COLÉGIO ESTADUAL LUCIA MARIA BATISTA DA SILVA
HÍSTORIA DA BAHIA
PRÓ: LUCIANA ORRICO DA COSTA
RACISMO
Quando o preconceito é motivado pela cor da pele de uma pessoa, chamamo-lo de racismo.
O racismo pode ser classificado de cinco formas: racismo individual, institucional, estrutural,
recreativo e ambiental.
O racismo é causado por uma falsa compreensão de superioridade de determinadas raças em
relação a outras.
O racismo tem origem na modernidade, principalmente a partir do colonialismo e da
escravidão.
O combate ao racismo deve partir de um esforço da sociedade, das instituições e do Estado,
por meio da conscientização dos impactos da desigualdade racial e da promoção de políticas
públicas que objetivem construir um ambiente de igualdade de oportunidades.
O racismo no Brasil é crime, estabelecido pela Lei nº 7.716, de 1989.
A Constituição Federal de 1988 entende que o racismo é um crime inafiançável e
imprescritível. Além da Constituição, observa-se a Lei nº 12.288/2010, que estabelece o
Estatuto da Igualdade Racial, e a Lei nº 14.532/2023, que equipara a injúria racial ao crime de
racismo.
O racismo gera formas de violência, segregação, exclusão e marginalização das populações
negras.
Tipos de racismo
O racismo é uma ideologia que hierarquiza as raças e justifica a exclusão e a dominação.
O racismo pode se classificado de cinco formas distintas, que, de forma interligada,
corroboram para a criação e manutenção de uma ideologia que subalterniza, exclui e gera
desigualdades.
Racismo individual: atitudes preconceituosas de uma pessoa contra outra, a partir da raça.
Essa forma se manifesta, sobretudo, por meio de discursos ou atos violentos, sendo
impetrados, muitas vezes, de forma individual.
Racismo institucional: reprodução de práticas racistas presentes em instituições, como escolas,
empresas, agências ou instituições governamentais, entre outras.
Racismo estrutural: inserido na própria estrutura social, ou seja, está enraizado na sociedade e
atua na perpetuação da exclusão social, política e econômica de forma mais ampla. Dessa
maneira, o racismo estrutural compreende uma perspectiva de alcance mais amplo,
integrando instituições, indivíduos e relações.
Racismo recreativo: manifesta-se, principalmente, por meio de discursos, “piadas” ou
“brincadeiras” que atuam na afirmação de estereótipos negativos ou pejorativos contra
pessoas negras.
Racismo ambiental: cunhado há poucos anos, refere-se a práticas e políticas que expõem
comunidades racializadas a maiores riscos ambientais.
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Causas do racismo
O racismo é uma ideologia, isto é, é produzido por um conjunto de elementos que, de forma
concomitante ou interligada, constrói lugares sociais diferenciados, tendo a raça como
referência. Dessa maneira, pode-se evidenciar que, no caso brasileiro, o racismo é causado
pela herança do colonialismo e da escravidão, que lançaram os marcos da dominação do
homem pelo homem.
Esse processo, por sua vez, deu origem a lugares ou posições sociais distintos para negros e
brancos, sendo os primeiros dominados, violentados e explorados pelos ú[Link]ém disso,
observa-se que as ideologias de superioridade racial atuaram como forma de perpetuar essa
dominação, mesmo após o fim do período colonial e o fim do modo de produção escravista.
Essas ideologias, por exemplo, partindo de falsas noções científicas, buscaram explicar as
diferenças entre os homens a partir de elementos raciais, como a cor da pele, musculatura e,
inclusive, o formato da cabeça.
As ideologias de superioridade racial atribuíram ao negro uma posição de inferioridade e, em
razão disso, a sua dominação era justificada. Na contemporaneidade, evidencia-se que as
desigualdades sociais entre brancos e negros construídas ao longo da história foram
transformadas e deram origem a novas tecnologias de controle social. Assim, pode-se destacar
o reforço a estereótipos negativos associados aos negros, impulsionados principalmente pela
mídia e pela sociedade, que perpetuam ciclos de exclusão social e violência.
Além disso, outra causa de perpetuação do racismo consiste na ausência de participação ou
representatividade desses grupos sociais nos espaços de poder e de decisão. Esse processo
implica, por sua vez, uma dinâmica que impede a elaboração de políticas públicas que
permitam efetivamente combater o racismo e a discriminação racial.
Origem do racismo
O racismo tem origem na era moderna, tendo como referência a expansão territorial dos
países europeus, por meio do colonialismo e da escravização dos povos africanos. Nesse
sentido, observa-se que a construção das primeiras cidades é o ponto de partida para que os
ajuntamentos humanos pudessem estabelecer sistemas de diferenciação entre si. Dessa
maneira, verifica-se que essas distinções baseavam-se, inicialmente, em aspectos e práticas
culturais, como a cultura, a língua e, em suma, a identidade.
Essas formas de diferenciação, por exemplo, foram utilizadas para delimitar o “bárbaro” e o
“civilizado” a partir de um conjunto de características e categorias de identidade que
marcavam e diferenciavam o “eu” do “outro”. Embora essas formas de diferenciação sejam
observadas em diversos contextos históricos, é na modernidade que as distinções entre os
homens passam a ser delimitadas a partir da raça.
Theodore W. Allen, em seu livro “The Invention of the White Race” (A invenção da raça
branca), observa que quando os primeiros africanos chegaram ao Estado da Virgínia (EUA), em
1619, não havia brancos lá. Essa afirmativa, proposital, lança elementos importantes para
refletir sobre a constituição da ideia de raça, ainda que já houvesse pessoas de pele clara
naquele contexto histórico e geográfico.
A raça, como uma construção ideológica, e o racismo como produto dessa ideologia
estabelecem uma hierarquia social, baseando-se em elementos culturais (língua, cultura,
tecnologias de produção, entre outros) como forma de dominação. Nesse sentido, quando
Theodore W. Allen afirma que não havia brancos no Estado da Virgínia, o autor não estava
pensando no sentido literal, mas sim argumentando que essa divisão entre “brancos” e
“negros” não estava estabelecida.
Desse modo, o racismo tem origem na sociedade colonial, como um subproduto da produção
das raças. Esse processo, utilizado como forma de justificar a dominação, corroborou para um
processo de desumanização dos indivíduos e criou um sistema que entende o “negro” como
uma raça inferior e, por isso, deve ser dominado e subjugado por raças superiores.
Assim, essas premissas de superioridade racial, que dão origem ao racismo, estão baseadas em
noções científicas falsas ou equivocadas que contribuem para uma perpetuação da exclusão e
da violência contra essas populações, observadas ainda na contemporaneidade.
Como combater o racismo?
O combate ao racismo deve partir de um esforço da sociedade, das instituições e do Estado.
No âmbito social, pode-se observar a necessidade de uma conscientização em relação aos
efeitos nocivos do racismo, a sua violência e exclusão. Essa conscientização pode ser
construída por meio da educação antirracista, por meio da diversificação dos espaços sociais e
da valorização das manifestações culturais negras presentes na sociedade.
Além disso, do ponto de vista das instituições, há a necessidade de criação de mecanismos que
ampliem a participação de pessoas negras, no contexto do trabalho, estudo ou decisão. Esse
processo é importante, sobretudo, porque permite combater estereótipos negativos sobre
essas populações e construir formas igualitárias de acesso, participação e representação.
O Estado também cumpre uma função importante no combate ao racismo, como em políticas
públicas específicas voltadas para essas populações, promovendo a igualdade de condições, o
enfrentamento a formas de discriminação e possibilitando formas de vida dignas.
Racismo é crime?
No Brasil, o racismo é crime desde 1989, ano em que foi promulgada a Lei nº 7.716. Essa
legislação, fruto da mobilização política da sociedade civil, dos partidos políticos e dos
movimentos sociais, possibilitou a construção de uma perspectiva em que práticas como
discriminação, preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional passassem a
sofrer sanções penais.
Essa legislação foi demasiadamente importante, principalmente por estabelecer marcos legais
para o combate ao racismo e à discriminação racial no Brasil. Além disso, a legislação
apresenta um conjunto de práticas que podem ser enquadradas como racismo, como:
negativa de emprego baseada na raça;
restrição de acesso à direitos e aos serviços públicos;
discursos e práticas discriminatórias.
Leis contra o racismo
Além da Lei nº 7.716, de 1989, pode-se observar um conjunto de outras legislações em nosso
ordenamento jurídico que buscam combater o racismo:
Lei nº 12.288/2010: estabelece o “Estatuto da Igualdade Racial” com o objetivo de garantir à
população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos específicos,
coletivos e difusos, além de estabelecer marcos legais e políticas públicas para o combate à
discriminação.
Lei nº 14.532/2023: legislação buscou equiparar a injúria racial ao crime de racismo,
apresentando um endurecimento das penalidades frente a essas práticas.
Constituição Federal de 1988: a nossa Carta Magna compreende, em seu artigo 5º, inciso XLII,
que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível.
Racismo no Brasil
O racismo no Brasil tem origem na própria sociedade colonial. Com a escravização das
populações africanas, com o objetivo de servir de mão de obra, a construção da sociedade
brasileira foi permeada por uma hierarquia racial que perdura até os nossos dias.
Mesmo após o fim do regime escravagista, as populações negras foram submetidas a um
contexto de marginalização, impedidas de acessar determinados espaços e ausentes de
condições que lhes permitissem, por exemplo, melhorar suas condições de vida.
Esse processo impactou, por exemplo, o acesso à educação, à forma de trabalho e a
possibilidade de se inserirem em espaços de reconhecimento e estima social. Desse modo,
verifica-se que o racismo atuou também na construção de estereótipos negativos associados
aos negros, que, em nossa sociedade, tiveram efeitos na manutenção das desigualdades
sociais, associando os negros à pobreza, à criminalidade e à violência.
Leia também: Consciência negra — o movimento em prol da valorização da identidade preta
Consequências do racismo
O racismo é uma ideologia que impacta significativamente a vida das populações negras.
Diante disso, pode-se observar que ele produz uma desigualdade de acesso a serviços
públicos, como a educação e a saúde, além de atuar em formas de acesso diferenciados a
esses serviços. Concomitantemente, também produz formas de violência física e psicológica,
como o tratamento diferenciado dispensado às populações negras por parte das forças de
segurança pública.
Além disso, o racismo como uma ideologia que se instaura nas estruturas da sociedade acaba
contribuindo para uma marginalização e exclusão social dessas populações. Desse modo, esse
processo limita, por exemplo, a participação e representatividade política dessas populações e
reforça estereótipos negativos associados a essas populações.
Exercícios sobre racismo
1. (CPCON – 2023) Observe a charge abaixo e o conceito de “racismo” que se apresenta na
sequência:
Texto (2): “O racismo é o ato de discriminar, isto é, fazer distinção de uma pessoa ou grupo por
associar suas características físicas e étnicas a estigmas, estereótipos, preconceitos. Essa
distinção implica um tratamento diferenciado, que resulta em exclusão, segregação e opressão
contra algumas pessoas.
Considerando a leitura dos textos e as discussões em torno da problemática do racismo no
Brasil, é CORRETO afirmar que:
a) conforme a Constituição Brasileira, racismo constitui-se em crime e quem comete esse
crime pode ser preso e multado.
b) racismo é um fato recente na sociedade brasileira, não tendo relação com sua longa história
de escravidão.
c) no Brasil não existem normas nem leis que coíbam a prática do racismo, isso explica sua
existência no país.
d) no Brasil o racismo é estrutural, atingindo e oprimindo por igual toda a população de negros
e brancos.
e) apesar da existência do racismo no Brasil, os rendimentos são iguais para a toda a
população de brancos e negros.
(Enem 2023) Nas Antilhas, o jovem negro que, na escola, não para de repetir “nossos pais, os
gauleses”, identifica-se com o explorador, com o civilizador, com o branco que traz a verdade
aos selvagens, uma verdade toda branca. Há identificação, isto é, o jovem negro adota
subjetivamente uma atitude de branco. Ele carrega o herói, que é branco, com toda a sua
agressividade — a qual, nessa idade, assemelha-se estreitamente a uma dádiva: uma dádiva
carregada de [Link], F. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Edufba, 2008.
A reflexão do autor sobre o processo de socialização apresentado no texto expõe qual
elemento constituidor das relações sociais?
a) A violência estatal.
b) O racismo estrutural.
c) A opressão religiosa.
d) O desemprego crônico.
e) A desigualdade educacional.
2. Você acredita que o racismo ainda existe na sociedade atual? Justifique sua resposta.
3. Por que a violência não é a melhor resposta à prática do racismo?
4. Em que ano o racismo passou a ser considerado crime no Brasil?
a) 1808.
b) 1889.
c) 1998.
d) 2014.
5. Com base no que foi estudado, assinale a alternativa correta.
a) O racismo desapareceu do Brasil desde a assinatura da Lei Áurea, em 1888.
b) A princesa Isabel criou a lei que tornou o racismo crime em janeiro de 1822.
c) O negro no Brasil viveu cerca de 350 anos como escravizado e apenas 137 como livre
perante a lei.
d) Desde a chegada dos portugueses, o racismo é combatido pela justiça brasileira.
6. Como o governo brasileiro tratou a situação dos negros após a libertação de 1888?
a) Em 1889, criou uma série de programas para inserir o ex-escravizado na sociedade.
b) Estabeleceu diversas metas para combater o racismo e o desemprego.
c) Tentou convencer os negros a retornarem ao trabalho escravo nas fazendas.
d) Não criou nenhuma política de inserção dos negros libertos na sociedade.