doméstica e familiar;

II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

4
[Link] Acesso em: 06/01/24.

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Outro detalhe: imagine que o feminicídio seja contra uma menor de 14 anos, qual qualificadora irá
incidir? As duas, isto é, um homicídio qualificado por 2 circunstâncias, onde uma servirá como
qualificadora e a outra incidirá na fixação da pena base, ou, eventualmente, como agravante a
depender do caso analisado pelo magistrado.

§ 1º A Considera-se que há RAZÕES DE CONDIÇÃO DE SEXO FEMININO quando o crime envolve:

I - violência DOMÉSTICA e FAMILIAR;

II - menosprezo ou discriminação à CONDIÇÃO DE MULHER.

<2024> § 2º A pena do FEMINICÍDIO é AUMENTADA de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado:

I - DURANTE A GESTAÇÃO ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto ou se a vítima é a mãe


ou a responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência de qualquer idade;

II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência
ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade
física ou mental;

Bizu: não confundir com a qualificadora do homicídio “homicídio contra menor de 14


(quatorze) anos”. No inciso II acima há feminicídio com a majorante de 1/3 até 1/2 (deixando
a pena mais intensa, isto é, pena base de 20 a 40 + causa de aumento de pena 1/3 a 1/2).

III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da VÍTIMA

Bizu: as bancas trocam o termo “da vítima” por “do autor”. Fique atento, pois é descendente
ou ascendente da VÍTIMA, a mulher que sofre a ação do sujeito ativo do crime de feminicídio.

IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III


do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.

Bizu: são estas as MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA:

Art. 22 da Lei n. 11.340/06 (Lei Maria da Penha): constatada a prática de violência doméstica
e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao
agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência,
entre outras:

I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão


competente, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003;

II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;

III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:

a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo


de distância entre estes e o agressor;

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b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de
comunicação;

c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica


da ofendida;

(...)

V – nas circunstâncias previstas nos incisos III, IV e VIII do § 2º do art. 121 deste Código.

Bizu: são elas:

III. com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;

IV. à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou


torne impossível a defesa do ofendido;

VIII. com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.

Cuidado: essas situações acima qualificam o homicídio, porém, nos casos de feminicídio
elas são majorantes. Guarde que não existe nenhuma qualificadora do crime de
feminicídio, apenas causas de aumento (majorantes).

COAUTORIA NO CRIME DE FEMINICÍDIO:

§ 3º Comunicam-se ao coautor ou partícipe as circunstâncias pessoais elementares do crime previstas no §


1º deste artigo

Bizu: isso significa que os coautores ou partícipes responderão pelo feminicídio, em razão da
comunicação da elementar do tipo penal “em razão da condição do sexo feminino”. Isso pode
vir em formato de caso hipotético para você indicar as condutas dos agentes.

INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO

Bizu: <ALTERADO EM 2019> - NÃO foi uma alteração feita pelo pacote anticrime, foi promovida
pela lei nº 13.968 de 2019 que alterou apenas o art. 122 do CP, introduzindo a ideia de automutilação
e qualificadoras e causas de aumento de pena. Lembre-se que o art. 122 abaixo é um crime contra
a vida e quando doloso será de competência do tribunal do júri.

ART. 122. Induzir ou instigar alguém a SUICIDAR-SE ou a praticar AUTOMUTILAÇÃO ou prestar-lhe auxílio
material para que o faça:

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

Bizu: Para fins de compreensão no contexto do art. 122 do Código Penal:

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Induzir é “fazer nascer” na vítima a ideia de suicídio ou de automutilação. Significa que a pessoa
não cogitava essa possibilidade, mas, por interferência do agente, passa a considerá-la.

Instigar, por outro lado, é “reforçar” um pensamento já existente. Nesse caso, a vítima já tinha
a intenção de suicidar-se ou de praticar automutilação, e o agente, sabendo disso, estimula,
incentiva ou encoraja a consumação do ato.

<QUALIFICADORA> § 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de


natureza GRAVE ou GRAVÍSSIMA, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

<QUALIFICADORA> § 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta MORTE:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

<CAUSA DE AUMENTO> § 3º A pena é DUPLICADA:

I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil;

II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

<CAUSA DE AUMENTO> § 4º A pena é aumentada até o DOBRO se a conduta é realizada por meio da
rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real.

<CAUSA DE AUMENTO> § 5º Aplica-se a pena em DOBRO se o autor é LÍDER, COORDENADOR ou


ADMINISTRADOR de grupo, de comunidade ou de rede virtual, ou por estes é responsável.

Bizu: Causa de aumento de pena incluída pela lei 14.811/2024 que institui medidas de proteção
à criança e ao adolescente contra a violência nos estabelecimentos educacionais ou similares.

§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em LESÃO CORPORAL de natureza GRAVÍSSIMA
e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código.

Bizu: Um exemplo que ilustra o § 6º acima é o de um cuidador que, em casa, induz ou instiga uma
criança de 10 anos (menor de 14 anos) a automutilação ou ao suicídio e isso lhe cause deformidade
permanente, caracterizando lesão corporal de natureza gravíssima (inciso IV do art. 129 do CP).

Pela regra do § 6º, se o crime for praticado contra menor de 14 anos ou contra pessoa que não
possui discernimento ou capacidade de resistência, o agente responde diretamente por lesão
corporal (art. 129) e não induzimento ou instigação ao suicídio ou automutilação (art. 122). A lei
agrava o tratamento jurídico justamente por reconhecer a maior vulnerabilidade dessas vítimas.

§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou
contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa,
não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de HOMICÍDIO, nos termos do art. 121 deste
Código.

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Bizu: por outro lado, quando resultar em morte do menor de 14 anos ou pessoa que não possui
discernimento ou capacidade de resistência, o agente responderá por homicídio doloso (art. 121) e
não induzimento ou instigação ao suicídio ou automutilação (art. 122).

INFANTICÍDIO

ART. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

Pena - detenção, de dois a seis anos.

Bizu: é um crime de autoria própria: precisa ser a MÃE (condição elementar de ordem objetiva).
Além disso há os requisitos de a mãe estar sob efeito do estado puerperal, precisa ser contra o
próprio filho e durante o parto ou logo após. Cuidado, são muitos requisitos e as pegadinhas
são comuns.

ABORTO PROVOCADO PELA GESTANTE OU COM SEU CONSENTIMENTO

ART. 124 - Provocar aborto em si mesma OU consentir que outrem lho provoque:

Pena - detenção, de um a três anos.

Bizu: o crime de aborto é uma exceção à TEORIA MONISTA, pois diferentes agentes podem
responder por diferentes tipos penais, a regra no Código Penal brasileiro é que todos aqueles que
concorrem para o crime respondam pelo mesmo tipo penal, lembre-se do art. 29 do CP:

“Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.”

Ano: 2023 Banca: INSTITUTO AOCP

Uma mulher jovem, 20 anos de idade, com intenção de esconder a gravidez dos familiares, expulsa
o concepto dolosamente do seu ventre na 25° semana de gestação. Perante a lei, como essa situação
é caracterizada?

A) Não é crime devido ao estado puerperal da mulher

B) Não se pode qualificar como crime antes de uma avaliação psiquiátrica da mulher.

C) Crime de infanticídio.

D) Crime de homicídio.

E) Crime de aborto.

ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO

ART. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

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ART. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior (ART. 125, sem consentimento da gestante), se a
gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido
mediante fraude, grave ameaça ou violência.

FORMA QUALIFICADA DO ABORTO

ART. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência
do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

Bizu: De acordo com a maior parte da doutrina, o dispositivo do art. 127 do Código Penal configura
causa de aumento (majorante) de pena, e não propriamente uma qualificadora. Isso porque,
textualmente, ele determina que as penas cominadas nos arts. 124 a 126 sejam “aumentadas de
um terço” ou “duplicadas” caso sobrevenha lesão corporal grave ou morte da gestante.

ART. 128 - NÃO SE PUNE O ABORTO PRATICADO POR MÉDICO:

*ABORTO NECESSÁRIO

I - se NÃO há outro meio de salvar a vida da gestante;

*ABORTO NO CASO DE GRAVIDEZ RESULTANTE DE ESTUPRO

II - se a gravidez resulta de ESTUPRO E o aborto é precedido de CONSENTIMENTO da gestante


ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Bizu: Atualmente, no ordenamento jurídico brasileiro, o aborto não é punido:

1. Aborto necessário (terapêutico) para salvar a vida da gestante, se não há outro meio
de evitar o risco de morte (art. 128, I, do Código Penal);

2. Aborto em caso de gravidez resultante de estupro (sentimental), desde que a


gestante ou seu representante legal autorize a intervenção (art. 128, II, do Código Penal);

3. Aborto em caso de anencefalia do feto, conforme entendimento do Supremo Tribunal


Federal (STF) na ADPF 54 (2012), que considerou não constituir crime a interrupção da
gestação de feto comprovadamente anencéfalo, em razão da inviabilidade de vida
extrauterina.

DAS LESÕES CORPORAIS


LESÃO CORPORAL LEVE

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Bizu: os concursos policiais gostam bastante e caiu na PPMG em 2021, no seguintes termos:

Maristela, integrante do Conselho Penitenciário, é espancada por Roberval, parente de um detento,


em virtude da função pública por ela exercida. No evento, a vítima perde a visão de um dos olhos,
mantendo-se íntegra a visão do outro. É correto afirmar que Roberval praticou crime de:

A) lesão corporal grave

B) lesão corporal gravíssima

C) lesão corporal grave majorada

D) lesão corporal gravíssima majorada

Gabarito Letra C, porque ela não perdeu completamente a função da visão, caso fossem os 2 olhos,
aí sim seria gravíssima. É majorada, porque incide a causa de aumento do § 12 → lesão praticada
contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da CF/88.

ART. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE – decore!

§ 1º Se resulta:

I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

II - perigo de vida;

III - DEBILIDADE permanente de membro, sentido ou função (bizu: debilidade = redução,


prejuízo);

IV - aceleração de parto (bizu: diferente de aborto que é lesão corporal gravíssima):

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

Bizu: lesão corporal GRAVE = [Link]

PErigo de vida;

Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

Debilidade permanente de membro, sentido ou função;

Aceleração de parto.

LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVÍSSIMA – decore!

§ 2° Se resulta:

I - Incapacidade permanente para o trabalho;

II - Enfermidade incurável (bizu: HIV, por exemplo);

III PERDA ou INUTILIZAÇÃO do membro, sentido ou função

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Bizu: diferente da debilidade que apenas reduz a capacidade (lesão grave), aqui há a perda
ou inutilização. Fato interessante é que se um indivíduo perder algum dedo qualquer, em
regra, é lesão corporal leve. Porém, caso ele perca o dedão ou o indicador a lesão será
gravíssima por perder a função da “pinça”;

IV - DEFORMIDADE permanente (bizu: não confundir com debilidade);

V - ABORTO:

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE (bizu: espécie de crime PRETERDOLOSO)

§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente NÃO QUIS O RESULTADO, nem assumiu
o risco de produzi-lo:

Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

DIMINUIÇÃO DE PENA

§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o DOMÍNIO
de VIOLENTA emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode REDUZIR A PENA de
um sexto a um terço.

SUBSTITUIÇÃO DA PENA DA LESÃO CORPORAL

§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos
mil réis a dois contos de réis:

I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;

II - se as lesões são recíprocas.

LESÃO CORPORAL CULPOSA

§ 6° Se a lesão é CULPOSA:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

AUMENTO DE PENA

§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121
deste Código.

Art. 121 do Código Penal:

§ 4o No HOMICÍDIO CULPOSO, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância
de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não
procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.

Sendo DOLOSO o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor
de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.

§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

§ 8º - Aplica-se à LESÃO CULPOSA o disposto no § 5º do art. 121.

Art. 121, § 5º - Na hipótese de HOMICÍDIO CULPOSO, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as
consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne

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desnecessária → esse efeito jurídico, espécie de perdão judicial, também se aplica à lesão corporal culposa,
extinguindo-se a punibilidade (inciso IX do art. 107 do CP).

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.

§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).

§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra
pessoa portadora de deficiência.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA DA LESÃO CORPORAL

<Alteração 2025> § 12. AUMENTA-SE a pena de (causa de aumento de pena → majorantes):

Bizu: aqui há as mesmas definições que ocorreram para o homicídio qualificado, porém como
causa de aumento de pena para a lesão corporal. As mesmas pegadinhas se aplicam aqui na lesão
corporal DOLOSA (lesão corporal culposa não se encaixa nesta tipificação).

Importante salientar que as condutas abaixo (inciso I, alíneas “a”, “b” e “c”) são crimes
hediondos tão somente quando forem lesão corporal DOLOSA GRAVÍSSIMA ou com resultado
MORTE.

Reforçando:

1- No crime de homicídio esse mesmo texto abaixo é definidor de uma qualificadora, por outro
lado, o crime de lesão corporal o trata como majorantes (causa de aumento de pena de 1/3 a
2/3).

2- Na lei de HEDIONDOS também existe essa previsão, porém precisa ser lesão corporal
DOLOSA de natureza gravíssima ou seguida de morte para ser crime hediondo.

I - 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se a lesão DOLOSA for praticada:

a) autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,


integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da FUNÇÃO ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente CONSANGUÍNEO até o terceiro grau, em razão DESSA CONDIÇÃO;

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

b) membro do PODER JUDICIÁRIO, do MINISTÉRIO PÚBLICO, da DEFENSORIA


PÚBLICA ou da ADVOCACIA PÚBLICA, de que tratam os arts. 131 e 132 da Constituição
Federal, ou OFICIAL DE JUSTIÇA, no exercício da FUNÇÃO ou em decorrência dela, ou
contra seu cônjuge, companheiro ou parente, INCLUSIVE POR AFINIDADE, até o
terceiro grau, em razão DESSA CONDIÇÃO; ou

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

c) nas dependências de INSTITUIÇÃO DE ENSINO;

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II - 2/3 (dois terços) ao dobro se a lesão DOLOSA for praticada nas dependências de
INSTITUIÇÃO DE ENSINO e:

a) a vítima for pessoa com deficiência ou com doença que acarrete condição limitante ou
de vulnerabilidade física ou mental; ou

Bizu: a causa de aumento de pena da lesão corporal é diferente da do crime de


homicídio para esses casos de “ambiente escolar”.

Alínea “a”

→ Homicídio: aumento de 1/3 até 1/2

→ Lesão corporal: aumento de 2/3 até 2x (majorante maior)

b) o autor for ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor,
curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade
sobre ela ou, ainda, for professor ou funcionário da instituição de ensino.

Bizu: a causa de aumento de pena da lesão corporal é diferente da do crime de


homicídio para esses casos de “ambiente escolar”.

Alínea “b”

→ Homicídio: aumento de 2/3

→ Lesão corporal: aumento de 2/3 até 2x (majorante maior)

QUALIFICADORA DE LESÃO CORPORAL CONTRA A MULHER POR RAZÕES...

<Alteração 2024> § 13. Se a lesão for praticada contra a MULHER, por razões da condição do sexo
feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco anos).

DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO

ART. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea,
de que sabe ou deve saber que está contaminado:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 2º - Somente se procede mediante representação (ação penal pública condicionada).

PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE

ART. 131 - Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de
produzir o contágio:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

PERIGO PARA A VIDA OU SAÚDE DE OUTREM

ART. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:

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Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de


outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de
qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.

ABANDONO DE INCAPAZ

ABANDONO DE INCAPAZ

ART. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo,
incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos (aumentou de detenção para reclusão).

§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: (bizu: qualificadora)

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 3 (três) a 7 (sete) anos (aumentou, era de um a cinco anos).

§ 2º - Se resulta a morte: (bizu: qualificadora)

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 8 (oito) a 14 (quatorze) anos (aumentou, era de quatro a doze
anos).

AUMENTO DE PENA

§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:

I - se o abandono ocorre em lugar ermo (bizu: afastado, distante, sem morador, pois aumenta a
chance de comprometimento da integridade do incapaz)

II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima


(C.A.D.I).

III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos

Imagine uma babá (ou cuidador) responsável por uma criança de 3 anos, totalmente incapaz de
defender-se sozinha. Em determinado momento, essa babá sai de casa por um longo período,
deixando a criança sozinha e sem qualquer supervisão, alimento ou proteção. Nesse cenário, a babá
pratica o crime de abandono de incapaz, previsto no art. 133 do Código Penal, pois tinha o dever de
cuidar, guarda ou vigilância e, conscientemente, deixou de exercer essa obrigação, expondo a
criança a riscos que ela própria não poderia enfrentar.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que não é imprescindível demonstrar a ocorrência de
um dano efetivo; basta a comprovação de que o abandono colocou a vítima em situação de risco
concreto.

Sujeito ativo: em regra, é a pessoa que tem o dever de zelar pela vítima ― seja por lei, contrato
ou por assumir voluntariamente a guarda (pais, tutores, curadores, babás, enfermeiros, etc.).

Sujeito passivo: a pessoa que, “por qualquer motivo, é incapaz de defender-se”, isto é, não
consegue se proteger dos riscos decorrentes do abandono (menores, idosos, pessoas com
deficiência, doentes graves etc.).

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Conduta: consiste em “abandonar”, isto é, deixar a vítima ao desamparo consciente e
voluntariamente, sabendo que ela não pode suprir as próprias necessidades.

Natureza do crime: é classificado como crime de perigo, pois a lei tutela a incolumidade física e
psíquica do incapaz. Basta expor a vítima ao risco; não é necessário que ela efetivamente sofra
lesões para caracterizar o delito.

EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO

ART. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:

Pena - detenção, de um a três anos.

§ 2º - Se resulta a morte:

Pena - detenção, de dois a seis anos.

OMISSÃO DE SOCORRO – Bizu: cai bastante em concurso público e é um crime omissivo PRÓPRIO.

ART. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada
ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses
casos, o socorro da autoridade pública:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave,
e triplicada, se resulta a morte.

Fato gerador do dever de agir: surge em virtude do dever geral de solidariedade social, que
obriga qualquer pessoa, em situações críticas, a auxiliar alguém em perigo ou ao menos acionar as
autoridades competentes (Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia etc.).

Sem risco pessoal: a lei ressalva que a obrigação de agir só subsiste quando não houver perigo
para quem presta o socorro. Se ajudar representar um risco relevante à integridade física do agente,
a omissão não é típica no contexto do art. 135.

Consumação: ocorre no momento em que a pessoa deixa de prestar assistência, quando seria
possível fazê-lo, ou deixa de acionar o socorro. Não se exige qualquer resultado concreto de dano à
vítima; a conduta omissiva em si já é considerada criminosa.

Aproveito para distinguir crimes omissivos próprios de impróprios:

◼ Crimes omissivos PRÓPRIOS: o próprio legislador descreve a omissão, possui um comando


positivo e genérico do legislador e o agente não faz, por exemplo o crime de omissão de socorro
(art. 135 do CP), omissão de notificação de doença (art. 269 do CP) – deixa de fazer o que deveria
e podia fazer segundo o comando da própria lei expressa. A omissão de socorro resta consumada
pela simples ausência de socorro, independentemente de um resultado posterior. O agente só será

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punido se podia e devia agir para evitar o resultado, não se exige, por exemplo, que qualquer
pessoa pule em um tanque de tubarões para salvar alguém sendo atacado, pois sabe-se que a
chance de ambos morrerem é altíssima. Ver o artigo 13, § 2º, do CP.

◼ Crimes omissivos IMPRÓPRIOS: (também chamados de crimes comissivos por omissão): É


aquele em que uma omissão inicial do agente dá causa a um resultado posterior, o qual o agente
tinha o dever jurídico de evitá-lo5. É o que acontece quando a mãe de uma criança deixa,
dolosamente, de alimentá-la, provocando a sua morte. Essa mãe responderá por homicídio doloso e
não omissão de socorro, pois ela tinha o dever de agir e resolveu não fazer nada de forma dolosa.
O dever de agir pode nascer:

1. da lei (ex: o policial e o bombeiro);

2. de outra forma assumiu a responsabilidade de impedir o resultado (ex: contrato – segurança


particular);

3. com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado (ex: ponho fogo na
boate e crio o risco pra todos os presentes).

CONDICIONAMENTO DE ATENDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR EMERGENCIAL

ART. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de
formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de
natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.

MAUS-TRATOS

ART. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos (era de detenção, de dois meses a um ano, ou
multa).

§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 3 (três) a 7 (sete) anos (aumentou, era de um a quatro anos).

§ 2º - Se resulta a morte:

<Alteração 2025> Pena - reclusão, de 8 (oito) a 14 (quatorze) anos (aumentou, era de quatro a doze
anos).

§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.

DA RIXA

ART. 137 - Participar de rixa, salvo para separar os contendores:

Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.

5
[Link]
omissivoimproprio#:~:text=%C3%89%20aquele%20em%20que%20uma,dever%20jur%C3%ADdico%20de%20evit%C3%A1%2Dlo., acessado em 25/09/20 às 23:04.

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Parágrafo único - Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação
na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.

DOS CRIMES CONTRA A HONRA


CALÚNIA

ART. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

EXCEÇÃO DA VERDADE

§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:

I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença
irrecorrível;

II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;

III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.

DIFAMAÇÃO

ART. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Exceção da verdade

Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é
relativa ao exercício de suas funções.

INJÚRIA

ART. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:

I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;

II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado,
se considerem aviltantes: (bizu: INJÚRIA REAL)

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

<INOVAÇÃO 2023>

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a RELIGIÃO ou à condição de PESSOA


IDOSA ou com DEFICIÊNCIA:

Pena - reclusão de um a três anos e multa.

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Bizu: o crime de injúria racial sofreu profunda alteração em 2023, mediante lei 14.532/2023. O
ponto principal é a equiparação da injúria racial ao crime de racismo. Logo, a repercussão
jurídica da injúria racial foi alterada, aproximando-se do delito de racismo, tanto é verdade que,
agora, é tratada em lei específica (art. 2º-A da lei 7.716/89). Dessa forma, agravou-se a pena, não
cabe fiança e é crime IMPRESCRITÍVEL, assim como o racismo e ação de grupos armados contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático. Anote, a injúria racial:

1. teve pena agravada;

2. é inafiançável (não impede a concessão de liberdade provisória sem pagamento de fiança);

3. é imprescritível (não há perda da pretensão punitiva estatal em razão do transcurso temporal);

4. é de ação penal pública incondicionada.

Portanto, ATENÇÃO! A injúria racial não é mais tratada no § 3º do art. 140 do Código Penal, o qual
apenas trata da injúria referente a:

1. Religião;

2. Pessoa idosa;

3. Pessoa com deficiência.

DISPOSIÇÕES COMUNS ACERCA DOS CRIMES CONTRA A HONRA

Bizu: as disposições abaixo atingem todos os crimes contra a honra, em regra. Por isso, o título
“disposições comuns”.

ART. 141 - As penas cominadas neste Capítulo AUMENTAM-SE de UM TERÇO, se qualquer dos crimes é cometido:

I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;

II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado


Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal.

III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação
ou da injúria.

IV – contra CRIANÇA, ADOLESCENTE, pessoa MAIOR DE 60 (SESSENTA) ANOS ou pessoa com


DEFICIÊNCIA, exceto na hipótese prevista no § 3º do art. 140 deste Código.

§ 1º - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de RECOMPENSA, aplica-se a pena em DOBRO.

§ 2º Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das REDES SOCIAIS da rede mundial
de computadores, aplica-se em TRIPLO a pena.

<2024> § 3º Se o crime é cometido contra a MULHER por razões da condição do sexo feminino, nos
termos do § 1º do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em DOBRO.

EXCLUSÃO DO CRIME

ART. 142 - NÃO constituem injúria ou difamação punível:

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I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;

II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a


intenção de injuriar ou difamar;

III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste
no cumprimento de dever do ofício.

Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.

RETRATAÇÃO

ART. 143 - O querelado que, ANTES DA SENTENÇA, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento
de pena (bizu: é um exemplo de excludente de culpabilidade).

Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de
meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se
praticou a ofensa.

ART. 144 - Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido
pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde
pela ofensa.

ART. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do
art. 140, § 2º (injúria REAL), da violência resulta lesão corporal.

Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do
art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código.

DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL


CONSTRANGIMENTO ILEGAL

ART. 146 - CONSTRANGER alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por
qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

AUMENTO DE PENA

§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se reúnem


mais de três pessoas, ou há emprego de armas.

§ 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.

§ 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo:

I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante


legal, se justificada por iminente perigo de vida;

II - a coação exercida para impedir suicídio.

<ALTERAÇÃO DE 2024 – BULLYING E CYBERBULLYING>

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INTIMIDAÇÃO SISTEMÁTICA (BULLYING)

Art. 146-A. INTIMIDAR sistematicamente, individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica,
uma ou mais pessoas, de modo INTENCIONAL e REPETITIVO, sem motivação evidente, por meio de atos de
intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas,
materiais ou virtuais:

Pena - multa, se a conduta não constituir crime mais grave.

INTIMIDAÇÃO SISTEMÁTICA VIRTUAL (CYBERBULLYING)

Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da REDE DE COMPUTADORES, de rede social, de
aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em tempo real:

Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.

Bizu: o artigo 146-A acima é fruto de inovação jurídica de 2024 que incluiu o bullying e cyberbullying
no Código Penal, mediante Lei 14.811/24. Fique atento apenas aos elementos do tipo penal e à
qualificadora do parágrafo único.

AMEAÇA

ART. 147 - AMEAÇAR alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal
injusto e grave:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

§ 1º Se o crime é cometido contra a MULHER por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º
do art. 121-A deste Código, aplica-se a pena em DOBRO.

§ 2º Somente se procede mediante representação, exceto na hipótese prevista no § 1º deste artigo.

Bizu o crime de ameaça, em regra, tem natureza de ação penal pública condicionada à
representação. Vale ressaltar que a representação é uma condição de procedibilidade da ação penal.
Desa forma, caso o Ministério Público ignore o fato de não haver representação do ofendido, é
imperativo o reconhecimento da nulidade do processo desde sua origem.

Porém, com as alterações de 2024 o crime de ameaça contra a mulher por razões da condição do
sexo feminino passou a ser de ação penal pública incondicionada (independe de representação).

Ademais, o § 1º representa uma causa de aumento de pena para o crime de ameaça quando a vítima
for mulher por razões da condição do sexo feminino (a majorante é o dobro).

PERSEGUIÇÃO/STALKING

ART. 147-A. Perseguir alguém, REITERADAMENTE e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade FÍSICA
ou PSICOLÓGICA, restringindo-lhe a capacidade de LOCOMOÇÃO ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de LIBERDADE ou PRIVACIDADE.

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Bizu: foi apelidado pelo crime de Stalking. Preste muita tenção, pois o tipo penal exige que a prática
seja reiterada (aconteça mais de uma vez) e pode ser por qualquer meio: internet, pessoalmente,
telefonemas etc.

Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

§ 1º A pena é AUMENTADA de metade se o crime é cometido (causas de aumento de pena):

I – contra CRIANÇA, ADOLESCENTE ou IDOSO;

II – contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121
deste Código;

III – mediante CONCURSO de 2 (duas) ou mais pessoas ou com o emprego de arma.

§ 2º As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

§ 3º Somente se procede mediante REPRESENTAÇÃO

Bizu: a vítima ou responsável precisa representar, trata-se de ação penal pública condicionada
à representação.

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA A MULHER

ART. 147-B. Causar DANO EMOCIONAL à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou
que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir
ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação:

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.
(Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021)

<Alteração 2025> Parágrafo único. A pena é AUMENTADA de metade se o crime é cometido


mediante USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ou de qualquer outro recurso tecnológico que altere
imagem ou som da vítima.

Bizu: a intenção do legislador é punir com maior rigor a violência psicológica praticada por meio
de tecnologias de manipulação digital (como a Inteligência Artificial), reconhecendo o seu altíssimo
potencial de dano, sua capacidade de criar falsas realidades e o impacto devastador e duradouro
que causam na vítima.

SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO

ART. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado:

Pena - reclusão, de um a três anos.

§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: (QUALIFICADORAS)

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I – se a vítima é ASCENDENTE, DESCENDENTE, CÔNJUGE ou COMPANHEIRO do agente ou
maior de 60 (sessenta) anos (bizu: não prevê a figura do irmão – pegadinha de prova);

II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;

III - se a privação da liberdade dura mais de QUINZE DIAS.

IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;

V – se o crime é praticado com fins libidinosos.

§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou


moral: (QUALIFICADORA)

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO

ART. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:

I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no
local de trabalho;

II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos


pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.

§ 2o A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido:

I – contra criança ou adolescente;

II – por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem.

TRÁFICO DE PESSOAS

ART. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave
ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de:

I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo;

II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo

III - submetê-la a qualquer tipo de servidão;

IV - adoção ilegal;

V - exploração sexual.

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1o A pena é aumentada de um terço até a metade se:

I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-
las;

II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;

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III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade,
de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de
emprego, cargo ou função; ou

IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional.

§ 2o A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário E não integrar organização
criminosa.

Tráfico de pessoas “privilegiado” (art. 149-A, § 2.º, do Código Penal)

O caput do art. 149-A pune o tráfico de pessoas com reclusão de 4 a 8 anos e multa. O § 2.º cria
uma causa obrigatória de diminuição de pena: o juiz deve reduzir a sanção “de um a dois terços”
quando o réu preenche simultaneamente dois requisitos:

Ser primário – não possuir condenação penal definitiva por crime doloso.

Não integrar organização criminosa – atuar de forma isolada ou eventual, sem participar de
grupo estruturado, estável ou dividido em tarefas.

A lógica do legislador é diferenciar o pequeno aliciador oportunista das redes internacionais ou


facções que exploram o tráfico humano em larga escala. A resposta penal é menor, mas o fato
continua sendo tráfico de pessoas – não vira favorecimento, contravenção nem crime diverso.

DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO


VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO

ART. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem
de direito, em casa alheia ou em suas dependências:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

§ 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de


arma, ou por duas ou mais pessoas:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.

§ 3º - NÃO CONSTITUI CRIME a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:

I - durante o DIA, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;

II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência
de o ser.

Pontos de atenção

O agente público precisa agir dentro dos limites do mandado ou da necessidade de flagrante.
Abusos podem caracterizar abuso de autoridade (Lei 13.869/2019).

Se o crime for de natureza permanente (por exemplo, cárcere privado ou tráfico de drogas
mantido no interior do imóvel), a situação de flagrante perdura enquanto a conduta se prolongar,
permitindo entrada a qualquer hora.

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Fora dessas hipóteses, ingressar em domicílio alheio sem consentimento e sem autorização
judicial configura violação de domicílio

DEFINIÇÃO DE CASA – DECORE!

§ 4º - A expressão "CASA" compreende:

I - qualquer compartimento habitado;

II - aposento ocupado de habitação coletiva;

III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.

§ 5º - NÃO se compreendem na expressão "casa":

I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição
do n.º II do parágrafo anterior (aposento ocupado de habitação coletiva);

II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.

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CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

Bizu: alta incidência nas provas policiais – custo-benefício alto, foque nesses tipos penais,
principalmente furto, roubo e extorsão.

FURTO

ART. 155 - SUBTRAIR, para si ou para outrem, coisa alheia MÓVEL

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Bizu: “coisa alheia” significa um bem que é de outra pessoa, estranha ao sujeito ativo do crime de
furto. Não há possibilidade de furtar uma coisa própria, podendo configurar, inclusive, erro sobre os
elementos do tipo. Ademais, a coisa precisa ser MÓVEL (celular, carro, televisão) e não imóvel
(terrenos, edifícios).

O furto e o roubo se consumam com a mera inversão da posse (teoria da amotio ou apprehensio),
dispensando a posse mansa ou pacífica. Ou seja, ainda que o criminoso seja perseguido e capturado
segundos depois de subtrair o bem, ele responderá por furto consumado e não furto tentado, porque
a coisa já estava em sua posse, ainda que de forma não pacífica ou desvigiada.

A mera presença de câmeras de segurança ou de vigilância ostensiva em um estabelecimento não


torna impossível a subtração do bem.

As câmeras não impedem por si sós a consumação do furto. Elas servem para monitoramento e
podem facilitar a identificação do criminoso ou permitir a intervenção de seguranças, mas não
tornam impossível o resultado.

Assim, a jurisprudência entende que não há “impossibilidade absoluta” de consumar o crime.


Eventualmente, o agente pode ser surpreendido e o crime ficar apenas em tentativa (se for impedido
antes da consumação), mas não é hipóteses de crime impossível.

§ 1º - A pena AUMENTA-SE de um terço, se o crime é praticado durante o REPOUSO NOTURNO (é uma causa
de aumento de pena, majorante.

Bizu: a definição jurídica de repouso noturno não é equiparada a noite, embora haja alguns julgados
do STJ nesse sentido. A ideia de repouso noturno é intensificar a proteção do patrimônio enquanto
as pessoas descansam/repousam, por se tratar de uma situação de maior vulnerabilidade e de menor
vigília do bem.

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Bizu: o STJ mudou seu entendimento em 2022 sobre o repouso noturno: a causa de aumento
pelo furto noturno não incide na forma qualificada do delito, em razão de sua topografia afastar
a aplicação ao furto qualificado, porque, em tese, só vale para o caput (furto simples). O outro
argumento foi pautado no princípio da proporcionalidade, porque caso seja aplicada a majorante
do repouso noturno, o delito de furto teria pena superior ao crime de roubo (flagrante desproporção).

FURTO PRIVILEGIADO

§ 2º - Se o criminoso é PRIMÁRIO, e é de PEQUENO valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.

Bizu: Súmula 511, STJ: "É possível o reconhecimento do privilégio previsto no §2º do art. 155 do
CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o
pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem OBJETIVA.

§ 3º - EQUIPARA-SE à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.

FURTO QUALIFICADO

§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, E multa, se o crime é cometido:

I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;

II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;

III - com emprego de chave falsa;

IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.

<Alteração 2025> V - contra quaisquer bens que comprometam o funcionamento de órgãos


da União, de Estado ou de Município ou de estabelecimentos públicos ou privados que prestem
serviços públicos essenciais.

Bizu: o furto deve ser contra bens "que comprometam o funcionamento" do serviço. Isso
significa que não basta que o furto ocorra em um local que presta serviço essencial; é
preciso que o objeto subtraído efetivamente cause um prejuízo ou paralisação na prestação
desse serviço. A banca criará um cenário onde o furto ocorre em um hospital, em uma
delegacia ou em uma empresa de ônibus, mas o bem furtado é irrelevante para a
continuidade do serviço (pegadinha).

§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver emprego de EXPLOSIVO ou
de artefato análogo que cause perigo comum – bizu: é considerado crime hediondo e isso cairá nas próximas
provas #otaviodiná.

Bizu: a lei anticrime tornou o § 4º-A um crime hediondo. Porém, o legislador errou ao não
considerar o roubo agravado pela mesma circunstância (mediante uso de explosivo) como sendo

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hediondo, isso, com certeza, será pegadinha de provas futuras. O roubo é mais grave que o furto,
então, também, deveria ser hediondo.

Súmula 442, STJ: "É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo."

§ 4º-B. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se o FURTO MEDIANTE FRAUDE é
cometido por meio de DISPOSITIVO ELETRÔNICO OU INFORMÁTICO, conectado ou não à rede de
computadores, com OU sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso,
ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.

Bizu: o § 4º-B é uma modalidade de furto qualificado.

§ 4º-C. A pena prevista no § 4º-B deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso (bizu: são
causas de aumento de pena):

I – aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização
de servidor mantido FORA do território nacional;

II – aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é praticado contra IDOSO ou


VULNERÁVEL.

Bizu: o art. 4º-B e 4º-C são inovações recentes, em razão do estrondoso aumento desses crimes
durante a pandemia, mediante a internet, dispositivos eletrônicos ou informáticos. Sem dúvidas será
alvo de próximas questões, pois o crime de furto é bastante cobrado.

Bizu: não confunda o crime de furto mediante fraude com o crime de estelionato. No furto
mediante fraude o verbo é subtrair e a conduta do agente consiste em desvigiar a coisa alheia
móvel (pense no mágico que desvia a atenção da vítima para subtrair o bem dela). Já no estelionato
o verbo é obter, isto é, a própria vítima entrega o bem ao golpista.

Exemplo prático de furto mediante fraude

Uma pessoa entra em uma loja de departamentos e escolhe dois produtos: um perfume de alto valor
e outro bem mais barato (por exemplo, um frasco de shampoo genérico). Discretamente, essa
pessoa retira o perfume caro da embalagem original e o coloca na embalagem do shampoo barato.
Em seguida, dirige-se ao caixa e paga somente o valor referente ao shampoo, ludibriando o sistema
de cobrança (e, por consequência, a vigilância da loja) quanto ao verdadeiro preço do produto que
está adquirindo.

Por que é furto mediante fraude?

Há a conduta de subtrair coisa alheia móvel (o perfume) de forma fraudulenta: a manipulação de


embalagens e a simulação de que o item é de menor valor servem para enganar o estabelecimento
comercial, dificultando ou impossibilitando a percepção do real valor do objeto subtraído.

Nesse contexto, a fraude ocorre antes ou durante a subtração, exatamente para evitar ou diminuir
a vigilância e facilitar a apropriação ilícita do bem de maior valor, sem que a loja perceba.

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Aspecto jurídico

Esse cenário se enquadra no art. 155, § 4º, II, do Código Penal (furto qualificado pela fraude), pois
o agente emprega artifício ou outro meio fraudulento para enganar a vítima (a loja), tornando
possível ou mais fácil a subtração do bem.

Diferencia-se do estelionato (art. 171 do CP), pois, no furto mediante fraude, não há entrega
voluntária do produto por parte do ofendido; na verdade, há um embuste que oculta a verdadeira
natureza ou o valor do objeto, fazendo com que a vítima não perceba a subtração enquanto ocorre.

§ 5º - A pena é de reclusão de três a oito anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro ESTADO ou para o EXTERIOR.

§ 6o A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a subtração for de semovente domesticável de


produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração.

§ 7º A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se a subtração for de substâncias


explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou
emprego.

<Alteração 2025> § 8º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos e multa, se a subtração for de
fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento ou TRANSMISSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA ou de telefonia ou para transferência de dados, bem como equipamentos ou materiais
ferroviários ou metroviários, aplicável, em qualquer caso, o disposto no § 2º deste artigo.

Bizu: no delito de roubo o § 8º acima é uma qualificadora, no roubo, o mesmo tipo penal,
é uma majorante (causa de aumento de pena).

FURTO DE COISA COMUM

ART. 156 - SUBTRAIR o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém,
a coisa comum:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

§ 1º - Somente se procede mediante representação (bizu: ação penal pública condicionada à


representação).

§ 2º - Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a que tem direito
o agente (bizu: é uma forma de extinção da punibilidade).

Bizu: o furto de coisa comum é crime de menor potencial ofensivo e faz jus à aplicação dos
institutos despenalizadores da Lei n. 9.099/95, por ser de competência do Juizados Especial Criminal.
Logo, goza da transação penal, da composição civil entre as partes e da suspensão condicional do
processo. Ademais não é apurado mediante inquérito policial, mas por termo circunstanciado.

DO ROUBO E DA EXTORSÃO

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Bizu: difere-se do furto pelo emprego da violência OU GRAVE ameaça OU reduzido à
impossibilidade de resistência.

ROUBO PRÓPRIO

Roubo Próprio: art. 157 - SUBTRAIR coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante GRAVE ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

Súmula 582 do STJ (momento de consumação do roubo –> teoria da amotio/apprehensio):


Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência
ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e
recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.

ROUBO IMPRÓPRIO

§ 1º - Na mesma pena incorre quem, LOGO DEPOIS de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa
ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.

O roubo próprio e impróprio se diferenciam em razão do MOMENTO em que a violência ou grave


ameaça são aplicadas.

Roubo Próprio: violência praticada antes ou durante a subtração do bem móvel;

Roubo Impróprio: violência praticada após a subtração com intuito de garantir a posse do bem

Violência Própria: violência real, física.

Violência Imprópria: utilização de qualquer outro meio para impossibilitar a defesa da vítima do
roubo, como uso de hipnose, trancar as vítimas em um quarto (caiu na PMMG), uso de sonífero, boa
noite cinderela etc.

<Alteração 2025> § 1º-A A pena é de reclusão de 6 (seis) a 12 (doze) anos e multa, se a subtração for
cometida contra quaisquer bens que COMPROMETAM O FUNCIONAMENTO de órgãos da União, de
Estado ou de Município ou de estabelecimentos públicos ou privados que prestem serviços públicos
essenciais.

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA NO ROUBO

§ 2º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) até metade (majorantes):

II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;

III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.

IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou
para o exterior;

V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.

VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente,

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possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego;

VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de ARMA BRANCA.

Bizu: exemplos de armas brancas: facas, punhais, canivetes. Esses instrumentos são
capazes de gerar grave ameaça.

<Alteração 2025> VIII – se a subtração for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para
fornecimento ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia ou para transferência de
dados, bem como equipamentos ou materiais ferroviários ou metroviários.

Bizu: no delito de roubo o inciso VIII é uma majorante, no furto, o mesmo tipo penal, é uma
qualificadora.

§ 2º-A A pena AUMENTA-SE de 2/3 (majorantes):

I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de ARMA DE FOGO;

II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de EXPLOSIVO ou de


artefato análogo que cause perigo comum.

Aprofundando: NÃO é necessária a apreensão e a perícia da arma de fogo, para a


incidência da majorante, quando existirem nos autos outros elementos de prova que
comprovem a sua utilização no roubo, como na hipótese, em que há farta prova testemunhal
atestando o seu emprego.

Aprofundando: a utilização de arma carente de potencial lesivo (simulacro, arma


desmuniciada), como forma de intimidação da vítima caracteriza a elementar grave ameaça
descrita no tipo penal do roubo, mas não permite o reconhecimento da majorante de pena,
em face de sua ineficácia para a realização de disparos. Demonstrado, por meio de laudo
pericial, o emprego de simulacro na prática delitiva, deve ser afastada a majorante do
emprego de arma de fogo.

§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso RESTRITO ou
PROIBIDO, aplica-se em DOBRO a pena prevista no caput deste artigo.

QUALIFICADORAS NO CRIME DE ROUBO

No crime de furto as qualificadoras são minoria se comparadas às majorantes. Por outro lado, no
crime de furto inverte, isto é, a maioria são qualificadoras e a minoria majorantes (no furto quase
tudo qualifica).

§ 3º Se da violência resulta:

I – lesão corporal GRAVE, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;

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II – MORTE, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (Bizu: o crime de
latrocínio é uma qualificadora do roubo. O bem jurídico tutelado pelo latrocínio é o patrimônio e
não a vida – pegadinha).

Bizu: no crime de furto praticamente tudo QUALIFICA, enquanto no de roubo quase tudo são causas
de aumento de pena, exceto lesão corporal grave e morte. A PMMG adora confundir o candidato
entre qualificadora e causa de aumento de pena que são preceitos secundários do tipo penal.

Bizu: resumo do uso de armas no crime de roubo (todas são causas de aumento de pena):

Arma Branca: aumenta a pena de 1/3 a ½

Arma de Fogo de uso PERMITIDO: aumenta a pena de 2/3

Arma de Fogo de uso RESTRITO ou PROIBIDO: dobra-se a pena.

Atenção: detalhes sobre o crime de roubo foram cobrados em concursos policiais em 2025 (CRS)
através de um caso hipotético, observe:

Durante o turno de serviço, a equipe policial militar composta pelo Sargento "Echo" e Cabo "Tango"
foi acionada por populares que relataram ter ocorrido o seguinte fato: na praça central do bairro, há
30 metros do local em que estavam, dois cidadãos haviam acabado de ser detidos por particulares,
que os visualizaram subtraindo uma bolsa de elevado valor de uma mulher. A mulher estava sentada
no banco da referida praça por ocasião dos fatos. Para subtrair a bolsa, um dos autores colocou a
mão direita por baixo da camisa, simulando portar arma de fogo, enquanto o outro deu um soco no
rosto da vítima, causando-lhe escoriações nos lábios. Constatou-se que vários cidadãos que estavam
próximos, percebendo a ação dos infratores, os perseguiram e os detiveram, estando um deles com
a bolsa da vítima nas mãos. Entre o momento da subtração e a detenção dos autores pelos
particulares, não decorreu mais de 2 minutos, tendo tudo acontecido na mesma rua. A guarnição
policial militar, então, adotou todas as providências necessárias e após ouvir o relato dos envolvidos,
munidos de imagens de câmeras de vigilância de comércios vizinhos, que registraram toda a ação,
realizou a condução dos mesmos para a autoridade policial, na condição de presos. Entretanto, no
momento de registrar os fatos, algumas dúvidas surgiram, tendo o Tenente "Foxtrot", oficial
Coordenador de Policiamento da Unidade (CPU), sido acionado. Após ouvir as dúvidas dos militares
da guarnição, o tenente afirmou o seguinte:

I - O crime ocorrido foi o de roubo majorado (correto → o roubo é majorado pelo concurso de 2 ou
mais pessoas)

II - O delito foi tentado (errado → o delito foi consumado);

III - É imprescindível a posse mansa e pacífica para que o crime seja considerado consumado
(errado → é prescindível, isto é, não se exige posse mansa e pacífica - teoria da apprehensio ou
amotio);

IV - Não existe nenhuma qualificadora (correta → o roubo é apenas majorado);

V - Não existe causa de aumento de pena (errado → existe sim, majorante é sinônimo de causa de
aumento de pena, veja que os itens I e V são autoexcludentes).

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EXTORSÃO

ART. 158 - CONSTRANGER alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, e com o intuito de obter para si
ou para outrem indevida vantagem ECONÔMICA, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, AUMENTA-SE a pena
de um terço até metade.

§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior (bizu:


qualificadoras do crime de ROUBO).

§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para
a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se
resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o,
respectivamente. (Bizu: Qualificadoras)

Bizu: Súmula 96 do STJ: a teor do disposto no art. 158 do Código Penal (crime de extorsão), não
se exige, para a inteira realização do tipo (consumação), a obtenção da vantagem
econômica indevida, que, na verdade, configura o exaurimento da ação delituosa, bastando a
intenção. Trata-se de crime formal, o qual dispensa o resultado naturalístico para sua consumação.

Traduzindo: a mera exigência da vantagem econômica já consuma o delito, ainda que não a
receba. Pois, receber a vantagem é mero exaurimento.

EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO

ART. 159 – SEQUESTRAR pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, QUALQUER VANTAGEM, como
condição ou preço do resgate:

Pena - reclusão, de oito a quinze anos.

Diferenças importantes entre extorsão (art. 158) e extorsão mediante sequestro (art. 159) que
podem ser pegadinhas:

Extorsão (art. 158):

Exige vantagem econômica.

Crime instantâneo/ formal (consuma‑se com a coação; vantagem pode nem ocorrer)

A própria vítima é constrangida a colaborar (ex.: entregar senha, sacar dinheiro)

Extorsão mediante sequestro (art. 159): exige qualquer vantagem.

Exige qualquer vantagem.

Crime permanente: dura enquanto há restrição da liberdade

Terceiro é quem paga o resgate; vítima serve de moeda de troca

Exemplo lúdico que já caiu em concurso público policial (FGV 2023):

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Otávio, às 02 horas e 30 minutos, dirigia o seu veículo automotor pela via de rolamento, ocasião em
que foi abordada por Tício, o qual, empregando uma faca, obrigou-o a pular para o banco do carona.
Ato contínuo, Tício assumiu a condução do automóvel e encaminhou a vítima à agência bancária
mais próxima, para que esta efetuasse o saque de valores pecuniários. A vítima, amedrontada,
obedeceu às ordens de Tício, o qual se apossou de R$ 1.000,00, após a ofendida inserir o seu cartão
e a senha no caixa eletrônico.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que Tício responderá
pelo crime de: extorsão qualificada, pela restrição da liberdade da vítima, condição necessária para
a obtenção da vantagem econômica, e majorado pelo emprego de arma → é chamado pela doutrina
de sequestro relâmpago.

§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito)


ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.

Pena - reclusão, de doze a vinte anos.

§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza GRAVE:

Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.

§ 3º - se resulta a MORTE:

Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.

§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a


libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.

Ano: 2017 Banca: INSTITUTO AOCP

Referente aos crimes contra o patrimônio do Código Penal, assinale a alternativa correta.

A) A extorsão mediante sequestro é um crime permanente.

B) O agente que arromba a porta do veículo e o furta responde por furto qualificado.

C) O agente que arromba a porta do veículo e furta um celular que estava em seu interior responde
por furto simples.

D) A extorsão se consuma no momento da obtenção da vantagem.

Gabarito Letra A.

Aprofundando:

Furto do veículo: Quebrar o vidro para levar o próprio carro é considerado um ato de execução do
furto simples, não uma qualificadora. O obstáculo era parte da coisa.

Furto de objeto dentro do veículo: Quebrar o vidro para levar um objeto que está lá dentro
(celular, bolsa, estepe) caracteriza furto qualificado, pois o veículo funcionava como obstáculo à
subtração do objeto.

EXTORSÃO INDIRETA

ART. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode
dar causa a procedimento CRIMINAL contra a vítima ou contra terceiro:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

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DA USURPAÇÃO

ALTERAÇÃO DE LIMITES

ART. 161 - Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-
se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:

Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.

§ 1º - Na mesma pena incorre quem:

Usurpação de águas

I - desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas alheias;

Esbulho possessório

II - invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas,
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.

§ 2º - Se o agente usa de violência, incorre também na pena a esta cominada.

§ 3º - Se a propriedade é particular, e não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE MARCA EM ANIMAIS

ART. 162 - Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de
propriedade:

Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.

DO DANO
DANO

ART. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

O dispositivo não prevê forma culposa, exigindo dolo (vontade livre e consciente de causar o
estrago). Como o princípio da legalidade (art. 1.º do CP) proíbe criação de crimes por analogia,
qualquer destruição ou deterioração provocada apenas por imprudência, negligência ou imperícia é
atípica, salvo previsão expressa em lei especial. Devendo o agente responder na seara cível.

DANO QUALIFICADO

Parágrafo único - Se o crime é cometido:

I - com violência à pessoa ou grave ameaça;

II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave

III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,


fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos;

IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:

Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

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INTRODUÇÃO OU ABANDONO DE ANIMAIS EM PROPRIEDADE ALHEIA

ART. 164 - Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que
o fato resulte prejuízo:

Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.

DANO EM COISA DE VALOR ARTÍSTICO, ARQUEOLÓGICO OU HISTÓRICO

ART. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico,
arqueológico ou histórico:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

ALTERAÇÃO DE LOCAL ESPECIALMENTE PROTEGIDO

ART. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

AÇÃO PENAL DO DANO

ART. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se procede mediante
QUEIXA.

Bizu: sobre a ação penal no crime de dano é importante saber:

1. art. 163 caput “destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”: ação penal privada e somente se
procede mediante queixa;

2. art. 163, inciso IV “dano por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima”: ação
penal privada e somente se procede mediante queixa;

3. art. 164 “introdução ou abandono de animais em propriedade alheia”: ação penal privada e
somente se procede mediante queixa;

4. art. 163, inciso I “dano com violência à pessoa ou grave ameaça”: ação penal pública.

5. art. 163, inciso II “dano com emprego de substância inflamável ou explosiva”: ação penal
pública.

6. art. 163, inciso III “dano contra o patrimônio público”: ação penal pública.

7. art. 165 “dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico”: ação penal pública.

8. art. 166 “alteração de local especialmente protegido”: ação penal pública.

Queixa: é o instrumento por meio do qual o ofendido (ou seu advogado) ingressa diretamente em
juízo, apresentando a “queixa-crime”. Nesse caso, a vítima atua como “parte acusadora”, ainda que,
posteriormente, o Ministério Público possa intervir como custos legis (fiscal da lei).

DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA

ART. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:

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Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Bizu: difere-se do furto, pois a pessoa já tem a posse mansa do bem móvel.

Exemplo clássico de apropriação indébita (art. 168 CP)

Um gerente de loja recebe, no caixa, R$ 15 000,00 para depositar na conta da empresa no fim do
expediente. O dinheiro lhe foi entregue validamente (posse mansa e pacífica) porque faz parte de
suas funções. Em vez de depositar, ele se apropria do numerário, passando a tratá‑lo como se fosse
seu — compra bens pessoais e, dias depois, não devolve o valor apesar da cobrança do empregador.

Por que não é furto?

No furto (art. 155), o agente subtrai bem que está na posse da vítima.

Na apropriação indébita, o agente já detém legitimamente a posse ou detenção (por confiança,


mandato, depósito, cobrança etc.) e inverte o título da posse, passando a agir como dono.

AUMENTO DE PENA

§ 1º - A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:

I - em depósito necessário;

II - na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário


judicial;

III - em razão de ofício, emprego ou profissão.

APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA

ART. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma
legal ou convencional:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:

I – recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que
tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;

II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou
custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;

III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social.

§ 2o É EXTINTA A PUNIBILIDADE se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento


das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma
definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.

§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário
e de bons antecedentes, desde que:

I – tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou

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II – o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido
pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas
execuções fiscais.

§ 4o A faculdade prevista no § 3o deste artigo não se aplica aos casos de parcelamento de contribuições cujo
valor, inclusive dos acessórios, seja superior àquele estabelecido, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.

APROPRIAÇÃO DE COISA HAVIDA POR ERRO, CASO FORTUITO OU FORÇA DA NATUREZA

ART. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre:

APROPRIAÇÃO DE TESOURO

I - quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o
proprietário do prédio;

APROPRIAÇÃO DE COISA ACHADA

II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono
ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.

ART. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 2º.

Art. 155, § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o JUIZ pode substituir
a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.

Bizu: esta é a forma privilegiada, ocorre, em regra, em crimes em que NÃO há emprego de violência
ou grave ameaça. Portanto, aplica-se essa ferramenta jurídica aos crimes de apropriação indébita,
a qual será chamada de apropriação indébita privilegiada, caso cumpra os requisitos legais.

DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES


ESTELIONATO

Bizu: o pacote anticrime alterou o estelionato para, em regra, ação penal pública condicionada
a representação, porém estabeleceu exceções no § 5º do art. 171.

ART. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém
em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.

§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o
disposto no art. 155, § 2º.

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Bizu: também aplicável as particularidades do furto privilegiado (aqui seria estelionato
privilegiado), caso:

1. criminoso seja primário;

2. seja de pequeno valor a coisa;

3. o juiz pode substituir a pena de reclusão por detenção;

4. o juiz pode diminuir a pena de 1/3 a 2/3;

5. o juiz pode aplicar somente a pena de multa.

§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:

Disposição de coisa alheia como própria

I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;

Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria

II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus


ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações,
silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias;

Defraudação de penhor

III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia
pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;

Fraude na entrega de coisa

IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;

FRAUDE PARA RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO OU VALOR DE SEGURO

V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou
agrava as consequencias da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro
(exemplo: queimar o próprio carro para acionar o seguro);

FRAUDE NO PAGAMENTO POR MEIO DE CHEQUE

VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o
pagamento.

FRAUDE ELETRÔNICA

(QUALIFICADORA DO ESTELIONATO) § 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e


multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro
induzido a erro POR MEIO DE REDES SOCIAIS, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico
fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)

Bizu: essa prática cresceu exponencialmente na pandemia e o legislador resolveu dar uma resposta
a essas práticas fraudulentas. Veja que essas condutas guardam relação com o que conhecemos
sobre os “hackers” e é bastante abrangente, pois admite “qualquer outro meio fraudulento” mediante
entrega de informações fornecidas pela vítima.

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Atenção: o estelionato qualificado pela fraude eletrônica caiu em provas policiais em 2025, através
deste caso hipotético:

“Romeo”, com 34 anos, durante navegação via rede mundial de computadores, recebeu uma
mensagem através do “chat” de uma rede social contendo propaganda de um tênis de marca famosa,
anunciado na ocasião com um desconto de 15% em relação ao valor costumeiro de mercado.
Considerando atraente a oferta, “Romeo” iniciou a negociação com “Golf”, atualmente com 19 anos,
remetente da mensagem, tudo através da citada rede social. Durante a conversa, “Romeo” solicitou
comprovação da vinculação de “Golf” com a empresa fabricante e/ou revendedora do tênis, na
tentativa de minimizar a possibilidade de sofrer “golpes”. Além disso, solicitou cópia de documentos
que pudessem comprovar a identidade de “Golf”. Após enviar cópia de seus documentos
(posteriormente verificando-se que eram montagens decorrentes de inteligência artificial), como
forma de dar legitimidade às tratativas, “Golf” solicitou a “Romeo” cópia de sua identidade, que por
sua vez continha o número do CPF. “Romeo”, então, confiando nas informações e aparente
legitimidade da negociação, realizou a transferência do valor do tênis para “Golf”. Logo em seguida,
“Golf” enviou uma mensagem com o seguinte teor: “peguei mais um trouxa”, bloqueando o contato
e desativando a conta na rede social em que conversava com “Romeo”. Percebendo ter sido
enganado, “Romeo” procura a Polícia Militar para providências.

Diante do exposto, com base no Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), analise as assertivas abaixo:
I - O crime praticado por “Golf” possui pena de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa →
Está correta (infelizmente a banca cobrou decoreba de pena)
II - Trata-se de crime de furto qualificado mediante fraude (fraude eletrônica) → está incorreto, o
crime não é de furto, mas de estelionato em sua modalidade qualificada.
III - Trata-se de crime de estelionato qualificado → está correto, pois o crime é de estelionato
em sua modalidade qualificada (fraude eletrônica § 2º-A).
IV - O crime praticado é de ação penal pública incondicionada → incorreta, em regra, o
estelionato é de ação penal pública condicionada a representação, salvo exceções (art.
171, § 5º).

(MAJORANTE DA FRAUDE ELETRÔNICA) § 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a
relevância do resultado gravoso, AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é
praticado mediante a utilização de servidor mantido FORA do território nacional.

(MAJORANTE) § 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade


de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.

ESTELIONATO CONTRA IDOSO OU VULNERÁVEL

Bizu: a Lei nº 14.155, de 2021 incluiu a figura do vulnerável, pois a redação anterior só trazia o
idoso.

§ 4º A pena AUMENTA-SE de 1/3 (um terço) ao DOBRO, se o crime é cometido contra IDOSO ou
VULNERÁVEL, considerada a relevância do resultado gravoso.

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§ 5º Somente se procede MEDIANTE REPRESENTAÇÃO, salvo se a vítima for:

I - a Administração Pública, direta ou indireta;

II - criança ou adolescente;

III - pessoa com deficiência mental; ou

IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz.

Bizu: os incisos I ao IV acima são procedidos mediante ação penal pública incondicionada
(exceção às outras fraudes desse artigo que exigem representação – ação penal pública condicionada
à representação).

Bizu: Ademais, cuidado com o inciso IV, porque o seu examinador vai trocar “maior de 70 anos” por
“idoso” – pegadinha. Idoso é pessoa maior de 60 anos.

ART. 171-A. Organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações que envolvam ativos
VIRTUAIS, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita, em prejuízo
alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Bizu: esse crime comporta mais de um verbo (tipo penal misto alternativo) e exige finalidade
específica denunciada pela expressão “com o fim de”.

DUPLICATA SIMULADA

ART. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade
ou qualidade, ou ao serviço prestado.

Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de
Registro de Duplicatas.

ABUSO DE INCAPAZES

ART. 173 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor, ou da
alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito
jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

INDUZIMENTO À ESPECULAÇÃO

ART. 174 - Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou inferioridade mental de
outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo
saber que a operação é ruinosa:

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Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

FRAUDE NO COMÉRCIO

ART. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor:

I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;

II - entregando uma mercadoria por outra:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou substituir, no mesmo
caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender,
como precioso, metal de ou outra qualidade:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.

Bizu: também aplicável as particularidades do furto privilegiado (aqui seria fraude contra
comércio privilegiada):

1. criminoso ser primário;

2. ser de pequeno valor a coisa;

3. o juiz pode substituir a pena de reclusão por detenção;

4. o juiz pode diminuir a pena de 1/3 a 2/3;

5. o juiz pode aplicar somente a pena de multa.

OUTRAS FRAUDES

ART. 176 - Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de
recursos para efetuar o pagamento:

Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.

Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias,
deixar de aplicar a pena.

FRAUDES E ABUSOS NA FUNDAÇÃO OU ADMINISTRAÇÃO DE SOCIEDADE POR AÇÕES

ART. 177 - Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público ou
à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela relativo:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a economia popular.

§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular:

I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, parecer,
balanço ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre as condições
econômicas da sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em parte, fato a elas relativo;

II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das ações ou
de outros títulos da sociedade;

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III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio ou de
terceiro, dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral;

IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela emitidas,
salvo quando a lei o permite;

V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em caução
ações da própria sociedade;

VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante balanço
falso, distribui lucros ou dividendos fictícios;

VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com acionista, consegue
a aprovação de conta ou parecer;

VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII;

IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, que pratica


os atos mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo.

§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, a fim de obter
vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de assembléia geral.

EMISSÃO IRREGULAR DE CONHECIMENTO DE DEPÓSITO OU "WARRANT"

ART. 178 - Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

FRAUDE À EXECUÇÃO

ART. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.

RECEPTAÇÃO

ART. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe
ser produto de CRIME, ou INFLUIR para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

A receptação pode ser própria (crime material) ou imprópria (crime formal).

Bizu6: aproveito o momento para distinguir a receptação PRÓPRIA da IMPRÓPRIA:

Na receptação PRÓPRIA as condutas típicas são adquirir (receber a propriedade, por compra,
dação em pagamento, permuta, doação, herança), receber (a conduta de quem toma a posse da
coisa), transportar (levar, transferir, carregar a coisa), conduzir ou ocultar (esconder).

Praticado o crime por uma ou mais modalidades de conduta o agente responderá por um só delito
e, se vender a coisa, o fato irá caracterizar um post factum não punível(JTACrSP 44/40) – dito de

6
[Link] acessado em 26/09/20 às 15:55.

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outra forma, é um tipo penal de conteúdo misto alternativo, isto é, basta que o agente cumpra
qualquer dos verbos (adquirir, transportar...), mesmo caso do crime de tráfico de drogas (ART. 33
da lei 11.343).

Na receptação IMPRÓPRIA o agente INFLUI (convence, estimula, induz alguém) para que
terceiro, de boa fé, adquira, receba ou oculte a coisa. Pode até haver bilateralidade, se o adquirente
também estiver de má-fé.

Bizu: A receptação própria admite tentativa, enquanto a imprópria não a admite.

RECEPTAÇÃO QUALIFICADA

§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar,
vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.

§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio
irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.

§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela
condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: (bizu: receptação CULPOSA)

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.

§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a
coisa.

§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias,


deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. 155.

Bizu: também aplicável as particularidades do furto privilegiado (aqui seria receptação culposa
privilegiada):

1. criminoso ser primário;

2. ser de pequeno valor a coisa;

3. o juiz pode substituir a pena de reclusão por detenção;

4. o juiz pode diminuir a pena de 1/3 a 2/3;

5. o juiz pode aplicar somente a pena de multa.

§ 6o Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de


autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de
serviços públicos, aplica-se em DOBRO a pena prevista no caput deste artigo.

<Alteração 2025>§ 7º Se a receptação for de fios, cabos ou equipamentos utilizados para fornecimento
ou transmissão de energia elétrica ou de telefonia, transferência de dados, ou de cargas transportadas em
modais logísticos ferroviários ou metroviários, aplica-se em dobro a pena prevista no caput ou no § 1º deste
artigo, conforme o caso.

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Bizu: atente-se a essa inovação jurídica, porque ela será alvo de pegadinha:

1. No roubo ela majora (a pena aumenta-se de 1/3 até 1/2);

2. No furto ela qualifica (reclusão de 2 a 8 anos e multa);

3. Na receptação ela majora (aplica-se em dobro a pena).

RECEPTAÇÃO DE ANIMAL

ART. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de
produção ou de comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes,
que deve saber ser produto de crime:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

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DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL
Bizu: a banca chamou este tópico de “de crimes contra os costumes”. Crimes contra os costumes é
uma nomenclatura histórica e ultrapassada do Direito Penal brasileiro, que se referia a delitos que
atentavam contra a moralidade sexual e a dignidade sexual da pessoa. Atualmente, a legislação
brasileira utiliza a denominação "crimes contra a dignidade sexual", com foco na proteção da
autodeterminação e liberdade sexual individual, um reflexo de um entendimento jurídico mais
moderno e alinhado com a Constituição.

ESTUPRO

ART. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou
permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.

§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza GRAVE OU se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou


maior de 14 (catorze) anos – (bizu: qualificadora)

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.

§ 2o Se da conduta resulta MORTE: – (bizu: qualificadora)

Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos

VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE

ART. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que
impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter VANTAGEM ECONÔMICA, aplica-se também
MULTA.

IMPORTUNAÇÃO SEXUAL

ART. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria
lascívia ou a de terceiro:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.

ASSÉDIO SEXUAL

ART. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o
agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função.

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

§ 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.

DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE SEXUAL

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REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL

ART. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato
sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer
outro registro COM O FIM DE incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter
íntimo.

DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL


BIZU: nos crimes sexuais contra vulnerável a VIOLÊNCIA É PRESUMIDA.

1. É uma presunção absoluta (juris et de jure).

2. Não importa se houve consentimento, experiência sexual anterior ou relação afetiva, pois a lei
considera que a vítima não tem capacidade de consentir.

3. Assim, não se exige prova de violência física ou ameaça para caracterizar o crime.

Consequências práticas

1. Impossibilidade de alegar consentimento como excludente de tipicidade.

2. É crime formal: isto é, consuma-se com a prática do ato libidinoso, independentemente de


resultado naturalístico.

ESTUPRO DE VULNERÁVEL

ART. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra
causa, não pode oferecer resistência.

§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza GRAVE: – (bizu: qualificadora)

Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.

§ 4o Se da conduta resulta MORTE: – (bizu: qualificadora)

Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos

§ 5o As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se INDEPENDENTEMENTE do


consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime.

Atenção: o art. 217-A cai bastante!

Bizu: uma vez que a violência é presumida, pouco importa seu consentimento, porque ele não é
valido. O autor e a vítima podem ser, inclusive, namorados. A anuência dos pais não obsta a
consumação do crime e a consequente resposta penal.

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Ano: 2023 Banca: INSTITUTO AOCP

Um adulto jovem, 19 anos e do sexo masculino, tem relação sexual, com conjunção carnal, com
uma menor de 13 anos de idade com o consentimento da menor. Considerando o exposto, o jovem
praticou

A) Ato lícito.

B) Atentado violento ao pudor.

C) Sedução de menor.

D) Estupro

E) Relação sexual consensual.

Gabarito Letra D.

CORRUPÇÃO DE MENORES

ART. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.

SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE

ART. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção
carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.

FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU


ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL.

ART. 218-B. (Bizu: é CRIME HEDIONDO) Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração
sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.

§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.

§ 2o Incorre nas mesmas penas (CONDUTAS EQUIPARADAS):

I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior
de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo;

II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas


referidas no caput deste artigo.

§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito OBRIGATÓRIO da condenação a CASSAÇÃO da


licença de localização e de funcionamento do estabelecimento.

DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE CENA DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, DE CENA DE SEXO OU


DE PORNOGRAFIA

ART. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar,
por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -,

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fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que
faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave.

AUMENTO DE PENA

§ 1º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se o crime é praticado por agente que
mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação
(bizu: é o tipo penal revenge porn – pornografia de vingança).

EXCLUSÃO DE ILICITUDE

§ 2º NÃO HÁ CRIME quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação
de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a
identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos.

Bizu: o § 2º traz duas situações distintas. Não haverá o crime se:

1. a primeira diz respeito ao agente que divulga a mídia (foto ou vídeo) em publicação de natureza
jornalística, científica, cultural ou acadêmica sem identificar a vítima;

2. a segunda diz respeito ao agente que publica a mídia (foto ou vídeo) em publicação de natureza
jornalística, científica, cultural ou acadêmica identificando a vítima, desde que ela seja maior de
18 anos e tenha dado autorização para isso.

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CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO I: DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO
PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL
PECULATO

ART. 312 - APROPRIAR-SE o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio (bizu: não é
necessário que o bem pertença à Administração Pública):

Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

• O servidor precisa ter a posse ou a facilidade de acesso decorrente do cargo.

• Depois, ele inverte o título da posse (no peculato-apropriação) ou desvia o bem de sua finalidade
(no peculato-desvio).

• Se não houver essa relação funcional de custódia, o fato, em tese, pode ser apropriação indébita
ou furto, mas não peculato.

A Corte já afirmou que “peculato alcança bens pertencentes ao Poder Público ou a particulares sob
tutela administrativa”, desde que o agente tenha a posse em razão do cargo (AgRg no RHC
170.748-SP, Quinta Turma, julgado em 2023).

Em síntese, o que transforma a conduta em peculato não é a propriedade do objeto, mas a


circunstância funcional: o bem – mesmo particular – estava sob a guarda do Estado porque o
servidor exercia sua função.

Doutrina - saiba todas as modalidades:

Peculato-apropriação (artigo 312, caput, primeira parte);

Peculato-desvio (artigo 312, caput, segunda parte);

Peculato-furto (artigo 312, §1º);

Peculato-culposo (artigo 312, § 2º e 3º);

Peculato mediante erro de outrem (artigo 313) – também chamado de peculato estelionato.

Os crimes contra a administração pública são amplamente cobrados em concursos policiais, em razão
da pertinência temática. Caiu, inclusive, na PPMG 2021, veja:

Tibúrcio, funcionário público, usa documentos falsos com a exclusiva finalidade de desviar para si
verbas públicas, das quais tinha a posse em razão do cargo. É correto falar que Tibúrcio praticou:

A) crime de estelionato

B) crime de peculato

C) crimes de estelionato e uso de documento falso

D) crimes de peculato e uso de documento falso

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Gabarito letra B.

Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP

Jairo, servidor público, violando dever funcional, apropriou-se de dois celulares particulares, os quais
estavam em sua posse em razão do cargo. Considerando o disposto no Código Penal, Jairo estará
sujeito a ser processado e julgado pelo crime de

A) peculato.

B) furto.

C) apropriação indébita.

D) corrupção passiva.

E) concussão.

Gabarito letra A.

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai (PECULATO FURTO), ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio,
valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

PECULATO CULPOSO

§ 2º - Se o funcionário concorre CULPOSAMENTE para o crime de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE X REDUÇÃO DE PENA no crime de peculato culposo (isso cai bastante)

§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se PRECEDE à sentença irrecorrível, EXTINGUE


A PUNIBILIDADE; se lhe é POSTERIOR, REDUZ DE METADE A PENA IMPOSTA

PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM

ART. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES

ART. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o
fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE INFORMAÇÕES

ART. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização
ou solicitação de autoridade competente:

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta
dano para a Administração Pública ou para o administrado.

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EXTRAVIO, SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO

ART. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou
inutilizá-lo, total ou parcialmente:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave.

EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS

ART. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Bizu: O crime se consuma quando o agente público emprega qualquer verba ou renda, já vinculada
por lei, decreto ou portaria, em finalidade distinta daquela previamente fixada. Não é necessário
apropriação, desvio para proveito próprio ou dano ao erário; basta o desvio formal de destino. O
sujeito ativo pode ser ordenador de despesa, gestor ou qualquer servidor que tenha ingerência sobre
a aplicação do recurso.

◼ Porém, não comete crime aquele que dá destinação diversa em estado de necessidade. Isto é, o
tipo admite aplicação da causa geral do art. 24 do Código Penal. Se a destinação diversa for imposta
por perigo atual de dano grave e inevitável, a conduta torna-se lícita, porque a lei não exige sacrifício
absoluto do bem jurídico protegido (legalidade orçamentária) quando coexistir perigo mais relevante
(vida, saúde coletiva, segurança). Isso não exclui controles político-administrativos, apenas exclui a
esfera penal.

◼ Exemplo doutrinário recorrente: em meio a enchente, o prefeito usa verba originalmente


carimbada para pavimentação e compra imediatamente mantimentos e abrigo para desalojados. A
urgência configura estado de necessidade; inexiste crime.

CONCUSSÃO (IMPORTANTE!!!)

Art. 316 - EXIGIR, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:

Pena - reclusão, de dois a DOZE anos, e multa.

Bizu: a lei anticrime alterou apenas a pena máxima da concussão de 8 para 12 anos. A chave para
identificar o crime de concussão é o verbo “EXIGIR”.

EXCESSO DE EXAÇÃO (IMPORTANTE!!!)

QUALIFICADORA: § 1º - Se o funcionário EXIGE tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber
indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

QUALIFICADORA: § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu


indevidamente para recolher aos cofres públicos:

Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

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CORRUPÇÃO PASSIVA (IMPORTANTE!!!)

ART. 317 SOLICITAR ou RECEBER, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

§ 1º - A pena é AUMENTADA de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário


retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.

CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional,
cedendo a pedido ou influência de outrem:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Bizu: Para diferenciar corrupção passiva de corrupção ativa, decore os verbos do tipo penal:

Corrupção passiva: solicitar ou receber;

Corrupção passiva privilegiada: praticar, deixar de praticar ou retardar ato de ofício a pedido de
outrem;

Corrupção ativa: oferecer ou promoter;

Concussão: exigir;

Prevaricação: retardar ou deixar de praticar.

Caiu na PPMG 2021, desta forma: Quincas é policial penal e amigo de Vanda, advogada do
apenado Martim, o qual cumpre pena privativa de liberdade no mesmo estabelecimento em que
trabalha Quincas. Cedendo a pedido de Vanda, a fim de beneficiar Martim, Quincas pratica
indevidamente um ato de ofício. Nesse contexto, é correto afirmar que Quincas praticou crime de:

A) corrupção passiva privilegiada

B) prevaricação

C) advocacia administrativa

D) tráfico de influência

Gabarito letra A.

FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO

ART. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (ART. 334):

Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

PREVARICAÇÃO (importante!!!)

ART. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa
de lei, para SATISFAZER INTERESSE OU SENTIMENTO PESSOAL:

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Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Bizu: O legislador quis criar um tipo mais específico para combater o uso de celulares nos presídios,
problema reconhecido como vetor de organização criminosa e de ordens de crimes a partir das
cadeias.

Lembre-se, também, de que no Estatuto do Desarmamento o Diretor de empresa de segurança


privada que não registrar ocorrência e não comunica a PF irá responder pelo crime de OMISSÃO DE
CAUTELA do próprio estatuto do desarmamento. Ler o art. art. 7o, § 1o da lei 10.826/03.

PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA

ART. 319-A. Deixar o DIRETOR DE PENITENCIÁRIA e/ou AGENTE PÚBLICO, de cumprir seu dever de vedar
ao preso o acesso a APARELHO TELEFÔNICO, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos
ou com o ambiente externo.

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

Bizu: O legislador quis criar um tipo mais específico para combater o uso de celulares nos
presídios, problema reconhecido como vetor de organização criminosa e de ordens de crimes a
partir das cadeias.

Lembre-se, também, de que no Estatuto do Desarmamento o Diretor de empresa de segurança


privada que não registrar ocorrência e não comunica a PF irá responder pelo crime de OMISSÃO
DE CAUTELA do próprio estatuto do desarmamento. Ler o art. art. 7o, § 1o da lei 10.826/03:

Omissão de cautela

(...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou DIRETOR responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de
comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo,
acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois
de ocorrido o fato.

Atenção: o Diretor responderá por PREVARICAÇÃO e não Condescendência Criminosa,


pegadinha recorrente em concursos policiais. Trata-se de crime próprio, pois exige que o sujeito
ativo seja o diretor da penitenciária ou agente público.

CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA

ART. 320 - Deixar o funcionário, POR INDULGÊNCIA (bizu: indulgencia = dó, piedade), de responsabilizar
subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao
conhecimento da autoridade competente:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

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Atenção: o art. 320 já caiu em concursos policiais (PMMG 2021) e o caso descrito foi o seguinte: Um
servidor público, que exerce cargo de gerência, no exercício de suas funções públicas, detectou o
cometimento de irregularidades por parte de um outro servidor público, seu subordinado, no
exercício do cargo. Apesar da identificação das irregularidades e da inexistência de dúvidas quanto
à autoria, o gerente não tomou providências, sob alegação de que o erro cometido pelo servidor era
tolerável. Diante dos fatos apresentados e de acordo com o previsto no Decreto-Lei n. 2848, de 1940
(Código Penal), qual o crime cometido pelo gerente?

A) Prevaricação.

B) Condescendência criminosa.

C) Corrupção passiva.

D) Excesso de exação.

Gabarito letra B.

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA

ART. 321 - PATROCINAR, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se
da qualidade de funcionário:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.

Qualificadora: Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA

ART. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la:

Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência.

ABANDONO DE FUNÇÃO

ART. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO

ART. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-
la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL

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ART. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe
a revelação:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:

I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma,
o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;

II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.

§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

VIOLAÇÃO DO SIGILO DE PROPOSTA DE CONCORRÊNCIA

ART. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-
lo:

Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO

ART. 327 - CONSIDERA-SE FUNCIONÁRIO PÚBLICO, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade


paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução
de atividade típica da Administração Pública.

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem
ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração
direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

Bizu: o art. 327 é chamado pela doutrina de “normas explicativas” – também chamadas por alguns
autores de “normas de extensão” ou “normas definidoras”. Essas normas não descrevem condutas
criminosas nem preveem pena; a sua função é fixar o alcance de expressões usadas em tipos penais,
fornecendo um conceito jurídico próprio para todo o Código.

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