0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações18 páginas

Introdução à Imunologia Clínica

A imunologia clínica estuda os mecanismos de defesa do organismo contra agentes biológicos e aplica esses princípios ao diagnóstico e tratamento de doenças imunomediadas. O sistema imunológico é composto por células especializadas, como leucócitos, que atuam na resposta imune inata e adaptativa, sendo a primeira responsável por uma defesa rápida e inespecífica. O documento explora as características e funções das principais células do sistema imune, como neutrófilos, eosinófilos, monócitos, macrófagos, basófilos, mastócitos, células dendríticas e linfócitos.

Enviado por

Amanda Padilha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações18 páginas

Introdução à Imunologia Clínica

A imunologia clínica estuda os mecanismos de defesa do organismo contra agentes biológicos e aplica esses princípios ao diagnóstico e tratamento de doenças imunomediadas. O sistema imunológico é composto por células especializadas, como leucócitos, que atuam na resposta imune inata e adaptativa, sendo a primeira responsável por uma defesa rápida e inespecífica. O documento explora as características e funções das principais células do sistema imune, como neutrófilos, eosinófilos, monócitos, macrófagos, basófilos, mastócitos, células dendríticas e linfócitos.

Enviado por

Amanda Padilha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

IMUNOLOGIA CLÍNICA

AULA 1

Profª Suzany Soczek


CONVERSA INICIAL

A imunologia é a ciência que estuda os mecanismos de defesa do


organismo contra agentes biológicos, incluindo microrganismos patogênicos e
substâncias estranhas. Essa área do conhecimento investiga a estrutura e a
função do sistema imunológico, suas respostas frente a diferentes estímulos e
seu papel na manutenção da homeostase. A imunologia clínica, por sua vez,
aplica esses princípios ao diagnóstico, monitoramento e tratamento de doenças
imunomediadas, como infecções, alergias, imunodeficiências e desordens
autoimunes.
Nesta etapa, serão abordados os aspectos gerais da imunidade inata e
adaptativa, fundamentais para a defesa do organismo contra agentes
patogênicos. A imunidade inata representa a primeira linha de defesa, sendo
composta por barreiras físicas, químicas e celulares, como a pele, as mucosas
e as células fagocíticas, que atuam no reconhecimento e na eliminação de
microrganismos de forma rápida e inespecífica. A imunidade adaptativa, por
sua vez, é caracterizada por uma resposta específica e pela geração de
memória imunológica. Diferentemente da imunidade inata, a resposta
adaptativa demanda um período para ser estabelecida, mas confere proteção
duradoura e altamente direcionada.
Ao longo desta etapa, serão exploradas as características, os
mecanismos de ação e a interação entre os sistemas de imunidade inata e
adaptativa. A compreensão desses conceitos é fundamental para analisar
como o organismo responde a infecções e outras condições imunológicas, bem
como para identificar possíveis disfunções que possam comprometer a
resposta imune.

TEMA 1 – INTRODUÇÃO À IMUNOLOGIA

O que acontece no corpo quando é invadido por um vírus ou uma


bactéria? Seja uma bactéria comum, como a Clostridium tetani, causadora do
tétano, ou, ainda, um vírus muito comum, que causou uma desastrosa
pandemia de 2020 a 2023, o SARS-CoV-2 (ou também conhecido como
Coronavírus).
E, ainda, como algumas pessoas que contraíram a covid-19 ficaram
muito doentes e acabaram falecendo, enquanto outras (até mesmo residentes

2
da mesma casa, expondo-se aos mesmos microrganismos) tiveram sintomas
simples ou foram assintomáticas?
Como esses números de mortes foram drasticamente reduzidos com a
vacinação e qual o motivo de até hoje tomarmos vacina para prevenção dessa
doença?
Essas respostas estão diretamente relacionadas ao funcionamento do
sistema imunológico, que é a principal linha de defesa do corpo contra
invasores como vírus, bactérias, fungos e até mesmo células tumorais. O
sistema imunológico é um conjunto altamente sofisticado de células, tecidos e
órgãos que trabalham em conjunto para identificar e neutralizar qualquer
ameaça que possa prejudicar o organismo.

1.1 Células do sistema imune

A resposta imune dos mamíferos contra microrganismos depende da


ação de células especializadas, conhecidas como leucócitos ou glóbulos
brancos. Essas células, assim como outras do corpo humano, têm sua origem
nas células-tronco hematopoiéticas da medula óssea, que são chamadas de
pluripotentes, pois têm a capacidade de dar origem a todos os tipos celulares
do organismo. Essas células-tronco se dividem em dois grupos mais
específicos de progenitores: o linfoide e o mieloide.
As células imunológicas derivadas da linhagem mieloide incluem os
granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos), macrófagos e mastócitos. Já
as células da linhagem linfoide são compostas pelas células Natural Killer (NK),
além dos linfócitos T e linfócitos B. Por fim, as células dendríticas, que
desempenham um papel crucial na apresentação de antígenos, podem se
originar tanto da linhagem linfoide quanto da mieloide, dependendo do contexto
e do tipo de estímulo.

1.2 Neutrófilo

O neutrófilo segmentado ou polimorfonuclear é assim denominado em


razão da morfologia lobular de seu núcleo (apresentando geralmente de três a
cinco segmentações), unidas por finos filamentos. É o principal leucócito
circulante no sangue (sendo o mais numeroso), tem vida relativamente curta
(até 8 horas na corrente sanguínea e até 2 dias quando migra para os tecidos a
fim de conter as infecções). Essas células não sofrem duplicações, precisando
3
ser constantemente produzidas pela medula óssea. Sua principal função é
participar do sistema imune inato como fagócito.

Figura 1 – Imagem representativa do neutrófilo

Crédito: Suzany Soczek.

1.3 Eosinófilo

O eosinófilo participa, de forma intensa, de reações alérgicas e


parasitárias. Essas células se caracterizam pela presença de um núcleo
bilobado (em forma de dois lóbulos conectados) e intensa coloração vermelho-
alaranjada de seus grânulos citoplasmáticos quando corados. No interior
desses grânulos estão presentes diversas enzimas e proteínas citotóxicas e
antimicrobianas. Os eosinófilos circulam no sangue por aproximadamente 12 a
18 horas e, depois, migram para os tecidos, onde podem permanecer por
alguns dias.

Figura 2 – Imagem representativa do eosinófilo

Crédito: Suzany Soczek.

4
1.4 Monócito

O monócito é a maior célula circulante do sistema imune e circulam no


sangue por até 3 dias. Seu núcleo é em forma de “C” (também conhecido como
forma de rim), não segmentado, e seu citoplasma é pouco granulado, sendo,
muitas vezes, esses grânulos imperceptíveis. Essas células migram para os
tecidos e se diferenciam em macrófagos ou células dendríticas, dependendo do
local e das necessidades do organismo. Sua principal função da resposta
imune inata é a fagocitose.

1.5 Basófilo

Esses leucócitos representam uma pequena quantidade circulante no


sangue (até 2% dos leucócitos totais) possuem um núcleo geralmente em
forma de "S" ou "U", grande e pouco segmentado. O citoplasma dessas células
possui granulações grandes e intensamente coradas, contendo heparina e
histamina, que são liberadas após a ativação dessas células. Além de estarem
presentes na circulação, os basófilos também migram para os tecidos conforme
a necessidade.

Figura 3 – Imagem representativa do basófilo

Fonte: elaborada por Soczek, 2025, com base em Roitt's Essential Immunology 1.
Crédito: Suzany Soczek.

1.6 Macrófago

Após a diferenciação, os monócitos migram para os tecidos periféricos,


onde se transformam em macrófagos. Esses macrófagos podem residir nos
tecidos de forma permanente ou serem recrutados para locais de infecção ou

1 Disponível em: <[Link]/[Link]>. Acesso em: 24 maio 2025.

5
inflamação, podendo residir por até meses nos tecidos. Sua principal função no
sistema imune é fagocitar (patógenos e células mortas, auxiliando no reparo
tecidual) e apresentar antígenos ao sistema imune adaptativo.

Figura 4 – Imagem representativa do macrófago

Fonte: elaborada por Soczek, 2025, com base em Roitt's Essential Immunology.
Crédito: Suzany Soczek.

1.7 Mastócito

O mastócito é encontrado nos tecidos conjuntivos, especialmente


próximos a vasos sanguíneos, nervos e mucosas do trato respiratório e
gastrointestinal. Essa célula possui granulações e, quando ativadas,
normalmente em quadros alérgicos, liberam o conteúdo de seus grânulos
(histamina e heparina).

Figura 5 – Imagem representativa do mastócito

Fonte: elaborada por Soczek, 2025, com base em Roitt's Essential Immunology.
Crédito: Suzany Soczek.

1.8 Célula dendrítica

As dendríticas são células teciduais (migram da medula óssea e são


levadas pela corrente sanguínea até os tecidos) cuja função é englobar

6
microrganismos menores (endocitose) ou fragmentos deles deixados por outros
fagócitos. Elas estão localizadas principalmente nas barreiras de entrada do
corpo, como a pele (células dendríticas da epiderme ou células de
Langerhans), as mucosas (como o trato gastrointestinal e respiratório) e os
nódulos linfáticos. Sua principal função é conectar o sistema imune inato ao
adaptativo, atuando como apresentadora de antígeno.

Figura 6 – Imagem representativa da célula dendrítica

Fonte: elaborada por Soczek, 2025, com base em Roitt's Essential Immunology.
Crédito: Suzany Soczek.

1.9 Linfócitos

Além de atuar ativamente na defesa contra infecções, os linfócitos ainda


têm a importante função de regular a resposta imunológica. Existem três tipos
principais de linfócitos: T, B e NK, cada um com funções especializadas e
papéis distintos. Morfologicamente, essas células são muito semelhantes (não
sendo possível diferenciá-las sob microscopia, precisando, para isso, de
exames mais específicos, como imunofenotipagem). São células pequenas
(quando comparadas às outras circulantes sanguíneas), com um núcleo
grande, esférico e denso, e com citoplasma escasso e relativamente fino. Os
linfócitos T tem uma função citotóxica bem importante, enquanto o linfócito B
atua, principalmente, na produção de anticorpos e os linfócitos NK atuam na
defesa rápida contra células infectadas por microrganismos intracelulares,
como vírus, e tumorais.

7
Figura 7 – Imagem representativa do linfócito

Fonte: elaborada por Soczek, 2025, com base em Roitt's Essential Immunology.
Crédito: Suzany Soczek.

TEMA 2 – SISTEMA IMUNE INATO

Quando o corpo é invadido por um patógeno o sistema imune reage de


imediato utilizando uma série de mecanismos para detectar e eliminar essa
ameaça. Existem dois tipos principais de resposta imunológica: imunidade
inata e imunidade adaptativa, que trabalham em conjunto, de forma
coordenada e codependente.
A imunidade inata, também conhecida como natural, tem por
característica ser responsável por uma resposta rápida, inespecífica e que não
gera memória, sendo a primeira linha de defesa frente a agentes invasores.
Seus principais componentes são as barreiras (físicas e químicas, como a pele
e o suco gástrico, respectivamente), as células (como os fagócitos) e as
moléculas efetoras (como as citocinas).

2.1 Barreiras físicas e químicas

As barreiras físicas e químicas são responsáveis por conter a maior


parte dos agentes patogênicos. Elas formam a primeira linha de defesa do
corpo, impedindo que os microrganismos entrem, estabeleçam-se e causem
doenças. A pele, além de possuir uma camada queratinizada e impermeável,
ainda secreta o sebo, que desempenha um importante papel microbicida. Os
cílios respiratórios atuam com o muco (por meio do movimento mucociliar) para
capturar e eliminar microrganismos. A lisozima, presente na lágrima e na
saliva, é uma molécula importante na degradação da parede celular de
bactérias. O pH ácido do estômago destrói grande parte dos patógenos
ingeridos nos alimentos, e a microbiota normal e saudável (da pele, trato

8
gastrointestinal e geniturinário, por exemplo) compete com os microrganismos
por nutrientes e espaço, dificultando seu estabelecimento e sua invasão.

2.2 Barreiras celulares

As barreiras celulares da resposta imune inata, que incluem os fagócitos


(macrófagos, neutrófilos e células dendríticas), desempenham um papel central
no combate às infecções, atuando no reconhecimento de patógenos, na
fagocitose e na ativação de mecanismos inflamatórios por meio da liberação de
citocinas, além de contribuir para a ativação da imunidade adaptativa por meio
da apresentação de antígenos.
O processo se inicia com o reconhecimento do microrganismo invasor
pelos fagócitos. Esse reconhecimento ocorre por meio de receptores
específicos chamados PRR (Pattern Recognition Receptors – em português
“receptor de reconhecimento de padrão”).

Figura 8 – Tipos e principais localizações dos PRRs na célula. TLR – Toll-Like


Receptor. NOD – Nucleotide-Binding Oligomerisation Domain. RIG – Retinoic
Acid-Inducible

Crédito: Jefferson Schnaider.

9
Os PRRs das células imunes identificam estruturas conservadas em
patógenos conhecidas como PAMP (Pathogen-Associated Molecular Patterns –
em português “padrões moleculares associados ao patógeno”), que são
estruturas conservadas ao longo da evolução em determinados
microrganismos, servindo como “alvos” para o reconhecimento pelos fagócitos.
São exemplos de PAMPs os lipopolissacarídeos (LPS) de bactérias gram-
negativas e o RNA viral. Além dos PAMPs, os PRRs dos fagócitos também
reconhecem DAMPs (Damage-Associated Molecular Patterns – em português
“padrões moleculares associados ao dano”), que são moléculas liberadas por
células do próprio organismo em resposta ao dano tecidual, ao estresse ou à
morte celular, sinalizando a necessidade de uma resposta inflamatória e
reparação.

Figura 9 – PRRs reconhecendo PAMPs e DAMPs

Crédito: Jefferson Schnaider.

A interação entre os PRRs e os PAMPs leva à ativação dos fagócitos,


desencadeando a liberação de citocinas, que são moléculas sinalizadoras
liberadas pelos macrófagos ativados, células dendríticas e outras células do
sistema imune. As citocinas, como o fator de necrose tumoral (TNF-α) e as
interleucinas (IL-1, IL-6), atuam no atravessamento da parede dos vasos
sanguíneos, facilitando o movimento de neutrófilos e monócitos da corrente
10
sanguínea até o local da infecção. Esse processo é conhecido como
diapedese, no qual as células do sangue atravessam as paredes dos capilares
para chegar ao tecido inflamado, onde os patógenos estão localizados.
Essa ativação promove a fagocitose, que é um mecanismo fundamental
da resposta imune inata, no qual células fagocíticas reconhecem os
microrganismos, ligam-se a eles, internalizam-nos e os matam. Após o
reconhecimento, ocorre a ligação da partícula à membrana da célula fagocítica,
desencadeando vias de sinalização intracelular que ativam o rearranjo do
citoesqueleto de actina. Esse processo leva à internalização do patógeno,
formando uma estrutura vesicular denominada fagossomo.
O fagossomo posteriormente se funde com lisossomos, originando o
fagolisossomo, onde ocorre a degradação enzimática do material fagocitado.
Durante essa etapa, espécies reativas de oxigênio (EROs) e enzimas
hidrolíticas promovem a morte do microrganismo e sua subsequente
fragmentação.

Figura 10 – Representação esquemática da fagocitose, mostrando suas etapas

Crédito: Designua/Shutterstock.

Além da eliminação do patógeno, a fagocitose resulta na liberação de


citocinas pró-inflamatórias, como IL-1 (interleucina do tipo 1 – aumenta a febre
e promove a diapedese), IL-6 (interleucina do tipo 6 – estimula a produção de
proteínas de fase aguda pelo fígado, como a proteína C reativa, e participa na
diferenciação de células do sistema imune adaptativo) e TNF-α (fator de
necrose tumoral tipo alfa – permite a diapedese, principalmente), que
desempenham papel essencial na amplificação da resposta imune.
Parte dos fragmentos processados no fagolisossomo é transportada para a
superfície celular, promovendo sua exposição na membrana em associação
com moléculas do Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC). Esse

11
processo permite a apresentação dos antígenos a linfócitos T auxiliares,
iniciando a ativação da resposta imune adaptativa.
É importante ressaltar que, durante a infecção, ocorre a ativação de
outras vias a fim de aumentar a resposta imune, como o sistema complemento
e a produção de proteínas de fase aguda. O sistema complemento atua na
defesa contra agentes infecciosos por meio de uma cascata de ativação
proteica. Esse sistema pode ser ativado por três vias principais: a clássica, a
alternativa e a via da lectina, todas convergindo para a deposição do C3b (uma
das proteínas do complemento) na superfície do patógeno e promovendo
diversas respostas efetoras. As proteínas de fase aguda (PFA) são produzidas
principalmente pelo fígado em resposta à inflamação ou infecção, sendo
induzidas por citocinas. Elas auxiliam na resposta imune e no reparo tecidual. A
Proteína C Reativa (PCR) é um exemplo clássico de PFA. Sua produção
aumenta rapidamente após um estímulo inflamatório, e ela atua na
opsonização de patógenos, ativação do complemento e modulação da resposta
inflamatória. A PCR é um importante marcador laboratorial para detectar
inflamação, infecções e doenças autoimunes.

TEMA 3 – INTERAÇÃO ENTRE IMUNIDADE INATA E ADAPTATIVA

A imunidade inata e a imunidade adaptativa interagem de maneira


coordenada para garantir uma resposta eficaz contra patógenos. As células
apresentadoras de antígeno (APCs) desempenham um papel fundamental
nesse processo, atuando como ponte entre os dois sistemas.
As células dendríticas e os macrófagos são exemplos clássicos de
APCs. Essas células fagocitam e processam antígenos, fragmentando-os para
expor partes específicas chamadas epítopos. Esses fragmentos são, então,
apresentados na superfície celular em associação com moléculas do Complexo
Principal de Histocompatibilidade (MHC).
Essa APC, carregando o epítopo, busca um linfócito T naive (também
chamado de virgem, pois ainda não foi exposto ao seu antígeno específico)
para apresentá-lo, pela ligação com seu receptor (TCR), e estimular sua
diferenciação em células efetoras ou de memória. O MHC de classe II é
expresso por APCs profissionais e apresenta antígenos extracelulares para
linfócitos T auxiliares (CD4+), enquanto o MHC de classe I está presente em
quase todas as células nucleadas e exibe antígenos intracelulares para

12
linfócitos T citotóxicos (CD8+). Mais detalhes sobre a maturação e
diferenciação de linfócitos serão tratados em etapa posterior.

Figura 11 – Apresentação do antígeno pela SPC para uma célula T e sua


diferenciação

Crédito: Jefferson Schnaider.

TEMA 4 – FUNCIONAMENTO DO SISTEMA IMUNE ADAPTATIVO

A resposta imune adaptativa é um mecanismo altamente específico e


sofisticado do sistema imunológico, responsável por reconhecer, eliminar e
gerar memória contra patógenos. Diferentemente da imunidade inata, que
responde de forma rápida e inespecífica, a imunidade adaptativa é ativada
após a exposição ao antígeno e envolve a ação coordenada dos linfócitos T e
B. Apesar dessas duas imunidades serem diferentes, elas precisam uma da
outra para o bom funcionamento do organismo.

3.1 Ativação do linfócito T

Após o reconhecimento do antígeno e a ativação pelos sinais


coestimulatórios, o linfócito T naive entra em um intenso processo de
proliferação clonal, no qual múltiplas cópias idênticas desse linfócito são
geradas. Esse processo ocorre principalmente nos órgãos linfoides
secundários, como linfonodos e baço, e é impulsionado pela secreção de
citocinas, especialmente a interleucina-2 (IL-2), que estimula a expansão da
população de linfócitos ativados.

13
Além da proliferação, esses linfócitos passam por um processo de
diferenciação, no qual adquirem funções especializadas de acordo com o tipo
de resposta imune necessária. Os principais tipos de linfócitos T diferenciados
incluem:

• Linfócitos T auxiliares (CD4+) – diferenciam-se em subtipos funcionais,


como Th1, Th2, Th17 e T reguladores (Treg), de acordo com as
citocinas presentes no microambiente. Esses subtipos coordenam a
resposta imune ativando macrófagos, estimulando linfócitos B e
regulando a inflamação.

• Linfócitos T citotóxicos (CD8+) – responsáveis pela destruição de


células infectadas ou tumorais por meio da liberação de perforinas e
granzimas, induzindo apoptose.

• Linfócitos T de memória – persistem no organismo após a eliminação do


patógeno, permitindo uma resposta mais rápida e intensa em
exposições futuras ao mesmo antígeno.

A expansão e a diferenciação dos linfócitos T garantem uma resposta


imune eficiente, coordenando a ativação de outras células do sistema imune e
promovendo a eliminação do agente invasor. Mais detalhes sobre a função
desses linfócitos serão abordados em etapa posterior.

3.2 Ativação do linfócito B

A ativação do LB ocorre de duas formas: dependente ou não da ação de


células T. A forma dependente é a mais eficiente e ocorre nos órgãos linfoides
secundários (linfonodos e baço), onde os linfócitos B naive reconhecem
antígenos proteicos por meio de seus receptores de membrana (BCR,
traduzido como “Receptor de Célula B”). No entanto, para uma ativação
completa, os linfócitos B precisam do auxílio dos linfócitos T auxiliares (CD4+),
que fornecem estímulos adicionais.
Já a ativação independente de LT ocorre quando alguns antígenos não
proteicos, como polissacarídeos, ativam diretamente os linfócitos B sem a
ajuda dos linfócitos T. Isso ocorre por meio da forte ativação do BCR e de
outros sinais do sistema imunológico. Porém, essa resposta é mais curta e não
gera memória imunológica.

14
Independentemente da via, após a ativação, os linfócitos B passam por
expansão clonal, formando duas populações principais:

• Plasmócitos – células especializadas na produção e secreção de


anticorpos específicos contra o antígeno.
• Linfócitos B de memória – responsáveis por uma resposta mais rápida e
intensa em exposições futuras ao mesmo patógeno.

TEMA 5 – ANTICORPOS E SUAS FUNÇÕES

Os anticorpos, ou imunoglobulinas (Ig), são proteínas produzidas pelos


plasmócitos em resposta a antígenos, desempenhando um papel essencial na
defesa contra patógenos. Eles neutralizam toxinas, marcam microrganismos
para fagocitose e ativam o sistema complemento. No entanto, os anticorpos
também estão envolvidos em processos patológicos, como alergias e doenças
autoimunes. Os tipos de anticorpos, a localização e as principais funções
estão na tabela abaixo. Mais detalhes sobre a ação imunológica dos anticorpos
serão abordados em etapa posterior.

Tabela 1 – Classe, localização e principais funções dos anticorpos

Tipo de Anticorpo Maior Concentração Função Principal


Primeira Ig produzida na resposta
IgM Sangue e linfa
imune, ativa fortemente o complemento.
Principal na resposta secundária,
IgG Sangue e líquido extracelular neutraliza patógenos e ativa o
complemento.
Secreções mucosas (saliva,
Proteção das mucosas contra
IgA leite materno, muco intestinal
patógenos.
e respiratório)
Defesa contra parasitas e resposta
IgE Tecidos e mastócitos
alérgica.
Superfície dos linfócitos B Papel na ativação dos linfócitos B,
IgD
naive função pouco conhecida.

Fonte: Soczek, 2025.

15
NA PRÁTICA

Na asma, os eosinófilos são recrutados para as vias aéreas, onde


liberam mediadores inflamatórios que agravam a inflamação e o estreitamento
das vias respiratórias, dificultando a respiração.
Na tuberculose, os monócitos se transformam em macrófagos que
fagocitam o Mycobacterium tuberculosis. No entanto, a bactéria pode
sobreviver dentro dos macrófagos, levando a uma infecção crônica e difícil de
erradicar.
Na aterosclerose, os macrófagos fagocitam lipídios oxidados e se
transformam em células espumosas, acumulando-se nas placas
ateroscleróticas, o que contribui para o estreitamento das artérias e a
inflamação crônica.
Na alergia, a IgE se liga a mastócitos e basófilos, desencadeando a
liberação de histamina e outros mediadores inflamatórios, causando os
sintomas típicos de reações alérgicas, como coceira e dificuldade respiratória.

FINALIZANDO

Quando um microrganismo como uma bactéria ou um vírus invade o


corpo, o sistema imunológico responde em diferentes etapas. Inicialmente,
barreiras físicas e químicas, como a pele, o muco, o pH ácido do estômago e a
microbiota normal, dificultam sua entrada e proliferação. Caso o patógeno
consiga ultrapassá-las, a imunidade inata entra em ação, com células como
macrófagos, neutrófilos e células dendríticas identificando padrões moleculares
associados ao invasor (PAMPs) por meio de receptores PRRs. Esse
reconhecimento ativa a fagocitose, onde o patógeno é englobado e destruído
dentro dos fagolisossomos, além de estimular a liberação de citocinas
inflamatórias que recrutam mais células de defesa para o local da infecção.
A resposta imune adaptativa é ativada quando células apresentadoras
de antígeno (APCs), como macrófagos e células dendríticas, processam
fragmentos do patógeno e os apresentam aos linfócitos T. Dependendo do tipo
de antígeno, os linfócitos T podem se diferenciar em células auxiliares (CD4+),
que coordenam a resposta imune, ou citotóxicas (CD8+), que eliminam células
infectadas. Os linfócitos B, ao reconhecerem o antígeno, podem se transformar

16
em plasmócitos, produzindo anticorpos específicos que neutralizam patógenos
e facilitam sua destruição.

17
REFERÊNCIAS

ABBAS, A.; LICHTMANN, A.; PILLAI, S. Imunologia celular e molecular. 6.


ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

DELVES, P. J. et al. Fundamentos de imunologia. São Paulo: Guanabara


Koogan, 2013.

DREAMSTIME. Fagocitose: macrófago e estádios do mecanismo da resposta


imunitária. Disponível em: <[Link]
estadios-do-mecanismo-da-resposta-imunitária-absorção-de-bactérias-por-
macrófagos-fases-entalamento-ou-image250154659>. Acesso em: 24 maio
2025.

ESMO – European Society for Medical Oncology. T-cells and NK cells.


OncologyPRO, [s. d.]. Disponível em:
<[Link]
clinicians/lymphomas/t-cells-and-nk-cells>. Acesso em: 20 fev. 2025.

MURPHY, K. Imunobiologia de Janeway. Tradução de Denise C. Machado,


Gaby Renard e Lucien Peroni Gualdi. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

PAREDES, J. G. A. et al. Immunological and technical considerations in


application of alginate-based microencapsulation systems. Frontiers in
Bioengineering and Biotechnology, v. 2, n. 26, 2014.

WOOD, P. Imunologia. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2013.

18

Você também pode gostar