ÁREA TEMÁTICA: RESÍDUOS SÓLIDOS
ESTIMATIVA TEÓRICO DA PRODUÇÃO DE
METANO NO ATERRO SANITÁRIO DE VITORIA
DA CONQUISTA - BA
Welder Cardoso Oliveira – [Link]@[Link]
Instituto Federal da Bahia – campus Vitória da Conquista
IX Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental, XV Encontro Nacional de Estudantes de
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1. RESUMO
A grande capacidade, atual de consumo e produção dos indivíduos tem
provocado o aumento acelerado da geração de resíduos sólidos. Enquanto existe por
meio da administração pública a incapacidade de ações corretas para o manejo de
resíduos aliado ao elevado custo financeiro para que ocorra o correto gerenciamento,
são essas algumas das maiores dificuldades encontradas para o setor. Uma das soluções
para o processo de disposição final dos resíduos sólidos urbanos são os aterros
sanitários. A decomposição anaeróbia da matéria orgânica produz a liberação do biogás,
cujos principais constituintes são o metano e dióxido de carbono. A partir de uma
estimativa teórica que leva em consideração a quantidade de resíduos gerados em um
dado período de tempo, a relação de componentes dos resíduos sólidos, o inicio de
deposição e o ano atual para o qual se pretende estimar a geração de metano e demais
variáveis chegou-se ao valor estimado de metano gerado no Aterro Sanitário de Vitoria
da Conquista – BA.
Palavras-chave: Resíduos Sólidos, Aterro Sanitário, Biogás.
2. INTRODUÇÃO/OBJETIVO
Moraes (1998), estudando os impactos dos resíduos sólidos domiciliares urbanos
na saúde, sugere que o tipo de acondicionamento domiciliar e a prestação do serviço de
coleta contribuíram para controlar a transmissão das doenças diarreicas e parasitárias.
Desse modo, a universalização do serviço regular de coleta de resíduos sólidos
domiciliares urbanos, e também a mudança de comportamento das pessoas no que tange
a destinação dos resíduos sólidos, são medidas que contribuem para a redução dos
fatores de riscos ambientais. No Brasil, grande parte dos resíduos sólidos ainda é
descartada sem nenhuma forma de tratamento. Espaços de despejos clandestinos estão
presentes na maioria dos municípios e os aterros verdadeiramente sanitários são poucos.
Além dos diversos impactos ambientais locais, sobre a saúde e qualidade de vida dos
cidadãos, os resíduos sólidos urbanos sem disposição adequada consistem em uma fonte
significativa das emissões de metano (CH4) (ICLEI, 2009, p. 7). É preciso entender que
o manejo dos resíduos sólidos está contido na definição de saneamento básico, assim
especificando a cidade de Vitoria da Conquista, Moraes diz:
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“O Plano de Saneamento Ambiental para Vitória da Conquista,
propriamente dito, contendo os princípios, as diretrizes, as metas e a
proposta de um Sistema Municipal de Saneamento Ambiental,
envolvendo as componentes abastecimento de água, esgotamento
sanitário, manejo de águas pluviais e de resíduos sólidos. ” (MORAES
et al., 1999a).
A definição para resíduos sólidos é dada na Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PRNS) que considera resíduo sólido como:
“(...)qualquer material, substância, objeto ou bem descartado,
oriundo de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se
procede, se propõe a proceder ou se está obrigado a proceder, nos
estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes
e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na
rede pública de esgoto ou em corpos d’agua, ou exijam para isso
soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor
tecnologia possível. ” (BRASIL, 2010).
A quantidade e composição dos resíduos variam de acordo com a população,
seus diferentes extratos sociais, economia e grau de urbanização (PRANDINI, JARDIM
e D’ALMEIDA, 1995). A caracterização dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) gerados
por um município é fundamental para qualquer definição posterior de gerenciamento,
quantidade e qualidade, tendências futuras, cálculo da capacidade e tipo de equipamento
de coleta, tratamento e destinação final (LIMA, 2004).
Para Machado (2013), as formas mais conhecidas de disposição final de resíduos
são o aterro sanitário, aterro controlado e lixão a céu aberto. No Brasil, 58,4% dos
resíduos sólidos urbanos produzidos em 2014 tiveram destinação adequada, sendo
encaminhados para aterros sanitários, enquanto que 24,2% foram para aterros
controlados e 17,4% para lixões. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas
de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2014, de 5.570 municípios
brasileiros, 2.236 destinam seus RSU para aterro sanitário, 1.775 para aterros
controlados e 1.559 para lixões.
Segundo Silva (2013), a melhor forma de destinação final dos resíduos sólidos
urbanos é a disposição em aterros sanitários. Nesse contexto, a adoção da PNRS, então,
estabeleceu uma meta ambiciosa e desafiadora em seu Artigo 54, o qual dava o prazo de
quatro anos para que os municípios façam a disposição final ambientalmente adequada
dos rejeitos, ou seja, propunha o fim dos lixões até meados de 2014.
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O processo de biodegradação dos resíduos sólidos urbanos no interior do aterro
sanitário produz gases tóxicos, que além de prejudicar a saúde humana provocam
impactos para o meio ambiente. Os principais gases gerados durante esse processo são
dióxido de carbono (CO2) representado por aproximadamente 45%, metano (CH4)
contribuindo com 60%, gás sulfídrico (H2S), mercaptanas dentre outros. Ao conjunto
desses gases dá-se o nome de biogás. Esses gases são preocupantes do ponto de vista
local (odores e efeitos sobre a saúde), regional e global (o metano contribui para o
aumento do efeito estufa). A produção de metano em aterros municipais em todo o
mundo representa de 5 a 15% do metano total lançado na atmosfera. Além disso, o
metano é de 20 a 25 vezes mais efetivo que o CO2 na absorção da energia
infravermelha, contribuindo significativamente para o aumento do efeito estufa
(CATAPRETA; SIMÕES, 2009).
Tendo em vista que a maior parte do biogás é formado de metano (CH4) além de
existir a necessidade de estudos sobre o tema para a cidade de Vitoria da Conquista que
conta com um aterro sanitário, e sendo possível agregar informações para a possível
instalação de equipamentos que promovam a queima do biogás gerado, o presente
trabalho visa estimar a quantidade de metano gerado no aterro sanitário da cidade de
Vitoria da Conquista para que, futuramente seja possível a realização da queima ou
beneficiamento do mesmo, uma vez que o biogás gerado em aterro sanitário possui uma
vasta gama de utilização energética. presentar a fundamentação destacando a
importância/relevância e os objetivos do trabalho. O trabalho aceito estará sujeito a
revisões por parte de seus autores, para a sua aceitação final e inclusão nos Anais
conforme parecer da Comissão Científica do evento.
3. METODOLOGIA
3.1 Localização da área de estudo
O Aterro Sanitário de Vitoria da Conquista está localizado na área urbana do
município, na parte oeste do mesmo, distante aproximadamente 10 km do centro da
cidade, no Bairro de Zabelê.
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3.2 A projeção da geração de resíduos sólidos urbanos (RSU) no aterro de
Vitoria da Conquista
Para tal projeção utilizamos como modelo matemático para o crescimento
populacional e projeção da população para um determinado período, o cálculo de
crescimento logístico.
P
Pt = 1+c∗eK1s∗(t−t0), (1)
2P0 ∗P1 ∗P2 − P1 2 ∗(P0 +P2 )
Ps = (2)
P0 ∗P2 −P1 2
1 P ∗(P − P )
K1 = ∗ ln[ P0 ∗(Ps −P 1) ] (3)
t2 −t1 1 s 0
(Ps− P0 )
c= (4)
P0
Pt − População no ano t
Ps − População de Saturação
K1 − Coeficiente de crescimento
c − Coeficiente
t − Ano da Projeção
t 0 − ano referente ao P0
Para o cálculo da geração per capita usamos a Fórmula (5), tendo como dados
população do ano de 2016 e a geração anual de 2016, uma sendo dado do IBGE e outro
do SNIS.
GA GD
GD = , daí GPc = (5)
365 POPULAÇÃO T
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Onde:
GD = Geração Diaria
GPc = Geração Percapita
T = População do ano
Geração percapita, adicionar 0,01 ou 1% a cada ano. Geração diária: multiplica a
população anula pela de geração percapita. E a Geração anual é o produto da geração
diária por 365 e a geração acumula é o somatório dos anos anteriores.
2. 3 Estimativa do potencial de geração de metano
A metodologia proposta neste estudo utilizou um modelo teórico de estimativa
como ferramenta de previsão do volume de metano a ser gerado pelo período de tempo
considerado. O método utilizado foi desenvolvido pelo Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC, 1996).
Para o cálculo do potencial de geração em aterros, utilizou-se as metodologias
elaboradas pelo IPCC.
Para o cálculo da emissão de metano, utiliza-se a Equação (6):
ECH4 = k ∗ R x ∗ L0 ∗ e−k(x−T) (6)
Onde:
ECH4 = Emissão de metano
k = Constante de decaimento;
L0 = Potencial de geração de metano;
x = Ano atual;
T = Ano de doposição do residuo no aterro;
R x = Fluxo de residuos do ano.
Será necessário primeiro calcular a fração de carbono orgânico degradável no
lixo (COD) depositado no aterro utiliza-se a Equação (7):
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COD = ∑(CODi ∗ Wi ) (7)
Onde:
COD = Fração de carbono orgânico degradável no lixo;
CODi = Fração de carbono orgânico degradável no tipo de resíduo i;
Wi = Fração do tipo de resíduo i por categoria do resíduo.
Após o cálculo do COD, calcula-se o potencial de geração de metano no resíduo
(L0), observado na Equação 8:
16
L0 = FMC ∗ COD ∗ CODf ∗ F ∗ (8)
12
F = Fração de metano presente no biogás;
FMC = Fator de correção do metano = 0,8 inadequado (profundo >5m de lixo);
COD = Valor obtido por meio dos cálculos realizados na Equação (7);
CODf = Fração altamente biodegradável no resíduo brasileiro, CODf = 0,014T +
0,28 = 0,77, onde T: temperatura (°C) na zona anaeróbia dos resíduos, estimada em
35°C;
F = Fração de metano presente no biogás.
Caso o aterro não possua o valor real da quantidade de metano presente no
biogás, pode-se utilizar a estimativa de 0,5, pois geralmente a quantidade de metano
presente no biogás de aterro é 50%.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No Política e Plano Municipal De Saneamento Ambiental, Secretaria Nacional
de Saneamento Básico lemos:
“Tomando como base a geração per capita diária de resíduos
sólidos de 0,300 kg/[Link] e o tipo de pavimento das vias, foi proposta
para cada localidade a varrição manual dos resíduos, a separação dos
resíduos na origem e a coleta diferenciada por meio de carroça com
tração animal. Projetou-se aterro sanitário manual como solução para a
disposição do rejeito dos resíduos sólidos” (PPMSA, 2010)
Utilizando as Equações (1),(2),(3),(4) e (5). Montamos o Quadro 1:
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Quadro 1 – Geração de RSU e o Acumulo Anual
Geração Per Geração Geração
Geração
Ano Habitantes Capita Anual Acumulada
Diária (kg)
(kg/[Link] ) (Toneladas) (Toneladas)
2016 346069 0,566 195972,6049 71.530,80 71.530,80
2017 342301,8085 0,576 197165,8417 71965,53222 143.496,33
2018 346069 0,586 202796,434 74020,69841 217.517,03
2019 349724,1913 0,596 208435,618 76079,00058 293.596,03
2020 353267,6487 0,606 214080,1951 78139,27122 371.735,30
2021 356699,9111 0,616 219727,1452 80200,40801 451.935,71
Fonte: Autor
Constatamos então que a projeção do aterro sanitário de Vitoria da Conquista, no
que tange a geração percapita de RSU tem um deficit de aproximadamente 0,250
quilogramas por habitante, aproximadamente 83% a mais do previsto no plano.
Em IPCC (1996) é apresentada uma metodologia de fácil aplicação para cálculo
de emissão de metano a partir de resíduos sólidos para países ou regiões específicas.
Esse método envolve a estimativa da quantidade de carbono orgânico degradável
presente no lixo, calculando assim a quantidade de metano que pode ser gerada por
determinada quantidade de resíduo depositado, considerando categorias de resíduos
sólidos domésticos.
É preciso conhecer a composição gravimétrica, ela identifica o percentual de
cada componente do resíduo em relação ao peso total da amostra analisada e permite
identificar a quantidade e a qualidade dos resíduos gerados pelos municípios.
Geralmente, os componentes dos resíduos sólidos urbanos estão distribuídos em matéria
orgânica, papel, papelão, trapos, plástico, metais, vidro, borracha, madeira e outros.
Para calcular a emissão de metano usaremos como base os dados contidos na
Tabela 3.3 do Módulo 5 – Resíduos, do Guia do IPCC, Volume 3: Disposição de
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Resíduos Sólidos, de 1996, tem-se o valor de k para clima tropical – resíduo úmido (de
acordo com a composição do lixo). Então usaremos da seguinte forma: para o papel k =
0,07; para resíduos orgânicos k = 0,17, para madeira k = 0,035. Usando o Rx do ano de
2020, presente na tabela 1 e considerando que o ano de deposição do RSU 2016.
Se a fração de metano presente no biogás for 50%, a quantidade de biogás será o
dobro do valor de ECH4, ou seja, será duas vezes a quantidade de metano obtida na
Equação (6) (ICLEI, 2009, p. 64), então temos a Tabela 1.
Tabela 1 - Comportamento da geração de gás metano e biogás
m3 /Ano
Metano 436,78
Biogás 873,52
Fonte: Autor
.
A queima do gás metano, além de ser passível de aproveitamento energético,
ocasiona a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera, uma vez que o dióxido de
carbono, produto da queima, possui um potencial de aquecimento global 21 vezes
menor que o metano (IPCC, 2006).
5. CONCLUSÕES/RECOMENDAÇÕES
O método apresentado neste trabalho é uma estimativa teórica. Vale salientar
que uma melhor forma de avaliar o potencial de um aterro específico seria através da
realização de pesquisas e medições de campo da quantidade de biogás e concentração
presente de metano, direcionadas para implantação de um projeto específico.
A projeção da produção de biogás e do gás metano podem ser feitas através de
modelos matemáticos que utilizam, basicamente, a quantidade de resíduos como
parâmetro de entrada. Esta estimativa é apenas teórica e não pode ser utilizada a não ser
como fonte de conhecimento prévio da quantidade de biogás que pode ser produzido
por aterros sanitários. Dessa forma este trabalho poderá dar subsídio de conhecimento
às autoridades competentes para a realização de projetos de aproveitamento do biogás
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do Aterro Sanitário de Vitoria da Conquista. Indicando um erro de projeção, acha visto
que o índice de geração percapita de RSU tem um deficit de aproximadamente 0,250
kilogramas por habitante, aproximadamente 83% a mais do previsto no plano. Isso
indica uma superlotação do aterro, e um tempo de vida que cai de forma logarítmica.
Com a projeção de produção de RSU, podemos prever consequentemente a relação
direta entre a produção de biogás e a quantidade de RSU produzidos durante o ano.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MONTEIRO, J. H.P. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos.
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