MODIFICAÇÕES HEMATOLÓGICAS ASSOCIADAS A LEUCEMIAS: ANÁLISE
DAS ALTERAÇÕES NO HEMOGRAMA
Bruno Leite Cesario
Nayoby Kelly
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Biomedicina (7º período) – TCC I
27.11.2024
1 INTRODUÇÃO
A leucemia se origina das células hematopoiéticas, começando na medula
óssea e, posteriormente, invadindo o sangue periférico e podendo afetar diversos
órgãos do paciente. Os principais quatro tipos de leucemias são: Leucemia
Mielocítica Crônica (LMC), Leucemia Mielocítica Aguda (LMA), Leucemia Linfocítica
Aguda (LLA) e Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) (Hamerschlak, 2008).
Os principais fatores de risco para leucemia, de acordo com a Associação
Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), incluem
principalmente a exposição a altas doses de radiação e a produtos químicos como
benzeno e pesticidas. Fatores ambientais, como dieta e poluição do ar, têm pouca
influência na carcinogênese de tumores pediátricos, dificultando assim a prevenção
primária (Sossela et al., 2017).
O hemograma é a primeira etapa laboratorial na busca de pacientes com
sintomas que podem sugerir leucemia. Esse exame simples revela as condições
reativas do sangue periférico e deve ser analisado à luz dos sinais e sintomas
apresentados. A presença de neutrófilos não segmentados (bastão, metamielócito,
mielócito e promielócito), linfócitos atípicos e blastos (células leucêmicas imaturas) é
detectada por métodos automatizados, gerando um alerta no analisador
hematológico (Andriolo et al., 2008).
Cerca de metade dos casos apresenta níveis de hemoglobina abaixo de 8
g/dL, embora valores normais também possam ocorrer. A anemia é geralmente
normocítica e normocrômica, mas pode haver alterações morfológicas, como
dacriócitos e a presença de eritroblastos. O número de leucócitos pode ser normal,
elevado ou diminuído (Miller et al., 1999). Ademais, cerca de 40% dos pacientes
apresentam níveis de leucócitos abaixo de 10.000/mm³, embora possam alcançar
valores superiores a 100.000/mm³. Assim, as alterações no hemograma devem
direcionar a investigação, possibilitando um diagnóstico mais precoce (Sossela et
al., 2017).
Diante da importância do diagnóstico precoce, esta pesquisa busca
identificar as principais alterações hematológicas no hemograma de pacientes com
leucemia. Dessa forma, questiona-se a seguinte pergunta: quais são as principais
alterações hematológicas observadas no hemograma de pacientes diagnosticados
com leucemia?
1.1 OBJETIVO GERAL
Analisar as modificações hematológicas associadas à leucemia, observadas
no hemograma.
1.2 JUSTIFICATIVA
Este estudo é fundamental, pois as alterações no hemograma são cruciais
para o diagnóstico precoce e o monitoramento da leucemia. Compreender as
especificidades das alterações hematológicas pode auxiliar na identificação dos
diferentes tipos de leucemia, permitindo uma abordagem terapêutica mais eficaz e
personalizada. Além disso, a análise detalhada das alterações contribui para a
investigação de novos marcadores prognósticos e para a melhoria da qualidade de
vida dos pacientes, justificando a importância desse tema na pesquisa clínica e na
prática médica.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 LEUCEMIAS: FISIOPATOLOGIA, CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES
As leucemias são um grupo de neoplasias hematológicas que afetam o
sangue e a medula óssea, caracterizando-se pela proliferação descontrolada de
células hematopoiéticas imaturas ou anormais, o que compromete a produção de
células sanguíneas funcionais e pode levar à invasão de outros órgãos (Kaushansky
et al., 2016). Em termos conceituais, a leucemia é definida pelo crescimento
desordenado de células progenitoras hematopoiéticas que, por não passarem por
um processo normal de maturação, resultam em uma redução na produção de
células sanguíneas normais, como hemácias, leucócitos e plaquetas (Hoffman et al.,
2018).
A fisiopatologia da leucemia está intimamente ligada a alterações genéticas
que afetam os processos de proliferação, diferenciação e apoptose das células
hematopoéticas. Tais mutações podem ocorrer em genes específicos, como o FLT3
e PML-RARA, que geram desregulação dos mecanismos celulares, levando à
produção de células imaturas que não conseguem desempenhar as funções
necessárias para o organismo (Kaushansky et al., 2016). As leucemias podem ser
classificadas em dois grandes grupos: leucemias mieloides, que se originam de
células progenitoras mieloides, e leucemias linfoides, que se originam de células
precursoras linfoides. Esta diferenciação é crucial para a definição do tipo de
leucemia e das estratégias terapêuticas a serem adotadas (Hillman; Ault; Rinder,
2012).
A classificação das leucemias é fundamental para o diagnóstico, e ela é
amplamente pautada no estágio de maturação das células malignas. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), as leucemias podem ser divididas em
agudas e crônicas, sendo que nas leucemias agudas, as células mais imaturas
(blastos) dominam, enquanto nas crônicas, as células mais maduras predominam,
levando a um curso clínico mais lento. Entre os exemplos de leucemias mieloides
agudas (LMA) e linfocíticas agudas (LLA), o aumento de blastos na medula óssea e
sangue periférico é característico, ao passo que as leucemias crônicas, como a
leucemia mieloide crônica (LMC) e linfocítica crônica (LLC), apresentam uma
evolução mais insidiosa e com células mais maduras no hemograma (Hoffman et al.,
2018).
O diagnóstico diferencial de cada tipo de leucemia se baseia em critérios de
classificação estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A última
edição do WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues
(2017) apresenta uma classificação abrangente das neoplasias hematológicas com
base em características morfológicas, imunofenotípicas e genéticas das células
afetadas. Este documento da OMS fornece uma base para a padronização do
diagnóstico e é amplamente utilizado para classificar as leucemias em categorias
específicas, facilitando o entendimento das particularidades de cada tipo de
neoplasia hematológica e o desenvolvimento de terapias específicas. Por exemplo, a
classificação da OMS identifica variantes de leucemias mieloides agudas baseadas
em anomalias genéticas específicas, como mutações em FLT3 ou rearranjos em
PML-RARA, que têm impacto prognóstico importante (Oms, 2017).
O hemograma é uma das ferramentas mais utilizadas na detecção de
leucemias, especialmente para avaliar as alterações hematológicas associadas à
doença. Harmening (2019) destaca que o hemograma é frequentemente o primeiro
exame a indicar anomalias como leucocitose ou a presença de blastos no sangue
periférico, que podem levantar suspeitas de leucemia. Na prática clínica, segundo
Hillman, Ault e Rinder (2012), alterações como neutropenia, anemia e
trombocitopenia podem ser observadas e são indicativas do comprometimento
hematológico decorrente da expansão das células leucêmicas. Além disso, o exame
de medula óssea e testes imunofenotípicos são utilizados para confirmar o
diagnóstico, caracterizando o subtipo de leucemia e o perfil imunológico das células
afetadas.
A relevância da compreensão da fisiopatologia e da classificação das
leucemias se reflete diretamente na escolha das estratégias terapêuticas e no
prognóstico dos pacientes. Zarychta e Cavalcanti (2020) abordam que as terapias
direcionadas a mutações específicas, como o uso de inibidores de tirosina quinase
na LMC, proporcionam uma alternativa eficaz ao tratamento convencional,
melhorando significativamente a sobrevida dos pacientes. A análise detalhada das
alterações hematológicas e a utilização de exames complementares de alta
sensibilidade, como a citometria de fluxo e a análise genética, representam avanços
no diagnóstico e no manejo da leucemia, permitindo abordagens mais
personalizadas e menos invasivas.
Em resumo, a leucemia constitui uma neoplasia complexa, que requer uma
abordagem integrada de classificação, diagnóstico e compreensão fisiopatológica
para a definição de um tratamento adequado e um prognóstico preciso. Com a
padronização da classificação e avanços no diagnóstico laboratorial, o manejo das
leucemias tem evoluído significativamente, refletindo-se em melhores desfechos
para os pacientes e em novas perspectivas de tratamento (Kaushansky et al., 2016;
Hillman; Ault; Rinder, 2012; Oms, 2017).
2.2 ALTERAÇÕES HEMATOLÓGICAS NO HEMOGRAMA EM PACIENTES COM
LEUCEMIA
As alterações hematológicas observadas no hemograma são de extrema
relevância para o diagnóstico e acompanhamento das leucemias. O hemograma
pode indicar uma série de modificações nas três principais linhagens celulares:
leucócitos, hemácias e plaquetas. Estas alterações, como leucocitose, leucopenia,
anemia e trombocitopenia, são frequentemente os primeiros sinais clínicos de
leucemia e refletem diretamente os processos patológicos que ocorrem na medula
óssea (Kaushansky et al., 2016).
Uma das primeiras alterações hematológicas que podem ser observadas em
leucemias é a leucocitose, caracterizada pelo aumento anormal do número de
leucócitos no sangue periférico. Em leucemias agudas, como a LMA e a LLA, a
leucocitose pode ser extremamente elevada, com contagens superando
100.000/mm³, o que pode ser indicativo de uma leucemia hiperleucocítica. No
entanto, é importante notar que, em cerca de 40% dos casos, especialmente nas
leucemias crônicas, a leucocitose pode não ser tão pronunciada ou estar ausente no
início, dificultando o diagnóstico (Miller et al., 1999).
A presença de blastos no hemograma é outro achado importante,
especialmente em leucemias agudas. Estes blastos são células hematopoiéticas
imaturas, que na leucemia não conseguem se diferenciar adequadamente,
ocupando a medula óssea e invadindo o sangue periférico (Kaushansky et al.,
2016). A presença de blastos circulantes é uma característica marcante das
leucemias agudas, sendo um critério diagnóstico essencial para diferenciá-las das
leucemias crônicas, onde as células mais maduras dominam o quadro. De acordo
com a OMS (2017), em casos de leucemia aguda, a medula óssea pode conter mais
de 20% de blastos, um valor que caracteriza de forma robusta a doença. Nas
leucemias mieloides agudas, as alterações podem ser mais pronunciadas com a
presença de blastos em maior número, enquanto nas leucemias linfocíticas agudas,
o quadro pode variar dependendo do subtipo da doença.
Além da leucocitose e dos blastos circulantes, o hemograma de pacientes
com leucemia frequentemente revela alterações nas hemácias e plaquetas. A
anemia é uma condição comum, geralmente do tipo normocítica e normocrômica,
que ocorre devido à substituição das células hematopoiéticas normais por células
leucêmicas na medula óssea (Hoffman et al., 2018). Além disso, a trombocitopenia,
caracterizada pela diminuição do número de plaquetas, é frequentemente
observada, resultando em um aumento do risco de sangramentos. Esses achados
podem ser responsáveis por manifestações clínicas como cansaço, palidez,
infecções recorrentes e sangramentos inexplicáveis.
Em leucemias crônicas, como a LLC, as alterações hematológicas podem
ser mais discretas, especialmente nos estágios iniciais da doença. A LLC, por
exemplo, tende a apresentar linfocitose com predominância de linfócitos maduros, o
que difere das leucemias agudas, onde as células imaturas predominam. À medida
que a doença progride, é possível observar a evolução para um quadro de
hipoplasia medular e um aumento da presença de células imaturas (Kaushansky et
al., 2016).
O acompanhamento laboratorial contínuo é essencial para avaliar a resposta
ao tratamento e monitorar a evolução da leucemia. O hemograma desempenha um
papel central nesse processo, fornecendo informações valiosas sobre a recuperação
da função hematopoiética após terapias. Em casos de leucemia mieloide crônica,
por exemplo, o tratamento com inibidores de tirosina quinase pode levar à
normalização das contagens de leucócitos e plaquetas, além de melhorar o
prognóstico a longo prazo dos pacientes (Zarychta; Cavalcanti, 2020). Após o início
da quimioterapia ou terapias direcionadas, observa-se uma redução na quantidade
de blastos e uma recuperação das células hematopoiéticas normais, o que é
indicativo de resposta favorável ao tratamento.
Em conclusão, o hemograma continua sendo uma ferramenta essencial no
diagnóstico e acompanhamento das leucemias. As alterações hematológicas, como
leucocitose, presença de blastos, anemia e trombocitopenia, são fundamentais para
o diagnóstico precoce e para o monitoramento da resposta ao tratamento. O uso de
tecnologias avançadas, como a citometria de fluxo e a análise genética, permite uma
abordagem mais precisa e personalizada no manejo das leucemias, contribuindo
para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e com menos efeitos colaterais
(Hoffman et al., 2018; Kaushansky et al., 2016).
3 CONCLUSÃO
Neste projeto de pesquisa, a análise das modificações hematológicas
associadas às leucemias, observadas por meio do hemograma, se revela de
fundamental importância para a compreensão das alterações patológicas que
caracterizam essa neoplasia hematológica. O desenvolvimento deste estudo
permitirá uma avaliação das principais alterações observadas no hemograma, como
leucocitose, presença de blastos, anemia e trombocitopenia, e sua correlação com
os tipos e estágios das leucemias, tanto agudas quanto crônicas.
A partir dessa análise, espera-se não apenas reforçar a relevância do
hemograma como ferramenta diagnóstica precoce e eficiente, mas também oferecer
um panorama mais preciso sobre os mecanismos que envolvem o comprometimento
da produção de células sanguíneas na leucemia. Os resultados deste estudo
poderão contribuir para uma maior compreensão sobre a dinâmica das modificações
hematológicas no contexto leucêmico, o que pode auxiliar na personalização do
diagnóstico e das abordagens terapêuticas.
Além disso, ao aprofundar o conhecimento sobre como as leucemias se
manifestam no hemograma, este projeto tem o potencial de trazer benefícios diretos
para a comunidade científica, proporcionando insights valiosos para os profissionais
da área de hematologia e oncologia. Dessa forma, a pesquisa pode contribuir para a
melhoria na detecção precoce, acompanhamento e tratamento das leucemias, com
impactos significativos no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes. A
relevância do estudo também reside na possibilidade de aprimorar as práticas
clínicas, oferecendo subsídios para estratégias terapêuticas mais eficazes e menos
invasivas.
REFERÊNCIAS
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