RELATÓRIO PSICOLÓGICO
(Conforme Resolução CFP 06/2019)
1. IDENTIFICAÇÃO
Cliente: Rogério Ferreira dos Reis
Data de Nascimento: 06/04/1986 Idade: 37 anos, 3 meses
Solicitante: Demanda espontânea.
Finalidade: Avaliação psicológica de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Autora: Rosine Lima Silva | Psicóloga | CRP 06/195743
2. DESCRIÇÃO DA DEMANDA
Realizada avaliação psicológica com objetivo de identificar critérios diagnósticos para
Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Cliente solicita serviço de avaliação psicológica de
forma espontânea, junto com esposa.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado em
2013, baseia o diagnóstico em dois critérios, são eles: déficits persistentes na comunicação
social e interação social; e padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento,
interesses e atividades (American Psychiatric Association, 2014).
O diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em adultos desempenha
um papel crucial, pois traz consigo uma série de benefícios e oportunidades para compreensão
e suporte. O reconhecimento adequado do TEA permite o entendimento de peculiaridades,
desafios e pontos fortes, o que pode levar a uma maior autoconsciência e aceitação. Além
disso, um diagnóstico preciso possibilita o acesso a intervenções e terapias especializadas,
oferecendo suporte e estratégias para lidar com as dificuldades específicas enfrentadas no dia
a dia.
Ao conhecerem sua condição, os adultos com TEA podem buscar a construção de
relacionamentos saudáveis, desenvolver habilidades sociais, explorar suas paixões e potenciais
profissionais, assim como encontrar comunidades de apoio que compartilhem experiências
semelhantes. Portanto, o diagnóstico de TEA no adulto é fundamental para promover a
inclusão, bem-estar e autonomia em diversos aspectos da vida.
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3. PROCEDIMENTOS
A avaliação psicológica é um processo sistemático e abrangente que visa obter
informações detalhadas sobre o funcionamento psicológico de um indivíduo. Nesse contexto,
foram conduzidas duas sessões com Rogério e aplicação da escala de Responsividade Social
– Adulto Autorrelato, Segunda Edição (SRS-2) e uma sessão com sua esposa Cristilene para
levantar características do comportamento do avaliado.
Após a coleta dos dados, houve a etapa de análise e interpretação dos resultados,
levando em consideração o histórico pessoal e as particularidades do avaliado. Por fim, foi
elaborado um relatório minucioso contendo as principais conclusões e recomendações. Essa
avaliação psicológica busca subsidiar intervenções adequadas, oferecer suporte e orientação
para auxiliar o indivíduo em seu desenvolvimento pessoal e bem-estar emocional.
1ª Sessão
A entrevista clínica teve início em 08/06/2023, com o propósito de estabelecer uma
relação terapêutica e compreender as demandas e motivações do avaliado. Regério informou
que sua motivação para procurar avaliação psicológica surgiu após conversar com sua esposa,
que notou características compatíveis com Transtorno do Espectro do Autismo. Um dos
objetivos dessa busca é a melhoria do relacionamento.
Rogério não faz menção a histórico familiar de transtornos mentais. Ele descreve que
o divórcio de seus pais aos 6 anos teve um impacto significativo em sua história de vida.
Durante a infância, Rogério relata ter apresentado comportamentos adequados para a idade,
como praticar futebol, jogar videogame, estudar um instrumento musical, frequentar uma
escola de arte, praticar artes marciais, pedalar e ler histórias em quadrinhos.
Escala de Responsividade Social – Adulto Autorrelato
A Escala de Responsividade Social – Adulto Autorrelato, Segunda Edição (SRS-2), foi
respondida em 15/06/2023. Essa ferramenta tem como objetivo mensurar sintomas
associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como classificá-lo em nível leve,
moderado ou severo. Sua avaliação é feita de forma abrangente e específica, pois agrupa os
sintomas em subcategorias (Escalas Compatíveis com o DSM-5 e Subescalas de Intervenção).
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2ª Sessão
Na segunda sessão realizada em 22/06/2023, Rogério foi submetido(a) a uma
entrevista estruturada com base na escala Quociente do Espectro do Autismo - Adultos (QA)
(Baron-Cohen et al., 2001). Nesse momento, ele informou que possui tendência a notar
detalhes que os outros não reparam. Além disso, relatou ter interesses fortes e sentir-se
incomodado quando não pode dedicar-se a eles. Ele também mencionou ter dificuldade em
fazer novos amigos e ver constantemente padrões nas coisas que o cercam.
Durante a entrevista, Rogério reconheceu que os outros frequentemente o acusam de
insistir muito nas mesmas coisas. Ele afirmou que gosta de planejar com cuidado todas as
atividades em que participa e que enfrenta dificuldade em compreender as intenções das
outras pessoas.
3ª Sessão
Foi realizado um processo de entrevista com a esposa de Rogério em 29/06/2023, no
qual foi relatado que o sobrinho de Rogério possui um diagnóstico de Transtorno do Espectro
Autista (TEA). Conforme os relatos de Cristilene, Rogério apresenta características associadas
ao TEA, tais como hiperfoco em tópicos específicos, pensamento concreto e dificuldades na
compreensão de contextos de diálogos.
Além disso, foi observado que Rogério demonstra uma marcada afinidade à rotina e,
quando essa é alterada, manifesta desorganização e dificuldade em reter informações acerca
de objetos ou assuntos. Adicionalmente, Cristilene reportou a presença de comportamentos
estereotipados em Rogério, os quais são empregados como mecanismos de autorregulação,
como tocar bateria imaginária e emitir sons orais.
Rogério demonstra tendência em interagir com pessoas que possuam interesses
semelhantes aos seus. Ele participa de eventos específicos que se alinham às suas áreas de
interesse. No entanto, é importante ressaltar que ele não aprecia conversas informais ou
superficiais.
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CONCLUSÃO
O escore total na Escala de Responsividade Social – Adulto Autorrelato, Segunda
Edição (SRS-2) de Rogério apresentou pontuação bruta de 93. Os escores com pontuação de
76 e acima indicam prejuízos no comportamento social recíproco que são clinicamente
significativos e levam a uma interferência severa e duradoura nas interações sociais cotidianas.
Essas pontuações estão fortemente associadas ao Transtorno do Espectro Autista, de acordo
com o DSM-V.
Figura 1 – Dados da Escala de Responsividade Social 2 – Adulto Autorrelato
Mediante dados obtidos na avaliação, verificou-se que baseado no DSM-5 Rogério
preencheu os critérios diagnósticos para a hipótese de Transtorno do Espectro do Autismo
- Nível 1 (CID 10: F84), que sugerem dificuldade na sociocomunicação e comportamentos
restritos e repetitivos.
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Para a conclusão da hipótese diagnóstica sugere-se a avaliação com o médico
especialista.
Para melhora na qualidade de vida de Rogério e prevenção de agravos a sua saúde
mental sugere-se acompanhamento regular com psicólogo especialista em Transtorno do
Espectro do Autismo.
Colocamo-nos à disposição para possíveis esclarecimentos.
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ROSINE LIMA SILVA
Psicóloga | CRP 06/195743
Mestranda em Ensino pela Programa de Pós-Graduação Criatividade e Inovação em Metodologias de
Ensino Superior (Universidade Federal do Pará - 2022)
Especialista em Transtorno do Espectro do Autismo em Contexto Intersetoriais (Universidade do
Estado do Pará - 2022)
Especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Desenvolvimento Atípico (Faculdade Inspirar -
2021)
Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica (Faculdade Futura - 2019)
Esse relatório não poderá ser utilizado para fins diferentes dos apontado no item de identificação, que
possui caráter sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que não se responsabiliza pelo uso
dado ao relatório por parte da pessoa, grupo ou instituição após a sua entrega em entrevista devolutiva.
REFERÊNCIAS
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION - APA. Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.
BARON-COHEN, S.; WHEELWRIGHT, S.; SKINNER, R.; MARTIN, J.; CLUBLEY, E. The autism
spectrum quotient (AQ): Evidence from Asperger syndrome/high-functioning autism, males
and females, scientists, and mathematicians. Journal of autism and developmental disorders,
v. 31, n. 1, p. 5-17, 2001.