Diana Aguiar
Licenciatura em Turismo
Empresa de Agroturismo e Ecoturismo em Sistema de Cooperativa
Docente: Profº Doutor Sérgio de Jesus Teixeira
Funchal
2020
Instituto Superior de Administração e Línguas
Empresa de Agroturismo e Ecoturismo em Sistema de Cooperativa
Elaborado por: Diana Aguiar
Docente: Profº Doutor Sérgio de Jesus Teixeira
Funchal
2020
Agradecimentos
Em primeiro lugar quero agradecer ao meu Orientador Professor Dr. Sérgio
Teixeira pelo auxílio e orientação.
A todos os meus professores do curso de Turismo da Universidade ISAL pela
excelência da qualidade técnica de cada um.
Agradeço aos meu pais que sempre estiveram ao meu lado apoiando-me ao longo
destes três anos. Por me incentivarem e acreditarem que eu seria capaz de superar os
obstáculos que a vida me apresentou.
ii
Resumo
Pretendo com o meu projeto dinâmicas de empreendedorismo em ambiente rural,
beneficiando o meio e ao mesmo tempo potenciar toda a singularidade dos recursos
existentes proporcionando ao público alvo a possibilidade de vivenciar a cultura e
etnografia únicas na simplicidade do mundo rural.
Desta forma pretendo um sistema de cooperativa, agregando potenciais
alojamentos locais, quintas agrícolas em dinâmica real, recursos naturais, levadas, orla
(calhau) marítima, locais de visita etnográfica (moinhos, artesãos, etc.).
O objetivo será dar aos turistas um produto único onde poderá experimentar na
prática o funcionamento natural do mundo rural, vivenciando a realidade do dia-a-dia dos
habitantes locais favorecendo ambas as partes.
Palavras Chave: Agroturismo, Turismo no Espaço Rural, Empresa, Quintas, Hipismo,
Agropecuária,
iii
Abstract
With my project, I intend to create dynamic entrepreneurship in a rural
environment, benefiting the environment and at the same time enhancing all the
uniqueness of the existing resources by providing the target audience with the possibility
of experiencing the unique culture and ethnography in the simplicity of the rural world.
This way I intend a cooperative system, aggregating potential local lodgings, farms in
real dynamic, natural resources, levadas, sea shore, ethnographic visit sites (mills,
artisans, etc.).
The objective will be to give tourists a unique product where they can experience in
practice the natural functioning of the rural world, experiencing the daily reality of the
local inhabitants favoring both parties.
Keywords: Agrotourism, Rural Tourism, Business, Farms, Horse Riding, Agriculture,
iv
Lista de Acrónimos
DRE - Direção Regional de Estatística
DRT – Direção Regional de Turismo
TER – Turismo no Espaço Rural
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
TH – Turismo de Habitação
v
Índice
Introdução ............................................................................................................ 1
1. Metodologia………………………………………………………………...3
2.1. Conceito de Turismo .................................................................................. 4
2.2. Madeira e o Turismo................................................................................... 5
3.1. Conceito de Turismo no Espaço Rural ....................................................... 7
3.2. Caraterísticas e modalidades do TER ....................................................... 11
3.3. Relevância atual deste tipo de turismo para a RAM ................................ 14
3.4. Empreendimentos na Região .................................................................... 16
3.5. Oferta e Procura ........................................................................................ 17
6.1. Regulamento ............................................................................................. 26
6.2. Processo de licenciamento do TER .......................................................... 26
6.3. Requisitos e Funcionamento..................................................................... 27
6.4. Recursos Humanos ................................................................................... 28
6.5. Análise de Mercado .................................................................................. 29
6.6. Plano de Negócios .................................................................................... 30
6.7. Plano operacional ..................................................................................... 31
6.8. Plano de Ação ........................................................................................... 32
6.9. Valor Capital ............................................................................................ 33
6.10. Financiamento .......................................................................................... 34
7.1. O tipo de processo .................................................................................... 35
7.2. Escolher uma firma................................................................................... 35
7.3. Certificado de Admissibilidade de Firma ................................................. 35
7.4. Escolher um Pacto Social ......................................................................... 36
7.5. Custos ....................................................................................................... 37
7.6. Entrega da declaração de início de atividade............................................ 37
vi
7.7. Deposito do valor do capital ..................................................................... 38
7.8. Início da Atividade ................................................................................... 38
7.9. Localização ............................................................................................... 39
12.1. Condições gerais de instalação ................................................................. 49
12.2. Infraestruturas e equipamentos ................................................................. 51
12.3. Zonas comuns ........................................................................................... 52
12.4. Unidades de alojamento............................................................................ 52
12.5. Informações .............................................................................................. 53
12.6. Serviço de refeições .................................................................................. 54
12.7. Comercialização de produtos artesanais e gastronómicos ........................ 54
12.8. Arrumação e limpeza ................................................................................ 54
12.9. Disposições específicas nas unidades de agroturismo.............................. 55
12.10. Assistência Médica ............................................................................... 55
12.11. Seguros.................................................................................................. 56
Conclusão .......................................................................................................... 57
Bibliografia ........................................................................................................ 58
Anexo ................................................................................................................ 59
vii
Índice de Mapas
Mapa 1 – Localização da Ilha da Madeira ............................................................ 39
viii
Índice de Tabelas
Tabela 1 – Oferta Turística em 2019/ por categoria ....................................................... 16
Tabela 2 – Custos Mensais e Anuais Fixos .................................................................... 45
Tabela 3 – Custos Mensais e Anuais Variáveis .............................................................. 46
Tabela 4 - Tabela de preços dos Materiais para dentro dos Edifícios (por unidade) ..... 47
Tabela 5 - Tabela de Preços das Compras Mensais........................................................ 48
ix
Índice de Figuras
Figura 1 - Elementos do Turismo Rural................................................................ 12
Figura 2 - Oferta Turística em 2019/ por categoria............................................... 19
Figura 3 - Registo Empreendimentos Turísticos de Agroturismo ........................ 29
Figura 4 - Logotipo 2020 Consulting .................................................................... 34
Figura 5 - Logo do ARTSOFT .............................................................................. 38
Figura 6 - Vista aérea do Terreno ......................................................................... 40
x
Introdução
O Turismo no Espaço Rural consiste no conjunto de atividades e serviços
realizados e prestados mediante remuneração em zonas rurais, segundo diversas
modalidades de hospedagem, de atividades e serviços complementares de animação e
diversão turística, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo e diversificado
no espaço rural. Esta atividade tem como objetivo principal, oferecer ao turista a
oportunidade de reviver as práticas, os valores e as tradições culturais e gastronómicas
das sociedades rurais, com um acolhimento personalizado e lucrativo com a sua
hospedagem, outras atividades e serviços. Trata-se de um fator de pluriatividade, através
da dinamização de um conjunto de várias atividades económicas como é o caso do
artesanato, da produção alimentícios certificados, dos serviços de transporte, de
animação, de guias entre outros.
Primeiramente começo por falar sobre o Turismo, em que este possui um caráter
multidisciplinar, uma vez que são introduzidas componentes teóricas. Apresento a
Madeira e o turismo
De seguida faço uma contextualização do Turismo no Espaço Rural na Madeira,
onde considero ser essencial a apresentação do conceito do mesmo, que constitui um
instrumento fundamental para qualquer trabalho de investigação. Apresento as
caraterísticas e modalidades do Turismo em espaço rural, a relevância atual deste tipo de
turismo para a Região Autónoma da Madeira, os empreendimentos da Região e os seus
dados, a oferta e a procura onde abordo que é essencial para um destino turístico ter
conhecimento do sector.
Logo após começo por falar do Agroturismo e do Ecoturismo, sendo uma
modalidade de turismo praticada no meio rural, tendo preocupações ambientais e pretende
gerar benefícios de forma a promover a conservação ambiental.
Após tudo isto começo por falar que tipo de empresa é, do regulamento para a
empresa e dos requisitos necessários para o mesmo. Apresento os recursos humanos onde
consta o pessoal técnico adequado, com aptidão física e psíquica, as habilitações
necessárias para o exercício das funções a desempenhar. Para a criação deste projeto foi
feita uma análise de mercado no site do Portal da Juventude.
1
De seguida para a elaboração desta Quinta de Agroturismo e Ecoturismo também
elaboro um plano de negócios onde descrevemos todos os objetivos da nossa empresa de
animação turística e quais os passos que devem ser dados diminuindo assim as incertezas
para a criação oficial da Quinta. Apresento qual o produto que está a ser vendido, quais
as formas de comercialização do mesmo, os clientes a que se destinam, o que levará os
clientes a adquirirem o nosso produto, o plano operacional e o plano de ação.
Logo após refiro o financiamento ao 2020 Consulting, onde esta é especializada na
realização de projetos ligados ao setor do turismo, optamos por este financiamento devido
“Portugal 2020” por possibilitar a milhares de empresas acesso à capitação,
internacionalização, compra de equipamentos, entre outros. Apresento também os custos
mensais e anuais tanto dos custos fixos e dos custos variáveis.
Após tudo isto escolhi a localização da Quinta de Agroturismo e Ecoturismo,
apresento os requisitos do funcionamento onde possuirá diferentes línguas, a qualificação,
o horário, o preçário, bem como o próprio regulamento interno e o livro de reclamações
e também os deveres dos participantes. Ao criar a empresa escolhi o processo Empresa
na Hora onde procedi à escolha do nome para a mesma, depois procedi a um pacto social
no portal do cidadão, os custos de constituição de uma sociedade, entrega da declaração
de início da atividade e ao deposito do valor do capital onde os sócios deverão depositar
o valor capital.
No início da atividade ao criar a empresa, teve se em conta os custos de gestão, os
impostos, custos de contabilidade e custos com o pessoal, sendo que usamos o software
de gestão de recursos humanos ARTSOFT.
Por fim apresento as instalações e equipamentos a nível do alojamento, a
infraestrutura e ainda as informações que a quinta disponibilizará aos clientes. Demonstro
as condições gerais de instalação dos empreendimentos de turismo no espaço rural.
2
1. Metodologia
Na dissertação foi adotada uma metodologia de trabalho que envolve a recolha de
informação em vários elementos para a elaboração de uma componente teórica, de modo
a adquirir as bases necessárias para o desenvolvimento de uma componente prática.
Na componente teórica é importante a pesquisa bibliográfica assente em três
temáticas fundamentais, sendo elas o Turismo, Agroturismo e Ecoturismo. A pesquisa
bibliográfica é realizada essencialmente através de artigos científicos de acordo com as
temáticas a abordar, porém dada a atualidade do tema Empresa de Agroturismo e
Ecoturismo em Sistema de Cooperativa grande parte da informação recolhida surge de
publicações nos meios de comunicação social.
3
2. Turismo
2.1. Conceito de Turismo
O turismo, em si, é uma atividade complexa, que para a compreensão da mesma é
necessário recorrer ao uso de várias ciências e até mesmo a distintas áreas de
conhecimento (Cunha,2003). O turismo possui um caráter multidisciplinar, uma vez que
são introduzidas componentes teóricas.
As diferentes definições do turismo aceites pelas várias organizações ligadas à
atividade turística, fazem-nos refletir sobre a complexidade do turismo e de como
podemos caraterizar este fenómeno, existindo tantos e diferentes conceitos.
Historicamente o primeiro conceito a ser esboçado foi o de turista e só mais tarde
surgem as primeiras tentativas de definição de turismo. A primeira pequena definição
surge, nos dicionários e, o segundo, tem origem no meio académico. Depois, por razões
decorrentes das relações internacionais, tornou-se necessário precisar o significado do
termo “turista”, ficando de fora o termo “turismo” (Cunha, 2010).
Em 1910 terá surgido a primeira definição oficial de turismo pelo economista
austríaco Herman Von Schullern zu Schrattenhofen segundo o qual define o turismo
como “o conjunto de todos os fenómenos, em primeiro lugar de ordem económica, que
se produzem pela chegada, estadia e partida de viajantes numa comuna, província ou um
estado determinado e, por consequência estão diretamentes ligadas entre eles”
(Bernecker, 1965). Desta forma comprova-se que a definição abrange essencialmente o
aspeto económico descurando outros aspetos como o social. No entanto, é já notórico a
importância dada ao fenómeno turístico nesta época.
Foi a partir da primeira metade do século XX que a atividade turística começou a
ser reconhecida como um fenómeno socioeconómico e de carater multidisciplinar. Foi o
reconhecimento socioeconómico que levou a designar uma definição mais elaborada onde
associam o turismo a um conjunto de relações e fenómenos originados pela deslocação e
permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência.
Uma das mais recentes e complexas definições de turismo surge pela autoria de
Oscar de La Torre que defende o turismo como “um fenómeno social que consiste do
4
deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que,
fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu
local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa
remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, económica e
cultural”.
Numa tentativa de simplificar uma definição oficial num contexto global a OMT
que em 1994 define turismo como “atividades desenvolvidas por pessoas ao longo de
viagens e estadias em locais situados fora do seu enquadramento habitual por um período
consecutivo que não ultrapasse um ano, para fins recreativos, de negócios e outros”
(OMT,1994).
2.2. Madeira e o Turismo
O crescimento e desenvolvimento do turismo na Ilha da Madeira estiveram
sempre ligados ao clima e à beleza da paisagem. Segundo Silva (1994), não é possível
falar de turismo na Madeira antes do séc. XVII. O autor refere que antes do referido século
“as pessoas deslocavam-se, admiravam novas terras, mas o seu fito era a exploração ou o
comércio. Também não se fez sentir aqui o turismo aristocrático, grand tour, a viagem
nobre o seu tutor…” (Silva, 1994).
Contudo, há autores que afirmam que o turismo na Ilha da Madeira nasceu por
volta do séc. XV. Ou seja, “percorrendo a história da Ilha, desde a sua descoberta até aos
nossos dias, verificámos que o fenómeno do turismo, em termos de duração não é de
origem recente. Ele nasce no séc. XV, introduzindo-se numa determinação estrutural
pelos séculos posteriores, passando necessariamente por movimentos conjunturais que
foram moldando a sua vocação primitiva” (Silva, 1985).
Com a abertura das navegações e rotas oceânicas dos séculos XV ao XVIII, a
Madeira surge como um suporte privilegiado de apoio ao tráfego comercial para a
exploração de novos continentes, nomeadamente a América, Ásia e África. Destas
viagens, surgiram descrições registando aspetos da sua geologia, fauna, flora,
antropologia, clima e beleza paisagística, atribuindo-lhe slogans (‘A Ilha dos Amores’,
5
‘O Recanto do Paraíso’, A Pérola do Atlântico’) que constituíam um excelente veículo
propagandístico.
Ilha da Madeira foi visitada por inúmeros transatlânticos, quer em viagens
regulares de retorno da África do Sul e das Repúblicas Americanas, quer em simples
cruzeiros turísticos, o que favorecia um grande fluxo de turistas à região.
A queda do sector turístico na região coincidiu com o eclodir da II Guerra Mundial, o que
levou ao encerramento de muitos hotéis. Após a II Guerra Mundial, segundo Silva (1985),
os transatlânticos (que escalavam regularmente o Porto do Funchal) começaram a
procurar outros portos mais bem equipados e situados na área geográfica pela qual
navegavam (Tenerife e Las Palmas). Todavia com o aparecimento das comunicações
aéreas, sobretudo com a inauguração do aeroporto do Funchal em 1964, a Madeira assistiu
a uma nova época do turismo. Isto é através dos voos domésticos, internacionais
e charters, a região passou a receber turistas de diferentes países. Desta forma, o turismo
madeirense conhece um novo ciclo caracterizado por uma elevada afluência de turistas, e
pelo surgimento de novas infraestruturas hoteleiras (Baptista, 2005).
6
3. Contextualização do Turismo no Espaço Rural na RAM
3.1. Conceito de Turismo no Espaço Rural
Este enquadramento inicial permite uma caracterização mais compreensível, dada
a diversidade de objetivos e de “produtos” que estão associados ao “turismo no espaço
rural” tais como: “verde”, “cultural”, “rural”, “montanha”, “recreativo”, “alternativo”,
“sustentado”, etc.
O TER pode contribuir para a dinamização social e económica dos territórios. Mas
para alcançar esse objetivo, a nova estratégia de desenvolvimento do turismo nacional
terá de apostar na diversificação e diferenciação de produtos de modo a garantir o
desenvolvimento turístico das regiões.
Michaud (1983) defende que o turismo no espaço rural “agrupa o conjunto de
atividades de produção e de consumo motivadas pelas deslocações de pelo menos uma
noite fora do domicílio habitual, e sendo o motivo da viagem tanto o agrado, os negócios,
a saúde ou a participação numa reunião profissional, desportiva ou religiosa”. Por outro
lado, Bodiguel (1986) reforça a ideia da dicotomia entre espaços rurais e urbanos,
referindo que é “é um certo tipo de relações entre uma aglomeração e o espaço
enquadrante que carateriza a ruralidade ou a urbanidade e não as caraterísticas do meio
natural; assim uma cidade pode ser rural ou urbana ou de dominância rural ou urbana,
segundo a predominância de certas relações. Cidades e campos não são duas entidades
separáveis, mas um conjunto indissociável em termos de solidariedade e de
complementaridade”.
A Comissão das Comunidades Europeias (1990), numa tentativa de criar uma
definição uniformizada a nível dos países membro, apresentou a seguinte definição de
turismo rural:
• É um amplo conceito que compreende não só as férias nas quintas, mas também
qualquer outra atividade turística no campo;
• Compreende toda a atividade turística de interior;
• É um conceito que reflete toda a atividade turística endógena suportada pelo meio
ambiente humano e natural;
7
• É uma atividade turística implantada no meio rural, deixando margem bastante
alargada para este tipo de turismo.
A organização para a cooperação e desenvolvimento económico (OCDE) tem
desenvolvido estudos com a participação de especialistas de diversas áreas científicas
(geografia, sociologia, economia e planeamento) e em 1994 apresentou uma definição de
turismo no espaço rural segundo as seguintes considerações:
• O turismo no espaço rural ou tem estância não se limita às zonas urbanas, pois
pode estender-se às zonas rurais próximas;
• As próprias zonas rurais são difíceis de definir, e os critérios utilizados variam
segundo os países;
• Todo o turismo que se realiza nas zonas rurais não é puramente “rural” pois pode
ter caráter “urbano” e simplesmente se situar numa zona rural.
• O turismo historicamente um conceito urbano, a grande maioria dos turistas vive
nas zonas rurais urbanas; o turismo pode, pois, ter uma influência urbanizante
sobre as zonas rurais e encorajar a mudança cultural e económica e novas
construções;
• As formar de turismo no espaço rural que se desenvolvem diferem segundo as
regiões, as férias de quinta ou herdade são correntes na Alemanha e Áustria rurais
e são muito mais raras nos Estados Unidos e no Canadá.
• As próprias zonas rurais iniciaram um processo complexo de mutuação. O
impacto dos mercados mundiais, das comunicações e das telecomunicações
modificou as condições do mercado e as orientações dos produtos tradicionais. O
crescimento das preocupações ecológicas conduziu a que “elementos exteriores”
controlem cada vez mais o ordenamento do território e a disponibilidade dos
recursos.
• Embora determinadas zonas rurais conheçam ainda um fenómeno de
despovoamento, outras, pelo contrário, acolhem um fluxo de pessoas para
aposentação ou para criar novas atividades “não tradicionais”. A distinção outrora
fácil entre urbano e rural tornou-se hoje fluida pela expansão dos subúrbios, dos
trajetos quotidianos a longa distância e pelo desenvolvimento das residências
secundárias.
• O turismo no espaço rural é uma atividade complexa com múltiplas facetas: não
é apenas um turismo de quinta ou herda; compreende férias de quinta mas também
8
férias de natureza inspiradas por temas particulares como o ecoturismo, a marcha,
o alpinismo, os circuitos de bicicleta e a cavalo, a aventura, o desporto e o turismo
de saúde, a caça e pesca, as viagens educativas, o turismo baseado na arte e no
património e , em determinantes regiões, o turismo étnico.
• Existe também um grande mercado de interesse geral para formas menos
especializadas de turismo no espaço rural, como o demonstram estudos sobre o
importante mercado alemão do turismo, onde uma das exigências principais das
férias grandes é a de assegurar a calma e o descanso num ambiente rural.
A mesma Organização (OCDE,1994) também apresentou as causas e razões para
o desenvolvimento do turismo no espaço rural e parece-nos ser importante referir para
uma melhor compreensão do conceito. Os fatores mencionados pela OCDE são de caráter
geral e justificativas para o aparecimento desta modalidade de turismo e que passamos a
enumerar:
• Níveis crescentes de instrução: acessibilidade, duração, alargamento a níveis mais
elevados, formação permanente, etc;
• Interesse crescente pelo património construído e natural, devido a causas e razões
como receio do futuro e do desenraizamento, melhor instrução, mais tempo livre
e melhor apresentação do património;
• Aumento do tempo de lazer e do rendimento disponível, com particular incidência
no desenvolvimento das férias de curta duração;
• Transportes e comunicações: duração, acessibilidade, custo;
• Questões de saúde: lazer ativo e desporto ao ar livre, em oposição a fórmula
sol/mar/areia, que demonstraram representar graves riscos para a saúde;
• Aperfeiçoamento dos vestuários exteriores e dos objetos para uso fora da casa:
comodidade, conforto, durabilidade, multiplicidade de usos, efeitos da moda, etc;
• Interesse crescente por especialidades alimentares naturais, “selvagens” ou não
transformados;
• Ecologia: as férias de campo, mesmo se não obrigatoriamente boas pelo ambiente,
podem beneficiar da sensação de serem sãs;
• Autenticidade, cada vez mais apreciada, em confronto com o vídeo e a televisão,
os produtos industrializados e os subúrbios anónimos;
9
• Paz e tranquilidade: desejo crescente de “desligar” e relaxar na experiência da
natureza, ar puro e ambiente não poluído;
• Terceira idade mais ativa: férias no campo por razões de saúde e para ter
experiências novas fora das cidades;
• Viagens enriquecedoras, de aventura e instrutivas em pleno crescimento, em que
as numerosas facetas do turismo rural, fragmentado e de pequena dimensão, está
apto a satisfazer.
Os diversos critérios utilizados para definir “turismo rural” estão inteiramente
ligados à definição de “espaço rural” e são apresentados por Moreira (1994) o qual
referência às diferentes variáveis, e que fazem distinguir o rural do urbano: emprego,
ambiente, tamanho da comunidade, densidade populacional, homogeneidade,
diferenciação social, mobilidade e sistemas de interação social. A dificuldade de
classificação dos espaços rurais deve-se, portanto, a todas estas variáveis, mas também às
transformações socioeconómicas e culturais que se verificam nestes espaços (Valente &
Figueira, 2003) e, na nossa perspetiva estes aspetos são importantes e auxiliam na
perceção do concelho de “rural”, facilitando também a compreensão de turismo no espaço
rural.
Moreira (1994) afirma que no futuro existe uma grande tendência por procurar
repouso, que permita ao turista regenerar as suas energias. E, consequentemente, pelo
mesmo envolvimento social, no espaço que se enquadra, o individuo é todos os dias
confrontado com regras, leis e normas, quer no trabalho ou nos restantes domínios da
vida, que as férias se tornaram previsivelmente um “domínio da decisão individual”,
“livre escolha” e do “faz de conta”. Esta é a grande possibilidade de mudar de
personalidade e tornar-se agricultor, cientista ou desportista, mesmo que apenas pelo
período de férias. A tendência mundial, segundo refere Moreira (1994), segue no sentido
de uma diversificação na procura turística, relativamente ao domínio de espaços, tanto
nas formas de alojamento, atividades, modos de organização das viagens, experiências e
descobertas.
O turismo rural tem uma importante procura e constituí, pela sua qualidade, um
fator de promoção de regiões turísticas (Vieira, 1997) e é essencial ter presente que este
espaço, “não representa apenas curiosidades para adeptos das férias luxuosas, mas
10
também um paliativo para as pessoas menos ricas”, refere Stoian (1996). Este último autor
afirma também que, “os jovens, assim como as pessoas mais idosas, os trabalhadores e
os universitários desejam respirar ar puro, beber água fresca diretamente da fonte e assistir
a trabalhos agrícolas”.
Em vista formal e jurídico, na Madeira, a portaria n.º 937/2008 de 20 de agosto
define, o turismo no espaço rural, como “estabelecimentos que se destinam a prestar, em
espaços rurais, serviços de alojamento a turistas, dispondo para o seu funcionamento de
um adequado conjunto de instalações, estruturas, equipamentos e serviços
complementares, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo e diversificado
no espaço rural”. Segundo a mesma legislação, consideram-se zonas rurais as áreas com
ligação tradicional e significativa à agricultura ou ambiente e paisagem de caráter
vincadamente rural. Esta legislação descreve ainda os empreendimentos de turismo no
espaço rural, podendo apresentar-se em diversas modalidades.
3.2. Caraterísticas e modalidades do TER
Em oposição ao turismo “sol e mar” têm surgido outras formas de turismo em
resposta a novas tendências ou novos tipos de mercado. Segundo a OCDE (1994) o
interesse pela recreação no campo surge no século XIX, contrariando o stress associado
ao crescimento das cidades. O crescente interesse, refere a OCDE (1994), pelo património
cultural e natural, uma maior consciencialização para o ambiente e uma vida saudável,
faz com que as pessoas procurem locais que proporcionem tranquilidade necessária, um
local autêntico e o interesse crescente por atividades recreativas e desportivas ao ar livre,
são fatores determinantes para o crescimento do turismo rural.
Perales (2002) destaca os anos 90 do século XX, como a época de surgimento de
uma nova procura ao nível do turismo rural, traduzindo-se em um novo perfil de turista
ou como ele designa “turista rural moderno”. A procura desta nova modalidade é
justificada por vários fatores, dos quais podemos enumerar a motivação do turista pela
qualidade ambiental e pela autenticidade, as férias repartidas e de curta duração. Esta
autora faz a distinção entre “turismo rural tradicional” que se enquadra com a deslocação
e o regresso das pessoas às zonas rurais, e o “turismo rural moderno” que são os turistas
11
que procuram as áreas rurais pelos recursos aí existentes, tendo uma atitude ativa na
apreciação da paisagem e na cultura.
A Organização Mundial do Turismo (2004) também refere critérios e
caraterísticas específicas para o turismo rural, que abrange um conjunto de cinco
elementos essenciais, no qual se inclui a comunidade rural (fator principal), a dependência
de todo o espaço onde se desenvolve (recursos naturais), o seu património histórico e
cultural, as atividades rurais e o modo de vida rural (gastronomia, artesanato, eventos
locais, etc), como podemos verificar na figura seguinte.
Figura 1 - Elementos do Turismo Rural
Fonte - [Link] [2020-IX-29]
Segundo a perspetiva de Godinho (2004) a implementação do turismo rural teve
início, quando as preocupações começaram a ser outras, como a recuperação do
património edificado com recurso ao financiamento comunitário. Porém, embora
considere que existam anualmente baixas nas taxas de ocupação, menciona que é
12
essencial a existência de um planeamento e uma estratégia adequada aos diferentes
mercados e defende o potencial do turismo rural para o desenvolvimento das regiões,
salientando a tendência de crescimento da procura do TER, em virtude de preferências
dos turistas que se tem vindo a notar.
Na Região Autónoma da Madeira, a portaria n.º 937/2008 de 20 de agosto
estabelece requisitos pra as unidades de turismo, no qual se englobam os estabelecimentos
de turismo de habitação e de turismo no espaço rural. A mesma portaria apresente estes
dois tipos de empreendimentos, bem como descreve as modalidades que cada uma
engloba, e que passo a expor:
• Turismo de Habitação:
“São empreendimentos de turismo de habitação os estabelecimentos de natureza
familiar instalados em imóveis antigos particulares que, pelo seu valor arquitetónico,
histórico ou artístico, sejam representativos de uma determinada época, nomeadamente
palácios e solares, podendo localizar-se em espaços rurais e urbanos”.
“A natureza familiar é caraterizada pela residência do proprietário ou entidades
exploradoras ou do seu representante nos empreendimentos de turismo de habitação
durante o período de funcionamento”.
• Turismo no Espaço Rural:
Para além do descrito no ponto anterior sobre definição de TER, a mesma
legislação acrescenta o seguinte: “os proprietários ou entidades exploradoras dos
empreendimentos de turismo no espaço rural, bem como os seus representantes, podem
ou não residir no empreendimento durante o respetivo período de funcionamento”.
Este tipo de empreendimento está subdividido em três diferentes tipos de grupo:
a. Casas de campo:
“São casas de campo os imóveis em aldeias e espaços rurais que prestam serviços
de alojamento a turistas e se integrem, pela sua traça, materiais de construção e demais
caraterísticas, na arquitetura típica local”.
13
b. Agroturismo:
“São empreendimentos de agroturismo os imóveis situados em explorações
agrícolas que prestem serviços de alojamento a turistas e permitam aos hóspedes o
acompanhamento e conhecimento da atividade agrícola, ou a participação nos trabalhos
aí envolvidos, de acordo com as regras estabelecidas pelo seu responsável”.
c. Hotéis Rurais:
“São hotéis rurais os hotéis situados em espaços rurais que, pela sua traça
arquitetónica e materiais de construção, respeitem as caraterísticas dominantes da região
onde estão implantados, podendo instalar-se em edifícios novos que ocupem a totalidade
de um edifício ou integrem uma entidade arquitetónica única e respeitem as mesmas
caraterísticas”.
A Madeira Rural - Associação de Turismo em Espaço Rural tem ao dispor, um
conjunto de empreendimentos no âmbito do Turismo de Habitação e Turismo no Espaço
Rural. Alguns destes empreendimentos dispõem do serviço de pequeno-almoço, enquanto
outras são self-catering. Para além destes serviços é possível verificar, segundo
informação disponível pela mesma via, que oferecem também refeições em regime extra
se o cliente assim o desejar, bem como serviço de transferes se o turista assim o pretender.
Importa salientar que, o Decreto Legislativo Regional n.º 12/2009/M refere que
os empreendimentos de turismo de habitação, empreendimentos de turismo no espaço
rural e moradias turísticas podem ser considerados como empreendimentos de turismo de
natureza devendo “obedecer aos requisitos de instalação, classificação e funcionamento
previstos para a tipologia adotada”. Apesar de, no que respeita às unidades de
hospedagem, as moradias turísticas se englobarem em empreendimentos de turismo de
natureza, o estudo que nos propusemos a desenvolver se realizou nas restantes
modalidades expostas.
3.3. Relevância atual deste tipo de turismo para a RAM
A importância económica do TER é ainda muito reduzida, mas é certo que
proporciona a valorização do ambiente, do Património histórico, cultural e natural. Neste
14
sentido pode contribuir para a reorganização social e económica local, por proporcionar
também benefícios à população local, que poderá participar direta ou indiretamente na
atividade turística.
Uma das potencialidades que podem estra associados ao TER é um mercado de
consumo local de produtos agrícolas, criando alternativas à população local de obter
outros rendimentos. Este mercado de consumo poderá aproximar mais o agricultor do
turista, encontrando aqui um modelo de mercado, na perspetiva em que os próprios
turistas interessados podem dar o seu contributo, participando em algumas atividades.
Aliás a nova conceção de desenvolvimento, segundo entente Batouxas (1998), pretende
valorizar os produtos locais, reforçar a capacidade das pessoas residentes, pretende atrair
pessoas para as localidades, intensificar a cooperação entre agentes locais e criar
estratégias de ação que permitam um modo participativo das populações em áreas
fundamentais. Esta visão permite reconhecer a importância das zonas rurais e pequenas
localidades, dando-lhe expressividade e mostrando as potencialidades que apresentam.
A população local de uma forma geral é beneficiada pelas iniciativas e pela nova
dinâmica que estão associadas ao turismo, tais como melhoramento das infraestruturas,
conservação e manutenção de espaços, melhores acessos, aumento de consumo local
(bares, restaurantes, etc), obras de melhoria a nível geral nas pequenas localidades, etc.
De facto, o TER, tem tido uma importante procura e poderá compor, pela sua qualidade,
um fator de promoção de regiões turísticas que de outra forma não seriam visitadas
(Vieira,1997).
A atividade truística requer o desenvolvimento sustentável, implementando ações
integradas e cooperando nas medidas essenciais entre a população local e as diversas
entidades, porque o turismo rural não é uma atividade isolada. O turismo e as suas
“exigências quanto ao serviço, qualidade e segurança, cujos conhecimentos e
interpretação têm de estar constantemente presentes”, numa atitude dinâmica, numa
responsabilização a todos os níveis, a nível da política e/ou no papel desempenhado pelas
empresas, de forma a preservar e sobretudo “desenvolver a competitividade do turismo,
num contexto internacional cada vez mais turbulento” (Baptista, 2003).
15
3.4. Empreendimentos na Região
De acordo com os dados da DRT e DRE a RAM, em 2019, disponha de cerca de
391 unidades de alojamento, totalizando cerca de 35 754 camas, sendo que estas
enquadram-se em: Hotéis, Hotéis Apartamentos, Pensões, Quintas da Madeira,
Estalagens, Pousadas, Aldeamentos Turísticos, Apartamentos Turísticos, Moradias
Turísticas e Turismo no Espaço Rural.
Na tabela seguinte podemos identificar os tipos de alojamento, por categoria, e
respetivos estabelecimentos, quartos e camas.
Tabela 1 – Oferta Turística em 2019/ por categoria
Tipo de Estabelecimento Estabelecimentos Quartos Camas
Hotéis 87 9 672 20 228
Hotéis-Apartamentos 30 3 237 7 147
Apartamentos Turísticos 12 495 1 041
Aldeamentos Turísticos 1 213 434
Pousadas e Quintas da 11 514 1 046
Madeira
Turismo no Espaço Rural
61 530 1 185
e de Habitação
189 2 152 4 673
Alojamento Local
141 14 131 29 896
Hotelaria
Total dos Alojamentos
Turísticos 391 16 813 35 754
Fonte: Elaboração própria com base nos dados da DRT e DRE (2019)
16
Na hotelaria em 2019, a média total de estabelecimentos em funcionamento na
hotelaria (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos,
pousadas e quintas da Madeira) foi de 141 (média anual), mais três do que ano anterior.
A capacidade de alojamento disponível neste segmento foi de 29 896 camas
(média anual), refletindo uma variação homóloga de 3,7%. Considerando o tipo de
estabelecimento, a oferta de camas repartiu-se maioritariamente pelos hotéis (67,7%) e
hotéis-apartamentos (23,9%). Os apartamentos-turísticos, aldeamentos turísticos,
pousadas e quintas da madeira representaram, em conjunto, 8,4% do total de camas.
A hotelaria registou mais de 6,7 milhões de dormidas em 2019, decrescendo 4,1%
comparativamente a 2018 e concentrando 83,0% do alojamento turístico coletivo. À
exceção dos apartamentos-turísticos (+9,2%) que registaram crescimentos nas dormidas,
os restantes tipos de estabelecimento apresentaram decréscimos, sendo mais
significativos nos hotéis-apartamentos (-10,4%) e nas pousadas e quintas da Madeira (-
5,0%).
No Turismo no Espaço Rural e de Habitação em 2019, a média de
estabelecimentos em funcionamento no turismo no espaço rural foi de 61 e a capacidade
de alojamento disponível fixou-se em 1 185 camas (mais 127 camas que em 2018).
No Alojamento local em 2019, a média de estabelecimentos em funcionamento
no turismo no espaço rural foi de 189 e a capacidade de alojamento disponível foi de
4 673 camas.
3.5. Oferta e Procura
É essencial para um destino turístico ter conhecimento do setor, em particular no
que diz respeito à oferta e à procura desse destino.
O Plano de Ordenamento Turístico da RAM (POT) refere que, “a distribuição
territorial e as caraterísticas dos empreendimentos turísticos” devem se adequar “às
realidades paisagísticas e históricas das diversas zonas da Região”. Aliás este
instrumento, contribui para “orientar o crescimento no horizonte temporal e físico” e
17
pretende estabelecer “limites e ritmos de crescimento do alojamento, bem como valores
para a sua distribuição territorial”.
Cunha (2003) salienta a importância de uma consciência coletiva, a nível de todos
os setores, devendo ser capaz de compreender a sua problemática e constituir uma base
de transformação de uma atividade benéfica para todos. Especificamente sobre a questão
da oferta, Gunn (1994) afirma que a intervenção do governo é estimular a liberdade
negocial e determinar apenas as normas e regulamentos básicos com vista o bem da
sociedade, permitindo um sistema livre e competitivo.
Ao longos dos últimos anos, estatísticas apresentadas pela DREM, como são
exemplos os Anuários Estatísticos da RAM, demonstram números favoráveis na oferta e
na procura de turismo na Região, que fornecem claras evidências da importância da
monitorização e da busca de fatos quantitativos e até qualitativos, no setor do turismo na
região.
Através de dados da DREM, constatou-se que em 2018, a RAM contava com uma
capacidade de acomodação de 34 399 camas (em todo o tipo de alojamento), 83,8 % das
quais pertenciam ao setor hoteleiro. No entanto, o alojamento local, apesar de apresentar
13,2 % do total, tem vindo a ganhar alguma relevância ao longo dos últimos anos.
18
Figura 2 - Oferta Turística em 2019/ por categoria
Fonte: Direção Regional de Estatística da Madeira (2019); Direção Regional de Turismo,
SRETC (2019). [2020-X-1]
Nesta mesma fonte, é visível que neste mesmo ano, a RAM registou uma estada
média de hóspedes estrangeiros de 5,7 noites, superior à média de Portugal (3,1 noites),
que inclui também a RAM. A estada média no estabelecimento segue a mesma tendência
19
anterior, ou seja, o valor registado na RAM foi superior ao de todo Portugal, sendo,
respetivamente, 5,2 noites e 2,7 noites.
Em relação ao número total de acomodações turísticas, até julho de 2018, a RAM
possuía 1 542 unidades (141- estabelecimentos hoteleiros; 1345 – acomodações locais e
56 turismo rural e turismo habitacional). No número de turistas, em 2018, a RAM registou
um total de 1 605 458 turistas, tendo todo o território de Portugal registado 25 249 904
turistas. Em termos de dormidas, a RAM totalizou 8 344 266 dormidas e o restante
território português teve 59 317 837 dormidas.
No que concerne às receitas de alojamento, a RAM registou, em 2018, um total
de 279 187 euros (257 774 euros de estabelecimentos hoteleiros; 15 877 euros de
alojamento local, e 5 536 euros de turismo rural e turismo de habitação). Ainda em 2018,
A RAM contabilizou uma média de 138 estabelecimentos hoteleiros, com um total de
7 127 pessoas ao serviço (mais 3,6% que em 2017). Segundo um estudo efetuado pela
DREM, intitulado “Gastos turísticos internacionais na Região Autónoma da Madeira”
(2016), a média correspondente aos gastos de um turista diariamente é de 123,94€,
maioritariamente (50,4%) em pacotes turísticos, restaurantes, cafés e bares. As principais
motivações da visita foram lazer, recreio e férias (92,2%).
A mesma fonte, indica que ao nível de receitas e de proveitos totais no turismo,
em 2018, a Madeira atingiu um recorde de 410 milhões de euros de receitas e 265 milhões
de euros em proveitos de aposento. Ao longo dos últimos anos a Madeira tem recebido
vários prémios, como o Europe’s Leading Island Destination em 2013, 2014, 2015, 2016,
2017, 2018 e 2019. Em 2015, 2016, 2017 e 2018 foi também premiada pela mesma
entidade, como o “Melhor Destino Insular do Mundo” (World’s Leading Island
Destination) e desde 2009, é reconhecida pela World Centre of Excellence for
Destinations (CED) como um destino de excelência.
20
4. Agroturismo
É uma modalidade de turismo praticada no meio rural, por agricultores familiares
determinados a partilhar o seu modo de vida com os habitantes do meio urbano. Os
agricultores, mantendo as suas atividades agropecuárias, oferecem serviços de qualidade,
valorizando e respeitando o meio ambiente e cultural local.
Este tipo de modalidade de turismo ajuda a estabilizar a economia local
desenvolvendo empregos nas atividades indiretamente ligadas à atividade agrícola e ao
próprio turismo, além de abrir oportunidades a negócios diretos.
O agroturismo constitui também uma forma afável de promover o
desenvolvimento sustentável e de executar variadas atividades no espaço rural, no âmbito
da qual o hóspede tem a oportunidade de conhecer as áreas rurais, as atividades agrícolas,
os produtos locais, a culinária tradicional e a vida quotidiana dos habitantes dessa regiões,
bem como os elementos de civilização e as caraterísticas autênticas desse espaço, com
respeito pelo meio e pela tradição. Além disso, esta forma de turismo traz o visitante mais
perto da natureza e oferece-lhe a ocasião de conhecer as atividades no espaço rural, de
cooperar nessas atividades, de se divertir e de sentir a alegria de passear, de aprender e de
descobrir. Ao mesmo tempo, o agroturismo dispõe as forças produtivas, culturais e de
desenvolvimento de uma região, contribuindo desse modo ao desenvolvimento
ambiental, económico e social sustentável do espaço rural.
Este tipo de turismo tem preocupações ambientais e pretende gerar benefícios de
forma a promover a conservação ambiental, a proteção de espécies vegetais e animais
gerando assim, um destino sustentável, ou seja, a satisfação das necessidades do homem,
sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras ou vindouras. É
necessário ter como apoio os recursos existentes no destino promovendo desta forma a
interação enriquecedora e saudável entre turistas e residentes.
As vantagens de investir no agroturismo são excessivamente variadas e muito
vantajosas. As atividades económicas sejam elas quais forem, exigem um trabalho
constante na obtenção da qualidade dos serviços e dos produtos de forma a garantir a sua
permanência num mercado cada vez mais competitivo e exigente.
21
Estas condições aliadas a uma eficaz capacidade dos recursos humanos não devem
ser descuidadas pelos empresários do setor. Este tipo de turismo respeita a identidade das
zonas rurais em todas as formas.
5. Ecoturismo
Ecoturismo é a “viagem ambiental responsável e visita a áreas naturais
relativamente intocadas, com o fim de desfrutar e apreciar a natureza, promovendo a
conservação e as visitas de baixo impacto e, fomentando o envolvimento socioeconómico
ativo das populações locais” (IUCN,1996).
O Ecoturismo é um tipo de Turismo. É muitas vezes confundido com o Turismo
Sustentável, porém segundo o subcapítulo anterior a definição de Turismo Sustentável
indica que assenta em três pontos fundamentais que transcendem a vários tipos de
Turismo enquanto que o Ecoturismo é um segmento de um setor mais abrangente que se
carateriza pela prática das atividades ligadas à natureza e à conservação dos recursos
naturais.
Segundo o The International Ecoturism Society (TIES) ele guia-se por oito
princípios fundamentais:
• Minimizar os impactos negativos sobre os recursos e cultural local;
• Educar o turista sobre a importância da conservação, desenvolvendo a consciência
e o respeito ambiental e cultural;
• Salientar a importância da empresa responsável que trabalha em conjunto com as
autoridades e comunidades locais, no sentido de conhecer as suas necessidades e
fornecer benefícios para a conservação;
• Proporcionar receitas diretas para a conservação e gestão das áreas naturais e
protegidas;
• Apoiar os estudos ambientais e sociais;
• Trabalhar no sentido de maximizar os benefícios económicos para o país de
acolhimento e para as empresas e comunidade local, principalmente para a
população que vive em área naturais ou protegidas, ou zonas contíguas a estas;
22
• Procurar garantir que o desenvolvimento turístico não exceda os limites
ambientais e sociais da mudança aceitável;
• Proporcionar experiências positivas aos visitantes e à população local.
As atividades ligadas à prática do Ecoturismo caracterizam-se por ser praticadas
num ambiente natural, de forma a criar um contacto com a natureza sem nunca a
prejudicar. Alguns exemplos, dessas atividades incluem, por exemplo o snorkeling, a
observação de aves (Birdwatching), o BTT, o Trekking, o Parapente e muitas outras
atividades praticadas no meio natural.
23
6. Empresa de Agroturismo e Ecoturismo em Sistema de Cooperativa
Segundo o decreto-lei n.º 95/2013, de 19 de julho, “ Empresa de animação
turística”, a pessoa singular ou coletiva que desenvolva, com caráter comercial, alguma
das atividades de animação turística” que realizem como atividades de turismo ao ar livre
ou de turismo cultural e que tenham interesse turístico para região, porém com algumas
exclusividades (Ministério da Economia e do Emprego, 2013).
A empresa pretendida é uma empresa de agroturismo e ecoturismo em sistema de
cooperativa, que organizará atividades lúdicas de natureza recreativa, desportiva e
culturais para grupos de turistas. Precisamente para turistas de várias idades que venham
passar férias a ilha da madeira com interesse em turismo rural.
A Ilha da Madeira, tem tido um aumento de visitas de turistas ao longo dos anos,
por isso foi pensando que seria importante criar uma quinta que disponibilizasse as
condições necessárias para que os nossos futuros clientes tivessem animação turística na
ilha.
Esta quinta seria construída numa zona da ilha onde se possui bom clima, fácil
acesso e até ficasse perto de levadas e dos campos de cultivo, em que os agricultores e os
monitores da quinta pudessem realizar atividades nesse âmbito sem ter de deslocar-se
muito para realizar as mesmas.
Deste modo, enquanto desfrutavam do campo, tinham também a oportunidade de
explorar a natureza e fazer atividades ao ar livre, «“Atividade de truísmo de ar livre”,
também denominadas por “atividades outdoor”, de “turismo ativo” ou de “turismo de
aventura”, as atividades que, […] Decorram predominantemente em espaços naturais,
traduzindo-se em vivências diversificadas de fruição, experimentação e descoberta da
natureza e da paisagem, podendo ou não realizar-se em instalações físicas equipadas
para o efeito» (Ministério da Economia e do Emprego, 2013).
O objetivo será criar uma empresa que se destine a todo o tipo de turistas que
pretendem viver experiências culturais, potenciar o turismo ecológico e rural e
agroecológico e interajuda nos momentos de crise para mais facilmente superar as
dificuldades da comunidade.
24
Este empreendedorismo será privado, sendo que a entrada é gratuita e as
atividades pagas. Situar-se-á em Santana (Madeira), precisamente em São Jorge
(Madeira).
Adicionalmente, a quinta será diurna e noturna de forma que os turistas possam
pernoitar na quinta com as suas famílias, podendo disfrutar durante o dia de diversas
atividades.
Por fim, o nome escolhido para a quinta seria SPLENDOR QUIMERA, um nome
simples, fácil de decorar, português e além de já estar na lista de firmas.
25
6.1. Regulamento
Os empreendimentos de agroturismo prestam serviços de alojamento, segundo o
decreto-lei n.º 39/2008, de 7 de março, artigo 7º. A Quinta é destinada a grupos de
crianças, jovens turistas e residentes.
Teremos programas culturais, desportivos, educativos. Nós seremos uma
identidade organizadora coletiva de natureza privada com fins lucrativos, teremos pessoal
devidamente habilitado para auxiliar nas atividades previstas na no turismo no espaço
rural.
6.2. Processo de licenciamento do TER
O licenciamento ou autorização dos processos respeitantes à instalação dos
Empreendimentos Turísticos decorre na Câmara Municipal da área da sua implantação,
de acordo com o regime jurídico da instalação, exploração e funcionamento dos
empreendimentos turísticos, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 39/2008 de 7 de março,
alterado pelo Decreto-Lei n.º 80/2017, de 30 de junho. O licenciamento dos
empreendimentos turísticos depende da aprovação das câmaras municipais, de acordo
com a tipologia do empreendimento turístico, a instalação também poderá necessitar a
intervenção do Turismo de Portugal.
4.2.1. Etapas do processo de licenciamento do TER
• Pedido e informação prévia (facultativo):
Consiste num pedido de informação, a título prévio, sobre a possibilidade de
instalar num empreendimento turístico e em saber quais os respetivos condicionalismos
urbanísticos. A Câmara Municipal consulta, em simultâneo, o Turismo de Portugal e as
outras entidades, as quais deverão emitir um parecer no prazo de 20 ou 30 dias após a
26
receção dos referidos pareceres. A não emissão de parecer por parte das entidades
consultas dentro do prazo legar entende-se como favorável.
• Licenciamento ou comunicação prévia de operações urbanísticas:
Baseia-se num pedido, junto da Câmara Municipal, com vista à obtenção da
aprovação do projeto de arquitetura e segurança dos empreendimentos turísticos. A
Câmara, por sua vez, consulta o Turismo de Portugal, bem como as outras entidades
intervenientes, que deverão emitir um parecer sobre o referido pedido. O parecer do
Turismo de Portugal tem por base a verificação da adequação do empreendimento
turístico, tipologia e arquitetura. Quando desfavorável, o parecer é vinculativo e deve
indicar e justificar as alterações necessárias. A Câmara, no prazo de 45 dias, juntamente
com o parecer emitido, fixa a capacidade máxima do estabelecimento e atribui a
classificação de acordo com o projeto apresentado. A licença de operação urbanística será
emitida pela Câmara Municipal após a aprovação dos projetos de engenharia e de
especialidades. Estes projetos deverão ser apresentados 6 meses após a aprovação do
projeto de arquitetura.
6.3. Requisitos e Funcionamento
É obrigatório a empresa dispor de livro de reclamações de acordo com o Decreto-
Lei n.º 156/2005, bem como, conter “um contrato de seguro que cubra acidentes pessoais
dos participantes, com o valor mínimo e âmbito de cobertura” fixados pela Portaria
nº629/2004, de 12 de Junho.
27
6.4. Recursos Humanos
A Quinta terá de conter pessoal técnico adequado, que apresentará física e
psíquica, adicionalmente, as habilitações necessárias para o exercício das funções a
desempenhar, nomeadamente formação em primeiros socorros e ser guia oficial, bem
como, possuir de carta de condução B.
Todos os funcionários da Quinta, nomeadamente, os monitores/ animadores serão
adequados a quantidade de participantes nas atividades do campo de férias.
No período em que se realiza as atividades terá de conter um monitor/animador
por cada grupo.
28
6.5. Análise de Mercado
Para a criação deste projeto foi feita uma análise do mercado, nomeadamente no
site do Portal da Juventude e constatámos que atualmente, existe 11 empresas de
agroturismo no Arquipélago da Madeira, como será possível constatar na figura abaixo.
Porém, após uma profunda análise das empresas de agroturismo, constatamos que
os outros empreendedorismos deste género não oferecem alguns tipos de atividades que
a nossa Quinta.
Deste modo, foi concluído que a realização deste projeto se encontrava numa ideia
diferente e inovadora que trará algo diferente aos nossos turistas, para que possam
disfrutar da ilha da Madeira de forma original e única.
Figura 3 - Registo Empreendimentos Turísticos de Agroturismo
Fonte: [Link] [2020-IX-29]
29
6.6. Plano de Negócios
Para a elaboração desta empresa também elaboramos um plano de negócios para
que o empreendedorismo corra sem imprevistos.
E que identicamente neste plano possamos descrever todos os objetivos da
empresa e quais os passos que devem de ser dados diminuindo assim as incertezas para a
criação oficial da
6.6.1. Qual o produto que está a ser vendido?
Em primeiro lugar, o produto que está a ser vendido, neste caso, estão a comprar
à quinta, nomeadamente, diversas atividades desportivas ao ar livre quando as condições
climatéricas permitirem e para que tal aconteça o mesmo que possuir todas as condições
de saúde e segurança necessária para os participantes.
6.6.2. Quem são os clientes?
Os nossos clientes serão famílias com crianças, jovens e seniores turistas,
hospedados na nossa quinta, como anteriormente mencionado que procurem paz,
tranquilidade, contacto com a natureza e com animais, em que a maioria das atividades
estão em contacto com o ar livre. A nossa quinta poderá ser utilizada também por jovens
portadores de deficiência.
6.6.3. Quais as formas de comercialização do mesmo?
Quanto à forma de comercialização do nosso produto truístico poderá ser
comprado no local, através da internet ou mesmo através de agências que estejam
autorizadas a publicitar as atividades da Quinta SPLENDOR QUIMERA.
30
6.6.4. O que levará os clientes a adquirirem o nosso produto?
Irão comprar o nosso produto visto que a quinta oferecerá diversas maneiras de
passar o dia num único sítio de maneira divertida e diferente do dia-a-dia. É uma
experiência única e que certamente irão querer repetir.
A nossa Quinta disponibilizará na casa “mãe” receção, instalações sanitárias, sala
comum, cozinha e copa, sala de refeições. Na área exterior terá parque de estacionamento,
zonas ajardinadas, horta biológica, estábulos, atividades de hipismo, ciclismo,
caminhadas, participação na colheita de frutos e hortaliças da época, agropecuária,
acompanhamento dos agricultores nas suas tarefas agrícolas. Entre outras atividades é
importante salientar que terá as atividades exteriores com os monitores com qualificação
adequada.
Quanto à alimentação, os nossos hospedes podem desfrutar de um fantástico
pequeno-almoço que, além de pão, leite, chá e café, contem frutas típicas da região e
produtos biológicos da Quinta como as compotas e ovos caseiros, segundo o artigo 18º
do decreto-lei n.º 39/2008, de 7 de março.
6.7. Plano operacional
A quinta, será de acesso gratuito (quando deslocarem-se nos seus próprios meios)
e atividades pagas.
Por outro lado, os outros produtos que a empresa vai disponibilizar, através de
pagamento, terão um valor, decidido entre todos os membros da empresa.
Posteriormente será apresentado o preçário tendo em conta os custos da empresa
de maneira a que seja uma empresa rentável.
31
6.8. Plano de Ação
Como plano de ação o contacto direito e indireto. Como contacto direto os clientes
poderão se dirigir diretamente a quinta ou dirigir-se as agências que irão comercializar as
nossas atividades. Bem como, poderão contactar-nos através do site oficial ou por via
telefónica e e-mail.
No nosso site será exposto o plano diário das diferentes ofertas de atividades
diurnas, possíveis promoções, eventos especiais, entre outros.
Poderão imprimir os nossos panfletos, ou levá-los diretamente dos balcões das
agências, com o material que poderá ser necessário levar, o horário de funcionamento, e
o preçário.
32
6.9. Valor Capital
Quanto ao nosso valor capital, será uma poupança efetuada anteriormente pelas
duas socias da empresa, de forma a garantir o investimento inicial até a quinta ter deferido
a sua candidatura ao financiamento do programa 2020 Consulting.
Este valor terá que abranger o custo da criação da “empresa na hora”, bem como,
o custo da construção das duas casas, e a renovação da propriedade principal adquirida
por herança.
Visto que era uma propriedade anteriormente usada para habitação particular, teve
que ter uma renovação em certos aspetos, nomeadamente, a construção de uma receção e
como os equipamentos necessários.
Esta propriedade já tinha certas regalias nomeadamente o fornecimento de energia
elétrica pelo painel fotovoltaico e o aquecimento de água pelo painel solar térmico
(energia forçada), a piscina e a casa, sendo então custos só de manutenção.
33
6.10. Financiamento
Figura 4 - Logotipo 2020 Consulting
Fonte: [Link] [2020-IX-29]
A 2020 Consulting é especializado na realização do projetos ligados ao setor do
turismo, apoiando a sua implementação e expansão, nomeadamente através do acesso a
fundos e apoios específicos, de onde, se destacam: o Turismo de Portugal que tem
incentivos reembolsáveis com taxas altamente bonificadas, 20 anos de prazo de
reembolso e 4 anos de carência, por forma a garantir a eficaz implementação/expansão
do negócio, quanto ao Portugal 2020 existe incentivos não reembolsáveis, sob a forma de
apoio ao investimento no setor do turismo, por fim a Madeira e Açores 2020 tem
incentivos específico para o investimento turístico nas ilhas, com condições especiais e
apoios não reembolsáveis.
Já procedemos ao processo de candidatura para os apoios específicos para projetos
turísticos. Optamos por este financiamento devido “Portugal 2020” ter possibilitado a
milhares de empresas acesso à capitação, internacionalização, compra de equipamentos,
entre outros.
34
7. Criando a Empresa
CAE VER.3 55202 – Turismo no Espaço Rural
CAE Rev_3: 93293/ Diversas – Empresas de Animação Turística e Operadores Marítimo
– Turísticos
7.1. O tipo de processo
De acordo com a informação fornecida pelo folheto, escolhemos o processo
Empresa na Hora.
7.2. Escolher uma firma
Firma: SPLENDOR QUIMERA Lda. (nome retirado da lista de firmas pré-
estabelecidas no site)
7.3. Certificado de Admissibilidade de Firma
Deve ser entregue ao Registo Nacional de Pessoas Coletivas (RNPC). Por lei, o
Certificado de Admissibilidade deve ser emitido no prazo máximo de 10 dias, mas
demora normalmente três a cinco dias, e tem uma validade de três meses a contar da sua
data de emissão.
35
7.4. Escolher um Pacto Social
Será uma Sociedade por quotas, posteriormente é necessário conter certos
documentos para a constituição da empresa, nomeadamente:
• Cartão de empresa ou cartão de pessoa coletiva;
• Certidão do registo comercial atualizada;
• Acesta da Assembleia geral que confere os poderes para a constituição da
sociedade.
Figura 5: Solicitação de Cratão de Empresa feita no site
Fonte : [Link]
[2020-X-7]
36
7.5. Custos
O custo de constituição de uma sociedade em que o capital é totalmente
constituído por dinheiro é de 360€ no total, isto inclui publicações e atos de registo
comercial (Anexo 1).
No balcão será elaborado o pacto da sociedade e será efetuado o registo comercial.
De imediato, receberá:
• o pacto social;
• o código de acesso a certidão permanente de registo comercial, pelo prazo
de 3 meses;
• o código de acesso ao cartão eletrónico da empresa;
• o número da segurança social da empresa.
Nota: posteriormente receberá o cartão da empresa em suporte físico.
Observação: neste cartão poderemos encontrar o número de identificação de
pessoa coletiva que corresponde ao NIF, o número de inscrição de segurança social, a
classificação Portuguesa de Atividade Económica, Natureza Jurídica da entidade, data da
sua constituição e no verso do cartão físico, está o código de acesso a certidão permanente
disponibilizada com a submissão da informação empresarial simplificada.
7.6. Entrega da declaração de início de atividade
A entrega deste documento pode ser realizada de 2 formas:
Em primeiro, no momento da constituição da empresa, assinada por um técnico
oficial de contas;
Em segundo, no momento da constituição da empresa, escolhendo um oficial de
contas de uma bolsa disponibilizada no balcão ou outra indicada pelos mesmos.
37
Nota: este documento tem um prazo de 15 dias apos a constituição da empresa,
que poderá entregar a declaração de início de atividade num serviço de finanças, desde
que esteja preenchida e assinada pelo um técnico oficial de contas.
7.7. Deposito do valor do capital
Tem o prazo máximo de 5 dias uteis após a constituição, os sócios deverão
depositar o valor do capital social em numerário numa conta aberta em nome da sociedade
ou proceder à sua entrega nos cofres da sociedade até ao final do primeiro exercício
económico.
7.8. Início da Atividade
Quando se está criando uma empresa, deve ser ter em conta os custos de gestão,
os impostos, custos de contabilidade e custos com o pessoal.
Tendo isso em mente, foi decidido usar o software de gestão de Recursos
Humanos ARTSOFT dedicado para facilitar e agilizar todas as necessidades de gestão e
administrativas como a área da contabilidade, recursos humanos, entre outros.
Figura 5 - Logo do ARTSOFT
Fonte: [Link] [2020-IX-30]
38
7.9. Localização
Após tudo isto, a quinta será em Santana (Madeira), precisamente em São Jorge
(Madeira). O terreno contém 1 359m2 de área bruta e com uma área de 10 hectares.
Mapa 1 – Localização da Ilha da Madeira
Mapa 1- Madeira
Fonte:[Link]
2ahUKEwi5kt35y6DbAhUKVhQKHTVoAb8QjRx6BAgBEAU&url=[Link]
[Link]/eb1peppargo/&psig=AOvVaw2VNoZRUlCIqjxM0B5Yq5R&ust=1527328
065611403 [2020-IX-30]
39
Figura 6 - Vista aérea do Terreno
Fonte: Criação Própria
8. Instalações e Equipamentos
Alojamento
A Quinta Splendor Quimera dispões de 4 quartos (máximo 15 quartos de acordo
com a legislação em vigor)
Caraterísticas dos Quartos
• Cama de casal (1,60 m x 1,40 m) ou duas camas de singles (90 m x 1,80m);
• Roupeiro;
• Mesas de Cabeceiras;
• Mesa de apoio;
• Iluminação no teto e mesas de cabeceiras;
• Cortinas;
• Serviço de copos e água;
• Televisão;
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• Acesso a internet;
• Telefone direto;
• Sistema de aquecimento e ar condicionado;
• Terraço privativo;
• Roupa de cama;
Instalações Sanitárias
Quartos com casa de banho privativa equipadas com:
• Banheira;
• Sanita;
• Lavatório com espelho;
• Iluminação;
• Cesto de lixo;
• Tomada elétrica;
• Separador em material inquebrável;
• Suporte papel higiénico;
• Toalheiros;
• Toalhas de rosto e banho;
• Ventilação;
• Secador;
Sala Comum
• Sofás;
• Mesas;
• Lareira;
• Mesa de Jogos;
• Biblioteca;
• Iluminação;
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Casa de Banho social F/M
• Sanita;
• Lavatório com espelho;
• Cesto de Lixo;
• Sabonete líquido;
• Suporte papel higiénico;
Sala de refeições interior e exterior
• Mesas;
• Cadeiras;
• Iluminação;
Cozinha e Copa
• Frigorífico;
• Forno;
• Micro-ondas;
• Eletrodomésticos;
• Espaço de arrumação;
Receção
• Sofás;
• Mesas;
• Iluminações;
• Secretárias;
• Brochuras;
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Área exterior
• Parque de estacionamento;
• Zonas ajardinadas;
• Horta biológica;
• Casa Caseiros;
• Cavalariças;
Infraestrutura
• Abastecimento de água da rede pública e reservatório de água potável;
• Sistema próprio de armazenamento através de cisternas, para a recolha das águas
pluviais e outras águas (lavatório e duche) para descargas das casas de banho e
rega;
• Contentores específicos para reciclagem de vidro, papel e plástico;
• Parque de estacionamento.
9. Informações
A Quinta disponibilizará brochuras, redigidas em português, espanhol, inglês,
alemão e francês, colocadas à disposição dos hóspedes, nos quartos e zona de receção,
com as seguintes informações:
• Apresentação da empresa e da Quinta, preços, equipamentos, atividade e
serviços disponíveis e respetivos horários;
• Atividades agroturísticas disponibilizadas, o seu funcionamento, horário e
condições de participação;
• Nome e descrição do quarto;
• Informações sobre o património turístico, natural, histórico, etnográfico,
cultural, gastronómico e paisagístico da região onde o empreendimento se
localiza;
• Locais e ofertas de serviços;
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• Contactos importantes e Localização dos serviços médicos e das farmácias
mais próximas;
• Meio de transporte público e respetivos horários;
Equipamentos de Segurança
• Extintores;
• Primeiros socorros.
Sistema de Informação
Tipos de equipamentos utilizados
• Computador com ligação à internet;
• Impressora/ scanner/ fotocopiadora;
• Sistema de pagamento multibanco;
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[Link] Mensais / Anuais
Tabela 2 – Custos Mensais e Anuais Fixos
Custos Mensais Custos Anuais
Seguros Acidentais pessoais -------------------------- 79.64€
Energia Elétrica (Por painel fotovoltaico) *
Pacote de Telecomunicações
(Telefone, Net e Tv)
80€
Salários 5 Funcionários x 615€ 3.075 x 12
(Salário Mínimo) = =36.900 €
Custos
3.075
Fixos
Divulgação impressa
(Folhetos)
30€ 30 x 12 Meses =
360
Refeições 207.66 € 3.493,36 €
Total 3 392,66 € 3 966,9 €
Fonte: Própria Autoria
* Valor fixo, visto que, a energia elétrica é fornecida por painel solar fotovoltaico.
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Tabela 3 – Custos Mensais e Anuais Variáveis
Custos Mensais Custos Anuais
88,55 € 265 €
Água
Custos Material de Limpeza 69,15 € 207,45 €
Variáveis
Manutenção
(Jardim, Campo,
3.333,33 € 10.000 €
Tubos de água e etc)
Medicamentos -------------------- 48,07 €
Total 3.491,03 € 10.520,52 €
Despesas Totais Anuais 14 011,55 €
Fonte: Própria Autoria
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[Link]
Tabela 4 - Tabela de preços dos Materiais para dentro dos Edifícios (por unidade)
Cozinha Fogão 4 Frigorifico Fervedores Lava-
bocas (180 2 portas (25.99€) loiças Cozinha
€) (250€) Liquidifica (75€) bancada
Torneiras dores Micro- (329€)
Sanduicheira (27.90 €) (40€) ondas Candeeiro
(15 €) (50€) de teto
(19.99 €)
Sala de Móvel para Mesa de Almofadas Aparador Mesas Cabide s
Estar e televisão centro decorativas (209€) pequenas de pé
casas de (159€) TV (90€) (9.00€) Sofá (20€) (39.99 €)
alojamento Led (379€) Moveis de Tapete de (600€) Candeeiro
entrada sala (70€) Cortinas de teto
(90€) (15€) (19.99 €)
Enfermaria Candeeiro Poltrona Marquesas Carro de
de teto hospitalar (64.99€) higiene
(19.99€) (250€) (86€)
WC Sanita – Candeei ro
Torneiras Móvel conjunto de teto
(27.90€) /Pia/ (129€) (19.99€
Espelho
(74.90 €)
WC Torneiras Móvel Barras de Sanita – Candeeiro Cadeiras
Deficientes (27.90€ /Pia/ Apoio conjunto de teto de Banho
Espelho (59.90€) (129€) (19.99 €) deficientes
(74.90 €) (74.20 €)
Receção Cadeiras de Secretária Estante de Candeeiro Poltrona
escritório (139€) gavetas de teto pele
(59.00€) (110€) (19.99€) sintética
Cabides de (83.99 €)
pé (39.99€
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Jardim Mesa de Cadeir as Baloiços Ilumina
jardim (20.99 €) de Jardim ção
(82.99€) (140€) Exterior
(59.99
Quartos Camas de Camas Roupeiros Almofadas
casal single (219,00 €) (14,99 €)
(195,00 €) (129,00 €)
Total 5 085,79 €
Fonte: Própria Autoria
Tabela 5 - Tabela de Preços das Compras Mensais
Compras por mês (por unidade)
Mercearia Bebidas Higiene Limpeza Geral Primeiros Extras
Socorros
Cereais Água Lenços de Sacos de Lixo Pensos Panos de
(3.79€) sem gás papel 50L (1.69€) (0.99€)) Limpeza
garrafão (0.69€) (0.71€)
6L
(0.63€
Café Luso Papel Limpa Vidros Ligadura Pás (0.50)
(1.69€) 1.5L -6 Higiénico (1.69€) (1.49€)
garrafa XXL (7.99)
s
(1.92€)
Nesquick Guardanapos Lixívia (1.89€) Adesivo Copos
em Pó (0.54€) (1.89€) (1.60€)
(3.99)
Pão de Produtos Algodão
Casa Multisuperfícies (0.74€)
(1.99€) (1.79€)
Luvas 10 Un. Compressas
(1.99€) (1.69€)
Água
Oxigenada
(0.54€)
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Álcool
(0.75€)
Creme
picadas
(6.74€)
Soro
Fisiológico
(0.39€)
Brufen
(5.99)
Voltaren
Emulgele x
(16,50)
Reumon
Gel
(10.36€)
Total 83,16 €
Fonte: Própria Autoria
[Link] complementares
Os empreendimentos de turismo no espaço rural, nos termos do regime jurídico
que regula a atividade das empresas de animação turística, exercer atividades de animação
que se destinem exclusivamente à ocupação de tempos livres dos seus utentes e
contribuam para a divulgação das caraterísticas, produtos e tradições das regiões em que
os mesmos se situam. No entanto quando as atividades não se destinem exclusivamente
à ocupação dos utentes dos empreendimentos de turismo no espaço rural, devem as
respetivas entidades promotoras licenciar-se como empresas de animação turística.
12.1. Condições gerais de instalação
Os empreendimentos de turismo no espaço rural devem observar os requisitos
gerias de instalação:
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• Instalação de empreendimentos turísticos que envolvam a realização de
operações urbanísticas conforme definidas no regime jurídico da
urbanização e da edificação fazendo cumprir as normas constantes daquele
regime, bem como as normas técnicas de construção aplicáveis às
edificações em geral, designadamente em matéria de segurança contra
incêndio, saúde, higiene, ruído e eficiência energética, sem prejuízo do
disposto no presente decreto-lei e respetiva regulamentação;
• O local escolhido para a instalação de empreendimento turístico deve
obrigatoriamente ter em conta as restrições de localização legalmente
definidas, com vista a acautelar a segurança de pessoas e bens face a
possíveis riscos naturais e tecnológicos;
• Os empreendimentos turísticos devem possuir uma rede interna de esgotos
e respetiva ligação às redes gerais que conduzam as águas residuais a
sistemas adequados ao seu escoamento, nomeadamente através da rede
pública, ou de um sistema de recolha e tratamento adequado ao volume e
natureza dessa água, de acordo com a legislação em vigor, quando não
fizeram parte das águas recebidas pelas câmaras municipais;
• Nos locais onde não exista rede pública de abastecimento de água, os
empreendimentos turísticos devem estar dotados de um sistema de
abastecimento privativo, com origem devidamente controlada;
• Para efeitos do referido anteriormente, a captação de água deve possuir as
adequadas condições de proteção sanitária e o sistema ser dotado dos
processos de tratamentos requeridos para potabilização da água ou para a
manutenção da mesma, de acordo com as normas de qualidade da água em
vigor, devendo para o efeito ser efetuadas análises físico-químicas e ou
microbiológicas.
• A instalação das infraestruturas, máquinas e de todo o equipamento
necessário para o funcionamento dos empreendimentos deve efetuar-se de
modo que não se produzam ruídos, vibrações, fumos ou cheiros suscetíveis
de perturbar ou afetar o ambiente do empreendimento e a comodidade dos
hóspedes;
• Os fatores perturbadores ou ruidosos que decorrem do exercício normal,
corrente e regular das atividades próprias das explorações agrícolas não
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são considerados para os efeitos previstos no parágrafo anterior, devendo,
no entanto, sempre que possível, ser minimizado o seu efeito;
• As unidades de alojamento podem integrar-se num edifício ou num
conjunto de edifícios, com exceção dos hotéis rurais que forem construídos
de raiz, cujas unidades de alojamento devem estar situadas num único
edifício ou em edifícios integrados numa entidade arquitetónica única;
• Nos casos em que as unidades de alojamento se situem em vários edifícios,
estes deverão estar claramente identificados como fazendo parte integrante
do empreendimento;
• Os empreendimentos de turismo no espaço rural devem preservar,
recuperar e valorizar o património arquitetónico, histórico, natural e
paisagístico dos respetivos locais e regiões onde se situam, através da
reconstrução, reabilitação ou ampliação de construções existentes, de
modo a ser assegurada a sua integração na envolvente.
12.2. Infraestruturas e equipamentos
Os empreendimentos de turismo no espaço rural devem dispor das seguintes
infraestruturas e equipamentos:
• Sistema de iluminação e água corrente quente e fria;
• Quando o sistema de abastecimento de água seja privativo, os empreendimentos
devem dispor de reservatórios com capacidade para satisfazer as necessidades
diárias do empreendimento;
• Sistema e equipamentos de segurança contra incêndios nos termos de legislação
específica;
• Sistema de climatização adequado `as condições climatéricas do local onde se
encontra situado o estabelecimento;
• Zona de arrumos separada das zonas destinadas aos hóspedes;
• Sistema de armazenagem de lixos quando não exista serviço público de recolha;
• Equipamento de primeiros socorros;
• Área de estacionamento;
51
• Telefone fixo ou móvel com ligação `a rede exterior na ´área de receção ou,
quando se trate de casas de campo, no escritório de atendimento a hóspedes.
12.3. Zonas comuns
Nos empreendimentos de turismo de habitação e de turismo no espaço rural deve
existir uma ´área de receção e atendimento a hóspedes, devidamente identificada e
destinada a prestar os seguintes serviços:
• Registo das entradas e saídas dos hóspedes;
• Serviço de reservas de alojamento;
• Receção, guarda e entrega aos hóspedes das mensagens, correspondência e demais
objetos que lhe sejam destinados;
• Prestação de informação ao público sobre os serviços disponibilizados.
12.4. Unidades de alojamento
As unidades de alojamento dos empreendimentos de turismo de habitação e de
turismo no espaço rural são quartos ou suites e devem dispor, no mínimo, de cama, mesa-
de-cabeceira ou solução de apoio equivalente, espelho, armário, iluminação de cabeceira
e tomada elétrica. Nos empreendimentos de agroturismo as unidades de alojamento
podem ainda ser edifícios autónomos. Quando as unidades de alojamento dos
empreendimentos de turismo de habitação ou de turismo no espaço rural dispuserem de
salas privativas, a área mínima exigida para as mesmas é de 10 m2.
Cozinhas
As cozinhas ou pequenas cozinhas (kitchenettes) dos empreendimentos de turismo
de habitação e de turismo no espaço rural devem estar equipadas, no mínimo, com
frigorífico, fogão, placa ou micro-ondas, lava-loiça, dispositivo para absorver fumos e
cheiros e armários para víveres e utensílios. As cozinhas dos empreendimentos de turismo
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de habitação e de turismo no espaço rural destinadas a confecionar refeições para os
hóspedes podem ser as destinadas ao uso do proprietário do empreendimento ou seu
representante, quando ali residente.
Os empreendimentos de turismo de habitação e os empreendimentos de turismo
no espaço rural podem fornecer diretamente aos seus utentes, a estabelecimentos de
comércio a retalho ou a estabelecimentos de restauração ou de bebidas, pequenas
quantidades de produtos primários, transformados ou não, nos termos da legislação
nacional que estabelece e regulamenta derrogações aos regulamentos comunitários
relativos à higiene dos géneros alimentícios.
Instalações sanitárias
As instalações sanitárias afetas ou integradas em unidades de alojamento devem
dispor, no mínimo, de sanita, duche ou banheira, lavatório, espelho, ponto de luz, tomada
de corrente elétrica e de água corrente quente e fria e devem ainda estar equipadas, no
mínimo, com sabonete ou gel de banho.
12.5. Informações
Os empreendimentos de turismo de habitação e de turismo no espaço rural devem
disponibilizar aos hóspedes informação escrita, em português e em pelo menos outra
língua oficial da união europeia, sobre:
• Condições gerais da estada e normas de utilização do empreendimento, incluindo
preços dos serviços disponibilizados e respetivos horários, bem como
equipamentos existentes à disposição dos hóspedes para a prática de desportos ou
de outras atividades de animação turística e regras para a sua utilização;
• Áreas do empreendimento de acesso reservado ao seu proprietário, explorador ou
legal representante;
• Produtos comercializados, sua origem e preço;
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• No caso dos empreendimentos de agroturismo, atividades, agroturísticas
disponibilizadas, o seu funcionamento, horário e condições de participação;
• Património turístico, natural, histórico, etnográfico, cultural, gastronómico e
paisagístico da região onde o empreendimento se localiza;
• Localização dos serviços médicos e das farmácias mais próximas;
• Meios de transporte público que sirvam o empreendimento e vias de acesso aos
mesmos.
12.6. Serviço de refeições
Nos empreendimentos de turismo no espaço rural é obrigatório o serviço de
pequeno-almoço. Devem ainda ser disponibilizados almoços e jantares, mediante
solicitação prévia, sempre que não exista estabelecimento de restauração a menos de 5
km exceto quando se trate de casas de campo não habitadas pelo proprietário, explorador
ou seu representante. As refeições servidas devem corresponder à tradição da cozinha
portuguesa e utilizar, na medida do possível, produtos da região ou da exploração agrícola
do empreendimento.
12.7. Comercialização de produtos artesanais e gastronómicos
Nestes empreendimentos é permitida a comercialização de produtos artesanais e
gastronómicos produzidos no próprio empreendimento ou na região em que se insere.
Fornecimentos incluídos no preço diário do alojamento No preço diário do alojamento
está incluído, obrigatoriamente, o pequeno-almoço, o serviço de arrumação e limpeza e o
consumo ilimitado de água e de eletricidade, desde que inerente aos serviços próprios do
empreendimento.
12.8. Arrumação e limpeza
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Nos empreendimentos de turismo de habitação e de turismo no espaço rural, as
instalações e os equipamentos devem ser mantidos em boas condições de higiene, limpeza
e funcionamento. Com efeito, as unidades de alojamento devem ser arrumadas e limpas
diariamente. As roupas de cama e as toalhas das casas de banho das unidades de
alojamento devem ser substituídas:
• Pelo menos duas vezes por semana;
• Sempre que o hóspede o solicite;
• Sempre que haja mudança de hóspede.
12.9. Disposições específicas nas unidades de agroturismo
Nos empreendimentos de agroturismo deve existir, pelo menos, uma instalação
sanitária por cada duas unidades de alojamento. Podem ser instaladas unidades de
alojamento fora do edifício principal, em edifícios contíguos ou próximos daquele e que
com ele se harmonizem do ponto de vista arquitetónico e da qualidade das instalações e
equipamentos. Estas podem integrar até ao limite de três quartos e devem dispor, no
mínimo, de sala privativa com ou sem cozinha ou pequena cozinha (kitchenette), de uma
instalação sanitária quando disponha de um ou dois quartos e de duas instalações
sanitárias quando disponha de três quartos. A área mínima dos quartos individuais ´e de
7 m2 e a dos quartos duplos de 9 m2.
Os principais objetivos que nortearam a elaboração da nova lei dos
empreendimentos turísticos foram inúmeros entre os quais: reunir num único decreto-lei
a matéria dos empreendimentos que anteriormente se repartia por vários diplomas, a
agilização dos licenciamentos, encurtando assim os prazos de apreciação dos projetos e
criando também uma maior responsabilização de todos os intervenientes no processo,
operar uma considerável redução das tipologias existentes, a criação de um registo
nacional dos empreendimentos turísticos e por fim a criação de um novo modelo de
permanente afetação exploração turística de todas as unidades de alojamento.
12.10. Assistência Médica
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Temos em conta atuações de prevenção para as atividades realizadas com material
e equipamento de primeiros socorros, qualquer tratamento simples realizado por um
monitor socorrista, bem como o transporte a qualquer Centro Hospitalar. Cada
participante é abrangido por um seguro de acidentes pessoais e responsabilidade civil.
No caso da criança ou jovem necessitar de cuidados médicos especiais,
nomeadamente medicamentos a tomar, dieta especial ou outras situações, queira, por
favor, fazer-se acompanhar de prescrição médica. Após a assinatura deste formulário e
termo de responsabilidade, o encarregado de educação estará a responsabilizar-se pelas
condições de perfeita saúde do seu filho.
12.11. Seguros
Todas as atividades da quinta incluem um Seguro que cobrirá possíveis acidentes
pessoais, previsto pela portaria 629/2004 de 12 de junho. Bem como possuirá de um
seguro automóvel para as duas carrinhas. Qualquer um dos seguros será pago anualmente,
o valor total de seguro das duas carrinhas rondará os 609 € anuais.
56
Conclusão
As últimas décadas caracterizam-se por investimentos no turismo no espaço rural
com ênfase para o alojamento. As atividades de animação e de lazer destinadas aos
turistas e visitantes têm um enorme potencial de desenvolvimento, quer em quantidade,
quer em qualidade. Cada vez mais se mostra necessário oferecer serviços de animação
inovadores e de elevada qualidade, dando resposta à busca de aventura e de experiências
memoráveis que os turistas procurem.
Como podemos verificar neste trabalho, fomos bastante rigorosas a nível técnico,
científico. Ficamos a saber que criar uma empresa restaurar um edifício e instalar um
empreendimento é um processo trabalhoso, moroso e dispendioso.
Podemos verificar que ao fazer um investimento independentemente de qual seja
temos de ser bastante cautelosas e analisar passo a passo casa fase do processo em si.
Procedemos com cuidado de verificar o publico alvo que pretendemos atrair, neste
caso a população de turistas que vem de férias e os residentes, de todo o tipo de idades, e
as acessibilidades da localidade, ou seja, encontra-se perto de centros de saúde, estradas
e de outros serviços públicos.
Apresentamos os investimos para as casas a nível de remodelação e de construção.
Apresentamos também os equipamentos e a infraestrutura que a Quinta irá possuir tanto
como interior e exterior.
Sendo assim podemos concluir que o turismo em espaço rural, o ecoturismo e
outras modalidades de turismo associado ao contacto com a natureza, com a cultura, as
tradições e as paisagens rurais são hoje produtos turísticos consolidados e com perspetivas
de crescimento.
57
Bibliografia
Republicação do Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março “regime jurídico da instalação,
exploração e funcionamento dos empreendimentos turísticos” [2020-IX-29]
Ecoturismo - [Link] [2020-
IX-30]
Agroturismo - [Link]
Turismo em Espaço Rural – Definição de TER [2020-IX-29]
Portal do Cidadão - “Pedido de Cartão da Empresa” -
[Link] [2020-IX-
30]
Portaria n.º 937/2008, de 20 de agosto, “Estabelece os requisitos mínimos a observar
pelos estabelecimentos de turismo de habitação e de turismo no espaço rural” [2020-IX-
29]
Turismo - “Turismo no espaço rural” - [Link]
[2020-IX-30]
Empreendedorismo Rural - [Link]
[Link] [2020-X-1]
Centro de Formalidades das empresas (2012) “Empreendimentos de Turismo no Espaço
Rural CAE REV_3:55202” [Link]
rural/
58
Anexo
59