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Cultivo de Alho: Guia Completo e Rentável

O documento aborda a cultura do alho (Allium sativum L.), destacando sua importância econômica e medicinal, as variedades cultivadas no Brasil, e as práticas de manejo, preparo do solo, plantio e condução da cultura. Além disso, discute os custos de produção, preços e rentabilidade, bem como os desafios enfrentados pela produção nacional em relação ao alho importado. Conclui que, com o suporte técnico adequado, é possível aumentar a competitividade e a qualidade do alho brasileiro no mercado.

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Cultivo de Alho: Guia Completo e Rentável

O documento aborda a cultura do alho (Allium sativum L.), destacando sua importância econômica e medicinal, as variedades cultivadas no Brasil, e as práticas de manejo, preparo do solo, plantio e condução da cultura. Além disso, discute os custos de produção, preços e rentabilidade, bem como os desafios enfrentados pela produção nacional em relação ao alho importado. Conclui que, com o suporte técnico adequado, é possível aumentar a competitividade e a qualidade do alho brasileiro no mercado.

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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DE BRASÍLIA – DF
IFB CAMPUS PLANALTINA

BACHARELADO EM AGRONOMIA

Cultura do Alho
(Allium sativum L.)

Adrielly;
Anny Coimbra;
Geovana;
Maria Eduarda;
Rayssa Souza Teixeira.

Planaltina-DF
Novembro de 2025
1. Introdução

O alho (Allium sativum L.) é uma planta pertencente à família das Aliaceae, a mesma
da cebola. Caracteriza-se por seu aroma marcante e grande importância econômica e
medicinal. Apresenta porte entre 50 e 70 cm de altura, com raízes que podem alcançar até
50 cm de profundidade. Suas folhas são estreitas, alongadas e recobertas por uma fina
camada de cera, que auxilia na proteção contra doenças e na redução da perda de água
por transpiração.

O alho é uma cultura que exige condições climáticas bem definidas para expressar
todo o seu potencial produtivo. No início do ciclo, prefere temperaturas mais amenas,
enquanto na fase de formação dos bulbos requer dias mais longos e ensolarados. O
fotoperíodo, ou seja, o tempo entre o nascer e o pôr do sol, influencia diretamente o
desenvolvimento das plantas e define o momento ideal de plantio em cada região.

É uma das hortaliças mais consumidas no mundo, sendo amplamente utilizada tanto
na culinária quanto na medicina popular. No Brasil, o cultivo do alho tem tradição
consolidada nas regiões Sul e Centro-Oeste, com destaque para o Distrito Federal, onde
as condições climáticas e de solo favorecem a produção de bulbos de excelente qualidade
e alto valor comercial.

2. Variedades

As variedades de alho disponíveis no mercado brasileiro se diferenciam quanto à


duração do ciclo, número de dentes por bulbo, exigência de frio e resistência a doenças.
Entre as principais variedades cultivadas estão ‘Roxo Pérola de Caçador’, ‘Cateto Roxo’,
‘Quitéria’ e ‘Caçador’, amplamente utilizadas por apresentarem boa produtividade e
adaptação a diferentes condições climáticas.

No Cerrado, recomenda-se o uso de variedades adaptadas às condições de temperatura


e luminosidade da região, capazes de produzir bulbos grandes, uniformes e com menor
suscetibilidade a pragas e doenças. As variedades ‘Amarante’, ‘Gigante’ e ‘Chinês’ são
as mais indicadas pela Embrapa, destacando-se pelo bom desempenho produtivo e
aceitação no mercado.

O chamado alho nobre, classificado entre os tipos 4 e 6, é o mais valorizado


comercialmente, pois apresenta bulbos maiores e mais homogêneos. Variedades precoces
(ciclo de 4 a 5 meses), médias (5 a 6 meses) e tardias (acima de 6 meses) permitem ao
produtor planejar o escalonamento da produção, aproveitando melhor as condições
climáticas e as oportunidades de mercado.

3. Preparo do Solo
O alho se desenvolve melhor em solos leves, bem drenados e férteis,
preferencialmente areno-argilosos ou argilo-arenosos, com pH entre 6,0 e 6,5. Solos
muito argilosos devem ser evitados, pois dificultam o desenvolvimento dos bulbos e
prejudicam a colheita. Já os solos excessivamente arenosos não retêm umidade suficiente
e tendem a ser pobres em nutrientes.
O preparo do solo deve incluir aração, gradagem e sulcagem, garantindo boa aeração
e uniformidade do plantio. A análise de solo é fundamental para determinar a necessidade
de calagem e adubação. A calagem, feita com base na análise, deve ser incorporada a
aproximadamente 40 cm de profundidade, pois o cálcio é um nutriente essencial à
formação e ao enchimento dos bulbos.

A adubação orgânica é altamente recomendada, contribuindo para a melhoria da


estrutura física e biológica do solo. Pode-se aplicar 30 a 40 toneladas de esterco de curral
curtido ou 10 a 15 toneladas de esterco de galinha por hectare. Em seguida, recomenda-
se complementar com adubação mineral balanceada, aplicando um terço do nitrogênio
antes do plantio e o restante aos 30 e 60 dias após a emergência das plantas. O excesso
de nitrogênio deve ser evitado, pois favorece a brotação lateral e prejudica a qualidade
comercial dos bulbos.

4. Plantio

O alho é multiplicado de forma vegetativa, utilizando-se dentes sadios e bem


formados, preferencialmente provenientes de bulbos certificados e livres de doenças. Os
dentes devem ser colocados verticalmente, com a ponta voltada para cima, a uma
profundidade de 3 a 5 cm.

O espaçamento ideal é de 25 a 30 cm entre fileiras e 10 cm entre plantas, permitindo


boa ventilação e aproveitamento da luz solar. O plantio é feito em canteiros de até 1 metro
de largura, com altura ajustada conforme a drenagem da área — em regiões mais úmidas,
recomenda-se canteiros mais altos.

No Distrito Federal, o período ideal de plantio ocorre entre abril e maio, quando as
temperaturas são mais amenas e favorecem a germinação e o crescimento inicial das
plantas. O uso de irrigação controlada desde o início do cultivo garante uniformidade na
emergência e maior vigor das plantas.

5. Condução da Cultura
A condução adequada da lavoura é fundamental para garantir alta produtividade e
bulbos de boa qualidade. O alho é uma cultura sensível à falta de água, sendo essencial
manter irrigação frequente e uniforme, principalmente durante as fases de bulbificação e
crescimento vegetativo.

O controle de plantas daninhas deve ser realizado de forma preventiva, utilizando


capinas manuais ou herbicidas seletivos, sempre com orientação técnica. A adubação de
cobertura, à base de nitrogênio e potássio, deve ser feita conforme o desenvolvimento das
plantas, garantindo crescimento equilibrado e formação adequada dos bulbos.

6. Tratos Culturais
O uso de cobertura morta (como palha de arroz, bagaço de cana ou capim seco) logo
após o plantio é uma prática eficiente para conservar a umidade do solo, reduzir a
temperatura e diminuir o aparecimento de plantas daninhas. Além disso, essa cobertura
protege o solo contra erosões e melhora a estrutura física ao longo do tempo.
Outra técnica eficiente é o uso de mulch plástico opaco (branco ou preto) entre as
fileiras, o que auxilia na manutenção da umidade e reduz o crescimento de ervas daninhas.
Todas as operações devem ser acompanhadas por assistência técnica especializada,
garantindo o uso correto de insumos e defensivos agrícolas.

7. Pragas e Doenças

As principais pragas que atacam a cultura do alho são:

• tripes (Thrips tabaci);


• nematoides (Ditylenchus dipsaci).

Figura 01. Bulbilhos de alho infestados por Ditylenchus dipsaci. Fonte: Embrapa
hortaliças.
Figura 02. Sintomas do ataque e presença de tripes em folha de alho. Fonte: Embrapa
hortaliças.

O tripes causa o aparecimento de manchas prateadas nas folhas, reduzindo a


capacidade de fotossíntese. Já os nematoides atacam as raízes e os bulbos, causando
deformações e podridão.

Entre as doenças mais comuns estão:

• podridão branca (Sclerotium cepivorum);


• fusariose;
• míldio (Peronospora destructor);
• ferrugem (Puccinia allii);
• mancha-púrpura (Alternaria porri).
Figura 03. A) Escleródios de Sclerotiumcepivorum; B) Micélio característico da
doença; Fonte: Embrapa hortaliças.

Figura 04. Sintomas de Fusarium oxysporum em bulbilhos de alho. Fonte: Embrapa


hortaliças.

Figura 05. Sintomas da ferrugem na cultura do alho. Fonte: Embrapa hortaliças.


Essas doenças podem comprometer a produtividade e reduzir a durabilidade dos
bulbos após a colheita.

O manejo integrado deve incluir rotação de culturas, uso de sementes sadias,


tratamentos preventivos e controle biológico e químico conforme as recomendações da
Embrapa. É fundamental evitar o uso excessivo de defensivos e respeitar o período de
carência antes da colheita para garantir a segurança do produto e do aplicador.

8. Colheita e Pós-colheita
O ponto ideal de colheita é alcançado entre 100 e 120 dias após o plantio, quando
cerca de 70% das folhas estão secas. A colheita deve ser feita preferencialmente em dias
ensolarados, evitando períodos chuvosos. Após o arranquio, as plantas devem permanecer
por 3 a 4 dias em local ventilado e sombreado, iniciando o processo de secagem natural.

A cura completa ocorre em aproximadamente 15 a 20 dias, em ambiente seco e


ventilado. Nessa etapa, as folhas e raízes são cortadas, deixando-se cerca de 1 cm de haste
acima do bulbo. O alho curado deve ser armazenado em local seco, escuro e bem
ventilado, ou em câmaras frias com temperatura entre 0°C e 5°C e umidade de 70 a 75%.
Nessas condições, o produto pode ser conservado por até oito meses, mantendo sua
qualidade e valor comercial.

9. Custos de Produção

De acordo com a EMATER-DF (2019), o custo médio de produção do alho é de R$


44.978,22 por hectare, considerando produtividade de 1.500 caixas de 10 kg. Os
principais custos são com sementes (33%), mão de obra (22%) e fertilizantes (18%). Esses
valores podem variar conforme o nível de mecanização, as condições climáticas e o
manejo adotado pelo produtor.
Figura 05. Tabela de custo de produção 1° semestre de 2025. Fonte: Emater-DF.
Figura 05. Tabela de custo de produção 2° semestre de 2025. Fonte: Emater-DF

[Link]ços e Rentabilidade
Segundo o SIMA/CEASA-DF (outubro de 2025), o preço médio da caixa de 10 kg de
alho varia entre R$ 180,00 e R$ 200,00, sendo o tipo 5 a 6 o mais valorizado. Com
produtividade média de 15 toneladas por hectare e preço médio de R$ 19,00/kg, a receita
bruta pode chegar a aproximadamente R$ 285.000,00/ha.

Mesmo com custos relativamente altos, a margem de lucro é atrativa, especialmente


quando há planejamento produtivo e comercialização direta ao consumidor, reduzindo a
dependência de intermediários.
Figura 05. Tabela de preços de venda no mercado. Fonte: Ceasa-DF.

[Link] e Desafios
O alho brasileiro enfrenta grande concorrência do alho importado, principalmente o
de origem chinesa, que chega ao mercado com preços mais baixos. No entanto, o alho
nacional apresenta sabor mais intenso, maior durabilidade e melhor aceitação entre os
consumidores.

O Distrito Federal possui grande potencial produtivo, com clima favorável, boa
estrutura logística e proximidade de grandes centros consumidores. Com o uso de
tecnologias modernas, sementes certificadas e assistência técnica adequada, é possível
aumentar a produtividade e a competitividade frente ao produto importado.

[Link]ão
O cultivo do alho é uma atividade rentável e estratégica para os produtores do Distrito
Federal. O sucesso na produção depende de uma combinação de fatores: escolha correta
das variedades, manejo eficiente do solo e da irrigação, controle integrado de pragas e
doenças, e comercialização planejada.

Com o apoio técnico da Embrapa e da Emater, o produtor pode aprimorar suas


práticas, reduzir custos e alcançar maior qualidade no produto final. Fortalecer a produção
local é essencial para diminuir a dependência das importações e consolidar o alho
brasileiro como referência de qualidade no mercado interno.
13. Bibliografia
CARVALHO, B. L. N. et al. Análise da composição dos custos de produção do alho
nas principais regiões produtoras do país. XXIX Congresso Brasileiro de Custos, João
Pessoa, 2022.

CEASA-DF. Boletim de Preços – Outubro de 2025. Brasília, DF: Centrais de


Abastecimento do Distrito Federal, 2025.

CEASA-DF. Preços – Portal de Serviços. Brasília, DF: Centrais de Abastecimento do


Distrito Federal, 2025. Disponível em: [Link]
Acesso em: 31 out. 2025.

EMATER-DF. Custo de Produção – Alho. Brasília, DF, 2019.

EMBRAPA. A cultura do alho. Brasília, DF: Embrapa Hortaliças, [s.d.]. (Coleção


Plantar – Virtual). Disponível em: [Link] Acesso em:
31 out. 2025.

EMBRAPA HORTALIÇAS. Alho: Cultivo e manejo. Brasília, DF: Embrapa


Hortaliças, 2023.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA.


Doenças da cultura do alho. Embrapa Hortaliças. Disponível em:
[Link] Acesso em: 31 out. 2025.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA.


Pragas da cultura do alho. Embrapa Hortaliças. Disponível em:
[Link] Acesso em: 31 out. 2025.

KREUZ, C. L.; SOUZA, A. Custos e riscos do agronegócio do alho no sul do Brasil.


Anais do Congresso Brasileiro de Custos (CBC), 2022.

MAROUELLI, W. A.; BRAGA, M. B.; LUCINI, M. A.; RESENDE, F. V. Irrigação


na cultura do alho. Brasília, DF: Embrapa Hortaliças, 2014. 36 p. (Circular Técnica,
136). ISSN 1415-3033. Disponível em: [Link] Acesso em:
31 out. 2025.

PEREIRA, R. B.; PINHEIRO, J. B.; CARVALHO, A. D. F. de. Diagnose e controle


alternativo de doenças em alface, alho, cebola e brássicas. Brasília, DF: Embrapa
Hortaliças, 2013. 40 p. (Circular Técnica, 120). ISSN 1415-3033. Disponível em:
[Link] Acesso em: 31 out. 2025.

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