História
A África e o capitalismo
industrial europeu
4o bimestre Ensino Fundamental:
Aula 19 Anos Finais
● Matérias-primas africanas; ● Identificar as principais matérias-
primas africanas demandadas
● Capitalismo industrial europeu;
pelos europeus durante o período
● Impactos do capitalismo industrial do imperialismo;
europeu na África.
● Compreender a relação entre as
demandas do capitalismo industrial
europeu e a exploração dos
recursos naturais africanos e seus
impactos nas comunidades locais.
Para começar
VIREM E CONVERSEM
Observe a charge ao lado
Lembrando das últimas aulas que tivemos sobre o
nacionalismo e o imperialismo europeu, debata
com seus colegas as seguintes perguntas:
1. Qual a crítica apresentada pela charge?
2. Quais matérias primas são representadas pela
charge?
3. Quais outros recursos, além desses
apresentados, podem ter sido extraídos de
forma violenta pelos europeus durante a fase
imperialista?
GLOSSÁRIO:
Matéria prima: material não processado que serve de forma principal para
fabricar algum bem. Fonte: HERLÉ QUINQUIS/KOHNERT, 2022.
Produzido pela SEDUC-SP com imagens © Getty Images.
Foco no conteúdo
O imperialismo e a consolidação
do capitalismo
● A Revolução Industrial teve início no século
XVIII e consolidou uma nova fase do
capitalismo;
● Para sustentar a produção, eram
necessários recursos abundantes a baixo
custo;
● O imperialismo teve uma relação direta com
a Revolução Industrial e o desenvolvimento
do capitalismo, pois a produção em massa
e a necessidade de novos mercados e
matérias-primas impulsionaram a expansão
© Getty Images colonial das potências industriais;
● Durante o século XIX, a Europa, a fim de
explorar e adquirir tais recursos, iniciou a
A ilustração acima mostra a fabricação de lâmpadas eléctricas
em uma fábrica do século XIX. Quais materiais você acha que
neocolonização dos continentes Africano e
eram usados para essa produção? Asiático.
Foco no conteúdo
● Assim, dentre as matérias-primas do
continente africano que foram
exploradas, os europeus tiveram como
foco os minérios, como ferro, cobre e
chumbo, além de produtos de origem
agrícola, como algodão e borracha;
● O mapa ao lado representa alguns dos
recursos buscados pelos europeus no
continente africano.
Fontes: EDUCABRAS, [s.d.]; GUIA DO ESTUDANTE, [s.d.].
Produzido pela SEDUC-SP.
Para garantir a produção das matérias-primas
necessárias para as indústrias, os europeus:
Pause e responda
Estabeleciam tratados e Adotaram práticas imperialistas
contratos com as nações de violência para garantir que
africanas, para obter recursos seus interesses fossem
respeitando o local e a cultura. atendidos.
Pause e responda
Para garantir a produção das matérias-primas necessárias para
as indústrias, os europeus:
Estabeleciam tratados e Adotaram práticas imperialistas
contratos com as nações de violência para garantir que
africanas, para obter recursos seus interesses fossem
respeitando o local e a cultura. atendidos.
Foco no conteúdo
Algodão egípcio
● Com a independência dos EUA, em 1789, a
Inglaterra se viu obrigada a importar algodão de
sua antiga colônia;
● Forte no setor têxtil, a indústria inglesa
encontrou uma forma de baratear sua
produção, em 1882, com a invasão do Egito;
● Antes, estava sob domínio otomano e já era
grande produtor de algodão;
● Na capital, Cairo, os bairros foram segregados
entre europeus e egípcios.
O algodão, produzido no Egito era trabalhado e vendido na Inglaterra. A
imagem acima mostra carregadores enchendo barcos com sacos de
algodão egípcio, na cidade de Alexandria, em 1922.
Lembre da última aula: além do algodão, o
controle sobre o Canal de Suez dava aos
Reprodução – NATIONAL GEOGRAPHIC IMAGE COLLECTION/ALSAYYAD, 2020.
ingleses o poder sobre boa parte do Disponível em: [Link]
cotton. Acesso em: 24 abr. 2025.
comércio entre Ásia, África e Europa.
Foco no conteúdo
Óleo de palma e látex congoleses
● Na atual República do Congo, foi
instaurado um regime colonial
controlado pela Bélgica;
● Lá, eram explorados minerais
preciosos, como esmeraldas e
diamantes, além do cultivo da palma;
● O óleo, que tem usos alimentares e
estéticos, requeria grandes hectares de
terras para ser produzido, o que levou à
expulsão das populações locais,
submetidas a situações análogas à
A história de violência sobre o óleo de palma ainda é debatida atualmente, escravidão;
sendo até seu consumo controverso para algumas pessoas. A ilustração
traduzida como “A produção do Óleo de Palma”, de Édouard Auguste
● A exploração dos recursos congoleses
Nousveaux, em 1844 mostra o controle e a violência dos europeus sobre os enriqueceu a Bélgica, mas manteve o
trabalhadores forçados. A ilustração encontra-se hoje no Museu
Metropolitano de Arte. Congo em uma situação de pobreza e
de violência.
Foco no conteúdo
Link para vídeo
O que é borracha? Como a borracha é
● A borracha natural derivada do látex
feita e usada? A jornada da borracha: da
era uma matéria prima valiosa para a árvore ao produto final
exportação, sendo muito utilizada;
● A seringueira, árvore que produz a
seiva para o látex, foi introduzida no
Congo pelos belgas, pois era nativa da
América;
● Sob o domínio do rei Leopoldo II da
Bélgica, os africanos locais eram
forçados a cultivar as seringueiras e a
coletar o látex sob coerção violenta.
Para saber mais sobre o material da borracha, o início de sua
fabricação no século XIX e o desenvolvimento da técnica de
extração, recomendamos o vídeo acima!
ENGENHARIA DETALHADA. O que é borracha? Como a borracha é feita e
usada? A jornada da borracha: da árvore ao produto final. Disponível em:
A borracha era um componente essencial para a [Link] Acesso em: 24 abr. 2025.
fabricação de pneus de veículos, calçados,
correias transportadoras, mangueiras etc.
Como a charge ao lado se
relaciona à exploração do
imperialismo no continente
Pause e responda
africano?
Na charge, um seringueiro congolês é atacado por uma
serpente com o rosto de Leopoldo II, então rei da Bélgica.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2024. Disponível em:
[Link]
pg. Acesso em: 24 abr. 2025.
Leopoldo II, rei da Bélgica, é
A Bélgica, como potência europeia,
apresentado sendo morto pelo
explorou não só a matéria prima do
seringueiro, que resiste à
látex como a mão de obra africana.
escravidão.
Como a charge ao lado se
Pause e responda relaciona à exploração do
imperialismo no continente
africano?
Na charge, um seringueiro congolês é atacado por uma
serpente com o rosto de Leopoldo II, então rei da Bélgica.
Reprodução – WIKIMEDIA COMMONS, 2024. Disponível em:
[Link]
pg. Acesso em: 24 abr. 2025.
Leopoldo II, rei da Bélgica, é
A Bélgica, como potência europeia,
apresentado sendo morto pelo
explorou não só a matéria prima do
seringueiro, que resiste à
látex como a mão de obra africana.
escravidão.
Foco no conteúdo
Marfim, o “ouro branco”
● Produto branco e muito resistente
obtido dos dentes caninos de elefantes
e hipopótamos;
● É utilizado na fabricação de joias,
enfeites e artefatos de arte, com
elevado valor comercial.
● Estima-se que, antes da chegada dos
europeus na África, 26 milhões de
elefantes viviam no continente. Hoje,
restam apenas cerca de 400 mil.
A fotografia acima registra o comércio de marfim na África Oriental no
final do século XIX. Nela, é possível notar os brancos, que comandam a
extração, e os negros escravizados, forçados a trabalhar.
Como o caso do marfim indica a
exploração não só dos africanos, mas de
Reprodução – ANDREASPRAEFCKE/WIKIMEDIA COMMONS, 2009. Disponível
toda a biodiversidade do continente? em: [Link] Acesso em: 24 abr.
2025.
Como isso se reflete nos dias atuais?
Na prática Atividade 1 Veja no livro!
HORA DA LEITURA
10 minutos
Leia o trecho a seguir sobre a Os europeus já comercializavam outras
mercadorias com os africanos, as quais
transição das relações entre aumentaram com a industrialização da
países europeus e africanos. Europa. Diante dessa proibição, o negócio
Na sequência, responda às de escravos passou a ser considerado de
comércio ilegítimo, enquanto as trocas de
questões. outras mercadorias passaram a ser
1. Explique o que aconteceu com os conhecidas como comércio legítimo. Para
mercados de escravizados após a termos uma ideia, os antigos mercados de
escravizados da Senegâmbia ao Delta do
abolição. Níger tornaram-se centros comerciais onde
2. Quais produtos os europeus europeus compravam produtos dos
buscavam? africanos, sobretudo matérias-primas. Os
europeus continuaram a fornecer aos
3. Como a passagem do tráfico de africanos produtos manufaturados e
escravos para o 'comércio legítimo' recebiam deles produtos como óleo de
de matérias-primas, como óleo de palma, amendoim, madeira, marfim, ouro e
penas de avestruz.
palma e marfim, na África, (MCCLINTOCK, 2010)
relaciona-se com a exploração
promovida pela Bélgica? TODO MUNDO ESCREVE
Argumente.
Na prática
Correção
1. Explique o que aconteceu com os mercados de escravizados após a abolição.
Resposta. As mesmas cidades, antes utilizadas para traficar pessoas escravizadas, foram
transformadas em centros comerciais, com a exploração e venda de matérias primas e bens
manufaturados das indústrias em crescimento.
2. Quais produtos os europeus buscavam?
Resposta. Os principais produtos buscados pelos europeus incluíam óleo de palma, amendoim,
madeira, marfim, ouro, prata, seiva para a produção de borracha, penas de avestruz etc.
3. Como a passagem do tráfico de escravos para o 'comércio legítimo' de matérias-primas, como óleo de
palma e marfim, na África, relaciona-se com a exploração promovida pela Bélgica? Argumente.
Resposta. A transição do tráfico de escravos para o comércio de matérias-primas na África
representou uma mudança nos padrões de exploração colonial durante o período industrial. No
Congo Belga, sob administração de Leopoldo II, a extração de látex e marfim foi realizada mediante
sistemas de trabalho compulsório. Esse modelo demonstra que a reorientação comercial do período
imperialista manteve mecanismos coercitivos de obtenção de recursos, agora direcionados para
suprir as demandas das indústrias europeias.
Encerramento
Acerca dos conhecimentos
adquiridos na aula de hoje,
observe a charge e, em
sequência, responda:
1. Quais eram as principais matérias-
primas africanas de interesse dos
imperialistas europeus?
2. Como as demandas do
capitalismo industrial europeu e a
exploração dos recursos naturais
impactaram as comunidades
locais? Argumente.
COM SUAS PALAVRAS
Fonte: TAYO FANTULA, 2025.
Produzido pela SEDUC-SP com imagens © Getty Images.
Referências
BOAHEN, A. A. (ed.). História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935. Brasília
(DF): UNESCO, 2010. Disponível em: [Link] Acesso
em: 24 abr. 2025.
EDUCABRAS. África – Economia, [s.d.]. Disponível em: [Link]
economia. Acesso em: 24 abr. 2025.
FANON, F. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
GUIA DO ESTUDANTE. Internacional: África, o continente que depende das exportações de matérias
primas e é afetado pela queda internacional dos preços, [s.d.]. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 24 abr. 2025.
HERLÉ QUINQUIS. Cartoon: African money pump – Africa is not poor, it is looted. In: KOHNERT, D.
The impact of an energy-induced EU recession on Sub-Saharan Africa, jul. 2022. Disponível em:
[Link]
French_fig1_362362693. Acesso em: 24 abr. 2025.
HOBSBAWM, E. J. A era dos impérios: 1875-1914. São Paulo: Paz e Terra, 2012.
LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso,
2023.
Referências
MCCLINTOCK, A. Couro imperial: raça, gênero e sexualidade no embate colonial. Campinas: Editora
da Unicamp, 2010.
RODNEY, W. Como a Europa subdesenvolveu a África. São Paulo: Boitempo, 2022.
ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should know.
American Educator, v. 36, n. 1, Washington, 2012. p. 12-19. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 abr. 2025.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista, 2019. Disponível em:
[Link]
etapas-Educa%C3%A7%C3%[Link]. Acesso em: 24 abr. 2025.
SOMERVILLE, K. Cosmetic trade bans and Western paternalism will not end poaching in Africa –
community-based conservation will. Institute of Commonwealth Studies, University of London, 6 ago.
2015. Disponível em: [Link]
western-paternalism-will-not-end-poaching-in-africa-community-based-conservation-will/. Acesso em: 24
abr. 2025.
TAYO FANTULA. Africa - Yours for the taking. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 abr. 2025.
Identidade visual: imagens © Getty Images.
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!
O desenvolvimento industrial na
Leia o texto. Europa desencadeou uma
De acordo com o texto, o que motivou significativa expansão econômica
as potências europeias a expandirem durante o século XIX. Com o
sua influência para África e Ásia no aumento da produção fabril e a
século XIX? acumulação de capital, as principais
potências europeias passaram a
A O desejo de difundir valores culturais e necessitar ampliar seus mercados
religiosos pelo mundo. consumidores e acessar fontes de
matérias-primas a custos reduzidos.
B A necessidade de mão de obra Essa necessidade levou essas
especializada para as fábricas europeias. nações a iniciarem processos de
A busca por mercados consumidores e exploração e dominação de territórios
C matérias-primas a baixo custo para suprir na África e Ásia, visando atender às
a industrialização. demandas de sua crescente
industrialização.
D O interesse em estabelecer alianças
militares com povos africanos e asiáticos.
Aprofundando
Correção O desenvolvimento industrial na
Leia o texto. Europa desencadeou uma significativa
De acordo com o texto, o que motivou expansão econômica durante o século
as potências europeias a expandirem XIX. Com o aumento da produção
sua influência para África e Ásia no fabril e a acumulação de capital, as
século XIX? principais potências europeias
passaram a necessitar ampliar seus
A O desejo de difundir valores culturais mercados consumidores e acessar
e religiosos pelo mundo.
fontes de matérias-primas a custos
A necessidade de mão de obra reduzidos. Essa necessidade levou
B especializada para as fábricas essas nações a iniciarem processos
europeias. de exploração e dominação de
A busca por mercados consumidores territórios na África e Ásia, visando
C e matérias-primas a baixo custo para
atender às demandas de sua
suprir a industrialização.
crescente industrialização.
O interesse em estabelecer alianças
D militares com povos africanos e
asiáticos.
Aprofundando
Correção
O texto claramente associa a expansão europeia sobre África e Ásia no século XIX às
necessidades industriais das potências europeias, que buscavam tanto novos mercados
consumidores quanto fontes de matérias-primas a baixo custo. As demais alternativas não se
sustentam: a opção a) menciona motivações culturais não citadas no texto; a b) refere-se à
mão de obra especializada, quando na verdade a Europa precisava de matérias-primas; e a
d) sugere alianças militares, enquanto o texto foca exclusivamente nos interesses
econômicos industriais como motor da expansão colonial.
Aprofundando Veja no livro!
(MACKENZIE 2016 – Adaptada)
No contexto imperialista britânico, no século O Egito (...) faz limite não
XIX, o domínio sobre o Egito representava, apenas com um mar, mas com
dentre outros, dois, o Mediterrâneo e o
o controle sobre as fontes de ouro e de Vermelho. A distância entre
A diamante, tornando-se a principal
colônia britânica. eles é de cerca de 160
a mão de obra da população rural para quilômetros. Por isso, desde
B o trabalho na agricultura, pela tempos imemoráveis, o país
existência do rio Nilo.
tem sido um elo entre a
a conquista de um território com terras
C interligando o Mediterrâneo ao mar Europa e o Oriente.
Vermelho.
o domínio sobre o deserto do Saara,
D importante elo de conexão entre o
Norte e o Sul. H. L. Wesseling. Dividir para Dominar: A partilha da África
(18801914). Rio de Janeiro: Editora UFRJ/ Editora Revan,
1998, p.46.
E a exploração da agricultura e dos
recursos industriais daquela região.
Aprofundando
Correção
O Egito (...) faz limite não
(MACKENZIE 2016 – Adaptada)
apenas com um mar, mas com
dois, o Mediterrâneo e o
A
o controle sobre as fontes de ouro e Vermelho. A distância entre
de diamante, tornando-se a principal
colônia britânica. eles é de cerca de 160
a mão de obra da população rural quilômetros. Por isso, desde
B para o trabalho na agricultura, pela tempos imemoráveis, o país
existência do rio Nilo.
tem sido um elo entre a
a conquista de um território com
C terras interligando o Mediterrâneo ao Europa e o Oriente.
mar Vermelho.
o domínio sobre o deserto do Saara,
D importante elo de conexão entre o
Norte e o Sul. H. L. Wesseling. Dividir para Dominar: A partilha da África
(18801914). Rio de Janeiro: Editora UFRJ/ Editora Revan,
1998, p.46.
E a exploração da agricultura e dos
recursos industriais daquela região.
Aprofundando
(MACKENZIE 2016 – Adaptada) Correção
O interesse britânico no Egito estava fortemente relacionado ao seu valor estratégico,
especialmente após a construção do Canal de Suez, que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar
Vermelho. Esse canal reduzia drasticamente o tempo de viagem entre a Europa e as colônias
britânicas na Ásia, especialmente a Índia, que era considerada a “joia da coroa britânica”.
Para professores
Slide 2
Habilidade: (EF08HI24) Reconhecer os principais produtos, utilizados pelos europeus,
procedentes do continente africano durante o imperialismo e analisar os impactos sobre as
comunidades locais na forma de organização e exploração econômica.
(SÃO PAULO, 2019)
Slide 3
Dinâmica de condução: para finalizar a sequência de aulas sobre a relação imperialista
entre os países europeus e o continente africano, esta aula deve levar os estudantes a
compreender a exploração econômica imposta pelos colonizadores, destacando a demanda
de matérias-primas pelos países europeus, a extração dos recursos naturais africanos e os
impactos dessa exploração nas comunidades locais. O objetivo é mostrar aos alunos como
a colonização foi, em grande parte, motivada pelo desejo das potências europeias de obter
recursos valiosos para sustentar suas indústrias e economias, e como essa exploração
afetou negativamente as populações africanas. Assim sendo, já o “Para começar” busca
incentivar uma análise crítica dos estudantes sobre a charge apresentada, que ironiza a
exploração industrial de matérias primas feitas no continente, bem como o sofrimento
acarretado às populações.
Expectativas de respostas: 1. A charge representa o imperialismo através do roubo das
riquezas africanas e sua transferência para a Europa.
2. As matérias primas simbolizadas pela charge são recursos naturais, como cobre, ouro,
diamantes, borracha, petróleo, café e cacau, marfim (com os caninos dos elefantes), etc.
3. Resposta pessoal.
Slides 4 a 13
Dinâmica de condução: a aula deve começar com uma introdução sobre a demanda de matérias-
primas que os países europeus tinham durante o período imperialista. Durante a Revolução Industrial,
as potências europeias passaram a demandar grandes quantidades de recursos naturais, como cobre,
ouro, diamantes, borracha, petróleo, café e cacau, que eram encontrados em abundância nas colônias
africanas. Esses recursos eram essenciais para alimentar as indústrias europeias, e as potências
coloniais. Nesse sentido, ao estabelecerem suas colônias, buscavam garantir o acesso exclusivo a
essas riquezas. O mapa representativo, tanto do slide 5 como presente na material impresso pode ser
importante para estimular o conhecimento da variedade de realidades e produtos de interesse.
Professor(a), é importante explicar como os recursos naturais africanos foram extraídos e explorados
pelas potências europeias. A exploração não se limitava à extração de minérios, mas envolvia também
o cultivo de produtos agrícolas, como o café, o cacau e o algodão, que eram enviados para a Europa.
O trabalho forçado e a imposição de regimes de trabalho insalubres, como o sistema de latifúndios e as
plantations, foram amplamente usados para garantir a produção em larga escala desses recursos. A
exploração da borracha, especialmente no Estado Livre do Congo sob o domínio de Leopoldo II da
Bélgica, é um exemplo emblemático de abuso e violência durante a extração de recursos naturais.
Aprofundamento:
RODNEY, W. Como a Europa subdesenvolveu a África. São Paulo: Boitempo, 2022.
SOMERVILLE, K. Cosmetic trade bans and Western paternalism will not end poaching in Africa –
community-based conservation will. Institute of Commonwealth Studies, University of London, 6 ago.
2015. Disponível em: [Link]
western-paternalism-will-not-end-poaching-in-africa-community-based-conservation-will/. Acesso em:
24 abr. 2025.
Slide 14 e 15
Dinâmica de condução: esse “Na prática” tem por objetivo compreender a transição do
tráfico de escravos para o comércio de matérias-primas na África pós-abolicionismo. Assim,
sugere-se focar em três objetivos principais: primeiro, compreender como se reconfiguraram
os mercados africanos após o fim do tráfico, analisando a substituição da mão de obra
escrava pela extração de recursos naturais; segundo, identificar os novos produtos
demandados pela industrialização europeia, como óleo de palma, borracha e marfim;
terceiro, relacionar esse "comércio legítimo" às estruturas de exploração colonial, com
ênfase no caso paradigmático do Congo Belga. Por conta do texto com possíveis palavras
difíceis ou um vocabulário enviesado, é interessante que tanto a leitura, como o debate e o
desenvolvimento da escrita sejam feitos em conjunto de toda sala, a fim de que tenham um
olhar mais direcionado nesse primeiro momento , afim de desenvolverem a atividade prática
das próximas duas aulas, tendo por base os conhecimentos adquiridos nesta aula.
Slide 16
Dinâmica de condução: a parte “Encerramento” busca encerrar a aula com uma atividade
reflexiva, novamente a partir do estímulo de debates e análises de uma charge que satiriza
a presença europeia no continente africano nos séculos XIX e XX. Em especial, pedimos
atenção à pergunta de número 2, que questiona sobre os impactos dessa exploração no
desenvolvimento das comunidades africanas e seu legado nas relações internacionais
atuais.
Expectativas de respostas: 1. As principais matérias-primas foram ouro, diamantes e
outros minerais preciosos, marfim, látex para produção de borracha, algodão, cacau, óleo
de palma, madeira, entre outros.
2. A industrialização da Europa criou uma grande demanda por matérias-primas, o que
transformou radicalmente a vida das comunidades locais, uma vez que elas foram coagidas
a abandonar seus modos tradicionais de subsistência para se dedicar à produção desses
produtos para exportação. Esse processo introduziu novos sistemas de trabalho, levou à
exploração intensiva dos recursos naturais e fez com que as sociedades perdessem parte
de sua autonomia, criando uma relação de dependência econômica com a Europa cujos
efeitos ainda podem ser observados em muitos países africanos até os dias atuais.