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Limites Infinitos em Funções Matemáticas

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Limites Infinitos

Professor Rafael Rigão Souza - DMPA / UFRGS


(Observação: Este é um texto em construção.)

Na última seção estudamos limites pontuais. Vimos que

limx→a f (x) = L

quando f (x) fica arbitrariamente próximo de L a medida que fazemos x se aproximar de a. Ou, na linguagem
de limites, f (x) tende a L quando x tende a a. Nessa expressão acima, L é um número real. 1
Hoje daremos sentido às expressões:

limx→a f (x) = +∞ e limx→a f (x) = −∞.

Exemplo 1. Estude o comportamento da função f (x) = 1/x quando x tende a zero.

Observe que zero é o único ponto que não pertence ao domı́nio da função f (x) = 1/x. Então a questão
acima é bastante natural. Iniciamos observando que

f (0.1) = 10,
f (0.01) = 100,
f (0.001) = 1000,
f (0.0001) = 10000,

ou seja, a medida que x se aproxima de zero por valores positivos (ou seja, que x tende a zero pela direita),
a função f (x) cresce sem nenhuma limitação. Quando isso ocorre, dizemos que

1
lim = +∞,
x→0+ x

que se lê ”o limite de 1/x quando x tende a zero pela direita é mais infinito”.
Por outro lado, ao fazermos x se aproximar de zero por valores negativos (tender a zero pela esquerda),
temos

f (−0.1) = −10,
f (−0.01) = −100,
f (−0.001) = −1000,
f (−0.0001) = −10000,

ou seja, a medida que x se aproxima de zero por valores negativos (ou seja, que x tende a zero pela esquerda),
a função f (x) decresce sem nenhuma limitação. Quando isso ocorre, dizemos que

1
lim = −∞,
x→0− x

que se lê ”o limite de 1/x quando x tende a zero pela esquerda é menos infinito”.
E aqui cabe uma observação importante sobre notação e terminologia: no caso acima, dizemos que os
limites laterais envolvidos não existem (apesar de escrevermos limx→0+ x1 = +∞ e limx→0− x1 = −∞). A
justificativa é que a função não se aproxima de nenhum número real quando x tende a zero, tanto faz se
pela esquerda ou pela direita.
Segue agora o gráfico de f (x) = 1/x:
1
a tı́tulo de curiosidade, observamos que tanto a como L são números reais, e a precisa estar ou no domı́nio de f ou ser
limite de alguma sequência de pontos do domı́nio de f .
Cálculo Diferencial e Integral Professor Rafael Rigão Souza - DMPA / UFRGS

Exemplo 2. Estude o comportamento da função f (x) = 1/x2 quando x tende a zero.

Uma análise parecida pode ser feita e nos mostra que

f (0.1) = 100,
f (0.01) = 10000,
f (0.001) = 1000000,
f (0.0001) = 100000000,

f (−0.1) = 100,
f (−0.01) = 10000,
f (−0.001) = 1000000,
f (−0.0001) = 100000000.

Agora, tanto quando fazemos x tender a zero pela esquerda quanto quando fazemos x tender a zero pela
direita, temos f (x) crescendo sem nenhuma limitação.
Então escrevemos a expressão abaixo, envolvendo um limite bilateral:

1
lim = +∞,
x→0 x2

1 1
(o que implica algo sobre os limites laterais: limx→0+ x2
= +∞ e limx→0− x2
= +∞).
1
Observe o gráfico de f (x) = x2
:

2
Cálculo Diferencial e Integral Professor Rafael Rigão Souza - DMPA / UFRGS

Observação 1. Uma observação opcional, para aqueles que gostam de fı́sica. Se você se lembrar da fı́sica
do ensino médio, vai lembrar que a força de repulsão (em módulo) entre duas partı́culas eletricamente
carregadas com cargas q1 e q2 é dada pela lei de Coulomb:
Kq1 q2
FR =
d2
onde d é a distância entre estas partı́culas, e K é uma constante positiva. A menos da constante Kq1 q2 no
numerador, a função acima coincide com a função f (x) = 1/x2 , se fizermos x = d. Como sabemos da fı́sica,

lim FR = +∞.
d→0

Os próximos exemplos trazem funções bem conhecidas:

Exemplo 3. Se vc lembrar do gráfico da função logarı́tmica natural, vai notar que

limx→0+ ln(x) = −∞

Veja o gráfico:

Exemplo 4. Outro exemplo importante vem da função tangente:

limx→ π − tg(x) = +∞
2

3
Cálculo Diferencial e Integral Professor Rafael Rigão Souza - DMPA / UFRGS

limx→ π + tg(x) = −∞
2

Veja o gráfico:

Agora passemos a um exemplo de uma função racional que vai exigir uma análise um pouco mais
demorada, envolvendo os sinais dos polinômios que formam o numerador e o denominador da função:

Exemplo 5. A função
2−x
f (x) =
x2 − 5x + 4
tem como domı́nio o conjunto R\{1, 4}, ou seja precisamos extrair do domı́nio de f os pontos 1 e 4, que
anulam o seu denominador. Calcule os limites laterais de f (x) quando x tende a 1 e a 4.

SOLUÇÃO: O numerador da função f (x) não se anula nem em 1 e nem em 4, enquanto o denominador
se anula em ambos os pontos, e isso é indicativo de limites infinitos nestes pontos. Precisamo então estu-
dar o sinal da função nas redondezas de ambos os pontos. Para isso iniciamos considerando o gráfico do
denominador x2 − 5x + 4 :

Ao fazermos x tender a 1 pela esquerda, o numerador 2 − x tende a 2 − 1 = 1, um número positivo,


enquanto o denominador x2 −5x+4 tende a zero por valores positivos. Logo temos a divisão de dois números
positivos, com o denominador tendendo a zero. Nesse caso o quociente vai crescer sem limitação. 2
Como resultado, temos
2−x
lim 2 = +∞.
x→1 − x − 5x + 4
Quando fazemos x tender a 1 pela direita, o sinal do denominador se inverte, enquanto o numerador
continua positivo e tendendo a 1. Assim, o quociente é negativo, a função decresce sem limitação e podemos
concluir que
2−x
lim 2 = −∞.
x→1 x − 5x + 4
+

2
Para entender melhor esta afirmação, considere
2 − 0.99 1.01 1.01
f (0.99) = = = = 33.55,
0.992 − 5 × 0.99 + 4 0.9801 − 4.95 + 4 0.0301
e, com a ajuda de uma calculadora, repita as contas acima, para x dado por 0.999 e 0.9999: você vai obter os valores f (0.999) =
333.55 e f (0.9999) = 3333.56.

4
Cálculo Diferencial e Integral Professor Rafael Rigão Souza - DMPA / UFRGS

Quando fazemos x tender a 4 pela esquerda, uma olhada no gráfico acima nos mostra que o denominador
x2 − 5x + 4tende a zero por valores negativos. Porém agora o numerador 2 − x tende a 2 − 4 = −2 e portanto
também é negativo. Assim, temos um quociente de números negativos, e a função cresce sem limitação:
2−x
lim = +∞.
x→4− x2 − 5x + 4
Ao ”trocarmos de lado”, ou seja, fazermos x tender a 4 pela direita, o numerador continua negativo e
próximo de −2, enquanto o denominador troca de sinal, tendendo a zero por valores positivos. Assim o
quociente é negativo e concluı́mos que
2−x
lim = −∞.
x→4+ x2 − 5x + 4
2−x
Uma olhada no gráfico da função f (x) = x2 −5x+4
mostra que os nossos limites estão corretos:

O último exemplo motiva os seguintes teoremas, que são opcionais:


f (x)
Teorema 1 (OPCIONAL). Se limx→a f (x) ̸= 0 e limx→a g(x) = 0, então limx→a g(x) = +∞.

Note que não é possı́vel tirar o módulo: por exemplo se f (x) = 1 e g(x) = x · sen(1/x), então o sinal
do quociente irá oscilar. Note que neste exemplo temos limx→0 g(x) = 0 como consequência do critério do
confronto para limites, que não abordaremos aqui.
A seguinte versão mais simples é válida

Teorema 2 (OPCIONAL). Sejam f (x) e g(x) polinômios. Se limx→a+ f (x) ̸= 0 e limx→a+ g(x) = 0, então
ou limx→a+ fg(x)
(x)
= +∞ ou limx→a+ fg(x)
(x)
= −∞, e o mesmo vale se tomarmos o limite à esquerda (x → a− ).

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