EXTRADIÇÃO
É instrumento de cooperação
internacional na repressão à
criminalidade, consistindo no ato pelo
qual um Estado entrega a outro pessoa
acusada ou condenada, para que seja
julgada ou submetida à execução da
pena.
É regulada pela Lei 13.445 de
24/05/2.01780 (Lei de Migração)
Atende ao princípio básico de que a
punição do criminoso deve ser feita
no lugar onde foi praticada a
infração, local este em que haverá
melhores elementos para realização
da instrução criminal.
1. Ativa: em relação ao Estado que a
solicita;
2. Passiva: em relação ao Estado que
a concede.
São condições para a concessão da
Extradição, Art. 83:
Ø Ter sido o crime cometido no território do
Estado requerente, ou serem aplicadas
suas leis;
Ø Estar o extraditando respondendo a
processo investigatório ou penal, ou ter
sido condenado a pena privativa de
liberdade, art. 83, II.
Deve ser solicitada por via
diplomática, ou, pelas autoridades
centrais designadas para esse fim
(§ 1°, art. 81, devendo o pedido ser
acompanhado de: (§ 3º, art. 88).
“O pedido deverá ser instruído com cópia
autêntica ou com o original da sentença
condenatória ou da decisão penal
proferida, conterá indicações precisas
sobre o local, a data, a natureza e as
circunstâncias do fato criminoso e a
identidade do extraditando e será
acompanhado de cópia dos textos legais
sobre o crime, a competência, a pena e a
prescrição.”
Art. 84. Em caso de urgência, o Estado
interessado na extradição poderá, previamente ou
conjuntamente com a formalização do pedido
extradicional, requerer, por via diplomática ou por
meio de autoridade central do Poder Executivo,
prisão cautelar com o objetivo de assegurar a
executoriedade da medida de extradição que,
após exame da presença dos pressupostos
formais de admissibilidade exigidos nesta Lei ou
em tratado, deverá representar à autoridade
judicial competente, ouvido previamente o
Ministério Público Federal.
Condições relativas ao
processo e ao foro:
Ø O Extraditando deve estar respondendo a
processo investigatório ou penal;
Ø Não se concederá a extradição quando o
extraditando estiver sendo processado ou já tiver
sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo
fato em que se fundar o pedido (art. 82, V);
Ø Também não será concedida quando o Brasil for
competente, segundo suas leis, para julgar a
infração (art. 82, III);
ØSó será concedida, se a infração tiver sido
cometida no território do Estado requerente,
ou quando se lhe aplicarem as suas leis
penais (art. 83, I);
Ø Não será concedida a extradição, quando o
extraditando tiver de responder, no Estado
requerente, perante o tribunal ou juízo de
exceção (art. 82, VIII).
Também não se concederá a
Extradição:
ØAr. 82, IX - o extraditando for
beneficiário de refúgio, nos termos
da Lei no 9.474, de 22 de julho de
1997, ou de asilo territorial.
Relativas à
punibilidade
Não se concede a extradição,
quando estiver extinta a
punibilidade, pela prescrição,
segundo a lei do Estado requerente,
ou a brasileira (art. 82, VI);
Relativas à pessoa do extraditando:
Há de frisar-se que em nenhum caso se concede a
extradição de brasileiro, art. 5º, LI da CF, art. 82, I,
Lei 13.445/17, admitindo-se a extradição de
brasileiro, nas hipóteses previstas na CF, ou seja,
quando houver seu comprovado envolvimento em
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins (art.
5º, LI, CF). De qualquer modo, a verificação de
“comprovado envolvimento” depende de sentença
judicial transitada em julgado, já que ninguém pode
ser considerado culpado sem seu evento.
Art. 82 § 3o - Para determinação
da incidência do disposto no
inciso I, será observada, nos
casos de aquisição de outra
nacionalidade por naturalização,
a anterioridade do fato gerador
da extradição.
Relativas ao fato imputado ao extraditando:
Não se concede a extradição quando a lei brasileira impuser pela
Ø
infração, pena privativa de liberdade igual ou inferior a dois anos (art.
82, IV);
Ø Não se concede a extradição quando se trata de crime político ou de
opinião (art. 5º, LII, CF, art. 82, VII, Lei 13.445).
*** Art. 82 § 1o A previsão constante do inciso VII
do caput não impedirá a extradição quando o fato
constituir, principalmente, infração à lei penal comum ou
quando o crime comum, conexo ao delito político,
constituir o fato principal.
Crimes de opinião: são aqueles que representam
abuso na liberdade de manifestação do pensamento
(através da palavra escrita ou falada).
Crimes políticos: são aqueles que ofendem interesses
políticos do Estado (próprios do Estado, como tal, ou
seja, interesses que se relacionam com a vida do Estado
na sua essência unitária, como a integridade do
território, independência, honra, forma de governo, etc.).
São também crimes políticos aqueles que atingem os
direitos políticos dos cidadãos (crimes eleitorais). São
crimes políticos relativos os crimes comuns
determinados, no todo ou em parte, por motivos
políticos, estes são passíveis de extradição.
A qualificação do crime como político incumbe ao
país ao qual a extradição é pedida e não ao país
que a pede.
O Conselho da Europa aprovou em 10/11/76 a
Convenção Europeia que prevê a possibilidade de que
não seja considerado crime político ou conexo a crime
político todo ato grave de violência dirigido contra a
vida, a integridade corporal ou a liberdade das
pessoas, bem como todo ato grave contra bens, se
capaz de criar perigo coletivo (art. 2º).
Não impede a extradição a
circunstância de ser o extraditando
casado com brasileira ou a de ter filho
brasileiro (Súmula 421).
O processo perante o STF está previsto no art.
91 e seguintes da Lei 13.445/2017
Art. 91. Ao receber o pedido, o relator designará dia e hora
para o interrogatório do extraditando e, conforme o caso,
nomear-lhe-á curador ou advogado, se não o tiver.
§ 1o A defesa, a ser apresentada no prazo de 10 (dez) dias
contado da data do interrogatório, versará sobre a
identidade da pessoa reclamada, defeito de forma de
documento apresentado ou ilegalidade da extradição.
Ø § 2o Não estando o processo devidamente instruído, o
Tribunal, a requerimento do órgão do Ministério Público
Federal correspondente, poderá converter o julgamento
em diligência para suprir a falta.
Ø § 3
o Para suprir a falta referida no § 2o, o Ministério
Público Federal terá prazo improrrogável de 60
(sessenta) dias, após o qual o pedido será julgado
independentemente da diligência.
Ø § 4 O prazo referido no § 3 será contado da data de
o o
notificação à missão diplomática do Estado requerente.
Ø Art. 94 Negada a extradição em fase judicial, não se
admitirá novo pedido baseado no mesmo fato.
ØArt. 95 Quando o extraditando estiver sendo
processado ou tiver sido condenado, no Brasil, por crime
punível com pena privativa de liberdade, a extradição
será executada somente depois da conclusão do
processo ou do cumprimento da pena, ressalvadas as
hipóteses de liberação antecipada pelo Poder Judiciário e
de determinação da transferência da pessoa condenada.
Ø § 1o A entrega do extraditando será igualmente
adiada se a efetivação da medida puser em risco
sua vida em virtude de enfermidade grave
comprovada por laudo médico oficial.
§ 2o Quando o extraditando estiver sendo
Ø
processado ou tiver sido condenado, no Brasil, por
infração de menor potencial ofensivo, a entrega
poderá ser imediatamente efetivada.
Art. 96. Não será efetivada a entrega sem que o
Estado requerente assuma o compromisso:
Ø I - não submeter o extraditando a prisão ou processo por fato anterior ao
pedido de extradição;
Ø II - computar o tempo da prisão que, no Brasil, foi imposta por força da
extradição;
Ø III - comutar a pena corporal, perpétua ou de morte em pena privativa de
liberdade, respeitado o limite máximo de cumprimento de 30 (trinta) anos;
Ø IV - não entregar o extraditando, sem consentimento do Brasil, a outro
Estado que o reclame;
Ø V - não considerar qualquer motivo político para agravar a pena; e
Ø VI - não submeter o extraditando a tortura ou a outros tratamentos ou
penas cruéis, desumanos ou degradantes.
Transferência de Execução da Pena
Ø Art. 100 Nas hipóteses em que couber
solicitação de extradição executória, a
autoridade competente poderá solicitar ou
autorizar a transferência de execução da
pena, desde que observado o princípio do
non bis in idem
Requisitos para que haja essa
transferência:
Ø Art.100 parágrafo único (…) A transferência de execução da pena
será possível quando preenchidos os seguintes requisitos:
Ø I - o condenado em território estrangeiro for nacional ou tiver
residência habitual ou vínculo pessoal no Brasil;
Ø II - a sentença tiver transitado em julgado;
Ø III - a duração da condenação a cumprir ou que restar para cumprir
for de, pelo menos, 1 (um) ano, na data de apresentação do pedido
ao Estado da condenação;
Ø IV - o fato que originou a condenação constituir infração penal
perante a lei de ambas as partes; e
Ø V - houver tratado ou promessa de reciprocidade.
Do Pedido:
Ø Pedido de transferência:
Ø Art. 101 O pedido de transferência de execução da pena de
Estado estrangeiro será requerido por via diplomática ou por
via de autoridades centrais. Lei de Migração.
Ø § 1 O pedido será recebido pelo órgão competente do
o
Poder Executivo e, após exame da presença dos
pressupostos formais de admissibilidade exigidos nesta Lei
ou em tratado, encaminhado ao STJ para decisão quanto à
homologação.
Ø *** Atenção para isso: aqui a competência é do STJ (e
não do STF).
DEPORTAÇÃO E EXPULSÃO
São medidas administrativas de
policia com a finalidade comum
de obrigar o estrangeiro a deixar
o território nacional
Deportação – Art. 50 e segts.
Lei 13.445/2017
Consiste na saída compulsória do estrangeiro para
o país de sua nacionalidade ou procedência ou
para outro que consista em recebê-lo (art.50).
Verifica-se a deportação nos casos de entrada ou
estada irregular de estrangeiro.
Expulsão – Art. 54 e segts.
Lei 13.445/2017
Art. 54:
A expulsão consiste em medida administrativa
de retirada compulsória de migrante ou
visitante do território nacional, conjugada com
o impedimento de reingresso por prazo
determinado.
Hipóteses:
§ 1o Poderá dar causa à expulsão a condenação com sentença
transitada em julgado relativa à prática de:
• crime de genocídio;
• crime contra a humanidade;
• crime de guerra;
• crime de agressão;
• crime comum doloso passível de pena privativa de liberdade,
consideradas a gravidade e as possibilidades de ressocialização
em território nacional.
O Poder Judiciário poderá avaliar a decisão de
expulsão?
SIM, é possível. No entanto, como o ato de expulsão é considerado
discricionário, somente cabe ao Poder Judiciário analisar se ele foi
praticado em conformidade ou não com a legislação em vigor (controle de
legalidade), não podendo examinar a sua conveniência e oportunidade, ou
seja, não poderá realizar o controle sobre o mérito da decisão. Assim, o
ato administrativo de expulsão, manifestação da soberania do país, é de
competência privativa do Poder Executivo, competindo ao Judiciário
apenas a verificação da higidez do procedimento por meio da observância
das formalidades legais. STJ. 1ª Seção. HC 239.329/DF, Rel. Min. Arnaldo
Esteves Lima, julgado em 28/05/2014. STJ. 1ª Seção. HC 333.902-DF, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 14/10/2015 (Info 571)
Situações em que não se admite a
expulsão:
Art.55 - Não se procederá à expulsão quando:
I - a medida configurar extradição inadmitida pela legislação
brasileira;
II - o expulsando: a) tiver filho brasileiro que esteja sob sua guarda
ou dependência econômica ou socio-afetiva ou tiver pessoa brasileira
sob sua tutela; b) tiver cônjuge ou companheiro residente no Brasil,
sem discriminação alguma, reconhecido judicial ou legalmente; c)
tiver ingressado no Brasil até os 12 anos de idade, residindo desde
então no País; d) for pessoa com mais de 70 anos que resida no País
há mais de 10 anos, considerados a gravidade e o fundamento da
expulsão.
Artigo 85 do Decreto Lei nº 2.848 de
07 de Dezembro de 1940
Ø Art. 85 - A sentença especificará as
condições a que fica subordinado o
livramento. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Ø Revogação do livramento