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Ultrassonografia em Hepatopatias Caninas

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ULTRASSONOGRAFIA NO DIAGNÓSTICO DAS HEPATOPATIAS EM CÃES:

REVISÃO DE LITERATURA

Autores: Alexandre Rodrigues Teodoro da Costa, Karoline Inácio de Abreu,


Afonso Cassa Reis; Jéssica de Crasto Souza Carvalho Reis.

Universidade Federal do Espírito Santo/Centro de Ciências Agrárias e Engenharias, Departamento de


Medicina Veterinária, Alto Universitário, S/N, Guararema - 29500-000 - Alegre-ES, Brasil,
alexandrecostartc@[Link], karolineabreuinacio@[Link], [Link]@[Link];
jessicacrasto22@[Link]

Resumo
As hepatopatias em cães representam um desafio diagnóstico devido à inespecificidade dos sinais
clínicos e a alta capacidade de reserva funcional do fígado. Nesse cenário, a ultrassonografia
consolidou-se como exame de primeira linha na clínica veterinária, por ser uma técnica não invasiva,
amplamente disponível e capaz de fornecer informações em tempo real. O presente trabalho teve como
objetivo revisar a literatura acerca do uso da ultrassonografia no diagnóstico das hepatopatias em cães,
destacando suas modalidades e avanços recentes. Verificou-se que, embora o modo B seja
amplamente utilizado, sua precisão é limitada em casos de alterações difusas. Para contornar essas
limitações, surgiram métodos complementares, como os sistemas de escore ultrassonográfico, a
elastografia por onda de cisalhamento (2D-SWE), ultrassonografia por atenuação (ATI) e a
ultrassonografia laparoscópica (LUS) que aumentam a objetividade e sensibilidade do exame, o que
permite melhor correlação com alterações laboratoriais e histopatológicas.

Palavras-chave: Elastografia. Histopatologia. Diagnóstico por imagem. Modo B.

Área do Conhecimento: Ciências da Saúde – Medicina Veterinária

Introdução

As hepatopatias em cães são de suma importância na clínica veterinária devido ao predomínio da


natureza inespecífica dos seus sinais clínicos, o que configura um desafio diagnóstico significativo.
Sintomas como vômitos, diarreia, letargia, anorexia, distenção abdominal, icterícia, poliúria/polidipsia e
dor abdominal são notados em diferentes circunstâncias hepáticas, sem apontar para uma causa
específica (Kumar, et al., 2012). A característica fisiológica de reserva funcional do fígado contribui para
a manifestação tardia e inespecífica dos sintomas, visto que os sinais clínicos de disfunção hepática só
se tornam evidentes quando há um comprometimento igual ou superior a 55% da função hepática
(Assawarachan, et al., 2019). Ainda, as doenças sistemicas e medicamentos podem causar elevações
na atividade das enzimas hepáticas, como em hepatopatias secundárias ou reativas, causando uma
dúvida clínica se o aumento das enzimas é de carater primário ou secundário (Kumar, et al., 2012).
Devido à ausência de sinais clínicos específicos e pela propriedade de reserva do fígado, emerge a
necessidade de métodos diagnósticos precisos para identificar e caracterizar as lesões hepáticas
precoces (Kumar, et al., 2012). Nessa situação, a ultrassonografia surge como técnica principal e
largamente utilizada para avaliação hepática em cães. É uma ferramenta diagnóstica não invasiva que
permiter avaliar a ecogenicidade, a textura do parênquima hepático, as estruturas biliares e vasculares
e o tamanho do fígado. Entretanto, a precisão diagnóstica da ultrassonografia convencional em modo
B apresenta limitações em casos de hepatopatias difusas, precisando, em muitos casos, de uma
biópsia ou exame histopatológico para um diagnostico definitivo (Kim, et al., 2025). Portanto, objetivou-
se revisar a literatura acerca do uso da ultrassonografia no diagnóstico das hepatopatias em cães,
destacando suas modalidades e avanços recentes

Metodologia

XIX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XXV Encontro Latino Americano de Pós-Graduação e 1
XV Encontro de Iniciação à Docência - Universidade do Vale do Paraíba – 2025
Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura sobre o uso da ultrassonografia no diagnóstico
das hepatopatias em cães. Foram consultados artigos científicos publicados entre 2012 e 2025, em
bases de dados como PubMed, ScienceDirecr, Scielo e Google Scholar, utilizando os descritores
“ultrassonografia”, “hepatopatias”, “cães”, “diagnóstico por imagem”. Foram acrescentados artigos em
inglês e português que abordavam a aplicação da ultrassonografia e suas diferentes modalidades no
diagnóstico de doenças hepáticas em cães, optando por publicações recentes e de relevância na clínica
veterinária.

Discussão Teórica

A ultrassonografia é um exame de imagem não invasivo amplamente utilizada na avaliação do


fígado em cães, permitindo analisar a ecogenicidade e a uniformidade do parênquima hepático, as
estruturas biliares e vasculares, além do tamanho do órgão (Kim, et al., 2025). Apesar da sua grande
aplicabilidade, a acurácia diagnóstica da ultrassonografia convencial para doenças hepáticas ainda é
limitada, exigindo frequentemente o exame histopatológico ou biópsia para confirmação. Entre as
principais desvantagens estão a natureza subjetiva da interpretação, baixa acurácia na detecção de
esteatose hepática e leve e a variabilidade entre observadores (Assawarachan, et al., 2019).
O modo B, modalidade mais comum para avaliação hepática, permite analisar características como
ecogencidade, ecotextura e presença de lesões, além do tamanho do figado e da avaliação de estruras
vasculares e biliares (Kim, et al., 2025). Alterações na ecogenicidade do parênquimca são
constantemente relatadas. O aumento da ecogenicidade hepática (hiperecogênica) pode estar
assocaido a condições como cirrose, lipidose hepatica, hepatopatia esteroide, linfossarcoma, colangio-
hepatite crônica e algumas hepatopatias tóxicas, enquanto a diminuição da ecogenicidade
(hipoecogênica) está associada a hepatites inflamatórias, linfossarcoma, leucemias e congestão
crônica (Figura 1). Além disso,a ultrassonografia em modo B auxilia na diferenciação entre doenças
focais e difusas, massas císticas e sólidas, e icterícia obstrutiva de não obstrutiva (Kumar, et al., 2012)
poodendo ainda sugerir alterações como micro hepatia e a presença de vasos anômalos em casos de
shunts portossistêmicos congênitos (Konstantinidis, et al., 2023).

Figura 1 – Fígado de cão com aspecto hiperecogênico compatível com lipidose hepática.

Fonte: Pennick (2015)

Com o objetivo de reduzir a subjetividade do exame, surgiram os sistemas de escore


ultrassonográfico, que avaliam parâmetros como a superfíce, ecogenicidade e a nodularidade do
parênquima hepático, além da espessura da parede da vesícula biliar, a quantidade de lama biliar e
visibilidade dos ductos biliares. Esses escores permitem uma avaliação semi-quantitativa da gravidade
das doenças hepáticas, mostrando uma corelação moderada entre os escores ultrassonográficos e os
níveis séricos de ALT e FA, sugerindo que o grau de dano hepatoceluar e colestase podem estar
associados às alterações ultrassonográficas no fígado. Escores classificados como moderados a
severos estão fortemente associados a alterações estruturais, como fibrose e neoplasias
(Assawarachan, et al., 2019). Em específico, escores hepatobiliares severos (variando de 7 a 12) foram

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associados a lesões hepáticas multifocais malignas, com alta precisão (97,66%) na predição dessas
condições (Phosri, et al., 2024).
Mais recentemente, a elastografia por onda de cisalhamento (2D-SWE) trouxe uma abordagem
quantitativa, permitindo mensurar a rigidez hepática e reduzir a subjetividade da ultrassonografia
convencional. Essa técnica tem se mostrado útil na detecção precoce de alterações hepáticas
progressivas, no monitoramento da resposta terapeutica (Kim, et al., 2025) e até mesmo na predição
da presença de fibrose clinicamente relevante em cãe (Figura 2) (Cha, et al., 2022). Outra inovação é
a ultrassonografia por Atenuação (ATI), que quantifica a infiltração lipídica no fígado por meio da
medição do coeficiente de atenuação. Estudos evidenciaram que os valores do coeficiente de
atenuação são significativamente mais elevados em cães hiperlipidêmicos em comparação aos
saudáveis, tornando a ATI uma técnica promissora para avaliação não invasiva da esteasoe (Pelligra,
et al., 2024).

Figura 2 – Elastografia hepática em cão mostrando mapa de rigidez obtido por 2D-SWE.

Fonte: Cha (2022)

Por fim, a ultrassonografia laparoscópica (LUS) amplia as possibilidades diagnósticas ao ser


realizada diretamente sobre o fígado durante uma laparoscopia. Essa técnica permite identificar um
número maior de lesões hepáticas do que a ultrassonografia transabdominal, sendo útil para guiar
biópsias de lesões não visíveis a olho nu durante o exame laparoscopico. Além disso, fornece
informações em tempo real sobre lesões profundas, vascularização e margens oncológicas,
contribuindo para o estadiamento de neeoplasias hepatobiliares e para definição do plano cirúrgico
(Solari, et al., 2025).
Apesar desses avanços, a biópsia hepática e o exame histopatológico continuam sendo como o
padrão-ouro para o diagnóstico de muitas doenças hepáticas (Kim, et al., 2025). As limitações da
ultrassonografia convencia, como subjetividade e a dependência do operador ainda persistem
(Marroquin, et al., 2025). Ainda assim, as novas modalidades como SWE, ATI e LUS vêm
transformando a avaliação hepática, tornando-a mais objetiva, precisa e oferecendo dados mais sólidos
para o diagnóstico, acompanhamento e tomada de decisões terapêuticas em cães hepatopatas (Kim,
et al., 2025).

Conclusão

Em suma, a ultrassonografia é um método fundamental e de primeira linha para a avaliação do


fígado em cães, destacando-se por ser não invasiva, amplamente disponível e capaz de fornecer
informações em tempo real. Essa técnica permite analisar a ecogenicidade e a uniformidade do
parênquima, bem como avaliar vasos e ductos biliares, geralmente sem necessidade de anestesia e
com menor custo que a tomografia computadorizada. Contudo, a ultrassonografia apresenta limitações
inerentes: a dependência do operador e a subjetividade na interpretação podem gerar variações nos
resultados. Além disso, a acurácia para doenças hepáticas difusas é restrita e a qualidade de imagem
pode ser comprometida por artefatos, como a presença de gás gastrointestinal. Com a evolução das
técnicas ultrassonográficas, novas abordagens têm contribuído para avaliações mais detalhadas do
fígado, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos e permitindo o monitoramento mais eficaz
da progressão da doença e da resposta ao tratamento. Ainda assim, são necessárias pesquisas
adicionais para validar completamente essas metodologias, estabelecer critérios objetivos e definir

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faixas de referência em populações caninas mais amplas e diversas. Por fim, a combinação de
diferentes testes de função hepática e métodos de imagem, incluindo ultrassonografia, tomografia
computadorizada e exames laboratoriais,configura-se como a abordagem mais eficaz para o
diagnóstico das hepatopatias em cães.

Referências

ASSAWARACHAN, Sathidpak Nantasanti et al. Evaluation of hepatobiliary ultrasound scores in


healthy dogs and dogs with liver diseases. Veterinary World, v. 12, n. 8, p. 1266, 2019.

CHA, Jinwoo et al. Effects of confounding factors on liver stiffness in two-dimensional shear
wave elastography in beagle dogs. Frontiers in Veterinary Science, v. 9, p. 827599, 2022.

KIM, Junyoung et al. Clinical utility of two-dimensional shear wave elastography in two dogs
with presumptive toxic hepatopathy. Journal of Veterinary Science, v. 26, n. 4, p. e45, 2025.

KONSTANTINIDIS, Alexandros O. et al. Congenital portosystemic shunts in dogs and cats:


Classification, pathophysiology, clinical presentation and diagnosis. Veterinary sciences, v. 10, n.
2, p. 160, 2023.

KUMAR, Vijay et al. Diagnostic imaging of canine hepatobiliary affections: A review. Veterinary
medicine international, v. 2012, n. 1, p. 672107, 2012.

MARROQUIN, Shanna M. et al. Comparison of abdominal computed tomography to


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in Veterinary Science, v. 12, p. 1508705, 2025.

MEOMARTINO, Leonardo et al. Imaging techniques in veterinary medicine. Part I: radiography


and ultrasonography. European journal of radiology open, v. 8, p. 100382, 2021.

PARTINGTON, Beth Paugh; BILLER, David S. Hepatic imaging with radiology and ultrasound.
Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v. 25, n. 2, p. 305-335, 1995.

PELLIGRA, Tina et al. Evaluation of Liver Parenchyma in Dogs with Hyperlipidemia Using
Ultrasound Attenuation Imaging (ATI). Veterinary Sciences, v. 11, n. 10, p. 454, 2024.

PHOSRI, Aphinan et al. Predctive factors of canine malignant hepatic diseases with multifocal
hepatic lesions using clinicopathologym ultrasonography, and hepatobiliary ultrasound scores.
Animals, v. 14, n. 19, p. 2910, 2024.

SOLARI, Francesca P. et al. Laparoscopic ultrasonography identifies more liver lesions in


dogs compared to transabdominal ultrasonography. American Journal of Veterinary Research, v.
1, n. aop, p. 1-7, 2025.

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