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Tipos e Princípios das Receitas Públicas

Distinção dos diferentes tributos

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Martim Dias
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Existem, essencialmente, 3 modalidades de receitas públicas atendendo à fonte: tributárias, patrimoniais e

creditícias. As receitas tributárias são as provenientes da cobrança de tributos.

Tributos
− Prestações pecuniárias
− a favor do Estado ou outra entidade pública
− obrigatórias
− não sancionatórias
Tipos Impostos Contribuições financeiras Taxas
Natureza Unilateral ou não sinalagmática Bilateral ou sinalagmática
Princípio da capacidade
Princípios Princípio da equivalência
contributiva
Prestação administrativa
− específica,
− tendencialmente direta e
imediata,
Prestação administrativa − de que o suj. passivo seja efetivo
− difusa (pode ou não vir causador ou beneficiário.
Fatores reveladores de riqueza:
a verificar-se) e
− rendimentos, 3 situações:
Pressupostos − presumivelmente
− património e  Utilização de bens do domínio
provocada ou
− consumo. público;
aproveitada pelo suj.
passivo.  Obtenção de um serviço
público;
 Remoção de um obstáculo
jurídico ao exercício da
atividade privada.

Compensação da
Financiamento da atividade contraprestação, sendo a
Finalidade Compensação da contraprestação
geral do Estado receita consignada à
entidade prestadora

− 103.º – a criação tem de ser


por ato legislativo e ele não
pode ser retroativo
− 104.º – visam a diminuição
das desigualdades e a justiça
social; só pode haver um
imposto sobre pessoas 165.º/1/i) – só há reserva
165.º/1/i) – só há reserva relativa
singulares e é progressivo; o relativa orgânica e de
Normas CRP orgânica e de forma da AR em
imposto sobre as empresas forma da AR em relação
relação ao “regime geral” 1
incide sobre o rendimento ao “regime geral”
real; o imposto sobre o
consumo onera os
consumos de luxo
− 165.º/1/i) – reserva relativa
orgânica (criação pela AR) e
de forma (lei da AR)

Contribuição para a Seg. Portagens, taxas de justiça, taxas


Exemplos IRS, IRC, IVA, IMI, IMT…
Social… moderadoras no SNS…

1 Não existe um regime geral das taxas nem das contribuições financeiras, mas há um regime geral das taxas das autarquias
locais (Lei 53-E/2006, de 29 de dezembro), aprovado ao abrigo da competência concorrencial entre o Gov. e a AR (161.º/c) CRP).
De cada um segundo a sua capacidade de contribuir, que é aferida por fatores
Princípio da capacidade
indiciadores de riqueza que o sujeito manifesta (rendimentos, património,
contributiva
consumo).
De cada um segundo aquilo que aproveita ou beneficia. Também “princípio do
Princípio da equivalência
utilizador-pagador” ou “do beneficiário-pagador”.

Quem é o suj. passivo, i.e., sobre quem incide o tributo? Exs.: pessoas singulares ou
Incidência subjetiva coletivas, residentes em determinada circunscrição, pessoas que auferem determinado
rendimento, utentes de determinado serviço…
Qual o objeto, i.e., sobre o que é que incide o tributo? Ou seja, se sobre rendimentos,
Incidência objetiva
património, consumo ou contraprestação e que espécie de entre estes géneros.

Tipos de impostos quanto à incidência objetiva:


Impostos que incidem sobre o fenómenos constantes ou permanentes de riqueza, ou
seja, sobre o rendimento e o património.

Fontes constantes e periódicas de riqueza, como o salário e o


Impostos Impostos sobre o lucro da empresa.
diretos rendimento
Exs.: IRS e IRC (nota: estes dois são cobrados pelo Estado).
Fontes constantes e não-periódicas de riqueza, como os prédios
Impostos sobre o urbanos e rústicos.
património
Ex.: IMI (nota: cobrado pelos municípios).
Impostos que incidem sobre manifestações esporádicas ou ocasionais de riqueza, i.e.,
o consumo.
Sobre manifestações esporádicas de riqueza, como são a compra
Impostos sobre o de produtos e serviços (no sentido técnico-económico).
consumo
Ex.: IVA.

Impostos com finalidades extrafiscais, nomeadamente


pigouvianas (de internalização de externalidades positivas –
contribuições de melhoria – ou negativas – contribuições de
especial desgaste). Resultam de uma aplicação híbrida dos
princípios da capacidade contributiva e da equivalência.
Ex.: imposto criado após a construção da ponte Vasco da Gama que
Impostos
incidia sobre os prédios da zona e visava internalizar no Estado as
indiretos vantagens geradas nos prédios pela construção da ponte (sendo as
vantagens a valorização dos prédios).
Contribuições
especiais Também denominados impostos “sobre o
pecado”, “punem” o consumo de
Impostos determinados bens e visam internalizar no
especiais sobre consumidor as externalidades negativas
o consumo provocadas por tal consumo.
Exs.: impostos especiais sobre o álcool, o tabaco
e os sacos de plástico.

Impostos sobre Visam internalizar os custos ambientais e de


veículos incremento do perigo de sinistralidade.
Aqueles cuja taxa aumenta à medida que aumenta o rendimento (por
ex., entre 1000€ e 2000€ pagam 20%, entre 2000€ e 3000€ pagam
Impostos progressivos 30%). Traduz-se na igualdade de sacrifícios e igualdade vertical.
Ex. em Portugal: IRS.

Impostos proporcionais ou de taxa plana Aqueles cuja taxa é sempre a mesma, v.g.: pagam todos 25%.
(flat tax) Ex. em Portugal: IRC.

Aqueles cujo montante cobrado é sempre o mesmo, e.g.: pagam


Impostos de soma fixa ou de capitação
todos 10€. A taxa média (rendimento total/montante do tributo) é
(lump sum taxes)
regressiva.

Impostos regressivos Aqueles cuja taxa diminui à medida que aumenta o rendimento.

Deve haver repartição diferenciada do sacrifício fiscal entre pessoas com


Igualdade vertical
rendimentos diferentes, o que se traduzirá em progressividade.

Todos os que são titulares das mesmas formas de riqueza (p. ex., têm os
mesmos rendimentos) são tributados da mesma forma.
Igualdade horizontal
É tradução do princípio da uniformidade, segundo o qual a repartição dos impostos
deve obedecer ao mesmo critério para todos.

Igualdade perante a lei de imposto. Não deve haver desigualdades


Igualdade estrita ou formal
tributárias.
São justificadas desigualdades tributárias que compensem ou mitiguem
Igualdade substancial ou material
desigualdades sociais.

Princípio gerais das receitas públicas:

− princípio da legalidade
As fontes receitas devem ser regidas (e criadas, no caso dos impostos) por lei.

− princípio da renovação anual


As receitas não podem ser cobradas sem autorização orçamental anual.

− princípio da previsão das receitas no OE.


As receitas devem encontrar-se integralmente previstas no OE.

− princípio da não dedução das despesas de cobrança


Consequência da regra da não compensação.

− princípio da não consignação a despesas específicas


As receitas devem reverter para as despesas gerais do Estado, salvo casos excecionais previstos por
lei, como as contribuições financeiras.

− princípio da cobrança através de execuções fiscais


Regra geral, os tributos podem ser cobrados por execução.

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