Padê Exu Umbanda.
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Aprendi na Umbanda
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T I RANDO A DÚVIDA?
O que eu aprendi sobre padês de Exu
Publicado por ANNERAYS A em 13 DE JULHO DE 2022
Recentemente fui direcionada por um Guia a fazer um descarrego em
uma mata levando um padê na força de Exu Mirim. Pois bem,
alinhado com o Guia do dirigente do terreiro que eu trabalho, lá fui eu
preparar o padê… E então eu me dei conta de que eu não sabia fazer
isso. Pois é, a pessoa enche a boca para falar que está há 11 anos na
religião e não sabia fazer uma coisa tão simples, rs.
Mas então eu podia aprender, certo? Perguntar pro pai de santo, para
algum irmão mais velho de corrente… e o que eu fiz? Fui atrás de
livros, vídeos e conteúdos na internet que pudessem me trazer essas
informações, rs. E de tanto encontrar muuuuitas informações a
respeito, eu resolvi reunir aqui o que fez mais sentido para mim, para
a minha realidade e para a forma como conduzimos isso no terreiro
em que eu trabalho, okay? Okay! Então vamos lá:
Objetivo: é muito importante definir o objetivo desse ritual antes de
pensar no preparo do padê. Isso porque, a base dele será diferente de
acordo com os objetivos que serão direcionados. Também é preciso
ter consciência de quem irá receber o padê, se é um Exu que já faz
parte da estrutura de guias/mentores/guardiões do médium, ou se
será oferendado a um outro Exu.
Tipos de farinha: feito esse primeiro tópico, vamos agora entender
que podemos usar diferentes tipos de farinha no padê, onde os mais
comuns são: farinha de mandioca ou de milho. E sim, existe
diferença no uso de cada um. Lembre-se sempre: tudo tem
fundamento!
Farinha de Milho: Para definir o objetivo das farinhas,
vamos olhar para o significado dos elementos de uma
forma isolada, tá? Vamos pensar no milho: ele é um fruto
que cresce do solo em direção ao céu, cresce para cima,
correto? O Milho traz sustância em uma alimentação,
além disso, ele é amplamente usado para o sustento da
economia de muitas famílias e de nosso país. Além disso,
podemos relacionar o milho também à Pai Obaluayê, se a
gente pensar na pipoca, por exemplo, que é uma comida
oferendada a esse Orixá para trabalhos de cura.
Olhando para o significado disso tudo, podemos
entender que o Milho ajuda a elevar a vibração,
elevar-nos espiritualmente (o fruto que cresce do
chão em direção ao céu), buscando energias
mais sutis. Logo, podemos usar essa farinha
quando a nossa entrega tiver o sentido
religioso, de elevação espiritual, de sutilização
da nossa vibração, conexão com o Divino.
Também podemos pensar em um trabalho de
prosperidade, se a gente considerar o milho
como fartura, como quantidade (quantos grãos
compõe uma espiga, não é mesmo?)
E, por último, podemos relacionar aos trabalhos
de cura quando precisamos trabalhar com
energias mais sutis para esse objetivo, ou
quando precisamos, de alguma forma, iniciar um
processo de transmutação (e então, depois,
conectar com um trabalho feito com pipoca de
Obaluayê).
Farinha de Mandioca: Aqui nós temos um tubérculo,
uma raiz. Então aqui, o alimento cresce embaixo da terra
e sua raiz cresce para baixo. Imagina a força que ele
precisa fazer para conseguir se desenvolver embaixo da
terra, não é mesmo? Quando pensamos em coisas abaixo
da terra relacionamos com Omulu, que no campo santo é
responsável por tudo que está embaixo da terra, então
também podemos fazer essa relação. Por crescer na terra,
a farinha de mandioca também pode estar relacionada à
coisas terrenas da nossa vida. Logo:
Usamos a farinha de mandioca para trabalhar
energias mais densas, então podemos usar
para trabalhos de descarrego, quebras de
demandas ou magias negativas.
Uma vez relacionada coisas terrenas, podemos
pensar nessa farinha para trabalhos voltados
para a prosperidade de coisas do gênero,
como abertura de um negócio,
desenvolvimento de carreira e coisas afins.
Para cura também pode ser utilizada, pois
há doenças que carregam uma carga energética
pesada, e que um trabalho de cura com essa
farinha pode estar ligada também a uma limpeza
dessas energias mais densas.
Ainda sobre a farinha, é importante saber que, no padê,
ela representa o nosso corpo, representa a nós mesmos. Então a
farinha tem essa concepção, e todos os elementos que irão agregar
na oferenda irão envolver a farinha, energeticamente estão
envolvendo os nossos corpos (astrais e físicos).
Agora, vamos falar das bases de um padê? No geral, existem quatro
bases: cachaça, azeite de dendê, água e mel.
Cachaça: podemos usar esse elemento quando
queremos um padê para descarrego, limpeza,
desagregação de energias densas, pois a cachaça é um
elemento adstringente, trabalha como se fosse um ácido
que desmaterializa cascões energéticos. E, por esse
mesmo motivo, podemos usar para a finalidade de cura.
Azeite de Dendê: já esse azeite é um elemento quente,
que pode ser usado tanto para queimar algo, quanto
pensando que pode ser algo que traga força e
movimento. Então, quando as coisas estão muito paradas,
muito monótono, quando nada na vida “vai pra frente”,
“não anda” ou “não sai do lugar”, o dendê pode ser
utilizado no padê para essa função. Também pode-se
pensar no dendê como um “sangue vegetal”, ou seja,
pode ser utilizado em padês contra demandas onde foi
usado algum tipo de corte de animal ou sangue mesmo, e
daí o padê entra para representar esse elemento, essa
energia vital.
Água: sua finalidade envolve a purificação limpeza tanto
do corpo quanto das emoções. A água é um elemento
super ligado às emoções, tanto quando a gente vê a
relação com as Mães Yabás que atuam nesse elemento,
quanto à mudança das estações da lua que influenciam
nas “águas em nós“. ao mesmo tempo, a água também
pode ser usado para acalmar. Ao contrário do dendê,
usamos a água quando tudo está muito agitado, quando a
gente precisa de calmaria mesmo.
Mel: Podemos usar para atrair prosperidade, união e
sustento. Olhando para o mel, lembramos que é um
elemento doce e que vem de uma colméia, por isso,
fazendo uma relação com magia, entendemos que pode
ser usado para quando queremos trazer o amor para
nossa vida, pensando em união e amor, quando
queremos harmonia para o nosso relacionamento.
Atenção, isso não é amarração!
E agora que você já conhece as quatro bases do padê, pode pensar
nos elementos que irá compor sua oferenda. Normalmente usamos
alguma carne (miúdos, fígado, bife etc), podemos usar ovo, pimenta,
cebola, alho, pós (ferro, pemba, minerais), carvão etc. Lembrando
que: cada um tem também seu fundamento! Inclusive, sobre as
pimentas eu aprendi algo interessantíssimo: a pimenta dedo-de-
moça, muito utilizada para padês de Exu, podem ser colocadas no
padê tanto com o cabo virado para fora, quanto para dentro da
farinha:
Para fora: é quando queremos a atuação de fora-para-
dentro. Como assim? Quando eu estou fazendo um padê
de quebra de demanda, por exemplo, e eu quero que o
Exu atue no descarrego de fora (das energias emanadas
contra mim por outra pessoa, por exemplo) para dentro
(para minha vida, meu corpo, minha família etc).
Para dentro: quando o cabinho da pimenta está
enterrado na farofa, isso significa que queremos que Exu
atue de dentro-para-fora. Ou seja, quando eu mesma
estou me sabotando, “demandando contra mim” seja
através de pensamentos ou até mesmo por ações de
ciclos viciosos, sabe?
Mas e quando a gente não sabe se a demanda vem de
fora ou vem de dentro? Então, coloca-se as pimentas
(vamos supor que sejam sete) e vai intercalando entre
dentro e fora 🙂
Inclusive, se a gente pensar nos miúdos ou nas carnes, imaginando
que isso representa nosso corpo físico, por exemplo, também dá para
pensar se você quer colocar a farinha cobrindo essas carnes ou se as
carnes vão em cima. Qual a relação que a carne tem no seu padê?
Legal tudo isso né? Eu sei que isso ainda é o mínimo, mas posso dizer
que tenho feito semanalmente e tem sido muito interessante
entender a atuação na minha vida. E espero que possa ter te ajudado
e estimulado a fazer seus padês também 🙂
Lembrando que segunda-feira é um ótimo dia para oferendar Exu, tá?
Exu vem primeiro, Exu come primeiro, oferendamos Exu primeiro
antes de oferendar outro Orixá ou Guia. E a segunda-feira é o dia da
semana em que tudo começa: nos preparamos no domingo para
começar a semana de trabalho na segunda-feira, começamos uma
dieta na segunda, iniciamos estudo ou emprego novo na segunda…
então faz sentido, né não?
Laroyê!
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10 comentáriosADICIONE O SEU
1. ILARA disse:
18 de março de 2023 às 0:01
E o padê de azeite doce, oq vc sabe sobre ele?
Agradeço desde ja
Responder
1. ANNERAYSA disse:
7 de agosto de 2023 às 20:20
Azeite doce seria azeite de oliva? Nunca vi nenhum padê
com esse azeite, mas ele é muito usado em rituais de
saúde e proteção espiritual, seja por Pretos Velhos, seja
por Linha do Oriente…
Responder
2. CAUEONOFRI disse:
5 de agosto de 2023 às 13:19
É disso que a Umbanda precisa. Não é só fazer porque “é
assim” ou porque mandaram. Essa independência na
interpretação das simbologias e arquétipos é onde crescemos e
evoluímos! Parabéns pelo post!
Responder
1. ANNERAYSA disse:
7 de agosto de 2023 às 20:19
Axé, irmao! Aos poucos vamos aprendendo,
aprofundando e compartilhando né?
Responder
1. BYATRIZ CRYSHANE BARBOZA
SANTOS disse:
21 de novembro de 2023 às 18:48
Oii, poderia falar sobre outros elementos no padê,
como as frutas e tbm sobre as carnes? Fico na
expectativa aqui, muito obrigada por compartilhar o
conhecimento! Que exu sempre abra seus
caminhos.
3. FRANCIELE SOUZA disse:
7 de agosto de 2023 às 17:18
Axé a todos irmãos, gostaria de saber , se a farinha de milho é
certo para farofa de exu , minha irmã da casa fez a farofa para
exu e pombo gira de carinho de milho e alguns de nossos irmão
questionou sobre isso , dizendo que o correto seria a de
mandioca para a limpeza mais densa da casa , já agradeço a
todos que estão aqui , muito axé para todos nós laroyê
Responder
1. ANNERAYSA disse:
7 de agosto de 2023 às 20:19
Irmã, axé!
O mais comum é sim usar o de mandioca, mas pode-se
usar milho para finalidades específicas (prosperidade, por
exemplo). Porém, cada caso é um caso. Se o médium
intuiu ou se houve alguma orientação específica, é
importante respeitar também 🙂
Responder
4. JANA disse:
24 de fevereiro de 2024 às 11:36
E eu com tantas dúvidas sobre o padê< porque ngm me explica
e encontro seu blog!
Seu conteúdo será atemporal e vai ajudar tanta gente, que
você nem imagina!
Eu tenho uma super dúvida, gostaria de fazer a entrega na
minha casa, mas não sei como descartar depois, se pode ser no
lixo comum, ou em alguma mata, se puder me responder,
ficarei agradecida!
Responder
1. CAUEONOFRI disse:
28 de fevereiro de 2024 às 18:37
Olá Jana,
Você faz parte de algum terreiro? Foi instruída a fazer o
padê em consulta?
Pergunto isso porque normalmente o guia (Exu,
Pombagira) indica os elementos, onde ofertar e também
como descartar. Depende de cada entidade. Alguns
recebem na encruzilhada, outros no cemitério, outros na
borda da mata…
Se é um padê “geral”, não dedicado a nenhuma entidade
em específico, descarte no lixo mesmo. Eu descarto assim
que as velas queimam por completo.
Vale lembrar que para a espiritualidade, não existe o
conceito de tempo-espaço. Vai da sua intuição e de
quando vc sentir que é hora de descartar.
Dependendo dos elementos que você colocar (alguns
padês vão carne, fígado), não dá pra deixar
“apodrecendo” por vários dias né? Toma cuidado com
isso.
Responder
1. JANA disse:
6 de março de 2024 às 13:41
Oie, frequento um terreiro sim mas existem
algumas coisas que eles não explicam 🙂
Sou medium, e geralmente essa questão de padês
minhas entidades me intuem, me intuem o lugar de
entrega, os ingredientes e afins
Perguntei sobre a firmeza e entrega em casa, pois é
uma coisa que gostaria de fazer por elas, toda
semana, como agradecimento. Coisa “minha
mesmo”, tinha dúvidas somente na questão do
descarte
Muito obrigada por responder e me ajudar, pois
você me esclareceu algumas coisas
Muito Asé pra você ❤
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ANNE RAYS A
Anne Raysa, 26 anos. Curitiba-PR. Conheci a
Umbanda por necessidade, mas nela permaneci por amor.
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